O clube do filme e o gênero do livro

Por Aristóteles Berino
Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares (UFRRJ) e Pesquisador dos Grupos Estudos Culturais em Educação e Arte  e Currículos, redes educativas e imagens (UERJ)

Comprei o “blockbuster” Clube do Filme em uma megastore. Estrategicamente situado na loja, logo o título me chamou a atenção, especialmente porque já entrei na loja procurando livros sobre cinema, tendo em vista uma pesquisa que começaria em breve. Apanhei o livro e o anúncio que se tratava de uma narrativa a respeito de um pai que havia substituído a frequência escolar por três sessões semanais de filme com o filho, aguçou minha curiosidade para uma experiência que devia ser conhecida, trabalhando como professor.
  
Percorri as folhas do livro buscando alguma coisa que pudesse interessar a minha pesquisa. A sugestão de que filmes poderiam dizer alguma coisa, no lugar das aulas, pareceu suficientemente estimulante para passar no caixa e levar o livro para casa. Provavelmente por outros motivos, não fui o único interessado. Agora, começo de agosto, é um dos títulos mais vendido na loja. De um modo geral, pelo inusitado que conta, a narrativa do livro é atraente. Jesse, de 15 anos, errático como estudante, poderia sair da escola se assistisse a filmes escolhidos pelo pai, David Gilmour, crítico de cinema, também com problemas, mas de emprego.

Não deixa de surpreender inicialmente a história de um rapaz canadense com problemas de inadaptação escolar. Para quem trabalha no magistério, no Brasil, essa parece ser uma história comum, mas própria do “subdesenvolvimento” do país, poderíamos pensar. Existem, é verdade, aqueles filmes americanos que mostram desajustados nas escolas, mas lá há de tudo mesmo. Também estamos acostumados a admitir. Mas sobre o Canadá, já não suspeitamos muito sobre seus problemas nas escolas. Então, pelo contraste da realidade social e a exibição de um problema comum, há a esperança de uma leitura estimulante, com o desejável encontro de alguma “lição” pedagógica do cinema, produzida por um pai inconformado com o virtual destino do “fracasso escolar” do filho.

Já entregue à leitura do livro e mirando meu interesse no uso de filmes com uma finalidade didática, recebo de Gilmour uma dica importante: “eles deviam apenas ser bons, clássicos, quando possível, mas sobretudo envolventes”. Para quem deseja mostrar filmes com aspirações pedagógicas, esse pode ser um problema inicial: O que mostrar? Exibir filmes mais seletivos, recomendados pela crítica especializada, com resultados cinematográficos mais fecundos, mas provavelmente vistos sem interesse por um público juvenil mais amplo, ou preferir filmes mais acessíveis ao gosto de garotos e moças na idade escolar, com abordagens mais convidativas e sedutoras para o enredo de suas vidas?

Gilmour resolve o impasse com uma relevante consideração: “O que eu não podia era ficar indiferente ao prazer de Jesse, ao seu apetite para entretenimento. É preciso começar de algum lugar…”. Observação de um pai que poderia ser seriamente considerada por qualquer educador. Diante da disposição juvenil para a “animação”, isso não é coisa que se despreze ou contenha. É um ponto de partida e o cinema como parte de uma didática responde bem a esse desafio da comunicação e do envolvimento. Pesquisando entre as produções de todo tipo, haverá sempre um bom filme para iniciar uma atividade pedagógica.

Mas é exatamente em relação ao norte pedagógico que Gilmour apresenta a perspectiva mais arisca e sedutora, como educador que também é: “Eu escolhia os filmes de maneira bastante aleatória, sem ordem particular”. Ao propor que Jesse assistiria a filmes, então, no lugar das aulas, há um contrato que não poderia ser quebrado pelo filho. Mas a escolha dos filmes não obedecia a um projeto definido, com um resultado final que deveria ser alcançado. Eram mais as ocasiões, as circunstâncias, que proporcionavam a ideia de uma determinada sequência de filmes. “Prazeres culpados”, por exemplo, pretendia mostrar ao filho, em um determinado momento, que era possível “encontrar prazer num filme bobo. É preciso aprender a se entregar a essas coisas”.

A leitura do livro mostrará que o mais importante, frequentemente, não era a retenção dos eventuais conhecimentos proporcionados pelos filmes, embora Gilmour sempre solicitasse a atenção de Jesse, para notáveis aspectos cinematográficos. O mais importante eram as próprias conversas que se seguiam as exibições. Livres, tombavam mais para as experiências da vida do que para o lado erudito ou sofisticado da apreciação dos filmes. E a narrativa do livro, muitas, vezes, vai escapar do “clube do filme” e seguir as aventuras do filho e a vontade do pai, de algum modo, estar presente, dialogando, interessado nos acontecimentos que conviviam com sua juventude.

Observada a singularidade da relação pedagógica em questão no livro – Jesse estava fora da escola e trata-se de uma relação entre pai e filho – é possível, mesmo assim, considerar a relevância também escolar do seu método. Não necessariamente a ausência de um plano de curso ou de um projeto para as ações que se pode empreender como educador. Mas certamente, diante de qualquer intenção de educar, o espírito aberto para o aproveitamento das inúmeras circunstâncias da vida que cruzam o trabalho escolar (e os filmes) e até mesmo dar corda para oportunidades não previstas entre os conteúdos determinados para o ensino, além do desejo primário da conversa e da comunicação.

Acredito que uma das possibilidades da leitura de Clube do livro como obra pedagógica é a de, com o cinema, reunir valores educativos para a contemporaneidade, sem pretender ser um livro rigorosamente sobre educação. Educação é um ato que se espalha e os educadores são muitos. Ela acontece fora da escola e também os pais são (podem ou devem ser) pedagogos. O livro nos permite uma vista desta complexidade que é o enredo da educação, necessária para encarar os desafios que estão postos agora, no Canadá ou no Brasil. Mas é também o caráter cativante do livro que nos conduz para outras observações, necessárias, mas inexistentes no circuito elogioso que o livro recebeu na mídia.

Não tenho conhecimento da carreira internacional do livro. Mas no Brasil parece mesmo muito boa. No mesmo shopping onde comprei Clube do livro, uma importante livraria trouxe Gilmour e Jesse para uma concorrida conversa com seus leitores. Estive lá para assistir também. O fato editorial e comercial do livro não deve ser desconsiderado na sua apreciação. Trata-se de uma narrativa cuidadosamente elaborada para atingir um público vasto. Isso não é necessariamente ruim, é claro. Mas deixa suas marcas, que precisam ser identificadas. Uma dessas marcas é a escolha de uma escrita com elementos ficcionais que enfeitam o texto com um tingimento literário, de gosto relativo, que procura encantar o leitor: “Do lado de fora, o tempo fechava. Começava a nevar; flocos deslizavam pelas vidraças”.      

Em todo o livro, esses elementos puramente ficcionais parecem ultrapassar a fronteira do recurso estilístico colocando em cheque a exposição das experiências narradas: trata-se de episódios vividos ou estão aí, no livro, principalmente para compor o roteiro de uma história que, sobretudo, deve ter um resultado comercial satisfatório? Isso acontece especialmente quando Gilmour conta seus diálogos com Jesse, inseridos na narrativa, apesar da improvável lembrança de todas as conversas efetivamente mantidas. No encontro promovido pela livraria, Gilmour conta que sequer pretendia escrever Clube do livro quando viveu com seu filho a improvável história do abandono da escola para assistir filmes com o pai. Na verdade, não importa quando a história foi decidida de ser contada. O fato é que quando foi criada visava ser um best seller e isso deve ser considerado na sua análise como livro de educação que também é.

Mas interessado por questões de gênero, outro aspecto do livro chamou mais a minha atenção para uma necessária crítica. Sem dúvida, um dos achados da história de Gilmour e Jesse é a possibilidade de uma encantadora relação paterna, quando os emblemas do patriarcado são duramente atingidos na nossa época. E para preservar a fabulosa história da educação de um rapaz sob os cuidados de um dedicado pai, que toma para si essa responsabilidade, amorosamente, tão bem sucedida a ponto de que Jesse voltará para os estudos, fará estudos universitários e hoje escreve roteiros (ele contou isso no encontro também), mulheres aparecem, sobretudo, de forma residual (a atual esposa de Gilmour e a mãe de Jesse), ameaçadora (as paixões de Jesse e os antigos amores de Gilmour) ou sem significância (personagens lembradas ao longo do livro).

Avançando na leitura, esse deslocamento feminino, e até alguma repulsa dirigida às mulheres, me chamaram atenção, e resolvi anotar algumas passagens já próximas do fim do livro. Entre as páginas 211 e 227, encontramos: “jovem mulher traiçoeira”, “a angústia provocada por Chloë”, “Tina na cozinha”, “a chinesa do outro lado da rua”, “eu superei a Rebecca; agora vou superar a Chloë”, “fiz uma rápida retrospectiva da lista de mulheres que me abandonaram”, “umas poucas moças magrelas”, são alguns exemplos. Há misoginia no livro e isso também não pode ser ignorado, na apreciação da aventura pedagógica de Gilmour com Jesse, tal como ela é contada. Esse é também um dos segredos da valoração da relação paterna bastante elogiada como exemplar na divulgação e elogio do livro. Segredo que precisa ficar nu.

De todo modo, do encontro na livraria, um comentário de Gilmour resumiu o que há de mais incerto e, portanto, aberto, contributivo, na sua história com Jesse: “A educação de um filho é algo misterioso demais”.

Profissão Repórter

Redescobrindo a notícia e a audiência

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Por Marcus TavaresCaco Barcellos e sua equipe de jovens repórteres vão às ruas, juntos, para mostrar diferentes ângulos do mesmo fato, da mesma notícia. Cada repórter tem sempre uma missão, um desafio a cumprir. Será que eles vão conseguir? No Profissão Repórter, você acompanha tudo. Os desafios da reportagem. Os bastidores da notícia.Esta é a chamada do programa Profissão Repórter, da Rede Globo. Há dois anos em cartaz, o telejornalismo já ganhou oito prêmios da crítica. Do público, uma audiência cativa que chama a atenção. Afinal, trata-se de um programa jornalístico sem estrelas, sem apelos de violência ou sexo e exibido depois das 23 horas em plena terça-feira.

Comandada pelo jornalista/apresentador Caco Barcellos, a equipe do Profissão Repórter é formada por jovens recém formados em jornalismo que participam de todas as fases de produção do programa. Jovens à procura de um olhar diferenciado.

“Aqui, queremos quebrar o paradigma de que repórter é aquela coisa dura, sem sentimento, sem envolvimento, fora do movimento natural da vida. Nós, assim como nossos entrevistados, somos bastante humanizados. Isso que acredito ser o grande diferencial do programa. Talvez seja uma das razões do sucesso enorme do projeto”, explica Felipe Suhre.

Ator e jornalista, formado pela UniverCidade, Felipe integra a equipe de repórteres desde abril deste ano. Na bagagem, várias histórias. Entre um e outro programa, Felipe concedeu uma entrevista à revistapontocom, na qual diz o quanto a experiência é enriquecedora.

Acompanhe:

revistapontocom – Como você chegou ao programa Profissão Repórter? Há quanto tempo você integra a equipe?
Felipe Suhre –
Logo que conclui a faculdade, em junho do ano passado, enviei à direção do programa algumas matérias que havia feito durante o curso. O diretor gostou e me chamou para conversar. Passei um dia todo na redação, conheci os outros repórteres e, finalmente, o Caco Barcellos. Depois de uma longa conversa com o Caco e o diretor, Marcel Souto Maior, fiquei de fazer um programa como teste. Isso, para minha angústia (risos), só aconteceu seis meses depois dessa data. Porém, felizmente, deu certo. O programa marcou minha estreia no Profissão Repórter, em 14 de abril deste ano.

revistapontocom – Qual é o objetivo do programa? É uma nova forma de fazer jornalismo?
Felipe Suhre
– Acredito que o objetivo do programa é fazer um jornalismo responsável e diferente do padrão habitual. Aqui, queremos quebrar o paradigma de que repórter é aquela coisa “dura”, sem sentimento, sem envolvimento, fora do movimento natural da vida. Nós, assim como nossos entrevistados, somos bastante humanizados. Isso que acredito ser o grande diferencial do programa. Talvez seja uma das razões do sucesso enorme do projeto.

revistapontocom – O que é notícia para o programa? Como ele é pautado? Construído?
Felipe Suhre
– O Profissão Repórter quer estar aonde quase ninguém vai. Dentro de prisões, de clínicas para dependentes químico, de hospitais psiquiátricos… Procuramos sempre pautas com bastante ação também. Além disso, nosso programa quer entrar na vida das pessoas e mostrar a vida delas. O Caco defende e a gente assina embaixo: em vez de me falar da sua vida, me mostre a sua vida.

revistapontocom – Como é o dia a dia da equipe de repórteres?
Felipe Suhre
– A gente troca bastante. O interessante da nossa rotina é que temos muita liberdade. Todos dão opinião, erram e acertam juntos. Estamos sempre aprendendo um com os outros. Além disso, como trabalhamos quase sempre em dupla (um repórter fazendo a entrevista e o outro gravando), o nosso convívio é muito intenso.
 
revistapontocom- O que mais lhe instiga? Quais são os desafios?
Felipe Suhre
– Acho que o mais instigante é o fato de fazermos tudo: escolhemos a pauta, produzimos, vamos para a rua realizá-la, decupamos e sugerimos um roteiro de edição. Nesse último momento, temos uma troca importantíssima com nossos editores experientes. Então, dá pra imaginar o quanto é instigante e motivador.

revistapontocom – Em tempos de interatividade e jornalismo participativo, de que forma o público participa?
Felipe Suhre
– O Profissão Repórter tem um blog (www.globo.com/profissaoreporter) que tem um número enorme de acessos. Recebemos muitas críticas (positivas e negativas), sugestões de pautas, comentários em geral. É o nosso principal canal com o público, além do dia a dia nas ruas, claro.

revistapontocom – Qual é a receptividade do programa?
Felipe Suhre
– É enorme. Impressionante. O programa vem conquistando um grande respeito. Entra no ar às 23h30 e dá uma audiência média de 20 pontos. E nas ruas sentimos isso fortemente. As pessoas comentam, se emocionam, criticam. É muito bacana essa troca.

revistapontocom – Sua visão sobre a profissão mudou depois de participar do programa? O que mudou? Por quê?
Felipe Suhre
– Mudou muito. Conviver com o Caco Barcellos é uma experiência transformadora. Ele é um exemplo de integridade e profissionalismo. Poderia ficar horas escrevendo aqui. E a gente acaba por absorver essa filosofia. Hoje venho entendendo a nossa responsabilidade, a dimensão do nosso trabalho. Além disso, percebo a importância de duvidar de tudo que a gente lê e assiste. O jornalismo está muito unilateral, coorporativo. A gente tenta dar voz a muita gente que não tem.

revistapontocom- Como você analisa o fim da exigência da obrigatoriedade do diploma do jornalismo?
Felipe Suhre
– Confesso que concordo com essa decisão. Acho que nossa profissão é bastante generalista. Tenho certeza que um economista vai escrever e falar muito melhor do que eu sobre economia. A faculdade passa a ser um diferencial, oferece alguns instrumentos técnicos. Muita gente diz que estudou quatro anos em vão. Com todo respeito, isso me soa um pouco como papo de quem está desempregado. Acho que o diferencial nessa profissão é a sua vivência, o seu olhar sobre o mundo, seu valores. Aprender a segurar um microfone e falar direito, qualquer um aprende. Sensibilidade para perceber o outro e os problemas, não se ensina.

Afinal, de quem é a censura?

Por Romeu Tuma Júnior
Secretário Nacional de Justiça
 
Alguns por desconhecerem o que realmente foi a censura e outros por interesse em fomentar a confusão sobre o assunto insistem em ligar a classificação indicativa ao passado autoritário. Assim a polêmica (ou “falsa polêmica”) freqüenta um pequeno, porém influente círculo.

Não há duvida de quanto os conteúdos audiovisuais podem influenciar na formação de crianças e adolescentes, tanto para o bem como para o mal, evidentemente. Essa questão é atual e sua discussão é sempre válida, embora a preocupação seja antiga. A previsão da proteção de crianças e adolescentes quanto a conteúdos audiovisuais que podem prejudicar a sua formação existe há 18 anos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e há 21 na Constituição Federal (CF).

Para embasar a execução da política pública da Classificação Indicativa, a Secretaria Nacional de Justiça, do Ministério da Justiça realizou pesquisa, que revela, em seus dados preliminares, que a maioria das famílias com filhos entre 8 e 17 anos compreende a Classificação Indicativa e 74% estão preocupados com o que as crianças e adolescentes assistem na televisão. A Classificação Indicativa é uma informação clara e precisa destinada às famílias.

Mesmo assim, sempre há alguém disposto a fazer a infeliz comparação entre Classificação Indicativa e censura. Para desqualificar a Classificação Indicativa (principalmente com relação a obras na TV), ainda hoje, ouvem-se discursos em favor da liberdade de criação e expressão. É interessante observar que não se está falando na liberdade individual inspirada na declaração universal dos direitos do homem e do cidadão. Aqui o argumento é a liberdade de expressão corporativa, empresarial.

Do que se está falando é da liberdade de poder atingir este ou aquele público ou a liberdade de criar esta ou aquela necessidade de consumo. Pergunte-se, por exemplo, a qualquer autor de telenovela ou minissérie televisiva se lhe é dada à liberdade de criar obra que contrarie a posição política, religiosa ou comercial da emissora? A resposta será, inevitavelmente, de que, se tal liberdade for efetivamente exercida, não haverá espaço de tela para a sua criação. Isto não é demérito algum para os artistas criadores, é apenas a realidade.

Os artistas, de forma geral, estão acostumados, desde tempos imemoriais a “atender pedidos” e isto jamais impediu a manifestação do espírito artístico. Johannes Vermeer, o grande pintor holandês e o próprio Da Vinci, pintaram muitas de suas obras-primas “por encomenda”, sem que isso fosse considerado cerceamento da liberdade da expressão criativa. Por outro lado Van Gogh, a despeito de toda sua genialidade, jamais vendeu uma tela em vida.

Antes de mais nada é importante que se afaste a idéia carregada de hipocrisia (e, em algum momento, de interesse comercial) de que a classificação é um cerceamento da liberdade de expressão. A classificação é informação às famílias acerca de conteúdos audiovisuais presentes na obra que possam ser prejudiciais a formação de seus filhos. Quem deve proibir, ou permitir o acesso a tais conteúdos, são os pais, da mesma forma que escolhem brinquedos e optam por aqueles apropriados à faixa etária dos filhos.

A propósito, tem sido freqüente, mais por emissoras de TV do que por distribuidoras de filmes para cinema, a busca por “reclassificação de obras audiovisuais por adequação”. O eufemismo esconde o que poderia ser chamado, sem meias palavras, de “censura do mercado”.

O pedido de “reclassificação” pretende nova classificação, como se fora obra nova e a “adequação”, que justificaria o pedido é, na prática, a mutilação da obra por iniciativa exclusiva da emissora ou distribuidora, para atingir a um público mais abrangente com exibição o horário e para a faixa etária que lhe interessa.

Recentemente foi lançado no circuito nacional de cinemas filme de terror “reclassificado por adequação”, cuja versão apresentada pela distribuidora suprimiu 26 minutos da obra originalmente apresentada.

Não se sabe se tais cortes acontecem com o conhecimento do autor ou do detentor dos direitos da obra. Nestes momentos, é óbvio, o onipresente argumento do cerceamento da liberdade de expressão criativa não é lembrado.

Ao contrário do que se possa pensar, o modelo brasileiro de Classificação Indicativa é um dos mais democráticos do mundo. Nele, cada emissora ou produtora de filmes, embasada no Manual da Nova Classificação Indicativa, classifica suas obras, atribuindo a recomendação etária aos seus conteúdos, que é homologada (ou não) pelo Ministério da Justiça.

Os critérios do Manual são objetivos e acessíveis a todos que desejarem conhecê-los – www.mj.gov.br/classificacao. Na medida em que cada ente fizer a sua parte de forma consciente e responsável, as classificações autoatribuídas e as deferidas e conferidas pelo Ministério da Justiça tendem a se aproximar. Isto, por sinal, já vem ocorrendo. O número de coincidência de ambas, na TV, já ultrapassa a 89% e há, ainda, fartos exemplos em que a classificação final do Ministério da Justiça é mais branda que a autoclassificação de emissoras de TV e produtoras-distribuidoras de filmes.

Neste contexto vai se tornando cada vez mais claro à opinião da sociedade a distância entre censura e Classificação Indicativa. Cada vez mais, somente é capaz de julgar ambas como sinônimos quem não viveu a primeira ou não conhece a segunda.

Espanhol nas escolas públicas

Mi palabra favorita en español es… A frase está estampada no mural da filial do Instituto Cervantes, em Brasília. Em breve, alunos de escolas públicas brasileiras também serão capazes de completar a sentença, graças ao acordo que visa a promover o ensino do idioma no país, celebrado na última terça-feira, dia 4, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, e pela presidente do Instituto Cervantes da Espanha, Carmen Caffarel.

A carta de intenções, assinada na presença da vice-presidente da Espanha, Maria Teresa de La Vega, tem o objetivo de promover o ensino da língua espanhola no Brasil por meio da educação a distância. O Instituto Cervantes, centro de ensino com sede na Espanha, com nove filiais no Brasil, será responsável por formar professores brasileiros e tornar disponíveis recursos didáticos e técnicos para o ensino do espanhol nas escolas públicas.

O acordo começa com um projeto-piloto, a ser desenvolvido em três fases. A primeira se inicia já em agosto, com a capacitação de 30 professores/multiplicadores, seis de cada região do país. Os professores estarão reunidos no Instituto Cervantes do Rio de Janeiro, com despesas pagas pelo próprio MEC, para aprender a metodologia do centro de ensino, por duas semanas. Em seguida, serão tutores de 600 alunos, em aulas a distância.

No fim do ano, representantes dos dois países vão se reunir na Espanha para avaliar o projeto-piloto e determinar os próximos passos, entre eles, o número de escolas e de alunos que poderão participar, inicialmente, das aulas e quando elas devem começar. Com a parceria, pretende-se alcançar desde os alunos do 5º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio.

Educação financeira na TV

Estreia neste sábado, dia 8, na TV Cultura, o programa Educação Financeira. Em parceria com a BMF & Bovespa, a proposta é tratar, de forma simples, temas relacionados às finanças domésticas, como orçamento familiar, endividamento, investimento em ações, poupança e compra da casa própria.

“O Educação Financeira vai além de formar investidores. Visa a educar e oferecer capacitação em temas econômicos. O programa vai destrinchar assuntos complicados sem apelar para a superficialidade”, avisa Paulo Markun, presidente da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura.

Com duração de 12 minutos, a série será exibida aos sábados, sempre às 10h15. Cada episódio foca um tema a partir de exemplos do cotidiano do brasileiro. Serão tratados assuntos como endividamento; aposentadoria e educação dos filhos; compra da casa própria; poupança, CDB e Tesouro Direto; ações e mercado futuro.

O programa de estreia fala da origem do dinheiro, em que a apresentadora Denise Chahestian conta a trajetória dos meios de negociação na humanidade, desde os tempos em que as mercadorias eram trocadas em feiras até os dias atuais.
Além do programa na TV Cultura, também será criado um site com dicas de finanças pessoais, enquetes sobre o assunto discutido na semana, além da reprise das edições exibidas anteriormente.

Leia mais:
Somar, dividir e subtrair: a importância da educação financeira

Os jovens viveriam sem o MSN?

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Realmente é impossível ficar sem entrar no MSN. É um vício, quando você vê, você já está lá e não consegue mais parar de usá-lo. Eu gosto de entrar só para ver quem está online. Às vezes, é para conversar. O MSN representa para mim uma forma de entretenimento, de comunicaçã0 mais legal e divertida. É tudo de bom.
Luanna Tavares, 16 anos. 

 
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 Não me vejo vivendo sem o MSN. Ele é uma forma de nos comunicarmos com os amigos, de contar as fofocas, de nos sentirmos mais perto das pessoas! Ele representa uma tecnologia. Posso ficar nervosa por não ter ninguém para conversar ou nenhum assunto que role por meio dele, mas sem ele ficaria pior.
Daniella Castro, 16 anos.

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Não dá para viver sem o MSN. Por meio dele, eu consigo desenrolar as garotas para eu ficar. Porque pessoalmente eu tenho vergonha. O MSN representa tudo para mim.
Felipe Dell’Arm, 16 anos.  

 

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Viver sem o MSN não dá. Mas eu consigo ficar sem ele por alguns dias. Por meio dele, consigo me comunicar com pessoas distantes, meus familiares que moram longe de mim. Ele representa  também uma maneira de poder falar com algumas pessoas que, pessoalmente, tenho muita vergonha.
Anna Fernanda Lopes, 16 anos.


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O MSN é uma forma de nos comunicarmos com o mundo, com a nossa família, amigos etc. Não daria para viver sem o MSN, pois por meio dele posso me comunicar com todos os meus amigos e familiares de forma rápida e instantânea.
Esther Magnelli, 16 anos.

MSN completa 10 anos

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Por Marcus Tavares

Por meio dele, grande parte das pessoas conversa durante todo dia e sobre os mais diversos assuntos. Para crianças e jovens, é indispensável. Como diria o sociólogo canadense, Marshall McLuhan, o MSN (Microsoft Service Network) é uma das principais extensões do corpo humano do início do século XXI.

E não é para menos. Aos dez anos de idade, completados agora em 2009, o comunicador instantâneo, que se popularizou no Brasil, está presente em quase todo o mundo e em 36 idiomas. São cerca de 330 milhões de indivíduos que usam a ferramenta. São trocadas 9,4 bilhões de mensagens por dia. O blog oficial da Microsoft avisa: se o MSN fosse uma nação, seria o terceiro país do mundo, depois de China e Índia.

O que pensam os jovens sobre o MSN? Eles viveriam sem a ferramenta?
Clique aqui e conheça a opinião de alguns adolescentes

Além de possibilitar a troca de mensagens de texto, a ferramenta, hoje chamada oficialmente de Windows Live Messenger, permite a realização de videoconferências e chamadas de voz, a transferência de fotos e arquivos, bem como a integração com o videogame Xbox 360 e uma infinidade de serviços via celular.

“Seja no domínio dos negócios, da amizade ou do romance, o serviço de mensagens instantâneas varreu a nação e tornou-se uma parte essencial do dia a dia das pessoas. Os dez anos são um marco para o Messenger e estamos muito ansiosos por aquilo que os próximos dez poderão trazer”, destaca Mark West, um dos integrantes da equipe do MSN.

Para celebrar o aniversário do MSN, a Microsoft lançou um site comemorativo,
com a linha do tempo da ferramenta, bem como um vídeo no You Tube.

You Tube: a senha para entender o ser humano do século XXI

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Por Marcus Tavares

Junte três das principais emissoras de TV dos EUA. Imagine que cada uma delas tenha produzido uma programação ininterrupta, 24 horas por dia, nos últimos 60 anos. A conta dá aproximadamente cerca de 1,5 milhão de horas. Agora contabilize o número de vídeos/horas postados no You Tube. O professor Michael Wesch, da Universidade de Kansas (EUA), fez os cálculos. Segundo ele, em apenas seis meses, o You Tube ultrapassa a produção de 60 anos das emissoras de TV americanas. Foi desta forma que o professor iniciou sua palestra na Biblioteca do Congresso Americano dos EUA, no ano passado.

De acordo com Michael, por dia, o You Tube recebe 9.232 horas de produção de vídeo. E o mais interessante: 88% são de conteúdo original. A faixa etária que mais posta é a que está entre 18 e 34 anos (50%). A outra metade é dividida igualmente entre jovens de 12 a 17 anos (25%) e adultos com mais de 35 anos (25%).

Para o professor, coordenador dos estudos do grupo Digital Etnography, que vem pesquisando a utilização e o impacto do You Tube no dia a dia das pessoas, a ferramenta vem imprimindo uma nova forma de autoconhecimento das relações humanas. Na opinião de Michael, mídia não é conteúdo, muito menos ferramenta de comunicação. Segundo ele, a mídia deve ser vista como uma mediação das relações humanas. “Daí o fato de que quando a mídia muda, as relações humanas também mudam”, explica.

Citando os estudos de Barry Wellman, professor de sociologia da Universidade de Toronto e coordenador do Netlab, que pesquisa as redes sociais virtuais, Mike afirma que vivemos, hoje, a cultura da inversão. Uma cultura que se expressa no individualismo, na independência e na comercialização, mas que tem como valores, respectivamente, as comunidades, as relações e a autenticidade.

Em sua apresentação, Michael também cita outros estudiosos para defender a hipótese que o You Tube possibilita que os indivíduos tenham, cada vez mais, o que ele chama de hyper-self-awareness, ou seja, uma hiper consciência de si mesmo. Mike afirma que as pessoas que fazem uso da ferramenta e que postam vídeos, delas próprias, têm a chance de serem vistas e mais do que isso: de se verem.
Esta possibilidade abre um campo de estudo inexplorável até então. De acordo com o professor, neste sentido, a mídia está proporcionando uma conexão entre as pessoas sem coação, sem restrição, sem constrangimento. “As pessoas se sentem relaxadas e têm a liberdade de usufruir a experiência humana sem medo ou ansiedade”, conta.

Para Michael, o You Tube está criando uma nova forma de o ser humano se entender. Em sua apresentação ele destaca que a partir do momento em que o internauta faz uma filmagem de si próprio e posta no You Tube é possível concluir duas coisas: o You Tube é um dos espaços mais privado e particular que existe no mundo. A pessoa pode filmar a sua intimidade mais profunda. E ao mesmo tempo, o You Tube é um dos espaços mais público que existe neste mesmo mundo. Afinal, tudo está ao alcance de um clique.

A tela nossa de cada dia

Dia 11 de agosto: dia de Santa Clara, padroeira da TV

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Por Marcus Tavares

Comemora-se no dia 11 de agosto o Dia da Televisão, em homenagem à sua padroeira, Santa Clara. Desde que foi inventada, em 1926, data de sua primeira transmissão, a TV revolucionou o mundo e as relações humanas. No Brasil, ela chegou nos anos 50, constituindo-se num forte elo de identidade nacional. Diante dela, os brasileiros se veem, se informam, aprendem, torcem, riem e choram.

A tevê está presente em praticamente todos os cinco mil municípios do território nacional, ao contrário de outras mídias, como o rádio, o cinema, o jornal e até mesmo o computador conectado à internet. Trata-se do sexto maior parque de receptores de tevê instalado no mundo. A TV é mais importante do que a própria geladeira. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/2007), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que 94,8% dos domicílios têm televisão contra 91,4% com geladeira.

É exatamente nos domicílios que a televisão ocupa lugar de destaque. Em muitas famílias, as atividades corriqueiras da semana, como a hora de dormir, de ir ao banheiro, de estudar ou de quando serão feitas as refeições, são realizadas, organizadas e mediadas de acordo com a grade de programação da TV, sempre à disposição, oferecendo companhia a qualquer hora do dia ou da noite, funcionando como um símbolo de identificação individual e coletiva.

De um simples eletrodoméstico dos anos 50, a tevê se transformou em um poderoso produto da indústria cultural, alicerce da sociedade de consumo, pelo qual são fornecidas referências que contribuem para a constituição do imaginário e da representação social de classe, de etnia, de nacionalidade. De família, de valores, de moda, de ações e pensamentos. De ser e estar no mundo. Do que é certo ou errado, do moral ou imoral. Do que é ser homem ou mulher. Menino ou menina. De identidade.

O poder da telenovela

E entre todos os produtos da televisão brasileira a telenovela é um dos que mais contribui para a criação e o estabelecimento dessas identidades. Inspirada no folhetim, na literatura originária da França, a telenovela propicia, diariamente, e em horário nobre, a expansão e o debate de dramas privados em questões públicas e de dramas públicos em questões privadas.

Em 1992, por exemplo, a TV Globo resgatou a história dos jovens brasileiros que lutaram e resistiram à ditadura.  No ar, era exibida a minissérie Anos Rebeldes, de Gilberto Braga, com os mesmos elementos da narrativa novelesca. Narrativa que, segundo a mídia da época, foi em grande parte responsável pela volta dos estudantes às ruas, sob o fenômeno que ficou conhecido como Caras Pintadas, que pedia o impeachment do então presidente da República, Fernando Collor de Melo.

Outro exemplo vem da novela Mulheres Apaixonadas, de autoria de Manuel Carlos, de 2003, também veiculada pela TV Globo. Parado na pauta de discussões do Congresso Nacional, o Estatuto do Idoso foi retirado da gaveta, reapresentado, colocado em votação e aprovado pelos parlamentares. O folhetim debatia o dia a dia de um casal de idosos que era desrespeitado pela própria neta dentro de casa. A narrativa mobilizou a imprensa, a sociedade e suscitou diversas discussões.

Na mesma novela, uma mulher era espancada pelo marido, com uma raquete. A emissora afirma que a trama ajudou a colocar na pauta do dia a formulação de uma nova legislação de combate à violência contra a mulher no Brasil. De fato, medidas foram tomadas. O Governo federal promulgou, inclusive, uma nova legislação. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou: “Mulheres do mundo, uni-vos contra os raqueteiros”, fazendo uma referência ao personagem da novela que usava a raquete para bater em sua mulher.

Na historiografia da teledramaturgia brasileira, exemplos não faltam de como a narrativa exerce influência sobre o cotidiano dos telespectadores. Em entrevista à Revista Época, em fevereiro deste ano, o economista Alberto Chong, que coordenou dois estudos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sobre o impacto da telenovela brasileira, afirmou que os folhetins vêm “moldando” as famílias em pelo menos dois aspectos: menos filhos e mais divórcios. De acordo com as pesquisas, quando a protagonista de uma novela era divorciada ou não era cassada, a taxa de divórcio aumentava, em média, 0,1 ponto porcentual.

Para celebrar a data e refletir um pouco sobre o tema, a revistapontocom entrevistou o ator André Arteche, 25 anos, que interpreta o personagem Indra, na novela Caminho das Índias, da TV Globo. André fala sobre o que pensa do produto número um da TV brasileira: a telenovela.

Acompanhe:

revistapontocom – A telenovela ainda exerce grande fascínio sobre os brasileiros?
André Arteche –
O Brasil é um país popular e a novela também. É um encontro perfeito entre gênero e público. A novela desperta temas que serão debatidos nas rodas dos bares, no trabalho, nas escolas…E a televisão feita no Brasil é referência mundial.

revistapontocom – O que é participar de uma novela das ‘oito’ da Rede Globo?
André Arteche –
É uma transformação. As pessoas passam a conhecer você e isto para o ator é fundamental. Permite que se abram outros campos também em teatro e cinema.

revistapontocom – Para que serve a telenovela brasileira?
André Arteche
– Entreter e questionar. A televisão não pode ser cobrada de sempre apresentar programas com fundo social ou cultural. Ela, muitas vezes, tem a única finalidade de entreter, porque a audiência também se sustenta assim, divertindo as pessoas. Mas é claro que isso deve ser mesclado com uma programação que disponibilize informação e conteúdo.

revistapontocom – Há sempre um grande debate entre educadores e produtores de mídia sobre o papel da televisão, e, no caso, da telenovela. Uns dizem que ela é puro entretenimento e que não tem nenhum objetivo de educar. Outros afirmam que ela, pela influência que exerce, mesmo não querendo, educa. Você certamente é de uma geração que cresceu assistindo à TV. O que você pensa sobre este assunto?
André Arteche
– Acho que ‘educar’ talvez não seja a palavra correta. Mas não tenho dúvida que a novela muitas vezes levanta questões importantes de serem debatidas. O Brasil é um país muito grande e saber que boa parte da população pode ter acesso ao mesmo conteúdo já é uma forma importante de comunicação e integração entre estados de um país tão diverso. Claro que existem falhas, mas no final acho o saldo positivo.

revistapontocom – Que tipo de falhas você se refere?
André Arteche
– Os excessos na programação que visam à busca da audiência. Acho que se deve estar sempre atento para que o share e o ibope não comandem a grade de programação. Criatividade é fundamental para isso.

revistapontocom – Você acha que o público ainda confunde bastante realidade com ficção?
André Arteche
– Acho que sim. Quando o público se identifica, ele acredita. Acho que essa confusão é sadia, faz parte da brincadeira. As pessoas querem ser surpreendidas, assim como no teatro e no cinema. Já levei algumas cantadas de confessas Norminhas.

revistapontocom – Pesquisas indicam que os jovens estão cada vez menos ligados à TV e mais à web e as mídias digitais e interativas. Neste sentido, o que você acha que pode vir a acontecer com as telenovelas? Elas terão que ser ‘reiventadas’?
André Arteche
– A ascensão da internet está, sim, associada à queda do ibope da televisão. Mas não porque as pessoas pararam de assistir à TV e, sim, porque agora assistem à TV pelo computador. Acho que a novela não vai acabar, mas, sim, passear em outras mídias. A rádionovela, por exemplo, migrou para a telenovela. Pode ser que no futuro venha a Cybernovela, vai saber?

revistapontocom – O que você pensa sobre a classificação indicativa dos programas de TV? Você acha que a classificação é necessária como forma de orientar pais na escolha e permissão do que seus filhos podem ou não assistir?
André Arteche
– Sem dúvida. Mas acho extremamente difícil, pois é complicador dizer o que é classificação e o que é censura, mas isto é uma questão que deve partir, primeiramente, dos próprios pais. A televisão estabelece a idade e avisa antes, mas quem determina realmente são os pais. Os órgãos reguladores apenas alertam de forma generalizada.

revistapontocom – A novela Caminho das Índias fala sobre traição, loucura, vingança… A obra não é indicada para menores de 12 anos. Você concorda com tal classificação?
André Arteche
– A novela fala sobre traição, loucura, vingança, mas também apresenta uma cultura diversa, alerta sobre discriminação, preconceito e outros temas importantes para uma criança ter contato. Quando eu era criança assistia ao Rambo e não tinha vontade de matar ninguém. Acho realmente que a educação – dentro de casa e nas escolas – influencia infinitamente mais do que um produto artístico, seja ele um filme ou uma novela.

Uma prova de fogo

Olá assinantes da revistapontocom!

Meu nome é Julio e estou aqui para dizer sobre os meus quatro meses no Núcleo Avançado em Educação (Nave). Estar no Nave foi uma conquista pra mim. Passar, com 1500 canditatos, foi uma prova de fogo… Desde o começo, sempre adorei programaçao de games. Por isso, escolhi a escola e tive de brigar com a minha mãe para conseguir entrar, por causa da programação. Quando entrei na escola conheci novos amigos, que serão eternos na minha vida.

A escola me ajuda na integração com o futuro, com seu estilo experimental. Estou encantado com a escola e com tudo o que tem lá. Todos os dias agradeço por estar naquela escola, pois estive entre os poucos que passaram… Os professores são excelentes e sabem muito bem integrar o conteúdo que a escola oferece. E isso acaba nos facilitando imensamente.

O melhor de tudo é o metodo de ensino dessa escola que vai, cada vez mais, inspirar outras escolas a seguirem o mesmo modelo. Muito obrigado pela oportunidade de estar nessa escola!

Julio César Rieger, aluno da Turma 1003
Colégio Estadual José Leite Lopes/Nave-Oi