Programa feito por crianças estreia na TV Brasil

Estreia no dia 9 de maio, às 14h30, a TV Piá, novo programa da TV Brasil voltado para o público infantil, na faixa dos seis aos doze anos. Criado, dirigido e roteirizado por Dilea Frate e Sérgio Sbragia, TV Piá quer mostrar a diversidade cultural das crianças brasileiras, o que pensam, como brincam e se divertem. Os meninos e meninas, os chamados piás, assumem o controle do programa. Eles entrevistam, pesquisam e interagem com a realidade de diferentes cidades do país.

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Os piás são as crianças da chamada geração Z, que já nascem “zapeando”, “logadas”, “conectadas” e “plugadas” em tudo, e que nunca imaginaram o mundo sem computadores, chips e internet. Saber como essas crianças interpretam o mundo, quando estão sozinhas ou em grupos, é outra missão da TV Piá.

Para debater os assuntos do ponto de vista das crianças, o programa usará vídeos de celular, de câmeras digitais, animações, desenhos e músicas feitas pelo público infantil. TV PiÁ se propõe ainda a levar meninos e meninas de um determinado grupo para conhecerem outro, completamente diferente. O objetivo é romper barreiras culturais, procurando cruzar mundos, épocas e classes sociais.

Confira os quadros do programa:

Fala Piá – Espaço de debate sobre os mais diversos assuntos, discutidos pelas crianças.
Brincadeiras – Crianças explicam como suas  brincadeiras são organizadas.
Piá repórter – Crianças assumem o papel de jornalistas, apresentando a realidade sob o seu olhar.
Atravessando mundos – Crianças de realidades bem diferentes se encontram.
Adultos hoje, crianças ontem – Adulto resgata um momento de sua infância.
Perfil – Mostra o dia a dia de crianças talentosas.
Piatube – Vídeos com duração de 1 a 5 minutos realizados por crianças.

Um mundo melhor começa com você


 
Começa com você é o lema da campanha Carta da Terra, uma extensão brasileira do movimento internacional The Earth Charter, lançado no dia 22 de abril, Dia Mundial da Terra. Ao remeter ao pensamento de Gandhi de que a mudança que queremos ver no mundo começa por cada indivíduo, a proposta pretende fomentar entre as pessoas o conceito de Cidadania Terra, no qual os interesses pelo bem comum do planeta estão acima dos individuais.

O vídeo da campanha conta com a participação de 120 crianças da Casa do Zezinho, organização social parceira da Fundação Abrinq e da ONGS Save the Children, que visa promover a cultura e educação entre crianças da comunidade do Parque Santo Antônio, na cidade de São Paulo.

O filme tem 60 segundos, com versões em inglês, espanhol e português. Apresenta 120 crianças da Casa do Zezinho com uma folha em branco nas mãos onde é projetada uma animação que retrata um planeta Terra sustentável, justo e pacífico.

A campanha será veiculada mundialmente em espaços doados pelas principais emissoras internacionais de televisão por assinatura e pela rede aberta local. Também conta com anúncios doados por  revistas e jornais, spot de rádio e banners para a internet.

Carta da Terra

A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século XXI, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação.

O projeto reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico equitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis. Consequentemente oferece um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável.

Em 1987 a Comissão das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, através do documento “Nosso Futuro Comum”, recomendou a redação de uma nova carta sobre o desenvolvimento sustentável com o objetivo de ajudar a construir no século XXI uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Em 1992, em evento paralelo da Cúpula da Terra – Eco-92 – realizada no Rio de Janeiro, foi elaborada a primeira versão da Carta.

Após oito anos, em um processo participativo envolvendo todos os continentes e com a contribuição de milhares de pessoas de todas as raças, credos, idades e profissões, incluindo especialistas em ciências, filosofia, ética, religiões e leis internacionais, a versão final foi lançada no Palácio da Paz em Haia em 29/06/2000. Em 2003 a Unesco reconheceu a Carta da Terra como um instrumento chave para a educação e cultura, e a considerou como um importante marco ético para a humanidade.

A música influencia o filme que influencia a música

Por Jarbas Agnelli
Músico e publicitário. Diretor da agência AD Studio.

 

Essa semana, um pequeno vídeo que fiz, entitulado Birds on the wires, está para completar 1 milhão e 200 mil acessos no site vimeo.com, e já bateu vários milhões se somados todos os posts em blogs e portais. O fato é que essa ideia simples, num vídeo extremamente despretensioso, trouxe mais atenção ao meu trabalho e a minha empresa do que todos os Leões e Clios que ganhei em minha carreira de publicitário. Apesar de simples, curto e feito em apenas 1 dia, no fundo sei que o trabalho é fruto de uma longa e intensa década dedicada a pensar áudio e vídeo simultaneamente.

Eu ainda não tenho certeza se tenho uma produtora de vídeo que faz áudio, ou uma produtora de áudio que faz vídeos. O fato é que deu certo. O AD Studio é a única produtora brasileira que faz as duas coisas ao mesmo tempo. E para meu orgulho e satisfação, faz bem. Quando decidi deixar a W/Brasil (e a direção de arte), e montar minha empresa, já flertava com essas duas atividades, e com a ideia de fazê-las juntas, e as experimentava em longas madrugadas dentro de meu estúdio caseiro. Durante anos sonhei com a possibilidade de um dia vir a trabalhar de um jeito inédito, onde imagem e música fossem criadas e produzidas simultaneamente. Dessas tentativas nasceram filmes que deram à W/Brasil alguns Leões e Clios, e deram a mim a coragem para esse passo em direção ao desconhecido.

Minha formação musical aconteceu ao mesmo tempo que minha formação publicitária. As aulas de piano clássico e jazz, e minha primeira banda de rock, foram contemporâneas às aulas de direção de arte que eu recebia de meu pai, Laerte Agnelli, e as aulas na ECA, USP (nem de longe tão ricas ou úteis como as de meu pai). Com meu tio, Carlos Vecchio, aprendi a arte do “áudio visual” (algo como o PowerPoint dos anos 1980): dois projetores de slides sincronizados com um gravador de rolo. Mas foi somente quando os computadores pessoais começaram a ganhar potência e softwares sofisticados ficaram disponíveis, que as possibilidades desse amálgama começaram a se concretizar. Fui movido pela ideia de que, dentro da máquina, fotos, ilustrações, filmes, sons, músicas eram primordialmente a mesma coisa: uns e zeros.

Com esse conceito na cabeça, passei a tratar o computador como um liquidificador. Todas as frutas têm que ser jogadas e processadas ao mesmo tempo. A mistura tem que acontecer num brainstorming profundo e quase violento, onde um elemento realmente se funde no outro. Multitarefa não é trabalhar com a internet aberta no fundo. A ideia é deixar os computadores de joelhos, não importa quantos Mhz, bytes e bits tenham, abrindo sequenciadores de música, editores de filme, processadores de fotos e programas de composição, todos ao mesmo tempo. Para esse método funcionar, arquivos têm que pular de um programa a outro, inacabados. Vão ganhando corpo e relevância a cada visita que fazem ao programa vizinho. A música influencia o filme que influencia a música que influencia o filme que influencia a música.

Assim nasceram filmes/trilhas como os premiados “A semana” para a revista Época, a campanha “CD, DVD e Livro” para a fnac, “Azarado” para Kleenex, a campanha “Qual é o seu ritmo” para Matte Leão, e dezenas de outros comerciais, onde áudio e vídeo são como o ovo e a galinha: impossível saber quem nasceu primeiro.

Em outubro do ano passado, usando essa mesma metodologia, produzi essa peça que veio a se tornar um hit mundial na web (sem realmente nenhuma pretensão de fazê-lo). Birds on the wires só poderia ter sido feita com essa maneira de pensar e trabalhar. Deparando-me com uma linda foto de pássaros pousados em fios elétricos imagem da capa desta edição, publicada no Estado de S. Paulo, resolvi tentar “tocá-la”, já que a imagem continha 5 fios, exatamente o números de linhas num pentagrama. Ao piano descobri que a melodia era doce e suave, quase infantil. Produzi então, após decidir por uma métrica e um tom, uma música com roupagem erudita, usando samples de um quarteto de cordas, flauta, clarinete, oboé e fagote, além de vibrafone e glockenspiel. Confesso que o resultado final dessa minha parceria com os pássaros me emocionou, e me levou a procurar o fotógrafo da foto na internet. Descobri facilmente Paulo Pinto (o fotógrafo também tinha nome de pássaro!), um renomado fotógrafo jornalístico, e lhe enviei a música, pedindo permissão para usar a foto. Ele prontamente me respondeu de volta, entusiasmado com o resultado, e, mais ainda, com o fato de eu ter visto o mesmo que ele viu no momento do clique. De posse da foto em alta resolução criei um vídeo simples, na tentativa de ilustrar minha linha de raciocínio. Uma foto, que virou uma música, que virou um vídeo.

Não sei exatamente como as coisas acontecem na internet, mas dias após publicar o vídeo no vimeo.com acompanhei embasbacado sua trajetória meteórica. Tal qual um fractal se expandindo diante de meus olhos, os views passaram de dezenas a centenas, de centenas a milhares, de milhares a milhões. Portais gigantes como Gizmodo, MSN, Wired e Fox postaram o vídeo. Blogs do mundo inteiro o comentaram. Rádios dos EUA e da Europa me entrevistaram sobre ele. Porque, eu ainda não sabia. Uma das conclusões a que cheguei é que, de alguma forma pessoas de diferentes etnias, credos e idades se entusiasmaram com o conceito de “natureza interpretada como arte”. O vídeo fez bem o seu papel didático, e mostrou claramente a possibilidade de um padrão aleatório da natureza conter uma obra de arte. Algo que todos enxergam todos os dias a caminho da escola ou do trabalho. Enxergam, mas não veem. Ou não ouvem. E isso tocou profundamente alguns. Tive certeza disso ao executar a peça ao vivo, no TEDx São Paulo. Após dar uma curta palestra sobre a história, apresentei a música, acompanhado de uma pequena orquestra. E do vídeo. Ninguém sai ileso ao ser ovacionado em pé por uma plateia do TED. Confesso que só naquele momento, após o último acorde, diante das palmas daquela seleta plateia de pensadores, filósofos, criadores e realizadores, tive a certeza de ter feito algo especial.

O que me fez enxergar a música na foto, e o vídeo na música, sem sombra de dúvida foi a experiência e o treinamento dessa década pensando música e imagem como uma só coisa. Algo que eu recomendo a todos, independente do nível de know-how que tenham nesses campos. As ferramentas estão disponíveis, como nunca antes. Mas além da experiência, duas coisas importantes tiveram papel fundamental nessa história. A primeira é o que eu considero um olhar infantil. Um olhar ingênuo, que todos tivemos um dia, onde tudo é possível, e que vai se perdendo com o tempo. O olhar sonhador. O olhar que o Paulo Pinto teve ao clicar a foto. A outra coisa é mais fácil: a simples iniciativa. A porta sempre aberta. A realização de algo imaginado, sem a preocupação com o sucesso ou o fracasso.

Quantas pessoas, das centenas de milhares que compraram o mesmo jornal, viram naquela foto uma partitura? Provavelmente milhares. E quantas dessas pessoas eram músicos? Provavelmente centenas. Será que fui o único a ir ao piano com a foto recortada nas mãos? Espero que não.

Os sonhos estão a nossa volta, como frutos em árvores, prontos para serem colhidos. Não há absolutamente nada que nos impeça de sonhá-los. E há apenas uma coisa que nos impede de realizá-los: o medo do primeiro passo.

Webby Awards: conheça os finalistas

Saiu a relação dos sites indicados ao 14º Webby Awards, premiação internacional concedida anualmente, desde 1996, pela International Academy of Digital Arts and Sciences. A relação dos indicados é feita por cerca de 750 membros. A revistapontocom traz, abaixo, as indicações nas áreas de Educação e Jovem. A divulgação do vencedor em cada categoria está prevista para o dia 14 de junho. 

Confira os indicados:

Categoria Jovem

BBC Blast
BBC Blast é um site que visa desenvolver a criatividade dos jovens que não sabem por onde começar.

Do Something
Do Something acredita nos adolescentes e que eles podem melhorar suas comunidades.

PBS Kids
PBS Kids é voltado para crianças, cheio de interação e jogos.

Sumo f all thrills
Jogo interativo para jovens.

Categoria Educação

San Francisco Symphony’s Keeping Score
Site sobre música.

Simple Machines
Jogo divertido.

Waterlife
Imperdível portal sobre a água.

We choose the moon
A incrível chegada do homem à Lua.

Your Life, Your Money
Como jovens enfrentaram desafios econômicos.

Brasil e Cuba em co-produção inédita

“O Brasil se destaca por um minucioso estudo de composição: o movimento dos personagens e a sonorização. É perceptível a diferença.  Isso para mim é realizar, produzir, com inteligência”, Aramis Acosta Caulineau.

aramis 

Por Marcus Tavares

Aramís Acosta Caulineau é cubano. Trabalha há mais de 30 anos no Instituto de Artes e Indústria Cinematográficos de Cuba (ICAIC), reconhecido internacionalmente pela qualidade de sua produção audiovisual, principalmente, na área de animação. Há duas semanas, esteve pela primeira vez no Brasil, realizando um sonho antigo: participar de uma co-produção em animação.

Histórias do Coração é o nome do filme que será produzido e composto por curtas animados. O primeiro – O caminho das gaivotas – fica pronto no final deste ano.  A realização do filme é resultado da renovação do Acordo de Cooperação Cultural e Educacional Brasil-Cuba, realizada em setembro do ano passado pelo Ministério da Cultura dos respectivos países.
 
Na semana passada, a revistapontocom esteve com parte da equipe de animação, no Rio de Janeiro, e conversou com Aramis sobre sua profissão, as produções do ICAIC e a co-produção entre Brasil e Cuba.

Acompanhe:

revistapontocom – Quem é Aramis?
Aramis Acosta Caulineau –
Sou um cubano que durante 30 anos tem dedicado sua vida profissional às crianças, fazendo e produzindo filmes no ICAIC. Comecei a trabalhar como produtor em 1980. Foi de uma maneira casual. Estudei Ciências Econômicas, na Universidade de Havana. Na época, o ICAIC fez uma convocatória para a área de produção e solicitava, como requisito, o curso de Ciências Econômicas, por entender a importância e a ligação da animação com o comércio exterior.  Posteriormente, fiz o curso de produção de cinema, me especializando em animação. Em 2007, fiz doutorado, na Universidade Politécnica de Valência, na Espanha. Pesquisei a relação entre o audiovisual e as crianças. Quis estudar as influências psicológicas dos programas de TV e os filmes sobre as crianças.

revistapontocom – E qual foi a conclusão?
Aramis Acosta Caulineau
– De uma forma geral, a infância de hoje está sujeita a uma exposição constante de muitos elementos agressivos na comunicação audiovisual. A família fica tranquila colocando os filhos na frente da televisão. E acha que está tudo bem. Mas o que se observa é que a televisão prende a atenção das crianças por meio da violência. Além disso, as produções trazem, em certa medida, um desprezo pela raça e ou pela opção sexual. Há sempre uma ação e uma reação violenta. Uma agressão às pessoas e à família.

revistapontocom – Mas isso também acontece em Cuba?
Aramis Acosta Caulineau
– Isso acontece em qualquer lugar do mundo. Chegam-nos produtos russos, tchecos, franceses, italianos etc. Mas em primeiro lugar, norte-americanos. E, muitos em certa medida, com muita violência.

revistapontocom – No Brasil, as crianças assistem à TV cerca de quatro horas. E em Cuba?
Aramis Acosta Caulineau
– Nossa, é muito tempo no Brasil. Em Cuba não creio que seja tanto, já que a escola cubana é em horário integral. Mas, no horário da tarde, todas as tevês têm uma faixa de programação voltada para as crianças. Neste horário, são exibidos filmes, documentários, desenhos animados etc.

revistapontocom – Mas existe alguma preocupação da sociedade cubana em relação a essa programação violenta?
Aramis Acosta Caulineau
– Sim. O ICAIC vem realizado um trabalho neste sentido, produzindo um material menos violento, com mais humor.

revistapontocom – Você poderia citar um exemplo?
Aramis Acosta Caulineau
– Sou produtor de uma série de animação que se chama Puberdade. Ela fala do momento em que meninos e meninas estão deixando a infância e entrando na adolescência. Um tema bem delicado, pois muitas famílias não sabem enfrentar essa nova fase, marcada por mudanças físicas e psíquicas que acontecem com a criança. Para criar a série, reunimos um grupo de artistas, sociólogos, psicológicos e pesquisadores interessados no tema. A cada ano, produzimos oito capítulos de sete minutos [o projeto começou em 2008]. Abordamos temas diversos, como a primeira ejaculação, a primeira menstruação, os primeiros pelos. O interessante é que os adolescentes, um grupo de jovens com quem trocamos ideias, participa diretamente da concepção dos roteiros, da história. É um trabalho de intercâmbio, onde os jovens dão suas opiniões. A família cubana é uma das grandes consumidoras, bem como as escolas. É um projeto bem gratificante.

revistapontocom – Gratificante como essa co-produção entre Brasil e Cuba?
Aramis Acosta Caulineau
– Sempre tive o sonho de algum dia trabalhar com animadores brasileiros. Eles têm uma originalidade estética que me impressiona. O trabalho do Brasil, em animação, tem um marco, uma característica que o identifica. E não tem a ver com a música, com o samba, nem com as cores da bandeira. O Brasil se destaca por um minucioso estudo de composição: o movimento dos personagens e a sonorização. É perceptível a diferença. A animação não é européia, não é mexicana, é brasileira. Isso para mim é realizar, produzir, com inteligência. Outra questão que me chama muito atenção é a síntese da narração. Os animadores brasileiros sabem o que querem, que história querem contar. Um exemplo é a animação Vida Maria [de Márcio Ramos, 2006]. Se vocês ainda não viram, vejam e rápido. É uma jóia da cinematografia de animação do Brasil. Um roteiro belíssimo, uma comunicação com o público perfeita e uma realização impecável.

 

revistapontocom – Mas a animação cubana também tem um traço próprio, não?
Aramis Acosta Caulineau
– O cinema de animação cubano, até os anos 90, era bem original. O humor e o uso das cores sempre marcaram as produções cubanas em animação.  Mas nos últimos anos, vem perdendo essa característica. A tecnologia e a maneira de pensar dos realizadores mudaram o panorama. Sinto que a animação cubana se aproximou mais do estilo europeu.

revistapontocom – E em que consiste essa co-produção Brasil e Cuba?
Aramis Acosta Caulineau
– Por meio de um Protocolo de Colaboração Cinematográfica, assinado em dezembro do ano passado entre a Secretaria do Audiovisual (SAV), órgão vinculado ao Ministério da Cultura do Brasil, e o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficos (ICAIC), foi idealizada a co-produção de um filme de animação: Histórias do Coração. A iniciativa, na verdade, é fruto da renovação do Acordo de Cooperação Cultural e Educacional Brasil-Cuba,  celebrado em setembro do ano passado,  quando o ministro da cultura do Brasil, Juca Ferreira, visitou o ICAIC, com o então secretário da SAV, Silvio Da-Rin. A ideia não é só produzir o filme, mas de capacitar animadores brasileiros e cubanos por meio da troca de experiências entre as duas partes. Trata-se de um grande projeto do Ministério da Cultura (MinC) para o Núcleo de Animação do Centro Técnico do Audiovisual (CTAv). Quem está à frente do projeto do filme pelo lado do Brasil é o diretor do CTAv, Gustavo Dahl. Pelo lado de Cuba, a diretora dos estúdios de animação do ICAIC, Esther Hirzel Galarza. O filme é dirigido pelo diretor de animação brasileiro Sérgio Glenes.

revistapontocom – É a primeira vez que Brasil e Cuba se juntam em uma co-produção?
Aramis Acosta Caulineau
– Sim, na área de animação é a primeira vez.  E o interessante é que também é a primeira vez que Cuba participa de uma co-produção com outro olhar. Nós do ICAIC já produzimos muito com outros países. Mas as co-produções geralmente seguem um modelo industrial. Quase sempre a história nasce em um determinado país. Este, por questões de tempo e equipe, contrata profissionais de outros países para produzir, realizar a obra. Isso interessa a ambos, pois todos ganham com a distribuição e exibição do filme. Porém, a co-produção estabelecida agora entre o Brasil e Cuba é diferente. Não se trata de indústria. Mas de uma produção que envolve pesquisa, escuta, comprometimento e investimento na qualificação de profissionais na área de animação. E olha: não é só o Brasil que ganha. A nova geração de realizadores em Cuba está muito acostumada com a produção industrial e esquece, de certa forma, as minúcias, as sutilezas do projeto criativo. Este projeto pode ajudar a reveter este quadro.

revistapontocom – Histórias do Coração
Aramis Acosta Caulineau –
É uma oportunidade, portanto, interessantíssima. Estou bastante contente e confiante nos desdobramentos da co-produção. O primeiro curta que estamos produzindo – O Caminho das Gaivotas – fala sobre a solidão das crianças. Da falta de comunicação entre o mundo adulto e o infantil. E o problema da solidão das crianças não é um problema das crianças que não têm família. Não. É um problema que, em certa medida, permeia todas as famílias. A história tem, portanto, o objetivo de evidenciar isso para as crianças, que vivem assim, e para seus pais e responsáveis. Tudo de uma forma bem poética, sutil e com pitadas de humor, mostrando a necessidade do reencontro do mundo adulto com o da infância.

Faça o teste do professor digital

A pergunta é muito simples: você é um professor digital? Não sabe? Que tal, então, fazer o teste proposto pelo professor José Carlos Antonio. Além de físico e autor de livros didáticos para o Ensino Médio, José Carlos é o moderador do fórum Internet na Escola do Educarede, bem como um dos responsáveis pela formação de dinamizadores de professores do projeto Promenino. De acordo com José Carlos, um professor digital é aquele que possui habilidades para fazer um bom uso do computador para ele mesmo e, por extensão, é capaz de usá-lo de forma produtiva com seus alunos.

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Eis, abaixo, as “habilidades” que o professor acredita que devem fazer parte do perfil de um professor digital. Aproveite e faça você mesmo o teste para medir o quanto você se enquadra no perfil do professor digital. Some um ponto para cada item da lista que se aplicar a você. Caso você some mais que cinco pontos, acredite, você já pode se considerar como parte da vanguarda dos professores digitais, pelo menos na opinião do professor José Carlos Antônio.

1. Possuir um endereço de e-mail e utilizá-lo pelo menos duas vezes por semana (o ideal seria fazê-lo diariamente);

2. Possuir um blog, um site ou uma página atualizável na Internet onde regularmente se produz, socializa e se confronta seu conhecimento com outras pessoas;

3. Participar ativamente de um ou mais “grupos de discussão”, fórum ou comunidade virtual ligada à sua atividade educacional;

4. Possuir algum programa de troca de mensagens on-line, como o MSN, com, no mínimo, dois colegas de profissão em sua “lista de contatos” e usá-lo para fins profissionais pelo menos uma vez por semana, em média;

5. Assinar algum periódico on-line (mesmo que gratuito) sobre notícias e novidades relacionadas à educação ou à sua disciplina específica, e lê-lo regularmente;

6. Preparar rotineiramente provas, resumos, tabelas, roteiros e materiais didáticos diversos usando um processador de textos (como o Word, por exemplo), uma planilha eletrônica (como o Excel) ou um programa de apresentações multimídia (como o PowerPoint);

7. Fazer pesquisa na Internet regularmente com vistas à preparação de suas aulas (no mínimo) e, preferencialmente, manter um banco de dados de sites úteis para sua disciplina e para a educação em geral. Melhor ainda seria compartilhar esse banco de dados com colegas e alunos;

8. Preparar pelo menos uma aula por bimestre sobre um tema de sua disciplina onde os alunos usarão os computadores e a Sala de Informática de forma produtiva e não apenas para “matar o tempo”;

9. Manter contato com o computador por, pelo menos, uma hora diária, em média;

10. Manter-se atento para as novas possibilidades de uso pedagógico das novas tecnologias que surgem continuamente e tentar implementar novas metodologias em suas aulas.

Afinal, quem é você, professor?

Quem cria TV não assiste

Não é de hoje que  pessoas que fazem TV evitam assistir à própria tevê. No livro A vida com a TV, do jornalista Luiz Costa Pereira Júnior,  que reúne matérias publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo sobre o poder da televisão no cotidiano das pessoas, é possível conferir reportagens com opiniões de roteiristas e profissionais diretamente ligados à seleção da programação infantil que, de certa forma, não davam muito atenção à telinha.

A coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, desta quarta-feira, dia 21, traz uma entrevista com a autora Maria Adelaide Amaral. Escritora de minisséries sucesso, ela comenta sobre a nova novela que irá escrever para o horário das sete da Rede Globo. E avisa: “Não vejo a novela. Aliás, eu pouco vejo novela. Eu tenho mais o que fazer! Nessa hora estou trabalhando ou me preparando pra sair”. A história se repete.

Acompanhe:

Maria Adelaide Amaral, autora da próxima novela das sete da TV Globo, “Ti-Ti-Ti”, que estreia em julho, tem uma missão difícil: recuperar a audiência perdida no horário pela atual trama, “Tempos Modernos”, com 25 pontos no Ibope. Ela falou à coluna.

FOLHA – “Ti-Ti-Ti” será um remake da novela de 1985. Por quê?
MARIA ADELAIDE AMARAL
– A era das grandes minisséries, que escrevo há anos, acabou. E eu não posso justificar o meu salário escrevendo uma minissérie de cinco capítulos por ano, como foi “Dalva e Herivelto”. A Globo queria que eu fizesse novelas. Eu disse que, se fosse obrigada, faria então o remake de “Ti-Ti-Ti” com “Plumas & Paetês” [de Cassiano Gabus Mendes, morto em 1993]. Foi o Cassiano quem me levou para a TV, em 1990, para escrevermos “Meu Bem Meu Mal”. Depois, fizemos “O Mapa da Mina”. Me sinto herdeira dele. E não tenho a menor intenção de fazer novela das oito. Acho um porre.

FOLHA – Por quê?
MARIA ADELAIDE
– Dá um trabalho do cão. Você tem que escrever quase 40 páginas por dia. Eu não tenho mais saúde nem idade pra isso. Eu não tenho ambição de ser autora do horário das oito. Prefiro o das sete, das seis. Eu não quero escrever o trabalho da minha vida. O trabalho da minha vida foram as minisséries.

FOLHA – Por que você diz que “a era das grandes minisséries acabou”?
MARIA ADELAIDE
– Porque eles [Globo] não querem mais coincidir minissérie com “Big Brother”. Acho que eles tiveram muita reclamação por causa do horário em que eram exibidas. “A Muralha” teve 50 capítulos, “JK”, 53. Isso acabou.

FOLHA – Teme herdar a baixa audiência de “Tempos Modernos”?
MARIA ADELAIDE
– Paciência. Vamos fazer de tudo pra levantar.

FOLHA – Mas é um complicador.
MARIA ADELAIDE
– Eu não tô nem aí pra audiência. Eu tô aí pra trabalhar. Acho que [a audiência de] “Ti-Ti-Ti” vai ser melhor, pelo menos, do que esta que está no ar. Eu nem sei quanto que tá. O Bosco [Brasil, autor de “Tempos Modernos”] é um amigo, um bom autor, que funciona muito bem no teatro. E a gente torce para os amigos. Eu espero que a audiência da novela dele melhore. Porque, se melhorar, melhora pra nós.

FOLHA – Por que “Tempo Modernos” não dá audiência?
MARIA ADELAIDE
– Eu não sei. Não vejo a novela. Aliás, eu pouco vejo novela. Eu tenho mais o que fazer! Nessa hora estou trabalhando ou me preparando pra sair.

Um jeito novo de ver e fazer cinema

Será o futuro do cinema que vem por aí? Cariocas têm até o dia 5 de maio para conferir o filme Ressaca, de Bruno Vianna. Inédito a cada sessão, o longa-metragem  tem  a seleção e ordem das seqüências determinadas ao vivo  pelo próprio diretor. Com a exibição em cinema digital, é possível armazenar os pequenos trechos do filme de forma que o autor, na própria sala de exibição, realize uma montagem na hora, mixando os pedaços e emendando com diferentes estilos de cortes e fusões.

“A medida que vou sentindo a reação das pessoas, vou fazendo alterações na história”, afirmou o diretor aos espectadores numa apresentação em Recife, que, mesmo após a sessão, continuavam na sala para saber mais sobre a nova tecnologia.

  

Basicamente, Bruno utiliza uma mesa touch screen (sensível ao toque) – criada especialmente para o projeto – para escolher e reorganizar cenas do filme. Na verdade, o filme tem uma interface para edição chamada Engrenagem. Ela foi desenvolvida com o apoio do centro de artes Hangar, em Barcelona, e foi projeto final do Master em Artes Digitais da brasileira Maíra Sala, na Universidade Pompeu Fabra, também da Espanha.

 

“Engrenagem consiste em uma tela tátil, que permite movimentar os elementos do filme com os dedos. Como a tela tem um metro de diâmetro e fica posicionada ao lado da tela principal do cinema, a platéia pode acompanhar todo o processo de edição”, explica Bruno. 

Ressaca  conta a história de um rapaz que passa pela puberdade e adolescência nos anos 80, vivendo o período que o país também passava por uma adolescência política e econômica. Sua família vai sofrer as consequencias dos planos econômicos e crises. “Esperamos que o esquema de exibição proposto filme espelhe o quebra cabeça social vivido naqueles tempos “, destaca o diretor.

Serviço:
Ressaca é exibido no Oi FUTURO  em  Ipanema
Endereço: Rua Visconde de Pirajá, 54, Ipanema, tel.: (21) 3201-3010
Dias:  21, 28 de abril e 5 de maio
Hora: 21h
Ingresso: R$ 15

Meninos: maiores vítimas de bullying

Uma pesquisa inédita realizada pela ONG Plan Brasil, com mais de cinco mil alunos, permitiu conhecer as situações de maus tratos nas relações entre estudantes dentro da escola, em todas as regiões do Brasil. Os dados revelam que o bullying é mais comum nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e que a incidência maior está entre os adolescentes na faixa de 11 a 15 anos de idade, especialmente os estudantes da sexta série do Ensino Fundamental.

A pesquisa avaliou a incidência, as causas, os modos de manifestação, o perfil dos agressores e das vítimas, e as estratégias de combate aos maus tratos e ao bullying no ambiente escolar. Também foram realizados quatorze grupos focais com 55 alunos, 14 pais/responsáveis e 64 técnicos, professores ou gestores de escolas localizadas nas capitais pesquisadas.

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Cyberbulling: a agressão entre nativos digitais 

O levantamento mostra que é maior o número de vítimas do sexo masculino: mais de 34,5% dos meninos pesquisados foram vítimas de maus tratos ao menos uma vez no ano letivo de 2009, sendo 12,5% vítimas de bullying, caracterizado por agressões com freqüência superior a três vezes.

Segundo a maioria dos entrevistados, a principal consequência recai sobre o processo de aprendizagem. Os dados indicam que tanto vítimas quanto agressores perdem o interesse pelo ensino e não se sentem motivados a frequentar as aulas. Embora gestores e professores admitam a existência de uma cultura de violência pautando as relações dos estudantes entre si, as escolas não demonstraram estar preparadas para eliminar ou reduzir a ocorrência do bullying.

Os alunos não conseguem diferenciar os limites entre brincadeiras, agressões verbais relativamente inócuas e maus tratos violentos.  Tampouco percebem que pode existir uma escala de crescimento exponencial dessas situações. Por outro lado, o levantamento deixa claro que as escolas não estão preparadas para evitar essa progressão em seu início, muito menos para estabelecer os limites entre brincadeira e agressão ou as formas de convivência que garantam a socialização e o respeito mútuo.

Os resultados do estudo servirão de insumos para as ações da campanha “Aprender sem Medo”, lançada internacionalmente pela Plan há pouco mais de um ano, e que tem como propósito orientar estudantes, pais, gestores, docentes, e toda a sociedade civil, sobre a ocorrência de bullying, as formas de reduzir sua freqüência e as graves consequências para a vida de todos envolvidos, as instituições de ensino e o próprio processo de formação e de consolidação da cidadania.

Tweens reféns do consumo

professora-fermiano   

Os tweens têm conquistado autonomia e possuem o seu próprio dinheiro. Apesar disso, o maior desejo do grupo é ficar mais tempo com suas famílias. As conclusões fazem parte da pesquisa de doutorado da pedagoga e economista Maria Aparecida Belintane Fermiano – Pré-adolescentes (tweens) – desde a perspectiva da teoria piagetiana à da psicologia econômica – , defendida, recentemente, na Faculdade de Educação da Unicamp.

Fermiano entrevistou 423 tweens (pré-adolescentes na faixa etária entre 8 e 14 anos) de três escolas da região metropolitana de Campinas. Os tweens, provindos das classes sociais A a E, responderam a um questionário com 93 perguntas. A autora averiguou nas respostas uma nítida relação do marketing com o comportamento dos pré-adolescentes e um investimento pesado em pesquisas para procurar conhecê-los melhor, meras crianças, mas com um poder de compra até então desconhecido. Nos Estados Unidos, os pré-adolescentes gastaram, na década de 60, cerca de US$ 2 bilhões e, na década de 80, US$ 6 bilhões. “E o mercado continua crescendo. É muito dinheiro”, destaca Fermiano.

Quem são os tweens? São crianças muito ativas, gostam de novidades, sabem muito bem o que desejam comprar, apreciam estar com os amigos, permanecem pouco tempo com a família e entendem completamente a programação da televisão, distinguindo o que é comercial daquilo que é programa. Porém, não conseguem distinguir as intenções das mensagens.

Em contrapartida, lidam sempre com dinheiro, embora não tenham noção de valores e não conheçam como funciona o comércio, o que é lucro. Querem o produto na loja, porque lá podem pegá-lo e olhá-lo concretamente, ao passo que não sabem comparar preços, qualidade e as ofertas das diferentes lojas.

A estrutura cognitiva dos tweens, comenta a pesquisadora, não é capaz de dar conta das variáveis que fazem parte da economia. Eles preferem então se ater ao que os amigos falam e não são levados/treinados, pelas famílias, a pesquisar preço, mesmo porque seus pais nem sempre fazem isso.

Eles gostam esmagadoramente dos mesmos programas: Bob Sponja, seriados como Drake & Josh, Hanna Montana e Jonas Brothers. “Em todos esses programas existe um forte apelo em termos de comportamento, em relação às vestimentas e aos gastos. E as crianças estão numa fase em que o que admiram querem [comprar] para elas, já que lidam com muitas fantasias”, observa Fermiano

Ao abordar as diferenças entre os tweens e os tenagers, Fermiano notou que o tenager (adolescente) é mais amadurecido, sexualmente e fisicamente falando. Ele tem estados de humor mais tendentes a oscilações. Possuem uma visão mais crítica de mundo e conseguem fazer relações maiores. O tween ainda está na vigência da infância, embora não admitindo.

Em casa, o menino tween joga bolinha, faz coleção de carrinhos e tem muitos brinquedos. “Quando vai para a escola, não conta para ninguém que faz isso. Vive uma vida dupla ao mesmo tempo que, na escola, procura seguir um comportamento adolescente, porque está se mirando em algum tenager. Em casa, continuará brincando como uma criança, pois é isso que ele é: uma criança”, revela.

Com a menina é a mesma coisa, confirma ela. Na escola, passa batom, quer ficar bonita e se projetar naquela garota mais velha que conhece. Já em casa, brinca de boneca. E não é somente isso. Pelos questionários respondidos, percebeu-se que a atitude que mais irrita a criança que tem oito, nove anos, em relação ao adulto, é ser tratada como criança.

Para Fermiano, essas mudanças de comportamento mostram a importância de se trabalhar a identidade e os valores com as crianças, seja em casa ou na escola: “Posso ser eu sem me preocupar com o que o outro é”, finaliza a autora.

Quem são os tweens

– Pré-adolescentes na faixa etária entre 8 e 14 anos
– Clientes preferenciais do marketing e da mídia
– Gastam tempo exagerado diante da televisão
– Levam vida sedentária
– Constroem novas significações para o mundo globalizado
– Têm dinheiro e gastam cada vez mais para suprir necessidades desnecessárias
– Permanecem muito tempo sozinhos em casa
– Têm acesso à tecnologia, independentemente da classe social

 Fonte - Jornal da Unicamp

A maravilhosa jornada da jovem Alice


Por João Rodrigo Maroni
Gazetinha

Somente a supertecnologia de Hollywood poderia permitir que, 145 anos depois, os geniais livros do escritor inglês Lewis Carroll – Aventuras de Alice no País das Maravilhas (1865) e Através do Espelho e o que Alice Encontrou Por Lá (1871) – pudessem ganhar uma versão cinematográfica à altura.

Ao menos esta é a expectativa em torno de Alice no País das Maravilhas, filme dirigido por Tim Burton e que chega aos cinemas no dia 23, com cópias em 3D e Imax 3D. Sob a chancela da Disney, o longa-metragem já faturou – até a primeira semana de abril – mais de US$ 310 milhões nos EUA, onde foi lançado em março. Chamam atenção na fita os efeitos visuais e o clima sombrio e esquisitão, marca registrada do cineasta.

Pela sétima vez, o diretor repete a parceria com o astro Johnny Depp (como em Edward Mãos de Tesoura e A Fantástica Fábrica de Chocolate, por exemplo). “Sou um grande fã do livro. É um fenômeno em termos de invenção, de realização literária. É tão brilhante, atual e interessante hoje como era na época”, argumenta Depp, que interpreta o Chapeleiro Maluco (outro personagem para figurar em sua galeria de tipos excêntricos).

“É por isso que todas essas grandes histórias permanecem, porque elas mexem com coisas que as pessoas provavelmente nem têm ciência num nível consciente. Por isso foram feitas tantas versões da história”, avalia Burton, referindo-se às inúmeras edições do livro e adaptações para o cinema, incluindo uma animação de 1951 da Disney.

Coelho branco

Baseado principalmente no livro Através do Espelho, a produção narra a trajetória de Alice Kingsleigh (papel da australiana Mia Wasikowska) aos 19 anos. No dia de seu casamento, a jovem avista um coelho branco no jardim. Ao segui-lo até a toca, Alice cai no buraco e vai parar no Mundo Subterrâneo, onde já estivera na infância, mas que há muito tempo havia esquecido de tal experiência.
Nesse universo paralelo, ela reencontra uma série de personagens bizarros, como os gêmeos Tweedledee e Tweedledum, além do Gato Risonho e do Chapeleiro Maluco, entre várias outras criaturas. “No início, Alice está bem desconfortável e pouco à vontade. Então, sua experiência no Mundo Subterrâneo tem a ver com se reconectar com ela mesma e descobrir que tem a força para ser mais confiante e saber o que quer”, pondera Mia.

Com a volta de Alice, os habitantes do lugar ganham uma aliada poderosa para combater a tirania da Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter, a Belatriz de Harry Potter e o Enigma do Príncipe). Anne Hathaway (O Diário da Princesa) também está no elenco, interpretando a Rainha Branca.

Poucos autores da literatura infanto-juvenil conseguiram criar uma obra que continuasse a ser lida através dos séculos. Lewis Carroll (1832 – 1898) é um desses privilegiados. E mais: as suas duas obras-primas – Aventuras de Alice no País das Maravilhas (1865) e Através do Espelho e o que Alice Encontrou Por Lá (1871) – continuam surpreendentemente atuais, repletas de lirismo, nonsense e fantasia.

“Ele inaugurou uma nova forma de escrever para crianças. Seus livros não tinham preocupação didática ou moralista; não visavam ensinar boas maneiras ou virtudes, como era o propósito da literatura destinada às crianças nos séculos 18 e 19. Carroll inovou: sua literatura é puro divertimento, jogos de palavras, uma combinação de fantasia, humor e muita imaginação”, explica a escritora Liana Leão, professora de Literaturas de Língua Inglesa da UFPR.

Ao contrário do que se poderia supor, Carroll – que era professor de Matemática – subvertia a lógica nas aventuras de Alice. “As personagens não têm identidade fixa, elas se transformam: um bebê vira um porco, o gato Cheshire desaparece, deixando apenas seu sorriso”, aponta Liana. Para a especialista, os jogos de palavras e a ironia, entre outros atributos da obra, fazem com que ela seja apreciada também pelos adultos.

“E é da perspectiva de Alice que o livro todo é narrado: visitamos o país das maravilhas com ela, compartilhamos seus pensamentos, encontramos lagartas que dão conselhos, chapeleiros loucos, coelhos atrasados, cartas de baralho que jogam croqué…”, exemplifica Liana. No entanto, lembra a especialista, muitas crianças acham o livro um pouco assustador. “Nesse sentido, creio que o novo filme pode aproximá-las novamente de Alice, pode fazer com que queiram conhecer a obra”, avalia.

Homenagem

A história da menininha que avista um coelho branco no jardim e que, ao segui-lo, descobre um mundo repleto de paisagens instigantes e criaturas surreais é uma homenagem de Lewis Carroll a uma jovem amiga: Alice Pleasance Liddell, filha de um acadêmico da faculdade onde Carroll lecionava, em Oxford.

Alice tinha 10 anos na época em que ouviu Carroll narrar, durante um passeio de barco pelo rio Tâmisa, as aventuras de sua xará. O ano era 1862. A garota gostou tanto da história que pediu ao amigo que a botasse no papel. E ele botou!

Celulares ajudam alfabetização de jovens no Paquistão

Enquanto no Rio de Janeiro tanto a Câmera dos Vereadores quanto a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) já proibiram o uso de celulares dentro das salas de aula, o aparelho vem sendo utilizado para alfabetizar adolescentes do Paquistão. É isso mesmo. Trata-se de uma parceria entre a Unesco e a empresa de celulares Mobilink, que forneceu cerca de 250 celulares a jovens paquistanesas.O projeto piloto começou no fim do ano passado e durou cinco meses.

O projeto funcionava da seguinte forma: todos os dias, as adolescentes recebiam mensagens de texto (SMS) em urdu, o idioma oficial do Paquistão e precisavam responder a esses alertas. As garotas tiveram ajuda de dez professores, indicados por uma ONG do país.

As alunas foram avaliadas pelo aprendizado e por ganho de conhecimentos. No começo do projeto, 57% das adolescentes tiraram nota C e apenas 28% conseguiram nota A. Perto do fim do programa, a situação foi revertida: mais de 60% das garotas conseguiram nota A e 11% tiraram nota C.

Com o sucesso do projeto piloto, a Unesco e os parceiros decidiram expandir o programa e incluir outras 1250 garotas de áreas rurais em distritos de Punjab. Para o diretor da Unesco no Paquistão, Warren Mellor, a tecnologia moderna, como o celular, pode, sim, ajudar a alcançar a meta da alfabetização universal. Ele lembra que o país está comprometido a ter 86% da população alfabetizada até 2015.

Na opinião do presidente da companhia Mobilink, celulares são a chave do desenvolvimento social e o programa no Paquistão quer garantir que as mulheres sejam parte desta revolução.

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Celular na sala de aula

Fonte – Unesco

Tragédia ou fator cultural: o infanticídio nas aldeias indígenas

  

Crianças indesejadas são condenadas à morte por nascerem com deficiência física ou mental, por serem gêmeas, filhas de mãe solteira ou ainda por serem vistas como portadoras de azar para a comunidade. A tradição manda que as crianças sejam enterradas vivas, sufocadas com folhas, envenenadas ou abandonadas para morrer na floresta. A prática de infanticídio não é coisa do passado. Pelo contrário, é uma ação ainda muito comum em tribos indígenas brasileiras. É o que revela o documentário Quebrando o silêncio, lançado no último dia 31, em Brasília.

Dirigido pela jornalista e documentarista Sandra Terena, o filme, finalizado em 2009, traz histórias de sobreviventes do infanticídio indígena e de famílias que saíram  das aldeias para salvar a vida de seus filhos. “Foram três anos de pesquisa, com cerca de dez a doze povos indígenas do Alto Xingu e do Amazonas”, conta Sandra.

Segundo a documentarista, o objetivo do filme é promover o debate sobre o tema entre os indígenas, e não influenciar sua cultura. “Percebemos claramente que muitos são contra. Quando fui ao Xingu, no Mato Grosso, os índios da tribo local falaram que o infanticídio diminuiu e que consideram a prática bastante negativa para a própria cultura indígena. ‘A gente não é bicho’, diziam”, conta a jornalista.

De acordo com instituições ligadas à causa indígena, muitas das mortes por infanticídio vêm mascaradas nos dados oficiais como morte por desnutrição ou por outras causas misteriosas. Pesquisa realizada por Rachel Alcântara, da Universidade de Brasília, mostra que só no Parque Xingu são assassinadas cerca de 30 crianças todos os anos.

O filme Quebrando o silêncio rendeu à documentarista Sandra Terena – que também é de origem indígena e é presidente da ONG Aldeia Brasil – dois prêmios: o “Voluntariado Transformador” (na categoria “Reduzir a mortalidade infantil”), promovido pelo Centro de Ação Voluntária de Curitiba; e o “Prêmio Internacional Jovem da Paz” (na categoria “Comunicação”), realizado por diversas instituições, entre elas a Aliança Empreendedora e o Projeto Não-Violência.

Neste ano, a Atini – Voz pela Vida, instituição parceira do documentário e que desde 2006 trabalha na defesa dos direitos das crianças indígenas, pretende exibir o documentário em mais de 200 aldeias do Brasil, com o intuito de fomentar a discussão dos indígenas sobre os Direitos Humanos.

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Programas de TV analisam conteúdo audiovisual

Desvendar os bastidores da produção cinematográfica e, em seguida, discutir o impacto dos elementos que compõem a sétima arte no dia a dia de outros meios de comunicação. Estes são os principais objetivos dos novos programas que a MultiRio, Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio, estreou no mês passado. São eles: Por trás da cena e Entre mídias.

A série Por trás da cena incentiva a construção de um senso crítico mais apurado e a gestão da informação na sala de aula. O programa explora, nos seus 13 episódios, as diferentes etapas de realização de um filme. Cabines montadas pela MultiRio percorreram as ruas do Rio colhendo opiniões e reações das pessoas com relação às sensações que diferentes filmes despertam.

Após a exibição de cada episódio de Por trás da cena, a jornalista Vera Barroso apresenta, direto dos estúdios da MultiRio, o programa Entre Mídias, onde especialistas analisam aspectos da linguagem audiovisual, como o roteiro, o som, a interpretação e a fotografia, a partir de diferentes mídias. A ideia é mostrar a relação do cinema com as outras mídias e como os meios de comunicação podem ser utilizados no processo educativo e de formação cidadã.

“As séries têm como objetivo a educação do olhar de professores e alunos. Um dos pontos que pretendemos trabalhar é a questão da gestão da informação na sala de aula. Os professores são capazes de descobrir com os alunos diferentes fontes de informação e orientá-los a utilizá-las adequadamente”, afirma Cleide Ramos, presidente da MultiRio.

Confira os horários:

– Segunda-feira, às 14 horas, na BandRio
– Sexta-feira, às 13h30, na NET, canal 14
– Sábado, às 10h30, na NET, canal 14

Olimpíada de Matemática: inscrições abertas

Já estão abertas, até o dia 4 de maio, as inscrições para a 32ª Olimpíada Brasileira de Matemática. A OBM envolve a participação de professores e alunos das redes pública e particular de todo o Brasil. As instituições interessadas devem fazer o cadastro no site da instituição.

A participação dos estudantes é dividida em quatro níveis. A primeira fase será realizada dia 12 de junho, a segunda fase dia 18 de setembro e a terceira e última fase nos dias 16 e 17 de outubro. Ao contrário das olimpíadas esportivas, as de matemática não têm várias modalidades. Todos os participantes de um mesmo nível fazem a mesma prova e a premiação é distribuída segundo percentuais de acerto.

Os resultados serão conhecidos em dezembro e os vencedores da 32ª OBM serão convidados a participar da 14ª Semana Olímpica, evento a ser realizado em janeiro de 2011. Do torneio nacional são selecionadas as equipes que representam o Brasil nas diversas olimpíadas de caráter internacional.A OBM é um projeto conjunto da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), e conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e o Instituto do Milênio Avanço Global e Integrado da Matemática Brasileira

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Save the Children lança concurso de fotografia

Estão abertas as inscrições para o Concurso Iberoamericano de Fotografía en Blanco y Negro, promovido pela rede Save the Children. Os interessados devem enviar, até o dia 30 de abril, trabalhos que retratem o direito de meninos e meninas a um ambiente de respeito e afeto. Poderão participar fotógrafos profissionais e interessados pelo tema, de qualquer nacionalidade, desde que os registros fotográficos sejam feitos em países da América Latina e Espanha. A participação é individual e limitada à inscrição de duas fotografias.

O primeiro lugar receberá como prêmio a quantia de US$ 800,00, o segundo receberá US$ 500,00 e o terceiro, US$ 200,00. As fotografias vencedoras e as 24 finalistas farão parte dos materiais elaborados pela Save the Children para o ano de 2011, como agendas e calendários. 

Mais informações no site

A internet já é muito mais do que uma rede de computadores

Por Carlos Castilho
Jornalista

Ela se torna cada dia mais a plataforma para uma nova estrutura social baseada em redes de pessoas interconectadas. Esta mudança está acontecendo debaixo dos nossos olhos e a maioria de nós ainda não se deu conta.
 
Dito assim pode parecer algo insignificante ou até um certo exagero, explicável na boca de um nerd ou tecnófilo. Mas quando a gente para para pensar os dados começam a se somar e percebemos que estamos diante daquilo que o físico norte-americano Thomas Khun classificou de quebra de um paradigma mundial.
 
Quase todos os dados sobre crescimento da internet, da Web e das redes sociais são tão vertiginosos que chegam a assustar. Basta saber que a Web chegou ao seu primeiro milhão de usuários num tempo 200% menor do que o gasto pela televisão e quase duas mil vezes mais rápido do que o jornal impresso.
 
Por isto é que temos que começar a ver a rede não mais como um conjunto de computadores mas como a base de uma nova organização da sociedade. A economia mundial já não consegue mais viver sem a internet, as relações humanas estão cada vez mais condicionadas pela tecnologia digital, que está se espalhando dos países ricos para os pobres, das metrópoles para o interior.
 
Quase todos os países do mundo estão acelerando os planos para aposentar toda a estrutura baseada nos fios de telefone para substituí-la pelo sistema wireless e no cabeamento com fibras óticas para permitir a banda larga.
 
Não é só a troca de uma tecnologia por outra. É todo um sistema de comunicação que está mudando e com ele hábitos, rotinas e valores. São empresas outrora sólidas que resistem à mudança e estão sendo atropeladas por outras menores, movidas a alta tecnologia.
 
A estrutura social baseada na hierarquia e na verticalidade está perdendo espaço para a nova sociedade da era da informação que não obedece a fronteiras geográficas, é descentralizada e está gerando uma estrutura baseada em redes sociais. Estas redes estão criando um sistema de informação e comunicação completamente novo onde valores como privacidade, autoria e credibilidade já não seguem os parâmetros tradicionais.
 
Estamos numa fase socialmente híbrida e líquida, segundo a denominação do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Nossa relação com a realidade está ficando defasada porque ela muda muito mais rápido do que os nossos valores e rotinas. Esta transição nos deixa inseguros porque nossos parâmetros estão mudando e nós fomos educados para conviver só com o que é seguro e sólido.
 
Quem trabalha com informação está ainda mais sujeito às conseqüências do surgimento da nova estrutura social baseada em redes virtuais integradas por pessoas que não moram nos mesmos lugares, não compartilham da mesma cultura, tem historias totalmente diferentes e que se unem apenas por interesses comuns.
 
Todo mundo fala de crise na comunicação, mas ela atinge com mais intensidade a indústria dos jornais. O jornalismo está mais vivo do que nunca e com possibilidades inéditas na sua história. Jornal e jornalismo são duas atividades coisas diferentes que os interesses corporativos tentaram unir. É possível um jornalismo sem jornais, mas não existem (ou não deveriam existir) jornais sem jornalistas.
 
A crise dos jornais é só uma das várias crises de modelos corporativos provocadas pelo surgimento de novas rotinas informativas na sociedade em redes. O crescimento desta forma de organização social traz consigo uma mudança de hábitos que já começa a impactar a sociedade, como é o caso da tendência em direção ao compartilhamento de dados, informações e conhecimentos.
 
É uma mudança e tanto que vai aos poucos se desenhando e que vai nos levar a desenvolver um novo tipo de cidadania, parte analógica e parte digital, onde rotinas e valores já existentes passam a conviver com novas atitudes impulsionadas pela nova estrutura social baseada em redes.

Fonte – Observatório da Imprensa

Inglês, cozinha e sala de aula: veja como fazer

Instituição –  Colégios Osvaldo Cruz e Pindorama
Localização – Rio Grande do Sul

Na sala de aula, cadeiras são substituídas por fogões e panelas. Cadernos e livros dão lugar a ingredientes de cozinha. A culinária é uma alternativa para a aprendizagem do inglês no Ensino Fundamental dos colégios Osvaldo Cruz e Pindorama, ambos da Instituição Evangélica de Novo Hamburgo (IENH), no Rio Grande do Sul. Nessas aulas os estudantes descobrem novos sabores, culturas diferentes e como usar a língua inglesa no dia a dia.

De acordo com a professora de inglês, Luciana de Souza Brentano, coordenadora bilíngüe dos dois colégios, esse tipo de atividade onde os alunos vivenciam a língua, torna o ensino mais eficaz. “Apenas o ensino da gramática desvinculado dessa vivência torna a língua inglesa algo sem sentido para as crianças. Com este projeto, eles criam gosto pela língua estrangeira e pela cultura. As famílias nos dão esse retorno, de que o estudante não está apenas aprendendo, mas levando o aprendizado para casa”, diz.

Por meio da culinária, os alunos aprendem até matemática em outra língua. “Eles precisam converter as medidas, pois as usadas no Brasil são diferentes das usadas em outros países como Inglaterra, Canadá e Estados Unidos, bem como quais são os pratos típicos de outros países e o significado deles para suas respectivas culturas”, comemora a professora.

Na avaliação de Luciana, a língua inglesa – aprendida na sala de aula – é importante não apenas para o rendimento e o sucesso escolar, mas para o futuro dos estudantes. “Novo Hamburgo é conhecida como cidade exportadora, especialmente no setor de calçados. As famílias querem preparar os filhos para esse cenário e até mesmo para o mundo globalizado no qual vivemos. Hoje, nossos alunos aprendem as matérias nas duas línguas. Os conteúdos são divididos entre o inglês e o português. Mas as aulas de culinária são exclusivamente em inglês”, destaca.

Sandra Werneck estreia novo filme sobre jovens

“Meu interesse é investigar como as pessoas vivem, sentem e agem. Tenho interesse por gente, pela sociedade. Acabo trabalhando com temas relacionados à adolescência porque quero construir um mundo melhor”,  Sandra Werneck

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Por Marcus Tavares

Sonhos roubados. Este é o nome do novo filme da cineasta Sandra Werneck. Inspirado no livro-reportagem As meninas da esquina – diário dos sonhos, dores e aventuras de seis adolescentes no Brasil, da jornalista Eliana Trindade, o longa narra a trajetória de três jovens que vivem na periferia carioca. As famílias desestruturadas, a gravidez precoce e a falta de dinheiro fazem parte da realidade das meninas, que acabam entrando no mundo da prostituição.

“Eu li no jornal uma matéria sobre o lançamento do livro na época em que estava lançado meu último filme sobre gravidez precoce, o Meninas. No mesmo dia, comprei e li o livro. Em seguida, liguei para a Eliane e pedi os direitos autorais. Naquele momento, decidi que era sobre aquela história que queria fazer o meu próximo filme”, destaca Sandra.

Saiba mais sobre o filme que estreia no dia 23 de abril.

Sonhos roubados tem o objetivo de alertar o país para os problemas que muitas adolescentes vivenciam nas grandes e pequenas cidades, mas também visa a revelar um universo de muita alegria, solidariedade e amizade. “A gente tem de falar um pouco do Brasil, às vezes. É o nosso país: o que está certo, o que está errado, o que é bom, o que é ruim”, ressalta.

Talvez pouca gente saiba, mas Sandra Werneck, ao longo de sua carreira, vem se dedicando a explorar temas relacionados à infância e à juventude. O resultado se traduz numa cinematografia valiosa, merecedora da atenção e reflexão tanto dos educadores quanto dos profissionais da indústria de mídia.

Na lista, obras premiadíssimas no Brasil e no exterior, como Damas da Noite (1987) que debate a prostituição infantil; Guerra dos Meninos (1991) que narra o dia-a-dia de crianças menores que vivem nas ruas das grandes cidades; e Profissão Criança, onde é abordada a questão do trabalho infantil.

Sempre à frente da produção e direção dos seus filmes, Sandra acredita que o cinema pode ser um instrumento para a construção de um futuro melhor para as crianças e adolescentes. “É pensando desta forma que trabalho. Meu interesse é investigar como as pessoas vivem, sentem e agem. Tenho interesse por gente, pela sociedade. Acabo trabalhando com temas relacionados à adolescência porque quero construir um mundo melhor”, resume.

Acompanhe as ideias da cineasta:

revistapontocom – Boa parte de sua cinematografia aborda questões ligadas à infância e à juventude do país, como o trabalho escravo, a prostituição infantil e o dia a dia das crianças que moram nas ruas. É uma linha de trabalho?
Sandra Werneck
– Sempre me interessei pela infância e pela adolescência. As crianças e os adolescentes são o futuro do país. Se não olharmos para os problemas que estas gerações vivem, qual será o futuro delas? Mesmo nos filmes que não trazem a criança ou adolescente como personagem/tema principal, procuro pensar de que forma a obra pode contribuir para a formação das crianças. Quando fiz Pena Prisão, que mostrava o cotidiano das detentas da Penitenciária Talavera Bruce, quis dizer o quanto é importante educar as crianças, alertá-las, caso contrário elas acabariam daquela forma: presas. 

revistapontocom – De que forma você classificaria seus filmes?
Sandra Werneck
– É um cinema que procura olhar o ser humano, um cinema investigativo. O meu roteiro, desde o primeiro curta que fiz, tem como foco os sentimentos das pessoas. Tenho interesse pelas diferenças, pelas angústias, pelos medos dos seres humanos. Ao mesmo tempo, procuro entender isso tudo por um viés psicanalítico. Acho que eu acabo trabalhando com temas relacionados à adolescência porque quero construir um mundo melhor para as crianças. 

revistapontocom – Você acha que seus filmes vêm contribuindo para este mundo melhor?
Sandra Werneck
– Acredito que o cinema possa ser usado com este objetivo. Ele é um instrumento e desta forma pode, sim, contribuir para um mundo melhor ao abordar temas polêmicos. O filme Guerra dos Meninos que fala sobre os jovens infratores, os adolescentes que moram nas ruas e os grupos de extermínio de crianças repercutiu bastante. Foi premiado em vários festivais no Brasil e no exterior. A polícia utilizou o filme para mostrar aos policiais como eles deveriam tratar as crianças infratoras. Já Profissão Criança trouxe para o debate a realidade do trabalho infantil, muitas vezes desconsiderada, deixada de lado pela sociedade. O menino que cortava cana, por exemplo, voltou para a escola. 

revistapontocom – É importante que as crianças e os adolescentes se vejam representados no cinema?
Sandra Werneck
– É fundamental. As crianças precisam se ver na tela do jeito que realmente elas são. Isto contribui para o seu crescimento, para sua formação e até mesmo para a solução de muitos problemas por que passam. Além disso, não há uma produção cinematográfica qualitativa dirigida às crianças. Há muitos filmes europeus, mas brasileiros são pouquíssimos. As crianças e os adolescentes precisam se nutrir deste mundo da fantasia também.

revistapontocom – Como é o bastidor da produção de um documentário cujos protagonistas são crianças e adolescentes?
Sandra Werneck
– Qualquer documentário exige muita atenção, determinação e paciência. Você não domina a realidade. Você tem que esperar que ela aconteça para poder registrar. Lógico que trabalhar com crianças e adolescentes, seja em um documentário ou em uma obra de ficção, requer cuidados redobrados e muito, muito carinho, principalmente quando nos deparamos com situações extremas: um menino de rua que está faminto, por exemplo. Temos que parar tudo, dar carinho e comida. 

revistapontocom – Deve ser muito difícil não se envolver com as histórias de crianças e jovens?
Sandra Werneck
– Com certeza. Cada filme é um parto, uma nova sensação, uma nova entrega. Todas as histórias mexem muito comigo. Vivencio cada momento, cada história. Mas todos estes filmes, sem exceção, me ensinaram muito, me ensinaram questões ligadas à ética, à justiça e à solidariedade.

Parte da entrevista foi concedida ao jornalista Marcus Tavares, então editor do site do Rio Mídia.
Sandra Werneck autorizou a republicação do conteúdo pela revistapontocom

Portaria cria Sistema Brasileiro de Rádio Digital, mas não define padrão nacional

O Ministério das Comunicações publicou, na última quarta-feira (dia 31 de março), portaria em que cria o Sistema Brasileiro de Rádio Digital, embora não tenha decidido ainda qual padrão tecnológico será adotado pelo país. “A expectativa é que os pesquisadores das universidades brasileiras venham a interferir favoravelmente em uma das tecnologias já testadas, criando um sistema brasileiro, que pode ter como base o americano (Iboc – In-Band-On-Chanel) ou o europeu (DRM – Digital Radio Mondiale)”, explicou a secretária de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Beatriz Abreu.

Os testes com o padrão americano (Iboc) e europeu (DRM) vão prosseguir por um prazo de aproximadamente dois meses. Em seguida, será feito um relatório técnico, que será analisado por um grupo de trabalho do Ministério das Comunicações, que envolve representantes de universidades, como a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a Universidade de Brasília e o Centro de Estudos em Telecomunicações da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Após a aprovação do ministro das Comunicações, o Presidente da República tomará a decisão final.

Na opinião de Frederico Nogueira, vice-presidente da Associação de Radiodifusores (Abra), a portaria mostra apenas que não houve uma decisão governamental. “O que está escrito ali (na portaria) serve para A, B ou C, mas não deixa nada resolvido. Os fabricantes não poderão começar a produzir rádio digitais amanhã. Hoje temos outro ministro, e vamos voltar à estaca zero. Provavelmente, em oito meses voltaremos ao início das discussões”, destaca.

Na prática, o texto da portaria que cria o Sistema Brasileiro de Rádio Digital traz apenas os objetivos que a tecnologia deverá atender. Entre eles: a promoção da inclusão social, a diversidade cultural, a transferência de tecnologia e o acesso à democratização da informação.

Polêmicas à parte, para a professora Nelia Del Bianco, do curso de comunicação da Universidade de Brasília (UnB), as vantagens da transmissão digital são significativas e irão revitalizar o rádio tanto no conteúdo quanto na forma de consumo. “A experiência de quem já convive com rádio digital há mais de dez anos mostra que a tecnologia digital, para que seja adotada pela sociedade, precisa oferecer muito mais do que melhoria de qualidade de som da programação existente. A experiência no Reino Unido é exemplar neste sentido”, explica.

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O velho e conhecido rádio em nova roupagem
Portaria que cria o Sistema Brasileiro de Rádio Digital