O corpo cultuado pela mídia

 

Por Isabel Gardenal
Jornal da Unicamp

Uma pesquisa de doutorado sobre hábito alimentar, realizada numa escola pública da periferia de Campinas, revelou um desvio da imagem corporal na percepção de peso dos adolescentes avaliados. Dos 126 alunos selecionados, com idade entre 12 e 18 anos, 74,6% estavam com o peso normal em relação à altura por idade. Em contrapartida, apenas pouco mais que a metade (58%) julgaram adequadamente o seu peso, sendo que 23% estavam acima do mencionado. Quando foram separados por gênero, das 64 meninas estudadas, 17% superestimaram o seu peso, achando que pesavam mais; e dos 62 meninos avaliados, 16,1% o subestimaram, achando-se mais magros do que na verdade eram. O trabalho, defendido na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), é de autoria da nutricionista Ana Lúcia Alves Caram e foi orientado pela gastropediatra Elizete Aparecida Lomazi da Costa Pinto, docente do Departamento de Pediatria da Faculdade.

Segundo Ana Caram, parte desse desvio de percepção pode ser atribuído à busca incessante de uma imagem corporal idealizada por esses adolescentes. A nutricionista sinaliza que, nesta fase, eles estão vivenciando intensas mudanças (somáticas, hormonais e psicológicas) e “fechando” muitas definições. Por esse motivo, o estudo propôs compreender se tais mudanças estariam afetando inclusive a sua alimentação.

Além dos hábitos alimentares, a tese também investigou o estado nutricional e a atividade física dos adolescentes. As variáveis, contudo, convergiram para o entendimento de como andam os hábitos na adolescência. Eles foram avaliados por meio de alguns questionários, que destacaram o consumo de todos os alimentos ingeridos no dia a dia, para verificar se eles tinham transtornos e se praticavam atividade física.

No atendimento clínico, Lomazi e Ana Caram têm visto muitos transtornos no campo nutricional. A substituição do alimento in natura por alimento industrializado ricos em calorias talvez seja o maior deles, pois o alimento industrializado em algumas situações pode apresentar perdas do potencial nutricional, além do acréscimo de aditivos, estabilizantes e edulcorantes. “Obviamente não podemos deixar de salientar que a tecnologia desenvolvida pelas empresas alimentícias também tem a sua contribuição quanto ao desenvolvimento de alimentos de boa qualidade nutricional. O importante é que os consumidores saibam escolher adequadamente seus benefícios. Os alimentos naturais são ricos em fibras – como as frutas, verduras, grãos e cereais, especialmente o farelo de trigo. Essa substituição pode ser complicada, alerta a gastropediatra, por poder gerar problemas de crescimento, sintomas gastrointestinais e dor abdominal. A constipação intestinal foi detectada em cerca de 10% dos adolescentes.

A obesidade infantil no mundo já é um problema de saúde pública, relata Ana Caram. No Brasil da década de 1980, ela estava em torno de 4%, migrando dez anos depois para 14%, um aumento substantivo que dava mostras do seu potencial em curto espaço de tempo. Entretanto, ainda não chegou aos índices de países desenvolvidos como o Canadá, onde a obesidade é hoje notada em 30% dos adolescentes.

Outro dado impactante parte da pesquisa de orçamentos familiares de 2002-2003. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na década de 1970, os jovens brasileiros na faixa etária de 10 a 19 anos já lidavam com o excesso de peso. No período de 1974 a 1975, 7,5% das meninas e 3,9% dos meninos estavam com peso acima do esperado. De 2002 a 2003, houve uma inversão de gêneros, com os índices subindo para 18% entre os meninos e 15% entre as meninas.

Hábito

A maioria da população estudada provou que tinha hábitos adequados. A pesquisa avaliou as peculiaridades de cada alimento e a frequência de consumo por dia. “Paradoxalmente, os relatos da literatura dão conta de afirmar que os adolescentes quase não estão consumindo mais frutas e verduras, enquanto as guloseimas prosseguem em alta”, descreve Ana Caram.

Órgãos como o Ministério da Saúde sustentam que as pessoas deveriam consumir de cinco a seis refeições ao dia, fato observado nesta tese de doutorado. Grande parte dos adolescentes (80%) fazia todas as refeições, mas lamentavelmente 20% iam para a escola sem o café da manhã. “Estudos comprovam que não fazer este consumo pode comprometer a concentração e a taxa de glicemia cerebral, resultando em baixo rendimento escolar. Com a ingestão do café da manhã, segundo alguns artigos, desenvolve-se um fator de proteção contra a obesidade, que é multifatorial”, aponta a nutricionista. Uma boa recomendação de Ana Caram é não pular refeições e nem substituí-las. “Muitas vezes o adolescente deixa de consumir o jantar e o troca por um lanche inadequado. O ideal é que a pessoa consuma arroz, feijão, carnes variadas, como o frango, o peixe e a carne vermelha com baixo teor de gordura, folhas e legumes – um prato bastante colorido, dentro da proporção de suas necessidades nutricionais. Este é o conceito de um prato saudável.”

A pessoa que consome quatro ou mais vezes na semana um determinado alimento é pontuado como hábito. Com relação à constipação intestinal, “não adianta apenas consumir frutas e verduras. Tem que beber muito líquido e ingerir muitas fibras, presentes também nos cereais; e lactobacilus associados, para ter um bom trânsito intestinal”, afirma a nutricionista.

Um dos principais achados da pesquisa foi a apuração do hábito dos adolescentes comerem arroz, feijão, pães, frutas e verduras. A despeito do presente estudo demonstrar superioridade nesse consumo, o que se percebe são muitas investigações variando neste sentido e vários mostrando o baixo consumo de frutas e verduras .

De outra via, mais de 90% dos adolescentes relataram praticar atividade física. Apesar de a população se mostrar saudável, pelo fato de comer adequadamente e praticar alguma atividade física, mesmo assim a pesquisa encontrou 23% dos adolescentes acima do peso, descortinando um alto consumo de doces e guloseimas como hábito.

Políticas

Lomazi se diz satisfeita com os resultados obtidos na tese, porque a população em questão representa um nível que, mesmo com algumas dificuldades econômicas que se refletem na qualidade da alimentação, não exemplifica um estrato social que vai se alimentar somente do que é supérfluo, industrializado e de maior custo. “Tem uma alimentação saudável e está muito bem em relação aos seus hábitos. Isso chega a surpreender.”

A gastropediatra acredita que alguns desencontros quanto ao que é saudável, como a questão do desjejum e hábitos relacionados com excesso de caloria vazia (alimentos que apenas têm energia e baixo teor de proteínas, vitaminas e sais minerais), poderão ser trabalhados nesta população. Um programa de educação nessa área seria fundamental, centrado na importância do desjejum, do consumo de todas as refeições de uma forma adequada, como o jantar à mesa, em casa para profilaxia da obesidade, e da fibra na profilaxia da constipação. “Propomos a identificação de problemas, demarcando o que é erro alimentar e tentando envolver na ação não somente a nutricionista, mas toda a equipe escolar, desde a diretora até a cozinheira que oferecerá a merenda”, destaca a médica. A ideia é que, educando crianças e adolescentes, sejam prevenidas as doenças crônico-degenerativas tão comuns no adulto, em sua melhor fase.

Testando os potenciais de um ambiente escolar para prevenir as doenças decorrentes do hábito alimentar no futuro, Ana Caram ressalta que o carboidrato identificado nesses adolescentes teve a ver em particular com as guloseimas, que devem ser desestimuladas, por não serem saudáveis. Outros carboidratos em geral estão presentes na base da pirâmide alimentar e são de boa qualidade, devendo ser encorajados. São eles os pães integrais, o arroz integral, os cereais e mesmo as frutas, fontes de frutose, que não entram na base da pirâmide, todavia vêm um pouco acima da base, consideradas alimentos reguladores do metabolismo.

Para a gastropediatra, algumas ações serão interessantes como algum subsídio para o alimento mais saudável, impostos maiores para alimentos supérfluos e de ação de marketing apontando os efeitos deletérios do excesso de caloria, sódio e gordura, como a feita no caso do cigarro. “Ressaltar os efeitos prejudiciais do cigarro tem trazido sensibilização. Isso já foi feito com relação às gorduras trans, quando as pessoas passaram a entender que elas estão ligadas a doenças degenerativas. Hoje a população confere os rótulos desses produtos antes de comprá-los.”

No próprio currículo escolar, a alimentação saudável deveria ganhar destaque. Por esta razão, Ana Caram desenvolveu na escola estudada um workshop envolvendo professores e adolescentes. Nele abordaram-se temas como a obesidade, o transtorno alimentar e o conceito de alimentação adequada. Os próprios adolescentes elaboraram seminários e pesquisaram com a participação dos professores. O material está disponível na instituição, pois a proposta é multiplicar este conhecimento.

7ª Semana de Poesia e Literatura da TV Escola

Atenção pequenos grandes poetas: estão abertas as inscrições para a 7ª Semana de Poesia e Literaura da TV Escola. Alunos de todo Brasil poderão participar do quadro intitulado Pequenos Leitores, Futuros Poetas, enviando seu vídeo de até dois minutos com criações próprias ou de outros autores, nacionais e internacionais. A produção deve ser enviada até 30 de setembro para: 7ª Semana de Poesia e Literatura – Rua da Relação 18, 4º andar – Centro – Rio de Janeiro – RJ / CEP:20.231-110. Mais informação no site da TV Escola.

Assista ao vídeo

Google: é possível ser mais rápido

  

O Google agilizou sua ferramenta de busca ao lançar nesta quarta-feira um novo produto, o Clique Google Instant, que mostra os resultados enquanto o usuário digita o que procura. O mecanismo promete economizar de dois a cinco segundos em cada busca. Anteriormente, os resultados da busca só apareciam após apertar a tecla “Enter” ou clicar em “Busca”. A nova ferramenta também “prevê” o que se está buscando com mais precisão do que ocorria antes.

“Essa é uma busca na velocidade do pensamento”, afirmou Marissa Mayer, vice-presidente do Google para ferramentas de busca, durante a apresentação do produto no Museu de Arte Moderna de São Francisco, nos EUA. Durante a demonstração, ela digitou a letra “w” e uma lista de links sobre o tempo (weather, em inglês) apareceu na tela, juntamente com imagens mostrando a temperatura. “Estamos adivinhando qual o termo é provável que você esteja procurando e oferecendo resultados para essa busca.”

O Google calcula que um usuário comum gaste nove segundos digitando o que pretende procurar e outros 15 segundos olhando para os resultados encontrados. O Google Instant já está disponível para as versões do buscador dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Espanha e Rússia para quem usa os navegadores Chrome 5 ou 6, Firefox 3, Safari 5 para Mac e Explorer 8. A ferramenta para as outras versões será lançada nos próximos meses. A empresa informou que usuários de domínios que não sejam o Google.com podem acessar a nova ferramenta apenas se eles estiverem conectados em sua conta do Google.

Desafio para Microsoft

Para Harry McCracken, do blog Technologizer.com, o Google está apostando todas as fichas na crença de que velocidade é tudo.
“Economizar alguns segundos não é lá essas coisas. Uma das minhas primeiras impressões é a de que verei resultados que não quero até eu digitar o suficiente para que ele saiba o que eu quero exatamente”, afirmou McCracken em entrevista à BBC.

O especialista em tecnologia Robert Scoble afirmou que o Google Instant traz um grande desafio para a Microsoft e seu buscador, o Bing.
“A ferramente muda dramaticamente a maneira como eu faço minhas buscas. Acredito que é um grande salto, que acaba deixando o Bing bem menos interessante e obriga a Microsoft a agir.”

Fonte – BBC Brasil

A felicidade paradoxal: ensaios sobre a sociedade de hiperconsumo

Resenha do livro de Gilles Lipovetsky
Por Roberta Nardi

“Quem fala da felicidade com freqüência tem os olhos tristes”
– Louis Aragon

Quem não deseja ser feliz? Sentir-se completo, satisfeito com a vida e usufruir de tudo o que lhe proporciona prazer? A partir deste questionamento presente em praticamente todos os indivíduos da sociedade contemporânea Gilles Lipovetsky, filósofo e pesquisador francês, remete-nos a pensar sobre os intermináveis paradoxos de felicidade que pairam sobre a sociedade do hiperconsumo em seu novo livro A Felicidade Paradoxal.

O autor divide o livro em duas partes: 1) A sociedade do hiperconsumo e 2) Prazeres privados, felicidade ferida. Na primeira parte, ele apresenta, a partir de três marcos específicos, a evolução do capitalismo de consumo e seus desdobramentos na vida moral, afetiva e social dos indivíduos. A fase I, com início por volta de 1880 e término marcado pelo fim da Segunda Guerra Mundial, é caracterizada pelo autor como a fase da distribuição. A partir do desenvolvimento dos mercados nacionais e a facilidade para escoação da produção das indústrias que evoluíam a cada dia.

A fase II, com início por volta dos anos 1950 que se estendeu até meados de 1980, é marcada principalmente pela lógica da quantidade, da produção em larga escala, o consumo de massa, com o que se chamou de “a sociedade da abundância”. A facilidade de acesso a bens e serviços, a praticidade dos eletrodomésticos e principalmente o “nascimento” do sentimento de competitividade entre as empresas, culminaram com a invenção do marketing que por sua vez, focou a atenção das corporações para as constantes necessidades e satisfação do cliente.

Após o boom do consumo dos anos 50, a fase III se caracterizou principalmente pela relação emocional do indivíduo com a mercadoria. Passado a euforia do consumo de massa característico das décadas anteriores, o consumo da terceira fase é norteado acima de tudo pela satisfação do “eu”, a busca pelo bem-estar.

Enquanto a fase II trouxe para o presente o momento de satisfação da compra, o status a partir de automóveis, eletrodomésticos, roupas, etc. Na fase III, a ostentação deixa de ser o principal motivo que induz ao consumo, dando início à era do bem-estar, onde o acesso ao conforto, satisfação dos prazeres passa a ser a principal motivação para a felicidade.

O autor traz em diversos momentos do livro comparações entre o estilo de vida norte-americano, durante o ápice do consumo de massa e a sociedade francesa, que ainda mantinha um ritmo distante do acelerado mercado de inovações e consumo dos EUA.

O consumo emocional, diferente do marketing tradicional, passa a mostrar para o consumidor a importância da experiência e das memórias afetivas ligadas à marca. A partir de experiências sonoras, odores de lojas e ambientes diferenciados, estimulam os sentidos, envolvendo o consumidor que compra não mais pela qualidade do produto, mas pelo seu conceito e visão de vida. É o imperativo da imagem a partir do imaginário da marca.

Na sociedade do hiperconsumo, não se reprimem mais os “abusos” do consumo. Pelo contrário, neste momento, os indivíduos não compram mais tão motivados pela pressão social, mas motivados pela vontade, para a satisfação do próprio prazer. Vivemos num momento de hedonismo, onde o indivíduo necessita para a visibilidade social se apresentar como pleno, satisfeito e feliz.

“Sofro, logo compro”, representa a ideia central do que Lipovetsky analisa como sendo as compras o ópio da sociedade que, quanto mais isolada e frustrada com a solidão, tédio do trabalho, fragmentação da mobilidade social, segue buscando o consolo na felicidade imediata proporcionada pelas mercadorias. A carência suprida pela compra, pelas vivências extraordinárias proporcionadas pela indústria de experiências  e dos shoppings centers, apresentados como espaços de abstração e divertimento para todos a qualquer hora.

Em suma, o consumo como forma de fazer transparecer a condição de felicidade propiciada pelas novas experiências.
Na segunda parte do livro, Prazeres privados, felicidade ferida, são apresentadas reflexões sobre como questões referentes aos desejos e frustrações provocados a partir do impacto dos valores da publicidade e do individualismo são processados pelos indivíduos. Nesta fase, a sociedade caracterizada como livre defronta-se com mais paradoxos: é livre pelo direito conquistado pelas escolhas e diversidade de opções, e ao mesmo tempo está presa pelas condições impostas pelo mercado, pelas amarras da publicidade, valores culturais e pelas frustrações que não consegue superar.

O autor aponta então o uso das “pílulas da felicidade” como sendo a medicalização a saída encontrada para resolver as síndromes, pânicos e depressões decorrentes não apenas do não saber lidar com situações de fracasso, mas também como uma forma de fuga de enfrentamento de problemas reais e aceitação social.

Por fim, o autor observa que a sociedade do hiperconsumo, assim como as fases anteriores, também tem um “prazo de validade” corrente. E que sua exaustão se dará, principalmente, a partir, da inversão dos valores atuais. Onde não mais será exaltado o “super-homem”, perfeito e sem fraquezas; e o hedonismo já não constituirá o princípio estruturante da vida. Comprar, adquirir e renovar não mais serão atos ligados diretamente ao alcance da felicidade.

Com uma importante contribuição para a compreensão do sentido da felicidade e do bem-estar nas sociedades modernas, o autor traz em seu trabalho reflexões sobre o futuro da era do pós-hiperconsumo, a produção de sentidos na contemporaneidade, sobre a sociedade da hipervalorização do “eu”. Faz-se necessário o entendimento que, embora a felicidade ainda seja o principal motivador das conquistas individuais, nem sempre poderá estar aguardando como um “fabuloso destino”. Homens e mulheres precisam aprender a sustentar e trabalhar com suas frustrações sem a necessidade imediata do ópio da mercadoria efêmera.

A TV pelo olhar de quem vê

  

No dia 18 de setembro de 2010, a tevê brasileira completou 60 anos. Para comemorar a data, o programa Salto para o Futuro, da TV Escola, produziu uma série de cinco programas sobre o tema. Sob a consultoria da professora Rosália Duarte, da PUC-Rio, a série teve como proposta analisar e discutir o lugar ocupado pela televisão na vida cotidiana, tendo em vista que esta é a mídia mais utilizada pela maioria da população brasileira. A tevê integra o cotidiano de milhões de pessoas, atravessa a formação e a prática profissional, é parte da vida política e é presença importante nas relações familiares.

A questão foi abordada privilegiando o ponto de vista dos espectadores. Também se buscou analisar as contribuições que a tevê oferece e que pode vir a oferecer à educação em geral e à escola em particular. Além dos programas de TV, a produção do programa também disponibilizou textos sobre o assunto: TV e vida cotidiana; A emergência do espectador; e As crianças e a TV.

“O cenário atual – em que a TV no Brasil faz 60 anos e em que a TV digital abre novas possibilidades de interação – mostra-se pro¬pício às reflexões propostas tanto nos tex¬tos como nas reportagens e entrevistas dos programas. É preciso também considerar as novas possibilidades de se ver e fazer TV que surgem com a crescente integração de mídias (TV, computador, câmeras de vídeo e fotográficas, telefones celulares com câ¬meras acopladas). Nesse contexto, tanto a produção quanto a veiculação de programas podem ser feitas de forma mais democrá¬tica. Na escola, essa possibilidade sugere a importância de novas mediações, outras for¬mas de ensinar e aprender com a TV. Essa é a contribuição que pretendemos oferecer com esta série”, destaca Rosa Helena Mendonça, supervisora pedagógica do programa.

 Clique aqui e leia alguns textos sobre os temas da série

Confira, abaixo, os programas produzidos:

– TV e vida cotidiana
A emergência do telespectador
A criança e a tevê
Outros olhares sobre a TV e os espectadores
TV e espectadores em debate

Educação: as propostas dos presidenciáveis

Como universalizar o acesso à Pré-Escola até 2016? O que precisa ser feito para que o Ensino Médio avance? Qual é o seu posicionamento em relação aos projetos de redução da maioridade penal? Essas e muitas outras questões foram levadas aos candidatos à presidência da República com maiores índices de intenção de votos por nove jornalistas. Convidados pela Agência Nacional dos Direitos da Infância (Andi) para participar de uma coletiva virtual com os presidenciáveis, eles abordaram ainda outros temas polêmicos e relevantes para a agenda social brasileira como o trabalho infantil, o aborto e os altos índices de mortalidade materna.

Participaram da entrevista Gabriel Grossi (revista Nova Escola – Editora Abril), Henriqueta Santiago (Correio da Paraíba), Antônio Gois (Folha de S. Paulo), Ana Célia Ossame (A Crítica, do Amazonas), Daniela Arbex (Tribuna de Minas), Marcelo Canellas (Rede Globo de Televisão), Eugênio Esber (revista Amanhã), Eliane Brum (revista Época online) e Aureliano Biancarelli (jornalista free lancer).

Confira o resultado da entrevista

A gaiola das cabeçudas


 

Por Marcus Tavares

Talvez, você já tenha visto ou escutado a música na ponta da língua dos seus alunos. Gaiola das cabeçudas é o nome do clipe musical criado pelos comediantes Marcelo Adnet e Rafael Queiroga, apresentadores do programa 15 minutos da MTV. O batidão, inspirado em letras de outros funks de sucesso, tem o objetivo de ser erudito e conteudista. Em quatro minutos, o clipe cita 40 intelectuais, entre escritores, músicos, escultores, cientistas, filósofos, pintores e dramaturgos. Postado no You Tube, o vídeo já foi acessado cerca de 430 mil vezes.

Em entrevista ao caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo, Marcelo Adnet disse que a letra pode “servir de resposta a quem reclama da falta de conteúdo do funk”. Foi exatamente por isso que o comediante compôs a música. Há cerca de quatro meses, os apresentadores leram no ar um e-mail de um telespectador que perguntava porque as letras de funk precisavam ser grosseiras.

Recentemente, a revista Megazine, do Jornal O GLOBO, publicou uma matéria com o seguinte título: Professores aprovam ‘Gaiola das Cabeçudas’ na sala de aula para despertar interesse dos alunos. A matéria entrevista os professores de filosofia Max Ribeiro, do Ponto de Ensino, e Rafael Pacheco, do Centro de Educação e Cultura. O interessante é ler os comentários dos internautas. Estes se dividem quanto a utilidade do funk na sala de aula.

Eis um exemplo:

Apesar de partir de uma ideia bem criativa, o vídeo do Adnet é incrivelmente sem graça. Ele já fez coisas muito mais interessantes. Além disso, não entendi esse apoio dos professores que a reportagem menciona, a música não tem conteúdo educativo nenhum. Ela não diz nada, no máximo menciona um nome (por exemplo Lutero), mas não dá conteúdo nenhum (“é protestante”.. e daí, o q ele fez? pq foi importante? nada) Pode servir pra quebrar o gelo antes de uma aula de verdade, mas por si só não tem valor. (Érico)

Para aqueles que não entenderam o que está acontecendo, vou dar uma pista!Tudo esta mudando e os que não aceitarem ficarão de fora da nova estrada. Podemos não gostar, mas essa é a nova realidade!Daqui a 30 anos a maioria de nós não estará mas vivo, e se não adaptarmos da melhor forma possível o que consideramos ser qualidade ou conteúdo para as gerações futuras, eles ficarão no meio do mar aberto, sem vento.Parem de reclamar e criem novas possibilidades de levar educação a todos!! (Washington Rosa)

Perguntado pela Folha de S. Paulo quantos daqueles intelectuais citados na música ele tinha lido, Marcelo Adnet respondeu: “Pouquíssimos. Falar é fácil, ler é mais difícil”
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A revistapontocom pergunta: e você leitor, o que acha? Deixe aqui o seu comentário.

Canudinhos de refrigerante e divisão celular

Pesquisa testa método que utiliza modelos práticos para facilitar a aprendizagem. Alunos do Ensino Médio melhoraram a compreensão

Cromossomos, cromatina, centrômero, centríolo. Os termos são capazes de dar um nó mesmo na cabeça de muitos adultos. Que dirá na de jovens que têm que aprender ainda no ensino médio os conceitos abstratos da divisão celular – fenômeno que ocorre quando as células se dividem e repartem o seu material genético. A pesquisadora Cleonice Miguez, mestre em Ensino de Ciências pela UnB, descobriu uma forma mais eficaz de ensinar a matéria.

Cleonice partiu de uma ideia simples. “Um dos meus alunos estava com uma dificuldade enorme de entender o assunto. Fui à cantina e peguei canudos para ilustrar a explicação, a partir daí ele começou a compreender”, conta Cleonice, que dava aulas de Biologia numa escola particular. “Utilizamos os canudos para representar os cromossomos, que são moléculas inteiras de DNA”, explica. Toda célula humana tem 46 cromossomos que se duplicam para formar duas novas células.

Os alunos recriaram todo esse processo usando canudos vermelhos, para os cromossomos herdados da mãe, e azuis, para os que vieram do pai. Em uma das práticas, dois alunos ficam de frente um para outro, sentados em carteiras. Em cima das mesas existem 8 canudinhos, amarrados em pares, cada um deles formando um “X”. O conjunto forma uma célula pronta para divisão, com os cromossomos duplicados.

Para fazer a divisão celular, cada membro da dupla puxa um canudinho amarrado a outro, separando-os. No conjunto, as duas carteiras  separam-se, com as metades dos cromossomos duplicados – as cromátides. Nas duas vê-se 4 canudos, 2 paternos e 2 maternos (veja infográfico).

O método dos canudinhos foi aplicado em uma turma de 23 alunos de um curso supletivo de ensino médio, em uma escola pública. Para avaliar os resultados, Cleonice realizou testes antes e depois da experiência. Além disso, dez alunos foram entrevistados e todas as aulas foram filmadas. Todos assinaram termos de consentimento para participar da pesquisa, que foi aprovada em Comissão de Ética da UnB.

Metodologia

“Os testes revelaram uma melhoria na compreensão dos alunos”, conta Cleonice. Segunda ela, as dificuldades que surgiram foram naturais, levando em conta as deficiências do ensino público. “Surpreendeu a forma como eles compreenderam o tema”.
Os vídeos, por sua vez, foram usados para identificar alterações na dinâmica das aulas. “Percebemos que os alunos ficaram mais participativos. Muitas vezes eles adiantavam-se às perguntas da professora”, afirma Cleonice. “Já nas entrevistas, propusemos que os alunos explicassem um caso específico: a síndrome de Down”.

Segundo a pesquisadora, a deficiência surge de um erro na divisão celular, que resulta num número maior de cromossomos na célula. “Estimulamos os alunos a tentar explicar por que isso acontece”. Todos conseguiram responder satisfatoriamente a pelo menos 3 das 4 perguntas. “Isso demonstra a capacidade de aplicar o conhecimento em situações diferenciadas, o que mostra que eles de fato aprenderam”.

Aplicação

Cleonice destaca que a pesquisa sinaliza novos caminhos para o ensino de ciências. “São métodos baratos e de fácil aplicação. Além disso, tira o aluno da posição de espectador, já que ele mesmo pode reproduzir as fases da divisão celular”, afirma. A dissertação foi orientada pela professora Maria Luiza Gastal, do Núcleo de Educação Científica e co-orientada pela professora Louise Brandes, do curso de Licenciatura em Ciências Naturais da UnB.

Louise chamou atenção ainda para as características da turma. “Era curso supletivo com pessoas de várias idades, muitos vieram de várias reprovações. Mesmo assim os resultados surpreenderam”, elogia. Cleonice acredita que isso é uma alternativa a mais para os professores. “O conhecimento científico não é pronto e fechado, mas é um processo em constante construção. A experiência com os canudinhos ajuda-os a perceberem isso”.

Fonte – UNB

CTAv empresta equipamentos de audiovisual

Boa notícia para quem tem uma ideia na cabeça, mas nenhuma câmera na mão. O Centro técnico do Audiovisual, da Secretaria do Audiovisual, está disponibilizando para empréstimo kits de gravação para pessoas físicas e ou produtoras independentes.

De acordo com o site do instituto, o kit é composto de: uma Câmera Panasonic modelo SDR SW20 à prova d’agua; dois tripés; dois refletores; lâmpadas palito 1000w; dois porta gelatina com difusor de luz; microfone TSI-Modelo pro MS- 115 sem fio, transmissor VHF lapela; microfone TSI – modelo pro MS – 115 sem fio, transmissor VHF, microfone de cabeça.

Para conseguir o empréstimo, o interessado deve preencher a ficha de inscrição e enviar um projeto escrito. Confira as normas: http://www.ctav.gov.br/servicos/emprestimo-de-equipamentos.

Mais informações enviar email para: comunicacao.ctav@cultura.gov.br

Redes sociais e sites de relacionamento: em busca de comunidades

Por Raquel Recuero
Jornalista, professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Letras e do curso de comunicação social da Universidade Católica de Pelotas

Sites de rede social, como o Orkut, o Facebook e o Linkedin, trouxeram uma novidade importante para pesquisadores de várias áreas: eles proporcionaram que as pessoas passassem a publicar informações relacionadas a suas redes de relacionamento. Essas ferramentas, portanto, proporcionaram que os grupos sociais fossem reinscritos no ciberespaço e que pudessem ser estudados, assim, através dessa representação. Esses sites, portanto, não são propriamente redes sociais, mas representam redes. E o que são redes sociais?
Redes sociais são metáforas utilizadas para grupos de pessoas, como forma de estudar as estruturas sociais. A partir dessa perspectiva, representam-se as redes sociais através de nodos (ou nós) – os indivíduos – e suas conexões. Mas qual é a natureza dessas conexões? Como elas são modificadas pelos sites de rede social?

Conexões sociais

As conexões entre os indivíduos na sociedade são comumente referidas como laços sociais. O processo é mais ou menos assim: imagine que você hoje foi até uma padaria nova, próxima da sua casa. Ali, enquanto comprava pão, você conheceu o padeiro, José. A partir dali, uma série de obrigações, decorrentes das normas sociais passam a existir, como, por exemplo, o cumprimento. Agora que você conhece José, espera-se que você o cumprimente quando o encontrar na rua. Com o passar do tempo, se você continuar frequentando a mesma padaria, poderá conhecer José melhor, saber que é casado e tem duas filhas, que torce para um determinado time de futebol e, até mesmo, onde José vai passar o feriado. Esse é o processo de criação e estabelecimento daquilo que os cientistas sociais chamam de laço social. É a conexão que une os indivíduos em uma sociedade. Esse laço é, portanto, constituído de interações, trocas que são estabelecidas através da conversa, do agir no espaço social. Com o tempo, essas conexões podem ser aprofundadas, compartilhando-se intimidade e amizades.

Foi um cientista social chamado Mark Granovetter quem primeiro propôs examinar essas conexões a partir de sua força. Para Granovetter, os laços sociais poderiam ser classificados em fortes e fracos, ou seja, naqueles onde há intimidade e proximidade entre os agentes, os laços fortes – por exemplo, o laço que você divide com seus amigos –, e aqueles onde esses elementos não estão presentes – como os laços que você divide com seus “conhecidos” –, chamados laços fracos. A percepção de que as conexões que formam a estrutura social são diferentes ajudou também a compreender uma série de outros elementos, como a circulação de informações nos grupos. Granovetter descobriu que os laços fracos são aqueles mais fundamentais para quem, por exemplo, busca um emprego. É principalmente através desses laços que as informações a respeito de novas vagas chegam a potenciais candidatos. Essas conexões vão fazer emergir a estrutura dos grupos sociais. Além disso, compreender a natureza dessas conexões também auxiliou vários pesquisadores a perceber que tipo de valores são gerados nessas redes e como esses valores motivam os indivíduos a criar, manter e remover conexões.

O capital social

Os valores gerados nas redes sociais são comumente referidos como capital social. Essa ideia foi discutida por inúmeros pesquisadores e foi, quase sempre, associada aos valores conectados com o pertencimento a um determinado grupo. Por exemplo, o fato de você jogar futebol todo o domingo com um grupo de amigos dá acesso a valores específicos. O primeiro e mais óbvio deles é a possibilidade de divertir-se com o grupo. Ora, futebol é um esporte coletivo, que só pode ser jogado se um grupo de pessoas entra em acordo e participa do jogo. Outro valor poderia ser, por exemplo, a informação a respeito dos próximos jogos, que circula dentro do grupo e que permite que você continue a jogar. As amizades que podem surgir do jogo e passar a outras esferas também são um valor. Até mesmo ser convidado para tomar uma cerveja depois do jogo com o grupo é um valor. Assim, fazer parte de um grupo dá acesso a todo um conjunto de vantagens, o que é chamado capital social.

O capital social, no entanto, depende do seu tempo e vontade em manter suas conexões sociais. Os valores a que você tem acesso no grupo do futebol, por exemplo, só persistem enquanto você investir seu tempo em continuar jogando com o grupo. Se você para de jogar e perde o contato com o grupo, perde também o acesso aos valores a ele associados. Assim, o capital social é também relacionado à manutenção das conexões sociais.

Os sites de rede social

Quando passamos nossos grupos e redes para os sites de relacionamento, no entanto, as coisas mudam. Um primeiro efeito é o fato de que você pode “adicionar” à sua rede quem você quiser. Isso significa que você pode ter mil, dois mil, ou três mil amigos no Orkut, se tiver vários perfis. Só que na vida offline, isso não acontece. Isso porque ter tantos amigos dá trabalho – você precisa investir tempo e sentimento para manter um laço social – e necessita de algum comprometimento. Além disso, suas conexões no Orkut nunca desaparecem, a menos que você as delete ou que os demais indivíduos saiam de lá. Ao contrário dos laços sociais offline, os laços representados nos sites de relacionamento não sofrem pela falta de investimento de tempo e permanecem mantidos pelo sistema do site. Isso gera alguns efeitos diferentes. A rede, por exemplo, torna-se artificialmente grande. Enquanto no offline vários de nós têm um número pequeno de amigos, nesses sites, todo mundo é seu amigo. Outro efeito é o fato de que os indivíduos têm acesso a tipos específicos de capital social dentro dessas ferramentas, mesmo sem precisar interagir com os outros. Você pode ser, por exemplo, extremamente famoso no MySpace, mas ser um desconhecido na vida offline. Pode também ter acesso a informações que normalmente não seriam acessíveis a você, pelo fato desses sites permitirem que você acompanhe outras redes de outras pessoas. Você pode conhecer mais sobre outras pessoas nessas ferramentas, sem precisar perguntar a ninguém. Assim, os sites de rede social proporcionam acesso a formas de capital social que independem da interação social e que, tradicionalmente, estariam associadas a ela.

As comunidades nos sites de rede social

Outro impacto importante está naquilo que conhecemos por comunidade. Tradicionalmente, comunidade, para os cientistas sociais, é um conceito associado a um grupo de pessoas que divide proximidade, intimidade, confiança e outros tipos de capital social. Ferdinand Tönies, por exemplo, define comunidade como um grupo de pessoas que divide relações afetivas, íntimas e próximas, de uma forma quase idealizada. Esse tipo de comunidade está associado diretamente aos laços fortes e à intimidade construída entre os indivíduos e, portanto, refere-se a grupos pequenos de pessoas. No entanto, nos sites de rede social, a ideia de comunidade foi popularizada com outro sentido: tornaram-se grupos, focados na associação de pessoas com relação a uma ideia. A interação, necessária para a intimidade, na definição de Tönies, por exemplo, não era mais necessária. Assim, temos um novo tipo de comunidade, decorrente da associação entre os membros, completamente independente da interação social, mas que dá, a esse grupo, acesso a determinados valores. São comunidades mantidas pelos sites.

Essas comunidades são fundamentalmente diferentes de outros tipos de agrupamentos que encontramos em outras ferramentas. Em chats, por exemplo, a comunidade está diretamente associada à participação dos indivíduos. Essa participação vai além da simples associação ao grupo e é conectada com a interação e o investimento no próprio grupo. Se ninguém participa do chat, por exemplo, ele não se mantém e não há criação de grupos. Para ter acesso aos valores gerados pelo grupo, num canal de chat, é preciso participar. Ou seja, enquanto comunidades mais tradicionais estariam associadas a redes sociais de laços fortes, menores, onde os indivíduos estão mais interconectados (todos se conhecem) e mais próximos (todos interagem com todos regularmente), nos sites de relacionamento, essas comunidades podem representar grupos imensos, compostos por alguns ou nenhum laço social (simplesmente “associados ao grupo”) e desconectados entre si. Mas, individualmente, esses indivíduos teriam acesso aos valores do grupo.

Temos, portanto, outra diferença fundamental. As comunidades nos sites de rede social tendem a ser associativas e não emergentes como em outras ferramentas. Trata-se de outro efeito da manutenção artificial das conexões sociais estabelecidas. Assim, como a participação não é necessária para assegurar acesso aos valores dessas comunidades dos sites de rede social, elas passam a perder seu sentido. Comunidades do Orkut hoje, por exemplo, são simples afirmações identitárias. Perderam seu sentido de grupo e passam a ser simplesmente cartões que dizem quem os indivíduos são. Ser “dono” de uma comunidade tem valor apenas pelo número de “associados” que ela tem e não mais pela relevância das discussões que ali acontecem.

Esse impacto é profundo, pois os sites de rede social passam a não apenas criar novos valores sociais mas, igualmente, a modificar a forma através da qual os indivíduos têm acesso a esses valores. Mais do que isso, modifica também elementos sociais que eram tradicionais dos grupos, como a necessidade de investimento de todos os participantes. Esse é um debate que ainda está em seu início, bem como a análise e a compreensão de todos os efeitos que essas ferramentas acabam por conferir aos grupos sociais. É certo, no entanto, que elas tornam as estruturas sociais mais complexas, criando canais alternativos por onde capital social e valores como informações passam a circular.

Artigo originalmente publicado no site ComCiência – www.comciencia.br

Direto da poltrona: o olhar da TV

“Televisão vicia?  Não. Mas pode ser um mau hábito. E quem fala isso é uma pessoa que adora TV desde criança. A televisão traz um certo comodismo. Como já disse Homer Simpson: é um programa colorido atrás do outro, do outro, não consigo largar”, afirma Ale Rocha.

    

Por Marcus Tavares

Por problemas pessoais, ele tornou-se um telespectador assíduo. E lá se vai quatro anos. A assiduidade o transformou em crítico de TV a ponto de criar um blog só sobre o assunto: o poltrona, que traz informações, comentários e análises sobre a telinha brasileira. Só para se ter uma ideia, Ale constatou que o volume dos comerciais é maior do que o da programação. Fato inclusive relatado pela Folha de S. Paulo em sua última edição do caderno Ilustrada.

Foi exatamente por este envolvimento com a televisão que a revistapontocom, que já deu voz e vez a pesquisadores e acadêmicos sobre a qualidade, o uso e a interface entre criança, jovem e a TV, resolveu ouvir Ale Rocha. Afinal, que avaliação Ale faz da tevê brasileira? Qual é a análise do telespectador que se dedica a assistir a tudo o que é oferecido pela TV?  Além de assinar o blog, Ale Rocha é colunista do Yahoo! e colabora para outros veículos que cobrem a programação da tevê.

Leia a entrevista, analise e faça também o seu comentário.

revistapontocom – De que forma você constatou que o volume dos comerciais é maior do que a programação?
Ale Rocha –
Sempre notei como telespectador. Alguns canais me incomodavam mais que os outros, mas todos sempre apresentavam variações. Até que passou a incomodar também meu filho. Vendo televisão durante à noite, notava que ele dava uma reclamada do quarto, enquanto dormia, pelas alterações de volume.

revistapontocom – Esta constatação significa que…
Ale Rocha –
Significa que as emissoras abertas e os canais pagos não respeitam a legislação, que proíbe esse tipo de variação. Desrespeito ao telespectador.

revistapontocom – Na sua visão, trata-se de uma grande estratégia de marketing da TV?
Ale Rocha
– Se for, é uma estratégia burra, pois, no mínimo, eu abaixo o som. Em alguns casos, mudo de canal. Além de não assistir ao comercial, corro o risco de não voltar para assistir ao que eu estava vendo anteriormente. Perde o anunciante, perde a emissora.

revistapontocom – Muito se fala que a programação da TV é feita, na verdade, para ‘rechear’ os comerciais. Você concorda?
Ale Rocha
– Discordo. Há um modelo que sustenta a TV. O comercial está neste modelo. Logo isso vai ter que mudar, com a internet ganhando espaço, além de outros recursos, como o gravador digital, que permite avançar os comerciais. Mas, hoje, os comerciais são necessários. E não, não são o principal destaque da televisão. As atrações ainda prevalecem.

revistapontocom – Televisão vicia?
Ale Rocha
– Não. Mas pode ser um mau hábito. E quem fala isso é uma pessoa que adora TV desde criança. A televisão traz um certo comodismo. Como já disse Homer Simpson: “é um programa colorido atrás do outro, do outro, não consigo largar”. Ver televisão demais pode isolar as pessoas. Mas isso também ocorre com música ou internet. Nada que é demais é bom.

revistapontocom – O que você acha da Classificação Indicativa dos programas de TV?
Ale Rocha
– Acho válida. O problema é como ela é feita. Quem classifica? Com que critérios? Não é muito claro e transparente. Acho necessário que a classificação exista, como forma de orientação. Mas o que temos hoje, com horários estipulados, ainda lembra a boa e velha censura.

revistapontocom – Televisão aberta é coisa para criança e jovem?
Ale Rocha
– Televisão aberta é para toda a família. Cada faixa etária pode encontrar opções. Claro que o Cine Privé da Band não é para crianças, assim como a TV Globinho não é para a terceira idade. Sou defensor da TV aberta. Tem muita coisa ruim? Tem. Mas há ótimas atrações. Volta e meia aparece uma novela de qualidade, caso das atuais Passione e Ti-Ti-Ti. Há programas de humor chatos, mas outros bons, como Furo MTV, Comédia MTV e CQC. Há o Profissão Repórter, A Liga etc. Basta procurar que as opções estão disponíveis.

revistapontocom – Que nota você dá para a televisão brasileira?
Ale Rocha
– Dou nota 7 para a televisão aberta brasileira. Acho que há uma boa programação. Sofrível em alguns horários e dias, mas muito boa em outros. Há pouco tempo, era difícil escolher o que assistir em uma terça-feira, por exemplo. O Aprendiz? E-24? Força-Tarefa? Profissão Repórter?

revistapontocom – Por que você se interessou tanto pelo tema (TV)?
Ale Rocha –
Sempre gostei de televisão. Desde pequeno. Diz a minha mãe que aprendi as primeiras palavras em uma reprise da Vila Sésamo no final da década de 70. Sou parte da primeira geração que teve a televisão como babá eletrônica. Porém, só comecei a escrever sobre o tema em 2006. Alguns meses antes, no final de 2005, fui diagnosticado com hipertensão pulmonar, uma doença crônica e sem cura. Tive que parar de trabalhar e criei um blog para me ocupar. Este blog, o Poltrona, cresceu e trouxe muitas oportunidades. Hoje, ao mesmo tempo que aguardo na fila por um transplante de pulmão, sou colunista do Yahoo! e colaboro eventualmente para outros veículos.

Vivi Viravento: produção animada para crianças

“Para viabilizar mais animações no Brasil é fundamental que os canais de TV passem conteúdo brasileiro. Ficar passando conteúdo estrangeiro é próprio de países periféricos”, destaca Tiago Mello.

  

Por Marcus Tavares

Mais uma co-produção em animação brasileira está em desenvolvimento. Desta vez, trata-se de Vivi Viravento, personagem criada pelo diretor Alê Abreu, o mesmo idealizador do longa Garoto Cósmico e do curta Espantalho. Série de 52 episódios voltada para o público infantil, Vivi Viravento será produzida por animadores brasileiros e canadenses. A expectativa é que a série chegue à TV em 2012.

Segundo Alê, Vivi é a neta da mundialmente famosa Rosa Rara de Viravento e acompanha a avó nas viagens que ela faz. Numa dessas viagens, a avó conta um segredo sobre o lugar onde ela vai buscar as ideias para suas histórias fantásticas, um lugar chamado Viravento. “É daí que vem o nome delas! Vivi reconstrói em seu diário os lugares que visita, seguindo as pistas deixadas pela avó e criando novas paisagens em busca de Viravento”.

Em entrevista à revistapontocom Alê Abreu e Tiago Mello, diretor executivo da produtora Mixer, contaram um pouco sobre os bastidores e do que representa a co-produção para o país. Vivi Viravento foi um 17 projetos selecionados pelo Anima TV, programa de fomento à produção e teledifusão de séries de animação brasileiras do Ministério da Cultura (MinC).

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – No que consiste a série Vivi Viravento?
Alê Abreu
– Vivi Viravento é sobre uma menina que acompanha a sua avó, Rosa Rara de Viravento, uma renomada escritora, nas viagens que ela faz pelo mundo. O seriado conta as aventuras e descobertas da Vivi a partir das anotações que ela faz em seu diário de viagens.  É como se estivéssemos dentro do diário da Vivi.

revistapontocom – É um projeto antigo? Ele foi inspirado em quê?
Alê Abreu
– Vivi Viravento nasceu no AnimaTV, um edital criado pela ABCA com apoio das TVs Cultura e Brasil. Eu já vinha trabalhando em um projeto de longa utilizando a linguagem de um diário. Ao mesmo tempo tinha anotações sobre um menino viajante. Queria um seriado que pudesse viajar pelas culturas do mundo, com um pé no documentário, como aqueles programas de mochilão.

revistapontocom – Uma produção animada para a infância exige algum cuidado maior? De que tipo?
Alê Abreu
– Certamente.  No caso de Vivi Viravento, tivemos uma pedagoga envolvida desde o início do projeto.O mais importante é que a idéia central da série, assim como as histórias, sejam bem compreendidos. A Mixer, produtora do seriado, tem uma atenção bastante grande neste sentido. Como criador, prefiro me guiar pela intuição. Não raramente trabalho imaginando que estou desenhando e contando histórias para meus sobrinhos.

revistapontocom – É uma coprodução com o Canadá. O que isto significa? Quem faz o quê?
Alê Abreu
– Significa que o Brasil se uniu ao Canadá para realizar e levar Vivi Viravento pelo mundo. A ideia é que a produção seja dividida entre os dois países mas ainda não sabemos como será esta divisão.

revistapontocom – Embora exista a co-produção, a série não tem previsão de estreia no Brasil. Por que nossas animações não são produzidas para o mercado interno?
Tiago Mello
– Para viabilizar mais animações no Brasil é fundamental que os canais de TV passem conteúdo brasileiro. Ficar passando conteúdo estrangeiro é próprio de países periféricos. Todo país importante do ponto de vista cultural tem que ter também as suas animações. O Brasil tem tudo para participar de maneira consistente no mercado internacional, mas para isso os canais de TV realmente precisam abraçar a produção local. Todos têm a ganhar: o canal aumenta a sua audiência e participa dos resultados, o país recebe royalties e geramos muito empregos. Acabamos inclusive estimulando outros setores econômicos como a indústria de brinquedos.

revistapontocom – Mas o fato é que as crianças brasileiras ainda crescem assistindo a enlatados. Este quadro pode mudar algum dia?
Tiago Mello
– Peixonauta, Princesas do Mar, Escola Pra Cachorro, Amigãozão, Turma da Mônica e agora Vivi Viravento estão aí para mudar este quadro.

revistapontocom – Temos um dos mais importantes Festivais de Animação do hemisfério sul, o Anima Mundi, e pouca animação genuinamente brasileira para criança. Não é um contrasenso?
Tiago Mello –
Ainda existe uma falta de foco no conteúdo para crianças. O animador brasileiro produziu muito para adultos, mas a demanda de conteúdo maior é para as crianças. Isso não acontece só na animação, mas também no live action (produção com atores). Até hoje poucas séries e filmes foram produzidos para as crianças ou adolescentes. Mas isso começa a mudar. Filmes infanto-juvenis começaram recentemente a ser produzidos em maior quantidade. Este ano a Mixer, por exemplo, está produzindo duas séries live action para este público e já estamos com três séries de animação também em diversos estágios: o Escola Pra Cachorro indo para a segunda temporada, uma produção com a Globo e o Vivi em desenvolvimento, com previsão de produção já para o ano que vem.

A educação na mídia

” Um outro repórter tem um pouco mais de intimidade com o tema e, mesmo assim, essa intimidade não é sinônimo de uma aproximação crítica e de fundo com as grandes questões educacionais”, destaca  Eliane Bardanachvili.

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Marcus Tavares

Período eleitoral. Em seus espaços dedicados ao tema, a mídia destaca a importância de os  eleitores conhecerem, opinarem, discutirem e avaliarem os projetos dos candidatos para a área da educação. A mídia ratifica, avalia, indaga e cobra. Mas será que ela mesma prioriza o debate em seus veículos? Quais são o peso e o valor que ela dá ao assunto? Educação vende? Afinal, existe um jornalismo educativo?

A revistapontocom conversou com a jornalista Eliane Bardanachvili, mestre em Educação pela UFRJ. Pode-se dizer que Eliane tem uma vasta experiência na área, sim, do jornalismo educativo. Na bagagem, entre outros projetos, a edição do antigo caderno Educação & Trabalho, do Jornal do Brasil e do portal da Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio de Janeiro (MultiRio); e o programa de TV Educação & Trabalho.

Professora da UniverCidade e editora da revista Radis da Fundação Oswaldo Cruz, Eliane também já trabalhou como assessora de comunicação das secretarias municipal e estadual de de Educação do Rio.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Em tempos de eleição, a mídia enfatiza a necessidade de os projetos eleitorais priorizarem a educação. Podemos dizer que a mídia faz o mesmo em seus espaços cotidianos?
Eliane Bardanachvili
– A mídia tem aberto cada vez mais espaço à temática da educação. Sem fazer uma análise mais apurada do ponto de vista quantitativo, é possível dizer, levando em conta apenas nossa percepção como espectadores e leitores de jornais e revistas, que a educação vem ocupando mais as páginas dos veículos impressos e os espaços televisivos. E esse é um dado positivo. No entanto, sair do quase nada para alguma coisa ainda é pouco – é preciso mais, é preciso uma cobertura permanente, um espaço mais generoso nos jornais, revistas, tevês… No caso específico das eleições, foi bastante ilustrativo como a repercussão da mídia à pergunta do candidato José Serra à candidata Dilma Roussef sobre as Apaes, no debate da Band, foi pobre e plena de desinformação. Somente em alguns blogs foi possível encontrar informações mais profundas dando conta da política do Ministério da Educação de privilegiar a escola pública para todos, buscando equipá-la de forma a atender qualquer criança ou jovem, independentemente de suas características ou deficiências. Essa informação foi dada de forma ligeira e pouquíssima discutida. Uma oportunidade rica para se tratar da inclusão em seus aspectos mais profundos foi perdida.

revistapontocom – Como você avalia a cobertura da educação nos jornais impressos? Ela existe?
Eliane Bardanachvili
– A resposta a essa pergunta é uma espécie de continuação da anterior. Independentemente da (pequena) quantidade, é preciso cuidar da abordagem da educação na mídia, ainda rasa, ainda aligeirada, ainda pautada por clichês. Isso também vem melhorando, mas há muito chão a caminhar. O jornalista reflexivo, que humilde e sabiamente estuda e busca informações sobre aquilo que vai reportar – e que até é visto em setores como Economia e mesmo Cultura – não existe na Educação. São poucos jornalistas especializados que acompanham os meandros da área, que compreendem suas sutilezas, que leem as entrelinhas, que não fazem análises pontuais, mas conjunturais. Para um leitor ou espectador, conhecer a educação via mídia é ter um retrato bastante parcial – e, por que não dizer, distorcido – dela.

revistapontocom – Você acha que os jornais deveriam investir em editorias específicas para a educação? Por quê?
Eliane Bardanachvili
– Sim. Conforme já afirmei, falta um compromisso com a formação dos jornalistas que cobrem essa área. Mesmo em Saúde ou Meio Ambiente, que também não costumam contar com editorias próprias, os repórteres responsáveis pela cobertura são específicos e bastante enfronhados nos assuntos envolvidos. E são dois grandes temas que contam com espaço especial nos cadernos dos jornais, com direito a chapéu no alto da página indicando. Em Educação, com raras exceções na história, não há espaços privilegiados e/ou específicos nos jornais, ainda que semanais, para essa cobertura. Um ou outro repórter tem um pouco mais de intimidade com o tema e, mesmo assim, essa intimidade não é sinônimo de uma aproximação crítica e de fundo com as grandes questões educacionais.

revistapontocom – Por que antigos projetos, como o Educação & Trabalho, do JB, por exemplo, não vingaram?
Eliane Bardanachvili
– O caderno Educação & Trabalho, que você cita, é uma das exceções que mencionei na resposta anterior. Acredito que esse “não vingar” se deva ao peso que é dado à temática da Educação nos jornais. Os anunciantes, por exemplo (que, afinal de contas, viabilizam as publicações), aparecem em abundância naqueles cadernos editados uma vez por ano de “Como encontrar a melhor escola para o seu filho”. Educação para a maioria dos veículos e, consequentemente, para as pessoas acaba sendo isso: encontrar a melhor escola, saber como passar no vestibular… Ou, ainda, aquelas reportagens que, com um certo prazer, apontam a pior e a melhor escola da cidade, do estado, do país, em rankings que distorcem a realidade e penalizam unidades escolares que, muitas vezes, desempenham um bom trabalho, embora este não transpareça nos índices publicados no alto das listas dos jornais.

revistapontocom – Portanto, educação não vende jornal? E como explicar o case do jornal Folha Dirigida?
Eiane Bardanachvili
– Este é um caso que confirma a análise feita aqui. A mídia tem um papel educativo (sem trocadilhos…) e, à medida que oferece determinados conteúdos, passa a educar seu público a recebê-los, passa a dizer a seu público que ele pode ou vai gostar de recebê-los. Acaba parecendo aquela propaganda que indaga o que vem primeiro: é o leitor que não quer ou é o jornal que não oferece? Nesse vai-não-vai, a Folha Dirigida acabou se consolidando como um híbrido que se mantém nas bancas de jornal. O leitor compra o jornal movido por uma demanda bem pragmática de obter informações sobre concursos e ganha de presente extensas reportagens e entrevistas na área da Educação. Todo esse quadro não vem de hoje.

revistapontocom – Podemos dizer que existe um jornalismo educativo?
Eliane Bardanachvili –
Podemos dizer que deveria existir, apenas porque existem o jornalismo esportivo, cultural, econômico, investigativo etc. etc., como mostram os vários cursos livres jornalistas experientes em suas áreas oferecem em espaços variados. O fato de pouco ou nada se falar do jornalismo educacional confirma a análise já feita nas respostas anteriores. Na verdade, todos esses jornalismos têm um ponto comum que é o de o repórter conhecer (assim mesmo, grifado) aquilo sobre o que está falando, os meandros, as políticas, as grandes questões. É isso que vai fazer com que a cobertura seja abrangente, crítica e rica. E é esse o bom – ou o único – jornalismo que se deve oferecer.

Moda e o merchantainment infantil

As estratégias de comunicação mercadológica utilizadas pela indústria da moda são muitas vezes questionáveis do ponto de vista ético. Esse será um dos assuntos discutidos na 6ª edição do Colóquio de Moda, de 12 a 16 de setembro, na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. No dia 15, às 9h30, Lais Fontenelle, psicóloga e coordenadora de Educação do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, participa da mesa de debate “Éticas Corporais” para falar sobre a ética e a estética na moda infantil.

Uma questão que será discutida é a erotização precoce a partir da utilização de algumas táticas da indústria, como catálogos com representações inapropriadas de crianças que não agem de acordo com a sua idade ou que vestem uma moda copiada do universo adulto. “Hoje as crianças são, muitas vezes, encorajadas a queimar etapas importantes para seu desenvolvimento ao sair muito rápido da infância para a adolescência”, explica Lais. 

Exemplos desse tipo de estratégia não faltam. Um dos casos mais emblemáticos é o de Suri, filha dos atores Tom Cruise e Katie Holmes. A menina virou ícone fashion e foi alvo de críticas ao ser vista, aos 4 anos, andando com salto alto e maquiagem.
Outro exemplo é a nova ação publicitária RL Gang, da marca Ralph Lauren Kids, que está sendo divulgada nos Estados Unidos. Ela consta de um livro e um filme na internet, em que os personagens usam roupas da marca que estão à venda nas lojas. O vídeo, lúdico, conta a história de oito crianças e é interativo, permitindo que os pequenos possam clicar em cima do personagem preferido para comprar o seu guarda-roupa.

A ideia, chamada de “merchantainment”, faz com que a criança associe o produto vendido à diversão. “Essa tendência no mercado é abusiva quando dirigida a crianças menores de 12 anos. Além de associar consumo à felicidade, se aproveita da vulnerabilidade infantil e acaba por induzir o desejo da criança sem que ela esteja preparada para refletir sobre o tema”, enfatiza a psicóloga.

Todos os participantes do evento receberão folhetos de conscientização sobre o problema do consumismo na infância, produzidos pelo Projeto Criança e Consumo. O Projeto também enviou um kit com materiais sobre o tema e uma carta para o Fórum das Escolas de Moda, evento que acontece em paralelo ao congresso e propõe ampliar o conhecimento e o debate de temas de interesse do setor.

Computador na escola

Crianças e computador. Certo ou errado? O tema é polêmico e controverso, pelo menos para as escolas. Para as escolas, porque para a maior parte das famílias que tem acesso à tecnologia o uso é bastante rotineiro. Fato comprovado pela Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada na última semana. De acordo com o IBGE, a faixa etária entre 10 e 14 anos foi a que registrou maior aumento de acesso à web. Em 2005, eram 24,3%. Em 2009, pulou para 58,8%. Pode a escola ignorar esta realidade?

No próximo dia 14, haverá um bom debate sobre o tema. Acontecerá, em São Paulo, na USP, o 3º Encontro sobre os Laptops na Educação. Segundo a coordenadora e idealizadora do evento, a professora Denise Vilardo, “o sucesso escolar não depende das máquinas, mas certamente o uso que se fará delas nos trará inúmeras possibilidades de novos conhecimentos, de circulação de informação mais atualizada e de uma ressignificação da aprendizagem com mais sentido”.

O encontro reunirá representantes governamentais e, o mais interessante, professores de vários cantos do país que já vêm trabalhando, de forma piloto, no programa Um Computador por Aluno (UCA), no qual estudantes recebem um laptop para as atividades escolares.

Informações no site do encontro

Literatura no Ensino Médio

Nos próximos dias 14,15 e 16 acontece o Seminário Novos Paradigmas do Ensino de Literatura no Ensino Médio. Promovido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o encontro tem o objetivo de fomentar o debate sobre alternativas para o ensino de literatura no Ensino Médio. A proposta do evento surgiu da iniciativa de alunos da graduação e pós-graduação em Letras, que tomaram como base suas pesquisas que apontam dificuldades no ensino da Literatura, principalmente nas escolas públicas.

“O método utilizado pelos professores costuma não despertar o interesse dos alunos pela matéria, estimulando-os a criar um falso conceito sobre o que é literatura”. É o que explica a professora Lívia Suassuna, coordenadora geral do evento e principal incentivadora do projeto dos alunos. Segundo Lívia, é importante ampliar o debate sobre o ensino de literatura no Ensino Médio e tentar indicar novas alternativas de trabalho nessa área.

O seminário, gratuito, é composto por mesas redondas e oficinas.
Mais informação pelo site  do evento.

Concurso de redação para o Ensino Médio

 

Essa é para quem gosta de escrever. Já estão abertas as inscrições para o 3º Concurso de Redação do Senado Federal. Em homenagem aos 50 anos da capital do Brasil, o tema escolhido para as redações é “Brasília, capital dos brasileiros”. Os participantes precisam ter entre 16 e 19 anos e estudarem em escolas públicas.

O aluno que tiver interesse terá que se dirigir à direção da sua escola. É responsabilidade da unidade escolar recolher as redações e escolher, dentre todas, a que melhor pode representá-la no concurso. As escolas terão até o dia 28 de setembro para enviar à Secretaria da Educação do Estado, a melhor das redações redigidas pelos seus alunos. A Secretaria da Educação formará uma comissão técnica para selecionar, dentre todas as redações encaminhadas pelas escolas, aquela que irá representar o Estado no concurso.

As escolas dos três primeiros classificados ganharão computadores, livros e DVDs. Os 27 alunos finalistas serão premiados com um microcomputador portátil, além de uma viagem para Brasília. As inscrições são até dia 30 de setembro.
Mais informações no site

A peleja da invenção do imaginário

Por Marcus Vinicius Faustini
Cineasta e escritor, autor do livro Guia Afetivo da Periferia

Na peleja da imagem e do som como dispositivos de ações culturais e representações estéticas no Brasil, num breve voo panorâmico, podemos afirmar que a imagem e seus meios de produção foram organizados pelas classes mais abastadas. Coube às camadas mais populares “as artes do som”. Para ilustrar melhor, tendo como recorte o Rio de Janeiro, podemos dizer que enquanto a côrte fazia autorretratos encomendados, a oralidade, o samba, o funk e até mesmo a buzina da Kombi que fala o trajeto tiveram nos territórios e sujeitos populares seu ambiente de experimentação.

Cabe lembrar que este arranjo não é fruto de vocação genética, histórica ou cultural. O acesso restrito aos meios de expressão e seus repertórios foram caracterizando esta  distinção entre linguagens e agentes. Assim, as artes da imagem foram também legitimando-se como as mais relevantes produtoras de uma sensibilidade do conhecimento e as do som como uma sensibilidade da convivência. Por muitas vezes, nos ambientes de discussão cultural,  as artes do som, dessas camadas populares, foram classificadas de instintivas, aleatórias, apenas típicas de um ambiente ou época e nunca como capazes de organizar uma visão de mundo. Por outro lado, com as artes da imagem, as resenhas nos cadernos culturais foram sempre elogiosas, relacionando-as com a capacidade de síntese e expressão dos sentidos.

Como conseqüência, o ambiente de produção de imagem e seus agentes das camadas médias urbanas, começaram a tratar o ambiente popular como tema e objeto. Um universo, principalmente dramatúrgico, foi estabelecendo-se como natural, onde o personagem de origem popular sempre era desprovido de subjetividade e carregado de mensagem moralizadora na luta pela sobrevivência. Nunca a memória foi seu campo de ação no tempo e no espaço. Ao contrário de personagens de classe média, que mergulhavam em reminiscências, ele estava apenas submetido a uma ação previsível e reta, nunca desejante de sentido, aspecto central da contribuição do cinema à idéia de indivíduo. Assim, neste teatro de personagens construído às vezes até como fetiche, o pobre foi o homem agrário, tosco, onde ele e a terra eram quase a mesma pessoa. Foi o homem puro, que se perde na cidade grande. Foi o bandido, o marginal, o roto, o esperto, etc. Por outro lado, o território popular sempre apareceu como um lugar de carência, a ser superado, ou como o espaço da pureza ingênua e por vezes exótica. As direções de arte organizavam os objetos, roupas e tudo no entorno dos olhos do espectador como reiteração de um senso comum que foi se estabelecendo sobre o cotidiano da vida no ambiente popular.

O melodrama serviu como ponte de estudos acadêmicos e de mercado que aproximariam esse modo de pensar os pobres brasileiros do conhecimento de outras camadas médias urbanas do mundo. Sobretudo, a idéia que perpassou essas invenções das imagens dos pobres e seus territórios, foi a do extraordinário. Tudo que vem deste campo é visto como fora de uma normalidade. Uma distinção que perdura na construção da idéia do outro pelas elites, desde a primeira visão dos índios. Este outro que  não seria capaz de criar uma relação cognitiva de significação com a vida ordinária, estabelece no extraordinário sua narrativa com a vida. “É um povo que sempre canta e dança, que sempre está em festa”. Não à toa, as festas populares sempre foram objetos de análises do audiovisual brasileiro.

Sabemos que diversas interações entre atores sociais diferentes foram feitas neste processo histórico de produção das imagens do popular. Elas permitiram mobilidades e alargamento de repertórios e representações na vida cultural e política do país. Porém, um traço jesuítico, quase catequisador, sempre marcou a relação até mesmo dos mais esclarecidos.

Entretanto, as últimas duas décadas trouxeram novidades que certamente serão estudadas com mais rigor do que o atual momento de disputa política permite. A primeira (anos 1990), pela re-oxigenação da sociedade civil com o aparecimento de grupos culturais de origem popular que não queriam mais ser representados e sim, apresentados. A mais recente (anos 2000), pelas políticas públicas de acesso a meios expressivos, onde grupos, projetos e diversos atores sociais começaram a embaralhar as visões do popular.

Uma agenda ainda tímida, mas determinada, de difusão dos meios de criação audiovisual combinada com as novas tecnologias traz um campo inédito de invenção do imaginário. É neste contexto que o filme “5x Favela – Agora por nós mesmos” se inscreve, atravessado por diversas questões que renovam nosso modo de olhar. Sobre ele, três pequenas questões projetam-se de imediato:

1. A intimidade no modo de filmar o território traz a possibilidade do espaço ser pensado para além de um tema dramatúrgico ou ambientação cenográfica. O território torna-se suporte para fluxos de entradas e saídas de personagens que promovem uma repetição na relação do espectador com o espaço. Assim, ele deixa o usual lugar de ambientação para histórias de superação e se revela contemporâneo em suas curvas, espaços abertos, pontes, eletrodomésticos e não mais apenas em vielas sufocantes filmadas por câmeras nervosas, como era até então.

2. Uma oralidade singular embala diálogos que consagram a tipologia dos personagens do campo popular urbano e aponta para um revigoramento do melodrama. As frases lacrimosas primas da filmografia popular do século passado são substituídas por contundentes conversas que atualizam conflitos geracionais e podem ser uma chave interessante para um público das salas populares. A oralidade como base dramatúrgica de nossa faveliwood.

3. A realização do projeto 5x Favela demonstra como uma ação social pode ser estética, pop, afetiva e modelo de produção. O cinema brasileiro precisa de projetos assim para disputar com a fábula de que apenas projetos apoiados numa lógica  de mercado são viáveis. Ainda assim, em alguns momentos do filme o uso dos recursos de produção com todo aparato e paramentos parecem ter intimidado algumas invenções narrativas.

Dentro dessas três questões, um sentido costura a operação dos diretores dos filmes: é um cinema desejante em operar a vida como linguagem, organizando imagens de uma favela apresentada e não representada, uma favela-linguagem! Isso faz do filme um marco na história do cinema brasileiro. Um marco na história do cineasta Cacá Diegues, figura  importante na promoção das interações estéticas e mobilidades culturais no país. Um marco também na história dos talentosos diretores dos episódios do filme, que deram vigor às histórias junto com  suas equipes de jovens que participaram do processo. Muitos deles nós já conhecemos de diversos projetos e territórios da metrópole do Rio de Janeiro. Eles já fazem a vida cultural de nossas ruas. O filme é uma bela história que também é síntese deste processo de contradições da peleja entre imagem e som na história cultural do país. Que venham mais projetos como esse.

Porém, o que pretendemos chamar atenção neste breve sobrevoo sobre o assunto, é que essa favela como linguagem não estará mais presente apenas em projetos como esse. Nas mãos dos moleques que se filmam dançando o “passinho do menor na frente da Lan House” e colocam o vídeo no Youtube é que está o desejante que pode aprofundar a democracia visual. Nem o cinema, nem as políticas públicas, nem os intelectuais estão preparados para esses moleques que fazem do corpo, da palavra e do território a imagem do Brasil. A peleja continua…

Brasil na final do Prêmio Microsoft Educadores Inovadores

Cerca de 500 docentes de 61 países apresentarão, em outubro, na Cidade do Cabo, África do Sul, projetos que utilizam a tecnologia como forma de contribuir para a melhoria da Educação no mundo. Eles estão concorrendo à final mundial da 5ª edição do Prêmio Microsoft Educadores Inovadores. Professores de três escolas brasileiras – duas do Espírito Santo e uma do Rio de Janeiro – estão na disputa. São elas: Escola Estadual Professor Francisco Coelho Ávila Júnior (ES), Centro Estadual Integrado de Educação Rural de Vila Pavão (ES) e Colégio Pedro II (RJ).

A competição reconhece os educadores que utilizam a tecnologia em sala de aula para aprimorar o processo de ensino e aprendizagem em sua escola. “A educação é fundamental para o desenvolvimento social de qualquer nação e os educadores têm o poder de moldar e incentivar o talento de nossos estudantes que serão os futuros líderes a impulsionar o avanço em nossa região”, destaca Francisco Moises, diretor de educação da Microsoft para a América Latina.

Saiba mais sobre o prêmio

Conheça os projetos:

– Projeto Escola nas nuvens – Soluções Inovadoras na Educação
E.E.E.F.M. Prof. Francisco Coelho Ávila Júnior
Cachoeiro de Itapemirim – ES

Trabalhando com o conceito tecnológico de computação nas nuvens, alunos e professores ganham independência de discos físicos como CDs, HDs e pen drives, por meio da utilização das ferramentas do Windows Live. O projeto da professora Adriana Silva de Oliveira quebra fronteiras na medida em que educadores, alunos e comunidade escolar participam acessando o blog, postando novidades, interagindo nas redes sociais e socializando o conhecimento adquirido. Além disso, o trabalho visa possibilitar a co-autoria, autonomia e expressão pessoal, conceitos e serviços da internet de forma dinâmica e colaborativa.

– Projeto Água, Terra, Fogo e Ar – A ecologia através dos filmes de animação
Colégio Pedro II
Rio de Janeiro – RJ

Realizado pelos alunos do 7º ano, o projeto baseado na aprendizagem cooperativa e na troca e construção do conhecimento, consiste na criação de filmes de animação em stop motion, sobre o tema Ecologia Urbana. O trabalho interdisciplinar utiliza a linguagem audiovisual e aborda disciplinas como Ciências, Geografia, Português, Artes, Desenho e Informática Educativa. O professor Siddharta Fernandes é o responsável pelo projeto.

– Projeto Campo Sustentável
Centro Estadual Integrado de Educação Rural de Vila Pavão
Vila Pavão – ES

Voltado aos estudantes do Ensino Fundamental e Médio, esse projeto da professora Edilene Rodrigues tem como objetivo criar uma rede de troca de conhecimentos, onde os alunos da zona rural aprendem sobres as TICs e têm a possibilidade de ensinar seus pais, a maior parte agricultores, a fazerem uso de recursos disponíveis na internet, como previsão climática, cotação de preços, modo de produção e participação em programas de incentivo, o que auxilia na produtividade e melhoria do trabalho na terra.

O cinema dos universitários

O concurso cultural Brasil em Cartaz 2010 está com inscrições abertas até o dia 10 de setembro. A iniciativa realizada pela rede Cinemark em parceria com instituições de comunicação e cinema do país pretende dar visibilidade ao cinema nacional e estimular os jovens cineastas universitários.

Para participar, o estudante deve criar um roteiro original de 60 segundos com o tema “Valorização do Cinema Nacional”. Todos os roteiros inscritos serão analisados por um profissional que selecionará os 10 melhores trabalhos. Esses 10 melhores passam pela banca julgadora e o vencedor será anunciado no dia 2 de outubro.

O prêmio é de R$ 30 mil para a produção do filme. Além disso, o vencedor recebe um prêmio no valor de R$ 10 mil e uma carteirinha de passe livre nas salas da rede Cinemark válida para o ano de 2011.

Acesse o regulamento