Biblioteca nas escolas: agora é lei

Todas as instituições de ensino do país, sejam públicas ou privadas, têm, a partir de agora, que possuir uma biblioteca. E não é só isso: cada biblioteca deve ter, no mínimo, um título para cada aluno matriculado. O projeto de lei 12.244, de autoria do senador Cristovam Buarque, foi sancionado no último dia 25, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o texto, as bibliotecas também devem contar com “coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura”. O prazo máximo para a instalação dessas bibliotecas é de dez anos.

Para o pesquisador do Instituto Pró-Livro, Galeno Amorim, “a biblioteca tem um papel extraordinário no desenvolvimento e na formação de leitores. Não existe um único país do mundo que tenha conseguido chegar à condição de desenvolvido sem ter antes resolvido o seu problema de acesso à educação e aos livros”.

Dados do Ministério da Cultura apontam que cerca de 300 cidades do país ainda não têm qualquer tipo de biblioteca, seja municipal ou em escolas públicas.

Exame do MEC quer avaliar futuros docentes

Portaria publicada na edição do último dia 24 do Diário Oficial da União institui o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. O exame, que será realizado pelo Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – avaliará conhecimentos, competências e habilidades de profissionais que tenham concluído ou estejam concluindo cursos de formação inicial para a docência e que desejam ingressar na carreira do magistério. A primeira edição do exame, que é anual, será realizada no próximo ano.

revistapontocom pergunta: você é contra ou a favor? Envie o seu comentário!

O Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente deverá subsidiar a contratação de docentes para a educação básica pelos governos estaduais e municipais. As secretarias de educação interessadas em utilizar os resultados do Exame definirão a forma de utilização desses resultados para fins de contratação de docentes.

A participação no Exame é de caráter voluntário, mediante inscrição e conferirá ao candidato um boletim de resultados, cujos dados somente poderão ser utilizados mediante autorização expressa do candidato.

O Exame servirá, ainda, para oferecer diagnóstico dos conhecimentos, competências e habilidades dos futuros professores para subsidiar as políticas públicas de formação continuada bem como para construir um indicador qualitativo que possa ser incorporado à avaliação de políticas públicas de formação inicial de docentes.

Confira os referenciais do exame proposto pelo MEC

Confira o texto da portaria que instituiu o Exame

Escola resgata o lugar do livro na vida do jovem

Favorecer e incentivar a leitura de diferentes formas é uma preocupação constante da professora Ana Graziela Cabral, em sua prática docente. Formada em letras, com habilitação em Português e Inglês, ela atua há quatro anos no magistério, sempre criando diferentes estratégias para estimular o gosto pela leitura entre os estudantes. Alguns de seus projetos acabam de ser publicados no Portal do Professor, do Ministério da Educação, para serem utilizados por todos os interessados.

“Procuro sempre trabalhar diferentes gêneros e tipos textuais, partindo do texto, do livro, mostrando-o como suporte para a criação de novas realidades, novos mundos”, explica Ana Graziela, que atualmente dá aulas de Português no 4º ano do Ensino Fundamental do Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte.

Segundo ela, o projeto que deu melhores resultados foi O livro que marcou a minha vida, que desenvolveu em 2009 com a professora Cristiane Neri Horta, também do Centro Pedagógico da UFMG, em duas turmas de 3º ano. “A percepção de que em tempos atuais a prática da leitura tem sido preterida em relação a outras, especialmente as ligadas à tecnologia, mostrou-nos a necessidade de promover uma reaproximação entre livro e alunos”, destaca Ana Graziela.

O projeto, em dez aulas, tem como ponto de partida a participação e o exemplo familiar. Os estudantes devem conversar com os pais ou outros parentes mais velhos sobre um livro que tenham lido e gostado muito quando tinham a mesma idade dos alunos.

Em aula posterior, os jovens têm que escrever uma carta para os colegas de outra turma da escola falando sobre o livro que leram, dizendo que foi indicado pelos pais, ou outro familiar. Na mesma carta, eles convidam seus colegas para participarem de uma exposição de livros, onde conhecerão O livro que marcou minha vida. Nesse dia, cada aluno apresenta o seu livro ao colega que convidou, bem como a todos que se interessarem. Os familiares que fizeram a indicação também são chamados a participar.

De acordo com Ana Graziela, os resultados obtidos foram muito positivos. Os alunos demonstraram interesse tanto no decorrer do desenvolvimento do projeto quando durante sua conclusão, na atividade de exposição. Em sua opinião, esses alunos, hoje, estão muito abertos a práticas relacionadas à leitura de livros, demonstrando que o projeto gerou frutos que ultrapassam o momento da sua aplicação.

Saiba mais acessando o link abaixo
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=13430

Fonte – Jornal do MEC

Midiaeducação: texto, discurso e documento

Por Esther Costa
Jornalista, Pedagoga e especialista em midiaeducação pela PUC-Rio

No primeiro momento pode parecer complicado fazer a articulação entre ensino, o estudo curricular, a questão da formação de professores e as novas tecnologias da informação e comunicação. Em linhas gerais, é fácil percebermos uma relação entre o ensino e o estudo curricular. Mas, essa percepção não acontece com o terceiro e quarto elementos dessa articulação, a formação de professores e as tecnologias da informação e comunicação. E qual seria o resultado das interações entre ensino, estudo curricular, a questão da formação de professores e as novas tecnologias da informação e comunicação? O resultado dessa articulação é uma pedagogia apropriada para os meios de comunicação. Ou simplesmente, midiaeducação.

Cabe neste momento um relato pessoal que deu direção a este artigo.  Buscando aprimorar os conhecimentos sobre a formação do midiaeducador, parei para observar como alguns alunos dos  cursos de Pedagogia  entendiam a interface entre os campos da Educação e da Comunicação. A esse respeito, inicialmente observei que nos primeiros períodos do curso de Pedagogia os alunos têm um julgamento prévio de que os meios de comunicação, mais especificamente a televisão, o computador e o rádio, são apenas formas de entretenimento que fomentam a alienação e por isso, devem ser combatidos pela escola.

É pertinente destacar que na posição de jornalista e pesquisadora observo que o processo educativo pode acontecer de várias formas e, não necessariamente na sala de aula. A midiaeducação tem caráter interdisciplinar e pode interagir com as diversas áreas do saber facilitando, o processo de ensino-aprendizado. Para que isso ocorra, é preciso investir na preparação cuidadosa dos futuros professores, fundamentada na amplitude social da mídia e no seu papel educativo voltado para os valores humanos. 

Para Silverstone (2002), é fundamental para nossa vida cotidiana estudar a mídia como dimensão social e cultural, mas também, política e econômica, no mundo moderno. Em linhas gerais, Silverstone quer enfatizar a importância de entendermos a mídia como um processo que interfere nas transformações sociais. E, por isso, é  relevante para os cursos superiores de Pedagogia incluir efetivamente as dimensões teórica, crítica e produtiva da midiaeducação no currículo da formação de professores.

É de extrema relevância social poder ampliar reflexões e promover soluções que contribuam para uma melhor elaboração do currículo do curso de Pedagogia, que contemple o uso de suporte instrumental e teórico que possibilite compreender e usar todas as linguagens dos meios de comunicação. Analisar a formação acadêmica do professor dando enfoque aos debates sobre como os cursos de Pedagogia estão contemplando a formação midiaeducativa em seu currículo, que forma docente para atuar nas áreas de Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental, é o ponto de partida para a consolidação de uma pedagogia apropriada para os meios de comunicação.

Uma vez que a capacidade de criação de material midiaeducativo é pouco desenvolvida nos cursos de Pedagogia concluímos que existe uma dicotomia entre teoria e prática. Por isso, observamos que é preciso promover ações que contribuam para melhor equilíbrio do conteúdo teórico e prático ao longo das disciplinas do curso.

Entendo que para cumprir este desafio de ensinar ao futuro professor que a “media education é um caminho para o pensamento e a investigação” (FERGUSON, 2002. p. 5) os cursos de Pedagogia, portanto, precisam materializar em seus currículos e assumir o compromisso de ensinar que a mídia, assim como o “currículo,  é texto, discurso, documento” (SILVA, 1999).

Referências

FERGUSON, Robert. “Media Education e o desenvolvimento de uma pedagogia apropriada”. In: ______. Colabora, Curitiba, v.1, n.3, 2002,  p.3 – 16.

MOREIRA, Antônio F. B.; SILVA, Tomaz Tadeu da. Currículo, Cultura e Sociedade. São Paulo: Editora Cortez, 1994.

______. Sociologia e Teoria Crítica do Currículo: Uma Introdução. São Paulo: Editora Cortez, 1994.

SILVERSTONE, Roger. “A textura da experiência ”. In: ______. Por que estudar a Mídia?. São Paulo: Loyola, 2002 , p. 11 – 32.

Realidade aumentada na educação. Você já pensou nisso?

A realidade aumentada tem um sem-número de aplicações possíveis. Uma delas – pouco explorada até o momento – interfere nas formas de aprendizagem e no relacionamento do cidadão com o espaço urbano. É justamente o uso dessa tecnologia nesses dois campos que atrai a atenção do sociólogo e doutor em ciência política pela Universidade de São Paulo Sérgio Amadeu da Silveira.

O termo Realidade Aumentada foi criado por Tom Caudell, em 1992 enquanto ajudava trabalhadores da Boeing a juntar cabos dentro de uma aeronave. Segundo os relatos do livro Fundamentals of Wearable Computers and Augmented Reality, escrito por Woodrow Barfield e pelo próprio Caudell, eles queriam saber como as técnicas da Realidade Virtual poderiam ser usadas na construção de aviões para melhorar a conexão dos complexos sistemas de cabos que conectam as partes das aeronaves. Foi aí que Caudell pensou em “aumentar” a realidade.

O ponto de partida dos estudos de Silveira – pesquisador do digital e ex-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) – é de que a realidade aumentada enriquece os processos de aprendizagem não-tradicionais. Monumentos, esquinas, postes e casas são passíveis, por exemplo, de receberem marcadores digitais equipados com animações, textos, links – e, logo mais, até sons – que podem ser interpretados por celulares e smartphones com realidade aumentada.

“Assim, é possível combinar ações no espaço urbano e no ciberespaço que estimulem a criatividade e a pesquisa nas cidades em campos do conhecimento como geografia, história, matemática, biologia, antropologia e filosofia, entre outras”, diz Silveira.

Placas de rua

Para dar um exemplo, um marcador numa placa da Rua Teodoro Sampaio, no bairro paulistano de Pinheiros, teria explicações, que a pessoa acessaria de seu celular, por meio da realidade aumentada, mostrando que Teodoro Sampaio foi um engenheiro negro muito importante nascido no século XIX.

Esse exemplo é apenas a ponta do iceberg do que a Realidade Aumentada é capaz de fazer no campo educacional. A inspiração para as análises de Silveira vem da Holanda, de um projeto desenvolvido pela Escola Montessori, em 2005, que transformou a capital daquele país, Amsterdam, em um imenso tabuleiro do Frequency 1550, um jogo educativo que usa o celular como plataforma. Ele foi desenvolvido para estudantes de 12 a 14 anos entenderem como era a Amsterdam do ano 1550.

Enquanto um grupo de alunos ia às ruas, com celulares de terceira geração dotados de GPS, outro núcleo ficava na escola em computadores conectados à internet. As turmas precisavam de colaboração para vencer o jogo, com testes a respeito da história da cidade na era medieval.

Os alunos que estavam na escola podiam rastrear a posição de seus colegas nas ruas por meio de um mapa na cidade exibido na tela dos computadores e por meio de uma comunicação via rádio.

Real e virtual

Embora não tenha utilizado realidade aumentada, o projeto da escola holandesa indica o amplo potencial para ações que mesclem o ambiente real e o virtual. Para Silveira, é possível desenvolver jogos educativos com realidade aumentada para ensinar, por exemplo, Geografia e História.

O modelo tradicional de educação segue o estilo broadcast (unidirecional e não-interativo), enquanto o uso da realidade aumentada representa um novo paradigma para a educação. Na visão do professor, a realidade aumentada torna instigante o aprendizado e permite que o conhecimento seja organizado de uma nova maneira.

Fonte – IDG Now

Escolas são convocadas a participar de pesquisa iberoamericana

Crianças e adolescentes estão cada vez mais conectados às chamadas “telas digitais”: internet, celular, televisão e videogames. Com que frequência e de que forma costumam utilizá-las em seu cotidiano? Para analisar esse fenômeno e chamar a atenção de pais e educadores para a importância da mediação educativa, foi criado o projeto iberoamericano Gerações Interativas, idealizado pela Universidade de Navarra (ES).

Saiba mais sobre o projeto

O principal objetivo do projeto é promover a realização de uma pesquisa bianual de caráter comportamental em escolas espanholas e latino-americanas, visando conhecer, em detalhes, o quanto os alunos dos seis aos 18 anos estão envolvidos com as mídias digitais, e os respectivos impactos desse hábito nos meios familiar e escolar.
    
O estudo está aberto a todas as escolas brasileiras. Para isso, basta que a unidade tenha computadores conectados à web. A pesquisa será aplicada por meio de um questionário on line que os estudantes respondem, anonimamente, em suas escolas. Cada escola recebe uma senha de acesso para ser utilizada por todos os alunos. Para receber essa senha, a escola deve preencher um formulário na internet .

Clique aqui para acessar o formulário

A escola participante da pesquisa receberá relatórios personalizados sobre os dados coletados na sua instituição. A partir desse diagnóstico, espera-se que a escola incorpore em seu planejamento pedagógico uma proposta de uso dessas informações para desenvolver atividades voltadas para educadores, alunos e suas famílias relacionadas ao uso responsável das telas digitais. A primeira edição deste estudo aconteceu no ano passado. A pesquisa teve como resultou a publicação do levantamento A Geração Interativa na Ibero-América.

Cinema (direito de todos) é a maior diversão

“O bairro de Guadalupe sai das páginas policiais dos jornais e passa a ocupar os cadernos de cultura, as revistas e os programas de TV do país. O orgulho dos moradores é evidente”, Adailton Medeiros.

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Por Marcus Tavares
. Este é o slogan comemorativo do quarto ano do projeto Ponto Cine que tem o objetivo de difundir o cinema nacional e, antes disso, possibilitar o acesso da população à sétima arte. A iniciativa, que acontece em um shopping de Guadalupe, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, vem modificando o dia a dia da comunidade local.

4 anos arroz, feijão e cinema

Em entrevista à revistapontocom, o coordenador do projeto, Adailton Medeiros, conta a história do Ponto Cine. Explica as dificuldades da proposta e adianta, nas entrelinhas, que novos frutos virão em outros bairros da cidade do Rio. É só aguardar e torcer.

Acompanhe:

revistapontocom – O que é o Ponto Cine?
Adailton Medeiros –
É a primeira sala popular de cinema digital do país, inaugurada em maio de 2005, em Guadalupe, subúrbio da Zona Norte do Rio. Construída em modelo stadium e dentro dos padrões de acesso, a sala tem capacidade para 73 pessoas e conta com dois espaços para cadeirantes. Suas poltronas são ergonômicas, mais largas que as dos cinemas do circuito e, além disso, possui duas fileiras – uma vertical e outra horizontal – com acentos especiais para obesos. Nosso objetivo é interiorizar o cinema brasileiro geograficamente no país e ‘culturalmente’ nas pessoas.

revistapontocom – A proposta do Ponto Cine, em teoria, é muito simples, por que não existem mais ‘pontos cines’?
Adailton Medeiros
– Costumamos dizer que o Ponto Cine não é mais uma ideia, mas, sim, um projeto testado e aprovado na prática. Um projeto que deu e dá certo. Estamos convencidos e tentamos convencer os órgãos reguladores e fomentadores que o modelo Ponto Cine é uma alternativa (não a única), para o mercado exibidor brasileiro. Percebermos que há um discurso e uma prática em sentidos desencontrados por parte de quem pode e deve fomentar o setor exibição, que passa pelas instâncias governamentais. O “discurso” anuncia a todo instante que quer valorizar a novidade, a criatividade, que quer apostar nos novos empreendedores. No entanto, a “prática” tem seu olhar conservador, sua análise burocrática, seu olhar do e no passado. Para o discurso político, o Ponto Cine, com entrada a R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia), é tudo que o Brasil precisa para incrementar a exibição, especialmente de filmes brasileiros. Para os órgãos políticos financiadores, investir num projeto que cobra esses valores é inviável. “Não se sustenta”, dizem, mesmo o Ponto Cine já completando quatro anos. Lamentavelmente, a análise que fazem é em cima dos valores dos ingressos, como se o negócio fosse apenas a venda dos bilhetes. O que não é. O nosso projeto é bem mais amplo. O nosso negócio é cinema. Mal comparando, é como se o negócio de uma padaria fosse só vender pão. Pão, na maioria das vezes, é o mínimo.

revistapontocom – Que inovações o Ponto Cine apresenta?
Adailton Medeiros
– A maior e mais visível é a revitalização urbana. Essa mudança iniciou-se internamente no Shopping. Quando entramos várias lojas tinham fechado suas portas, haviam falido porque seus donos não eram profissionais do comércio. O Shopping estava desacreditado. Com a obra, a inauguração do Ponto Cine e seu sucesso, todas as lojas foram ocupadas. O 2º andar também não tem mais nenhuma sala comercial vazia. O 3º pavimento foi todo ocupado pela Universidade Estácio de Sá e os donos do Shopping já pensam em ampliar o espaço com a construção de um novo pavimento.Depois vieram as sinalizações (semáforos, olhos de gato na pista, pintura de faixa na estrada do Camboatá), o aquecimento do comércio, a urbanização da Rua Marcos de Macedo, a principal rua do bairro, a valorização dos imóveis da redondeza. Mas tudo isso aconteceu porque demos uma atenção maior, primeiramente, às pessoas da localidade. Trabalhamos a auto estima dos moradores. O nosso foco sempre foi voltado para a comunidade. E o cinema era e é o meio que utilizamos para atingi-las. Começamos a trazer cineastas, atores, roteiristas e profissionais de cinema para baterem papo com a comunidade que ficava, portanto, frente a frente com seus ídolos. Ídolos que estavam indo ao encontro do seu público e não ao contrário. Isso funcionou e funciona muito bem. Eleva a auto estima da população. O bairro de Guadalupe sai das páginas policiais dos jornais e passa a ocupar os cadernos de cultura, as revistas e os programas de TV do país. O orgulho dos moradores é evidente.

revistapontocom – Daí o slogan de vocês: arroz, feijão e cinema…
Adailton Medeiros
– Assim como arroz e feijão na nossa culinária são alimentos básicos e indispensáveis, cinema é um elemento rico em nutrientes para a nossa cultura. Cinema alimenta a alma das pessoas e fortalece a consciência de um país.

revistapontocom – O que representa quatro anos do Ponto Cine?
Adailton Medeiros –
Representa sucesso, vitória, perseverança e crença que tudo é possível. Representa três ‘Prêmios Adicional de Renda – 2007, 2008 e 2009’, concedidos pela Agência Nacional de Cinema como o Maior Exibidor de Filmes Brasileiros em todo o Brasil; o 1º Prêmio PEC, da Secretaria de Estado de Cultura do Rio; e o Prêmio Faz Diferença, do Jornal O Globo, pelo trabalho de difusão e democratização do acesso ao cinema brasileiro. Nossa equipe é composta de 15 pessoas. Um grupo que tem uma média de 24 anos de idade. Costumo brincar invertendo o ditado: “às vezes, parece que a realidade parece mais ficção do que a própria ficção”. São 15 suburbanos vivendo de cinema no subúrbio.

revistapontocom – O que vem por aí?
Adailton Medeiros –
Gostaria de dizer que é surpresa, fazer um “doce”. Temos duas frentes: Penha e Niterói. Duas pedreiras, mas somos como água, a gente bate até que fura.

MultiRio estreia série sobre a ciência do dia a dia

Detetives da Ciência

Que tal falar de Ciências de um jeito diferente? Essa é a proposta de Detetives da Ciência, produção da MultiRio com a consultoria do Instituto Ciência Hoje, que estreia no próximo dia 21, às 14 horas, na Band Rio. A série mostra histórias fictícias de dois adolescentes, Sofia e Pedro, que tentam desvendar mistérios do dia a dia por meio da investigação, da experimentação e da dedução. Nas aventuras, os jovens têm a ajuda de Madalena, mãe de Sofia, e de Dudu, pai de Pedro.

Com dez episódios, Detetives da Ciência aborda assuntos atuais, como a nanotecnologia, as células-tronco e a biodiversidade. O objetivo é apresentar os temas científicos de forma agradável e instigante, com uma linguagem que chama a atenção para a relação entre a ciência e a experimentação cotidiana. Além de incentivar o espírito investigativo do público infanto-juvenil, Detetives da Ciência instrumentaliza o professor para o desenvolvimento de atividades em sala de aula. O programa é voltado a estudantes de 11 a 14 anos, com ênfase no 6º ao 9º anos.

“Detetives da Ciência complementa o trabalho do professor, incentivando nos alunos esse espírito de curiosidade, fundamental para criar uma percepção da ciência integrada ao cotidiano. Os professores podem relacionar os temas abordados na série com outros assuntos ligados à ciência e explorar discussões éticas e sociais”, afirma o diretor do programa, Miguel Przewodowski.

A série também será exibida no canal 14 da NET, aos domingos, às 10h10; às terças, às 13h; e às sextas, às 8h30

Confira os dez episódios:

– Nanomundo
A ciência do ultracompacto possibilita o surgimento de aparelhos cada vez menores e com mais funções. A partir do sedutor aparato tecnológico, podemos desvendar a escala do superpequeno.

– Pequenas e de grande ajuda
O programa explora de que maneira as células-tronco podem ser utilizadas para benefício da saúde, além de falar de conceitos como a origem da vida e o espírito de cooperação.

– Para que me espetar tanto?
Em pauta, as vacinas. Por que é importante tomar vacinas e como elas funcionam nos nossos organismos?

– As formas da natureza
Como medir uma nuvem, a copa de uma árvore ou um órgão humano? Neste programa, vamos ver como a Matemática e a Biologia trabalham juntas nesse sentido.

– Menos fumaça
Pensando no futuro do planeta, os cientistas vêm desenvolvendo combustíveis de origem vegetal (biocombustíveis). Os conceitos de reduzir, reciclar e reutilizar se entrelaçam nessa temática atual.

– Quem mora na gota d’água?
Uma exploração do micromundo da água. Em pauta, como a poluição pode afetar sua qualidade, o passo a passo de seu ciclo e os fatores que fazem com que ela se torne cada vez mais rara.

– Herança genética
O assunto aqui é genética. De maneira lúdica, aprendemos o que a ciência consegue desvendar a partir da análise e manipulação do DNA.

– Alô, alô! Tem alguém aí?
Na pesquisa espacial, o que pode se tornar realidade? Um dia a Lua poderá ser habitada? Existe vida em outros planetas? Perguntas assim são discutidas neste episódio, sobre a Astronomia.

– Que tempo doido!
Mudanças climáticas. Qual a relação dos gases que compõem a atmosfera com a alteração da temperatura em nosso planeta? O que aconteceria na Terra sem os gases de efeito estufa?

– Tudo misturado e em harmonia
Biodiversidade: como as diferentes formas de vida interagem em determinados ecossistemas. O episódio leva à reflexão sobre o impacto que toda uma cadeia sofre com a exclusão de uma espécie.

Prêmio Victor Civita 2010: inscrição, regras e novidades

Se você pretende participar do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10 deste ano, não deixe os preparativos para a última hora: as inscrições começam apenas no mês de junho, mas o regulamento completo já está disponível (leia aqui). Neste ano, a premiação aumentou: os dez professores vencedores e o gestor campeão recebem, cada um, 15 mil reais, 50% a mais em relação a 2009. Outra novidade diz respeito aos alunos com deficiência. Agora, além de descrever como a proposta foi adaptada para eles, é preciso contar como ocorreu a articulação com o Atendimento Educacional Especializado (AEE). Informe como o professor do AEE auxiliou os trabalhos, que materiais foram necessários, quais atividades precisaram ser desenvolvidas no contraturno e como elas se articularam com o seu projeto.

Mas se você é parte do time que ainda está na dúvida por achar que não tem um projeto especial (segundo resultados de uma pesquisa encomendada pela Fundação Victor Civita, FVC, em 2009, é essa a justificativa de 31% dos professores que não se inscrevem), que tal rever seus conceitos?

Para Regina Scarpa, coordenadora pedagógica da FVC e de NOVA ESCOLA, “especiais” são os projetos bem realizados e não necessariamente aqueles que têm uma proposta inusitada. “Atividades com plano de ação detalhados que comprovadamente impactaram a aprendizagem dos estudantes são mais valorizadas pelos selecionadores”, explica. Inspirada por esse raciocínio, a professora nota 10 de 2009 Andréia Betina Legatzky Klitzke, de Joinville, a 186 quilômetros de Florianópolis, abordou um conteúdo tradicional de Matemática – ângulos.

“Eu me inspirei num curso oferecido pela rede municipal. Fiquei com medo de que não fosse inovador e quase não me inscrevi. Mas acreditei que o registro das atividades e a avaliação mostravam que a turma havia aprendido. Fui uma das vencedoras”, comemora.

Se você quer seguir o exemplo de Andréia, conheça quatro pontos importantes para desenvolver projetos e sequências didáticas consistentes:

– Intencionalidade Explicar a necessidade do projeto – sempre tendo em conta a aprendizagem – e a importância dos conteúdos abordados é fundamental.

– Plano de ação Seu projeto deve apresentar todo o encaminhamento para que os alunos avancem em cada etapa. Detalhar como contornou contratempos também é importante.

– Avaliação Quais instrumentos você usou para avaliar a turma no início e no fim do projeto: produções escritas? Portfólio? Situações-problema? Descrever os resultados é a maneira de mostrar o que a sua turma aprendeu e o que precisaria ser modificado caso o projeto fosse realizado novamente. Não se esqueça de contar como lidou com a heterogeneidade que existe em toda classe e o que fez para ajudar aqueles que apresentaram maior dificuldade para avançar.

– Registro Documente o máximo que puder: vale tirar fotos, fazer vídeos, guardar registros dos alunos etc. Mas atenção: nada pode ser enviado no momento da inscrição. O material é essencial à segunda fase, quando os selecionadores requisitam registros para conhecer melhor os projetos finalistas.

Estudo traça diagnóstico da mobilidade social no país e sua interface com a educação

O Brasil tem uma das sociedades mais desiguais do mundo. Desde os anos 1960, o país lidera o ranking de pior distribuição de renda entre todos os países da América Latina. Mas os indicadores de renda são apenas uma das faces da desigualdade social. Pesquisa coordenada pelo professor Carlos Antonio Costa Ribeiro, do Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (Iuperj) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ressalta que a pobreza e a riqueza também são uma consequência da desigualdade de oportunidades, que variam de acordo com critérios como classe social, gênero e cor, e traça um perfil da mobilidade social da população brasileira.
 
Com o apoio da Faperj por meio do edital Jovem Cientista do Nosso Estado, o professor está concluindo a análise estatística de dados que revelam aspectos do processo de estruturação das desigualdades no país, coletados – a pedido do Iuperj – pelo Ibope-Inteligência. O levantamento foi feito em 8.048 domicílios em todo o país, de todas as classes sociais, entre setembro e outubro de 2008. “O objetivo do trabalho é analisar a dinâmica da desigualdade no Brasil, que está relacionada à mobilidade social, ou seja, à capacidade de ascensão social do indivíduo, considerando a sua trajetória desde a família de origem até a formação de um novo núcleo familiar com o casamento”, diz Costa Ribeiro.
 
De acordo com o sociólogo, existem dois tipos de desigualdade. “Existe a chamada desigualdade de condições, que diz respeito aos diferentes níveis de renda, e a chamada desigualdade de oportunidades, que se refere às chances que uma pessoa tem de mudar de posição na sociedade ao longo das gerações familiares e ao longo do seu ciclo de vida”, explica. “Alguns têm mais chance de sobreviver na infância, de entrar e terminar a escola, de ter boa ocupação no mercado de trabalho. Esse processo de reprodução ou de superação das desigualdades é o tema do estudo.”
 
Para o pesquisador, a desigualdade de condições pode até ser um mecanismo saudável da sociedade, já que parte das desigualdades salariais é associada às diferenças de remuneração entre as carreiras profissionais. No entanto, a desigualdade de oportunidades sempre é injusta, pois contribui para reproduzir a pobreza. “Dizer que o filho de um médico deve ter mais chances de se tornar médico do que o filho de um faxineiro é antidemocrático por si só. Todos deveriam ter oportunidades iguais de escolher a carreira que quisessem, se tivessem as mesmas oportunidades de saúde e educação”, pondera. 
 
Heranças da desigualdade

Apesar dos altos níveis de desigualdade econômica e de pobreza no Brasil – os 10% mais ricos desfrutam de um nível de renda cerca de 25 vezes maior do que o nível de renda dos 40% mais pobres –, as chances de mobilidade social estão melhorando. “Na década de 1970, o filho de um profissional liberal urbano tinha mil vezes mais chances do que o filho de um trabalhador manual de se tornar um profissional liberal. Já a partir da década de 1990, essa probabilidade foi declinando e passou para 250”, diz Ribeiro, justificando a ligeira redução da desigualdade de oportunidades devido a fatores como a melhoria de acesso ao sistema educacional.

Segundo a pesquisa, os pais da classe média alta têm muito mais recursos para propiciar melhores oportunidades a seus filhos, o que faz com que eles continuem no topo da pirâmide social. Porém, mudanças na estrutura da sociedade brasileira permitiram o crescimento dessa elite nos últimos anos, devido à ascensão social de pessoas originárias de classes sociais inferiores. “Nos anos 1970, cerca de 5% da população brasileira pertencia à classe média alta. Hoje, já são 14%. Essa mudança na estrutura de classes da sociedade é chamada de mobilidade estrutural, que é um fenômeno típico de sociedades que se industrializaram muito rápido”, explica Costa Ribeiro. Ele ressalta, entretanto, que a maioria das pessoas que tem origem familiar nas classes sociais baixas permanece nelas durante a fase adulta.

O estudo comprovou também que o acesso à boa educação formal, um fator que influencia diretamente nas oportunidades que o jovem terá na vida adulta, está em grande medida associado à origem econômica da família. “Os jovens que estudaram na escola privada ou pública federal, por ser de famílias ricas ou até de famílias um pouco menos favorecidas, mas que decidiram investir tudo na educação dos filhos, têm muito mais chances de ingressar na universidade pública do que aqueles que estudaram em uma escola pública não federal, seja ela da rede estadual ou municipal”, destaca o professor, lembrando que a educação é um trampolim para a ascensão social, mas está associada à posição da família.

Outro aspecto apresentado pelo levantamento relaciona a entrada do jovem no mercado de trabalho às classes sociais da família de origem. “Os jovens de famílias de classe média costumam demorar mais para entrar no mercado de trabalho, porque gastam mais tempo se qualificando, ou combinam menos trabalho com estudo”, diz o professor. “Além da renda familiar, as redes de sociabilidade, que incluem as relações familiares e de amizade no trabalho, por exemplo, podem ter algum impacto na conquista de melhores empregos e na melhoria das condições de vida”, completa.

A análise de dados confirmou que ainda existem diferenças de acesso à educação e de progressão no sistema escolar entre homens e mulheres. “O levantamento mostrou uma inversão na desigualdade educacional de gênero. As meninas hoje têm mais chance de progredir na escola do que os meninos porque, em geral, estudam mais. Mas, na fase adulta, apesar de trabalharem o mesmo número de horas do que os homens e ainda se dedicarem à família, à casa e ao marido, recebem uma renda inferior”, informa.

Para o professor, a desigualdade racial no país está diminuindo, embora ainda haja mais chances para os brancos de completar os anos de transição dentro do sistema educacional. “Brancos e não brancos (pretos e pardos) que têm origem nas classes sociais mais baixas têm chances iguais, porém ruins, de ter mobilidade social. Já nas posições mais altas da hierarquia social, os brancos têm mais chance de permanecer lá ou de subir um pouco mais”, destaca. “Pretos e pardos, em geral, ganham menos”, conclui.

Fonte – Faperj

Para além do verbo ‘to be’

mariane

É comum os pais optarem por um curso complementar de inglês, oferecido pelas escolas de idiomas, para que os filhos consigam o domínio da língua. Isto porque, em geral, o ensino na escola regular não atende às expectativas na medida em que o aluno termina o ensino médio e não consegue um nível fluente do idioma. A crítica é da professora de Inglês Marianne Pesci de Matos, que apresentou dissertação de mestrado no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), orientada pela professora Sylvia Bueno Terzi. Marianne argumenta que falta uma sequência lógica no ensino do Inglês, pois é colocada para o aluno uma lista de vocabulário solto e sem contextualização, longe das situações do cotidiano do adolescente.

“Este quadro predomina, sobretudo, no ensino fundamental. No ensino médio, até se tentam introduzir a leitura de textos, mas as iniciativas ainda não atendem as necessidades do aprendizado de uma língua. É preciso mais que ensinar o verbo to be, pois os estudantes não conseguem ao final do curso ler fluentemente um texto completo”, critica a professora.

Marianne, no entanto, não culpa os professores por este tipo de cenário, pelo contrário. Ela acredita que em algumas experiências pode-se sim desenvolver um bom método de ensino. Mas, segundo ela, pouco se pode fazer em um sistema que prevê pouquíssimos encontros semanais. “É muito difícil passar um conteúdo e conseguir resultados positivos com uma carga horária de duas aulas por semana”, explica. Para a professora, exemplos expressivos são das escolas bilíngues e outras poucas particulares que conseguem transpor as barreiras do aprendizado.

Para embasar suas críticas, Marianne realizou um amplo estudo teórico sobre a situação do ensino nas escolas regulares tanto as públicas, quanto as particulares, e ainda tomou como objeto de pesquisa uma escola de ensino infantil e fundamental da rede privada de Sorocaba. A escola adotou uma metodologia chamada Systemic em um contexto interdisciplinar para melhorar a fluência na conversação do idioma. “Neste método, o inglês é utilizado como um meio de ensinar outras disciplinas. Os conteúdos de matemática, geografia e outros são passados na língua inglesa, semelhante ao que ocorre em uma escola bilíngue, mas com diferenças pontuais”, explica Marianne, que gravou diversas aulas em áudio, fez anotações em campo e entrevistou os professores envolvidos.

Na análise dos dados, a professora constatou que o método embora inovador e bastante interessante na teoria, na prática esbarra em muitas falhas. Com isso, os resultados acabam parecidos aos observados nos métodos convencionais. Por exemplo, os alunos estudam as partes do corpo humano sem discutir o contexto da situação. Por diversas vezes, Marianne constatou intervenções dos estudantes em qualquer oportunidade para se comunicar sobre assuntos do cotidiano.

Outra questão é que, geralmente, o conteúdo refere-se a algo que os alunos já aprenderam em português e, com isso, o objetivo de ensinar em inglês para a comunicação fica perdido. Enfim, a avaliação constatou que não se obtém o resultado esperado para o aprendizado efetivo da língua estrangeira na metodologia proposta. Em sua opinião, é preciso uma reestruturação na abordagem e optar por experiências voltadas ao público juvenil e, não aquelas, desenvolvidas para os adultos.

Fonte – Jornal Unicamp
Texto – Raquel do Carmo Santos

A importância das TICs na educação

“Eles  [crianças e jovens] ‘vivem’ tecnologias e quem não vive sonha em viver. É o mundo deles. Isto é fato. Como ignorar este potencial? Como permanecer no cuspe e giz?”, Marise Brandão.

marise

Por Marcus Tavares

Marise Brandão é Orientadora Tecnológica Educacional do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Até pouco tempo era professora de Atividades Integradas – Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Ciências e Artes – na Escola Estadual Dr. Álvaro Rocha, localizada no município de Barra do Piraí, no Estado do Rio de Janeiro. Quem a conhece pela primeira vez rende-se logo à sua simpatia. Mas, em seguida, impressiona-se com o seu trabalho de dedicação ao ensino e ao uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na sala de aula.

Não é à toa que Marise, hoje, também atua como Orientadora Tecnológica do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Capacidade reconhecida internacionalmente desde 2008, quando ela ganhou o título de Embaixadora da Microsoft e o prêmio Microsoft Educadores Inovadores – categoria Educador Inovador.

Leitora assídua da revistapontocom, Marise conversou com a equipe sobre o projeto, ações e sonhos.

Acompanhe:

revistapontocom – O que é ser um educador nos dias de hoje?
Marise Brandão
 – Hoje, ser educador exige muito mais do que ter somente conhecimento sobre sua área específica. É preciso ser um estimulador do prazer em construir o conhecimento. O educador tem que ensinar seus alunos a pensarem, a descobrirem, a desenvolverem suas competências e habilidades. O professor do século XXI é um estimulador, motivador no desenvolvimento de habilidades e  potencializador de competências nos alunos. Mas para isto, ele tem que quebrar os velhos paradigmas da escola tradicional, deixando de ser somente um transmissor de informações.

revistapontocom – Neste sentido, qual é o papel das tecnologias da comunicação no processo de ensino e aprendizagem das atuais gerações?
Marise Brandão
– Elas devem ser um dos instrumentos para a construção do conhecimento. No mundo de hoje, as tecnologias são indispensáveis na educação das crianças e dos adolescentes. Eles ‘vivem’ tecnologias e quem não vive sonha em viver. É o mundo deles. Isto é fato. Como ignorar este potencial? Como permanecer no cuspe e giz? Todo professor deveria assistir a este vídeo antes de se negar a usar as TICs com seus alunos.



revistapontocom – Há dois anos, você recebeu o prêmio Microsoft Educadores Inovadores, na categoria Educador Inovador. A premiação foi fruto do projeto o Vôo BPF Brasil, Portugal e França. Que projeto foi esse?
Marise Brandão
 – Utilizando como temática o centenário de Santos Dumont, o projeto teve o objetivo de criar uma comunidade de aprendizagem em rede, estabelecendo um intercâmbio com escolas do Brasil, Portugal e França. O projeto foi desenvolvido por quatro escolas, duas no Brasil, uma em Portugal e uma na França. Criamos uma aprendizagem em rede, onde os alunos se tornaram os autores, construindo o conhecimento de uma forma muito participativa e colaborativa. Partimos da leitura do livro de Claudio Fragata, Seis Tombos e um Pulinho, que fala sobre Santos Dumont. As atividades envolveram 115 alunos de seis turmas do Ensino Fundamental dos três países.

revistapontocom – O projeto foi inovador ao aliar as TICs e outras escolas de outros países?
Marise Brandão
– Acredito que o projeto foi bastante inovador porque ele foi ousado. Não foi um projeto de consumo de informações, mas de produção de conhecimento por meio da autoria do aluno. O projeto inovou por ultrapassar os muros da escola, tornando a aprendizagem mais flexível no tempo e no espaço e unindo dois continentes. O planejamento do trabalho começou com uma reunião inicial com os alunos, explicando a importância de eles estarem inseridos no projeto. Após uma pesquisa na internet para recolher material sobre Santos Dumont, foi criado o blog Vôo BPF com a finalidade de publicar os trabalhos, as imagens e a opinião dos envolvidos. Todas as atividades de realização dos trabalhos publicados no blog utilizaram tecnologia digital e informática que permitiram desenvolver nos alunos competências que levam à infoinclusão e literacia digital. Ao final das atividades, houve a realização de uma videoconferência envolvendo representantes do Brasil, Portugal e da França. O MSN Messenger foi o principal veículo de comunicação e troca de informações entre os professores.

revistapontocom – E quais foram os resultados?
Marise Brandão
– Bem, durante o desenvolvimento do projeto, fui chamada de muitas coisas, todos achavam que eu estava delirando, sonhando e que eu tinha perdido o rumo. Chamava meus colegas para participarem e eles me olhavam de modo estranho. Eu falava em videoconferência com Portugal, França. Falava em blog colaborativo, em webquests. Falava em crianças de uma escola estadual que nunca haviam tocado em computadores, crianças que estavam rotuladas, recuperando os conteúdos, e, agora, tendo prazer em estudar. Falava em apoio das famílias, enquanto sempre falavam na falta de apoio das famílias. Os resultados foram os melhores possíveis. Houve uma grande mudança de comportamento por parte dos alunos, aumentando o interesse pelos estudos, o desenvolvimento de competências e habilidades, elevando a auto-estima de todos os envolvidos. Acho que a maior conquista deste trabalho foi a verdadeira inclusão digital, que mudou a história de vida de vários alunos.

revistapontocom – E de lá para cá?
Marise Brandão
 – O trabalho com as TICs na sala de aula continua até hoje. A diferença é que a Microsoft me apóia atualmente. Ano passado, a Microsoft e a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro me levaram a Washington para participar de um congresso, onde tive a alegria de ver o projeto valorizado e conhecer outros maravilhosos. Hoje, faço parte dos Educadores Inovadores em Rede da Microsoft. Estamos sempre juntos, seja presencialmente ou online, trocando experiências e fazendo reflexões. A Microsoft conseguiu unir todos os Educadores Inovadores do Brasil com os Professores Nota Dez de 2009, imagina no que isto vai dar. Principalmente em nosso estado, onde a Secretária de Educação e sua equipe acredita e apóia o uso das TICs para a evolução e revolução na educação.  Ainda estou à frente do portal www.webeducacional.com, onde professores e estudantes de vários estados do Brasil e de Portugal criam suas webquests, baixam softs, pesquisam e recebem informações e orientações. No ano passado, desenvolvi o projeto Reciclar é um Barato. O projeto promoveu o intercâmbio de profissionais do Brasil, Guatemala e EUA (http://reciclareumbarato.blogspot.com/).

Na era da informação, a escola dos sonhos de Frei Betto

“Na escola dos meus sonhos, conteúdos informáticos são recebidos e debatidos, informações questionadas, notícias analisadas pela ótica da elite e pela ótica do povão, despertando nos alunos discernimento crítico e consciência social e política”, Frei Betto.

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Por Tiago Cabral Dardeau

O que são livros e brinquedos sem a curiosidade das crianças? Objetos silenciosos e adormecidos à espera de alguém que os desencante. Ao abrir sua caixa de letras, Maricota foi apresentada ao alfabeto e descobriu que, com apenas 26 letras, poderia ver realizado seu desejo de ler, escrever, de se comunicar com o mundo. Maricota e o mundo das letras é o título do novo livro do escritor Frei Betto. Frade dominicano, Frei Betto já acumula em sua bagagem 52 títulos e inúmeros artigos. Alguns sobre a questão educacional brasileira. O mais célebre “A escola dos meus sonhos” é citado por muitos professores.

Há duas semanas o professor Tiago Cabral Dardeau, coordenador do curso técnico Roteiro para Novas Mídias do NAVE – Núcleo Avançado em Educação, entrevistou, por e-mail, Frei Betto. Ele encaminhou o conteúdo para a revistapontocom com o objetivo de socializar as ideias do pensador.

Acompanhe:

revistapontocom – Vivemos a era da informação. Diversos dispositivos digitais têm contribuído para propagar toda e qualquer mensagem. Não somos mais meros receptores. Qualquer pessoa pode produzir e difundir a informação. De que maneira esse contexto pode contribuir para diminuir as desigualdades em nosso país?
Frei Betto –
Primeiro, seria preciso combater a desigualdade social para, em seguida, reduzir a desigualdade digital. Análise recente da Fundação Getúlio Vargas, divulgada em fevereiro último, revela que integram o segmento privilegiado, que possui renda mensal superior a R$ 4.807, apenas 10,42% da população, ou seja, 19,4 milhões de pessoas. Elas concentram em mãos 44% da renda nacional. Muita riqueza para pouca gente. A classe C, conhecida como média, possui renda mensal de R$ 1.115 a R$ 4.807. Tem crescido nos últimos anos, graças à política econômica do governo Lula. Em 2003 abrangia 37,56% da população, num total de 64,1 milhões de brasileiros. Hoje, inclui 91 milhões – quase metade da população do país (49,22%) – que detêm 46% da renda nacional. Na classe D – os pobres – estão 43 milhões de pessoas, com renda mensal de R$ 768 a R$ 1.115, obrigadas a dividir apenas 8% da riqueza nacional. E na classe E – os miseráveis, com renda até R$ 768 por mês – se encontram 29,9 milhões de brasileiros (16,02% da população), condenados a repartir entre si apenas 2% da renda nacional. Assim, vemos a internet dominada por uma minoria que produz informação e reflexão, pois a maioria não tem acesso e os que têm são meros receptores, sem interagirem com os emissores. De qualquer modo, o espaço cibernético é relativamente democrático, permite que muitos professem suas ideias e propostas. O advérbio ‘relativamente’ se deve ao fato de a internet ser movida à publicidade, ou seja, não há almoço de graça. O que significa que as grandes empresas utilizam notícias e textos, imagens e sites de relacionamento para veicular seus produtos, e não para formar cidadania e fortalecer a democracia.

revistapontocom – No campo da Educação, percebemos a necessidade de rever paradigmas que orientam o trabalho nas escolas há séculos. A criança e o jovem, nativos digitais, precisam de novas experiências que deem conta desse contexto contemporâneo. No texto “A escola dos meus sonhos” você já faz uma crítica ao modelo atual. Com as possibilidades de hoje, o que muda naquele sonho?
Frei Betto
– Quantas escolas dispõem de computadores para acesso dos alunos? E ainda que alunos tenham acesso à internet, muitas vezes falta a eles condições de construir suas sínteses cognitivas, ou seja, navegam sem rumo, sem clareza, sem parâmetros que os permita articular o fluxo de informações recebidas. Na escola dos meus sonhos, conteúdos informáticos são recebidos e debatidos, informações questionadas, notícias analisadas pela ótica da elite e pela ótica do povão, despertando nos alunos discernimento crítico e consciência social e política.

revistapontocom – Que recado você deixa para os professores brasileiros?
Frei Betto
– Organizem-se, mobilizem-se, lutem por seus direitos, por condições dignas de trabalho, por salários melhores, por um futuro breve em que os pais não apenas desejem que seus filhos tenham bons professores, mas queiram também que seus filhos sejam ótimos professores.

Afinal, o que é interatividade?

Por Aline Weber
Pedagoga, psicopedagoga e especialista em midiaeducação pela PUC-Rio

A ideia de interatividade está presente em quase tudo que nos cerca hoje. A TV é interativa, o brinquedo é interativo, o rádio é interativo, o aparelho eletrônico é interativo, como se o que não fosse interativo carecesse de um valor agregado. É um slogan, que funciona tanto na indústria quanto na academia. (PRIMO, 2000).  A interatividade está na moda, pois muitos são os seus usos.

Sem a pretensão de buscar uma definição para o conceito de interatividade, o presente artigo pretende dialogar com as concepções de interatividade de Alex Primo e Marco Silva, apontando os fundamentos da teoria da interatividade e sua transposição para a docência online, abordando as diferenças entre interação e interatividade, relacionando-os ao conceito de interação mútua e interação reativa.

Segundo Silva (1998), o conceito de interatividade é recente, posterior ao conceito de interação, que vem da física, tendo sido incorporado por outros campos do saber e, no campo da informática, designa-se por interatividade. A ideia de interatividade vem de encontro a uma nova dimensão conversacional da informática, traduzida por uma bidirecionalidade.

O Conceito de interatividade, Segundo Silva (1998), vem da pop art, caracterizada pela fusão sujeito-objeto, como por exemplo os parangolés de Hélio Oiticica, onde o espectador interfere, modifica e co-cria a obra com o artista.

Nesse sentido, o conceito de interatividade vai para além do conceito de interação, onde existe uma separação entre quem emite e quem recebe a mensagem. O conceito de interatividade transcende o conceito de interação, pois não há uma separação em pólo emissor e pólo receptor, já que a mensagem numa dimensão interativa não está restrita à emissão.

Os fundamentos da interatividade são representados pela participação, a partir da qual é possível transformar um determinado conteúdo; pela bidirecionalidade, que permite a co-criação, não havendo distinção entre pólo emissor e receptor e potencialidade-permutabilidade, pois a comunicação permite a articulação de diversas redes, diversas conexões, permitindo uma navegação livre, autônoma, sem direção pré-definida.

Esses seriam os fundamentos da teoria da interatividade que, transpostos para a docência online poderiam se traduzir pela construção de uma obra coletiva, não mais centrada na figura do professor/emissor, mas também centrada no aluno/receptor. A partir dessa perspectiva, a interatividade na docência online, representa a possibilidade de rompimento com uma concepção linear de aprendizagem, colocando-a diante de uma aprendizagem colaborativa, atualizada numa prática de construção de um percurso hipertextual.

A proposta de estudo de Primo (2000) para o conceito de interatividade está baseada na diferenciação que estabelece entre o que é interativo e o que é reativo. Um sistema interativo trabalha com a autonomia, enquanto um sistema reativo trabalha com um grupo de possibilidades de escolhas. No caso de um sistema interativo, pode-se dizer que existe um diálogo, a comunicação está fundada na troca. Assim, uma relação reativa não pode ser entendida como interativa.

Partindo dos conceitos que estabelece de interativo e reativo, Primo apresenta dois tipos de interação: mútua e reativa. Uma interação mútua caracteriza-se pela interconexão dos sistemas envolvidos, possibilitando às relações aí construídas uma transformação permanente, não sendo portanto a soma de várias ações individuais. Na interação mútua, o foco está no relacionamento estabelecido e não em algum participante específico.

A interação reativa caracteriza-se por ser um sistema fechado, com relações lineares e unilaterais que resumem-se à relação estímulo-resposta. A interação ocorre a partir de uma troca ou intercâmbio, onde há uma delimitação clara das figuras do emissor e do receptor, havendo pouca ou nenhuma liberdade para uma co-criação, ou seja, há uma limitação no processo interativo.

Após um breve olhar sobre os estudos de Primo e Silva acerca dos conceitos de interatividade, interação mútua e interação reativa, podemos perceber uma aproximação entre o que é interatividade para Silva e o que é interação mútua para Primo, ficando a interação reativa como um processo no qual não existe, como nos demais, a possibilidade de co-criação.

Referências
– PRIMO, Alex. Interação mútua e reativa: uma proposta de estudo. Revista Farmecos. Jan. 2000, n.12, p. 81-92.
– SILVA, Marco. Que é interatividade. Boletim técnico do Senac, Rio de Janeiro, v. 24, n. 2, maio/ago. 1998. p. 27-35.

Receitas para sala de aula?

Pelo menos uma vez na vida, você, professor, já deve ter imaginado mil maneiras de ‘calar’ todos os seus alunos num piscar de olhos. E, ainda, prolongar a concentração deles por um mísero tempo de aula. Tudo isso para ter a chance de fazê-los aprender. Nos Estados Unidos, estudos recentes revelaram uma lista de “segredinhos” de professores bem-sucedidos nesse desafio. São técnicas, segundo os autores, com o poder de auxiliar no processo de aprendizado e arrancar as melhores notas.

Os truques estão nos livros Teaching as Leadership:The Highly Effective Teacher´s Guide to Closing the Achievement Gap (Ensinar Como um Líder: O Guia do Professor Supereficiente para Diminuir o Déficit de Aprendizado), de Steven Farr, e Teach Like a Champion: 49 Techniques That Put Students on the Path to College (Ensine Como um Campeão: 49 Técnicas que Colocam os Estudantes no Rumo da Universidade), de Doug Lemov, bem como em uma análise do economista Eric Hanushek, da Universidade Stanford. Certos métodos, no entanto, são questionáveis. Pelo menos no ponto de vista da pesquisadora Bernardete Angelina Gatti, superintendente educacional da Fundação Carlos Chagas, em São Paulo, que analisou os livros.

A especialista, para início de conversa, não é fã de fórmulas padronizadoras. Pelo contrário, aposta, principalmente, na sensibilidade e no compromisso individual dos professores com suas turmas. Eles devem levar sempre em consideração o funcionamento de cada classe, com seus alunos específicos. A qualidade do mestre não é a única responsável pelo sucesso no aprendizado, mas é determinante.
“As saídas preconcebidas ajudam, porque nos dão ideias de como agir. Mas têm que estar associadas à sensibilidade com seus alunos e suas classes. Cada uma tem um tônus, um jeito de ser”, defende Bernardete. “O professor não pode ser um autômato, um mero aplicador de técnicas. Ele está formando uma pessoa. Então, tem que atuar como pessoa, junto de outras pessoas”, acrescenta.

Formação de professores pode ser um problema

O que prejudica o bom andamento das aulas e o resultado nas avaliações muitas vezes não tem a ver com quem está nas carteiras. As causas são anteriores e dizem respeito à formação dos professores nas licenciaturas, que Bernadete classifica como precária no Brasil. As instituições de ensino superior não têm desenvolvido um currículo de cursos de formação de professores de maneira coerente, integrada e com materiais ricos.

“Ao contrário, a gente vê um aligeiramento dos conteúdos na licenciatura, com a diminuição das horas-aula e dos estágios, que praticamente não são realizados”, critica Bernardete.

A pesquisadora sugere uma avaliação objetiva para não ficar no “achômetro” de quem merece ser premiado. Ou seja, os avaliadores devem se basear em características “observáveis”. Um caminho seria ouvir os pais e os alunos para refinar o processo de avaliação do desempenho da instituição de ensino.

“Em geral, supõe-se que a escola que tem alunos que vão bem nos exames nacionais tem o melhor ensino. Mas é necessário agregar outros fatores, como a avaliação dos pais, por exemplo”, conclui Bernardete.
Confira abaixo as opiniões de Bernardete sobre alguns macetes dos professores:

– Andar pela sala

Em vez de ficar diante dos alunos, o professor circula pela sala e faz perguntas individuais enquanto explica a matéria. A movimentação permite perceber quem está atento e quem está distraído com celulares, jogos e conversas paralelas.

“A proximidade entre aluno e professor vai além da questão da vigilância. Acho que é mais importante o aluno sentir o interesse do professor por ele. O professor que percorre as cadeiras demonstra um interesse particular por cada aluno. É isso que faz a diferença. A professora Laurinda Ramalho, da PUC de São Paulo, trata deste assunto em um estudo relativo a cursos noturnos. Perguntados sobre as qualidades dos professores considerados bem-sucedidos, os alunos responderam: ‘A diferença é que eles chegam às minhas carteiras’. Graças a Laurinda, já temos esse conhecimento desde a década de 80”.

– Insistir na resposta corretaO professor não aceita um “não sei” como resposta. Em vez disso, estimula o aluno com a mesma pergunta, feita de diferentes formas, até que ele responda da forma correta.

 

“É um processo muito interessante.”

– Dirigir as perguntas aos alunos que não levantam a mão para respondê-lasEm vez de fazer uma pergunta para toda a classe ou chamar somente quem levanta a mão, o professor escolhe quem vai dar a resposta. A técnica ajuda a checar se os alunos aprenderam e, acima de tudo, se estão atentos.

 

“É uma boa forma de atuar, desde que chame os alunos mais aplicados também.”

– Proibir anotações durante a explicação do professor“Acho muito rígido. Cada aluno tem a sua forma de aprendizagem. Se eu não rabiscar um caderno enquanto alguém me ensina uma coisa nova, não acompanho o raciocínio da pessoa. Há varias formas de apreensão de conhecimento. Enrijecer a metodologia não é bom. Para alguns alunos a escrita pode enriquecer. Tem que deixar a critério do aluno.”

 

– Usar recursos como histórias, filmes e desafios para ensinar um tópico da matéria

“Acho muito interessante, desde que a história ou a música tenham a ver com o conteúdo que o professor vai desenvolver. Assim o aluno é motivado e presta mais atenção, além de ver que o conhecimento está no mundo e não é uma coisa esotérica.”

– Pedir para o aluno se retirar da sala de aula para não atrapalhar o restante da turma“É desespero e nem sempre é válido. Depende da situação, do que o aluno está fazendo e das características dele. Em alguns casos, é pertinente pedir que ele se retire, sim. Em outros, pode ser prejudicial. Se ele tiver certo tipo de liderança na turma, por exemplo, pode haver uma sensibilização emocional que pode prejudicar ainda mais o andamento da aula.”

 

– Ao final da aula, resumir o que é preciso memorizar

“Didaticamente falando, fazer um resumo das coisas principais é muito importante. Faz parte de um método de ensino. Mas a anotação não deve ser deixada só para este momento.”

– Gerar um debate antes de começar a redação

“É muito interessante ouvir os alunos se manifestarem, com os professores interferindo o mínimo possível. Eles ampliam o horizonte e conhecem as ideias dos outros. Desta forma, podem escrever com mais adequação sobre a questão trazida pelo professor.”
Fonte – Conexão professor – Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro

Unesco debate a integração das tecnologias com a educação

As Tecnologias da Comunicação e Informação como parte do processo de aprofundamento nas mudanças da sociedade e seus impactos educacionais foram debatidos na Conferência Internacional “O Impacto das TICs na Educação”, que aconteceu nos dias 27 e 28 de abril, em Brasília, promovida pela representação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil.

Durante o evento, autoridades e especialistas avaliaram o enfoque e as práticas dos usos das TICs e seus impactos na qualidade da educação na América Latina e no Caribe. Outro foco foi o uso das TICs como prática na profissão dos educadores, bem como a formação continuada dos docentes nesta área.

Os especialistas analisaram, entre outras questões, medidas de acesso, ferramentas, práticas institucionais, métodos para formação de professores e de avaliação de impactos das TICs. Uma das conclusões foi de que os investimentos em tecnologia voltados para projetos educacionais estão aumentando nos países da América Latina e do Caribe. Mas há poucas pesquisas que auxiliam na identificação de “histórias de sucesso” para gerar conhecimento e modelos que possam mobilizar agendas políticas derivadas dessas medidas. Assim, os resultados discutidos não consideraram, de forma específica, a intensidade do impacto e potencial das TICs nos processos de educação e aprendizagem.

Na cerimônia de abertura, o representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny, disse que a integração das tecnologias com a educação é imprescindível para uma sociedade do conhecimento. “A tecnologia não só vai trazer ganhos para a qualidade da educação, mas um ganho em termos sociais. Não podemos mais pensar a educação do século XXI sem pensar numa escola conectada”, disse.
Defourny lembrou, entretanto, que esta é uma sociedade da informação que queremos transformar em sociedade do conhecimento.

“Há uma avalanche de informação por causa da tecnologia, e é preciso reconhecer as necessidades, avaliando sua qualidade e fazendo uso efetivo e ético dela. A sociedade da informação tem como característica o uso sobre os meios, mas o importante é o que as pessoas fazem com as informações. É preciso transformá-la em conhecimento”, ressaltou.

“É preciso fazer um uso efetivo e ético da informação. Devemos transformar o conteúdo que recebemos de forma que contribua com uma cidadania mais efetiva. Outro ponto importante é aplicar a informação para criar e disseminar o conhecimento. O cidadão não pode ser mais um processador de informação, mas um contribuinte. Por isso, a introdução da TIC na educação não pode ser vista como um processo estritamente tecnológico. As dimensões éticas e da sociedade como um todo, as possibilidades e os riscos devem estar na agenda dos indicadores. Através disso, podemos conseguir um marco de competência para os professores no desempenho do uso da tecnologia na educação”, alertou Vincent Defourny.

Conferência

Como parte do diálogo, a organização da conferência criou uma página na internet. Desenvolvido pela ONG Communication Initiative, o site funciona como um espaço aberto para o diálogo e para a troca de experiências no uso das TICs nos processos educativos. Com esta ferramenta, os internautas estão contribuindo para o debate por meio de fóruns de discussões em três idiomas: inglês, português e espanhol. Para acessar as informações e interagir nos fóruns é necessário cadastrar-se previamente no site http://groups.comminit.com/ict4education/pt-br/.

Fonte – Revista TIC Educação

“Sorrisos e Flores” do Brasil conquista concurso internacional

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O arquiteto brasileiro Diego Rossi foi o grande vencedor do concurso de cartazes “Cultura Conta”, lançado pela Fellissimo’s Social Design Network e pela Unesco em celebração ao Ano Internacional para a Aproximação das Culturas – 2010. Seu desenho gráfico “Sorrisos e Flores” concorreu com outras 1.187 inscrições de 82 países dos cinco continentes. “Sorrisos e Flores” e outros 29 cartazes serão exibidos, este mês, em exposição durante o Festival Internacional da Diversidade Cultural, na sede da Unesco, em Paris.

O projeto foi o vencedor não só por causa do seu valor artístico, mas também porque representa compromisso e ação inspirados em “Guernica” de Picasso. Enquanto este último foi utilizado para retratar os horrores da guerra, o projeto atual cultiva a empatia, o diálogo e o entendimento. É uma interpretação otimista do objetivo do Ano Internacional para a Aproximação das Culturas na promoção da compreensão mútua e da paz.

Diego Rossi explica seu trabalho com as seguintes palavras: “a existência de inúmeras diferenças culturais entre povos e nações é inerente ao ser humano. Entendo que essas diferenças não podem ser, por qualquer meio, razão para a intolerância, o desrespeito ou mesmo a beligerância. A coexistência pacífica é fundamental para a longevidade de criaturas bonitas e inteligentes como nós – embora de modo diferente em hábitos, tradições, crenças ou aparência”.

“No meu entendimento a aproximação das Culturas é um movimento que nós, pessoas de todo o mundo, precisamos fazer para atingir elevados níveis de compreensão, tolerância e respeito mútuo. O cartaz se refere à criação dessas grandes conquistas por meio da simplicidade das coisas (como em um sorriso, em uma flor) e que é um trabalho difícil em um mundo duro como o nosso. Sinto-me honrado por ter sido selecionado por essa instituição tão importante como a Unesco como o vencedor do concurso de cartazes e por ter sido compreendido em minhas intenções”, disse.

Workshop em Cuba sobre comunicação e infância

Os coordenadores da Rede UNIAL (El Universo Audiovisual del Niño Latinoamericano), sediada em Cuba, anunciam que, entre os dias 9 e 14 de agosto, será ministrado em Havana o curso “Luzes e sombras na infância dos dias de hoje: alternativas de comunicação para a infância”. O evento pretende reunir profissionais e especialistas que se preocupam pela manutenção dos direitos da infância.

Na pauta das discussões: problemas da infância e da adolescência; construção de alternativas de comunicação e educação; a imagem da criança na mídia; a investigação social e práticas de comunicação para crianças e adolescentes; direitos das crianças; e experiências de comunicação com infância e juventude.

Os interessados em participar têm até o dia 17 de julho. Eles devem enviar um e-mail (unial@festival.icaic.cu) para a coordenação com as seguintes informações: nome, país, profissão, instituição, endereço, telefone e fax, bem como o currículo vitae.

Um dia sem computador

Por Washington Araújo
Mestre em Comunicação Pela UNB e escritor. Criador do blog Cidadão do Mundo

O que fazer num dia sem computador? Existe um mundo de coisas contido nesta pergunta. Primeiro, e antes de tudo, se trata de um dia sem cliques. Sem Google, sem Reuters, sem BBC de Londres, sem Wikipédia, sem Gmail, sem Kotscho, sem UOL, sem YouTube, sem Josias, sem Word, sem Photoshop, sem copy e paste, sem zoom, sem abrir nada, sem fechar nada, sem salvar nada. Sem mensagem para Luiz Egypto [editor do site Observatório da Imprensa]. Sem digitar nada. Sem pesquisar no Houaiss, no Aurélio. Sem acessar CartaCapital. Sem queimar disco, sem usar este Nero que homenageia aquel´outro que, num dia enfadonho, tocou fogo em Roma. E, no meu caso, sem atualizar o blog Cidadão do Mundo. E sem canibalizar pensamentos completos a fim de contê-los nas cercanias farpadas do Twitter.

E vejo que tantas são as coisas que faço com o computador ligado. E são “coisas” tão rotineiras que, somente ao pensar em um dia sem computador, me dou conta do muito que é minha interação, minuto a minuto, hora a hora, com o computador. Ficar um dia sem computador é como ficar um dia sem enxergar ou sem comer, ou sem ouvir, ou sem pensar? O mundo que vejo é aquele que diz presente mediado por um monitor de 24 polegadas. O que cabe no monitor é do tamanho do mundo, vasto mundo, que vejo. Mas será mesmo este o mundo em que desejo viver?

Vocábulos dicionarizados

E, no entanto, reza a lenda que medos, persas e fenícios nasciam, cresciam e morriam sem ao menos fazer uso de computador. Estes povos não abriam programas, percorriam livros. Não salvavam documentos, acessavam memórias. Não digitavam documentos, escreviam mensagens. Não clicavam na tecla “enviar” para que as notícias viajassem o mundo, deslocavam-se a agências dos Correios, escolhiam o selo, lambuzavam a goma arábica, observavam o envelope enrugar, criar ondulações, pagavam e saíam felizes da vida por saberem que a mensagem já estava “a caminho”. A lenda informa também que descendentes de gregos e romanos não sabiam o que seria passar um par de horas por dia interagindo com amigos no Facebook e no Orkut, adicionando fotografias num e noutro, apagando mensagens cheias de emoticons, recebendo cutucadas virtuais, esboçando sorrisos, devolvendo cutucada virtual e aferindo quem está online.

O tempo passou, testemunhou as revoluções científicas de Thomas Kuhn e desaguou em nossos dias. Eu que era tão proficiente em inglês, que sabia muito bem afirmar the book is on the table e me descubro hoje executando dezenas de rotinas no idioma do bardo Shakespeare. Estranhando o fato que o português e tantas outras línguas eram simplesmente marginalizadas na linguagem dos que interagem com computadores fui ao Aurélio. Para minha surpresa constatei que já se encontram dicionarizados vocábulos como deletar, escanear, hardware, software, site, home page, online. E se antes marcava com alguns amigos uma tarde de vôlei, uma pelada, uma partida de xadrez, hoje assisto o campeonato de vôlei, a pelada e a partida de xadrez no próprio computador. O xadrez perdeu terreno e o barato mesmo é jogar pôquer online.

O mundo virtual é muito real

Velhos tempos, belos dias. Hoje não perco tempo marcando encontros, ligo o computador e confiro quem está online. Para uns, fico invisível, para outros, revelo-me de corpo inteiro, com direito a imagem e a voz. Encontro todo mundo ao mesmo tempo e a qualquer momento. O bar da esquina, o encontro na praça ou no shopping foi substituído sem dó nem piedade por encontros virtuais: você fala de lá que falo de cá, ri de lá que rio de cá. E se o monitor não é dos melhores nem consigo mais distinguir o brilho dos olhos, o sorriso no canto da boca, o ar de cabeça nas nuvens que tantos amigos meus, apesar dos anos, ainda conservam como característica mais gritante.
Antes, ouvir a fala presidencial era uma espécie de acontecimento. Havia toda a tal da liturgia do cargo. E isso acontecia em momentos especiais, dentre estes na noite do 7 de setembro. E tudo era visto através daquela TV de válvula, marca “ABC – A voz de ouro”, com a imagem subindo continuamente na vertical ou teimando em aparecer na diagonal. Hoje esbarro com a fala presidencial do Lula falando diretamente da Chechênia, Davos, Tel Aviv, Santiago de Cuba e do Chile. É só gastar alguns breves minutos escolhendo qual filtro usar, o do Universo Online ou o do Terra, da BBC ou da Reuters…

Chefes de Estado eram uma espécie de semidivindade, mais que humanos, menos que deuses, jamais se envolviam nisso que chamamos de gafes. Não existia CQC nem Pânico na TV. Hoje, o que mais tem é coleção de gafes presidenciais, tombos do Caetano Veloso no Rio e em São Paulo, em Salvador e em Santo Amaro da Purificação, áudios do Boris Casoy criticando simpáticos lixeiros em comercial de Ano Novo. É só procurar no YouTube. E ainda escolher quem deve estar passando por maus momentos na cena internacional, associando substantivo e nome próprio, por exemplo: Gafes Lula/ Gafes FHC/ Gafes Berlusconi/ Gafes Obama/ Gafes Sarkozy/ Gafes Clinton/ Gafes Kirchner.

Milton Nascimento, que gravou os ótimos álbuns Clube da Esquina I e II, provavelmente gravaria agora Clube Cidadania Mundial I e II. E existem opções demais para se usar o tempo e espectador de menos. Explico. O computador nos franqueia o acesso a tal multiplicidade de programas e assuntos que perdemos mais tempo vendo o que existe disponível do que indo a fundo num ou noutro programa. Se temos uma queda por arte na Renascença, com meia dúzia de cliques adentramos as galerias virtuais do Museu do Vaticano, de Florença, de Veneza, de Roma. Se Picasso nos faz a cabeça, o negócio é encontrar o trajeto que nos leva ao site virtual do Museu Reina Sofía, em Madri. Neste, encontramos nada menos que Guernica.

O balão de oxigênio, símbolo da manutenção da vida em nossa memória que vara séculos, poderia ser substituída pela energia que mantém ligado o computador. Se há um `apaguinho´, a falta de energia por breves minutos, somos imediatamente desconectados do mundo virtual. E esse mundo é mais real que virtual para extensas legiões de contemporâneos nossos.

“Seja lá como for…”

Sei que existe o Dia Mundial Contra o Tabagismo e também o Dia Mundial Sem Uso de Carro. Mas desconheço a existência de um Dia Mundial Sem Computador. Considero válido passar por essa experiência. Sem cigarro, conseguimos passar muito bem. É inegável. Sem a avalancha de carros transtornando a paisagem urbana (e fazendo aflorar nossas neuroses mais profundas), também conseguimos conceber vida possível. E… sem computador?

Lembro da criança nascida e criada em prédio de apartamentos. Em suas primeiras férias à cidade de interior onde nasceram seus pais, deparou com uma galinha e qual não foi seu encantamento em anunciar à mãe que acabara de ver uma… knorr! Conseguiríamos apreciar o canto dos pássaros, emitido pelos emplumados ou só seríamos receptivos a este mister se o canto tivesse como origem a pequena caixa de som que fica ao lado do computador?

Saberíamos passar um dia sem teclar nada? Bateria o desespero humano com a força dos tsunamis da alma? Ou, então, seríamos tragados pelos versos da canção: “E assim, seja lá como for/ Vai ter fim a infinita aflição/ E o mundo vai ver uma flor/ Brotar do impossível chão”?

Matrix é aqui.

Universitários criam games para infância

Alunos de graduação e pós-graduação do Instituto de Computação e do Instituto de Arte e Comunicação Social da UFF apresentaram ao público, no mês passado, os seus novos experimentos: dois jogos eletrônicos infantis, inéditos no mercado de videogames.

Jecripe é direcionado para crianças com Síndrome de Down. O game traz propostas inovadoras para a indústria do entretenimento e para o tratamento de pessoas com necessidades especiais. O segundo chama-se França Antártica, que narra a aventura do índio Jeró no Brasil e na França do século XVI.

Os dois jogos foram vencedores da chamada pública Audiovisual: mídias digitais (categoria jogos eletrônicos), lançada no ano passado pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. Os games funcionam nas plataformas Windows, Mac e Web.

Assista ao vídeo de lançamento