Sinal verde para um novo caminho

Ao centro, a menina Cristiele. Foto de Edson Frankowiak

Caminhão de sonhos é o título do poema de Cristiele Noronha, de 12 anos, que ficou em primeiro lugar (categoria poesia) no IX Prêmio Denatran de Educação no Trânsito, que tem o objetivo de promover a conscientização das crianças e jovens de todo o país sobre o tema. No próximo dia 26, a menina, de Barra Velha, Santa Catarina, estará em Brasília para receber o prêmio de R$ 5 mil.

Confira a poesia premiada:

Caminhão de sonhos
Cristieli Noronha

 
Sonhei que era um caminhão
Que transportava educação
Sempre estacionava direito
E nunca entrava na contramão
 
A buzina era de utilidade
E não sinal de vaidade
Eu sempre respeitava os pedestres
E os limites de velocidade
 
Ia seguindo meu caminho
Com cargas para entregar
Meu combustível é o carinho
Que distribuo sem parar
 
O nome da transportadora
Se chamava felicidade
E cada vez que eu abastecia
Tornava melhor a cidade
 
O trânsito não era problema
Pois todos seguiam as leis
E quem as desrespeitava
Ia pra autoescola outra vez
 
Sei que um sonho se acaba
E em caminhão não vou me transformar
Mas já sei que de carona
As regras do trânsito eu posso levar.

Cartilha ensina o que fazer em casos de discriminação

cartilha

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo produziu uma cartilha para informar a população sobre seus direitos e providências a serem tomadas em casos de discriminação, racismo ou preconceito. A publicação, elaborada pelo Núcleo Especializado de Combate a Discriminação, Racismo e Preconceito da Defensoria, explica o que é o direito à igualdade, previsto pela Constituição Federal, bem como o direito à diferença, que é a possibilidade de todos viverem segundo sua própria cultura e suas características pessoais, sem discriminação.

acesse a cartilha

A cartilha também informa quais os dispositivos legais que podem ser aplicados nos casos de discriminação racial. Ensina, ainda, todos os passos a serem percorridos por uma vítima de preconceito ou racismo: colher a maior quantidade possível de informações e detalhes sobre o fato (por exemplo nome, telefone e endereço do ofensor e de pessoas que testemunharam o ocorrido), comparecer a uma delegacia para registrar o boletim de ocorrência, e procurar um advogado. Caso a vítima não tenha condições de arcar com as custas judiciais, pode contar com a Defensoria Pública.

2012: O “fim” do mundo

Por Marcelo Gleiser
Professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA)

No fim de semana passado, o filme “2012”, dirigido pelo mestre do cinema-catástrofe Roland Emmerich (de “Independence Day” e “O Dia Depois de Amanhã”), explodiu nas telas mundo afora. Segundo o jornal L.A. Times, o faturamento estimado, só no primeiro fim-de-semana, foi de US$ 225 milhões. Um dos maiores da história. Por que tanta gente quer ver o mundo acabar?

O casamento entre mitos de fim do mundo -no caso, um texto maia extremamente vago- e o poder dos meios de comunicação parece ser irresistível. O que estamos vendo, em grande escala, é a universalidade do medo. O mesmo que fazia as pessoas tremerem durante a Idade Média ou na cordilheira dos Andes quando surgia um cometa no céu, ou quando ocorria um eclipse total do Sol.

Tanto no passado quanto no presente, os céus estão cheios de deuses; e, pelo jeito, a maioria das pessoas ainda acredita que são eles que determinam se vamos ou não viver.

Primeiro, tenho o dever de analisar a base científica do filme. Afinal, como disse um dos personagens, “com todas nossas máquinas e tecnologia, e os maias já haviam previsto isso tudo”. Será? A história começa no fundo de uma mina na Índia, onde cientistas analisam o fluxo de neutrinos vindos do Sol. Até aqui tudo bem, é isso mesmo o que ocorre. Existem vários laboratórios pelo mundo localizados em minas profundas. O maior deles é chamado Super-Kamiokande, no Japão. (http://en.wikipedia.org/wiki/Super-Kamiokande)

Nas cavernas das minas, tubos fotomultiplicadores ultrassensíveis podem acusar a raríssima interação de um neutrino vindo do interior do Sol -uma profusão deles é produzida na fusão de hidrogênio em hélio que gera a energia solar- com moléculas de água em tanques gigantescos. Aliás, cerca de 1 trilhão desses neutrinos solares passa pelo seu corpo por segundo, sem que você se dê conta: por isso, são chamados de “partículas-fantasmas”, capazes de atravessar paredes de aço de quilômetros de espessura como se não existissem.

A história fica absurda quando o cientista indiano explica ao americano que, de uns anos para cá, os neutrinos solares sofreram uma mutação e começaram a interagir intensamente com a matéria no interior da Terra.

Neutrinos sofrendo mutações? Feito bactérias? Darwin virou astrofísico? Não só isso, mas esses neutrinos misteriosamente não interagiam conosco ou com navios e aviões, só com o metal no interior da Terra, causando o seu rápido aquecimento. Neutrinos não sofrem mutações. As estrelas, centenas de bilhões delas só na nossa galáxia, vêm funcionando exatamente do mesmo modo há pelo menos 10 bilhões de anos sem esse tipo de anomalia. Cientificamente, o cenário de 2012 não faz o menor sentido.

Mas, como é um filme e não um documentário, não deveríamos esperar uma ciência precisa; disso, já desisti. (Por coincidência, escrevi um roteiro junto com um colega no qual o Sol também entra em crise. A diferença é que, no nosso caso, a ciência é bem mais sólida. Infelizmente, os estúdios de Hollywood não parecem estar muito interessados.) O que podemos dizer desse medo apocalíptico para 2012?

Em termos concretos, que é uma fabricação. O Sol passa por ciclos, nos quais sua atividade oscila com um período de 11 anos. No máximo do ciclo, uma maior atividade magnética ocorre, e aumenta o número de manchas solares e de emissão de matéria. O próximo máximo é esperado para 2011. Ocorrerão algumas tempestades solares e, como é o caso a cada ciclo, algumas serão maiores, outras menores. Espero que as pessoas não confundam fantasia com realidade e entrem em pânico inutilmente.

Artigo publicado no Caderno Mais da Folha de S. Paulo, dia 22/11/2009

Projeto dribla a falta de acesso e garante informação

  telefone

Por Marcus Tavares

No dia a dia de um grande centro urbano, como Rio e São Paulo, nem nos damos conta de que o acesso ao computador e à internet faz parte apenas de uma pequena parcela mundial. Aqui mesmo no Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Domicílios/2008, somente 31,2% dos lares têm microcomputadores e 23,8% dispõem de internet. Banda larga? Somente 5,2%. Os números são de um país em desenvolvimento, a oitava economia do mundo. O que dirá outros países que ainda estão, em muitos aspectos, mais defasados do que o Brasil?

Como noticiou o jornal Le Monde, conectar-se à internet na África é como telefonar na França dos anos 1960. Conexões aleatórias, velocidade de transmissão terrível, panes inesperadas, às vezes com cortes de eletricidade que tornam inúteis as horas de paciência. “Uma carroça puxada por mula sobre uma autoestrada”, resume um internauta do Moçambique no site da BBC. No Quênia, uma propaganda de internet rápida mostra um executivo furioso batendo a cabeça em seu computador.

Para tentar reverter o quadro de algumas regiões, há dois anos, a ONG Open Mind e a Fundação Grameen, com apoio da Fundação Bill e Melinda Gates, vem implantando o projeto Question Box, um ponto de acesso à internet por voz, um serviço telefônico gratuito e sem fins lucrativos destinado a levar informação a moradores de áreas remotas, sem acesso a computadores.

A proposta é bem simples: por meio de uma central, o usuário entra em contato com um operador do outro lado da linha e pergunta o que quer saber. Esse operador, que está em frente a um computador conectado, faz uma pesquisa na web e responde.

A experiência já foi implantada em regiões da Índia e da África. Em Uganda, a população recorre,  por meio dos celulares, aos 40 agentes do Question Box. Esses agentes ligam para o call center e fazem as perguntas ou põem a ligação no viva-voz para que o próprio cidadão pergunte. Pelo trabalho, os agentes recebem créditos de celular.

Em Pune, na Índia, os usuários acessam o sistema por meio de uma caixa, de verdade, metálica com microfone acionado por um botão. Eles fazem a pergunta e o telefonista, em uma cidade distante, procura a resposta imediatamente na internet ou pede alguns minutos antes de ligar de volta.

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Em entrevista ao jornal New York Times, Rose Shuman, criadora do projeto, disse que o Question Box é, principalmente, uma ferramenta a serviço do desenvolvimento econômico das regiões, já que tira dúvidas e traz informações valiosas para o cotidiano dos agricultores rurais. No entanto, aos poucos, o serviço também vem sendo realizado para obter informações sobre outros temas, como saúde, negócios, educação e entretenimento.

”Mesmo nos próximos dez anos, não acho que você verá áreas como essas sendo conectadas. Por isso, o Question Box continuará sendo uma ferramenta importante para levar às pessoas a informação que elas precisam”, destaca Jon Gosier, executivo-chefe de tecnologia do Question Box.

Fonte – New York Times e Le Monde

Livro resgata o lugar dos impressos efêmeros do século XIX

“Mexendo nessa papelada desprezada que são os efêmeros, descobrimos um Brasil bem mais divertido e original daquele  que aparece nos livros de História”, Rafael Cardoso.

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Por Marcus Tavares

Você, com certeza, não dá muita atenção para aquela quantidade enorme de papeizinhos que é insistentemente oferecida por ambulantes nas principais ruas da cidade. Muito menos para os rótulos das embalagens, cardápios, filipetas, santinhos… Mas saiba que estes papéis têm nome e sobrenome. São chamados de impressos efêmeros. E mais: despertam interesse de pesquisadores, pois, por meio deles, é possível reescrever a história de uma sociedade.

Não é à toa que um dos textos do livro Marcas do progresso: consumo e design no Brasil do século XIX, lançado na semana passada pela Editora Mauad e pelo Arquivo Nacional, aborda exatamente a importância destes papéis. O autor Rafael Cardoso, escritor, historiador da arte e professor da PUC-Rio, destaca as características técnicas do material e o potencial desse acervo para demolir uma série de esquemas históricos estabelecidos, permitindo também traçar a evolução do processo litográfico no país.

Organizado pelas historiadoras Cláudia Hevnemann e Maria do Carmo Rainho, o livro faz um passeio pelas ruas do século XIX, vislumbrando os balcões de lojas, as penteadeiras e armários de cozinha que exibiam rótulos luxuosos ou caseiros, evocando repetidas vezes, em imagens de locomotivas e máquinas a vapor, a velocidade incessante do progresso.

A revistapontocom conversou com Rafael Cardoso para conhecer um pouco mais sobre o universo dos impressos efêmeros.

Acompanhe:

revistapontocom – O que são os impressos efêmeros?
Rafael Cardoso –
“Efêmeros” é um termo usado por pesquisadores de história gráfica para falar sobre os impressos avulsos que costumam ser descartados ou negligenciados, em relação aos cuidados recebidos por impressos mais ‘nobres’, como os livros.

revistapontocom – Quais são as características destes impressos?
Rafael Cardoso –
A rigor, excetuando-se os livros, quase todo impresso é “efêmero”, pois é feito para ter uma duração curta. Mas, na prática, usamos o termo para se referir a uma gama considerável de impressos que não entra nas categorias livro, revista, jornal e nem fazem parte de categorias tradicionalmente colecionáveis como selos, papel moeda, mapas, cartazes etc. Para citar alguns exemplos: rótulos, etiquetas, folhetos, filipetas, calendários, santinhos, cardápios, embalagens, cartões de visita, papéis timbrados e assim por diante.

revistapontocom – Qual era a importância destes impressos?
Rafael Cardoso –
Os impressos efêmeros são geralmente ligados às atividades comerciais. Refletem os costumes e linguagens de sua época com uma espontaneidade e franqueza que, muitas vezes, escapa aos impressos mais formais. Os efêmeros estão para a linguagem gráfica assim como os coloquialismos e a gíria estão para a linguagem verbal.

revistapontocom – O que estes impressos efêmeros nos dizem hoje? Eles representaram uma transição/evolução do dia a dia da sociedade do século XIX?
Rafael Cardoso –
Os efêmeros continuam a ser produzidos a todo vapor. Grande parte da papelada com qual você entra em contato todos os dias é efêmera. Esses impressos não são fenômeno de transição. Eles são um aspecto onipresente da sociedade de comunicação em massa.

revistapontocom – Estes impressos efêmeros são uma característica do Brasil?
Rafael Cardoso –
De forma alguma. Existem no mundo todo. A designação “efêmeros” vem do inglês, aliás. O original é “printed ephemera” (efêmeros impressos). Existem, há décadas, sociedades e coleções dedicadas a esse tema nos países de língua inglesa.

revistapontocom – Ainda existem esses impressos? Qual é o espaço que eles têm hoje?
Rafael Cardoso –
É só olhar à sua volta. Deve ter um monte de impressos efêmeros pertinho de você: na sua mesa, na sua pasta, no seu bolso. Se não tiver, é só ir para a rua. São distribuídos de graça e vendidos em camelôs e bancas de jornal.

revistapontocom – O Brasil desenvolveu uma linguagem própria para esse tipo de impresso?
Rafael Cardoso –
Eu diria que sim. Este é um dos aspectos mais fascinantes do estudo dos efêmeros. Por serem objetos gráficos ‘coloquiais’, evoluem muito rapidamente e acabam assumindo uma inflexão própria em cada lugar, um sotaque, distanciando-se da ‘norma culta’ do bom gosto.

revistapontocom – Que História podemos contar a partir da história destes impressos?
Rafael Cardoso –
Ótima pergunta! Ainda não foi contada essa história. Para mim, descobriremos um outro país. No Brasil, costumamos pensar nossa história a partir dos registros canônicos, das grandes obras, dos documentos oficiais. Poucas vezes, olhamos para o lado e para o chão, ainda mais no estudo histórico de nossa cultura. Mexendo nessa papelada desprezada que são os efêmeros, descobrimos um Brasil bem mais divertido e original daquele que aparece nos livros de História.

Relatório do Unicef mostra os avanços e os desafios da infância

unicef

Foi celebrado no último dia 20, o vigésimo aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1989. Para comemorar a data, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou uma edição especial do seu relatório anual Situação Mundial da Infância. A publicação faz uma análise histórica sobre os direitos da infância e da adolescência em todo o mundo e de como a Convenção contribuiu para que as nações promovessem importantes avanços na qualidade de vida de seus cidadãos com até 17 anos.

confira o relatório

O relatório aponta os mais importantes avanços na garantia e promoção dos direitos de crianças e adolescentes em todo o mundo. Entre eles estão: sobrevivência infantil, o número anual de mortes de menores de cinco anos no mundo diminuiu de 12,5 milhões, em 1990, para aproximadamente nove milhões, em 2008, representando mais de 28% de redução; aleitamento materno, o índice de recém-nascidos que recebem o aleitamento maternos exclusivo entre os menores de seis meses aumentou em todo o mundo; vacinação, a cobertura da vacina DTP3 – que protege a criança da difteria, da coqueluche e do tétano – passou de 75%, em 1990, para 81%, em 2007; e educação primária, o número de crianças fora da escola caiu de 115 milhões, em 2002, para 101 milhões, em 2007.

O levantamento também apresenta os principais desafios para que a Convenção chegue a cada criança e adolescente. De acordo com a instituição, 2,5 bilhões de pessoas ainda não têm acesso a instalações de saneamento adequadas; 148 milhões de crianças com menos de cinco anos, que vivem nos países em desenvolvimento, estão com peso abaixo de esperado para a sua idade; 101 milhões de crianças estão fora da educação primária, sendo a maioria delas meninas; quatro milhões de recém-nascidos morrem antes de completar o primeiro mês de vida; e dois milhões de crianças com menos de 15 anos vivem com o HIV.

Campanha seleciona vídeos e fotos sobre meio ambiente

O que você está fazendo para cuidar do meio ambiente? Essa é a pergunta que as Nações Unidas estão colocando para todos os brasileiros por meio da campanha ONU Verde, lançada no 64º aniversário da Organização, em outubro passado. Todos aqueles que quiserem participar deverão responder a pergunta “O que você está fazendo para cuidar do meio ambiente?” por meio do envio de até três fotos – tiradas com celular – ou um pequeno filme de até 30 segundos, também realizado com celular, acompanhados por um relato da ação proposta, com até 100 palavras.

Esses materiais serão publicados pelo próprio participante no site http://www.onuverde.org.br/. Depois de enviar suas sugestões, o participante receberá um certificado online, da ONU, com a frase: “Eu faço minha parte”. A campanha ficará no ar até 1º de junho de 2010, quando um Comitê de Seleção – composto por cinco representantes das agências e programas do Sistema ONU no Brasil – escolherá as 10 fotos e os cinco melhores vídeos que melhor traduzam o tema da campanha. O resultado sairá no dia 5 de junho de 2010.

As fotografias selecionadas serão amplamente divulgadas pela rede de comunicação das Nações Unidas no Brasil e no exterior e os cinco vídeos vencedores serão veiculados pela MTV no Dia Mundial do Meio Ambiente de 2010 (5 de junho).

Informações
No site – http://www.onuverde.org.br/
No telefone – (21) 2253 2211

Mídia e família conectadas

A ideia de que as tecnologias e os meios de comunicação separam de vez as famílias, principalmente, crianças, jovens e adultos, acaba de ser contestada pela pesquisa The Family GPS, divulgada pela Nickelodeon. O estudo revela que 82% das famílias assistem juntas à televisão e 77% a filmes, pelo menos, uma vez por semana. Cerca de 40% ouvem músicas juntos e que 56% dos jovens dos oito aos 21 anos têm as mesmas preferências de seus pais quando o assunto é cinema.

O levantamento também destacou que 83% dos pais gastam, uma vez a cada semana, um tempo para saírem ou conversarem com os filhos e que 86% jantam em conjunto também. De acordo com a pesquisa, ficar e se divertir juntos são as principais prioridades de todos os membros da família.

O estudo indica ainda uma maior proximidade entre as gerações e uma relação mais estreita entre pais e filhos. A maioria dos responsáveis (76%) se sente extremamente próxima dos filhos – somente 25% dos avôs disseram que sentiam o mesmo em relação aos seus descendentes.

Confira os números:
– 41% dos pais e filhos ouvem músicas juntos
– 36% jogam juntos
– 56% dos filhos (de 8 a 21) têm o mesmo gosto para filmes que seus pais
– 48% dos filhos e dos pais ouvem as mesmas músicas
– 64% das filhas (de 8 a 21) têm o mesmo gosto para filmes que suas mães
– 44% das filhas têm o mesmo gosto que as mães para roupas

“Nosso pequeno gênio”

cerebros

O canal americano Fox anunciou, nesta semana, que está à procura de participantes para o seu novo programa. Trata-se de um game show, no qual os pais de filhos gênios poderão ganhar dinheiro com o conhecimento dos meninos e meninas que devem ter entre 6 e 12 anos. A nova série está sendo criada por Mark Burnett, o produtor de Survivor (No limite, na edição brasileira, exibida pela TV Globo) e Are You Smarter Than a 5th Grader? (‘Você é mais esperto que um aluno da quinta série, na edição brasileira, exibida pelo SBT).

Nosso pequeno gênio (Our little genius) é o nome fantasia da série. A cada nova rodada, as crianças serão desafiadas a responder questões cada vez mais difíceis. A família poderá ganhar centenas de milhares de dólares. Os pais ficam no comando do jogo. Eles decidem a hora de parar. Podem obter ajuda de especialistas, médicos e cientistas, que também serão testados para responder às questões.

De acordo com o diretor, frequentemente a televisão mostra meninos e meninas que têm performances como cantores, atores ou dançarinos. Por isso, afirma Mike, por meio de um comunicado da Fox,  é tempo de colocar os holofotes nas crianças que possuem incríveis cérebros.

Novas tecnologias no ensino de línguas

Projeto – Taba Eletrônica
Instituição – Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais
Localização – Minas Gerais

Durante o seminário Hipertexto 2009, realizado este ano no Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Belo Horizonte, uma série de oficinas foi promovida para professores e interessados em aprender a utilizar as novas tecnologias na sala de aula. As atividades foram desenvolvidas pelo projeto Taba Eletrônica, da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que tem como objetivo favorecer a interação dos recursos tecnológicos na sala de aula presencial e/ou virtual, principalmente na área do ensino das línguas.

Com o objetivo de divulgar o projeto, socializar o que vem sendo trabalhado e instigar outros professores, a revistapontocom publica, abaixo, um resumo de cada oficina, que traz dicas e informações para quem tiver interesse em se aprofundar.

Confira:

– A escrita colaborativa em L2 na plataforma da Web 2.0: a ferramenta do Google Docs
Sergio Miguel Gartner Pais de Oliveira 
Por meio do Google Docs, é possível desenvolver trabalhos em colaboração na sala de aula virtual. O espaço para a aprendizagem está mais flexível ao tempo, aberto a múltiplas possibilidades e altamente interativo. Nesta perspectiva, a web social ou Web 2.0 abrange uma crescente coleção de novas ferramentas disponíveis na internet. www.google.com

– A incorporação da rede social Orkut ao ensino de línguas
Helen de Oliveira Faria
O Orkut se configura como uma das redes sociais mais acessadas do mundo. No ranking dos países com o maior número de usuários, o Brasil é o número um. Por meio de ferramentas dinâmicas, seus usuários compartilham aspectos da vida pessoal e interagem com amigos, virtualmente. Além do aspecto comunicativo do ambiente, acredita-se que a rede possa ser incorporada como suporte educacional para o ensino de línguas, especialmente por três razões: pela grande aceitação e disseminação da rede no país, os aprendizes se sentem motivados a trabalharem em um ambiente que eles já dominam; as ferramentas que compõem o ambiente, tais como comunidades, enquetes, tópicos de discussão, chats e diversos aplicativos, dão subsídios para que aulas virtuais sejam conduzidas e as experiências dos aprendizes com tecnologias fora do contexto educacional devem ser consideradas pelo professor na condução de aulas no meio digital, a fim de minimizar problemas técnicos e o tempo gasto com treinamentos. www.orkut.com.br

– A integração do Glogster nas atividades de Língua Portuguesa
Caterina Blacher Picorelli Aleixo
O Glogster é uma ferramenta virtual que tem como fundamento a criação de pôsteres. Sabendo que na criação do Glogster pode-se unir recursos como áudio e vídeo, além da possibilidade de criar textos e gravuras estilizadas, é possível estabelecer o elo entre a sala de aula de Língua Portuguesa e a ferramenta. www.edu.glogster.com

– Acessibilidade digital e produção textual por PNEs visuais: uso do software livre DOSVOX
José Euríalo dos Reis
Oportunidades de produção textual mediada pelo software livre DOSVOX, desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ, destinado ao usuário potencial de computador com necessidades especiais visuais, para que ele possa realizar tarefas num microcomputador comum, com relativa independência. http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox

– Como criar um livro eletrônico
Vera Lúcia Menezes de Oliveira e Paiva
Com o Bookr, é possível criar livros eletrônicos ilustrados em poucos minutos e inseri-los em blogs. Para tanto, são utilizadas imagens armazenadas no Flickr. Uma possibilidade é criar livros com poemas ilustrados em português ou em língua estrangeira. www.pimpampum.net/bookr/index.php 

– Como criar um roteiro turístico com o Google Maps
Marcos Racilan Andrade
A ferramenta My Maps, disponível no Google Maps, permite a criação de mapas customizados pelo usuário. Tal recurso possibilita a criação, pelos estudantes, de roteiros turísticos em projetos interdisciplinares iniciados em laboratórios escolares, mas com potencial para se expandir para fora das paredes da escola. http://maps.google.com/maps?hl=en&tab=wl

– Ferramentas de autoria
Jocélio Grangeiro Vieira
O vocabulário é entendido como algo de suma importância no ensino de uma língua estrangeira. Algumas ferramentas de autoria — LexTutor (http://www.lextutor.ca/), HotPotatoes (http://hotpot.uvic.ca/) e ELO (http://www.leffa.pro.br/elo/) —  podem auxiliar professores na construção de material didático para o ensino de vocabulário. 

– Microblogging: o Twitter na sala de aula
Luciana de Oliveira Silva
Criado em 2006, o twitter quer saber “o que você está fazendo”. Através desse questionamento, milhares de usuários interagem todos os dias, compartilhando, em até 140 caracteres, via web, plataformas específicas (TwitDeck) ou até mesmo celulares, informações pessoais e profissionais.  O twitter (www.twitter.com), seus recursos e potencial, pode ser um grande recurso para o ensino de línguas estrangeiras.

– O uso de Social Bookmarking como ferramenta de apoio para cursos on-line
Antônio Carlos Soares Martins
As pessoas que navegam constantemente na internet geralmente têm alguns bookmarks (ou favoritos) armazenados em seu navegador (Firefox, Internet Explorer, etc.). O social bookmarking, além de guardar os endereços favoritos, permite organizá-los por categorias e os tornam acessíveis de qualquer computador. Além disso, esses bookmarks são públicos, o que permite ver os bookmarks de outra pessoa, os mais recentes ou os mais populares. O del.icio.us (http://delicious.com/) é um dos primeiros e mais populares serviços de social bookmarking, ferramenta de apoio para cursos on-line.

– O uso dos blogs como ferramentas de interação
Adriana Gouvêa Dutra Teixeira
O uso dos blogs como ferramental na área da educação tem sido amplamente discutido, nos últimos cinco anos.  É possível criar blogs personalizados, permitindo que os professores insiram neles suas atividades de ensino. Imagens, sons e vídeos ficam disponíveis para o acesso. www.blogger.com.br

– Práticas de formação mediadas pelo YouTube
Paulo Henrique Souto Maior Serrano
O YouTube consiste numa ferramenta de publicação de vídeos disponível na internet, com acesso irrestrito e interativo. Trata-se de uma ferramenta de ensino e aprendizagem que pode ser desenvolvida por meio de: 1) práticas didáticas autônomas; 2) pedagogia individualizada; 3) autoformação por meio da troca; e 4)ensino dirigido. www.youtube.com

Exploração sexual em debate na TV

   

Um problema que atinge milhões de meninos e meninas no mundo todo, fruto da falta de fiscalização, combate ineficiente e da desinformação da sociedade, ganha destaque na televisão. A série de animação Que exploração é essa?, parceria entre o canal Futura e a ONG Childhood Brasil (WCF-Brasil), flagra situações de prostituição, abuso de poder e aliciamento de menores.

Os protagonistas, um pai caminhoneiro e seu filho adolescente, fazem uma viagem juntos em que cada parada, seja no restaurante, no hotel, na praia ou no cybercafé, revela exemplos de como a exploração pode acontecer. A trama de ficção, composta de bonecos animados, é intercalada com depoimentos de especialistas e autoridades que falam sobre a real gravidade do problema e da importância de enfrentá-lo coletivamente a partir da sensibilização da sociedade como um todo.

Camilla Gonzatto, diretora do programa, ressalta o desafio de tratar de forma lúdica um assunto tão sério: “Nosso empenho foi para que os programas não ficassem pesados e também as crianças pudessem assistir. Para criar um verdadeiro mundo de bonecos usamos algumas técnicas, como manter um enquadramento de câmera que simulasse atores reais. Pontuar momentos mais leves e divertidos, com depoimentos sérios, também foi uma forma de garantir uma narrativa adequada ao público”, destacou.

Para Flávia Garcia, da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED), o problema da exploração sexual está muito ligado à dominação e ao poder. “Podemos pensar em várias situações ligadas à dominação de gênero e exclusão social. A relação desigual de poder sempre está presente”, ressalta. 

Que Exploração é essa?
Canal Futura
Sábados às 20h20
Domingo às 17h20, com reprise segundas-feiras, às 21h20

Um pacto pela Educação

– Marco Antonio Raupp
Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

– Isaac Roitman
Coordenador do Grupo de Trabalho de Educação da SBPC

A Educação de qualidade no Brasil continua a ser um problema não resolvido. Intelectuais brasileiros produziram, no século passado, duas versões do “Manifesto dos Pioneiros pela Educação Nova”. A primeira versão, de 1932, foi assinada por 21 intelectuais, entre os quais Anísio Teixeira, Fernando Azevedo, Cecília Meireles, Roquete Pinto e Júlio de Mesquita Filho. Uma nova versão foi lançada em 1959, dessa vez com o endosso de 161 acadêmicos.

Os dois documentos parecem ter sido escritos recentemente, o que revela que não avançamos na resolução dos nossos problemas educacionais. O documento de 1932, no seu início, diz: “Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade ao da educação (….) todos os nossos esforços, sem unidade de plano e sem espírito de continuidade, não lograram ainda criar um sistema de organização escolar à altura das necessidades modernas e das necessidades do país. Tudo fragmentado e desarticulado”.

Passados 77 anos, as afirmações do manifesto ainda guardam muita semelhança com a situação atual da educação brasileira, especialmente nos níveis fundamental e médio. Nas décadas mais recentes, é verdade, houve um empenho bem sucedido para a universalização da educação básica. Agora, precisa haver esforços para que a educação tenha qualidade. Oferecemos escola; precisamos oferecer também educação.

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) congrega cerca de 90 sociedades científicas e caracteriza sua trajetória em ações que visam promover o desenvolvimento científico e tecnológico e melhorias no sistema educacional, além de sempre est ar presente nos episódios mais importantes da vida brasileira. Em agosto de 2008, criou o Grupo de Trabalho de Educação, que acaba de lançar o movimento “SBPC: Pacto pela Educação”.

A iniciativa tem como principal característica a aliança e a parceria de diversos setores da sociedade com o objetivo de alcançar a qualidade na educação em todos os níveis e para todos. Além de entidades acadêmicas, esse pacto pela educação envolverá os setores empresarial, estudantil, sindical, Legislativo, Executivo e associações e organizações sociais voltadas para a melhoria da educação.

Em razão das dimensões dos problemas, sabemos que levará décadas para que ocorra uma transformação radical da educação no Brasil. Assim, serão propostas ações de curto, médio e longo prazo, que serão entregues aos sucessivos governantes nos próximos 20 anos. Será elaborado um conjunto de indicadores para acompanhar e avaliar a implantação das ações propostas.

Esse acompanhamento será executado por todas as entidades que participarem dessa verdadeira e necessária revolução da educação, que deverá ser feita em várias dimensões: formação do professor contemporâneo, valorização da carreira docente, gestão escolar moderna e eficiente, conteúdo adequado como forma do exercício do pensar, utilização de métodos pedagógicos permanentemente atualizados, bibliotecas e outros instrumentos para a busca da informação, avaliação e principalmente as bases para tornar a educação um agente civilizatório.

Em suma, temos que alterar drasticamente o quadro atual do ensino básico brasileiro, que se apresenta como uma perversão social, um indicador claro da desigualdade que vigora na nossa sociedade. Elevar nossa educação a patamares aceitáveis de qualidade não é só um requisito para a modernização do país e a melhoria das condições de vida das pessoas. É um requisito também para a inclusão, é uma responsabilidade social, é uma demanda de reparação social em uma sociedade desigual.

O ensino de qualidade, especialmente no nível fundamental, que é o nível que mais afeta a cidadania, deve ser visto como um compromisso de todo o país, em todas as suas instâncias e segmentos. Para uma sociedade democrática, que tem como pressuposto o oferecimento de oportunidades iguais para todos, trata-se de um compromisso fundamental.

Esse é, no entendimento da SBPC, o grande desafio que temos pela frente – e imediatamente. É preciso haver uma grande mobilização da sociedade, de modo a fazer com que as estruturas governamentais e políticas promovam o esforço necessário. Talvez esse seja mesmo o maior desafio que já se colocou para o país em toda a sua história. Dotar a educação básica da qualidade necessária significa promover o salto de qualidade de que o Brasil precisa. O movimento “SBPC: Pacto pela Educação” tem esse compromisso.

Música, audiência e valores

“A maneira com que a música é comercializada, nos dias de hoje, facilita a não informação, o não crédito, o não autor”, Fernanda Abreu

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Por Marcus Tavares

Um apresentador, um júri e uma plateia. Em foco: candidatos que soltam a voz em busca da fama e do sucesso. A velha fórmula – música + televisão – nunca saiu de moda. É bem verdade que os antigos shows de calouros foram substituídos, em grande parte, pelo modismo dos reality shows. Mas o objetivo é o mesmo.

Por que música e televisão sempre fizeram sucesso na TV? De que forma esses programas contribuem para a área? Num mundo digital, qual é o lugar dos artistas e como é que fica a comercialização das produções? As questões são mais complexas do que se imagina. Elas envolvem novos hábitos, acesso, democratização dos meios de produção e direitos. A revistapontocom conversou com a cantora e compositora Fernanda Abreu sobre o tema.

Vale a pena conferir:

revistapontocom – Do show de calouros do Bolinha, Silvio Santos e Chacrinha aos reality shows de hoje, por que a música desperta interesse de pessoas de diferentes contextos sociais e atrai tanto a audiência?
Fernanda Abreu
– A música brasileira talvez seja a maior expressão da cultura popular do Brasil. Mais até que o futebol, considerando o futebol como arte e cultura. Todo brasileiro tem orgulho da nossa música. Por ser muito rica e diversa, ela se comunica com todos os cidadãos do país, de diferentes classes sociais, faixas etárias e regiões. É um grande instrumento de comunicação do povo. Ao mesmo tempo, esse tipo de programa [os reality shows] revela a necessidade humana de observar o outro. É estudo antropológico de massa e para a massa.

revistapontocom – Por isso, a música está presente em todos os programas de televisão…
Fernanda Abreu
– A TV ainda é o grande veículo para a divulgação de artistas da área de música e da própria música em si. É claro que o conceito do programa ou o artista convidado dita o gênero musical que se quer vender. O que constato é que, cada vez mais, há programas com perfil popular. Sinto falta de programas de música na TV que apresentem outros sons e novos talentos nos mais variados gêneros musicais. Adoraria que a TV ampliasse o repertório do povo brasileiro. Os reality shows de música, por exemplo, replicam mais do mesmo em termos de repertório. E quando revelam um novo cantor não significa que estão revelando um novo artista, pois sabemos que muitos podem cantar, mas nem todos são artistas de fato.

revistapontocom – No ambiente cada vez mais colaborativo da internet, você acha que hoje é mais fácil se lançar no mercado?
Fernanda Abreu
– Estamos num momento de transição, no qual ainda não sabemos responder essa pergunta. Mas, com certeza, a construção de grandes ídolos de música pop não será mais como antes. Acho que Michael Jackson e Madonna, por exemplo, foram os últimos ícones no formato “rei” ou “rainha” do pop. Hoje é mais fácil se tornar um ídolo no seu bairro! A internet e os estúdios caseiros possibilitaram a divulgação da música feita por milhares de pessoas talentosas, mas isso não significa que todos terão seu lugar ao sol dentro da indústria. Atualmente, o mercado de música é gigantesco, a competitividade enorme e a velocidade com que os artistas aparecem e desaparecem atropela o tempo que esse artista precisaria para construir uma carreira sólida e bem sucedida. Essa facilidade de se lançar – ou de lançar uma música na internet sem depender da indústria fonográfica – pode parecer democrática, mas, se não tiver consistência e trabalho árduo, pode ser cruel e cansativa.

revistapontocom – Pegando ainda o gancho da internet, a impressão que se tem é que a música está mais acessível. E, além disso, ela parece ser um material bruto ao alcance de qualquer um para ser recriado. Temos ao nosso dispor, basta um download, uma infinidade de gêneros e tendências musicais. Um novo mundo?
Fernanda Abreu
– Desde os anos 70, Yoko Ono [cantora, artista plástica e viúva de John Lennon] já dizia que as coisas estavam no mundo para serem usadas e recriadas. No fim dos anos 80, surgiu o sampler, um instrumento que institucionalizou essa prática na música. Nós brasileiros já estamos acostumados – desde sempre – a produzir cultura dessa maneira, ou seja, antropofagicamente. Não acredito em arte pura no sentido da não contaminação pelo que já foi feito anteriormente. Toda produção artística trabalha com referências. Mas isso não quer dizer que não possamos criar algo novo e autêntico a partir dessas referências. O que acontece hoje é que cada vez se valoriza menos o conhecimento da origem dessas referências e desses samples. Trabalhamos de maneira mais superficial e menos culta. A maneira com que a música é comercializada, nos dias de hoje, facilita a não informação, o não crédito, o não autor. Isso é confundido com democratização dos meios de produção.

revistapontocom – Você está se referindo à pirataria?
Fernanda Abreu
– Existe a democracia dos meios de produção, os inúmeros estúdios ao alcance de todos, onde as músicas são produzidas, e a democracia no consumo de diversos gêneros musicais. Nestes dois sentidos avançamos bastante. Basta pensarmos que, antigamente, os compositores de música erudita criavam apenas para uma elite e que no início da indústria fonográfica só eram comercializadas músicas gravadas (e artistas lançados) em seus próprios estúdios. Chegamos a um nível bem mais democrático de produção musical e de consumo. O problema é que, atualmente, o consumo se dá basicamente por meio da pirataria e dos downloads gratuitos. Portanto, como sustentar essa cadeia produtiva? Como produzir sem comercialização formal? Acho que a questão é: como equalizar isso tudo? Afinal nunca se ouviu tanta música como nos dias de hoje ao mesmo tempo em que seus criadores (artistas, músicos e produtores) estão completamente à deriva. Uma das inúmeras possibilidades seria que os portais ou sites – que utilizam essas músicas, videoclipes, os conteúdos artísticos – reservassem um pagamento para quem os produziu. Afinal eles estão ganhando dinheiro apenas veiculando-os.

Viver a vida: a auto-ajuda televisiva

  

Por Marcus Tavares

Abandono. Câncer. Criminalidade. Dependência química. Obesidade. Pobreza. Leucemia e violência. Estas são as principais áreas do Portal da Superação, um das áreas do site da novela Viver a vida, de Manoel Carlos, da Rede Globo de Televisão. O portal reúne as falas das pessoas que aparecem ao final de cada capítulo, onde narram, em poucos segundos, uma passagem geralmente sofrida da vida, mas que foi vencida, superada. Bem editados e com uma história bastante envolvente, os vídeos emocionam. Fazem com que o telespectador reflita, mesmo que momentaneamente. Funcionam como uma injeção de incentivo, esperança e auto-ajuda.

conheça o portal da superação

Mas o que isto significa? O que leva pessoas de diferentes classes e contextos exporem seus sofrimentos e dificuldades? O que leva pessoas a publicizarem seus dramas particulares em público? Por que esses depoimentos despertam tanto interesse da audiência? As falas são uma forma de evidenciar a estreita relação que existe entre a ficção e a realidade?

Em seu livro Modernidade Líquida, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que quando a televisão dá vez e voz para a não-celebridade, a pessoa anônima, a história contada e narrada exerce um efeito maior sobre o telespectador. Diz ele: “as não-celebridades, os homens e mulheres comuns, como você e eu, que aparecem na telinha apenas por um momento passageiro (não mais do que o necessário para contar a história e receber o aplauso merecido, assim como alguma crítica por esconder partes picantes ou gastar tempo demais com as partes desinteressantes) são tão desvalidas e infelizes quanto os espectadores, sofrendo o mesmo tipo de golpes e buscando desesperadamente uma saída honrosa e um caminho promissor para uma vida mais feliz. E assim, o que elas fizeram eu também posso fazer, talvez até melhor. Posso aprender alguma coisa útil tanto com suas vitórias quanto com suas derrotas”.

O livro é bem provocador e vai ao encontro da discussão provocada pelos depoimentos. No capítulo sobre individualidade, Bauman afirma que o que cada vez mais é percebido como questões públicas são os problemas privados que funcionam como uma espécie de identificação com o público. As pessoas anônimas que aparecem na televisão são, na verdade, uma espécie de conselheiras da vida do outro.

“…O que as pessoas em busca de conselho precisam (ou acreditam precisar) é um exemplo de como outros homens e mulheres diante de problemas semelhantes, se desincumbem deles. E elas precisam do exemplo por razões ainda mais essenciais: o número dos que se sentem infelizes é maior que o dos que conseguem indicar e identificar as causas de sua infelicidade. Olhando para a experiência de outras pessoas, tendo uma ideia de suas dificuldades e atribulações, esperamos descobrir e localizar os problemas que causaram nossa própria infelicidade, dar-lhes um nome e, portanto, saber para onde olhar para encontrar meios de resistir a eles ou resolvê-los”.

O que parece estar em jogo, destaca Bauman, é uma redefinição da esfera pública como um palco em que dramas privados são encenados, publicamente expostos e publicamente assistidos. “A definição corrente de interesse público, promovida pela mídia e amplamente aceita por quase todos os setores da sociedade, é o dever de encenar tais dramas em público e o direito do público de assistir à encenação”.

A pergunta que fica é: quais são as consequências desta prática?

O que você acha?

E se o apagão continuasse?

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Por Marcus Tavares

O apagão da última terça-feira pegou muita gente de surpresa. Afinal, o blecaute foi monumental. Estados brasileiros sem energia de uma hora para outra. Além do inesperado, o susto. Por cerca de cinco horas, cariocas ficaram sem luz. E, entre outras coisas, isto quer dizer: sem a possibilidade de estar conectado às tecnologias. Talvez, muitos tenham sido salvos pelos celulares, ainda com carga, e pelo velho e conhecido radinho de pilha. Parece que é nestas horas que o ser humano tem mais consciência do quanto ele é dependente dos artefatos eletrônicos e digitais.

E se o apagão durasse mais horas? Um mês, um ano, a vida toda? Já pensou?

Há muito tempo a sétima arte vem narrando em ficção a suposta realidade. Filmes catastróficos e proféticos – que incluem o fim do mundo – sempre nos aterrorizam. Nesta sexta-feira, dia 13, inclusive, estreou o filme 2012. Inspirado em uma previsão do calendário da civilização pré-colombiana Maia de que o mundo acaba no dia 21 de dezembro de 2012, o longa mostra como planeta será destruído por uma série de catástrofes naturais. O calendário Maia inquieta bastante, pois a data coincide com as profecias de Nostradamus.  Haja fôlego! 

Mas para quem gosta mesmo destas ficções, aqui vai uma dica da revistapontocom. Trata-se da série de TV e web Afterworld, que narra a vida na Terra depois que eventos inexplicáveis impedem o funcionamento de toda e qualquer tecnologia e provoca o desaparecimento de 99% da população. Há apenas um sobrevivente: o publicitário Russell Shoemaker.

Confira a série

Afterworld é, na verdade, uma série multiplataforma de ficção interativa, de 130 episódios, que mistura vídeo game, graphic novel e animé, produzida pelo canal de TV AXN. Os primeiros episódios foram transmitidos no ano passado pela televisão. A sequencia continuava na internet.

Encontro discute a interface entre o cinema e escola

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Reduzir o cinema a um simples recurso didático é limitar a potencialidade da sétima arte, uma linguagem que funciona como um valioso caleidoscópio de sensações, percepções e vivências do mundo.
Esta é a linha de pensamento do Projeto de Pesquisa e Extensão Cinema para Aprender e Desaprender, ligado ao Laboratório Imaginário Social e Educação, do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFRJ.

Coordenado pela professora Adriana Fresquet, o projeto vem discutindo os usos do cinema desde 2006, promovendo cursos, atividades em escolas e um evento anual. O III Encontro Internacional de Cinema e Educação da UFRJ deste ano acontecerá de 30 de novembro a 5 de dezembro. Em debate: o cinema vai à escola e o cinema faz escola.

Ao evento deste ano soma-se o I Fórum de Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual e a II Mostra da Faculdade de Educação da UFRJ no Museu de Arte Moderna: cinema, escola e infância, que exibirá 13 produtos audiovisuais. Entre os palestrantes, estão os professores Jorge Larrosa (Universidade de Barcelona), Carlos Skilar (Flasco Buenos Aires), Marília Franco (USP), Rosália Duarte (PUC-RIO), Inês Assunção de Castro Teixeira (UFMG) e Fabián Nuñez (UFF).

O objetivo principal do projeto é promover uma maior aproximação entre professores, alunos e a linguagem cinematográfica. E, de tabela, o desejo de as escolas produzirem cinema. Em parceria com o Colégio de Aplicação da UFRJ, o programa desenvolve curtas com os alunos.

“Ainda é usual o uso do cinema apenas como recurso didático usado para favorecer um determinado conteúdo ou, pior, como uma espécie de curinga para ocupar espaços ou tempos vagos. É lamentável. Assistir à Vidas Secas, por exemplo, não pode servir simplesmente para conhecer o sertão ou a obra do escritor Graciliano Ramos, embora ambos conteúdos e muitos outros possam ser aprendidos com o filme. Não negamos esta possibilidade. Mas, queremos que os professores e alunos se permitam vivenciar a experiência estética, sensual e afetiva de se deixar afetar pelo filme, de sentir com ele, rever os valores que ele questiona, problematizar a ordem instituída e desconstruir verdades obsoletas”, destaca Adriana em entrevista ao Centro Internacional de Referência em Mídias para Crianças e Adolescentes.

O evento é gratuito. Há 180 vagas.

Informações e inscrições via e-mail cinead@fe.ufrj.br

Minissaias e microideias

Por Marcos Vinícius Gomes
Professor

Aqui é o Oriente Médio? foi a pergunta feita pelo metalúrgico Severino Filho, em entrevista ao site G1 em 31/10/2009. O metalúrgico é pai da universitária hostilizada publicamente na universidade onde cursa Turismo, em São Bernardo, SP, por estar usando um vestido curto. A resposta à pergunta deste pai constrangido pela intransigência da sociedade é o ponto-chave da análise deste impasse. Mas este ponto-chave foi ignorado pela maioria da imprensa e da população em geral.

O caso foi destaque na mídia – internet, televisão (a moça chegou a dar entrevista a um programa sensacionalista da TV Record, o Geraldo Brasil), jornais. Augusto Nunes, um dos príncipes de Veja, escreveu que se fosse na universidade onde estudou ela seria cantada em verso e prosa. Já outro jornalista da Veja, Reinaldo Azevedo, saiu em defesa da aluna, dizendo que mesmo se moça fosse prostituta não mereceria tal ultraje e, evidentemente não perdeu a oportunidade de ser “Reinaldo”: culpou a universidade e a expansão do ensino superior pelas ofensas à estudante, chamando instituições não tradicionais de “unisupletivos”. Faltou apenas a TFP se pronunciar sobre ocaso.

O mais lamentável de toda essa polêmica é que no final, o motivador, que deveria ser dissecado nesta lamentável história onde aproveitadores da tragédia alheia despejam seus arsenais de convicções, não foi analisado. A força motriz desta discussão que fez tanto setores reacionários ou então progressistas da sociedade brasileira mostrarem apenas a “sua verdade” não foi vista, devida à paixão do confronto de idéias, devido ao provincianismo. O motivador – o machismo – saiu ileso.

“Combato o feminismo exagerado”

Mesmo que houvesse inúmeros discursos de defesa da estudante universitária ao direito de usar as roupas que lhe aprouvesse, embasados na “emancipação feminina” tão decantada ultimamente, mas pouco visualizada na prática social, os resquícios de machismo ainda são notórios. O linchamento sofrido pela estudante em São Paulo reflete algo corriqueiro dentro de um país que cerceia liberdades, faz vistas grossas à degradação sofrida por inúmeras mulheres brasileiras.

É uma vergonha um país que tem mulheres muito mais qualificadas que os homens e que, entretanto, paga 25% a menos de salário a elas em relação ao sexo oposto. É uma vergonha um país que tem forte exploração sexual feminina, seja para o “mercado interno” ou então atrelada ao tráfico internacional de mulheres para a prostituição na Itália, Suíça, Espanha, entre outros destinos da Europa. É uma vergonha uma nação que vitimiza suas mulheres, encobrindo a violência doméstica, praticada principalmente por maridos e namorados, que não acordou ainda para a importância de assegurarmos os direitos da mulher à dignidade e à vida.

Alguém poderá dizer que há exagero, que as mulheres são respeitadas e valorizadas pela sociedade brasileira. Vejamos um exemplo muito interessante de conservadorismo machista vindo de uma parte que teoricamente deveria opor-se ao sexismo, defendendo a igualdade de direitos.

É o caso do juiz mineiro Edilson Rumbelsperger Rodrigues que foi citado em reportagem da Folha de S.Paulo de outubro de 2009 por recusar-se a aceitar pedidos de medidas contra homens que agrediam suas mulheres ou então as ameaçavam. O magistrado disse em nota que não iria “desigualar homens e mulheres naquilo em que são rigorosamente iguais, ou seja, nas demais espécies de violência que um pratica contra o outro sem qualquer diferença” (para o juiz, talvez o número de mulheres agredidas fosse equivalente ao de homens agredidos por suas companheiras, fato improvável, sabendo-se como está enraizado o machismo no Brasil). Rumbelsperger usa o argumento de que algumas disposições da lei têm “caráter vingativo”. Ele diz:. “Combato, assim, o feminismo exagerado – consubstanciado em parte da Lei Maria da Penha – e que dela se aproveitou para buscar compensar um passivo feminino histórico, com algumas disposições de caráter vingativo.”

Sociedade não respeita nem valoriza a mulher

Ele termina sua defesa com a seguinte argumentação, que até que se prove o contrário, tem alto teor patriarcal-machista: “Se eu voltasse atrás num único pensamento expressado em quaisquer de nossas decisões, eu o estaria fazendo por mera covardia, apenas para tentar me livrar da angústia desse embate.” Ou em outras palavras, o juiz demonstra que se angustiasse pouco ou não se angustiasse em nada no embate, não seria varonil; se recuasse em suas declarações infelizes contrárias à lei que defende o direito básico das mulheres de serem respeitadas e protegidas, talvez fosse menos forte, quiçá, menos homem. Um típico argumento machista.

A Constituição garante a liberdade de pensamento, de expressão. Porém, argumentos sexistas vindos de alguém que deveria insurgir-se contra a secular violência masculina que vitimiza a mulher no Brasil têm um que de desdém. Têm uma simbologia que ainda reina entre nós, em todas as classes, grupos do país – a simbologia do desrespeito à mulher e aos seus mais básicos direitos como cidadã. Tanto na opinião do juiz e em suas atitudes enquanto magistrado, quanto no linchamento moral registrado na semana passada contra a estudante que estaria em “trajes inapropriados” para o ambiente acadêmico, repousa a indiferença de uma sociedade que ainda não aprendeu a respeitar e valorizar a mulher. Não a mulher de plástico, tipo exportação que vive no imaginário coletivo nacional, a mulher objeto das passarelas, tampouco a mulher idílica cantada em verso e prosa em nossas músicas. A mulher referida aqui é a mulher que luta diuturnamente contra um sistema injusto, excludente. A mulher que quer ser verdadeiramente valorizada, ter seus direitos assegurados e independência.

Lamentavelmente parece que temos que concordar com o cidadão Severino, pai da universitária em sua pergunta retórica: Aqui é o Oriente Médio? Sim, parece que estamos no Oriente Médio

Fonte – Observatório da Imprensa

Fim da infância?

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Virou moda entre as meninas britânicas o uso de pulseiras de plástico coloridas, apelidadas de shag bands (pulseiras do sexo, em tradução-livre). Cada cor representa um ato afetivo ou sexual que, em teoria, a meninas precisariam fazer caso um menino consiga arrebentar a pulseira. Esses atos vão desde um inocente abraço até o sexo oral e relações sexuais completas. A moda está causando enorme polêmica entre pais e professores e chegou até a secretaria da Criança do país.

Algumas escolas já proibiram o uso depois de identificar meninas de oito anos usando as pulseiras. Muita gente acha que se trata apenas de brincadeira de criança, que as pulseiras não significam que as meninas irão realmente fazer o que as cores determinam e que jogos com fundo sexual não são novidade entre as crianças. Quem nunca brincou de pega-pega em que o menino dá um beijinho na menina?, perguntam.

Por outro lado, há quem acredite que a prática expõe crianças pequenas a termos sexuais que elas não conheceriam de outra forma e promove a erotização infantil. Há também o temor de que proibir as pulseiras só vai torná-las mais desejáveis.

Fonte – BBC

Reality show inglês com crianças é questionado

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Em fevereiro deste ano, o Channel 4, canal britânico de TV, levou ao ar a série Boys and Girls Alone, um reality show que mostrava dez meninos e dez meninas, de oito a 12 anos, vivendo, aparentemente, sem supervisão de adultos. O fato chamou a atenção do público adulto que encaminhou cerca de 180 queixas para a emissora e acionou o Ofcom, organismo britânico que regulamenta e fiscaliza a programação de TV. De acordo com a audiência, as crianças eram submetidas a situações perigosas, como cozinhar sozinhas.

Visite o site da série

No dia 19 de outubro, o Ofcom se pronunciou. A instituição concluiu que o reality show não deixou as crianças sozinhas sem acompanhamento de adultos, como o público chegou a pensar. Havia, sim, uma infra-estrutura para dar conta dos protagonistas. Em documento divulgado, o Ofcom afirma que o Channel 4 cumpriu todas as orientações que regem qualquer tipo de produção/gravação com crianças.

Leia (em inglês) as considerações do Ofcom

No entanto, o Channel 4 violou uma das orientações do Ofcom: a emissora não deixou claro para o público que as crianças estavam sendo monitoradas para a resolução de problemas e imprevistos. O Ofcom entende que o canal tem o direito de seguir uma linha editorial própria, mas ao produzir um programa com crianças se faz necessário contextualizar as atividades e ser o mais transparente possível, ainda mais num reality show com meninos e meninas que são encorajadas a realizar tarefas do cotidiano como cozinhar, fazer a limpeza de casa e administrar dinheiro. Uma das cenas que chocou o público adulto foi a de um garoto de nove anos reclamando que estava com fome, depois de não ter conseguido preparar macarrão instantâneo porque não sabia ferver a água.

Livro descreve sucesso das mídias interativas na escola

Projeto: Tecnologias e Mídias Interativas na Escola
Ins
tiuição: Unicamp e escolas do município de Hortolândia, Unicamp
Localização: São Paulo

Há três anos, pesquisadores da Unicamp e professores e alunos de duas escolas municipais de Campinas desenvolvem o Projeto Tecnologias e Mídias Interativas na Escola (Time). Fazendo uso de vídeos, rádio web, histórias em quadrinhos e blogs, a proposta tem o objetivo de promover a reflexão sobre os impactos da tecnologia da informação e da comunicação no dia a dia da sociedade, especialmente na prática pedagógica. Para socializar o conhecimento acumulado, a história do projeto vai virar livro. A publicação, que sai ainda este ano, reúne 18 artigos e é dividida em duas partes: a vivência dos pesquisadores e o cotidiano das professoras.

O Time foi desenvolvido pelo Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied) em parceria com o Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri). “Depois de entendimentos com a Secretaria da Educação de Hortolândia [município da região de Campinas], conseguimos recursos da Fapesp dentro da linha de fomento ao ensino público, ou seja: os professores das escolas se tornaram bolsistas e idealizaram subprojetos para utilização de mídias junto às crianças”, explica João Vilhete Viegas d’Abreu, pesquisador do Nied que coordenou o projeto. 

saiba mais visitando o blog do projeto

Ao longo dos três anos, o Time atendeu a 15 professoras e 1.300 alunos na faixa de 6 a 10 anos. Em cada uma das duas escolas foi montada uma sala multimídia com 18 computadores, monitores LCD, webcam, TV de 32 polegadas e máquinas fotográficas. Indiretamente, as salas multimídia atenderam à quase totalidade dos professores de ambas as unidades, os pais de alunos e a comunidade no entorno, propiciando, ainda que de forma restrita, a inclusão digital e social.

Segundo João Vilhete, pesquisadores do Nied e do Nudecri iam às escolas em duas tardes por semana para interagir diretamente com as professoras, colaborando na proposição de atividades e orientando-as na utilização dos recursos de mídia. “Nosso trabalho foi de cunho técnico-pedagógico, com uma série de atividades teóricas envolvendo conteúdos educacionais que poderiam ser trabalhados, e também atividades práticas com o uso das ferramentas digitais. Ensinamos as professoras a produzirem blogs, onde elas inseriam conteúdos que vinham trabalhando com seus alunos. Há professoras que levaram a ideia para outras escolas e outras que recebem pedidos de informações de colegas do país e também do exterior”, informa Vilhete. 

Algumas iniciativas

O Free Haquê, um editor de histórias em quadrinhos, foi utilizado pelas crianças na confecção de suas próprias histórias. “O processo de elaboração e produção era o momento de trabalhar conteúdos curriculares como a língua portuguesa. O software permite criar os quadros de HQ e importar figuras, mas entra também a questão da escrita, o letramento, como na história sobre a gripe suína que os alunos criaram”, explica Vilhete.

A Rádio Recreio foi o nome escolhido democraticamente para o subprojeto da rádio web nas duas escolas. Se a produção de um roteiro propiciava a introdução de conteúdos relativos à linguagem e fala, como acentuação e dicção, o aluno também aprendeu técnicas de edição usando a ferramenta Audacity, além de se munir de celulares e MP4 para gravar som e imagem. O aluno da periferia pôde perceber que rádio não é magia, apenas uma questão de aprender as técnicas e de ter os recursos à mão.

Os mesmos celulares, câmeras digitais e MP4 serviram para a produção de vídeos, depois de uma oficina sobre elaboração de roteiros, definição de tempo de gravação, enquadramento e seleção de imagem, entre outras técnicas. As professoras formaram grupos de trabalho – com repórter, cinegrafista, produtor e editor – que produziram sequências de imagens e narrativas sobre energia limpa, combustível verde, energia eólica, fotossíntese e energia nos trilhos.

Fonte – Jornal da Unicamp