Mídia, educação e trabalho em Barra do Piraí

“O que estamos buscando é a construção de uma nova cidade e esses três pontos – mídia, educação e emprego – são fundamentais para chegar lá”, Roberto Monzo Filho.

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Por Marcus Tavares

No início de março, o município de Barra do Piraí, no Estado do Rio de Janeiro, promoveu o 1º Festival Internacional Estudantil de Cine e Vídeo. O evento era um desdobramento do Projeto Luz, Câmera, Educação!, criado pela prefeitura com o objetivo de estimular e incentivar entre os alunos das escolas da região – estaduais, municipais e particulares – a produção audiovisual. Cerca de 300 jovens participaram das oficinas. O trabalho resultou na criação dez vídeos – produzidos e finalizados pelos adolescentes – que participaram do Festival, concorrendo em diversas categorias.

Por trás da medida está a criação do Pólo Audiovisual de Barra do Piraí, uma política pública da prefeitura  que pretende transformar o local, famoso por suas fazendas do ciclo de café, em locações para diversas produções, ampliando e favorecendo assim o mercado de trabalho dos cerca de 88 mil habitantes.

A revistapontocom conversou com o secretário municipal de Trabalho, Desenvolvimento Econômico, Turismo, Lazer e Cultura de Barra do Piraí, Roberto Monzo Filho. Um dos idealizadores do projeto, Roberto explicou detalhes da proposta.

Acompanhe:

revistapontocom – De onde surgiu a ideia de criar o 1º Festival Estudantil de Cinema de Barra do Piraí?
Roberto Monzo Filho
– O Festival foi previsto quando idealizamos o projeto Luz, Câmera, Educação!, onde os alunos participaram de oficinas de audiovisual, aprendendo como se dá todo o processo de produção de um filme. Ao final, cada grupo produziu seu próprio curta metragem. Os dez curtas realizados nas oficinas participaram, então, do festival, competindo em oito categorias. Decidimos realizar o festival com a intenção de incentivar ainda mais os alunos, objetivando uma melhor qualidade e um maior envolvimento de toda a comunidade do município.

revistapontocom – O que chama a atenção é que o projeto partiu de uma política pública voltada para o trabalho.
Roberto Monzo Filho
– Isso. O projeto está inserido no Pólo Audiovisual de Barra do Piraí, uma política pública da atual prefeitura que visa a promover o desenvolvimento da região com base na economia do audiovisual. Com as oficinas que realizamos nas escolas, despertamos o interesse dos jovens para o audiovisual e descobrimos novos talentos, trabalhando assim numa iniciação profissional e, ao mesmo tempo, na formação de plateia. Para aqueles que desejarem seguir carreira, vamos oferecer cursos profissionalizantes na área. O projeto Luz, Câmera, Educação!, que deu origem ao festival, tem, portanto, duas vertentes: a econômica, como já foi dito, e a social, que trabalha na direção de oferecer aos jovens a possibilidade de utilizar a linguagem audiovisual como instrumento de socialização. Por meio deste projeto, inúmeros aspectos foram trabalhados com os estudantes, como a criatividade (os próprios alunos escolheram os temas de seus filmes), a própria socialização (o trabalho exigiu cooperação de diferentes estudantes), a cidadania (a partir da reflexão e discussão da realidade dos próprios alunos), e a auto-estima (os alunos tiveram a oportunidade de expressar, de serem vistos e ouvidos). Isso sem falar nas possibilidades pedagógicas que foram desenvolvidas, como o resgate da cultura e da história local.

revistapontocom – Trata-se de um plano estratégico: aliar mídia, educação e emprego?
Roberto Monzo Filho
– Certamente. O que estamos buscando é a construção de uma nova cidade e esses três pontos – mídia, educação e emprego – são fundamentais para chegar lá.

revistapontocom – O pólo já é uma realidade?
Roberto Monzo Filho
– O Pólo Audiovisual já conquistou duas produções. No ano passado, tivemos a realização de uma minissérie chamada Cinco Vezes Machado, da Bossa Produções, direção de Jom Tob Azulay. Foram cinco contos de Machado de Assis produzidos no município, com atores locais. Deverá ir ao ar pelo Canal Brasil, até o mês de maio. Agora, estamos com a produção do longa-metragem Peso da Massa Leveza do Pão, da Taiga Filmes, direção de Julia Murat, que também está utilizando pessoas locais, dessa vez acima de 65 anos. Além das produções que movimentam a economia local, a mídia espontânea gerada pelo projeto é outro destaque. Isso porque o projeto também tem a visão de fomentar o turismo a partir da promoção da cidade e do interesse despertado pelos filmes.

revistapontocom – Como foi desenvolvido o projeto nas escolas?
Roberto Monzo Filho
– Na primeira etapa, trabalhamos na formação dos multiplicadores, ou seja, preparamos os professores das escolas para que pudessem, num segundo momento, ministrar as oficinas para os alunos. Foram convidadas todas as escolas da cidade: municipais, estaduais e particulares. Afinal, nosso projeto não é para as escolas, mas, sim, para a cidade. Portanto, todas as escolas que aceitaram nosso convite foram atendidas. A formação dos multiplicadores e a coordenação das oficinas ficaram a cargo da Mauá Filmes, uma produtora com experiência nos dois pontos fundamentais – produção e formação. Esses multiplicadores passaram, então, pelo mesmo processo que posteriormente seus alunos seriam submetidos. Eles tiveram que produzir um filme. Foi muito interessante notar a vibração deles ao assistirem aos vídeos produzidos. As oficinas – com os alunos – tiveram a duração de dois meses. Os alunos tiveram dois dias para gravar. Foi surpreendente o resultado pelo pouco tempo disponível para o projeto. Como a prefeitura dispõe de poucos recursos, buscamos na iniciativa privada o apoio para viabilizar o projeto. Tivemos o apoio da UGB (Centro Universitário Geraldo di Biase), da Associação Comercial e Empresarial de Barra do Piraí e o patrocínio da Reluz Logística Reversa Ltda. Para o festival, contamos com o apoio do Sebrae e também da Secretaria Estadual de Educação.

revistapontocom – Quais são os desafios?
Roberto Monzo Filho
– Dar continuidade ao projeto e angariar novos parceiros para que a proposta possa expandir e consolidar. Estamos trabalhando na criação dos cursos profissionalizantes para aqueles estudantes que desejam seguir carreira na área. A formação de mão de obra é fundamental para que a cidade se aproprie do projeto, fazendo com que as produções absorvam o pessoal local, além dos serviços. Vamos levar o projeto para outras escolas que estão nos procurando a partir do sucesso e da repercussão do festival. Por fim, nosso maior desafio e principal objetivo é tornar Barra do Piraí conhecida e reconhecida como a Cidade do Audiovisual.

A infância sob fogo cruzado

Por Flávio Paiva

Depois do suicídio do mito do neoliberalismo em 2008, fenômeno que ficou conhecido como crise econômica mundial, as corporações intensificaram a instrumentalização do assédio às crianças na guerra pela sobrevivência do consumismo. A sociedade ora aceita e ora rejeita a intrusão, numa incômoda dificuldade de encontrar vínculos entre a cultura da infância e o cotidiano. Nesse contexto, a articulação de temáticas em torno da necessidade de “honrar a infância” tornou extremamente oportuna a realização do 3º Fórum Internacional Criança e Consumo, promovido pelo Instituto Alana, no Itaú Cultural, em São Paulo, nos dias 16, 17 e 18 passados.

Além do debate sobre a infância e as mediações mercadológicas que determinam a vida social, foram registradas várias notícias boas e ruins ocorridas recentemente nesse processo. A mais inquietante de todas foi relatada por Susan Linn, diretora da Campaign Commercial-Free Childhood (CCFC). A plateia ouviu espantada o caso da expulsão, pela universidade de Harvard, do núcleo dessa campanha em favor de crianças livres de comerciais, que funcionava há dez anos no Centro Infantil Judge Baker (JBCC), dedicado a assuntos relativos à saúde mental das crianças. O motivo? No ano passado a CCFC mobilizou as famílias e a mídia para que a Disney reembolsasse os pais que haviam adquirido o DVD Baby Einstein, enganados com a propaganda de que esse vídeo acelera a inteligência dos bebês.

A Disney foi obrigada a pagar cerca de dez milhões de dólares em devoluções aos consumidores e deu o troco “convencendo” à famosa Harvard a se livrar do “incômodo” grupo de defesa da infância que usava suas instalações e com o qual mantinha vínculo institucional. O lado bom desse caso é constatar que enquanto um muro separa, uma ponte une, pois o CCFC conseguiu acolhimento em uma instituição da sociedade civil que promove a democracia e a justiça social na Nova Inglaterra, região marcada por movimentos em favor dos direitos e liberdades civis, inclusive pela independência dos Estados Unidos.

No Brasil, dois fatos novos retratam a intervenção de espectros semelhantes ao que ajoelhou Harvard: 1) a inesperada mudança na relatoria do PL 5921/2001, que trata da regulamentação da publicidade dirigida à criança, no momento em que a matéria está sendo examinada pela Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados; e 2) o inexplicável recuo do compromisso da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) com relação à questão da publicidade de bebidas e alimentos não saudáveis para crianças. Não é a toa que muitos dos suspeitos do que tenho chamado de “pedofilia de mercado” engajaram-se em uma campanha tosca, intitulada “A publicidade da publicidade”, com a qual tentam confundir a população de que regulamentar a propaganda fere o direito de expressão.

A ofensiva é pesada e em alguns casos trabalhada com muita ardileza. Benjamin Barber que o diga. O autor do livro “Consumido” (Record, 2009), que participou do 3º Fórum Internacional, é um capitalista convicto. Em sua fala, o ex-assessor do presidente estadunidense Bill Clinton, que governou o país de 1993 a 2001, auge do neoliberalismo, defendeu que é preciso ter fé no capitalismo como o sistema triunfante. A criança entra no discurso de Barber pela porta do preconceito, quando ele diz que um dos excessos causados pelo mercado sem fronteiras foi a “infantilização” dos adultos. O termo, que também tem sido utilizado por alguns autores distraídos, é tão pejorativo para a infância quanto o uso da palavra “africanizar” para designar empobrecimento radical.

O sofisma de Benjamin Barber aborda, entretanto, pontos essenciais ao debate a respeito do consumismo. Ele já não se mostra a favor do “totalitarismo comercial” e admite que regulamentar é uma boa solução. Discorre com persuasão íntima sobre as consequências públicas de uma sociedade que aprendeu a se limitar às escolhas privadas. Mostra-se convencido de que ao abraçar igrejas, escolas e esferas públicas, o neoliberalismo deixou pais e mães sem aliados institucionais. Essa situação de isolamento familiar foi tratada por Frei Betto pelo viés da carência de espiritualidade na construção de uma subjetividade feliz. A fim de que não criem filhos desajustados pais e mães necessitam, segundo ele, estabelecer controles e referências para a criança, educando-a para que não ceda às pressões do consumismo.

Quanto à questão do capitalismo como sistema vencedor e único, Frei Betto coloca habilmente a tese de Benjamin Barber em dificuldades, ao dizer que esse sistema só conseguiu ser ótimo para um terço da humanidade, enquanto vitimou os dois terços restantes. Isso, óbvio, sem contar com a degradação ambiental que o consumismo provocou e vem provocando em todo o planeta. Betto previne a plateia para que fique atenta ao jogo de pontos de vista e lê as divertidas “notícias da Chapeuzinho Vermelho” que circulam na praça virtual da internet, numa alusão às diferentes formas como a mídia ressignifica um mesmo fato.
O ânimo dos presentes ganhou brilho de olho quando o Instituto Alana divulgou o resultado de uma pesquisa encomendada ao Datafolha, feita no mês de fevereiro passado, em São Paulo, que revela um significativo percentual de 73% de pais e mães entrevistados que não querem propaganda dirigida a seus filhos. “São 73% das pessoas que não vão gostar de ver uma marca se apresentando para seu filho para ser comprada por ele”, proclama Ana Lúcia Villela, presidente do Alana.

A própria realização do 3º Fórum é uma conquista relevante. A continuidade desse tipo de ação reforça as expectativas das pessoas que lutam por uma infância ativa na cena da produção simbólica e da dinâmica relacional. “O melhor que podemos fazer para ajudar nessa causa é não comprar, e falar para amigos e parentes não comprarem produtos que anunciam para nossas crianças”, desafia Ana Lúcia, em suas palavras de abertura. Este insight da educadora me faz lembrar a saudosa médica Zilda Arns (1934 – 2010) e a descoberta do soro caseiro e da importância da amamentação, como plataforma da Pastoral da Criança.

O Projeto Criança e Consumo, um dos quatro eixos de atuação do Instituto Alana, embora seja o mais conhecido, ainda está timidamente preso a uma redoma acadêmica, mas tem um potencial enorme de chegar a níveis de mobilização bem próximos àqueles alcançados pela Pastoral da Criança. Para isso, conta com uma base sólida de experienciação que vem desde 1994, com a criação do Espaço Alana e do Centro de Formação Alana, ambos de educação e cultura, no Jardim Pantanal, periferia de São Paulo, onde a informação publicitária não interfere nas brincadeiras e trocas criativas.

E o Alana acaba de abrir uma nova frente animadora, que é o apoio financeiro e de gestão ao Instituto Brincante, na Vila Madalena. O Brincante é um equipamento cultural de exercício da brasilidade “na prática, na teoria e na brincadeira”, criado em 1992 por Antônio Nóbrega e Rosane Almeida. Da sua diretoria participam pessoas de reconhecido trabalho pelo enriquecimento da condição humana, como a educadora Peo (Maria Amélia Pereira). Peo fez a exposição mais plena do 3º Fórum Internacional Criança e Consumo. Para uma plateia atenta, ela mostrou imagens e contou da sua experiência na Casa Redonda, em Carapicuíba, onde crianças praticam a iniciação do processo criador e do viver, na relação com a natureza e no livre exercício da linguagem do brincar. Ah, como é confortante saber do muito de bom que está sendo realizado, a despeito da perversão dos lobbies de atração comercial por crianças.

Capitais brasileiras às escuras neste sábado

Neste sábado, dia 27 de março, entre 20h30 e 21h30 (hora de Brasília), o Brasil participa, mais uma vez, oficialmente da Hora do Planeta. Das moradias mais simples aos maiores monumentos, as luzes serão apagadas por uma hora, para mostrar aos líderes mundiais nossa preocupação com o aquecimento global. A expectativa é que o evento reúna cerca de um bilhão de pessoas ao redor do mundo. Quinze capitais brasileiras já aderiram ao movimento. São elas: Rio, São Paulo, Vitória, Campo Grande, Recife, Belém, Goiânia, Cuiabá, Curitiba, Porto Alegre, Manaus, Palma, Rio Branco, Fortaleza e São Luiz.

A Hora do Planeta começou em 2007, apenas em Sidney, na Austrália. Em 2008, 371 cidades participaram. No ano passado, quando o Brasil aderiu, o movimento superou todas as expectativas. Centenas de milhões de pessoas em mais de quatro mil cidades de 88 países apagaram as luzes. Monumentos e locais simbólicos, como a Torre Eiffel, o Coliseu e a Times Square, além do Cristo Redentor, o Congresso Nacional e outros ficaram uma hora no escuro. Além disso, artistas, atletas e apresentadores famosos ajudaram voluntariamente na campanha de mobilização. 

Saiba mais no site oficial do evento

CNN para estudantes

Minha cidade, minha vida, uma atitude é o tema da sexta edição do Concurso Universitário de Jornalismo CNN, lançado no último dia 23. Os interessados têm até o dia 9 de julho para participarem e enviarem suas produções audiovisuais.

As matérias poderão ter no máximo dois minutos cada e precisam ser inseridas na conta pessoal do participante nos sites YouTube ou Vimeo. Serão selecionadas três matérias finalistas que deverão ser enviadas em qualidade de melhor definição (mini-DV ou DVD) para a comissão organizadora, mediante comunicação prévia pela Turner International e divulgada no site.

Confira os premiados da última seleção, em matéria da revistapontocom

Saiba mais em www.concursocnn.com.br

Passado e futuro dialogam em exposição

Refletir sobre o passado e apontar as possibilidades do futuro das telecomunicações é a proposta de Tão longe, tão perto – as telecomunicações e a sociedade, exposição em cartaz no Museu de Arte Brasileira da FAAP, em São Paulo. A exposição parte da voz humana e avança até as principais inovações tecnológicas que promoveram o encurtamento das distâncias geográficas e redefiniram relacionamentos sociais e estruturas urbanas.

O visitante tem a oportunidade de interagir com experimentos científicos, equipamentos, aparelhos e um fórum central que prevê manifestações quanto ao futuro das tecnologias. “É uma grande oportunidade para o público conhecer um pouco mais da história das telecomunicações no país e refletir sobre como a evolução tecnológica nesta área poderá influenciar a vida no futuro”, afirma Antonio Carlos Valente, presidente do Grupo Telefônica no Brasil, organizadora do evento.

Quem não puder conferir a exposição em São Paulo, pode acessar o site da exposição e conferir passo a passo o ambiente. A curadoria é do físico e professor da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp Peter Schulz.

Conheça os detalhes da mostra:

– Linha do Tempo
A exposição começa pela Linha do Tempo, que perpassa toda a mostra. Ela resgata a época em que a fala era um dos poucos instrumentos do homem para estabelecer vínculos sociais, e passa pelos primeiros códigos sonoros e visuais, como o uso de tambores e sinais de fumaça. A invenção do telégrafo e a expansão das redes de telefonia, o surgimento do rádio, microondas, satélites, fibra ótica, celular, internet, e tantas outras inovações que possibilitaram as conexões humanas também estão presentes nesse passeio pela história das comunicações.

– Núcleo Arte e Cultura Popular
O visitante poderá constatar por meio de vídeos, áudios e documentos, entre outros meios de comunicação, como as culturas são influenciadas pelas inovações tecnológicas, gerando diferentes manifestações estéticas na música, na poesia, na literatura, nas artes visuais. O núcleo terá um projeto de net-arte, especialmente criado para a mostra, pelos artistas Giselle Beiguelman e Rafael Marchetti. Denominado Tele bits 2.0, trata-se de um ensaio visual dinâmico e online sobre a relação das telecomunicações com o cotidiano, mediado pela ação do público.

– Núcleo Ciência e Tecnologia
Ressalta que todos os inventos tecnológicos são de autoria coletiva. Nesse núcleo, o público conhecerá experimentos simples, que podem ser facilmente reproduzidos e que demonstram princípios básicos da comunicação, como funcionam um microfone e um autofalante, por exemplo. A ideia é mostrar ao visitante de que forma dados e voz atravessam grandes distâncias.

– Núcleo Comunicação e Educação
Nesse espaço, serão lembradas as profissões que surgiram com as novas tecnologias e as que virão por aí, além da retomada da importância da educação à distância e suas possibilidades.

– Fórum Futuros Possíveis.com
O centro da exposição é um Fórum no qual o visitante pode expressar suas considerações sobre o futuro das telecomunicações e seu impacto na sociedade, escrevendo sobre uma mesa touchscreen, de próprio punho, uma mensagem que será projetada ao lado de frases de grandes pensadores.

– Espaço Brincar
Lúdico e educativo, o local foi especialmente concebido para aproximar o público infanto-juvenil da temática. Educadores coordenarão brincadeiras e oficinas que destacam princípios da comunicação. O projeto educativo, que oferecerá visitas orientadas e temáticas sob agendamento, distribuirá materiais para alunos e professores e estará preparado para o atendimento a públicos especiais.

O remix da velha tecnologia

Quem foi que disse que as tecnologias obsoletas não podem ter um destino mais orginal e, ao mesmo tempo, servir para uma reflexão humana sobre a relação entre homem e máquina? O artista plástico britânico Nick Gentry topou o desafio e descobriu, por meio de suas telas, um novo uso para antigos objetos para armazenamento de dados, como disquetes, fitas de vídeo e fitas cassetes. Gentry construiu faces imaginárias e identidades que podem ter ligação com informações pessoais armazenadas nos objetos, hoje, considerados ultrapassados.

No mundo em que o lixo eletrônico cresce a cada dia, o artista deseja encorajar as pessoas a pensarem de maneira mais criativa na obsolescência dos objetos. “Filmes favoritos, álbuns, jogos e até gravações pessoais – todos eram armazenados neles. O mundo inteiro dependia totalmente destes formatos físicos de mídia. Agora, de repente, nós passamos por um momento em que eles são obsoletos, foram substituídos por inúmeros arquivos intangíveis de dados”, destaca.

As telas já percorreram galerias da Inglaterra e dos Estados Unidos. No site do artista, ele pede aos internautas que enviem discos antigos, disquetes, fitas VHS ou qualquer outro tipo de lixo eletrônico. “Talvez, seu material poderá estar em uma galeria em vez de um aterro sanitário”, finaliza.

Acesse o site do artista e confira outros trabalhos

Por que os reality shows conquistam as audiências?

Por Marcus Tavares

Criticados por alguns e venerados por outros, os reality shows, no Brasil, continuam chamando a atenção do público. O Big Brother Brasil, da TV Globo, é um exemplo. Há dez anos no ar, a fórmula é praticamente a mesma: em uma casa, é confinado um número de pessoas anônimas em busca de um prêmio milionário, onde emoção e competição se misturam. Mas afinal por que os reality shows conquistam audiências?

É exatamente esta pergunta o título do livro da professora e pesquisadora Cosette Castro, da Universidade de Brasília (UnB). Nele, a autora analisa a chegada deste tipo de programação ao Brasil e enfoca também a sua performance em outros continentes. Segundo Cosette, o Big Brother Brasil, da TV Globo, foi o primeiro programa do mundo a ser apresentado simultaneamente na tevê aberta (ao vivo e editado), 24 horas por dia em canais por assinatura (ao vivo e sem cortes) e na internet. “Possibilitando a identificação de diferentes camadas da população, independente de idade, gênero, religião, educação, língua, cultura ou nível socioeconômico”, complementa a autora.

Para Cossete, doutora em Comunicação e Jornalismo pela Universidade Autônoma de Barcelona, já não é possível afirmar, “como tentaram apressadamente alguns pesquisadores latino-americanos” – que quem assiste a reality shows são pessoas com ‘problemas’ econômicos, culturais ou educativos, pois o que se constata, na prática, é que o gênero seduz as audiências de diferentes idades, culturas e níveis socioeconômicos em mais de trinta países.

Em seu livro, a pesquisadora enumera algumas pistas que ajudam a compreender a fórmula do sucesso do programa. São elas: os participantes convivem em uma casa, em um grupo, em torno de um núcleo que recorda a família, o que reforça a ideia de algo conhecido e seguro; em geral, são agrupadas pessoas desconhecidas, portanto, trata-se de gente comum e anônima igual à audiência; os reality shows abrem as portas do mundo dos sonhos e da imaginação às audiências; reúne gente jovem, o espírito da juventude; a forma de falar, vestir, dançar ou portar-se é familiar a diferentes grupos sociais; utilizam diferentes tecnologias da comunicação para facilitar a interatividade; os programas trazem à tona questões do dia a dia universais, como o amor, o ciúme, a amizade, a inveja, a solidariedade e a competição; e espaço onde os participantes representam a si mesmos, possibilitando aos outros olhá-los como ‘modelos’, embora o que apareça na tela seja uma representação de como atuam, sentem e socializam.

Na opinião da coordenadora científica da The International Clearinghouse on Children, Youth and Media, na Suécia, Cecilia von Feilitzen, o sucesso dos reality shows pode ser medido a partir da audiência jovem, muito forte em alguns países analisados.

Organizadora do livro Young people, soap operas and reality show, que reúne pesquisas de vários cantos do mundo sobre a relação dos jovens com as novelas, seriados e os reality shows, ela afirma que, por meio dos reality shows, os adolescentes podem analisar o comportamento de pessoas comuns, suas emoções, relações interpessoais, sexualidade, mecanismos de inclusão e exclusão, de aceitação social etc.

“Eles acabam se identificando com algumas pessoas que participam dos programas, muito mais devido a algum tipo de semelhança do que por um desejo de ser como elas. Alguns ‘personagens’ são vistos como amigos e outros não. Eles gostam de uns e censuram outros. Verificam o que funciona e o que não funciona para ser recompensado, o que é importante na construção da identidade de um jovem espectador. O reality show faz parte das rodas de bate-papo dos jovens”, destaca Cecília.

Para Cossete, coibir ou apenas criticar a presença dos reality shows na TV não garante a qualidade da programação, seja ela apresentada na TV aberta ou por assinatura. No entanto, a pesquisadora defende, sim, a figura do ombudsman – com o papel de ouvir as queixas e/ou sugestões das audiências e de crítico da programação – obrigatória nos canais de tevê.

E, você, leitor da revistapontocom, o que acha?

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Direito autoral e educação: proposta do MinC vai consultar a sociedade

O Ministério da Cultura (MinC) vai divulgar, até o final deste mês, o anteprojeto de lei que propõe a reforma da Lei de Direito Autoral. Antes de ser encaminhado ao Congresso, o texto será submetido a uma consulta pública, por trinta dias. O anúncio foi feito pelo coordenador-geral de Difusão de Direitos Autorais e Acesso à Cultura, do MinC, Rafael Pereira Oliveira, durante o seminário O direito à educação e a reforma da lei de direitos autorais, realizado no último dia 13, no Instituto Paulo Freire, em São Paulo.

A proposta do MinC visa à revisão da relação entre criadores e investidores e entre os direitos conferidos aos titulares dos direitos autorais e os direitos da sociedade ao acesso ao conhecimento. Rafael adiantou que o anteprojeto, por exemplo, cria a possibilidade de reprodução – sem finalidade comercial – de obras esgotadas e defende a ampliação da utilização de obras para fins didáticos, formação de público, pesquisa, estudo e investigação.

O assunto é bastante polêmico e de interesse imediato dos profissionais da área de educação. Afinal, as tecnologias digitais ampliaram consideravelmente as possibilidades de acesso à informação e ao conhecimento e têm entusiasmado educadores, pesquisadores e estudantes no debate sobre a incorporação desses recursos na escola para melhorar a qualidade da educação. No entanto, a legislação de direitos autorais em vigor apresenta restrições ao pleno desenvolvimento dos processos educativos. 

A atual Lei de Direitos Autorais (a chamada LDA, lei 9.610, de 1998) não permite que músicas, filmes, fotos, cópias de textos – mesmo aqueles que estão fora de circulação comercial – sejam usados para fins didáticos e educacionais. Escolas e universidades, assim como organizações não-governamentais que trabalham com atividades de formação, estão sujeitas a esses limites.

Para o advogado Sérgio Vieira Branco Júnior, da Fundação Getúlio Vargas, autor do livro Direitos autorais na internet e o uso de obras alheias, o direito autoral foi construído em cima de conceitos do século XIX, tanto que hoje em dia a Convenção de Berna, de 1886, serve de base para as legislações de quase todos os países. “Mesmo a Convenção de Berna tendo sido atualizada diversas vezes ao longo do século XX, sua última revisão data de 1971, ou seja, quando o mundo ainda era outro. O modelo de direito autoral vigente é absolutamente incompatível com a sociedade contemporânea”.

Leia  a entrevista que o advogado Sérgio Vieira Branco Júnior concedeu à revistapontocom

Saiba mais:

Os direitos autorais e a educação, publicação da série Desafios da Conjuntura, da Ação Educativa

Cartilha do IDEC e FGV sobre as exceções e limitações presentes na atual lei de direito autoral

Concurso premia boas práticas pedagógicas em favor da diversidade

Já estão abertas as inscrições para a 5ª edição do prêmio Educar para a Igualdade Racial. A iniciativa visa a apoiar práticas pedagógicas e de gestão escolar preocupadas com a valorização da diversidade, como estratégia para erradicação do racismo e do preconceito existentes na sociedade brasileira. O prêmio tem abrangência nacional e é destinado a professoras, professores e representantes da gestão escolar, nas modalidades Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Os interessados devem se inscrever até o dia 7 de maio.

O pacote da premiação inclui curso de formação e um acompanhamento de até doze meses das escolas selecionadas, além de um valor em dinheiro. A diretora executiva do CEERT, Cida Bento, afirma que o curso oferecido é uma oportunidade para aprofundar o tema e compartilhar experiências de sucesso. “Convidamos grandes especialistas para falar sobre conceitos, marcos legais e estatísticas ligadas à questão racial no Brasil”, enfatiza.

Desde 2002, um acervo de mais de mil práticas escolares foi desenvolvido nas cinco regiões do país e em cada um dos 27 estados da federação. Por isso, o prêmio é reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) como uma das principais ações realizadas pela sociedade civil de promoção da igualdade étnico-racial. É também uma das principais ações de implementação da Lei 10.639/03, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), implementando o ensino da cultura africana.

O prêmio Educar para a Igualdade Racial é realizado bianualmente e aceita inscrições de práticas desenvolvidas até dois anos antes do ano de abertura do edital, sendo proibido concorrer práticas iniciadas ou que se iniciarão no ano de abertura. O evento é organizado pelo CEERT, em parceria com o Grupo Santander e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).

Saiba como fazer a inscrição no site

Fonte – ANDI

Hospital em Londres abre setor para atender jovens viciados em tecnologias

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Preocupados com o tempo excessivo com que seus filhos convivem com videogames, computadores e celulares, pais e responsáveis convenceram o Hospital Capio Nightingale, no centro de Londres, a inaugurar um setor de tratamento de reabilitação para adolescentes viciados.

“Os serviços de saúde mental precisam se adaptar rapidamente às mudanças no mundo em que os jovens vivem e entender o quão seriamente suas vidas podem ser prejudicadas por causa da falta de controle sobre o tempo que eles passam conectados à internet, diante da tela da TV ou jogando videogame”, declarou Richard Graham, psiquiatra que comandará o serviço.

Segundo Richard, apesar de outras clínicas oferecerem atendimento para adolescentes, o foco no vício nessas novas tecnologias ainda é raro nos serviços psicológicos. Ele afirma que, quando a criança passa muito tempo viciada nessas novas tecnologias, “o usuário é comprometido tanto em termos de autoconfiança para enfrentar as demandas da vida no mundo real, quanto fisicamente, em decorrência de uma alimentação pobre e da falta de atividade física”.

Para reverter este problema, a reabilitação, que atenderá pessoas a partir de 12 anos, incluirá atividades individuais e terapias de grupo. O objetivo principal será persuadir os pacientes a ampliarem suas atividades sociais e de lazer no mundo real, mantendo-se mais tempo distantes dos computadores e videogames. O hospital espera ajudar os adolescentes a refletirem sobre sua relação com os equipamentos eletrônicos e sobre como mantê-los desligados.

No Brasil, ao menos, duas instituições, ligadas a universidades, já trabalham neste sentido e foco. O Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad), do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, usa psicoterapia para tratar os adolescentes. Outra iniciativa é do Núcleo de Pesquisas em Psicologia e Informática da PUC de São Paulo que atende diariamente a pacientes por e-mail e tem um núcleo que visa a estudar o comportamento dos jovens viciados. Na clínica da PUC, os internautas podem ser tratados sem se identificar, protegidos pelo anonimato que a internet oferece.

Em seu artigo Limitações e disparidades do mundo high tech, publicado no livro Geração Digital, o antropólogo social G. Cajetan Luna avisa: ”Há uma necessidade compulsiva e insaciável de conhecimento e informação sem limites, imediatamente acessíveis, a um simples apertar de teclas. A expansão tecnológica depende de pessoas compulsivas, questionadoras e que necessitam da última versão do produto lançado no mercado globalizado. O contato imediato com outras pessoas, facilitado pela tecnologia, cria nelas a ilusão de que talvez pudessem controlar futuros problemas ou outros assuntos de interesse. Infelizmente, tudo isso sacrifica o tempo livre que deveria ser destinado ao lazer, contemplação e tranquilidade”.

Polêmica do outro lado do mundo

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A Assembleia Legislativa de Tokyo quer restringir a venda de revistas em quadrinhos  e desenhos animados – mangás e animes – com cenas de sexo que mostram personagens que aparentam ser menores de idade.  Na animação e no mangá, símbolos por excelência da cultura pop do Japão, é comum mostrar meninas de aparência pueril com minissaias sugestivas e grandes decotes, em histórias que frequentemente têm uma carga sexual mais ou menos velada. Mas críticos e fãs falam em “censura” e consideram que iniciativa tem definições muito vagas sobre “menor de idade em ficção”.

Se a proposta for aprovada, os personagens terão que demonstrar claramente que são maiores de 20 anos de idade, por meio de roupas, acessórios, vozes e cenários onde aparecem. Um grupo de desenhistas organizou um protesto, para este sábado, dia 20 de março, em frente à Assembleia Legislativa de Tokyo.

Para a profissional Machiko Satonaka, a proposta fere a “liberdade de expressão” e diz respeito a “interpretações variadas”, o que permitiria ao governo “regular personagens de quadrinhos que não fazem mal algum”.

Criador da série Ashita Joe, mangá de bastante sucesso no Japão, Tetsuya Chiba disse que tem “visto casos em que a cultura japonesa se perdeu por causa de leis. Queremos que os leitores decidam as regras e não o governo”, destacou.

A proposta sobre mangás e animes está incluída na revisão de uma legislação mais ampla que pretende proteger “o desenvolvimento saudável dos jovens” e que pode, inclusive, limitar alguns conteúdos da internet dirigidos a menores de idade.

A presença do audiovisual na formação de História

Por Maria de Fátima Caridade da Silva
Mestre em Educação pela Universidade Católica de Petrópolis

Por que refletir sobre este tema?

Muito se tem discutido acerca da inserção de recursos tecnológicos no ambiente escolar, fato justificável pela sua forte presença no nosso cotidiano, tornando-se necessário o uso destes recursos pela escola, trazendo mudanças significativas para a educação, aproximando-a do contexto global. Tais recursos podem favorecer o aprendizado, a construção dos processos cognitivos, apreensões e percepções do mundo, vindo dessa forma incentivar o ensino e promover a aprendizagem tanto de alunos como de professores.

Segundo Stahl (1997), os sistemas educacionais podem ser potencialmente afetados pelas tecnologias, assim como o processo de ensino-aprendizagem, as habilidades de pensamento e os papéis de professores e alunos. Embora a tecnologia seja um elemento bastante expressivo da cultura atual, ela precisa ser devidamente compreendida em termos das implicações do seu uso no processo de ensino e aprendizagem. Esta compreensão é que permite ao professor integrá-la à prática pedagógica, sabendo que ela não resolve todos os problemas da educação, uma vez que a sua inclusão não significa necessariamente mudança. Apenas incluir a tecnologia na escola não significa que haverá aprendizagem. É a mediação pedagógica do professor que efetiva a construção do conhecimento, com o uso da tecnologia ou não.

Diante de uma realidade tão complexa, esta pesquisa, inserida na moderna sociedade tecnológica, propôs o desenvolvimento de um estudo sobre o uso da televisão e do vídeo em cursos de formação de professores de História, ou seja, investigar se os professores desses cursos oferecem aos seus alunos, futuros professores, oportunidade de alfabetização tecnológica (Sampaio e Leite, 2003) em relação à televisão e ao vídeo.

Para atingir este objetivo, buscamos responder as seguintes questões de estudo:

1- Qual o papel pedagógico da TV e do vídeo na sociedade atual?

2- Como se dá o processo de alfabetização tecnológica do professor quanto à TV e vídeo em cursos de formação de professores?

3- Como os professores desses cursos utilizam a TV e o vídeo nas suas práticas pedagógicas? 

4- Como os alunos desses cursos (futuros professores) percebem o seu processo de alfabetização tecnológica em relação à televisão e ao vídeo?

Pelo que foi exposto, na sociedade atual, torna-se necessário refletir sobre o domínio das tecnologias e seus usos na escola como integrantes da formação inicial do professor, garantindo uma base de conhecimentos para a sua atuação na sala de aula. Mais uma vez a televisão e o vídeo podem apresentar uma possibilidade pedagógica relevante neste contexto. 

A formação do professor para o uso das novas tecnologiasOs professores precisam atuar sobre as gerações que se formam de maneira significativa e crítica. Para que tal fato se concretize Belloni (1998) aponta para as seguintes necessidades: em primeiro lugar redefinir o papel do educador, a complexidade de suas tarefas exige uma formação inicial e continuada totalmente nova. Como formar o professor que a escola atual exige? A redefinição do papel do professor relaciona-se diretamente com a sua formação. Em segundo lugar, encontra-se a comunicação, que é o meio através do qual os seres humanos constroem o seu saber, principalmente a sua cultura.

 

A autora chama a atenção para a necessidade de reflexões sobre a inter-relação da educação com a comunicação, e que se complexificam com a entrada das tecnologias.

Para que o uso da tecnologia se concretize na escola se faz necessário uma alfabetização tecnológica. Da leitura de Sampaio e Leite (2003) emerge um conceito de alfabetização tecnológica que é dinâmico, capaz de acompanhar o ritmo do desenvolvimento tecnológico e a mutabilidade do mundo em que vivemos.  Segundo as autoras este uso envolve o domínio contínuo e crescente das tecnologias que estão na escola e na sociedade, mediante o relacionamento crítico com elas. Este domínio se traduz em uma percepção do papel das tecnologias na organização do mundo atual – no que se refere aos aspectos locais e globais – e na capacidade do(a) professor(a) em lidar com essas diversas tecnologias, interpretando sua linguagem e criando novas formas de expressão, além de distinguir como, quando e por que são importantes e devem ser utilizadas no processo educativo (p.100).

Num contexto mais amplo, esta alfabetização já faz parte da educação geral do indivíduo e a escola intervém formando o sujeito reflexivo, capaz de avaliar a validade ou não da tecnologia; envolve o aproveitamento das novas habilidades mentais desenvolvidas pelas crianças através de uma abordagem multimídica, cuja linguagem ao ser incorporada possibilita que a escola diminua a distância entre ela e os jovens; indica que há necessidade de trabalhar criticamente as informações e os valores que são transmitidos pelas tecnologias.

A tecnologia deve ser usada para uma ação transformadora da sala de aula: o professor deve utilizá-la criticamente em situações criadas a partir da realidade do aluno, praticando novas propostas pedagógicas na construção do conhecimento, visando atuação crítica e reflexiva do aluno sobre a realidade.

Pensando a TV e o vídeo na construção do conhecimento

Sendo a sociedade contemporânea caracterizada pela multiplicidade de linguagens e pela forte influência dos meios, mediadores entre a realidade e as pessoas, não se justifica mais que a educação se limite a alfabetizar para o uso da palavra escrita, esquecendo-se da educação para a leitura da imagem, sendo que ambos são instrumentos de comunicação importantes. As linguagens do cinema, da TV e do vídeo são desdobramentos de formas de olhar e registrar, fazendo-se necessário uma leitura crítica desses meios de comunicação.

Para Belloni (2001), dentre as mídias, a televisão apresenta-se como uma presença constante e aparentemente gratificante para os jovens, o que confirma o seu importante papel como socializadora das novas gerações, constituindo-se num poderoso fator de reprodução social e num mecanismo eficaz de controle. A autora aponta a televisão como transmissora do saber acumulado e de informações sobre a atualidade, representações do mundo e regras de integração social. As crianças se apropriam e reelaboram essas significações “a partir de suas experiências e integram-se ao mundo vivido no decorrer de novas experiências” (p. 34). Destaca o vídeo como “a mídia mais freqüentada e que transformou a vida cotidiana de muitos povos e certamente o imaginário infanto-juvenil em escala planetária” (p. 18). 

Diante deste amplo leque de novas configurações trazidas pela TV e pelo vídeo que se refletem na sala de aula, destaca-se o papel do professor, como aquele que deve introduzir, segundo Belloni (2001, p. 18) tanto “questões éticas (conteúdos e mensagens) quanto aspectos estéticos (imagens, linguagens, modos de percepção, pensamento e expressão)” realçando-se a necessidade de alfabetização tecnológica, neste caso, para uso específico de televisão e do vídeo. Percebemos, assim, a necessidade de incluir a alfabetização tecnológica do professor na formação de professores e na formação continuada, sendo extensiva aos alunos e demais profissionais da educação. Em síntese, o professor é um elemento ativo na prática educativa, cuja dinâmica poderá integrar e interligar a escola à realidade dos alunos.

A realização da pesquisa

Devido à significância social dos cursos de formação de professores e a importância da introdução do vídeo/televisão na prática pedagógica dos professores para que os seus alunos, futuros professores, também sejam capazes de fazer o mesmo em suas salas de aula realizando uma prática pedagógica condizente com a sociedade moderna, escolheu-se o curso de  História de três universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro para o desenvolvimento desta pesquisa e que possuem licenciatura em História.  Duas são federais e uma estadual e estão localizadas na área metropolitana do estado do Rio de Janeiro, a saber: Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal Rio de Janeiro (unidade de São Gonçalo).

O questionário foi aplicado aos alunos e as entrevistas a quatro professores de prática de ensino das universidades pesquisadas. Os 50 alunos escolhidos estão matriculados no curso de História no ano de 2004, e cursando as disciplinas pedagógicas. Teoricamente estariam em melhores condições para responder às questões da pesquisa, por possuir maior vivência com os recursos tecnológicos da televisão e do vídeo no desenvolvimento do seu curso do que os alunos dos períodos iniciais.

Revelações da pesquisa

Entre as principais conclusões podemos confirmar que há uma forte presença dos meios de comunicação, principalmente da televisão no cotidiano das pessoas. Este fato justifica que estas mídias sejam integradas ao processo pedagógico e também, porque são formadoras de sentidos, transmitindo valores, ideologias e representações das classes dominantes, através de conteúdos que precisam ser estudados e analisados. Assim, a História se apresenta como uma disciplina capaz de inserir no seu currículo a televisão e o vídeo trabalhados nesta perspectiva; e estes aspectos se fazem presentes nas falas dos alunos, conforme revelado nos dados analisados.

Para que as tecnologias possam ser integradas ao ambiente escolar, há necessidade de que o professor se sinta seguro, dominando aspectos técnicos, didáticos e pedagógicos da educação, fazendo uma apropriação crítica das mesmas, pois as tecnologias não são neutras, alteram a forma como pensamos, desenvolvem novas capacidades cognitivas e perceptivas. A análise dos dados indicou que habilitar o licenciando para o uso da televisão e do vídeo não faz parte do currículo de História (grade curricular), mas se faz presente, mesmo que de maneira dispersa, da prática dos professores de sala de aula. Constatou-se que os professores da graduação revelaram uma preocupação em desenvolver um uso crítico destas tecnologias, embora não seja um tema incluído no currículo de prática de ensino.

Do ponto de vista dos alunos da graduação, ou seja, como os licenciandos percebem o seu processo de alfabetização tecnológica em relação a estas duas mídias, constatou-se que quase todos os alunos participantes revelaram que se sentem relativamente seguros em relação a sua alfabetização tecnológica, pois na sua quase totalidade, farão uso da televisão e do vídeo em suas futuras práticas pedagógicas.

Os licenciados indicaram que não há necessidade de incluir uma disciplina obrigatória para ensinar o uso da televisão e do vídeo, mas recomenda-se uma disciplina específica e optativa que trabalhe com os professores a utilização dos diferentes recursos tecnológicos nas suas futuras aulas.

A pesquisa revelou que as mídias são utilizadas predominantemente como ferramentas, havendo necessidade de uma educação para as mídias, principalmente no que se refere ao uso de programas de televisão. A leitura crítica refere-se predominantemente aos filmes. Recomenda-se que a leitura ideológica de programas de televisão, noticiários, novelas e propagandas também deveriam ser incluídos nestas leituras críticas, assim como a compreensão dos objetivos em relação ao consumo e a maneira como a persuasão funciona nas mensagens publicitárias.

Na formação para a cidadania, estaria incluída a melhoria da qualificação dos alunos e dos professores como telespectadores capacitados para a leitura audiovisual. Na busca deste caminho, procurou-se, neste estudo, reflexões para que o uso pedagógico da televisão e do vídeo nos cursos de formação de professores pudesse contribuir para se repensar o ensino, principalmente o de História, tornando mais significativos para os alunos a aprendizagem de seus conteúdos. Conclui-se, então, que o professor é o intelectual transformador, conscietizador e crítico da sociedade e que a escola deve desenvolver a leitura ideológica propiciada pela TV como exercício para a construção da autonomia e da cidadania, como forma de neutralizar a conformidade, a esterilidade e a banalidade destes tempos pós-modernos.

Referências bibliográficas

– BELONI, Maria Luiza. Tecnologia e formação de professores: Rumo a uma pedagogia pós-moderna? In: Revista Educação e Sociedade. Ano XIX/dezembro/1998, nº 65 CEDES, p. 143 162.

________________. O que é mídia-educação. Campinas, SP: Autores Associados, 2001.

– SAMPAIO, Marisa Narciso; Leite, Lígia Silva. Alfabetização tecnológica do professor. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

– STAHL, M. Formação de professores para uso das novas tecnologias de comunicação e informação. In: CANDAU, V.M. (Org). Magistério: construção cotidiana. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. p. 292-317

Tecnologias e cidade

“Adicionar tecnologia da informação a uma cidade com capital social baixo, onde os cidadãos não confiam em si mesmos e não têm a habilidade de organizar-se, não resulta em nada”, Clay Shirky

clayshirky

Conforme noticiado, semana passada, pela revistapontocom, a cidade de Curitiba foi palco da Conferência Internacional de Cidades Inovadoras, realizada entre os dias 10 e 13 de março. Mais de 80 especialistas de todo o mundo analisaram caminhos para a construção de realidades urbanas mais inovadoras, prósperas e humanizadas.

O americano Clay Shirky, professor da Universidade de Nova York, era um dos destaques do encontro. Estudioso dos efeitos econômicos e sociais das tecnologias da internet, Clay é autor do livro Here Comes Everybody (“Aí vem todo mundo”, em inglês), ainda sem edição em português. Na obra, ele debate a produção coletiva de conhecimento na era digital e analisa como as tecnologias de informação e comunicação influem no cotidiano das cidades.

Shirky é um dos pensadores que criou o conceito de crowdsourcing, termo que une as palavras “multidão” e “fonte” e serve para definir qual o papel das populações em um mundo à beira de uma grande transformação, motivada pelo desenvolvimento tecnológico.

Durante sua participação, Shirky falou um pouco a respeito de como essas tecnologias contribuem para uma vida melhor nas cidades. A equipe de imprensa do evento fez uma entrevista com ele. A revistapontocom reproduz abaixo.

Confira:

Conferência Internacional Cidades Inovadoras – Que tipo de tecnologias da informação colaboram para que nós tenhamos uma vida melhor nas cidades?
Clay Shirky –
A maior tecnologia de todas é fazer as pessoas atentas às oportunidades. As cidades oferecem um número enorme de oportunidades, mas ao mesmo tempo é difícil descobri-las porque as cidades são muito densas. Muitas tecnologias em uso ajudam as pessoas a enxergar através dos muros, ou seja, permitem enxergar melhor oportunidades de trabalho ou mesmo de entretenimento. O indivíduo que tem um retrato de sua vista da cidade tem apenas uma pequena parte da informação. O ideal seria fazer com que todos aproveitássemos nossas informações juntos.

Conferência Internacional Cidades Inovadoras – No futuro, que tecnologias vão melhorar nosso modo de viver?
Clay Shirky – No que diz respeito às cidades, não é muito difícil prever o futuro, porque algumas dessas tecnologias estão sendo desenvolvidas no presente. É a popularização do telefone celular como um utensílio para uso de grupos. O celular deixou de ser um telefone sofisticado para tornar-se um pequeno computador. O que temos agora é uma plataforma crua que comunica a vida das pessoas. Ainda não temos serviços desenhados para essa plataforma. Nos próximos cinco anos, as inovações não serão novas peças de hardware, mas serviços para essas plataformas, que permitirão que grupos se coordenem no mundo real. Em cinco anos haverá serviços que vão nos fazer pensar: “É difícil imaginar que há cinco anos eu vivia sem um serviço como esse”.

Conferência Internacional Cidades Inovadoras  – Tecnologias da informação são suficientes para engajar a população em ações de desenvolvimento local?
Clay Shirky – Não. Uma comparação que uso em meu livro Here Comes Everybody é: se você construir um abrigo melhor, as pessoas não vão precisar correr para cavar mais trincheiras. Comportamento é motivação filtrada pela oportunidade. O que a tecnologia faz é criar novas oportunidades. O que o elevador faz é dar a oportunidade de construirmos edifícios mais altos. Mas o desejo de criar edifícios altos deve vir da natureza humana. Adicionar tecnologia da informação a uma cidade com capital social baixo, onde os cidadãos não confiam em si mesmos e não têm a habilidade de organizar-se, não resulta em nada. Mas numa cidade em que há grupos de pessoas tentando trabalhar juntas e você adiciona a isso tecnologias da informação, dá às pessoas novas ferramentas para que realizem suas antigas motivações. É preciso enfrentar a questão de porque as pessoas querem colaborar, quais são suas motivações, saber quais são os obstáculos – não os tecnológicos, mas sociais – para que não colaborem. Se você não enfrentar esses problemas e apenas espalhar tecnologia, nada acontece.

1º Pitching Social do Canal Futura

Estão abertas, até 9 de abril, as inscrições para o  1º Pitching Social do Canal Futura, que abre as portas para ONGs, OSCIPs e TVs  Universitárias de todo o Brasil apresentarem ideias para os programas de TV do Canal. Programas de TV de vinte minutos, com temática livre e produzidos, um por uma ONG, OSCIP ou Instituto e Associação e outro por uma TV Universitária recebem 30 mil reais. No páreo, pontos de cultura, ONGs, fundações e TVs universitárias com produtos televisivos de qualidade artística, conceitual e técnica.

“Desde 2005, o Futura organiza Pitchings com produtoras independentes de todo o Brasil, com novas ideias e formatos para a grade. Mas sabemos que há outros interlocutores, como ONGs e as TVs universitárias, produzindo audiovisual de qualidade, nem sempre com espaço garantido na tela”, conta Debora Garcia, gerente de Conteúdo e Novas Mídias do Futura.

“Já mantínhamos relação sólida com esses dois segmentos, mas sem um canal formal para recebimento de projetos, dando oportunidade aos grupos sociais para encaminharem suas propostas em um processo democrático e aberto a todos”, complementa Debora.

O resultado será divulgado no dia 30 de abril.

Confira o regulamento
Baixe a ficha de inscrição

Vídeo de brasileira vence concurso internacional sobre clima

 Bruna Monteiro do Nascimento, de 17 anos, de Recife, está rindo à toa. Não é para menos.  No ano passado, atendendo a uma chamada do Governo dos EUA, Bruna produziu um vídeo – de até dois minutos – para concorrer a um concurso de meio ambiente, divulgado pela rede social Exchanges Connect.  

Os candidatos foram desafiados a relatar suas próprias ações ou as ações de outros que fizeram a diferença para melhor em uma comunidade local e, dessa forma, contribuíram para um mundo melhor. O slogan era Change Your Climate, Change Our World (Altere Seu Clima, Altere Nosso Mundo). 

No último dia 12 de março, chegou a notícia: o vídeo da brasileira foi um dos quatro selecionados (dois americanos e dois internacionais). Bruna viajará para os EUA, onde participará de um intercâmbio. “Eu quis mostrar que para mudar nosso clima e mudar nosso mundo, que era o tema do concurso, não é necessário empreender grandes esforço nem promover grandes ações”, explicou a autora, que ingressou, neste semestre, no curso de jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Confira os vídeos vencedores: 

–  Bruna Monteiro do Nascimento
17 anos, Recife, Brasil
veja o vídeo

– Gints Amolins
25 anos, Riga, Latvia
veja o vídeo

– Rebekah Austin
17 anos, Mill Valley, Califórnia
veja o vídeo

– Lan Li
21 anos, Los Angeles, Califórnia
veja o vídeo

Mostra de cinema infantil recebe inscrições

Estão abertas as inscrições para a 9ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que ocorre de 19 de junho a 4 de julho na capital catarinense, com exibição de filmes nacionais e estrangeiros. Podem se inscrever para participar da mostra competitiva produções nacionais de todos os gêneros e formatos, mas com foco no universo infantil, e inéditas em Santa Catarina.

As inscrições estão abertas até o dia 15 de abril. O regulamento e a ficha de inscrição podem ser acessados em www.mostradecinemainfantil.com.br. A escolha do vencedor é realizada por um júri formado por crianças previamente selecionadas pela organização do festival. Elas vão eleger o melhor filme ou vídeo de curta-metragem infantil brasileiro. Além do troféu, o primeiro colocado recebe um prêmio de R$ 1.000,00.

confira a entrevista que a coordenadora do evento, Luiza Lins,
concedeu à revistapontocom no ano passado, por conta da oitava edição

Evento de especial interesse para o público, educadores e produtores que pensam o cinema como diversão e cultura, a mostra de Florianópolis é um dos mais importantes festivais do segmento no Brasil. Além de exibir filmes atuais e antigos, propõe um debate sobre a produção cinematográfica voltada para o público mais jovem.

Na edição deste ano, acontecerá o 6º Encontro Nacional do Cinema Infantil, que vai discutir a importância do cinema na educação, e também a produção cinematográfica para crianças e adolescentes no Brasil e no mundo. O objetivo principal é tornar o mercado do cinema infantil forte e estratégico.

 A exibição dos filmes durante a mostra é realizada também como uma ação voltada à inclusão social e construção da cidadania através do cinema. Alunos das escolas da rede pública ganham transporte para assistir aos filmes, exibidos gratuitamente durante a semana, e a preços populares nos fins de semana. Paralelamente, ocorrem oficinas para estudantes e para professores, debates com especialistas em educação e cinema, produtores e realizadores.

Pelo terceiro ano consecutivo será realizada uma parceria com a Programadora Brasil, do Ministério da Cultura. Os filmes encaminhados para o evento serão sugeridos para inclusão no catálogo de títulos infantis. Cabe à Programadora a seleção final. Esta parceria permite a crianças de todo o país o acesso a atual produção brasileira de cinema infantil. A mostra é realizada pela Lume Produções Culturais com o apoio de patrocinadores.  

A cada ano os números de filmes e de público são ampliados. Na primeira edição, em 2002, atingiu 2,5 mil pessoas, e em 2009, 26 mil. Na edição de 2008, foi realizado o primeiro Pitching, com a participação de realizadores de todo o Brasil. O projeto escolhido foi “Eu e Meu Guarda-Chuva”, longa-metragem em desenvolvimento pelo diretor Toni Vanzolini, e pelo produtor Luiz Noronha, da Conspiração Filmes (RJ). Os produtores participaram em 2009 do Fórum de Financiamento do Festival de Malmo, na Suécia.

O vencedor do 2º Pitching foi o longa metragem “Tainá 3”, que também estará presente no Festival de Malmo este ano. Em breve será divulgado as inscrições para o terceiro 3ª Pitching.

Destaques da teledramaturgida, por Mauro Alencar

– REDENÇÃO (TV Excelsior, 1966), de Raimundo Lopes
Direção de Waldemar de Moraes e Reynaldo Boury
Foi a primeira novela que trouxe tipos essencialmente brasileiros para a telenovela, além de ter erguido a primeira cidade cenográfica da televisão brasileira.Redenção era uma cidade fictícia no interior de São Paulo. Foi a mais longa novela da nossa TV: 596 capítulos.

ANTÔNIO MARIA (TV Tupi, 1968), de Geraldo Vietri
Direção: Geraldo Vietri
Este sucesso da extinta e pioneira TV Tupi começou um processo de revolução em termos de narrativa ao incorporar fatos do cotidiano num clássico folhetim protagonizado por um personagem de origem portuguesa.  

BETO ROCKFELLER (TV Tupi, 1968), de Bráulio Pedroso a partir da sinopse de Cassiano Gabus Mendes
Direção de Lima Duarte e Walter Avancini
A grande revolucionária da telenovela brasileira. A partir daí, ocorreram, digamos assim, sub-rupturas, sub-revoluções. É o início do “jeito brasileiro” de se fazer novela. O texto inovador de Bráulio Pedroso – a crítica sarcástica, debochada de nossa sociedade. A direção propiciando maior liberdade aos atores em cena; a criação do merchandising por Luiz Gustavo (Beto Rockfeller), a utilização de músicas nacionais e internacionais do momento na trilha sonora; gravações em externa; conflitos mais ousados entre casais mais maduros. Utilizou o noticiário do dia a dia como assunto dos personagens.

OS ESTRANHOS (TV Excelsior, 1969), de Ivani Ribeiro
Direção: Walter Avancini
Primeira novela a trazer o tema da ficção científica com direito a uma espaçonave e seres de outro planeta. Em seu elenco, além de Regina Duarte, Cláudio Corrêa e Castro, Rosamaria Murtinho e Stênio Garcia, a curiosa participação de Pelé no papel do escritor Plínio Pompeu.

A partir deste período, há uma segunda revolução na história da telenovela brasileira com o início da modernização e industrialização promovidas pela produção da Rede Globo. Revoluciona-se não apenas o conteúdo e forma, mas sim o sistema de produção de novelas no Brasil (e em termos da nascente indústria mundial da telenovela) com reflexos intensos na sociedade em seus diversos aspectos –  econômico, político e cultural. 

É notável também como cada autor, em diversas novelas, procurará revolucionar um aspecto da narrativa. É isto, aliás, que  encanta (e diferencia) as produções brasileiras no mundo inteiro.  Dentro de mais de 500 produções da história da telenovela diária, elegi algumas que considero essenciais ao processo de renovação e que de algum modo transformaram a narrativa ficcional televisiva.

IRMÃOS CORAGEM (Rede Globo, 1970), de Janete Clair
Direção: Daniel Filho e Milton Gonçalves
A trama misturava com perfeição elementos do clássico folhetim (com diversas tramas amorosas, mulher com tripla personalidade, filho de pai desconhecido…) com o clima de faroeste. Utilizou o futebol como pano de fundo de uma das tramas principais. Aproveitou um jogo de verdade (no Maracanã) para o início da novela.  O clima árido do sertão goiano também era novidade em telenovelas. Uniu com perfeição a trama regionalista à trama urbana. Em certas cenas utilizou-se a linguagem de cinema. Conquistou, em definitivo, o público masculino e infanto-juvenil para as novelas.

BANDEIRA 2 (Rede Globo, 1971), de Dias Gomes
Direção: Walter Campos
Pela primeira vez uma novela era ambientada longe da Zona Sul do Rio ou de áreas nobres paulistanas. O bairro eleito por Dias Gomes foi o de Ramos, Zona Norte do Rio, e o protagonista, um bicheiro. Além disso, a novela trazia uma taxista desquitada e a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense como destaques da trama que mostrava a difícil luta de retirantes nordestinos no Sudeste.   

SELVA DE PEDRA (Rede Globo, 1972), de Janete Clair
Direção: Daniel Filho e Walter Avancini
Grande marco da modernização e industrialização da telenovela. A trama – ancorada na conquista por um lugar ao sol – e a direção ressaltavam a transição de um país interiorano para um país modernizado pela grandes empresas. Um modelo que propagou-se por diversas outras novelas.

O PRIMEIRO AMOR (Rede Globo, 1972), de Walter Negrão
Direção:  Régis Cardoso
Novela escrita especialmente para conquistar crianças, jovens, adolescentes. Linguagem moderna. Destaque para a dupla de heróis “Shazan e Xerife” que, de tanto sucesso, gerou um seriado: “Shazan, Xerife e Cia.”  

UMA ROSA COM AMOR (Rede Globo, 1972), de Vicente Sesso
Direção: Walter Campos
Estilo de comédia romântica perpetuado até hoje. O casal central era totalmente distinto do estilo de protagonistas românticos apresentados na telenovela até então. Ela, uma secretária solteirona e desajeitada. Ele, um quarentão meio rabugento.    

O BEM-AMADO (Rede Globo, 1973), de Dias Gomes
Direção: Régis Cardoso
O formato desta novela – prefeitura, igreja, praça central/ coreto, bar, farmácia… enfim, tudo o que tem uma típica cidade do interior, propagou-se pela telenovela brasileira e até hoje rende bons resultados. Era a primeira vez que uma telenovela mostrava uma sátira política – em plena ditadura, pois estávamos em 1973. Incursão pelo realismo mágico (O personagem Zelão, interpretado por Milton Gonçalves, voa no último capítulo). Primeira novela em cores e o primeiro produto da TV brasileira a ser exportado: o populismo de Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) conquistou mexicanos e uruguaios. Trilha sonora composta especialmente por Vinicius de Moraes e Toquinho.

OS OSSOS DO BARÃO (Rede Globo, 1973), de Jorge Andrade
Direção de Régis Cardoso
Considerada um marco revolucionário na estética narrativa por utilizar a história da formação social do Estado de São Paulo como pano de fundo. Os personagens eram frutos diretos das transformações sociais e econômicas ocorridas a partir de 1930. Portanto, nesta trama não havia figura do vilão folhetinesco.

MULHERES DE AREIA (TV Tupi, 1973), de Ivani Ribeiro
Direção: Carlos Zara e Edison Braga
Novela que aprofundou o psicologismo no gênero, em particular nas personagens gêmeas Ruth e Raquel. Um sucesso que se estendeu até o remake da Globo, em 1993. 

O REBU (Rede Globo, 1974), de Bráulio Pedroso
Direção: Walter Avancini e Jardel Mello
Toda a ação da novela era centrada numa festa, com flashback do dia anterior, e as conseqüências do dia seguinte à festa. Neste grande evento para recepcionar uma princesa italiana, ocorre um crime. Mas não sabíamos quem havia morrido, também não conhecíamos a identidade do assassino e os motivos que o levara a cometer o crime. 

A VIAGEM (TV Tupi, 1975), de Ivani Ribeiro
Direção: Edison Braga
A vida após a morte, sem dúvida alguma, foi um mote de extrema revolução na história da telenovela. O mesmo sucesso foi conquistado com a nova versão produzida pela Rede Globo em 1994.

ESCALADA (Rede Globo, 1975), de Lauro César Muniz
Direção: Régis Cardoso
Pela primeira vez mostrou-se a trajetória de um homem da juventude à velhice em meio aos momentos marcantes da História do Brasil e às transformações sociais numa trama que se iniciava em 1940 e terminava em 1975.

GABRIELA (Rede Globo, 1975), de Walter George Durst inspirado no romance “Gabriel, Cravo e Canela”, de Jorge Amado
Direção: Walter Avancini
Produzida especialmente para comemorar os dez anos de Rede Globo e os cinco de liderança nacional, esta primorosa novela reproduziu com perfeição uma réplica da cidade de Ilhéus, no interior da Bahia, e mostrou temas até então inéditos na televisão brasileira: a sensualidade do casal protagonista – Gabriela e Nacib; o poder desmedido dos coronéis do cacau com seus crimes e castigos em nome da honra; adultério e a difícil conquista de uma renovação social com a chegada de um jovem político com idéias modernistas.     

O GRITO (Rede Globo, 1975), de Jorge Andrade
Direção: Walter Avancini
Contunde novela que mostrava os problemas do crescimento desordenado de uma metrópole como São Paulo. Todos os personagens moravam no Edifício Paraíso, desvalorizado com a construção do Elevado Costa e Silva, o popular “Minhocão”. Ainda, uma personagem detinha o poder de escutar a conversa por telefone de todos os moradores. Com esta novela, a Globo produziu um subgênero dentro da telenovela: a “novela reportagem”.

O CASARÃO (Rede Globo, 1976), de Lauro César Muniz
Direção: Daniel Filho e Jardel Mello
A grande novidade foi uma novela ser contada em três épocas que se alternavam – 1900 – 1926 e 1976. E todas elas ligadas pelo amor de João Maciel e Carolina. Além disso, discutiu assuntos sociais e políticos com grande contundência. 

ESCRAVA ISAURA (Rede Globo, 1976), de Gilberto Braga inspirado no romance de Bernardo Guimarães
Direção de Herval Rossano e Milton Gonçalves
Marcou o horário das seis com produções de época, conseguiu colocar o Brasil entre os maiores produtores de novelas do mundo furando o bloqueio da cortina-de-ferro (os chamados países comunistas) – porque lá não entravam produtos ocidentais.  Além de tratar de maneira contundente o tema da liberdade, recebeu um tratamento especial quanto à trilha incidental por parte de Guerra Peixe Filho. Com isso o clima de tensão entre senhor e escrava e a ação dramática de um modo geral tornavam-se ainda mais eletrizantes.         

SARAMANDAIA (Rede Globo, 1976), de Dias Gomes
Direção: Walter Avancini
Marco inicial do realismo fantástico na telenovela brasileira.

ESPELHO MÁGICO (Rede Globo, 1977), de Lauro César Muniz
Direção: Daniel Filho, Gonzaga Blota e Marco Aurélio Bagno
Uma das novelas mais polêmicas da televisão ao retratar de maneira realista o dia a dia dos profissionais da comunicação: tv em particular, mas também teatro, cinema e revista. Para tanto, havia a produção de uma novela – Coquetel de Amor – que era exibida dentro da novela Espelho Mágico.   

FEIJÃO MARAVILHA (Rede Globo, 1979), de Bráulio Pedroso
Direção: Paulo Ubiratan
Ao homenagear as chanchadas da Atlântida, o dramaturgo Bráulio Pedroso criou uma das novelas mais inventivas da TV. Ambientados num hotel cinco estrelas no Rio de Janeiro e em busca do ouro, os personagens protagonizaram cenas de comédia com grande agitação. A novela abriu, portanto, um novo caminho para as comédias do horário das sete produzidas pela Rede Globo.

GUERRA DOS SEXOS (Rede Globo, 1983), de Silvio de Abreu
Direção: Jorge Fernando
Pela renovação da narrativa que utilizou a comédia americana como base. Uma grande inovação foi os personagens conversando com o público.

ROQUE SANTEIRO (Rede Globo, 1985), de Dias Gomes e Aguinaldo Silva
Direção:  Paulo Ubiratan, Marcos Paulo, Gonzaga Blota e Jayme Monjardim.
União de assuntos religiosos e políticos acrescidos do questionamento da fé. Discussão sobre misticismo, crenças populares. 

VALE TUDO (Rede Globo – 1988), de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres
Direção: Dennis Carvalho e Ricardo Waddington
Chamou a atenção a maneira como os autores (em particular Gilberto Braga), denunciavam em seu texto as falcatruas dos empresários e maracutaias dos brasileiros para subir de status de qualquer maneira, até passando por cima dos outros, sem máscara nem censura. Além disso, em sua reta final, monopolizou o país com a pergunta “Quem matou Odete Roitman?”.

QUE REI SOU EU? (Rede Globo, 1989), de Cassiano Gabus Mendes
Direção:  Jorge Fernando
No Reino de Avilan, a metáfora da situação política do Brasil com a Revolução Francesa. Tudo o que acontecia no dia a dia estava presente na novela.

PANTANAL (Rede Manchete, 1990), de Benedito Ruy Barbosa
Direção:  Jayme Monjardim
Conflitos familiares, amorosos e de terra muito bem escritos e definidos pelo autor. Tudo isso acrescido de um interessantíssimo realismo mágico. Trilha sonora envolvente. Direção preciosa e estética cinematográfica.  

BARRIGA DE ALUGUEL (Rede Globo, 1990), de Glória Perez
Direção:  Wolf Maya
Tramas contemporâneas (em alguns casos à frente do tempo) e polêmicas. 

A PRÓXIMA VÍTIMA (Rede Globo, 1995), de Silvio de Abreu
Direção: Jorge Fernando
Esta revolucionária trama policial arquitetada por Silvio de Abreu eletrizou a audiência com as perguntas: “Quem será a próxima vítima” e “Quem é o assassino de a próxima vítima?”. Nunca sabíamos que personagem poderia ser a vítima! 

LAÇOS DE FAMÍLIA (Rede Globo, 2000), de Manoel Carlos
Direção: Ricardo Waddington, Rogério Gomes e Marcos Schechtman
Ao escrever suas novelas dentro do estilo “crônica”, acrescido por campanhas sociais de grande impacto, Manoel Carlos criou uma maneira muito diferenciada de narrar uma história na televisão. 

SENHORA DO DESTINO (Rede Globo, 2004), de Aguinaldo Silva
Direção: Wolf Maya
Tendo como ponto de partida um fato verídico – o sequestro de um menino – que o autor extraiu das manchetes dos jornais, esta novela contou com inúmeros entrechos de interesse sob o ponto de vista dos moradores de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense – uma novidade em termos de narrativa.   

A FAVORITA (Rede Globo, 2008), de João Emanuel Carneiro
Direção: Ricardo Waddington
Uma trama de três fases. Na primeira, há o mistério sobre a identidade da verdadeira assissina. Quem é a inocente: Flora ou Donatela? Na segunda fase, há a revelação da verdadeira assassina e as consequências de seus atos de vilania, e a terceira onde a vilã é desmascarada por todos os demais personagens.  

Telenovela: muito mais do que ficção

“Estudos das áreas da psicologia e antropologia comprovam que não podemos viver sem uma boa dose diária de ficção”, Mauro Alencar.

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Por Marcus Tavares

Em novembro do ano passado, Mauro Alencar, doutor em Teledramaturgia Brasileira e Latino-Americana, pela Universidade de São Paulo, representou o Brasil durante a VIII Cúpula Mundial da Indústria da Telenovela e da Ficção. Autor de livros sobre o tema, Mauro é membro da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação) e da Associação Latina Americana de pesquisas em comunicação, bem como da Latin American Studies Association.

Novela é com ele mesmo. Pesquisador sobre o tema, Mauro é uma das referências nacionais. Em entrevista à revistapontocom, Mauro analisa a função que a narrativa audiovisual adquiriu no Brasil. Traça os marcos da teledramaturgia brasileira e defende a programação – educativa e cultural – das emissoras brasileiras.

Confira a entrevista:

revistapontocom – Telenovelas brasileiras: que fenômeno social é este?
Mauro Alencar
– É um fenômeno que tem suas origens nos folhetins do século XIX, passando pela radionovela e encontrando, na televisão, o melhor veículo para dialogar com as mais variadas classes sociais de um país inteiro. Neste aspecto, a telenovela tornou-se uma tribuna para a sociedade. É por meio de suas tramas que um assunto já existente é legitimado (a clonagem, por exemplo, em O Clone) e oficializado (a aprovação do Estatuo do Idoso pelo Congresso Nacional – Mulheres Apaixonadas). Tudo isto se deve, inicialmente, à inquietude de nossos novelistas em utilizar fatos ocorridos na sociedade como matéria prima para as suas histórias, além do aspecto entretenimento, claro. Portanto, este valor social – diga-se de passagem, único no mundo – agregado à telenovela brasileira, transformou-a num verdadeiro fenômeno social. Se as extintas emissoras Tupi e Excelsior foram responsáveis por fenômenos isolados é bem verdade que na Globo ela atingiu proporções que jamais imaginaríamos. Credito ao alto e sistemático investimento (com louvável organização) da Rede Globo à relação tão intensa que o Brasil tem com a telenovela, repercutindo há muitas décadas no exterior. Numa primeira e longa fase, através da venda da “lata” (O Bem-Amado, Escrava Isaura, A Sucessora…) e, a partir deste ano, vislumbrando um novo capítulo na história da telenovela mundial com a produção de El Clon (em parceria com a RTI e Telemundo, na Colômbia), já considerada um sucesso! 

revistapontocom – Poderíamos dizer então que as telenovelas não são mero entretenimento?
Mauro Alencar
– Antes de mais nada, entretenimento sim, pois foi concebida para tal. Mas conforme já falei, ela começou a atingir proporções muito maiores e complexas do que apenas “entreter” (sem qualquer juízo negativo a isso, que fique bem claro) com a renovação sistemática promovida pela Rede Globo a partir do início da década de 1970. É quando neste período, o da industrialização do gênero no Brasil, tem início a “Moderna Telenovela Brasileira”.

revistapontocom – Então a telenovela vem se transformando ao longo das décadas? Existem marcos?
Mauro Alencar –
Sem dúvida alguma, assim como o Brasil e o mundo. Novelas que inovaram por algum aspecto (de texto, direção ou tecnologia) são consideradas marcos do gênero. Com mais de 500 produções, a contar da primeira diária, em julho de 1963, são inúmeras as novelas que marcaram época. Seleciono algumas [clique aqui] . A partir de 1969, há uma segunda revolução na história da telenovela brasileira com o início da modernização e industrialização promovidas pela produção da Rede Globo. Revoluciona-se não apenas o conteúdo e forma, mas sim o sistema de produção de novelas no Brasil (e em termos da nascente indústria mundial da telenovela) com reflexos intensos na sociedade em seus diversos aspectos –  econômico, político e cultural. É notável também como cada autor, em diversas novelas, procurará revolucionar um aspecto da narrativa. É isto, aliás, que  encanta (e diferencia) as produções brasileiras no mundo inteiro.  Dentro de mais de 500 produções da história da telenovela diária, elegi algumas que considero essenciais ao processo de renovação e que de algum modo transformaram a narrativa ficcional televisiva.

revistapontocom – Telenovelas no século XXI ainda encantam?
Mauro Alencar
– Sem dúvida alguma. Além da Globo, claro, basta verificar o esforço da Record, SBT e Band em produzir novela. Estudos das áreas da psicologia e antropologia comprovam que não podemos viver sem uma boa dose diária de ficção. E ao dizer “diária”, claro está que a novela é o gênero mais adequado e forte dentro da sociedade em que vivemos.    

revistapontocom – Quem consome telenovela? Crianças, jovens ou adultos?
Mauro Alencar
– Todas as idades e todas as classes sociais. Por sua extensão e periodicidade permite uma total e ampla identificação e projeção que sustentam qualquer gênero de ficção.

revistapontocom – Classificação indicativa das telenovelas brasileiras: uma medida sensata?
Mauro Alencar
– Há que se confiar no bom senso dos autores, diretores e produtores.

revistapontocom – Mas em nome da ficção e do entretenimento tudo vale?
Mauro Alencar
– Deste modo radical, não. Como afirmei: há que ter bom senso do autor, diretor e produtor.

revistapontocom – Telenovela e escola/educação combina?
Mauro Alencar –
Dentro do gigantesco universo da telenovela, há diversas ramificações, estilos de dramaturgia literária. Por exemplo, basta darmos uma olhada superficial para enxergarmos a contribuição educativa que diversas produções da Globo trouxeram ao adaptar romances para telenovela: Gabriela, Helena, Senhora, A Moreninha, O Feijão e O Sonho,  Escrava Isaura, A Sucessora, Ciranda de Pedra, Sinhá Moça… Lembro-me que o romance Maria Dusá, de Lindolfo Rocha, estava fora de catálogo desde o início do século XX. Com o êxito da produção da Globo, em 1978, a Editora Ática relançou o romance que deu origem à novela Maria, Maria.  Isso sem contarmos na mensagem educativa impressa em praticamente todas as novelas. Claro está que quando me refiro em “educação” estou englobando a cultura de um povo, pois, a novela é um gênero de ficção que representa o indivíduo na prosa diária do mundo. Por seu caráter diário e longevo, há tempo suficiente para compartilharmos as semelhanças e diferenças com os personagens no amplo leque social e histórico no qual estamos inseridos no tempo presente ou por meio da memória.   

revistapontocom – Qual é o futuro da telenovela?
Mauro Alencar
– Seguir retratando o cotidiano de nossa gente, num equilíbrio entre ficção e realidade, e adaptar-se às novas tecnologias e exigências do mercado, sem perder de vista que o princípio de tudo é uma boa história com personagens envolventes, fato comprovado por Sherazade nas suas Mil e Uma Noites.

Conexão sem fio em todas as escolas do Rio

Por Marcus Tavares

Melhor equipar e conectar as 1.063 escolas da Prefeitura do Rio. No que diz respeito à informática, estas são algumas das principais metas da Secretaria Municipal de Educação do Rio para os próximos dois anos. Na cerimônia de entrega dos certificados aos professores aprovados no 1º Curso Virtual Por Dentro dos Meios, realizada neste sábado, no Centro Coreográfico da Cidade, o subsecretário de  Projetos Estratégicos da Secretaria Municipal de Educação do Rio, Rafael Parente, afirmou que até o final deste ano as escolas  da rede terão acesso, sem fio, à internet e que 90% das unidades contarão com laboratórios de informática, até dezembro de 2011.

“Mas não é só isso. Dentro do programa Escolas do Amanhã, iniciaremos a compra de notebooks. A ideia é que cada aparelho possa ser utilizado por até três alunos. Trabalhamos em três frentes: infra-estrutura e manutenção, capacitação dos professores e conteúdo”, destacou.

veja as fotos da cerimônia

Para Rafael, o 1º Curso Virtual Por Dentro dos Meios, idealizado e produzido pelo planetapontocom e oferecido aos professores da rede municipal do Rio por meio da MultiRio, é uma das estratégias da Secretaria de Educação do Rio para fomentar e possibilitar a capacitação dos profissionais de ensino.

Meta alcançada na avaliação da presidente da MultiRio, Cleide Ramos. “Foi uma experiência de educação à distância piloto e como tal precisa de alguns ajustes. Mas foi uma ação altamente positiva para a Secretaria Municipal de Educação, para a MultiRio e para os professores que puderam vivenciar a prática de elaboração de projetos, repensar o currículo, trocar ideias com outros profissionais e explorar a sala de aula como espaço de comunicação. Nosso objetivo de qualificar tecnicamente e conceitualmente os professores foi atingido”, disse.

De acordo com a presidente da MultiRio, os professores também puderam refletir, analisar e aplicar, em suas realidades, atividades midiaeducativas condizentes com o dia a dia de seus alunos. Devido a importância do tema na atual sociedade, Cleide Ramos adiantou que a MultiRio estreia na próxima semana dois novos programas: Por Trás da Cena e Entre Mídias. Os projetos têm o objetivo de revelar os bastidores das produções audiovisuais e debater sobre os impactos e efeitos da narrativa na sociedade.  

Professores cursistas

Cento e cinco professores do Ensino Fundamental  concluíram e foram aprovados no 1º Curso Virtual Por Dentro dos Meios. Composto de 12 aulas à distância, o curso foi elaborado pela equipe do planetapontom. Os alunos contaram com o auxílio de tutores no desenvolvimento das aulas e das atividades propostas. Como trabalho final, tiveram que apresentar um projeto de midiaeducação.

Para Silvana Gontijo, presidente do planetapontocom, o curso foi criado para contribuir e requalificar a educação e, consequentemente, o trabalho do professor, seja no âmbito público e privado, frente às mídias.

“Faça de sua escola algo que esteja de acordo com o tempo e o espaço de seus alunos”, destacou Joyce Prado, coordenadora do Curso Virtual Por Dentro dos Meios, na cerimônia de entrega dos certificados.

Denize de Araújo Abrantes, professora do Ciep Professor Manoel Maurício Albuquerque, antes de receber o certificado já aprendeu a lição.  A partir das aulas do curso, ela resolveu com sua turma de portadores de necessidades especiais trabalhar a Declaração Universal dos Direitos das Crianças.

Diversas linguagens midiáticas foram utilizadas para desenvolver o projeto, que fez com que meninos e meninas (re)descobrissem seus direitos dentro da sociedade. Hoje, quem visita a escola vê importância que o projeto teve para os alunos. Uma das paredes da escola foi recriada – por eles – com desenhos, pinturas e dizeres sobre direito e cidadania. Uma aula e tanto.