Apenas o fim

Depois de ser eleito, por júri popular, como o Melhor Filme do Festival do Rio 2008 e da 32ª Mostra de Cinema de São Paulo, o longa Apenas o fim está agora na Holanda. O filme de Matheus Souza, estudante de cinema da PUC-Rio, representa o Brasil na 38ª edição do Festival de Cinema de Rotterdan. O vídeo será exibido na mostra Bright Future (futuro brilhante) nos dias 27, 28 e 30 deste mês.

Estrelado por Gregório Duvivier e Erika Mader, o filme mostra o diálogo de um namoro em fase terminal e irreversível, que ganhou, lá fora, a tradução That´s it, expressão em inglês que melhor resume o fim de um relacionamento.

Além do diretor, a equipe de produção, bem como os atores, estudam na PUC-Rio. E todas as cenas foram rodadas dentro do campus, durante cerca de duas semanas, em janeiro do ano passado.

Assista ao trailer do filme

Confira detalhes do filme no site do Festival de Rotterdan

USP Júnior: inscrições em fevereiro

Projeto: USP Júnior
Instituição: Universidade de São Paulo
Localização: São Paulo

Em entrevista ao Jornal Estado de S. Paulo, na edição da última sexta-feira, dia 23, a reitora da Universidade de São Paulo (USP), professora Suely Vilela, informou que a instituição vai abrir suas portas, durante as férias escolares de julho, para cerca de cinco mil alunos do Ensino Fundamental. A ideia é que as crianças frequentem os laboratórios e as salas de aula. As inscrições – abertas para estudantes de escolas públicas e particulares – serão aceitas a partir de fevereiro. O projeto foi batizado de USP Júnior.

“Temos que pegar os adolescentes da 4ª a 8ª séries e trabalhá-los aqui. Queremos despertar a curiosidade deles. Vamos trazê-los para atividades de experimentos de ciência. Por exemplo, na área de Odontologia, ver o que tem na boca, olhar a cárie, preparar uma lâmina. Mostrar a realidade da cultura, da ciência, para ajudar na decisão da sua opção profissional. E construir um projeto de vida para ir para uma universidade, não necessariamente a USP”, destacou a reitora em entrevista ao jornal Estado.

De acordo com a reitora, as atividades serão realizadas nos campi de São Paulo, São Carlos e Ribeirão Preto. O projeto faz parte de uma série de iniciativas por conta do aniversário de 75 anos da Universidade.

Contato
www.usp.br

Campus Party Brasil 2009

Evento mundial sobre internet reuniu mais de seis mil pessoas em São Paulo. Além de oferecer muita diversão, o encontro debateu questões atuais e polêmicas

A história da internet, as possibilidades dos celulares e o lugar das lan houses no processo de inclusão social foram alguns dos temas debatidos no Campus Party 2009, um evento mundial que integra tecnologia, conteúdo digital e entretenimento em rede, que aconteceu na última semana (19 a 25 de janeiro), em São Paulo. A segunda edição do encontro, no Brasil, reuniu cerca de 6.500 pessoas, que se mudaram com computadores, malas e barracas para dentro de uma arena, onde ficaram conectados a uma rede superveloz, participando de oficinas, palestras, conferências, competições e atividades de lazer.

Internet – Um dos destaques foi justamente a palestra de Tim Berners-Lee, considerado o ‘pai da internet’, inventor da World Wide Web, do protocolo Hiper Text Transfer Protocol (HTTP) e da linguagem Hyper Text Markup Language (HTML). Lee falou sobre a criação da internet, a transição da web 2.0 para a web semântica, também chamada de web 3.0, sobre a necessidade de termos um ambiente virtual colaborativo em browsers abertos e da internet em celulares.
Assista à palestra

Celular – Wagner Merije Rodrigues Araújo, do projeto MVMOB, e Cazé Pecini e Rodolgo Sikora, do Gengibre, apresentaram propostas voltadas para a telefonia móvel.  O primeiro tem o objetivo de promover o uso do celular e de seus recursos (foto, vídeo e áudio) como ferramenta pedagógica na escola. “Lógico que enfrentamos resistência, afinal existe uma falta de conhecimento por parte de muitos educadores e o celular já causou muitos problemas dentro das salas de aula. Mas estamos evoluindo muito, já que o celular é muito mais popular hoje do que o computador”, avalia Wagner. O segundo projeto permite que qualquer usuário envie, para a web, via celular, uma mensagem de voz.
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Lan houses – Nelson Fujimoto, assessor especial do Gabinete da Presidência da República, e Luiz Fernando Marrey Moncau, advogado e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, conversaram sobre a grande disseminação das lan houses. Na pauta: a legislação para esse tipo de empreendimento e a necessidade de reconhecimento, tanto por parte do governo quanto por parte da população, do grande poder de inclusão digital e cultural que as lans estão assumindo. “A lan house é uma importante ferramenta para acesso à cultura e está revolucionando a inclusão e alfabetização digital”, comentou Moncau.
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Mídia e cidadania: da recepção à participação

Por Márcia Stein
Jornalista, professora e especialista em mídia e educação

Assistir à TV é bom? Faz bem? E o acesso à Internet? É importante, mas será que os pais e educadores devem orientar a navegação? Quando e como ouvir rádio? Ler é fundamental, todos parecem concordar, mas, devemos ler de tudo – jornais, quadrinhos, revistas – ou só livros?

Como orientar filhos ou alunos sobre critérios para interagir com os meios de comunicação? – é a pergunta que freqüenta debates entre pais, educadores, sociólogos, antropólogos, enfim, gente que se preocupa com causas que dizem respeito ao coletivo, ao cultural, ao contemporâneo.

Questões como a banalização da violência e da sexualidade pesam contra os veículos. Questões como a agilidade e o alcance da circulação de informações que eles proporcionam pesam a favor. Essa balança de prós e contras costuma nortear infinitas discussões sobre a Questão da Mídia de Massa.

Mas, que tal, antes de apressar-se a escolher um dos dois lados nesse debate, pensarmos um pouco em responsabilidades?

Até porque, antes de se adotar uma postura radical de ataque ou defesa, é preciso ter claro que os meios de comunicação, em si, não são bons ou maus: são canais, meios, instrumentos utilizados pelas pessoas – de um lado quem produz: escritores, autores, criadores em geral; de outro, quem recebe: leitores, telespectadores, ouvintes, internautas.

É importante lembrar que, em tempos de blogs, webcams e TV digital, as fronteiras dessa relação emissor versus receptor tornam-se cada vez mais dinâmicas, ou seja, alternam-se os papéis de emissor e receptor, confundem-se e interpenetram-se os processos de recepção e expressão.  

E, nesse processo dinâmico onde todos, cada vez mais, são autores e produtores de informação, a qualidade do conteúdo veiculado compete a todos nós!  Tanto dos indivíduos, grupos e instituições de comunicação responsáveis pela produção do material veiculado pela chamada grande mídia quanto da recepção/recriação que nós, espectadores, leitores e internautas fazemos com aquilo que a mídia oferece; da qualidade das nossas respostas, da forma como nos colocamos diante de cada veículo, das escolhas que fazemos, do que escolhemos ver, ouvir, acessar…

No caso dos jovens, estamos falando de cidadãos em formação. Cidadãos que precisam ter oportunidade de desenvolver competências críticas, analíticas e investigativas que lhes garantam plena inserção num mundo social e profissional que envolve conflitos, competitividade, jogos de poder, escolhas, posicionamentos. E nesse caso é preciso, mais que nunca, falar de responsabilidades.

Para que os jovens possam tirar o melhor proveito dos meios de comunicação a que têm acesso, é preciso que eles sejam estimulados a se colocar ativamente com relação a eles. Estimulados pela família, pelo ambiente em volta, pela escola…

É importante que eles cresçam entendendo a comunicação como uma janela privilegiada, que coloca o mundo ao nosso alcance, mas… uma janela que exige atitude crítica, capacidade de selecionar, dentre todo o material disponível, o que lhe interessa e então dele se apropriar com autonomia, convertendo-o em conhecimento.

É importante que cresçam entendendo que o que a mídia mostra não é a realidade em si, mas, sim, certos modos de vê-la, a partir de determinados pontos de vista escolhidos entre os tantos possíveis.

Currículo e competências comunicativas

Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, de 2003, apresentam as competências organizadas em três grandes campos, que são:

– Representação e comunicação, que envolvem a leitura, a interpretação e a produção de textos nas diversas linguagens e formas textuais características dessa área do conhecimento;

– Investigação e compreensão, competência marcada pela capacidade de enfrentamento e resolução de situações-problema, utilização dos conceitos e procedimentos peculiares do fazer e pensar das ciências;

– Contextualização das ciências no âmbito sócio-cultural, na forma de análise crítica das idéias e dos recursos da área e das questões do mundo que podem ser respondidas ou transformadas por meio do pensar e do conhecimento científico.

Os três campos propostos apresentam elementos relacionados ao desenvolvimento de competências comunicativas. É importante, portanto, que os responsáveis pela formação dos jovens cidadãos se comprometam, efetivamente, com este desafio. Vejamos alguns modos de se comprometer, em cada uma das instâncias:

A família pode ajudar a formar sujeitos críticos discutindo os conteúdos veiculados pela mídia, questionando as escolhas do jovem de forma construtiva e respeitosa, sem desmerecê-las, mas estimulando sua curiosidade, desafiando-o a usar o que viu criativamente, instigando-a a recriar histórias, a brincar com o que viu, a ir além do que recebeu.

A escola pode ajudar a qualificar a interação com os meios, desvendando em sala os elementos que estruturam sua linguagem, propondo aos estudantes atividades em que eles se expressem através das diferentes linguagens. Essa experiência leva-os a fazerem escolhas, e a entenderem que quem faz produtos de comunicação faz escolhas o tempo todo – o que mostrar, como mostrar – e ajuda a criar um olhar mais crítico com relação ao que recebemos.   

A sociedade pode ajudar na construção de uma mídia mais responsável, mais comprometida com princípios éticos e democráticos, se colocando de forma mais política, organizando-se para fazer valer seu direito de cobrar das empresas de comunicação públicas e comerciais que elas pensem o público menos como consumidor e mais como cidadão.

O exercício da comunicação e suas diferentes dimensões na prática pedagógica

Num mundo em que as informações e estímulos nos chegam em ritmo vertiginoso, de modo não linear e através das mais variadas formas e linguagens, é fundamental aprender a interpretar criticamente a informação e a resolver problemas cotidianos de modo autônomo – questionando, imaginando, expressando-se através de diversos meios e linguagens, interagindo, relacionando-se, ou seja: comunicando-se.

A capacidade de acessar informações de modo autônomo, crítico e criativo, a capacidade de dialogar com o outro que está perto e com o outro que está do outro lado do mundo são algumas competências comunicativas que se tornam passaportes fundamentais para a conquista da cidadania em todos os seus aspectos – direito ao trabalho, à saúde, à cultura, a uma identidade.

Neste cenário, a escola destaca-se como lugar de recepção coletiva e sistemática de informações, como lugar de construção coletiva de valores e conhecimentos. Como em nenhum outro espaço social, na escola podem ser discutidos e trabalhados, pedagogicamente, os modos de apropriação de informações desenvolvidos por cada sujeito em sua interação cotidiana com as mensagens que circulam no meio em que vive. 

Na escola também devem ser elaborados e desenvolvidos os recursos de linguagem necessários para que se possa expressar para o mundo idéias, opiniões, desejos…

Cada vez mais, o direito à expressão depende não só da apropriação técnica dos diferentes meios de comunicação (saber escrever, saber usar um computador etc.), como do acesso aos códigos de linguagem próprios de cada um deles. Ou seja, para falar ao mundo sobre quem somos, o que queremos e o que sentimos, é preciso dominar as linguagens oral, escrita, visual, sonora e corporal, bem como seus códigos específicos: as palavras e as relações entre as palavras, gestos e seus significados culturais, imagens e seus elementos (enquadramentos, cores, texturas etc.), sons em suas diferentes formas (canções, ritmos, ruídos, conversas, etc.).

Portanto, entre os compromissos colocados contemporaneamente para a escola, está o da Educação para os meios, ou, num sentido mais amplo, o da Educação para a Comunicação.

O Big Brother Brasil na visão das crianças e dos jovens

Eles curtem a programação? Participariam das edições? Ficariam enclausurados durante meses para ganhar R$ 1 milhão?

Por Priscilla Leite

Na última edição da revistapontocom, publicamos uma matéria sobre o sucesso que ainda faz o programa Big Brother Brasil, depois de oito anos de sua primeira temporada. Por meio da fala de especialistas, trouxemos algumas reflexões que, talvez, explicam o que está por detrás da grande audiência.

Nesta semana, a revistapontocom resolveu entrevistar crianças e jovens sobre o tema. O que eles acham do programa? São telespectadores assíduos? Participariam dele?

Os oito entrevistados são alunos de escolas particulares do Rio de Janeiro. Todos têm acesso à internet, televisão por assinatura e às praticidades e funcionalidades da telefonia móvel.

O resultado é interessante, pois mostra o quanto esta faixa etária tem opiniões contundentes, seguras, mas nem um pouco homogêneas.

Acompanhe:

Os entrevistados

Beatriz Valente, 16 anos. Colégio Teresiano.
Igor Wickins, 15 anos. Colégio Padre Antonio Vieira.
Lilian Schneider, 16 anos. Escola Britânica.
Luiz Guilherme Cardoso, 11 anos. Escola Parque.
Arthur Safady, 11 anos. Escola Alemã Corcovado.
Pedro Caetano, 16 anos. Escola Britânica.
Vitor Silva, 11 anos. Escola Alemã Corcovado.
Vitória Alves, 7 anos. Escola Miraflores.

revistapontocom – Você gosta de assistir ao programa Big Brother Brasil?

Beatriz Valente – Não. Quando soube do que se tratava, decidi que não assistiria ao programa. Na verdade, nunca assisti. Sou bastante radical com relação a esses programas de televisão. Ou eu gosto ou não gosto. Nesse caso, não me agrada a disputa por dinheiro e a exploração da intimidade.

Igor Wickins – Assisto raramente. Apesar de achar o programa legal (pelas mulheres e as brigas) não tenho o hábito de acompanhá-lo. Cada participante tem a sua personalidade. Alguns se emocionam com facilidade. Outros se isolam. As mulheres são sempre belas e dançam bem.

Lilian Schneider – Não gosto. Tenho dúvidas quanto à veracidade do programa. Não será tudo induzido pelas armadilhas do jogo, tornando os participantes cobaias para entreter o povo? E o que é pior: fazendo o povo gastar dinheiro com as ligações? Mas, sim, é curioso assistir aos problemas e conflitos de pessoas que convivem 24 horas por dia.  

Luiz Guilherme Cardoso – Gosto, sim. Acho engraçado acompanhar a convivência dos participantes dentro da casa. Apesar de o programa mostrar a rotina, ela é diferente da que nós vivemos. Cada quarto é tematizado, cada jogo é decisivo e cada festa é uma bagunça. A vida no Big Brother é uma disputa mascarada de amizades, namoros, conversas e brigas.

Arthur Safady – Assisto sempre ao Big Brother. Acho o programa legal. Ele mostra como agimos em certas situações. Nas festas, todos se soltam e se unem. Nas brigas, todos tentam defender o seu ponto de vista e se juntam com os que pensam igual. Na hora da prova, é cada um por si. É engraçado. 

Pedro Caetano – Já gostei. Hoje em dia não gosto. Achava interessante ver o que rolava dentro da casa, o entrosamento de estranhos, as festas e, principalmente, as brigas. Gostava de ver como as pessoas agiam em uma situação limite, como elas reagiam às diferenças de opinião, aos desgastes do convívio e à saudade de casa. Hoje eu percebo que o programa não acrescenta nada a minha formação pessoal e acadêmica. Quando parei para pensar, percebi que a cada programa tudo se repetia, enquanto fora da televisão tudo mudava. 

Vitor Silva – Gosto, sim.  Acho o programa, as pessoas e o seu dia-a-dia engraçados.  É legal ver como cada participante reage ao jogo.

Vitória Alves – Não, hoje em dia eu não assisto mais ao Big Brother.  O programa está passando muito tarde. Antigamente, quando era mais cedo, eu assistia e gostava.  Gostava, pois haviam várias coisas legais na casa, piscina, muita gente.


revistapontocom – Você participaria do Big Brother?

Beatriz Valente – Não gostaria de viver com estranhos em uma casa que não há nada para fazer. É daí que surgem os desentendimentos. E são essas brigas que as câmeras querem captar. O programa é superficial. Além disso, não gostaria de me expor completamente. 

Igor Wickins – Sim, mas apenas pelo dinheiro. Um programa como esse muda a vida de uma pessoa. Tal é a exposição da privacidade que a população não só se sente no direito de eliminar um participante como também de julgá-lo. Como se poucos meses fossem suficiente para julgar o comportamento de uma pessoa. 

Lilian Schneider – Se eu me inscrevesse seria apenas por diversão. Mas não gosto da idéia de ficar enclausurada em uma casa com estranhos, mostrando para todos como ajo em momentos banais, assim como em momentos íntimos do dia-a-dia. Além disso, acho que prejudicaria o que quero exercer como profissão, que é a medicina. 

Luiz Guilherme Cardoso – Se o prêmio fosse mais alto, eu participaria. Quem realmente lucra não são os participantes, mas, sim, o programa. Cada um dentro da casa luta por um R$ 1 milhão, mas todos os envolvidos estão ali por dinheiro. O programa lucra com cada ligação, propaganda, convidado e muito mais do que imaginamos.

Arthur Safady – Sim, com certeza. Acho que seria interessante conviver com estranhos dentro de uma casa fechada e que teria grandes chances de ganhar. Eu seria do meu jeito e o Brasil iria gostar. Não tenho medo de me expor, pois meu destino é ser famoso. Quero me tornar um ator, um jogador de futebol ou um jogador de tênis. O programa me ajudaria. A Rede Globo me conheceria mais fácil. 

Pedro Caetano – Não. Não gostaria de me expor para milhares de pessoas, nem por R$ 1 milhão. Como todos, tenho fraquezas, manias, qualidades, mas não quero que vejam isso 24 horas por dia. 

Vitor Silva – Não.  Acho inclusive que não me aceitariam, sou novo. Mas se o programa fosse com pessoas da minha idade, participaria.  Apesar de ter medo de me expor e contar sobre a minha vida, poderia ser divertido.  

Vitória Alves – Não, não participaria. O programa é confusão. Tem o telefone que toca, o paredão, acaba que tudo termina em briga.


revistapontocom – A que programas você costuma assistir?

Beatriz Valente – Gosto muito da MTV, principalmente do Lavanderia, programa de debates.  Vejo também desenhos animados.

Igor Wickins – Gosto de assistir ao canal da Sony, pois há vários seriados americanos em sua programação. O meu favorito é Two and a half men.

Lilian Schneider – Me interesso por alguns seriados, mas não costumo ver televisão.

Luiz Guilherme Cardoso – Os canais que eu mais assisto são o Multishow, a MTV e a Nickelodeon.

Arthur Safady – Desenhos animados principalmente os da Nickelodeon. Mas curto também o Vídeo Show e o canal de esportes.  

Pedro Caetano – Eu seria hipócrita se dissesse que não vejo besteiras na televisão, mas acho importante ter um balanço.

Vitor Silva – Assisto à Nickelodeon e ao SporTv.

Vitória Alves – Eu gosto de ver as Meninas Super Poderosas, os Power Rangers e os Padrinhos Mágicos.

Férias reforçadas

Projeto: Oficinas de mídia e cidadania
Instituição: Ministério da Justiça e escolas de Ensino Médio
Localização: Brasília

Oficinas de mídia e cidadania é o nome do curso que o Ministério da Justiça promove neste mês de janeiro em escolas de Ensino Médio do Distrito Federal. A atividade, realizada nas férias escolares, é, na verdade, um projeto piloto que visa ampliar o debate sobre os direitos humanos, os meios de comunicação de massa e a portaria sobre classificação indicativa da programação da TV, bem como do cinema, do teatro e das casas de espetáculos. O projeto será iniciado na Escola Estadual São Francisco, localizada em São Sebastião, cidade satélite de Brasília.

Além de conteúdos teóricos, os estudantes participarão de visitas guiadas ao Congresso Nacional, aos palácios do Planalto e da Justiça e ao Centro Cultural Banco do Brasil. Ao término do curso, os alunos terão que desenvolver um produto de mídia – programa de rádio, TV, jornal impresso ou site – que aborde um dos assuntos trabalhados nas oficinas.

De acordo com o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, o objetivo é difundir a oficina para todas as escolas do Brasil e, sobretudo, trabalhar os temas com os pais dos adolescentes. “Queremos aproveitar o período de férias escolares de forma bastante produtiva e educar esses jovens, formando uma consciência cidadã”, destacou.
 
A proposta é que os estudantes, posteriormente, possam atuar como multiplicadores das informações sobre classificação indicativa, por meio do desenvolvimento do senso crítico, da análise e da produção de conteúdos audiovisuais.

O curso terá a participação de profissionais da Secretaria Nacional de Justiça, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, da Secretaria de Receita Federal, do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, do jornal Correio Braziliense, da Universidade de Brasília, do Instituto Pró-Mediação e da Universidade de São Paulo.

Contato
Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça

Ser criança e jovem no Rio

Quarenta e seis adolescentes foram capacitados para aplicarem a entrevista, respondida por 887 crianças e jovens

Com o objetivo de entender melhor como as crianças e os adolescentes cariocas vivem e veem a cidade e a comunidade em que moram, o Unicef promoveu, em dezembro do ano passado, a pesquisa Ser criança e adolescente no Rio de Janeiro. Foram entrevistados 887 jovens das seguintes regiões: Santa Cruz; Complexo do Alemão e entorno; e Copacabana e Leme. O interessante foi a metodologia aplicada. Os responsáveis pela condução da pesquisa foram 46 jovens, de 14 a 17 anos, capacitados para cumprir a função.

Entre os dados do levantamento, destacam-se o baixo número de jovens que nunca acessou bens culturais, como teatro, cinema e museu (cerca de 50%), em contraponto ao alto nível de adolescentes com acesso à internet nas comunidades pesquisadas (90%).

O estudo também apontou que 80% dos entrevistados, apesar de afirmarem que a violência é o principal problema de sua comunidade, sentem-se muito bem no lugar onde vivem.

“Mesmo com a violência, é um lugar de onde a maioria de nós não sairia porque temos amizades. É praticamente uma família”, disse Gláucia Nascimento, moradora do Complexo do Alemão, em entrevista à TV Globo, durante a apresentação da pesquisa, em dezembro do ano passado, no Cine Odeon.

O estudo também traz outras constatações interessantes. Por exemplo, a mãe é apontada por todos os grupos como o exemplo a ser seguido, à frente da figura paterna. Entre três opções – família, amizade e relacionamento amoroso – a primeira é a que deixa bastante feliz grande parte de cada grupo entrevistado.

Entre as recomendações tiradas pelos jovens pesquisadores estão: a extensão do passe-livre em transportes para além dos horários escolares, facilitando o acesso a espaços culturais e de lazer da cidade; maior acesso à educação sexual; e maior distribuição de preservativos.

A pesquisa participativa e o protagonismo juvenil são duas das estratégias da Plataforma dos Centros Urbanos, iniciativa do Unicef que deverá ser lançada, neste ano, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Itaquaquecetuba.

Clique aqui e confira os principais resultados da pesquisa

Biblioteca digital mundial

Já está no ar, desde outubro de 2007, o protótipo da Biblioteca digital mundial, uma iniciativa da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e da Unesco, que tem o objetivo de promover o conhecimento e a conscientização internacional e intercultural; expandir o volume e a variedade de conteúdos na web; e capacitar as instituições parceiras de forma a reduzir a exclusão digital dentro e entre os países.

Para dar conta do projeto, as duas instituições estão digitalizando importantes documentos, cartas, fotos e mapas nas seis línguas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU): inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo. Todo material será postado no site da biblioteca digital.

Além das línguas oficiais da ONU, toda a produção também será traduzida para o português, isto porque a Biblioteca Nacional do Brasil, localizada no Rio de Janeiro, é parceira do projeto, ao lado da Biblioteca de Alexandria, da Biblioteca Nacional do Egito e da Biblioteca Nacional da Rússia.

A Biblioteca Nacional do Brasil inclusive já digitalizou 1.500 mapas raros dos séculos XVI a XVIII e 42 álbuns com cerca de 1.200 fotografias pertencentes à Coleção Thereza Christina Maria, doada pelo Imperador D. Pedro II à instituição. A coleção de fotografias foi registrada como Patrimônio da Humanidade no Programa Memória do Mundo da Unesco.

Acesse e confira os seguintes sites:

Biblioteca Nacional
Biblioteca digital mundial

Crianças sem controle remoto

Por Eduardo Monteiro
Comunicador. Mestre em Educação. Consultor de projetos educacionais.

Não é fácil ser pai e mãe de Power Rangers, Dexters, Superpoderosas e outras criaturas em que nossos filhos vivem se transformando. Tampouco administrar seus super-poderes e seu bando de inimigos que nos invadem a casa. O pior são as assombrações que nos visitam na hora de pôr a cabeça no travesseiro: será que eu deixo esse menino ver esses desenhos? E aquela cena de sexo quase explícito na novela, será que já dava pra mais nova assistir?

Somos, na maioria, pais e mães responsáveis. Mas o mesmo nem sempre se aplica às emissoras de TV ou ao poder público em sua atuação nas concessões de canais. O que nos interessa aqui, porém, é como nos posicionamos diante dos valores e ideologias difundidos via TV, games, sites, entre outros.

Sem parâmetros éticos ninguém educa de verdade. Tal como nós, quando nossos filhos gostam de alguns programas (acham “irado”) e rejeitam outros, estão fazendo escolhas – que são primeiramente estéticas, mas já indicam que eles identificam ou não algum valor ali. Um simples “feio” ou “bonito” ajuda a entender as expressões desses valores: a gente ensina isso cedo a eles, dizendo “bonito (ou feio) isso que você fez”.

Ora, violência, desonestidade ou consumismo fútil são partes da vida, e a mídia não poderia fingir que essas coisas não existem. Outra coisa é valorizar isso por meio de uma estética sedutora, que vai do vídeo à mochila escolar, cuja moral pode ser tornar natural que alguns problemas da vida sejam mais bem resolvidos comprando algo ou na base da violência. Por dentro da sensação estética (achar bonito ou feio) em geral vai uma escolha: a ética, que estabelece as noções de valores e daquilo que é certo ou errado nas relações entre as pessoas.

Tudo isso é muito relativo: a Docinho (1) pode despertar o senso de justiça e o Dexter (2), o interesse pela ciência. O fato é que as mentes jovens – vorazes consumidoras de informações – precisam de modelos e de nutrição cultural para a sua construção de referências. Também é fato que nossas agendas de pais nos impõem a correria frenética da vida pós-moderna, forçando relações cada vez mais vividas a distância. E não há como impedir que nossos filhos fiquem na companhia de máquinas de entreter, que são sempre máquinas de ensinar.

É aí que entra a mídia-educação como forma de intervenção cada dia mais importante no âmbito da escola e da família. Entre outras coisas, ela visa permitir que o indivíduo construa sua autonomia como consumidor cultural. Já que as crianças irão desacompanhadas para a rua virtual da mídia, é importante nos assegurarmos que elas formem seus próprios filtros estéticos, orientando suas escolhas (de canal, de site, de game etc.) por valores virtuosos, sabendo escolher aquilo que “nutre bem” suas cabeças. Crianças com padrões tão elevados de consumo cultural, contudo, são um sonho, distante muitos anos de trabalho da realidade. Trabalho que começa já, sabendo que educar assim é tarefa complexa em que escola e família combinam estratégias.

Como tarefa de casa, nós pais, temos: (1) o investimento cotidiano na formação de hábitos que guardam os valores que desejamos para nossos filhos; (2) a assistência em nossa companhia (e/ou conhecer bem o que eles assistem); (3) o estabelecimento de regras e horários; além de, (4) revisar permanentemente nossa opinião sobre as coisas da mídia.

Como tarefa escolar, nós educadores, precisamos: (1) atuar com estratégias para a melhor educação dos sentidos (olhar, ouvir etc.); (2) facilitar que conheçam produtos de mídia de qualidade; (3) usar metodologias que incluam a comunicação multimídia; (4) analisar criticamente a mídia com eles; (5) colaborar com as famílias com informação e discussão.

O fiel da balança, porém, é a qualidade da nossa vivência pessoal como cidadãos. Porque o ambiente social e afetivo no qual a criança cresce pesa muito. E a maior contribuição que podemos dar à sua formação é o nosso próprio exemplo inspirador: sermos gente que consome, constrói e difunde cultura com critérios e valores referenciais fortes. Sem esquecer que comunicação inclui diálogo, mas diálogo é quase sempre contraposição de perspectivas – convencer e deixar-se convencer.

Notas

1 – Docinho é a zangadinha das Meninas Superpoderosas, que sempre salvam o mundo antes de dormir.

2 – Dexter é um personagem de desenho animado: menino cientista cujos inventos bizarros o ajudam a resolver os problemas com a irmã mais velha e com os outros meninos da escola ou da vizinhança.

Você e o tempo: quem é dono de quem?

Como anda o seu tempo? Você sabe administrá-lo? Você tem a sensação de que o dia não é suficiente para cumprir todas as tarefas? revistapontocom traz  reflexões sobre o tema 

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Do relógio de sol, passando pelo mecânico, ao digital.

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Do relógio de móvel, de bolso, ao de pulso.

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Do relógio que marcava apenas as horas ao que cronometra os milésimos de segundo.

foto-nova-7.JPG  Vivemos contra o relógio.

foto-nova-8.JPG O tempo é cada vez mais precioso.

foto-nova-9.JPG  “A modernidade oferece sofisticados equipamentos que economizam tempo, mas também aperfeiçoa os que enxugam o excedente criado” – Jean-Louis Servan-Schreiber, em A arte do tempo.

foto-nova-10.JPG “Duas coisas moldam o uso que fazemos do nosso tempo: a urgência e a importância. O problema é que os indivíduos vivem a chamada síndrome da urgência. A urgência tornou-se um símbolo de status. Se estamos sempre ocupados, é porque somos importantes” – Stephen R. Covey, em Como definir prioridades num mundo sem tempo.

ooo.JPG “As pessoas têm a sensação de que não há tempo suficiente porque os seus desejos cresceram muito mais rapidamente do que o tempo que dispõem” – Jean-Louis Servan-Schreiber, em A arte do tempo.

nova-foto-30.JPG No início do século XXI, o que dá mais prazer: viver o tempo real ou o virtual? Pesquisa do Gartner revela que, em 2010, 70% da população das nações desenvolvidas vão interagir dez vezes mais na web do que na vida real.

nova-foto-40.JPG “Ganhar ou perder tempo, não tem sentido algum. Temos todo o tempo disponível. Ele é imperturbável e não modificável. O único que temos em nosso poder é a capacidade de mudar nossa atitude em relação ao tempo, fazer bom ou mau uso dele. Já é alguma coisa” – Jean-Louis Servan-Schreiber, em A arte do tempo.

foto-50.JPG “O grande mago fez primeiro esta pergunta: entre todas as coisas do mundo, qual a mais longa e a mais curta, a mais rápida e a mais lenta, a mais esquecida e a mais lamentada, sem a qual nada se pode fazer, que devora tudo o que é pequeno e que vivifica tudo o que é grande? Uns disseram que a palavra do enigma era a fortuna, outros, a terra, alguns, a luz. Zadig disse que era o tempo. Nada é mais longo, falou, pois ele é a medida da eternidade; nada é mais lento para aquele que espera; nada é mais rápido para aquele que goza; estende-se até o infinito; todos os homens o esquecem; todos lamentam a sua perda; nada se faz sem ele; faz esquecer tudo o que é indigno da posteridade e imortaliza as grandes coisas” – Voltaire, em Discurso em verso sobre o homem.Texto Marcus Tavares
Fotos – Divulgação e reprodução

Big Brother Brasil: mais uma edição

Pesquisas do Ibope revelam que o programa, desde a estréia, há oito anos, é um dos mais assistidos pelas crianças dos 4 aos 11 anos

Por Marcus Tavares

Mais um ano e com ele uma nova edição do Big Brother Brasil, programa exibido pela Rede Globo de Televisão. Cercado por polêmicas, críticas ao conteúdo e uma ferrenha discussão em torno da classificação indicativa, o reality show continua com uma audiência cativa. A estréia da última terça-feira, dia 13, confirma o poderio do gênero. O Ibope marcou 37 pontos, na Grande São Paulo. O que mostra que, passados oito anos, desde a estréia da primeira edição, o reality show continua atraindo a atenção dos telespectadores e, em especial, de crianças e jovens. Mas a pergunta é: por quê?
 
Cosette Castro, doutora em Comunicação e Jornalismo pela Universidade Autônoma de Barcelona, estuda o assunto. Há dois anos, ela publicou o livro Por que os reality shows conquistam audiências? Nele, a autora faz uma reflexão sobre o papel que a TV vem desempenhando no cotidiano das pessoas, seja na área do entretenimento, da produção cultural ou da promoção da educação.

Depois de contextualizar o surgimento dos reality shows na sociedade do final do século XX, Cosette enumera oito tópicos que ajudam a compreender e a explicar a fórmula do sucesso do gênero televisivo.

Segundo ela, os programas agrupam pessoas desconhecidas e anônimas, igual à audiência; reúnem muitos jovens, valorizando a juventude; abrem as portas do mundo dos sonhos e da imaginação, mostrando que o reconhecimento e o sucesso imediato podem ocorrer com qualquer pessoa; fazem uso de diferentes tecnologias para a interação do público; trazem à tona questões do dia-a-dia, como o amor, o ciúme, a amizade, a inveja e a competição.

Soma-se a isto o fato de os participantes conviverem em uma casa, em um grupo, em torno de um núcleo que recorda a família; a forma de falar, vestir, dançar ou portar-se dos escolhidos, que é bastante familiar; e o fato também dos integrantes representarem a si mesmos, assumindo a figura de modelos, embora o que apareça na tela seja uma representação de como atuam, sentem e socializam.

“Se pensarmos que a sociedade ocidental está organizada em torno da família, o fato de que estes programas estejam organizados em torno de um núcleo familiar é um atrativo a mais para as audiências que se reconhecem e se identificam nesse espaço e com os participantes”, destaca a autora, em trecho do livro.

Os dados fazem eco com uma pesquisa realizada pela International Clearinghouse on Children, Youth and Media, na Suécia. O estudo mostrou que os reality shows satisfazem, principalmente, jovens e adolescentes, por apresentarem e exporem curiosidades sobre a vida e sobre as pessoas.

“Por meio deste tipo de programação, os jovens analisam o comportamento de pessoas comuns, suas emoções, relações interpessoais, sexualidade, mecanismos de inclusão e exclusão, de aceitação pessoal etc. Eles acabam se identificando com algumas pessoas que participam do programa muito mais por algum tipo de semelhança do que por um desejo de ser como elas”, explica Cecília von Feilitzen, coordenadora científica da Clearinghouse.

Em entrevista ao site Folha Online, o criador e diretor do Big Brother Brasil, José Bonifácio de Oliveira, o Boninho, diz que “esse tipo de programa leva para a televisão um misto de voyeurismo, laboratório, exibicionismo e curiosidade. O telespectador cria uma afinidade e, mais rápido que possa perceber, acaba tomando uma posição que pode ser positiva ou negativa, mas ele vai até o final para ver no que vai dar”.

As pesquisas anuais do Ibope confirmam a declaração do diretor. O telespectador é fiel ao programa e boa parcela é composta de crianças e jovens. O Big Brother Brasil aparece sempre, no mês de janeiro, como um dos programas mais assistido por crianças dos 4 aos 11 anos de idade, embora tenha recebido nos últimos anos uma classificação indicativa não recomendada para menores de 14 anos e diversas críticas por parte de educadores, psicólogos e especialistas.

O direito autoral no século XXI

Sérgio Júnior, advogado da FGV-Rio, conversa sobre o tema 

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Por Marcus Tavares

Em um mundo em que crianças e jovens, cada vez mais, têm acesso a uma infinidade de imagens, sons e conteúdos através da internet; em um mundo em que a garotada tem acesso aos meios de produção da informação, sejam as câmeras dos celulares, os blogs, os softwares livres e as redes de relacionamento; e em um mundo em que o protagonismo infanto-juvenil é valorizado, como fica a questão do direito autoral?

Afinal, estamos diante de uma geração que já nasceu em uma nova ordem cultural e que não vê problema em copiar uma música do CD para o MP3 ou simplesmente baixá-la da web; em gravar programas de TV e postar no YouTube ou no blog; em rechear suas páginas no Orkut com fotos e textos que copia e cola indiscriminadamente; ou ainda em comprar um DVD pirata na esquina (lembram-se do sucesso do filme “Tropa de Elite”?).

Para as crianças e jovens dos dias de hoje, essas ações são banais, simples e cotidianas. Já fazem parte da sua normalidade. Mas para a atual legislação brasileira de direito autoral, datada de 1998, parecem ser atos ilícitos. O assunto é bastante polêmico e envolve, na verdade, toda a sociedade.

Leia a entrevista com o advogado Sérgio Vieira Branco Júnior, da Fundação Getúlio Vargas, autor do livro “Direitos autorais na internet e o uso de obras alheias”.

Acompanhe:

revistapontocom – Por que se fala tanto nos dias de hoje sobre o direito autoral?
Sérgio Branco
– Há vinte anos, o direito autoral servia apenas para quem produzia cultura, ou seja, basicamente, para quem tinha uma editora, uma gravadora, uma produtora. A maior parte da população vivia sem precisar se preocupar com direitos autorais. No entanto, com o surgimento da internet, a forma de se ter acesso às obras intelectuais mudou, bem como a forma de se produzir e distribuir cultura. Qualquer pessoa hoje em dia conectada à internet pode ter acesso a praticamente qualquer obra protegida por direito autoral, bem como pode modificar essas obras, criar suas próprias obras e distribuí-las. Há, como nunca antes, a grande democratização do conhecimento.

revistapontocom – Este cenário que o senhor descreve tem tudo a ver com o dia-a-dia das crianças e dos jovens, não é mesmo?
Sérgio Branco
– Tudo a ver. Crianças e jovens são certamente a camada da população que mais acessa a internet. Ao contrário da geração anterior que estava presa ao meio físico, os jovens de hoje podem ter contato praticamente instantâneo com qualquer obra intelectual que desejem, e vão continuar fazendo isso independentemente do que diga a lei. Na verdade, o acesso à internet permite o desenvolvimento da criatividade. Além disso, creio que o processo de aprendizagem necessariamente passa por aí. Um projeto educacional atual que não inclua a internet é, na minha opinião, inevitavelmente ultrapassado.

revistapontocom – E ultrapassada então também está a atual legislação de direito autoral?
Sérgio Branco
– O direito autoral foi construído em cima de conceitos do século XIX, tanto que hoje em dia a Convenção de Berna, de 1886, serve de base para as legislações de quase todos os países. Mesmo a Convenção de Berna tendo sido atualizada diversas vezes ao longo do século XX, sua última revisão data de 1971, ou seja, quando o mundo ainda era outro. O modelo de direito autoral vigente é absolutamente incompatível com a sociedade contemporânea.

revistapontocom – O Brasil, em particular, está bastante atrasado nesta discussão?
Sérgio Branco
– Acho que estamos em um momento de crise, já que a lei antiga não serve mais e não temos ainda uma lei nova que sirva a contento. Mas esse problema não é só do Brasil. Trata-se de um problema mundial. De toda forma, há países que encontraram soluções melhores do que as nossas.

revistapontocom – O que deveria ser revisto na lei de direito autoral brasileira?
Sérgio Branco
– A lei de direitos autorais de 1973 permitia uma cópia privada de cada obra. Justo em 1998, quando já existia a internet, que facilitou muito o acesso e a cópia, a nova lei de direitos autorais (que é desse mesmo ano) passou a aceitar apenas a cópia de pequenos trechos. Isso não só não faz sentido no mundo de hoje como padece de total falta de efetividade. Acredito que a primeira medida a se tomar seria – no mínimo – voltarmos à redação da lei de 1973. Além disso, as limitações e exceções previstas na lei, ou seja, as hipóteses em que as obras podem ser livremente usadas, independentemente de autorização do autor, são absolutamente insuficientes e precisariam ser alteradas para incluir acesso a obras fora de circulação comercial, uso livre da obra para fins didáticos, para conservação, entre outros.

revistapontocom – Estamos longe dessas mudanças?
Sérgio Branco
– Mudar uma lei no Brasil é algo muito difícil. Há alguns projetos tramitando no Congresso Nacional, mas as mudanças necessárias são muitas e muito profundas.

revistapontocom – Quando as crianças e os jovens baixam uma música da internet, copiam e colam um texto ou uma foto elas estão cometendo algum tipo de crime?
Sérgio Branco
– Não. A lei de direitos autorais brasileira é uma das mais restritivas do mundo e não se encontra ajustada às novas tecnologias. De certa maneira, quando alguém “baixa” uma obra pela internet, provavelmente está violando direitos autorais – a menos que a obra esteja em domínio público ou tenha sido disponibilizada com autorização do autor. Mas isso não é crime. Se você interpretar o código penal de modo a incluir essa conduta como crime, então teremos a calamitosa situação de uma sociedade inteira que pratica crimes diariamente, e por isso entendo que juridicamente essa interpretação é inaceitável. Além disso, quando analisamos as leis de diversos outros países, podemos observar que são inúmeros os casos em que obra intelectual protegida por direitos autorais pode ser copiada na íntegra para fins educacionais, para fins de conservação, para uso em ONGS, asilos, presídios. Nossa lei não prevê nada disso. Por isso pergunto: quando a população brasileira faz cópias para uso privado, para fins educacionais ou de conservação, por exemplo, temos uma sociedade agindo à margem da lei ou temos uma lei que está à margem das demandas sociais? A resposta me parece óbvia.

revistapontocom – O que devemos/podemos fazer até a aprovação ou a adequação de uma nova lei?
Sérgio Branco
– As pessoas têm se valido mais de soluções sociais do que legais. O Creative Commons é uma ótima solução, embora dependa da adesão do autor. Além disso, novos modelos de negócio, como o tecnobrega, têm mostrado alguns caminhos que podem ser seguidos pela sociedade, já que a lei ainda é muito restritiva.

Saiba mais

– Leia o livro Cultura Livre, de Lawrence Lessig. A obra pode ser baixada gratuitamente

– Creative Commons: o que é e como funciona. Acesse o site

– Tecnobrega: a música paralela. Conheça essa história

– Blog sobre direito autoral do Ministério da Cultura

O aprendizado nos dias de hoje

Projeto: Aulas de empreendedorismo e cultura digital
Instituição: Núcleo Avançado em Educação (NAVE)
Localização: Tijuca, Rio de Janeiro

Quando o professor Paulo Gontijo foi convidado, no ano passado, para ministrar aulas de empreendedorismo e de cultura digital para quatro turmas do Ensino Médio do Núcleo Avançado em Educação (NAVE), no Rio de Janeiro, nem ele nem os alunos sabiam o quanto o trabalho seria produtivo, instigante e revelador. A partir das orientações do professor, os estudantes tiveram que criar e apresentar um projeto de negócio que gerasse conteúdo para mídias digitais, cuja temática tinha que estar relacionada às grandes navegações e/ou ao descobrimento do Brasil.

Complicado? Não. Foi, sim, desafiante. Segundo o professor, os alunos foram instigados a pesquisar, ler, discutir e mais ainda: entender e compreender a história do país. “Um grupo, por exemplo, fez um site sobre moda comparativa. Os alunos compararam a moda da época do descobrimento com a moda da atualidade. Era um grupo que estava bastante resistente no começo porque não sabia o que fazer. Até que uma das alunas me perguntou se podia fazer qualquer relação com o descobrimento. Disse que sim. O grupo então fez um ótimo trabalho. Eu apenas estabeleci o mínimo e dei espaço para que eles criassem”, resume o professor.

Na avaliação de Paulo, o trabalho em grupo proporcionou um grande e profícuo intercâmbio entre os alunos, pelo qual puderam trocar experiências, informações e idéias. “Definitivamente, o aprendizado não é uma coisa que vem de cima para baixo, do professor para o aluno. É um caminho de mão dupla. O professor tem que se alimentar dos interesses dos alunos para preparar uma aula e os estudantes têm que criar, entre eles, uma rede de aprendizado. Tem que existir uma dinâmica horizontal entre professores e alunos. É isso que enriquece e traz um ganho de eficiência para a aula. Faz com que o aprendizado seja mais consolidado”, explica Paulo.

Neste sentido, o professor aposta e acredita numa escola em que o aluno deve assumir responsabilidades e, ao mesmo tempo, deve ter mais autonomia. A metodologia diária de Paulo comprovou o quanto é necessário que a escola propicie aos alunos desafios. “A escola tem que expor os alunos a decisões e suas conseqüências. Eles têm de ser responsáveis por aquilo que fazem. Algo que fiz e que funcionou bem foi modificar o sistema de pontuação. Não dava a mesma nota para todos os integrantes do grupo. Dava um total de pontos para o grupo. Os integrantes tinham que decidir como esses pontos seriam distribuídos. Adotei isso com o objetivo de fazer com que os alunos percebessem que todos tinham que se esforçar para que a nota fosse distribuída de forma igual. Tudo que dá autonomia gera aprendizado prático, faz com que os estudantes aprendem no dia-a-dia. E isso é muito interessante”, finaliza Paulo Gontijo.

Contato
Núcleo Avançado em Educação (NAVE)
Rua Uruguai, 204, Tijuca, Rio de Janeiro

Edital para animação

Estão abertas as inscrições para o Programa Anima TV, uma realização das secretarias do Audiovisual e de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, da Empresa Brasil de Comunicação (TV Brasil), da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura), da Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais (Abepec), com o apoio da Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA). Os interessados têm até o dia 21 de janeiro para se inscrever.

O Programa Anima TV selecionará projetos de série de animação dirigidos à infância e à adolescência nas faixas etárias de 6 a 11 anos ou de 12 a 14 anos. De acordo com o edital, serão produzidos 18 pilotos de 11 minutos e, após a transmissão nacional em Rede Pública de TV e a realização de pesquisas de audiência, serão selecionados dois programas para produção de séries de 12 episódios cada.

Mais informações no site

ABL tira dúvidas sobre as novas regras do acordo ortográfico

Já estão em vigor, desde o dia 1º de janeiro, as regras do Novo Acordo Ortográfico que envolvem oito nações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. No Brasil, o acadêmico Evanildo Bechara é a autoridade máxima para decidir as possíveis dúvidas e pendências com relação ao modo como os brasileiros terão de passar a escrever.

Para quem quiser tirar dúvidas sobre as novas ou antigas regras, a Academia Brasileira de Letras (ABL) está oferecendo um serviço on-line bastante interessante. É o “ABL Responde”, pelo qual o internauta envia sua dúvida e os acadêmicos respondem com a maior brevidade possível.

Acesse o serviço da ABL no site

O velho e conhecido rádio em nova roupagem

O rádio digital já está sendo testado no país. Governo brasileiro deverá definir este ano o sistema de transmissão. Para especialistas, o conteúdo será o grande diferencial

Por Priscilla Leite

Muito se fala na TV digital e em todas as suas potencialidades que, aos poucos, afirmam os especialistas, chegarão ao dia-a-dia dos cidadãos. Mas um outro meio de comunicação também está prestes a ganhar nova roupagem e função: o velho e conhecido rádio. É o que afirma a professora Nelia Del Bianco, do curso de comunicação da Universidade de Brasília (UnB). Doutora em comunicação pela USP, Nelia diz que as vantagens da transmissão digital são significativas e que irão revitalizar o rádio tanto no conteúdo quanto na forma de consumo.

Para Nelia, o conteúdo é o principal diferencial que fará com que o novo meio digital obtenha retorno e audiência. “A experiência de quem já convive com rádio digital há mais de dez anos mostra que a tecnologia digital, para que seja adotada pela sociedade, precisa oferecer muito mais do que melhoria de qualidade de som da programação existente. A experiência no Reino Unido é exemplar neste sentido”, explica a professora.

Segundo John Sykes, diretor de Projeto de Rádio Digital do Serviço Mundial da BBC, a nova tecnologia só agradou os ingleses a partir do momento em que as empresas de rádio comercial do país se uniram para patrocinar o desenvolvimento de um aparelho compatível com o bolso dos ouvintes e, assim mesmo, quando elas investiram numa programação de qualidade e segmentada. A BBC, por exemplo, criou cinco canais de rádio exclusivos para a freqüência digital.

“Hoje ouvintes regulares de rádio digital no Reino Unido escutam quatro horas a mais que os ouvintes de rádio analógico. A experiência mostra que o investimento no Brasil terá que se dirigir também para a criação de produtos atraentes e diversificados. Significa aliar qualidade de som com melhoria do conteúdo da programação”, conta Nelia.

Possibilidades tecnológicas não faltam para incrementar o conteúdo da programação. A professora afirma que o sistema digital pode tornar o rádio mais interativo, fidelizando o ouvinte e aumentando a lucratividade das emissoras. A tecnologia também pode oferecer multiplicidade de formas de transmissão. Uma única emissora poderá operar transmissores terrestres para cobertura nacional ou local, transmissores por satélite para cobertura de grandes zonas e transmissores por cabo para zonas pequenas, além de transmitir dados e serviços especializados.

“Essa variedade de formas de transmissão pode provocar uma reconfiguração dos atuais conteúdos e das funções sociais do rádio. Evidentemente, provocará um aprofundamento da segmentação da programação para atender a diferentes faixas ou segmentos da audiência. Uma hiper especialização não só pela música, com seus mais variados gêneros e estilos, mas também pela temática. Emissoras especializadas em esportes, turismo, economia, literatura etc. Tais mudanças poderão colocar fim a audiência massiva e a fidelidade do ouvinte a uma única emissora, o que exigirá dos radiodifusores muita criatividade não somente para gerar conteúdos específicos, como também para enfrentar o desafio de fazer rádio para ser lido”, destaca Nelia.

Diante da possibilidade de transmissão de dados e oferta de serviços especializados, o rádio não mais se caracterizará como um meio de comunicação exclusivamente sonoro. Boa parte de seu conteúdo também poderá ser lido na tela do cristal líquido do aparelho receptor digital – portátil e multifuncional – ou em outras plataformas de mídias convergentes.

“Fatalmente haverá uma sinergia que estimulará o radiodifusor a buscar parcerias e alianças estratégicas com provedores de conteúdo para desenvolver serviços complementares, agregando valor à programação do rádio. Esse cenário promissor sugere ao radiodifusor abrir mão do conteúdo exclusivo para entrar no campo da troca de informação. Significa modificar a atual estrutura de trabalho, adequando seu perfil para se transformar em um provedor de conteúdo que oferece seus produtos a outros players. Quem sabe, finalmente, o rádio deixará de ser o eterno primo pobre entre os demais meios de comunicação”, finaliza Nelia.

Rádio digital em fase de testes no Brasil

Para que o rádio digital seja oficialmente implantado no país, a exemplo do que ocorreu com a tevê, o governo brasileiro terá de escolher um determinado modelo de transmissão. Algumas emissoras de São Paulo, Ribeirão Preto, Cordeirópolis e Belo Horizonte já estão testando o sistema americano IBOC (In Band On Channel), com supervisão do Instituto Mackenzie. No entanto, o sistema ainda não foi aprovado pelo governo. Somente depois de avaliar todos os resultados dos testes, o Ministério das Comunicações tomará uma decisão final.

O que se sabe é que o sistema americano IBOC é preferido por muitos radiodifusores, pois permite transmitir o analógico e o digital na mesma frequencia durante um tempo maior entre as estações já digitalizadas e aquelas que levarão mais tempo para entrar no sinal digital.

Esta preocupação é grande uma vez que um dos principais questionamentos – de acadêmicos, entidades da sociedade civil, pesquisadores e representantes do próprio setor comercial – tem sido como as pequenas e médias rádios comerciais e as emissoras educativas e comunitárias conseguirão arcar com o custo da transição para o modelo digital. A estimativa é que cada rádio terá de pagar entre US$ 80 mil e US$ 120 mil para comprar transmissor e antena digitais. Teme-se que as pequenas emissoras comerciais do interior não tenham recurso para tal investimento.

Em países como Espanha, Suíça e Alemanha, o rádio digital está em funcionamento há mais de dez anos, mas não obteve o retorno esperado. Houve uma baixa aceitação do produto no mercado. Na Espanha, em 2006, somente cinco mil receptores digitais foram comercializados. Os preços elevados dos aparelhos receptores são uma barreira à adesão do público. E não há qualquer projeto do governo para subsidiar a produção de receptores, que, a exemplo da TV, são comercializados ao público para que a transmissão possa acontecer de fato.

Aqui no Brasil, a expectativa é de que o rádio receptor chegue ao mercado na faixa de R$ 100 a R$ 200, mas o custo deverá baixar com o tempo, como aconteceu com os telefones celulares. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estima que a migração dos ouvintes se complete entre sete e dez anos. Durante o mesmo período, as emissoras terão que transmitir sua programação, ao mesmo tempo, por via analógica e digital.

Um panorama da educação digital

Por Luli Radfahrer
Ph.D. em comunicação digital pela ECA-USP

Estava em uma reunião com engenheiros da USP onde se discutia a Internet2 e suas benesses. Por que será que nesse país as pessoas só conseguem pensar em hardware e em infra-estrutura, nunca em conteúdo? Fala-se dos padrões de HDTV e seus conversores, se ela será de Plasma ou LCD, se o substituto do DVD será HD-DVD ou Blu-Ray mas poucos parecem se interessar por conteúdo.

Fala-se dessa geringonça abaixo – o tal Laptop de US$100 – como se fosse a maravilha de inclusão digital, mas ninguém investe em treinamento de professores, em capacitação de escolas, em serviços para a comunidade. Será que é tão difícil de se entender que uma biblioteca completa não funciona se quem a freqüenta é analfabeto?

Burrice é uma coisa difícil de agüentar. Principalmente entre aqueles que têm poder de decisão. Por que, considerado o número de telefones celulares no Brasil e sua abrangência social, não se fazem serviços relevantes para essa plataforma e consumidores de baixa renda? Se der certo, eis um produto que pode ser exportado para a China e Índia. O que não falta nesse mundo é excluído digital.

Mas não adianta sonhar, o uso de tecnologias digitais nas escolas praticamente é inexistente. Pra piorar, muitos professores ainda teimam a ignorar ou proibir o uso de tecnologias de comunicação interativa. É aquela velha história de se temer o que se desconhece. Essa resistência pode até livrar a cara de um ou outro por enquanto, mas no médio prazo é demolidora. Qualquer aluno que use o computador em casa, em LAN Houses ou com os amigos sabe de sua importância nas relações sociais e provavelmente suspeita das profissionais. Ao ver seu professor rejeitar a tecnologia, ele entra em conflito, com dois resultados ruins possíveis:

Se o professor for bem sucedido em transmitir sua repulsa com relação às tecnologias interativas, formará em seu aluno um indivíduo desconectado e, portanto, distante da cadeia produtiva. Belo trabalho de educação.

Se, ao contrário, o aluno constatar que seu professor despreza a internet por desconhecê-la, ele tenderá a valorizar a interconexão em demérito da educação. Ao desvalorizar o sistema educativo como um todo, o aluno pára de dar importância ao ensino, pára de aprender, desenvolve preconceitos e reforça vícios. Com isso, se tornará semelhante ao professor que despreza e, apesar de utilizar a rede, não aprenderá com ela nem fará interações significativas. Em uma espécie de profecia auto-realizável, ele prova que as restrições que seu velho professor cultivava, embora infundadas a princípio, tornam-se realidade com o tempo.

O professor – qualquer professor – deveria entender o que existe de verdade na Internet, sem preconceitos ou resistência. Mais do que isso, ele precisa entender como isso influencia o modo de pensar de seus alunos. Não é o que eles pensam ou fazem quando estão conectados que importa, mas a forma como o fazem.

Se o professor usar técnicas construtivistas de ensino, poderá ter, na Internet, um importante universo de descoberta e exploração, fundamental para os processos de ensino de seus alunos. Ele não precisa ser a “fonte do saber”, mas o estimulador do conhecimento. Cabe a ele canalizar a energia e curiosidade de seus alunos e ajudá-los a estabelecer critério. Piaget e Vygotsky já diziam isso bem antes da Internet.

Enquanto se insiste em livros (que são importantes, mas já faz um tempo que deixaram de ser a única fonte confiável – e não se pode negar que há muita bobagem em livros), os Blogs e a Wikipedia, crescem e se tornam mais relevantes a cada dia. Quem poderia prever que uma enciclopédia aberta, que todos podem editar, teria um dia mais informação e um grau maior de precisão que a Enciclopédia Britânica?

São casos como esses que mostram como o poder agregador da comunicação colaborativa pode mudar a forma com que conhecemos o ensino hoje. Não é curioso pensar que, mesmo com tantas inovações tecnológicas, uma sala de aula de hoje não é diferente em sua essência de uma do século XVI? Será que em 500 anos nada mudou?

É verdade que uma grande quantidade de pessoas não tem acesso a um computador. Mas poderiam distribuir as máquinas a “derreal a baciada” que não faria muita diferença. A questão não está no fato de se ter um computador, mas do que fazer com ele. A Internet não é uma televisão, em que se pode escolher canais e receber conteúdo passivamente. As opções são tantas que o indivíduo sem treino não sabe o que fazer.

Documentários mostram que há bastante acesso à Internet nas favelas. Mas essa gente acessa o quê? Acredito que, por falta de opção, as redes sociais e os mecanismos de comunicação – em especial o MSN e o Orkut – sejam a maioria, e não é para menos. Diz-se por aí que há bastante conteúdo disponível na rede, mas ele está aonde? A fonte é confiável? Todos sabemos que se o indivíduo quiser aprender a fazer um currículo, a falar inglês, a dançar, a consertar um carburador, ele poderá encontrar a informação que precisa em vários sites. Mas fica a pergunta: ele sabe procurar? Sabe identificar uma resposta certa? Você saberia dizer um bom site de educação prática e simples sem pesquisar?

A pesquisa nacional por amostra de domicílios (PNAD, do IBGE) mostra que os brasileiros que não usam a rede são mais velhos, têm menos estudo e ganham menos que aqueles que têm acesso a ela, seja em casa ou no trabalho. Ainda segundo a pesquisa, o brasileiro médio que acessa a Internet tem 28 anos, escolaridade mínima de 10 anos e rendimento médio de R$ 1 mil, enquanto aquele sem – que não tem acesso – ultrapassa os 37 anos, tem menos de cinco anos de estudo e recebe, em média, R$ 333 mensais.

Os principais motivos listados para a falta de hábito de acessar a rede são sintomáticos: o alto preço do computador (37,2%), a não-necessidade ou desejo (20,9%) e a falta de instrução (20,5%), todos sintomas evidentes de uma falta de orientação com relação ao uso do computador, acompanhada de uma incerteza com relação a seus benefícios. Uma máquina que não é compreendida não tem serventia, é considerada cara e inútil. Não é de se surpreender que o número de domicílios com freezer seja praticamente igual aos dos que têm computador na média nacional.

Na região mais pobre e com menor índice de escolaridade da nação, o congelador penetra em cerca de 70% de domicílios a mais que o computador. O que não é uma surpresa, principalmente após as crises do setor energético em 2001. A relação entre educação e acesso à internet fica ainda mais evidente quando se compara o acesso à rede entre os que estudaram e os que não: enquanto 76,2% das pessoas com 15 anos ou mais de estudo usavam a rede, apenas 2,5% dos que tiveram até quatro anos de educação faziam o mesmo.

A situação piora se for levado em conta que o sistema é retro-alimentado: o indivíduo que tem acesso à rede se informa e se atualiza cada vez mais rápido, tende a valorizar o meio ainda mais, passar conseqüentemente mais tempo conectado e progredir ainda mais; do outro lado, aquele que não tem acesso fica a cada momento mais distante do conhecimento e tem uma curva de aprendizado cara vez mais íngreme para superar.

Como sempre, o elemento-chave é o professor. Se ele está capacitado, poderá dar uma formação melhor a seus alunos. Se ele não compreende a máquina, entupi-lo de sistemas de ensino à distância e software dedicado não vai melhorar. Por falar neles, o uso de programas educativos como os conhecemos é normalmente desastroso. Para começar, porque do jeito que são feitos, são muitos os programas necessários.

Um cálculo simples mostra que uma escola que resolva aplicar um programa didático mensal, a título de aula prática, para cada série e disciplina de seu currículo, seria obrigada a comprar entre seiscentas a novecentas aplicações em média. A cada período letivo ou nova turma, por exemplo, o investimento em software seria equivalente à compra de diversos computadores potentes.

Para piorar o cenário, o treinamento de cada professor para cada ferramenta de software demandaria um esforço considerável – o que, naturalmente, tem custos. Professores com pouca experiência na área digital terão maiores dificuldade de aprendizado e retenção de conhecimentos, o que os levará a uma natural resistência e insegurança para sua aplicação, ainda mais se considerado que os alunos podem entender o programa mais rapidamente e, conseqüentemente, fazer perguntas que estejam além de sua capacidade.

Se, mesmo assim, o investimento for feito, os programas não podem ser engavetados. Para usar recursos tão caros, o professor precisa ajustar seu currículo – esse ajuste não é necessariamente bom, uma vez que as práticas didáticas do software raramente condizem com o ambiente, condições regionais, histórico, resultado esperado e condições do professor. Se a ferramenta for estrangeira, a adaptação pode incluir alterações curriculares.

O aplicativo, comprado com a intenção de ser um suporte às aulas pode, em muitos casos, se tornar um desvio forçado de rota cujos efeitos são mais daninhos que benéficos. Ou seja, os resultados desses programas não costumam compensar o investimento feito neles – mesmo nos melhores casos, em que o aplicativo seja de baixo custo e gratuito, demande pouco ou nenhum treinamento e seja facilmente aplicável em sala de aula (caso muito raro, consideradas todas as variáveis envolvidas), o investimento provavelmente não acarretará em uma melhora do ensino. O software educacional tenderá, em muitos casos, a ser um ambiente de construção e simulação, em que o aluno poderá fazer escolhas, mas dificilmente poderá propor novas abordagens.

Um computador último tipo, um sistema de software educativo e uma banda muito larga não tornam ninguém mais inteligente. O que é necessário mudar é a atitude do indivíduo com relação à tecnologia, não a qualidade do ambiente. O professor precisa aprender a valorizar a Internet e seus usos, conhecer as novas tecnologias e saber o que fazer com elas, tentar minimizar a curva de aprendizado e, assim, lutar para diminuir a exclusão digital.

Essa é a grande revolução que as escolas precisam fazer. Se o professor souber como a máquina funciona, poderá estimular seus alunos mesmo sem ter recursos – e esses alunos poderão utilizar os computadores de suas casas ou de LAN Houses conveniadas.

O sistema ideal envolveria aplicativos educacionais conectados em um ambiente de construção, investigação e progressão que, nos moldes construtivistas, se adapte às necessidades e particularidades de cada região, turma, classe e professor. Mais do que isso, esse sistema de aplicativos deve dar início a uma série de discussões em classe e apoiar o processo de descoberta e resolução de problemas. Assim servirá como impulso para a construção de conhecimento coletivo e colaborativo.

Seu uso deve ser estimulado, divertido e interessante, proporcionando a formação de grupos espontâneos e avaliação pelas comunidades formadas. Ele deve ser acessível via Internet, em sala de aula, em casa, à distância ou em todos esses casos simultaneamente. Suas ferramentas devem ser fáceis de usar e amigáveis. Elas devem habilitar o professor para ser o gestor do conteúdo gerado por ele. Se ele for capaz de, em um processo de emergência, construir um corpo de referência maior, mais abrangente e mais longevo que a experiência didática, tanto melhor.

A boa notícia é que esse sistema já existe, é gratuito, adaptável e está pronto para ser utilizado. Blogs, Wikis e boa parte dos serviços disponíveis na Internet são seus elementos.