Colégio Estadual José Leite Lopes/NAVE: um ano de atividades

O Colégio Estadual José Leite Lopes/Núcleo Avançado em Educação (NAVE) completou um ano de atividades. Para comemorar a data e a chegada dos 140 novos alunos, a instituição promoveu uma grande festa, no último dia 14 de maio, no Tijuca Tênis Clube. Professores, funcionários, estudantes e seus responsáveis se reuniram para celebrar o aniversário.

O evento também contou com a presença da diretora de Educação da Oi Futuro, Samara Werner, e da secretária de Estado de Educação, Tereza Porto. “Essa escola é um exemplo para o país. As exigências do século XXI são diferentes das do século passado. E o Colégio José Leite Lopes, dentro do Núcleo Avançado em Educação, está cumprindo seu papel de preparar, e muito bem, os jovens para o mercado de trabalho e para a vida”, destacou a secretária.

Durante a celebração, a diretora do colégio, professora Luzia Tavares da Silva, ainda prestou homenagem aos professores e alunos.  “Temos um prédio lindo e uma estrutura excepcional. Mas isso não basta. É preciso alma. E a alma são vocês, estudantes”, frisou a diretora. Foi lançado ainda o hino da escola e empossado o grêmio estudantil, bem como os representantes de turma. 

Veja as fotos do aniversário

Confira o hino da escola

O que pensam os alunos…

“Aqui o convívio social é o mais importante.
Claro que as boas notas são necessárias, mas a boa convivência no dia a dia é que possibilita os bons resultados. Somos todos unidos”
Ruan Santos Silva, 16 anos / 2º ano 

“A gente aprende a trabalhar nos cursos técnicos.
Estamos conectados com o mercado de trabalho.
Os professores são muito atenciosos, sempre participam da nossa vida estudantil”
Jéssica Pereira, 16 anos / 2º ano

“O ensino é forte e os professores excelentes.
Sempre atenciosos e preocupados com nossa formação.
Passamos o dia todo estudando e isso é muito bom”.
Lucas de Souza Amorim, 15 anos / 1º ano
Fonte: Colégio Estadual José Leite Lopes/NAVE e assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Educação do Rio

Hino do NAVE

Salve, salve, o homem da ciência
Descobridor do Bóson Vetorial
Louvamos a sua competência
Ilustre, grande físico imortal.

Seguimos com fervor e ardor
Nesta nave de luz e excelência
Chegaremos ao nosso destino
Com ousadia e muita persistência.

Com enfoque interdimensional
Nova nave educacional
De ensino experimental
Integrante da rede estadual.

Cresce o nosso potencial tecnológico
Gnosial, fruto do nosso empenho
Neste espaço diferencial
Para alcançarmos supremo ideal.

Ó patrono José Leite Lopes
Protetor e empreendedor
Nos conduza e sempre ilumine
Para um caminho promissor.

Letra – Professora Renata da Silva de Barcellos
Música – Professora Fátima Vilela

Classificação Indicativa: informação e liberdade de escolha

Quase dois anos depois da publicação da portaria que instituiu a classificação indicativa dos programas de televisão, o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação, do Ministério da Justiça, lançou um guia que pretende apresentar os objetivos da portaria às famílias. O texto também aborda a classificação indicativa dos filmes exibidos pelos cinemas e distribuídos pelas locadoras.

Recheado de histórias em quadrinhos, o guia reforça que a classificação indicativa não é censura. “A classificação é um processo democrático, com o direito à escolha garantido e preservado. O Ministério da Justiça não proíbe a transmissão de programas, a apresentação de espetáculos ou a exibição de filmes. Cabe ao Ministério informar sobre as faixas etárias e horárias às quais os programas não se recomendam. É o que estabelece a Constituição Federal,o Estatuto da Criança e do Adolescente e as Portarias do Ministério da Justiça”, informa o documento.

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Que nota você daria para a qualidade da programação da TV aberta brasileira?

O guia também explica os bastidores do processo: quem estabelece a classificação, quais são os critérios e como, na prática, funciona o dia-a-dia do grupo responsável pelo trabalho. “As emissoras ou produtoras enviam ao Ministério da Justiça a sinopse do programa a ser exibido na televisão com a Classificação Indicativa pretendida. É o que se chama de autoclassificação. Após essa etapa, o Ministério da Justiça tem 60 dias para monitorar a obra e verificar se o conteúdo exibido condiz com a Classificação Indicativa atribuída. Caso o conteúdo (cenas de sexo, violência e drogas) não esteja de acordo com a autoclassificação, o programa poderá ser reclassificado. As emissoras ainda podem pedir reconsideração da classificação. O trabalho de monitoramento é contínuo. Ele é embasado nos critérios da quantidade e intensidade de cenas de sexo, violência e drogas exibidas”, destaca.

Confira o guia na íntegra

Pais ignoram a navegação dos filhos

Menina de apenas três anos acordou no meio da madrugada para brincar com o computador. Com poucos cliques, ela foi capaz de abrir o navegador Internet Explorer e entrar no site Trade Me. Pipi Quinland entrou facilmente no site de leilões, pois a senha de sua mãe estava armazenada. Mais alguns cliques, ela comprou uma escavadeira de 1,5 tonelada, por cerca de R$ 25 mil, que estava anunciada na home page do Trade Me. O fato aconteceu na semana passada, em Stanmore Bay, ao norte de Auckland, capital da Nova Zelândia. A mãe ligou para empresa se desculpando.

Para muitos, a história da pequena Pipi pode ser inusitada e episódica. Ledo engano. É cada vez mais comum as crianças terem acesso à web e o mais preocupante: sem que seus pais tomem qualquer conhecimento do que fazem quando estão online.

O assunto não é de hoje. Pesquisa divulgada em 2004, por Ann Katrin Agebäck, chefe da divisão do Conselho de Violência na Mídia do Ministério da Cultura da Suécia, revelou que 67% das crianças e jovens, dos 9 aos 16 anos, de cinco países europeus, navegam na internet sem nenhum acompanhamento dos responsáveis. O único controle exercido pelos pais está relacionado ao tempo gasto com a atividade.

O levantamento mostrou ainda que 8% dos entrevistados visitam sites com conteúdos pornográficos e que compram pela web. Perguntados sobre o uso que seus filhos faziam da internet, os responsáveis nem se quer cogitaram as duas hipóteses, assim como a troca de mensagens em salas de bate-papo. A pesquisa destacou que mais de 60% do público infanto-juvenil faz uso das salas, nas quais adotavam nomes, idades, aparências, sexos e personalidades diferentes.

Dos entrevistados, 20% afirmaram que já receberam mais de quatro comentários sexuais indesejados. E 14% informaram que já tinham se encontrado com pessoas que conheceram nos chats.

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É possível controlar a navegação de crianças e jovens na web? O que podemos fazer?

De 2004 para cá, a supervisão dos pais ainda deixa a desejar, enquanto que, por exemplo, os números de pedofilia na internet só crescem. De acordo com o secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), Hamadoun Touré, uma em cada cinco crianças que navegam pela internet é alvo de pedófilos a cada ano.
Empresas, escolas e governos vêm desenvolvendo uma série de ações com o objetivo de ensinar as crianças a navegarem de forma segura, chamando, é claro, a participação efetiva dos responsáveis.

No início deste mês, instituições da sociedade civil se uniram para lançar o segundo volume do Guia de Navegação para o Uso Responsável da Internet. Com conteúdo elaborado por organizações não-governamentais, como o Comitê de Democratização da Informática (CDI), profissionais liberais e a iniciativa privada, o manual propõe mobilizar educadores, pais e alunos pela construção de relações e conteúdos saudáveis na web. Entre os temas abordados estão as diferenças entre gerações, a segurança na internet e formas de intervenção para o bom uso da rede. 

Confira o link do guia.

Festival Internacional de Cinema Infantil

A coordenação do Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI) anuncia que estão abertas até o dia 31 de maio as inscrições para o Prêmio Brasil de Cinema Infantil. A ideia é estimular a produção brasileira de filmes para crianças. Serão selecionados curtas-metragens direcionados ao público infantil dos 4 aos 12 anos. Os filmes integrarão a programação do festival que acontecerá em nove cidades brasileiras, entre agosto e outubro deste ano. Vídeos com cenas de uso de drogas, sexo e violência serão automaticamente desclassificados.

Para participar é preciso preencher a ficha de inscrição online e encaminhar um DVD do filme para a organização do evento. Duas obras serão premiadas com o troféu do Prêmio Brasil e com R$ 5 mil em serviços de laboratórios oferecidos pela Labocine Grupo de Cinema.

Mais informações no site

Projetos de pesquisa sobre jornalismo

O jornal Folha de S. Paulo promove concurso para incentivar pesquisas sobre a história do jornalismo brasileiro. Chamado de Folha Memória, o programa selecionará três projetos de pesquisa e premiará seus autores com uma bolsa de R$ 2.300 mensais – mediante reembolso de despesas.

Nos seis meses em que receberão essa ajuda de custo, os candidatos selecionados deverão conduzir sua pesquisa com rigor acadêmico e transformá-la em um texto de interesse geral e caráter jornalístico. Eles serão orientados por um jornalista da Folha. O melhor dos três trabalhos será publicado em livro editado pela Publifolha, e seu autor ganhará um laptop.

No concurso, que tem patrocínio da Pfizer, a história do jornalismo deve ser entendida em sentido amplo – ou seja, podem ser investigados fenômenos de qualquer época do jornalismo do país. Os projetos também não precisam se restringir ao estudo de nenhum meio jornalístico específico – podem ser estudados veículos impressos, on-line etc.

Poderá inscrever seu projeto quem estiver concluindo ou tenha concluído graduação em qualquer universidade brasileira. Só será aceita a inscrição de um projeto por pessoa e as pesquisas devem ser individuais.

A inscrição deve ser feita até o dia 28 de junho, no site http://folhamemoria.folha.com.br

Fonte – Folha de S. Paulo

Prêmio Escola 2009

Estão abertas até o dia 31 de agosto as inscrições para o Prêmio Escola 2009. Em sua oitava edição, a seleção continua com o mesmo objetivo: incentivar o desenvolvimento de ações preventivas de DSTs, AIDS e gravidez na adolescência, bem como do uso de drogas. O concurso vai premiar as melhores histórias em quadrinhos produzidas pelos estudantes de todo país.

Podem candidatar-se escolas públicas e particulares de Ensino Fundamental e Médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos. Cada instituição poderá enviar uma única história em quadrinhos. O aluno coordenador do trabalho e o professor responsável pela condução da atividade na escola devem estar indicados na ficha de inscrição.

Para participar, as escolas devem preencher a ficha de inscrição, colá-la no verso da história em quadrinhos e enviar a obra para o escritório da Unesco em Brasília até o dia 31 de agosto (Endereço: SAS Qd. 05 Bl. H lt. 06 Ed. CNPq/IBICT/UNESCO 9º andar CEP: 70.070-914 Brasília – DF).

Confira mais informações no edital

Samba contra a exploração sexual

O abuso da criança é frequente  (refrão 2x)

Mas temos que enfrentar isso de frente
A gente tenta combater
Mas ninguém liga, ninguém quer saber
Vamos mudar o preconceito
Quero poesia, infância e respeito
O abuso da criança é frequente
Mas temos que enfrentar isso de frente

Somos a luz que veio iluminar
Disque 100 para denunciar  
(refrão 2x)

Esta é a letra do samba criada pelos 120 adolescentes que participaram de oficinas de mobilização e reflexão sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e jovens. As atividades foram realizadas pela Fundação Abrinq, entre os dias 18 e 23 de maio, em São Paulo. O evento fez parte das celebrações em torno do Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de crianças e adolescentes, festejado no último dia 18 deste mês.

Saiba mais sobre o encontro

Autoria na Era Digital

Professor Sérgio Abranches fala sobre o advento do copia e cola

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Por Marcus Tavares

O que o professor deve fazer quando recebe de seus alunos um trabalho totalmente copiado da internet? Como trabalhar com o advento do Ctrl C + Ctrl V? Na escola do início do século XXI, quais são os significados de autoria, plágio e cópia? O assunto é polêmico, pois não se trata mais de um fato episódico nem exclusivo de um sistema e nível de ensino.

Para Sérgio Abranches, professor adjunto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diante de um quadro “com poucas possibilidades e muita perplexidade”, os educadores vêm elaborando suas práticas de forma mais imediatista do que propriamente pedagógica. Para ele, é preciso que a escola reveja a participação dos alunos no processo de aprendizagem, no processo de construção da autoria.

Em entrevista, o professor afirma que, se o estudante não for convocado para ser autor-colaborador de determinada atividade, ele não terá o compromisso de produzir nada que seja dele ou a partir dele. “Nesta situação, é muito mais fácil e cômodo dar uma googada (de google), como dizem os mais novos”, destaca.

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O que fazer quando o aluno entrega um trabalho Ctrl C + Ctrl V?

Acompanhe a entrevista:

O que muda na produção docente e discente com o acesso à internet? Professores e alunos estão sabendo tirar proveito de todas as possibilidades da rede?
Sérgio Abranches
– A internet tem se apresentado como um grande campo de práticas distintas e diversas, com ampla possibilidade para a Educação. Entretanto, isto não quer dizer que haja um aproveitamento de suas possibilidades, tanto por alunos quanto por professores. É preciso ainda um processo de formação específica para o uso pedagógico da internet, como de todas as atuais tecnologias da informação e comunicação, a fim de que a Educação possa aproveitar estas possibilidades. Em pesquisa recente, realizada por meus orientandos, observamos que já há uma familiaridade com o uso das tecnologias por parte dos professores, mas isto não significa que estes mesmos professores estejam utilizando as possibilidades que a internet apresenta. Do mesmo modo, observamos nos alunos que o uso da internet ainda é muito restrito em se tratando de questões educacionais. Mesmo que haja uma maior familiaridade por parte dos alunos com as atuais tecnologias, tal situação não redunda em grande proveito para a aprendizagem. Por outro lado, precisamos destacar o crescente número de projetos que busca incorporar tal uso às práticas educacionais. Penso que é por aí que conseguiremos identificar quais são as possibilidades que a internet oferece e que poderão ser aproveitadas pela Educação. Como exemplo, penso que a pesquisa acadêmica tende a ser profundamente dinamizada com a internet, bem como a aprendizagem colaborativa.

A web traz uma nova definição para o que seja autoria, pirataria e plágio?
Sérgio Abranches –
Em um certo sentido, creio que há uma modificação nestas definições. Mas depende fundamentalmente do tipo de uso que se faz da web. A questão da autoria – e os seus contrapontos da pirataria e do plágio – ganha uma nova significação com o uso da web. As formas colaborativas de produção via web introduzem uma nova conceituação do que seja autor. Tomemos como exemplo as diferentes experiências do tipo wiki, desde enciclopédia até pequenos glossários. Se tais práticas forem direcionadas pedagogicamente, podemos suscitar o aparecimento de um autor coletivo, não mais um sujeito único e que não é simplesmente o resultado da soma de diferentes partes, mas sim daquela interatividade proporcionada pela web. Com isso, questionamos também o que seja plágio ou pirataria. Estas duas últimas situações reproduzem concepções de conhecimento e de prática pedagógica que não se coadunam com um uso pedagógico da web. Deste modo, falar em autoria na web pode simplesmente reforçar a forma como tradicionalmente entendemos o que seja identidade (veja-se, por exemplo, o uso que muitos autores e jornalistas fazem dos blogs), ou então significar, a partir de uma proposta pedagógica diferenciada, o surgimento de um autor coletivo, colaborativo, participativo e aberto a novas elaborações. A questão da autoria na web é muito séria, por isso acredito que nós educadores devamos enfrentá-la corretamente, pois parte de nosso trabalho é “mexer” com as identidades.

Neste sentido, o que é autoria nos dias de hoje?
Sérgio Abranches
– Bem, isto é muito difícil de se definir. Em primeiro lugar, devemos considerar que a própria produção de conhecimento é uma reelaboração de conhecimentos já estabelecidos socialmente. Assim, autoria não pode ser entendida como aquilo que me distingue dos outros. Ao contrário, em um contexto globalizado, multicultural, o que me identifica pode ser exatamente aquilo que me aproxima, me coloca em relação com o outro e com os outros. Autoria passa então por uma transformação: não é mais o sinal de minha presença exclusiva neste mundo, através de uma obra única e intransferível, mas sim o que me coloca diante de tantos outros e que, nesta situação, marcam a minha identidade. É claro que precisamos tomar cuidado para que esta nova situação não seja o sinal da desresponsabilização, do “esconder-se para não se comprometer”. Portanto, é muito mais exigente, pois não se limita a dizer o que é e o que não é. Penso que estejamos próximos da passagem da autoria clássica (definidora de uma identidade única) para uma “alteria” (uma identidade construída com o outro).  

Neste contexto de produção acadêmica, que regras devem ser estabelecidas entre professores e jovens?
Sérgio Abranches
– É importante pensarmos em regras na produção acadêmica. Mas penso que primeiro devemos pensar em novos projetos, novos contratos didáticos, novas formas de produção do conhecimento. Os jovens já nascem neste contexto, são digitais. A maioria dos professores ainda pertence a uma outra geração, analógica na sua forma de ser e de produzir conhecimento. Esta contradição precisa ser enfrentada. Neste sentido, uma questão básica, que não me arrisco a dizer que seja uma regra para a produção acadêmica em tempos midiáticos, deve ser a partilha da produção do conhecimento. Não estou falando aqui da socialização do conhecimento, algo muito importante. Falo do processo de produzir conhecimento. Este deve ser partilhado, cooperado. Os grupos de pesquisas precisam incorporar esta atitude, não só como metodologia de trabalho, mas como forma de produção e, assim, incorporar o “modus operandi” desta geração digital, tecnológica. Outro elemento que eu apontaria é a ampla divulgação desta produção. Os jovens, quando se dispõem a produzir seus conhecimentos academicamente, procuram sempre estas referências e não podem se relacionar com elas como se fossem estacas fixas, imóveis. Ao contrário, devem percebê-las como incentivadoras. Citaria também a necessidade de inovação metodológica. Este é um aspecto que ainda estamos deixando de lado. Precisamos inovar nossas concepções metodológicas e nosso fazer. Creio ser esta uma regra a ser colocada por aqueles que pretendem contribuir com a Educação e com o conhecimento de um modo geral.

Afinal, o que o professor deve fazer quando recebe um trabalho Ctrl C + Ctrl V?
Sérgio Abranches
– Em primeiro lugar, creio que o professor deve fazer o maior esforço possível para não receber um trabalho Ctrl C + Ctrl V. Em outras palavras, o professor deve se preocupar em preparar suas atividades de modo que esta possibilidade não seja viável. Dizendo de outro modo, a questão está na maneira como o professor propõe as atividades aos alunos. Qual é a diferença entre este tipo de trabalho e aquele que nós fazíamos antigamente copiando longas páginas das enciclopédias que nossos pais compravam à prestação, dizendo para nós que ali estava tudo o que precisávamos saber/aprender? Sim, é claro que tem diferença, mas na minha opinião muito mais na forma e na dinâmica do que no conteúdo e na aprendizagem. Neste sentido, a primeira questão que o professor deve fazer é refletir sobre o que ele propôs aos alunos e o modo como ele propôs. Aí está a raiz da questão. Se o aluno não foi convocado para ser autor-colaborador daquela atividade, ele não se sente com o compromisso de produzir nada que seja dele, ou a partir dele. Nesta situação, é muito mais fácil e cômodo “dar uma googada” (de google), como dizem os mais novos. A segunda questão é pedir ao aluno que explicite o seu processo de produção do conhecimento (que questões ele levantou para fazer tal trabalho, que fontes ele buscou, qual o tipo de análise que ele fez), caso isto não tenha sido apresentado anteriormente. Deste modo, pode-se refletir sobre o processo e não somente sobre o resultado. Uma outra questão é o confronto com outras produções de outros alunos. Não quero aqui propor que haja um conflito, um embate, mas sim que haja uma troca, uma reflexão conjunta apontando os elementos que distinguem, caracterizam as diferentes produções. Sei que ao dizer isto não posso me esquecer do volume de trabalho dos professores, particularmente os que atuam na educação básica, fato este que dificulta uma análise e mesmo uma atenção mais particularizada aos alunos, impedindo então que se possa fazer tal processo, pois demanda tempo. Por isso, evitar que tal procedimento aconteça partindo de uma nova proposta pedagógica é fundamental

Fonte – Rio Mídia

Confira o artigo publicado pelo professor para o 2º Simpósio hipertexto e tecnologias na educação, promovido em setembro do ano passado pela UFPE.

Concurso incentiva a criação de brinquedo e de personagens nacionais

Promover e premiar a atividade criativa de brinquedos que possam ser produzidos pela indústria nacional é o objetivo do Concurso de Criação de Brinquedo Revista Espaço Brinquedo, que chega à sua quinta edição consecutiva. A proposta vem aproximando, cada vez mais, os estudantes, as universidades, as indústrias e o mercado.

Voltada para maiores de 18 anos – profissionais ou estudantes –, a seleção vem mostrando que ainda há espaço para criação de produtos que não fazem uso de tecnologias. Afinal, o edital procura incentivar exatamente a diversidade. Há cinco categorias: brinquedos livres, eletrônicos, artesanais, jogos e destinados para crianças portadoras de necessidades especiais.

De acordo com os organizadores do concurso, a seleção cria uma rede a favor da produção nacional de brinquedos, conciliando todos os setores envolvidos e outros que até então não viam espaço nesta área, como as universidades. As indústrias brasileiras de brinquedo são de pequeno porte e grande parte delas não possui um departamento de criação. Geralmente, elas terceirizam a atividade, embora necessitem ininterruptamente de novidades.

A exemplo dos anos anteriores, o vencedor do primeiro lugar ganha uma viagem para Nuremberg (Alemanha) para participar da maior feira de brinquedo do mundo, a Toy Fair, em 2010.  Os interessados têm até o dia 18 de agosto para confirmar a participação no concurso. Acesse o edital.

Criação de personagens

 A Revista Licensing Brasil, da editora Espaço, Palavra Editora e Arte, também está com inscrições abertas para o 2º Concurso de criação de personagens. Os interessados têm até o dia 31 de julho. Acesse o edital.

Rocambole e Leo foram os dois trabalhos vencedores do 1º Concurso de Criação de Personagens. A seleção recebeu 190 inscrições. Os inscritos tiveram que criar um personagem que atendesse aos seguintes critérios: empatia, criatividade, maturidade e sofisticação da técnica, adequação da proposta junto ao público-alvo, conceito e facilidade de aplicação em diferentes plataformas.

Entre os 25 finalistas, foram escolhidos dois vencedores, um para cada categoria (profissional e estudante). O estudante Rodrigo Bastos Didier recebeu um prêmio de R$ 2.000,00, pela criação do personagem Leo, e o profissional Michel Mendes levou R$ 3.000,00, com o Rocambole.

Conheça os personagens:

 

rocambole

1ºLugar – Profissional
Rocambole é um cachorro dengoso e com cara de bolo, muito querido por seu dono, que é um doce de menino. Alegre e agitado, Rocambole é, naturalmente, enrolado e só se mete em confusão. Quando recebe um carinho, abana o rabo, roda pra todo lado e gira que nem pião. Muito guloso, não gosta de roer osso. Prefere comer biscoito vendo televisão. Se alguém lhe joga um chocolate, ele fica no maior alvoroço. Pula, dá o bote, estica o pescoço, mas não deixa cair no chão. Rocambole une duas paixões: cachorros muito amigos e comidas gostosas. Público-alvo: 2 a 6 anos
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1º Lugar – Estudante
Leo foi criado para ensinar as crianças sobre os mestres da pintura e seus respectivos movimentos artísticos. Ele é um garoto de 14 anos que vive em um mundo muito diferente do nosso, onde não existe noção de tempo. Sua vida é viajar pelos diferentes movimentos artísticos. Leo mora em um casarão repleto de quadros de todos os pintores do mundo que servem como portais para suas aventuras.
O menino é pintor e desenhista. Sua mão esquerda leva um pincel mágico, cuja tinta é inesgotável, e em seu braço direito carrega um lápis. De acordo com a viagem, sua fisionomia muda, adaptando-se ao contexto. Leonardo da Vinci, Van Gogh, Pablo Picasso, Salvador Dali e muitos outros artistas passam pela vida do personagem. Leo ensina e estimula o interesse das crianças pela pintura desde cedo. Público-alvo: 8 a 12 anos

BR Games: à procura de jogos eletrônicos brasileiros

Boa notícia para a área de produção de games do Brasil: a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura acaba de lançar o edital BR Games, que tem o objetivo de incentivar a pesquisa na área de jogos de computador, ampliar o mercado e promover a cultura do entretenimento digital. O prazo de inscrição vai até o dia 25 de junho.}

O edital é voltado para estudantes, profissionais autônomos e empresas da área, com os seguintes prêmios: pessoas físicas – R$ 70.000,00 para cada um dos sete demos selecionados (os escolhidos deverão abrir uma pequena empresa ou firmar acordos de co-produção), e empresas – R$ 140.000,00 para cada um dos três demos escolhidos. Desse valor, 80% serão viabilizados por investimento público e 20% por contrapartida das empresas vencedoras que devem comprovar a publicação de ao menos um jogo.

Os valores serão liberados conforme os selecionados forem cumprindo o cronograma das etapas de entrega dos demos. Os projetos selecionados também serão apresentados ao mercado internacional para que possam ser negociados e produzidos pelos fabricantes.

Segundo o Secretário do Audiovisual, Silvio Da Rin, os jogos eletrônicos se transformaram em uma espécie de febre mundial. “Há jogos que vendem mais de três milhões de unidades somente no dia do lançamento. É um fenômeno que afeta todas as idades, mas a infância e a juventude são os alvos prioritários de nossa atenção. Os avatares e os heróis dos jogos em circulação na web e nas lojas não têm relação alguma com as paisagens, mitos e narrativas brasileiras”, destaca Silvio Da Rin.

Para participar do edital é necessário o envio de uma proposta escrita conforme modelo disponível para consulta no link: www.brgames2009.com.br. Ela será avaliada por uma comissão integrada por profissionais do segmento de jogos de computador e entretenimento digital. Em uma segunda etapa, 20 projetos serão selecionados para uma defesa oral. Desses sairão os dez vencedores, que terão seis meses para trabalhar no desenvolvimento final.

Edital de seleção de projetos para infância e adolescência

A Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, por meio da Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) estão com inscrições abertas para o edital de seleção de propostas voltadas para projetos na área de promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

Serão priorizados os projetos que “promovam a redução das desigualdades regionais, da equidade de raça, da etnia, do gênero, da orientação sexual e da inclusão de pessoas com deficiência, bem como aqueles que têm o objetivo de promover a participação ativa de crianças e adolescentes nas atividades”. Os interessados têm até o dia 15 de junho para enviarem suas respectivas propostas.

Informações pelo site

Interações sociais mediadas pelo celular

Por Maria Aparecida Moura
Professora da Universidade Federal de Minas Gerais

Por Camila Maciel Mantovani
Jornalista e mestre em Ciências da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais

O desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação deu à sociedade uma nova configuração. Atualmente, vive-se em um mundo conectado em redes onde os fluxos da informação remodelam as formas de interação entre os sujeitos. Pode-se dizer que o desenvolvimento dos processos de comunicação e informação forneceu suporte material para a globalização, fenômeno de caráter econômico, cultural e social. As alterações nas noções de tempo e espaço e a globalização dos fluxos de informação refletiram em todos os campos da vida social: trabalho, lazer, educação, entre outros.

A interação social, antes realizada através das relações face-a face, foi, ao longo da história, transformando-se através da interposição de inúmeras e diversificadas formas de mediação. A interposição das mediações nas trocas comunicacionais tornou-se necessária para garantir a aproximação de sujeitos geograficamente dispersos. Com esse intuito, surgiram, ou foram apropriados socialmente, a carta, o telegrama, o telefone fixo, o fax, o e-mail e, mais contemporaneamente, o telefone celular.

As mediações comunicacionais foram introduzidas no contexto das relações sociais sem, contudo, romperem com os princípios de sociabilidade presentes na interação face a face. Assim, veicula de forma implícita e/ou explicita traços dos sujeitos em interação. Através dos indícios presentes na letra, na escolha do papel, no estilo e, posteriormente, no tom e intensidade da voz e na própria imagem dos interlocutores, garantindo uma migração paulatina do presencial ao tecnologicamente mediado.

Se, anteriormente, o que estava em evidência na mediação era a manutenção dos laços de sociabilidade, com o passar do tempo, outras variáveis foram agregadas, alterando significativamente a natureza da interação. Com o uso das mediações comunicativas, a conectividade e a agilidade das interações experimentadas chegaram rapidamente ao mundo do trabalho e das trocas comerciais, passando a serem vistas como elemento de interesse econômico estratégico.

Nesse contexto, pode-se dizer que a Internet, nos últimos anos, foi um dos meios de comunicação e informação que mais evidenciaram o movimento em torno da noção de global. A internet promoveu o encurtamento de distâncias e criou um espaço comum de trocas informacionais, ligando todas as partes do globo.

No entanto, experimenta-se, atualmente, a intensificação do uso de um outro meio de comunicação que também traz consigo a idéia de conectividade. Este meio é o telefone celular.

2. A Tecnologia da telefonia móvel

A intensificação do uso do telefone celular foi acompanhada por uma forte campanha (quase mesmo uma imposição) em torno da necessidade de os sujeitos estarem conectados, sempre aptos a ingressar em processos de interações instantâneas. Antes, um dos principais meios que possibilitavam a conectividade via rede eram os computadores, hoje, os telefones celulares assumem esse papel.

A história dos aparelhos de telefonia móvel inicia-se de forma bastante semelhante à da Internet (Arpanet 1969). Ambas foram criadas com propósitos militares, o que evidencia a forte presença governamental na promoção e disseminação da idéia de uma sociedade da informação. Diversas pesquisas em TI’s foram financiadas e incentivas pelos ministérios de defesa dos governos, com destaque para o dos Estados Unidos. (Kumar, 1997).

Durante a II Guerra Mundial, a necessidade de um telefone móvel tornou-se premente. O sistema de comunicação utilizado pelo exército norte-americano era formando por duas partes: os soldados carregavam nas costas uma mochila de quatro quilos com apenas parte do telefone. A conexão por rádio com o sistema telefônico, que era o componente mais pesado, ficava no jipe do pelotão. A partir de então, pesquisadores se empenharam em criar um telefone sem fios que pudesse ser usado em qualquer lugar. Em 1947, nos laboratórios Bell foi desenvolvido um sistema de alta capacidade que fazia uso de várias antenas interligadas. Cada uma em sua área seria uma célula. Daí o nome telefone celular.

O primeiro aparelho foi criado em 1973 e diferia-se radicalmente dos modelos atuais. O Dynatac 8000X pesava aproximadamente um quilo, tinha vinte e cinco centímetros de comprimento, sete centímetros de largura e três de espessura. No entanto, foi apenas em 1982 que a Comissão Federal de Comunicações (FCC) norte-americana autorizou a comercialização dos telefones celulares. Desde então, muitas foram as transformações pelas quais passaram os telefones celulares, transformações estas que não se limitaram apenas aos aspectos físicos dos mesmos, mas que se refletiram principalmente em suas funções.

O advento dos telefones digitais proporcionou não só o aumento do número de linhas, mas também o surgimento de novos serviços wireless. Como tudo foi transformado em dado, foi possível incorporar aos aparelhos serviços de e-mail, mensagens de texto, fax e até mesmo imagens e vídeo. Nesse contexto, os dados socialmente compartilhados tornaram-se fluxos informacionais.

2.1 A telefonia celular no Brasil

No Brasil, os celulares chegaram no ano de 1990, e a expansão de seu uso está atrelada ao processo de privatização pelo qual passaram as empresas de telecomunicações no país.

Segundo Dantas (2002), a abertura do mercado de telefonia móvel para o capital privado obrigou as antigas estatais e as novas empresas que se instalavam a realizarem grandes investimentos no setor. Com isto, houve um aumento significativo na escala de produção de aparelhos e na oferta de novos serviços, numa ampla disputa pelos consumidores.

De acordo com dados recentes publicados pela Anatel (1) (Agência Nacional de Telecomunicações), o Brasil possui hoje mais de 54 milhões de celulares habilitados em funcionamento. Isso significa que, para cada grupo de 100 habitantes, existem hoje cerca de 30 celulares habilitados em todo país. Em 2003, essa relação era de 21,51 telefones móveis para cada 100 habitantes.

Ainda segundo dados da Anatel, no período de um ano, o número de celulares no Brasil cresceu 42,02%. Os telefones pré-pagos representaram em junho de 2004 79,06% do total de celulares, contra apenas 20,94% de pós-pagos.

A introdução do sistema pré-pago foi, para Dantas (2002), a principal razão do sucesso do celular entre as camadas populares. Através desse sistema o usuário adquire o cartão que lhe permite realizar determinado número de chamadas. Porém, ao se darem conta do alto custo das ligações efetuadas a partir de tais modelos as pessoas começaram a utilizar o telefone celular apenas para receber ligações.

3. A elaboração de conteúdos para celular

O mercado da telefonia móvel esteve, durante algum tempo, vinculado apenas ao serviço de voz. Nesse cenário, as operadoras eram os únicos atores, determinando preços de assinaturas e tarifas – modelo de negócio bastante semelhante ao da telefonia fixa. Porém, a digitalização dos celulares permitiu que fossem incorporadas novas funcionalidades ao aparelho, o que fez com que as operadoras de telefonia móvel passassem a vislumbrar novas possibilidades de geração de renda, abrindo espaço para outros atores comerciais. Sendo assim, começaram a ser desenvolvidos os serviços de valor agregado para telefonia móvel, em formatos diversos – imagem, som, vídeo, texto – e que são ofertados através de diferentes empresas especializadas.

Atualmente, já existem no Brasil outros canais de ofertas de produtos via celular, que não apenas os broadcasts – mensagens de texto enviadas aos celulares dos clientes pelas operadoras. São exemplos da nova forma de abordagem do cliente os sites de ringtones e imagens, para celular, de times de futebol, de revistas e até mesmo de canais de televisão (2).

No país, uns dos principais produtos ofertados via celular são os ringtones, também conhecidos como tons ou toques musicais. A venda dos ringtones é feita trabalhando-se a idéia de personalização de chamadas. O usuário, ao receber o item em seu celular, arquiva-o no aparelho e depois o relaciona a um grupo de chamada, ou seja, a determinados telefones gravados em sua agenda. Quando o usuário receber uma ligação advinda de algum desses números, ele poderá identificar quem lhe chama apenas pelo toque do celular.

As imagens e os vídeos elaborados para os celulares além de também serem promovidos com base na idéia de personalização, agregam a noção de troca de informações entre usuários.

4. Fluxos informacionais e agregação just-in-time

A complexidade tecnológica atribuída aos processos de interação social deu margem ao surgimento de novas formas de agregação social, nas quais o laço de sociabilidade não figura como elemento central. Trata-se do que se convencionou chamar de agregação just-in-time.

A agregação just-in-time é caracterizada por processos instantâneos e efêmeros de interação social entre sujeitos dispersos geograficamente. Ela se estabelece via tecnologia, interconectando fluxos informacionais, independente dos limites do tempo e do espaço. Um exemplo desse tipo de agregação é a recém-criada Comunidade – Álibi (3) construída para agregar sujeitos dispostos a fornecer um álibi para outros que desejam faltar ao trabalho, à faculdade ou ter encontros amorosos clandestinos sem ter que passar pelo constrangimento de fornecer uma desculpa face a face. Trata-se de uma agregação colaborativa just-in-time entre pessoas que, na maioria das vezes, nunca se viram ou se falaram.

As agregações just-in-time podem também ter implicações nas formas presenciais de interação social. Um bom exemplo disso é o uso público do telefone celular. Atualmente, as pessoas podem realizar agregações ou exclusões sociais pelo simples reconhecimento de um toque de chamada ao celular (ringtones). A escolha desses ringtones revela muito da subjetividade do portador do aparelho. Assim, quando alguém recebe um telefonema ao som de um ringtone do seu time ou mesmo da sua música favorita estende para o universo presencial a publicização de traços de sua personalidade, reincorporando, desse modo, alguns elementos típicos da interação face a face. Verifica-se, nesses casos, que a objetividade da interação social tecnologicamente mediada acabou por forçar um novo ciclo de apropriações sociais.

Hoje os celulares tornaram-se uma verdadeira extensão do corpo humano e vão além da simples função de estabelecer interações entre sujeitos. Atualmente, esses aparelhos revelam a interação entre fluxos informacionais ao permitirem a realização de download de vídeos e músicas em MP3, fotografias, envio de e-mail, a sincronização sem fio entre diferentes aparelhos e acessórios e a comunicação, via celular, de qualquer lugar do mundo através da quadribanda e da tecnologia GSM. Nesse caso, a interação é motivada mais pela informação disponibilizada, do que pelo sujeito que realiza as trocas informacionais.

Para Myerson (2001), já que os celulares deixaram de ser apenas um “telefone” para se tornarem um “equipamento”, a comunicação assumiu características de processamento de dados. Portanto, o ato comunicacional, inserido nesse processo, nada mais é que uma troca entre equipamentos, envolvendo a transmissão de informações.

A convergência de outras mídias para integrar a plataforma dos celulares é divulgada como sendo a capacidade de os aparelhos interagirem com outros meios de comunicação. Nesse sentido interagir significa fazer uma conexão, entrar em rede. Novamente, conforma ressalta Myerson (2001), “é o equipamento que é capaz de interagir, nessa nova linguagem, sendo assim, o outro nesse processo é uma rede e não um agente humano” (4).

O celular tornou-se, então, uma senha de sociabilidade por manter os sujeitos conectados, via satélite, sem as restrições que as barreiras da temporalidade e do espaço impunham. Na atualidade, é possível estabelecer, por telefone, interações de caráter efêmero que dêem a entender que serão duradouras. Isso é possível devido à incorporação de indícios ofertados pela manipulação da voz, do som ambiente e da imagem dos sujeitos em interação. Trata-se do que Castells (5) (2003: p. 110) denominou portifólio de sociabilidade – caracterizado pela manipulação de imagens pessoais – uma espécie de avatar (6) do self utilizado em interações sociais determinadas.

Castells (2003) ressalta, ainda, que os sujeitos vivenciam um momento de privatização da sociabilidade demarcada pelo individualismo em rede. Seriam as “comunidades personalizadas”, corporificadas em redes egocentradas. Esse novo padrão de sociabilidade, segundo o autor, é induzido pela crise do patriarcalismo, pela individualização e fragmentação do contexto espacial da existência e racionalizado pela crise de legitimidade política.

Cabe ressaltar que essa mobilização em torno do celular não é um fenômeno puramente tecnológico, mas principalmente cultural. Daí todo o discurso a respeito da necessidade de se adotar esse novo meio. É como se, ao não estar conectado nessa rede sem fios, o sujeito deixasse de registrar a sua presença no mundo.

Para Bauman (2004) o celular confere aos sujeitos a ubiqüidade, gerando um estado de permanente conexão entre indivíduos em movimento. Portar um celular significa manter-se inserido em uma rede de potenciais interações. Ele agrega a idéia de família, de intimidade, de emergência e de trabalho. Nele o público e o privado se mesclam diluindo-se as fronteiras entre esses dois territórios.
Em recente pesquisa realizada, Munier (2004) apontou a preponderância do celular como elemento mediador da necessidade de sociabilidade. Ao pesquisar as mediações tecnológicas adotadas nas interações sociais entre jovens franceses, constatou-se que, em momentos de angústia e isolamento, os interlocutores preferem majoritariamente o celular (seja através dos serviços de voz, ou mensagens de texto -sms) em detrimento de outros instrumentos digitais de interação. Essa preponderância justifica-se pelo fato de o celular ter forte conotação pessoal, sendo, portanto, mais conveniente para as comunicações íntimas.

O estudo de Munier corrobora a constatação de que o público jovem configura-se como o segmento social mais propenso ao uso do telefone celular. A familiaridade desse grupo com as tecnologias da informação é grande. A naturalidade com que muitos incorporam os aparatos tecnológicos no seu dia a dia pode ser comparada à aprendizagem da fala. Acrescente-se a isso uma característica marcante dessa fase da vida humana na qual o processo de constituição da identidade passa pelo sentimento de pertencimento a um grupo social.

Há que se destacar também a forte campanha em torno da promoção dos telefones celulares. Myerson (2001) nomeia esse fenômeno de mobilisation – the massive mobile campaign. Segundo o autor, a campanha em torno da promoção dos telefones celulares espreita os sujeitos em todos os lugares. Eles são promovidos através de diversas mídias e eventos direcionados a públicos específicos, como partidas de futebol, shows de rock, dentre outros.

Nesse complexo cenário, as mediações comunicativas ganharam uma centralidade excessiva e tensionaram o caráter das interações sociais reduzindo-as drasticamente à troca de mensagens. Entretanto, essa redução não ocorreu de forma pacífica. Hoje é possível afirmar que a telefonia móvel celular ganhou destaque justamente por incorporar, em termos tecnológicos, os aspectos críticos identificados na correlação de forças estabelecida no debate sobre a função social da mediação comunicativa. Se o telefone fixo já era considerado a mídia mais interativa por permitir a troca e a alteração do curso das mensagens em tempo real, o celular associou a isso a portabilidade, a conectividade e a multifuncionalidade.

5. Considerações finais

A crescente desmaterialização dos objetos informacionais, através do processo de digitalização, relativizou o papel do suporte e possibilitou a interconexão entre os dispositivos tecnológicos. Convergência e interatividade eram palavras que acompanhavam todas as caracterizações e descrições da Internet nos anos que se seguiram à sua difusão. Porém, passado o momento de euforia, elas já não causavam o mesmo impacto. No entanto, hoje, tais termos voltaram à cena, figurando ao lado de uma outra ferramenta: o telefone celular, que passa a ser visto como um novo veículo de comunicação multimídia.

Ao se analisar as alterações ocorridas na noção de informação, pode-se compreender a posição destacada da telefonia móvel na atualidade. As sociedades modernas presenciaram uma transformação no caráter da informação. Se antes esta circulava em ambientes como os cafés e outros espaços de socialização, com o crescente processo de urbanização, a informação precisou tornar-se mais fluida para acompanhar o deslocamento dos sujeitos pela cidade.

Os celulares exacerbaram a necessidade dos rituais de sincronia – interações que exigem espaço e tempo determinado para se efetivar. Contudo, o ritual sincrônico característico do celular prescindiu da noção de espaço e reduziu o papel do sujeito no processo de interação social, haja vista a preponderância dos fluxos informacionais.

Para dar conta desses rituais, é preciso liberar os sujeitos do excesso de interposições materiais antes exigidas para realizar conexões. Assim, nos processos de sociabilidade contemporâneos, não há como estar fora ou longe, é preciso manter-se acessível em situações e contextos diversos.

As mudanças decorrentes do acesso rápido e especializado interferiram nas relações sociais e nas formas de lidar com a informação. Contudo, neste momento, não se pode precisar a direção e as implicações das novas formas de sociabilidade mediadas pela tecnologia. Verifica-se que a agregação social por elas permitida irá alterar, de modo significativo, as formas de interação social na contemporaneidade e, poderão levar ao estabelecimento de novos padrões de comunicação e trocas informacionais entre os homens.

Bibliografia:
 
– BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: A Busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
– BAUMAN, Zygmunt. Dentro e fora da caixa de ferramentas da sociabilidade. In: Amor Líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
– CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede:v.1. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
– CASTELLS, Manuel. Comunidades virtuais ou sociedade de rede? In: A Galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2003.
– DANTAS, Marcos. A lógica do capital-informação: a fragmentação dos monopólios e a monopolização dos fragmentos num mundo de comunicações globais. Rio de Janeiro: Contraponto, 2 ed., 2002.
– KUMAR, Krishan. Da sociedade pós-industrial à pós-moderna: novas teorias sobre o mundo contemporâneo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
– LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Ed. 34. 1996.
– LÉVY, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1999.
– METROS, Susan E. Making Connections. Revista Leonardo. v.32, n.4, 1999.
– MUNIER, Brigitte. L’influence des nouvelles technologies multimédias sur les formes de sociabilité. Communications & languages. n. 140, juin.2004.
– MYERSON, George. Heidegger, Habermans and the mobile phone. United Kingdom: Icon Books, 2001.
Links:

http://www.anatel.gov.br/comunicacao_movel/
http://courses.atlas.uiuc.edu/spcom/spcom199/fudali/History.html
http://www.ringtones.com.br/capricho
http://www.ringtones.com.br/cruzeiro
http://www.ringtones.com.br/mtv

Notas:
1. http://www.anatel.gov.br/Tools/frame.asp?link=/biblioteca/releases/2004/release_15_07_2004.pdf. Acessado no dia 20 de julho de 2004.
2. http://www.ringtones.com.br/cruzeiro; http://www.ringtones.com.br/mtv; www.ringtones.com.br/capricho.
3. http://www.sms.ac (Clube do Álibe). http://amorios.com.ar (Argentina).
4. MYERSON, 2001: p. 52 (tradução nossa)
5. CASTELLS, Manuel. Comunidades virtuais ou sociedade de rede? In: _______. A galáxia da Internet; reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. São Paulo: Jorge Zahar, 2003.
6. Termo apropriado do sânscrito; refere-se a uma deidade hindu que vem a terra através da encarnação.  ambiente virtual, refere-se às múltiplas identidades assumidas pelos interlocutores no estabelecimento de interações sociais.

Texto originalmente publicado na Revista Textos de la CiberSociedad, 6. Temática Variada

Interações sociais mediadas pelo celular

Por Maria Aparecida Moura
Professora da Universidade Federal de Minas Gerais

Por Camila Maciel Mantovani
Jornalista e mestre em Ciências da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais

O desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação deu à sociedade uma nova configuração. Atualmente, vive-se em um mundo conectado em redes onde os fluxos da informação remodelam as formas de interação entre os sujeitos. Pode-se dizer que o desenvolvimento dos processos de comunicação e informação forneceu suporte material para a globalização, fenômeno de caráter econômico, cultural e social. As alterações nas noções de tempo e espaço e a globalização dos fluxos de informação refletiram em todos os campos da vida social: trabalho, lazer, educação, entre outros.

A interação social, antes realizada através das relações face-a face, foi, ao longo da história, transformando-se através da interposição de inúmeras e diversificadas formas de mediação. A interposição das mediações nas trocas comunicacionais tornou-se necessária para garantir a aproximação de sujeitos geograficamente dispersos. Com esse intuito, surgiram, ou foram apropriados socialmente, a carta, o telegrama, o telefone fixo, o fax, o e-mail e, mais contemporaneamente, o telefone celular.

As mediações comunicacionais foram introduzidas no contexto das relações sociais sem, contudo, romperem com os princípios de sociabilidade presentes na interação face a face. Assim, veicula de forma implícita e/ou explicita traços dos sujeitos em interação. Através dos indícios presentes na letra, na escolha do papel, no estilo e, posteriormente, no tom e intensidade da voz e na própria imagem dos interlocutores, garantindo uma migração paulatina do presencial ao tecnologicamente mediado.

Se, anteriormente, o que estava em evidência na mediação era a manutenção dos laços de sociabilidade, com o passar do tempo, outras variáveis foram agregadas, alterando significativamente a natureza da interação. Com o uso das mediações comunicativas, a conectividade e a agilidade das interações experimentadas chegaram rapidamente ao mundo do trabalho e das trocas comerciais, passando a serem vistas como elemento de interesse econômico estratégico.

Nesse contexto, pode-se dizer que a Internet, nos últimos anos, foi um dos meios de comunicação e informação que mais evidenciaram o movimento em torno da noção de global. A internet promoveu o encurtamento de distâncias e criou um espaço comum de trocas informacionais, ligando todas as partes do globo.

No entanto, experimenta-se, atualmente, a intensificação do uso de um outro meio de comunicação que também traz consigo a idéia de conectividade. Este meio é o telefone celular.

Leia o artigo na íntegra

Educação ambiental em foco

Projeto: Educação Ambiental
Instituição: Escola Municipal João Guimarães Rosa
Localização: Juiz de Fora, Minas Gerais

Desde que foi fundada, em 1972, a Escola Municipal João Guimarães Rosa, em Juiz de Fora (MG), sempre se preocupou com o meio ambiente. Mas foi a partir de 2005 que a instituição, com cerca de 200 alunos de Educação infantil e Fundamental, realmente adotou a Educação Ambiental como parte integrante da grade curricular. Desde então, a escola vem trabalhando com temas relacionados ao meio ambiente, como água, aquecimento global e ecossistema.

“Sabendo que a natureza não oferece recursos infindáveis, resolvemos ter a Educação Ambiental como um instrumento importante na melhoria da qualidade de vida e na conscientização da preservação do ambiente”, explica a diretora da escola, Sandra Helena de Almeida. Segundo ela, os constantes comentários ouvidos de pais de alunos sobre as mudanças ocorridas no comportamento dos filhos, na questão ambiental, têm mostrado que os professores estão no caminho certo.

Para este ano, estão previstas atividades como a Semana da Água, com realização de seminários e debates sobre utilização racional e dicas para evitar o desperdício, e a Semana da Ecologia. Também está agendada a Semana de Proteção aos Animais, quando os alunos apresentarão à comunidade uma peça teatral sobre a preservação da fauna.

A escola realizará, ainda, uma gincana que premiará a equipe que conseguir a maior quantidade de lixo reciclável. Em visitas externas, os alunos terão oportunidade de ver, de perto, conteúdos aprendidos na teoria. O Museu de História Natural do Colégio Cristo Redentor, a Reserva Municipal do Poço Dantas, o Ibama, e o córrego do bairro são alguns dos pontos que serão visitados.

Fonte: Jornal do MEC – Fátima Schenini

Contato
Escola Municipal Guimarães Rosa
Av Manoel Vaz Magalhães, 405
Telefone (0xx)32 3690-7209

Estudante conta sua aventura em blog

menino

No início deste ano, o estudante Gabriel Gomes Ferreira da Silva, de 10 anos, integrou o júri mirim do Festival Internacional do Circo, em Mônaco. O aluno da 4ª série da Escola Estadual Hugo de Aguiar, localizada em Guarulhos, São Paulo, participou do festival por ter vencido um concurso de desenho promovido pela Secretaria de Estado de Educação de São Paulo, no qual concorreu com outros 60 mil jovens. Além do representante brasileiro, o júri foi formado por crianças da Romênia, Estados Unidos, Alemanha, França e de Mônaco.

O desenho de Gabriel é colorido, com palhaço, mágico, malabarista e até apresentador, mostrando uma apresentação circense. O trabalho foi feito durante as aulas de artes da escola. O aluno utilizou apenas lápis de cor para produzir o desenho campeão.

Além de participar do júri, o estudante conheceu o castelo de Mônaco e a princesa Stépanie da família real. Saiba como foi  a aventura no blog.

Oportunidade para professores

O Centro de Criação da Imagem Popular (CECIP) abre seleção de educadores nas áreas de vídeo, design gráfico, fotografia, webdesign, computação gráfica, design sonoro, história da arte e da tecnologia para atuação na Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia do Rio de Janeiro. A seleção tem o objetivo de compor a equipe de educadores que atuará no programa criado pelo Oi Futuro. Estão sendo oferecidas 10 vagas para trabalhar em regime de carteira assinada.

O processo seletivo consta de quatro fases: análise de currículo e da carta de intenções; análise de plano de trabalho; entrevista individual e entrevista coletiva. A primeira etapa do processo ocorre até o dia 17 de maio. A inscrição deve ser feita, exclusivamente, via internet.

Na 1ª fase da seleção de educadores, só serão avaliados os candidatos que enviarem o currículo e a carta de intenções. Os candidatos que não enviarem um desses documentos devidamente preenchidos serão eliminados.

Informações no site

Geração Futura: inscrições abertas

Já estão abertas as inscrições para a 14ª edição do projeto Geração Futura, que oferece aos jovens estudantes de todo o Brasil a possibilidade de aprender, na prática, como se faz televisão. O prazo para se inscrever termina no dia 25 de maio.
A oficina, voltada para jovens entre 16 e 22 anos que estejam matriculados em uma instituição de Ensino Fundamental, Médio ou integrantes de projetos sociais, tem disponibilidade para 15 participantes.

O projeto tem ênfase na experimentação audiovisual, na produção de TV e na formação de redes de articulação com outros jovens e projetos sociais. O Geração Futura quer conhecer de perto o que pensa, o que sente e como vive o jovem brasileiro. Por isso, o Futura abre espaço na sua programação para exibir interprogramas, programas, campanhas, matérias e documentários produzidos pelos estudantes ao final das oficinas.

A oficina acontecerá entre os dias 6 e 31 de julho. Para concorrer a uma das 15 vagas, os jovens devem escrever um projeto para o uso ou produção de vídeo, filme, website ou jornal, voltado para sua escola ou comunidade.

Leia o edital

Publicidade e infância: uma interface polêmica

Criança, alma do negócio – o papel da mídia no desenvolvimento dos futuros consumidores é o nome do evento que será realizado no próximo dia 18, segunda-feira, na Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio). A proposta é discutir de que forma a mídia está impactando o dia-a-dia das crianças e dos jovens e encontrar formas de combater tal influência.

O encontro contará com duas mesas-redondas. Na parte da manhã, das 11 às 13 horas, o debate reunirá Lais Fontenelle Pereira, coordenadora do Instituto Alana; o jornalista André Trigueiro e a publicitária Nádia Rebouças, da empresa Rebouças & Associados. À tarde, das 15 às 17 horas, participarão da discussão Isabella Vieira Machado Henriques, representante do Instituto Alana; o professor Ney Costa Santos, do Departamento de Comunicação Social da PUC e, novamente, a publicitária Nádia Rebouças. Antes do debate, serão exibidos alguns filmes sobre a temática.

Para promover o debate, o jornal PUC Urgente, produzido pelos estudantes de comunicação da universidade, entrevistou a publicitária Nádia Rebouças sobre a estreita e polêmica relação entre a propaganda e infância. Para os interessados, a revistapontocom reproduz abaixo a entrevista concedida a Lais do Amaral.

Acompanhe:

PUC Urgente – Qual a relação entre a publicidade e a criança?
Nádia Rebouças – Nossas crianças conhecem mais as marcas dos produtos que são vendidos do que qualquer outra coisa que você mostrar para elas. Tem uma cena [no documentário Criança, a alma do negócio], por exemplo, em que é mostrado um pimentão e a criança diz que não sabe o que é aquilo. Então, começa um raciocínio da sociedade, especialmente dos pais e dos educadores, sobre a forma como a publicidade se utiliza da ingenuidade da criança para penetrar dentro de casa e vender produtos. Nós não estamos preservandomos o planeta para as futuras gerações. Outro problema mais grave ainda: temos um monte de crianças que não têm dinheiro, não têm padrão econômico para comprar 90% dos produtos que são anunciados na televisão. Nesse caso, para crianças realmente pobres, nós estamos criando problemas ainda mais sérios.

PUC Urgente – Como a criança lida com o consumismo?
Nádia Rebouças – Do ponto de vista das crianças e das mães, existe uma coisa que chega a ser quase tortura. Se a criança não tem determinado produto, um determinado modelo de celular, ela chora, bate o pé e se sente inferior às outras crianças. Os produtos de consumo acabaram virando a própria identidade das pessoas, o que é uma coisa muito grave quando se trata das crianças.

PUC Urgente – Qual é o papel dos pais?
Nádia Rebouças – Os pais têm uma questão educativa muito séria diante de si. Têm o papel muito importante de levar a uma reflexão sobre a propaganda. A criança, conforme a idade, não tem condição de perceber o que está em jogo ali. Ela entende a possibilidade de ter aquele brinquedo como uma questão fundamental na vida dela. Por isso, o diálogo com os pais é extremamente importante. Agora, sempre vai haver aquelas crianças que vão ter tudo porque os pais não tomam conhecimento de nada. É muito difícil para esse pai dizer não e explicar o porquê do não.

PUC Urgente – Qual a importância desse debate para os alunos de publicidade?
Nádia Rebouças – É uma oportunidade para pensar sobre o que significa a nossa profissão. Basicamente, na responsabilidade social. É importante que os professores e os estudantes de publicidade tenham um momento de reflexão sobre o que fazem.