Descolagem

Com o tema Tecnologia e Educação: uma nova escola para um novo aluno, o Descolagem será no próximo Sábado, dia 22 de Novembro, a partir das 15h, no Núcleo Avançado em Educação (Nave). O evento promovido pelo Oi Futuro, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura contará com a presença de três especialistas para debater sobre a escola do século XXI: Paulo Blikstein (professor em Standford na área de novas tecnologias para educação), Luli Radfahrer (Ph.D. em Comunicação Digital pela ECA-USP) e Patrícia Konder Lins e Silva (diretora pedagógica da Escola Parque no Rio de Janeiro). O grupo Lens Kraftone fará uma apresentação multimídia e a Expo_Games, instalações sobre o universo dos jogos eletrônicos. A entrada é gratuita e os interessados devem enviar uma mensagem informando nome, idade e ocupação para descolagem@oi.com.br com o título “Quero Participar”. O encontro será transmitido ao vivo pela internet no site http://www.onave.org.br/, a partir das 14h30.

Endereço: Rua Uruguai 204 – Tijuca
Site: www.nave.org.br

Oficinas de mídia-educação formam conselheiros escolares em Nova Iguaçu

Apresentação

A partir de uma proposta baseada na comunicação, o planetapontocom está promovendo encontros para trabalhar a representatividade dos conselheiros de todas as escolas do município de Nova Iguaçu.

O objetivo é incentivar a participação dos diferentes segmentos – pais, alunos, professores, funcionários – na gestão da escola.

O diálogo franco, aberto e colaborativo entre as famílias, os educandos, as equipes de professores, coordenadores e diretores trabalha a democratização da educação para a melhoria da aprendizagem.

Dinamica

Dinâmica reforça a interação dos conselheiros

Decreto no. 7.795, de 24 de Julho de 2007. INSTITUI E REGULAMENTA OS CONSELHOS ESCOLARES NAS UNIDADES ESCOLARES DA REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE NOVA IGUAÇU E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. CAPÍTULO I Disposições Gerais Art 1º Ficam instituídos os Conselhos Escolares, órgãos colegiados compostos por representantes da comunidade escolar, que têm como atribuição deliberar sobre questões político-pedagógicas, administrativas e financeiras, no âmbito das unidades escolares, de acordo com a previsão contida nos Arts. 205 e 206, VI, da Constituição da República Federativa do Brasil e com o Art. 104, II, da Lei Federal no. 9.394/96.

Para trabalhar a comunicação é importante saber como o conselho escolar funciona

Fátima Alves é coordenadora geral dos conselhos escolares da Secretaria Municipal de Educação de Nova Iguaçu. De acordo com ela, o conselho escolar trabalha para a melhoria da qualidade social a partir da interação de todos. Ele é importante porque descentraliza as ações, dando voz e autonomia para cada segmento. Assim, pais, professores, funcionários e alunos opinam, entendem o funcionamento da escola e começam a trabalhar para a melhoria da qualidade do ensino.

Conselho escolar

Todos participam e colaboram no conselho escolar

O conselho, composto de 12 a 24 membros, participa da gestão da unidade escolar. Dele fazem parte pais, professores, funcionários e alunos a partir dos dez anos. Os conselhos são renovados a cada dois anos por meio de eleição dos seus próprios segmentos respectivamente. Estes conselheiros, não remunerados, discutem assuntos referentes ao funcionamento financeiro, administrativo e pedagógico da escola. E toda discussão é registrada.

O número de conselheiros varia de acordo com o número de alunos na escola e é paritário, ou seja, contém o mesmo número de integrantes de cada segmento. No caso das creches, apenas os professores, pais e funcionários participam e os diretores das escolas são membros natos.

Dentre os membros, são eleitos também um presidente, um vice-presidente e um secretário. Eles organizam a ata, marcam a hora do encontro e convocam os participantes. O conselho se reúne mensalmente na própria escola de acordo com o calendário escolar e a pauta fica em um lugar visível a todos.

A pauta é feita a partir de temas os mais diversos, podendo ser a manutenção da escola, problemas de luz, uma fechadura quebrada, como também os horários de entrada e saída do aluno e do funcionário; casos de indisciplina e de baixo rendimento na aprendizagem, ou como gastar uma verba. Tudo é discutido e decidido de forma coletiva onde a opinião dos diferentes segmentos tem o mesmo peso. Caso não haja consenso, o assunto vai para votação. Para funcionar de forma efetiva, os membros do conselho devem estar sempre em contato com o seu segmento, canalizando as propostas de pais, alunos, funcionários e professores.

Oficina

Cartazes com perspectivas de êxito

Todos Aprendem

Angelita Braz é a mãe do David (nove anos) e da Karina (seis anos), eles estudam na Escola Estadual Paulo Roberto. Ela iniciou a sua participação no conselho escolar há pouco tempo e já tem planos de sugerir projetos teatrais. Por enquanto está observando como todos se portam e escutando o que está sendo discutido. Quer aprender.

No início, não entendia a importância do conselho. Hoje já sabe tudo sobre a organização, o método de ensino e as dificuldades da escola e se tornou um membro ativo na melhoria da qualidade da educação. Fazer parte do conselho se tornou um incentivo para a sua própria vida. “Eu percebi a importância de escutar, ajudar e respeitar. Para que haja mudança, a participação de todos é vital. As dificuldades só ocorrem quando os membros faltam às reuniões, pois só é possível concluir as idéias com a opinião de cada professor, aluno, funcionário e pai. O ganho é a melhoria de cada departamento, setor e integrante da escola”, afirma com segurança Angelita.

Ana Maria Moreira da Silva trabalha na limpeza dessa mesma escola. A partir do momento em que começou a participar do conselho, passou a se sentir mais útil. Ela leva sugestões e coopera com o programa ‘Adote uma criança com dificuldade de aprendizagem’. Como o professor, ela conversa, apóia e orienta os alunos durante o seu horário livre.

Quando começou a ajudar os educandos, teve consciência do coletivo e percebeu que na escola não existem mais as barreiras que distanciam pais, alunos, professores e funcionários. Todos passaram a interagir e a trabalhar juntos pela melhoria da qualidade do ensino. Hoje a escola é um espaço aberto que abriga e escuta cada membro. Nenhuma decisão é tomada por uma só pessoa.

Ana Maria explica como trabalha: “Após as reuniões eu relato tudo o que foi discutido, peço opinião, converso e estimulo. Faço isso para motivar e fazer com que cada membro do meu segmento participe das decisões da escola. Levo o meu relatório para a diretora, que também conversa com os funcionários e retorna o que foi discutido na próxima reunião”. Para Ana Maria, todos passaram a exercer uma função maior do que a estabelecida pelo o seu cargo. Todos começaram a trabalhar para o bem estar geral.

Por dentro do projeto Uerê

 

Yvonne Bezerra de Mello dedica sua vida a ajudar crianças desassistidas e em situação de risco social. Essa reconhecida experiência tem servido para desenvolver métodos pedagógicos que recuperam crianças vítimas de todo tipo de violência e abandono. Nesta realidade, em que faltam perspectivas, o Projeto Uerê, criado por ela na comunidade da Maré, no Rio de Janeiro (RJ), vem se consolidando como uma passagem possível para muitas crianças e adolescentes.

Acompanhe a entrevista que Yvonne concedeu à revistapontocom:

revistapontocom – Você coordena o Projeto Uerê, auxiliando crianças a superar traumas psicológicos e, sobretudo, estimulando a concentração. Qual o resultado com relação à superação de dificuldades para o aprendizado?
Yvonne Bezerra de Mello – Existem diversas formas de violência. A doméstica é recorrente na vida dessas crianças de comunidades carentes. Para se ter uma idéia, 80% das mães dos meus alunos são vítimas de agressão dentro de casa. E eles consideram isto normal. Vivem expostos a todo tipo de violência, porque crescem em um lugar onde tiros, mortes, conflitos e a miséria são comuns. Além disso, sofrem com o descaso e com a negligência da sociedade.

revistapontocom – Nesse contexto, o que mais atinge a parte cognitiva dessas crianças?
Yvonne Bezerra de Mello – Apesar de tudo, a inteligência permanece ilesa, mas o excesso de problemas gera uma estagnação no processo cognitivo. Elas param de aprender e perdem facilmente a memória e a capacidade de concentração. Algumas chegam a perder a fala e parte dos movimentos. Outras apresentam sintomas de doenças, tudo decorrente dos traumas.

revistapontocom – Como foi o início deste projeto?
Yvonne Bezerra de Mello – Comecei a trabalhar como voluntária na África, na década de 70, e notei que as crianças tinham várias dificuldades de aprendizado. Quando voltei, comecei a trabalhar com crianças de rua que apresentavam os mesmos problemas. A partir daí passei a desenvolver um método para que elas voltassem a aprender mais rapidamente e readquirirem aquilo que perderam. Essa é a pedagogia: recuperar o que ficou estagnado.

revistapontocom – Como as crianças chegam ao Uerê?
Yvonne Bezerra de Mello – Na maior parte dos casos chegam com diagnósticos absurdos! Mas quando colocamos a criança diante de um bloco de montar, ela constrói. Como pode ter retardo mental? É um problema de trauma que não foi trabalhado a tempo. Se uma criança não tem atividades desde os dois anos de idade e agora está com seis, ficou parada no tempo durante quatro anos, e é este espaço que temos que preencher. Isso acontece com milhões de crianças. Não é fácil, leva tempo.

revistapontocom – Como devemos agir quando nos deparamos com uma criança pedindo esmola na rua? 
Yvonne Bezerra de Mello – Nunca se deve dar dinheiro, porque eles estão pedindo esmolas, mas não são meninos de rua, isso praticamente não existe. São crianças que têm uma casa, mas vão para as ruas pegar dinheiro pressionados por algum adulto. Pergunte por que não voltam para casa? Porque ficam na rua até cumprir as determinações que foram impostas pela mãe ou pelo pai, senão apanham.

revistapontocom – Então podemos dizer que o problema está nas comunidades?
Yvonne Bezerra de Mello – Sim. Porém isto é conseqüência do descaso das autoridades e dos órgãos competentes. As instituições brasileiras não funcionam, pois se fossem realmente preparadas, as crianças não estariam nas ruas.

revistapontocom – Em sua opinião, o despreparo das instituições públicas e a falta de oportunidade motivam o jovem a se tornar um criminoso?
Yvonne Bezerra de Mello – Com certeza! Lá no projeto, há mais ou menos oito anos, não temos nenhum caso de gravidez precoce, nem de paternidade irresponsável. Todos os meus alunos sabem que com 15 anos vão fazer um estágio. Eles têm um propósito e isso faz com que sejam mais responsáveis com a própria vida. Precisamos ter isso de uma maneira mais global no nosso país.

revistapontocom – Então o que falta é vontade política?
Yvonne Bezerra de Mello – Vontade e pessoas capacitadas para formatar as políticas públicas adequadas, isso não existe hoje em dia, os políticos não possuem esta qualificação.

revistapontocom – Você se sente muito criticada? Há quem alegue que você está protegendo marginais. O que gostaria de dizer para essas pessoas?
Yvonne Bezerra de Mello – Fazem todo o tipo de comentário, mas não querem colocar a mão na massa. Vivem da teoria, e eu da prática. Sou formada e tenho doutorado em filosofia, sou uma especialista. Estudei para entender e descobrir maneiras de formatar políticas públicas eficientes no combate aos traumas da violência. Julgar é fácil! Dar aulas para crianças, todos os dias, de oito da manhã às quatro da tarde ninguém quer. No início, as críticas me atingiam muito. Atualmente acredito no meu trabalho, sei que contribuo para a melhoria de uma camada pequena da sociedade, mas é gratificante. Hoje tenho estagiários em todo o Brasil, buscando na minha metodologia uma maneira de ajudar a população carente de outras regiões.

revistapontocom – Diante de tantas dificuldades, onde você arruma tanta energia?
Yvonne Bezerra de Mello – Nos efeitos. Cada criança que fala e que aprende é uma vitória para mim! Passei por várias etapas para chegar ao resultado de um projeto que funciona. Infelizmente, o Brasil perpetua somente o que não presta. Neste momento estamos fazendo 12 livros didáticos com metodologia eficaz. Já estão prontos o de Português e o de Matemática. Isso é muito gratificante.