Novo direito humano?

Os EUA acabam de estabelecer um novo direito inalienável para a liberdade individual: o acesso à internet. Pelo menos, foi o que disse e defende a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Em discurso, na semana passada, em Washington, Hillary usou os exemplos recentes das revoltas populares na Tunísia e no Egito para alertar os ditadores para os “riscos” que correm ao impedir o acesso das suas populações à Internet. “A História provou que esse tipo de repressão planta as sementes para a revolução”, observou.

“Os líderes em todo o mundo têm uma escolha a fazer”, considerou Hillary, sem se referir a nenhum em particular. “Eles podem permitir o acesso à internet nos seus países e assumir os riscos que essa liberdade acarreta em termos de direitos políticos. Ou podem restringir a internet, perdendo assim todos os benefícios econômico e sociais que advêm de uma sociedade em rede”, disse.

A convicção da secretária é que os esforços dos “governos que ergueram barreiras à liberdade da Internet, através de filtros técnicos, ou regimes de censura, ou ataques às pessoas que exercem on-line o seu direito à liberdade de expressão ou associação”, acabarão por revelar-se contraproducentes.

Hillary Clinton lamentou que ainda não exista uma aplicação que permita combater a repressão na internet, mas informou que o Departamento de Estado planeia investir 25 milhões de dólares em programas para que bloggers e outros ciberactivistas consigam tornear as proibições em lugares como a China, o Irão, Cuba, Síria, Vietname ou Birmânia.

A diplomacia americana também acaba de criar canais no Twitter para emitir mensagens para os países árabes e o Irã – iniciativa que também atingirá China, Rússia e Índia.

Brinquedo que vale ouro

A Sotheby’s de Nova Iorque vai vender a maior coleção de brinquedos do mundo. Uma coleção tão grande que nem a leiloeira tem espaço para expor todos os objetos. Somente 20% estão em exposição. Afinal, são 35 mil brinquedos colecionados durante 50 anos pelo americano Jerry Greene. Avaliados em dez milhões de dólares, os brinquedos datam de 1850 a 1940. Há brinquedos raros, feitos à mão e historicamente importantes, com peças européias e americanas. Existem réplicas de estações de comboio, carrosséis, pequenas vilas, barcos e pontes e edifícios destruídos, nas duas guerras mundiais. Alguém se habilita?

Além do montante, o colecionador impôs uma condição: a pessoa que estiver interessada em comprar a coleção tem que comprar tudo. Greene espera com isto que uma instituição pública ou privada adquira a obra e a doe a um museu.

“Colecionei peça por peça, e o meu interesse em brinquedos de alta qualidade levou-me a centenas de feiras e espetáculos”, explicou Greene. Muitos dos brinquedos pertencem a criadores de brinquedos europeus e americanos famosos na era do ouro da manufatura de brinquedos, como Marklin, Bing, Ernst Plant Carette e Rock & Graner.

Confira o vídeo produzido pela BBC Brasil:

A escrita dos nativos digitais

“Os estudantes sentem falta de retorno para o que escrevem, reclamando que a maior parte dos comentários deixados pelos professores, quando constam, se limitam a correções gramaticais”, afirma Ilana Eléa, pesquisadora associada do Grupo de Pesquisa em Mídia e Educação, da PUC-Rio (GRUPEM).

Por Marcus Tavares

Qual é o papel da escrita entre adolescentes que, desde a infância, usam o teclado e a comunicação online de forma cotidiana? Esta foi a pergunta que norteou o trabalho de Ilana Eléa, em sua tese de doutorado em Educação, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), defendida em dezembro passado. Ilana acompanhou o dia a dia de cinco jovens cariocas de classe média.

Suas observações trazem um recorte de como os adolescentes usam a escrita para si, para os outros e na/para a escola. Os textos escritos na internet vêm recebendo status de ‘notícia’, sendo lidos e acompanhados por uma audiência cativa  e interessada, o que faz os jovens se sentirem valorizados e em companhia.

O estudo aponta também para a escola. Afinal, de que forma os professores poderiam ou deveriam aproveitar o contexto da escrita na internet para favorecer a escrita na/para escola? Uma boa discussão.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom- Qual era o seu objetivo com a tese de doutorado?
Ilana Eleá –
Estava interessada em aproveitar este momento de boom da internet para analisar práticas e significados da escrita – tanto manuscritas quanto digitais – entre adolescentes. Afinal, em tempos de teclados, celulares e editores de texto digitais, de hipertextos, redes sociais online e imersões multimodais, qual seria o papel da escrita entre um público que desde a infância usa o teclado e a comunicação online de forma cotidiana?

revistapontocom – Como você produziu o trabalho?
Ilana Eleá –
Optei por fazer a pesquisa acompanhando cinco adolescentes. Decidi estudar nativos digitais em suas residências, com computadores ligados, em pelo menos quatro encontros com uma hora de duração, levando a câmera para registrar as entrevistas. Propus a instalação de um programa para ter acesso à maneira como digitavam na internet e fotografei quartos, livros, textos, cadernos, letras. Adicionei-os como amigos nos ambientes virtuais que participam, como Orkut e MSN, além de pedir que compartilhassem comigo o que tivessem escrito e considerado bom. Realizei web-etnografia dos espaços online que diziam frequentar diariamente.

revistapontocom – Afinal, qual é a escrita destes jovens?
Ilana Eleá –
Os adolescentes que acompanhei escrevem principalmente conectados. A participação em redes sociais se destaca como um potente motor para construção de identidades, publicação e leitura de mensagens híbridas e multimodais, exercício de sociabilidade e troca de afetos. A escrita na web aparece fortemente associada com a escrita-de-si através da composição de perfis pessoais online. Expressar o que se está sentindo “na hora” em ambientes online parece ser muito atraente para os jovens. Ao comunicarem publicamente o que estão sentindo em âmbito privado, podem receber comentários de vários contatos ao mesmo tempo (tanto por mensagens sincrônicas ou assíncronas), conotando prestígio social. Sentimentos e pequenos textos escritos por eles recebem status de ‘notícia’, sendo lidos e acompanhados por uma audiência de pares, o que os faz se sentirem valorizados e em companhia. Escrever no MSN não é tido como escrita e sim como “fala”: em nenhum momento os nativos digitais afirmam estar escrevendo e sim falando com os amigos. Costumam “conversar” pelo teclado diariamente enquanto realizam outras atividades simultâneas, utilizando este canal de conexão para contar sobre o dia, buscar dicas, obter conselhos e companhia. Também consideram importante não misturar canais: a escrita abreviada e oralizada do universo online precisa continuar se diferenciando da norma culta utilizada para textos escolares e formais. Escrever para o outro e receber a escrita do outro têm significado afetivo e necessário para habitantes de redes sociais. A estrutura de seus ambientes favorece e incita manifestações explícitas, imediatas, hiperbólicas e públicas do que se sente e pensa das pessoas que compõem sua rede, principalmente entre amigos próximos. A pressão pela reciprocidade, nesse contexto, fica mais urgente, abrindo espaço para a cópia de textos, num jogo de manifestações publicas e padronizadas de afetos. Os nativos digitais incorporam na escrita o uso do “te amo” e “para sempre” entre as frases e inserção de corações, símbolos, cores, formatações dos caracteres, o que parece indicar a padronização da manifestação afetiva.

revistapontocom – Pode-se dizer que – ao contrário do que dizem – os jovens escrevem muito mais do que se imagina?
Ilana Eléa –
Depende. Eles mesmos dizem que não escrevem tanto, mas que “conversam” pelo MSN. O recurso de cópia e/ou busca de inspiração em comunidades online que oferecem textos afetivos prontos apareceu com destaque. Mesmo quando escrevem suas próprias histórias, como as webnovelas no Orkut, se sentem inseguros quanto qualificar a escrita como “literatura”. Mas acredito que sim, que estejam escrevendo muito mais por estarem ocupando espaços de redes sociais nas quais a escrita de si e a escrita para o outro são fortemente valorizadas.

revistapontocom – E a escrita que acontece na escola?
Ilana Eléa –
Notei que há uma diferença entre a escrita para a escola e a escrita na escola. Como uma das adolescentes afirmou: “Eu gosto de escrever coisas que eu me interesso, mas coisas de escola eu não gosto não. (Isabella)”. Sugerem que a escola não se restrinja à solicitação de textos dissertativos, mas incorpore às atividades crônicas, contos de fadas, fábulas, poemas e músicas, além de temas de seu interesse. Isso não quer dizer que a escrita na escola não aconteça: pelo contrário. Troca de recados e cartas, margens de cadernos e até livros são iniciados na hora do recreio ou durante as aulas. A “escrita para si” indica que mesmo com a preferência da escrita em rede como forma de comunicação e sociabilidade entre jovens, a escrita íntima, secreta e privada tem sido preservada através do papel, da folha solta, da caneta, lápis e borracha. Esta escrita, predominantemente feminina, se dá por textos que precisam ser escondidos, guardados ?na gaveta para ninguém ler e algumas vezes, rasgados. ? “Quando é coisa particular minha eu prefiro escrever no papel” foi frase recorrente.

revistapontocom – Os jovens que você pesquisou são de um determinado extrato social. Você acha que a realidade deles não é tão distante assim de outros jovens?
Ilana Eléa
– O coração do meu trabalho é etnográfico e prefiro falar sobre as práticas e significados de escrita entre cinco adolescentes de camadas médias do Rio de Janeiro, que acompanhei de perto, em suas casas. Para esses, o fator de valorização da norma culta é distintivo: escrever com abreviações é permitido dentro do contexto online, não manuscrito ou oficial, como em redações escolares. Como meu trabalho também acompanhou comunidades online no Orkut nas quais jovens de diferentes extratos participam para a escrita de webnovelas, posso dizer que, pelo menos no universo de 200 respostas aos questionários aplicados, as categorias encontradas são recorrentes.

revistapontocom – O que mais lhe chamou a atenção na pesquisa?
Ilana Eléa –
A escrita em cartas, cartões, redações escolares, agendas, cadernos, murais, fichários e
folhas soltas manuscritas ilustraram colocações sobre a ainda importante representação do papel e do estilo da letra pessoal, em seus cotidianos. As meninas possuem um grau de afetividade que incutem no papel marcas de pessoalidade e intimização da escrita. Para escrever sobre sentimentos que não devem ser expostos sob nenhuma hipótese, o papel é espaço preferido de vazão. Também fiquei particularmente interessada em perceber o movimento de aproximação dos meninos às manifestações públicas de escrita – prática que acredito ser desdobramento da força das redes sociais para o cotidiano dos jovens. Um outro ponto alto foi a descoberta do universo da escrita de fanfictions e webnovelas, que desconhecia.

revistapontocom – A partir de seu estudo, de que forma a escola/professor deveria lhe dar com estes jovens, com a escrita destes jovens?
Ilana Eléa
– Ficou muito claro o abismo que tem separado as práticas de escrita propostas pela escola e a realizada pelos adolescentes na internet. Entre o interesse dos jovens entrevistados e as propostas escolares parece existir um considerável vale. Há queixas sobre o formato e temas das atividades para exercício da escrita. Segundo os entrevistados, no ano de escolaridade que estão cursando (início do Ensino Médio) predomina a produção de gêneros textuais dissertativos em redações, por isso buscam referências e memórias sobre momentos em que escreveram por prazer na escola nos anos anteriores. Os estudantes sentem falta de obter retorno sobre o que escrevem e a comparação com a internet parece inevitável. A possibilidade de ter audiência interessada para o que compartilham os mantém motivados, mas na escola seus textos não circulam entre pares nem são comentados em rede.  As redações quando recebem correções de professores que se restringem ao apontamento de erros gramaticais causam desapontamento, pois esperam experimentar escritas criativas. Os estudantes sentem falta de retorno para o que escrevem, reclamando que a maior parte dos comentários deixados pelos professores, quando constam, se limitam a correções gramaticais. Desejam falar de temas de seu interesse de forma livre, sem seguir a padronizações estruturais, preferindo experimentar o exercício da linguagem com diversas nuances e liberdade. Entendem que a escrita para a escola não pode ser abreviada, precisando ter sua normas preservadas para a transmissão de conhecimento aos mais jovens, embora utilizem as abreviações em suas comunicações digitais. Querem partir de temas atuais, escrever livremente sobre suas preferências, compartilhar o que escrevem, recebendo retorno sobre suas criações, sentindo-se reconhecidos num ambiente em que a troca afetiva e o contato com pares seja permanente, envolvido por laços de amizade.

Bem-vindo à turma 2011

Se as redes sociais fossem alunos universitários, que nome você daria para o Wikipedia? E para o Facebook?  E para o Twitter?  O site Flowtown, especializado em produzir infográficos inusitados, criou a turma 2011 das redes sociais. O Wikipedia é o nerd da sala de aula. O Facebook aparece como jogador de futebol americano e o Twitter é a estudante fofoqueira.
Já pensou se a moda pega.

Confira quem é quem.

Internet é a primeira lição?

Pesquisa divulgada esta semana pela empresa de antivírus AVG Technologies afirma que 69% das crianças aprendem primeiro a usar um computador antes das atividades comuns do dia a dia. Segundo o levantamento, 19% do público infantil não apresentam nenhum problema ao usar aplicativos de smartphones, mas, surpreendentemente, apenas 9% conseguem amarrar os próprios sapatos. E tem mais: 58% das crianças sabem brincar com um jogo de computador, enquanto que somente 43% sabem andar de bicicleta e 20%, nadar. O estudo entrevistou 2,2 mil mães, com filhos entre dois e cinco anos com acesso à internet, em vários países. As mães foram solicitadas a classificar uma lista de habilidades que seus filhos aprenderam primeiro.

A revistapontocom conversou esta semana com duas mães cariocas, cujas casas têm acesso à internet/banda larga. Mas o dia a dia das duas famílias contradiz a pesquisa. A dentista Inger Teixeira, mãe de Luana, 5 anos, e de Daniela, 3 anos, afirma que o universo digital é acessível às filhas, mas não incentivado.

“Felizmente isso não se aplica às minhas filhas Elas sabem andar de bicicleta, adoram jogar bola, sabem pular corda, patinete, fazem aula de patinação, natação e ballet clássico e preferem brincar de Polly a jogar no computador. Têm alguns joguinhos educativos como Coelho sabido que dominam bem, porém não jogam mais do que uma vez na semana. Não, ainda não sabem acessar à internet. Elas têm também um joguinho chamado DSI que podem jogar aos finais de semana, mas como não têm o hábito não são viciadas. Brincam muito entre si e brigam também, mas bonecas, jogos e desenho fazem muito mais parte de sua realidade do que o universo digital”, destacou.

Que o diga a advogada Heloisa Guimarães, mãe de Carlos, 7 anos, e Pedro, 5 anos. Os meninos até podem usar o computador da família conectado à internet. Cansam de ver os pais nele. Porém, curtem muito mais os brinquedos e os jogos de tabuleiro do que os cliques na web. Qual a razão? “Acredito que seja o leque de opções que oferecemos. A internet faz parte da vida de todos nós, mas não pode e não deve ser a única alternativa de lazer, a única opção de entretenimento”, avisa.

E você, leitor da revistapontocom?
Como é o cotidiano do seu filho, sobrinho ou neto com a internet?

Desejos e sonhos para o ano letivo 2011

Fim das férias escolares significa início do ano letivo. A rotina escolar volta à tona. Professores, alunos, funcionários e pais todo mundo junto de novo em busca de sucesso, reconhecimento e bom desempenho. Mas o que esperar do ano 2011? O que ficou de bacana de 2010? O que não vale apena repetir? Para celebrar a volta às aulas, a revistapontocom entrevistou alguns professores do Rio. Professores da rede pública e privada.

Confira, abaixo, o que eles desejam e esperam de 2011.

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Angela Maria Ramos, 45 anos
E. M. Santos Anjos e Escola Municipal Rinaldo de Lamare
Professora de Sala de Leitura

– O que espera de 2011?
Que seja um ano em que as crianças continuem lendo cada vez mais e mais. Que os  projetos possam continuar apresentando resultados positivos e que cada vez mais possamos ampliá-los.

– O que deu certo em 2010 que pretende dar continuidade?
Deram certos os projetos: Na minha casa também tem leitura, Carta de leitor para leitor (escrita coletiva de cartas para várias escolas, nas quais as crianças dão sugestões de leituras de livros), Vamos ler para vocês (em grupo, crianças escolhem poesias ou livros, levam para casa, estudam o texto e fazem leituras para alunos de outras turmas).

– O que pretende mudar em sua prática?
Organizar-me melhor para conseguir dar maior visibilidade às produções das crianças no espaço da sala de leitura.

– Um desejo
Que o professor seja mais reconhecido, valorizado e bem remunerado pelo seu trabalho. Principalmente, os da Educação Básica. São muitos os profissionais competentes que acabam abandonando a profissão pelas condições não favoráveis.

– Uma esperança
Que os leitores que estamos ajudando a formar nas escolas sejam cada vez mais competentes na leitura. Que se tornem leitores críticos não só dos livros, mas também das leituras do mundo contribuindo para um país melhor, com pessoas melhores, mais humanas.

– Um recado para seus alunos
Aos que já são bons leitores, que continuem. Aos que ainda não foram contagiados, que não resistam ao chamado. Leiam e descubram o mundo mágico, envolvente e fascinante da leitura.

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Ivana Maria Pontes Araujo, 45 anos
Colégio Santa Marcelina
Supervisora pedagógica da Educação Infantil

– O que espera de 2011?
Que nós, educadores, sejamos integralmente aqueles que
ensinam e aprendem de forma simultânea.

– O que deu certo em 2010 que pretende dar continuidade?
A vivência do Projeto Pedagógico, pelos educadores, pelas famílias e  pelas crianças.

– O que pretende mudar em sua prática?
Pretendo promover mais encontros entre o grupo de professoras para uma troca de experiência mais efetiva.

– Um desejo
A parceria família-escola, que seja uma realidade possível.

– Uma esperança
Educação de qualidade.

– Um recado para os alunos
Existem adultos verdadeiramente empenhados em fazer da educação um momento em que todo seu potencial está sendo
trabalhado  com alegria, amor e profissionalismo. Na linguagem infantil eu diria: faz de conta que você é uma lagarta, que legal! Em pouco tempo, você terá lindas assas e eu verei você voar! Nossa, mais que bela borboleta você pode ser!

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Marcos Ozorio, 46 anos
E. M. Menezes Côrtes/Colégio Estadual Eduardo Mondlane/Colégio Teresiano
Professor de Geografia

– O que espera de 2011?
Que meus alunos aprendam e que o conhecimento os ajude a serem mais felizes, críticos e transformadores.

– O que deu certo em 2010 que pretende dar continuidade?
Ler para e com meus alunos. Lendo muito.

– O que pretende mudar em sua prática?
Aprofundar e aprimorar o que deu certo e descartar o que não deu certo, que se resume, principalmente, à falta  de condições oferecidas aos professores e alunos (especialmente na Escola Pública).

– Um desejo
Que os gestores da educação brasileira percebam que a escola, seus professores e alunos precisam ser escutados, atendidos. Que a escola não é um shopping onde produtividade é medida pelo valor de venda de mercadorias. O conhecimento que o aluno deve constituir a partir da escola não é uma mercadoria.

– Uma esperança
A valorização efetiva da escola e de seus agentes

– Um recado para seus alunos
Acreditem que a ESCOLA é um lugar com inúmeras possibilidades de transformação.

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Flavia Lopes Lobão, 37 anos
Escola Sá Pereira
Professora do Ensino Fundamental

– O que espera de 2011?
Alguns passos, ao menos, no que diz respeito à valorização da Educação, de seus profissionais. Que possamos nos animar com alguma conquista significativa, reconhecendo o fato de que existem coisas que só se podem ser feitas coletivamente e resultam dos esforços (práxis) de muitas pessoas – às vezes ao longo de muito tempo, porque o processo é histórico.

– O que deu certo em 2010 que pretende dar continuidade?
Desenvolvendo um projeto sobre a cidade do Rio de Janeiro, com crianças de classe média alta, deu muito certo provocar a seguinte indagação: “O que eu não conheço da cidade onde moro?” Fizemos um grande levantamento e partimos em busca  de conhecer, nos relacionar. Brincamos um pouco com isso, a ideia era flagrar o quanto havia por descobrir, compreender, desmistificar, reconhecer, nesta cidade: contrastes, contradições, perplexidades, belezas, culturas, gentes. Inevitável foi  discutir a questão do preconceito promovido, em boa parte, pelo nosso desconhecimento. Portanto, as discussões sobre  preconceito estiveram sempre nos alicerces do que conhecemos, ajudando e dando força nesse percurso. Isso porque,  entendemos que o desconhecido, associado aos mecanismos de dominação, é um grande promotor dos preconceitos.

– O que pretende mudar em sua prática?
Não é exatamente mudar, mas, como professora, nunca esquecer que a minha condição é também de aprendiz.

– Um desejo
Que não exista NENHUM brasileiro que não saiba ler e escrever em sua língua materna.

– Uma esperança
Que a escola, como instituição, esteja a serviço da vida, da beleza, da imaginação, da construção de um mundo mais justo.

– Um recado para seus alunos
Que façam do conhecimento uma grande aventura, com muito sabor e promotor de generosas atitudes.

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Tiago Cabral Dardeau, 31 anos
Colégio estadual José Leite Lopes – NAVE
Professor da disciplina Cultura Digital, do curso técnico de Roteiro

– O que espera de 2011?
Espero que 2011 seja um ano de muitas conquistas e inovações na minha escola!

– O que deu certo em 2010 que pretende dar continuidade?
Em 2010, deu certo transformar as aulas em espaços/tempos de maior troca, reflexão e produção dos estudantes.

– O que pretende mudar em sua prática?
Pretendo tornar minha prática pedagógica mais integrada à de outros professores.

– Um desejo
Inovações metodológicas na Educação

– Uma esperança
Professores apaixonados pelo trabalho que realizam

– Um recado para seus alunos
É possível tornar o conhecimento prazeroso e dinâmico, vamos tentar?

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Adriano Barbosa Lima da Silva, 46 anos
Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch
Professor do curso de Produção Audiovisual

– O que espera do ano letivo 2011?
A escola e o meu curso encontram-se em melhores condições estruturais e materiais do que em relação ao ano passado. Por conta disso, espero poder desenvolver um melhor trabalho de sensibilização e motivação junto aos meus alunos, no estudo da minha disciplina e no conhecimento da produção audiovisual.

– O que deu certo em 2010 que pretende dar continuidade?
Uso das ferramentas digitais disponíveis (computador, internet e celular, por exemplo), nas práticas de aula.

– O que pretende mudar em sua prática?
Estimular um comportamento socio-ambiental que resulte em ações de preservação e manutenção do meio ambiente.

– Um desejo
Que o meu curso e a minha escola possam contribuir, cada vez mais, com melhores professores, melhores condições de trabalho, melhor formação e pessoas melhores.

– Uma esperança
Que o “país do futuro”, seja agora!

– Um recado para seus alunos
As oportunidades aparecem para aqueles que gostam do que fazem ou que aprendem a gostar do que estão fazendo, que eles acreditem em si mesmos, não tenham medo de sonhar e realizar o que desejam.

Para quem gosta de animação

Estão abertas as inscrições para o Concurso sua história e você no Dia da Internet Segura 2012. O pleito tem como propósito estimular a participação de crianças, pais e educadores, juntos, na promoção do uso seguro e responsável da internet no Brasil. A proposta é que crianças/jovens até 18 anos elaborem um roteiro de uma história em quadrinhos, que será utilizada na próxima campanha do Dia Mundial da Internet Segura (Safer Internet Day) no ano de 2012.

É preciso que o interessado faça sua inscrição no site do concurso. Serão aceitas apenas as inscrições individuais, sendo obrigatoriamente uma criança e um(a) responsável ou educador(a) quando o candidato tiver menos de 12 anos de idade, no ato do preenchimento do formulário online ambos os nomes devem ser indicados.

Confira o regulamento e participe

Confissão via celular

Se Jesus vivesse no século XXI, sua missão talvez fosse muito mais fácil. Pelo menos, é o que garantem os especialistas em comunicação. No mundo virtual deste novo século, a prática religiosa on-line está cada vez mais presente. Na internet, os fiéis estão a um clique da fé e da confissão. A Igreja Católica nos Estados Unidos aprovou um aplicativo para iPhone. O programa – chamado de Confession – foi colocado à venda semana passada pela loja virtual da Apple, iTunes, por US$ 1,99 (R$ 3,32).

O aplicativo guia os usuários através do sacramento da confissão – em que católicos admitem seus pecados – e permite que o fiel mantenha um registro de seus pecados. O aplicativo também permite que os usuários façam um exame de consciência com base em fatores como idade, sexo e estado civil – mas afirma que não tem como objetivo substituir a confissão inteiramente.

O assessor eclesiástico das mídias sociais, da arquidiocese do Rio de Janeiro, Padre Jefferson Gonçalves, destacou a importância do sacramento da confissão e falou que o aplicativo pode ser uma forma de melhor preparar o fiel, através do exame de consciência.

“Fico feliz de ver, cada vez mais, de forma acessível, nas mídias digitais e também em ferramentas diversas, conteúdos que formem o fiel para este momento de reconciliação. O registro em aplicativos também permite que o cristão fique atento à conversão de seus costumes, fazendo com que, após a confissão, este momento de comunhão com a graça de Deus seja estendido”, explicou o sacerdote.

Ele acredita que, de maneira pedagógica, além das orações e vigilância, o fiel pode caminhar para vencer os pecados, com o auxílio de suas anotações pessoais, para se ter em vista o que  deve melhorar. Em sua opinião, esses registros podem ser guardados de maneira digital, como diversas outras anotações.

Essa é a primeira vez que a Igreja aprova um aplicativo para celular, embora a instituição não seja totalmente alheia ao mundo digital. Em 2007, o Vaticano lançou seu próprio canal no YouTube. Dois anos depois, um aplicativo para o Facebook foi criado, para que usuários pudessem enviar cartões postais digitais ao pontífice.

Liberdade de expressão de quem?

Por Isabella Henriques
Advogada, Instituto Alana

Ano novo; fôlego novo! Novas esperanças de que a discussão em torno da abusividade do direcionamento de publicidade às crianças fique ainda mais intensa e resulte em mudanças efetivas. É com essa expectativa que o Projeto Criança e Consumo lança este blog. Para ter mais espaço para se comunicar com a sociedade sobre assuntos diários e, principalmente, para ouvir o que a sociedade quer falar sobre temas relacionados ao consumo infantil.

E já começando o mês de janeiro agitado, não poderia deixar de comentar o artigo publicado no dia 5, na Folha de S.Paulo, intitulado “Propaganda, liberdade e desenvolvimento”, escrito por Luiz Lara, presidente da Abap – Associação Brasileira de Agências de Publicidade. Mais uma vez, conceitos distintos foram misturados e conclusões, a meu ver, equivocadas, apresentadas pelo mercado publicitário.

O texto começa dizendo o quanto o brasileiro gosta de publicidade e de como a aprovação de uma lei que regula os parâmetros de contratação das agências publicitárias pelo poder público foi uma conquista para o mercado. Passa, em seguida, a dizer que o Brasil conseguiu passar ao largo da crise econômica mundial também porque a publicidade no país não parou. Depois começa uma confusão de conceitos. A primeira aparece quando diz que a publicidade estimula a defesa da democracia porque financia os veículos de comunicação.

E eu que pensei que a democracia fosse uma conquista da sociedade garantida, inclusive, constitucionalmente…

Imposição “quase messiânica”

Aliás, sobre esse argumento que tem sido repetido pelo mercado, no sentido de que a liberdade de expressão dos veículos de comunicação, pilar da democracia, seria dependente da publicidade para existir, gostaria de fazer uma breve reflexão. Se a liberdade de expressão depende de verbas publicitárias e não de uma garantia social e constitucional – na qual, insisto, eu acreditava! –, então na verdade essa liberdade não existe, pois estaria, de alguma forma, submetida aos desejos e vontades dos anunciantes. Explico: uma revista que depende da verba publicitária para se expressar livremente nunca poderá criticar negativamente o anunciante que contribui com verbas polpudas. É isso, não?

Hum. Liberdade de expressão de quem, então?

Bom, mas voltando ao artigo. Em seguida é dito que a Abap confia no Conar como suficiente para dirimir questões atinentes à publicidade no país. E logo depois fala das expectativas de desenvolvimento do setor por conta da Copa do Mundo e da Olimpíada que se aproximam, para, então, dizer que ameaças pairam sobre a publicidade brasileira.

E a esse respeito cita projetos de lei, agências reguladoras e setores minoritários “que tentam impor seus pontos de vista de forma quase messiânica”. Pois então, mais uma vez um representante do mercado vem a público dizer que não confia no Poder Legislativo (porque seus Projetos de Lei não são bons), não confia no Executivo (porque suas agências extrapolam seus poderes legais), não confia no Judiciário (porque o Conar é suficiente para julgar as demandas do mercado) e não acredita na voz que vem da sociedade organizada (porque é minoritária).

Por uma infância livre de apelos comerciais

Poxa, e eu que pensei que o Estado de Direito Democrático estava sustentado justamente nos três poderes da República, livres e independentes. Mas, para alguns do mercado publicitário, parece que é mesmo só a publicidade que o garantiria e, pior, sem qualquer interferência ou mesmo sujeição a esses poderes ou à vontade social, inclusive das minorias…

O artigo termina falando que a Abap permanecerá aberta ao diálogo com a sociedade. E eu termino por aqui dizendo que o Projeto Criança e Consumo, por ocasião do Levantamento do Dia das Crianças realizado no ano passado, enviou carta à Abap. Mas não recebeu resposta. Também tentamos nos reunir com a Associação, e não conseguimos. Então, acreditando que parte do que foi dito no aludido artigo diz respeito também ao nosso trabalho, manifesto aqui, publicamente, meu convite para conversarmos e termos esse diálogo.

Temos muito interesse em apresentar à Abap as razões do nosso trabalho e explicar que, absolutamente, não somos contrários à atividade publicitária. Trabalhamos para que as mensagens publicitárias e mercadológicas não sejam dirigidas diretamente aos menores de 12 anos, por conta da fase de desenvolvimento em que estão. E acreditamos sim na democracia, na liberdade de expressão e nas garantias da ordem econômica que estão previstas na nossa Constituição Federal.

Nossa busca é singela. Por uma infância livre de apelos comerciais.

A mídia pelo Norte e Nordeste

Por Marcus Tavares

Jô Mazzarolo é jornalista, formada há 30 anos pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Há 11 anos, coordena o jornalismo da TV Globo, em Recife. Antes, trabalhou nas redes Bandeirantes e RBSTV, em Porto Alegre. Com mestrado em comunicação e cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Jô acredita no potencial da televisão como alavanca para a consolidação de uma sociedade mais democrática.

No final do ano passado, ela conheceu o trabalho de midiaeducação do planetapontocom que é realizado junto à Escola de Referência Cícero Dias, em Recife. Atenta às possibilidades dos meios de comunicação no fortalecimento da cidadania e vivendo o cotidiano de outra realidade do país, Jô deu a seguinte entrevista à revistapontocom:

revistapontocom – Existem de fato dois Brasis? O do Sul e do Sudeste e o do Norte e do Nordeste?
Jô Mazzarolo –
Sim. Existem regiões brasileiras que apresentam entre si grandes diversidades do ponto de vista social, econômico, político, cultural e educacional. As diferenças econômicas e sociais das regiões mais ricas no Brasil possibilitam um aprendizado e uma formação educacional de maior qualidade. No Norte e Nordeste, as dificuldades econômicas e sociais vão de uma forma ou de outra afetar a educação não só na dificuldade de acesso mas na formação de qualidade.

revistapontocom – Você acredita que a mídia reforça essas diferenças?
Jô Mazzarolo –
A mídia diariamente reforça o status quo, mas seria reducionista e simplista acreditar que as possibilidades da mídia são só estas. Acreditamos que é possível que a mídia desempenhe uma função pedagógica no sentido de procurar contribuir para a orientação de homens e mulheres no mundo contemporâneo

revistapontocom – Podemos dizer que a mídia, portanto, influencia homens e mulheres do mundo contemporâneo?
Jô Mazzarolo –
A mídia tem uma força relevante na sociedade brasileira em particular por meio da televisão. O exemplo das enchentes no mês de junho no Nordeste e das últimas enchentes no Rio de Janeiro mostra a influência da cobertura jornalística no país. No entanto, a mídia não é um lugar de mão única – não é um lugar onipotente/onipresente. Isso seria subestimar a capacidade de cidadãos e cidadãs interpretarem a realidade. As chamadas tecnologias da informação e da comunicação aumentam as possibilidades dessa interação entre homens e a mídia, o que pode resultar numa saudável colaboração mútua.

revistapontocom – Qual seria o verdadeiro papel da mídia no dia a dia da sociedade?
Jô Mazzarolo –
A mídia apresenta efeitos para o bem e para o mal. A nossa preocupação é que ela contribua para o crescimento, fortalecimento e a caminhada de uma sociedade mais democrática.

revistapontocom – Atribuições que constam do artigo 221 da Constituição Brasileira. Você acha que a TV cumpre realmente a legislação?
Jô Mazzarolo –
Depende da filosofia de cada emissora. O equilíbrio é fundamental. E é importante que cada emissora local ou regional descubra as necessidades e os desejos dos municípios de sua área de cobertura. Existe uma programação nacional de todas as redes. Dentro das peculiaridades regionais é essencial que a equipe que faz parte da região descubra qual é e desenvolva um projeto que seja interessante àquela comunidade. Nós aqui em Pernambuco temos o projeto Educação. Há seis anos, exibimos conteúdo do terceiro ano do segundo grau dentro de um telejornal. Por iniciativa dos alunos, deixamos de exibi-lo ao meio-dia para ir ao ar de manhã cedo. A proposta é que o conteúdo seja  uma “provocação” em sala de aula. A proposta é inquietar os alunos. Jamais substituir uma aula de um professor. As reportagens têm uma proposta simples: mostrar que o conteúdo da sala de aula pode ser aplicado na vida prática. Exemplo: a aula de trigonometria no aeroporto mostrando o ângulo de um avião na hora de aterrissar. Uma aula de química explicando as diferenças entre os tipos de sabão (se existem) e uma conversa com as lavadeiras numa lavanderia de Olinda (lavanderia manual, ainda).    

revistapontocom – Num mundo cheio de informações instantâneas com o advento da internet, está mais difícil produzir jornalismo para a TV?
Jô Mazzarolo
 – Hoje, com a avalanche de informações que chegam a todo o momento, precisamos estar cada vez mais bem informados e mais atentos ao que acontece e ao que interessa a um maior número de pessoas. Precisamos prestar a atenção nas mudanças da sociedade e refletir isso na televisão. Hoje, com a informação mais próxima e com a melhoria das condições financeiras, o nosso público tem aspirações de consumo e beleza que não tinha. Dou um exemplo: mulheres de classe C querem saber onde existe cirurgia plástica de graça. O telespectador gosta da informação completa. Outro exemplo: não basta dizer que um hospital está lotado – é preciso dizer onde está outro que ele possa ser atendido. Não basta dizer que uma escola tem fila de espera para alunos. É preciso dizer onde estão as opções de outras escolas. Falar em Dia Nacional da Mamografia sem dizer onde as pessoas podem fazer exames e se há lista de espera é deixar de prestar serviço. Hoje vejo esse serviço como nossa função essencial.

revistapontocom – Como você definiria o telespectador brasileiro? E o telespectador do nordeste brasileiro?
Jô Mazzarolo –
O telespectador está querendo cada vez mais participar do fazer televisão. Antigamente, a televisão chegava a ele como um pacote pronto. Com toda a mudança que o país viveu e está vivendo e com a facilidade da comunicação (telefone celular, internet), o telespectador quer se ver na televisão, quer ver sua comunidade, sua festa na TV. Não vejo diferença entre os telespectador de outras regiões e o nordestino. Ambos querem participar do processo de produção da TV. Para isso, é preciso mudar um pouco o jeito de fazer a reportagem, o programa. É fundamental saber ouvir. Saber ouvir e deixar falar. O telespectador precisa falar do seu jeito na tevê. E quando é ouvido, ele precisa ir ao ar. A expectativa criada quando um telespectador é ouvido na rua, ou mesmo entrevistado sobre determinado assunto, é grande. Por isso, é frustrante não se ver na televisão. É frustrante privar os demais telespectadores da opinião deste cidadão entrevistado. Defendo sempre a exibição de todas as pessoas que foram ouvidas pelas equipes na rua.

Jogo eletrônico dá cadeia

Você soube dessa? Em janeiro do ano passado, um bebê de apenas três meses foi assassinado pela própria mãe. Motivo: o seu choro ininterrupto estava irritando e atrapalhando Alexandra Tobias, de 22 anos, que jogava no Facebook o popular “FarmVille”. Levada a julgamento depois de se declarar culpada de homicídio em segundo grau, a justiça norte-americana condenou, na última quarta-feira, a mãe a 50 anos de prisão. O crime ocorreu em Jacksonville, na Florida.

De acordo com reportagem do site Jacksonville.com, o relatório da polícia aponta que Alexendra estava concentrada no jogo quando o bebê começou a chorar muito. Nervosa, ela levantou e estrangulou a criança. Em seguida, teria acendido um cigarro para se acalmar, mas acabou estrangulando a criança novamente.

Alexandra Tobias acabou por ser sentenciada à pena máxima admitida pelo procurador público que tomou conta do caso – que apontava para uma pena de 25 a 50 anos de prisão, apesar de a lei na Florida admitir prisão perpétua para este tipo de crimes.

O FarmVille é um fenômeno no Facebook, com mais de 60 milhões de usuários. As atividades do jogo envolvem o plantio de vegetais, árvores e a construção de estruturas, entre outras.

Cinema infantil recebe inscrições

Estão abertas as inscrições de filmes para a Mostra Competitiva da 10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, um dos mais importantes festivais do segmento no Brasil, que ocorre de 23 de junho a 10 de julho na capital catarinense. Serão aceitas produções nacionais de todos os gêneros e formatos, direcionadas ao público infanto-juvenil e inéditas em Santa Catarina.

Diretores e produtores podem realizar a inscrição até o dia 2 de abril pelo site www.mostradecinemainfantil.com.br. Os filmes selecionados serão divulgados no final do mês de maio. Curtas e longas-metragens internacionais, médias e longas brasileiros integram mostras especiais e não-competitivas.

O evento premia, em parceria com a TV Brasil, quatro curtas-metragens nas categorias de melhor ficção, melhor animação, júri popular e prêmio especial das crianças. A escolha dos vencedores é realizada por um júri oficial e também um júri especial formado por crianças. Além do troféu, os vencedores recebem um prêmio aquisição da TV Brasil no valor de R$ 5.000,00.

Classificação indicativa: mais 90 dias para opinar

O Ministério da Justiça prorrogou pela segunda vez a consulta pública sobre a Classificação Indicativa. A sociedade agora tem mais 90 dias para se pronunciar. O prazo terminaria no último dia 27. Segundo o ministério, até agora foram registrados cerca de 1,5 mil comentários e contribuições. O foco do debate nos primeiros dias foram os jogos eletrônicos, passando depois para uma postura mais liberal quanto aos critérios de classificação, muitas vezes com sugestões que chegavam a baixar dois níveis de idade.

Foram registradas também contribuições de produtores de conteúdo, famílias e empresas. Entre as televisões abertas, apenas o SBT participou. Dos canais a cabo, participaram a Sky, a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), a Associação Brasileira de Programadores de Televisão por Assinatura (ABPTA) e ainda a Motion Picture Association (MPA). O Instituto Alana, que trata sobre a relação criança e consumo, também contribuiu para o debate público.

Atualmente, os pontos de maior relevância são o documento de contribuição ao debate assinado pelo SBT, que sugeriu uma grande flexibilização nos horários, liberando a faixa de 12 anos para o período da tarde e descendo em uma hora as demais classificações, exceto 18; e a sugestão da MPA de que conteúdos até 14 anos sejam liberados em qualquer horário.  O argumento central dos apoiadores dessas idéias é que isso finalmente livraria as emissoras das obrigações de controlar os conteúdos em horários da manhã e da tarde.

Leia a entrevista exclusiva que o diretor do Departamento de Classificação Indicativa,
Davi Pires, concedeu à revistapontocom

Posições antagônicas alegam que as propostas flexibilizadoras não guardam nenhuma preocupação com a criança e o adolescente, somente focadas nos interesses das emissoras. Outro ponto de destaque é a contribuição do Instituto Alana, que sugere classificação de propagandas para proteger crianças pequenas de fortes comerciais de brinquedos. O Instituto sugeriu que o MJ passe a fazer a autoclassificação das televisões pagas, alegando que o sistema de controle parental não é muito claro e funcional. A entidade propõe ainda uma postura mais ativa quanto aos jogos eletrônicos, já que muitos não cumprem a legislação e são vendidos sem a classificação. O Instituto Alana defende que a propaganda embutida nos jogos também deve ser considerada.

O debate prossegue e novas contribuições podem ser feitas no endereço 

Educação sexual gera polêmica

Enquanto que no Brasil sexo é tema recorrente de novelas e reality shows sem nenhum tipo de constrangimento, por parte de seus autores, para com crianças e adolescentes, no Paquistão um livro que se propõe a educar jovens muçulmanos sobre o sexo – sem desrespeitar a doutrina islâmica – causa polêmica.

De acordo com a BBC Brasil, a obra, cujo título inglês é Sex Education for Muslims, (em tradução literal, Educação Sexual para Muçulmanos, foto ao lado), foi escrita pelo psiquiatra Mobin Akhtar, de 81 anos. Os ensinamentos do médico vêm acompanhados de citações do profeta Maomé e do Alcorão.

Akhtar diz que a ausência de discussão sobre sexo no Paquistão teve sérias consequências no país. Ele contou que decidiu escrever o livro após ter observado o problema no exercício de sua profissão.”Adolescentes, especialmente meninos, quando alcançam a puberdade, pensam que as mudanças que chegam com a puberdade são algum tipo de doença. Começam a se masturbar e ouvem que isso é muito perigoso para a saúde, e que é pecaminoso, muito pecaminoso”, destaca.

O médico disse ter visto casos onde os adolescentes, sem compreender o que estava acontecendo com seus corpos, ficaram deprimidos e até cometeram suicídio. “Eu próprio passei por essa fase com todas essas preocupações, e não existe ninguém para lhe explicar que não é isso, que essas percepções são errôneas. Somente quando eu entrei para a faculdade de medicina descobri que eu estava enganado”, confessa.

Akhtar disse que ainda hoje, no Paquistão, muitos médicos não discutem temas sexuais abertamente, e professores e pais acham o assunto constrangedor. Não existe educação sexual em escolas do governo. Na cultura paquistanesa, o assunto sexo não é considerado apropriado. Falar sobre o tema é visto como algo que poderia encorajar jovens a se comportar de forma “não islâmica”.

“Me perguntam quando a educação sexual deveria ser iniciada e eu respondo, assim que a criança puder falar. Elas deveriam aprender os nomes dos genitais da mesma forma como aprendem os nomes das mãos, olhos, orelhas e nariz.Quando ficam um pouco maiores e perguntam de onde vem uma criança, você pode responder. Isso não torna a criança sexualmente ativa ou imoral”, afirma.

Entre as citações do Alcorão incluídas no livro de Akhtar está a seguinte: “Você pode ter relações sexuais à noite com suas esposas durante o mês de jejum. Elas são tão íntimas para você como suas próprias roupas, e vice-versa”. (Alcorão, Surah Baqra, Verso 187)
Entre vários tópicos, Akhtar aborda os ensinamentos islâmicos sobre masturbação, problemas conjugais e como um homem deve se lavar após ter relações sexuais de forma a ficar limpo o suficiente para fazer suas orações.

Fonte BBC-Brasil

Meninos e meninas: qual o papel de cada um?

O que significa ser uma menina?  E um menino? Há comportamentos inatos, capacidades ou interesses que vão além de ser um menino ou uma menina? Existem coisas que meninos ou meninas não podem ou não estão autorizados a fazer por causa de seu sexo? Ambos têm as mesmas oportunidades na vida?

Meninas são… Menino são… é o tema do Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV, que será celebrado este ano no dia 6 de março. A ideia do Unicef, promotor do evento há mais de 15 anos, é contar com a participação dos meios de comunicação. Neste dia, o Unicef sugere que a mídia em geral abra sua programação para dar vez e voz as crianças e, neste ano, para debater a questão do gênero.

O Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV foi criado para dar mais visibilidade aos direitos de meninas e meninos. Com o passar dos anos, tornou-se também um dia para celebrar os mais jovens na mídia.

O direito à participação e à liberdade de expressão é essencial para o desenvolvimento dos adolescentes. Ao dar voz aos mais jovens, as emissoras têm a oportunidade de fortalecer meninas e meninos em seus conhecimentos sobre os meios de comunicação. Isso mostra a outros adolescentes que eles também podem se expressar. E mostra ao mundo o que os mais jovens pensam sobre sua vida e suas comunidades.

Para mais informações
http://www.unicef.org/videoaudio/video_55906.html
Karen Cirillo
kcirillo@unicef.org