A autoridade da criança no mundo do consumo

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Rita Ribes, professora e pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é autora da tese de doutorado Nossos Comerciais, por favor: infância, televisão e publicidade, orientada por Leandro Konder.

Seu estudo teve como objetivo construir uma análise crítica da contemporaneidade traçada a partir das novas configurações da relação entre adultos e crianças frente à cultura midiática. A ideia também era formular bases teóricas que visam a contribuir para a consolidação de políticas públicas em educação, comprometidas com a constituição de um sujeito crítico e sensível.

Em entrevista ao programa Encontros com a Mídia da Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio (MultiRio), Rita falou sobre um novo mundo que vem sendo criado pela publicidade, no qual as crianças assumem um poder que até então não lhe pertenciam.

A revistapontocom transcreveu abaixo algumas das ideias e reflexões apresentadas pela professora. Confira:

– O impacto da publicidade
Penso que a publicidade tem um impacto muito forte na vida de todos, não só nas crianças e nos adolescentes. Não podemos esquecer que vivemos numa sociedade de consumo, numa sociedade capitalista, que encontra meios de educar seus cidadãos para que eles estejam inseridos nesta própria sociedade. Educar para o consumo é uma forma de manter a própria sociedade do consumo. É uma exigência do mercado: para que as pessoas comprem é preciso que elas queiram comprar. A rapidez dos fatos e acontecimentos que caracteriza a época em que vivemos também nos foi transmitida pela publicidade. Neste momento, certamente, estamos pensando em outras coisas que ainda temos de fazer. A publicidade é uma das produções culturais que mais consegue demonstrar a velocidade a qual nos referimos. Ela precisa dizer muito em pouco tempo, com muita vida, precisão e objetividade. Os 30 segundos de uma peça comercial precisam dizer muito. A publicidade ajuda a formar a nossa vida corrida e, ao mesmo tempo, nos satisfaz. Afinal, quem hoje tem tanto tempo assim para ficar assistindo à TV? A título de curiosidade, na década de 50, diziam que a televisão não daria certo pois não haveria público. “Quem ficaria horas à frente da TV?”, perguntavam.

– Publicidade e a interface entre a criança e o adulto
Dizer que a criança é ou não é consumidora, tendo como base a posse do dinheiro, é uma questão complexa que tem relação com a forma como as crianças habitam/vivenciam a família e a escola. Hoje a criança pode não ter dinheiro. Mas faz diferença ir ao supermercado com ela. O que isto significa? Significa pensar que tipo de relação adultos e crianças mantém. É a criança quem decide? Quem escolhe as marcas? Quem diz que sim ou que não? Quem deseja? Penso que vivemos num contexto em que a criança, por um lado, está obrigada a amadurecer mais rápido e que os adultos se recusam a amadurecer. Os adultos gostam de ser infantis. Isso tem muito a ver com o mundo do consumo que vende a ideia da jovialidade. É preciso se tornar jovem, deixar de ser criança. O mundo do consumo trabalha com a lógica dos desejos. Ninguém deseja a geladeira que esta lá em casa. A gente deseja a que está na loja. Ninguém deseja o vestido que está usando, deseja o que não tem. O desejo é sempre de algo que ainda não se tem. O mundo do consumo sabe lidar muito bem com esse desejo, sempre oferecendo algo novo. Dificilmente a gente vai ao shopping e diz assim: “Pronto, não tem mais nada que a gente queira”.

– Criança: alvo prioritário da publicidade
A criança se torna alvo prioritário porque ela assumiu um novo lugar social na relação com os adultos. A partir da década de 80, o público infantil passa a ser visto como cliente e não como filho do cliente. As propagandas antigas diziam: “Não esqueça do seu filho! Ele quer! Compre para o seu filho!”. Hoje você tem um discurso voltado diretamente para as crianças: “Peça para o seu pai! Manda seu pai comprar! Se ele não comprar, faz birra, berra!”. Isso mostra que a criança é um alvo. Alvo que tem poder, autoridade. Cabe a nós questionar que autoridade é essa. Um outro ponto importante: a gente nunca faz a relação entre o programa que assiste e a publicidade que paga para que este programa esteja no ar. Como seria bom se relacionássemos bons programas e maus programas com a publicidade que é oferecida neste intervalo.

– A autoridade da criança
Se a criança é uma imagem que vende é porque a gente vê a infância como algo que seduz. Fala-se hoje que a criança adquiriu voz e autoridade e que nós adultos passamos a escutá-las. Tudo bem, mas penso que não construímos com isso uma democracia entre adultos e crianças. Construimos um mundo onde as crianças assumem um poder sozinhas. Toda democracia, toda perspectiva de cidadania, implica diálogo, conflito, contraponto de ideias entre crianças e adultos. E isto não acontece.

– Cidadania e consumo
O escritor Néstor García Canclini fala que ser cidadão e também ser consumidor. Do mesmo modo que consumidor é cidadão. É interessante observar o diálogo que se desenvolve, por exemplo, quando entramos em uma loja. Têm vezes que a gente pergunta assim: “Você tem tal tamanho desta blusa?”. A vendedora responde: “É R$ 54”. Por meio deste diálogo, a gente verifica que será preciso pechinchar. Nos perguntamos: o que a vendedora pensou de mim ao entrar? Quanto eu ganho e quanto ela ganha? O que está em jogo? Ou seja, que sentido o consumo traz para as relações humanas. O que significa ter um pré conceito de quem chega ou de quem vende?

– O papel da família e da escola
Os pais, os professores, os adultos em geral, devem se assumir como adultos na relação com a criança. Se por um lado é preciso ouvir mais as crianças também é necessário não sair de cena. É preciso ser um adulto que – dentro de nossa sociedade tem a responsabilidade de formar as futuras gerações – formule questões, se posicione e diga o que gosta e o que não gosta. Muitas vezes o adulto se recusa a ocupar este lugar porque ele é impedido pelo mundo do consumo. Se ele passa a normatizar, a dizer o que pode ou não pode, ele é o chato. A figura do professor e dos pais nas produções midiáticas muitas vezes é ridicularizada, diminuída, estereotipada. No contraponto, temos uma criança super poderosa, mas, ao mesmo tempo, completamente abandonada. A criança se torna autoridade e manda em tudo, mas não tem ao seu lado alguém para formular questões.

– Consumo que educa
Toda empresa (que anuncia seu produto) educa. Educa na forma que recebe, no tipo de produto que oferece. Educa a partir da relação que mantém com o consumidor e, ainda, por meio da publicidade que veicula. É curioso que, anteriormente, a publicidade era feita pela própria empresa. Em um segundo momento, esta tarefa passou a ser feita por agências de propaganda, cujo produto é a própria publicidade e não mais o produto em si. Nesta segmentação própria capitalista descolamos o produto da produção. O que se vende hoje são recursos. O compromisso é muito mais com a qualidade do anúncio do que com aquilo que é oferecido no anúncio.

O olhar do publicitário

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Nádia Rebouças é publicitária e formada em Sociologia pela Universidade de São Paulo. É a diretora da Rebouças & Associados. Criada em 1999, a empresa é fruto do trabalho de uma equipe que está há 15 no mercado, aprimorando cada vez mais o uso da comunicação como ferramenta estratégica.

Em entrevista ao programa Encontros com a Mídia, da Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio de Janeiro (MultiRio), Nádia destacou que as universidades deveriam repensar os currículos dos cursos de publicidade.

“Um jovem de 20 anos ainda não foi pai, ainda não viveu crises que só vivenciará daqui a alguns anos. Muitas vezes é este o jovem que está trabalhando dentro de uma agência. Sua única motivação é criar uma coisa engraçada, que tenha impacto e que renda algum prêmio. Ele só vai perceber, anos depois, a mensagem que criou e o seu impacto na sociedade”.

A revistapontocom transcreveu abaixo algumas das ideias e reflexões apresentadas pela publicitária. Confira:

– Propaganda e a origem econômica
A propaganda é uma linguagem que nasceu muito ligada ao modelo econômico, onde o lucro, acima de qualquer coisa, dava as ordens e fazia as regras. De certa maneira, fiz a minha vida profissional vivendo a publicidade e tentando, ao mesmo tempo, fazer uma leitura crítica deste meu trabalho. Na verdade, os profissionais de propaganda não têm muito tempo para pensar e não vejo deles qualquer tipo de preocupação  em refletir sobre o que fazem. No início da minha profissão, trabalhei muito pouco com produtos dirigidos às crianças. Trabalhei com alguma coisa para bebês. Lembro de ter feito algo sobre alimentação, sobre sucrilhos. Quando somos jovens vivemos em um mundo próprio e acabamos não tendo ideia do que é o Brasil. A partir de um amadurecimento, você vai percebendo o absurdo de determinadas coisas que você produziu. Lembro-me do choque de ver o Programa da Xuxa. A apresentadora fazia uma referência ao café da manhã dos brasileiros, mostrando uma bandeja cheia de frutas, com uvas verdes e morangos. Olhava para aquilo e dizia: “Meu Deus!” Aquele programa estava chegando para todo o país. Para lugares que não consomem uvas. No Norte do Brasil, as pessoas conhecem frutas maravilhosas, mas não conhecem uvas.

– A publicidade que pasteuriza
Na realidade, você começa a perceber que não existe ‘a’ televisão, ‘a’ propaganda, que não existe ‘o’ mundo. Existem, sim, vários mundos, vários públicos, várias realidades e que, de uma forma ou de outra, nossa TV pasteuriza o Brasil. Acho que só muito recentemente as pessoas começaram a descobrir e a mostrar este outro Brasil que a gente tem. O que ainda não acontece na propaganda. A cozinha que eu vou mostrar no comercial tem que ser a de última geração, porque é a cozinha que eu quero ter. O marido tem que ser o mais bonito porque é aquele que eu quero ter. O filho tem que ser bonitinho porque este é o filho que eu sonho um dia em ter. Ou seja, a publicidade trabalha o desejo das pessoas por meio de um modelo imposto. E o modelo que chega para a classe privilegiada é o modelo americano e o europeu que não têm nada a ver com a nossa diversidade e riqueza. A propaganda tende a pasteurizar, assim como a mídia em geral. Tende a querer achar o que é bonito e certo. Não vê o bonito na diversidade. É preciso ter um olhar sensível para ver que há outros tipos de beleza e estética. A propaganda ainda está muito longe desta reflexão. Está muito distante de refletir sobre essas pequenas atitudes, que podem ter impactos profundos na transformação de valores. Acho que quem dá mais poder ao publicitário é o próprio publicitário. Mas ele não se dá conta do poder que ele tem quando sua produção é veiculada na TV.

– O estabelecimento de desejos e a construção do futuro
A publicidade cria valores e preconceitos. E estabelece, o que é mais incrível ainda, visão de futuro. Vivi, certa vez, uma experiência com um rapaz de 20 anos, negro, morador da Rocinha (favela localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro) e que sofre todos os preconceitos por ter tais características. Não importa o que tenha feito, ele sempre é o primeiro a ser pego pela polícia. Ele apareceu no escritório com a marca da ‘nike’ na cabeça. Eu perguntei: “Renato, você sabe o que você colocou na cabeça?” Ele disse: “Uma marca”. “Uma marca de quê?”, indaguei. Ele sequer sabia que era uma marca da ‘nike’. Este símbolo, uma espécie de sinal, é captado pelas gerações como algo que tem valor. A publicidade tem que ter consciência de suas ações. Na hora em que eu estou vendendo uma boneca, estou passando valores desta boneca para a criança que está assistindo ao comercial. No momento em que anuncio um brinquedo, estou vendendo valores. Muitas vezes eu me pergunto, por exemplo, o que a mídia e os nossos comerciais têm a ver com a gravidez na adolescência, um problema gravíssimo no Brasil. Na verdade, o comercial é um grande buraco em que se passam estilos de vida.

– O papel dos pais
Acho que tanto os pais quanto os professores devem ver a TV, e tudo o que sai dela, não como um ‘ser’, mas como uma coisa que está sujeita a críticas e avaliações. Críticas que permitem eu dizer: “Isso eu acredito”. “Nisto, eu não acredito”. “Eu quero comprar isto”. “Eu não quero comprar isto”. É preciso ver os conteúdos como instrumentos que possibilitem a discussão de temas para a educação. De uma forma geral, acho que os programas de TV estão preocupados em trazer temas para pensar.

– O papel das escolas e das universidades
Comunicação e a educação têm tudo a ver. Acredito que os professores deveriam estudar marketing e comunicação, pois, às vezes, os comerciais conseguem ser mais diretos e bem sucedidos do que os professores. Acredito que o espaço da educação é o espaço de se fazer comunicação. A gente só aprende fazer comunicação fazendo. Só conseguimos visualizar que podemos editar a fala de uma pessoa, se soubermos editar. Editando, você entende que é possível construir um jeito de entender as coisas que pode não ser a verdade. Isto simplesmente acontece porque você editou de certa maneira. É uma forma interessante de aprender a ler a mídia. Por outro lado, é preciso que as universidades também repensem os currículos das faculdades de publicidade. Um jovem de 20 anos ainda não foi pai, ainda não viveu crises que só vivenciará daqui a alguns anos. O problema é que muitas vezes é este mesmo jovem que está trabalhando dentro de uma agência. Sua única motivação é criar uma coisa engraçada, que tenha impacto e que renda algum prêmio. Ele só vai perceber, anos depois, a mensagem que ele criou e o seu impacto na sociedade. Hoje, vários ex-alunos vêm conversar comigo. Dizem que só agora eles entendem, quando seus filhos são vítimas de alguma brincadeira ou piada, aquilo que eu passava para eles.

Publicidade e criança

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Qual é a influência que a publicidade exerce sobre as crianças e os adolescentes? Por que vários setores da sociedade vêm ao longo dos anos lutando para impor limites à propaganda dirigida ao público infantil? Afinal, o que está em jogo?

Na semana em que 24 empresas brasileiras dos ramos de alimentação e bebida assinaram um acordo de não mais focar seus comerciais para a garotada (saiba mais sobre o assunto), a revistapontocom traz para os seus leitores algumas reflexões de duas especialistas da área: a publicitária Nádia Rebouças e a professora Rita Ribes.

Ao participarem do programa Encontros com a Mídia, da Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio (MultiRio), Nádia e Rita analisam o sistema publicitário, a ética e o papel da família e da escola.

Acompanhe as reflexões:

Nádia Rebouças – publicitária, diretora da Rebouças & Associados

Rita Ribes – professora e pesquisadora da Uerj

Comunicação e mobilidade no Brasil

Wi: journal of mobile media é um periódico digital canadense que se dedica ao estudo e discussão sobre mídias móveis. Sua última edição, em língua inglesa, se dedica ao cenário da comunicação e da mobilidade no Brasil. A edição traz artigos de especialistas brasileiros, como André Lemos, Lucas Bambozzi, Gilson Schwartz, Lucia Santaella, Sérgio Amadeu, Fernanda Bruno, Fernando Firmino da Silva e Eduardo Pellanda.

Confira, a seguir, a apresentação de cada um dos artigos:

– Mobile Communication: the Brazilian Paradox
Eduardo Campos Pellanda

Cell phones are one of the icons of the post-modern age because they represent many possibilities converged in one single device. They connect people, and at the same time, they are used more generally to organize life through textual, audio and video platforms…

– Locative Media in Brazil
André Lemos
Paradoxically, mobility media are localization media. It is interesting to note that locative media, which emphasize places, are furnished by mobility technologies that combine devices (laptops, smart phones, PDA and…

– Risky Approximations between Site-Specific and Locative Arts
Lucas Bambozzi

I’d like to address the term ‘site’ as a field of semantic migrations, as migrations that occur due to cultural dislocations, linguistic operations, technological influences, poetic licenses or theoretical digressions.

– “We are as We Move On”: Motoboys Iconomic Evolution in São Paulo
Gilson Schwartz

Man is born free, and everywhere he is in chains. Many a man believes himself to be the master of others who is, no less than they, a slave. How did this change take place? I do not know. What can make it legitimate?

– Multifaceted Communication Processes: Which Theories?
Lucia Santaella
In the South American context, especially in Brazil, the main theories adopted by scholars of communication studies for decades have been the critical theories rooted in the Frankfurt School…

– Distributed Surveillance: Video, Monitoring and Mobility in Brazil
Fernanda Bruno

Surveillance and mobility have historically maintained close relations: the demarcation of borders and territorial protections, the control of migration and the flow of people, goods, diseases etc. all represent ancient lineages of the intersections between these two processes…

– Mobile Technologies as Production Platforms in Brazilian Journalism
Fernando Firmino da Silva

Mobile communication studies have expanded from within various disciplinary areas (in sociology, communication, cyberculture and cultural studies, for example), instigated by they way that practices arising from the emergence of new digital mobile technologies1 and wireless connection…

–  Wireless Internet Access: The Same Old Problem and the City?
Fabio B. Josgrilberg

Over the last few years, the provision of wireless broadband internet access has become part of governmental agendas at all levels, and in many different locations (Middleton & Crow, 2008). This inclusion of yet another ‘new technology’ on the political agenda, however, belies…

– Clouds of Open Connection: Open Spectrum, Digital Television and Digital Inclusion
Sergio Amadeu da Silveira

Low income communities and individuals in Brazil are now grasping the importance of the Internet. The boom in blogs and user-friendly databases worldwide have greatly expanded hypertextual writing and the production of news and information across the web. Even television programs disseminate…

Funk: agoniza, mas não morre

Por Rodrigo Nascimento
Psicólogo e integrante do Observatório de Favelas

Há cerca de cem anos, um ritmo musical criado a partir das expressões culturais de origem africana desenvolvidas pela população de negros recém-libertos da escravidão aglutinava em torno de si uma série de temores e preconceitos sociais. Essa expressão popular e, por extensão, os donos das vozes e corpos de onde ecoavam batucadas, danças e versos reverberavam ainda as marcas, estigmas e estereótipos negativos então vigentes, moldando a imagem – e a cor – do marginal, do malandro, do vadio, da devassidão, libertinagem e imoralidade. Todo esse contexto motivou a proibição desse fenômeno cultural, “duramente perseguido nas esquinas, nos botequins, nos terreiros”…

Bem, acho que eu nem preciso dizer que é do samba que estou falando, do samba que superou esse passado e hoje é exaltado como patrimônio cultural do nosso povo. Esse mesmo samba, “negro, forte e destemido”, que revive hoje um apogeu, sendo encontrado em qualquer canto da cidade maravilhosa, ignorando fronteiras nebulosas e cidades partidas, e que tem na Lapa seu ponto de maior efervescência de encontros e trocas sociais, artísticas, afetivas, corporais e monetárias.

Da mesma forma, levando obviamente em consideração as formas de expressão contemporâneas, o funk assume agora esse papel de vilão, e o funkeiro, por extensão, é atingido por uma saraivada estigmatizante da mídia, dos órgãos governamentais e de parte da opinião pública. O funk carioca – em vez do que acontece no exterior, onde seus ritmos, tambores e artistas são celebrados – em seu próprio berço é dominado por um viés preconceituoso e míope que alimenta a imagem de uma música e uma cultura criada por e para bandidos, espécie de trilha sonora da criminalidade e da pornografia. Desse modo, essa visão limitada ignora a imensa heterogeneidade de seu público, a sua história de conquistas e a força do movimento ao longo do tempo, assim como a magnitude de suas possibilidades expressivas.

Do mesmo modo que outrora o samba foi reprimido, toda e qualquer menção ao universo funk – um corte de cabelo, um modo de se vestir, de falar e se comportar socialmente – são condenadas e tomadas como indício de marginalidade. Indício que se potencializa com a presença de outros referenciais preconceituosos como a cor da pele e o local de moradia.

Um primeiro passo para que esses desmandos e preconceitos sejam superados e eliminados do imaginário popular é reconhecer de uma vez por todas que o funk é uma manifestação cultural brasileira, nascida do entrecruzamento da cultura pop e da música negra estadunidense com o cancioneiro popular nacional. Apesar das evidentes semelhanças com a cultura hip hop, o funk carioca possui uma unidade e um universo próprio de temas, valores e expressões lingüísticas, musicais e coreográficas distintas. Ao versar sobre a realidade das favelas e das periferias da cidade, o funk se apresenta como meio de expressão dos sonhos, angústias, sentimentos e idéias pulsantes no cotidiano de milhares de pessoas, assumindo ares de uma crônica urbana peculiar.

Dado esse primeiro passo, evidencia-se o papel do Estado em desenvolver políticas públicas de estímulo à produção e difusão dessa manifestação cultural. Cabe ao Estado construir parcerias e encampar a realização dos bailes e eventos relacionados ao funk, cumprindo seu dever de fomentar a cidadania e promover o direito à cultura e ao lazer, estimulando a produção artística, disponibilizando espaços apropriados para a realização de bailes, segurança para o público, banheiros químicos, etc.

Do mesmo modo que o samba foi envolvido pela “fidalguia do salão”, sofrendo inúmeras transformações em sua estrutura que geraram diversos outros formatos e estilos, o funk também possui essa possibilidade de miscigenação cultural. Com um pouquinho de imaginação e conhecimento de história da cultura popular, já podemos antever a proliferação de movimentos de resistência do tipo ‘funk de raiz’, e daí por diante. Mas para isso é preciso, antes de mais nada, permitir que o funk se desenvolva e se espalhe pela cidade, dialogando com outras manifestações e grupos culturais, colaborando ainda, dessa forma, para um projeto de cidade integrador e democrático – somente possível a partir da multiplicação de encontros e do livre trânsito da diferença.

O funk, assim como o samba, “agoniza, mas não morre”, e sempre encontrará um aliado “antes do suspiro derradeiro”. Resta ao Estado e à sociedade de modo geral cumprir esse papel – ou do contrário ele será cumprido por outros mecenas, nem sempre desejáveis. A repressão indiscriminada a um movimento de cultura popular pode significar uma grande chance que o Estado de Direto perde na consolidação de investimentos e valores sociais, econômicos e simbólicos, e somente contribui assim por criar novos vácuos de poder que correm o sério risco de serem – ou, em alguns casos, continuarem a ser – mal ocupados.

Publicado pelo site do Observatório das Favelas

Prêmio para projetos inovadores: inscrições abertas

Estão abertas até 31 de outubro as inscrições para o Prêmio Criação de Valor Compartilhado, iniciativa que pretende estimular organizações, empresas e indivíduos em todo o mundo a desenvolverem projetos sociais voltados para questões envolvendo água, nutrição e desenvolvimento rural. As inscrições podem ser feitas pelo site e o vencedor, que receberá uma bolsa no valor de 500 mil francos suíços (cerca de R$ 900 mil), será anunciado em abril de 2010, durante o Fórum Mundial Criação de Valor Compartilhado, que será realizado pela Nestlé.

Segundo o edital, podem ser inscritos projetos ainda no papel ou em andamento, desde que demonstrem inovação. O prêmio reconhecerá ações inovadoras para aperfeiçoar o gerenciamento e o acesso à água, que proporcionem melhorias às comunidades rurais ou que levem a avanços na nutrição das populações que sofrem de deficiências nutricionais. O valor da bolsa será concedido à medida que as ações propostas no planejamento forem sendo executadas junto à comunidade. 

Inscrições no site

Empresas redefinem publicidade para crianças

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Vinte e quatro empresas brasileiras dos ramos de bebida e alimentação assinaram, na última terça-feira, na sede da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), um acordo pelo qual se comprometem publicamente a não investir em publicidade, seja em que mídia for, voltada para crianças menores de 12 anos. A decisão entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2010. Entre as instituições signatárias estão Coca-Cola, Unilever, Nestlé, Sadia e McDonald’s.

Pelo documento, que também prevê limitações em propagandas nas escolas, as empresas deixarão de fazer publicidade diretamente para crianças e pré-adolescentes, e os pais passarão a ser o público-alvo. A decisão de compra ficará nas mãos dos pais, apesar do conhecido poder de convencimento dos pequenos consumidores.

As entidades signatárias também se comprometem a promover, no contexto de seu material publicitário e promocional, quando aplicável, práticas e hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e/ou a realização de atividades físicas. Todas têm até o final deste ano para estabelecer e divulgar suas diretrizes individuais para a publicidade infantil.

De acordo com a ABIA, a instituição usou diversos estudos científicos para convencer os associados à entidade e à Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) da importância de criar restrições à publicidade de alimentos e bebidas para as crianças.
Países como EUA, Canadá e de parte da União Europeia já criaram regras para tirar o público infantil do foco das empresas e agências de publicidade. Algumas multinacionais, como Nestlé, Unilever e a Kraft Foods, já adotavam no Brasil uma linha muito parecida de comunicação, de acordo com o código de conduta das matrizes.

A Nestlé, por exemplo, abandonou a divulgação da linha infantil de alimentos nas escolas e deixou de fazer a degustação dos lançamentos nos supermercados. Até a Walt Disney aderiu à guerra contra os alimentos não saudáveis e limitou o licenciamento de seus personagens aos produtos que se enquadrem em certos critérios para caloria, gordura, gordura saturada e açúcar.

Confira, na íntegra, o acordo assinado e a relação nominal das 24 empresas

Desenhos animados produzidos pelas crianças

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O Cartoon Network entrou na era da produção colaborativa. O canal dedicado aos desenhos animados e que têm como público-alvo as crianças lançou a campanha Cartoon Network em suas mãos.

No site, a garotada, com o consentimento de seus pais ou responsáveis, deve escolher um dos desenhos animados do canal – Ben 10, As meninas superporderosas ou As terríveis aventuras de Billy e Mandy – e criar o seu próprio storyboard, misturando as cenas já prontas e disponibilizadas. É possível acrescentar diálogos escritos e até mudar o tom da trama para humor, suspense ou ação.

Os participantes poderão enviar seus desenhos animados até o dia 31 de agosto, quando serão encerradas as inscrições. Todas as histórias ficarão disponíveis no site para que os visitantes acessem e votem em suas favoritas. Aquela que for a campeã de votos será animada pelos profissionais do Cartoon Network e transformada em uma vinheta de 30 segundos. A produção será exibida no Dia das Crianças. Os três autores das histórias mais criativas, que também serão julgadas por um comitê, receberão vale-compras no valor de R$ 1 mil para ser trocado por brinquedos.

participe do concurso

Baixaria na TV: confira a insatisfação dos telespectadores

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Jogo aberto, Pânico na TV e SuperPop. Estes são os três programas campeões de reclamação. Pelo menos é o que aponta o 16º ranking de baixaria na TV, divulgado na última quarta-feira, pela coordenação da campanha Quem financia a baixaria é contra a cidadania, da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Do último ranking, anunciado em outubro de 2008, foram recebidas 874 denúncias. Apelo sexual, incitação à violência, apologia ao crime, desrespeito aos valores éticos da família e horário impróprio foram as principais reclamações que nortearam a elaboração do novo resultado.

O primeiro lugar ficou com o Jogo Aberto, programa esportivo da TV Bandeirantes, alvo de 88 denúncias fundamentadas e analisadas pelos pareceristas da campanha.  Dentre os cinco programas mais denunciados, dois são reincidentes: o SuperPop, da Rede TV!, que já havia figurado nos rankings de 2006 e 2008, e o Pânico na TV, da mesma emissora, que esteve presente no levantamento de 2008.
Outros dois programas listados são regionais, veiculados apenas na Bahia: Na Mira (TV Aratu/SBT) e Se liga Bocão (TV Itapoan/Record), ambos de gênero policialesco.

Para elaborar o ranking, foram avaliados os cinco programas de televisão que receberam maior número de denúncias, analisadas pelo Comitê de Acompanhamento da Programação. Esse colegiado é formado por representantes das mais de 60 entidades da sociedade civil parceiras da campanha, que teve início em novembro de 2002 e já registrou mais de 35 mil denúncias de telespectadores.

Confira o resultado do 16º ranking:

1º – Jogo Aberto ( Bandeirantes): 88 denúncias = desrespeito às torcidas de futebol, incitação à violência, vocabulário impróprio.
2º – Pânico na TV (Rede TV!): 69 denúncias = exposição de pessoas ao ridículo, apelo sexual, palavras de baixo calão.
3º – SuperPop (Rede TV!): 33 denúncias = excesso de nudez e exposição de pessoas ao ridículo.
4º – Na Mira (TV Aratu/SBT – Salvador/BA): 31 denúncias = sensacionalismo, apologia à violência e desrespeito à pessoa humana.
5º – Se liga Bocão (TV Itapoan/Record – Salvador/BA): 22 denúncias = desrespeito à pessoa humana, incitação à violência e ao ódio.

Bienal do Livro: 14ª edição traz novos espaços

Está confirmado: a 14ª edição da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro acontecerá entre os dias 10 e 20 de setembro, no Riocentro. Além dos tradicionais lançamentos, bate-papos com autores, oficinas, palestras e autógrafos, o evento deste ano promete novas experiências e espaços para prender a atenção dos visitantes. Floresta de Livros, Livro em Cena e Mulher & Ponto! são algumas das novidades.

A literatura norte-americana também vai ganhar espaço. Os EUA são o país homenageado da edição 2009. “Há muitos anos temos a intenção de homenagear os Estados Unidos. Acreditamos ser uma escolha natural, considerando as similaridades entres as nossas nações, as mais populosas das Américas, marcadas pela mistura de raças e nacionalidades, países jovens, caracterizados pela criatividade e vitalidade de seus povos”, afirma o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Roberto Feith.

Por conta da homenagem, já estão confirmadas as presenças de grandes revelações da literatura americana, como Steven Jay Schneider, autor de 1001 Filmes para ver antes de morrer; Andrew Keen, autor do O culto ao amador, onde diz que a internet está matando a cultura; e Meg Cabot, autora do best seller O Diário da princesa

Para orientação dos interessados, a revistapontocom publica, abaixo, as principais atrações do evento.

Informações gerais, acesse o site oficial

Floresta de Livros – Espaço cenográfico de 800 m² voltado para o público juvenil e escolar. Com o patrocínio do Instituto Pró-Livro, o local vai misturar informação e entretenimento de forma lúdica. O curador é João Alegria, diretor e roteirista de TV, do canal Futura.

Livro em Cena – Grandes nomes das artes – cinema, teatro e TV – serão convidados para ler trechos selecionados de obras de importantes escritores brasileiros. A curadoria do espaço será da D+ Produções, das sócias Marcia e Joana Braga, e a direção será de Paulo José.

Mulher e Ponto! – O público feminino representa mais da metade do número de leitores no país, por isso a Bienal vai dedicar um espaço exclusivo para as mulheres. Com a curadoria de Sonia Biondo, jornalista, escritora e produtora, o espaço terá sessões de debates com autores para falar de comportamento, literatura, filosofia, valores, relações afetivas, tudo sob a perspectiva feminina. 

Exposição – Os visitantes terão acesso à exposição José Olympio – o editor e sua casa, uma homenagem a um dos principais editores do século passado, responsável pela publicação de obras de nomes como Gilberto Freyre, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Jorge Amado. A mostra ocupará 300 m² e tem a curadoria de José Mario Pereira Filho e projeto museográfico de Victor Burton.

Café Literário – Sucesso entre os frequentadores, o bate-papo informal e intimista continua na programação da Bienal 2009. Autores brasileiros e internacionais são convidados a debater temas em sessões descontraídas sobre processo de criação, ideias, livros, personagens, gêneros etc. Ítalo Moriconi, professor de Literatura da UERJ, escritor e crítico literário, cuidará das sessões.

Concurso CNN de jornalismo

Saiu a relação dos vencedores do 5º Concurso Universitário de Jornalismo CNN. Os participantes tiveram que produzir uma reportagem de TV sobre o seguinte tema: o uso da tecnologia no desenvolvimento social.  O primeiro lugar ficou com o estudante Marcos César de Oliveira Pinheiro, da Universidade Federal do Amazonas. Marcos fez uma matéria sobre a revolução no processo de juta e malva. O estudante ganhará uma viagem para os EUA para conhecer os estúdios da CNN.

Confira, abaixo, as reportagens dos cinco primeiros colocados:

Aprendendo com os índios

Até o dia 5 de outubro, crianças e jovens, de 9 a 18 anos, da América Latina e Caribe, poderão inscrever seus trabalhos no Concurso de Pesquisa Lacvox. Por meio das categorias rádio, imprensa escrita, televisão, fotografia ou cartaz, a garotada deve responder a seguinte questão: o que podemos aprender com as formas tradicionais de conservação do meio ambiente praticadas pelos povos indígenas? Os vencedores serão premiados como câmeras digitais, gravadores de vídeo e televisões LCD.

A inscrição de trabalhos pode ser individual, em grupo independente ou por meio de uma instituição de ensino. O júri avaliará a pesquisa do tema, o tratamento da informação, a originalidade e a criatividade da produção.

Promovido pelo Unicef e parceiros, o objetivo do concurso é incentivar crianças e adolescentes a se interessarem pela questão ambiental e, ao mesmo tempo, aprenderem sobre os métodos de preservação adotados pelos povos indígenas. Além disso, a iniciativa pretende motivar meninas e meninos a pesquisar sobre como as populações indígenas preservam o meio ambiente.
O concurso está sendo realizado no contexto das celebrações dos 20 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança, comemorada em 20 de novembro.

Confira todas as regras

ABZ do Ziraldo

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A TV Brasil estreia, no dia 23 de agosto, o ABZ do Ziraldo. Por meio do novo programa, o escritor e cartunista vai incentivar a leitura e estimular a imaginação e a criatividade das crianças. São 38 programas de 42 minutos, que serão exibidos aos domingos, às 12h. “É o primeiro programa infantil que tem como apresentador a figura de um avô”, brinca Ziraldo.

O programa será recheado de vinhetas gráficas de desenhos do próprio Ziraldo e intervenções bem humoradas de onomatopéias, presentes na obra do cartunista. A cada domingo, também será convidado um escritor para divulgar sua obra. Entre eles, Ruth Rocha, Adriana Falcão, Bia Bedran, Elisa Lucinda e Joel Rufino.

“Adorei o programa. Acho o Ziraldo utilidade pública no assunto educação para crianças. Na minha época de infância era o Monteiro Lobato – não que tenha deixado de ser – mas o Ziraldo escreve um novo tempo. A criança fica comprometida com a criatividade. Ele futuca a educação escolar e faz a criança usar a criatividade e o pensamento. O Menino Maluquinho é o símbolo da liberdade e é isso que o Ziraldo faz com a mente das crianças, dá liberdade para pensar e ser criativa”, afirmou Elisa Lucinda.

Outra atração fixa do programa é o editorial do Ziraldo, em que o apresentador fala com a plateia – formada por crianças – sobre cidadania, meio ambiente e campanhas a favor da leitura. O ABZ do Ziraldo ainda abre espaço para o contador de história, com apresentação rica de objetos cênicos, acompanhamento musical e interatividade. Bruxas, gnomos, fadas, princesas e todo o universo mágico que povoa o imaginário da criança farão parte do programa.

Caminhos da Educomunicação: utopias, confrontos e reconhecimentos

Por Ismar de Oliveira Soares
Professor da Universidade de São Paulo (USP). Vice-presidente da World Council For Media Education

O texto, em espanhol, discute a trajetória do conceito e da prática educomunicativa na América Latina, a partir de autores consagrados e especialmente da prática da sociedade civil. Acaba de ser publicado na revista colombiana Nómadas, editada pela Universidad Central de Bogotá.

Confira

Meios e processos audiovisuais: nova área de estudo

Projeto: Meios e Processos Audiovisuais
Instituição: USP
Localização: São Paulo

O programa de pós-graduação em Meios e Processos Audiovisuais, sediado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, foi aprovado na última reunião do Conselho Técnico Científico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CTC-CAPES). O programa vai se dedicar aos estudos sobre cinema e audiovisual.

A iniciativa reúne pesquisadores das áreas do cinema, do vídeo, da televisão, do rádio e das mídias digitais, especialistas com formação em estética, literatura, história, artes visuais, arquitetura, ciências sociais, cinema, vídeo e mídias digitais, que pesquisam o cinema e os meios audiovisuais como um sistema diversificado de práticas e ideias, envolvendo os seus processos específicos de reflexão, criação, produção e difusão.

O programa conta com três linhas de pesquisa: 1) História, teoria e crítica; 2) Poéticas e técnicas; 3) Práticas de cultura audiovisual. Congrega professores e pesquisadores cujo trabalho aborda, a partir de diferentes perspectivas teóricas, uma variedade de objetos audiovisuais com ênfase na sua constituição e existência empírica.

As linhas de pesquisa propostas procuram agrupar diferentes abordagens de maneira a consolidar grupos já estabelecidos e estimular grupos em constituição, especialmente nas áreas de economia, legislação e difusão. O edital de seleção para mestrado e doutorado será divulgado nos próximos meses.

contato – www.usp.br

Fonte – Intercom

Memórias do passado da literatura infantil

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Um mosaico original e dinâmico – formado por fragmentos da memória oral de editores, escritores, críticos e ilustradores – está ao alcance de todos no projeto digital Memórias da Literatura Infantil e Juvenil, do Museu da Pessoa. Um mundo de histórias de gente grande, que foi criança, mas não deixou de lado o universo infantil.

”Aqui, a Ruth, a Ângela, o Ziraldo, a Tatiana, a Ana Maria e outros tantos aparecem não como escritores, ilustradores, editores ou promotores de cultura que são, mas como pessoas do mundo que narram, como a gente toda narra, um pouco do que viveram de sua infância e descoberta, de suas alegrias e dores de viver e fazer. Aparecem-nos neste espaço como pessoas quaisquer, em suas singularidades, oferecendo ao leitor a palavra que diz suas vidas, suas memórias antigas e recentes, seus fazeres e sonhares”, destaca a proposta do projeto.

Vídeos, textos, imagens, unidos pela tecnologia e pela arquitetura da hipermídia, trazem curiosidades da vida dos que fizeram e fazem a literatura infanto-juvenil. Trata-se de uma enciclopédia virtual e aberta à participação dos interessados, que podem interagir nos fóruns do site e por meio dos comentários.

Os professores que visitarem o projeto também têm a oportunidade, inclusive, de acessar o livro Memórias da Literatura Infantil e Juvenil – edição do educador. A publicação tem o objetivo de apresentar e discutir caminhos para a prática educativa, visando inserir e utilizar as histórias de vida como parte do trabalho com a literatura e a formação de leitores. A obra busca fazer um diálogo entre os conteúdos do site e a sala de aula.

Também é imperdível a Linha do Tempo, criada a partir dos relatos dos entrevistados. Uma riqueza de dados e fatos históricos, como a publicação, em 1857, do primeiro livro de literatura infantil. Traduzido do francês por Mateus José da Rocha, seu título era O tesouro dos meninos. Ou o fechamento da editora Giroflê, especializada em literatura infantil, em 1964, nos tempos da ditadura militar.

conheça o site

Literatura, ciberespaço e jovens: novos rumos na rede

Conheça a proposta da série voltada para o público juvenil

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Por Marcus Tavares

Os livros têm um formato original, instigante e de acordo com a linguagem da geração dos nativos digitais. Os conteúdos são atualíssimos: relação entre o público e o privado, cyberbullying, distúrbios associados ao corpo, ansiedade, limites entre o certo e o errado e a dificuldade de estabelecimento de relações afetivas sinceras. As obras – que fazem parte da série Rumos na Rede (Editora Moderna) – são voltadas para o público juvenil, mas vêm despertando a curiosidade de muitos adultos.

Coordenadora do projeto, Maria Luiza Abaurre concedeu uma entrevista à revistapontocom. Ela explica porque a literatura, o ciberespaço e os jovens são ingredientes de uma combinação perfeita. Combinação que tem o objetivo de aproximar dois universos “comumente vistos como distantes ou quase excludentes: o do livro e o da internet”.

Ao trabalhar com temas polêmicos do dia a dia dos adolescentes digitais, a série não quer “demonizar” o ciberespaço, mas, sim, refletir sobre comportamentos humanos que, ali, parecem ter sido exacerbados. “O objetivo maior é favorecer a construção de novas competências, para que os leitores possam lidar cada vez melhor com emoções e relacionamentos vividos no mundo real”, destaca Maria Luiza Abaurre.

Acompanhe:

revistapontocom – Literatura e ciberespaço combinam?
Maria Luiza Abaurre
– Se considerarmos que na base da criação literária está a possibilidade ilimitada de imaginar mundos ficcionais ou recriar, ficcionalmente, a realidade, vamos concluir que a literatura tem, ao longo da história humana, demonstrado um poder de adaptação muito grande a diferentes suportes e formatos. Então, literatura e ciberespaço combinam muito. Não podemos nos esquecer de que, na origem, a criação literária ocorria somente no espaço da oralidade e, com o advento da escrita, a literatura rapidamente se adaptou às novas possibilidades e desenvolveu inúmeras formas e gêneros próprios para o universo da escrita. O mesmo tem acontecido em relação ao ciberespaço. Os blogs, hoje, são uma importantíssima ferramenta de criação e divulgação de textos literários de qualidade. Podemos imaginar, por exemplo, que autores que, no século XIX, ficavam “restritos” a manuscritos não publicados, hoje conseguiriam, por meio de um blog, divulgar seus textos e poemas para todos aqueles que, navegando pela rede, estivessem dispostos a conhecê-los. Portanto, o ciberespaço veio ampliar, e muito, o universo de leitores potenciais. Isso é excelente.

revistapontocom – Literatura, ciberespaço e jovens combinam?
Maria Luiza Abaurre
– Quando a gente leva em consideração que um jovem de 15 anos nasceu depois do surgimento do computador pessoal, do e-mail, da internet; quando nos damos conta de que esse mesmo jovem tinha quatro anos quando surgiu o ICQ, cinco anos quando foram criados os primeiros tocadores de mp3, 11 anos quando o Orkut foi lançado, entendemos que o mundo dele é muito diferente do de seus pais e professores. Nenhum de nós imagina o que era viver sem televisão ou telefone, mas nossos pais precisaram aprender a lidar com esses objetos como parte da vida cotidiana. O mesmo é verdade para nós: temos de aprender a lidar com o universo virtual como um dado constitutivo do mundo em que vivemos. E precisamos entender porque é tão natural para os jovens habitar o ciberespaço. Essa é a configuração do mundo que eles conhecem. Não faria sentido ser diferente. Nada mais natural, portanto, do que pensar em uma série de livros que promova a relação entre a literatura e o ciberespaço, criando, assim, condições para que esses jovens vivam de modo intenso o prazer da leitura e se deem conta de que o poder de criação da literatura é tão grande, que ele inclui, também, os muitos universos virtuais.

revistapontocom – Qual é a proposta da série Rumos na Rede?
Maria Luiza Abaurre
– A ideia central da série é aproximar dois universos comumente vistos como distantes (ou quase excludentes): o do livro e o da internet. Se a gente considera que uma das funções primordiais da literatura é oferecer a possibilidade para refletirmos sobre a realidade e sobre comportamentos humanos, fica mais fácil compreender porque a nossa intenção é criar, por meio dessa, condições para que os jovens discutam alguns dos temas e dramas que marcam a adolescência em um mundo predominantemente digital. No caso específico dos jovens e do ciberespaço, o distanciamento que permite a reflexão torna-se praticamente inalcançável, porque o processo de fabulação está na essência das relações ali estabelecidas. Esperamos, com as narrativas da série, criar um contexto que, por recriar ficcionalmente dilemas e angústias característicos desse novo espaço, favoreçam a construção de novas competências, fundamentadas em valores positivos, que privilegiem as emoções e os relacionamentos vividos no mundo real.

Conheça os três livros da série:
O colapso dos bibelôs
A menina da árvore
Presas na teia

revistapontocom – O título da apresentação dos livros é Ciberespaço: a fronteira final. Mas pergunto: o que vem depois do ciberespaço?
Maria Luiza Abaurre –
Quando reconhecemos que o ciberespaço se define como o domínio do virtual, da experiência absoluta da criação infinita de “realidades”, é difícil imaginar o que vem depois dele. Acho que ainda há muito por ser criado em termos das possibilidades de vivências dentro do próprio ciberespaço. A web 2.0, por exemplo, introduziu ferramentas que tornaram muito mais simples a interação entre indivíduos no universo virtual. As redes sociais partiram desse conceito e facilitaram mais ainda a criação de comunidades virtuais, o contato entre pessoas que provavelmente jamais se conhecerão, a experiência de uma alteridade impossível no mundo real. Hoje vemos o Brasil mergulhado na “febre” do twitter. As pessoas estão fascinadas pela possibilidade de passar o dia informando o que estão fazendo, em micro-textos de 140 caracteres. É quase como se tivessem a necessidade de narrar a própria vida à medida que ela está sendo vivida. Se alguém nos dissesse, cinco anos atrás, que a proposta de divulgação de micro-textos teria um efeito como esse, provavelmente não acreditaríamos. Bastou surgir a ferramenta para que milhões passassem a utilizá-la. A pergunta não me parece ser, portanto, o que está além do ciberespaço, mas sim quais novas ferramentas surgirão para nos permitir explorar ainda mais o seu potencial.

revistapontocom – Os temas dos livros são instigantes, polêmicos e do cotidiano dos jovens. Como foi o processo de escolha dos autores e dos assuntos?
Maria Luiza Abaurre
– A série foi concebida para criar espelhos ficcionais que ofereçam aos jovens a possibilidade de refletir sobre importantes temas associados à definição da própria identidade e o impacto que a “vida” no ciberespaço tem nesse processo. Os temas precisavam, portanto, tocar em questões importantes para os jovens e, ao mesmo tempo, permitir que eles se dessem conta de como a experiência do ciberespaço tem, em muitos casos, potencializado essas questões. Por esse motivo, já na apresentação da série, eu sugeri algumas questões que me pareceram importantes e que, até aquele momento, não haviam sido ficcionalmente trabalhadas: a relação entre o público e o privado; o cyberbullying (a ampliação do poder de intimidação criada pelo universo virtual); a dificuldade no estabelecimento de relações afetivas sinceras (como saber que o outro com quem eu me relaciono não é uma “máscara” criada somente para me agradar). Essas são apenas algumas das questões inicialmente propostas. É importantíssimo destacar, porém, que a intenção da série não é “demonizar” o ciberespaço e, sim, refletir sobre comportamentos humanos que, ali, parecem ter sido exacerbados. O objetivo maior, como dissemos, é favorecer a construção de novas competências, para que os leitores possam lidar cada vez melhor com emoções e relacionamentos vividos no mundo real.

revistapontocom – A estética do livro é parecida com a do blog. Conteúdo e forma: como foi estabelecida a interface?
Maria Luiza Abaurre
– Uma série como essa precisava de um projeto gráfico compatível com a proposta geral. Particularmente acho que a solução encontrada pelo autor do projeto, Ricardo Postacchini, foi muito feliz, porque ele conseguiu, dentro das limitações do papel, recriar não exatamente a tela de um computador, mas a disposição visual característica dos blogs. Os leitores vão descobrir que cada um dos títulos da série foi ilustrado por três blogueiros — Weberson Santiago, Thiago Cruz e Klayton Luz — e que eles, em diversos momentos, fazem comentários na lateral do texto sobre as ilustrações que criaram. Nada disso seria possível no formato tradicional do livro.

revistapontocom – Como os leitores têm reagido?
Maria Luiza Abaurre
– Os jovens que tomam contato com os livros gostam muito. Uma boa medida para essa reação é a participação deles no blog criado para cada um dos três títulos já lançados e mantido no site da série: http://www.rumosnarede.com.br/rumosnarede. As autoras Tati Bernardi (de A menina da árvore), Índigo (de O colapso dos bibelôs) e Rosana Hermann (de Presas na teia) criaram um conjunto de questões que funcionam como uma “provocação” para o debate entre leitores de todo o país. É muito interessante ver como eles interagem, discutem as respostas uns dos outros, refletem sobre a própria experiência que têm no ciberespaço a partir da análise que fazem dos comportamentos das personagens dos livros lidos.

revistapontocom – Quais são os desdobramentos da série? O que vem por aí?
Maria Luiza Abaurre
– Estamos em contato com outros autores para desenvolverem novos títulos para a série. Por enquanto, porém, não dá para falar muito sobre isso. Precisamos esperar que esses livros sejam lançados.

Pensamento Negro Contemporâneo: o curso

Projeto: Pensamento Negro Contemporâneo
Instituição: Universidade de Brasília (UNB)
Localização:  Brasília

Na próxima semana, a Universidade de Brasília estará de portas abertas aos interessados em estudar a história do movimento negro no país. Temas como racismo, resistência negra, cultura e identidade, políticas de ações afirmativas e representação social serão abordados no curso Pensamento Negro Contemporâneo, promovido pelo Núcleo de Promoção da Igualdade Racial da UnB. A disciplina é gratuita e oferecida desde 2006 aos alunos de graduação como módulo livre e como curso de extensão aos funcionários da UnB, docentes da rede particular e privada, universitários de outras instituições e estudantes do Ensino Médio.

Edson Cardoso, um dos professores, propõe uma revisão da abolição da escravatura até a atualidade. Autores como Lima Barreto, Guerreiro Ramos, Abdias Nascimento e Muniz Sodré constam na bibliografia. Os estudantes de Cardoso também acompanham a mídia e debatem filmes e documentos sobre os negros.

“A diversidade de matrículas possibilita discussões ricas. A aula não é propaganda do ativismo nem se direciona apenas aos negros e cotistas. Nós traçamos a sequência do pensamento histórico por meio de leituras. É importante valorizar uma tradição que normalmente é desconhecida pela academia. Estudamos a cultura negra a partir da literatura, da sociologia e da política”, conta Cardoso.

Contato – www.unb.br

Cyberbullying: a agressão entre os nativos digitais

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Por Marcus Tavares

Cyberbullying: agressão verbal e escrita por meio das tecnologias digitais. Pesquisadores da Universidade de Navarra (Espanha) apresentaram, em maio deste ano, um trabalho sobre o assunto no V Congresso sobre Comunicação e Realidade, organizado pela Faculdade de Comunicação de Blanquerna, em Barcelona.

O levantamento Cyberbullying: uma análise comparativa com estudantes de países da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela mostra de que forma a agressão faz parte da vida dos alunos. Os números podem ser baixos ou, de acordo com a literatura internacional, inexpressivos. Mas o fato é que estamos apenas no início do século XXI, na democratização das tecnologias digitais e nas primeiras gerações de nativos digitais.

Segundo os autores, o cyberbulllying é “o envio e a postagem de textos ou imagens maldosas ou cruéis na internet ou outros meios digitais de comunicação”. A agressão, que cresce devido ao rápido avanço das novas tecnologias, pode ser realizada por um indivíduo ou um grupo de modo deliberado e repetitivo.

Confira o artigo publicado pelos pesquisadores

“Através do computador, a vítima recebe mensagens ameaçadoras no e-mail e no MSN. Enviam-lhes imagens obscenas, insultos em chats. O agressor(es) pode(m), até mesmo, criar blogs ou websites para promover conteúdos difamatórios. A natureza móvel das novas tecnologias tira o sossego das vítimas, o que faz do cyberbullying uma forma de violência invasiva que ameaça os estudantes até fora da escola. Portanto, e como não acontecia no bullying tradicional, o lar já não é um lugar de refúgio para a vítima, que continua recebendo SMS ou e-mails”, destaca trecho do artigo.

O trabalho dos pesquisadores – que se baseou na pesquisa A Geração Interativa na Ibero-América – mostra que 2.542 estudantes dos sete países investigados reconheceram que foram prejudicados por meio do celular e do MSN. Do total, 12,1% experimentaram alguma forma de cyberbullying. Entre as duas ferramentas, o celular foi o mais usado para efetivar a agressão.

O levantamento destaca que 22,4% dos meninos e 13,4% das meninas usaram o celular ou o MSN para prejudicar alguém. Por outro lado, 19,25% dos meninos pesquisados e 13,8% das meninas afirmaram já terem sido vítimas de cyberbullying.

– Cyberbullying no celular
13,3% reconheceram o uso do celular para ofender alguém. Entre os países com maior porcentagem de agressão destacam-se a Venezuela e o México. Por outro lado, a porcentagem de alunos que se sentiram prejudicados foi de 6,4 %.

No Brasil…
8,4 % usaram o celular para ofender alguém
4,3% foram prejudicados por meio do celular

– Cyberbullying no MSN
4,4% reconheceram ter usado o Messenger para prejudicar alguém. De todos os países, o Chile sobressai com 7,2%. A porcentagem de alunos que se sentiram prejudicados foi de 5,6 % e o país com maior porcentagem de vítimas foi o Brasil, com 8,2%.

No Brasil…
4,7% usaram o MSN para ofender alguém
8,2% foram prejudicados por meio do MSN

Tipos de violência verbal e escrita através das novas tecnologias

Flaming: envio de mensagens vulgares ou  hostis

Agressão on-line: envio repetido de mensagens ofensivas

Cyberstalking: ameaças de dano ou intimidação excessiva

Difamação: mensagens cruéis sobre uma pessoa a outras ou comentários em lugares on-line

Substituição ilegal da pessoa: fazer-se passar pela vítima, difamando-a

Outing: mensagens sobre uma pessoa contendo informação sensível, privada ou constrangedora

Exclusão: cruel expulsão de alguém de um grupo on-line.

Audiência pública: publicidade mais saudável

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Por Marcus Tavares

Comerciais de alimentos com quantidades elevadas de açúcar, de gordura saturada, de gordura trans, de sódio e de bebidas com baixo teor nutricional somente poderão ser veiculados na TV e no rádio entre as 21 às 6 horas. Também não será mais permitida a oferta de brindes, prêmios e bonificações condicionados à compra de alimentos. Brinquedos, filmes, jogos eletrônicos e qualquer tipo de mídia não poderão mais fazer merchandising com estes produtos. E mais: será vedada a produção de material educativo voltado para meninos e meninas que incluam ou façam alusão a este grupo de comestíveis e bebidas.

Confira o projeto da Anvisa

Essas são algumas das novas regras que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende por em prática. De acordo com a Anvisa, a publicidade é uma das principais estratégias utilizadas para a divulgação de alimentos com perfil nutricional inadequado.
O objetivo é diminuir o avanço das chamadas Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), principalmente, junto ao público infantil.

Segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, as DCNTs são responsáveis por quase 50% das mortes no país. Pesquisas revelam que, num intervalo de 20 anos, a obesidade de crianças e jovens triplicou: de 4,1%, em 1975, de acordo com o Estudo Nacional da Despesa Familiar – 1974/1975, para 13,9%, em 1996, pelos cálculos da Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde – 1997.

Na verdade, a proposta da Anvisa está em debate desde 2006. Na ocasião, a agência colocou o projeto sob consulta pública, para receber críticas e sugestões. De lá prá cá, pouca coisa mudou efetivamente em virtude de pressões políticas e interesses econômicos.
No entanto, uma nova discussão está marcada. No dia 20 deste mês, a Anvisa vai promover uma audiência pública, em Brasília. O evento será realizado no auditório da própria agência (SIA, Trecho 5, Área Especial 57, Bloco E , Térreo).

“Em todo o mundo, a propaganda de alimentos, especialmente os anúncios voltados para crianças, transformou-se numa importante arma para os grandes negócios. No Brasil, como em qualquer outro lugar, a maioria dos comerciais trata de alimentos energeticamente densos, elevados em calorias que geralmente também são pobres em vitaminas e minerais. Crianças gostam desses anúncios, e consomem prontamente os produtos anunciados. Numa pesquisa com crianças entre 6 e 13 anos, 70% mostraram interesse em provar estes alimentos depois de assistirem à propaganda na televisão. 40 a 66% das crianças já haviam consumido pelo menos um produto anunciado no dia anterior e 75% compraram os alimentos anunciados na TV com ofertas de brindes ou prêmios. Os percentuais são ainda maiores entre crianças dos grupos com menor renda e escolaridade”, afirma Corinna Hawkes, diretora do Programa de Pesquisa em Qualidade e Mudança dos Padrões de Alimentação do International Food Policy Research Institute, de Washington (EUA).