Por Dentro dos Meios: segunda turma no Rio

  

Por Marcus Tavares

Mais capacitados e próximos da realidade de seus alunos. Pelo menos, é a sensação dos 96 professores da rede municipal do Rio de Janeiro que concluíram o curso virtual Por dentro dos Meios, oferecido pela Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio (MultiRio) em parceria com o planetapontocom. A cerimônia de entrega dos certificados aconteceu nesta segunda-feira, dia 20, no Centro de Referência da Educação Pública, no Centro do Rio.

“Foi uma oportunidade de me aproximar mais do dia a dia dos meus alunos, que já vivem e conhecem todo este mundo tecnológico. Uma boa e grata oportunidade”, afirmou a professora de Educação Física, Jeniffer Carvalho, da Escola Municipal Pioneiras Sociais XII, localizada na Penha.

Jeniffer desenvolveu com seus alunos do 3º ano do 1º Ciclo um projeto de análise do impacto da mídia sobre a estética do corpo humano. Refletindo sobre o tema a partir das capas e fotos de revistas, a professora e seus estudantes discutiram sobre o que é ser bonito e feio no mundo de hoje e o que é ser saudável. “Foi uma experiência bem bacana que acabou chamando e envolvendo toda a escola. Realizamos pesquisas, encontros e palestras”, comemorou.

Colega de profissão, o também professor de Educação Física, Francisco Carlos Diamantino, resolveu desenvolver uma rádio comunitária com os estudantes do 9º ano da Escola Municipal Rio Grande do Sul, localizada em Engenho de Dentro. “Na prática, o projeto ampliou e deu voz ao trabalho de corpo que já desenvolvemos nas aulas. Demos voz ao nosso corpo. E foi muito legal proporcionar isso a eles. Mexeu com a auto-estima”, destacou.

O mesmo aconteceu com os alunos da professora Patricia Darci Pereira. Ela usou os jornais para trabalhar leitura, escrita e reflexão com os estudantes do 1º ano. Patricia trabalhou os diferentes textos do jornal, bem como a função social do texto. “Foi uma experiência rica tanto para mim quanto para os alunos. Acho que eles se reencontraram como comunidade”, explicou a professora, que leciona na Escola Municipal Jornalista Brito Broca, que fica na Favela da Formiga, na Tijuca.

Segundo a presidente da Multirio, Cleide Ramos, o curso Por Dentro dos Meios proporciona aos professores a aplicação de atividades midiaeducativas no dia a dia da sala de aula, tornando o ensino mais criativo e exitoso, em consonância com os respectivos Projetos Políticos Pedagógicos das escolas.

Representando a secretária municipal de Educação, Claudia Costin, a subsecretária de Educação do Rio, professora Helena Bomeny, ratificou a importância de os professores estarem antenados com o século XXI. “Com certeza, o curso não foi fácil. Mas, vocês estão altamente qualificados”, destacou.

Qualificação que não se encerra com o curso ou com o projeto desenvolvido. Para Silvana Gontijo, presidente do planetapontocom, é a hora de os professores que concluíram o curso serem multiplicadores da proposta em suas respectivas escolas.

IPEA lança trilogia sobre o panorama da comunicação no Brasil

O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), órgão do Ministério de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, acaba de lançar uma obra coletiva, em três volumes, contendo o panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil nesta primeira década do século XXI.

Versão digital, preliminar, desse livro foi distribuída, no dia 1 de dezembro, em Brasília, aos participantes dos VII Congresso Panamericano de Comunicação, promovido pela Universidade Católica de Brasília, com o apoio do Programa de Inclusão Digital da Casa Civil da Presidência da República. A edição impressa será lançada na primeira quinzena de janeiro de 2011, em datas e locais a serem anunciados, em Brasília e São Paulo.

Registrada na Biblioteca Nacional sob o código CBD 384.0981, a trilogia foi organizada por Daniel Castro, José Marques de Melo e Cosette Castro, contando com a participação de vários pesquisadores, representando as associações filiadas à Federação Brasileira das Sociedades Científicas de Comunicação.

O primeiro volume reúne idéias para o debate sobre comunicação e telecomunicações no país; o segundo contém a memória das associações científicas e acadêmicas dessa grande área do conhecimento em nosso país; o terceiro apresenta tendências da pesquisa em ciências da comunicação na década que finaliza.

As instituições e pessoas interessadas em adquirir a obra devem encaminhar seus pedidos para João Claudio Garcia, na Assessoria de Comunicação do IPEA, SBS, quadra 1, bloco J, Ed. BNDES, 15 andar, sala 1516, Brasília – DF, CEP 70076-900 – Brasília. Telefone: (61) 3315-5264.

Crianças vítimas de racismo

Por uma infância sem racismo. Este é o slogan do projeto que o Unicef /Brasil acaba de lançar. Segundo a instituição, a discriminação racial não apenas persiste no cotidiano das crianças no Brasil, como também se reflete nos números da desigualdade entre negros, indígenas e brancos.

A campanha quer fazer um alerta sobre a necessidade da quebra do círculo vicioso do racismo para estimular a criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas para as populações mais vulneráveis. Só para se ter uma ideia, das 530 mil crianças brasileiras que estão fora da escola, 62% são negras. Mesmo sendo mais de 54% do total de crianças do país, crianças negras e indígenas são as mais excluídas.

Para a primeira etapa da campanha, foram produzidas peças gráficas criadas pelas agências Ogilvy e AW Comunicação, parceiras da ação. A iniciativa conta com a participação do ator e embaixador do Unicef no Brasil, Lázaro Ramos. Lázaro gravou um filme de 4 minutos, em que o texto demonstra a situação das crianças negras e indígenas no Brasil. O filme tem uma versão de 27 segundos para ser veiculado nos canais de televisão que apoiam a campanha.

Além disso, como parte da campanha, será disseminado um folheto institucional que propõe “Dez maneiras de contribuir para uma infância sem racismo”, com orientações sobre como identificar, evitar e combater atitudes e ações discriminatórias. A campanha terá duração de um ano e será acompanhada de um blog (www.infanciasemracismo.org.br).

O nascimento de Jesus no século XXI

Se Jesus Cristo nascesse hoje, em tempos de internet e redes sociais? Já pensou como seria a divulgação das informações? Estrela cadente que nada. Os Reis Magos, por exemplo, ficariam sabendo da boa nova por meio do Orkut e o Google Maps os ajudaria a encontrar o pequeno menino. Presentes? Tudo comprado no Amazon, sem dor de cabeça.

É muito criativo. Assista.

Natal do lixo eletrônico

Por Marcus Tavares
Editor da revistapontocom

A poucos dias do Natal, o comércio está em festa. Afinal, todas as pesquisas afirmam que a venda deste ano vai superar a de 2009. A compra de eletroeletrônicos deverá crescer 15%, o dobro do PIB estimado para 2010. Com preços entre 25% e 70% menores do que os do Natal do ano passado, a lista do Papai Noel da classe média inclui notebooks, celulares de dois chips e televisores LCD com mais de 40 polegadas. Os consumidores da classe alta vão levar para casa produtos 3D, videogames, celulares mais sofisticados, tipo o iPhone, e os chamados tablets, como o iPad. Comércio feliz e consumidor satisfeito.

Mas, caro leitor, você já parou para pensar qual será o destino dos antigos eletroeletrônicos? Provavelmente serão doados, vendidos e ou encostados no armário. Nesta cadeia, com certeza, algum produto, em um determinado momento, acabará indo para o lixo. Somando-se a incrível cifra de lixo eletrônico que cresce em todo o mundo num ritmo como nunca se viu.

Os EUA, por exemplo, anualmente, jogam no lixo cerca de 25 milhões de televisores, 47,5 milhões de computadores e, acreditem, 100 milhões de celulares. Infelizmente, não temos números brasileiros, mas dá para imaginar o caminho que estamos trilhando com o consumo desenfreado.

Vivemos na sociedade do consumo, não há dúvidas. Queremos conforto, segurança e benesses. Mas há consequências. Países em desenvolvimento, como o Brasil, e outros que ainda se encontram em pior situação estão servindo como depósito do lixo eletrônico dos países desenvolvidos, sem qualquer controle ambiental.

Talvez, a minha e a sua geração não sofrerão grandes problemas. Mas com certeza a dos nossos filhos e netos. Ainda mais se continuarmos a estimular e incentivar o consumo pelo consumo, como forma de bem viver e a chave da felicidade.

Reprodução Jornal O DIA

Caingangue na rede

O portal Kanhgág Jógo (“Teia Kaingang”), cujo endereço é www.kanhgag.org, é um dos resultados do Projeto Web Indígena coordenado pelo linguista e professor Wilmar da Rocha D’Angelis, do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É o primeiro programa brasileiro de inclusão digital desenvolvido para comunidades indígenas em sua própria língua materna.

A página foi construída em 2008 e hoje sua manutenção é quase exclusivamente feita pelos índios. São eles que fazem as postagens e atualizam o conteúdo. A língua Kaingang é falada por um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil. Eles vivem em cerca de 30 terras indígenas nos Estados do Sul do Brasil (e duas no interior paulista). São mais de 30 mil pessoas. Das 180 línguas indígenas ainda faladas no Brasil, a dos caingangues está entre as cinco com maior número de falantes.

Segundo o professor, o trabalho ainda está na metade e há um longo caminho pela frente, pois ainda não foram feitas oficinas no Paraná. “É preciso avançar, posto que estas oficinas se prestam a divulgar o trabalho e a criar novos usuários. É algo que tem incentivado os índios, que constantemente fazem postagem de vídeos em caingangue e de fotografias, demonstrando grande envolvimento”, explica D’Angelis. As oficinas contam com a presença de um índio/monitor caingangue que aprendeu o software e auxilia o trabalho também como intérprete.

Conteúdo

No menu do site, uma única palavra está escrita na língua portuguesa: “vocabulário”. Ali é possível descobrir o que significam vários termos desconhecidos pelo usuário não índio. Embora não dirigida a esse público, a seção ajuda a compreender o que são esses conteúdos. A sua função é compartilhar uma terminologia técnica que está sendo criada agora. Os índios têm se esmerado na tarefa de criar termos, entre outros, para designar palavras próprias para palavras como “senha”, por exemplo, ou expressões como “passe o mouse”. “Isso opera como uma contribuição à linguagem, trazendo o seu enriquecimento e modernização”, acredita D’Angelis.

Como o projeto acontece por meio de oficinas que, a cada vez, reúnem pessoas de um certo conjunto de comunidades, essa informação não é de conhecimento geral. Então eles postam suas criações na seção “vocabulário”. “É uma maneira de compartilhar os novos termos técnicos que eles estão construindo, o que não impede que ocorram mudanças nesse processo”, diz o professor.

A criatividade com a língua indígena produz coisas interessantes como o uso tradicional e os novos usos da palavra “jyjy”, que aparece em vários lugares e expressões. Ela significao login – “crie um nome para você”, mas também aparece como a tradução de “nome”.

Uma outra seção curiosamente chama-se “v?kikep?” (o “v” pronuncia-se como “w”), que é uma brincadeira com “wikipédia”. Os usuários podem entrar no site e dar novas contribuições, até mesmo com vistas ao seu treinamento. A intenção é que as trocas funcionem exatamente como um lugar de pesquisa para que inclusive os professores indígenas permitam que os seus alunos façam os acessos das salas de aula, realça o linguista.

Fonte: Jornal da Unicamp

Dossiê midiaeducação

A revistapontocom está produzindo uma série de reportagens sobre midiaeducação e quer contar com a sua colaboração. Se você é educador, diretor de escola, professor ou pai e conhece uma boa proposta de midiaeducação escolar, nos escreva. Queremos conhecer e divulgar as diferentes e diversas propostas de midiaeducação de escolas – públicas ou particulares – de todo o país. Vamos também entrevistar pesquisadores sobre o tema. A ideia é fazer um levantamento sobre o conceito, as ações e experiências desenvolvidas na prática. Seja nosso colaborado!

Ancelmo, Lula e Zuenir: comunicação a serviço da educação

Papo reto. Este foi o nome do encontro que o Planetapontocom promoveu em outubro deste ano com os jornalistas Ancelmo Gois, Zuenir Ventura e o publicitário Lula Vieira. Em discussão: a importância dos meios de comunicação no dia a dia da sociedade e, em particular, na vida escolar. O evento foi realizado durante a sétima edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, da qual o Planetapontocom foi convidado a participar.

A revistapontocom traz, abaixo, os melhores momentos de cada conversa.

Acompanhe:

– Ancelmo Góis


– Lula Vieira


– Zuenir Ventura

A mídia para a primeira infância

Acontece nesta terça-feira, dia 7 de dezembro, às 14h30, na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em Brasília, o lançamento do Plano Nacional pela Primeira Infância (PNPI). O documento será entregue posteriormente ao Governo Federal como proposta de ações e metas a serem realizadas até 2022 na área dos direitos das crianças de até seis anos de idade. O PNPI estabelece diretrizes que o país deverá seguir para que sejam cumpridas as determinações da Constituição Federal, do Estatuto da Criança e do Adolescente, das leis setoriais de educação, saúde, assistência, cultura e de outros setores que dizem respeito ao público infantil.

O documento foi elaborado pela Rede Nacional Primeira Infância – composta por 86 organizações governamentais, não governamentais, multilaterais e empresariais – em um amplo processo participativo que durou dois anos e meio. Inúmeras instituições, especialistas, pesquisadores e profissionais de educação contribuíram com sugestões em reuniões, debates, audiências públicas e pela internet. Além disso, crianças de 3 a 6 anos também tiveram a oportunidade de expressar suas vontades, desejos e necessidades. Assuntos como saúde, alimentação, lazer e violência foram discutidos em dinâmicas especialmente preparadas para compreender e registrar as reivindicações dos pequenos.

Um conjunto de características torna o PNPI distinto dos planos e programas já elaborados para essa faixa etária. Entre elas está a intersetorialidade, pois estão reunidos em um único documento programático os diferentes direitos da criança, a elaboração com ampla participação social, o horizonte temporal de longo prazo para os objetivos e metas e a expectativa de aprovação pelo Congresso Nacional, com o intuito de torná-lo uma lei. Essas qualidades dão ao documento o caráter de Plano de Estado.

Leia aqui o documento na íntegra

Após apresentar a concepção da infância na diversidade brasileira, o Plano ainda avalia os grandes progressos que o Brasil fez nos últimos anos nos indicadores de desenvolvimento infantil e aponta os problemas que continuam afetando a vida das crianças. Para alcançar as metas, o documento destaca a necessidade de formação adequada para os profissionais ligados à primeira infância – envolvendo diferentes áreas, como direito, comunicação, medicina, engenharia, arquitetura, enfermagem, nutrição, assistência social, educação e urbanismo.

A influência dos meios de comunicação na opinião pública e na representação social da criança também é lembrada pelo Plano, assim como a importância da atuação do Poder Legislativo, tanto na elaboração de leis quanto no acompanhamento e controle das ações do Poder Executivo. Está prevista, também, a realização de uma pesquisa sobre a primeira infância nos diversos setores de conhecimento que possam subsidiar o planejamento e o acerto nas formas de cuidar e educar as crianças. Os capítulos finais tratam do financiamento, do acompanhamento e da avaliação

Para orientação dos leitores, a revistapontocom publica, abaixo, o texto relativo ao papel dos meios de comunicação:

O papel dos meios de comunicação

Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, e considerando o caso de o pai também estar empregado, ambos passam a maior parte do dia fora de casa. Além disso, a mãe arca, frequentemente com uma dupla jornada, pois tem que se ocupar das atividades domésticas. Com isso, as crianças, principalmente na faixa etária de quatro meses a três anos, por falta de creches, ficam cada vez mais sozinhas ou sob os cuidados de irmãozinhos, tias, avós, empregadas domésticas ou vizinhas. Em casa, passam grande parte do tempo diante da televisão, já apelidada de “babá eletrônica”. TV, computador e aparelhos de jogos eletrônicos estão preenchendo um número cada vez maior de horas diárias das crianças. O “medo da rua”, por causa da violência urbana, restringe, ainda mais, o uso de espaços de convivência e lazer, como parques infantis, praças, ruas e calçadas, brinquedotecas.

As crianças estão ficando diante da televisão cada vez mais tempo e a partir de idade cada vez menor. Estar parado diante da TV vai na contramão do processo de desenvolvimento na primeira infância, pois a criança pequena aprende por meio do corpo, do movimento, da atividade. Ela precisa movimentar-se, experimentar, descobrir e criar a partir da manipulação de objetos, enfim, ela precisa brincar. Assim ela constrói a sua identidade, a autoconfiança, a iniciativa, o interesse pelo mundo ao seu redor. E todas essas são precondições do aprendizado escolar posterior. Grande parte dos estudos e pesquisas indica que a exposição precoce à TV pode causar danos ao desenvolvimento e à aprendizagem.

O telespectador está fisicamente inativo e praticamente não tem tempo de pensar e fazer associações. Pesquisas sobre os efeitos neurofisiológicos da assistência à televisão mostram o eletroencefalograma em baixa atividade. A falta de movimentos dos olhos ao ver televisão revela um estado de semi-hipnose. Não raro, as crianças assistem a uma programação televisiva não apropriada para a sua faixa etária, provocando desejos, atitudes, comportamentos próprios de idades superiores. Isso contribui para o fenômeno da “adultificação” das crianças, além da erotização precoce, do estresse e do consumismo.

A exposição precoce à TV tem sido reforçada pela veiculação de canais exclusivos para crianças, que se anunciam como a melhor alternativa por ter um conteúdo criado especialmente para elas. Em razão disso, muitos pais têm optado por deixar seus filhos assistirem TV mesmo quando ainda muito pequenos. Inobstante seu conteúdo voltado à primeira infância, esses canais não primam pelo respeito às etapas e características do desenvolvimento infantil e não estão livres dos apelos comerciais. Eles são um convite para que as crianças entrem cada vez mais cedo no mercado de consumo, seja pelas mensagens publicitárias, seja pelo merchandising. Constata-se uma tendência de criação de canais de televisão exclusivos para crianças de zero a três anos. Os defensores dessas TVs e programas
argumentam que, como as crianças assistirão TV de qualquer maneira, o melhor é que vejam uma programação especialmente desenvolvida para sua faixa etária.

No entanto, a exposição precoce e extensa de crianças pequenas à TV recebeu diversas críticas de especialistas33. Embora há tempo estes venham debatendo sobre sua nocividade na infância em geral, apenas mais recentemente34 a questão sobre os bebês foi introduzida. Segundo os estudos, assistir televisão não é saudável para um bebê, mesmo quando a programação tem conteúdo especialmente criado para eles. A Academia Norte-americana de Pediatria recomenda que nenhuma criança menor de 2 anos de idade assista TV.

Alguns programas preconizam ser uma boa opção educacional para os bebês, porque a programação especialmente elaborada para eles favoreceria o aprendizado (por meio de repetições, apresentação de cores, formas etc.). Sobre essa firmação há o contra-argumento de diversos estudos de que os bebês aprendem mais com experiências reais do que com o que vêem na televisão. A habilidade de crianças de 12, 15 ou 18 meses de imitar sequências de várias etapas, como agitar um chocalho a partir de imagens televisionadas, é mais lenta que a habilidade de aprender a partir de eventos observados ao vivo.

A interação com outra pessoa é um meio mais eficaz de aprender do que ver passivamente cenas, imagens e objetos e ouvir comandos numa tela de televisão. As crianças pequenas são aprendizes sensoriais: precisam de interações com o mundo real. Precisam tocar, sentir, ver, ouvir, explorar objetos e ter contato com pessoas e animais36. E como a aprendizagem nos primeiros anos de vida é integral, integrada ou global, a manipulação de objetos (puxar, empurrar, apertar, sentir o cheiro e a textura de objetos etc.) promove simultaneamente o desenvolvimento afetivo, cognitivo e motor. A televisão não é capaz de oferecer essas experiências. Em vista disso, é importante e urgente que o tema da exposição precoce à TV e do tempo cada vez mais extenso diante dela nos anos iniciais da vida seja colocado na agenda pública de debates na sociedade brasileira e se torne objeto das políticas públicas e da atividade legislativa.

Objetivo e metas

1. Promover o debate sobre a exposição precoce de crianças à mídia em todos os setores da sociedade, mas especialmente dentro das associações médicas, de psicólogos, de professores;

2. Promover o debate sobre a mídia dentro das escolas, envolvendo os educadores para que estes orientem os pais sobre os limites que devem ser impostos às crianças no que se refere ao uso da mídia;

3. Auxiliar os educadores a conscientizar os pais acerca dos males que o excesso da mídia pode causar, bem como informar os educadores sobre propostas alternativas à TV, ao computador e ao vídeo game que podem e devem ser estimuladas nas crianças (brincadeiras estimulem o movimento e a imaginação, como “fazde-conta”, excursões, teatros de bonecos, de fantoches, ao ar livre etc.);

4. Proibir a existência de TVs em creches, bem como regulamentar o seu uso nas pré-escolas, sempre dentro da função de meio pedagógico;

5. Articular as ações descritas neste capítulo às da educação infantil, especialmente às que se referem à expansão dos estabelecimentos educacionais para as crianças de 0 a 6 anos;

6. Promover debates públicos sobre a qualidade da mídia dirigida às crianças, buscando-se o compromisso das emissoras com programas educativos e que respeitem as etapas e características do desenvolvimento infantil.

Sala de aula ou de bate papo?

Por Silvana Gontijo
Presidente do Planetapontocom

Se você usa computadores e navega na rede sabe que uma sala de bate papo tem tantas paredes quanto as nuvens. Mas se essa expressão lhe fizer lembrar uma sala de visitas, uma ante sala, um bar, uma lounge –para usar a palavra da moda – ou mesmo a sua própria sala, saberei que você, tanto quanto eu fazia há menos de 3 anos, faz ainda hoje parte dos recalcitrantes dinossauros que insistem em ignorar o mundo dos dígitos e só compreende bater papo como uma experiência do mundo dos átomos. Isso se nem celular você usar, porque até isso que era antes apenas um telefone sem fio, hoje pode transmitir mensagens de texto, som víde, foto… só falta o olfato para que todos os nossos sentidos sejam atingidos pelas diferentes mensagens. Já pensou, convidar para um almoço uma pessoa muito importante para você e antecipar esse prazer enviando os odores daquela cozinha para ir atiçando a gula. E se você pudesse ainda programar a mensagem para chegar naquela horinha da fome, tipo às 6:00 da tarde? Quem resistiria a uma isca dessa? E agora, voltando à vaca fria, o que isso tem a ver com escola, sala de aula ou mesmo com você?

Quando na década de 70 Jean Baudrillard desenvolveu suas teorias sobre a sociedade pós moderna, “(..) organizada em torno da simulação, cuja ruptura radical com as sociedades modernas tem como demiurgos os modelos, os códigos, a comunicação, as informações e a mídia.” Ele afirmava que nesse delirante circo pós-moderno, as subjetividades estariam fragmentadas e perdidas. As classes sociais, os sexos, as diferenças políticas e as diversidades culturais e religiosas implodiriam uns sobre os outros, apagando as fronteiras e as diferenças num caleidoscópio pós-moderno. Na sua visão, a hiper-realidade do mundo pós-moderno seduziria muito mais do que a realidade. Os indivíduos abandonariam o ‘deserto do real’ pelo êxtase da hiper-realidade e pelo novo reino do computador, da mídia e da tecnologia.

Uma visão inquietante sobre a sociedade do simulacro. Se na visão moderna as tecnologias eram uma extensão dos seres humanos, que as usavam para dominar e controlar a natureza, na pós modernidade as tecnologias preponderarão e que cada vez mais viveremos entre a tensão de ter os meios para acessar qualquer tipo de informação, e o medo de nos sentirmos dominados não pela tecnologia, mas pela tirania da compulsão por essas informações. Empanturrados de imagens, sons, valores e conceitos navegamos com nossas frágeis convicções, por áreas de saber muitas vezes indecifráveis e por isso mesmo ameaçadoras. Nessa tempestade de conceitos e símbolos o rumo é dado pelo canto das e-sereias emitidos por nossos PCs, lan houses, celulares enfim, essa miríade de experiências fascinantes às quais nos agarramos para evitar o naufrágio do não pertencimento.

De que cyber tribo queremos fazer parte ou ainda, queremos? Como descobrir uma rota mais segura e um processo menos angustiante? Quem vai nos ajudar na aventura do conhecimento?

A escola precisa repensar suas práticas para formar cidadãos autônomos e com as competências para avaliar criticar e discriminar o joio do trigo, nesse planetapontocom. Nossos jovens precisam ter acesso a experiências educativas que os levem a uma inserção mais crítica e participativa nesse mundo de comunicação articulada pelas tecnologias de Informação. As competências para entender as mídias, ler seletivamente o intenso fluxo das mensagens ao seu redor e atribuir valor e sentido ético e estético, são imprescindíveis para atuar com autonomia e interagir na sociedade da informação. A mídia-educação vem se transformando numa ferramenta poderosa, para ajudar docentes e gestores a recriar seus ambientes de aprendizagem, metodologias e atitudes. Para isso é preciso, antes de mais nada, querer mudar.

Se você quiser, bem vindo ao nosso mundo, oooppps ao nosso planeta. Use abuse e conheça várias experiências que estão transformando a sala de aula. Venha bater um papo conosco.

www.planetapontocom.org.br

Professora cria blog para trocar experiências sobre literatura infantil

A falta de informações sobre maneiras de ministrar aulas de literatura infantil para crianças levou a professora Andréa Albano Nunes, de Campo Verde (MT), a criar um blog para trocar experiências com outros professores que também trabalham com o tema. Criado em 2008, com o nome de Sala de Literatura Infantil, o blog contém registros das aulas de Andréa, que atua no Centro Educacional Paulo Freire, há quatro anos.

Formada em letras, com habilitação em literatura e especialização em lingüística aplicada ao ensino da língua materna e literatura, ela dá aula nas Oficinas de Literatura e Teatro, oferecidas a todas as turmas da escola, desde a Educação Infantil até o 5º ano do Ensino Fundamental. As oficinas desenvolvem os dois assuntos – literatura e teatro – ao mesmo tempo, de forma integrada, em uma sala própria para esse fim.

Andréa explica que tem um cuidado muito especial durante a realização das aulas de poesia, porque a linguagem poética é abstrata e carregada de metáforas. “Meu objetivo não é assustar a criança com algo que ela não compreende, mas mostrar que a poesia está próxima delas e o quão agradável é o texto poético”, justifica.

Andréa procura poemas que possa decodificar para as crianças em forma de história. Depois de contar a história, a professora lê o texto original, o poema. E não deixa de incluir a realização de alguma atividade lúdica relacionada com o que foi lido.
Na aula em que trabalhou a poesia Balõezinhos, de Manuel Bandeira, a atividade foi brincar de balão na sala de aula. “Isso fez com que a criança, de certa forma, fizesse parte do poema, brincando de balão, tal como o personagem da poesia queria fazer”, destaca Andréa.

Os alunos de Andréa já fizeram três livros de contos e poesias, desde 2008, com textos e ilustrações feitas por eles mesmos. O lançamento das obras ocorre sempre durante uma noite de autógrafos.

Fonte: Jornal do MEC

Educação em tempos de paz

“As crianças das comunidades não são só invisíveis aos olhos da sociedade. Elas também sentem que não pertencem ao resto da cidade”,  destaca Maria Luisa Barros.

Por Marcus Tavares

A jornalista do jornal O DIA, Maria Luisa Barros, acompanhou no primeiro semestre deste ano, durante três meses, a realidade de crianças de dez escolas da rede municipal do Rio localizadas em comunidades carentes e que, desde dezembro de 2009, passaram a contar com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Foram três meses de entrevistas. Na rota da investigação, as favelas: Dona Marta, Chapéu Mangueira/Babilônia, Pavão-Pavãozinho/ Cantagalo, Tabajaras/Cabritos, Cidade de Deus, Jardim Bata, Borel e Providência. A série intitulada Educação em Tempos de Paz foi publicada pelo jornal em julho deste ano.

Em meio à invasão do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, a revistapontocom conversou na semana passada com a jornalista. Objetivo: entender o que sentem as crianças vítimas da realidade do tráfico e conhecer de que forma elas passaram a viver depois da entrada das UPPs. Afinal, o que significam as palavras segurança e paz para essas meninas e meninos? Quais são as perspectivas de vida?

Acompanhe:

revistapontocom – O que significa a palavra segurança para as crianças/alunos que você entrevistou?
Maria Luisa Barros –
Durante alguns meses, acompanhei de perto a rotina de crianças e adolescentes de dez escolas da rede municipal situadas em favelas do Rio de Janeiro, onde foram instaladas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP). Nessa série especial, intitulada “Educação em Tempos de Paz”, publicada pelo jornal O DIA, procuramos dar mais atenção às crianças do que propriamente aos professores. Queríamos ouvir delas o que havia mudado após a pacificação. O que eu percebi é que, para todas elas, segurança era uma palavra restrita ao dicionário. Elas aprendiam lições de sobrevivência. Sabiam de cor com quem podiam falar, quem podiam cumprimentar, onde se esconder durante um tiroteio e, principalmente, a nunca ultrapassar os limites impostos pelo tráfico. Em favelas como o Batan, Providência, Cidade de Deus e Borel, a única presença do estado se dava através de incursões policiais e do enfrentamento com os bandidos. Isso agora mudou.

revistapontocom – E o que significava a palavra paz?
Maria Luisa Barros –
Talvez eles não tenham ainda a dimensão da paz que estão experimentando pela primeira vez. São gerações de jovens que conviveram a vida toda com a violência sem trégua de uma guerra particular. Mas o que mais me impressionou foi perceber que a paz para essas crianças é poder fazer coisas muito simples do dia a dia que nossos filhos sempre puderam fazer, como dormir uma noite inteira, visitar parentes, não ser interrompido por tiros enquanto fazem o dever de casa e ter o direito de frequentar qualquer escola. Uma das crianças do Borel, na Tijuca, comentou, feliz, que agora já podia estudar na casa do amigo e fazer um lanche. Antes, elas ficavam trancadas em casa com medo dos criminosos armados de fuzis nas vielas da favela. No Batan, em Realengo, encontrei jovens que não podiam se matricular numa escola porque moravam na favela vizinha dominada por facção rival. Um desses alunos, portador de deficiência mental, chegou a apanhar dos traficantes porque não obedeceu à ordem. Hoje ele voltou a estudar na mesma escola e faz aulas de hip hop.

revistapontocom – Era uma realidade portanto muito triste…
Maria Luisa Barros –
Elas viviam num estado de terror permanente. Os professores precisavam disputar a atenção dos estudantes com explosões de granadas, rajadas de fuzis e corpos a caminho da escola. Diante desse cenário, não conseguiam se concentrar nas aulas. Eram crianças agressivas, ansiosas e com baixo desempenho escolar. Não tinham professor porque muitos tinham medo de dar aulas nessas comunidades e passavam semanas sem ir à aula durante os confrontos. Uma aluna de uma escola no Morro da Providência, no Centro do Rio, me disse que só conseguia ler rápido os textos, sem entender, sempre achando que um tiroteio iria começar a qualquer momento. Hoje ela já consegue ler com calma. Isso passa a fazer toda a diferença. No Morro do Cantagalo, em Ipanema, a diretora de um Ciep ficou surpresa com a primeira eleição para o Grêmio escolar, após a UPP. Quarenta e cinco crianças disputaram a campanha. Nos outros anos, era preciso convocar para que participassem. Antes da pacificação, o poder era do aluno “amigo” de traficante. Agora o status é ser líder do grêmio.

revistapontocom – A marca do tráfico era mais do que visível no dia a dia das crianças…
Maria Luisa Barros –
Eu convivi com crianças de favelas pacificadas e de comunidades ainda muito violentas. A principal diferença entre elas é o sorriso. Jovens de áreas onde o tráfico domina têm um semblante tenso, são de poucas palavras e têm medo de morrer. Já os outros são muito mais sorridentes e carinhosos, como se tivessem tirado um peso enorme dos ombros. Durante a reportagem, pedimos que os alunos fizessem desenhos, redações, além disso analisamos trabalhos antigos que os professores nos deram. O resultado foi impressionante. Antes da UPP, crianças que não eram nem alfabetizadas já conheciam pequenas palavras, como as dos modelos dos fuzis AR-15, FAL, AK-47, e das siglas das facções CV, ADA e TC. Nos textos, as crianças se queixavam de que havia muita moto na favela que quase as atropelavam. Não havia como ser diferente. Os traficantes eram a única referência do lugar. Os desenhos que antes eram sombrios, retratando uma realidade em branco e preto, com imagens de bandidos, caveirões e traficantes se tornaram mais coloridos, alegres e harmoniosos, com cenas da família, da escola, mas principalmente, dos policiais do Bope e da UPP, vistos como heróis.

revistapontocom – Agora, são outras crianças?
Maria Luisa Barros –
A pacificação é recente, mas já mudou a rotina de mais de 50 mil estudantes cariocas. Das 10 escolas municipais nas áreas com UPP, oito já atingiram e até ultrapassaram as metas do Ministério da Educação para 2017 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal avaliação da qualidade de ensino no Brasil. Em algumas, a frequência dobrou e faltam salas para tantos alunos. O noturno que praticamente não tinha aulas por causa da violência teve recorde de matrículas. Voluntários do “asfalto” também retornaram às salas de aula. Apesar das conquistas, muitos ainda vão demorar a esquecer os traumas de infância. Quase todos conviveram com alunos que obtiveram certidão de óbito antes do diploma. Numa pesquisa feita com eles, 71% disseram que sofreram algum tipo de violência física ou psicológica. Neurocientistas, no entanto, garantem que nunca é tarde para apagar os traumas da mente. No momento em que a criança passa a ser tratada com respeito e carinho, ela quebra o círculo vicioso de violência e agressividade e cria um novo círculo virtuoso de gentilezas e respeito pelo outro.

revistapontocom – As crianças que você entrevistou devem saber exatamente o que estão sentindo as crianças da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão?
Maria Luisa Barros –
Com certeza. Elas já passaram por tudo aquilo. Com a pacificação prometida para o ano que vem, 11 mil crianças e jovens da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão terão a oportunidade de passar uma borracha e começar a reescrever o futuro. Nas comunidades pacificadas, as UPPs inverteram a ordem das aspirações profissionais entre crianças e jovens. Carreiras militares e das áreas de Saúde e Justiça, que exigem anos de estudo e disciplina, foram apontadas pelas crianças como as preferidas num questionário aplicado pelo O DIA. Profissões ligadas a esporte, como jogador de futebol, aparecem só em terceiro lugar. Sinal de novos tempos, para aqueles que antes apostavam no futebol como um lance de sorte para conseguir sair da favela. Muitos se espelham nos policiais da UPP para seguir carreira e melhorar a vida da família. É um novo começo.

revistapontocom – Você acha que essas crianças dessas comunidades são, muitas vezes, invisíveis para a sociedade?
Maria Luisa Barros –
Não só são invisíveis aos olhos da sociedade, como elas mesmas sentem que não pertencem ao resto da cidade. Ouvi relatos de crianças que moram em favelas próximas à Barra da Tijuca, mas não tem costume de ir à praia e não frequentam shoppings do bairro. Elas têm dificuldade de ultrapassar essas barreiras sociais como se houvesse uma porta de vidro impedindo essa passagem. Com a UPP, empresas, ONGs e voluntários estão entrando pela primeira vez nessas comunidades. Mas, além desse trabalho, é preciso que elas sejam chamadas a sair de lá, visitar museus, ir a cinemas, ou seja, conhecer outras realidades além da favela e poder sonhar com novos horizontes.