Edital apóia propostas para infância e juventude

CESE: Ação para Crianças

A Coordenadoria Ecumênica de Serviço  (Cese), uma entidade que reúne igrejas sem fins lucrativos, sediada na Bahia, está com inscrições abertas para o edital Mobilizando Recursos Locais. Trata-se de uma chamada para recebimento de projetos que tenham como objetivo beneficiar direta ou indiretamente crianças, adolescentes ou jovens de qualquer região do país.

O foco da seleção será em projetos cujos resultados incidam na melhoria de qualidade de vida de crianças, adolescentes e jovens mais vulneráveis, especialmente iniciativas voltadas para combate à violência, geração de renda, preservação ambiental, educação, cultura, lazer, saúde, segurança alimentar e nutricional, acesso à água, habitação e meio ambiente. O edital faz parte do programa Cese Ação para Crianças, que existe desde 2007. Ao longo dos anos, já foram beneficiados mais de 20 mil crianças e adolescentes, totalizando cerca de R$ 425 mil.

Para se inscrever, a instituição ou grupo de voluntários – além de ter um projeto social – deve propor uma mobilização junto à comunidade para a arrecadação de verbas para a execução do projeto, como bingos beneficentes, rifas, bazares, jantares etc. A proposta da Cese é dobrar os recursos levantados nesta mobilização, sendo R$ 8 mil o valor máximo de cada projeto: R$ 4 mil do grupo e R$ 4 mil da Cese.

A ideia é estimular a solidariedade e as iniciativas de auto-sustentação das organizações populares por meio da mobilização de recursos locais. As ações apoiadas nesta chamada receberão orientações do órgão para a realização de etapas de mobilização, bem como para a execução do projeto.

Saiba mais sobre o edital

Pegada ecológica

Você sabia que comemoramos no dia 22 de abril o Dia da Terra? E que este ano, o nosso planeta poderá atingir a incrível marca de sete bilhões de habitantes? Pois é, para aonde vai nosso planeta que sofre com o aquecimento global, consumo desorganizado, urbanização sem planejamento, desigualdades sociais etc? Quantos planetas Terra deveriam existir para dar conta de tantos problemas?

A revistapontocom convida você, leitor, a fazer o teste da ‘pegada ecológica’. Afinal, que marcas você quer deixar no planeta?  Responda a 15 questões que têm o objetivo de identificar alguns dos hábitos que compõem o seu estilo de vida. A partir das respostas, a ONG WWF estima a quantidade de recursos naturais necessária para sustentar suas atividades diárias. Espero que você não se espante.

Presentei o planeta Terra com esta ação.

Faça o teste

De Gutenberg ao Facebook

Por Flávio de Carvalho Serpa
Revista Retrato Brasil no 45, abril de 2011

Que papel tiveram realmente as redes sociais e telefones celulares nas rebeliões do Oriente Médio? Muita gente deslumbrada com as novas tecnologias e serviços em rede vislumbrou, logo depois do início dos conflitos, uma nova era para a humanidade, como se o Facebook, a principal rede social mundial, com mais de meio bilhão de associados, tivesse poderes nunca antes experimentados pela humanidade.

É fato que os meios de difusão das ideias e de chamados à ação cumprem uma parte importante na evolução cultural e política da humanidade. A tecnologia da imprensa, de Gutenberg, foi efetivamente um agente novo de propagação de mudanças sociais profundas.

A constatação de que as mídias são desencadeadoras de mudanças apenas quando existem condições sociais favoráveis é antiga. Mas como o contágio se propaga e qual o papel das mídias são questões que apenas na modernidade começaram a ser rastreadas.

Revolução madura

Quando Lênin criou o jornal Iskra (centelha), ele tinha bem claro que a ignição precisaria de uma pradaria adequada para se propagar. “Da centelha surgirá a chama” era o lema do Iskra, que cumpriu papel importante na formação do partido comunista. Para provar que a mídia não era a toda-poderosa na história, o título Iskra foi surrupiado pelos mencheviques, e foi para o brejo. O novo jornal bolchevique, o Proletári, não tinha o mesmo charme do Iskra, mas era amparado pelo decidido partido leninista.

As rebeliões no Oriente Médio, nesse sentido, são um momento histórico privilegiado, pois dão à ciência a chance de acompanhar em tempo real o que está acontecendo e como as mudanças se desdobram.

O resultado histórico vai depender muito das condições objetivas existentes em cada local. O grito do Facebook, do Twitter e das redes de jovens armados de telefones celulares teve resultados muito diversos nos países da região de falantes da língua árabe. Na Tunísia e no Egito os regimes despóticos, corruptos, burocráticos e ineficientes nem perceberam o que estava acontecendo, e quando se deram conta já era tarde demais para agir. Naqueles países, as elites nem se preocuparam em controlar as massas, a não ser pelo uso indiscriminado da força policial, o que só agravou os conflitos.

Já no Irã e na Arábia Saudita, depois dos primeiros sustos os regimes locais passaram a combater as revoltas com as próprias armas dos desafiantes. No Irã não há mais espaço para as mídias sociais: a polícia monitora todos os suspeitos e chega em maior número nos locais de manifestação. O mesmo ocorre na Arábia Saudita e na China, onde os conteúdos perigosos ou são bloqueados, ou simplesmente derrubados com ataques de hackers chapa-branca.

Isso explica um aparente paradoxo: por que a infecção não é maior em países com mais alta densidade de redes sociais? Ironicamente, nos Estados Unidos o impacto dessas redes nas mudanças sociais é limitado, quando não retrógrado. Elas ajudaram muito na mobilização para a eleição de Barack Obama, mas não conseguiram engrenar uma onda nem mesmo reformista.

É provável que a experiência bem-sucedida do Egito não vá replicar em lugar nenhum. Mas vale esmiuçar seus detalhes para tirar lições gerais de como a revolta pode se espalhar como uma coqueluche. O egípcio Ahmer Maher pode ser considerado um dos principais estrategistas da derrota de Hosni Mubarak. Em 2008, ele abriu uma página no Facebook de apoio à greve na cidade industrial de Mahalla, usando a rede social como arma de mobilização. Ele contou ao jornalista Marcelo Ninio, enviado especial da Folha de S.Paulo, como as coisas aconteceram. Antes de adotar as tecnologias modernas, ou seja, enquanto fazia uso das formas tradicionais de organização e militância, Maher apanhou e amargou cadeia e tortura.

“Em vez de ficarmos nas ruas, correndo o risco de sermos presos de novo, decidimos que todos criaríamos blogs para contar o que estava acontecendo no país e mobilizar mais jovens. A guerra virou digital. Em 2008, eu e uma amiga criamos uma página no Facebook para apoiar a greve dos trabalhadores da cidade industrial de Mahalla. Em apenas cinco dias a página tinha mais de 80 mil membros”, disse ele à Folha. E conclui. “A internet foi apenas uma ferramenta. O que causou a revolução foi a vontade de mudar e a disposição em fazer sacrifícios.” Portanto, desistam de fazer a revolução no conforto de uma lan house.

Depois das convocações via Facebook, o próprio Maher se surpreendeu. “Pensávamos que viriam uns poucos milhares, mas apareceram 100 mil só no Cairo. A revolução estava madura, só faltava uma gota a mais de querosene para fazer tudo explodir. E essa gota foi a violência da polícia contra os manifestantes”.

Margem estreita

Em muitos países, o que não falta é a situação madura. O que falta é o estopim para espalhar a revolta. Por que eles não se acendem espontaneamente? Uma tentativa de explicar o contágio dessas iniciativas foi a analogia dos “vírus mentais”, entidades voláteis que passariam de cérebro a cérebro nas multidões. Essa ideia foi sugerida por Richard Dawkins em 1976 no seu livro O gene egoísta. Segundo Dawkins, existiriam mecanismos replicadores (ele não gosta do termo “vírus”) que seriam os transmissores da evolução cultural, assim como o gene é o da evolução darwiniana.

Essa entidade da replicação de ideias e costumes seria algo batizada por ele de meme, que seria para o cérebro o análogo do gene na genética. Ele é considerado uma unidade de informação imaterial que pula e replica de cérebro em cérebro, entre locais nos quais a informação é armazenada (como livros) ou em outros locais de armazenamento ou cérebros. Para Dawkins e seus seguidores, o meme não seria material como um vírus, mas estaria sujeito às mesmas leis estatísticas de proliferação epidêmica.

A virulência numa epidemia biológica pode ser avaliada por fatores como a potência do agente, sua velocidade de replicação, condições ambientais de propagação e vários outros fatores conhecidos da medicina, mas, no caso da replicação de memes, as condições para que ela seja efetiva ainda são desconhecidas. Portanto, é pouco provável que um bando de geniozinhos políticos e informáticos consiga bolar uma “virose” efetiva.

De qualquer maneira, a internet e suas redes sociais entraram irreversivelmente para o arsenal da política, assim como os livros de Gutenberg. Ao longo da história, os livros desencadearam grandes movimentos de mudanças sociais, mas também muitas obras deletérias, como Mein Kampf, de Hitler, causaram grandes desastres para a civilização.

No caso da internet, é possível dizer que ela, por sua natureza anárquica e libertária, possa ser inerentemente uma propagadora das democracias política e econômica?

Num recente fórum de debates da revista The Economist, a resposta foi meio nebulosa. Os leitores da revista, formadores de opinião em escala mundial, ficaram perto do empate. Por 58% a 42% dos votos, ganhou a tese de que a internet levará, por sua própria natureza, a um mundo mais democrático. Mas a margem foi muito estreita, deixando bastante evidente que a rede mundial pode também ser levada a manipular as maiorias. O que não faltam são interesses econômicos e políticos gananciosos para que isso aconteça. A política e a economia, como tem sido até agora, é que são os fatores mais decisivos das mudanças.

Índios: por eles próprios

Para comemorar o Dia do Índio – dia 19 de abril – que tal conhecer a realidade das tribos brasileiras pelo olhar da própria comunidade local? Esta é a proposta da ONG Vídeo nas Aldeias. No site da instituição, professores e alunos podem acessar a coleção Cineastas Indígenas: um outro olhar, que reúne 20 documentários em DVD sobre cinco etnias brasileiras: Kuikuro, Huni Kui, Panará, Xavante e Ashaninka. Os filmes foram concebidos e realizados pelos próprios índios. No portal, há ainda o Guia para professores e alunos, com sugestões de usos em sala de aula e um farto material de referência sobre os povos retratados.

Os filmes,fruto de oficinas produzidas pela instituição nas aldeias do Mato Grosso e Acre, oferecem uma variedade de abordagens da temática indígena, que pode ser tratada nas aulas de História, Geografia, Meio-Ambiente, Cidadania, Ciências-Sociais, Filosofia e Artes.

Cada uma das etnias auto-retratadas nos filmes está representada no Guia, que inclui informações gerais, da localização e da população das tribos à sua cosmologia, atividades econômicas e ritos. O guia também desfaz mitos correntes sobre os povos indígenas brasileiros – como a idéia de um índio genérico, atrasado e em extinção – e propõe aos professores e alunos temas para debate.

Criada em 1987, a Vídeo nas Aldeias funciona como uma escola de cinema para índios. Com patrocínio do Ministério da Cultura e da Embaixada da Noruega, ela equipa e treina comunidades de etnias variadas para realizar seus próprios documentários.

Veja os filmes

Leia o guia

Festival de cinema sobre energia nuclear

Um filme dos Estados Unidos e Japão com os sobreviventes da bomba atômica que destruiu a Cidade de Hiroshima; um filme dinamarquês que mostra a inviabilidade de depositar os resíduos radioativos das usinas nucleares num lugar seguro e por mais de cem mil anos; um filme sobre a luta dos aborígenes e ambientalistas da Austrália contra uma mina de urânio em um parque nacional.

Estes são alguns dos filmes que participarão do Urânio em Movi(e)mento, o 1º Festival de Filmes sobre Energia Nuclear do Rio de Janeiro. Segundo Marcia Gomes de Oliveira, coordenadora do evento, o festival já recebeu mais de 40 filmes internacionais, documentários de curta e longa metragem sobre o ciclo nuclear de todos os continentes.

Os filmes mostram o mundo e os riscos nucleares. Desde a mineração de urânio às usinas nucleares, do transporte do lixo radioativo aos acidentes com navios nucleares, de Chernobyl e ao acidente com o Césio 137, em Goiânia; de Hiroshima ao escândalo da munição radioativa dos Estados Unidos nas guerras no Iraque.

O Festival pretende informar a sociedade e estimular produções independentes audiovisuais sobre energia nuclear e todo o ciclo nuclear, os riscos da radioatividade e especialmente sobre exploração, mineração e o processamento de Urânio. “Toda sociedade, todo povo tem o direito de escolha. Mas para decidir, é necessário informação. Acreditamos que informação independente é essencial para a cidadania global. Informação independente é o básico para decisões independentes”, ressalta a coordenadora.

O 1º Festival Internacional de Filmes sobre Energia Nuclear acontecerá entre os dias 21 e 28 de maio no Rio de Janeiro e em junho em São Paulo.

Saiba mais:
http://www.uraniumfilmfestival.org

Os melhores de 2010

 

“Um país se faz com homens e com livros”. A frase, sim, é do imortal Monteiro Lobato. É justamente em homenagem a ele que se comemora no dia 18 de abril, dia do seu nascimento, o dia nacional da literatura infantil. E, talvez, poucos saibam, mas o Brasil vai muito bem obrigado na área. Seja em quantidade e  qualidade de autores, seja na quantidade e qualidade das obras. Não é à-toa que o país já levou para casa duas vezes o Prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante prêmio literário da literatura infanto-juvenil, considerado o Nobel de Literatura para crianças. Em 1982, Lygia Bojunga. E em 2000, Ana Maria Machado.

Com relação à qualidade das obras, a Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil (FNLIJ) realiza anualmente uma seleção criteriosa do que é lançado no mercado. O objetivo é dar publicidade aos melhores títulos editados para crianças e jovens e criar uma base referencial de qualidade, permanentemente atualizada, sobre literatura infantil e juvenil.

Ao todo são 15 categorias. Confira: O Melhor para a Criança; O Melhor para o Jovem; O Melhor Livro de Imagem; O Melhor Livro Informativo; A Melhor Tradução/adaptação (criança/jovem/informativo/reconto); O Melhor Livro de Poesia; O Melhor Livro Teórico; O Melhor Livro Brinquedo; O Melhor Livro de Teatro; O Melhor Livro Reconto; O Melhor Livro de Literatura de Língua Portuguesa; O Melhor Projeto Editorial; Revelação Escritor; Revelação Ilustrador e A Melhor Ilustração.

A revistapontocom traz, abaixo, os ganhadores da última edição.

Uma boa dica para os pais na hora das compras.

Veja os ganhadores da última edição:

O Melhor para a Criança
– O lobo, de Graziela Bozano Hetzel. Ilustração de Elisabeth Teixeira. Editora Manati

O Melhor livro de imagem
– A Onda, de Susy Lee. Editora Cosac Naify

O Melhor livro informativo
– Kafka e a marca do corvo. Romance biográfico sobre a vida e o tempo de Franz Kafka, de Jeanette Rozsas. Geração Editorial

O Melhor livro Jovem
– A espada e o novelo, de Dionisio Jacob. Edições SM

– Uma ilha chamada livro: contos mínimos sobre ler, escrever e contar, de Heloísa Seixas.  Record

O Melhor livro Jovem – Hors-Concours
– Com certeza tenho amor, de Marina Colasanti. Editora Global

– Marginal à esquerd, de Angela-Lago. Editora Rhj

– Querida, de Lygia Bojunga. Casa Lygia Bojunga

– Tempo de vôo, de Bartolomeu Campos de Queirós. Edições SM

O Melhor livro de literatura em Língua Portuguesa
– Avó Dezanove e o segredo do soviético, de Ondjaki. Companhia das Letras

O Melhor livro-Brinquedo
– Girafas não sabem dançar, de Giles Andrade.  Companhia das Letrinhas

O Melhor livro Ilustração – Hors-Concours
– Carvoeirinhos, de Roger Mello. Ilustração Roger Mello. Companhia das Letrinhas

O Melhor livro Projeto Editorial
– Av. Paulista, de Carla Caffé. Cosac Naify. Edições SESC SP

O Melhor livro poesia

– Bichos, de Ronaldo Simões. Editora Aletria

O Melhor livro Reconto
– Da Vinci das crianças: histórias de Leonardo da Vinci, de José Arrabal Anasor. Paulinas

O Melhor livro Teatro
– Os meus balões: o incrível encontro de Júlio Verne com Santos Dumont, de Karen Acioly. Rocco

O Melhor livro Teórico
– O professor e a literatura: para pequenos, médios e grandes, de Ligia Cademartori. Autêntica

O Melhor livro Tradução/Adaptação Criança
– Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Trad. Nicolau Sevcenko/Luiz Zerbini. Cosac Naify

O Melhor livro Tradução/Adaptação Informativo
– Homens da África, de Ahmadou Kourouma. Trad. Roberta Barni/Giorgio Bacchin. Edições SM

O Melhor livro Tradução/Adaptação Jovem
– O arminho dorme, de Xosé A. Neira Cruz. Trad. Nilma Lacerda. Edições SM

O Melhor livro Tradução/Adaptação Reconto
– Meus contos africanos, de Nelson Mandela. Trad. Luciana Garcia. Martins Fontes

Prêmio Especial Tradução Criança
– Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak. Trad. Heloisa Jahn Maurice Sendak. Cosac Naify

Cenas de violência nos telejornais. Horário impróprio?

Por Flávia Péret
Do observatório da  Imprensa

Uma indignação profunda me motiva a escrever este texto. Nos últimos 15 dias assisti na TV (precisamente Rede Globo, Jornal Nacional e Jornal da Globo) a matérias sobre tentativas de assalto seguidas de assassinato que foram gravadas por circuitos de segurança interna e, posteriormente, exibidas. Cenas de execuções sumárias, imagens violentas, veiculadas em horário impróprio para crianças e adolescentes.

Na primeira matéria, um rapaz universitário, em São Paulo, é abordado por dois homens ao chegar em casa à noite. Depois de uma confusão que não entendi totalmente, os assaltantes vão embora, o rapaz volta para fechar o portão, um dos bandidos reaparece e atira na cabeça dele. Na imagem, vemos o corpo caindo, o sangue e, minutos ou segundos depois, os pais apavorados que vêm ao encontro do filho morto. Toda a cena foi filmada pela câmera particular da família e reproduzida (com autorização de quem?) pelas redes de TV.

Nas imagens de hoje (23/3), outro jovem é a vítima, agora de policiais militares (acho que é de Bélem). O jovem é abordado, levado para um canto na rua e, de repente, um policial dispara em direção ao corpo do rapaz, ele balança e o tiro parece atingir a barriga. Nesse momento, decido que não vou continuar vendo as imagens e mudo de canal.

Imagens assustadoras

Legalmente, a mídia pode exibir essas imagens? Existe um código de ética que trata da questão? Por que a mídia exibe e reproduz essas imagens? Por que é preciso mostrar a morte? Por que precisamos conviver com essas imagens? Conviver, sim, porque enquanto faço minha aula de ginástica uma TV ligada mostra o assassinato do rapaz em São Paulo. Não tenho o direito de desligar a TV, como fiz hoje em casa. Mostrar a morte, além de desrespeito com os familiares, é uma banalização da violência. Acho que esse assunto merece uma discussão mais profunda, cuidadosa e ética.

Quais são os limites – limite não é censura – do jornalismo televisivo? Qual o futuro do telejornalismo num contexto cada vez mais fotografado, vigiado, filmado? A lógica do furo? Da “melhor” imagem? Da informação “completa”? Do direito à informação? E quando os cinegrafistas são “substituídos” por câmeras que funcionam 24 horas e gravam tudo? É preciso mostrar tudo? Não mostrar a morte é esconder que vivemos num país cada dia mais violento? Mostrar reiteradamente assassinatos tem alguma função, além de criar paranoia e medo na população? Precisamos ver assassinatos como esses para acreditar que eles existem?

Peço desculpa pelos erros e informações incompletas, escrevi no calor da hora, uma espécie de desabafo, espero que vocês de alguma forma possam reverberar essas questão. Por que o cinema (um certo tipo de cinema) discute tanto essas questões e o jornalismo não? As implicações éticas de uma imagem, as representações e ideologias que as imagens engendram e reproduzem, as construções parciais e frágeis de mundo que sustentam, o modo como jornalismo tem lidado com essas imagens me assusta profundamente.

Rádios e TVs educativas em revisão

O Ministério das Comunicações quer ouvir a sociedade sobre o processo de outorgas para radiodifusão educativa. Para isso, está em consulta pública, via internet, uma proposta de portaria que regulamenta o procedimento. A consulta ficará disponível para sugestões e críticas no site do ministério até 30 de abril. Também serão aceitas contribuições recebidas por carta até o dia 4 de maio.

A norma em consulta traz importantes novidades para a radiodifusão educativa, tanto para rádios quanto para TVs. Uma das principais mudanças é que o processo de seleção dos interessados em operar o serviço agora deve acontecer por meio de avisos de habilitação, como já acontece com a radiodifusão comunitária. A norma também estabelece critérios que vão balizar a análise das propostas encaminhadas ao ministério.  Terá maior pontuação, por exemplo, uma universidade ou fundação que tenha o maior número de alunos em relação à população do município. O tempo proposto para o funcionamento diário da emissora também será levado em conta.

“A ideia é lançar critérios objetivos para garantir que o serviço cumpra a sua função de educar a população brasileira. Nesse sentido, a participação da sociedade é importantíssima. Estamos colocando em consulta para que a população possa apresentar sugestões e críticas. Essas contribuições serão analisadas para chegarmos a um documento final que atenda tanto aos interesses do ministério como formulador de políticas públicas quanto aos da própria sociedade”, afirma o Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica, Genildo Lins.

Depois do encerramento da consulta pública e análise das contribuições, o MiniCom vai lançar um planejamento de outorgas por área geográfica, a exemplo do que foi feito com o Plano Nacional de Outorgas para Radiodifusão Comunitária, lançado no início deste mês. 

Como funciona hoje

Atualmente, o Ministério das Comunicações concede as outorgas para radiodifusão educativa conforme a demanda, sendo uma decisão discricionária do ministro à frente da pasta. Com a nova norma, o objetivo é que os critérios de escolha fiquem claros para toda a sociedade. “Agora, em vez de o MiniCom outorgar, vai consultar por meio de aviso de habilitação para ver se há mais interessados em operar o serviço em uma determinada região”, explica Genildo Lins.

Segundo o secretário, nos casos de regiões em que o ministério diagnosticar a necessidade do serviço de radiodifusão educativa, é possível lançar aviso de habilitação mesmo que não tenha havido manifestação de interesse prévia.

Para participar da consulta, acesse http://consultapublica.mc.gov.br/consulta/logon.asp. O acesso deverá ser feito por meio de um cadastro – que também pode ser preenchido na página.

Mapeamento

Hoje, estão em funcionamento 764 emissoras educativas em todo o Brasil, sendo 459 rádios e 305 TVs. A maior parte delas está no Estado de São Paulo, que conta com 69 emissoras de rádio e 100 de televisão. Acesse aqui a tabela com o número de emissoras educativas, por unidade da federação.

Fonte – Ministério das Comunicações
org

Dever de casa: tarefa inteligente

A equipe pedagógica do Colégio Estadual Pio XII, em Maripá (PR), a mais de 500 km de Curitiba, acredita que o dever de casa é importante e deve ser uma oportunidade de consolidar os conteúdos vistos em aula. E para aqueles alunos que raramente fazem essa atividade, os professores defendem a conscientização em vez da penalização. “A equipe pedagógica da escola entra em contato com a família para que, juntos, escola e família trabalhem no sentido de conscientizar o aluno sobre a importância da lição de casa para a sua aprendizagem”, explica a diretora da instituição, Adriana Marquioro Baumann.

Na visão da professora Jussara Nowatschek, que ministra aulas de ciências no Ensino Fundamental, a motivação do aluno para realizar as tarefas de casa vem da conscientização da importância que elas têm para o processo ensino-aprendizagem. Para Jussara, que atua no magistério há 23 anos, a lição de casa retoma o conteúdo trabalhado em sala, possibilitando ao aluno a fixação e, inclusive, a autoavaliação. “Ao realizar as tarefas ele pode detectar se entendeu ou não o conteúdo”, ressalta a professora, que costuma incluir nos deveres de casa atividades como: exercícios de revisão, pesquisas, construção de pequenos instrumentos e relatórios de práticas científicas.

Na visão de Adriana, que está há 15 anos no magistério, sete dos quais na direção, é importante que o educador observe as dificuldades apresentadas pelos estudantes durante a explicação de um novo conteúdo. Desse modo, ao elaborar as atividades que farão parte da lição de casa, elas deverão abordar o necessário para a compreensão dos alunos sobre o conhecimento que se deseja transmitir.

A diretora adianta que as lições de casa elaboradas no Colégio Pio XII são bastante diversificadas. “Cada professor elabora ações diferenciadas, criando estratégias bem definidas no sentido de consolidar os conteúdos vistos em sala de aula”, destaca.

Segundo Adriana, durante as reuniões pedagógicas são desenvolvidos temas para debater o assunto, pois o professor deve criar estratégias e objetivos que irão propiciar um melhor aprendizado para o aluno. “As atividades devem ser desafiadoras, porém compreensíveis aos alunos. Os conteúdos pedagógicos devem ser bem definidos de forma que as estratégias sejam bem específicas”, conta Adriana. A escola tem 600 alunos matriculados, nos três turnos, nos níveis Fundamental e Médio.

Fonte – Jornal do MEC

Midiaeducação em debate

“Na sociedade atual,  para além da escola, existem outros espaços de aprendizagem que não são instâncias opostas e contraditórias a ela”, destaca Anna Helena Altenfelder.

Por Marcus Tavares

O que é midiaeducação? Um conceito? Uma ideia? A sua grafia escrita junta ou separada traduz algum significado? Existiria outro termo que definiria melhor a interface entre a educação e a mídia? Trata-se de um novo campo de estudo?

A revistapontocom dá prosseguimento esta semana a publicação da primeira parte do Dossiê midiaeducação, na qual publica entrevistas com professores, estudiosos e pesquisadores sobre o tema. A cada semana, pelos próximos três meses, uma nova entrevista. Um novo olhar. Uma nova perspectiva sobre a interface mídia e educação.

Para a OSCIP Planetapontocom, midiaeducação é um conceito que se traduz em um trabalho educativo sobre os meios, com os meios e através dos meios. Sobre os meios, refere-se ao estudo e análise dos conteúdos presentes nos diferentes meios e suas linguagens. Com os meios, trata-se  do uso dos meios e suas linguagens como ferramenta de apoio às atividades didáticas. E através dos meios, diz respeito a produção de conteúdos curriculares para e com os meios, em sala de aula e, também, a educação a distância ou virtual, quando o meio se transforma no ambiente em que os processos de ensino-aprendizagem ocorrem.

Afonso Albuquerque, Paulo Carrano, Ismar de Oliveira, Regina de Assis, Rosália Duarte, Eduardo Monteiro, Inês Vitorino, Mônica Fantini, Gilka Girardello, Rita Ribes, Nilda Alves, Guaracira Gouvêia e Inês Vitorino são alguns dos nossos convidados/entrevistados da série. Nesta semana, você confere a entrevista com Anna Helena Altenfelder, superintendente do Centro de Estudos em Pesquisa Educação e Ação Comunitária (Cenpec).

Ela polemiza e destaca que, talvez, a interface entre midiaeducação pode ser chamada, objetivamente, pela expressão cultura digital. O que você acha? Lembre-se, leitor, você também pode participar desta série, enviando sua dúvida, comentário ou relato de experiência.

Acompanhe:

revistapontocom – Como podemos definir o conceito de midiaeducação?
Anna Helena Altenfelder – O conceito midiaeducação surge para discutir, revelar as relações entre dois fenômenos sociais: educação e mídia. Na verdade, à medida que as mídias se multiplicam em diversidade e intensidade,  tomando  um espaço cada vez maior na vida da pessoas e nas diferentes esferas de atividade humana, faz-se necessário pensar quais as relações que estas mídias estabelecem com a educação das novas gerações. É preciso ter clareza de que não é mais possível pensar educação e escola sem considerar as possibilidades oferecidas pelas diferentes mídias, bem como as profundas modificações advindas delas nas diferentes esferas sociais. Esse é um desafio do nosso tempo e, embora avanços tenham sido feitos, como educadores, ainda temos muito que caminhar nessa direção.

revistapontocom – De onde surgiu este conceito?
Anna Helena Altenfelder – Este conceito, aliás como todos os outros, não surgem por si só, mas, sim, para ilustrar ou explicar um dado fenômeno social, ou seja é a própria realidade que mobiliza a necessidade de se criar um conceito que possibilite uma reflexão teórica-prática sobre o tema para embasar e dar parâmetros de ação para a prática educativa.

revistapontocom – Qual é o objetivo da midiaeducação?
Anna Helena Altenfelder – O objetivo é pensar de que forma a mídia ou melhor as diferentes mídias afetam as formas de pensar, sentir e agir dos sujeitos, criando uma reflexão crítica sobre a questão.

revistapontocom – Midiaeducação é a forma mais correta de nomear este conceito?
Anna Helena Altenfelder – Como ainda é um conceito em construção, são várias os termos usados. Na verdade, penso que ainda é preciso uma revisão crítica destes termos. Uma revisão que ultrapasse as simples questões semânticas e contemple questões mais amplas sobre visão de mundo, de homem, papel social da mídia e da educação. Ultimamente, o termo cultura digital tem sido usado e me parece interessante. Primeiro por que tanto a mídia quanto a educação são processos e produtos sociais, portanto estamos falando de cultura produzida nas e pelas interações sociais. O adjetivo digital me parece adequado,  no momento, para sinalizar a predominância dos meios digitais no contexto atual.

revistapontocom – Qual é o papel da educação e de seus profissionais nesta relação?
Anna Helena Altenfelder – Na verdade, o processo educativo tem em seu âmago a contradição de ser conservador e, ao mesmo tempo, trazer a possibilidade da transformação. Assim é preciso pensar em uma visão crítica, ou seja, um processo educacional que se identifica com os interesses da maioria da população e que, portanto, tem sua legitimidade ao  caminhar para a construção da cidadania. Nesta direção, entendemos que a escola, em uma sociedade democrática, é a responsável por garantir que as gerações mais jovens tenham a oportunidade de se apropriarem dos instrumentos culturais básicos (as diferentes mídias entre eles)  que permitem compreender a realidade social e promover o seu desenvolvimento. A educação  tem como objetivo último a transmissão de conhecimentos, com sentidos e significados para os alunos, de modo que possam se apropriar dos mesmos e, então, compreender e intervir em sua realidade social.

revistapontocom – Qual é o papel da mídia e de seus profissionais?
Anna Helena Altenfelder – Na sociedade atual,  para além da escola, existem outros espaços de aprendizagem que não são instâncias opostas e contraditórias a ela, mas que, muito pelo contrário, podem compor e complementar a educação escolar, assim a mídia e seus profissionais, assim como outros profissionais de diferentes esferas sociais. Os profissionais da mídia precisam ter claramente a responsabilidade que têm na formação das novas gerações. Devem se perguntar que mundo e que país querem construir e como seu trabalho pode ou não influenciar este futuro. Devem ter uma maior consciência sobre seu papel, o que demanda  um olhar mais crítico sobre seu saber e fazer.

Midiaeducação uma ‘boa ideia e uma relação necessária’

” Não creio que possamos dizer que “midiaeducação” seja um conceito. É uma ‘boa ideia’ e uma relação necessária”, destaca Nilda Alves.

Por Marcus Tavares

O que é mídia e educação? Um conceito? Uma ideia? A sua grafia escrita junta ou separada traduz algum significado? Existiria outro termo que definiria melhor a interface entre a educação e a mídia? Trata-se de um novo campo de estudo?

A revistapontocom inicia esta semana a publicação da primeira parte do Dossiê midiaeducação, na qual vai publicar entrevistas com professores, estudiosos e pesquisadores sobre o tema. A cada semana, pelos próximos três meses, uma nova entrevista. Um novo olhar. Uma nova perspectiva sobre a interface mídia e educação.

Para a OSCIP Planetapontocom, midiaeducação é um conceito que se traduz em um trabalho educativo sobre os meios, com os meios e através dos meios. Sobre os meios, refere-se ao estudo e análise dos conteúdos presentes nos diferentes meios e suas linguagens. Com os meios, trata-se  do uso dos meios e suas linguagens como ferramenta de apoio às atividades didáticas. E através dos meios, diz respeito a produção de conteúdos curriculares para e com os meios, em sala de aula e, também, a educação a distância ou virtual, quando o meio se transforma no ambiente em que os processos de ensino-aprendizagem ocorrem.

Anna Helena Altenfelder, Afonso Albuquerque, Paulo Carrano, Ismar de Oliveira, Regina de Assis, Rosália Duarte, Eduardo Monteiro, Inês Vitorino, Mônica Fantini, Gilka Girardello, Rita Ribes, Nilda Alves, Guaracira Gouvêia e Inês Vitorino são alguns dos nossos convidados/entrevistados da série. Na abertura do dossiê, você confere o diálogo com a professora Nilda Alves, da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Além de vários livros publicados, a professora coordena o Laboratório Educação e Imagem e, pelo CNPq, o grupo de pesquisa Currículos, redes educativas e imagem.

Você também pode participar desta série, enviando sua dúvida, comentário ou relato de experiência.

Acompanhe:

revistapontocom – Como podemos definir o conceito midiaeducação?
Nilda Alves – Não creio que possamos dizer que “midiaeducação” seja um conceito. É uma ‘boa ideia’ e uma relação necessária. A amplitude que as mídias ganharam em nossos tempos e sua importância como ‘espaço tempo’ educativo, exigiu que o campo da educação dedicasse a ela sua atenção e suas emoções (entusiasmo ou raiva, ‘negação afirmação’). Naturalmente, como em muitas coisas, foram os mais jovens que iniciaram esses processos, trazendo para nossas tantas redes educativas (escolas, movimentos sociais, associações e sindicatos, religiões etc) suas possibilidades, nos dizendo: por aqui, talvez, seja muito mais divertido (e rápido). Claro, essa ideia de diversão (e rapidez) estreitamente ligada a processos educativos – sejam curriculares ou não, mas sempre pedagógicos – ao meio a muitas discussões e brigas, obrigou a que muitas “mexidas” fossem dadas em processos educativos tradicionais e, entre elas, uma a que tenho me dedicado a compreender: a mudança “coperniana” sobre os que ‘aprendemensinam’ nas escolas. Fica cada vez mais difícil falarmos em professores que ensinam e estudantes que aprendem. Somos agora, todos, ‘docentesdiscentes’ ou ‘discentesdocentes’, como preferirem.  Além disso, esses contatos possíveis e necessários fizeram com que os limites entre o ‘dentrofora’ das escolas – ou de outra rede educativa que consideremos – fossem caindo um a um. É por isso, que a grande ideia da contemporaneidade, a ser compreendida, é a de redes de conhecimentos e significações. Com ela, não há mais ‘começo preciso’ – no sentido de preciso no poema de Fernando Pessoa – e muito menos um fim datado.

revistapontocom – De onde surgiu este conceito?
Nilda Alves – Como disse anteriormente, não creio que ‘midiaeducação’ seja um conceito. Diria, sim, que passou a ser para muitos de nós “personagem-conceito” como indicou Deleuze: algo necessário ao pensar filosófico sobre alguma questão de nosso ‘espaço tempo’. Lefebvre nos indicou as múltiplas determinações para ‘ideia’ e uma delas, que aqui podemos reter, é a que significa “termo de conhecimento, recapitulando todo o movimento do conhecimento e, portanto, retornando ao imediato. A ‘ideia’ é unidade da ‘mediação’ (da abstração, do pensamento) e do ‘imediatamente’ dado (da natureza)”. Gosto muito, também, do termo ‘noção’, para compreendermos e usarmos em tempos de dúvida (crise?). Ainda Lefebvre nos indica que o recurso à noção aparece quando, em ciência, não temos um conceito fechado sobre uma questão. Desta maneira, o recurso à noção vai aparecer quando um determinado pensamento ainda está em curso. Para mim, me parece muito útil, nestes momentos de tantas dúvidas epistemológicas, teóricas e práticas. Nestes momentos – escrevo poucos dias após ao tremor de terra terrível que abalou a vida dos japoneses e de tanta gente em volta deles – em que até as ciências ditas “exatas” começam a perceber que é preciso abandonar suas bases de certezas – muitas vezes absolutas – para começar a trabalhar com as dúvidas e incertezas ao lidarmos com a natureza e os seres humanos. Nesse momento, talvez “ideia” e “noção” ajudem mais ao que precisamos saber e discutir, nas nossas limitações de cientistas e humanos.

revistapontocom – Qual é o objetivo da midiaeducacao?
Nilda Alves – Assim sendo, existiria um ‘objetivo’ para isso? Os processos que juntaram mídias e redes educativas é uma grande criação humana, desde sempre. Há o clássico exemplo das pinturas rupestres feitas em cavernas pelos seres humanos, em nossos períodos históricos iniciais ou o exemplo pedagógico dos processos curriculares, nos quais o diversificado material didático usado nas escolas desde as sugestões de Comenius, por exemplo – e que tantas lembranças nos trazem quando nos deparamos com qualquer um deles, seja guardado cuidadosamente por uma professora aposentada ou reunidos em um museu (como o Musée national de l’Éducation, em Rouen/França). A condição humana de produzir artefatos é ilimitada e esses surgem junto a ‘usos’ que vão se modificando e impondo mudanças aos artefatos. Gosto muito de lembrar aqui a necessidade de criação do ‘descanso de tela’ quando os PCs foram criados, dentro dos modos de usar cotidianos, as pausas e a ausência dos usuários que iam atender outras demandas, diferentemente dos grandes computadores que tinham sempre “alguém” olhando para eles. Os objetivos de qualquer artefato e de seus múltiplos ‘usos’ são sempre ilimitados já que os seres humanos têm possibilidades diferenciadas: surgindo para acumulação de dados ou para a comunicação – mais rápida e eficaz – vão servindo a múltiplos campos: nas artes; na pedagogia; nas ciências; nos movimentos sociais etc.

revistapontocom – Midiaeducação é a forma mais correta de nomear este conceito? Haveria algum nome mais oportuno?
Nilda Alves – Se nomeamos assim esta relação – ideia ou noção – para explicar um determinado processo humano, creio que deve estar bem nomeada. Se outra relação surgir, os seres humanos em seu conjunto se encarregarão de nomeá-la criativamente.

revistapontocom – Qual é o papel da educação e de seus profissionais nesta relação midiaeducação?
Nilda Alves – Prefiro estudar e me referir aos ‘usos’ que ‘docentes discentes’ fazem dos artefatos culturais que surgem na sociedade nos processos curriculares que desenvolvem. Nas pesquisas que nosso grupo desenvolve esses ‘usos’ são muito variados. Uma observação importante aos leitores: interessa-nos pouco aquilo que os professores não fazem, não querem, não sabem…Queremos sempre saber o que fazem, o que querem, o que sabem…E encontramos coisas muito interessantes quando as procuramos: o interesse, por exemplo, de estudantes de licenciatura pelas disciplinas ‘on line’– dentro dos 20% legais – que desenvolvemos nos cursos presenciais. Ou dentro de projetos, financiados por editais da Faperj, que desenvolvemos em escolas públicas, no ‘uso’ de mídias diversas – jornais na Internet (www.lab-eduimagem.pro.br/jornal e www.lab.eduimagem.pro.br/REDES) ou na produção de vídeos nos quais ‘docentes discentes’ se envolvem e criam artefatos muito, muito interessantes, sejam artigos, sejam vídeos. Criar ‘espaço tempo’ para esta circulação de ideias e artefatos é nuclear para as pesquisas em educação que se preocupam com os cotidianos escolares.

revistapontocom – Qual é o papel da mídia e de seus profissionais nesta relação midiaeducação?
Nilda Alves – Antes de mais nada, quero lembrar que depois da criação dos PCs tanto a indústria desses artefatos como as redes sociais para o ‘softwear livre’ sentiram necessidade de compreender o ‘usuário’ não só como consumidor, mas como criador. As experiências recentes de mudanças políticas no Oriente Médio mostram que os seres humanos criam mesmo. O modo como os ‘softwear livres’ se desenvolveram mostram essa criação. Creio, assim, que nossos tantos profissionais terão muito a receber se decidirem se colocar em redes de trocas de conhecimentos e significações, nas quais ‘aprendemos ensinamos’ uns aos outros de modo consistente e permanente. As contribuições particulares dos profissionais das mídias – elas são tantas que os obriga também a trocar entre eles, não é mesmo? – à educação precisam ser compreendidas nas redes em que os profissionais da educação têm muito a dizer sobre processos educativos múltiplos a outros profissionais. Somente assim, “la nave va” como deverá ir. Na troca mútua, encontraremos também os caminhos melhores para as trocas. A circulação científica exige isto.

Violência no Rio

Nesta quinta-feira, dia 7, mais uma notícia triste chegou aos noticiários do Rio, repercutindo em todo o mundo: a tragédia que aconteceu na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, ex-aluno da escola, entrou na instituição armado, disparando tiros. Matou 11 crianças. Depois de levar um tiro na perna, disparado pela polícia que conseguiu ser avisada a tempo, se matou com um tiro na cabeça. Segundo as últimas informações da Secretaria Estadual de Saúde do Rio, há também 13 feridos, sendo dez meninas e três meninos – quatro em estado grave.

Tão logo que ocorreu a tragédia, os meios de comunicação já estavam de prontidão. Com certeza, o assunto ainda ganhará muito espaço na mídia e  crianças e jovens tomarão conhecimento do assunto.  Qual é o impacto desta informação no dia a dia deles? Como explicar o inexplicável? Como conversar sobre o assunto? Como não aterrorizá-los nem traumatizá-los? Como será o dia seguinte?

A revistapontocom abre aqui um espaço para vocês leitores opinarem e debaterem sobre o tema.

Abrimos a discussão com a opinião da psicanalista Maria Rita Kehl. Participe!

Maria Rita Kehl –  Claro que os pais e professores devem conversar com as crianças a respeito de episódios violentos como este que aconteceu diante delas. O pior meio de proteger uma criança é manter silêncio sobre o que elas já sabem e precisam esclarecer – e o que é mais difícil – elaborar. Penso que, mais do que explicar o que nós adultos nem saberíamos explicar, de tão absurdo que é, o melhor a fazer seria ouvir as crianças, deixá-las falar muito, fantasiar, botar para fora seus medos e sua raiva e depois tentar ver as soluções que elas dariam para o problema, mesmo que sejam soluções fantasiosas, impossíveis. O importante é fazer a palavra e a imaginação circularem entre todos de modo a que elas readquiram um pouco de confiança na escola e na capacidade delas próprias entenderem, bem ou mal, as coisas que acontecem.

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Professor com baixa autoeficácia

Professor com baixa eficácia

Fonte: veja.com

Um velho assunto e uma nova pesquisa. Cerca de 85% de uma amostra de 253  professores de Ensino Médio de escolas públicas estaduais de Campinas não se sente confiante para utilizar as atuais tecnologias no dia a dia escolar. É o que revela o estudo de doutorado de Cacilda Encarnação Augusto Alvarenga, defendida este ano na Faculdade de Educação da Unicamp.

Alvarenga investigou a autoeficácia – crença do indivíduo na sua capacidade de planejar e executar determinadas ações para atingir determinados resultados ou desempenhos – do professor frente às tecnologias de informação e comunicação (TIC) no ensino escolar, mais especificamente o computador e seus recursos.

De acordo com o estudo, a autoeficácia dos professores analisados é moderada, significando que é preciso trabalhar/capacitar melhor os professores no uso de tecnologia. A pontuação média dos pesquisados foi de 3.60, em uma escala de 1 a 6 pontos.
Segundo a professora, cursos de formação ou o simples acesso às tecnologias podem colaborar para que os professores adquirem mais habilidade para usar o computador e para ensinar com o auxílio das tecnologias, o que aumentaria, portanto, a autoeficácia dos docentes.

“Mas o fato de um professor ter autoeficácia baixa hoje, para usar as tecnologias com seus alunos, não significa que amanhã ou daqui a um mês ela ainda será baixa”, explica a pesquisadora.

Leia a matéria completa aqui

Fonte – Jornal da Unicamp

Coleção reúne a história dos educadores brasileiros

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Coleção pensadores

Já está disponível no portal Domínio Público do Ministério da Educação a Coleção Educadores. Concluída em novembro de 2010, as obras – no total de 62 – são dirigidas aos professores da educação básica e às instituições de educação superior que atuam na formação de docentes.

Paulo Freire, Anísio Teixeira, Jean Piaget e Antônio Gramsci, dentre outros, fazem parte da coleção, que começou a ser distribuída, no formato impresso, este mês pelo MEC às escolas da educação básica do país. Integram a coleção 31 autores brasileiros, 30 pensadores estrangeiros e um livro com os manifestos Pioneiros da Educação Nova, escrito em 1932, e dos Educadores, de 1959.

Educadores

Educadores

Na coleção, professores e estudantes de pedagogia e de cursos de licenciatura encontram um ensaio sobre cada autor, a trajetória da produção intelectual na área, uma seleção de textos, que corresponde a 30% do livro, e cronologia. A última parte traz a bibliografia do autor e das obras sobre ele. Cada livro tem, em média, 150 páginas.

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Brincadeira sem graça

Por Marcus Tavares

Bullying. A palavra já faz parte do dicionário de muitas escolas e famílias brasileiras, mas muitas ainda não sabem lidar com suas causas e conseqüências. E basta um novo caso ser divulgado para que as dúvidas e incertezas voltem à tona. Na última semana, o caso do menino australiano Casey Heynes, de 15 anos, ganhou o mundo, depois de ter um vídeo seu divulgado no You Tube. Nas imagens, Heynes aparece brigando com seu colega de escola, Richard Gale. Em entrevista a uma emissora de TV, Heynes contou ser vítima de bullying há três anos. A cena é forte. Heynes dá socos em Richard e em seguida o joga no chão.

Assista ao video de Casey Heynes

Os pais de Heynes desconheciam o que se passava na escola. Ficaram contentes com a reação do filho, mas não aprovaram a violência. A entrevista, já vista por mais de 228 mil pessoas, não ouviu nem consultou a escola, palco onde aconteceu o episódio. Em 12 minutos, a reportagem resgata, com uma certa dose de sensacionalismo, a história de Heynes. Ontem, vítima. Hoje, herói.

No Brasil, o conteúdo do vídeo foi tema de debate entre professores e pais. Virou, inclusive, gancho jornalístico para telejornais e revistas eletrônicas, como o Fantástico, da Rede Globo, que recebeu cerca de cem telefonemas de telespectadores narrando agressões sofridas na escola. E quase todas com uma mesma característica: as crianças sofrem as agressões, mas não contam para seus pais.

“Bullying é toda violência que ocorre em território escolar, e para ser bullying tem que ser intencional, ela tem que ser repetitiva, no mínimo três vezes, e a pessoa que sofre, a vítima, tem que estar sempre em uma situação desfavorável para fazer frente a essa agressão. E as agressões são difíceis de detectar. E 90% das crianças que sofrem bullying não falam para os pais”, aponta Ana Beatriz Barbosa Silva, psiquiatra.

Confira outras histórias de vítimas de bullying

Quem sofre

A pesquisa “Aprender sem medo”, realizada pela ONG Plan Brasil, revela que o bullying é mais comum nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e que a incidência maior está entre os adolescentes na faixa de 11 a 15 anos de idade, especialmente os estudantes da sexta série do Ensino Fundamental.

A pesquisa avaliou a incidência, as causas, os modos de manifestação, o perfil dos agressores e das vítimas, e as estratégias de combate aos maus tratos e ao bullying no ambiente escolar. Também foram realizados quatorze grupos focais com 55 alunos, 14 pais/responsáveis e 64 técnicos, professores ou gestores de escolas localizadas nas capitais pesquisadas

O levantamento mostra que é maior o número de vítimas do sexo masculino: mais de 34,5% dos meninos pesquisados foram vítimas de maus tratos ao menos uma vez no ano letivo de 2009, sendo 12,5% vítimas de bullying, caracterizado por agressões com frequência superior a três vezes.

Segundo a maioria dos entrevistados, a principal consequência recai sobre o processo de aprendizagem. Os dados indicam que tanto vítimas quanto agressores perdem o interesse pelo ensino e não se sentem motivados a frequentar as aulas. Embora gestores e professores admitam a existência de uma cultura de violência pautando as relações dos estudantes entre si, as escolas não demonstraram estar preparadas para eliminar ou reduzir a ocorrência do bullying.

Os alunos não conseguem diferenciar os limites entre brincadeiras, agressões verbais relativamente inócuas e maus tratos violentos. Tampouco percebem que pode existir uma escala de crescimento exponencial dessas situações.

O papel da escola e dos pais

O estudo conduzido pela Plan Brasil destaca que as escolas não estão preparadas para evitar o bullying, muito menos para estabelecer os limites entre brincadeira, agressão ou as formas de convivência que garantam a socialização e o respeito mútuo.

A pesquisa afirma que a gestão escolar e as competências dos docentes e técnicos do sistema de ensino não contemplam procedimentos de prevenção, controle e correção da violência. Mais do que uma omissão ou carência de capacitação e de instrumentos apropriados, parece existir uma tendência a considerar que este tipo de problema e sua solução não fazem parte da natureza ou da missão de uma instituição de ensino.

Os procedimentos adotados pelas escolas são as tradicionais formas de coação ao aluno, como a suspensão (culpabilização do aluno) e a conversa com pais (culpabilização da família), medidas, que segundo especialistas, são claramente insuficientes para a abordagem do fenômeno.

“A escola ainda se utiliza de ferramentas talvez adequadas para coibir os antigos casos de indisciplina, cuja causa estava localizada nas particularidades de uma família, de uma criança e de um contexto específico. O que este estudo traz para o debate atual é a constatação de que não se trata de um fenômeno de natureza individual. Os maus tratos entre pares e o bullying são fenômenos que ocorrem no ambiente da escola, mas atingem a coletividade e ao mesmo tempo revelam seus padrões de convívio social. É interessante perceber que, com raras exceções, a pesquisa revelou que a escola está  muito longe de reverter tal situação e não apresenta nenhuma ação de mais amplo alcance”, destaca a publicação da pesquisa.


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O que fazer?

1 – É fundamental estabelecer laços, proximidades e comunicações entre todos, entre escola, professores, pais, funcionários e estudantes, no sentido de promoverem ações voltadas para redução e eliminação da violência no ambiente escolar. É a comunidade que tem condições de planejar ações, identificar necessidades, falhas, desejos e, principalmente, propor soluções. Os gestores da educação devem ser capazes de estimular e facilitar tais processos, fortalecendo a gestão democrática nos sistemas de ensino.

2 – As escolas devem criar procedimentos preventivos e formas de reação ágeis para evitar a ocorrência de situações de bullying e quaisquer outras manifestações de violência entre estudantes. As normas devem ser claras, objetivas, aplicadas com rigor e transparência. A elaboração de tais regras e processos pode ser um excelente exercício participativo, que resulte em clara compreensão do fenômeno por todos os atores da comunidade, estimulando o engajamento dos próprios alunos e suas famílias, assegurando a legitimidade de sua aplicação.

3 – As questões do convívio social, dos padrões que regem as relações entre as pessoas e dos direitos de cidadania a que todos devem ter acesso não devem ser tratadas em uma disciplina específica, mas serem trabalhadas no conteúdo de todas as disciplinas da grade curricular.

4 – As escolas devem procurar diagnosticar, sistematicamente, a emergência de casos de bullying e outras formas de violência nas relações interpessoais, de modo a estabelecer metas objetivas de redução e eliminação do fenômeno no âmbito dos seus planejamentos estratégico e pedagógico.

5 – A gestão escolar deve incorporar atribuições de prevenção e controle da violência, que podem ser exercidas de forma integrada com outras instituições do Estado – segurança pública; polícias civil, militar, municipal, comunitária; conselhos municipais etc. – e da sociedade civil – associações de moradores, ONGs, fundações empresariais, movimentos sociais etc.

E qual é o papel da mídia?

Segundo a jornalista Ana Lagôa, coordenadora do Núcleo de Estudos de Comunicação e Educação (Nece) e voluntária do Centro de Ecologia Aplicada de Teresópolis (Ceat), o papel da mídia na divulgação do bullying, tanto no jornalismo como em outros setores (dramaturgia, entretenimento etc), é o mesmo que podemos requerer para qualquer outra questão que se refere à vida em sociedade.

Diz ela: “É um papel de extrema responsabilidade, pois tanto pode reforçar atitudes equivocadas, se cairmos na armadilha de glamurizá-las (exemplo: filmes pretensamente criados como comédias inocentes, mas que exaltam o bullying, o preconceito, o desrespeito, especialmente entre jovens; quadros pretensamente humorísticos baseados no achincalhe de um ou mais personagens, tendo como gancho cor de pele, aparência física, algum fator de deficiência etc); como pode mostrar o tanto que essas atitudes são cruéis e as consequências nefastas podem ocorrer para quem é o alvo das tais agressões, muitas vezes travestidas de brincadeiras”.

Para Lagôa, o mais grave é que justamente nos canas abertos, que têm como público a esmagadora maioria da população, encontram-se diuturnamente uma sequência de aberrações que podem ser classificadas como incentivo ao bullying.

De que forma, portanto, a mídia deveria abordar o tema?  Para a jornalista, com bom senso, com sabedoria. Com conhecimento profundo do tema, das suas implicações, das suas raízes e suas extensões.

“O primeiro passo seria abolir cenas de bullying de todos os programas dos canais abertos ou a cabo e de programas de rádio, impressos etc. Mas principalmente da TV. Usar a dramaturgia, que anda tão famosa e respeitada, para levar essa possibilidade de entendimento a amplas camadas da população. Noticiar incessantemente os casos de bullying que mereçam se tornar notícia, mas sempre evitando dar ares de importância – os tais 5 minutos de fama e glória – aos algozes praticantes do bullying”.

“É preciso desvendar essa prática em suas raízes familiares, pois sempre se fica com a impressão de que o bullying nasce e cresce na escola, quando na verdade ele é fruto de uma formação torta que vem de casa. Só o conhecimento tem poder de mudar atitudes, por isso o ato de informar nunca pode perder de vista o seu papel formador”, analisa.

Pingue-Pongue com Aline Bittencourt
orientadora educacional do Colégio Cruzeiro

– O bullying está presente hoje nas escolas?

Acredito que sim. Mas é importante pensarmos sobre a forma como o assunto vem sendo    interpretado após a ampla divulgação nos veículos de comunicação. Precisamos refletir com os alunos e ajudá-los a diferenciar o bullying  (fenômeno que sempre existiu e hoje recebe dedicada e merecida atenção dos educadores e outros especialistas) de uma atitude de desrespeito isolada. Em nossa escola,  depois da implantação do Projeto “Respeito é bom e eu gosto” nas turmas de 3º ao 5º do Ensino Fundamental I, em 2009, percebemos o fenômeno bullying com menor intensidade. Entendemos que, com o trabalho realizado, alunos que se “escondiam” (independente do motivo), nos procuraram pedindo ajuda. Assim, pudemos agir e cuidar dos casos de forma mais eficaz.

– De que forma o bullying aparece?

Na minha opinião, a motivação para a prática da intimidação, agressão (seja física ou verbal) ou desrespeito direcionado é subjetiva e está relacionada a história de cada sujeito. É preciso muito cuidado com todos os envolvidos, quem pratica, quem sofre e os possíveis expectadores. Além do acompanhamento de um psicólogo (se for o caso) para melhor compreendermos as causas e como aparece.

– Ocorre mais entre meninos ou entre as meninas?

Acredito que em igual proporção.

– A escola e os pais tomam conhecimento?

Em muitos casos sim.

– É difícil perceber um caso de bullying?

Depende muito da situação. Normalmente, acaba sendo mais observado pelos professores que acompanham as turmas. Ao perceberem alterações comportamentais ou  situações de conflito no grupo, logo propõem alguma atividade para a confirmação ou não do fenômeno. Um olhar sensível e atento da escola e dos pais facilita muito a percepção.

– De que forma o Colégio Cruzeiro vem procedendo?

Procuramos atuar de maneira preventiva, escutando e orientando os alunos de todos os segmentos e às famílias que precisam de atendimentos individualizados. Promovemos ainda diálogos e momentos de reflexão em reuniões com os pais durante o ano letivo. No ano passado, abrimos nosso Ciclo de Debates com uma palestra oferecida às famílias, ministrada pelo Dr. José Carlos Guedes, psicanalista e membro efetivo do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro, que teve como tema: “Escola e família: aprendendo a conviver com as diferenças”.

– Como é feito o diálogo/trabalho com e entre o ‘agressor’ e a ‘vítima’?

Depende da situação. Antes de dialogar e orientar os alunos,  discutimos procedimentos com a equipe das orientadoras educacionais, coordenadores e professores que atuam com os alunos em questão. E, se for o caso, a orientadora do segmento em que eles se situam entra em contato com psicólogos que atendem os envolvidos, para realizar um trabalho em conjunto. Em alguns casos, precisamos atuar junto à turma com técnicas de dinâmica, discussões e conversas em grupo ou estudos de casos.

– Os pais colaboram?

A maioria dos pais é parceira e interessada  em ajudar a resolver o problema.

Novela sexual: indicada para crianças e jovens?

  

Por Marcus Tavares
Editor da revistapontocom

Sou um defensor ferrenho da classificação indicativa da programação da tevê. Acho imprescindível que haja, sim, uma recomendação para os pais, embora muitos não a respeitem e acreditem que as crianças, pré-adolescentes e jovens possam assistir a tudo sem o menor constrangimento. Uma pena. Um exemplo é a atual novela das 21 horas, da TV Globo. Insensato Coração foi classificada como “não recomendada para menores de 12 anos”.

Na minha análise, não recomendada para menores de 12 anos é bastante condescendente. Boa parte dos personagens só fala e pratica sexo o tempo todo. É modelo que se vale do corpo malhado para trabalhar e ganhar dinheiro, é a ricaça que adora flertar com qualquer homem, principalmente os malhados, é mulher que se finge de santa, trai o noivo e tem fetiche de transar em banheiro público com segurança de shopping, é filha que incentiva – e dá cobertura – as traições amorosas do pai… E por aí vai. Seriam bons exemplos?

Não sei como esta narrativa é entendida por crianças/pré-adolescentes e adolescentes de 12, 13, 14, 15 anos… Com certeza, o que para os adultos não passa de mera distração, de mero entretenimento depois de um dia de trabalho estressante, não deve ser o mesmo para os que estão na faixa dos 12 aos 16 anos e que ainda estão descobrindo sua sexualidade.

No entanto, uma cena recente me chamou a atenção. Sim, de sexo. Só há isso na novela. Um casal de universitários estava na cama namorando. No entanto, o jovem rapaz não conseguiu vestir a camisinha e o namoro naufragou. O diálogo que seguiu, por parte da menina, foi interessante. Ela foi extremamente compreensiva e carinhosa. Bem, para os jovens, não as crianças, que assistem à novela e estão descobrindo a sua sexualidade e a sua primeira vez, valeu. Pena que essas cenas acontecem muito, muito raramente. Pais: fiquem de olho no conteúdo que seus filhos assistem na TV. Pelo menos, dialogue com eles sobre o que vêem.
Tenho a impressão, às vezes, que muitos pais e ou responsáveis não conversam com seus filhos sobre sexo. Muitos ainda têm vergonha e olha que estamos em pleno século XXI, onde teoricamente não existem mais tabus.

Será?