Cúpula de Mídia: conselho jovem propõe recomendações para 2013

 

Seis propostas de ação para a interface entre crianças, jovens e a mídia. Este foi o principal resultado da Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, realizada, na semana passada, em Karlstad, na Suécia. As recomendações foram formuladas pelos integrantes do Global Youth Media Council, uma espécie de conselho jovem, representativo de 20 países, criado para ser o porta-voz do público infanto-juvenil no evento. 

A ideia dos 35 integrantes do conselho é que as propostas/recomendações sejam alcançadas até o ano de 2013, quando será realizada a próxima Cúpula Mundial de Mídia, desta vez em Bali, na Indonésia.

Confira as recomendações:

O acesso à internet
– Governos, operadoras de telefonia móvel e empresas de multimídia devem trabalhar juntos para garantir acesso gratuito à  internet ou a preços acessíveis nas escolas e bibliotecas.

Assegurar uma navegação segura na web
– Escola deve ensinar crianças e jovens sobre os perigos da web.

Mais espaço para crianças e jovens na tomada de decisões
– Mais artigos escritos por crianças e jovens em jornais nacionais e locais.
– Cada país deve ter um Conselho da Juventude de mídia – para comentar sobre o conteúdo de TV para crianças.

Representação negativa das crianças e dos jovens nos meios de comunicação
– Os meios de comunicação devem adotar diretrizes éticas.

Midiaeducação
– Educação para a mídia deve ser parte do currículo desde tenra idade em cada país.

Interesse comercial X Responsabilidade social
– Somente produtos relacionados com o desenvolvimento das crianças podem ser linkados com a mídia voltada para as crianças.
– Existência de mais canais de TV, jornal, rádio não comerciais e de interesses de crianças e jovens.

Tecnologias móveis a serviço da inclusão digital

 

Por Maria Pires

É possível tornar as tecnologias móveis mais populares e a serviço da inclusão digital? Parece que sim. Pelo menos foi o que especialistas no assunto apresentaram na sexta edição do Festival Internacional de Arte e Criatividade Móvel – o Mobilefest-Rio, realizado, no final de maio, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

O africano Dick Ng’ambi da Universidade de Cape Town, da África do Sul, apresentou o projeto de educação que desenvolve com alunos de escolas públicas de seu país. Com o uso do SMS, ele incentivou os estudantes a mandarem anonimamente perguntas sobre as matérias que eram respondidas pelos professores. Resultado: maior participação dos jovens nas aulas e criação de um fórum colaborativo.

Rodrigo Saucedo, do Instituto Carlos Slim de La Salud, México, falou sobre a proposta de trabalho da rede ClickSalud. A iniciativa usa mensagens curtas (SMS) e foto-mensagens (MMS) para melhorar o alcance da medicina entre os bairros e a periferia, com textos educativos principalmente sobre doenças crônicas.

Já o pesquisador holandês Sander Veenhof demonstrou a importância do uso do flashmob na disseminação das informações com o uso da realidade aumentada.

Flash Mobs – São aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para  realizar determinada ação inusitada previamente combinada. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social.

Do Brasil

Roberta Brandão, professora do Departamento de Artes da PUC-Rio, destacou o papel da escola no cenário das mídias digitais e móveis. Segundo ela, as instituições de ensino, na atualidade, não estão sabendo aproveitar da melhor forma a diversidade do dispositivo móvel, o fenômeno das redes sociais e muito menos a possibilidade da convergência das mídias. No entanto, ela destacou a experiência do Colégio Estadual José Leite Lopes, o NAVE (Núcleo Avançado em Educação), que desenvolve um trabalho inovador na área de mídia e educação. Segundo Roberta, a proposta do NAVE possibilita uma maior comunicação entre a cultura digital e a cultura dos jovens.


Com informações do O DIA

Concurso à procura de jovens cineastas

Se você tem entre 6 e 17 anos de idade e muita criatividade, não perca a chance de participar da terceira edição do Festival de Cinema Infantil e Juvenil – O que vejo, concurso organizado pela ONG Save the Children. Individualmente ou em equipe de três membros, crianças e jovens têm que produzir um curta metragem de dois a 10 minutos.

O tema do festival esse ano é “O reconhecimento da dignidade da pessoa humana em todos seus aspectos, a promoção da democracia, o respeito pelos outros e por nosso planeta”. Os participantes serão divididos em três grupos: infantil, dos 6 aos 9 anos; juvenil A, dos 10 aos 13 anos; e juvenil B, dos 14 aos 17 anos. As categorias são: animação, documentário e ficção. Cada equipe pode apresentar três vídeos, um por gênero.

A data limite para envio de material é 16 de julho. A comissão julgadora levará em conta o tema proposto pela edição deste ano, a criatividade, o argumento, a qualidade da imagem e a produção. A equipe vencedora ganhará uma viagem para a Cidade do México. Participará ainda de uma oficina de cinema.

Confira o edital do concurso

Toy Story 3 promove campanha de doação de brinquedos. Participe!

Entrou em cartaz, no último dia 18, a terceira continuação do longa Toy Story. Desta vez, os famosos brinquedos do personagem Andy vivem uma nova aventura. Preparando-se para ingressar à universidade, Andy resolve doar seus brinquedos para uma creche repleta de crianças. O que, a primeira vista, parece um oásis para os brinquedos, torna-se um grande problema.

Assista ao trailer do filme:

Reproduzindo a história do filme, a Disney está organizando uma campanha nacional de arrecadação de brinquedos. Os interessados têm até o dia 15 de julho para participar. Tudo o que for coletado será enviado para a Fundação Abrinq que distribuirá para instituições cadastradas que trabalham com crianças carentes. Ao todo, são mais de 500 pontos de arrecadação.

Consulte o local mais perto de sua casa

Novas formas de pensar o currículo escolar

Por Adriana Vieira e José Alves, do EducaRede

Redes sociais, mobilidade e Web 2.0 na educação foram alguns dos temas de destaque do II Seminário Web Currículo. O evento reuniu, nos dias 7 e 8 de junho, na PUC de São Paulo, especialistas brasileiros e estrangeiros para refletir sobre a integração das tecnologias digitais ao currículo escolar.

“As redes sociais subvertem as escolas”, afirmou Simão Pedro Marinho, professor da PUC de Minas Gerais, que participou da mesa-redonda “Redes Sociais e Educação”. Segundo Marinho, a escola – mesmo a tradicional – sempre foi um lugar de rede social, porém uma rede centralizada, na qual um único nó (o professor) irradia informação para os demais (os alunos). “Não tem sentido incorporar as redes virtuais na escola para reproduzir as mesmas práticas. Só faz sentido se a rede não tiver um centro, na qual todos sejam iguais. A escola fará a rede descentralizada? Está pronta para subversão?”, provocou o professor da PUC-MG.

“Mobilidade e Educação” foi tema de duas mesas-redondas e de relatos de práticas no seminário. A professora de Comunicação e Semiótica da PUC-SP Lúcia Santaella utilizou o termo “aprendizagem ubíqua” para designar os modos de aprender por meio dos dispositivos móveis. Ou seja, a informação e as possibilidades de aprendizagem estão por toda parte. “Inaugurou-se uma modalidade de aprendizagem que prescinde a fórmula ensino e aprendizagem. Um novo modelo de aprendizagem sem ensino”. Porém, ela concluiu que essa nova modalidade de aprendizagem não significa a substituição da educação formal. “A educação formal nunca foi tão necessária, mas de uma forma diferente”, disse.

A professora da Faculdade de Educação da PUC-SP Maria Elizabeth de Almeida, uma das organizadoras do seminário, enfatizou a importância de integrar as velhas e as novas tecnologias ao currículo escolar. “Não é excluir as tecnologias convencionais, até mesmo o laboratório de informática,  mas ressignificá-las. Temos como exemplo as revistas impressas que continuam a existir, mas utilizam elementos da Internet”, explicou a professora na mesa-redonda de abertura do evento. Ela também ressaltou que as políticas de formação de professores têm que emergir de um diagnóstico – das questões dos professores e da escola – para então surgirem o conteúdo, as metodologias e as tecnologias.

As possibilidades oferecidas pela Web 2.0, como a colaboração e o papel da criação e autoria, também foram discutidas no evento. Para a professora da PUC-SP Maria da Graça Moreira da Silva, a escola deve explorar o meio digital “não só como espaço de navegação pelo conteúdo já posto, mas a idéia da Web 2.0, o papel da autoria, da nossa presença virtual”.

O seminário foi finalizado com a palestra “O papel das mídias na inovação em educação”, com o jornalista Paulo Markum, que criticou os projetos de um computador por aluno na escola, pois, segundo ele, “só interessa a governos para fazer média com empresas de computadores”. O jornalista ainda apontou o grande desafio que as novas tecnologias colocam à escola: “levar o professor a abrir mão do poder”.

Saramago e as crianças

Em homenagem ao escritor José Saramago, a revistapontocom destaca o seu livro – para crianças – A Maior Flor do Mundo, ilustrado por João Caetano e editado pela Editora Caminho. Perguntava José Saramago: “E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”

Confira a versão animada do livro e se emocione:

 

Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis 2010: conheça os selecionados

Saiu a lista dos filmes selecionados para a 9ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, evento realizado anualmente, no Sul do país, que abre espaço para a produção cinematográfica voltada para crianças. Foram escolhidas 71 obras, entre curtas e longas. Serão concedidos quatro prêmios, no valor de R$ 5 mil cada: Melhor Ficção Infantil, Melhor Animação Infantil, Melhor filme escolhido Júri Popular e Prêmio Especial das Crianças. A Mostra acontecerá entre os dias 19 de junho e 4 de julho, no Teatro Governador Pedro Ivo, em Florianópolis.

Confira outras notícias da Mostra no site do evento

Abaixo, a revistapontocom publica trailers de alguns vídeos selecionados.

Acompanhe:

– A esperança é a última que morde
Em tempos de seca, a história de dois urubus à procura de carniça, uma vaca e uma cadelinha que acreditam na Esperança. Cenário: interior do Ceará.

 

– Bailarino e o Bonde
Ah! Que belos tempos quando a gente pegava o Bonde para ir para a escola, para o trabalho, para todos os lugares.. Até esses ônibus barulhentos chegarem… Bailarino e o Bonde é uma história que confronta o progresso e gente comum.

 

– Carrapatos e Catapultas
Em outra galáxia, no Planeta Vaca, os carrapatos bicos-de-pato e os carrapatos megafones gostam de sugar comida, sucos e objetos com canudinhos; ficar se catapultando por aí e explodir depois de muito gordos. Bum e Bod são dois grandes amigos que não engordam feito a maioria. Eles trabalham como estagiários e têm o chefe Bonaparte para azucriná-los. Nesse mundo, não há automóveis nem muitos objetos comuns no mundo humano. Inexplicavelmente tais objetos começarão a surgir do nada, desencadeando situações inesperadas. Bod encontrará uma caixa de luz que mostrará a programação da Terra e trará seres de outros mundos. Bum encontrará um telefone, passando a receber ligações de sua mãe que já explodiu, e mora agora no Mundo dos Carrapatos Fantasmas.

 

– Doido Lelé
Salvador, década de 50. Caetano, pobre e mestiço, sonha em ser cantor de rádio, para deleite da mãe e contrariedade do pai. Ele foge todas as noites de casa para tentar, sem sucesso, a sorte no programa de calouros. Até que, numa noite, ele aposta tudo numa louca, divertida e definitiva performance. Nada muito diferente se Caetano não fosse apenas um menino.

– Eu queria ser um monstro
Making of do curta.

– Família Vegan
Trailer do primeiro episódio da série infantil produzida pela Produtora Escola Cinema Nosso.

– A História do Monstro Kátpy
A história do caçador do povo Kisêdjê que foi capturado pelo monstro Kátpy na mata. Do coletivo de cinema Kisêdjê. Resultado de oficinas de formação em audiovisual para povos indígenas, pelo projeto Vídeo nas Aldeias.

– Mundo Mudo
Clipe da banda Terceira Edição de Recife. Feito pelo núcleo de animação da AESO.

– O primitivo
Pebeu é um garoto que decidiu viver como seus ancestrais. Filme realizado pelo Curso Básico de Cinema da Escola Audiovisual Cinema Nosso.

– Os anjos no meio da praça
Um curta-metragem 3D sobre anjos caídos e sonhos esquecidos.

– Vai dar samba
Crianças se encontram e falam sobre os seus problemas e ambições.

– Vivi Viravento
Vinheta de abertura da série “Vivi Viravento”.

– Criança ecológica
Assista ao trailer do curta.

– Língua Livre
Assista ao trailer do curta.

– Zica e os camaleões
Assista ao trailer do curta.

Suzy Lee, autora do livro infantil A Onda, participa de evento no Rio

Em apenas um ano, o livro vendeu 100 mil exemplares. Publicado originalmente nos Estados Unidos, o livro-imagem A Onda, da jovem coreana Suzy Lee, já ganhou versões pelo mundo. Sem palavras, as imagens relatam o primeiro encontro de uma menina com o mar. Com poucos traços a carvão, Lee ilustrou em azul, preto e branco o ruído das águas, o bater de asas das gaivotas, o vento que balança o vestido da criança e a conversa silenciosa que se estabelece ao longo da narrativa.

No próximo dia 16, a autora estará no Rio, participando do 12º Seminário da FNLIJ de Literatura Infantil e Juvenil, que acontecerá no Rio. Lee, cidadã Coreana, mas que atualmente mora em Cingapura, falará sobre a literatura infantil e juvenil da Coréia do Sul e mais detalhadamente sobre o livro.

Na bagagem, A Onda já conquistou três prêmios: Melhor Livro Ilustrado 2008 pelo The New York Times, Melhor Livro do Ano 2008 – Álbum Ilustrado Infantil da Publishers Weekly e Melhor Livro Infantil do Ano 2008 da Kirkus Review.

O 12º Seminário da FNLIJ de Literatura Infantil e Juvenil faz parte das ações do 12º Salão FNLIJ do livro para crianças e jovens, em cartaz no Rio até o dia 19 de junho.

Saiba mais sobre o encontro.

Infância ganha espaço no cinema nacional

No último dia 8 de junho, o cinema brasileiro teve a sua noite de gala. Nesta data, foram entregues os prêmios de melhores produções, conferidos pela Academia Brasileira de Cinema. O público infantil também teve vez. O Grilo Feliz e os insetos gigantes, de Walbecy Ribas e Rafael Ribas levou a estatueta de Melhor Longa Metragem Infantil. E os dois curtas metragens de animação foram concedidos a produções voltadas para as crianças. Os contemplados foram: Menino que plantava invernos, de Victor Hugo Borges e Saci, da série Juro que Vi, uma produção da MultiRio, dirigida por Humberto Avelar.

Confira abaixo a ficha técnica de cada obra e o trailer

– O Grilo Feliz e os insetos gigantes
Ficha técnica – Direção: Walbercy Ribas e Rafael Ribas. Produção: Juliana Ribas por Start Desenhos Animados. Roteiro Original: Walbercy Ribas. Direção de Fotografia: Rafael Ribas. Direção de Arte: Rafael Ribas. Efeitos Visuais: Rafael Ribas e Sérgio Spina. Montagem: Rafael Ribas e Sérgio Spina. Mixagem: José Luiz Sasso. Trilha Sonora Original: Ruriá Duprat. Distribuidora: Fox Film do Brasil

– O Menino que plantava invernos
Ficha técnica – Roteiro: Victor-Hugo Borges. Direção de Arte: Victor-Hugo Borges. Animação: Victor-Hugo Borges. Trilha original: Alexandre Bischof. Direção de produção: Liciane Mamede. Produção Executiva: Mayra Lucas. Montagem: Victor-Hugo Borges, Daniel Turini. Produtora: Glaz, Neoplastique Entretenimento Ltda.

– Saci – Série Juro que Vi
Ficha técnica – Roteiro: Humberto Avellar. Animação: Humberto Avellar. Direção de arte: André Leão. Montagem: Marcus Martins. Música original: Ed Cortês. Produção executiva: Regina Assis. Elenco: Paulo Betti. Produtora: MultiRio.

Inscrições abertas para a 2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil

O Museu Exploratório de Ciências (MC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recebe, até 6 de agosto, inscrições para a 2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB). Composta por cinco fases on line e uma presencial, a competição envolve professores e alunos na resolução dos problemas propostos.

Poderão participar estudantes regularmente matriculados no 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e demais séries do Ensino Médio, de escolas públicas e privadas de todo o Brasil. Para orientar a equipe, composta de até três estudantes, é obrigatória a participação de um professor de História. Os estudantes podem constituir equipes com colegas da mesma série ou de séries distintas, de acordo com o seu critério. O mesmo professor poderá orientar mais de um grupo. No entanto, um aluno só poderá participar de apenas uma equipe.

Assim que for efetuada a inscrição (R$15,00 para escolas públicas e R$35,00 para particulares), os participantes receberão login e senha para participar das cinco fases on line. Em cada fase, alunos e professores precisarão responder às questões de múltipla escolha e realizar tarefas determinadas. As fases on line, com duração de seis dias cada, poderão ser impressas para facilitar o trabalho dos participantes.

A página da ONHB oferecerá documentos, textos e sugestões de leitura para auxiliar na resolução das questões.  A seleção das equipes classificadas para a fase seguinte será dada de acordo com a pontuação conseguida até aquele momento. A soma de cada fase é cumulativa para a classificação final.

A ONHB premiará escolas, alunos e professores, com medalhas de ouro, prata e bronze e certificados de participação. A escola receberá doação de livros para o acervo da biblioteca e a assinatura da Revista de História da Biblioteca Nacional por um ano.

A 2ª Olimpíada Nacional em História do Brasil é uma iniciativa do Museu Exploratório de Ciências da Unicamp. O evento é patrocinado pelo CNPq e tem o apoio da Revista de História da Biblioteca Nacional. A 1ª edição, realizada em 2009, inscreveu mais de 15 mil participantes e reuniu cerca de duas mil pessoas na final presencial, realizada na Unicamp, nos dias 12 e 13 de dezembro.

Jovens cineastas estreiam primeiros curtas

Feliz Páscoa, Amanhecer, Tá bom aí? e Família Vegan. Estes foram os nomes dos filmes que fizeram parte da I Mostra Produtora Escola Cinema Nosso. Produzidos pelos alunos da Escola Cinema Nosso, uma organização não-governamental que oferece cursos na área de produção audiovisual para jovens, os curtas contaram com a colaboração dos diretores Fernando Meirelles, Kátia Lund, Roberto Berliner, Dib Lutfi e Ana Rita Nemer. As exibições ocorreram nos dias 11, 19 e 27 de maio, na sede da Escola, localizada no Centro do Rio.

Para quem não assistiu, a revistapontocom traz, abaixo, o trailer de cada produção.

– Feliz Páscoa (direção – André Tavares; colaboração – Kátia Lund)
Uma família de classe média esconde de todos uma atividade ilícita. Mas a filha pequena descobre. Elenco: Júlia Klein, Flávia Coutinho e Gilberto Hernandes.

– Amanhecer (direção – Mariana Campos; colaboração – Fernando Meirelles)
O momento em que um filho revela um segredo importantíssimo ao pai. Elenco: Ricardo Fernandes e Milton Gonçalves.

– Tá Bom Aí? (direção – Tamiris Lourenço, colaboração – Roberto Berliner e Dib Lutfi)
Documentário sobre hábitos alimentares.

 

– Família Vegan (direção – Ana Rita Nemer)
Primeiro episódio da série infantil. Animadores: Christian Proença e Pedro Ryan.

Saiba mais sobre a Escola Cinema Nosso

Cinema nacional obrigatório: você é contra ou a favor?

Por Marcus Tavares
Editor da revistapontocom

A Comissão de Educação do Senado aprovou na última semana projeto de lei do senador Cristovam Buarque que obriga estudantes de escolas públicas e privadas de todo País a assistirem, por mês, a pelo menos duas horas de longas brasileiros. Para virar lei, a proposta deverá ser apreciada pela Câmara dos Deputados e, posteriormente, sancionada pelo presidente da República. Ou seja: pode ser um daqueles projetos que ficam anos em tramitação.

Mas digamos que o projeto seja, em breve, sancionado. Sem dúvida alguma, é uma iniciativa bem-vinda. Mas muitas perguntas ficam no ar. Por exemplo: que longas serão exibidos para os alunos? Cada escola escolhe o que lhe convier? Em que aulas e em que contexto curricular os filmes serão apresentados? Com quais objetivos? Formação ou entretenimento? O cinema será didatizado como, de certa forma, fizeram com a literatura?

Como é que fica a questão dos direitos autorais? Ao pé da letra, as escolas, hoje, estão legalmente impedidas de exibir filmes — nacionais ou estrangeiros — em suas salas de aula sem a devida autorização da distribuidora. Conheço propostas de cineclubes escolares – por exemplo a da própria Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro – que tentam cumprir a lei sem alcançar êxito.

Outra questão: há longas brasileiros suficientes e diversificados para as crianças? O jornalista e escritor João Batista Melo fez as contas: entre 1908 e 2002 foram produzidos 3.415 filmes. Deste total, apenas 70 foram dedicados ao público infantil, sendo a metade deles assinada pelos Trapalhões. O levantamento fez parte da dissertação de mestrado do jornalista “A tela angelical: infância e cinema infantil”, defendida em julho de 2004 no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Em entrevista à rádio do Senado, o senador Cristovam Buarque disse que a proposta vai criar uma demanda para o futuro. Bem, se esta é a ideia, senador, só mesmo para o futuro.

Relacionamentos amorosos entre os jovens

“Eles até falam de um amor eterno, mas têm clareza de que isto é uma coisa muito difícil de acontecer. Eles têm uma visão muito mais pragmática da relação amorosa. Uma visão menos romântica, menos idealizada”, Jacqueline Cavalcanti Chaves

Por Marcus TavaresDoutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Jacqueline Cavalcanti Chaves vem estudando os relacionamentos amorosos entre os jovens desde o início da década de 1990. Suas pesquisas mostram que os jovens são contextuais e pragmáticos quando o assunto é amor. “Eles até falam de um amor eterno, mas têm clareza de que isto é uma coisa muito difícil de acontecer. Eles têm uma visão muito mais pragmática da relação amorosa. Uma visão menos romântica, menos idealizada. Mais condizente com a vida cotidiana deles. Eles esperam viver um amor, mas de uma forma muito mais concreta, no sentido de que nós nos amamos enquanto existe um compartilhamento de interesses sexuais, afetivos, amorosos… O amor existe enquanto existir esta confluência de interesses e de satisfação. No momento em que esta satisfação acaba ou que ela não atende mais não existe razão para continuar. E aí eles são muito pragmáticos”, destaca.

Autora do livro Ficar com – um novo código entre jovens (Editora Revan) e pesquisadora do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio para a Infância e Adolescência Contemporâneas (NIPIAC) do Instituto de Psicologia da UFRJ, Jacqueline acredita que a mídia, em especial a televisão, vem exercendo forte influência no relacionamento amoroso entre os jovens, uma vez que enfatiza modelos calcados na sensualidade, na sexualidade, no corpo, na beleza estética, na fama e no sucesso.

Modelos efêmeros, superficiais e individualistas, nos quais o objetivo a ser alcançado é o prazer próprio e imediato. “Não diria que a mídia produz estes modelos. Mas diria, sim, que a TV, direta ou indiretamente, fertiliza um terreno para que sujeitos mais individualistas e hedonistas cresçam”, analisa.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Que modelos de relacionamentos amorosos a TV veicula?
Jacqueline Cavalcanti Chaves –
A televisão é uma referência identitária para a criança, para o jovem e para o adulto. Na verdade, para qualquer pessoa independente da classe social ou do lugar em que mora. Mas, sem dúvida, por serem sujeitos em construção, as crianças e os jovens sofrem maior impacto dos modelos veiculados pela TV. No que se refere aos relacionamentos amorosos, a leitura que faço é que a televisão, em especial as telenovelas, enfatiza modelos calcados na sensualidade, na sexualidade, no corpo, na beleza estética, na fama e no sucesso. Modelos efêmeros, superficiais e individualistas, nos quais o objetivo a ser alcançado é o prazer próprio e imediato. O outro, nesta relação amorosa, é visto apenas como instrumento, como um meio de acesso ao prazer. A pessoa usufrui este outro até o ponto em que ele lhe dá prazer e lhe interessa. Quando isto não acontece mais, ela dá adeus ou nem isso, simplesmente some. Em várias ocasiões, a TV diz que você tem que sair ganhando, tem que tirar vantagem, tem que ir atrás do seu sucesso e bem-estar a qualquer preço. As mensagens dizem que o que interessa é você, a sua satisfação, a sua realização. Quando faz isso, a televisão cria um terreno fértil para que nasçam e se fortaleçam pessoas preocupadas principalmente ou somente com a própria satisfação. Não diria que a mídia produz estas pessoas ou relações amorosas deste tipo. Mas diria, sim, que a TV, direta ou indiretamente, fertiliza um terreno para que sujeitos mais individualistas e hedonistas cresçam. Minha dissertação de mestrado, desenvolvida no início da década de 1990, já apontava nesta direção. De lá pra cá, o fato de uma pessoa fazer do outro um instrumento de prazer próprio se tornou mais fácil e comum de acontecer. Uma realidade do nosso dia a dia.

revistapontocom – E essa realidade é boa ou ruim?
Jacqueline Cavalcanti Chaves
– É difícil responder isso. É mais difícil ainda dizer que tipo de efeito isso terá sobre o sujeito. E mais: que sujeito será esse mais tarde, quando crescer? Na minha avaliação, é bom e é ruim ao mesmo tempo. Há aspectos positivos e negativos. É uma realidade na qual estamos inseridos, com a qual vivemos e que não temos como ignorar e deixar de lado. O que me parece importante é pensar nos possíveis efeitos que isto tem para as crianças e os jovens. Com certeza, é bom para aquele que some e que não tem que dar satisfação para o outro. Ele não tem que lidar com a dor, com as queixas e com o sofrimento do outro. É, portanto, um lugar muito confortável. Para quem é abandonado é bastante ruim. É muito difícil, sofrido, humilhante e desrespeitoso. Entendo que numa relação social, afetiva e amorosa entre duas pessoas é preciso haver cuidado e respeito. Cuidado e respeito com as necessidades e as diferenças das pessoas, com a integridade de cada uma delas. Respeito significa, por exemplo, dizer ‘Não dá mais’, ‘Não está bom’, ‘Acabou’. Dar, no mínimo, uma satisfação para o outro. Certamente os modelos que a mídia, e mais especificamente a TV, transmitem não favorecem essa prática.

revistapontocom – Essa realidade faz parte do relato dos jovens nos consultórios de psicanálise?
Jacqueline Cavalcanti Chaves
– Sim. Aparece tanto o jovem como vítima quanto o jovem como ator. Aquele que chega porque esta sofrendo por ocupar o lugar do outro que é desrespeitado em sua integridade. E aquele que está totalmente alienado do que está fazendo com o outro. Ao longo do processo analítico, este último acaba percebendo a forma como ele lida e trata o outro. Começa, aos poucos, percebendo a sua dificuldade de perceber o outro como um igual a ele. Ao se reconhecerem nestes papéis, muitos jovens se sentem aprisionados num círculo vicioso, no qual todos agem da mesma forma, muitas vezes em função de uma mídia que reforça o tempo todo estes estereótipos, estas relações e estes valores. “Todo mundo faz assim. Como vou agir diferente? O que eu encontro é isso” – dizem os jovens. A pessoa, portanto, tem dificuldade de encontrar uma forma de ser diferente diante de uma massa que age de uma maneira semelhante. Temos então jovens que não conseguem fazer diferente porque, se agem diferente, se sentem excluídos. Nas entrevistas que fiz para o mestrado e o doutorado, observei esse sentimento principalmente entre os meninos.

revistapontocom – A senhora acredita que este modelo veiculado pela mídia é consciente?
Jacqueline Cavalcanti Chaves
– Também é difícil dizer. Acredito que seja consciente apenas para algumas pessoas. Na verdade, muitas delas nem estão preocupadas com isso. Ou até tem uma certa preocupação, mas a ignoram. A televisão busca audiência. Há uma grande preocupação com o ibope. Se estiver alto, tudo certo, mesmo que o programa esteja abordando um terreno perigoso que requer um cuidado especial. Corre-se o risco, então, de se perder a noção do que é certo e do que é errado e das conseqüências do que aquilo pode ter. As coisas ficam mais centradas no imediato, no momento, no sucesso, no retorno financeiro. O efeito que isso terá sobre crianças e jovens fica em segundo plano. São questões que precisariam ser pensadas, mas que, na maioria das vezes, não fazem parte da cadeia de produção.

revistapontocom – Sua tese de doutorado, defendida em 2004, fala exatamente sobre os relacionamentos amorosos na pós-modernidade e nomeia os jovens dos tempos atuais como contextuais e pragmáticos. Como foi feito este trabalho e quais foram as conclusões?
Jacqueline Cavalcanti Chaves
– Meu objeto de estudo era analisar de que forma determinadas características do nosso tempo estariam estruturando os relacionamentos amorosos entre os jovens. Que efeitos elas produziriam. Trabalhei com diferentes campos do conhecimento, buscando autores da Psicologia Social, da História, da Sociologia, da Filosofia e da Antropologia. Entrevistei 12 jovens cariocas, de classes médias, que tinham entre 18 e 25 anos de idade. A pesquisa mostrou que os jovens são contextuais e pragmáticos quando o assunto é amor. Eles até falam de um amor eterno, mas têm clareza de que isto é uma coisa muito difícil de acontecer. Eles têm uma visão muito mais pragmática da relação amorosa. Uma visão menos romântica, menos idealizada. Mais condizente com a vida cotidiana deles, levando em conta seus interesses e momentos de vida. Eles querem uma relação que tenha respeito, envolvimento amoroso, companheirismo, sinceridade e amizade. Eles esperam que haja romantismo, mas um romantismo não num sentido idealizado de que aquela pessoa é ideal, perfeita. Eles esperam viver um amor, mas de uma forma muito mais concreta, no sentido de que nós nos amamos enquanto existe um compartilhamento de valores, de objetivos de vida, de interesses sexuais, afetivos, amorosos… O amor, para eles, existe enquanto existir esta confluência de interesses e de satisfação. No momento em que esta satisfação acaba ou que ela não atende mais não existe razão para continuar. E aí eles são pragmáticos. Na metade do século passado, existia uma seqüência na vida amorosa, que nem sempre acontecia, mas era respeitada como norma. O usual era flertar, namorar, noivar e casar. Este encadeamento não existe mais. Hoje, o indivíduo tem uma maior autonomia para lidar com sua vida da forma como lhe convém.

revistapontocom – Podemos dizer que tudo isto leva, hoje, a um encurtamento da infância?
Jacqueline Cavalcanti Chaves
– A infância é um conceito construído sócio-historicamente e desta forma pode ser, do mesmo modo, desconstruído. Acredito que isto esteja acontecendo. Pense nos aspectos estéticos, por exemplo, quando uma criança se preocupa com as roupas e com a maquiagem que usa. Cada vez mais características do mundo social dos adultos estão presentes no universo das crianças e dos jovens. As músicas que tocam nas festas infantis fazem mais parte do universo juvenil e adulto do que do das crianças. Vejo que há, sim, um encurtamento da infância ou uma desconstrução da noção de infância tal como definida na modernidade. Se pensarmos nas crianças que começam a trabalhar desde cedo, reforçamos ainda mais esta idéia. O mesmo se dá quando falamos e pensamos nos relacionamentos amorosos que acontecem cada vez mais cedo.

Reproduzido do site Rio Mídia, com autorização e atualização da entrevistada