Inscrições abertas para Fórum Pensar a Infância

Os interessados em participar do 3º Fórum Pensar a Infância têm até o dia 10 de agosto para se inscrever. O evento, que compõe o 9º Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI), será realizado entre os dias 17 a 19 de agosto, no Hotel Transamérica e no Cinemark DownTown, no Rio de Janeiro.

No dia 17, haverá um pitching aberto ao público. Serão apresentados oito projetos inéditos de filmes brasileiros para crianças. Um deles será selecionado para participar do BUFF, fórum de financiamento, em março de 2012, em Malmö, na Suécia.

No dia 18, acontecerá o II Encontro do Grupo Técnico de Elaboração de Política Pública de Cinema para a Infância, com representantes e especialistas. No dia 19, a secretária municipal de Educação do Rio, Claudia Costin, fará uma palestra sobre audiovisual e educação na era digital, Thalita Rebouças vai conversar com o público após a Mostra Novos Jovens, e a pesquisadora Andi Glick apresentará pesquisa que mede o impacto da mídia audiovisual no dia a dia das crianças.

Inscrições aqui

Festival em nove cidades

O FICI será realizado de 19 de agosto a 30 de outubro em várias cidades brasileiras: Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo, Campinas, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Aracaju. Serão exibidos cerca de 100 filmes nacionais e internacionais, entre longas, curtas e séries de TV, a preços populares. A edição carioca acontecerá entre os dias 19 e 28 de agosto.

Na programação, os animes “Ponyo – Uma Amizade que veio do Mar” e “O Mundo Encantado de Gigi”; as produções da Disney “Ursinho Pooh”, “O Rei Leão” e “Enrolados”; os nacionais “Brasil Animado” e “Tromba Trem”; além de “Os Smurfs”, “Manda-Chuva O Filme”, “Garfield – Um Super Herói Animal”, “As Aventuras de Sammy”, “Animais Unidos Jamais Serão Vencidos”, e “Deu a Louca na Chapeuzinho 2”.

Além dos longas, a programação conta com curtas voltados para crianças e adolescentes. As obras concorrem ao 4º Prêmio Brasil de Cinema Infantil, que vai premiar as três melhores produções com R$ 5 mil em serviços de laboratório.

A programação completa você confere aqui

Barbie está solteira. Ken termina namoro

Você já sabe da última? O Ken, namorado da Barbie, resolveu terminar o namoro. Por essa, talvez, nem a sua filha que adora a Barbie esperava. Motivo? O Ken descobriu que a namorada vem devastando as florestas tropicais, localizadas na Indonésia, para garantir embalagens bonitas para sim mesma. A notícia já está, inclusive, no YouTube, em um vídeo exclusivo gravado com o Ken.

Veja o desabafo de Ken:

Brincadeiras à parte, esta foi a forma que a ONG Greenpeace encontrou para denunciar, na verdade, a devastação que a empresa Mattel, fabricante da Barbie, vem causando nas florestas.  Segundo a ONG, os ecossistemas que estão sendo explorados, pelos fornecedores de papel para várias indústrias de brinquedos, abrigam espécies em extinção, como tigres, orangotangos e elefantes.

No site brasileiro, o Greenpeace pede a adesão dos cidadãos para se posicionar contra as ações da empresa. Sob a forma de um e-mail, os interessados são convidados a enviarem mensagens para a Mattel contra a exploração da natureza e a refletirem sobre os impactos de uma simples embalagem de brinquedo. Acho que por essa nenhum pai esperava.

Acesse o site

Veja a ação do Greenpeace na sede da Mattel:

Infância mais curta

Por Marcus Tavares 

O segmento de moda infantil ocupa uma fatia equivalente a 15% do mercado de vestuário no Brasil. Mercado de vestuário brasileiro: US$ 30,5 bilhões, infantil: US$ 4,5 bilhões. O faturamento do mercado de vestuário infantil no Brasil cresce cerca de 6% ao ano. Aproximadamente um bilhão de peças de vestuário infantil são produzidas anualmente. As confecções para meninas representam cerca de 70 % do total de peças vendidas. Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

Pois é: o que era para ser uma coisa bem simples vem se tornando um tema polêmico. Explico: as roupas fabricadas aqui e lá fora, especialmente para as meninas, se inspiram, cada vez mais, na moda feminina adulta, carregada de sensualidade. Recentemente, algumas lojas de departamento, no Brasil, começaram, inclusive, a vender sutiãs para meninas de 10 anos com enchimento.

Há necessidade?

Assista ao vídeo da ABC (em inglês)

Assista ao vídeo da mostra infantil da Fendi italiana


A publicidade também colabora. Você já deve ter visto muitas propagandas trazendo crianças e jovens vestidos como adultos. Meninos de paletó e gravata e meninas de salto alto e maquiagem. Este último item nem se fala. Batom, brilho, lápis preto e blush fazem parte de qualquer bolsinha de menina. Acredite. Bolsinha que anda para tudo o que é lugar, até mesmo para a sala de aula. Em meio à explicação da professora, lá estão as meninas se olhando no espelho e retocando a maquiagem, sim, porque elas já vêm prontas de casa. A impressão que dá e que só não usam salto alto porque a escola proíbe.

Assista aos vídeos da menina americana Madison Hohrine que, com cinco anos, ensina outras crianças da mesma idade a se maquiar. A menina, inclusive, já ensinou no programa Fantástico, da TV Globo, como as crianças brasileiras deveriam se produzir para as festas juninas.

Práticas como essa só contribuem, infelizmente, para o encurtamento da infância. Talvez, alguns pais digam que estou exagerando, que tudo não passa de uma brincadeira infantil. Pintar o rosto, vestir roupas de adultos, imitar o estilo dos pais fazem parte da infância, do crescimento saudável de qualquer menino ou menina. Mas uma coisa é brincadeira. Outra, mais séria, é tornar a brincadeira hábito, padrão, norma.

As crianças não têm culpa. Os pais é que deveriam prestar mais atenção em suas ações e permissões. O mercado – de brinquedos ao vestuário – não está nem um pouco preocupado com regras, normas ou qualquer tipo de ética. Para ele, há muito tempo, as crianças são consumidoras em potencial, mesmo não tendo um real sequer no bolso. A senha para conseguirem o que querem é fácil: bater o pé, gritar, exigir e chorar. Como muitos pais acham que a palavra não irá frustrar seus filhos – infelizmente boa parte dos responsáveis ainda pensa assim – acabam cedendo. Resultado: uma infância cada vez mais curta. Pergunto: por que e para quê?

Serbian Film: sexo, violência e pedofilia

Por Marcus Tavares

Tortura, sexo e violência. Necrofilia, pedofilia e estupro de um recém-nascido. Esse é o repertório do filme Serbian Film, do sérvio Srdjan Spasojevic. O longa conta a história de um ator pornô em fim de carreira que aceita participar de um filme de arte, mas é obrigado a se submeter a um projeto exploratório com excentricidades sexuais, de incesto à pedofilia.

O filme chegaria às telas do país nesta sexta-feira, dia 5. Mas foi, a principio, adiado para o dia 26. A 1ª Vara da Infância e da Juventude do Rio impediu a exibição do filme nas cidade carioca. O Partido dos Democratas (DEM) ajuizou uma ação civil pública contra a exibição, justificando que a história faz apologia à pedofilia, o que é proibido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A Procuradoria da República no Estado de Minas Gerais também solicitou a proibição ao Ministério da Justiça, por meio do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação (Dejus), responsável por classificar as obras cinematográficas.

Na tarde desta sexta-feira, dia 5,  o Ministério da Justiça, no entanto, divulgou nota oficial classificando o filme para “não recomendado para menores de 18 anos, por conter sexo, pedofilia, violência e crueldade”. De arcordo com o órgão, “por se tratar de atividade de caráter meramente informativo, a classificação indicativa não se traduz em autorização ou permissão para a exibição dos filmes”. Segundo o DEJUS, a  proibição só pode acontecer por decisão judicial. Tudo indica que o filme, portanto, terá sua estreia marcada, exceto no Rio enquanto a ação civil pública não for julgada.

Polêmica é o que o filme provocou até agora. E não só no Brasil. Na Espanha, ele foi proibido por “ameaçar a liberdade sexual’. No Reino Unido, foi liberado após 49 cortes. O laboratório que fez as cópias da película na Alemanha destruiu tudo após ver o conteúdo.

Na última  semana, a distribuidora do filme, Petrini Filmes, divulgou imagens do making of com o objetivo de mostrar que nenhuma criança estava presente no momento das filmagens, o que, conforme a distribuidora, afastaria as acusações de que a exibição de Serbian Film infringiria o ECA.

Os realizadores afirmam que usaram apenas próteses, bonecos e truques de edição nos momentos mais impactantes da história. O diretor diz ainda que nenhuma criança foi exposta à violência durante as filmagens. O recém-nascido que aparece seria um robô e o restante das cenas de violência, resultado de truques de edição e efeitos especiais. “Nenhuma criança foi exposta de qualquer maneira nas cenas em que aparecem, tampouco um adulto teria interpretado seus papéis”, destaca nota oficial da Jinga Films, agente de vendas internacional do filme.

Assista ao making of

De acordo com a distribuidora, o pedido de classificação indicativa foi encaminhado ao Dejus no dia 20 de junho, pleiteando a exibição para maiores de 18 anos.  Em seu site, a Petrini Filmes informa que a estreia está marcada para o dia 26 de agosto e avisa que o trailer, à disposição, é proibido para menores de 18 anos porque contém cenas fortes.

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Tainá 3

Por Marcus Tavares

No próximo dia 11, a Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, vai ficar mais bonita. Serão plantadas 3.500 mudas de árvores. A iniciativa é da produção do filme Tainá 3 – a origem, que chega às telas do país no final deste ano. O plantio será feito pela comunidade indígena Tauari, que vive próxima à floresta, cenário do longa-metragem. A indiazinha que interpreta Tainá, Wiranu Tembé, também estará presente.  “O filme está diretamente relacionado à preservação da natureza. Queremos despertar isso no público”, avisa a produtora Virgínia Limberger.

Não é à-toa que o site do filme apóia e incentiva o programa Um Bilhão de Árvores na Amazônia, do Estado do Pará. E a ideia é muito simples: cada plantio de árvore virtual na página de Tainá 3 garante o plantio, real, na floresta. Até hoje, já foram plantadas virtualmente 10.200 mudas.

Enquanto as árvores crescem, o longa vai sendo finalizado. E com uma proposta bem interessante: a partir das observações de crianças e adultos que vêm assistindo à exibições de teste do filme. A primeira ocorreu, em junho, na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Um público de 650 pessoas lotou o auditório e pode, ao final, discutir a trama e sugerir mudanças, face a face com a diretora, Rosane Svatman, e com o produtor Pedro Rovai. “Foi uma experiência estimulante”, destaca Pedro.

Na semana passada, a revistapontocom entrevistou a diretora Rosane e a produtora Virgínia sobre a história do filme, a produção, o processo de finalização e o lançamento.

Acompanhe:

  

revistapontocom – O que o público infantil pode esperar em Tainá 3?
Rosane Svartman – É um filme de aventura rodado 100% na Floresta Amazônica. Então é um jeito bacana de se divertir e conhecer um pouco mais de uma das regiões mais importantes – do ponto de vista ecológico e cultural – do Brasil e do mundo.

revistapontocom – O filme foi exibido na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis para uma plateia lotada de pais e crianças. Como foi acompanhar a exibição teste?
Rosane Svartman – A sessão foi emocionante. Até porque eu “assisti” à plateia e não o filme. Dava para perceber que as crianças e os adultos embarcaram no filme.  Com o bloquinho na mão, fui anotando as reações e identificando, por exemplo, onde um plano estava curto e merecia mais tempo, onde o filme funcionava bem. Isso tudo é um retorno valioso.

revistapontocom – Após o filme, muitos pais deram sugestões para a equipe. Sugestões que, inclusive, mudam cenas, como rever o diálogo que a neta tem com seu avô e que aparece no filme de uma forma meio desrespeitosa. Essas observações e sugestões são realmente válidas e acatadas pela direção?
Rosane Svartman – São sim. Estamos revendo a cena da neta com o avô. Sugeriram, por exemplo, também legendar a canção final – indígena – que é cantada pelas crianças. Adoramos a ideia. Já legendamos a canção final! Pediram para colocarmos a canção legendada no You Tube, antes do lançamento, para despertar o interesse. Já programamos isso também. Na verdade, é um privilégio poder ter a participação do público no filme, neste processo e desta forma.

revistapontocom – Afinal, filme infantil tem que agradar às crianças ou aos pais das crianças?
Rosane Svartman – Os dois públicos. Tenho filhos pequenos e percebo que os pais participam da escolha do filme que a família vai ver, até porque tem bastante oferta. 

revistapontocom – Seu trabalho anterior no cinema, Desenrola, foi com adolescentes. O que é mais desafiador: o público jovem ou o infantil?
Rosane Svartman – Fazer um filme é sempre desafiador, principalmente quando você não faz mais parte do universo retratado. Mas eu assisto a muitos filmes infantis com meus filhos e convivo com crianças o tempo todo. Então já tinha uma espécie de pesquisa prévia.

revistapontocom – Na exibição teste em Florianópolis, você disse que determinadas cenas foram feitas respeitando a infância, como a questão da violência gratuita. Pensando na infância, o que foi levado em conta?
Rosane Svartman – A roteirista Claudia Levay e os produtores Virginia Limberger e Pedro Rovai estão no projeto desde o Tainá 1. Foram eles que criaram a personagem. Eles já tinham um certo cuidado e uma preocupação de não trazer para a heroína, a Tainá, nenhuma ação violenta, gratuita. Como mãe e diretora, aplaudo a iniciativa também.

revistapontocom – É possível fazer filme infantil sem ser chato?
Rosane Svartman – A maioria dos bons filmes infantis consegue fazer isso, de alguma forma. Afinal, é preciso agradar pais e filhos.

revistapontocom – Dirigir Tainá 3: o que te provocou?
Rosane Svartman – Dirigir o Tainá 3 foi uma grande aventura: crianças, um balão, bichos, a floresta, a distância, um equipe grande, enfim, não faltaram desafios. Foi uma experiência inesquecível e acho que amadureci bastante como diretora.

revistapontocom – Enquanto o lançamento não chega, o site de Tainá 3 está sendo bastante visitado.  O que vocês pretendem com ele? 
Virgínia Limberger – O tema do Tainá 3 está diretamente relacionado com as árvores e as florestas. Por meio do site, pretendemos estimular o público de Tainá a cuidar da natureza. Cuidar das árvores assim como se cuida de bichinhos de estimação. O objetivo é fazer com que as crianças conheçam, desde cedo, o valor da natureza e, principalmente, possibilitar a participação do público, em geral, na causa da preservação e reflorestamento de áreas degradadas da Amazônia. No site, há uma campanha para plantio virtual de árvores na Amazônia. Cada plantio virtual, há um plantio na vida real.

revistapontocom – Haverá algum trabalho do filme junto às escolas?
Virgínia Limberger – Os professores sempre foram os maiores aliados dos filmes de Tainá. Eles sabem que o conteúdo que os filmes apresentam é de extrema importância para ser trazido para a sala de aula e também para trabalhos extra-classe, envolvendo a comunidade. Conhecem também a força da transmissão de uma mensagem que o audiovisual tem. Os Tainás 1 e 2 já foram aplicados em projetos com escolas e já atingiram mais de dois milhões de alunos do Ensino Fundamental em todo Brasil. Tainá 3 vai ampliar essa marca, com certeza.

revistapontocom – O lançamento está previsto para as férias?   
Virgínia Limberger – Sim, nas férias do final do ano. A distribuição é sempre uma etapa difícil do processo. O Tainá 3 teve a “sorte” de ser uma sequência dos bem sucedidos filmes anteriores, o que pode contar, então, com o interesse dos distribuidores DownTown (lançamento nacional) e Sony (vendas para a televisão no exterior), desde a etapa de produção. As formas de distribuição, bem como exibição, é que devem ser amplamente debatidas visando a melhorar os mecanismos dessa etapa. Mas isso é um outro longo assunto…