Dia da Televisão: 11 de agosto

No dia 11 de agosto, comemora-se o Dia da Televisão. Com certeza, o eletrodoméstico que mais impactou e impacta o dia a dia de crianças, jovens e adultos. Para celebrar a data com bastante reflexão, a revistapontocom publica essa edição especial, reunindo entrevistas, reportagens, artigos e vídeos que vêm a cada semana publicando.

Clique em cada item abaixo e confira.

O telespectador

A TV pelo olhar de quem vê
Assista aos programas da série da TV Brasil.

Por que os reality shows conquistam audiência?
Matéria tenta explicar o fenômeno.

Mulheres na televisão brasileira
Seja como escritora, atriz, apresentadora, jornalista ou garota-propaganda, a mulher sempre esteve presente na TV brasileira. Confira.


–  A linguagem do videoclipe
Entrevista com o jornalista e escritor Guilherme Bryan
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A criança

A criança na TV brasileira
Reportagem traça o perfil da participação das crianças na programação da tevê.

Criança e jovem sem tevê: postura radical ou sensata?
Entrevista com o professor Valdemar Setzer, da USP.

Programas infantis: capítulo encerrado?
Reportagem avalia o espaço dedicado às crianças na TV aberta brasileira.

A criança negra na tevê brasileira
Entrevista com o cineastra Joel Zito Araújo.


Telejornalismo

Profissão Repórter – redescobrindo a notícia e a audiência
Entrevista com o repórter Felipe Shure, que trabalhou em algumas temporadas do programa da TV Globo.
 

A mídia pelo norte e nordeste
Entrevista com Jô Mazzarolo, coordenadora de jornalismo da TV Globo/Recife.

Criança, televisão e telejornais
Leia texto produzido pelo Grupo de Pesquisa em Educação e Mídia da PUC-Rio.

O que pensam as crianças sobre os noticiários
Entrevista com a jornalista Claudia Garzel.


Telenovela

A tela nossa de cada dia
Entrevista concedida pelo ator André Arteche, que interpretava o personagem Indra, na novela Caminho das Índias, da TV Globo.

Direto da poltrona: o olhar da TV
Entrevista com Ale Rocha, blogueiro e colunista do Yahoo!

Telenovela: muito mais do que ficção
Entrevista com Mauro Alencar,  doutor em teledramaturgia pela USP.

Viver a vida: a auto-ajuda televisiva
Matéria aborda o impacto da novela da TV Globo.


Consumo, sexo e violência

Exploração sexual em debate na TV
Confira os vídeos produzidos pelo Canal Futura.

Personagens de limpeza: publicidade e criança
Entrevista com Carla Rabelo, mestre em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo.

Lutas na tevê
Entrevista com a professora Ana Paula Fonseca. Em pauta: o impacto das lutas do Ultimate Fighting Championship (UFC), veiculadas pela Rede TV!.
O poder do merchandising nas novelas


Artigos

Pelo fim do coronelismo eletrônico

Qual é o público da TV pública?

Violência na TV e comportamento agressivo

– Criança entre livros e TV

– Novela sexual: indicada para crianças e adolescentes?

– Crianças sem controle remoto

A criança na TV brasileira

Por Marcus Tavares

Quem estuda a televisão comercial aberta brasileira garante que não é de hoje que a sua programação é alvo constante de preocupação de pais e educadores. Um bom exemplo, levantado por Mário Fanucci, no livro Nossa Próxima Atração (Editora Edusp), data de 1951. Depois de um ano da chegada da TV ao país, a direção do Canal 3 TV Tupi-Difusora já recebia cartas de telespectadores. Uma delas trazia o seguinte trecho: Desde que compramos uma TV não sabemos mais o que fazer para as crianças irem para a cama no horário a que estavam acostumadas. Se a gente deixa, elas ficam grudadas na televisão até o último programa. Vocês não têm alguma idéia para ajudar os pais desesperados.
 

Na década de 50, no afã de conquistarem audiências, as emissoras ainda davam certa atenção ao fato. Não é à-toa que algumas gerações ainda se lembram de vinhetas exibidas pela própria Tupi  com o objetivo de marcar o horário da programação adulta. Fanucci lembra que, por volta das 21 horas, surgia “a imagem de um indiozinho [o Tupiniquim como era conhecido o logotipo da emissora] deitadinho na rede, no interior de uma oca. Seu cocar, que era uma antena de televisor, aparecia dependurado num dos postes de sustentação, e pela janelinha via-se a lua num céu estrelado”. As imagens eram embaladas por uma canção de ninar que dizia: Já é hora de dormir. Não espere a mamãe mandar. Um bom sono pra você. E um alegre despertar.

De acordo com Fanucci, o efeito do jingle – o primeiro a ser transmitido sistematicamente pela tevê – era instantâneo. “Para os pais, foi um alívio transferir para a estação de tevê a antipática missão de afastar as crianças do receptor. Para as crianças, o recado do indiozinho era tão poderoso que anulava qualquer tentativa de protesto. E, finalmente, para a direção da emissora era outro ponto a favor em seu esforço para agradar ao crescente número de telespectadores. O saldo negativo ficou para os autores, responsáveis pela frustração de um sem-número de crianças obrigadas a ir para cama no horário fatídico”, afirma o autor.

No artigo O que é infantil nos programas infantis?, a professora Rita Marisa Ribes Pereira conta que, ao longo da história da TV brasileira, as crianças ocuparam diferentes lugares na programação. A princípio, não havia nenhum produto dirigido para a faixa etária. As atrações eram ao vivo, à noite e voltadas, basicamente, para os adultos. As crianças só passam a integrar a audiência à medida que os canais começam a elaborar uma programação baseada em clássicos da literatura, em apresentações artísticas ou em concursos de conhecimentos gerais.

O exemplo mais emblemático é de 1952, quando estréia na mesma Tupi, a primeira adaptação do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, assinada por Tatiana Belinky. De acordo com pesquisadores, o programa, no ar até 1962, logo chamou a atenção dos anunciantes. O Sítio se transformou no primeiro produto televisivo a utilizar a técnica do merchandising. A série não tinha intervalo comercial e cada episódio durava 45 minutos.

“Com o advento da televisão, fomos convidados a apresentar nossa montagem [teatral] da época, Os três ursos, nos estúdios da pioneiríssima TV Tupi de São Paulo, em 1952. Imediatamente, a emissora nos convidou para fazer um programa semanal dirigido às crianças. Começamos com o programa Fábulas Animadas e logo depois entramos com O Sitio do PicaPau Amarelo, que era um programa semanal, em horário nobre. Pouco depois, tínhamos outros produtos baseados na literatura universal. Todos esses roteiros eram por mim adaptados com a intenção de promover a leitura. Os programas começavam e terminavam na estante de livros. Na verdade, foi um caso único, pioneiro, de uma ampla programação infanto-juvenil cultural, formativa, numa emissora de TV comercial”, conta Tatiana Belinky em depoimento ao Museu da Televisão Brasileira.

Seduzidas, as crianças, ainda nos primeiros anos da TV, deixam de ser apenas telespectadoras. Ao lado dos adultos, elas passam a apresentar os programas da época, como o Cirquinho Bombril, o Teatrinho Trol e o Teatrinho Gessy. Em 56, na TV Tupi, estréia Pollyana, a primeira novela infantil brasileira, também adaptada por Tatiana Belinky.

Em 72, a Rede Globo, em co-produção com a TV Cultura, coloca no ar a Vila Sésamo, versão brasileira de Sesame Street, que fica conhecida como a melhor adaptação mundial da série. Em 77, a Rede Globo leva para a TV a segunda versão do Sítio do Picapau Amarelo, no ar até 1986. Em 1979, é reconhecida pela Unesco como a melhor produção infantil do mundo.

Porém, a partir da década de 80, o formato dos programas infantis muda. Até então pautados em histórias da literatura ou em apresentações artísticas, os programas aparecem repaginados, voltando-se para a animação e gincanas. É quando surgem os apresentadores de programas infantis que se transformam no carro-chefe da produção audiovisual. São deste período o Show do Bozo (SBT, 1981), o Balão Mágico (TV Globo, 1982), TV Criança (Bandeirantes, 1984), o Clube da Criança (TV Manchete, 1985), ZYB bom (Bandeirantes, 1987), TV Fofão (Bandeirantes, 1987), Show Maravilha (SBT, 1987) e o Xou da Xuxa (TV Globo, 1986).

Este novo formato, segundo Rita Ribes, “confere à criança um novo lugar no espaço midiático: transformada em cenário, ela se alterna entre a imobilidade de ser um mero pano de fundo e o incessante e desconexo movimento das danças coreografadas, brincadeiras competitivas que valem prêmios, degustação ou exibição de produtos de empresas patrocinadoras”. Transformada em imagem, completa a professora, a criança assume um novo status, sendo reconhecida como consumidora.

Coincidentemente, o jornalista e psicólogo Inimá Simões, em seu livro A nossa TV brasileira – por um controle social da televisão (Editora Senac-São Paulo), destaca que a década de 80 marca um novo período na historiografia da tevê no país. Segundo ele, trata-se de uma fase, que se segue até os dias atuais, “marcado pela distribuição a granel de concessões [só em 1988, são concedidas 47 outorgas] e recuo nas funções regulatórias do Estado, enquanto a televisão assume lugar no topo da pirâmide do poder, como principal formador da opinião pública brasileira e acima dos controles institucionais”.

Ainda segundo o autor, é a partir desta década e mais especificamente no final da de 90, que uma grande parcela da população, até então fora do mercado, passa a integrar a audiência nacional. Em 1996, a indústria nacional vendeu nada menos do que 8,5 milhões de aparelhos de TV – o recorde histórico do setor.
 
“Nesse ponto, as emissoras cuidam de redirecionar suas programações, procurando incorporar – ainda que não se trate de consumidores no sentido formal do termo – esses contingentes. Ratinho entra em cena. Gugu Liberato (SBT) e Fausto Silva (TV Globo) digladiam-se numa batalha pela audiência dominical que provocará muita celeuma”, destaca Inimá.

Segundo Mário Fanucci, o que já acontecia desde os primeiros anos da TV é, a partir do final da década de 90 e início do século XXI, divulgado oficialmente pelas empresas de pesquisas de audiência: as crianças passam a assistir cada vez mais à programação adulta.

Em seu estudo, a professora Rita Ribes ainda aponta uma nova etapa dessa história: o surgimento das TVs por assinatura. Vinte e quatro horas no ar ininterruptamente, as emissoras oferecem canais importados e exclusivos para a criança, que “deixa de ser tratada como simples espectadora e passa a ser vista na sua condição potencial de produtora, sendo chamada a opinar sobre a programação”.

Cineclube nas escolas do Rio

“É necessário entender o cinema e a produção audiovisual como importantes caminhos para a ampliação de conhecimentos”, destaca Adelaíde Léo.

Desconstruir a ideia de que a presença de filmes na escola limita-se ao puro entretenimento ou ao simples pretexto de ensinar determinado conteúdo. Esta é a proposta do projeto Cineclube nas Escolas, desenvolvido, desde 2008, pela Gerência de Mídia Educação da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Dos 50 espaços iniciais, o projeto, hoje, está presente em 210 unidades.

“É necessário entender o cinema e a produção audiovisual como importantes caminhos para a ampliação de conhecimentos e do patamar cultural dos estudantes. Por meio de acervos de DVDs com curtas, médias e longas e de livros sobre a sétima arte, os alunos mais do que veem um filme. Eles aprendem ações e desenvolvem o cineclubismo dentro das escolas”, afirma Adelaíde Léo, responsável pelo Cineclube nas Escolas.

Em entrevista à revistapontocom, Adelaíde conta como funciona o projeto na prática e garante que o cineclube também desperta a potencialidade da produção audiovisual de professores e alunos.

Acompanhe:

revistapontocom – O que é o Cineclube nas Escolas?
Adelaíde Léo – É um projeto de implantação de uma política pública no campo do audiovisual. O projeto está organizado em três eixos: aquisição de equipamentos – como projetor, telão, caixas de som – e acervos de livros e filmes para as escolas; formação de professores e alunos; e ação cineclubista na escola, que se traduz em exibições de filmes, ida ao cinema e produção audiovisual por parte de alunos e professores. O projeto também prevê a realização de parcerias com diversos festivais e mostras que acontecem na cidade do Rio. Por meio delas, ocorrem exibições itinerantes nas escolas, participação dos alunos e professores nos festivais e mostra das produções das escolas nas programações oficiais dos eventos. Já estabelecemos acordos com o Festival do Rio, Mostra do Filme Etnográfico e Festival Ibero Americano de Cinema e Vídeo (Cinesul). O projeto tem como premissa desconstruir a ideia de que a presença de filmes na escola limita-se ao puro entretenimento ou ao simples pretexto de ensinar determinado conteúdo. É necessário entender o cinema e a produção audiovisual como importantes caminhos para a ampliação de conhecimentos e do patamar cultural dos estudantes. Quando o projeto foi elaborado, havia também uma intenção de garantir aos alunos o direito de acesso às produções audiovisuais, sobretudo aos curtas-metragens nacionais.

revistapontocom – Como o projeto funciona no dia a dia?
Adelaíde Léo – Na prática, as sessões cineclubistas acontecem, preferencialmente, no contraturno das aulas. As escolas que participam do projeto recebem acervos de DVDs, contemplando uma diversidade de possibilidades narrativas e estéticas, além de livros voltados para a temática. Cada escola também ganha equipamentos de projeção e filmagem, como telão, projetor multimídia, aparelho de DVD e filmadora digital. Professores e alunos participam de uma formação específica em cursos ministrados por profissionais da área, com objetivo de se aproximarem da linguagem cinematográfica. São os professores e os alunos de cada cineclube que elaboram todo o planejamento das sessões de cinema. A periodicidade das sessões varia de acordo com o ritmo de cada escola. Sugerimos que aconteça, pelo menos, quinzenalmente ou mensalmente. A escola pode fazer uma exibição por faixa etária, para um grupo específico ou para toda a escola.

revistapontocom – Os alunos são apenas expectadores?
Adelaíde Léo – Não. Nestas sessões, os alunos são incentivados a assumir o protagonismo das ações. Eles são responsáveis por todo o processo, da escolha do filme até a mediação do debate, que sempre acontece após a exibição. Cuidam do material de divulgação na escola e na comunidade, elaborando sinopse, ficha técnica, cartazes, panfletos, folders, convites, propagandas nos meios de comunicação da escola, bem como da produção de vinheta audiovisual para exibição no início da sessão. A testagem e o manuseio dos equipamentos também ficam sob a responsabilidade da equipe. Em cada debate, aberto a toda a comunidade local, são discutidas questões ligadas não só aos temas trazidos pelo filme, mas também à linguagem audiovisual. As emoções despertadas pela narrativa e a relação que o espectador estabeleceu com o filme também têm espaço garantido nos encontros. Todo o processo é registrado através da elaboração de um portifólio e de postagem de relatos nos meios de comunicação da escola, como o jornal escolar e blog. É importante que haja, sempre, um diálogo entre a ação cineclubista e a proposta pedagógica desenvolvida na escola, entendendo que esse movimento pode potencializar um conjunto de ações de desdobramento, permitindo, portanto, a articulação com diferentes campos do saber.

revistapontocom – Que filmes fazem parte do acervo do Cineclube?
Adelaíde Léo – Priorizamos filmes com uma boa narrativa, boa história, filmes inteligentes. O acerco é composto de filmes do cinema nacional e da coleção de Charles Chaplin.

revistapontocom – Uma das ações do cineclube também é a produção autoral de alunos e professores. Como é viabilizada essa produção?
Adelaíde Léo – Eles recebem equipamentos por meio do projeto. Além disso, muitas escolas também já têm em seu acervo câmera digital e softwares livres. Temos ainda parceria com o projeto Anima Escola, do Anima Mundi. E muitos professores já sabem trabalham com o Movie Maker e o Audacity. Entre as produções já realizadas podemos destacar: Fogo no céu, da Escola Municipal Burle Marx, Machado de Assis, do Núcleo de Arte Copacabana, O príncipe negro, da Escola Pio XII, e Um ônibus chamado Rio Ciep, do CIEP Presidente Agostinho Neto.

revistapontocom – Quantas escolas já foram beneficiadas?
Adelaíde Léo – O projeto foi implantado, em 2008, em 47 escolas, no Instituto Helena Antipoff, no Centro de Referência de Jovens e Adultos e na Sala de Leitura Lourenço Filho, que fica na sede da Secretaria Municipal de Educação, totalizando 50 pontos de cineclube. Destes, 30 estão localizados nas chamadas Salas de Leitura Pólo, que atendem outras escolas. Hoje já são 210 cineclubes escolares.  No entanto, podemos afirmar que, indiretamente, todas as escolas da rede são beneficiadas, à medida que as Salas de Leitura Pólo podem disponibilizar equipamentos e acervos para as demais escolas que não se encontram atualmente no projeto. Mas, de fato, o projeto pretende atingir todas as 1065 escolas, da Educação Infantil até o 9º ano do Ensino Fundamental, englobando também as escolas do Programa de Educação de Jovens e Adultos (Peja). Desde o ano passado, professores de escolas que não participam do projeto têm nos solicitado filmes para organizarem sessões em suas escolas. A perspectiva é que novas escolas, a cada ano, sejam incorporadas ao projeto. Neste ano, o cineclube já chegou a 11 Ginásios Públicos.

revistapontocom – O projeto é aberto a toda a comunidade?
Adelaíde Léo – Sim. Toda comunidade é convidada a participar do projeto. Mas é recomendado que os interessados entrem em contato com a escola para conhecer o cronograma.

Dos baby boomers às gerações X e Y

Por Ricardo Zeef Berezin
Do portal IDG Now

A palestra do professor Graeme Codrington na InTouch 2011 – evento organizado pela Amdocs, provedora de soluções em software para empresas de telecom – se não foi a mais aplaudida, foi, de longe, a mais bem humorada. Sua apresentação, na semana passada, sobre as gerações Y, X e Baby Boomers, motivou gargalhadas de muitos dos presentes, talvez identificados com as situações que descreveu.

“Vocês são daqueles que só assistem DVDs quando seus filhos estão em casa, por não conseguirem mexer no aparelho? E não é nem uma questão de fazê-lo tocar a mídia, o problema é encontrar o controle remoto correto. E na hora de aprender a usar um smartphone novo, vocês leem o manual? Eles nem vêm mais com manual! Ou vocês o entregam aos jovens para que, 15 minutos depois, eles voltem para explicar direitinho o que fazer?”

Logo no começo da exposição, Condrington exibiu uma cena do filme De Volta Para o Futuro. Primeiro porque o futuro do qual o longa trata não está longe: 2015 –  e é hora de se perguntar se algumas das projeções foram acertadas. Segundo, porque seu lançamento, em 1985, se deu quatro anos antes de o mundo mudar completamente.

O professor lembra que a partir de 1989, grandes eventos se sucederam em um espaço de oito meses. Junho (5/6) marca o término dos protestos na Praça da Paz na China, logo após o massacre promovido pelo Governo do país. Em novembro, o muro de Berlin é derrubado, dando fim à divisão da cidade alemã em dois lados, capitalista e socialista. Um mês depois, em 25/12, o ditador Nicolae Ceausescu é executado, e a Romênia abandona a URSS. Já em 1990, em fevereiro, Nelson Mandela é libertado na África do Sul, após passar 27 anos preso.

Todos esses acontecimentos foram preponderantes para o desenvolvimento da Geração Y. Se seus predecessores da Geração X conviveram em meio a grandes incógnitas, incertos sobre o que os anos seguintes lhes reservavam, as crianças nascidas no começo da década de 80 já podiam ter uma ideia melhor sobre o caminho que deveriam seguir.

“Família, religião, condição econômica são fatores importantes, mas nada se compara a esses primeiros 15 anos de vida no que se refere à formação de uma pessoa”, esclareceu Codrington.

Em seguida, tratou de explicar as diferenças entre as gerações, e, para ilustrá-las, usou três peças publicitárias – todas de produtos de tecnologia.

Baby Boomers

Os Baby Boomers, afirmou o professor, nasceram em uma época de grande otimismo, acreditavam em mudar o mundo e, o que é mais impressionante, ainda acreditam. Não raro, pouco após se aposentarem, voltam à atividade, desta vez como consultores.

“Aquele aforismo, que diz que o único empecilho para que você atinja todos os seus objetivos é você mesmo, vale para essa geração. Eles, no entanto, sabem que não mudaram o mundo. Por isso, acho, ainda estão no mercado”.

Eles têm a visão, eles têm a motivação, eles têm o dinheiro. Precisam, porém, de ideias concretas para colocar tudo em funcionamento. – daí que podem contar com a ajuda da Geração Y. Codrington gosta de resumir o pensamento dos Baby Boomers com a frase que um parente seu costuma dizer:

“Quando eu morrer, o mundo acabará”.

Geração X

As pessoas dessa geração não têm medo, de acordo com Codrington. Seus primeiros anos foram permeados de incertezas e, ao perguntarem aos pais o que estava acontecendo, não conseguiam nenhuma resposta – mesmo porque os mais velhos também não as tinham.

Aprenderam desde cedo que o sistema era na base do cada um por si. Aos 30 anos, já passaram por mais empregos do que seus pais tiveram a vida inteira. Aos 35, metade deles está em um trabalho sem nenhuma relação com a área na qual se formou. O trabalho por sinal não está no topo de suas prioridades. Querem flexibilidade, viagens, diversão, liberdade. É possível que a profissão só apareça em quinto lugar.

Felizmente, quando passam por dificuldades, costumam ter um boomer a quem podem recorrer: ficam um tempo na casa dele – por vezes tempo demais, é verdade – se recompõem, e partem para a próxima aventura. “A Geração X é a geração whatever (tanto faz)”, disse.

“Eles adoram mudanças. Mais do que isso, eles precisam de mudanças. Quando não as têm, eles as criam. E se para vocês isso significa caos, pois bem, eles adoram o caos. E quando não o têm, eles o inventam”.

Geração Y

O que há com os jovens de hoje em dia?”, perguntou Codrington. “Se vocês têm filhos, sabem do que estou falando. Mas, garanto-lhes: por mais que pareça, não se trata de uma alteração genética. A profunda confiança que eles sentem, algo próximo da empáfia, é motivada por outro fator. Desde a tenra infância, são os consultores tecnológicos da casa. Eles auxiliam, decidem, ensinam. Vocês aprendem”.

Tal qual a geração anterior, os garotos da Geração Y também não gostam de rotina. Eles aceitam um celular corporativo da empresa, para que possam ser contatados a qualquer momento – em uma sexta-feira à noite, na manhã de domingo – mas querem que essa flexibilidade valha para os dois lados. Pediram uma folga na terça à tarde para assistir ao futebol? Isso não quer dizer que toda terça-feira faltarão ao trabalho. Assim como não trabalharão todo sábado.

Para o especialista também é falsa a constatação de que os membros da Geração Y não se conectam com ninguém. É justamente para isso, diz, que eles sempre carregam o smartphone. Essa geração é a mais conectada de todos os tempos, e o surgimento das redes sociais não foi um acaso – muito menos seu consequente sucesso. Possuem um desejo urgente de fazer parte de um grupo, de se verem incluídos, de se sentirem maiores do que realmente são.

Por isso, alega Codrington, é um contrassenso bloquear portais como Facebook e Twitter nas empresas. São a partir desses sites que os jovens compartilham, cooperam, contribuem, engajam: rendem bem mais com eles do que sem eles. As companhias devem dar um jeito de conectar seus funcionários – para um desempenho melhor – e seus clientes – para deixá-los satisfeitos. Um dispositivo sem acesso à Internet não serve para esse público

Como atrai-los

“Os membros da Geração Y não querem apenas subir na empresa. Eles têm outras direções em mente”, afirmou o professor. Estão sempre entre uma coisa e outra – costumamos reduzir essa postura ao conceito de multitarefa. Não anseiam por estabilidade, mas por crescimento.

O crescimento não é necessariamente financeiro. Se eles avistarem uma boa oportunidade na companhia – ou em outra – mesmo que não seja um cargo superior ao que ocupam, não pensarão muito antes de arriscar. Para mantê-los motivados, e presos à empresa, é necessário provê-los com conhecimento, treinamento, aulas – e estas, é lógico, podem ser online.

Mas, principalmente, eles querem saber o porquê de tudo – talvez daí, brinca Codrington, venha o nome da geração, já que “y”, em inglês, se pronuncia why (por que). Na palestra, o especialista fez um desafio aos chefes: expliquem aos seus jovens funcionários os motivos pelos quais eles devem fazer isso, e não aquilo, e por que de determinada maneira, e não de outra, os resultados serão melhores.

“Não pensem que as pessoas da Geração Y são simplesmente versões mais jovens de vocês. Esqueçam o que costumavam ouvir de seus pais – Because I said so (Porque eu disse) – e expliquem suas decisões. Vejam como isso fará a diferença no comportamento dos jovens. Se não fizer, mandem-me uma mensagem”, disse, enquanto mostrava seu e-mail na tela. “Das centenas de apresentações que já fiz, nunca recebi um retorno ressaltando meu engano”.

Oportunidades

Por fim, Codrington comentou as inúmeras oportunidades que os próximos anos reservam. Se os membros da Geração Y desejam tecnologia para assisti-los e conectá-los, os baby boomers não estão atrás, desde que os produtos sejam fáceis de usar – vide o sucesso do iPad entre o público mais maduro.

Os adultos que nasceram pouco após a Segunda Guerra Mundial ainda estão no mercado. Os garotos da década de 80 já estão nele, e se destacam por entender melhor o que é inovador e atraente, e o que não é. A questão, ressalta o especialista, é que três quartos da renda global estão nas mãos dos baby boomers. É chegada a hora de unir as novas ideias de uma geração ao capital de outra.

Codrington já tem em sua cabeça uma contagem regressiva para 2015. Até lá, espera, os problemas que temos visto darão espaço às soluções. A pergunta que faltou ser respondida, no entanto, foi esta: se os baby boomers se unirão à Geração Y na construção do futuro, como ficará a geração whatever?

Transforme literatura em produção audiovisual

Alunos e professores que formarem uma equipe para transformar uma obra literária em filme podem ganhar diversos prêmios no 2º Festival Literatura e Vídeo, promovido pelas editoras Ática e Scipione. Para participar, basta reunir até cinco alunos do Ensino Médio ou segundo segmento do Ensino Fundamental e um professor, escolher uma obra literária de uma das duas editoras, produzir um vídeo de até cinco minutos sobre o livro e enviar para o concurso.

Haverá premiação tanto para os vídeos escolhidos pelo júri técnico, quanto pela escolha popular. Na primeira categoria, os alunos vencedores levam para casa troféu de reconhecimento e um notebook; o educador ganha troféu e um tablet; e a escola recebe placa de reconhecimento, uma seleção de livros das duas editoras, um computador e um programa profissional de edição em vídeos.

Já na escolha popular, os alunos recebem o troféu e uma assinatura gratuita das revistas Mundo Estranho ou Superinteressante; o educador leva o troféu e um ano de revista Bravo!; e a escola recebe a placa de reconhecimento e uma seleção de livros. Mas haverá ainda premiação para os finalistas, os vencedores regionais e o Prêmio Troféu Pipoca, que premiará o vídeo que expressar a obra de maneira inusitada.

Para participar, os professores responsáveis pelas equipes devem fazer o cadastro no site do concurso. O envio dos vídeos deve ser feito até o dia 14 de novembro.

Mais informações no site do Festival: http://www.literaturaemvideo.com.br

Escola no Palco investe no protagonismo juvenil

Escola no Palco é um projeto educativo que percorre escolas públicas e privadas com o objetivo de integrar música, teatro, dança e poesia a debates e reflexões sobre o cotidiano e a juventude. É uma espécie de espetáculo que pretende misturar entretenimento com responsabilidade social, despertando o protagonismo dos estudantes. A ideia é do grupo Voluntários da Pátria, criado por Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas.  No dia 10 de junho, a Escola no Palco aterrissou no Colégio Estadual José Leite Lopes, NAVE.

“Participamos ativamente do evento e não apenas como plateia. E o Tico Santa Cruz falando sobre os nossos direitos foi incrível. Ele chegou a fazer uma comparação perguntando quantas pessoas tinham um time de futebol e quantas já haviam lutado por seus direitos. A diferença foi absurda”, conta a estudante Laiana Jager, de 16 anos, que cursa o segundo ano do curso Multimídia.

Para Lucas dos Santos, de 18 anos, aluno do terceiro ano do curso de Roteiro, a proposta do evento é válida, pois instiga a crítica e o pensamento dos alunos. “E isso é sempre bom”, comemora.

“Tivemos a oportunidade de conhecer grandes talentos escondidos entre os estudantes do colégio. Estes eventos despertam a criatividade. Se os alunos fossem mais autores de seus processos de ensino e aprendizagem, eles estariam mais interessados em aprender”, opina Roberta Fernandes, auxiliar do departamento de Midiaeducação do NAVE.

Meu filho, você não merece nada

Por Eliane Brum
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).

Reprodução da Revista Época

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

Professores concluem Por Dentro dos Meios

Por Marcus Tavares

Professores do Ensino Médio Inovador da Secretaria de Estado de Educação do Rio (Seeduc), que participaram do curso Por Dentro dos Meios, oferecido e idealizado pela OSCIP Planetapontocom, receberam o certificado de conclusão, no dia 20 de junho, no auditório da Defensoria Pública do Estado do Rio. Cerca de 100 profissionais concluíram o módulo à distância que proporciona aos docentes uma visão crítica e atualizada sobre as articulações entre o mundo da comunicação e o trabalho educativo.

“Trata-se de uma oportunidade inovadora para que o professor elabore e fundamente as questões de comunicação no cotidiano de sua sala de aula. O curso disponibiliza instrumentos para que o professor possa planejar intervenções midiaeducativas de qualidade na escola”, destaca Silvana Gontijo, presidente do Planetapontocom.

A cerimônia de entrega contou com a presença de Luiz Carlos Becker, subsecretário de Gestão de Pessoas da Seeduc. Ao lado de sua equipe, o subsecretário anunciou que, novamente em parceria com o Planetapontocom, uma nova turma será formada. As inscrições – para os professores do Ensino Médio Inovador – já estão abertas. Os interessados têm até o dia 25 de agosto para se inscrever. Estão sendo oferecidas 500 vagas. Inscrições no site http://pdm.planetapontocom.org.br

A capacitação, via web, tem duração de nove semanas e utiliza a midiaeducação como método pedagógico. As aulas são organizadas em dois eixos temáticos, sob a ótica da mediação de conflitos e do diálogo sistêmico. No primeiro eixo, o participante estuda e aprofunda a evolução das formas de comunicar ao longo da história da humanidade, percebendo a importância de sua inclusão no trabalho de sala de aula. No segundo, conhece e discute temas específicos de midiaeducação e sua aplicabilidade no trabalho curricular. Tudo isso no ambiente interativo e de intercâmbio pedagógico do Planetapontocom.

Clique aqui e assista também a trechos da palestra de Luiz Carlos Becker e Joyce Prado, coordenadora do curso Por Dentro dos Meios.

Textos, vídeos, histórias em quadrinhos, dicas culturais, sugestões de atividades e banco de projetos também compõem o ambiente virtual. Entre as atividades programadas estão pesquisas temáticas e de campo, leitura orientada e elaboração de tarefas. No final do curso, os participantes terão que realizar um projeto midiaeducativo em suas respectivas escolas.

Sociologia mais próxima da sala de aula

Reprodução do Jornal do MEC

Uma equipe de 16 estudantes do curso de licenciatura em ciências sociais da Universidade Federal de Viçosa (UFV) atua, desde março de 2010, em duas escolas públicas da região. A participação do grupo está ajudando professores não formados na área a consolidar a disciplina de sociologia na educação básica, já que as escolas de Viçosa não contam com professores de sociologia formados em ciências sociais. O trabalho é realizado nos três anos do Ensino Médio das escolas estaduais Effie Rolfs e Raimundo Alves Torres (Esedrat), sob a coordenação do professor Diogo Tourino de Sousa, da UFV.

A estudante Mariana de Lima Campos, integrante do 6º semestre de ciências sociais, conta que o programa tem incentivado os alunos do curso a optarem pela licenciatura, associando pesquisa e ensino na construção de novas técnicas de abordagem da disciplina, bem como no desenvolvimento e elaboração de material didático. “Antes do programa, era quase consensual nos cursos universitários que os bons alunos fossem direcionados para o bacharelado, com a finalidade de atuarem em pesquisas, trilhando um caminho futuro na pós-graduação, sendo que aos demais, considerados maus alunos, restava à docência”, analisa Mariana.

Para Mariana, uma das metas do programa é buscar novas estratégias de abordagem da sociologia em sala de aula, fugindo da tradicional aula expositiva. Segundo a estudante, a equipe tem liberdade para pensar, discutir, criar e oferecer propostas aos professores supervisores dos dois colégios, bem como de aplicar inovações na prática de ensino. A percepção geral do grupo sobre o andamento das aulas apontou a necessidade do uso de outras metodologias de ensino, com o objetivo de envolver um maior número de estudantes.

“Foi assim que pensamos, por exemplo, na elaboração de um jogo de tabuleiro.  O jogo foi confeccionado de maneira artesanal numa cartolina, tendo como ponto de partida o mundo antigo, representado graficamente por um castelo medieval, e como ponto de chegada o mundo moderno, representado por uma grande cidade. Antes de cada jogada, os participantes organizados em duplas ou trios, deveriam lançar o dado. Assim iam avançando, passando por casas e etapas representando as conquistas, problemas e desafios do mundo moderno, como as invenções científicas, a transformação das relações, os impactos ambientais, a favelização, entre outros”, relata Mariana.

No percurso do jogo, a estudante acrescenta que existiam casas com perguntas sobre os autores discutidos nas aulas de sociologia e, caso os alunos acertassem as respostas, teriam direito a jogar o dado novamente. Com resultados positivos, o programa resolveu ampliar a experiência, elaborando outros jogos para serem adotados em outras turmas do projeto. “De forma geral, os estudantes conseguiram esclarecer o conteúdo ministrado no bimestre de maneira lúdica. Percebemos que o trabalho da equipe começou a surtir efeito, despertando a atenção dos alunos, seu envolvimento e sua familiaridade com nós, os bolsistas”, adianta a futura professora.

Para Mariana, o projeto mostra como o ensino de sociologia tem um futuro promissor, a partir do momento em que universidades, escolas, estudantes e professores forem capazes de construir redes de troca de experiências e materiais didáticos. “Uma de nossas tentativas nesse processo tem sido a manutenção de um blog da licenciatura em sociologia na UFV, canal onde relatamos o trabalho desenvolvido”, finaliza.

Desafio em Geografia chega à escola

Que tal testar os conhecimentos em Geografia, História e atualidades no Desafio National Geographic 2011 – Viagem ao Conhecimento? Os gestores das escolas têm até o dia 29 deste mês para inscrever o 8º e 9º ano do Ensino Fundamental, e o 1º e 2º ano do Ensino Médio de sua instituição. Trata-se de uma Olimpíada de Geografia. No ano passado, a disputa reuniu, 460 mil estudantes. Os cinco melhores colocados no país vão ganhar uma viagem turística.

O concurso tem três etapas. Na seleção local, participam todas as séries inscritas, que são submetidas a uma prova. Após o exame, 5% dos estudantes das escolas – aqueles que tiveram melhor resultado – vão para a etapa regional. As provas são feitas na cidade dos inscritos e, depois dela, 20 estudantes de todo o país vão para a etapa nacional.

Para se sair bem, é preciso estudar bastante e ficar atento aos noticiários, procurando compreender os assuntos em discussão. Mas bom conhecimento em atualidades, Geografia e Hstória não é o suficiente. O estudante precisa ter prática em redação, que será cobrada em todas as etapas. Na fase final da edição de 2010, os estudantes tiveram que elaborar uma dissertação sobre os povos indígenas do Amazonas.

O que estudar?

Os principais assuntos que serão contemplados nas provas do Desafio 2011 podem ser pesquisados na matriz de referência, como relações sociedade-natureza, usos dos recursos naturais, sustentabilidade, cidades, patrimônios culturais da humanidade, inovações nos sistemas de energia, transportes, comunicações e informações, a mobilidade espacial e a constituição de uma escala global de relações humanas, além de habilidades de leitura, produção e interpretação de mapas e textos em diferentes gêneros.

Acesse a matriz de referência

Acesse o site da olimpíada

Novas regras para a radiodifusão educativa

Reprodução do portal do Ministério das Comunicações

Depois de uma consulta pública, como noticiado pela revistapontocom, que recebeu 391 contribuições da sociedade, o Ministério das Comunicações editou e publicou portaria com as novas regras para as outorgas de radiodifusão educativa. A principal mudança é que o processo de seleção dos interessados em operar o serviço vai ocorrer por meio de avisos de habilitação, da mesma forma que já acontece com o serviço de radiodifusão comunitária.

Além disso, o Ministério estabeleceu os critérios que vão orientar a análise das propostas. Terão preferência as universidades federais, estaduais e as municipais, nessa ordem. A portaria também estabelece uma pontuação. Se houver concorrência entre uma fundação pública e uma universidade, por exemplo, a universidade terá privilégio na outorga. Se a instituição for pública, terá preferência sobre instituições privadas. Outro critério é a relação entre o número de alunos e a população do município. Quanto maior a entidade de ensino, mais pontos ela terá na escolha.

“O principal objetivo é a transparência. Estamos deixando claro quem vai ser escolhido e o motivo da escolha. Quem não for escolhido também vai saber os motivos. Com os novos critérios, podemos escolher aquela entidade que está de fato preparada pra prestar o serviço de radiodifusão educativa”, explica o Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do MiniCom, Genildo Lins.

De acordo com Genildo, serão divulgadas na internet todas as etapas do processo, incluindo as razões de deferimento ou indeferimento das propostas. Outra mudança anunciada pelo secretário é a divulgação de um cronograma anual dos avisos de habilitação para emissoras educativas. O lançamento com todos os avisos de 2011 está previsto para as próximas semanas.

A ideia é que a população saiba exatamente quais são os municípios que vão receber outorgas em 2011 e possa se programar com antecedência para participar do processo, no mesmo molde do que já acontece com as Rádios Comunitárias desde o lançamento do Plano Nacional de Outorgas (PNO), em março deste ano.

Até a publicação da portaria com as novas normas, as outorgas para radiodifusão educativa eram concedidas conforme a demandaa. Com as regras, o objetivo é que os critérios de escolha fiquem claros para toda a sociedade. “Agora, em vez de o MiniCom outorgar, vai consultar por meio de aviso de habilitação para ver se há mais interessados em operar o serviço em uma determinada região”, esclarece Genildo Lins.

Popularização da química

Por Wildson Luiz Pereira dos Santos
Professor do Instituto de Química e da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB)

Artigo publicado no portal ComCiência

A celebração do Ano Internacional da Química visa a construir uma nova imagem da química junto à população que a traduz como uma ciência para iniciados, a qual está associada a materiais tóxicos, responsáveis pela poluição e por grandes desastres ambientais. Neste ano, os químicos do mundo inteiro estão desenvolvendo ações para demonstrar como o seu trabalho tem contribuído para a qualidade de vida, o desenvolvimento econômico e a redução de problemas ambientais. Essa preocupação tem sido compartilhada pelos educadores químicos que, nos últimos cinquenta anos, têm desenvolvido pesquisas em educação química, buscando desmistificá-la como ciência inacessível e popularizando o seu conhecimento para um uma vida melhor.

As pesquisas em educação química têm identificado as dificuldades no processo de ensino e aprendizagem dessa disciplina e, a partir de referenciais teóricos, têm desenvolvido propostas de atividades pedagógicas que se demonstraram eficientes no processo de aprendizado. Assim, têm sido desenvolvidas práticas de ensino que rompem com o método tradicional de ensino baseado quase exclusivamente na apresentação oral, pelo professor, da linguagem química, por meio de fórmulas desenhadas no quadro negro, as quais se apresentam demasiadamente abstratas para as pessoas que não conseguem traduzir o significado dessa simbologia.

As práticas pedagógicas que vêm sendo desenvolvidas com as pesquisas de ensino de química são centradas na apresentação de atividades simples de processos químicos em que, a partir da observação dos estudantes, os professores os auxiliam a elaborar modelos explicativos. Partindo da observação macroscópica, os estudantes constroem modelos microscópicos que explicam os fenômenos observados. Esse processo é feito por meio de uma linguagem com a qual os estudantes vão aprendendo a representar as substâncias e os seus constituintes. Esse ensino se inicia também a partir das ideias dos alunos que são exploradas e reelaboradas, incorporando a linguagem química. Isso significa substituir aulas monótonas, centradas nos professores, por aulas em que os estudantes são ativos e interagem com o professor, construindo o seu conhecimento.

Para evitar dificuldades no aprendizado de química, busca-se uma linguagem mais precisa, evitando-se analogias animistas, que tratam átomos e moléculas como seres vivos; além disso, evitam-se cálculos complexos e a memorização de nomes, números e processos que facilmente podem ser consultados em livros e tabelas. Isso torna o ensino menos complicado. Para tanto, os pesquisadores em educação química têm se dedicado na produção de materiais didáticos, evitando abordagens que dificultam a aprendizagem da química e usando linguagens apropriadas que a facilitem.

Mas para aprender química, não basta ter atividades experimentais, aulas interativas e livros didáticos bem escritos. É preciso que os estudantes compreendam também como o conhecimento químico tem sido produzido nos laboratórios. Para isso, entendemos que as aulas de química apresentem a história dessa disciplina, de modo a evidenciar que ela foi construída coletivamente, em contextos sócio-históricos que favoreceram o desenvolvimento de algumas teorias em detrimento de outras, motivadas por demandas sociais. Essa visão histórica visa desenvolver uma imagem da química que não seja dogmática, neutra e linear. Identificar o caráter histórico, provisório e social da ciência é demonstrar que ela não é um conhecimento privativo de iniciados e nem superior aos demais conhecimentos. Ao contrário, o que se pretende é demonstrar que essa ciência tem limites e que o seu saber é acessível também a outras pessoas.

O que se pretende com essas metodologias de ensino não é que os estudantes dominem plenamente a linguagem química, nem boa parte dos seus conceitos e das suas teorias, afinal, a grande maioria dos estudantes não vai necessitar de conhecimentos químicos específicos no exercício de suas profissões. Todavia, todos continuarão a utilizar diariamente produtos químicos e serão solicitados a emitir opinião sobre algum assunto relacionado à química. Nesse sentido, as pesquisas em educação química também têm contribuído para ajudar os professores a selecionarem conceitos fundamentais dessa ciência, essenciais para o seu ensino nas escolas de ensino fundamental e médio.

Na seleção dos conteúdos, os pesquisadores em ensino buscam não só os conceitos fundamentais, mas a compreensão da revolução tecnológica que a química tem produzido. Com isso, tem sido defendido um ensino renovado, que substitui os conteúdos tradicionais de química descolados da vida dos estudantes por conteúdos significativos, em que eles possam compreender as transformações que essa ciência tem produzido. Assim, têm sido incluídos no currículo escolar temas tecnológicos da química, o que faz com que os estudantes compreendam o seu papel social.

Com esse tipo de ensino, os estudantes passam a compreender que a nossa vida atual no planeta tem uma enorme dependência em relação à química, a qual tem contribuído para o aumento tanto da expectativa quanto da qualidade de vida. Pesquisas da química no desenvolvimento de combustíveis têm contribuído para aumentar a eficiência energética. Na produção de alimentos, a química tem provocado um aumento da produtividade agrícola. O desenvolvimento de técnicas de diagnóstico, de cirurgias, de fármacos e da engenharia biomédica é derivado de vários campos conectados com a química, como a bioquímica, a biologia molecular e estrutural, a fisiologia celular e a farmacologia. Os avanços da medicina também estão associados à química de produtos naturais, cujas pesquisas têm produzido novos fármacos, cosméticos e agroquímicos. O desenvolvimento de novos materiais tem sido o alicerce para novas tecnologias com aplicações em diversas áreas, como em materiais esportivos, por meio da confecção de bolas, redes, calçados, asas-deltas, veleiros etc. A revolução da indústria eletrônica, com o processo de miniaturização, ocorreu com o desenvolvimento de transistores, de baterias, de placas com materiais semicondutores, como silício e germânio. A química tem contribuído ainda no desenvolvimento de técnicas para reduzir o impacto ambiental da ação humana, com o desenvolvimento de fontes alternativas de energia, como os biocombustíveis. Aos poucos, as indústrias químicas têm se tornado menos poluentes, aderindo a programas de proteção ambiental, com o desenvolvimento de técnicas mais eficientes energeticamente e que reduzem a emissão de resíduos.

Apesar de a química ter contribuído de forma significativa para o aumento da qualidade de vida e ter gerado empregos e desenvolvimento econômico, o modelo de desenvolvimento tecnológico mundial no processo de globalização vem aumentando a concentração de renda e a desigualdade social e provocando grandes acidentes. A química aparece, nesse contexto, como vilã, sendo poucas vezes lembrada pela população em geral como a responsável pelos avanços que tem produzido. De certa forma, a população hoje tem concepções conflituosas que precisam ser clarificadas. O grande impacto do desenvolvimento científico e tecnológico no século passado gerou nas pessoas o mito de uma confiança cega na ciência e na tecnologia que traria a esperança de uma vida melhor. Ocorre que esse desenvolvimento ocasionou sérios problemas ambientais que contribuíram para a construção de uma imagem de visão temerária em relação à química.

Grandes acidentes propagados pela mídia, que envolveram a morte de milhares de pessoas, contribuíram para essa visão temerária da química. Um exemplo foi a contaminação por mercúrio na Baía de Minamata, no Japão, na década de 1950, que levou ao registro de mais de mil óbitos dentre mais de doze mil pessoas contaminadas. Outro exemplo ocorreu na Itália, em 1976, em Seveso, com o vazamento de herbicida de dioxina, que provocou a evacuação de centenas de habitantes da localidade. O vazamento de isocianato de metila, em 1984, em Bophal, na Índia, matou 2.800 pessoas e deixou aproximadamente 200 mil feridos. O incêndio na fábrica da Sandoz, na Suíça, em 1986, produziu nuvens tóxicas que ameaçaram quatrocentas mil pessoas e a água usada para apagar o incêndio arrastou para o rio Reno trinta toneladas de produtos químicos, matando a população aquática do rio em uma grande extensão, incluindo países vizinhos. Ainda em 1986, o acidente nuclear de Chernobyl obrigou a evacuação de 135 mil pessoas da cidade, provocou a morte de 4 mil pessoas e contaminou 75% da Europa.

Acidentes como esses, que marcaram o final do século passado, bem como milhares de outros em comunidades locais, por meio de vazamento de gases e efluentes em rios, continuam a ser notícia diária em todo o mundo no presente século. O vazamento de petróleo no Golfo do México em 2010 e os acidentes da usina nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011 são exemplos dos riscos tecnológicos que continuamos enfrentando em nosso dia a dia.

A dependência da química em nossas vidas faz com que ela seja essencial na formação da cidadania, que é outro foco de atenção dos pesquisadores em educação química. Essa dependência vai desde a utilização diária de produtos químicos até as inúmeras influências e impactos no desenvolvimento dos países, nos problemas referentes à qualidade de vida, nos efeitos ambientais das aplicações tecnológicas e nas decisões que os cidadãos precisam tomar. Vivemos em uma sociedade tecnológica mergulhada na química e dela dependemos em praticamente todas as atividades humanas. Assim, as práticas dessa ciência, que afetam e determinam o nosso modo de vida, não podem ser conduzidas de forma neutra, isolada da sociedade, sem a participação dos cidadãos.

Uma educação científica comprometida com a cidadania precisa considerar que o desenvolvimento tecnológico da química tanto tem trazido inúmeras contribuições para o aumento da qualidade de vida como tem aumentado o risco e as desigualdades sociais. Os cidadãos precisam compreender os avanços e potencialidades da química para incentivarem investimentos na área, para lidarem com os seus avanços e para repensarem o seu desenvolvimento de forma a diminuir riscos e reduzir desigualdades.

A educação científica que se tem defendido para popularizar a química significa engajarmos os cidadãos em discussões críticas sobre ela. Toda a história da humanidade tem mostrado que não basta o conhecimento técnico específico para que se possa construir um novo modelo de vida social. Se nos limitarmos a celebrarmos os benefícios da química, sem uma análise crítica de suas implicações sociais, certamente pouco contribuiremos para a formação de cidadãos informados que façam com que a química transforme o contexto global de dominação da sociedade moderna.

Midiaeducaçao: o conceito

“Compreendo que o papel fundamental da educação é formar para a vida, em especial, a vida em sociedade, o que implica um conceito de cidadania”, destaca Inês Vitorino.

Por Marcus Tavares

O que é midiaeducação? Um conceito? Uma ideia? A sua grafia escrita junta ou separada traduz algum significado? Existiria outro termo que definiria melhor a interface entre a educação e a mídia? Trata-se de um novo campo de estudo? A revistapontocom dá prosseguimento à publicação da primeira parte do Dossiê midiaeducação, na qual publica entrevistas com professores, estudiosos e pesquisadores sobre o tema. A cada semana, uma nova entrevista. Um novo olhar. Uma nova perspectiva sobre a interface mídia e educação.

Para a OSCIP Planetapontocom, midiaeducação é um conceito que se traduz em um trabalho educativo sobre os meios, com os meios e através dos meios. Sobre os meios, refere-se ao estudo e análise dos conteúdos presentes nos diferentes meios e suas linguagens. Com os meios, trata-se  do uso dos meios e suas linguagens como ferramenta de apoio às atividades didáticas. E através dos meios, diz respeito a produção de conteúdos curriculares para e com os meios, em sala de aula e, também, a educação a distância ou virtual, quando o meio se transforma no ambiente em que os processos de ensino-aprendizagem ocorrem.

Nilda Alves, Rosália Duarte, Eduardo Monteiro, Monica Fantin, Guaracira Gouvêia e Marcia Stein são alguns dos nossos convidados que já foram entrevistados. Nesta semana, você confere a entrevista concedida pela professora Inês Vitorino.

Coordenadora do Grupo de Pesquisa da Relação Infância e Mídia (Grim), da Universidade Federal do Ceará (UFC), e integrante do projeto de extensão TVez:  educação para o uso crítico da mídia, da mesma instituição, Inês afirma que, nos dias de hoje, os profissionais da educação devem  investir na capacidade de comunicação e de expressão dos seus alunos. “Isto significa, sobretudo, contribuir para que dominem as tecnologias da informação e comunicação, em particular, suas diferentes linguagens e signos, favorecendo processos de leitura crítica de si e da sociedade em que vivem e, com isso, sua participação cidadã”, destaca.

Em entrevista à revistapontocom, Inês, professora do mestrado em Comunicação da UFC e autora do livro “Televisão, publicidade e infância”, analisa o conceito e a origem do termo midiaeducação.

Acompanhe

revistapontocom – Como podemos definir o conceito mídiaeducação?
Inês Vitorino – Terminologias como “educomunicação”, “mídia-educação”, “educação para o uso crítico das mídias”, entre outros, expressam alguma tentativas de articulação dos campos da comunicação e da educação. São termos que se encontram em disputa, evidenciando as ênfases concernentes aos campos tensionados por esta aproximação. O termo educomunicação, por exemplo, tende a ser mais aceito pelos comunicadores, tal como Soares (1999). Nessa perspectiva, o conceito de comunicação assume um sentido amplo e complexo, não reduzido ao conceito de mídia simplesmente, mas associado à noção de processos comunicativos. Em outras palavras, questiona-se, nessa linha, a expressão “mídia”, considerada empobrecedora, pois vinculada, sobretudo, à dimensão instrumental da comunicação, como “veículo”, “canal” mediante o qual se realizam os processos comunicativos. Associada a essa lógica instrumental de caráter redutor se compreende a ênfase nos “usos” da comunicação como “recurso” pedagógico. O termo mídia-educação, por sua vez, tende a ser preferido pelos pedagogos, como Fantin (2006). O conceito se propõe a resgatar a importância do campo educacional para essa discussão, o qual estaria, na terminologia anterior, reduzido ao prefixo “edu”. Com isso, estaria assegurado, para os autores que defendem essa nomenclatura, o equilíbrio necessário entre os campos da comunicação e da educação, em particular, os aspectos da autonomia e da complexidade dos referidos campos. Na nossa compreensão, a redução do processo comunicacional ao termo mídia, compromete a terminologia proposta, ao ressaltar apenas uma dimensão da comunicacão, a instrumental, negligenciando as outras dimensões – técnicas, de linguagem e institucional – da comunicação. Um problema presente em todas essas terminologias, contudo, é, ainda, a abrangência que se pretende dar ao termo educação. Será mesmo adequada esta ênfase? Não seria necessário pensar, na verdade, a comunicação no diálogo com a psicologia, a sociologia, a filosofia, assim como a biologia, a geografia, enfim, com todos os campos de saberes que possam ser importantes à produção ética e de qualidade de conteúdos e formas? Em outras palavras, como formar, sem considerar todo o conhecimento humano produzido?

revistapontocom –  De onde surgiu este conceito?
Inês Vitorino – Creio que esta não é uma questão muito pessoal. Sugiro ver sobre o assunto nas respectivas obras dos seguintes autores: FANTIN, Mônica (2006.). Mídia-Educação: conceitos, experiências e diálogos Brasil e Itália, Cidade Futura; e SOARES, Ismar de Oliveira (1999). Comunicação/Educação, a emergência de um novo campo e o perfil de seus profissionais in Contato, Revista Brasileira de Comunicação, Arte e Educação, Brasília, ano 1, n.2.

revistapontocom – Qual é o objetivo da mídiaeducação?
Inês Vitorino – Pelas razões supra-citadas, não utilizo este conceito, mas identifico que a proposta subjacente às terminologias “educomunicação”, “midia-educação”, “alfabetização para os meios”, “uso crítico das mídias” etc. seja (ou deveria ser) a de promover um envolvimento crítico com os processos comunicativos, em particular, da comunicação midiática, o que inclui a leitura crítica dessa comunicação e também a  sua apropriação, ou seja, a possibilidade de vivenciar a comunicação como direito, em particular, como forma de expressão, como partilha de diferentes formas de ver e agir no mundo.

revistapontocom – Haveria algum nome mais oportuno para o binômio mídiaeducação?
Inês Vitorino – Ainda não tenho uma resposta que considere satisfatória. Se compreendermos a comunicação, com base em uma perspectiva freireana, por exemplo, talvez não tivéssemos a necessidade de ter um termo específico para definir esse campo. Em outras palavras, talvez seja mais frutífero resgatar o sentido fundamental do próprio termo comunicação, como partilha de diferentes modos de ver e vivenciar o mundo. Mas estas são questões que eu ainda estou elaborando.

revistapontocom – Qual é o papel da educação na interface mídiaeducação?
Inês Vitorino – Compreendo que o papel fundamental da educação é formar para a vida, em especial, a vida em sociedade, o que implica um conceito de cidadania. Nesse processo formativo, cabe aos profissionais da educação estimular a capacidade de comunicação e, portanto, de expressão dos seus alunos. Isto significa, sobretudo, contribuir para que dominem as tecnologias da informação e comunicação, em particular, suas diferentes linguagens e signos, favorecendo processos de leitura crítica de si e da sociedade em que vivem e, com isso, sua participação cidadã.

revistapontocom – Qual é o o papel da mídia na interface mídiaeducação?
Inês Vitorino – Nesse caso, compreendo que você está se referindo ao papel das instituições de comunicação e seus profissionais. Eu diria que o principal papel que lhes cabe é contribuir para a constituição e o fortalecimento de esferas públicas plurais e participativas, nas quais os diferentes indivíduos e grupos que compõem a sociedade – inclusive as crianças e os jovens que nela se inserem como aprendizes – tenham a real possibilidade de exprimir suas idéias de forma livre e transparente sobre as questões que os tocam nos campos político e cultural, em sua acepção mais ampla. Nessa perspectiva, os profissionais de comunicação teriam a responsabilidade de colaborar para a prevalência de uma comunicação de qualidade no âmbito de tais esferas públicas, que permitisse aos cidadãos o acesso à informação qualificada e a partilha da riqueza e complexidade dos mundos nos quais vivemos, em termos locais e globais.

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Começou nesta sexta-feira, dia 15, a 19ª edição do Festival Internacional de Animação – Anima Mundi. Quem quiser conferir toda a programação, prepara-se: a maratona conta com nada menos do que 421 filmes de 44 países. Do Brasil, serão exibidas 77 produções. Em seguida França, com 58, Reino Unido (40), Estados Unidos (31), Alemanha (18), Canadá (14) e Rússia (13). Ainda completam a lista países como Taiwan, Grécia, Lituânia, Mônaco, Letônia, Colômbia, Índia, Israel e Estônia. Mas, como de praxe, o festival não só é composto por mostras competitivas de filmes. Há debates, fóruns, mesas redondas, bem como oficinas, masterclasses e o concurso Anima Mundi Web & Celular.

A exemplo dos últimos anos, a revistapontocom apóia o festival e divulga, abaixo, os vídeos que estão participando do concurso Anima Mundi Web & Celular.  Qualquer internauta pode participar do Júri Popular. A votação é on-line. Simples, fácil e rápido, basta apenas que o interessado se cadastre previamente no site do festival.

Foram selecionadas 20 produções. O concurso é aberto a trabalhos inéditos ou não, produzidos por animadores profissionais ou amadores. Os trabalhos têm duração mínima de 30 segundos e máxima de 10 minutos. As animações vencedoras serão divulgadas e exibidas em tela de cinema durante a cerimônia de encerramento, no dia 24 de julho, no  Centro Cultural dos Correios.

Confira:

– Accuracy Wars e La Casita Feliz

– Photocopy romance e The Cave

– O feitiço virou contra o feitiçeiro e Trick

– Nude e Autoconfiança

– Friday night tights e Ajudando nosso mundo

– Retorno do lixo e Pimple

– Wheeles and love e No da

– Descolado e Fast food

– Prato a prato e Super Nworld

– Animation hotline e Vorobej kotoryj