Prix Jeunesse Ibero-americano

Saiu a relação dos vencedores da 5ª edição do Prix Jeunesse Ibero-americano, festival que premia as melhores produções audiovisuais e digitais voltadas para crianças e adolescentes. A cerimônia de entrega dos troféus foi realizada na última semana, em São Paulo. A revistapontocom traz os nomes dos ganhadores em cada categoria.

Confira a relação e alguns vídeos:

Categoria – 0 a 6 anos – ficção
Primeiro lugar – A Velha a Fiar
País: Brasil
Prod.: Coala Filmes (Santo André)

Categoria – 0 a 6 anos – não ficção
Primeiro lugar – Cantamonitos – Duerme Negrito
País: Chile
Prod.: Vivienne Barry Animación (Santiago)

Categoria – 7 aos 11 anos – ficção
Primeiro lugar – Enciclopédia
País: Brasil
Prod.: Okna Produções Culturais (Porto Alegre)

Categoria – 7  aos 11 anos – não ficção
Primeiro lugar – ¡Neurona! – ¿Qué Vas a Comer Hoy?
País: Uruguai / Uruguay
Prod.: Aceituna Films (Montevideo) Uruguay

Categoria – 12 aos 15 anos – ficção e não ficção
Primeiro lugar – Pubertad – Me Gustas Tú
País: Cuba
Prod.: Instituto Cubano de Arte e Industria Cinematográficos (La Habana)

Categoria digital e interativa
Primeiro lugar – Fans del Planeta.
País: México
Prod.: Nao Kids (México DF)

Categoria Júri Infantil
Primeiro lugar – Procura-se
País: Brasil
Prod.: Pavirada Filmes (Brasília)

Categoria Prêmio do Coração
Pubertad – Me Gustas Tú
País: Cuba
Prod.: Instituto Cubano de Arte e Industria Cinematográficos (La Habana)

Em cartaz: cinema nacional infantil

Por Marcus Tavares
De Florianópolis

Mapear projetos em todo o Brasil, resgatar diretrizes e estabelecer ações concretas e imediatas. No que depender da secretaria do audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura (MinC), Ana Paula Santana, o cinema infantil nacional deve ser definitivamente entendido como política pública. “Não como uma marca do governo, mas como uma política pública de Estado. Perene e consistente. Para isso, é preciso ganhar conscientização, reconhecimento e apoio de todos os ministérios e setores da sociedade”, afirmou Ana Paula, ao instituir o grupo técnico de assessoramento de elaboração da política pública de cinema para a infância, grupo que tem a função de subsidiar as estratégias da área. O anúncio foi feito durante o 7º Encontro Nacional de Cinema Infantil, realizado no último dia 25, em Florianópolis, na programação da 10ª edição da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.

Responsabilidade, seriedade, criatividade e inovação. Para a secretaria, estas são as quatro palavras que devem fazer parte do dicionário do trabalho da comissão e de todos os que dialogam com a produção do cinema voltado para a infância. O grupo – constituído por produtores, realizadores, pesquisadores, educadores, desenvolvedores de tecnologia e comunicadores – terá sua primeira reunião em agosto. “Vamos ampliar a discussão com a sociedade, mas não estamos começando do zero. Tudo o que já foi dito sobre e pelo cinema infantil foi escutado, mas não se transformou em ação, em política pública. Essa é a minha defesa”, frisou Ana Paula.

De acordo com a secretária, o cinema infantil não pode mais ser visto como uma luta individual de algumas pessoas ou grupos que há anos vêm trabalhando para conquistar espaço e respeito. O cinema infantil brasileiro deve ser encarado como um setor prioritário e privilegiado. Afinal, a cultura qualifica a educação, o que, para a secretaria, possibilita, por exemplo, a formação de uma infância mais crítica e reflexiva.

Neste sentido, Ana Paula propõe e instiga as empresas e instituições nacionais a praticarem a chamada responsabilidade cultural. Em sua análise, no entanto, questiona qual modelo de industria o país seguiria: “Uma indústria de escala, baseada numa modelagem padrão ou uma indústria de segmento, onde se investiria na criação, inovação e sensibilidade?”, indaga. Como parte do plano estratégico de desenvolvimento do cinema infantil nacional, a secretaria também anunciou que a secretaria do audiovisual está criando um banco de dados online para reunir e catalogar todas as informações sobre o setor.

Participaram do 7º Encontro Nacional de Cinema Infantil: Andrés Lieban, Carla Esmeralda, Luiza Lins, Patrícia Alves Dias e Patrícia Durães.

Veja quem integra o grupo técnico de assessoramento de elaboração da política pública de cinema para a infância :

– Andrés Lieban – Diretor de cinema de animação. Integrante do conselho da Associação Brasileira de Cinema de Animação. Sócio da 2D Lab.
– Arthur Medeiros Nunes – Diretor de cinema de animação e publicitário. Co-fundador da Animaking.
– Beth Carmona – Presidente do Midiativa. Foi presidente da TV Cultura, do departamento de programação e produção dos canais do grupo Discovery Channel para América Latina e da antiga TVE-Brasil. Coordenadora do ComKids. 
– Carla Camurati
– Atriz e cineasta. Diretora do Festival Internacional de Cinema Infantil. 
– Carla Esmeralda
– Especialista em consultoria para desenvolvimento de projetos culturais e audiovisuais. Coordenadora do Laboratório SESC-Rio de roteiros para cinema. Diretora do Festival Internacional de Cinema Infantil. 
– C.E.S.A.R
– Representante. Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife. Instituto que cria soluções inovadoras com tecnologia da informação e comunicação para empresas e indústrias. Recife. 
– Gabriela Romeu
– Jornalista. Editora-assistente da Folhinha, suplemento infantil da Folha de S. Paulo.
– Luiza Lins – Produtora e realizadora. Coordenadora da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.
– Marcus Tavares
– Especialista em mídia e educação. Jornalista e professor. Editor da revistapontocom. Doutorando em Educação PUC-Rio.
– Marialva Monteiro –  Fundadora do Cineduc (Cinema e educação). Trabalha há 40 anos na defesa do cinema infantil integrado com a educação.
– Patricia Alves Dias – Produtora e criadora de projetos e conteúdos para infância em animação. Formada em animação pelo Acordo Brasil-Canadá. Foi fundadora e coordenadora dos Estúdios de Animação da MultiRio. Coordenadora do Projeto de Animação Brasil-Cuba. 
– Patricia Durães
– Educadora e musicista. Fundadora do Cineclube Escola no Cinema e do Clube do Professor, do Espaço Unibanco Artplex, que visa ampliar o repertório cinematográfico de educadores. 
– Regina de Assis
– Doutora em Educação pelas Universidades de Harvard e Columbia nos Estados Unidos. Foi membro do Conselho Nacional de Educação. Concebeu e fundou a MultiRio. Foi sua presidente ( 2001 e 2008). Foi coordenadora-geral da 4a. Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes. É representante latinoamericana no Board da World Summit on Media for Children Foundation e membro do Conselho Consultivo do Observatório Europeu de TV Infantil.
– Sapiens Parque –  Representante. Parque de inovação tecnológica. Florianópolis.

Campanha brasileira ganha prêmio internacional de publicidade

A mobilização da campanha sobre os impactos do racismo na infância – lançada em novembro do ano passado pelo Unicef e seus parceiros – acaba de ser reconhecida pela criatividade de suas ações publicitárias. A peça intitulada Thiago, criada pela agência de publicidade Ogilvy ganhou, na última quarta-feira, dia 22, o Leão de Bronze, na categoria Outdoor, do Festival de Publicidade de Cannes, a mais importante premiação mundial de publicidade. A iniciativa, realizada desde 1953 na cidade da Riviera Francesa, oferece anualmente os prêmios Grand Prix, Leão de Ouro, Leão de Prata e Leão de Bronze.

“Ficamos muito felizes com o reconhecimento. Esse prêmio mostra a importância do trabalho conjunto, além de ser uma oportunidade para divulgar o tema do impacto do racismo na vida de milhões de crianças no Brasil. A Ogilvy se engajou para dar visibilidade à questão da discriminação racial e o resultado foi uma campanha mobilizadora e sensível”, comemorou Marie-Pierre Poirier, representante do Unicef no Brasil.

Embora o Brasil tenha obtido avanços sociais importantes nos últimos anos, as desigualdades raciais persistem e afetam a vida de crianças e adolescentes, como demonstram as estatísticas oficiais. Um bebê negro, por exemplo, tem 25% mais chance de morrer antes do primeiro aniversário do que uma criança branca. Essa desigualdade é mais assustadora entre crianças indígenas, que têm duas vezes mais chances de não sobreviver aos primeiros 12 meses de vida em relação às crianças brancas.

A campanha do Unicef, lançada como parte da celebração dos 60 anos de atuação da organização no Brasil, tem como objetivo alertar a sociedade sobre o impacto do racismo na infância e na adolescência e mobilizar a sociedade brasileira para a necessidade de assegurar a equidade e a igualdade étnico-racial desde a infância.

Com a campanha, o Unicef quer fazer um alerta sobre a necessidade da quebra do círculo vicioso do racismo para, dessa forma, estimular a criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas para as populações mais vulneráveis e fazer com que os avanços sociais sejam uma realidade para todos, independentemente de sua origem racial ou étnica.

Prêmio Viva Leitura: inscrições abertas

Escolas públicas e privadas, universidades, empresas, organizações não governamentais ou pessoas físicas podem concorrer à sexta edição do prêmio Viva Leitura. Para participar, o concorrente deve apresentar sua experiência de promoção da leitura desenvolvida com crianças, jovens, adultos, comunidade rural ou urbana.

As inscrições podem ser feitas até o dia 20 de julho. O prêmio é de R$ 90 mil, dividido entre três categorias. A inscrição é aceita com a entrega do relato. Para ajudar os concorrentes a escrever os projetos, a Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), responsável pela coordenação do prêmio, preparou três vídeos com a especialista em leitura Alfredina Nery. A justificativa do projeto, o contexto social onde a experiência de leitura é desenvolvida, os objetivos pretendidos estão entre os itens que devem constar no relato, segundo o regulamento.

Cada categoria concorre a R$ 30 mil, em dinheiro: bibliotecas públicas, privadas e comunitárias; escolas públicas e privadas; sociedade, que compreende empresas, organizações não governamentais, pessoas físicas, universidades e instituições sociais.

De acordo com o regulamento, podem participar desta edição experiências que começaram em janeiro de 2009 e que serão concluídas até julho de 2011, ou projetos permanentes com indicadores de resultados. O relato do trabalho não deve ultrapassar seis páginas e cada participante pode inscrever um projeto por categoria.

As inscrições devem ser feitas na internet, ou por via postal, como carta registrada, com aviso de recebimento, para o endereço Prêmio Viva Leitura 2011, caixa postal 71.0377, cep: 03410-970 – São Paulo (SP).

Iniciativa dos ministérios da Educação e da Cultura, o prêmio tem a coordenação da OEI, o patrocínio da Fundação Santillana, da Espanha, e o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Cobsed) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

Criado no Ano Ibero-americano da Leitura, em 2005, o prêmio pretende incentivar a leitura em espaços escolares, bibliotecas, instituições, entidades e residências. Da primeira edição, em 2006, a 2010, o Viva Leitura recebeu cerca de 10,3 mil projetos, 90 deles classificados e 15 premiados. No período, foram distribuídos R$ 450 mil. Democratizar o acesso ao livro, estimular a leitura e a formação cidadã, valorizar o livro e a leitura, e apoiar a criação e a produção literárias são objetivos do Viva Leitura.

Rotina de pais vira sucesso editorial

Um livro que narra em versos a odisseia dos pais para colocar uma criança para dormir tornou-se um dos mais vendidos nos Estados Unidos, depois de ter sido pirateado e distribuído ilegalmente pela internet. Desde o fim de abril, o livro Go the Fuck to Sleep (em português, “Vai dormir, p…”), do americano Adam Mansbach, está na lista dos 100 mais vendidos da Amazon, a maior livraria online do mundo. No entanto, o livro só foi lançado oficialmente no dia 14 de junho, quando chegou ao segundo lugar na lista.

A publicação faz uma paródia dos livros infantis de poesia. Mas nela, pais exaustos e frustrados pedem – usando palavrões – que o filho vá dormir logo e pare de querer levantar da cama. A linguagem “rude e grosseira” causou polêmica entre associações de pais nos Estados Unidos e em outros países de língua inglesa como a Nova Zelândia, onde uma associação cristã chegou a tentar impedir que a publicação fosse vendida no país.

Descrito pelo autor como “um livro de ninar para adultos”, Adam Mansbach disse ao jornal britânico The Guardian que a ideia dos versos começou como um post no Facebook em junho de 2010, em que ele anunciava que escreveria um livro com este nome, depois de mais uma tentativa de colocar sua filha Vivien – então com dois anos – na cama. “Era uma brincadeira, é claro, porque eu não tinha intenção de escrevê-lo. Mas de repente, todos queriam saber quando o livro seria publicado. Isso me pegou de surpresa, para dizer o mínimo”, disse.

No fim de semana seguinte à leitura de alguns versos do livro em público, o livro de Mansbach chegou aos cinco primeiros na lista de mais vendidos da Amazon, com base somente no número de pedidos de pré-venda. Semanas depois, o livro foi pirateado e circulou como um arquivo na internet. Em entrevista à versão britânica da revista Wired, o autor disse que chegou a tentar, juntamente com a editora, tirar os arquivos do ar, sem sucesso.

“As pessoas perceberam que (a versão da internet) não era o suficiente. Elas viram que tinham que segurar o livro nas mãos, que era um livro para presentear. O que você vai fazer com um (arquivo de extensão) PDF de baixa resolução? Imprimi-lo, grampeá-lo e dar para alguém no dia dos pais? Acho que não”, disse.

Desde então, a publicação já ganhou uma versão em áudio, produzida pela Audible.com, a divisão de audiolivros da Amazon, e disponibilizada para download gratuito. A versão é narrada pelo ator americano Samuel L. Jackson e ultrapassou os cem mil downloads em suas primeiras 48 horas no ar. Ouça aqui

Na última semana, o cineasta alemão Werner Herzog leu os versos da obra em um evento promocional na Biblioteca Pública de Nova York e a produtora cinematográfica Fox 2000 comprou os direitos de adaptação do livro para o cinema. O livro será lançado no Brasil em julho.

Fonte BBC

Indisciplina na escola

Por Marcus Tavares
Jornalista e professor. Editor da revistapontocom.

Indisciplina. Se você tem filhos, sobrinhos ou netos, sabe o que significa esta palavra. E, com certeza, já discutiu bastante sobre este assunto em casa. Quando a indisciplina parte então de adolescentes, o problema complica ainda mais. Que o digam os professores. É fato que a indisciplina sempre existiu no ambiente escolar, mas arrisco dizer que ela vem se tornando uma rotina desgastante, estressante e, às vezes, insustentável.

Não podemos generalizar, mas me parece que boa parte dos adolescentes perdeu completamente o respeito para com o professor. Não existe o entendimento de que o mestre, na sala de aula, é uma autoridade. É preciso deixar claro que não se trata de um autoritário, mas de alguém que tem autoridade, sim, na condução do ensino.

Sabemos que esta autoridade não é nem deve ser dada, mas cultivada e construída na escuta e no diálogo, na percepção de ambos — alunos e professores — de que há deveres e direitos. Porém, quem disse que os alunos estão interessados nesta conversa? Quem disse que os estudantes se esmeram em cumprir seus deveres? Ledo engano. Os deveres são deixados de lado. Mas os direitos…

Culpar a família ou a própria mídia pela indisciplina, como destaca a pesquisa ‘Observatório do Universo Escolar’, não resolve o problema, embora seja um bom marcador de avaliação. Afinal, são duas instâncias de ensino e de exemplos, que acabam repercutindo na escola.

Não faltam no mercado atividades e dicas de como reverter a indisciplina na sala de aula. Os professores estão atentos. Mas tenha certeza, você, leitor, que não é professor: o relacionamento com os jovens é cada vez mais difícil. Boa parte deles acha que sabe tudo e não quer viver sob regras.

Como então podem  co-existir respeito, diálogo e escuta? Como exigir respeito, diálogo e escuta numa sociedade que enaltece o individualismo e empodera a juventude. Se os adolescentes não aprendem com a família, nem com a mídia, com o que passam o maior tempo do dia, o que dirá com a escola? A indisciplina está fora de controle.

revistapontocom pergunta: você, professor, também vivencia esta indisciplina na sua sala de aula? Como você lida com isso?

Nave: de olho na pegada ecológica

A Semana do Meio Ambiente, celebrada no início de junho, fez parte do calendário letivo de várias escolas do país. O objetivo era um só: conscientizar os alunos sobre a importância da preservação do meio ambiente. No Colégio Estadual José Leite Lopes – Nave -, no Rio de Janeiro, os alunos participaram de uma série de atividades comandada pelo Grupo Naverrrrr. Constituído por professores, o grupo tem como eixo principal a sustentabilidade e a busca de ações que visam à redução da pegada ecológica da própria escola, do impacto que a instituição causa no meio ambiente. Cada letra r do grupo representa uma ação de ajuda ao planeta. As cinco letras significam: reduzir, reutilizar, reciclar, rejeitar e repensar.

Segundo Davi Rodrigues, aluno do 1º ano do Ensino Médio, as atividades proporcionaram aos estudantes um maior e melhor entendimento da conservação do meio ambiente. Em uma das dinâmicas, os alunos foram incentivados a doarem roupas, livros e brinquedos. Por cada peça doada, eles recebiam um valor correspondente em ‘verdinhas’, moeda criada pela escola. Cada objeto tinha seu valor em ‘verdinhas’ de acordo com seu estado de conservação.

As ações da Semana do Meio Ambiente foram apoiadas pelo departamento de midiaeducação da escola. Segundo o responsável, professor Winston Sacramento, a ideia da produção de um boletim informativo sobre o tema, realizado para o evento, terá continuidade.

O que é Naverrrrrde?

“É um grupo que reúne pessoas em torno de um conceito que pode mudar a vida radicalmente na Terra, revertendo ou, pelo menos, não agravando a situação dramática das criaturas marinhas, das populações ribeirinhas, das comunidades urbanas. Sustentabilidade. Tudo a ver com consciência. Somos professores, educadores, pesquisadores e temos a pretensão, sim, de revolucionar as cabeças fantásticas dos alunos do Nave. Revolucionar problematizando, fazendo refletir e propondo mudanças de atitude a serem levadas na bagagem enquanto houver vida. Apesar de nosso foco ser, num primeiro momento, o ambiente escolar, a idéia é, através de nossos alunos, germinar esperança nas almas verdinhas espalhadas por aí”, explica a Ana Paula Mogetti, professora de História do Nave e uma das integrantes do grupo.

Criado em agosto de 2010, o Naverrrrrde reúne oito professores. A proposta, na prática, é mudar a postura dos alunos frente ao meio ambiente. “Em geral, por exemplo, eles não pensam em reduzir ou reaproveitar o lixo. Tentamos mudar a postura, mexer no pensamento em geral. Propomos também mudanças para a própria escola, como a redução de copos descartáveis”, conta Ana Paula.

Visite o blog do grupo: http://naverrrrrde.blogspot.com/

Mudanças climáticas na escola?

A polêmica sobre os problemas da mudança climática no mundo chegou às salas de aula britânicas. Só que de uma maneira diferente. No início da semana, o jornal britânico The Guardian publicou uma entrevista com Tim Oates, chefe da equipe do governo da Grã-Bretanha que estuda reformas do currículo das escolas do país. Tim defende, agora, a retirada da obrigatoriedade do ensino sobre mudança do clima da grade curricular. Desde 1995, o assunto é tema obrigatório nas aulas de Ciências. Para Tim, o ensino destes e outros temas científicos devem ficar a critério de cada escola.

De acordo com a entrevista ao Guardian, os britânicos passaram um tempo acreditando que deveriam atualizar o currículo com assuntos “tópicos”, mas “oxidação e gravidade não ficam datados”. A implicação óbvia é que mudança climática seria um assunto datado, o que detonou intensa discussão entre os leitores da versão online do jornal. Muitos dizem que isso dá força aos chamados “céticos do clima”, que acreditam que o consenso científico sobre as mudanças climáticas seja uma grande armação.

E no Brasil? Embora, por questões constitucionais, o país não tenha um currículo nacional mínimo nos moldes da Grã-Bretanha, é possível encontrar alguma orientação nos Parâmetros Curriculares Nacionais, publicados pelo Ministério da Educação em 1997/98. Um dos trechos do texto voltado para alunos de 11 a 14 anos diz:

“Cabe ressaltar que a poluição é uma questão global, pois atinge a dinâmica do planeta em seu equilíbrio. Por exemplo: os poluentes lançados no ar pela queima de combustíveis fósseis atingem a atmosfera e, por ação das chuvas, retornam à superfície terrestre, contaminando solos e águas.”

Enquanto os britânicos decidem se as escolas devem ou não retirar o assunto “datado” de seu currículo obrigatório, no Brasil, o tema nem chega a ser recomendado. Melhor assim?

Fonte – BBC Brasil

Olimpíada de História inscreve até agosto

Uma nova modalidade olímpica cresce a cada ano no Brasil: a de História. Pelo menos, entre os alunos matriculados nos 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Trata-se da Olimpíada Nacional em História do Brasil, que está em sua terceira edição. Composta por cinco fases online e uma presencial, a competição envolve professores e alunos na resolução dos problemas propostos, com o objetivo de estimular o conhecimento e o estudo, despertando talentos e aptidões. As inscrições terminam no dia 9 de agosto.

De acordo com a coordenação, a primeira fase da competição começa dia 15 de agosto. A fase presencial acontece no dias 15 e 16 de outubro, na Universidade Estadual de Campinas. Podem participar estudantes de escolas públicas e privadas de todo o Brasil. Para orientar a equipe, composta por três estudantes, é obrigatória a participação de um professor de História. A taxa de inscrição é de R$ 20,00 para equipes de escolas públicas e de R$ 40,00 para equipes de escolas particulares.

Como nas edições anteriores, o Museu Exploratório de Ciências da Unicamp, instituição que organiza o evento, vai custear a ida de uma equipe de cada estado brasileiro à Campinas para participar da fase presencial. Após a final da Olimpíada, os professores responsáveis por essas equipes permanecerão na Unicamp para realizar capacitação de uma semana.

A olimpíada premiará escolas, alunos e professores, com medalhas de ouro, prata e bronze e certificados de participação. A escola receberá doação de livros para o acervo da biblioteca e a assinatura da Revista de História da Biblioteca Nacional por um ano.

Histórico

A Olimpíada Nacional em História do Brasil é uma realização do Museu Exploratório de Ciências – Unicamp, concebida e elaborada por historiadores e professores de história do Museu e da universidade. Como proposta, os participantes têm a oportunidade de trabalhar com temas fundamentais da história nacional e de conhecer de perto as práticas e metodologias utilizadas pelos historiadores. A 1ª Olimpíada, realizada em 2009, inscreveu mais de 16 mil participantes e reuniu cerca de 2 mil pessoas na final presencial realizada na Unicamp, nos dias 12 e 13 de dezembro. No ano passado, a 2ª edição cresceu exponencialmente, tendo grande alcance nacional com mais de 43 mil participantes. A estimativa dos organizadores para 2011 é triplicar a quantidade de participantes.

Série: midiaeducação em debate

“A problematização das linguagens das mídias precisa estar presente na formação inicial e continuada de todos os educadores”, destaca Guaracira Gouvea.

Por Marcus Tavares

O que é midiaeducação? Um conceito? Uma ideia? A sua grafia escrita junta ou separada traduz algum significado? Existiria outro termo que definiria melhor a interface entre a educação e a mídia? Trata-se de um novo campo de estudo? A revistapontocom dá prosseguimento à publicação da primeira parte do Dossiê midiaeducação, na qual publica entrevistas com professores, estudiosos e pesquisadores sobre o tema. A cada semana, uma nova entrevista. Um novo olhar. Uma nova perspectiva sobre a interface mídia e educação.

Para a OSCIP Planetapontocom, midiaeducação é um conceito que se traduz em um trabalho educativo sobre os meios, com os meios e através dos meios. Sobre os meios, refere-se ao estudo e análise dos conteúdos presentes nos diferentes meios e suas linguagens. Com os meios, trata-se  do uso dos meios e suas linguagens como ferramenta de apoio às atividades didáticas. E através dos meios, diz respeito a produção de conteúdos curriculares para e com os meios, em sala de aula e, também, a educação a distância ou virtual, quando o meio se transforma no ambiente em que os processos de ensino-aprendizagem ocorrem.

Já foram entrevistados Nilda Alves, Ana Helena Altenfelder, Rosália Duarte, Eduardo Monteiro, Monica Fantin e Marcia Stein. Nesta semana, você confere a entrevista concedida pela professora Guaracira Gouvêa, do Departamento de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).

Integrante também do Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Nutes-UFRJ), Guaracira destaca que a midiaeducação deve fazer parte da formação inicial e continuada de todos os professores, “ independentemente se irão atuar no sistema formal ou não de ensino”.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Como podemos definir o conceito midiaeducação?
Guaracira Gouvea – Midiaeducação não é um conceito, mas um movimento que envolve duas questões teóricas. Primeira: a mídia, ou seja, qualquer mídia pode ser utilizada em contextos educacionais, seja como recurso didático, na escola para dar uma aula, ou como elemento constitutivo desses contextos, por exemplo a história em quadrinhos em exposições de museus de ciências Segunda: as  formas de produção, circulação e recepção das mídias são  intrinsecamente educativas. Isto é: toda mídia é constituída de marcadores que caracterizam uma intencionalidade educativa, pensada ou não pelos produtores. A circulação das mídias é uma prática educativa e as suas formas de recepção/leitura são praticas sociais classificadas como educativas. Na realidade, o cerne do problema está na ‘conceitualização’ de entretenimento e educação.

revistapontocom – De onde surgiu este conceito?
Guaracira Gouvea – Considero que esse conceito surge com as mídias, jornais, rádios e televisão. Se estudarmos a história das mídias, verificaremos que elas surgem, primeiro, com caráter educativo, depois é que vão se tornando mercadorias, criadas para entreter ou informar. Mais tarde essa relação se torna objeto de estudo.

revistapontocom – Qual é o objetivo da midiaeducação?
Guaracira Gouvea – O objetivo da mídia e educação deveria ser alfabetizar na linguagem daquela mídia de forma que o leitor pudesse também ser um produtor. Não precisa ser especialista, mas compreender que os códigos de uma linguagem, quando estão apresentando narrativas, têm marcas de intencionalidades na busca por produzir determinados sentidos. E se eu compreendo esses códigos, seguramente, farei uma leitura mais crítica, considerando conteúdo, valores e estética. E, assim, poderei perceber o caráter educativo da mídia em questão, seja ela produzida ou não para esse fim.

revistapontocom – Midiaeducação é a forma mais correta de nomear este conceito? Haveria algum nome mais oportuno?
Guaracira Gouvea – Prefiro mídia e educação escrita de formas separadas, pois a educação, historicamente, precede as mídias e o e garante a não separação, mas deixa cada uma com sua especificidade e história.

revistapontocom – Qual é o papel da educação nesta relação?
Guaracira Gouvea – Alfabetizar na linguagem de cada mídia e não utilizá-la somente como suporte para conteúdos, ou seja, para ilustrar conteúdos já ensinados e ainda considerar que entreter também é uma forma de ensinar. Isto significa que a problematização das linguagens das mídias, as formas de uso, as formas de leitura, precisam estar presentes na formação inicial e continuada de todos os educadores, independentemente se irão atuar no sistema formal de ensino ou não.

revistapontocom – Qual é o papel da mídia nesta relação?
Guaracira Gouvea – Devem se sentir responsáveis pela qualidade estética e ética destas produções. Assim, devem conhecer criticamente o que estão fazendo, mesmo que se sintam obrigados a fazer, por exemplo, para garantir a manutenção de seus empregos. Espera-se uma reflexão crítica.

Criança, entre livros e TV

Por Frei Betto

Foi o psicanalista José Ângelo Gaiarsa, um dos mestres de meu irmão Léo, também terapeuta, que me despertou para as obras de Glenn e Janet Doman, do Instituto de Desenvolvimento Humano de Filadélfia. O casal é especialista no aprimoramento do cérebro humano. Os bichos homem e mulher nascem com cérebros incompletos. Graças ao aleitamento, em três meses as proteínas dão acabamento a este órgão que controla os nossos mínimos movimentos e faz o nosso organismo secretar substâncias químicas que asseguram o nosso bem-estar. Ele é a base de nossa mente e dele emana a nossa consciência. Todo o nosso conhecimento, consciente e inconsciente, fica arquivado no cérebro.

Ao nascer, nossa malha cerebral é tecida por cerca de 100 bilhões de neurônios. Aos seis anos, metade desses neurônios desaparecem como folhas que, no outono, se desprendem dos galhos. Por isso, a fase entre zero e 6 anos é chamada de “idade do gênio”. Não há exagero na expressão, basta constatar que 90% de tudo que sabemos de importante à nossa condição humana foram aprendidos até os 6 anos: andar, falar, discernir relações de parentesco, distancia e proporção; intuir situações de conforto ou risco, distinguir sabores etc.

Ninguém precisa insistir para que seu bebê se torne um novo Mozart que, aos 5 anos, já compunha. Mas é bom saber que a inteligência de uma pessoa pode ser ampliada desde a vida intrauterina. Alimentos que a mãe ingere ou rejeita na fase da gestação tendem a influir, mais tarde, na preferência nutricional do filho. O mais importante, contudo, é suscitar as sinapses cerebrais. E um excelente recurso chama-se leitura.

Ler para o bebê acelera seu desenvolvimento cognitivo, ainda que se tenha a sensação de perda de tempo. Mas é importante fazê-lo interagindo com a criança: deixar que manipule o livro, desenhe e colore as figuras, complete a história e responda a indagações. Uma criança familiarizada desde cedo com livros terá, sem dúvida, linguagem mais enriquecida, mais facilidade de alfabetização e melhor desempenho escolar.

A vantagem da leitura sobre a TV é que, frente ao monitor, a criança permanece inteiramente receptiva, sem condições de interagir com o filme ou o desenho animado. De certa forma, a TV “rouba” a capacidade onírica dela, como se sonhasse por ela. A leitura suscita a participação da criança, obedece ao ritmo dela e, sobretudo, fortalece os vínculos afetivos entre o leitor adulto e a criança ouvinte. Quem de nós não guarda afetuosa recordação de avós, pais e babás que nos contavam fantásticas histórias?

Enquanto a família e a escola querem fazer da criança uma cidadã, a TV tende a domesticá-la como consumista. O Instituto Alana, de São Paulo, do qual sou conselheiro, constatou que num período de 10 horas, das 8h às 18h de 1º de outubro de 2010, foram exibidos 1.077 comerciais voltados ao público infantil; média de 60 por hora ou 1 por minuto!

Foram anunciados 390 produtos, dos quais 295 brinquedos, 30 de vestuário, 25 de alimentos e 40 de mercadorias diversas. Média de preço: R$ 160! Ora, a criança é visada pelos mercado como consumista privilegiada, seja por não possuir discernimento de valor e qualidade do produto, seja por ser capaz de envolver afetivamente o adulto na aquisição do objeto cobiçado.

Há no Congresso mais de 200 projetos de lei propondo restrições, e até proibições, de propaganda ao público infantil. Nada avança, pois o lobby do Lobo Mau insiste em não poupar Chapeuzinho Vermelho. E quando se fala em restrição da publicidade voltada ao público infantil ou de uso da criança em anúncios (observe como se multiplica!) logo os atingidos em seus lucros fazem coro: “Censura!”

Concordo com Gabriel Priolli: só há um caminho razoável e democrático a seguir, o da regulação legal, aprovada pelo Legislativo, fiscalizada pelo Executivo e arbitrada pelo Judiciário. E isso nada tem a ver com censura, trata-se de proteger a saúde psíquica de nossas crianças.

O mais importante, contudo, é que pais e responsáveis iniciem a regulação dentro da própria casa. De que adianta reduzir publicidade se as crianças ficam expostas a programas de adultos nocivos à sua formação?

Erotização precoce, ambição consumista, obesidade excessiva e mais tempo frente à TV e ao computador que na escola, nos estudos e em brincadeiras com amigos, são sintomas de que seu ou sua querido(a) filho(a) pode se tornar, amanhã, um amargo problema.

Programas infantis: capítulo encerrado?

Na semana em que acontece em São Paulo o ComKids (leia mais), que reúne uma série de debates sobre a qualidade da produção de conteúdos voltados para as crianças, a revistapontocom pergunta: por que a tevê aberta brasileira pouco ou nada investe numa programação de qualidade para o público infantil? Programas de sucesso como Sítio do Pica-pau Amarelo e Castelo RáTimBum sumiram da grade. Até mesmo a temporada das apresentadoras loiras e sensuais, com todas os seus senãos, também já se foi. Na tela da TV aberta, o que se vê são desenhos animados e, como sempre, estrangeiros. Afinal, por que isto acontece? Descaso dos produtores? Falta de recursos e investimentos? Desinteresse dos anunciantes? Do público infantil?

Mauro Garcia, diretor da TV RáTimBum, o primeiro canal por assinatura brasileiro voltado para a criança, explica: “As TVs investem onde há retorno, publicidade. Nos últimos cinco anos, os anunciantes têm migrado para os canais de assinatura. Apesar de esse público ainda ser pequeno, ele vem crescendo muito. É nesta fatia que estão as classes que mais têm condições de comprar os produtos. Os anunciantes, portanto, preferem investir na TV fechada”.

Soma-se a  isto, acrescenta Mauro, o fato de que nos dias de hoje a propaganda infantil é, por certos setores da sociedade, duramente criticada, alvo de manifestações e campanhas contra sua existência. “Isso gera um investimento menor e consequentemente menos recursos para os canais de TV investirem numa produção de qualidade e conteúdo”.

Luz no fim do túnel? Não, na visão de Mauro. “Só se melhorasse a distribuição de renda entre a audiência da tevê aberta, que ainda não é suficiente para atrair novamente os investidores. A TV aberta no país está em um momento bastante difícil. Além de tudo isso, a publicidade teve que se reinventar com o avanço da internet. Ela não investe mais como antigamente e isso não se limita apenas ao público infantil. Antigamente, tínhamos intervalos comerciais de mais de cinco minutos, tamanho o número de anunciantes. O que não acontece hoje”, afirma.    

Se para Mauro o problema está na apenas na falta de anunciantes, Regina de Assis, ex-secretária de Educação do município do Rio de Janeiro e ex-presidente da Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio (MultiRio), vai mais além. Para a professora, o problema é que a infância e a adolescência no Brasil não são valorizadas.

“Definitivamente, criança e jovem não são prioridades dos programadores, produtores e de quem financia os programas. Para os jovens, ainda há algum conteúdo. Mas para as crianças pequenas de até sete anos não temos nada. Quando conversamos com os programadores, fica claro que eles levam muito mais em consideração o valor econômico. Afinal, é muito mais barato importar programas estrangeiros do que produzi-los aqui com nossos valores culturais. No Brasil, ainda estamos na Idade da Pedra em relação aos direitos, sobretudo das crianças na TV aberta. Os valores culturais estão sendo deixados de lado em favor do lucro e da audiência. Os canais comerciais preferem, por exemplo, reality shows porque dão ibope, por mais medíocres que sejam”, opina.

Regina acredita que seja necessária a votação e a aprovação de um marco regulatório que defenda o direito das crianças e suas famílias por uma programação de qualidade. Marco regulatório que, segundo ela, já está previsto na Constituição Federal, mas que ainda não foi normatizado. “Está previsto na lei. É um direito que ainda não está sendo respeitado no Brasil”, frisa.

Outro problema apontado pela professora é o consumo. Para Regina, não há dúvidas: as tevês propõem o consumo das crianças de maneira ‘desavergonhada’. “Os patrocinadores estão muito mais interessados em vender do que contribuir para a constituição de crianças com bons valores, crianças cidadãs e mais educadas. Eles querem vender brinquedo, comida, roupa, mas esquecem que esses cidadãos têm direito de serem educados sobre a égide dos valores da solidariedade, amizade e companheirismo. E isso, garanto, poderia ser feito de maneira lúdica. Os anunciantes poderiam continuar vendendo, mas levando em conta o direito que as crianças têm de aprender. Não adianta encher a cabeça da criança com informações de Matemática, Geografia e Ciências e não ter cuidado com os valores, como autonomia, criatividade, honestidade. Há caminhos. Aqui na cidade do Rio de Janeiro, criamos a Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio, a MultiRio. Durante minha gestão [2001-2008], desenvolvemos uma política pública de produção de qualidade. E fizemos isso de uma maneira criativa e posso dizer, sim, de qualidade. Tivemos o reconhecimento da Unesco, que nos condecorou como uma das melhores práticas da educação em mídia na América Latina. Ganhamos múltiplos prêmios brasileiros e internacionais, como Animamundi e o Prix Jeunesse Ibero Americano. Além do Prêmio Japão, um dos mais cobiçados para quem produz esse tipo de conteúdo, com a série Juro que Vi”, conta.

Cleide Ramos, atual presidente da MultiRio, reitera as observações de Regina. Ela afirma que a falta de investimento numa programação infantil de qualidade é consequencia da mentalidade dos programadores. “De uma maneira geral, as TV abertas nao estão tão preocupadas com a formação das crianças, sua importância e herança cultural. Há problemas de financiamento, não se pode negar. Mas o que falta mesmo é uma preocupação maior dos programadores, uma mentalidade sobre a importância deste setor”.

Na avaliação de Cleide, é preciso que os programadores repensem suas atuações. Segundo ela, desde o ano passado a MultiRio, vem investindo numa programação voltada para crianças até os 10 anos. Um dos produtos recém-lançados, Detetives da Ciência, foi indicado  este ano ao Prix Jeunesse Ibero-Americano. “Gostamos de produzir conteúdos onde as crianças vivem e experimentam situações. Isto atrai o olhar e a atenção das crianças que assistem aos programas. Elas se sentem envolvidas”, explica.

Produções à parte, o que se vê hoje na grade da programação da TV aberta para as crianças não é nada novo. Não espanta, não assusta. Pelo menos para Beth Carmona, presidente da ONG Midiativa e responsável pelo evento ComKids, realizado esta semana em São Paulo. “Os investimentos em produtos infantis audiovisuais nunca foram grandes e se existiram momentos de maior investimento, talvez, foram atípicos ou cíclicos”, revela.

Beth observa que a estratégia de importar programação infantil do exterior é antiga. “A TV aberta sempre comprou e ainda adquire material no exterior para montar seu bloco infantil. Às vezes, dedicando mais horas. Às vezes, menos. Na verdade, falta dinheiro de patrocínio no mercado para que os empresários da tevê se sintam inclinados em investir na programação infantil. A quantidade de anunciantes existente neste setor não necessariamente consegue assegurar um investimento relevante para produzir um programa para a TV. E os anunciantes que se dirigem ao mercado infantil estão passando por um momento de grande mudança. Há uma discussão importante no setor sobre a responsabilidade que a mídia tem no consumo infantil de alimentos e vestuário. Este é um ponto importante e todos os atores – sociedade, canais de tevê e anunciantes – precisam conversar para que possamos produzir nacionalmente e com qualidade para as crianças”, finaliza.

O segredo da caverna

Por Rafael Leon
Estudante de comunicação social e estagiário da revistapontocom. Ex-aluno do NAVE

O Segredo da Caverna (Cortez Editora), de autoria de Wagner Bezerra, é um livro infantil que associa a história do Mito da Caverna, de Platão, escrito há quase 2500 anos, ao estilo de vida que temos hoje. Estilo de vida marcado pelos meios de comunicação, principalmente a TV e a internet. A história é uma fábula sobre os habitantes de uma caverna que, aprisionados pelo cruel Doxa, não conhecem o mundo exterior, algo inimaginável. Conhecem somente as ‘sombras’ impostas por Doxa como a única realidade existente.

O autor tem a intenção de comparar a realidade vivida pelos prisioneiros da caverna com a que vivemos hoje. Uma realidade muito limitada, imposta pelos meios de comunicação que veiculam uma programação pobre culturalmente que não é questionada pela maioria das pessoas. Realidade imposta desde as gerações mais antigas, na qual as pessoas já nascem aprendendo que algo é assim porque é assim, sem explicações nem questionamentos.

Wagner Bezerra faz uma reflexão sobre os indivíduos que estão conectados 24 horas aos veículos de comunicação, sem se preocuparam em procurar uma programação sadia nem novas “realidades”. Indivíduos, portanto, que se satisfazem apenas com o que vêem, crendo que aquela é a única visão correta das coisas.

O autor compara Doxa com a mídia em geral. Doxa apenas se importa com sua opinião e não quer que os prisioneiros descubram qualquer outra realidade. O escritor cita como exemplo uma grade de programação que não respeita às crianças e exibe cenas de violência, sem se importar qual horário é mais adequado para divulgá-la. Também fala sobre os vários produtos supérfluos, completamente desnecessários, mas que ao serem veiculados pela mídia provocam o desejo de comprá-los.

Na fábula, a jovem Episteme é uma das prisioneiras da caverna que resolve procurar por algo a mais. Episteme se liberta das correntes e acaba descobrindo novas formas e realidades. Ela consegue sair da caverna, liderando seu povo. Nos dias atuais, Episteme seria a bandeira da qualidade da programação da TV, a bandeira do acesso a outros bens culturais, como livros, cinema, teatro, internet, escola e outros espaços de socialização e conhecimento. Para o autor, não devemos ignorar a mídia, mas devemos ser mais críticos em relação ao conteúdo que nos passam, não nos contentando passivamente com qualquer programação dita de qualidade, quando, na verdade, não passa de lixo midiático.

No Mito da Caverna, Platão conta que os acorrentados não acreditarão no libertado, dizendo que ele apenas está tentando iludi-los. Se o libertado insistir, corre o risco de ser morto por aqueles que estão presos, justamente por não aceitarem que existe uma realidade diferente daquela. Na fábula de Wagner Bezerra, o fim da história fica a critério do leitor. Mas partindo de bons argumentos e uma discussão sadia, o autor acredita que podemos convencer e mostrar para aqueles que estão iludidos pelas “sombras” que há um mundo muito maior de sabedoria e conhecimento.

Classificação dos noticiários. Pode?

Mudança nas faixas de classificação indicativa, remoção da linguagem de libras e classificação de jornalísticos. Essas são algumas das propostas feitas durante o debate público sobre classificação indicativa, promovido pelo Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação (Dejus), do Ministério da Justiça, por cinco meses, via internet, que terminou em abril passado.

O debate, que envolveu TV aberta, TV paga, ONGs e público em geral contou com 56 mil acessos na web. Entre outras solicitações, o SBT pediu a liberação da exibição de conteúdo impróprio para menores de 12 anos a partir das 14 horas (hoje só pode a partir das 20h), e a liberação dos impróprios para menores de 14 anos após as 19h (que vão ao ar após 21h). A operadora Sky defendeu a remoção da linguagem de libras na apresentação da classificação indicativa.

O Instituto Alana sugeriu classificar propagandas e maior fiscalização da programação de TV paga, pedido feito por outras ONGs. Entre as sugestões do público há um entendimento da necessidade de classificação indicativa em jornalísticos.

revistapontocom pergunta: você acha que os programas jornalísticos
também devem ser submetidos à classificação indicativa? Comente abaixo.

De acordo com o Ministério da Justiça, o Ministério Público está analisando o conteúdo desse debate para que seja criada uma única e atualizada Portaria de Classificação Indicativa no país. Hoje há cinco portarias no órgão.

Leia aqui a entrevista concedida por Davi Pires, diretor do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação (Dejus), do Ministério da Justiça, por ocasião do lançamento da pesquisa.

Estão abertas as inscrições para o DOCTV América Latina III

Os países latinos voltam a se unir em torno da produção audiovisual. Estão abertas, até o dia 14 de julho, as inscrições para a terceira edição do DOCTV América Latina. Documentaristas de todo o Brasil podem participar. O concurso selecionará um projeto de documentário por país envolvido. São 14 nações ao todo, dentre elas Argentina, Bolívia, México, Uruguai, Panamá e Brasil.

Além do ineditismo, o requisito fundamental é a originalidade no registro de situações, manifestações e assuntos circunscritos à diversidade cultural. O projeto premiado receberá 70 mil dólares para produção.

Veja o vídeo do projeto
Para conferir o regulamento, a ficha de inscrição e tirar as suas dúvidas sobre o programa, clique aqui.

O DOCTV América Latina III é o primeiro programa de fomento à produção e teledifusão de documentários do continente. Nacionalmente, é ancorado pela Secretaria do Audiovisual, do Ministério da Cultura, TV Cultura e EBC (Empresa Brasil de Comunicação). No âmbito internacional, estão envolvidas instituições governamentais como a CACI (Conferência de Autoridades Cinematográficas de Iberoamérica) e a FNCL (Fundación del Nuevo Cine Latinoamericano), presidida pelo escritor Gabriel García Márquez.

Acesse também a página institucional do programa: www.doctvlatinoamerica.org.

A publicidade de bebidas alcoólicas

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Por João Lopes Guimarães Júnior e Ilana Pisnky

Entre as cinco intervenções propostas em artigo recente da publicação “The Lancet” para lidar com a crise mundial de doenças não transmissíveis está a redução do consumo abusivo de bebidas alcoólicas. No Brasil, dados divulgados pelo Ministério da Saúde em abril mostram o aumento do percentual dos que bebem em excesso.

Diversos especialistas em saúde pública alegam ser impossível conceber uma política pública para reverter essa alarmante situação sem combater o estímulo exercido pela publicidade, especialmente a de cerveja, que associa seu consumo a imagens e situações atraentes, divertidas, bonitas ou eróticas.

Veiculada com impressionante frequência, especialmente na TV, a publicidade é capaz de interferir na liberdade de decisão de adolescentes e jovens adultos, por serem eles mais vulneráveis. No entanto, a proposta de proibir a publicidade de cerveja como medida útil para reduzir o alcoolismo vem provocando reação de setores publicitários e de mídia, que alegam tratar-se de cerceamento de sua liberdade de expressão ou censura.

Será que esses setores corporativos têm razão? A interferência do Estado na economia não é novidade nem arbitrária; é bem-vinda como resultado da evolução do direito para conciliar o capitalismo com a promoção do bem-estar social.

Ora, como promover a saúde e o meio ambiente, por exemplo, sem controlar (quando possível) certas atividades que comprovadamente causam doenças ou poluem?

A imposição de algumas restrições às empresas se justifica, portanto, quando orientadas a proteger eficientemente e na justa medida interesses sociais valiosos. A lógica é simples: o sacrifício de um direito passa a ser aceitável quando resultar na proteção de outro considerado mais relevante.

Parece-nos legítimo questionar se as cervejarias devem ter direito irrestrito a bombardear crianças e adolescentes com todo tipo de assédio publicitário – altamente sofisticado e persuasivo-, quando argumentos consistentes demonstram a gravidade dos problemas de saúde pública causados pelo álcool e a influência da publicidade sobre esses consumidores. Será que interesses empresariais devem, nesse caso, se sobrepor a interesses sanitários?

Ainda que se reconheça sua importância, a publicidade não pode gozar da mesma proteção legal que merecem as manifestações artísticas, literárias, políticas ou jornalísticas, pois os valores que justificam a defesa intransigente destas absolutamente não estão presentes na mensagem de fim comercial.

Cabe lembrar que, desde 1996, restringiu-se a propaganda de bebidas de alto teor alcoólico, sem que fosse abalado o prestígio de nossa democracia (quem não se lembra do famoso slogan que espalhava pelos meios de comunicação de massa o conceito de que beber cachaça era “uma boa ideia”?).

O que é inadmissível, em uma sociedade verdadeiramente democrática, é a prevalência de interesses econômicos quando está em jogo a saúde de jovens que são persuadidos diariamente a consumir bebidas alcoólicas.

Veja os finalistas da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis

De 23 de junho a 10 de julho, acontece, em Florianópolis, a 10ª edição da Mostra de Cinema Infantil. Neste ano, a organização recebeu 117 inscrições. Do total,  77 vídeos foram selecionados para a mostra competitiva. A revistapontocom traz, abaixo, a relação de todos os filmes já carimbados para a disputa.  São vídeos produzidos por escolas, produtoras e emissoras de TV. 

Leia aqui também a entrevista com a coordenadora Luiza Lins sobre
os objetivos da Mostra de Cinema Infantil

Veja a relação:

1. A bruxinha Lili e a baleia Belena (de Ducca Rios, Hugo Dourado e Leonardo Copello, animação, BA)
2. A conquista do Espaço (de Chico Deniz, ficção, RS)
3. A fábula da corrupção (de Lisandro Santos, animação, RS)
4. A folha da Samaúma (de Ariane Porto, animação, SP)
5. A mansão maluca do professor Ambrósio (de Nelson Botter Jr., animação, SP)
6. A menina e o balanço (de Bianca Trancoso, Irson Barbosa Jr. e Thailiny Cruz, animação, ES)
7. Animágico! Le grand finale (de Paulo Henrique de Aragão, animação, SP)
8. Animágico! O grande amor (de Paulo Henrique de Aragão, animação, SP)
9. Animágico! O grande truque (de Paulo Henrique de Aragão, animação, SP)
10. A palavra muda (de Alê McHaddo, animação, SP)
11. A raposa e a águia (de Bianca Trancoso, Irson Jr., Mateus Marvila e Thailiny Cruz, animação, ES)
12. As curvas de Niemeyer (de alunos da rede municipal de Vitória, animação, ES)
13. A sombra de Sofia (de Flávia Thompson, ficção, SP)
14. A velha a fiar (de Cesar Cabral, animação, SP)
15. A viagem de um barquinho (de Márcio Emílio Zago, animação, SP)
16. Bonequices (de Rodrigo Alonso, ficção, PR)
17. Borboleta (de Karla Oliveira, animação, MG)
18. Como se fala na Terra (de Alê McHaddo, animação, SP)
19. Conhecimento ilimitado (de Alê McHaddo, animação, SP)
20. Cores e botas (de Juliana Vicente, ficção, SP)
21. Doce turminha e a corda da viola (de Eduardo Drachinski, animação, SC)
22. Dontinho _ a missão (de Luiz BoTosso e Thiago Veiga, animação, GO)
23. Ela veio me ver (de Essi Rafael Leal, ficção, MS)
24. Ele era um menino feliz  O Menino Maluquinho, 30 anos depois (de Caio Tozzi e Pedro Ferrarini, doc., SP)
25. Ensolarado (de Ricardo Targino, ficção, MG)
26. Esaú, o catador de histórias (de André Dias Araujo, animação, CE)
27. Fábula das três avós (de Daniel Turini, ficção, SP)
28. Feira da fantasia (de Talvanes Moura, animação)
29. Involução (de Marcelo Tannure, animação, MG)
30. Jéssica e Júnior no mundo das cores (de Marcelo Branco, animação, MS)
31. Joãozinho, bu! (de Rafael Martins, ficção, SC)
32. Lápis de cor (de Alice Gomes, ficção, RJ)
33. Luiz Apple _ a vida de um campeão (de Nildo Ferreira, documentário, SP)
34. Menina da chuva (de Rosaria, animação, RJ)
35. Musicaixa (de Jackson Abacatu, animação, MG)
36. Naiá e a lua (de Leandro Tadashi, ficção, SP)
37. Nalu (de Stefano Capuzzi Lapietra, ficção, SP)
38. Nilbatar (de Alê McHaddo, animação, SP)
39. No escuro (de Leticia Pires, ficção, RJ)
40. O amor impossível (de Maurício Squarisi, animação, SP)
41. Obsoleto (de Leandro Henriques, Victor Santos e Heitor Santos, animação, RJ)
42. O caminho das gaivotas (de Alexandre Rodrigues, Bárbaro Ortiz, Daniel Herthel e Sergio Glenes animação, Brasil/Cuba)
43. O casamento da Ararinha-azul: capítulo 1 (de Marcelo Branco, animação, MG)
44. O diário da Terra (de Diogo Viegas, animação, RJ)
45. O entregador (de Rogério Beltrame Nicoleli, animação, PR)
46. O filho do vizinho (de Alex Vidigal, ficção, DF)
47. O galinho do educandário (de Marco Ribeiro e Antônio Filho, ficção, PR)
48. O jardim dos robôs (de Dayane Junger, Jane Abreu, Marcelo Costa e Rafael Soares, animação, MG)
49. O nervosinho (de Nelson Botter Jr., animação, SP)
50. ON line: quando o Windows fecha as portas (de Cristiano Trein, ficção, RS)
51. O piá que fazia pipa (de Marco Aurélio Penha Ribeiro, ficção, PR)
52. O rato que vê TV (de Cinema Nosso, animação, RJ)
53. Os sonâmbulos (de Igor Amin, ficção, MG)
54. Pac brós (de Cinema Nosso, animação, RJ)
55. Pimenta (de Eduardo Mattos, ficção, SP)
56. Planeta dos Alberts (de Alê McHaddo, animação, SP)
57. Purgamentum (de Yannet Briggiler, animação, SC)
58. Remoto controle remoto (de Bruno Bask, animação, SP)
59. Sabiá (de Maurício Squarisi, animação, SP)
60. Scratch (de Fred Luz, animação, RS)
61. SMS (de Pablo Escajedo, documentário, RS)
62. Sonhando passarinhos (de Bruna Carolli, ficção, DF)
63. Tadinha (de Maria Barros, Ducca Rios e Leonardo Copello, animação, BA)
64. TamanduAbandeira (de Ricardo de Podestá, animação, GO)
65. Tecnologia rural (de Márcio Emílio Zago, animação, SP)
66. Tempo de criança (de Vavá Novais, ficção, RJ)
67. Tentáculos (de Alvaro Victorio, Beto Paiva, Beth Soares e outros, animação, RJ)
68. Teste das palavras (de Jon Russo, animação, SP)
69. Thiago, o pirata e o caso da fada dos dentes (de Lucas Barão, ficção, SP)
70. Traz outro amigo também (de Frederico Cabral, ficção, RS)
71. Turminha da vida (de Eduardo Drachinski, animação, SC)
72. Uma coisa nova para Olli (de Mário Galindo, animação, Brasil(SP)/Inglaterra)
73. Uma estrela no quintal (de Danielle Divardin, animação, SP)
74. Um dia na vida (de Cinema Nosso, animação, RJ)
75. Verde maduro (de Simone Caetano, ficção, GO)
76. Virando jogo (de Alê McHaddo, animação, SP)
77. Zumbidos (de Juliana Oliveira, animação, SP)

Evento promove e discute mídia de qualidade para crianças e adolescentes

ComKids

Divulgar, premiar, refletir e promover. Estas são as principais ações do ComKids,evento que acontece de 11 a 19 de junho, em São Paulo.  Composto por uma mostra de filmes, pela 5ª edição do Festival Prix Jeunesse Ibero Americano, por oficinas e jornadas de negócios, o encontro tem um só objetivo: dar espaço para a produção de mídia de qualidade para crianças e adolescentes.

“Cada um dos eixos foi elaborado para públicos específicos e interessados na mídia de qualidade para crianças e adolescentes: de pais, professores e crianças até produtores, desenvolvedores de games, roteiristas, diretores e executivos de canais de televisão e web”, explica a organização do ComKids, coordenada por Beth Carmona.

Confira a programação:

Mostra – dias 11,12, 18 e 19 de junho.
Espaço Unibanco de Cinema
Exibição de filmes voltados para crianças e adolescentes.

Oficinas – dias 14, 15 e 17 de junho.
Senac – Consolação
Ao todo, serão 6 oficinas. Confira os temas: Humor: afinal do quê as crianças estão dando risada?; Produzindo localmente, conectando globalmente; Edutainment: desenvolvimento e formatos de projetos infantis; Websites infantis: planejamento, produção e gestão; Stop motion: criação de tipos e personagens; Games, personagens e histórias: formas de adaptação de narrativas e personagens audiovisuais para mídias interativas. Saiba mais e inscreva-se aqui http://www.comkids.com.br/br/workshop-inscricao.html

Prix Jeunesse Ibero Americano – de 14 a 16 de junho.
Sesc – Consolação
O Festival Prix Jeunesse Iberoamericano traz à cena as produções audiovisuais, digitais e interativas de qualidade produzidas na América Latina e Ibero América que contenham elementos que estimulem o público infanto-juvenil a sentir-se cultural e pessoalmente mais identificado com o que vê e ouve, além de aumentar a compreensão e o apreço infanto-juvenil pelos temas culturais. Os participantes do encontro é que comporão o júri do festival. Confira os finalistas de cada categoria:

Jornada de negócios –  dia 15 de junho.
Centro de Convenções Frei Caneca
Em quatro mesas redondas, pretende-se facilitar a circulação de conteúdos latino-americanos, promover debates e apresentação de cases internacionais, estimular a discussão da responsabilidade social e do desenvolvimento cultural entre executivos de canais e produtores, bem como proporcionar uma via de desenvolvimento da economia criativa do setor, criando oportunidades de diálogo entre canais e produtores para viabilização de produções, co-produções, compra e venda de produtos.

Veja a programação:

Mesa 1 – Programação Infantojuvenil: visões de futuro – Barry Koch (Cartoon Network, EUA), José Juan Ruiz (RTVE, Espanha), Cielo Salviolo (PakaPaka, Argentina), Teresa Paixão (RTP, Portugal) e Doris Vogelmann (VME, EUA)

Mesa 2 – Digital, um universo de possibilidades – Tatiana Schibuola (Capricho, Brasil), Anne-Sophie (Zincroe)
Laura Tapias (Canal Panda, Espanha), Anna Valenzuela (Migux)

Mesa 3 – Iniciativas para o desenvolvimento do setor infantojuvenil na América Latina – Ana Paula Santana (SAv/MinC, Brasil), Tereza Loayza (Ministério da Cultura, Colômbia), Berenice Mendes (TV Brasil, Brasil), María de la Luz Savagnac (CNTV, Chile)

Mesa 4 – A jornada do conteúdo infanto-juvenil – Arnaldo Galvão (UM Filmes, Brasil), Cecilia Mendonça (Disney Channels Latin America), Adriano Schmid (Discovery Kids, EUA), Flavio Ferrari (IBOPE Media, Brasil), Sirlene Reis (Vox Mundi, Brasil).

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Namoro na era da internet

Por Danielle Kiffer, do boletim da Faperj

  

Onde encontrar o amor? “Numa fila de cinema, numa esquina ou numa mesa de bar”, cantaria Frejat. Mas além dos points típicos de paquera, uma busca vem aumentando gradativamente, principalmente no Brasil: a internet. A possibilidade de encontrar a alma gêmea se ampliou na rede mundial de computadores, principalmente nas chamadas redes sociais. Foi com base neste tema que a professora e coordenadora de Jornalismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cristiane Henriques Costa, desenvolveu o projeto   “P@r Perfeito – Exploração do universo virtual e das novas estratégias narrativas em mídias digitais”.

O estudo faz uso do método denominado netnografia, como tem sido chamado o ramo da etnografia que analisa o comportamento de indivíduos na internet e que consiste na inserção do pesquisador no ambiente do grupo investigado, combinando participação e observação cultural com relação às comunidades pesquisadas. O pesquisador deve ser reconhecido como um membro da cultura estudada.

Para realizar um levantamento abrangente deste universo, a pesquisadora infiltrou 25 alunos da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ com perfis falsos entre os mais diversos sites de paquera. O objetivo é fazer uma grande reportagem sobre a busca do amor no universo virtual. “Por ser um campo relativamente novo, é possível perceber o desenvolvimento de uma linguagem própria, o tipo de discurso, quase sempre autoenaltecedor por parte do locutor, a grande importância da imagem. Tudo isso se torna objeto de estudo. Pensar netnograficamente é entender como o discurso humano se comporta na cibercultura e nas comunidades virtuais, e as diversas possibilidades proporcionadas pela rede”, explica a pesquisadora.

Além de se passar por pessoas interessadas em relacionamentos nos mais diversos sites de paquera, a equipe também analisa os perfis e as fotos dos usuários. “Nem tudo pode ser levado ao pé da letra”, adverte Cristiane. “Notamos que praticamente 100% das pessoas não fumam. Entre os homens, 80% dizem gostar de música clássica e artes plásticas e mais de 60% praticam esportes náuticos. Claro que isso não corresponde à verdade”, assinala a pesquisadora. “São estratégias de sedução, para fugir aos filtros que os sites criam. Muitos usuários nem querem ter contato com quem fuma ou não gosta de artes, por exemplo.”

As fotos também revelam traços interessantes sobre os usuários e sobre os próprios sites. “Vemos muitas fotografias dos candidatos em viagens ao exterior ou praticando esportes ao ar livre. Tudo isso para mostrar como são aventureiras, e, por consequência, mais interessantes.” Sites diferentes, no entanto, exigem diferentes padrões de fotos. “Cada site tem sua particularidade e cada um representa um mundo diferente. Enquanto na maioria deles se pede fotos do rosto do usuário, nos sites eróticos, este tipo de foto é justamente proibida. Foi muito engraçado constatarmos que neles há uma forte fiscalização, vetando fotos de rosto: o ideal são apenas os detalhes do corpo.”

Existem sites de paquera para todos os gostos e preferências. Há os especializados em pessoas acima do peso, os só para amantes e até para aqueles com uma certa queda para o egoísmo têm um lugar na internet para encontrar sua cara-metade, como conta Cristiane. O site em questão é o Attlasphere, criado por fãs da escritora e dramaturga Ayn Rand, cujas obras pregam o individualismo, o egoísmo racional e o capitalismo (o nome é baseado na obra da autora, Atlas Shrugged). E quem está disposto a “pular a cerca”, também pode se utilizar das facilidades da rede. O site Second Love é especializado em pessoas que já estejam em um relacionamento, mas querem conhecer outras também comprometidas, para dar um novo rumo à relação que vivenciam ou apenas para uma aventura virtual: ali, a infidelidade é declarada.

Amor e religião

“O primeiro passo é orar; o segundo, procurar”. Com este slogan, o site Amor em Cristo é voltado somente para os evangélicos. Nesse caso, parece que, além da ajuda das probabilidades, os adeptos parecem contar com uma força extra: a fé. O esquema parece estar funcionando muito bem: logo na entrada, é possível a qualquer visitante verificar os depoimentos de casais felizes que se formaram ali. “Uma das grandes particularidades deste site é que os evangélicos não entram nestes sites apenas para arrumar namorados: o objetivo é casar”, conta a pesquisadora.

Outro site curioso é o eHarmony. Nele, o interessado precisa primeiro responder a um extenso e detalhado questionário, elaborado por psicólogos, que pode levar horas. Depois, só terá acesso aos integrantes que têm compatibilidade de perfil. “É muito interessante deixar que um algoritmo decida o seu futuro amoroso”, comenta Cristiane. “É uma lógica diferente da maioria dos sites, que exibe fotos e mais fotos de pessoas desconhecidas, como numa vitrine virtual.” A ênfase no aspecto visual é a principal característica do site Beautiful People – do qual só participa gente bonita, selecionada de acordo com votação dos próprios participantes da comunidade virtual. O elitismo estético chegou ao extremo quando seus criadores decidiram fundar um banco virtual de esperma, denominado Beautiful Baby.

“Isso foi denunciado pela imprensa americana e eles tiveram que voltar atrás, ao serem acusados de eugenia”, conta a pesquisadora
De acordo com Cristiane, os resultados têm sido muito ricos e satisfatórios. “As aulas têm sido bastante divertidas e toda a equipe está muito envolvida. Temos descoberto muitas informações novas e até quebrado alguns paradigmas”, declara. Um deles, de acordo com a pesquisadora, é que na internet, o amor não tem idade. Como conta Cristiane, um aluno de 20 anos que está se passando por uma senhora de 60 já tem mais de dois pretendentes no site Broto Bacana. Voltado para pessoas com mais de 40 anos se relacionarem na rede, está sendo um grande sucesso. De acordo com Cristiane, os resultados da pesquisa até agora têm sido surpreendentes. “Toda a equipe está envolvida e se diverte muito. Temos descoberto sites que nunca imaginamos e até desfeito alguns preconceitos”, declara.

“Os sites de paquera virtual ainda são vistos como um lugar de gente feia, esquisita e solitária. Temos constatado que isso não é verdade. Lógico que é preciso tomar cuidado para não cair em cilada, mas a rede é um lugar tão ou mais produtivo para se relacionar quanto uma festa ou uma boate”. Em geral, os próprios sites aconselham os usuários sobre como postar as melhores fotos, como se comportar e até como se precaver de perigos antes de se encontrar com estranhos.

As experiências dos estudantes nos sites de paquera estão sendo registradas em um diário de campo e em reportagens tradicionais, que serão publicadas no Jornal Laboratório da ECO. Boa parte já está pronta e pode ser acompanhada no blog do projeto. O resultado da pesquisa não será um livro tradicional, em papel. O trabalho será publicado um site e um aplicativo para tablets, como o iPad, para que o leitor não familiarizado com este universo possa visualizar as páginas da internet e acompanhar o trajeto dos infiltrados e suas conversas com usuários (que terão suas identidades protegidas). “É uma reportagem de imersão. Queremos dar a visão mais realista possível deste universo virtual, baseada não na ideia da representação, mas da simulação, como se o próprio leitor mergulhasse neste mundo paralelo”, explica a pesquisadora.

Enquanto não é finalizada, o making of da pesquisa pode ser acompanhado no blog www.blogparperfeito.blogspot.com. “Estamos explorando uma nova forma de fazer jornalismo e trabalhando novas estruturas que permitam uma leitura não-linear de uma reportagem”, diz Cristiane, que é doutora em Comunicação e Cultura, pela UFRJ, e pesquisadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (Pacc-UFRJ).

Pelo fim do coronelismo eletrônico

Por Intevozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

Outorga de concessões de rádio e TV a deputados e senadores afeta negativamente a democracia brasileira. A publicação da lista de concessionários pelo Ministério das Comunicações, nos últimos dias, trouxe de volta à pauta a discussão sobre as outorgas de rádio e TV dadas a parlamentares ou a empresas controladas por parlamentares. No início deste ano, o ministro Paulo Bernardo já havia se declarado a favor de regulamentação para consolidar legalmente a proibição – já prevista no artigo 54 da Constituição Federal.

O assunto é recorrente, mas faz dois anos que não há novas iniciativas no sentido de combater essa inconstitucionalidade. Em abril de 2009, recomendação aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado Federal afirmou expressamente que não é lícito a esses parlamentares figurarem como diretores, proprietários ou controladores de empresas que explorem serviços de radiodifusão; e acrescentou que, caso verificada essa condição, o respectivo ato de outorga ou renovação deveria ser rejeitado.

A recomendação reforçou a compreensão de que o artigo 54 da Constituição Federal proíbe os parlamentares de serem donos de
empresas concessionárias. De fato, o texto constitucional diz que deputados e senadores não poderão, desde a expedição do diploma, “firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes” e, desde a posse, “ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoas jurídicas de direito público, ou nela exercer função remunerada”. Esses artigos, portanto, proíbem a propriedade de concessionárias de rádio e TV por parlamentares.

Contudo, sem a apreciação e aprovação pelo plenário daquela casa, essa recomendação não entrou em vigor e nada mudou. Hoje, segundo o Transparência Brasil, 21% dos senadores e 10% dos deputados federais são concessionários de rádio e TV – sem contar aqueles que têm empresas em nome de familiares ou laranjas.

Essa realidade fere três princípios democráticos. O primeiro deles é o direito à informação. Conforme amplamente reconhecido pelo STF, nossa Constituição reconhece que a imprensa e os meios de comunicação desempenham papel fundamental na democracia como instrumentos de acompanhamento, fiscalização e controle do poder estatal e privado. O cumprimento dessa função torna-se impossível na medida em que o próprio Estado se confunde com a imprensa; na medida em que os próprios membros do legislativo tornam-se concessionários do sistema privado de rádio e televisão.

Em segundo lugar, fere-se a separação entre os poderes. Claramente, a posse de meios de comunicação por parlamentares significa um acúmulo de poder inaceitável em uma democracia, e acaba funcionando como um círculo vicioso reforçador deste poder. Se há separação entre os três poderes tradicionais, não deve ser diferente em relação ao “quarto poder”. Some-se a isso a inexistência de leis que explicitamente impeçam que se faça uso político dessas concessões e o fato de os parlamentares já possuírem meios suficientes para se comunicar com o público por meio do sistema estatal de radiodifusão (previsto pelo Artigo 223), inclusive a Voz do Brasil, e do horário político (chamado gratuito, mas pelo qual as empresas de comunicação recebem contrapartida financeira).

O terceiro princípio democrático atingido é o fato de, neste caso, os concessionários serem também concedentes (o artigo 223 estabelece que a concessão ou permissão só tem validade depois de aprovada pelo Congresso Nacional), o que gera um inevitável conflito de interesses. De fato, estudo do Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília revelou que 37,5% dos membros titulares da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara e 47% dos titulares da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado, responsáveis pela análise dos processos de outorgas, são proprietários de emissoras de rádio e TV ou têm familiares controladores destes tipos de veículos de comunicação.

Se não bastassem esses três princípios, a história ainda mostra que, em diversos momentos, concessões dadas pelo Ministério das Comunicações a parlamentares foram usadas como moeda de troca política. A votação dos 5 anos para Sarney e a aprovação da emenda da reeleição durante o governo Fernando Henrique Cardoso são exemplos clássicos de episódios em que se comprovou essa relação. No início de 2009, outro episódio envolvendo o ex-presidente Sarney comprovou o uso político das concessões de rádio e TV, provando que não há separação entre o proprietário de uma empresa concessionária e seus interesses políticos. Computados todos os prejuízos, não há por que a democracia brasileira continuar convivendo com essa aberração.

Parte dos parlamentares, percebendo os danos causado à democracia, tem tomado iniciativas importantes para combater essa realidade. Além da recomendação aprovada na CCJ do Senado, em dezembro de 2008 foi aprovado relatório da subcomissão que discutia a questão das concessões de rádio e TV na Câmara dos Deputados, que constatou a má aplicação do artigo 54. Igualmente importante seria proibir a propriedade também por cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, à semelhança da proibição de nepotismo nos três poderes feita pela Súmula Vinculante do STF nº 13, já que neste caso configura-se a posse por um mesmo grupo familiar.

Ao declarar que “é mais fácil fazer o impeachment do presidente da República do que impedir a renovação de uma concessão de rádio ou TV”, o ministro Paulo Bernardo reconheceu a dificuldade de se enfrentar a questão. Contudo, independentemente da forma de coibir esse abuso, o Brasil não pode mais dar suporte a uma prática que reforça a concentração de poder e estabelece distorções no Parlamento. Neste momento, o Intervozes estuda as medidas jurídicas cabíveis para exigir o cumprimento do disposto no artigo 54 da Constituição Federal. Contudo, há medidas que podem ser tomadas pelo Executivo e pelo Legislativo que poderiam avançar para o fim do ‘coronelismo eletrônico’, contribuindo para a busca do aperfeiçoamento das instituições e o consequente aprimoramento da democracia:

– proibição explícita do uso de concessões de rádio e TV para fins políticos e punição rigorosa nos casos em que se identificar essa prática;

– aprovação em plenário da recomendação da CCJ do Senado que aponta a inconstitucionalidade da propriedade de emissoras concessionárias por parlamentares;

– inclusão, no novo marco regulatório das comunicações, de texto que reitere a proibição constitucional de que parlamentares em exercício de mandato possam ser donos de meios de comunicação concessionários de rádio e TV, e a extensão explícita dessa proibição a cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, à semelhança da proibição de nepotismo nos três poderes feita pela Súmula Vinculante do STF nº 13;

Brasília, 31 de maio de 2011