Confira os eventos e prêmios de 2010

Fim de ano. Hora de programar 2010. Para orientação dos leitores, a revistapontocom traz, abaixo, uma lista de importantes eventos e prêmios de interesse de professores, pesquisadores e profissionais da área de mídia.

Acesse o link AGENDA, anote e aproveite!

EM JANEIRO

– Programa Nacional do Livro Didático 2012
Autores interessados poderão fazer a pré-inscrição a partir do dia 12 de janeiro.

– Campus Party 2010
Evento acontece entre os dias 25 e 31, em São Paulo.

– Curta Criança
Inscrições terminam no dia 25 de janeiro.

– Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística
Prazo encerra no dia 29 de janeiro.

EM FEVEREIRO

– Prêmio Sesi de Qualidade da Educação
Escolas têm até o dia 14 de fevereiro para concorrer.

– 6º Prêmio Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil
Dia 19 de fevereiro: último dia de inscrição.

– Congresso Ibero-americano de Língua e Literatura Infantil e Juvenil
De 24 a 28 de fevereiro, no Chile.

EM MARÇO

– Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas
Inscrições serão recebidas até o dia 12 de março.

EM MAIO

– Congresso Aprender Criança 2010
Evento discutirá os avanços na neurociência cognitiva. De 21 a 23 de maio.

EM JUNHO

– Conferência Internacional  Infanto-juvenil de Meio Ambiente
De 5 a 10 de junho, em Brasília.

– Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes
Encontro acontecerá na Suécia, entre os dias 14 e 18 de junho.

– Prêmio Jovem Cientista
Prazo de inscrição encerra no dia 30 de junho.

EM AGOSTO

– Seminário Fazendo Gênero
A nona edição será realizada entre os dias 23 e 26 de agosto, na UFSC.

Conferência do clima: a proposta dos jovens

Uma semana antes do início das discussões diplomáticas, dos embates acerca dos interesses comerciais das grandes potências mundiais e da luta dos ambientalistas em torno da Conferência da ONU de Mudanças Climáticas, 160  jovens, dos 14 aos 17 anos, de 44 países desenvolvidos e industrializados, já deixaram, no papel, o que pensam sobre o tema. Reunidos também em Copenhague, sede da conferência da ONU, eles entregaram, no dia 9 de dezembro, uma declaração de intenções a presidente do evento, Connie Hedegaard, durante a cerimônia de encerramento do Children’s Climate Forum.

“Os desafios podem parecer intransponíveis, mas como partes interessadas, a nossa geração está pronta para colaborar com esta causa. Comprometemo-nos a mudanças no estilo pessoal que coloque o bem comum acima dos nossos desejos individuais e modo de vida atual. Assumimos o compromisso de educar e fortalecer a nós mesmos e nossas comunidades a se adaptar e mitigar a mudança climática. Comprometemo-nos a participar e cooperar ativamente com todas as gerações e os governos no combate às alterações climáticas. Como os nossos esforços por si só não será suficiente, esperamos que nossos líderes e cidadãos para cooperar”, destaca trecho da declaração.

Leia o documento na íntegra (em inglês)

De acordo com os jovens delegados, os governos dos países industrializados deveriam contribuir  por meio de apoio financeiro e tecnológico para a adaptação dos países em desenvolvimento à mudança climática. “Os investimentos devem ser feitos em infra-estrutura de transportes sustentável, como o comboio e as redes de ônibus, pistas de ciclismo e combustível ecológico”, observam os adolescentes.

No canal da conferência no You Tube você pode conferir outras informações sobre o encontro

R$ 70 mil para produções audiovisuais infantis

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Boas novas para a área de produção audiovisual infantil: já estão abertas as inscrições para o edital Curta Criança 2010, do Ministério da Cultura. A seleção vai apoiar com R$ 70 mil a produção de 13 obras inéditas de curta metragem com temática voltada à infância, dos quatro aos oito anos. Com duração de 12 minutos, a obra pode ser de ficção, documentário ou animação. Os interessados têm até o dia 25 de janeiro para confirmar participação.

De acordo com o edital, o argumento utilizado deve desenvolver histórias para crianças, sem obrigatoriedade de protagonismo infantil em cena. No caso de projetos do gênero documentário, as seguintes categorias deverão ser contempladas: como as coisas são feitas; natureza e animais; o mundo que nos cerca; e histórias de vida de crianças.

Os projetos deverão ser inscritos por pessoas físicas que detenham os seus direitos autorais nas condições de roteirista, produtor, diretor, ou que cumulativamente apresentem-se em tais condições na obra proposta. Todos os projetos selecionados serão submetidos à Oficina de Capacitação e Desenvolvimento do Projeto, podendo, durante a dinâmica, sofrer adaptações de formato, ajuste, abordagem de conteúdo – visando a uma maior aproximação com o público infantil.

Confira o edital na íntegra

Mídia, violência e direitos humanos

Por Robson Sávio Reis Souza
Filósofo, especialista em comunicação e em sociologia da criminalidade, mestre em Administração Pública e professor da PUC-Minas

10 de dezembro: comemoramos os 61 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Se há muito que comemorar – a humanidade incorporou em boa medida os pressupostos defendidos no documento da ONU –, ainda resta um grande caminho a ser percorrido pela efetividade da cidadania, principalmente em nosso país. Aqui, o preconceito, a luta pela igualdade racial, as discriminações religiosas e sexuais e tantos outros dilemas sociais ainda não fazem parte da pauta da grande mídia. Por outro lado, a superexposição de vários tipos de crimes associada a preconceitos, sentimentos de vingança e desinformação acerca dos fenômenos da violência provoca a banalização dos valores humanos.

O aumento da criminalidade violenta, nos últimos anos, trouxe para a agenda social as deficiências das políticas de segurança pública. Segurança pública que deveria ser entendida como direito do cidadão e dever do Estado. Outrora assunto restrito a poucos atores, agora a temática da (in)segurança alcança o centro das discussões, numa sociedade aflita e com medo. A mídia, percebendo a importância do momento histórico (e principalmente o poder de vocalização dessa demanda pela classe média – sua maior consumidora) tem aprofundado as discussões sobre a questão, pautando de forma cada vez mais constante a cobertura acerca da violência.

A mídia deveria ser o espelho fiel das contradições e conflitos existentes na sociedade. Evidente, portanto, que na sua pauta apareça a questão da segurança pública como uma das principais demandas de discussão da sociedade brasileira na atualidade.
Interesses políticos e vieses

Compreende-se que a cobertura do cotidiano violento das grandes cidades não é tarefa fácil. Por trás de eventos violentos, outras questões estão ocultas e dificilmente podem ser contempladas em cada matéria ou reportagem que envolve a abordagem do tema pela mídia. É evidente a complexidade que envolve o fenômeno da violência. E, por conseqüência, a dificuldade, ou a quase impossibilidade, do profissional da comunicação, cobrindo o factual, abordar todas essas questões na apresentação de cada notícia sobre o tema. Isso sem contar, obviamente, com outras dificuldades de abordagem, como o reduzido espaço ou tempo para apresentar a notícia. Ademais, não podemos esquecer da rotina massacrante das redações, que não permite o aperfeiçoamento e o aprendizado contínuo por parte dos profissionais da comunicação.

Em relação à abordagem de determinados temas, há que se exigir responsabilidade e conhecimento. Afinal, a forma e o conteúdo de exposição dos vários tipos de violência pela mídia devem ser questionados. Obviamente, não estamos tratando aqui de qualquer tipo de censura; ao contrário, defendemos uma interlocução cada vez mais consistente entre os profissionais da comunicação, pesquisadores do tema, operadores da segurança pública e a sociedade.

É desejável que a divulgação e a apuração das informações acerca de estatísticas criminais, por exemplo, sejam rigorosamente avaliadas: quem produz a notícia deve levar em conta a subnotificação de vários tipos de ocorrências; os interesses políticos que envolvem a divulgação das notícias; os vieses – nem sempre evidentes, mas sempre presente –, em análises feitas por operadores e especialistas.

Violências escamoteadas

O papel da imprensa na discussão sobre os dilemas da violência é de fundamental importância para o aprimoramento das políticas públicas nessa área. Apesar das eventuais limitações, observamos que muitos profissionais da mídia têm se esforçado numa cobertura responsável da temática, o que contribui, inclusive, para a difusão de programas, metodologias e projetos de prevenção à violência, implementação da cultura da paz, soluções mediadas de conflitos, criação de redes comunitárias solidárias etc. Ou seja, a cobertura do fenômeno da violência pode oferecer aos cidadãos soluções que suplantam o medo, a sensação de impotência e de descrédito das instituições, quando o problema é tratado com responsabilidade e sem sensacionalismo.

A mídia pode apresentar práticas viáveis de superação do medo e da impotência frente ao fenômeno da violência difusa, criando condições de mobilização social e comunitária que, efetivamente, são fundamentais para o incremento da coesão social, a superação do medo e da apatia social frente ao fenômeno da violência, principalmente a criminalidade urbana.

Além dos crimes, que recheiam os noticiários na mídia, outras tantas formas de violência que afrontam cotidianamente os direitos humanos são naturalizadas em nossa sociedade. Aqui também a mídia tem um papel relevante, podendo fomentar uma discussão sobre essas violências historicamente escamoteadas em nossa sociedade: violências contra crianças, mulheres, negros, homossexuais, entre tantas outras.

Ciclo ou seriado: uma questão de escolha

Sistema escolar de ciclos ou de séries? Afinal, qual apresenta o  melhor desempenho? Não há diferença. Os sistemas são equivalentes. Bem, pelo menos é o que afirma a tese de doutorado Análise do desempenho de alunos pertencentes às séries iniciais em escolas cicladas e não cicladas, da educadora Ivanete Bellucci Pires de Almeida, defendida este ano na Faculdade de Educação da Unicamp.

A autora analisou 110 unidades escolares públicas de Campinas, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, a partir de dados de proficiência em Leitura e Matemática, trabalho pedagógico do professor e nível socioeconômico das escolas avaliadas contidos do Projeto Geres 2005 – projeto de pesquisa longitudinal que focaliza a aprendizagem nas primeiras fases do Ensino Fundamental para estudar os fatores escolares e sócio-familiares que incidem sobre o desempenho escolar. A pesquisa envolveu 416 professores e 12.678 alunos do Ensino Fundamental das três cidades, sendo 10.201 de escolas cicladas e 2.477 de não-cicladas.

Em entrevista ao jornal da Unicamp, a educadora Ivanete destaca que o desempenho do aluno é altamente influenciado por três características dos professores avaliados: a participação ativa do educador na concepção do projeto pedagógico da escola; a manutenção do professor na escola por mais de três anos; e a experiência de mais de três anos do professor em uma determinada série.

Para chegar aos resultados de desempenho, Ivanete realizou três tomadas. A primeira, em março de 2005, foi a fase diagnóstica com aplicação de provas para conhecer as condições das crianças que iniciavam no sistema escolar. A segunda, em novembro de 2005, revelou o processo de aprendizagem que foi desenvolvido em cada escola durante o ano. E em novembro de 2006 aconteceu a avaliação dos resultados obtidos no período pesquisado.

Clique aqui e saiba mais sobre a tese

Brasileira é uma das vencedoras de concurso sobre meio ambiente

Saiu a relação das crianças e jovens que foram premiados no concurso de Pesquisa Lacvox para adolescentes comunicadores. Foram eleitos os melhores nas categorias rádio, imprensa escrita, televisão, fotografia e cartaz. Entre os vencedores está a brasileira Oziel Aleste Marques, pelo seu trabalho de TV. O tema da seleção era: o que podemos aprender com as formas tradicionais de conservação do meio ambiente praticadas pelos povos indígenas? Promovido pelo Unicef e parceiros, o concurso teve o objetivo de  incentivar crianças e adolescentes a se interessarem pela questão ambiental e, ao mesmo tempo, aprenderem sobre os métodos de preservação adotados pelos povos indígenas.

Confira alguns trabalhos selecionados:

Categoria 9 a 14 anos

• Prêmio de rádio: Red de Comunicadores de Apurimac, Peru
• Prêmio de imprensa escrita: Michelle Sofía Mora Morales, Venezuela (clique aqui)
• Prêmio de TV: Red NNACE Jefferson e Jelsy, Equador
• Prêmio de fotografia: Luis Guillén, Panamá (clique aqui)
• Prêmio de melhor cartaz: Diocelina Clara Barranco, Panamá (clique aqui)

Categoria 15 a 18 anos

• Prêmio de imprensa escrita: Karen Alba, Cristina Hernández e Mariela Ruiz, México (clique aqui)
• Prêmio de TV: Oziel Aleste Marques, Brasil
• Prêmio de fotografia: Fundación Tehillim, Natalia Andrea Guzmán Vallejos, Colômbia (clique aqui)
• Prêmio de melhor cartaz: Adriana Estefanía Gaitán, Colômbia (clique aqui)

Manifesto contra a publicidade infantil: campanha na internet

Está em plena campanha pela internet o Manifesto pelo Fim da Publicidade da Comunicação Mercadológica Dirigida ao Público Infantil. Pessoas físicas, organizações e entidades já aderiram ao movimento em defesa dos diretos da infância, da Justiça e da construção de um futuro mais solidário e sustentável para a sociedade brasileira.

De acordo com o documento, a criança “ainda está em processo de desenvolvimento biofísico e psíquico. Por isso, não possui a totalidade das habilidades necessárias para o desempenho de uma adequada interpretação crítica dos inúmeros apelos mercadológicos que lhe são especialmente dirigidos”. Até este sábado, dia 12, mais de 100 instituições já tinham aderido ao movimento. Pessoas físicas contabilizavam cerca de 2.960.  O manifesto pode ser assinado no seguinte endereço eletrônico.

Leia o manifesto:

Em defesa dos diretos da infância, da Justiça e da construção de um futuro mais solidário e sustentável para a sociedade brasileira, pessoas, organizações e entidades abaixo assinadas reafirmam a importância da proteção da criança frente aos apelos mercadológicos e pedem o fim das mensagens publicitárias dirigidas ao público infantil.
 
A criança é hipervulnerável. Ainda está em processo de desenvolvimento bio-físico e psíquico. Por isso, não possui a totalidade das habilidades necessárias para o desempenho de uma adequada interpretação crítica dos inúmeros apelos mercadológicos que lhe são especialmente dirigidos.
 
Consideramos que a publicidade de produtos e serviços dirigidos à criança deveria ser voltada aos seus pais ou responsáveis, estes sim, com condições muito mais favoráveis de análise e discernimento. Acreditamos que a utilização da criança como meio para a venda de qualquer produto ou serviço constitui prática antiética e abusiva, principalmente quando se sabe que 27 milhões de crianças brasileiras vivem em condição de miséria e dificilmente têm atendidos os desejos despertados pelo marketing.
 
A publicidade voltada à criança contribui para a disseminação de valores materialistas e para o aumento de problemas sociais como a obesidade infantil, erotização precoce, estresse familiar, violência pela apropriação indevida de produtos caros e alcoolismo precoce.
 
Acreditamos que o fim da publicidade dirigida ao público infantil será um marco importante na história de um país que quer honrar suas crianças.
 
Por tudo isso, pedimos, respeitosamente, àqueles que representam os Poderes da Nação que se comprometam com a infância brasileira e efetivamente promovam o fim da publicidade e da comunicação mercadológica voltada ao público menor de 12 anos de idade.

MEC patrocinará livros didáticos na área tecnológica

A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação vai patrocinar a publicação de livros didáticos nas áreas profissional e tecnológica. O objetivo é estimular a produção dessas obras e registrar as experiências desenvolvidas nas instituições. Até 31 de março de 2010, a Setec receberá propostas de obras que tenham como referência os eixos estabelecidos nos Catálogos Nacionais dos Cursos Técnicos e Superiores de Tecnologia (confira os links abaixo).

Podem apresentar propostas professores de institutos federais de educação, ciência e tecnologia ou de colégios técnicos vinculados às universidade federais, ao Instituto Benjamin Constant, ao Instituto Nacional de Surdos e ao Colégio Pedro II.

Para o diretor de formulação da educação profissional e tecnológica do MEC, Luiz Augusto Caldas, pretende-se, com o fomento às publicações, acabar com a escassez de livros didáticos na modalidade de ensino, estimulando a produção de obras de autoria individual ou coletiva.

O livro didático encaminhado deverá ser inovador e estabelecer conexões entre o cotidiano do aluno e o conteúdo da disciplina escolhida. Os textos deverão abordar temas atuais, relacionados ao desenvolvimento sustentável, à inclusão social, à valorização da ética e ao respeito â diversidade.

As propostas deverão ser encaminhadas, pela instituição a que o professor ou especialista pertence, à Diretoria de Formulação de Políticas de Educação Profissional e Tecnológica da Setec, no seguinte endereço: Esplanada dos Ministérios, Bloco L, 2° andar, anexo I, sala 200. CEP 70047-900, Brasília, DF.

Informações pelo telefone (61) 2022-8510.

Catálogos Nacionais dos Cursos Técnicos
http://catalogonct.mec.gov.br/

Catálogos Nacionais dos Cursos Superiores de Tecnologia
http://catalogo.mec.gov.br/

Fonte – MEC

Personagens de limpeza: publicidade e criança

“O comercial apresenta um mundo lúdico, sem perigos, de fácil manuseio, onde tudo se resolve num passe de magia e sem grande esforço”, Carla Rabelo

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Por Marcus Tavares

Eles são imbatíveis e verdadeiros heróis. Não têm o mesmo sucesso do Batman ou do Super-homem, mas ganham lugar de destaque no dia a dia de muitas casas. Quem são eles? Os personagens dos produtos de limpeza. Talvez você nem tenha notado, mas eles estão presentes nos rótulos, embalagens e comerciais, prometendo eliminar de vez as bactérias, ratos, baratas, moscas e mosquitos.

Os personagens fazem a cabeça de muitas donas de casa e, como era de se esperar, das crianças. “Os roteiros criados para a publicidade televisiva, por exemplo, oferecem histórias de ficção baseadas na realidade que vão de combates entre um herói e um inimigo perigoso, como o Pato Purific, encarnado a cada trama num super-herói distinto, lutando contra as bactérias do vaso sanitário, ou personagens humanizados realizando tarefas de limpar a casa num tom de magia. Este tipo de linguagem é familiar à criança e ao seu universo, já que ela cresce estimulada por estes signos”, explica Carla Rabelo, mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo.

Integrante da Rede de Trabalho do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana e assistente da diretoria geral do Centro Cultural São Paulo, Carla sabe do que está falando. O assunto foi tema de sua dissertação de mestrado: Perto do alcance das crianças – o papel dos personagens em propagandas de produtos de limpeza, sobre regulação e publicidade . O estudo faz uma cuidadosa relação entre as propagandas, as crianças e suas respectivas mães.

Clique aqui e confira a dissertação na íntegra

A pesquisa é bastante pertinente. De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), os acidentes com produtos de limpeza oscilam entre o segundo e o terceiro lugar no ranking de intoxicações em crianças com idade abaixo dos cinco anos.

Confira a entrevista que Carla Rabelo concedeu à revistapontocom:

revistapontocom – Qual é o papel dos personagens nas propagandas de produto de limpeza?
Carla Rabelo –
Há muito tempo que a publicidade deixou de comunicar a função do produto para falar de sensações e prazeres além do objeto. O filósofo Gilles Lipovetsky fala desta função da publicidade quando diz que ela poetiza o produto, a marca e idealiza o trivial da mercadoria. Os personagens geralmente são utilizados pela publicidade para tentar obter uma conexão afetiva com o receptor, são porta-vozes e corporificam a marca. Além de estarem presentes em publicidade de produtos alimentícios, brinquedos, estão também em outros tipos de anúncios, como os de produtos de limpeza. Há utilização do lúdico para falar sobre bactérias, ratos, baratas, moscas, mosquitos, sujeira etc, como tentativa de suavizar a comunicação evitando apresentar estes elementos reais considerados “asquerosos”. Eles assumem também o papel de heróis animados quando combatem estes “inimigos” do lar e do bem-estar. Há ainda as seguintes hipóteses sobre o uso do personagem animado: utilizado como linguagem que remete o adulto à proteção do lar, da família e ao cuidado com o(s) filho(s); utilizado como recurso indireto para a criança influenciar a compra do produto pelo adulto; e fidelização da criança para seu futuro como consumidora.

revistapontocom – Então podemos dizer que (até mesmo) as propagandas de produtos de limpeza são voltadas para as crianças?
Carla Rabelo –
Indiretamente sim, já que, ao apresentarem personagens e animação, as propagandas chamam atenção das crianças além da atenção do adulto consumidor do produto. Os roteiros criados para a publicidade televisiva, por exemplo, oferecem histórias de ficção baseadas na realidade que vão de combates entre um herói e um inimigo perigoso, como o Pato Purific, encarnado a cada trama num super-herói distinto, lutando contra as bactérias do vaso sanitário, ou personagens humanizados realizando tarefas de limpar a casa num tom de magia. Este tipo de linguagem é familiar à criança e ao seu universo, já que ela cresce estimulada por estes signos. Vale adicionar e ressaltar que a criança é considerada a soberana do lar e sua participação nas decisões da casa tem sido crescente. O problema não está limitado somente à propaganda, mas a uma questão social na qual os pais, para aumentar a renda familiar, têm que dispor de um tempo cada vez maior longe de seus filhos e para compensar esta ausência cedem aos desejos e pedidos diversos. O consumo, permeado por incentivos políticos e empresariais, pode se tornar a moeda de troca, a redenção. Além disso, a indústria cultural e de consumo faz da criança uma peça influenciadora de seus pais mesmo em relação a produtos não destinados a ela, como automóveis (ex: comercial da Nissan com a banda Pequeno Cidadão), bancos (ex: Poupançudos, da Caixa Econômica Federal), entre outros. No passado, o cigarro foi utilizado para atrair o público infanto-juvenil por meio do personagem Joe Camel. O recurso está presente em várias classes de produtos, basta observar nos meios de comunicação.

revistapontocom – Portanto podemos dizer que as crianças determinam, muitas vezes, o produto de limpeza que a mãe compra no supermercado?
Carla Rabelo
– Não necessariamente, mas as crianças podem influenciar a compra ao reconhecer o personagem e fazer menção a ele, seja no supermercado ou em outro espaço. Outra forma de influência indireta é a lembrança da criança pela mãe ao escolher determinada marca pela forma como ela se comunica. Um produto repleto de elementos lúdicos pode remeter a mãe aos cuidados com seu filho.

revistapontocom – As mães têm noção desta estratégia?
Carla Rabelo
– Existe um fluxo mais amplo que precisa ser apresentado. Em minha dissertação de mestrado Perto do alcance das crianças – O papel dos personagens em propagandas de produtos de limpeza, sobre regulação e publicidade, entrevistei onze mães para tentar verificar algumas hipóteses relacionadas à publicidade de produtos de limpeza e a comunicação de risco. Em geral, elas não fazem ligação entre o uso dos personagens e a possível atração aos seus filhos, e não associam a advertência da embalagem Mantenha fora do alcance das crianças e sua ausência na publicidade audiovisual. Algumas mães, não todas, reconheceram o uso dos personagens e até criticaram, mas a problematização não aprofunda questões de um fluxo que vai da regulação até a prevenção em domicílio. E as mães que nem perceberam a estratégia são mais vulneráveis.

revistapontocom – Os comerciais lúdicos acabam “disfarçando” o perigo que os produtos trazem e com isso não há uma grande preocupação com seu armazenamento?
Carla Rabelo
– É possível, pois não há uma regulação efetiva à publicidade de produtos de limpeza, que são produtos tóxicos e se comunicam semelhante aos comerciais de brinquedos. Até mesmo site para crianças se divertirem foram criados, como é o caso da marca Minuano que, além de criar os personagens Minus, criou uma página na internet destinada às crianças. Existe apenas regulação para a embalagem, para o produto. Diante dessa cena permissível, as criações publicitárias ganham dimensões diversas. O comercial apresenta um mundo lúdico, sem perigos, de fácil manuseio, onde tudo se resolve num passe de magia e sem grande esforço, assim o próprio produto já não se configura como ele de fato é, um produto tóxico. Ele se transforma numa poção mágica. Esta configuração pode fazer com que ele ganhe outro caráter de classificação em seu armazenamento, como um produto sem perigos. A percepção de risco é redimensionada, reduzida.

revistapontocom – É grande o número de crianças que acaba sofrendo problemas devido ao manuseio/ingestão destes produtos?
Carla Rabelo
– Sim. Os acidentes com produtos de limpeza (saneantes domissanitários) oscilam entre segundo e terceiro lugar no ranking de intoxicações em crianças com idade abaixo dos cinco anos, conforme dados verificados no Sinitox (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas). Perde apenas para os medicamentos, outra grande fonte de intoxicação infantil. Os acidentes ocorrem pelo fácil acesso aos produtos que são deixados ao alcance das crianças. Elas são atraídas pela cor, desenhos, formato da embalagem, pela curiosidade ou por tentar imitar os pais. Na prática, o que acontece é a baixa percepção de risco da criança somada aos seus referenciais no adulto que fazem com que ela o imite lavando roupa, limpando a casa etc. Uma situação de autorização ao contato com produtos de limpeza. O perfume, as cores dos produtos ou mesmo o reconhecimento na embalagem do personagem que ela viu na propaganda podem fazer a criança interpretar o produto como sendo um objeto para ela brincar ou ingerir. E dependendo da idade da criança, a disponibilidade para experimentações é maior. Além disso, o uso de produtos clandestinos acondicionados em embalagens de refrigerantes confundem a criança. Muitos adultos não percebem esta relação, eles se sentem no controle da situação.

revistapontocom – O que dizem os órgãos envolvidos com o tema?
Carla Rabelo
– Na pesquisa, entrevistei responsáveis pelos principais órgãos de controle e prevenção às intoxicações, como Centro de Controle de Intoxicações (CCI/SP) e Centro de Assistência Toxicológica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Ceatox/SP). Ambos reforçam a dificuldade em lidar com o controle, já que a divulgação (comunicação de risco) carece de maior eficácia e a coleta de dados para mensuração das estatísticas anuais precisa de melhorias. Em outra vertente, a regulação publicitária no Brasil é executada no âmbito público pelo CDC (Código de Defesa do Consumidor) e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e no âmbito privado pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), sendo os dois primeiros de caráter legislativo e o último em caráter autorregulatório. Em visita a Anvisa, em Brasília, pude perceber a preocupação da instituição em suas investidas para regular a publicidade por meio das medidas em comunicação de risco e pela GPROP (Gerência de Monitoramento e Fiscalização de Propaganda, de Publicidade, de Promoção e de Informação de Produtos sujeitos à Vigilância Sanitária). Embora tenha um profissional específico para o controle das propagandas de medicamentos, de produtos de limpeza, entre outros produtos, ainda não tem medidas efetivas no âmbito dos saneantes. O órgão regula efetivamente os produtos e suas embalagens com leis que delimitam precauções sobre uso e manuseio, como é o caso da advertência vigente em produtos de limpeza (Conserve fora do alcance das crianças e dos animais). O CDC enfatiza a proteção à saúde e segurança dos cidadãos em relação a produtos perigosos ou nocivos, e reforça a educação e divulgação em relação ao modo de usar dos produtos, evitando a indução a um comportamento perigoso. O Conar é um órgão criado e gerido por profissionais da área de comunicação, e especificamente da publicidade. Consegue manter normas da classe para que sejam seguidas, mas como não é lei, não consegue ter uma força efetiva, e algumas decisões ficam a desejar. Sobre produtos de limpeza não há normas específicas. As normas existentes apresentam definições passíveis de diversas interpretações, mas na dissertação fiz associações com outras categorias como de bebidas alcoólicas e de produtos tóxicos onde puder constatar a menção aos cuidados relativos à criação e à comunicação publicitária, tanto para a prevenção de acidentes, quanto para os cuidados com as crianças. Por outro lado, algumas organizações não-governamentais como o Instituto Alana e a Criança Segura desenvolvem medidas preventivas e de conscientização da população em relação à comunicação publicitária. A atuação do poder público tanto pela exigência das empresas em fazer valer sua responsabilidade perante à sociedade, quanto em apresentar os perigos dos produtos em sua comunicação (publicidade, jornalismo, relações públicas, cinema, etc), deve ser efetiva para mitigar os riscos aos quais estamos expostos. Em resumo, para que isso se concretize, o somatório de responsabilidades (civil, jurídico e estatal) e a discussão sobre as nuances da comunicação de risco devem ganhar atenção, principalmente para o benefício social e diminuição dos acidentes.

Professores e gestores levam cultura e educação para a escola

Por Marcus Tavares

Desde outubro, um grupo formado por gestores, professores e animadores culturais de 12 escolas do Estado do Rio de Janeiro participa de uma série de encontros semanais com o objetivo de se qualificar na interface entre cultura e educação. O curso de extensão, oferecido na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), tem o objetivo de capacitar e atualizar os cerca de 50 profissionais das instituições que foram selecionadas para receber o projeto Núcleos de Cultura nas Escolas (NCE).

De acordo com o programa, promovido pelas secretarias de Estado de Educação e Cultura do Rio, cada núcleo de cultura contará com equipes de gestores especializados e equipamentos multimídia para estimular o empreendedorismo na área da cultura e promover o desenvolvimento de projetos nas áreas de leitura, cultura digital, linguagem audiovisual, educação ambiental, artes visuais, cênicas, música e dança.

A grade de atividades ainda prevê cursos, oficinas, projetos, dentro e fora da escola, além da formação de redes cooperativas de produção, experimentação e aprendizagem, com o propósito de consolidar a identidade das escolas como pólos de cultura e cidadania para as comunidades em que elas estão inseridas. Os espaços serão estruturados com laboratórios digitais, bibliotecas e ateliês de produção artística, com acervos de livros, filmes e CDs que formam um painel representativo da cultura brasileira e mundial.

Segundo a professora e jornalista Marcia Stein, uma das coordenadoras do curso de capacitação, o encontro semanal com os profissionais vem possibilitando a construção de uma rede de discussão e reflexão sobre as relações entre cultura e educação.

“Desta forma, queremos contribuir para reaproximar cultura e educação, conectando as escolas entre si, atraindo alunos e comunidades para as escolas e tornando essas instituições mais próximas do universo de interesses dos jovens, uma vez que teremos projetos envolvendo cultura digital, com atividades de cinema, desenvolvimento de blogs, olimpíadas de jogos eletrônicos etc”, destaca Márcia.

Márcia, que divide a coordenação do curso com a professora Cascia Frade, afirma que as aulas acontecerão até maio do próximo ano. Todo o conteúdo das aulas (confira, abaixo, o programa) será disponibilizado em versão digital nos portais das secretarias de Estado de Cultura e Educação do Rio. “Vamos também produzir uma versão impressa, bem como dar livre acesso aos vídeos e às apresentações dos palestrantes, democratizando este material tão rico para os educadores da rede pública”, finaliza.

Participam do projeto os seguintes colégios:
– C.E.Monteiro de Carvalho, Santa Teresa
– C.E.Clóvis Monteiro, Manguinhos
– C.E. Guadalajara, Duque de Caxias
– C.E. Brigadeiro Schorchdt, Taquara
– C.E. Leopoldo Fróes,  Niterói
– C.E. Oswald de Andrade, S. J. de Meriti
– C.E. Mario de Andrade, Santa Cruz
– C.E. Yonne Maria Siqueira, Nova Iguaçu
– C.E. Clodomiro Vasconcellos, Itaguaí
– I.E. Clélia Nancy, São Gonçalo
– CAIC Theóphilo de Souza Pinto, Complexo do Alemão (Nova Holanda)
– C.E. Luiz Carlos da Vila, Manguinhos

 

Conheça o programa do curso:

Módulo I – Seminários de fundamentação teórica
– Seminário 1: Cultura e Educação em diálogo
– Seminário 2: Cultura, Arte e Identidade
– Seminário 3: Conexões culturais
– Seminário 4: Gestão de Projetos Culturais na Escola

Módulo II – Cultura digital em debate
– Fórum: Cultura da convergência, novas Mídias (Web/Net; Dispositivos portáteis; Rádio digital, convergência de mídias) e redes de aprendizagem

Módulo III – Processos criativos e suas realizações (oficinas)
– Oficina 1: Literatura, Poesia, Contação de histórias e outras Linguagens e Gêneros Narrativos
– Oficina 2: Linguagem Audiovisual – Cinema e TV/animação
– Oficina 3: Artes visuais, Arte-Educação, Fotografia, Design e HQ
– Oficina especial 1: Psicanálise e Educação. Orientação Vocacional
– Oficina 4: Música – ritmos e preparação vocal, recursos da voz e da linguagem sonora
– Oficina 5: Teatro, Artes Cênicas e Cenografia
– Oficina 6: Dança, Movimento, Expressão Corporal & Artes Circenses
– Oficina Especial 2: Patrimônio Cultural e Cidadania
– Oficina Especial 3: Gastronomia

Módulo IV – Projeto supervisionado
– Oficina inicial: Planejamento, elaboração, gestão e avaliação de projetos culturais na escola
– Oficina de encerramento: apresentação dos projetos dos alunos

Geração de sexo, drogas e rock in roll. Será?

folhateen

Por Marcus Tavares
Jornalista e professor. Editor da revistapontocom

O ombudsman da Folha de S. Paulo, o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, em sua coluna do último domingo, analisou e comentou as críticas que o jornal recebeu devido à publicação de uma matéria de capa no caderno Folhateen, suplemento do jornal voltado para os adolescentes, que abordava o consumo de maconha em família. A reportagem Baseado em família. Pais e filhos que fumam maconha juntos falam sobre o costume; especialistas comentam foi publicada no dia 23 de novembro.

Segundo o ombudsman, o material “bem feito, é isento, dá voz a quem concorda e adota essa prática tanto quanto a quem discorda dela e a condena”. Em sua coluna, ele acrescenta que “também é indispensável registrar que esse procedimento familiar ocorre na realidade social, embora não seja universalizado, em especial nos estratos que compõem boa parte do leitorado da Folha. Abordá-lo, portanto, é jornalisticamente justificável e o que foi mostrado ao leitor não tem problemas relevantes”.

Duas questões chamam a atenção. Será que realmente esse procedimento familiar ocorre na realidade social de boa parte do leitorado da Folha, como diz o jornalista? Fiquei curioso: o jornal dispõe de pesquisas que comprovem estatisticamente este dado?

Fico também me perguntando se o que foi apresentado ao leitor ”não tem problemas relevantes”. Será? Acredito que seja totalmente relevante e até mesmo justificável abordar este assunto. Explico: trata-se de um tema pertinente a uma pequena fatia da realidade de alguns jovens que impacta direta ou indiretamente o dia a dia de uma população que vive, nas grandes cidades, amedontrada – seja no asfalto ou na favela – com os efeitos do tráfico e da criminalidade que resultam do consumo de drogas. Não quero dizer que o consumo que as famílias – retratadas na matéria – fazem da maconha seja o vilão. Mas alguém tem dúvida de que esse consumo também contribui para a violência?

Penso que a matéria, embora traga a visão de especialistas (médicos e magistrados), num espaço e com um peso menor, possa desconstruir muitas práticas de ensino de escolas, campanhas, bate-papos entre filhos e pais e trabalhos de recuperação de jovens e (de adultos também) em clínicas de reabilitação.

A questão não é ser moralista ou conservador. A questão é outra: será que os jornalistas, os editores, os gestores dos cadernos voltados para os jovens têm exata consciência de sua responsabilidade? Dos efeitos que causam suas reportagens? O papel do jornal é o de apenas provocar?

Se o único retorno que o jornal tem são as opiniões dos leitores, por que essas opiniões não são levadas em consideração? Digo isto, pois, mais adiante em sua coluna, o jornalista diz que fez um levantamento de todas as correspondências recebidas durante este ano sobre o conteúdo do Folhateen e que “curiosamente” quem se manifesta majoritariamente não faz parte do público a que se destina o caderno. “Reli toda a correspondência sobre ele que me chegou às mãos neste ano: 80% provieram de não adolescentes; muitos ressaltavam não ter filho adolescente; 50% atacavam material que tinha a ver com sexo ou drogas”, destaca.

O ombudsman acerta ao afirmar que estes dados podem, na verdade, revelar que os adolescentes não se queixem porque nem leem o suplemento, fato que ele duvida, já que a empresa não manteria o caderno. Outras hipóteses levantadas: “pode ser que gostem do conteúdo ou que pelo menos não desgostem a ponto de se mobilizar”. Sem saber ao certo, ele confessa que “não é possível ter certeza”.

Ora, se não é possível ter certeza, o jornal não deveria, ao menos, levar em consideração as colocações que chegam? Ou, no mínimo, desenvolver pesquisas junto ao público alvo. Algum ruído na comunicação deve estar acontecendo.

Ao final do texto, o ombudsman faz, de certa forma, uma defesa do caderno. Traz uma questão óbvia. Diz ele que um veículo que se dirige aos jovens não pode ignorar tais assuntos e que “o que é seguro é que sexo, drogas e rock and roll despertam o interesse e a curiosidade de muitos adolescentes e possivelmente estão no centro da atenção de vários”.

Como professor e jornalista, gostaria de ter a exata certeza do ombudsman da Folha de S. Paulo. Infelizmente, não tenho. A questão da sexualidade aflora na adolescência. Muitos jovens descobrem o primeiro amor. Querem vivenciar intensamente as paixões e as transformações que passam no corpo.

Mas diante do dia a dia em que vivem, da realidade nada fácil, das exigências e provas que continuamente têm de passar, das expectativas quanto ao futuro profissional, não creio que seja seguro afirmar que sexo, drogas e rock and roll, possivelmente, estejam no centro da atenção de vários adolescentes. Podem até estar, mas, com certeza, ao lado de muitos outros. Talvez, seja preciso definir e explicar quem e quantos são, realmente, os leitores/adolescentes da Folhateen.

É possível unir cinema e escola?

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Por Marcus Tavares

De que forma o cinema deve entrar na escola? Pela porta da frente? Então, como disciplina? Ou seria por meio de uma prática de extensão? Ou, quem sabe ainda, como uma atividade laboratorial? Ao querer incorporar o cinema, a escola vai sistematizar e racionalizar o conhecimento, a arte, a emoção? Este é o caminho?

Definitivamente, conjugar cinema, escola e currículo não é uma tarefa nada fácil, nem para estudiosos no assunto. Mas uma coisa é certa: é preciso encontrar um caminho, pois a sétima arte, o audiovisual, participa da realidade, da constituição de valores, conhecimentos e da identidade das pessoas. Esse foi o recado dado pelos professores que participaram da mesa redonda Cinema, cultura e currículo: propostas contemporâneas, do primeiro dia do II Encontro Internacional de Cinema e Educação da UFRJ, realizado na última segunda-feira.

Mediada pela professora Rosália Duarte, do Departamento de Pós-Graduação em Educação da PUC-Rio, a mesa contou com a presença de Marília Franco, da Escola de Comunicações e Arte da USP; de Carmen Teresa Gabriel, do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ; de Cristina Miranda, do Colégio de Aplicação da UFRJ; e de João Luiz Leocádio, professor do curso de cinema da UFF.

Segundo a professora Marília Franco, o cinema faz aflorar nas pessoas competências cognitivas que a educação formal e tradicional recalcam. O cinema é, portanto, revolucionário. Para Marília, a escola ainda trabalha no paradigma do saber centralizado e formalizado, que se baseia no sentido da acumulação de conhecimentos, quando, no mundo atual, esse conhecimento está cada vez mais “explodido e disperso” e precisa ser cada vez mais selecionado. Neste sentido, diz a professora, a escola olha para o conhecimento e não para o sujeito.

De acordo com Franco, enquanto a escola entender o ensino e o conhecimento sob a perspectiva da acumulação, o cinema, assim como qualquer outro produto audiovisual, não conseguirá ser bem trabalhado como prática pedagógica, como provocador de uma educação da sensibilidade e do estético em contraposição a uma educação baseada na racionalidade e na sistematização de dados.

Polemizando o debate, a professora Carmen Tereza destacou as especificidades – tradicionais, claras e, de certa forma, dissonantes – entre a escola e o cinema, instigando o público a pensar de que maneira então, por meio do currículo, a sétima arte poderia se integrar à escola de uma forma contundente, oficial e pela porta da frente.

Cristina Miranda, do Colégio de Aplicação da UFRJ, trouxe um pouco da experiência dos alunos da sua instituição, que tem o objetivo de aproximar a linguagem cinematográfica do cotidiano das crianças, desmistificando a construção do cinema e possibilitando, inclusive, uma visão crítica do meio.

Trabalho que o curso de cinema da UFF quer auxiliar. Em sua fala, o professor Leocádio anunciou que a instituição, a partir do próximo ano, oferecerá licenciatura em audiovisual para os estudantes. A ideia é capacitá-los para trabalhar com o cinema na sala de aula.

Classificação indicativa: Ministério da Justiça divulga resultado de pesquisa

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Promover uma maior divulgação dos símbolos da Classificação Indicativa e seus respectivos significados (conforme foto acima), estabelecer parcerias com escolas com o objetivo de divulgar entre crianças e jovens o objetivo das ações e avançar na fiscalização da programação de TV aberta e fechada. Estes foram os pontos principais levantados e defendidos pelos participantes do 1º Seminário Internacional de Classificação Indicativa. Realizado nos dias 26 e 27 de novembro, em Brasília, o encontro reuniu jornalistas, advogados, juízes, professores, pesquisadores e produtores de mídia.

Na ocasião, foi divulgado o resultado da pesquisa Radiodifusão de Conteúdo Inadequado: a Classificação Indicativa e os Direitos Humanos, realizada, em 2008, pelo Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação (Dejus) do Ministério da Justiça. De acordo com o Dejus, o levantamento permitiu confrontar as respostas de crianças, adolescentes e adultos quanto à percepção da Classificação Indicativa veiculada pelas emissoras brasileiras. Cerca de quatro mil pessoas foram entrevistadas.

A revistapontocom reproduz, abaixo, os principais resultados:

– 70,8% reconhecem o significado dos símbolos da Classificação Indicativa.
– 21,5% não reconhecem os símbolos da Classificação Indicativa.
– 15,8% dos adultos afirmam que o conjunto de símbolos aparece muito rápido na tela da TV.
– 12,5% afirmam que os símbolos não são bem compreendidos, pois falta áudio na mensagem.
– 8,7% afirmam que os símbolos não são bem compreendidos, pois aparecem pequenos.
– 75,4% das crianças e dos adolescentes reconhecem existir conteúdos impróprios na TV.
– 74,8% dos adultos têm algum nível de preocupação com o que crianças/adolescentes veem. 
– 51% afirmam usar a classificação para escolher o que sua família irá assistir.
– 74,2% dos adultos veem necessidade de controle externo.
–  54,4% indicaram a classificação por faixa e horário o melhor instrumento de controle.
– 36,9% manifestaram-se favoráveis à censura.
– 42,3%  das crianças afirmam ser a mãe  a pessoa responsável pelo controle da programação.
– 19,4%  das crianças afirmam ser o pai a pessoa responsável pelo controle da programação.
– 45,2% das crianças e dos adolescentes dizem obedecer às restrições dos pais.
– 47%  das crianças e dos adolescentes dizem cumprir parcialmente às restrições.
– 4,3% das crianças e dos adolescentes afirmam desobedecer às restrições.
– 14,6% dos adultos dizem que se preocupam com a influência das cenas de sexo.
– 27,7% dos adultos dizem que se preocupam com a influência das cenas de violência.
– 12,5% dos adultos dizem que se preocupam com a influência das cenas de droga.
– 15,8% dos adultos dizem que se preocupam com o que as crianças imitam da TV.

Aids em história em quadrinhos

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O Colégio Estadual Walter Orlandini, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, sediou, no dia 17 de novembro, a entrega do Prêmio Escola 2009, que visa promover entre os alunos de escolas públicas e privadas do país uma conscientização na prevenção às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs e Aids) e ao uso de drogas. Em sua oitava edição, os participantes tiveram que criar uma história em quadrinhos com o objetivo de falar sobre o tema. A coordenação recebeu cerca de 1.300 trabalhos de todo país.

Foram selecionados nove produtos. Um dos autores premiados foi o aluno Wildon Odaine dos Santos, de 19 anos, do Centro de Ensino Médio 304 Samambaia, localizado no Distrito Federal. Wildon criou a história “Aids, previna-se”.

Confira o trabalho de Wildon

Cada estudante ganhou uma viagem ao Rio de Janeiro, certificado e um MP3. A promoção do projeto é do Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS), da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), do UNFPA (Fundo das Nações Unidas para Populações), do Unicef (Fundo das Nações Unidas para Infância), do UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes), e do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação.

Veja a lista dos premiados:

– Ensino Fundamental
1. Escola: Caic Professor Gilberto Dalla Vecchia
Professora: Áurea Aparecida Moroti Soave
Aluno: Gabriel Vitor da Silva Ribeiro, 9 anos
História: Certo e Errado
Cidade: Batatais – SP

2. Escola: Escola Municipal Vice Governador Benedito Figueiredo
Professora: Katianne de Oliveira Rezende
Aluno: Paulo Barbosa de Matos Junior, 17 anos
História: Sem nome
Cidade: Itabaiana- SE

3. Escola: EEEM Baltazar de Oliveira Garcia
Professora: Maria Luiza Pradella Ramos
Aluna: William Carvalho da Silveira, 15 anos
História: Pense Bem
Cidade: Porto Alegre – RS

– Ensino Médio
1. Escola: Centro de Ensino Médio 304 Samambaia
Professora: Sueli Souza Feitosa
Aluno:Wildon Odaine P. dos Santos, , 19 anos
História: Aids, Previna-se
Cidade: Samambaia – DF

2. Escola: ETEC Antônio Devisate
Professora: Cláudia Mara P. S. Parolisi
Aluna: Aline Cristina Andriussi Pilla, 17 anos
História: Duda e Mel em Prevenção
Cidade: Marília – SP

3. Escola: EE Prof. Célia Vasques Ferraru Duch
Professora: Susana Rodrigues dos Santos
Aluno: Adriano Mariano Pereira, 17 anos
História: Sem camisinha não rola
Cidade: Taquarivaí – SP

Licenciatura em Educomunicação na USP

A Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) conseguiu aprovar o projeto destinado à criação de uma licenciatura na área de midiaeducação, chamada de Educomunicação. A proposta foi aprovada, no dia 17 de novembro, pelo Conselho Universitário da instituição.

A licenciatura, primeira do país, destina-se a preparar profissionais para atender as demandas provenientes do campo da educação formal e das iniciativas sociais que preveem o uso das tecnologias da informação e das linguagens da comunicação em projetos voltados para a comunicação educativa.

O profissional que será formado encontrará espaço de atuação na docência, especialmente nos cursos profissionalizantes de nível médio voltados para a comunicação e para as tecnologias da informação. Terá atuação, ainda, no desenvolvimento de projetos destinados a qualificar a expressão comunicativa da comunidade escolar. No caso, o educomunicador agirá como um assessor a serviço das secretarias de comunicação, das diretorias de ensino e das próprias escolas.

O conceito da Educomunicação, uma proposta de midiaeducação, vem sendo aplicado, especialmente na última década, à ação profissional na interface entre os dois campos. Muitas dessas experiências, tanto presenciais quanto à distância, são implementadas por docentes e núcleos de pesquisa vinculados ao Departamento de Comunicações e Artes da ECA.

O novo curso, com 2.800 horas e duração de quatro anos, será oferecido no período noturno, a partir de fevereiro de 2011. Uma equipe multidisciplinar de 19 professores doutores assumirá as disciplinas e a direção do novo programa.

De acordo com o Ismar de Oliveira Soares, professor e coordenador do Departamento de Comunicações e Artes da USP, a aprovação do novo curso é uma vitória de um esforço coletivo de uma equipe de pesquisadores e docentes da Escola de Comunicações e Artes (ECA) – muitos dos quais aposentados –, que identificaram o potencial da ECA para o atendimento das demandas que a sociedade da informação está colocando para o ensino da comunicação e da educação no mundo contemporâneo.

Fonte:  Núcleo de Comunicação e Educação da USP