As crianças no carnaval do Rio 2009

Já é tradição. Antes dos desfiles das grandes escolas de samba do Rio de Janeiro, quem toma conta da Avenida Marquês de Sapucaí são as crianças. Integrantes das escolas mirins, elas dão um show de criatividade e, é claro, de muito samba no pé. Isso sem deixar de lado o compromisso de levar para o sambódromo temas atuais, contextualizados com o universo infanto-juvenil.

O desfile deste ano, marcado para o dia 20 de fevereiro, a partir das 17 horas, contará com 16 escolas de samba, reunindo cerca de 21 mil crianças e adolescentes. Em número de componentes, a maior escola é a Mangueira do Amanhã. Os 2.200 integrantes falarão sobre a riqueza da Região Nordeste. A escola Corações Unidos do Ciep, com 2.000 meninos e meninas, discutirá a influência francesa no Brasil. E a Pimpolhos da Grande Rio levará para a avenida os 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A revistapontocom reuniu, abaixo, a relação das 16 escolas. Clique em cada uma e conheça detalhes técnicos, bem como o tema e a letra do samba-enredo.

Filhos da Águia
Império do Futuro
Corações Unidos do Cep
Herdeiros da Vila
Mel do Futuro
Mangueira do Amanhã
Miúda da Cabuçu
Tijuquinha do Borel
Aprendizes do Salgueiro
Pimpolhos da Grande Rio
Planeta Golfinhos da Guanabara
Infantes do Lins
Petizes da Penha
Ainda existem crianças na Vila Kennedy
Nova Geração do Estácio de Sá
Estrelinha da Mocidade

Campanha nacional de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes

Pelo quarto ano consecutivo, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República promove a campanha nacional de enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes no carnaval. O objetivo é combater a exploração sexual e incentivar a população a denunciar qualquer tipo de abuso, o que pode ser feito por meio do serviço do Disque 100 ou dos conselhos tutelares. O lançamento da edição deste ano foi realizado no dia 13 de fevereiro, em Manaus. 

Com o slogan “Exploração sexual de crianças e adolescentes é crime. Denuncie! Procure o Conselho Tutelar de sua cidade ou disque 100”, a campanha será intensificada em doze cidades: Manaus, Fortaleza, Corumbá, Vitória, Belém, Recife, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Adesivos, camisetas, cartazes, fitinhas e banners serão distribuídos em aeroportos, festas, hotéis e blocos. Caberá à Polícia Federal a distribuição dos materiais de divulgação em inglês e espanhol para os turistas estrangeiros. 

Em relação à campanha do carnaval de 2007, a do ano passado registrou um aumento de 91% nas denúncias. Em 2007, a média diária de denúncias foi de 54. Em 2008, o número chegou a 103. 

Ouça o áudio da campanha 

Dia da vivência audiovisual

No dia 5 de março, a ONG Cinema Nosso, localizada no Centro do Rio, vai promover o Dia da vivência audiovisual. Das 10 às 20h, jovens e adolescentes serão convidados para participar, gratuitamente, de oficinas de animação e de vídeo para celular. Os interessados poderão chegar a qualquer hora do dia. No final do evento, toda produção será exibida.

De acordo com a coordenação do espaço, é importante que os jovens e adolescentes façam, por telefone, a pré-inscrição. O Cinema Nosso está localizado na Rua do Rezende, 80, na Lapa, Rio de Janeiro.

Dia de Vivência Audiovisual
Telefone: (21) 2505-3300
Site da ONG www.cinemanosso.org.br

 

Dia internacional da criança no rádio e na TV

O Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV será celebrado no dia 1º de março. A data da comemoração, que anualmente acontecia no segundo domingo de dezembro, foi alterada pelo Unicef para garantir maior participação das empresas de comunicação e de toda a sociedade.

Unam-se às crianças – sintonizem-se com elas (Unite for children – Tune in to Kids) é o tema do evento deste ano que, a exemplo dos anteriores, conclama a participação das emissoras de rádio e de TV de todo o mundo para que desenvolvam uma programação voltada para o tema, dando espaço para a opinião de crianças e jovens.

Aqui no Brasil, tradicionalmente, as redes públicas de TV e rádio, como a TV Cultura, a TV Brasil e a Rádio MEC, abrem espaço em sua programação para falar sobre o tema. Na página do Unicef também é possível acessar vídeos produzidos por crianças e jovens sobre a celebração da data.

Confira

Jovens gastam, em média, duas horas por semana em sites pornográficos

A empresa britânica Cyber Sentinel, que desenvolve softwares que controlam a navegação de crianças e jovens na web, acabou de divulgar um estudo que revela o hábito de mil adolescentes na internet. O resultado do levantamento indica que os adolescentes gastam cerca de duas horas por semana acessando sites pornográficos e, é claro, sem o conhecimento dos adultos. Dever de casa? Sim, eles também fazem, mas a atividade ocupa apenas três horas por semana.

“A coisa mais alarmante que essa pesquisa mostra é que os adolescentes estão, obviamente, explorando todos os tipos de assuntos devido às pressões dos dias atuais”, disse Ellie Puddle, diretora da Cyber Sentinel.

Durante a semana, os jovens ficam conectados cerca de 31 horas. Além das páginas de pornografia, eles acessam sites sobre estética, cirurgias plásticas, produtos de beleza, emagrecimento e métodos contraceptivos. “Por várias razões, os jovens preferem buscar informações gerais sobre estes e outros assuntos na web em vez de dialogarem com seus respectivos pais”, conta Ellie Puddle.

O estudo também aponta que parte significativa dos adolescentes conversa com estranhos pela internet. Para os adolescentes, não se trata de uma atividade perigosa. A participação em chats, fóruns, MSN e redes de relacionamento ocupa nove horas. Outras duas são gastas assistindo aos vídeos do You Tube. Trinta e três por cento dos entrevistados acessam a web de seus respectivos quartos.

Fonte: Cyber Sentinel

A comunicação persuasiva e o professor

Por Marco Antonio Vieira Souto
Publicitário e conselheiro do planetapontocom

Se comunicação e educação podem ser consideradas como parte de um único processo, já que sem comunicação não existe educação e o aprendizado é sempre um dos preceitos da comunicação – não importando se do novo atributo de um produto ou um novo filme a entrar em cartaz, ou ainda uma nova ideia política, social ou cultural que se pretende divulgar -, então, o que seria o professor neste processo?

Mal comparando, podemos dizer que o professor é um agente de comunicação. Quase como se fosse ele próprio um veículo de comunicação. Pois é ele que detém o conteúdo ou a orientação para se chegar ao conteúdo que deverá ser debatido em sala de aula. Ele é um dos principais emissores das mensagens, embora, já sabemos, não seja o único. Portanto, é fundamental que, tendo consciência de seu papel no processo de comunicação, o professor saiba como tirar maior proveito para conquistar seus objetivos em sala de aula.

É comum se atribuir ao conceito de comunicação persuasiva uma imagem negativa. Talvez por entender a propaganda, a mais evidente mostra de comunicação persuasiva, como algo apenas nocivo, que incentiva o consumismo sem limites, que muda padrões de comportamento etc.

Já vimos que a propaganda está a serviço das mais diversas categorias de produtos, serviços e ideias e que ela busca, na própria sociedade, os padrões de comportamento que apresenta nas peças de comunicação.

Mas voltando ao professor como agente de comunicação, é de fundamental importância que ele entenda o seu papel.

Nas empresas, o gerente, que lidera equipes de pessoas dos mais variados perfis, também é um agente de comunicação. Tanto ele como o professor, que também podemos imaginar como um gerente na sala de aula, deverão, antes de mais nada, conhecer profundamente o seu, ou seus, público(s).

Conhecer o público ou o receptor da mensagem significa não apenas saber suas características socioeconômicas ou culturais ou seu perfil escolar. É preciso ir mais fundo, com conversa, com o olhar aguçado para detalhes que nem sempre estão visíveis claramente.

A exemplo da propaganda, vamos tentar conhecer aquilo pelo qual estamos dispostos a mudar nosso comportamento, aquilo a que atribuímos valor, aquilo que nos dá prazer: nossos desejos.

Na mesma linha, temos que descobrir o que bloqueia a realização desses desejos, os medos, as dúvidas, os limites reais ou imaginários.

Se o homem é um animal desejante, que se movimenta, vive e morre por seus desejos, ao descobrirmos o que move nosso público teremos nas mãos uma excelente oportunidade de atribuir mais valor, e, portanto, mais interesse, participação, envolvimento etc, a tudo que acontece dentro de sala de aula.

Já conhecemos o perfil do nosso público, já sabemos seus desejos, suas barreiras, o que precisamos mais saber?

Como resolver ou superar estas barreiras para que o desejo possa se realizar.

O COMO, aqui descrito, é o que poderíamos chamar de nossa estratégia.

O que temos de melhor para propor? Por que podemos considerar o melhor caminho? Que razões justificam a escolha deste ponto central do nosso discurso?

É preciso que o nosso público, nesta ordem, entenda o que falamos, se interesse, se mobilize e parta para a ação.

Para isso, o professor terá que ser claro na sua proposta, usando linguagem e tons que sejam facilmente compreendidos, que apresente uma proposta que seja valorizada, portanto, identificada com os desejos, que utilize veículos e momentos de comunicação e interação pertinentes e, finalmente, que ofereça meios para a ação pretendida se concretizar.

Como vimos, é processo que exige da parte do professor um conhecimento profundo de seus alunos, mas que traz, ao longo da relação com os alunos, recompensas e resultados valiosos.

O mundo é dos blogs

Professora Raquel Recuero fala sobre o impacto dos blogs no cotidiano. Faça o download do livro Blogs.com, lançado em janeiro deste ano

Raquel Recuero

Por Marcus Tavares

Os dados impressionam: são mais de um bilhão de blogs ativos no mundo. E a conta não para por aí. De acordo com a empresa Technorati, responsável pela indexação de diários virtuais, a cada dia são criados 120 mil novos blogs, em média, 1,4 por segundo. Nessa blogosfera mundial, há de tudo um pouco, desde blogs que assumem o papel de antigos diários de meninas aos que trazem informações diferenciadas e em tempo real.

Uma boa radiografia dessa história está reunida no livro Blogs.com, lançado em janeiro deste ano, na Campus Party. A obra, organizada pelas professoras Adriana Amaral, Raquel Recuero e Sandra Montardo, apresenta um panorama sobre os blogs no Brasil. O título reúne 12 artigos, divididos em dois capítulos. O primeiro – Blogs: definições, tipologias e metodologias – faz uma análise do objeto blog. O segundo – Usos e apropriações de blogs – estuda a influência da ferramenta em várias áreas, inclusive na Educação. Entre outros textos, a publicação traz um artigo da professora Rosa Meire Carvalho de Oliveira que discute os blogs e a escrita, e um outro, de Rogério Christofoletti, que analisa os blogs como possibilidade de ensino.

O livro pode ser baixado, gratuitamente, aqui

A revistapontocom entrevistou, por e-mail, uma das organizadoras do livro, a jornalista e professora Raquel Recuero, que vem pesquisando as redes sociais e as comunidades virtuais na web. Raquel destaca o fato de os blogs contribuírem para a democratização da informação.

Acompanhe:

revistapontocom – Qual é a utilidade dos blogs nos dias de hoje?
Raquel Recuero
– Os blogs são uma ferramenta que facilita a publicação pelos indivíduos e instituições. Com isso, contribuem para democratizar a informação. As pessoas têm mais acesso a informações e podem também publicar o que quiserem. Isso é positivo porque democratiza um processo que era, na mídia de massa, totalmente concentrado nas mãos de poucos.

revistapontocom – Essas são as principais transformações que os blogs trazem para o cotidiano?
Raquel Recuero
– Sim, os blogs aumentam as informações que estão disponíveis, auxiliam as pessoas a publicar. Mais ideias, posicionamentos e discussões circulam. Nem todas as informações que são publicadas nos blogs são relevantes. Porém, muitas são, como o blogueiro iraquiano que trazia notícias de Bagdá durante a guerra ou os blogs que trazem notícias jornalísticas de localidades que não possuem informativos.

revistapontocom – Blog é assunto de criança, adolescente ou de adulto?
Raquel Recuero
– Acho que aparece em todas as faixas etárias, porém mais entre os adolescentes e jovens.

revistapontocom – A senhora acha que os blogs podem ser utilizados pelos professores?
Raquel Recuero
– Sim, com certeza. Temos vários exemplos disso, tanto entre professores do Ensino Médio quanto do Ensino Superior, no sentido de usar o blog como instrumento de alfabetização digital, de construção e publicação do conhecimento etc. Há vários trabalhos já publicados que relatam experiências do tipo. Eu mesma costumo utilizá-los em sala de aula.

revistapontocom – É possível descrever o perfil do blogueiro brasileiro?
Raquel Recuero
– Essa é uma pergunta complicadíssima. Acho que tem várias faixas etárias com vários tipos de apropriação, não tenho dados a esse respeito.

revistapontocom – Blogs, microblogs, twitter… o que vêm depois?
Raquel Recuero
– Difícil dizer.

O que representa o Orkut para as novas gerações?

As professoras Fernanda Bruno e Regina Viegas falam sobre seus estudos e experiências relacionados ao Orkut

Há cinco anos, a criação do Orkut transformou o dia-a-dia de muitos brasileiros. Fechado inicialmente para um pequeno grupo de vips, o site de relacionamento reúne, atualmente, pessoas de todas as classes sociais e cantos do mundo. Aqui no Brasil, virou febre, inclusive, entre crianças e jovens, embora seu acesso seja impróprio para menores de 18 anos. Febre, por sinal, contagiosa. Hoje, depois do Google, o Orkut é o site mais visitado no país. Estatística que levou a sede da instituição a se mudar da Califórnia para o Brasil, em agosto do ano passado. Afinal, não é para menos, 51,57% dos usuários são brasileiros, cerca de 23 milhões de pessoas.

Conscientes dessa popularidade, alguns educadores vêm pesquisando o assunto. Outros, trazendo, inclusive, as potencialidades do Orkut para a sala de aula. A revistapontocom ouviu duas pesquisadoras sobre o tema. São elas: Fernanda Bruno, professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ e do Instituto de Psicologia da UFRJ e coordenadora do Núcleo de pesquisa em tecnologias da comunicação, cultura e subjetividade (CiberIDEA); e Regina Viegas, professora do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-Rio).

As redes de relacionamento, como o Orkut, são um dos focos de estudo de Fernanda e objeto de ensino e aprendizagem de Regina, que vem trabalhando com a ferramenta dentro da sala de aula.

Vale a pena conferir as entrevistas:

Fernanda Bruno

Regina Viegas

Orkut: que história é essa?

“A atual geração de meninos e meninas é super conectada e o Orkut representa mais uma forma de se conectar”, Fernanda Bruno

De acordo com Fernanda, cada vez mais, as novas gerações associam as relações sociais às praticas do ver e do ser visto. Para ela, são crianças e jovens que cresceram familiarizados com os meios de comunicação de massa, onde ser visível se tornou um valor positivo, ao contrário dos adultos que têm algum constrangimento com a exposição da vida privada.

Coordenadora do Núcleo de pesquisa em tecnologias da comunicação, cultura e subjetividade (CiberIDEA), Fernanda ressalta ainda que, hoje, no contexto da web 2.0., a internet é marcada pela atitude participativa e colaborativa.

Confira a entrevista concedida pela professora Fernanda Bruno:

revistapontocom – O Orkut é uma febre entre crianças, adolescentes e adultos. Por que isso acontece?

Fernanda Bruno – O Orkut é um fenômeno recente. Está em andamento e desenvolvimento, assim como as redes sociais de uma forma geral. Por isso, não posso fazer afirmações categóricas quanto ao motivo pelo qual algumas crianças, adolescentes e adultos gostarem tanto dele. Mas há pistas para entender a repercussão das redes sociais nessas gerações. Elas são encontradas nas características mais amplas da nossa cultura. Uma delas é o forte vínculo que existe hoje, sobretudo para as novas gerações, entre a sociabilidade, formas de tecer relações sociais, e a visibilidade. Ou seja, cada vez mais, as novas gerações associam as relações sociais às praticas do ver e do ser visto – se fazer visível para o outro e também ver a vida do outro, a intimidade do outro e as características do outro. É uma geração que cresceu muito familiarizada com os meios de comunicação de massa, onde ser visível se tornou um valor positivo. A internet torna a visibilidade possível para todos. Isso foi muito atraente para as novas gerações, pois democratizou a visibilidade. Na televisão há visibilidade para poucos, já na internet há visibilidade para muitos. Não é a mesma visibilidade. Ela não tem o mesmo alcance, mas há esse apelo. E, na minha opinião, este apelo é um dos elementos que torna as redes sociais tão populares. Acho que esse elemento atraí, principalmente, as novas gerações, pois a geração dos adultos de hoje, acima dos 30, 40 anos, tem algum constrangimento com a exposição da vida privada, da intimidade. Exposição que acontece nas redes sociais. Elas pulverizam domínios da vida das pessoas que antes permaneciam na esfera privada ou entre amigos, não disponível em meio ou veículo de comunicação. Então, a primeira forma de entender essa expansão das redes sociais e a popularização desses ambientes na internet é a associação entre a sociabilidade e a visibilidade, tanto para os adolescentes quanto para os adultos. Do ponto de vista das crianças, é mais difícil responder a essa pergunta. Não conheço e nunca fiz nenhuma pesquisa com o público infantil. Não conheço a vivência das crianças na internet, tão pouco se é significativo o seu número no Orkut. Mas a internet é, sim, mais um ambiente lúdico, mais um lugar para brincar, para conhecer pessoas, para se divertir.

revistapontocom – O dia-a-dia da geração da garotada mudou com a chegada do Orkut? Como?

Fernanda Bruno – Não vejo nenhuma grande mudança. O que vejo são múltiplos espaços de troca social, comunicação e experiência sendo criados para pessoas que acessam a internet e usam o computador. É mais uma camada de sociabilidade, de cuidado com a imagem, de arquivo de memória e de relação com o outro. É mais um elemento que ingressa na vida cotidiana. Não vejo diagnósticos que dizem que pessoas transferiram a sua vida social do “mundo real” para o “mundo virtual”. É um processo de adição, mais um lugar para se socializar, e não uma transferência. O Orkut é um lugar onde as pessoas chamam você para festas, onde você fica sabendo o que está acontecendo na rua e qual é a boa da noite. Ele vem aumentar a sociabilidade que acontece na rua, nos encontros pessoais e nas festas. O que atravessa tudo isso é o fato da sociabilidade estar sendo alimentada por um certo voyerismo, a atitude de um espiar o que o outro está fazendo. Na minha opinião, a prática da visibilidade, o jogo do ver e do ser visto, está alimentando as formas de se relacionar com o outro. Ela alimenta desde as amizades até os encontros amorosos e as relações superficiais. Sem dúvida, as pessoas passam mais tempo em frente ao computador, mas, por outro lado, passam menos tempo em frente à televisão, por exemplo. Ainda que no Orkut elas se relacionem de forma superficial, elas estão ali procurando outras pessoas. Elas não estão ali vendo algo passivamente como fazem em frente à televisão. Não estão idolatrando um grupo de celebridades ou apenas se divertindo. No Orkut, há um fluxo de troca, uma série de encontros que produz uma sociabilidade mais ativa comparada aos outros meios de comunicação. O orkut é uma rede social. E esse é o meio que vingou na internet, marcado pela busca da sociabilidade.

revistapontocom – O que o Orkut representa para esta atual geração de meninos e meninas?

Fernanda Bruno – A atual geração de meninos e meninas é super conectada e o Orkut representa mais uma forma de se conectar. É uma geração que tem uma relação de rede com o mundo. Ela só se sente no mundo estando conectada às redes de comunicação. As redes, na prática, são uma novidade ao antigo computador. Antigamente, as pessoas ficavam nas suas casas fazendo trabalhos e jogando jogos, mas desligadas umas das outras. Hoje, há uma rede de comunicação, na qual todos se conectam. Existe também a necessidade de estar conectado. É muito comum você ver uma pessoa que está em várias redes sociais. Ela tem, por exemplo, Orkut, Twitter e Blog. Quanto mais ela entra, mais ela se envolve e acha que precisa estar presente a uma série de circuitos de gosto, de moda, de música, de informação, de conhecimento e de diversão. 

revistapontocom – Como podemos descrever o perfil dessa geração Orkut?

Fernanda Bruno – É uma geração que tem valores de conectividade, sociabilidade e participação. Cada vez mais, a internet é marcada pela atitude participativa, diferente dos outros meios de comunicação, onde a pessoa é, na maioria das vezes, apenas receptora de informação. Na internet, nas redes sociais, o indivíduo também se torna produtor de conteúdo. Conteúdo ligado ao entretenimento, a vida privada, a vida íntima, a sociabilidade ou a qualquer outra coisa. Uma nova forma de caracterizar a internet é chamá-la de Web 2.0. Ela não é mais apenas um espaço de acesso fácil, rápido e democrático à informação, mas um lugar de produção de conteúdo. Você cria o seu blog, o seu perfil no Orkut e produz. Esse impulso de participação marca também a migração do meio televisivo para o meio da internet, para a colaboração, para a troca de informações, conhecimentos e arquivos.

Orkut: que história é essa?

“Nós professores não podemos desconhecer estas ferramentas. Elas fazem parte do dia-a-dia dos jovens e temos que usá-las ao nosso favor”, Regina Viegas

Professora do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-Rio), Regina Viegas trabalha com o Orkut, desde 2006, nas aulas em que ministra na instituição. O projeto A utilização das novas tecnologias virtuais na educação surgiu da necessidade de conhecer mais sobre a ferramenta que tanto mobiliza os jovens. “O Orkut é uma realidade que veio para ficar. Hoje em dia, é difícil encontrar um jovem que não tenha o seu perfil no Orkut”, destaca Regina.

Para a professora, os educadores não podem desconhecer a importância das novas tecnologias. “Vivemos num mundo de constantes mudanças e inovações. Enquanto os jovens esstão dia-a-dia neste processo, a escola não consegue acompanhar o ritmo, muitas vezes frenético e veloz”, avalia.

Confira a entrevista concedida pela professora Regina Viegas:

revistapontocom – O Orkut  acaba de completar cinco anos no Brasil. Como a senhora avalia a inclusão do Orkut no dia-a-dia de tantos jovens?

Regina Viegas
– O Orkut é uma realidade que veio para ficar. Hoje em dia, é difícil encontrar um jovem que não tenha o seu perfil no Orkut. Na minha pesquisa, verifiquei que muitos jovens estão inclusive substituindo o e-mail pelos scraps ou testemunhos no Orkut. Eles dizem que, já que estão logados, preferem mandar mensagens sem precisar abrir a conta de e-mail. Muitos também costumam usar o Orkut como um MSN (para mensagens instantâneas). O Orkut então acabou abrangendo áreas como e-mail, comunicador instantâneo, ferramenta de busca, ponto de encontro, entre outras funções. Não podemos ser maniqueístas e rotular o Orkut como bom ou ruim. Como eu disse: o Orkut é uma realidade e devemos lidar com ela. Inclusive devemos aproveitar o que a ferramenta tem para nos oferecer do ponto de vista educacional.

revistapontocom – A senhora acha que é possível aliar o Orkut à sala de aula? O Orkut pode, de fato, auxiliar a aprendizagem?
 
Regina Viegas
– Acho plenamente possível. Inclusive meu projeto de pesquisa procura exatamente estudar de que forma é possível aliar o Orkut e outras ferramentas virtuais à educação. O Orkut já se mostrou uma ferramenta muito útil na sala de aula. Na minha pesquisa, mostro que os alunos podem criar comunidades de discussão sobre temas pedagógicos, podem usar os tópicos para propor novas idéias, podem pesquisar sobre assuntos acadêmicos etc. Temos, inclusive, uma experiência de um grupo de alunos do Ensino Médio. Eles criaram uma comunidade no Orkut para discutir a questão dos blogs pedagógicos. O sucesso foi tanto que pessoas de outros estados brasileiros entraram na comunidade e hoje se comunicam por meio do MSN e de outros canais. Temos também comunidades criadas por professores que postam notas e conteúdos de sua disciplina, o que acaba servindo como material didático para outros professores, inclusive do exterior. Ao longo destes três anos de pesquisa, verifiquei os múltiplos usos educacionais do Orkut.
 
revistapontocom – Mas a senhora também desenvolve um projeto com seus alunos no Cefet? Como funciona a proposta?

Regina Viegas – O projeto A utilização das novas tecnologias virtuais na educação vem sendo desenvolvido desde 2006 e está inserido no Núcleo de Aplicação de Novas Tecnologias na Educação, do qual sou pesquisadora e coordenadora. O projeto conta com bolsistas de Iniciação Tecnológica e é cadastrado no CNPq. Na verdade, ele surgiu da necessidade de conhecer mais sobre esta ferramenta que tanto mobiliza os jovens. Num primeiro momento, foi aplicado um questionário para apurar como os jovens viam estas ferramentas. Cerca de 89% dos jovens tinha Orkut. Os que não tinham sofriam certa discriminação e se sentiam como verdadeiros “párias digitais”. A partir daí, uma série de atividades foi desenvolvida com todos os alunos. Propusemos, por exemplo, que os estudantes criassem comunidades no Orkut para discutir temas gerais – como cotas no vestibular, aborto, globalização e legalização da maconha – que participassem de fóruns de debates no Orkut e realizassem pesquisas sobre assuntos tratados em aula. Da minha parte, eu criei uma comunidade, onde posto os conteúdos da disciplina, as notas e comentários sobre as aulas. Ao mesmo tempo, criei também uma rede de relacionamento, na qual eu, os alunos e outros professores debatemos, por exemplo, questões de vestibulares.

revistapontocom – Quais são as dificuldades de trabalhar com o Orkut na sala de aula?

Regina Viegas – A maior dificuldade é que muitas escolas ainda não possuem computador ligado à internet. No Cefet, que possui tal recurso, a maior dificuldade é limitar o tempo no Orkut. Se deixar, os alunos ficam mais de cinco horas plugados. Também perdem muito tempo bisbilhotando a vida alheia. Mas quando se concentram nos tópicos de discussão, são criativos e se expressam bem. Aliás, uma das maiores virtudes que vejo no Orkut é o fato de ele oferecer diversos canais de expressão para os jovens, seja por meio da criação de comunidades, enquetes, bate-papo etc. Uma outra coisa bem positiva: por meio do Orkut, os jovens também se mobilizam por causas nobres. Meus alunos já mobilizaram várias pessoas, promovendo campanhas de cunho social. Já houve arrecadação de alimentos para uma campanha contra a fome e também uma outra campanha incentivando a doação de sangue. Nesta, apareceram jovens inclusive de outros municípios do Rio. 

revistapontocom – De uma forma geral, a senhora acha que o professor já reconhece o ambiente digital como uma ferramenta potencial para educar os alunos?

Regina Viegas – Não. Ao contrário, num primeiro momento o professor acha que o ambiente digital é um perigo ou algo que pode ameaçá-lo. Mas é um ledo engano uma vez que as possibilidades do ambiente digital são inúmeras. Em vez de ameaçar o professor, este ambiente pode, na prática, ajudá-lo. É só saber como.
 
revistapontocom – A senhora acha que as potencialidades da web (rede sociais, ferramentas de wiki, redes de relacionamento) concorrem com a sala de aula ou, na verdade, podem complementar as atividades?

Regina Viegas – Sem dúvida podem complementar. E complementam, querendo ou não o professor. Quantos de nós, professores, não nos deparamos com alunos que pesquisaram na Wikipedia? Nós, professores, não podemos desconhecer estas ferramentas. Elas fazem parte do dia-a-dia dos jovens e temos que usá-las ao nosso favor. Vivemos num mundo de constantes mudanças e inovações. Enquanto os jovens acompanham dia-a-dia este processo, a escola não consegue acompanhar o ritmo, muitas vezes frenético e veloz. Muitos estudos apontam para o desinteresse do estudante pelo ambiente escolar. Certa vez, um professor disse que, se uma pessoa da Idade Média pudesse voltar aos dias atuais, uma das coisas que ele reconheceria, como algo que não mudou, seria a escola. Será que a escola deve permanecer exatamente como no passado? Como absorver criticamente estas mudanças do mundo moderno sem perder a essência? São questões que se colocam para os educadores e que só podem ser respondidas se os mesmos tiverem a mente aberta ao novo e ao que a juventude utiliza no seu cotidiano. Não se trata de uma tarefa simples, uma vez que a atualização dos profissionais da educação não conta com incentivos, porém é uma tarefa necessária. Se a utilização destas ferramentas virtuais pode ser um instrumento de ajuda para o professor e pode despertar no estudante um estímulo para o processo de aprendizagem, por que vamos abrir mão destas ferramentas?

Ortografia da Língua Portuguesa: entre acordos e desacordos

Por Domício Proença Filho
Professor emérito da UFF, poeta e ficcionista. Integra a Academia Brasileira de Letras

Entrou em vigor, em 1º de janeiro de 2009, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Pelo menos nos quatro países cujos parlamentos o ratificaram: Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e, recentemente, Portugal. É de supor-se que, em função do Protocolo regulador da vigência, a adoção dos novos princípios estenda-se a Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste. O objetivo, afinal, é a unificação da escrita em todos os países da comunidade lusófona.

Trata-se de mais um capítulo de uma história longe de ser tranqüila. Desde o primeiro texto, datado de 1931, de elaboração conjunta da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Letras, cujas normas são tornadas obrigatórias em todo o Brasil por decreto de Getúlio Vargas, abandonadas em 1934, na esteira do nacionalismo da proposta modernista, restabelecidas em 1938, reformuladas, em 1943, pelos brasileiros e, em 1945, pelos portugueses, com algumas alterações em 1972 e em 1973, respectivamente.

O ano de 1975 marca nova tentativa das duas Academias, com a elaboração de mais um projeto de Acordo unificador. Motivos de caráter político impedem a aprovação oficial. Os esforços prosseguem. Em 1986, um encontro na mesma direção reúne, no Rio de Janeiro, por iniciativa de Antonio Houaiss, representantes dos citados países africanos, que tinham o português como língua oficial. Termina, como o anterior, por não ir adiante.

Remobilizam-se em 1989, os países envolvidos. Um novo documento regulador, decorrente, ainda uma vez, da ação das duas academias, a brasileira e a portuguesa, com a participação oficial daqueles países, é formulado em 1990. Na base dos conteúdos, o texto de 1975, na estrutura, o texto de 1986. Resultado: o documento final, elaborado em Lisboa em 16 de dezembro de 1990, destinado a unificar a grafia de 98% do vocabulário geral da língua. Este o texto com a vigência finalmente aprovada, dezoito anos depois de sua elaboração. Configura-se, ainda uma vez e de forma exaustiva, a presença do debate e do caráter polêmico que, historicamente, têm acompanhado o processo.

O novo documento regulador privilegia o critério fonético, deixado em segundo plano o critério etimológico. Assim posicionado, leva em conta as diferenças de pronúncia das comunidades envolvidas, em vários casos praticamente intransponíveis. E envolve, em relação aos critérios de 43 e 45, manutenção e mudança. Esta, porém, não tão abrangente como a que caracterizava o texto de 1975. Poderia, sem maiores impasses, ter sido mais radical. Mas configura um avanço.

Possibilita ampliação significativa do mercado de livros e periódicos. Abre-se para Portugal, para os países de africanos e para o Timor-Leste o contingente de leitores brasileiros e vice-versa, com a decorrente superação de espaços de mútuo desconhecimento. A edição de livros ganhará maior mobilidade e implicará redução de custos, compensatória do investimento e do tempo destinados à adaptação das obras às
novas regras. A língua escrita, em decorrência, passará a contribuir ainda mais para a solidificação de laços e interesses comuns.

Dinamiza, na área diplomática, eliminada a onerosa duplicidade de textos, a elaboração e a troca de documentos. Entre os países da comunidade lusofônica e, especialmente, no âmbito dos organismos internacionais de que participam, notadamente na Organização das Nações Unidas.

Terá efeitos positivos também no processo de alfabetização em todas as faixas etárias. Contribuirá para o aprimoramento da expressão escrita. O ônus da mudança situa-se na duplicidade de cânones exigida pelo período de adaptação, fixado, no Brasil, em dois anos e, em Portugal, em seis. A experiência anterior comprova que não costuma exigir tanto.

Abriga também, no âmbito lingüístico, a possibilidade de fixação de uma política do idioma que aproxime ainda mais os países da lusofonia. Na direção da preservação da língua comum, respeitadas as normas paritárias nacionais.

Trata-se, entretanto, e o histórico dos documentos reguladores o comprova, de matéria complexa. Por força das paixões e dos interesses que envolvem. A demora na implantação, a resistência à mudança, os impasses criados o evidenciam. Uma proposta de tal natureza termina por envolver muito mais do que aspectos meramente lingüísticos. Mobilizam dimensões históricas, políticas, ideológicas e econômicas. Ao que parece, no presente caso, em fase de superação, necessária para que se concretize, um Acordo efetivamente unificador da ortografia da língua oficial da comunidade lusófona.

Anima Mundi já recebe inscrições

A coordenação da 17ª edição do Festival Internacional de Animação do Brasil (Anima Mundi) já está recebendo inscrições para o encontro deste ano. Os interessados têm até o dia 25 de março para inscrever seus filmes. Há seis categorias: curta-metragem (curtas para o público em geral); longa-metragem (filmes com duração superior a 60 minutos); curta infantil (curtas para o público infantil); animação brasileira (curtas produzidos por brasileiros); filmes de estudantes (curtas produzidos como resultado de um curso de animação); e filme de encomenda (curtas realizados sob encomenda).

De acordo com o edital, a inscrição é gratuita e não há restrição quanto a temas ou gêneros. Não há também limite para o número de inscrições por participante. Porém, é imprescindível que, para cada obra, seja preenchido um formulário de inscrição. No Rio, o evento acontecerá entre os dias 10 e 19 de julho. Em São Paulo, entre os dias 22 e 26 de julho.

Confira o edital na íntegra

Brasil participa do Dia da internet segura

No próximo dia 10 de fevereiro, 65 países participarão do Dia da internet segura, uma iniciativa da Comissão Européia. O objetivo é promover o uso ético e seguro da internet e de outras tecnologias, por meio da difusão de informações, recursos e guias de boas práticas.

No Brasil, a organização do evento está sob a responsabilidade da SaferNet Brasil e do Ministério Público Federal. Os coordenadores acreditam que a parceria entre a sociedade e governo é fundamental para garantir o uso positivo das novas tecnologias e reduzir os riscos decorrentes de comportamentos perigosos ou abusivos na web.

Entre as atividades propostas para o Dia da internet segura estão: a realização e divulgação de campanhas de conscientização na mídia; concursos de jogos eletrônicos envolvendo crianças; seminários com pesquisadores, provedores, pais e jovens; gincanas em escolas e chats com especialistas. No ano passado, 56 países participaram do evento.

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