Neurociência em favor das crianças

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis quer colocar a ciência no centro do gramado do estádio que vai sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014. A cena imaginada é a seguinte: a seleção brasileira, que faz o primeiro jogo do torneio, é conduzida até a linha de saída de bola por duas crianças brasileiras. Portadores de deficiência física, os pequenos entrarão caminhando graças a um experimento inovador. Acoplado às pernas, um equipamento chamado pelo neurocientista de exoesqueleto permitirá que as crianças se movimentem com a força do pensamento. Elas dão o pontapé inicial da partida. O invento pode realizar o maior sonho do neurocientista: “fazer alguém andar”.

Apresentada ao governo brasileiro e aos organizadores da Copa de 2014 pelo neurocientista, a proposta está em análise. O projeto científico, chamado Walk Again, foi detalhado na quinta-feira, 25 de agosto, na Universidade de Brasília (UnB). Miguel Nicolelis lidera equipe de mais de 100 pesquisadores de três continentes envolvidos no experimento, inclusive do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, fundado por ele. Dezenove dos cientistas acompanharam o neurocientista na visita à UnB. A apresentação do projeto aconteceu durante lançamento do livro do pesquisador, Muito além do nosso eu

O equipamento reproduz os movimentos a partir de microssensores instalados no cérebro do paciente por meio de uma cirurgia. Os microssensores levam até o exoesqueleto sinais que tiveram sua passagem interrompida em geral por um dano físico. Para isso, o cérebro precisa ser retreinado por meio de estímulos que provoquem as reações necessárias para desencadear os movimentos. “Quando há uma lesão na medula cerebral, por exemplo, o cérebro continua a imaginar os movimentos, só que os sinais não conseguem chegar até a região do corpo que o pensamento deseja mover”, explica Nicolelis.

O experimento foi testado mais de uma vez. Nicolelis aponta que o teste mais comemorado foi realizado simultaneamente nos Estados Unidos e no Japão. Da Duke University, na Carolina do Norte, a macaca Aurora acionou um robô, o CB1, em um laboratório em Tóquio, a partir de estímulos cerebrais.

A equipe de Nicolelis chegou aos resultados a partir da descoberta de que o corpo se apropria de objetos e cria novos mecanismos de controle. “Se você esconder parte do braço de alguém e colocar sobre a parte escondida um braço de manequim, depois de algum tempo a pessoa vai realizar movimentos como se o braço de manequim fosse o seu de verdade”, explica o neurocientista. “O maior jogador de fubetol, Pelé, foi o maior porque a bola foi incorporada como uma parte dele”, analisa. 

Os resultados dos experimentos do neurocientista e sua equipe contrapõem teoria dominante no século XIX de que o cérebro funciona por áreas especializadas. “O cérebro é plástico, funciona como uma grande democracia em um mecanismo chamado distributivo. É a única orquestra que produz uma música que modifica os instrumentos que produzem a própria música”, define.

Nicolelis lembra que até 20 anos atrás os cientistas não tinham ideia do que era uma tempestade cerebral. “A primeira vez que conseguimos documentar isso foi há 10 anos e eram apenas 100 neurônios disparando informações simultaneamente. Hoje, já conseguimos documentar tempestades com mais de 1 mil neurônios agindo ao mesmo tempo”, explica. 

Professor da Duke University, nos Estados Unidos, e considerado um dos 20 cientistas mais influentes do mundo, Nicolelis foi aplaudido de pé pelos quase 200 professores e alunos que lotaram o auditório da Reitoria.

Laio Vitor, Matheus Naves, Alexandre Fuckner, Yuri Almeida e Deyne Morais, disputaram entre si quem ficaria com o livro de Nicolelis, que compraram depois de fazer uma “vaquinha” para garantir os R$ 35 necessários. O autógrafo foi coletivo. “Nicolelis abriu nossa visão, nos fez pensar em nosso papel como estudantes e profissionais – quem sabe cientistas”, contou Deyne, do 3º semestre do curso.

Como eles, pelo menos outras 80 pessoas compraram o livro e aguardaram pelo autógrafo na longa fila que se estendeu por todo o auditório. Os estudos do neurocientista abrem novas frentes de tratamento para os males de Parkinson e Alzheimer e para a recuperação do movimento em pessoas que sofreram acidentes.

Fonte – Secretaria de Comunicação Social da UnB.

Sobre blogs, microblogs, plataformas digitais

 

Por Winston Sacramento
Coordenador do Departamento de midiaeducação do NAVE
Doutorando pela PUC-Rio

Uma das críticas mais frequentes, quando analisamos as primeiras tentativas de se difundir informação via web, referia-se a suposição de que para ser veiculada em ambientes virtuais bastava que se reproduzisse a informação tal qual ela costumava aparecer nos suportes “tradicionais” – jornais, livros, revistas, folhetos. Tal suposição trazia embutida a crença de que, uma vez respeitadas as regras básicas presentes nos manuais de comunicação, não haveria muito com o que se preocupar em termos de recepção. Enfim, o que importava mesmo era o conteúdo…

Retrospectivamente, muitos avaliam que parte dessa suposição justificava-se pelos limites impostos à internet em seus primórdios. Em meados dos anos 90 a tecnologia disponível na grande rede estava longe da web 2.0 que temos hoje e, portanto, não haveria mesmo muito o que fazer diante do desenvolvimento tecnológico existente.

Hoje, num momento em que as TIC’s começam a fazer parte do universo escolar brasileiro de forma mais intensa e estruturada, corre-se o risco do mesmo tipo de erro. A suposição de que basta garantir a “migração” de conteúdos, práticas e rotinas do universo escolar presencial para o universo digital pode comprometer, significativamente, nossa capacidade de apropriação e criação de conhecimentos e saberes escolares, no contexto de uma sociedade cada vez mais imersa nas múltiplas instâncias do universo digital. Quando falamos no uso escolar das TIC’s é porque o uso fora do universo escolar vai muito bem, obrigado…

Perguntem a qualquer menino ou menina dos principais centros urbanos brasileiros sobre suas rotinas de uso dos mais variados ambientes e plataformas digitais e o que vamos encontrar, com frequência, são usuários(as) com alto grau de incorporação cotidiana desses ambientes virtuais às suas próprias vidas, tanto no plano individual quanto coletivo.

Paradoxalmente, é no uso escolar das TIC’s que continuamos “patinando”, com honrosas e raras exceções. E os estudantes são os primeiros a perceber que aqueles blogs, sites, homepages, microblogs, além das redes sociais – na maioria das vezes construídos com as melhores intenções -, são como livros, cadernos e apostilas, “disfarçados”. Não se trata de considerarmos como desnecessários os matérias didáticos produzidos até aqui. Talvez, o que precise ser feito é compreender melhor como os estudantes, particularmente os que se encontram em algum ponto da educação básica, se relacionam com o universo web.

Aprender com as rotinas, hábitos e padrões de uso socialmente desenvolvidas por esses(as) jovens pode nos dar pistas valiosas para o uso adequado e produtivo das TIC’s em termos escolares.  Por trás da aparentemente caótica e desordenada sucessão de telas e links do computador de seu aluno(a), parece haver um complexo regime de uso capaz de articular, de forma combinada, os ambientes e plataformas digitais atualmente disponíveis.

Não nos parece razoável a consideração de que tais ambientes e plataformas digitais são de uso incompatível com as funções e objetivos escolares. As TIC’s tornaram-se um fenômeno de massa, o que lhes confere um grau de inevitabilidade contra o qual não parece haver sentido se opor, simplesmente por desconhecer sua lógica interna de operação. Agimos assim, em larga escala, com relação ao uso escolar da TV, do cinema, do rádio, do HQ, da calculadora…

Substituir o medo, o desconhecimento e a indiferença por experimentação, estudo e pesquisa. Didática e metodologicamente é isso que precisa ser feito com relação às TIC’s.

As redes são as mensagens

 

Por Raquel Recuero
Jornalista, professora da ECOS/UCPel e pesquisadora

Um dos teóricos que mais impactou a minha formação, quando ainda estudante de graduação, foi o Marshall McLuhan. Na época, considerado por muitos um “guru” (que academicamente pode ser um termo bem pejorativo) e por ainda outros um pensador “ultrapassado”, McLuhan era pouco estudado.

Ao contrário, a maior parte dos trabalhos/estudos era focada na chamada Escola de Frankfurt e nos pensadores denominados mais “críticos” da mídia (que têm seus méritos). Mas eu sempre gostei do McLuhan e lembro de ter ficado muito impressionada na primeira vez que li “Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem”, a primeira obra com a qual tive contato. Pois bem, embora muita coisa do pensamento mcluhaniano hoje seja considerado “lugar comum” na pesquisa, McLuhan foi capaz de traçar caminhos e perceber coisas que ainda hoje estamos tentando delimitar e compreender melhor. Escrevi há alguns meses um texto discutindo algumas das idéias dele no contexto das redes sociais na Internet e hoje, na data do centenário do nascimento, decidi comentar brevemente essas idéias aqui.

Um dos aportes que eu considero particularmente relevante do McLuhan é a sua idéia de que “o meio é a mensagem”. Ou seja, o meio é tão relevante que é capaz de influenciar sim a percepção do conteúdo da mensagem. Essa idéia, voltada, na época aos meios de comunicação de massa, parece-me muito mais relevante hoje. Por isso, a rede é a mensagem.

As redes sociais na Internet são redes de pessoas que estão interconectadas por sistemas que permitem que essas conexões sejam vias permanentes de informação. Assim, mesmo quando não estamos “conectados” (embora o evento da desconexão seja cada vez mais raro) estamos recebendo informações que serão acessadas depois. Só que as topologias dessas redes, emergentes das ações individuais dos atores, são extremamente relevantes não apenas para os tipos de informação que circulam, mas igualmente, para a visibilidade e a percepção dessas informações.

Assim, as diferentes topologias das redes sociais na Internet às quais você está ligado influenciam a sua percepção das mensagens recebidas e, igualmente, as próprias mensagens. Por exemplo, imagine que você recebe, via Twitter, a informação de que Barack Obama sofreu um atentado e morreu. O que influencia sua percepção dessa mensagem? Várias coisas. Por exemplo: Quem disse isso? Há confirmação de algum jornal? Há mais gente falando nisso? E, dependendo de como você percebe esse conteúdo (é uma piada? é uma notícia? é uma brincadeira? é uma promoção? é spam?), há efeitos. Por exemplo, você pode decidir repassar essa informação para seus seguidores. Você pode decidir comentar isso no seu blog. Você pode reportar a mensagem como spam. Assim, mais importante do que a própria mensagem (conteúdo) é o meio através do qual você a recebe e sua percepção desse meio.

Efeitos do Meio na Mensagem (e vice-versa)

Assim, o modo através do qual as redes sociais online difundem informações tem efeitos variados. E em um artigo que escrevi sobre isso, que espero que seja publicado logo, discuti alguns desses efeitos do “meio” redes sociais. Alguns desses efeitos:

• Cascatas – São fenômenos onde uma determinada informação vai sendo repassada e crescendo na rede, em um efeito “cascata”. Ocorrem quando os atores na rede vão se influenciando e repassando uma informação porque os outros também estão comentando a mesma informação. Quanto mais gente publica a informação, maior a tendência de que você também o faça. As cascatas podem ter efeitos positivos e negativos, fazendo tanto com que informações relevantes cheguem a pontos mais distantes da rede quanto fazendo com que boatos se espalhem mais rapidamente. (Algumas hashtags são exemplos dessas cascatas.)

• Descentralização e Filtragem – As redes sociais online descentralizam a produção de informações e atuam também como filtros, permitindo que informações diferentes cheguem aos demais atores. Assim, as redes podem não apenas apropriar mensagens e deturpar seu conteúdo (por exemplo, a #MarchaAnticanhotismo), mas igualmente mobilizar, espalhar e filtrar. Essas dinâmicas de rede também influenciam o sentido daquilo que é transmitido, dando visibilidade para determinadas informações em detrimento de outras. É a rede que faz o conteúdo visível, portanto (TTs no Twitter são um exemplo dessa filtragem).

• “Públicos em rede” – Outro efeito é com relação à mídia de massa. Os públicos em rede são públicos que discutem, debatem e que vão propagar informações de acordo com suas percepções e idéias. Eles influenciam também a compreensão de uma mensagem, na medida em que vão colocando posicionamentos, idéias e comentários ao repassá-las. (Por exemplo, um retuíte que é comentado pelo ator que o repassa tem efeitos diferentes no sentido da mensagem original, gerados pelo meio “redes sociais”.)

• O conteúdo é outro meio – Essa é outra máxima mcluhaniana. Quantas mensagens você recebe que são constituídas de outro meio? Milhões. Por exemplo, uma grande parte dos tweets é composta de uma informação+ um link. O link é outro meio. O site onde a informação está publicada é outro meio. O conteúdo é influenciado pelas redes, que, por sua vez, são influenciadas pela percepção do conteúdo. Memes são outro exemplo dessa máxima.

Assim, as redes sociais influenciam muito mais do que o modo através do qual as informações são difundidas na contemporaneidade. Influenciam também o conteúdo dessas informações, sua semiose e sua percepção. E os atores, individualmente, são influenciados e influenciam esses processos, que de forma sistêmica, são constituídos como maiores que a soma dessas ações.

O filho do vizinho


Por Marcus Tavares

Pela janela do seu quarto, Ronaldinho olha maravilhado as aventuras e peripécias de um garoto que é chamado de várias formas pela vizinhança. Dos muitos nomes, Ronaldinho o chama de o filho do vizinho. Esta é a sinopse do curta O filho do vizinho, de Alex Vidigal, que em pouco menos de um ano já acumula três prêmios: Melhor direção de arte na mostra competitiva digital do 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2010; Melhor filme de curta-metragem do 8º Festival de Cinema de Maringá 2011; e Melhor filme da 10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Supresa para o diretor que não tinha nenhuma expectativa do quanto o curta seria bem recebido tanto pelas crianças quanto pelos adultos.

“O filme foi criado sem nenhuma pretensão. Na verdade, escrevi o roteiro por conta de uma aproximação que tive com a infância devido a um trabalho que estava realizando com minha namorada. Estava adaptando uma crônica, que ela havia escrito, para um roteiro de um curta. Foi desse contato, que resolvi escrever a história do filho do vizinho”, conta Alex Vidigal.

Foi então, em 2009, que o casal de namorados inscreveu os seus respectivos curtas no edital do Fundo de Apoio à Cultura de Brasília (FACA) para produzi-los. As duas propostas foram aprovadas. No ano seguinte, O filho do vizinho estava pronto.

O curta de seis minutos conta a história de dois personagens: o filho do vizinho e Ronaldinho. O primeiro não para um só instante. Ele joga bola, solta pipa, corre para lá e para cá, irritando muitas vezes os adultos. O segundo é um menino quieto, na dele. Para muitos adultos, Ronaldinho é um exemplo de criança. Ele passa os dias observando, da janela de sua casa, as peripécias do filho do vizinho, negando todos os convites do menino de sair para a rua e participar das brincadeiras.

À medida que o curta vai se desenrolando, o público se pergunta por que Ronaldinho não aceita nenhum convite, não brinca na rua com as outras crianças, não entra para a turma do filho do vizinho. A única pista é que a mãe de Ronaldinho o protege bastante, não quer que ele se misture com os outros. Mas por quê?

No final, a descoberta: Ronaldinho é cadeirante. Desta vez é o público – adultos e crianças – que fica surpreso e pensativo. O diretor queria que as pessoas refletissem sobre a infância de um cadeirante, com todas as suas limitações físicas e as que, muitas vezes, infelizmente, são impostas pela família e sociedade.

“O filme é, na verdade, um mix de muitas coisas da minha própria infância, onde minha mãe me prendia bastante. Vem também das observações do cotidiano, da infância em cadeira de rodas. Foi exatamente essa cena  que  um dia presenciei que despertou o interesse de escrever a história. Na prática, tinha um só objetivo: promover uma reflexão sobre a infância de uma criança cadeirante, sobre como os pais e a sociedade devem tratar a criança cadeirante”.

Objetivo alcançado.  E, inclusive, entre estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Assim que ficou pronto, o filme foi exibido em algumas escolas de Brasília, onde mora o diretor.  “Foi muito gratificante. Ouvia dos alunos que o mais marcante era a amizade entre o filho do vizinho e o Ronaldinho. Para mim, isso já valia como prêmio”, frisa.

Professor do curso de graduação de Comunicação Social da Universidade Católica de Brasília, Alex já tem planos para outros curtas. Na lista de prioridade, um sobre velhice e outro, sim, sobre infância.  “Não quero ficar rotulado como realizador de curtas sobre ou para a infância, mas como realizador de histórias interessantes”, finaliza.

Imaginação e tecnologia para criança


Por Marcus Tavares

Timbuktu. Este é o nome da primeira revista digital para crianças criada para o iPad. De acordo com a designer italiana Olimpia Zagnoli, a publicação reúne imaginação e tecnologia com o objetivo de apresentar para meninos e meninas notícias e histórias. “A proposta é incluir as crianças no mundo das notícias e deixá-las  explorar o que está acontecendo ao redor do planeta de uma maneira agradável. Um dos primeiros temas é sobre o gelo. Na revista, as crianças encontram histórias engraçadas de cubos de gelo jogando cartas na geladeira, mas também histórias sobre o aquecimento global e um guia para salvar o planeta do ponto de vista de uma criança”, conta Olimpia à revistapontocom.

O trabalho é produzido por uma equipe multiprofissional de cinco pessoas. O processo de produção envolve muita discussão e reflexão sobre conteúdo e visual. “Além disso, estamos tentando manter o contato com crianças ainda mais frequente, com o objetivo de aprender com elas para sermos capazes de criar algo exclusivo. Desde que lançamos o Timbuktu, temos tido retornos positivos de crianças e dos pais das crianças. Isso nos ajuda a trabalhar sempre mais”, comemora Olimpia.

Embora a proposta seja italiana, a equipe quis, desde o início, criar um conteúdo que pudesse se comunicar com as diferentes realidades do mundo. Desta forma, o inglês foi escolhido como o idioma da revista, por ser hoje uma língua internacional.

Quem já acessou garante que a navegação da publicação é interessante: em vez de virar as páginas da direita para a esquerda, o usuário navega para baixo quando inicia uma nova seção. O único problema, no entanto, é que não há como voltar ao índice facilmente. Para isso, é necessário virar página por página até chegar ao local desejado.

Quem não tem iPad, mas deseja conhecer a revista, basta fazer o download do aplicativo do Itunes, onde é possível navegar pela Timbuktu. Confira, clique aqui

Humanos e ciberespaço: para onde vamos?

Por Marcus Tavares

Por onde passa, o filósofo teórico Pierre Levy, formado pela Universidade de Sourbonne, chama a atenção de jovens e adultos, muitos deles professores e estudantes. Não foi diferente o que ocorreu na última quinta-feira, no Rio, no espaço Oi Futuro Flamengo. Diante de uma plateia que lotou um dos auditórios do espaço e ocupou cada metro quadrado do saguão e da entrada do local, Pierre Levy, acompanhado do ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, falou sobre o poder da palavra na cibercultura.

Sob os olhares e, principalmente, ouvidos atentos do público, que acompanhava a palestra via telão e fones que traduziam a palestra, Levy, mais uma vez, fez com que as pessoas parassem e refletissem sobre o mundo cibernético na qual estão mergulhadas. Para começo de conversa, o filósofo demarcou o que separa os humanos dos animais, ponto de partida para o entendimento de quem somos e para onde vamos.

“O que nos diferencia dos animais é a nossa capacidade simbólica de categorizar, traduzida na linguagem. O que proponho aqui é uma meditação filosófica sobre o que chamo de inteligência coletiva, pensamento humano sustentado por conexões sociais que é criado por meio da utilização das redes de computação, internet”.

No planeta humano, o professor afirma que há duas esferas: o mundo material e o imaterial, ou o chamado simbólico. Diz Levy: “a natureza deve ser entendida de maneira material e imaterial e devemos compreender a constante relação entre o espiritual e o material”.

Ao relacionar esta concepção com o ciberespaço, Pierre destaca que, tecnicamente, a web vem possibilitando à humanidade a capacidade de maximizar o mundo material, transformando as relações humanas no tempo e no espaço: “Podemos, hoje, registrar e armazenar mais dados e também podemos nos comunicar de forma mais rápida e eficiente de qualquer lugar com o aumento das bandas de transmissão”.

Mas o que dizer do mundo simbólico? Eis a questão do filósofo. Na prática, Pierre se pergunta de que forma as ferramentas do ciberespaço podem promover a criação dos significados e dos sentidos e, num segundo momento, maximizá-los. “Nós temos a computação lógica, mas não a computação semântica. E é isso que eu quero inventar”.

Para além da URL, Levy propõe, portanto, a criação do USL, que, em português, poderia ser chamado de ‘Localizador Semântico Universal’, um sistema de endereçamento para metadados criados pelo conceito, pelo afeto, pelos significados, pelos sentidos. “Digamos que no ciberespaço nós somos pequenas formigas nos comunicando e o resultado é uma espécie de inteligência coletiva que já existe. Agora, elas serão capazes de abrir asas, como uma borboleta, e enxergar todos os trabalhos das formigas.”

Na visão do filósofo este é o caminho que a humanidade está trilhando e, ele, no momento, refletindo. Diga-se de passagem, já há algum tempo.

Pílulas  de Levy para pensar

Cultura – “A cultura pode ser entendida como um processo de recepção de memória e de significado de uma geração para outra geração”.

Ciberespaço – “O ciberespaço torna-se, hoje, um novo meio de organizar a memória humana, que tem a ver com a nossa capacidade de pensar e, portanto, com a nossa chamada inteligência coletiva”.

Gerações – “A dificuldade que existe de uma geração para entender a outra vai aumentar. A evolução da mídia vai acelerar essa distância”.

Professores mostram que ainda é possível inovar

Eles fazem a diferença? Para o júri do Prêmio Microsoft Educadores Inovadores Brasil/2011, não há dúvidas. Depois de analisar cerca de 1.400 projetos de professores de diversos cantos do país, a coordenação divulgou no início deste mês a relação dos vencedores. Vera Beatriz Hoff Pagnussatti, professora do Paraná, foi escolhida como o Educador Inovador da edição deste ano. Seu trabalho com jornais mudou a relação dos estudantes do Colégio Estadual Eron Domingues com a Língua Portuguesa.

Além de Vera, outros professores também foram contemplados nas categorias inovação em colaboração, comunidade, conteúdo, educador inovador escola técnica, educador inovador, educador inovador escola particular. Cada um ganhou um notebook, um pacote do software Office 2010 e um troféu.  Os seis vencedores de escolas públicas também irão representar o Brasil na etapa mundial do Prêmio, a ser realizada em Washington, no mês de novembro.

Criado em 2006, o Prêmio Microsoft Educadores Inovadores busca reconhecer os melhores projetos educacionais de professores brasileiros que utilizam a tecnologia de forma inovadora para auxiliar no processo de ensino e aprendizagem dos seus alunos.

A revistapontocom publica abaixo a lista dos vencedores e um pequeno resumo dos trabalhos apresentados.

Confira:

– Educador Inovador
Nome do projeto: Jornal: Diferentes suportes, diferentes generos discursivos
Autor: Vera Beatriz Hoff Pagnussatti
Escola: Colégio Estadual Eron Domingues
Cidade: Marechal Cândido Rondon. Estado: PR

Para tornar as aulas de Língua Portuguesa mais produtivas e interessantes, a professora idealizou a produção de um jornal impresso e online como recurso didático, visando à interação dos alunos com a comunidade, tornando-os leitores e autores de diferentes gêneros textuais, inclusive para as mídias sociais. Os alunos puderam se familiarizar com os diversos recursos tecnológicos utilizados na elaboração do projeto, que teve duração de cinco meses. A 1ª edição do Jornal do Colégio foi enviado gratuitamente junto com o jornal local O Presente (com tiragem de 4 mil exemplares) para todos os assinantes e alunos do colégio.

– Educador Inovador – Escolas Técnicas
Nome do projeto: ConstruCoco – Edificando Ideias
Autor: Eraldo Martins Guerra Filho
Escola: Escola Técnica Professor Agamenom Magalhães
Cidade: Paulista. Estado: PE

O projeto teve como princípio a elaboração de uma mini empresa de construção civil voltada para o desenvolvimento de materiais para edificações sustentáveis que fossem provenientes das sobras de lixo de alguma matéria prima barata, como o resíduo do coco, por exemplo. Os alunos planejaram toda a viabilidade da aplicação das ideias, usando softwares do pacote Microsoft Office, como Word, Excel e Power Point, para documentar o processo de coleta de dados, elaboração de gráficos, apresentação de demonstrativos e divulgação de indicadores. Aprenderam também a organizar o tempo e gerenciar os recursos para atingirem os resultados desejados.

– Educador Inovador – Escolas Particulares
Nome do projeto: Radio História
Autor: Marcus Vinícius Leite
Escola: Fundação Torino
Cidade: Belo Horizonte. Estado: MG

Por meio do recurso de podcast, os alunos das turmas do 8º ano do Ensino Fundamental se transformaram em locutores e repórteres de uma rádio virtual, onde narraram eventos da história do Brasil e do mundo como se fossem fatos contemporâneos. O projeto consistiu na pesquisa de conteúdo histórico em livros didáticos, produção e correção dos textos para narração, gravação e edição do áudio no computador, montagem de áudio-imagens no Movie Maker para publicação do conteúdo em um blog na internet e divulgação em redes sociais. O trabalho teve como objetivo tornar a história mais tangível e próxima a vida cotidiana dos estudantes.

– Educador Inovador – Uso avançado de tecnologias Microsoft na aprendizagem
Nome do projeto: Explorando o Universo através das TIC´s
Autor: Alex Vieira dos Santos
Escola: Centro Estadual de Educação Profissional em Logistica e Transportes Luiz Pinto de Carvalho
Cidade: Salvador. Estado: BA

O projeto teve como objetivo a contextualização de tópicos relativos à astronomia e astronáutica. Depois de diversas atividades, teóricas e práticas, os alunos participaram de debates entre grupos de discussão no Windows Live, utilizaram o software Word Wide Telescope para testarem algumas hipóteses além de utilizarem o Microsoft Office. Ao final, foram produzidos uma rosa dos ventos, um foguete, jornais informativos com o uso da ferramenta Publisher e um diário de bordo reforçando a prática da pesquisa e investigação na educação básica.

– Educador Inovador em contextos desafiadores
Nome do projeto: Educação Além dos muros
Autor: Sandra Maria Saragoça
Escola: Colégio Estadual Luiza Mahin
Cidade: Rio de Janeiro. Estado: RJ

Meninas de 12 a 21 anos, que cumprem medida socioeducativas de internação, buscam se restabelecer repassando os conhecimentos adquiridos nesse projeto. Por meio dele, as alunas aprenderam a fazer animações em Stop Motion e, utilizando o Movie Maker, criaram vídeos educativos sobre diversos temas da vida cotidiana que envolvem cuidados com meio ambiente, uso correto da água, poluição dos rios, entre outros. Esses vídeos são apresentados por elas para alunos de outras escolas, e isso tem promovido uma quebra de paradigmas, tanto de quem assiste, que se surpreende pelo fato de estarem aprendendo com as internas, quanto de quem apresenta, que se vê capaz de transmitir conhecimento às outras pessoas.

– Educador Inovador em conteúdo
Nome do projeto: Resgatando o Folclore através das TIC´s
Autor: Ana Paula Krumel Huzalo
Escola: Instituto Estadual de Educação Vasconcelos Jardim
Cidade: General Câmara. Estado: RS

Com base nos estudos realizados sobre folclore, nas disciplinas de Língua Portuguesa, Artes, Filosofia e História, a professora incentivou os alunos a criarem vídeos digitais de curta duração feitos a partir de câmeras, celulares e palmtops e editados no Movie Maker, para promover a difusão de conteúdos folclóricos, com o uso do conhecimento de computação e comunicação. Houve o sorteio de uma lenda para cada turma, e após uma apresentação na escola, os vídeos vencedores foram compartilhados com outras quatro escolas, proporcionando a inclusão digital por meio das ferramentas como MSN, SkyDrive, Blog, para a troca de ideias e comentários.

– Educador Inovador em comunidade
Nome do projeto: Cyberbulling – Qual o seu Papel: Vítima ou espectador?
Autor: Lúcia Regina Silva dos Santos
Escola: Escola de Educação Básica e Profissional Fundação Bradesco
Cidade: Manaus. Estado: AM

O projeto foi pensado para minimizar os conflitos físicos e verbais, iniciados e organizados em discussões de redes sociais, entre os alunos da escola e da comunidade escolar ao redor. A ideia da professora estava fundamentada no desenvolvimento de ações que tivessem como foco o uso consciente e responsável do ciberespaço e na divulgação das consequências do cyberbullying, para sensibilizar os alunos na manutenção de um ambiente mais saudável e acolhedor. A partir disso, foram feitos vídeos no Movie Maker, slides no Power Point, desenhos, murais, folder, enquetes e blogs. Os dados obtidos com esse trabalho foram catalogados em planilhas no Excel e utilizados nas palestras realizadas na escola.

– Educador inovador em colaboração
Nome do projeto: CBB Web TV
Autor: Jorge Cesar Coelho
Escola: Escola Municipal de Ensino Fundamental Borges de Medeiros
Cidade: Campo Bom. Estado: RS

Estruturado pelos estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental, o projeto consiste em um canal de comunicação jovem onde são publicadas enquetes, votações on-line, trabalhos escolares e demais conteúdos que possam interessar a própria comunidade escolar. O canal é formado por uma convergência midiática e envolve a utilização de um blog, do Live Messenger, um canal no YouTube, entre outras redes sociais. Esses alunos se reúnem semanalmente para definirem as pautas que irão ao ar, fazerem as coberturas jornalísticas, elaborarem as matérias no Word, editarem os vídeos dos eventos escolares no Live Movie Maker e apresentá-los via web.

Greve, escola e educação

 

 

 

Por Denise Vilardo
Professora da Rede Pública Municipal RJ, coordenadora Pedagógica do Colégio Graham Bell e colaboradora da Fundação Darcy Ribeiro.
Sem duvidar da legitimidade dos argumentos que levaram e levam os profissionais da educação a fazerem greves, creio que esta é uma estratégia que já não frutifica há tempos. Ou melhor, frutifica sempre para o lado negativo da questão. Quem perde é sempre o aluno.

As greves deram algum resultado, no âmbito da melhoria salarial, quando elas ainda pressionavam os governantes que, não sabendo lidar com a situação, ficavam assustados com o fato dos professores estarem se fortalecendo pela união.

Mas isso foi no final dos anos 70 e início dos 80. De lá para cá, não lembro de nenhuma greve que tenha tido resultados significativos no bolso dos professores. Ao contrário, elas têm servido para o governo economizar luz, gás, telefone e merenda.

Quanto às outras reivindicações que sempre vêm no bojo das campanhas, que sugerem melhorias em outros âmbitos e que envolvem a qualidade do trabalho, essas, então, nunca são alcançadas.

Para não ser radical de vez, lembro que, na Rede Municipal do Rio de Janeiro, ainda na década de 80, os professores reivindicaram horário de Centros de Estudos, dentro da carga horária regular, no que fomos atendidos. Mas, infelizmente, os próprios professores esqueceram que essa havia sido uma demanda própria e passaram a lidar com esse horário como sendo uma “obrigação” implantada pelos dirigentes e, salvo algumas honrosas iniciativas de poucas escolas, esse horário perdeu o sentido acadêmico e político.

É preciso reconhecer que a greve não funciona como forma de pressão. O fato de os alunos das classes populares ficarem sem aulas, o que significa ficarem sem aprendizagem formal, sem talvez a única possibilidade de contato com o mundo do conhecimento organizado, não sensibiliza a sociedade.

Digo isso com tristeza e constrangimento. É tempo de pensar em novas estratégias e que, a meu ver, começam dentro das salas de aulas e se expandem para as famílias dos alunos. Os alunos e suas famílias são os únicos que sentem falta da escola, mas não têm voz.

E os próprios educadores têm que valorizar o seu trabalho, para além dos R$ da hora aula, e se assenhorear da sua importância não apenas no estrito processo educativo, mas na importância da sua participação na formação da vida dos alunos, na sua ação política que deve reverberar em cada canto da sua sala de aula e ganhar força dentro e fora das escolas.

O que não podemos perder de vista é que, a cada aula não realizada, perdemos mais uma oportunidade de sermos relevantes para a vida de nossos alunos. Talvez isso não faça diferença para alguns professores, mas certamente faz para os alunos.

Me lembrei de uma crônica, do saudoso Fritz Utzeri, de 2002, e que transcrevo aqui (trecho adaptado de crônica de Fritz Utzeri, jornalista, para o Jornal do Brasil, em 19/05/02)

Celeste e a Geografia

 “(…) Da professora Isabel Penteado recebo carta: ‘Entre os vários artigos seus que leio, recorto e divulgo, está o ‘Quadro Negro’. Levei para o curso de Inglês onde trabalho. Apesar de lidarmos com a ‘nata da nata’, temos consciência do que rola por aí. Já ensinei em escola municipal e sei como é. Uma colega que ensina Português leu o seu artigo e trouxe uma cópia de uma redação. Segundo ela, o texto foi escrito por uma jovem incapaz de fazer uma prova de Geografia, porque desconhecia a matéria. No lugar da prova fez esse manifesto – desabafo – obra-prima como relato de nossa triste realidade social.’ Ei-lo:

 ‘Tentei resolver a prova, mas infelizmente após ter concluído o segundo grau no CIEP Mário de Andrade me caiu a ficha de que não faço parte da elite, sou apenas mais uma jovem ‘recém-diplomada’ pela rede pública de educação, como tantos milhares que ficaram reprovados neste exame. Realmente não tenho condições de passar por essa enorme barreira que me separa do sonho de ser médica, mas infelizmente não tenho dinheiro para pagar um cursinho, nem tive para bons colégios. Nem ferramentas para a batalha eu tive, pois após a falta de tempo e boa vontade dos professores, constatei também a falta de livros nas bibliotecas. Por que você não faz uma estatística para saber quantos estão na minha situação, morrendo de sede com uma cachoeira à frente?

O quanto eu sonhei com este dia do vestibular. A chance de um futuro melhor, de dar uma vida melhor a minha mãe, de dar conforto, de ter conforto. Aí eu me defrontei com um enorme muro de concreto, chamado ignorância, que me foi passado em 12 anos de ensino público, talvez não corresponda a seis do particular. Talvez eu tenha me deslumbrado com o fato de sempre ter sido chamada de boa aluna, mas não sabia que aquilo não era nem o trivial, por isso me aventurei e tirei 4,5 em Redação, um bom começo para quem conhecia parte da dificuldade. Agora estou triste, vejo o quanto me falta saber, o quanto está longe de mim o conhecimento.

Se chegou até aqui, obrigada pela atenção, talvez pela compreensão em saber que longe do seu mundo, do lado de fora da festa, existe mais alguém que almeja chegar, entrar e fazer parte do pequeno número de pessoas, das contáveis, pessoas que podem, que possuem condições reais de ter uma profissão.’

Celeste, esse é o nome da adolescente que desabafou nas folhas da prova de Geografia, é extremamente articulada e pelo menos não foi traída por seu professor de Português. Mas seu relato sem esperanças, a barreira que a impede de realizar o sonho de ser médica é um exemplo claro de como o Brasil joga fora vidas que ainda estão começando, mata talentos que, se tivessem oportunidades, contribuiriam para resolver os problemas que os políticos parecem desprezar. (…)”

Intercâmbio colaborativo de projetos pedagógicos

Começa neste mês, no dia 29, a nova fase do projeto Connecting Classrooms (conectando salas de aula), uma ação da British Council. A proposta é promover um intercâmbio de práticas pedagógicas entre professores brasileiros e do resto do mundo, especialmente da América Latina e Europa. Como funciona? É simples. A coordenação do projeto propõe um assunto a ser desenvolvido pelos professores. Eles têm dois meses para cumprir algumas metas, que se traduzem, na prática, na sistematização pedagógica das atividades. Findo o prazo, todas as escolas têm acesso a um banco de dados que reúne tudo o que foi produzido pelos participantes. E não é só isso: durante o processo, professores têm a oportunidade de trocar experiências com outros profissionais.

Ao longo do período de um ano, serão disponibilizados 15 modelos de projeto, que terão um período para inscrição e cerca de dois meses para serem implementados pelas escolas participantes. Os projetos abordam temas transversais relacionados às artes, esportes, cidadania, meio ambiente e identidade cultural.

Terão início neste mês os seguintes projetos:

1 – Aprendendo com as brincadeiras – EF I – 6 a 10 anos A partir de pesquisas com as famílias, os alunos deverão organizar uma lista com as brincadeiras infantis preferidas dos seus pais ou familiares para serem detalhadas e compartilhadas com os demais colegas de classe e com as outras escolas. Ao final, os alunos deverão produzir materiais com informações sobre as brincadeiras e organizar uma exposição para que todos da escola tenham acesso.

2 – Paradas de sucesso – EF II – 10 a 14 anos Você irá escolher com seus alunos as cinco músicas nacionais mais famosas da sua região. Irão pesquisar, para cada uma delas, a biografia do compositor e/ou a história da banda, a letra, a melodia e outras curiosidades. Depois dessa fase, vocês deverão socializar o material coletado com os demais participantes do projeto favorecendo assim, a troca entre as diferentes culturas. O produto final será um “Show de Talentos” com apresentação feita pelos alunos de várias músicas da sua região ou de outro país.

3 – Jovem embaixador – EM – 14 a 18 anos Você e seus alunos deverão fazer um roteiro de viagem indicando os principais pontos turísticos de sua região/país. Os roteiros serão compartilhados e posteriormente os alunos poderão escolher um país que tenham interesse para conhecer melhor, por meio de uma pesquisa mais detalhada.

Mais informações e inscrições no site

Propostas para o audiovisual infantil do país


Instituição de um conselho consultivo, ações interministeriais, mudanças na legislação, formação específica nos cursos de licenciatura, incentivos fiscais, intercâmbios de experiências e criação de espaços próprios de exibição. Essas foram algumas das 71 propostas apresentadas no II Encontro do Grupo Técnico (GT) de Assessoramento de Elaboração da Política Pública do Audiovisual para a Infância, realizado na  última quinta-feira, dia 18, no Rio, como parte da programação do Fórum Pensar a Infância, do 9º Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI).

Criado durante a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, em junho deste ano, pela secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Ana Paula Dourado, o GT foi convocado para esta segunda reunião exatamente para propor ações efetivas para a área do audiovisual infantil.

O GT trabalhou durante o dia inteiro. Na parte da manhã, cada um dos integrantes apresentou suas propostas. O encontro contou também com a participação da superintendente do audiovisual da Secretaria de Estado de Cultura do Rio, Julia Levy, e do representante da RioFilmes, Leopoldo Nunes.  À tarde, divididos em pequenos subgrupos, o GT analisou e debateu, com a participação do público presente, todas as propostas com o objetivo de condensá-las. Uma das premissas é a oficialização do GT como um conselho consultivo.

O grupo se comprometeu a entregar até o final de agosto, à Secretaria do Audiovisual (SAv), um documento consolidado de todas as propostas. A secretária Ana Paula Dourado foi representada por Miriam Araújo, assessora do gabinete da Secretaria do Audiovisual. A partir da entrega do documento, Miriam vai propor a realização do III Encontro com o objetivo, desta vez, de ouvir o retorno da SAv em relação aos pontos apresentados pelo GT.

Confira aqui as propostas de cada um dos integrantes do GT presentes à reunião

– Andrés Lieban. Diretor de cinema de animação. Integrante do conselho da Associação Brasileira de Cinema de Animação. Sócio da 2D Lab. Leia aqui

– Arthur Nunes. Diretor de cinema de animação e publicitário. Co-fundador da Animaking. Leia aqui

– Carla Camurati. Atriz e cineasta. Diretora do Festival Internacional de Cinema Infantil. Leia aqui

– Carla Esmeralda. Especialista em consultoria para desenvolvimento de projetos culturais e audiovisuais. Coordenadora do Laboratório SESC-Rio de roteiros para cinema. Diretora do Festival Internacional de Cinema Infantil. Leia aqui

– Gabriela Romeu. Jornalista, documentarista e crítica de teatro infantil. Editora-assistente da Folhinha, suplemento infantil da Folha de S. Paulo. Leia aqui

– Luiza Lins. Produtora e realizadora, coordenadora da Mostra Infantil de Florianópolis. Leia aqui

– Marcus Tavares. Especialista em mídia e educação. Jornalista e professor. Editor da revistapontocom. Doutorando em Educação PUC-Rio. Leia aqui

– Marialva Monteiro. Fundadora do Cineduc (Cinema e educação). Trabalha há 40 anos na defesa do cinema infantil integrado com a educação. Leia aqui

– Masuki Borges. Representante do C.E.S.A.R. Leia aqui

– Patricia Alves Dias. Produtora e criadora de projetos e conteúdos para a infância em animação. Leia aqui

– Patricia Durães. Educadora e musicista. Fundadora do Cineclube Escola no Cinema e do Clube do Professor, do Espaço Unibanco Artplex. Leia aqui

– Regina de Assis. Consultora em educação e mídia. Representante latinoamericana no Board da World Summit on Media for Children Foundation e membro do Conselho Consultivo do Observatório Europeu de TV Infantil. Leia aqui

– Tatiana Schreiner. Representante do Instituto Sapientia. Leia aqui

Photoshop comemora maioridade

Por Marcus Tavares

A velha máxima de que uma imagem vale por mil palavras bem que poderia ser lida, nos dias de hoje, da seguinte forma: uma imagem também vale por mil retoques. Que o digam as ferramentas digitais. A novidade não é atual. O photoshop, editor de imagem mais conhecido no mundo, data de 1990. De lá para cá, o software passou a ser instumento de trabalho da mídia, especialmente da publicidade e propaganda.  Passados 20 anos, o limite entre o real e o ficcional ainda incomoda e chama a atenção de muitos. O tema veio à tona novamente este mês.

Em Londres, o Advertising Standards Authority, órgão que cria as regras de publicidade, eterminou que outdoors montados pela fabricante de cosméticos Lancôme deveriam ser removidos das ruas, já que traziam imagens do rosto da atriz Julia Roberts com uma pele perfeita demais para ser verdadeira. Em entrevista à BBC, Jo Swinson, membro do parlamento inglês, declarou que “essa medida demonstra que o órgão regulador de publicidade está a par da natureza desonesta que os retoques excessivos em imagens têm demonstrado”. O parlamentar também afirmou que imagens com rostos perfeitos e corpos superdefinidos estão por toda parte, mas eles não refletem a realidade.

No Brasil, Caetano Veloso não gostou do que viu na capa da revista Rolling Stone, de julho. Ele aparece ao lado da cantora Gal Gosta, mas sem rugas. Prestes a completar 69 anos, ele afirmou que nunca fez uma cirurgia plástica. No Programa do Jô, da Rede Globo, o cantor disse que odeia Photoshop: “Parece coisa de político. Não gosto nem de pó de arroz”, disse.

Coincidências à parte, a Associação Médica dos Estados Unidos se reuniu, em julho, com as agências de publicidade do país para pedir que parem de fazer alterações em fotografias a ponto de passarem falsas expectativas aos consumidores.

PL 6.853/2010

Por aqui está em tramitação na Câmara de Deputados Projeto de Lei 6.853/10, do deputado Wladimir Costa, que determina que imagens utilizadas em peças publicitárias ou publicadas em veículos de comunicação, que tenham sido modificadas com o intuito de alterar características físicas de pessoas retratadas, tragam a seguinte mensagem: “Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada”.

“Esses exageros são cada vez mais constantes, inundam os meios de comunicação e influenciam significativamente na formação dos padrões de beleza, sobretudo dos padrões de beleza femininos. Pesquisa recente realizada nos Estados Unidos, por exemplo, mostrou que os americanos são expostos, em média, a mais de três mil anúncios publicitários por dia, na televisão, na Internet, em outdoors, em jornais e em revistas. No Brasil, apesar de não termos estatísticas dessa natureza, tudo leva a crer que a exposição, sobretudo dos jovens, a conteúdos publicitários também é bastante
intensa – basta lembrar que o mercado publicitário brasileiro cresce a taxas altíssimas, e movimenta mais de R$ 22 bilhões por ano”, destaca o deputado.

De acordo com o projeto, quem desobedecer a lei, caso seja aprovada, pagará multa de R$ 1.500,00 a R$ 50 mil, cobrada em dobro, em triplo e assim sucessivamente, na reincidência.

Leia, aqui, na íntegra o PL

revistapontocom pergunta:
o que você acha desta história, caro leitor?

Cinema para todos entra em sua 3ª edição

Dois milhões. Esta é a estimativa de vales-ingresso de cinema que serão distribuídos para alunos e professores da Rede Pública Estadual de Ensino do Rio de Janeiro. O objetivo é da terceira edição do projeto Cinema para Todos, promovido desde 2008 pela Secretaria de Estado de Cultura e de Educação do Rio de Janeiro. A nova fase do programa será lançada em setembro. O anúncio foi feito por Julia Levy, Superintendente do Audiovisual da Secretaria de Estado de Cultura do Rio, na última sexta-feira, dia 19, durante o Fórum Pensar a Infância, encontro que faz parte da programação do 9º Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI).

Segundo Julia, o projeto já levou às salas de cinema cerca de 700 mil estudantes, unindo o cinema nacional e o público jovem. “Não só na região metropolitana do Rio, mas pelo interior do Estado também”, afirmou. Na última edição, o projeto alcançou 26 municípios.

A terceira fase do projeto também contará com as chamadas oficinas de vídeo-interatividade, na qual os estudantes são convidados, a partir de uma capacitação, a produzir um vídeo, utilizando as ferramentas digitais. Os vídeos produzidos têm como meta abordar a cultura audiovisual local, trazendo à tona as diversas formas de manifestação.

Além dos vales, as escolas também podem solicitar sessões especiais para grupos de alunos. É preciso agendar pelo telefone: (21) 2220-3638 e 2262-4309 ou por meio do e-mail: agendamento@cinemaparatodos.rj.gov.br.

Confira os vídeos produzidos neste ano

– O dia em que a escola parou

– Santas profissões

– Do fim ao começo

– Liberdade para sair do armário

– Luz, câmera e Break

– Rocinha surf escola: um ensino de vida

– Você é o que você veste ou você veste o que você é?

– Picadeiro nosso de cada dia

– Escola sem parede

– Desenhando a realidade

– Música é a voz da alma!

– Público e particular: todos no vestibular?

– Campo Grande: metamorfose ambulante

– Insustentável

– No limite do preconceito

Reforço na Liga da Justiça

 
 

Seria a falta de novos super heróis ou mais uma jogada de marketing? A conclusão fica com vocês leitores e especialistas. O fato é que a rede de fast-food Subway, nos EUA, fechou um acordo com a editora DC Comics, na qual atletas mundialmente conhecidos estão agora trabalhando na legendária Liga da Justiça. Sim, o nadador Michael Phelps, a ginasta Nastia Liukin e o patinador Apolo Ohno estão lado a lado com Batman e o Lanterna Verde.

Agora em setembro, eles enfrentarão os vilões Sr. Frio e Solomon Grundy. Phelps salva uma criança em uma piscina, Apolo afunda Grundy ao cortar uma camada de gelo e Nastia finaliza a ação ao dar uma pirueta e golpear, por trás, o cúmplice do vilão, Mr. Freeze. Se depender da opinião dos atletas, a história está mais do que aprovada. “Eu sempre quis ser uma super-heroína de história em quadrinhos”, disse uma animada Nastia Liukin em seu Twitter.

A série de gibis que une os atletas e os heróis é composta de quatro edições, cada uma encartada nas revistas da editora. Em todas as histórias em quadrinhos da série, os feitos heróicos dos atletas estão relacionados à ingestão do sanduíche com purê de abacate, uma das sensações do momento entre os frequentadores da Subway dos EUA.

O que é midiaeducação?

Por Marcus Tavares

O que é midiaeducação? Um conceito? Uma ideia? A sua grafia escrita junta ou separada traduz algum significado? Existiria outro termo que definiria melhor a interface entre a educação e a mídia? Trata-se de um novo campo de estudo?

A revistapontocom publica há mais de um mês uma série de entrevistas sobre o conceito de midiaeducação. A ideia é ouvir professores, educadores e pesquisadores brasileiros sobre o tema. A cada semana, trazemos um novo ângulo, uma nova visão.

Confira aqui as entrevistas já publicadas:

Ana Helena Altenfelder – superintendente do Cenpec
Eduardo Monteiro – professor do colégio Santo Inácio
Guaracira Gouvea – professora da Universidade Federal do Estado do Rio – UniRio
Inês Vitorino – professora da Universidade Federal do Ceará
Nilda Alves – professora da Uerj
Monica Fontin – professora da Universidade de Santa Catarina
Márcia Stein – professora e jornalista
Rosália Duarte – professora da PUC-Rio

Programa Vídeo Fórum 2011: inscrições abertas

Estão abertas até o dia 19 deste mês as inscrições do Programa Vídeo Fórum do Festival do Rio. A ideia é selecionar e exibir o maior número possível de produções audiovisuais produzidas por crianças e adolescentes. O edital avisa que só serão aceitos trabalhos realizados a partir de 2010, cujos autores tenham até 18 anos e estejam comprovadamente matriculados na escola ou participando de algum projeto educativo.

Leia o documento

Acesse a ficha de inscrição

Ainda de acordo com a organização, os vídeos devem ter duração máxima de 13 minutos, incluindo créditos. Os filmes podem ser realizados em qualquer formato, porém, a inscrição para seleção deverá ser efetuada mediante o envio de uma cópia em Mini-DV. Caso não seja possível, a coordenação aceita DVD. Cada jovem realizador ou grupo produtor poderá inscrever no máximo cinco trabalhos. Para cada trabalho, deve ser preenchida uma ficha de inscrição.

Cronograma:
– Data Limite para inscrição para filmes brasileiros: 19/ago
– Divulgação do resultado da seleção: 8/set
– Data limite para troca da cópia de trabalho: 12/set

Para mais informações escreva para:
videoforum@festivaldorio.com.br
mostrageracao@gmail.com

Futuro do trânsito: o exemplo dos pais

Por Marcus Tavares
Editor da revistapontocom

O trânsito no Rio está cada vez mais caótico. Também não é para menos: nas ruas da cidade circulam cerca de 4.500 milhões de veículos, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito. E, acreditem, a frota vai aumentar muito mais. Não faltam promoções, créditos, isenções e a poderosa influência da publicidade. Faça um teste: conte quantas propagandas de carros são exibidas por dia na TV. Garanto que a cada intervalo há, no mínimo, uma chamada.

Embora seja pouco explorado, o tema é um prato cheio para a escola. Há tantas questões que podem ser discutidas por alunos e professores, como a poluição do meio ambiente, as regras de trânsito, o respeito entre motorista e pedestre, o consumo desenfreado e a relação entre bebida e direção. Há poucos, mas interessantes exemplos. Na Barra da Tijuca, uma escola particular criou uma minicidade, na qual crianças da educação infantil têm a possibilidade de dirigir carrinhos e vivenciar o cotidiano das ruas.

O efeito deste trabalho na escola é visível no carro. Os pais motorizados sabem disso. De simples passageiros, meninos e meninas se transformam em verdadeiros fiscalizadores. Os responsáveis acham até bonito o discurso dos filhos, mas, infelizmente, na prática, não os ouvem. Aí fica difícil. Como esperar que as crianças de hoje tenham, amanhã, comportamentos mais sadios e positivos no comando do veículo?

Fico extremamente perplexo, por exemplo, com a violência verbal e gestual entre os motoristas. Nesta semana, mais uma vez, presenciei esta situação: incomodada por uma buzina de um carro, uma senhora, provavelmente uma mãe acompanhada de seu filho, sentado no banco de trás do automóvel, fez gestos obscenos, como mostrar o dedo do meio. Chegou a fazer os gestos com as duas mãos, soltando o volante do veículo que estava em alta velocidade. Não era preciso nem ser especialista em leitura labial para entender a enxurrada de palavrões que disse. E isso tudo na frente da criança. Um bom exemplo? Eis a educação para o trânsito que vem de casa.

Para um editor de literatura


Por Dolores Prades
Editora, gestora e consultora na área editorial de literatura para crianças e jovens.
Curadora e coordenadora do projeto Conversas ao Pé da Página.

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Sete coisas indispensáveis para um editor de literatura para crianças e jovens

Quando me propuseram esta pauta pensei imediatamente em quais seriam os mandamentos que todo editor de Literatura para Criança e Jovem deveria seguir para orientar o seu trabalho. Mas à medida que fui tentando entender o porquê do número sete, tão cabalístico e simbólico, com a mesma rapidez, me desfiz da ideia de mandamentos, excessivamente pretensiosa e próxima demais de um modelo, de um padrão, tão contrários à liberdade, flexibilidade que, a meu ver, devem alimentar e caracterizar um fazer editorial dinâmico e criativo. Entretanto, a ideia de identificar alguns pré-requisitos não parou de me martelar.

Como toda atividade intelectual, a formação do editor não tem hora, nem data de conclusão. Ao contrário, é um longo processo que, para além do conhecimento “técnico”, pressupõe imersões no campo da literatura, da filosofia, das humanidades em geral. Nada como um bom curso de Humanas para formar um bom editor: eis a fonte dos critérios e do repertório que vão orientar as escolhas e as decisões. Pensando nisso, identifiquei e separei alguns aspectos que podem ser, para efeito de reflexão, considerados essenciais para o bom desempenho desta função.

Em primeiro lugar, alguns aspectos mais gerais:

1. Ter familiaridade com a história da Literatura para Criança e Jovem, com o seu processo de constituição enquanto gênero literário, com as polêmicas do debate em torno de sua afirmação e das teorias à sua volta, pois nisso reside a tomada de consciência do espaço de onde pisamos e do qual estamos falando.

2. Acompanhar e refletir sobre as tendências e as características das diferentes etapas do desenvolvimento da Literatura para Criança e Jovem, nacionais e internacionais, pois isso ajuda a formar a base do repertório necessário para poder estabelecer critérios de avaliação e seleção, assumir preferência e afinar gostos.

3. Pensar historicamente na criança e no jovem, no sentido de identificar e se possível antever tendências, questões, mudanças sociais de modo a publicar livros em consonância com as inquietudes contemporâneas, de acordo com o nosso tempo, mas pensando no futuro.

Em segundo lugar, algumas questões mais específicas:

1. Conhecer profundamente e identificar as etapas, os tempos, as atribuições de cada fase do processo de edição é condição para exercer o papel de gestor e coordenador que cabe ao editor, responsável primeiro por todo o processo.

2. Dirigir e coordenar a edição de texto e de arte, o texto e a ilustração, de maneira que ambas as linguagens se complementem e se potencializem. A decisão dos pesos de cada linguagem e a escolha da técnica do traço são decisivas para o resultado final.

3. Acompanhar as tendências internacionais e nacionais das publicações e acompanhar a crítica, no Brasil, infelizmente, praticamente inexistente. Ficar atento para as mudanças do livro-álbum como suporte de inovação aos livros digitais.

4. Conhecer o mercado, identificar a concorrência para melhor se posicionar, identificar os seus leitores e demarcar a cara de seu catálogo de modo a fidelizar seu público e criar as bases para sua credibilidade no mercado.

Coerência e credibilidade caminham juntas no que se refere ao mercado. O público se identifica com uma determina linha editorial e o editor é responsável por dar continuidade e alimentar essa cadeia. Daí a importância de delimitar e definir o projeto editorial, de identificar as escolhas em consonância com uma proposta mais ampla que dê sentido e justifique cada tomada de decisão.

Essa centralidade do trabalho editorial é justamente a que faz do editor a alma de toda editora, cabendo a ele o pontapé inicial e o controle de qualidade de todas as ações que envolvem o livro do original à sua entrada no mercado.

A profissionalização do mercado editorial, a progressiva especialização das diversas áreas, a inversão dos papéis em favor de uma perspectiva puramente mercadológica, entre outros fatores, dificultam a formação desse editor, como figura central de todas as ações e decisões. Porém, é desde a subordinação do mercado à vocação cultural de uma editora que reside o seu sucesso a médio e longo prazos, e não no inverso, apesar especulações atuais.

Para fazer frente ao progressivo desaparecimento dessa figura praticamente lendária no mundo da edição, tomam corpo e ganham importância as equipes editoriais que, no caso da edição de Literatura para Criança e Jovem, têm uma composição específica que é necessário levar em conta e respeitar. Se de modo geral o editor de texto dirige a cena, cada vez mais o papel do design gráfico, do editor de arte e do produtor gráfico ganham relevância e muitas vezes protagonismo. É só pensar, por exemplo, nos livros de imagens e nos formatos mais ousados, com recortes, facas etc.

Daí a importância de procurar a harmonia entre estes dois lados que, muitas vezes, em defesa de cada terreno particular, se converte em palco de fortes tensões. E aqui o elemento diferenciador reside outra vez numa gestão clara dos processos, das etapas; na constituição de equipes que trabalhem em torno de projetos claros, compartilhados e definidos.

Em tempo: falando em formação, que tal visitar a exposição “Linhas de Histórias – um Panorama do livro ilustrado no Brasil”, dedicada à produção brasileira contemporânea de ilustração, promovida pelo SESC SP, no SESC Belenzinho, em São Paulo. E ainda dar uma olhada nos livros recém lançados pela editora CosacNaify de Sophie Van der Linden e Maria Nikolajeva e Carole Scott, que abordam a questão do livro ilustrado.

Diálogos para o Ensino Médio

O objetivo é nobre e necessário: provocar o diálogo sobre o Ensino Médio, possibilitando que alunos, professores, pesquisadores e a sociedade em geral troquem informações em favor da melhoria da qualidade do ensino. Esta é a proposta do portal EMdiálogo, uma iniciativa dos observatórios Jovem da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Juventude da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O portal passou por uma reformulação e foi reinaugurado na última quarta-feira, na sede da Faculdade de Educação da UFF. O relançamento contou com a participação de professores e especialistas na área educacional e tecnológica. E, lógico, com a presença de alunos do Ensino Médio.

Utilizando todas as ferramentas da web, o portal quer provocar o debate sobre o diálogo nas escolas e abrir espaços para que as práticas já existentes circulem e que surjam novas experiências de conversação, entendimento e busca de soluções para os graves problemas encontrados nas escolas de Ensino Médio público no Brasil.

O encontro discutiu a importância das redes sociais no ensino e o quanto as novas tecnologias também podem ser utilizadas para debater a própria escola: sua função e papel nos dias de hoje. Alunos do Ensino Médio do SESC e do Colégio Graham Bell participaram.

“Como vai sua escola? Você acha que ela está ajudando para a construção de seu futuro? Dizem que a escola de Ensino Médio precisa ter qualidade, mas o que é qualidade para você? Acreditamos que as respostas para estas e outras perguntas sairão de diálogos. E é a serviço do diálogo entre os jovens e com os jovens que as seções e conteúdos do portal estarão à disposição. Para que o diálogo possa acontecer, a informação é fundamental. É neste sentido que o portal funciona também como agência de notícias voltada para o que está acontecendo no Ensino Médio. Nossa atenção é direcionada tanto para o que ocorre nas políticas públicas e nos sistemas educacionais quanto para o dia a dia das escolas. A equipe do portal está sempre atenta à realidade do Ensino Médio no Brasil”, explica o coordenador do projeto, Paulo Carrano.

Segundo Paulo, o Portal conta agora com maior capacidade de interação com as redes sociais já utilizadas pelos estudantes do Ensino Médio, como o Orkut, o Facebook e o Twitter. “Queremos também que a notícia venha de “baixo para cima”, como se diz por aí; ou seja, o portal trabalha para o crescimento da rede de estudantes observadores das escolas. Quer ser um observador/jornalista de sua escola? Entre em contato!”, convida o portal.

Acesse www.emdialogo.uff.br

Cinema mais barato para estudantes

Boa notícia para alunos da rede pública de ensino: está em tramitação na Câmara dos Deputados projeto de lei (PL 541/11) que prevê sessões especiais de cinema com preços ainda menores que a meia-entrada. Pela proposta, os estados e municípios poderão firmar convênios com empresas de cinema para a realização das sessões, que terão agenda especial, de acordo com o calendário escolar.

Os filmes serão escolhidos a partir de critérios pedagógicos e levarão em conta as necessidades curriculares dos estudantes. O autor do projeto, o deputado Weliton Prado, afirma que a intenção é dar maior acesso à cultura, por meio do cinema, a alunos que de outra forma não poderiam pagar pelos ingressos. “A maioria deles não tem condições de frequentar os cinemas, devido à situação financeira de seus pais. Esta proposta não trará despesas ao erário público nem prejuízo aos cinemas, pois, apesar de os ingressos terem preços reduzidos, haverá maior número de pagantes”, prevê o deputado. A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Educação e Cultura e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Confira o projeto na íntegra

Uma maré de livros para os jovens

Com lotação esgotada para a visitação escolar, a XV Bienal do Livro Rio parece que vai bater todos os recordes anteriores de visitantes.  A expectativa é receber 600 mil pessoas. E, como de praxe, boa parte é composta por crianças e jovens. Para este público, cada vez mais exigente e interativo, não faltam atrações. A principal delas chama-se Maré de Livros. O projeto, assinado por João Alegria, gerente de programação do Canal Futura, tem o objetivo de contribuir para a formação de jovens leitores.

A proposta conceitual parte do pressuposto que o contato direto e intenso com os livros e as demais formas contemporâneas de apresentação das narrativas é capaz de despertar nas crianças e nos adolescentes o interesse pela leitura, pelas múltiplas leituras, reforçando a formação de hábitos relativos às competências da leitura e da escrita.

Maré de Livros propõe ao visitante uma imersão no mar infinito das letras que povoam a imaginação, levando o público à diferentes expressões do código escrito e ao exercício de decodificar a grafia. A ideia é fazer com que crianças e adolescentes entendam e se apropriam das diferentes possibilidades narrativas, possibilitando que cada um deles se torne um autor ou co-autor durante sua visita à Bienal.

O espaço é organizado em três seções, cada uma delas opta por explorar uma maneira específica de ter acesso ao livro e às narrativas, no conjunto se complementam como uma experiência de imersão. Os visitantes acessam o espaço por duas entradas frontais e são conduzidos por “fios de história” em diferentes registros textuais: fios que vão se entrelaçando e conduzindo as crianças e adolescentes por um caminho de livros que podem ser consultados e lidos no local.

A seguir os visitantes mergulham no aquário central. Esse segundo dispositivo explora a representação de imagens gráficas em pixel art, criando quatro grandes painéis interativos que simulam o ambiente subaquático dessa maré de letras. São painéis com interatividade múltipla, ao serem tocados em determinados pontos, surpreendem o visitante com recursos de interatividade relacionados à leitura e às narrativas.

Depois a criançada interage com as mesas icônicas, no final do trajeto. Também preparadas para múltipla utilização, essas mesas são uma invenção bem humorada que propõe a crianças e adolescentes transformar emoticons em texto regular. Neste último espaço, individual ou coletivamente, os visitantes podem criar suas próprias narrativas breves, utilizando para isso um teclado de emoticons que escreve textos segundo a norma culta.

Trilha sonora

A sonoridade é um componente importante da “Maré de Livros” e contribui para a experiência de imersão aqui proposta. Todo o ambiente será sonorizado com uma trilha sonora que resulta da mixagem de sons de diferentes segmentos das narrativas que podem ser encontradas na “Maré de Livros”, o som do mar e efeitos. A esse som de fundo vão se somar os sons específicos de cada tecla da mesa icônica ou dos objetos de interatividade dos painéis do aquário, dando maior dinâmica e um clima de mar a toda a visitação.