Somar, dividir e subtrair: a importância da educação financeira

Por Marcus Tavares

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada há duas semanas pela Federação do Comércio de São Paulo, revela que os jovens são os consumidores que mais têm dívidas. A taxa é de 60%, na faixa etária dos 18 aos 34 anos. Realidade que não é privilégio apenas da capital paulista. Segundo especialistas, o acesso facilitado aos cartões de crédito e a inexistência de uma educação financeira são os fatores que explicam a estatística.

Pelo menos, é o que garante a americana Neale S. Godfrey, que estuda o assunto desde 1989. Autora do livro Dinheiro não dá em árvore, Neale, em entrevista ao jornal Valor Econômico, enfatiza que é preciso conversar com as crianças sobre o valor do dinheiro, desenvolvendo, desde cedo, um senso crítico: “A televisão americana tem anúncios dirigidos a crianças desde os três anos de idade. Os adolescentes recebem mensagens publicitárias através de todo tipo de veículo. Sem uma educação para a responsabilidade financeira, as crianças crescem confundido valor pessoal com valor medido pelo acúmulo patrimonial”, destaca.

No Brasil, a história se repete. Mídia, consumo e falta de limites. Que o diga Cássia D’Aquino, educadora com especialização em educação infantil e autora de livros e artigos sobre a relação entre crianças, jovens e dinheiro.

Desde 1996, Cássia criou um programa de educação financeira, que tem o objetivo de constituir adolescentes capazes de poupar e de planejar gastos.  “A educação financeira não deve ser confundida com o ensino de técnicas ou macetes de bem administrar dinheiro. Tampouco deve funcionar como um manual de regrinhas moralistas fáceis. O objetivo da educação financeira deve ser o de criar uma mentalidade adequada e saudável em relação ao dinheiro. Educação financeira exige uma perspectiva de longo prazo, muito treino e persistência”, explica Cássia, em seu site www.educacaofinanceira.com.br

Seja em casa ou nas escolas, a educação financeira é, na maioria das vezes, deixada de lado. Na prática, não consta dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), do Ministério da Educação, embora possa ser trabalhada como pano de fundo ao se discutir os temas transversais trabalho e consumo.

Para o antropólogo Geraldo Romanelli, professor da Universidade de São Paulo, um programa de orientação financeira que dê à criança segurança para lidar com dinheiro é cada vez mais necessário e deve começar cedo. “Nunca uma geração teve tanto contato com dinheiro como esta”. Há quinze anos, diz o professor em entrevista à revista Veja, os pais só começavam a se preocupar com isso quando os filhos chegavam à adolescência. Hoje, uma criança de 10 anos, oito anos ou até com menos idade já tem noções sobre o preço das mercadorias, o valor do dinheiro e a importância de fazer poupança.

Neste cenário, os adultos, sejam eles pais ou professores, devem se assumir como adultos na relação com a criança.  “Se por um lado é preciso ouvir mais as crianças também é necessário não sair de cena”,  avisa a professora Rita Ribes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no programa de TV Encontros com a Mídia, uma produção da MultiRio.

Segundo Rita, é preciso ser um adulto que  formule questões, se posicione e diga o que gosta e o que não gosta. “Muitas vezes o adulto se recusa a ocupar este lugar porque ele é impedido pelo mundo do consumo. Se ele passa a normatizar, a dizer o que pode ou não pode, ele é o chato. A figura do professor e dos pais nas produções midiáticas muitas vezes é ridicularizada, diminuída, estereotipada. No contraponto, temos uma criança super poderosa, mas, ao mesmo tempo, completamente abandonada. A criança se torna autoridade e manda em tudo, mas não tem ao seu lado alguém para formular questões”, destaca.

Juventude, participação e cidadania: que papo é esse?

Por Regina Novaes
Antropóloga e professora. Ex-secretária-adjunta da Secretaria Nacional de Juventude e ex-presidente do Conselho Nacional de Juventude

Juventude, cidadania e participação: que papo é esse? Pode ser um papo furado, que não leve a nada. Pode ser que não renda, que seja insuficiente em termos de contribuição à democracia, de questionar padrões da cultura brasileira. Se a juventude repetir apenas uma maneira usual de fazer política, de disputar espaços, ela não vai mudar nada. Ou seja, não estamos falando apenas de uma questão de faixa etária, mas de uma mudança de olhar a sociedade. Se assim for, este papo pode render muito. Pode render, sim, com muitos desafios. Não é nada automático, nada mágico. Pode ser um importante elemento construtor de democracia, de uma sociedade mais justa de direitos.

Acho que essa pergunta “que papo é esse?” poderia ser substituída “por que onda é essa?”, “que moda é essa?” Por que está na moda falar em políticas públicas para a juventude? Por que se inventou agora que a juventude é depositária de todas as possibilidades? Não é por acaso que hoje, ao final do século XX e início do século XXI, um novo ator social [a juventude] aparece na cena pública, como a questão racial e a das mulheres já apareceram. Por que agora a juventude aparece? Infelizmente, não é por uma coisa boa. Poderia ser por reconhecimento. Mas não é. A questão da juventude vem para a cena pública quando ela passa a ser o segmento mais vulnerável frente às mudanças sociais que acontecem no mundo de hoje.

Quando a gente soma, em especial no Brasil, uma história de desigualdades sociais e de exclusão com uma realidade mundial de mudanças de relações de produção e de exclusão de grupos sociais, a juventude torna-se o segmento mais atingido. É por isso que a juventude aparece, atualmente, como um ator social, enfrentando diversos desafios da sociedade contemporânea.
A grande questão é que o jovem dos dias atuais tem medo de sobrar. A sua inserção produtiva não está garantida. Vocês poderão dizer que sempre foi assim. Sempre existiu o jovem pobre e o jovem rico, o jovem incluído e o excluído. Sim, isto é verdade. Mas acontece que tínhamos um sistema de produção que garantia uma reprodução: o filho do camponês continuaria o trabalho do pai, da mesma forma que o filho do operário. Era injusto porque o jovem não tinha possibilidade de ascender socialmente, mas havia a possibilidade de pensar o futuro a partir de um lugar social. Aqueles que estudavam, que passavam no funil, tinham a garantia que poderiam exercer a sua profissão ao final dos estudos.

Com a mudança do mundo do trabalho, cada vez mais restritivo e mutante, os jovens foram e são atingidos. Todos os jovens passaram a ter medo do futuro. Neste cenário, temos que ver todas as diferentes juventudes e suas questões sociais e raciais, suas questões de gênero e opções/orientações sexuais. Os mais vulneráveis têm mais medo de sobrar e são os mais atingidos. Estamos diante de uma geração que é atingida na possibilidade de pensar o futuro a partir de mudanças estruturais da sociedade.

Outro ponto importante é o medo de morrer de uma maneira prematura e violenta. O jovem de hoje conhece a morte de pares. Toda idéia de juventude é que a morte está longe. A vida humana é como se fosse uma vida de uma planta: nasce, cresce, desenvolve e morre. É o ciclo da vida. O que acontece é que a juventude, dos nossos dias, convive com a morte de seus pares. São seus irmãos, seus primos, seus vizinhos que morrem, na maioria das vezes, por armas de fogo ou acidentes de trânsito. A questão da violência tem causas locais e internacionais e há três elementos fundamentais que configuram este cenário: a indústria bélica, o tráfico de drogas e o despreparo das polícias. Hoje nenhum jovem, de uma grande cidade, como o Rio de Janeiro, seja das camadas populares ou das classes mais favorecidas, sai para o lazer noturno sem pensar na hipótese de que ele não voltará para a casa.

Temos, portanto, marcos geracionais que dizem respeito à inserção produtiva e ao fato de poder projetar sua própria vida. Esses marcos exigem políticas públicas. As políticas surgem no momento em que uma geração tem problemas diferentes de outras. Trata-se de uma fase da vida que já não é mais a infância, sob a proteção dos pais, nem ainda uma nova família. Esse momento de passagem exige direitos universais e direitos específicos que dizem respeito a esta faixa etária.

As políticas públicas têm que somar estas duas coisas: os direitos universais (o acesso à educação, ao trabalho etc.) e os específicos. As políticas públicas têm que pensar então numa nova interface entre escolaridade e preparação para o mundo do trabalho. O Estado tem que ter o compromisso de fazer as suas políticas macro, mas tem que fazer isto com a sociedade civil para que cada um participe, transformando a política de juventude numa política de Estado, não de Governo. O que tentamos fazer hoje é colocar duas palavras na roda: direitos e oportunidades.

Mas para que tudo isto aconteça e para que este papo seja produtivo e dê resultado positivo, dependemos muito da ação de levar para a sociedade a perspectiva geracional. Uma questão complicada. Quem entra no movimento feminista milita a vida inteira como mulher. Não sai deste lugar. Quem entra no movimento racial, passa a vida toda nisso. A questão da juventude é uma questão marcada por uma faixa etária específica. Portanto, ela não pode ser pensada sem levar em conta a relação intergeracional. Os jovens e os adultos se colocam em todos os espaços sociais. É preciso que os jovens consigam aprender com os adultos valores da cidadania que são trazidos pela história social do país. Os jovens não podem achar que estão começando do zero. É preciso promover um diálogo intergeracional, um diálogo que traz valores. Os jovens têm que escutar os adultos e vice-versa, o que provocará um aprendizado mútuo. Só sabe o que é ser jovem hoje quem é jovem. Os adultos de hoje foram jovens em outro tempo histórico.

Por fim, é necessário também que haja um diálogo intrageracional. Esse é o maior desafio porque as tribos existem, os grupos são heterogêneos e têm objetivos diferentes. Precisamos encontrar o que une esta geração e a partir daí desenvolver políticas públicas. Claro que as diferenças continuarão existindo. Os jovens estarão no mesmo jogo dos adultos (que às vezes não é um jogo muito bom) se eles se fragmentarem completamente, não perceberem o que há de comum entre eles a partir dos desafios e dos direitos de sua geração. Estabelecer os diálogos é difícil. Não é fácil porque muitas vezes os jovens reproduzem os preconceitos e os ‘faccionalismos’ dos adultos. Esta geração tem uma chance de inovar na cultura política, inovar a partir de seus interesses e de uma forma que faça até mesmo que os adultos aprendam.

Texto de palestra ministrada por Regina Novaes no Centro do Teatro do Oprimido, na Lapa, Rio de Janeiro, durante o evento Juventude, participação e cidadania: que papo é esse?, promovido pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), em novembro de 2006.

Internet ajuda ou atrapalha o estudo?

Por Camila França, Caroline Oliveira e Pedro de Figueiredo
Alunos da Turma 2001, do Colégio Estadual José Leite Lopes – Nave

A internet, em alguns aspectos, tanto ajuda quanto atrapalha o estudo. Há sites que, em certos momentos, tiram a devida atenção das tarefas, prejudicando o nosso desenvolvimento escolar. Mas não podemos deixar de comentar os benefícios que ela nos proporciona, como os sites de busca para as pesquisas escolares. Ela também melhora a comunicação entre alunos e professores e entre alunos e alunos, por meio de e-mail, blogs, Google docs etc.  Usada corretamente, a internet é uma ótima ferramenta para estudo, trabalho e lazer. Talvez esse seja o verdadeiro problema: conciliar estudo e trabalho com lazer.

História em quadrinhos em debate

O futuro dos quadrinhos é a segmentação do público-alvo

Por Marcus Tavares

Embora o mercado editorial de quadrinhos para o público infanto-juvenil esteja fortemente concentrado na produção de uma ou duas revistas, o Brasil, ao contrário do que se pensa, se destaca no cenário latino-americano exatamente por uma larga produção. “Se compararmos com a de outros países, a produção de quadrinho infantil brasileiro, por exemplo, é bastante significativa. Nos EUA, não se publica mais revistas para crianças. Lá, as histórias são voltadas para os jovens”, destaca o coordenador do Núcleo de Pesquisas de História em Quadrinhos da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), professor Waldomiro Vergueiro.

De acordo com Waldomiro, são os adolescentes – dos 13 aos 25 anos – que mais leem história em quadrinhos. As crianças também se dedicam à leitura, mas não de uma forma intensiva e regular. Segundo ele, o quadrinho nacional reflete, cada vez mais, a realidade urbana dos jovens das grandes cidades do país, o que chama atenção e atrai mais leitores adolescentes. “Jovens que são influenciados pela cultura pop, pela televisão e pelos meios eletrônicos”.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Que modelos e padrões de comportamento os quadrinhos brasileiros veiculam?
Waldomiro Vergueiro –
Vivemos num grande contexto globalizado, num grande sistema de comunicação interligado. Neste cenário, as história em quadrinhos veiculam modelos e padrões de comportamento que já são transmitidos pelas outras mídias em todo o mundo. Tudo acaba se repetindo. No Brasil, o quadrinho reflete, de uma forma geral, a realidade urbana dos jovens das grandes cidades do país. Jovens que são influenciados pela cultura pop, pela televisão e pelos meios eletrônicos. Uma realidade que, na verdade, não é tão diferente daquela que vivem os jovens de outros países. O que há de diferente em nossas histórias são algumas características e especificidades que dizem respeito à nossa cultura local, expressa, por exemplo, nos relacionamentos de amizade e de amor e na apresentação e definição dos grupos sociais.

revistapontocom – Daí então o interesse das crianças pelos quadrinhos?
Waldomiro Vergueiro
– As crianças naturalmente gostam dos quadrinhos, se identificam com a narrativa. Afinal, a linguagem dos quadrinhos se aproxima muito do universo das crianças e também dos adolescentes. Felizmente, aqui no Brasil, temos uma forte produção infantil [basicamente assinada por Mauricio de Sousa] que está facilmente disponível no mercado e ao alcance de boa parte dos leitores. A leitura é fácil e prazerosa. Se compararmos com a de outros países, a produção de quadrinho infantil brasileiro é bastante significativa. Nos EUA, por exemplo, não se publica mais quadrinho infantil. Lá, as histórias são voltadas para os jovens. Mesmo tendo um mercado de quadrinhos infantis monopolizado [as revistas de Mauricio de Sousa respondem aproximadamente por 85% de tudo o que é produzido para o público infantil], o Brasil é uma exceção na América Latina em investimentos no setor.

revistapontocom – O mesmo vale para os adolescentes?
Waldomiro Vergueiro –
O jovem acaba não tendo a mesma relação com os quadrinhos. Muitas vezes, ele acaba sendo chamado/fisgado por outras mídias de uma forma mais persuasiva do que as crianças. Por outro lado também há poucos investimentos para este segmento. O mercado editorial para os adolescentes é marcado pelas produções estrangeiras. As crianças que crescem lendo os gibis do Mauricio de Sousa quando chegam à adolescência não têm uma alternativa nacional. Ou seja, quando o leitor passa a ‘fase da Mônica’, ele não encontra nada. As tentativas brasileiras não deram certo, pois é grande o predomínio das histórias em quadrinhos com base nos super-heróis e na cultura norte-americana. Este processo dá origem a um círculo vicioso. Os jovens que leem os quadrinhos importados e que se formam na área acabam reproduzindo o mesmo formato e conteúdo. É difícil quebrar este movimento. Por outro lado, o próprio leitor jovem de hoje quer exatamente este tipo de material. Um material que é amplamente divulgado e reforçado pelas demais mídias. Chega o quadrinho do super-herói ao mesmo tempo em que são lançados o filme, o bonequinho e o desenho animado. As mídias se reforçam. Acaba sendo uma competição desleal para os produtos brasileiros. Os jovens de 13 aos 25 anos são os que mais leem histórias em quadrinhos. As crianças leem muito, mas não de uma forma intensiva quanto os jovens.

revistapontocom – E nas escolas, as histórias em quadrinhos vêm ganhando espaço?
Waldomiro Vergueiro
– Já não sinto mais um preconceito, mas, sim, um estranhamento à introdução dos quadrinhos na sala de aula. Há uma falta de familiaridade. Muitos professores querem utilizar, mas não sabem como. O Núcleo de História em Quadrinhos [da Escola de Comunicação e Artes da USP] tem trabalhado neste sentido, mostrando alternativas e caminhos para que os quadrinhos sejam utilizados de forma mais inteligente. Acredito que os quadrinhos devam ser usados, pelas escolas, de uma forma interdisciplinar, integrando várias disciplinas. O professor deve trabalhar o quadrinho com o mesmo rigor que usa o livro didático. Não acredito que exista limite para a utilização de quadrinhos na Educação. Tudo depende da criatividade do professor.

revistapontocom – Há um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que determina mecanismos de proteção à produção de quadrinhos nacionais, incentivando a realização de obras e de projetos escolares. O senhor é a favor desta proposta?
Waldomiro Vergueiro –
Sou. Acredito que o caminho a ser adotado seja esse mesmo. Todos os países que baixaram leis de proteção tiveram êxito em suas propostas. A Argentina fez isso. A França e a Itália também trabalharam neste sentido. A proposta não vai colocar em xeque o que já existe, só vai acrescentar.

revistapontocom – Qual é o futuro dos quadrinhos?
Waldomiro Vergueiro
– Estou convencido que o futuro dos quadrinhos é a segmentação de mercado. Quadrinhos específicos para públicos específicos. Quadrinhos para crianças, para meninas adolescentes, para meninas mais velhas… A Era dos Quadrinhos como meio de massa/produto de massa é coisa do passado. Com o advento das novas tecnologias, vamos ter o aparecimento de produtos híbridos – quadrinhos que incorporam elementos da multimídia. Este é um caminho sem volta. Mas acredito que as histórias em quadrinhos, da forma como ainda conhecemos hoje, continuará a existir.

Jogo da dengue

Projeto: jogo
Instituição: MultiRio – Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio
Localização: Rio de Janeiro

Uma família às voltas com o desafio de se livrar de um hóspede indesejado em sua residência: o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Eis o mote do novo jogo de tabuleiro que a Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio (MultiRio) acaba de disponibilizar em seu portal. Produzido pela equipe web da instituição, o Jogo da dengue  diverte ao mesmo tempo em que traz informações importantes para a prevenção da doença.

Os componentes do jogo estão em arquivos no formato PDF e são fáceis de imprimir e montar. A impressão funciona bem tanto em cores quanto em preto e branco. O mesmo tabuleiro, cartas e peões possibilitam duas maneiras de jogar: a modalidade simples, que tem como público-alvo crianças de 6 a 10 anos; e a modalidade de estratégia, para jogadores a partir de 11 anos.

Em ambas versões, um jogador faz o papel de Aedes aegypti, enquanto os outros formam a família Prudente. Passo a passo, a família se empenha em eliminar 23 focos de água parada em sua residência. Assim como na vida real, limpar todos os focos é a única maneira de vencer o mosquito.

Nos dois livretos com as regras do jogo e no tabuleiro, encontra-se o número do Tele-Saúde, serviço da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC) do Rio de Janeiro, pelo qual os moradores da cidade podem tirar dúvidas e ter esclarecimentos sobre a dengue, suas formas de tratamento e modos de prevenção. O Jogo da dengue contou com a supervisão de Márcio Baptista e Ronaldo Pereira, do Núcleo de Cultura, Ciência e Saúde da SMSDC.

Clique aqui e faça o download do jogo

Fonte – Portal MultiRio

Por dentro da web

Para entender a internet – noções, práticas e desafios da comunicação em rede é o título do livro que acaba de ser lançado na própria web. Gratuita, escrita por especialistas da área e com uma linguagem bastante acessível, a obra tem o objetivo de explicar para o público em geral tudo o que sempre se quis saber e perguntar sobre a internet.

Os temas são apresentados por quem entende do assunto. Entre os autores: Edney Souza, um dos blogueiros mais conhecidos do país; e Fábio Seixas, um dos brasileiros mais seguidos no Twitter, que discute sobre micro-blogging. Há também textos de Sérgio Amadeu, ativista do software livre, e de Ronaldo Lemos, da Fundação Getúlio Vargas, que explica o que é o Creative Commons.

“O leitor perceberá que os textos vão além das simplificações e dos modismos. Mais que artigos informativos, eles incluem vivências, dúvidas e opiniões de quem está na linha de frente, descobrindo para que serve a internet. O que o leitor encontrará é, portanto, bem diferente de uma coleção de verbetes enciclopédicos, a começar pelo tom informal e convidativo, livre de jargões ou academicismos”, explica Juliano Spyer, organizador da obra.

Clique aqui e acesse o livro

Aprendizagem e cibercultura

Por Máira Pereira
Coordenadora Acadêmica dos Programas Corporativos em Educação a Distância do Ibmec-Rio

É possível que muitos professores estejam se deparando com uma realidade aparentemente contraditória: como é que pode aquele aluno com dificuldades de aprendizagem em sala de aula e com uma redação tão ruim acessar um computador em uma lan house para se comunicar com fluência com grupos de amigos “virtuais” em sites de relacionamento? Quem sabe a orientação para enfrentar tantos desafios não esteja muito próxima, ao lado? Por que não lembrar a ideia de que as pessoas aprendem umas com as outras, em comunhão, como defendido na vida e obra do educador brasileiro Paulo Freire? Mas o que Freire teria a ver com esses dilemas atuais e tantos outros desafios enfrentados por professores, entre os quais os ligados às possibilidades de aprender e de se comunicar de diferentes formas no contexto da cibercultura? Vamos seguir mais um pouquinho para tentar costurar esses pontos?

Trabalhar em conjunto e aprender em comunhão, como afirmava Freire1, significa corporificar nas ações do dia-a-dia o tipo de mundo e de sociedade com o qual se está comprometido a construir. O pensamento de Freire se liga à atitude do educador, que por se reconhecer inacabado, incompleto, faz e refaz a si mesmo na relação com o outro, sempre de forma ética, inclusiva, respeitosa e generosa. Da mesma forma, o educador se mostra disponível para participar da construção do “si mesmo” do outro, tudo isso com uma inserção consciente no mundo, atento a diferentes referências e dilemas. É este olhar, esta atitude que se propõe aqui para que o professor esteja aberto para enfrentar vários desafios, reconhecendo particularidades de nosso tempo e, sobretudo, do dia-a-dia de seus alunos. Vale a pena saber quais são os interesses das crianças e jovens de nosso tempo, seus desejos, suas variadas formas de expressão, inclusive fora da sala de aula, além dos muros da escola. É preciso ter espírito aprendiz, conhecer nossos alunos, conhecer este nosso tempo e as novas possibilidades que se apresentam, transformando a prática pedagógica.

Para começar, pergunte a si mesmo e aos seus colegas professores o seguinte:  Qual o meu grau de familiaridade com computadores, internet etc.? Sei o que são Wikipedia, Orkut, hipertexto, cibercultura, tecnologias da informação e comunicação (TICs)? Participo de listas de discussão, fóruns ou chats?

Você já pensou que seus alunos poderão ajudá-lo com essas questões? Já pensou em inverter a ordem das coisas? Afinal, também aprendemos com nossos alunos e criar espaços de diálogo pode favorecer o estabelecimento de um clima de confiança, abrindo passagem para novas construções.

Um passo fundamental é buscar formação inicial e continuada. Como? Pesquisando programas em universidades e instituições que oferecem cursos para inclusão digital de professores e que desenvolvem competências específicas para a docência em ambientes virtuais de aprendizagem. Há espaços diversos para aprender e compartilhar!

E como partir para a prática depois de buscar essa formação? Por meio de iniciativas, como propor pesquisas na internet, um fórum como atividade complementar ou um texto coletivo. Ambientes virtuais de aprendizagem trazem outros tempos e espaços, mais livres da linearidade própria da cultura letrada, ainda dominante em nosso currículo que se apresenta de forma seqüencial, seriada.

A fragmentação do tempo e da vida na contemporaneidade – o fenômeno da cibercultura2 não se restringe à internet, alcança comportamentos, estilos de vida – encontra seu correspondente no texto, em um hipertexto. O hipertexto se caracteriza por múltiplos pontos, dispostos em rede, cujos significados se renovam continuamente a cada nova conexão, de acordo com a necessidade e o momento. Nessa perspectiva, “escrevemos e lemos com a possibilidade de abrir ‘janelas’, de fazer links e conexões com informações referenciais que vão nos associar rápida e intuitivamente a outros textos, outros fragmentos, outras idéias” (Ramal, 2002)3.

Tudo isso sinaliza a relação com uma nova forma de organização e mobilização dos saberes no fazer pedagógico. Novas competências4 docentes precisam entrar em ação nesse novo cenário. O educador é um companheiro de estudos, dinamizador da inteligência coletiva. Ainda que você não trabalhe com educação online, as competências desenvolvidas nessa modalidade poderão ser úteis para a sala de aula presencial por meio da interatividade, do diálogo plural. Já o contrário não é possível: não basta transpor competências desenvolvidas na modalidade tradicional ou presencial de educação para o ambiente virtual. É preciso compreender o ambiente em que essas competências serão postas em ação.

A costura de todos esses desafios e oportunidades é a aprendizagem colaborativa e compartilhada e a disponibilidade para o novo, de forma compreensiva, que nos aproxima de nossos alunos, com a curiosidade que dá novos significados às práticas educacionais. E não esqueçamos o mais importante: há potencial nas novas tecnologias e, acima de tudo, nas pessoas, por meio de suas relações.

Notas

11 – Veja Freire, P. A pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987

2 – Para saber mais, consulte Ramal, A. C. Educação na cibercultura: hipertextualidade, leitura, escrita e aprendizagem. São Paulo, Artmed, 2002.

3 – Veja nota 2.

4 – Para consultar estudo de caso sobre as competências para a docência on line e suas implicações para a formação inicial e continuada de professores, veja Pereira, M.& Santos, E. O; Tractenberg, L., 2005. http://www.abed.org.br/congresso2005/por/pdf/149tcb4.pdf

Lixo eletrônico: problema do século XXI

Por Marcus Tavares

Telefones celulares, MP3, MP4, computadores, televisores, videogames, impressoras, baterias… Os britânicos fizeram as contas: um cidadão inglês terá produzido, em média, 3,3 toneladas de sucata digital ao longo de sua vida útil. Só para se ter uma ideia, este material daria para construir um boneco gigante de sete metros de altura. Foi exatamente isso que um grupo de empresas e instituições européias fez para chamar a atenção da população. Trata-se do The Weee Man (o homem lixo eletrônico). A obra foi produzida em 2006, mas, de lá para cá, novas previsões foram feitas. Hoje, a estimativa é de oito toneladas. O homem lixo eletrônico cresceu.

O problema é mundial. Aqui no Brasil, não há uma estatística oficial do lixo eletrônico produzido por cada indivíduo. No entanto, os números do consumo indicam que o brasileiro não fica muito atrás do Weee Man. De acordo com a empresa Gartner, a previsão de vendas de computadores para este ano, mesmo com a crise internacional, é de 257 milhões, sendo 10 milhões para o Brasil. A consultora Teleco afirma que o mercado nacional de celulares deve receber um acréscimo de 21 milhões de novos aparelhos, alcançando um total de 150 milhões de usuários. Se pensarmos no barateamento dos equipamentos, na democratização do acesso, na vida útil dos mesmos e no desejo dos consumidores de substituir os aparelhos a cada novidade do mercado, dá para imaginar o quanto de lixo vem sendo multiplicado.

A sucata produzida tem dois destinos: ou ela é reaproveitada por projetos de inclusão digital – o que pouco acontece – ou é reciclada. O problema é que organizações internacionais vêm denunciando que vários países ricos, em nome da inclusão digital e da reciclagem, doam equipamentos e, com eles, muitos entulhos. Países africanos, bem como a Índia e a China, estão se transformando em grandes depósitos.

No ano passado, a organização não-governamental Greenpeace informou ter identificado dois deles em Gana, na África. Nos depósitos, trabalhadores – incluindo crianças – destroem com pedras computadores e aparelhos de TV, em busca de metais que podem ser vendidos. O plástico, carcaças e cabos das máquinas são simplesmente queimados ou descartados. Algumas amostras do solo indicam a presença de metais tóxicos 100 vezes acima do limite tolerável. Chumbo, mercúrio, cádmio, arsênico e berílio são alguns dos componentes químicos utilizados na fabricação de diversos equipamentos eletrônicos.

“Muitos dos elementos químicos podem afetar o desenvolvimento do sistema reprodutor de crianças, além de interferir no desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso. Em Gana, China e Índia, os trabalhadores são expostos a esses elementos”, afirmou Kevin Bridgen, da unidade de ciência do Greenpeace.

O que fazer então? Os especialistas aconselham a prolongar, ao máximo, a vida útil dos aparelhos e, quando for o caso, dar, aos mesmos, um destino adequado. No Brasil, há algumas instituições que recebem equipamentos obsoletos para programas de inclusão digital, bem como empresas que recolhem baterias e outras sucatas para uma reciclagem que atende às normas ambientais.

Dicas da revistapontocom:

Para as crianças – O canal por assinatura Rá Tim Bum, dedicado ao público infantil, apresenta diariamente a série animada Os Reciclados. Latinha, vidraça, petboy, pilhado, biorgânico e papel defendem o meio ambiente da poluição e dos maus tratos. Quando o dever chama, eles se transformam em Os reciclados, uma turminha com super poderes, sempre atenta às artimanhas do vilão Lixão e seus comparsas. confira

Cidades e soluções – Lixo eletrônico foi tema de um dos programas da série Cidades e Soluções, exibida no Canal Futura e na Globo News. Assista ao vídeo. confira 

Mandamentos – Confira os dez mandamentos do usuário consciente. confira

Roteiro – Portal do G1 traz dicas para o usuário saber o que fazer na hora de descartar o lixo eletrônico. confira

Cinema Wall-E – Após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave. O plano era que o retiro durasse alguns poucos anos, com robôs sendo deixados para limpar o planeta. Wall-E é o último destes robôs, que se mantém em funcionamento graças ao auto-conserto de suas peças. Sua vida consiste em compactar o lixo existente no planeta, que forma torres maiores que arranha-céus, e colecionar objetos curiosos que encontra ao realizar seu trabalho. Até que um dia surge repentinamente uma nave, que traz um novo e moderno robô: Eva. A princípio curioso, Wall-E logo se apaixona pela recém-chegada.

Convenção de Basiléia – Saiba mais sobre o encontro que reuniu diversos países para discutir o destino do lixo eletrônico. confira

A Educação a Distância levada a sério

Diretor da Fundação Bradesco conta a experiência da Escola Virtual

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Por Marcus Tavares

Nivaldo Tadeu Marcusso é diretor de tecnologia da Fundação Bradesco e um dos responsáveis pela implantação da Escola Virtual da instituição. Criada em 2000, a escola oferece cursos a distância para seus alunos e professores, bem como para qualquer cidadão brasileiro interessado em se capacitar. Pelas contas do diretor, mais de 900 mil pessoas já foram certificadas.

O catálogo – com 180 cursos – deverá, até o final de 2010, ganhar mais 70 novas áreas. E não é só isso: a ideia é atender, já em 2009, outros 530 mil indivíduos. Segundo Nivaldo, a bem-sucedida experiência deveria ser adotada por outras instituições e espaços, como as lan houses que se espalharam pelo Brasil.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Qual é o conceito e o objetivo da Escola Virtual da Fundação Bradesco?
Nivaldo Tadeu Marcusso
– A Escola Virtual foi criada para levar educação para todos os cantos do país, proporcionando a inclusão digital e a melhoria da empregabilidade, através de cursos que complementam os conhecimentos adquiridos no Ensino Médio e a especialização em informática. A escola tem, portanto, o objetivo de oferecer educação a distancia (EAD), através de uma arquitetura de e-learning. O acesso à internet é oferecido por uma rede de Centros de Inclusão Digital (CIDs), implantada pela Fundação em parceria com ONGs, centros comunitários, espaços públicos e institutos. Atualmente, são 107 CIDs, com previsão de implantação de outros 150 neste ano.

revistapontocom – O trabalho da Escola Virtual se baseia no conceito de mediação pedagógica. O que é mediação pedagógica?
Nivaldo Marcusso
– A mediação pedagógica é o processo de adequação dos conteúdos presenciais para os ambientes virtuais, considerando o público-alvo, o conteúdo (informativo ou formativo) e o nível de colaboração/interação no ambiente virtual. Consideramos quatro níveis: informativo (nível 1), interativo (nível 2), colaborativo (nível 3) e o de imersão (nível 4). Os cursos para educadores enquadram-se nos níveis 3 e 4.

revistapontocom – Qual é o perfil dos usuários? Quais são os cursos mais procurados?
Nivaldo Marcusso
– A escola virtual já proporcionou, desde 2000, mais de 900 mil atendimentos, sendo que a previsão, somente para este ano, é de 530 mil. Os cursos oferecidos pela Escola Virtual atendem o público interno da Fundação (alunos e professores) e externo, principalmente alunos das comunidades carentes. Os usuários são adolescentes, jovens e adultos em busca de uma especialização em informática e em conteúdos que contribuam na melhoria da empregabilidade. Há também, entre os nossos alunos, professores, coordenadores pedagógicos e diretores de escolas. Os cursos mais procurados são o de informática e redes de computadores (parceria com a Cisco) e de formação pessoal, como técnicas de entrevista, elaboração de currículo e postura e imagem profissional. Nosso catálogo possui mais de 180 cursos. Os que são voltados para os educadores possuem tutoria (acompanhamento de especialistas), com uma frequência média de 95%. Os que são oferecidos para o público externo apresentam uma frequência de 85%.  

revistapontocom – Qual é o aprendizado desta experiência?
Nivaldo Marcusso
– O conceito da Escola Virtual foi desenvolvido desde 1996. Entre 1997 e 1999, implantamos e desenvolvemos um piloto do projeto. O programa entrou em operação no ano 2000, com o objetivo de levar educação onde as escolas da Fundação não estavam presentes. O resultado do projeto permitiu confirmar que educação com qualidade pode ser entregue em qualquer tempo e lugar através das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), desde que os conteúdos e o ambiente virtual estejam alinhados com as necessidades de aprendizagem e empregabilidade dos alunos.

revistapontocom – O senhor acredita que a experiência da Fundação Bradesco pode ser replicada em outras instituições?
Nivaldo Marcusso
– Sim. A experiência poderia fazer parte do dia-a-dia das redes de telecentros e de lan houses que oferecem cursos profissionalizantes para as comunidades carentes.

revistapontocom – Quais são os desafios da Escola Virtual?
Nivaldo Marcusso
– Expandir o catálogo em 250 cursos até o final de 2010. Integrar a Escola Virtual com as redes colaborativas e de relacionamento profissional e, ainda, criar ambientes de aprendizagem com imersão até 2011.

Saiba mais
http://www.escolavirtual.org.br/

Internautas brasileiros são campeões em redes de relacionamento

Visitados por mais de dois terços (67%) da população online mundial, os ‘Member Communities’, que englobam as redes de relacionamento e blogs, se tornaram a quarta categoria online mais popular – à frente do e-mail pessoal. Os dados constam do relatório “Global Faces and Networked Places”, da Nielsen Company. De acordo com o estudo, o Facebook – a rede de relacionamento mais popular no mundo – é acessado por três em cada 10 pessoas online, por mês.

Entre os dez países analisados (Brasil, Espanha, Itália, Suiça, Japão, Inglaterra, EUA, França, Alemanha e Austrália), o Brasil registra o maior acesso de internautas (80%) às redes de relacionamento e blogs. O Orkut tem lugar de destaque. Cerca de 70% dos usuários acessam a plataforma. E não é só isso: de cada quatro minutos na web, um minuto brasileiro é dedicado aos sites de relacionamento ou blogs. A estatística supera a de todos os outros países avaliados.

Clique aqui e confira outros dados e alguns gráficos da pesquisa

Dia do Índio, no Museu do Índio

Em comemoração ao Dia do Índio (19 de abril), o Museu do Índio vai promover, no período de 15 a 19 de abril, das 10 às 15 horas, uma série de atividades com a participação dos índios Kayapó, da Aldeia Moikarakô, localizada em Marabá, no Pará.

Vinte e dois integrantes da comunidade vão apresentar rituais, demonstrar confecção de artesanato e realizar pintura corporal. O público também poderá conferir as danças de comemoração de nascimento e as cerimônias de nominação, quando acontece a confirmação dos nomes atribuídos às crianças da aldeia.

Os Kayapó vivem em aldeias dispersas ao longo do curso dos rios Iriri, Bacajá, Fresco e de outros afluentes do rio Xingu. A língua falada pertence à família linguística do tronco Jê, havendo diferenças dialetais entre eles. Estima-se uma população de 6300 pessoas. 

Todas as atividades do museu serão gratuitas no período de 15 a 20 de abril.

Clique aqui e confira toda a programação

1º Concurso audiovisual Ibero-americano

A Organização de Estudos Ibero-americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI) lançou um concurso audiovisual com o objetivo de promover a Carta Cultural Ibero-americana, assinada em 2006, em Montevidéu, por 22 países da América do Sul e América Central, além de Portugal e Espanha. Os signatários acordaram em promover ações e trocas culturais.

O concurso estará aberto até o dia primeiro de maio para spots publicitários, documentários, animação e miscelâneas (combinações de vários gêneros), que ilustrem os conteúdos da Carta.

Clique aqui e acesse o edital

Ler é chato. Será?

Por Jaime Pinsky
Historiador, escritor e diretor editorial da Editora Contexto
O tempo histórico não tem um compromisso muito grande com o tempo cronológico, ou mesmo o tempo psicológico: décadas no Egito dos faraós pode corresponder a anos no período da expansão ibérica ou meses do século XXI. A percepção da velocidade do tempo histórico decorre do ritmo dos acontecimentos, assim como da rapidez dos meios de transportes e comunicações. Talvez por isso, sempre que estamos em algum local tranquilo, geralmente no interior, somos tentados a dizer que ali as coisas não acontecem e que é como se estivéssemos em pleno século XIX. É possível que, para evitar a ideia de que possamos ser vistos como retrógrados, ou fora do nosso tempo, busquemos acelerar tudo: músicas não podem ser lentas, filmes buscam ritmos alucinantes e, se não tiverem dois mortos por minuto de projeção, em média, são considerados acadêmicos. Propaga-se a ideia idiota que tudo que não é muito veloz, é chato. O pensamento analítico é substituído por “achados”, alunos trocaram a investigação bibliográfica por informações superficiais dos sites “de pesquisa” pasteurizados, textos bem cuidados cedem espaço aos recados sem maiúsculas e acentos dos bilhetes nos correios eletrônicos. O importante não é degustar, mas devorar, não é usufruir, mas possuir apressadamente. O tempo, o tempo correndo atrás.

 

Não que eu queira fazer a apologia da lentidão e da ineficiência, mas um bom concerto é feito tanto de bons allegros quanto de dolentes adagios. Além disso (e Charles Chaplin já percebia isso no início do século XX, em Tempos Modernos), ser humano é dominar a máquina e não ser por ela dominado. E aí, ao meu ver, se estabelece uma das principais distinções entre ler e ver televisão. Você pega o livro, olha a capa, a contracapa, folheia sensualmente suas páginas e escolhe, livremente, aquela que quer ler. Pode pular pedaços, começar pelo fim, reler várias vezes trechos que amou, para decorar, ou que odiou, para criticar. Desde que seja seu, você pode escrever no livro (para isso ele tem espaço em branco): livro rabiscado é sinal de leitura atenta. Nada como retomar um livro lido anos atrás e ler nossas próprias notas: se forem ingênuas, rimos com a condescendência de quem cresceu, se forem brilhantes nos preocupamos com nossa estagnação. Você estabelece seu próprio ritmo de apreensão do escrito, seja ele ciência e ficção. Tantas vezes me furtei lendo lentamente o final de um livro pelo qual me apaixonara e do qual não queria me separar…

Já a telinha é autoritária. Ela começa o assunto quando bem entende, faz as pausas que quer, inserindo as propagandas que deseja, determina o ritmo, diz quando e para onde devo olhar. Se não estou no poder, então, é pior ainda. Tenho que ver jogo de time que não gosto, pedaço de novela, entrevistas sem sentido, assassinatos sem conta, tudo num volume superior ao que eu suporto, mas que não tenho como regular, pois estou sem o controle remoto nas mãos. Mesmo quando vejo um vídeo ou um DVD, em que posso controlar algumas dessas variáveis, lido com o personagem e a paisagem imaginados por outro, emboto a minha imaginação e me curvo diante de heróis e mocinhas prontos e iguais para todos, enquanto, no livro, cada um sonha como quiser e puder. Não é por outra razão que dificilmente gostamos dum filme baseado em livro que já lemos, mesmo quando a película é de boa qualidade como O nome da rosa ou Vidas secas.
 
Antes que alguém pense que sou contra o cinema, ou até a televisão, devo dizer que isto não acontece, mas é que ando mesmo um pouco preocupado. Já não há mais quase nenhum consultório, laboratório e até sala de espera em pronto socorros de hospitais que não tenham a sua televisão. E, o que é pior, ligada. O infeliz chega quebrado, estropiado, ou apenas dolorido e se lhe impinge humor chulo, falsas “pegadinhas”, loiras igualmente falsas, com síndrome de eternas adolescentes, de botinha e coxas de fora, animando crianças de olhares perdidos, conversas de pessoas confinadas que não tem o que dizer, entrevistas com pessoas que estiveram confinadas e que continuam sem ter o que dizer, e por aí afora. A sala tem pouca iluminação, já nem sequer tem aquelas revistas semanais atrasadas. A luz que falta e o ruído que sobra impedem que aqueles que trouxeram seus livros possam ler. As pessoas olham para a telinha, olham-se umas às outras e à sua própria condição. Com um livro na mão poderiam estar viajando, sonhando, apreendendo, conhecendo gente e lugares interessantes, idéias fascinantes, desbravando, questionando, maravilhando-se. Contudo, continuam sentadas olhando uns para os outros e para a telinha que cobra o tributo da dependência, da elaboração de frases feitas e ideias gastas.

A ideia de que livro é chato só pode partir de quem não sabe o prazer que a leitura proporciona. Assim, quero lançar aqui um pedido, ou vários: aos médicos, para que iluminem melhor suas salas de espera, o que, além de deixá-las menos lúgubres, permitiria que as pessoas pudessem ler enquanto esperam. Aos hotéis, para que não se esqueçam de colocar luz de leitura nos quartos. Uns e outros poderiam manter uma pequena biblioteca, ao alcance dos clientes. A concepção bastante corrente em nosso país de que diversão está sempre e necessariamente ligada ao ruído e ao álcool só pode partir de alguém que não gosta de fato do Brasil. E ele ainda merece uma oportunidade. Ou não?

www.jaimepinsky.com.br

Criança, a alma do negócio

Tênis de marca. O último lançamento do jogo eletrônico. Um novo celular com câmera. A mochila da loja tal. O biscoito e o refrigerante para a merenda… Criança, a alma do negócio é o título de um documentário que vem sendo amplamente divulgado pela web. Dirigida por Estela Renner, a obra mostra que a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade.

Segundo a diretora, a indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto a comprar. Neste sentido, meninas e meninos são bombardeados por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente para eles. O resultado disso, de acordo com o documentário, é devastador, pois transforma e inluencia o dia-a-dia das crianças.

O filme de 48 minutos mostra crianças, com apenas cinco anos, totalmente maquiadas indo para a escola. Crianças que sabem as marcas de todos os celulares, mas que não sabem o que é uma minhoca. Crianças que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos, mas não sabem os nomes de frutas e legumes. “Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada”, destaca o vídeo.

Clique aqui e assista a um trecho do documentário

Geração digital

Evelyn Eisenstein fala sobre os riscos que os jovens estão submetidos

livrodigital

Por Marcus Tavares

Acaba de ser lançado, no Rio e em São Paulo, o livro Geração digital – riscos e benefícios das novas tecnologias para as crianças e os adolescentes (Editora Vieria & Lent). Organizado e escrito por Evelyn Eisenstein e Susana Graciela Bruno Estefenon, pediatras e especialistas em medicina para jovens, o título tem o objetivo de auxiliar pais e educadores na tarefa de lidar com as novidades tecnológicas e seus filhos e alunos. Geração digital surgiu da observação diária dos consultórios.

“O crescimento saudável – não só em aspectos físicos, como mentais, sociais e, agora também, virtuais dos filhos – garantirá transmissão de verdades e valores importantes para o futuro da geração digital”, destacam as autoras.

A revistapontocom entrevistou uma das organizadoras do livro, a pediatra Evelyn Eisenstein. Segundo ela, a internet é um novo meio de comunicação local e global, mas nem tudo pode ser permitido no seu uso.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Como os jovens vêem o universo digital?
Evelyn Eisenstein
– O mundo digital e virtual é um “mundo real” (para todos nós) também, mas visto como uma alternativa “diferente” pelos adolescentes, um espaço “cibernético” novo a ser conquistado. Os adolescentes em todas as gerações são sempre inovadores, aceitam com mais facilidades e menos apreensões os novos desafios, os novos estilos de vida. A internet é um novo meio de comunicação local e global. Porém, nem tudo pode ser permitido. Existem limites, inclusive legais, para se proteger de riscos e danos à saúde do uso contínuo e ilimitado das novas tecnologias. O livro descreve alguns alertas e recomendações em cada capítulo e dicas saudáveis para todos nós.

revistapontocom – Pode-se afirmar, clinicamente, que o abuso do ‘consumo’ do universo digital está virando um caso de saúde pública?
Evelyn Eisenstein
– Clinicamente é um termo que usamos em medicina para casos individuais. Sim, já encontramos casos de adolescentes que foram “abusados” via internet (sites de pornografia e pedofilia, ou, por exemplo, que fizeram “abuso” de drogas ou anabolizantes que compram via internet). Não temos ainda estatísticas no Brasil para saber se é “um caso de saúde pública”, no sentido coletivo de uma população. Porém, já existem indicadores de influências comportamentais nos estilos de vida de muitos adolescentes – perdas de horas de sono, aumento do sedentarismo, problemas no diálogo com a família.

revistapontocom – No livro, a senhora afirma que, no mundo de hoje, o crescimento saudável envolve aspectos físicos, mentais, sociais e, agora também, virtuais. Como podemos descrever um bom ‘crescimento virtual’ dos jovens?
Evelyn Eisenstein
– Resumindo esta resposta numa palavra: valores. Estamos enfatizando a importância de valores afetivos, morais, sociais, comportamentais para um relacionamento humano saudável, respeitoso e dignificante para todos, sem prejuízos e problemas de saúde. Vírus também podem ser virtuais e prejudiciais ao crescimento de crianças e adolescentes. E estes programas danosos receberam o mesmo nome de vírus letais que existem no mundo real.

revistapontocom – Os jovens não estão sabendo lidar com a internet, assim como seus pais e professores?
Evelyn Eisenstein
– Sim. Tanto os jovens como muitos pais e professores (pois computadores estão cada vez mais em muitas escolas) não foram alertados aos riscos de saúde. Você compra qualquer aparelho ou novo equipamento e junto vem um manual de instruções. Porém a internet, por ser uma rede mundial de computadores interconectados, em qualquer lugar do planeta e por qualquer pessoa, pode ser usada também por exploradores, criminosos, pedófilos e “crackers”, pessoas mal intencionadas que se prevalecem dos conhecimentos para praticar crimes e atos ilícitos pela rede e acabam “abusando” de adolescentes desinformados e curiosos.

revistapontocom – A senhora acredita que a medicina vem sendo ouvida pela mídia e pelas famílias sobre estes riscos?
Evelyn Eisenstein
– Não. A mídia em nosso país deveria ter um papel mais importante de educação em saúde, de informação e comunicação dos fatores de prevenção de doenças e de riscos comportamentais. E precisa exercer, com mais responsabilidade, o papel de também ser um veículo de educação para a população, e não somente de marketing de produtos e de opiniões de uns e outros, sem qualquer treinamento profissional e só com finalidades consumistas ou sensacionalistas. Crianças e adolescentes precisam receber mensagens saudáveis de proteção, pois são, por Lei, prioridades absolutas na questão de direitos à educação, saúde, bem-estar. Como um colega bem afirmou: lugar de crianças e adolescentes é na folha de recursos de uma nação. Neste sentido, aí sim, estaremos investindo numa futura geração digital.

revistapontocom – Mas toda essa discussão, que parte dos adultos, não é uma imposição de uma geração que quer que as próximas gerações pensem e ajam de acordo com sua cultura?
Evelyn Eisenstein
– A pergunta é pertinente, pois todas as gerações tiveram e têm novos desafios culturais, ambientais, sociais, históricos e políticos a serem superados. A geração dos meus avós teve o rádio. E eu me lembro bem, aos 10 anos, indo assistir a um programa de televisão na casa de amigos. Os meios de comunicação e todas as novas possibilidades tecnológicas, inclusive a internet, estão real e virtualmente influenciando esta nova geração. O computador pode servir como uma ponte social trazendo benefícios entre as gerações e superando o abismo da falta de diálogo entre pais e filhos, professores e alunos. Esta responsabilidade começa sempre como um exercício diário em casa, na escola e em qualquer “lan house” ou grupo de provedor/servidor da internet. Os direitos de proteção, segurança e confiança, com “aquela outra pessoa”, devem ser assegurados para uma convivência participativa, interativa e saudável.

Cultura interativa em novo museu

Foi inaugurado, em São Paulo, na última sexta-feira (dia 27 de março), o Catavento Cultural, uma espécie de museu cultural e educacional que apresenta para o público, especialmente o jovem, a ciência e os problemas sociais, de um modo atraente e participativo.

São aproximadamente 250 atrações, muitas delas interativas, divididas em quatro seções, planejadas de modo encadeado: universo, vida, engenho e sociedade. Todas as exposições, que contam com vídeos, painéis e maquetes, foram feitas por renomados especialistas e cenógrafos.

Além das exposições, há um espaço destinado ao aperfeiçoamento do professor, que visa a aprimorar o ensino de ciências nas escolas. Há visitas especiais para as unidades escolares.

O Catavento fica localizado no Palácio das Indústrias, no Parque D. Pedro II, no centro da cidade de São Paulo. Mais informação no site.

YouTube cria EDU, seleção de vídeos e canais educacionais e acadêmicos

O YouTube lançou na última semana mais uma novidade: o You Tube Edu, novo projeto que indica apresentações, debates, experimentos e programas educacionais e acadêmicas disponíveis em sua base de vídeos.

Pelo YouTube Edu, um grupo voluntário de funcionários do Google selecionará os melhores vídeos, que serão destacados na página do projeto e, nos finais da semana, serão levados à página principal do site.

Entre as instituições de ensino que têm canais oficiais no YouTube para divulgação de conteúdo estão as universidades de Stanford, Berkeley, Califórnia e Minnesota, além da Harvard Business e do MIT.

Fonte – IDGnow

Qual será o futuro da música depois da morte do CD?

A música nunca esteve tão presente na vida dos estudantes. Hoje, crianças e jovens andam praticamente o dia inteiro conectados a fones de ouvido, MP3 e celulares. Os professores que o digam. Para a atual geração, vinil, walkmans, CDs e seus reprodutores portáteis são peças de museu. O presente é música digital que cabe no bolso e que pode ser baixada pela internet em poucos segundos.

As estatísticas da indústria comprovam o que se constata no cotidiano. De acordo com dados da Nielsen SoundScan, as vendas de CD caíram 45% desde 2000. Em contrapartida, em 2007, mais de um bilhão de músicas digitais foram vendidas via web.

Se o presente da música é digital, qual será o futuro? Foi exatamente esta pergunta que levou o jornalista Irineu Franco Perpetuo e o professor Sergio Amadeu da Silveira a organizarem o livro O futuro da música depois da morte do CD.

O livro, que pode ser acessado na íntegra, gratuitamente, na web, traz 13 artigos de 16 especialistas da área. Os autores partem de diferentes campos de conhecimento que vão da engenharia da produção, sociologia, teoria da comunicação, musicologia, filosofia à interpretação e composição musicais, além da própria atividade empresarial. A única base comum dos textos é o reconhecimento das profundas mudanças que a digitalização e as redes informacionais trouxeram para o universo da música.

Um dos objetivos da coletânea é mostrar a complexidade e as grandes diferenças teóricas, analíticas e prospectivas que existem entre aqueles que estão pensando o tema.

“O debate sobre o impacto das redes digitais na criação, produção e distribuição da música não é novo. Entretanto, poucos livros brasileiros reuniram diversos olhares de diferentes áreas do conhecimento para analisar a atual realidade musical. A coletânea discute as mudanças históricas no perfil e no papel dos músicos, compositores e intérpretes”, destaca o professor Sérgio Amadeu, da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero.