Televisão ainda é a mídia mais acessada pelos jovens americanos

 

crianca

O boom de celulares, iPods e sites como o YouTube entre crianças e adolescentes impulsiona uma mudança no modo como esse público vê TV: eles consomem mais conteúdo produzido para a televisão, mas ficam menos diante do televisor. A afirmação é da Kaiser Family Foundation, que acaba de divulgar a pesquisa Generation M2 – Media in lives of 8 to 18 years old. O levantamento ouviu 2.002 americanos, na faixa etária dos oito aos 18 anos.

Apesar de o conteúdo de televisão ser o mais consumido dentre as opções de entretenimento (são 4h29 diárias, 38 minutos a mais do que em 1999), pela primeira vez na década, o tempo diante do televisor caiu: são 25 minutos a menos em dez anos (3h04 em 2009 contra 2h39 em 1999). Um dos motivos é o fato de os aparelhos portáteis ganharem mais espaço: 20% do consumo total (2h07) acontece em celulares, iPods e vídeo games portáteis.

Segundo o estudo, 59% dos entrevistados assistem aos programas de TV do jeito “clássico”, ou seja, no televisor no horário em que são transmitidos, e 41% usam também outros aparelhos para ver o conteúdo televisivo. 71% dos jovens têm televisores em seus quartos.

Generation M2 mostra que a televisão é, portanto, ainda a mídia mais consumida pelos jovens americanos. Logo depois aparecem: música (2h31 diárias), computador (1h29 diária), videogame (1h31 diária), impressos (38 minutos diários) e filmes (25 minutos diários).

Esta é a terceira pesquisa – nos mesmos moldes – que a instituição faz. A primeira foi realizada em 1999 e a segunda, em 2004. De 1999 para 2009, o tempo que os jovens ficam expostos à mídia cresceu em 2h12. Crianças e jovens na faixa dos oito aos dez anos passam, em média por dia, 7h51 com a mídia. Os que têm entre 11 e 14 anos, 11h53. Já os mais velhos, dos 15 aos 18 anos, 11h23.

Assista ao vídeo com os dados da pesquisa

Acesse a apresentação em pdf da pesquisa

Outros resultados:

– O percentual de crianças e adolescentes com celular passou de 39% em 2004 para 66% em 2009. Os jovens passam 49 minutos por dia usando o celular para ouvir música, jogar ou ver TV. O celular é usado por 33 minutos por dia para falar com amigos e outras pessoas.

– A posse de iPods e outros players de MP3 subiu de 18% para 76% entre as crianças.

– A TV ainda é o meio que domina – o consumo é de 4 horas e 29 minutos por dia. São 38 minutos a mais do que há cinco anos.

– 59% dos entrevistados disseram que seu consumo diário de TV envolve estar diante de um televisor tradicional assistindo à programação no momento em que ela é transmitida pelas emissoras. Mas 41% responderam que também vêem programas através de DVRs, vêem conteúdo de TV na internet, assistem a DVDs e vêem vídeos em aparelhos móveis.

– A multitarefa é um fenômeno que permite às crianças e jovens condensar o consumo de mídia – as 7 horas e 38 minutos diárias de mídia equivalem, na verdade, a 10 horas e 45 minutos porque mais de um meio é utilizado simultaneamente.

– Além da TV, também são populares entre as crianças a música (2 horas e 31 minutos diários), o computador (1 hora e 29 minutos) e os videogames (1 hora e 13 minutos). Por outro lado, a mídia impressa é consumida por apenas 38 minutos por dia.

– Quando estão online, os jovens passam 22 minutos em média por dia em sites de rede social. 74% dos pré-adolescentes informaram já ter criado seus perfis em sites de rede social. Na internet, a garotada também passa um bom tempo jogando (17 minutos em media por dia) ou visitando sites de video (15 minutos/dia em média).

O poder da mente na campus party 2010

 

Não, não é filme de ficção científica e muito menos um truque de mágica. Você – e qualquer pessoa – já pode comandar ações à distância apenas com a força do pensamento. Pelo menos, é isso que os participantes da Campus Party 2010 poderão experimentar. Durante os sete dias da feira – que vai até o dia 31 de janeiro, em São Paulo -, a companhia de neuro-engenharia Emotiv Systems vai apresentar ao público a sua interface digital capaz de ler ordens diretas do cérebro.
 
Trata-se do Emotiv Epoc, um headset que capta os sinais neurais, os processa e realiza a transmissão dos mesmos para os mais diferentes usos: deficientes físicos podem mover suas cadeiras de rodas com o pensamento, gamers podem jogar sem joysticks, músicos podem compor sem precisar escrever, pesquisadores podem obter reações instantâneas sobre produtos ou experimentos e outras infinitas possibilidades. O produto está sendo comercializado em pequenas quantidades somente nos EUA.

O Emotiv Epoc detecta a atividade cerebral não invasiva usando eletroencefalografia (EEG), uma medida de ondas cerebrais, por meio de sensores externos ao longo do couro cabeludo, que captam as ondas elétricas em várias partes da superfície do córtex cerebral.

A empresa desenvolveu o produto com a ajuda de uma equipe multidisciplinar que incluía neurocientistas, que compreenderam o cérebro em um nível de sistemas (em vez de células individuais), e com um engenheiro de computação com especialização em aprendizagem da máquina e reconhecimento de padrão.

Sobre a Campus PartyCriada na Espanha em 1997, a Campus Party transformou-se, em 12 anos de existência, no maior evento mundial que integra tecnologia, conteúdo digital e entretenimento em rede. Os participantes mudam-se com seus computadores, malas e barracas para dentro de uma arena, onde se conectam a uma rede super veloz e convivem em torno de oficinas, palestras, conferências, competições e atividades de lazer. Em 2008, o evento entrou em processo de internacionalização e ganhou edições no Brasil, Colômbia e, a partir deste ano, no México.
 
Em sua terceira edição no Brasil, a Campus Party, que acontece no Centro de Exposições Imigrantes,  se consolida como o principal ponto de encontro físico das redes sociais da internet interativa, proporcionando aos visitantes a troca livre de conteúdos, as últimas novidades tecnológicas e o compartilhamento de experiências ligadas ao mundo digital. Participam do encontro estudantes, professores, cientistas, jornalistas, pesquisadores, artistas, empresários e milhares de visitantes amantes da tecnologia e internet.

Prepara-se para o Dia Internacional da Criança

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O Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV (ICDB), promovido há cerca de 15 anos pelo Unicef, será comemorado este ano no dia 7 de março. O tema é Todos os direitos. Todas as crianças. A ideia é aproveitar a data para comemorar o 20º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, celebrado em 2009. A exemplo dos anos anteriores, emissoras de TVs e rádios, em todo mundo, estão convidadas para, neste dia, preencherem sua programação com conteúdo realizado por, para e sobre crianças e adolescentes.

“O direito à participação e à liberdade de expressão é essencial para o desenvolvimento dos adolescentes. Ao dar voz aos mais jovens, as emissoras têm a oportunidade de fortalecer meninas e meninos em seus conhecimentos sobre os meios de comunicação. Isso mostra a outros adolescentes que eles também podem se expressar. E mostra ao mundo o que os mais jovens pensam sobre sua vida e suas comunidades”, conclama o Unicef.

Premiação

O Unicef vai premiar as emissoras de rádio e TV que melhor capturarem o espírito do ICDB. As inscrições para o prêmio serão abertas logo após a celebração, quando as emissoras poderão submeter seus programas e programação do Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV 2010. O prazo para as inscrições será encerrado no dia 15 de junho de 2010.

A instituição vai premiar as emissoras que melhor promoverem os princípios, as propostas e o tema principal do Dia. Cada ganhador regional será convidado para ir à Nova Iorque em novembro e uma dessas emissoras de televisão e uma de rádio receberão o aclamado Prêmio Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV.

O fim da privacidade em disputa

Por Fernanda Bruno
Professora e pesquisadora da UFRJ

O mote deste post, para quem acompanha as discussões sobre redes sociais e privacidade, é a mais recente delcaração do fundador do Facebook, rede social com 350 milhões de usuários que mudou recentemente a sua política de privacidade adotando como padrão a publicização de dados (como lista de amigos, fotos de perfil, páginas subscritas) que antes ficavam restritos a redes de amigos eleitos.

Mark Zuckerberg declarou numa entrevista que tais alterações atendem ao fato de que atualmente a norma social vigente na rede é a da publicidade e não a da privacidade. A declaração consegue ser ao mesmo tempo óbvia, verdadeira e falsa.

Vejamos porque, mas não interessa tanto discutir aqui o que de fato disse ou quis dizer o fundador do Facebook (inúmeros posts e matérias sobre o tema estão disponíveis na rede). Tomo o enunciado, mais que seu autor, como pretexto para algumas notas sobre a questão da privacidade.

– História
Sim, a privacidade está sujeita a variações históricas, mas é preciso lembrar que em sua curta história ela jamais foi plenamente “estável”. Ainda que tenha se consolidado jurídica, social e subjetivamente na Modernidade, já em seu nascimento o seu valor e seus limites eram objetos de tensões, deslocamentos e disputas políticas e sociais etc. Basta pensar nos ideais revolucionários e republicanos (representados sobretudo por Rousseau e seu elogio da transparência), que mantinham uma enorme desconfiança em relação à esfera privada e seus vínculos históricos com interesses particulares e complôs. Sobre o relativo fracasso desses ideais vão se firmar as bases de proteção e culto da vida privada, bem como suas fronteiras com a esfera pública, que traduzem o triunfo da teoria política pós-revolucionária e o movimento romântico de mergulho no eu. Os contornos modernos que conhecemos e herdamos – a separação público/privado e a definição de papéis em cada uma dessas esferas, a valorização da família, os direitos do indivíduo, a inviolabilidade do domínio privado, o direito ao segredo, à solidão, a proteção ao anonimato etc – foram resultado de embates na definição das relações entre o estado e a sociedade civil, o indivíduo e o coletivo. Logo, a privacidade, não sendo uma condição “natural”, está sujeita a variações, mas estas não seguem um princípio “evolutivo” que levaria a sua extinção (como quer Zuckerberg), mas são (e foram sempre) o efeito de embates sociais, políticos, econômicos. A história da privacidade é uma história política do cotidiano, onde a micro e a macro-política não cessam de se misturar. É nesse sentido que se deve compreender as recentes transformações nos seus limites.

– Disputa
A privacidade hoje está em disputa. Não se trata de afirmar que ela existe ou deixou se existir, mas de compreender os discursos, forças e práticas que hoje disputam pelo sentido, valor e experiência da privacidade. Essa disputa é especialmente sensível no campo das redes distribuídas de comunicação. Assim, é preciso entrecruzar a disputa em torno da privacidade e as disputas políticas, econômicas, sociais, cognitivas e estéticas que se travam no âmbito dessas redes, de seus “bens” materiais e imateriais, de seus modelos de comunicação, circulação e produção de informação, conhecimento, cultura etc. Não raro (embora não necessariamente) os que clamam pelo fim da privacidade também clamam pelo controle da liberdade e do anonimato, ou pelo controle das práticas de
compartilhamento e colaboração na rede.

– Interesse
É preciso perguntar a quem (e como) interessa afirmar o fim da privacidade. Embora nem sempre seja justo, é útil identificar algumas coincidências. Quando li essa declaração do fundador do Facebook foi imediata a lembrança de uma afirmação muito similar, pronunciada por Donald Kerr, oficial da inteligência estadunidense do recente governo Bush. O oficial clamava por uma redefinição da privacidade e argumentava que as novas gerações das redes sociais já não a entendiam segundo “velhos termos”, uma vez que expunham voluntariamente suas vidas on-line. É claro que os interesses e perspectivas envolvidos em cada caso são distintos, mas é importante notar os pontos em que eles se aliam e os pontos em que se afastam. É fundamental ainda ressaltar que na atual disputa em torno da privacidade há múltiplos modos de reivindicar a sua redefinição e mesmo a sua eliminação em certos domínios.

– Dois pesos e duas medidas
As mesmas empresas (como o Facebook) que clamam pela redução da privacidade dos seus usuários (uma vez que essa suposta redução é um dos atrativos de seus negócios) reivindicam fervorosamente a sua própria privacidade quando são inquiridas acerca dos usos que fazem da massa de dados pessoais que capturam desses mesmos usuários (e em cujos bancos de dados residem as verdadeiras moedas de seus negócios).

– Duas ordens de dados pessoais
A nota acima aponta para duas ordens de dados pessoais geradas nos ambientes digitais, as quais precisam ser diferenciadas em qualquer discussão sobre privacidade. Na camada mais superficial e visível desses ambientes, há os dados pessoais que os indivíduos geram e disponibilizam voluntariamente e sobre os quais usualmente têm o controle do seu grau de visibilidade e publicidade (conforme as ferramentas disponibilizadas aos usuários, e nas quais inscrevem-se as nuances éticas da política de privacidade desses serviços e ambientes). Tais dados pessoais voluntariamente publicizados geram uma segunda camada de dados que podem ou não conter meios de identificação dos indivíduos que os geraram. Agregados em bancos de dados e submetidos a técnicas de mineração e profiling, tais dados geram mapas e perfis de consumo, interesse, comportamento, sociabilidade, preferências políticas que podem ser usados para os mais diversos fins, do marketing à administração pública ou privada, da indústria do entretenimento à indústria da segurança, entre outros. Neste caso, o controle do indivíduo sobre os seus próprios dados é bem menos evidente e, a meu ver, a noção de privacidade (nos seus termos jurídicos) não dá conta da complexidade de questões sociais, políticas e cognitivas envolvidas. Venho procurando analisar em meus textos como as práticas de monitoramento, controle e vigilância dos dados pessoais no ciberespaço inscrevem-se sobretudo nessa segunda camada de dados.

– O óbvio, o verdadeiro e o falso
Por um lado, a afirmação de Zuckerberg repete o que já se tornou óbvio – o processo de publicização da vida privada nos ambientes de comunicação contemporâneos (dos reality shows às redes sociais). Esta constatação, verdadeira, não implica, contudo, o fim da privacidade. Esse fim é falso em muitos níveis. Para citar apenas um, vale lembrar que essa publicização não significa que as pessoas não se importem mais com a sua privacidade, mas sim que elas querem encená-la em público. E encenar a privacidade em público pode (com algum risco) implicar sobre ela um controle maior e não menor. Enquanto escrevia esta nota lembrei-me do trabalho do artista Hasan Elahi.

– A privacidade (como intimidade) está em outro lugar
Seja numa autobiografia, num diário íntimo, numa carta amorosa ou nas atuais formas midiáticas de exposição da vida privada, há um saber tácito de que mostrar é também uma forma de esconder. O interesse por essas vidas privadas nas redes sociais talvez esteja não apenas naquilo que elas expõem, mas também no saber tácito (ainda contaminado pela memória do eu psicológico-romântico moderno) de que estamos sempre nas margens ou nas bordas da intimidade, a qual está sempre em recuo, alhures. Se por um lado a exposição da intimidade é uma isca do entretenimento midiático e de parte (sim, apenas parte) das dinâmicas das redes sociais, por outro lado ela pode, se levada ao limite, se afogar no seu próprio excesso.

Fonte – http://dispositivodevisibilidade.blogspot.com/

Óculos-mouse: patente de jovens brasileiros

oculosmouse

Projeto – óculos-mouse
Instituição – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense
Localização – Rio Grande do Sul

Óculos-mouse: criação brasileira, produção juvenil. É isso mesmo. Os estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandesense, Alexandre Sampaio, Cléber Quadros e Filipe Carvalho, se destacaram no Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, realizado no final do ano passado, em Brasília. O trio, sob a supervisão do professor Márcio Bender, projetou óculos que funcionam como mouse, auxiliando, principalmente, o acesso ao computador das pessoas portadoras de necessidades especiais.

Segundo Bender, a ideia tem tudo para ser comercializada exatamente por se tratar de uma tecnologia que permite a inclusão de deficientes físicos. Por meio de um sistema eletrônico interligado, que utiliza um emissor de luz infravermelha e um receptor fixados em um par de óculos, é possível acionar o clique do mouse com apenas um piscar de olhos. “O equipamento é eficiente, de baixo custo e atende às necessidades e limitações do usuário”, afirma o professor.

Já para a movimentação do cursor, foi desenvolvido um sistema de sensores, colocados em locais específicos nos óculos. Eles captam a inclinação da cabeça, tanto para a direita como para a esquerda, e transmitem o sinal ao mouse.

Alexandre, Cléber e Filipe têm consciência da importância de sua criação. Em Brasília, o trio foi muito assediado pelos visitantes, interessados em mais informações sobre o projeto. “Eles queriam saber detalhes, até mesmo para poder reproduzir mais tarde”, explicam.

O óculos-mouse também é um dos projetos finalistas da categoria Engenharia/Eletrônica da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), que será realizada entre os dias 9 e 13 de março deste ano.

Histórias infantis para ouvir e … navegar

“Boas histórias são capazes de navegar em qualquer formato e as crianças sabem disso”, Camila Targino

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Por Marcus Tavares

Rádio, histórias, internet e infância. A liga parece que vem dando certo e, inclusive, sendo prestigiada. Em dezembro passado, a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) premiou o projeto Rádio Pipoca como o Melhor Programa Infantil. Desenvolvida desde 2006, a proposta consegue aliar a linguagem do rádio, a tecnologia da internet e a fantasia da narrativa. Focada em histórias da mitologia universal, a Rádio Pipoca pode ser acessada pela web ou, ainda, via Rádio USP FM.

“Rádio Pipoca acompanha as mudanças na forma em que as pessoas, especialmente as crianças, se relacionam com a tecnologia. E busca aliar esse novo conhecimento com conteúdo de qualidade, propondo-se a resgatar o hábito de pais e filhos ouvirem histórias juntos, num ambiente sadio e divertido que combina o charme do rádio com a praticidade da internet”, destaca a apresentação do projeto.

Na última semana, a revistapontocom conversou com Camila Targino, diretora da Rádio. Ela explicou a importância do projeto e suas principais características.

Acompanhe:

revistapontocom – Qual é a proposta da Rádio Pipoca? De onde surgiu a ideia?
Camila Targino
– O programa começou a ser desenvolvido em 2006, por iniciativa da Flamma, produtora de conteúdo infantil de São Paulo, que identificou a necessidade de um espaço seguro na web que aproximasse as famílias em vez de afastá-las. A opção por contar histórias de mitologia veio da crença de que tanto o ato de ouvir histórias quanto os valores presentes na mitologia universal são atemporais. Não temos conhecimento de outras experiências na mesma linha da Rádio Pipoca.

revistapontocom – Qual tem sido a resposta do público? Há muitos acessos?
Camila Targino
– Muito positivo. As crianças deixam mensagens no site e também ouvimos comentários de pais e educadores falando sobre filhos e alunos que curtem as histórias. O número de acessos até o momento está acima dos dez mil. Acreditamos que, com mais divulgação do site e dos prêmios e o reconhecimento que ele vem recebendo, este número certamente crescerá rapidamente.

revistapontocom – Quem mais acessa os programas: os pais ou as crianças?
Camila Targino
– Acredito que ambos, mas é muito comum as crianças chegarem ao site por meio da indicação dos adultos. Houve um comentário de um pai que acessa o site, ouve e decora a história para recontá-la aos filhos.

revistapontocom – Rádio, histórias, internet e infância… é uma liga que dá certo?
Camila Targino
– Com certeza! Boas histórias são capazes de navegar em qualquer formato e as crianças sabem disso.

revistapontocom – Qual é a linha editorial da rádio, na escolha das histórias?
Camila Targino
– Procuramos histórias pouco conhecidas pelo grande público que tragam mensagens positivas e que possam ser contadas de maneira divertida. Buscamos valorizar o que cada cultura tem de diferente, mas também demonstrar como povos diferentes contam histórias muito semelhantes, mudando apenas nomes de personagens e outros elementos culturais específicos. Para nós também é importante que o conteúdo agrade às crianças e aos pais, pois queremos vê-los juntos na frente do computador (e não afastados como tem ocorrido frequentemente). Desde 2007, já foram produzidas 53 histórias. O programa é veiculado também, desde 2009, na USP FM 93,7 às segundas, quartas e sextas, em dois horários: 9:30 e 15:30. E as histórias ilustradas estão disponíveis no www.radiopipoca.com.br.

revistapontocom – Quais são os desafios da rádio?
Camila Targino
– Encontrar mais histórias de mitologia dentro da nossa linha editorial e descobrir o modelo de negócio que também torne o projeto um sucesso como empreendimento.

revistapontocom – O prêmio da APCA…
Camila Targino
– É um reconhecimento bem-vindo e uma surpresa muito agradável! Esperamos que com o prêmio a Rádio Pipoca se torne mais conhecida pelo público.

2010: Ano Internacional da Biodiversidade

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A leitora Celi Conceição Magalhães Araújo postou, no dia 17 deste mês, um comentário na revistapontocom sugerindo que a equipe  produzisse uma reportagem sobre o Ano Internacional da Biodiversidade, proposto pela Unesco a ser celebrado neste ano de 2010. Atendendo ao pedido, a revistapontocom publicará, em breve, uma entrevista sobre o tema com os coordenadores do evento no Brasil. Mas já antecipando, com o objetivo de despertar também o interesse de outros leitores, publicamos, abaixo, algumas informações sobre o projeto. Afinal, no que a celebração consiste? Quais são as metas? O que cada cidadão pode fazer individualmente para contribuir com a campanha? O que é biodiversidade?

Conheça as respostas abaixo:

O que é biodiversidade?
O termo biodiversidade – ou diversidade biológica – descreve a riqueza e a variedade do mundo natural. As plantas, os animais e os microrganismos fornecem alimentos, remédios e boa parte da matéria-prima industrial consumida pelo ser humano. Para entender o que é a biodiversidade, devemos considerar o termo em dois níveis diferentes: todas as formas de vida, assim como os genes contidos em cada indivíduo, e as inter-relações, ou ecossistemas, na qual a existência de uma espécie afeta diretamente muitas outras. A diversidade biológica está presente em todo lugar: no meio dos desertos, nas tundras congeladas ou nas fontes de água sulfurosas. A diversidade genética possibilitou a adaptação da vida nos mais diversos pontos do planeta. As plantas, por exemplo, estão na base dos ecossistemas. Como elas florescem com mais intensidade nas áreas úmidas e quentes, a maior diversidade é detectada nos trópicos, como é o caso da Amazônia e sua excepcional vegetação.

Quais são as principais ameaças à biodiversidade?
A poluição, o uso excessivo dos recursos naturais, a expansão da fronteira agrícola em detrimento dos habitats naturais, a expansão urbana e industrial, tudo isso está levando muitas espécies vegetais e animais à extinção. A cada ano, aproximadamente 17 milhões de hectares de floresta tropical são desmatados. As estimativas sugerem que, se isso continuar, entre 5% e 10% das espécies que habitam as florestas tropicais poderão estar extintas dentro dos próximos 30 anos. A sociedade moderna – particularmente os países ricos – desperdiça grande quantidade de recursos naturais. A elevada produção e uso de papel, por exemplo, é uma ameaça constante às florestas. A exploração excessiva de algumas espécies também pode causar a sua completa extinção. 

O que é o Ano Internacional da Biodiversidade?
A Assembléia Geral das Nações Unidas declarou o ano de 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade, com o propósito de aumentar a consciência sobre a importância da preservação da biodiversidade em todo o mundo. Esta celebração oferece excelente oportunidade para: evidenciar a importância da biodiversidade para nossa qualidade de vida; refletir sobre os esforços já empreendidos para salvaguardar a biodiversidade até o momento, reconhecendo as organizações atuantes; e promover e dinamizar todas as iniciativas de trabalho para reduzir a perda da biodiversidade. A proteção da biodiversidade requer um esforço por parte de todos. Através de atividades em todo o mundo a comunidade global deverá trabalhar em conjunto para garantir um futuro sustentável para todos.

Quais são os objetivos do Ano Internacional da Biodiversidade?
1 -Aumentar a consciência pública sobre a importância de salvaguardar a biodiversidade para a continuidade da vida na Terra, identificando e combatendo as ameaças subjacentes.

2 – Aumentar a consciência sobre a importância dos esforços já empreendidos por governos e
comunidades para salvar a biodiversidade, promovendo a participação de todos.

3 – Incentivar os povos, organizações e governos a tomarem medidas imediatas necessárias à
defesa da perda da biodiversidade.

4 – Promover soluções inovadoras para reduzir as ameaças que se abatem sobre a biodiversidade.

5 -Estabelecer um diálogo entre os participantes sobre as medidas a serem adotadas após o
ano de 2010, garantindo a continuidade segura dos programas desenvolvidos.

Por que esta celebração é tão necessária?
O Ano Internacional da Biodiversidade 2010 se traduz numa campanha global instituída para fomentar medidas de proteção da biodiversidade em todo o mundo. Trata-se de um marco significativo, cujo êxito depende de medidas inspiradoras em todos os setores a nível mundial. Portanto, devemos trabalhar juntos, difundindo mensagens coerentes e convincentes ao nosso público comum. Devemos criar e compartilhar ferramentas de comunicação que sejam úteis e eficazes a organizações como a sua, que já está engajada no trabalho, no sentido de inspirar e convencer as demais a também aderirem ao movimento, tomando medidas concretas. Ninguém conhece melhor do que você as facilidades e as dificuldades a serem enfrentadas. Queremos utilizar seu conhecimento e experiência para assegurarmos que as medidas que venham a ser tomadas sejam fortes, duradouras e intensas  para que se constituam num marco que venha a fazer a diferença.Juntos poderemos salvaguardar a biodiversidade da qual todos dependemos.

O que você pode fazer pelo Ano Internacional da Biodiversidade?
A proteção da biodiversidade requer a adoção de medidas por parte de todos os níveis: o governo, o empresariado, o público e o privado. Centros de organização em todo o mundo estão empreendendo campanhas mobilizadoras para estimular esses grupos a tomarem medidas para salvaguardar a biodiversidade. Queremos ajudá-lo a desenvolver o seu trabalho pela salvaguarda da biodiversidade. Sobretudo queremos ajudá-lo a garantir que a mobilização em sua comunidade seja a mais efetiva possível e que seus projetos pela proteção da biodiversidade se prolonguem muito além do ano de 2010.

saiba mais no site do Ano Internacional da Biodiversidade
leia o documento sobre o evento de 2010

Cartilha Infância e Comunicação: pontos a serem discutidos pela sociedade

A Agência de Notícias dos Direitos da Criança (Andi) e a Rede Andi Brasil acabam de lançar a cartilha “Infância e comunicação: uma agenda para o Brasil”. O material foi elaborado a partir da constatação da necessidade de se desenvolver um sistema de mídia que promova e proteja os direitos de meninos e meninas. Assim, foram formulados dez pontos fundamentais que possam contribuir para o fomento da reflexão sobre a responsabilidade dos veículos de comunicação junto ao público infanto-juvenil. Entre eles, há aspectos de estímulo aos benefícios da relação com a mídia e de proteção aos possíveis impactos negativos.

A regulação do setor por parte do Estado – bem como a participação das empresas de comunicação e da sociedade civil – é tida como instrumento fundamental na garantia da qualidade da informação disponível a crianças e adolescentes. A política de classificação indicativa, as ações de educação para a mídia, o incentivo à programação instrutiva e diversificada e a influência da publicidade também estão entre os assuntos abordados.

Como se encontram em uma fase de transição do desenvolvimento físico e psíquico, as políticas públicas que tocam na interface entre a infância e mídia precisam ser cada vez mais aprimoradas. A cartilha busca promover a conscientização da sociedade sobre a importância dos conteúdos midiáticos na formação das crianças.

Confira a cartilha

Time de educadores indica sites infanto-juvenis de qualidade

Pais e professores sempre se perguntam: que sites são indicados para as crianças e jovens? Tamanha a diversidade, realmente , às vezes, fica muito difícil fazer uma boa varredura na rede e descobrir coisas interessantes. Neste sentido, merece atenção um recente trabalho produzido pelo portal Educar para Crescer, da Editora Abril. A equipe listou uma série de sites infanto-juvenis e solicitou uma avaliação de um time de cinco educadoras. Foram indicados 33 sites, dos mais diversos gêneros e propostas.

O time de educadores foi composto por Adriana Bruno, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); Helena Cortês, professora da Faculdade de Educação da PUC-RS; Luciana Allan, diretora técnica do Instituto Crescer para a Cidadania; Maria Ângela Barbato Carneiro, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP; e Melina Veiga, especialista em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação e professora do Centro Universitário UniÍtalo e  de Informática do Colégio Santa Marcelina, em São Paulo.

A revistapontocom reproduz, abaixo, alguns dos sites indicados. A lista completa você acessa clicando na página do portal. Se você, leitor, conhece outros sites infanto-juvenis de qualidade e gostaria de compartilhar, escreva para nós divulgarmos também a sua indicação.

Confira:

Atividades Educativas
Reúne diversas atividades educativas para crianças e adolescentes. Aproxima-se de uma enciclopédia interativa, abordando assuntos para diferentes idades, inclusive temas relacionados à educação especial. É recomendado para todas as idades. Crianças a partir dos 9 anos podem navegar de forma autônoma e explorar bem seus recursos. Crianças menores devem ter o apoio de um adulto para ajudá-las a navegar pelo ambiente.

Club Penguin
No site da Disney , a criança assume a forma de um pinguim avatar colorido e participa de uma série de atividades. Não há anúncios publicitários de terceiros e não é preciso pagar nada para jogar, embora o acesso a algumas atividades requeira uma assinatura. O site oferece segurança para os pais, pois as crianças só podem começar a brincar depois de ter o cadastro autorizado por um adulto. Voltado para crianças de 7 a 10 anos, que já dominem a leitura.

Cocoricó
O site da série Cocoricó, da TV Cultura, é simples, colorido e educativo. Oferece jogos, pinturas para colorir, quebra-cabeças, entre outras atividades. A linguagem é simples e clara. As crianças entre os 5 e os 8 anos são as que mais aproveitarão o conteúdo do site.

Discovery Kids Brasil
Há vídeos jogos, atividades e concursos que envolvem os personagens dos desenhos animados do canal. Há também uma seção para pais, com enquete, artigos e propostas de atividades para desenvolver a motricidade das crianças. Assim como o canal, o site tem atividades para crianças de 0 a 6 anos. Mas, como há muita leitura, é importante que os pais naveguem junto com o filho.

Earth Cam for Kids
Em inglês, o site reúne imagens de câmeras espalhadas pelo mundo. Há desde câmeras em aquários e zoológicos até em escolas e universidades. Ideal para crianças e adolescentes a partir dos 10 anos que já estudam inglês.

Ecokids
Traz dicas de como preservar o meio ambiente e também exemplos de atitudes prejudiciais ao ecossistema. Os pequenos também encontram na página jogos que envolvem boas maneiras ambientais e até um espaço onde podem conhecer os elementos urbanos que compõem uma cidade. Direcionado à faixa etária da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental.

O Guia do estudante
O site tem dicas de cursos, faculdades e até empregos. A página, como o próprio nome diz, se propõe a ser um guia com possibilidades e alternativas de estudo, estágio e trabalho para adolescentes e jovens. Voltado para alunos do ensino médio e para aqueles que já ingressaram na faculdade.

Guia dos curiosos
De autoria do jornalista Marcelo Duarte, traz curiosidades sobre todas as áreas do conhecimento. Mais interessante para pré-adolescentes e adolescentes.

Jogos Educativos
O site reúne uma série de joguinhos que proporcionam uma interação saudável da criança com o computador. Ideal para crianças na faixa dos 5 anos.

Livro Clip
O site traz informações sobre livros, incluindo animações sobre as obras, trechos, biografia do autor e uma seção que transforma o livro em material pedagógico para uso dos professores em salas de aula do ensino fundamental, médio e superior. Adolescentes de 14 a 18 anos são os que mais aproveitarão o conteúdo do site.

Máquina de Quadrinhos
É o 1º editor online de histórias em quadrinhos do Brasil. No site, fãs de todas as idades podem criar suas próprias histórias, usando personagens, cenários, objetos e balões do universo da Turma da Mônica. As histórias são avaliadas pelos visitantes da página, e as melhores poderão até ser publicadas nas revistas da Turma da Mônica. É indicado para crianças de 4 a 12 anos.

Menino Maluquinho
Lúdico e criativo, nesse site Menino Maluquinho o foco não são os jogos. Também presentes, ficam no canal ‘Mais’, sem grande foco, apesar de educativos. No site do Menino Maluquinho, alternativas como tirinhas, frases, piadas e histórias são os principais atrativos, que atraem os mais novos com o seu design interativo.  Recomendado para crianças de 7 a 11 anos.

Mosaico.Edu
O site português Mosaico.Edu tem alguns jogos relacionados às disciplinas e outros que visam desenvolver a coordenação motora por meio de jogos sem contexto disciplinar. Recomendado para crianças entre 6 e 8 anos.

Pequeno Artista
A página é um espaço aberto para crianças e pré-adolescentes enviarem pinturas, poesias e até piadas de própria autoria e participarem de concursos. No site, também há jogos educativos, dicas de livros e de filmes infantis. O site é recomendado para crianças e adolescentes na faixa dos 8 aos 12 anos.

Pintores Famosos
Conta com a biografia de 37 pintores mundialmente famosos, abordando não apenas os fatos marcantes da vida de cada um, mas principalmente como se desenvolveram suas obras, relacionando-as com outros artistas do mesmo período. Ao lado do texto, há fotos de obras que ilustram o trabalho do artista. Pode ser utilizado por crianças a partir de 8 anos, pois a linguagem é bastante simples.

QDivertido
A proposta  é levar às crianças informação de qualidade e divertimento. A página tem desde artigos e contos até receitas simples que podem ser executadas pelos pequenos. Recomendado para crianças de 3 a 9 anos.

Ruth Rocha
A página da escritora Ruth Rocha , especializada em orientação educacional e literatura infantil, contém algumas atividades interativas sobre leitura. Também estão disponíveis no site as capas das obras da escritora e algumas fotos que permitem ao internauta conhecer um pouco mais sobre a vida de Ruth Rocha.O site é recomendado para crianças de 5 a 7 anos.

Só Matemática
Ótima opção para os que amam e odeiam matemática. O site Só Matemática oferece material de apoio e exercícios para os que querem treinar, se exercitar ou apenas se divertir. Há desafios, dicas, jogos matemáticos, um pouco de história e até auxílio para os vestibulandos. Pode ser usado por crianças a partir dos 6 anos e até por quem já está no ensino superior.

Unicef Kids
O site oficial do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) propõe-se a divulgar e defender os direitos da criança e do adolescente, trazendo jogos e informações sobre temas como a prevenção da AIDS, o combate à violência contra a criança, a defesa da educação escolar e da proteção da saúde. É indicado para crianças a partir dos 7 anos e pré-adolescentes.

Livro traz o olhar das crianças de 192 países

O mundo por meio dos olhos das crianças. Pelo menos, é o que pretende mostrar o livro Art in All of Us, que reúne fotos, desenhos e poemas de crianças dos 192 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). A obra é resultado de cinco anos de trabalho e do envolvimento de 18 mil crianças.

Publicada por iniciativa da ONG belga que leva o mesmo nome do livro, a iniciativa traz, por meio do vasto material, informações sobre a real situação das crianças. A ideia é incentivar o direito de toda criança à liberdade de expressão, tal como previsto pelo artigo 13 da Convenção de Direitos da Criança, cujo vigésimo aniversário foi comemorado no ano passado.

Saiba mais sobre o projeto e  a ONG

As fotos são do fotógrafo belga Anthony Asael.

Confira alguns trabalhos:

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 – No Brasil, uma menina desenha como vê o país

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– ‘Temos vulcões, temos geleiras, temos lagos, temos lava, temos cachoeiras, tudo em uma só ilha’, escreve menino islandês de 12 anos

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– No Afeganistão, apenas 53% das crianças estão matriculadas no ensino fundamental, apesar de 54% da população ter menos de 18 anos

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– ‘Benin, meu país querido, país da calma democracia, país da tranquilidade e da fraternidade, país da solidariedade e da convivência’, escreve uma garota de 10 anos

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– No poema que acompanha a foto da Grã-Bretanha, uma menina de 10 anos fala da preocupação com a obesidade: ‘Comer na loja de fish and chips… olha o que acontece, eu ganho pneus no quadril’

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– No livro, as crianças afegãs retratam a vida no interior do país. ‘Amo este país e seus campos… Amo os rios, amo os fazendeiros, amo os pastores’, escreve uma menina de 10 anos

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– A ilustração de um garoto de 10 anos mostra as marges do rio Tâmisa, em Londres. Para o fotógrafo Anthony Asael, crianças se expressam melhor através de desenhos

Um estímulo à popularização da Educação Infantil

Por Stella Bortoni
Professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília e PhD em Linguística

Discute-se se o projeto que está sendo elaborado pelo MEC que estabelecerá a idade mínima de seis anos (completos até 31 de março no ano da matrícula) para ingresso no Ensino Fundamental de nove anos traz ou não benefícios para os estudantes e para a Educação no Brasil. Vejamos qual é a norma em alguns outros países.

Na França, o equivalente à primeira série do Ensino Fundamental é cursado aos seis anos e recebe crianças que vêm do último ano da pré-escola. Na Inglaterra, a alfabetização se inicia aos cinco anos nas classes de recepção, que preparam para a alfabetização. Nos Estados Unidos, o Congresso cortou recentemente verbas de um programa voltado para alfabetização de crianças de três a quatro anos por considerar seus resultados indefinidos, sem, contudo, reduzir as verbas para alfabetização na idade regular.

Um programa de alfabetização que tenha início aos seis anos, como prevê o MEC, terá necessariamente de ser precedido da Educação Infantil, aberta a todas as crianças brasileiras. Essa etapa, marcada por atividades lúdicas de sociabilização e estímulos cognitivos, será destinada à preparação para o trabalho mais sistemático com a leitura e escrita na primeira série.

A Educação Infantil é indispensável porque a maioria das famílias brasileiras não tem condição de oferecer aos filhos uma iniciação prazerosa a práticas letradas. Para o início do trabalho efetivo com alfabetização, no entanto, é preciso aguardar um amadurecimento sociocognitivo das crianças. Nesses termos, o projeto do MEC é bem vindo. No entanto, é necessário que haja um prazo para que as famílias se ajustem à nova norma, pois haverá muitos casos de crianças com menos de seis anos que, após cursar a Educação Infantil, estejam preparadas para ingressar na primeira série.

Que fazer, então? Não tem cabimento deixá-las fora da escola por um ano ou fazê-las repetir. Levando em conta esses casos, que não seriam raros, o Conselho Nacional de Educação (CNE), no dia 10 de dezembro, autorizou a entrada de crianças de cinco anos de idade no Ensino Fundamental de nove anos, desde que já tenham cursado pelo menos dois anos na pré-escola. Essa medida valerá somente para o ano letivo de 2010. Já o ingresso na Educação Infantil se dará aos quatro anos, completos até 31 de março.

O projeto de lei que o MEC enviará ao Congresso Nacional, devidamente complementado pelo ajuste feito no CNE, vai uniformizar a jornada escolar em todos os estados, facilitando as transferências. Acreditamos que poderá estimular também a oferta de educação infantil, tão necessária para o bom aproveitamento escolar nos estágios subsequentes de aprendizagem.

Fonte – Portal da UNB

Falando pra caramba … na sala de aula

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Projeto –  Falando pra caramba
Instituição – Escola Municipal Estados Unidos
Localização – Rio de Janeiro

Maria do Carmo Rezende Procaci Santiago é professora da rede municipal de ensino da Prefeitura do Rio de Janeiro. Leciona na Escola Municipal Estados Unidos, localizada no Catumbi, Zona Norte do Rio de Janeiro. No final do ano passado, ao participar do curso de capacitação Por dentro dos Meios, oferecido pelo Planetapontocom, por meio da MultiRio, Maria do Carmo ganhou o livro infanto-juvenil  Falando pra Caramba (e ouvindo também), de autoria de Silvana Gontijo.

A professora não pensou duas vezes: levou o livro para a sala de aula, para trabalhar com os alunos do 6º ano da Escola Municipal Estados Unidos. O resultado? Maria do Carmo fez questão de nos escrever contando como a atividade inspirou os estudantes e promoveu uma série de desdobramentos. A revistapontocom sugeriu a professora relatar todo o processo para dividir com outros professores. Ela aceitou a proposta e aqui está o seu relato da experiência.

Confira:

– O livro

O livro Falando pra Caramba (e ouvindo também) trabalha bem a oralidade, fazendo com que o aluno exercite bem a fala, entenda e pratique mais o saber ouvir, respeitando, por outro lado, a fala de seu colega. O livro articula conhecimentos de Ciências, Meio Ambiente e diferentes formas de se comunicar. Trabalha a construção da identidade e da pluralidade étnica e cultural e desenvolve novas formas de adquirir competências comunicativas por meio da criação de códigos e linguagens.

Outro ponto também muito significativo é que o livro leva o leitor para o meio digital, para o site da Turma do Planeta (www.turmadoplaneta.org.br), contribuindo assim para que os alunos possam ampliar seus conhecimentos em outros espaços. O livro é um passaporte para se discutir não só os meios de comunicação, mas também valores que devem ser trabalhados sempre e, inclusive, pela escola. A escola não tem somente a função de ensinar a ler e escrever. Codificar e decodificar os códigos linguísticos são imprescindíveis. Atribuir sentido aos textos que lê é muito significativo, pois contextualizar todas as informações possíveis é importante para a construção do conhecimento.

– O processo

Assim que recebi e li o livro pensei logo em desenvolver com ele um trabalho em sala de aula. E não deu outra. Coloquei minha ideia no ar e o resultado foi muito bom. Turma 1603: participativa, alegre, curiosa. Os alunos gostam de contar e criar histórias, falam bastante e animam muito o ambiente.  E, assim, fiquei mais animada e motivada…

Para dar início às atividades, fizemos uma roda e perguntei aos alunos como seria aquela aula, o que eles imaginavam que iria acontecer? Dei um tempinho para eles trocarem ideias e depois cada um foi se colocando. “Hoje vamos ensaiar uma peça, vamos ouvir uma história, apresentar uma notícia, vamos contar sobre o dia de ontem” e muitos outros falaram. Aproveitei o “vamos ouvir uma história” e sugeri primeiramente que eles contassem uma pequena história. E as histórias foram contadas. Após esta etapa, apresentei-lhes o livro começando a leitura do mesmo.

Cada aluno leu um pouco. Terminada a leitura, dividi os alunos em grupos e pedi que falassem sobre como eles eram, o que gostavam de fazer, o lugar onde moravam, suas famílias… da mesma forma com que os personagens do livro se apresentam.

Terminada esta etapa dei início às discussões propostas perguntando: “Gostaram do livro? A história fala sobre o quê? Qual a parte que chamou mais sua atenção?” Cada grupo apresentou seu trabalho oralmente. Quem quisesse acrescentar algo à fala de outro grupo podia.

Feito isso entreguei a cada grupo uma cópia de parte do livro e pedi que eles refletissem e discutissem sobre o que receberam. Falaram sobre amizade, sobre as palavras, as gírias, os símbolos representando as palavras, sobre o cuidado com o Meio Ambiente, sobre a situação do Rio Carioca, sobre a internet e outras coisas. As histórias foram escritas depois e representadas por meio de símbolos criados por eles. A fala e a escrita foram muito trabalhadas nas atividades. Os alunos criaram histórias, legendas de códigos a partir do teclado do computador e um pequeno livro.

A produção do livro serviu para mostrar que eles são capazes de criar e muito. Pode ser um poema, uma história, uma imagem, uma frase, um livro…  O importante é começar. Não desanimar nunca e acreditar no potencial de cada um. Está provado aí, por meio de todas as atividades que realizaram a partir do livro Falando pra caramba (e ouvindo também), que todos têm talentos e criam lindos trabalhos.

Games virtuais, inimigos reais: os jogos que curam

“Os games para saúde vieram para ficar porque eles combinam inovação tecnológica, humanização do tratamento e o próprio game, que é a Fórmula 1 da indústria da informática”, Alessandro Vieira.

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Por Marcus Tavares

Se a educação ainda discute a importância do game no ensino aprendizagem, a medicina, de certa forma, já avançou no debate. Empresas internacionais vêm apostando todas as fichas na produção de jogos eletrônicos voltados para a área da saúde. O objetivo é auxiliar o tratamento dos pacientes, desde aqueles que estão atravessando uma grave enfermidade, como o câncer ou a aids, até os que demandam procedimentos mais leves, como a fisioterapia.

No Brasil, o trabalho é pouco explorado. Oficialmente, só há uma empresa nacional, a FisioGames, localizada em Santa Catarina, que vem desenvolvendo estudos, estratégias e pesquisas visando à produção dos chamados games for health, no qual os jogadores têm de enfrentar inimigos reais: as doenças e os vírus. Não, não é brincadeira. Pesquisas mostram que estes jogos têm contribuído efetivamente no tratamento de crianças, jovens e adultos.

A revistapontocom conversou com Alessandro Vieira dos Reis, game designer da FisioGames e analista de comportamento. Formado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alessandro defende a importância da indústria do gênero e destaca alguns jogos interessantes.

Acompanhe:

revistapontocom – Muitas escolas ainda não sabem lidar com os games. Podemos dizer que isso não acontece com a área da saúde? Ou também há resistências?
Alessandro Vieira
– Os profissionais de saúde são muito receptivos às inovações tecnológicas. Eles sabem que a saúde no Brasil precisa ser modernizada, informatizada. O videogame traz isso e ainda representa uma segunda tendência: a humanização dos tratamentos, uma vez que ele opera positivamente no emocional dos pacientes. Sendo assim, os profissionais de saúde só precisam entrar em contato com games para saúde e ver que funcionam e são acessíveis. Em pouco tempo, eles estarão solicitando os produtos e cursos para operá-los. Claro que há resistência de uma ou outra pessoa, mas diria que se trata de um receio de operar tecnologia de ponta por parte de pessoas pouco habituadas a computadores. Ou seja: se algumas pessoas têm resistência ou acham estranho, não é porque estamos diante de um game, mas porque o game é uma novidade tecnológica. E toda novidade causa estranheza no início.

revistapontocom – O que de interessante já foi produzido na área?
Alessandro Vieira
– Há mais de 300 games feitos para profissionais de saúde em todo o mundo. Deles, um que destaco é o Re-Mission, feito pelo HopeLab. Trata-se de um “jogo de tiro” onde se entra no corpo humano explodindo, com rifles-lasers, tumores cancerígenos. Ele foi usado para aumentar a aderência de crianças ao tratamento do câncer. Esse é um exemplo de jogo especialmente produzido para a área. Também há jogos feitos para entretenimento que foram adaptados para uso terapêutico. O exemplo principal, sem dúvidas, é o Wii Fit, onde se faz uma série de exercícios físicos com o controle do console Wii, da Nintendo. Fisioterapeutas fazem a festa com esse recurso lúdico em seus consultórios. Isso já rendeu programas de “Wii Rehabilitação” que foram levados tão a sério que se tornaram programas oficiais de saúde do Governo do Reino Unido.

Por Marcus Tavares
revistapontocom – Há de tudo um pouco quando se pensa em games para a área da saúde?
Alessandro Vieira
– Os principais são games para exercícios físicos usados em Fisioterapia (o caso já citado do Wii Fit). Mas também há games para inteligência (chamados, às vezes, de ‘brain games’) e outros focados na sensibilização a respeito de doenças. Soube de um feito pela UFRGS que informava as pessoas sobre como tratar dermatite. Ou seja, pode haver tantos games para saúde quanto para qualquer área.

revistapontocom – Existe algum país mais especializado nesta área?
Alessandro Vieira
– O Reino Unido, onde o Wii Fit se tornou instrumento oficial do Governo para a rede pública de saúde. Nos EUA, ele está sendo usado por escolas para incentivar crianças a fazer exercícios físicos.

revistapontocom – No contexto brasileiro, em que estágio de produção está o game nacional voltado para a saúde? Há boas iniciativas? Quais?
Alessandro Vieira
– A FisioGames é a única empresa brasileira da área. Ela também foi a primeira no mundo a criar um jogo todo focado em Fisioterapia, desenvolvido para fisioterapeutas, usando recursos do Wii. No mais, há pequenos projetos acadêmicos, mas sem projeção.

revistapontocom – O que levou a criação da Fisiogames? O que vocês já desenvolveram?
Alessandro Vieira
– O mercado está aí: os fisioterapeutas precisam e pedem por essa inovação para incrementar seu trabalho. Os games para saúde vieram para ficar porque eles combinam inovação tecnológica, humanização do tratamento e o próprio game, que é a Fórmula 1 da indústria da informática. O nosso primeiro jogo chama-se FuPhysio (conheça o jogo). Agora, estamos desenvolvendo três games, em paralelo, todos com temáticas de saúde, envolvendo nutrição e odontologia.

revistapontocom – É um mercado em expansão?
Alessandro Vieira
– A indústria de games para muitos já é maior que a do cinema e não para de crescer. Apesar da crise mundial de 2009, ela inovou e bateu recordes de vendas. Dentro da bilionária indústria de games, o segmento de jogos para saúde é o que mais cresce, segundo a iConnecto. Ou seja, é um negócio riquíssimo, além de satisfazer uma necessidade humana muito forte: melhorar a saúde das pessoas.

Estudante é premiado por texto sobre racismo

Felipe Cândido Silva, aluno do Ensino Médio da Escola Professor Souza da Silveira, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi premiado no Concurso de Redação Folha Dirigida 2009. Felipe escreveu sobre o racismo no Brasil.

Confira:

Programa de reflexões e debates para a Consciência Negra
Por Felipe Cândido da Silva

Todos sabemos que no mundo há grandes diferenças entre  pessoas e que, por estupidez e ignorância, cria-se o preconceito, que gera muitos conflitos e desentendimentos, afetando muita gente. Porém, onde estão os Direitos Humanos que dizem que todos são iguais, se há tanta desigualdade no mundo?

Manchetes de jornais relatam: “Homem negro sofre racismo em loja”; “Mulheres recebem salários mais baixos que os homens”; “Rapaz homossexual é espancando na rua”; “Jovens de classe alta colocam fogo em mendigo”; “Hospitais públicos em condições precárias não conseguem atender pacientes”; “Ônibus não param para idosos”. “Escola em mau estado é interditada e alunos ficam sem aula”; e muitas outras barbaridades. Isso mostra que os governantes não estão fazendo a sua parte.

Mas pequenos gestos do dia a dia – como preferir descer do ônibus quando um negro entra nele; sentar no lugar de idosos, gestantes e deficientes físicos, humilhar uma pessoa por sua religião, opção sexual ou por terem profissões mais humildes – mostram que também precisamos mudar.

A questão da etnia vem sendo discutida no mundo todo, inclusive no Brasil, que é um país mestiço, onde ocorre a mistura, principalmente, de negros, brancos e índios. Por mais que se diga que todas as pessoas são iguais, independente da cor de sua pele, o racismo continua existindo. Músicas, brincadeiras, piadas e outras formas são usadas para discriminar os negros. Até mesmo a violência se faz presente, sem nenhum motivo lógico.

As escolas fazem sua parte criando disciplinas que mostram a importância que cada cultura tem para a cultura geral do  país. E educando as crianças para que não cometam os mesmos erros dos mais velhos, pois preconceito se aprende, ninguém nasce com ele.

Enfim, cada pessoa pode fazer a sua parte, acabando com qualquer tipo de discriminação que existe, com qualquer tipo de preconceito que sente, percebendo que todos nós somos iguais, independente de raça, credo, idade, condição social ou opção sexual. Esse é o primeiro passo para que cada um respeite os direitos dos outros. O direito de um acaba quando começa o do outro. E com a população conhecendo seus direitos e praticando seus deveres ela fica mais unida. E a voz que grita para que os direitos humanos sejam exercidos soará bem mais alta, pois já diz o ditado: “A união faz a força”.

Computador está na sala de aula, mas o que se faz com ele?

 

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O Centro de Estudos da Fundação Victor Civita, em parceria com o Ibope e o Laboratório de Sistemas Integráveis da Universidade de São Paulo, acaba de divulgar uma pesquisa com 400 escolas públicas de 13 capitais brasileiras que revela a quantas anda o uso do computador e da internet nas instituições de ensino. O estudo aponta que, apesar de os dados levantados sobre recursos e infraestrutura serem favoráveis, falta formação qualificada para professores e gestores.


A pesquisa revela que 98% das unidades têm computador, impressora, TV e DVD. Projetor ou data show estão presentes em 85% dos casos, assim como máquina fotográfica digital (79%) e filmadora (50%). O acesso à internet já é via banda larga em 83% das escolas. No entanto, o desafio é colocar tudo a serviço da aprendizagem, pois 73% têm laboratório de informática, mas quase um quinto deles não usa o espaço para atividades com os alunos.


Para o professor do Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas na Educação (Lantec) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sérgio Amaral, o investimento feito pelos governos – federal, estadual ou municipal – para equipar as escolas se tornam “uma estupidez” se não houver preparação dos professores para trabalhar com as tecnologias.


“Não adianta nada instrumentalizar. O computador já é uma realidade na escola, mas o problema fundamental é que o professor não utiliza o recurso como instrumento didático. É ínfimo o potencial que se está utilizando”, aponta o especialista.


Segundo Amaral, a falta de preparo vem da base. Os próprios cursos de graduação não preparam os futuros educadores para a tarefa. E a maioria dos cursos oferecidos posteriormente, segundo ele, é “instrumental”. “O que o professor precisa não é de um treinamento para dominar as tecnologias da informática. Ele precisa aprender a usar esses recursos, qual é a didática por trás”, defende.


Para Amaral, quando o recurso é mal utilizado acaba sendo apenas um gerador de despesas. “Um computador caro, vira um retroprojetor”. E essa subutilização tem impacto no aprendizado do aluno. “A criança já tem contato com o mundo digital pelo celular, pelo videogame, nas lan houses. É preciso criar a aproximação desses sujeitos [professor e aluno]. Caso contrário, o desinteresse e o distanciamento continuam sistêmicos”, diz.


O estudo aponta que apenas 28% das escolas contam com um professor orientador de informática. Segundo Ângela Danneman, diretora executiva da Fundação Victor Civita, responsável pela pesquisa, esse foi o modelo adotado pelo sistema educacional brasileiro para introduzir e administrar as tecnologias nas escolas.


“Onde esse professor está, o trabalho é melhor”, aponta Ângela. Mas ainda assim, em apenas 9% das escolas ele tem a função de formar outros professores. “O importante é garantir a formação de todos os professores, [o que vai] melhorar a utilização da tecnologia como ferramenta para a aprendizagem de todos os conteúdos”, indica.
 

Conclusões da pesquisa

 – Quanto maior o tamanho da escola e os recursos e infraestrutura disponíveis mais proficiente é a utilização do computador e internet no processo de aprendizagem.


– A presença do professor orientador de Informática Educativa influi na utilização da tecnologia como ferramenta de aprendizagem.

– A tecnologia deve ser integrada ao Projeto Político Pedagógico da escola, no seu monitoramento e avaliação, e ao planejamento de atividades pelo professor.

– A maioria das escolas tem recursos materiais para fazer algum tipo de uso pedagógico do computador.

– Apesar dos dados levantados sobre recursos e infraestrutura serem favoráveis, as escolas percebem como principais problemas: infraestrutura (43%), formação de professores (28%), problemas com acesso à internet (17%).

– A formação oferecida não é percebida como suficiente e adequada, pois falta preparo para o uso da tecnologia focado na aprendizagem de conteúdos e no desenvolvimento de competências e habilidades dos alunos.

– O número de professores que usam a tecnologia com seus alunos é ainda pequeno e este uso se dá eminentemente no laboratório de informática.

– Na maioria das escolas as atividades que utilizam tecnologia e são realizadas com os alunos tem pouca complexidade ou usam de recursos simples.

– Após a análise dos relatos das escolas pesquisadas, não foi verificado nenhum exemplo de utilização de tecnologia para o ensino e aprendizagem de um conteúdo específico que mereça destaque.

– O levantamento revela que o número de computadores faz diferença. As escolas que possuem mais de 20 computadores, professores e alunos usam os aparelhos com fins pedagógicos em atividades mais complexas. Até 20 máquinas, os alunos usam os computadores com seus professores, mas apenas para atividades simples. Unidades escolares que têm até 15 micros usam os computadores para fins administrativos e pedagógicos, sem a presença dos alunos. E as que possuem de um a 12 computadores, o uso limita-se a atividades administrativas e/ou em atividades pedagógicas pouco complexas, também sem a presença dos estudantes.

Veja a pesquisa na íntegra

Educação financeira: nova política pública

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Cerca de 1.650 escolas brasileiras do Ensino Médio deverão participar de um projeto piloto de Educação Financeira neste ano. De acordo com o Governo Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá criar o Conselho Nacional de Educação Financeira que cuidará da formatação e sistematização do ensino. O objetivo é transformar a educação financeira em uma política pública permanente de governo e inclusive de instituições financeiras. A decisão segue orientação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A ideia é que os alunos aprendam noções sobre orçamento público, finanças pessoais e poupança. O programa já está sendo avaliado e desenvolvido sob orientação do Ministério da Educação (MEC). Os conteúdos estarão disponíveis na internet para todas as escolas – públicas ou privadas – que se interessarem.

O superintendente de proteção e orientação aos investidores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), José Alexandre Vasco, afirmou, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que a definição das escolas que adotarão a disciplina sairá neste início de ano.
Segundo ele, 150 escolas públicas serão escolhidas a partir do Mais Educação, programa do Ministério da Educação que amplia o tempo dos alunos na escola. Outros 300 colégios serão escolhidos entre os que têm parceria com o Instituto Unibanco, que será o responsável pelas aulas de educação financeira nessas unidades.

A técnica de planejamento e gestão educacional do MEC, Alzira Silva, acredita que outros 1.200 colégios públicos e particulares de todo o país poderão optar por oferecer aulas ligadas às finanças dentro de um universo de cinco outras unidades aptas a entrar no processo que serão criadas.

A iniciativa conta com a organização do Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiro, de Capitais, de Seguros, de Previdência e Capitalização (Coremec), formado pela Comissão de Valores Mobiliários, Banco Central, Secretaria de Previdência Complementar (SPC) e Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Leia mais
Somar, dividir e subtrair: a importância da Educação Financeira

A nova cara da lan house

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Da próxima vez que você passar em frente a uma lan house, preste atenção. Você está diante de um fenômeno que cresce a cada dia que passa no Brasil e que, na prática, funciona muito mais do que um simples espaço de joguinhos para adolescentes, como muitos ainda pensam.

Com o objetivo de conhecer melhor o mercado desses espaços, suas tendências e potencial, a Fundação Padre Anchieta e a Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital (Abcid) radiografaram a realidade das lan houses no país. Os dados levantados são significativos.

O Brasil conta, hoje, com 108 mil estabelecimentos. Só para se ter uma ideia, o número de agências bancárias em todo o território nacional não passa da casa dos 20 mil. A pesquisa mostra que a lan house significa local de compra, de aprendizado, de relacionamento e, sim, de entretenimento. Cerca de 48% dos brasileiros acessam a internet em lan houses, o que equivale a mais de 31 milhões de pessoas.

Quem frequenta os estabelecimentos? De acordo com o levantamento, 79% das pessoas são da classe D e E; 55% da classe C; 26% da classe B; e 8% da classe A. O estudo diz que 63% dos frequentadores têm Ensino Fundamental; 51% o Ensino Médio; e 26% o Ensino Superior.

O espaço é altamente visitado por jovens: 63% dos adolescentes entre 10 e 15 anos acessam a internet das lan houses; 60% dos jovens de 16 a 24 anos; e 38% dos que têm entre 25 e 34 anos. No quadro geral, 43% são trabalhadores e 57% estudantes. Cerca de 64% dos desempregados se conecta via lan house.

Para Cláudio Prado, coordenador do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, há três movimentos distintos em direção ao futuro das lan houses. Um movimento reacionário que vê as lans como “antro da perdição”, numa confusão histórica de rejeição do novo. Outro que pretende legalizar as lan houses para explorar o comércio da conexão. E um terceiro que vê nas lan houses espaços potenciais de formação de cidadania cultural do século XXI.

“O terceiro movimento, no qual me incluo, enxerga um horizonte onde a Cultura Digital nas lan houses pode ser um atalho para criação de bolsões de alegria e de perspectivas de oxigênio para todos. As lan houses podem vir a ser os campinhos de várzea da cultura e assim sendo se tornar a quarta geração de uma cultura digital revolucionária”, destaca Cláudio Prado.

Projeto que limita número de alunos em sala de aula segue para o Senado

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Depois de três anos de tramitação, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 597/2007 que limita o número de alunos por professor na Educação Básica. Pela proposta, que agora segue para o Senado, as turmas do Ensino Médio e as dos quatro anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) terão, no máximo, 35 alunos. O projeto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que não estabelece limite de estudantes por sala de aula.

Se for aprovado no Senado, os sistemas de ensino terão o prazo de três anos, a partir da publicação da lei, para se adequarem. Para a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a limitação de alunos por professor acabaria com a superlotação e garantiria mais qualidade de ensino.

“Se você tiver uma sala de aula lotada com 40, 50 alunos, numa aula de 45 minutos, onde o professor tem que passar o conteúdo da sua matéria, tirar as dúvidas e conferir lições de casa ou qualquer tarefa, certamente uma boa parte dos alunos não vai contar com a atenção do professor”, destaca o deputado Jorginho Maluly, autor da proposta.

Veja como seria o limite de alunos por sala/série:

– Crianças até um ano de idade: máximo de cinco alunos por professor
– Crianças de um a dois anos: máximo de oito alunos por professor
– Crianças de dois a três anos: máximo de treze alunos por professor
– Crianças de três a quatro anos: máximo de quinze alunos por professor
– Crianças de quatro a cinco anos: máximo de vinte alunos por professor
– Nos cinco primeiros anos do Ensino Fundamental: máximo de 25 alunos por professor
– Nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio: máximo de 35 alunos por professor

Leia o projeto na íntegra

Escola valoriza e difunde cultura LGBT

Projeto – Escola Jovem LGBT
Instituição – Grupo E-Jovem
Localização – Campinas, São Paulo

Escola Jovem LGBT. É assim que será chamada a primeira escola do país que terá o objetivo de valorizar e difundir a cultura de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros. Trata-se de uma parceria entre o Governo do Estado de São Paulo e o Grupo E-Jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados. Em Campinas, a instituição vai oferecer cursos em diferentes áreas para jovens hetero, homo e bissexuais.

“O fato de os cursos serem abertos a todos e não só a jovens gays é parte da nossa estratégia de combate à homofobia. Preconceito é ignorância. Para vencer isso, precisamos levar nossa arte, nossa expressão e nosso discurso a quem não nos conhece”, explica Deco Ribeiro, diretor da Escola Jovem LGBT.

Os interessados terão aulas de criação de zines, dança, música, TV, cinema, teatro e performance drag, sempre com foco no jeito de ser e agir das lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. O material produzido ao longo dos cursos, como CDs, DVDs, livros, revistas, peças de teatro e espetáculos de drag queens, circularão pelo Estado de São Paulo e serão assistidos e distribuídos gratuitamente.

As matrículas e inscrições para bolsas de estudo já estão abertas e as aulas devem começar em março deste ano. Os interessados devem escrever para escola@e-jovem.com.

Os tempos modernos de Marcelo Tas

Foto de Rodrigo Fuzar

Provocador e ao mesmo tempo brincalhão, o jornalista Marcelo Tas sempre está em busca de mudanças e novas experiências. Atualmente, concentra seus principais trabalhos na apresentação do programa CQC, veiculado na Band, e no Plantão do Tas, programa voltado para as crianças, que acaba de estrear no Cartoon Network.

No ano passado, Tas, a personalidade mais seguida no Twitter brasileiro, concedeu uma entrevista para o livro Cultura digital.br, produzido e elaborado pelos integrantes do Fórum da Cultura Digital Brasileira. A publicação está on-line e pode ser acessada gratuitamente. Nela, Tas fala sobre cultura digital, novas tecnologias, audiência e valores no mundo moderno. A revistapontocom selecionou e editou alguns trechos.

Vale a pena. Confira:

Cultura digital
É uma expressão que está sendo usada momentaneamente só porque digital é uma palavra muito nova na nossa vida. Estamos com essa obsessão de falar assim: cultura digital, TV digital, rádio digital, esparadrapo digital. Daqui a pouco a gente vai parar de falar nisso e falar só cultura, rádio, televisão, como de fato é. O digital já entrou na nossa vida, mesmo na de quem não sabe disso. Mesmo a minha avozinha – que tem quase 90 anos e mora numa cidadezinha do interior – já vive na cultura digital. Mesmo que não navegue na internet, ela vive na cultura digital. As contas, o supermercado, as notícias, a televisão analógica que ela assiste já são impregnados de cultura digital. Vivemos nessa nova plataforma, mas ainda não entendemos isso. Daí essa necessidade de falar, de reforçar o digital. E realmente o impacto não é pequeno. É gigantesco. Digital significa velocidade, interatividade, compactação. Significa que a informação que nos chega só é possível porque foram descobertas várias formas de captação de imagem, de som, de texto. Vivemos brigando com os controles remotos, com as tomadas que estão cheias de aparelhos pendurados. É uma fase de readaptação a isso tudo.

A geração que fala ‘computador’
Quando falo nós, falo de gente da minha idade, da minha geração. Para os meus filhos, isso nem é um assunto. Eles já nasceram assim, eles não possuem nenhum interesse em discutir isso. Quer dizer, eles talvez já estejam automaticamente dentro dessa conversa, mas para eles não faz muito sentido ficar debatendo, sei lá, o controle remoto ou até o computador. Tem uma maneira muito fácil de você identificar a idade de uma pessoa: é contar quantas vezes ela fala a palavra computador. A molecada não fala computador porque computador é igual à eletricidade, é igual à escova de dente, à caneta Bic. Não é algo que chame atenção dela, já que faz parte do cotidiano.

Publicar não é mais privilégio de alguns
No início da minha vida profissional, estava diante de uma novidade tecnológica chamada vídeo. Apareceu a primeira câmera de vídeo, pesava 15 quilos, mas já era uma novidade, porque antes as câmeras só existiam dentro das emissoras de televisão. Então começamos a produzir vídeos e não tínhamos onde publicá-los. A gente passou alguns anos até um canal de televisão ter coragem de publicar um vídeo da Olhar Eletrônico, nossa produtora. Hoje, a revolução digital permite que a gente pegue esse vídeo e publique imediatamente, até ao vivo se a gente quiser. Essa é uma mudança de paradigma gigantesca. A publicação não é mais privilégio de quem detém concessões de televisão, das gravadoras ou, enfim, de quem consegue prensar um DVD. Todos nós podemos ter uma pequena estação de TV, uma pequena editora.

Tempos modernos
Vivemos numa época em que somos muito pretensiosos. Falamos de novas tecnologias como se fosse a primeira vez que elas tivessem aparecido. Vai falar isso para o Buster Keaton [diretor de cinema americano]. Ele foi um cara da nova tecnologia. Ele renovou totalmente a linguagem do cinema no início do século XX. Ele fez coisas que até hoje a gente está assimilando. Para mim, o Keaton inventou uma narrativa não linear que até hoje estamos tentando decifrar. A importância do Buster Keaton não é como descobridor e desenvolvedor de câmeras de cinema, apesar de ter feito isso também. A importância dele está nos filmes, assim como os do Chaplin. Os dois fizeram obras que vão ficar para sempre na nossa imaginação, exatamente por conta da sua capacidade de contar histórias. Seven Chances, Navigators, O General, por exemplo, são filmes do Keaton que tecnicamente são tão complexos como hoje você desenvolve Java, Flash e tal. Só que ele escondeu esse esforço de tecnologia para que ficasse só a história.

O que realmente vale a pena
A gente vive um deslumbramento com isso, o que é natural. Não estou querendo crucifixar quem fica deslumbrado com isso. Afinal, realmente é fascinante o que está acontecendo. Só que a gente tem que tomar cuidado para não ficar falando só da motocicleta. Inventou-se a motocicleta e a gente fica falando do pneu, do aro, do banquinho e não fala da viagem que a gente tem para fazer com a moto. A gente tem que tomar cuidado com isso para não pagar um mico histórico nessa virada. É como aquele cara que aponta para a lua e fica falando do dedo dele e não da lua. Temos que tomar muito cuidado com isso, porque é uma era muito especial, que é, ao mesmo tempo, subestimada e superestimada.

Ferramenta ou conteúdo?
Essa nossa era é subestimada pelos preconceituosos. As pessoas antigas morrem de medo. Os jornalistas são um bom exemplo disso. Ficam falando: “Não, eu gostava da minha Olivetti, quando eu ficava lá na minha Olivetti escrevendo.” Ou seja, confunde-se uma máquina de escrever com uma revolução na comunicação. Para ele, o computador é uma Olivetti com uma impressora que imprime depois. A Olivetti imprimia em tempo real, digamos assim. Ele não vê o computador como um veículo de comunicação. Mas a nossa era também é superestimada,  qualquer blogueiro é um gênio, qualquer um que tem Twitter é um gênio e dá voz, inclusive, para esse cara. Aparece alguém falando: “Ah, o cara foi criticado no Twitter.” Temos que ter cuidado para não perder a perspectiva de que nós estamos falando de pessoas que estão usando essas ferramentas e não das ferramentas. É como se a gente elogiasse um escritor porque ele usa a caneta Bic Cristal Azul. Sou apaixonado por canetas Bic. Tenho coleções de Bic. Mas por que tenho coleção? Porque gosto de entender que tudo aqui é ferramenta, e que não é porque eu vou usar esta daqui que a minha história de hoje vai ser melhor. Tudo vai depender da minha história, da história que tiver para contar. E confundem tudo. Não adianta se você tem essas máquinas todas e não sabe usar. É a confusão do homem com a máquina. Não se pode fazer essa confusão.

Audiência no século XXI é … relevância
Há uma confusão de como definir audiência. Existe uma maneira antiga de se descrever audiência. Claro, tem muita gente que aparece na televisão que tem um blog com muitas visitas. Mas isso, por exemplo, não quer dizer que o blog tenha relevância – que para mim é palavra que devemos colocar no lugar da audiência nesse mundo novo. E me parece que até o pessoal da publicidade está percebendo isso: que não basta mais ir ao Google Analitics e ver quem tem mais visita, porque não vai ter impacto nenhum a mensagem dele. Ele vai procurar quem tem mais relevância, persistência, permanência. É muito fácil, na internet, você ganhar audiência de um dia para o outro, o duro é você manter. Tenho vivido isso muito com o meu Twitter, porque, por alguma razão estranha, eu virei o cara mais seguido no Twitter, no Brasil. Quer dizer, estou há três anos no Twitter e agora o Twitter virou um assunto relevante e estou bem colocado lá. Mas não basta alguém ganhar um monte de seguidores no Twitter. Tenho feito essas experiências. Tem muita gente chegando ao Twitter que fala assim: “Ô, Tas, me anuncia aí, pô, que eu tenho certeza que um monte de gente vai me seguir.” Faço com o maior prazer, você entendeu? Boom! Num dia ele ganha 1.500 seguidores, mas não é fazer com que você tenha um boom de Ibope, como a gente pensava antigamente, que você vai manter a audiência.

Palavra chave: discernimento
Acho que a gente caminha, ou tem a chance de caminhar, para um mundo de maior discernimento, palavra que todos nós devemos guardar no nosso coração. O discernimento é um produto bastante precioso nessa era de gigantescas montanhas de informação. Sem ele, a gente fica navegando à deriva. Isso tudo depende de como as pessoas que planejam a educação vão tratar este mundo novo. Antigamente, o professor chegava à sala de aula e fazia uma transmissão do seu conhecimento. Ele era dono do conhecimento e você fazia um download do que ele trazia. Na prova, ele fazia um teste de memória para ver se você tinha decorado o que ele tinha trazido. Hoje, se o professor achar que é proprietário do conhecimento, ele está fora do mundo. A informação está totalmente disponível e nós vamos ter que encontrar esse discernimento em rede. O conhecimento vai ser produzido desse relacionamento do professor com seus alunos. É tarefa do professor ser um produtor de insights, de fricções de mentes e corações. Você tem que provocar um movimento físico, emocional no interior da pessoa. O cenário digital é muito propício a isso, porque não precisamos mais carregar e decorar livros para cima e para baixo. Tudo está na rede. O que sobra é o discernimento.

Na revolução digital, é preciso ouvir
Está todo mundo falando, como sempre. A maioria das pessoas continua só falando e não ouvindo. Mas as pessoas que começam a se destacar no meio desse barulho são as que ouvem. Essa é uma diferença muito grande. Tem muita gente que me pergunta: “Você fica respondendo e-mail de telespectador?” Tem gente que me faz essa pergunta. Eu falo: “Escuta, essa é a minha profissão.” As pessoas usam a palavra gastar. “Você gasta tempo respondendo e-mail?” Eu falo: “Se eu não faço isso eu não consigo me comunicar, porque é outra obviedade da comunicação: que o quê eu comunico não é o que eu falo, mas é o que a pessoa ouve.” As pessoas ouvem coisas muito diferentes daquilo que eu acho que eu estou falando, então escuto a pessoa, porque só aí entendo o que estou comunicando. Ou faço isso ou falo sozinho. Eu conheço dezenas, para não chegar a centenas, de colunistas que ficam falando, e eles não sabem que as pessoas estão ouvindo outra coisa. E o colunista passa uma carreira inteira achando que arrasou. Publica aquele livro com todas as colunas e… as pessoas ouviram uma outra coisa. Hoje existe a chance de poder receber de volta, em tempo real, o que você está falando. O Twitter permite muito isso. Você diz e tem uma volta muito rápida dessa onda que você disparou.

Fonte – Cultura.br
Edição – Marcus Tavares
Foto da capa da revistapontocom – Renato Stockler