Centros de aprendizagem

Por Marcus Tavares

O professor que faz uso do audiovisual na sala de aula sabe o quanto a linguagem é poderosa e favorece o entendimento, a troca e o ensino. Que o digam os professores da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro que participam do projeto Centros de Aprendizagem, financiado pela Chevron e executado pela Discovery Channel Global Education Partnership. Desde junho de 2009, o programa atende a cinco escolas da Prefeitura do Rio: Escola Municipal Estácio de Sá, Escola Municipal Oscar Tenório, Ciep Gustavo Capanema, Escola Municipal Júlia Lopes de Almeida e Escola Municipal Francisco Alves.

Os professores recebem treinamento e as escolas, equipamentos e livre acesso aos cerca de 250 vídeos já produzidos pelo programa que abordam diversas áreas de conhecimento. No último dia 21, o projeto reuniu as melhores práticas desenvolvidas pelos educadores cariocas, cujas escolas são chamadas pelo projeto de Centros de Aprendizagem. Experiências que chamaram a atenção de Tamela Noboa, vice-presidente sênior da Discovery Channel Global Education Partnership. Em sua primeira visita ao Brasil, ela se surpreendeu: “É grande a diversidade do uso que as escolas fazem dos nossos vídeos com os seus alunos e responsáveis”.

Um dos projetos apresentados é coordenado pela professora Edna Malta. Na turma do 2º ano do Ensino Fundamental, da Escola Municipal Francisco Alves, em Botafogo, Zona Sul do Rio, Edna trabalha com os vídeos na sala de aula, instigando a participação das crianças. Mas ela não para por aí.

Desde o início deste ano, a professora resolveu usar a linguagem audiovisual para se aproximar dos pais dos alunos, conquistando a confiança e estabelecendo um diálogo com o objetivo de construir parcerias entre a escola e a família. ”Os vídeos provocam uma espécie de auto-análise do papel dos pais e de nós, professores, na educação das crianças. O resultado tem sido muito positivo. O envolvimento dos adultos com a educação dá às crianças um suporte emocional e afetivo que se reflete no desempenho”, destacou Edna.

De acordo com a Marithza Aldazabal, representante do programa para a América Latina, o projeto, no Rio de Janeiro, está em fase piloto até setembro do próximo ano, quando serão completados os três anos de treinamento e capacitação dos professores.

Para Renata Sanches, representante do projeto no Brasil, o trabalho das escolas do Rio vem inovando em relação aos outros países que participam do programa uma vez que os vídeos também já são utilizados, inclusive, pelos coordenadores pedagógicos nos centros de estudos: “Isso é um avanço porque os coordenadores também compreenderam a importância do uso do vídeo no auxílio da difícil missão do ensino aprendizagem nos dias de hoje. Eles incentivam os professores a utilizarem as mídias assim como aproximá-los dos diferentes projetos que já existem nas escolas, seja os da própria Secretaria Municipal de Educação ou de outros implantados por ONGs”.

O Discovery Channel Global Education Partnership é uma organização sem fins lucrativos que nos últimos 14 anos vem trabalhando em escolas com pouco recurso ao redor do mundo, utilizando o audiovisual para promover informação, a eficiência dos professores, o acesso das comunidades à informação e a participação nas escolas. A iniciativa é composta por um processo colaborativo de desenvolvimento de programação de DVDs. Durante três anos, professores são treinados e capacitados com o objetivo de maximizar o valor da televisão educativa como ferramenta de ensino e aprendizado. O projeto tem atuação no México, Peru, Venezuela e países do continente africano. No Brasil, Venezuela, Cambina, Angola, Nigéria e África do Sul, o programa é financiado pela Chevron.

Guia materno: infância saudável e disciplinada

 

  

Por Maria Alice da Cruz

Ao receber o resultado positivo do Beta HCG – exame de gravidez -, as primeiras indicações de literatura que a mulher recebe são aquelas dedicadas a cuidados com os filhos. Essa literatura, destinada ao público feminino, pode ser ainda resquício de antigas publicações encontradas e adquiridas pela pesquisadora Maria das Graças Sandi Magalhães durante sua peregrinação por sebos: os guias maternos. Alguns exemplares produzidos na primeira metade do século 20 – entre 1919 e 1957 -, analisados em sua tese de doutorado, permitiram refletir sobre as possibilidades que se abriram a partir da publicação de tais impressos, como o conjunto de leituras propostos para as mulheres à época. Segundo Maria das Graças, ao mesmo tempo em que os textos, alguns com comentários em destaque, pretendiam nortear as atividades diárias das mães com suas crianças, acabaram estimulando a iniciativa feminina para lidar com as demandas cotidianas.

Maria das Graças inicia o trabalho mostrando que os guias tinham um lugar importante em relação ao mercado editorial em expansão naquela época. Escritos com o intuito de disseminar prescrições médicas, as publicações brasileiras compuseram um conjunto de leituras consideradas como úteis à educação da população. Os impressos foram compreendidos como uma das estratégias de consolidação de um projeto médico-pedagógico, voltado para a educação das mulheres, em relação à inserção de práticas recomendadas pela pediatria, no âmbito doméstico.

Ela enfatiza que os impressos tinham grande circulação entre o público feminino e funcionavam como um verdadeiro manual, acompanhado de índice remissivo. A partir de referenciais teóricos, a pesquisadora investigou a disseminação de um modelo de educação feminina, destinado a modificar as práticas de criação dos filhos, sob a perspectiva médica. O trabalho acaba por complementar outras pesquisas que investigam os guias como um dos mecanismos de controle da educação feminina, além de analisar, sob outras perspectivas, a sujeição das mulheres aos aspectos morais e autoritários, responsáveis pela representação da mulher como a “rainha do lar”.

Para ela, prescrições médicas encontradas nos livros visavam à inserção, no ambiente doméstico, de procedimentos definidos pelos médicos como os mais adequados no combate à mortalidade infantil e que se vinculavam à representação de que uma infância saudável e disciplinada seria a garantia do futuro do país.

Segundo a autora, a análise de coleções que associavam ciência e utilidade, na intenção de defender a educação como uma forma de regeneração nacional, mostrou que a questão da saúde na infância ganhou espaço próprio entre os impressos destinados à educação da população, dialogando com o crescente número de leitoras.

A conversa de comadre perde espaço quando um livro todo bem-escrito e encadernado, com ilustrações sobre procedimentos “científicos” no cuidado com os filhos, começa a ganhar espaço na casa das “mamães”.

No seu Guia das Mãezinhas, o médico Wladimir Toledo Piza escreve sobre essa tradição feminina de compartilhar suas experiências na lida diária com os filhos: “Escolhe entre os conselhos das amigas que, embora com boa intenção, te ensinam o que não sabem, porque não estudaram, e as recomendações dos especialistas que passam a vida tratando de crianças, do hospital para o laboratório, e toma o caminho que tua inteligência te indicar.” Ele acreditava que, para serem bem-sucedidas, as mães deveriam seguir os conselhos médicos. Segundo Maria das Graças, a advertência escrita por Piza é um exemplo de como algumas publicações desqualificavam os conhecimentos e as práticas, em relação aos cuidados, compartilhados entre as mulheres.

As amas de leite, como não poderia deixar de ser, também foram tema dos manuais, mas de maneira depreciativa. O discurso pela amamentação dos próprios filhos cresce dentro de uma iniciativa de combate ao aleitamento mercenário, na introdução de práticas higiênicas próximas aos procedimentos hospitalares. Alguns autores, segundo Maria das Graças, insinuavam que se fossem amamentadas por uma pessoa de condição social “inferior”, as crianças teriam os mesmos hábitos dessa pessoa.

De acordo com Maria das Graças, a forma como a criança era representada nos guias – frágeis, espiritualmente maleáveis – abriu precedente para que os médicos passassem a ser considerados a principal autoridade no que se refere à saúde e à educação das crianças. Eles sugeriam que somente com uma vida regrada as crianças poderiam atingir alguns parâmetros de saúde como robustez, disciplina e docilidade, de acordo com os princípios da higiene.

Fonte – Jornal da Unicamp

Outorgas para emissoras de TV e rádios educativas

O Ministério das Comunicações lançou, no dia 23 de setembro, o primeiro aviso de habilitação para rádios FM e emissoras de TV do Plano Nacional de Outorgas de emissoras educativas. No prazo de 60 dias, universidades, estados, municípios e entidades privadas que tenham interesse em prestar o serviço podem fazer suas inscrições. O aviso atende cidades em 18 estados. Para o serviço de TV são oito municípios contemplados, enquanto 29 cidades deverão receber rádios FM.

Em julho, o ministério promoveu mudanças no processo de concessão de outorgas para essas emissoras. Com as novas regras, atualizadas através da portaria nº 420, a escolha das entidades é feita por meio de critérios mais objetivos e a lista de municípios cobertos pelos avisos de habilitação é divulgada com antecedência para que as entidades interessadas possam se preparar.

Dentro dos critérios estabelecidos para análise das propostas, possuem preferência as universidades federais, os estados, as universidades estaduais, os municípios e as universidades municipais, nessa ordem. Instituições de ensino técnico ou médio criadas pela União, estados ou municípios são equiparadas às universidades. Na ausência dessas entidades, instituições privadas concorrem dentro de um sistema de pontuações.

Para o diretor do Departamento de Outorgas de Serviços de Comunicação Eletrônica, Dermeval da Silva Júnior, outro fato inédito neste aviso é o chamamento público para outorga de serviço já em tecnologia digital. Dos 8 municípios contemplados para outorga de serviço de TV educativa, em 3 deles – Maceió, Natal e Boa Vista – o chamamento já é para a execução do serviço nessa tecnologia.

O Plano Nacional de Outorgas de emissoras educativas tem como objetivo atender à demanda reprimida pelo serviço. Para isso, as cidades contempladas são aquelas em que há disponibilidade de canais no Plano Básico de Distribuição e que possuíam manifestações de interesse protocoladas no ministério até o início de julho. Também foram levadas em conta a existência de instituições de ensino médio ou superior e a população dos municípios.

O Plano Nacional de Outorgas prevê a realização de mais 13 avisos de habilitação para FMs educativas até novembro de 2012 e outros quatro editais até o fim do ano para TVs educativas. Com o cumprimento do plano, o número de municípios atendidos por rádios educativas deve subir para 884, enquanto as TVs educativas deverão chegar a 243 cidades.

A íntegra do primeiro aviso de habilitação com a lista de cidades atendidas, critérios de pontuação e a documentação necessária para a inscrição pode ser vista aqui.  Para conferir o Plano Nacional de Outorgas de emissoras educativas e saber quais as próximas cidades contempladas, clique aqui.

Fonte – Ministério das Comunicações

Marco regulatório das comunicações

Entidades nacionais que atuam pela democratização da comunicação se reuniram e lançaram, via web, uma consulta pública que pretende reunir contribuições da sociedade civil brasileira para a consolidação de um documento base para a discussão do novo Marco Regulatório das Comunicações. O objetivo é que este documento seja usado como referência no debate público sobre a mudança do marco regulatório das comunicações, cuja proposta deverá ser divulgada, ainda este mês, pelo Ministério das Comunicações. O texto que está sob a análise é resultado das discussões dos grupos de trabalho do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), realizado em maio passado.

Na página disponibilizada na internet, é possível ler o texto completo. Ao clicar nos títulos de cada parte ou de cada diretriz, o internauta pode fazer sua contribuição em relação àquele item. Há a possibilidade também de inserir um novo conteúdo. Os interessados têm até o dia 7 de outubro para participar.  A versão consolidada deve ser lançada em 18 outubro, Dia Mundial da Democratização da Comunicação.

Integram a proposta a Associação Brasileira de ONGs (ABONG), o Grupo de Instituto, Fundações e Empresas (GIFE), a Fundação Grupo Esquel Brasil (FGEB), a Cáritas Brasileira, a Confederação Brasileira de Fundações (CEBRAF), o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), a União Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar e  Economia Solidária (UNICAFs/Pastorais Sociais).

Para participar da consulta, acesse aqui

 

Sem bebida na tevê

Por Marcus Tavares
Editor da revistapontocom

A última semana terminou com mais um triste acidente provocado pela imprudência de um motorista que acabou matando mãe e filha, em São Paulo. Segundo a polícia, o auxiliar de bibliotecário de 33 anos que dirigia o automóvel a 100 km/h, quando o limite era de 70 km/h, apresentava sinais de embriaguez. Infelizmente, este acidente não mudará em nada a combinação álcool e direção.

Sim, há diversas campanhas de conscientização. Muitas com repercussões positivas. No entanto, limitadas no sentido de ir contra a força e o poder da publicidade de bebidas alcoólicas. Há três anos, neste mesmo espaço, afirmei e reafirmo que é óbvio que a publicidade não pode ser culpada pelos acidentes, mas é fato que ela estimula o consumo e desperta o interesse de crianças, jovens e adultos, quando — e isto não é exceção, é regra — explora o erotismo e vincula o produto ao sucesso profissional, social e/ou sexual.

Não adianta: a publicidade de bebida alcoólica deveria ser, a exemplo da dos cigarros, banida da televisão, seja aberta ou fechada. Os lembretes ao fim do comercial de que é preciso beber com moderação e que se dirigir não se deve beber não têm efeito algum. Já houve um projeto de lei que tentava restringir a propaganda de cerveja. O que aconteceu? Foi retirado da pauta da Câmara dos Deputados. Lobby dos fabricantes, das agências e das emissoras.

Por quê? Faça o teste: assista à programação da tevê e conte quantos comerciais há de cerveja ou bebida alcoólica por noite ou quantas empresas do setor são patrocinadoras de eventos. E o mais interessante, de eventos esportivos transmitidos pelos canais de tevê. Pergunto: bebida alcoólica tem a ver com saúde? Você, por exemplo, já viu uma série de reportagens nos principais telejornais da noite sobre os males que a bebida alcoólica provoca nas pessoas ou o impacto que a publicidade destes produtos exerce nos indivíduos?

Enquanto isso, acidentes provocados pela ingestão de álcool vão se tornando cada vez mais normais e banais. Até o dia em que um deles acontecer com sua família.

Jogo no facebook rende prêmios para BGS

De 5 a 9 de outubro, o Rio de Janeiro sediará a 4ª edição do Brasil Game Show (BGS), que reúne debates sobre as últimas tendências do jogo eletrônico e uma feira com os lançamentos internacionais. A programação já está disponível no site do encontro e conta com uma presença, para a área da educação e games, no mínimo interessante: Yoshinori Ono, um dos produtores da série Street Fighter. Ono vai falar sobre o sucesso da série e do seu próximo lançamento: Street Fighter X (Cross) Tekken. Preparem-se, embora não deva ser recomendado para as crianças, o game vai atrair a atenção da garotada.

 

 

Para despertar o interesse pelo evento, a coordenação criou e disponibilizou, no Facebook, o jogo Remind, que mostra de forma interativa a história dos videogames. Os três melhores colocados no ranking de cada semana ganham prêmios especiais, começando pelos jogos para PlayStation 3: Assassin’s Creed Brotherhood, Duke Nukem Forever e Brink.

Remind foi inspirado no estilo de puzzles por sua simplicidade e facilidade de assimilação pelo público. O intuito é utilizar um dos elementos mais marcantes da feira, a exposição “A história dos videogames”, como forma de atrair mais curiosos ao fascinante mundo dos jogos.

O objetivo do usuário é encaixar os blocos do puzzle corretamente na linha do tempo, que marca a história dos games, pontuando quando acerta. Quando não, a peça permanece na tela. O game acaba quando o número de peças amontoadas chega ao topo. Para não deixar o jogo muito fácil ou previsível, o jogador terá um crédito de “x” segundos por partida para pausar a ação e tentar lembrar ou pesquisar as gerações dos jogos de uma peça. Após o término desse crédito, o game não poderá mais ser pausado e a vitória estará por conta dos conhecimentos do jogador. Ao convidar um amigo e este aceitar o convite, o jogador ganha alguns segundos a mais no seu tempo de pausa, o que irá ajudá-lo a fazer mais pontos e subir no ranking.

Conheça o jogo em  http://apps.facebook.com/remindgame/

Saiba mais sobre o Brasil Games Show www.brasilgameshow.com.br

Criança, tevê e palavrão

Por Marcus Tavares

Já não é de hoje que os autores das novelas começaram a lançar mão de palavrões em seus folhetins. Com qual objetivo? Francamente não sei. Seria para aumentar a audiência ou para tornar a ficção mais próxima da realidade? Talvez, afinal palavrões fazem parte do cotidiano de qualquer indivíduo. Quem nunca disse, atire a primeira pedra. Mas não deveria haver um limite? Como se sabe, a novela é um produto consumido não apenas pelos adultos, mas também por crianças e adolescentes. Neste sentido, não deveria haver um cuidado maior? Trata-se de uma questão ética.

Nas últimas semanas, ‘Fina Estampa’, a atual novela das nove da Rede Globo, embora não seja recomendada para menores de 12 anos, abusou de palavras grosseiras e de xingamentos. No capítulo de quarta- feira retrasada, o diálogo dos personagens estava caprichado. Em diferentes cenas, muitos palavrões. Uma, em especial, me chamou mais a atenção. O motorista Baltazar (Alexandre Nero) chama Solange (Carol Macedo), sua filha com Celeste (Dira Paes), de piranha. Ele pergunta: “Cadê a piranha da sua filha?”. Confesso que fiquei surpreso. Fui pesquisar e descobri que não foi a primeira vez que o personagem fala assim. Desnecessário e lamentável ainda mais por envolver uma personagem feminina adolescente.

Bem, vão dizer que é novela, que é entretenimento e mais: que a trama está, na verdade, se propondo a discutir exatamente a violência doméstica. Trazer à tona a questão da violência doméstica é interessante só que, como de praxe, o desfecho desta história, com a possível punição do motorista, só acontecerá daqui a sete, oito meses.

Até lá, quantos xingamentos, desrespeitos e violência assistiremos? Como crianças e adolescentes interpretarão as cenas se muitos assistem, sozinhos, às novelas? Num país onde a programação da TV aberta ainda é fonte de lazer para milhões de famílias, a novela das nove é carro chefe. Enfim: crianças, tevê e palavrões – fiquem de olho – têm tudo a ver. Timothy Jay, professor britânico, fez uma pesquisa junto ao público infantil e comprovou que crianças estão falando mais palavrões do que algumas décadas atrás e cada vez mais cedo. Por quê? Porque há um aumento generalizado do uso de palavrões entre os adultos e – veja o que ele descobriu – na programação da televisão.

Imagina se o estudo fosse feito no Brasil.

Um novo caminho para animação

Por Marcus Tavares

Em apenas três meses de exibição, o curta animado O Caminho das Gaivotas, fruto de um trabalho laborioso entre Brasil e Cuba, ganhou três prêmios. Na 10ª edição da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, em junho, o filme recebeu menção honrosa pelo trabalho de cooperação entre os dois países. Em julho, ao ser exibido na 20ª edição do Festival Internacional de Cinema para Crianças e Jovens – Divercine, realizado no Uruguai, foi condecorado com uma menção especial de direção de arte. E, agora, em setembro, levou o prêmio AACA-ASIFA de melhor técnica de animação na 20ª edição do Festival Internacional de Cinema Nueva Mirada para Infância e Juventude, que aconteceu na Argentina.

O Caminho das Gaivotas é uma animação, de treze minutos, realizada em animação clássica e stop motion. O filme fala sobre a solidão das crianças. Da falta de comunicação entre o mundo adulto e o infantil, realidade presente no dia a dia de muitas famílias. A história tem o objetivo de evidenciar esta problemática para as crianças e para seus pais e responsáveis. O tema é tratado de uma forma poética e sutil, valorizando a linguagem das narrativas de contos de fadas. O filme fala da necessidade do reencontro do mundo adulto com o da infância.

A produtora e diretora de filmes de animação para infância, Patricia Alves Dias foi quem coordenou o projeto, que reuniu artistas brasileiros e cubanos, assinado pelo Ministério da Cultura do Brasil e de Cuba. Ao unir profissionais de diversas áreas de conhecimento e equipes dos dois países, o projeto promoveu um outro olhar sobre a produção de animação latino-americana, longe de um modelo padrão já existente de indústria e de estereótipos. “A ideia foi abrir espaço para conteúdos próprios do continente, com seus valores e sentimentos. Com sua estética, técnica e liberdade de criação. Trata-se de um case de experimentação e investimento numa nova proposta de produzir para, com e sobre criança”, destaca Patrícia.

Em entrevista à revistapontocom, a diretora, que esteve à frente dos Estúdios de Animação da Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio (MultiRio), na realização das séries “Juro que vi” e “Cartas animadas para paz”, conta o processo de construção da co-produção Brasil-Cuba e fala sobre a importância da animação na vida das crianças e no dia a dia da escola. Às voltas com a curadoria das mostras paralelas do I Festival Internacional de Stop Motion do Brasil, ao lado de Quiá Rodrigues, que acontecerá em novembro, no Recife, Patrícia acredita que a animação pode e deve possibilitar que a criança crie, (re)invente e tenha seu espaço de reflexão e preenchimento. “Outro dia, minha filha Lia, de sete anos, disse que o melhor quadro é um papel branco”, destacou.

Acompanhe:

revistapontocom – Qual a importância da animação para as crianças?
Patricia Alves Dias – O libertar… Outro dia lia um texto do Walter Benjamin que falava que o brincar liberta. Ao lê-lo, tive a resposta à pergunta que sempre me fiz: por que essa relação quase imediata, ou direta mesmo, da criança com a animação? A animação permite que a criança faça o exercício do brincar, do criar, do possibilitar o impossível. Mesmo que essa animação não seja necessariamente uma obra de arte, ela propõe o brincar e, portanto, a liberdade!

revistapontocom – Mas o que existe de tanto encantamento que atrai as crianças?
Patricia Alves Dias – Acho que o encantamento que há na animação é o mesmo que há no brinquedo, no livro ou no ato de brincar, que é exatamente essa experiência do libertar que falei.

revistapontocom – Uma característica em seus trabalhos é que você aposta sempre numa animação para a infância que vai além do entretenimento? Por quê?
Patricia Alves Dias – Acho que uma obra de arte em animação, ou o ato de brincar pelos conteúdos de animação, não pode excluir a diversão, o lúdico nem a educação. O ato de brincar deveria e pode ser educativo e vice-versa.

revistapontocom – Mas as crianças gostam deste tipo de animação que vai além do entretenimento? Como se produz com este foco?
Patricia Alves Dias – Acredito numa produção onde haja o diálogo entre o mundo do adulto e o da infância, seja no ato do criar e produzir uma obra em animação, contando com as diferentes formas de escuta, seja na transmissão. Aposto numa narrativa onde a criança não recebe o conteúdo completo, pronto, fechado. Acredito em peças que possibilite que a criança crie, (re)invente, tenha seu espaço de reflexão e preenchimento. Outro dia, minha filha Lia disse que o melhor quadro é um papel branco.

revistapontocom – Neste sentido, animação e escola combinam?
Patricia Alves Dias – Por tudo que tenho dito e feito, ao longo desses últimos quinze anos, em produzir animação para infância, ter uma filha e muitos amigos e amigas crianças, acredito que a Escola ainda é, muitas vezes e na maior parte delas, o último refugio de muitas crianças. E é lá que a animação (conteúdo para exibir ou para produzir) pode apoiar a nova constituição de arcabouço de imagem da infância e da sociedade do século XXI na educação.

revistapontocom – O Caminho das Gaivotas, último projeto seu, teve este foco? Como foi o processo de produção? Patricia Alves Dias – Sim. O Caminho das Gaivotas foi resultado da aplicação de muitas experiências anteriores que realizei, apoiadas por especialistas em infância, como as professoras Solange Jobim e Regina de Assis, e teóricos que iluminavam as equipes de criação, realização e produção que tive a honra de coordenar ainda na Multirio (Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio). Equipes que produziram as séries Juro que vi, Cantigas de roda e Carta animada pela paz, num diálogo com as crianças e professores de escolas públicas.

revistapontocom – O Caminho das Gaivotas é um case?
Patricia Alves Dias – Sim, foi um case em busca de respostas, onde as metodologias de escuta e absorção do mundo da criança tinham o propósito de dialogar com elas, seja na fase de criação do roteiro e realização, seja no atual momento das exibições. Podemos destacar: a arte final dos cenários com aguadas que sugerem muitas formas, formas a serem criadas, construídas pelas crianças; a narração espaçada, com uma oração bem distante uma da outra, como se fosse um poema ou um conto de fadas, onde as crianças ou os adultos ilustram no invisível da fala e podem complementar com as suas ideias. Ou então os personagens criados em escalas alteradas, como brinquedos sem cores em madeira, que podiam ser os que são esculpidos nos sertões do Brasil ou por um artesão de Cuba ou do acervo de uma escola Waldorf da Bélgica. Trata-se de uma animação com um tempo lento, um tempo possível ao existir, sem ser descartável. O case propunha o brincar do “era uma vez, a historia de Maria Soledad. Uma menina que vivia num vilarejo sem vida e que saía em busca de amor, solidariedade e não violência.

Produções selecionadas

A bola
Curso de Audiovisual Educando o Olhar (Fortaleza – CE, Brasil)

A casa do demônio
Centro Educacional Anísio Teixeira (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

A loira do banheiro
Escola Municipal Professor Zélio Jotha (Cabo Frio – RJ, Brasil)

A mãe natureza contra a destruição do planeta
Núcleo de Arte Grécia (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

A menina que não era maluquinha
Instituto de Educação de Nova Friburgo (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

A voz do rádio
Núcleo de Arte Prof. João Fernandes Filho (Nova Iguaçu – RJ, Brasil)

Água eu cuido dela! E você?
Centro Educacional Espaço Integrado (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Bilhete da sorte
Lucas Younes de Araujo – Produção Independente (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Brincadeira de criança
CIEP Pres. Agostinho Neto (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Caiçara de raça
Associação Casa Azul – Ponto de Cultura Flipinha (Paraty – RJ, Brasil)

Caminante
Escuela de Cine Infantil Y Juvenil Taller de Cine El Mate (Buenos Aires, Argentina)

Carrie
E. M. República Argentina (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Cartini Animati
Istituto Comprensivo Statale (Ponte San Nicolò, Itália)

Cinema de sombras
Laura Bezerra Lima – Produção Independente (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Com defeito
E. M. Américo Vespúcio (Cabo Frio – RJ, Brasil)

Comparativo entre as espécies
Instituto Marlin Azul (Vitória – ES, Brasil)

Desperdício
Grupo Pensar (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Dies de solitud
Cinema en Curs / A Bao A Qu (Barcelona, Espanha)

Dona Dolores
Colégio Estadual Dom Pedro II (Petrópolis – RJ, Brasil)

Em que posso estar ajudando?
Escola Audiovisual Cinema Nosso (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Fleurs
OMJA (Aubervilliers, França)

Flor mágica
Imagine Filmes (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Id
Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia (Salvador – BA, Brasil)

Implicância
Núcleo de Arte Copacabana (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Insegurança
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio / FIOCRUZ (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Liras e jagunços
E. M. Professor Edilson Duarte (Cabo Frio – RJ, Brasil)

Meu amigo foi pro céu
Curta Favela (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Meu bairro
E.M. Roraima (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

O boto
Projeto Animarte – E. M. Comunidade Vargem Grande (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

O canto das iaras
Cinema e Cidadania – (Atibaia – SP, Brasil)

O quarto
E. M. Professora Talita Hernandes Perelló (Cabo Frio – RJ, Brasil)

O verdadeiro tesouro
Escola Técnica Estadual Cícero Dias (Recife – PE, Brasil)

Os dois lados da moeda
Jovens Vivendo Arte Contemporânea (Nova Friburgo – RJ, Brasil)

Pelo buraco da fechadura da escola
CINEAD – UFRJ (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Picadeiro nosso de cada dia
Praga Produções ( Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Quinientos sucres
La Poderosa Media Project (Quito, Equador)

Saracuruna news da lua
CIEP 318 B.M. Paulo Mendes Campos (Duque de Caxias – RJ, Brasil)

Solidão
D.R. Produções (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Supernormal
Escuela de Cine Infantil Y Juvenil Taller de Cine El Mate (Buenos Aires, Argentina)

Um conto de verão
E. M. Monteiro Lobato (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Um dia só
Núcleo de Arte Grande Otelo (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Verdura
Istituto Comprensivo Statale (Ponte San Nicolò, Itália)

Viajando na parada
E. M. Monteiro Lobato (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Vida em manchetes
Escola Municipal Roberto Burle Marx (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Xote ecológico
Polo de Educação para o Trabalho Telêmaco Gonçalves Maia (PET – TGM) (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Filmes internacionais do Festival do Rio

De 6 a 18 de outubro, serão exibidos oito longas de diferentes temáticas. Escolas podem marcar de levar seus alunos. “Acreditamos na importância da diversidade na curadoria da mostra”, conta Bete Bullara, uma das coordenadoras do Festival do Rio, seção Mostra Geração.

Datas e horários ainda serão definidos pela coordenação.
Informações e reservas pelos telefones – (21) 3035-7101 / 3593-0434 / 3592-0434 / 2539-6142

 

– Bunny Drop
Produção Japão – 2011
Direção de Hiroyuki Tanaka
Faixa etária indicada – a partir dos 14 anos
Chegando ao funeral do avô, Daikichi conhece Rin de 6 anos, filha temporã do avô. Rejeitada pela família, Rin será encaminhada a um orfanato. Daikichi não concorda com essa decisão e adota a menina. Aos poucos se dá conta do que significa cuidar de uma criança.

 

– A estrela de Copérnico
Produção Polônia – 2009
Direção de Zdzislaw Kudla e Andrzej Orzechowski
Faixa etária indicada – a partir dos 10 anos
Dublado ao vivo
A história do astrônomo que formulou a teoria heliocêntrica. Copérnico aprendeu a apreciar o céu com o pai e sua curiosidade infantil foi aguçada por um astrólogo. Aprofundando seus estudos, acaba desvendando o funcionamento do sistema solar e abalando as explicações religiosas da época.

 

– Bora Bora
Produção Dinamarca – 2011
Direção Hans Fabian Wullenweber
Faixa etária indicada – a partir dos 14 anos
Mia, 15 anos, acha que a mãe só faz cobranças. A escola a entendia. A única coisa que gosta é correr. Ao resolver sair de casa conhece Zack, simpática jovem de um grupo que vive de pequenos furtos. Seu talento esportivo é um passaporte para se juntar a eles e experimentar outro tipo de vida.

 

– Um gato em Paris
Produção França/Bélgica/Noruega/Suiça – 2010
Direção Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli
Faixa etária indicada – a partir dos 5 anos
O gato Dino mora em Paris e tem vida dupla: de dia vive com Zoé, filha de uma delegada de polícia. À noite, é companheiro de um sofisticado ladrão de jóias. A mãe de Zoé, além de procurar o misterioso ladrão, enfrentará outro homem, mais perigoso, que trará risco à vida de Zoé.

 

– O Clube do Tigre 
Produção Alemanha – 2010
Direção Peter Gersina
Faixa etária a partir dos 10 anos
O Clube do Tigre é formado por três adolescentes que gostam de aventuras. Acidentalmente quebraram um vaso de uma amiga chinesa. Dentro, há uma misteriosa chave. O grupo parte então para desvendar os mistérios da Montanha dos Mil Dragões.

 

– Knerten
Produção Noruega – 2009
Direção Asleik Engmark
Faixa etária a partir dos 5 anos
A família de Lillebror está passando por dificuldades financeiras e se muda para uma velha casa no interior. Lá ele conhece um estranho ser com quem faz sólida amizade, explora o mundo encantado da floresta e ainda arruma uma solução para os problemas familiares.

– Lições de um sonho
Produção Alemanha – 2011
Direção Sebastian Grobler
Faixa etária a partir dos 10 anos
Em 1874, Konrad Koch volta para a Alemanha após se graduar em Oxford e vai ensinar inglês numa escola para meninos. Os alunos têm preconceitos contra os ingleses. Ele resolve ensinar a língua por meio de um novo esporte inglês: o futebol. Baseado na história da introdução do futebol na Alemanha.

– Um conto sobre a ganância
Produção Irã – 2009
Direção – Sepehr All Mohammad Loo
Faixa etária a partir dos 7 anos
Conta-se que um poderoso rei foi convencido pelo seu grão vizir a invadir outros países para levar a felicidade. Seu mais valoroso guerreiro crê realmente nisso. Luta bravamente contra os soldados que defendem a terra invadida. Mas tudo o leva a refletir sobre os males da guerra, da vaidade e da ambição desmedida.

Festival do Rio já começou

 

Por Marcus Tavares

O Festival do Rio já começou. E com um público bem especial: professores. Foi realizado no sábado, dia 17, o Primeiro Encontro de Educadores da Mostra Geração, seção do festival voltada para crianças e adolescentes. Na sala 3 do Estação Sesc Espaço, o público assistiu à exibição do filme Tainá 3 – a origem, que está em fase de finalização para estrear em janeiro de 2012, e conversou com parte da equipe de produção. “Sem dúvida, vocês, professores, são os grandes parceiros na divulgação e promoção do filme”, frisou a diretora Rosane Svartman.

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veja aqui os filmes internacionais que farão parte da Mostra Geração

Os professores aplaudiram. Fizeram algumas sugestões na trama, por exemplo com o objetivo de realçar a presença dos vilões da história, que são contrários à natureza e à tribo de Tainá. Destacaram a beleza da fotografia, o filme foi filmado em Alter do Chão, em Santarém, no Pará, e na Ilha de Santarém, no Amapá. E se emocionaram com o encontro de Tainá com sua mãe e a cena final, onde a esperança, a paz e a alegria vencem.

O filme Tainá 3 – a origem, em fase de finalização, vem sendo exibido em circuitos fechados para que a produção possa trocar ideias e informações com o público antes do lançamento. A revistapontocom já tinha acompanhado a exibição do longa na Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, em junho deste ano. Na exibição de sábado, era possível observar que as sugestões do público do sul foram levadas em consideração: cenas foram retiradas, outras incluídas, falas reescritas e outras mudanças.

Criador e produtor da saga Tainá, Pedro Rovai também esteve presente no encontro dos educadores. “Vocês gostaram? Recomendariam? Que cena tirariam do filme? Em que momento se emocionaram?”, perguntava Rovai à plateia. “É importante que vocês nos ajudem a divulgar o filme para os alunos e suas famílias, entre os amigos e os parentes, formando uma corrente por meio das redes sociais para criarmos um fenômeno viral de informação e divulgação da nova obra que vai competir e muito com os blockbusters do verão”, conclamou Rovai.

Mostra Geração 2011 – Antes da exibição do filme, as coordenadoras do encontro, Felicia Krumholz e Bete Bullara, explicaram que a Mostra Geração é, na prática, composta de quatro segmentos: o encontro de educadores, que apresenta filmes inéditos de interesse do magistério; o programa internacional, que traz uma seleção de filmes internacionais sobre infância e juventude; o programa vídeo fórum, que apresenta produções audiovisuais de crianças e jovens, dos 5 aos 18 anos;  e as oficinas geração, voltadas para adolescentes com o objetivo de aprofundar conhecimentos sobre a linguagem audiovisual.

Encontro de Educadores – Além da exibição de Tainá, a edição deste ano contará com mais uma sessão, que vai acontecer no dia 8 de outubro, a partir das 9 horas, na Estação Sesc Espaço. Os professores estão convidados a assistir ao longa Capitães de Areia, baseado no clássico de Jorge Amado e dirigido pela neta do escritor, Cecília Amado. “A exemplo do Tainá 3, teremos, após a exibição do filme, a presença da equipe de produção para conversar com os professores”, avisa Felicia. Informações e reservas pelos telefones – (21) 3035-7101 / 3593-0434 / 3592-0434 / 2539-6142.

Programa Internacional – De 6 a 18 de outubro, serão exibidos oito longas de diferentes temáticas. Escolas podem marcar de levar seus alunos. “Acreditamos na importância da diversidade na curadoria da mostra”, conta Bete Bullara. Datas e horários ainda serão definidos pela coordenação. Informações e reservas pelos telefones – (21) 3035-7101 / 3593-0434 / 3592-0434 / 2539-6142. Confira aqui a relação dos filmes selecionados.

Programa Vídeo Fórum – Trata-se da 12ª edição da mostra de produção audiovisual de crianças e jovens – dos 5 aos 18 anos. “É o espaço onde eles podem exibir seus trabalhos em tela grande, trocar informações com colegas realizadores da mesma idade e aperfeiçoar cada vez mais seu impulso criativo. O Vídeo Fórum, além de tudo isso, vem se tornando uma grande vitrine do que acontece na escola. Há alguns anos quando ninguém falava sobre o bullying, já tínhamos algumas histórias sobre o fato. Hoje, podemos dizer que já começaram a aparecer roteiros que abordam o sentimento de melancolia dentro da sala de aula. É um prato cheio para quem também estuda a interface entre o cinema e a educação”, explica Felicia Krumholz. Informações e reservas pelos telefones – (21) 3035-7101 / 3593-0434 / 3592-0434 / 2539-6142. Confira aqui a relação nominal das produções selecionadas.

Boca no trombone: uma boa para os docentes?

 

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 1106/11 que torna obrigatória a instalação de dispositivos de sonorização em salas de aulas do Ensino Médio e Superior com 40 ou mais alunos. A regra deverá ser regulamentada pelo Poder Executivo, a quem caberá a fiscalização.

O autor do projeto, deputado Ricardo Quirino, explica que a proposta tem o objetivo de reduzir os danos causados pelo uso excessivo da voz pelo professor. Para fundamentar seu projeto, o deputado cita estudo realizado, em 2009, pelo Centro de Estudos da Voz (CEV) em parceria com o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP) e a Universidade de Utah, nos Estados Unidos.

A notícia, publicada no dia 8 deste mês, no portal da Câmara dos Deputados não agradou alguns internautas. Confira alguns comentários postados no site da Agência Câmara:
 
Marilac de Souza
Isso é ser conivente com uma sala com 40 alunos ou mais o que é um absurdo tanto do ponto de vista da aprendizagem, quanto da insalubridade do trabalho docente. É preciso avançar mais! Isso ainda é por panos quentes.

Marcos Calebe
Usar um dispositivo desses em sala é uma forma de manter uma situação precária e aumenta o “abismo” professor-estudante, tornando mais difícil o trabalho em sala de aula. Em vez dessa ideia infeliz, deveriam estar trabalhando para se aumentar o número de turmas e professores, o que dispensaria o uso do microfone e aproximaria mais os professores e os estudantes. Para um professor, adotar um instrumento desses é dar um tiro no pé.

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Segundo a pesquisa, 35% dos professores entrevistados relataram a presença de cinco ou mais problemas vocais, e 63% disseram já ter tido algum problema durante a vida. Os dados indicam que 16,7% dos professores consideram que terão de mudar de profissão no futuro por conta dos problemas vocais.

O questionário com 35 perguntas foi aplicado para 3.265 pessoas, das quais 1.651 eram docentes. Entre os professores, 63,1% afirmaram ter alterações vocais. Entre os não professores, 35,1% afirmaram a mesma coisa.

Os principais problemas relatados são: cansaço vocal (92%), desconforto para falar (90,4%), esforço para falar (89,2%), garganta seca (83,4%), rouquidão (82,2%), dificuldade para projetar a voz (82,8%), instabilidade ou tremor na voz (79,3%), dor na garganta (72,7%).

“Os professores lecionam em condições desfavoráveis para o uso da voz: competem com ruídos externos à sala de aula ou mesmo internos, trabalham com número alto de alunos, quase nunca usam o microfone e, eventualmente, lecionam dois ou três períodos, o que faz com que falem muito durante o dia”, destaca texto do projeto de lei.

MEC e MinC em favor da escola. Por que não?

Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) revelam que as salas comerciais de cinema estão concentradas em apenas 8% do território nacional e que a quantidade de obras audiovisuais brasileiras exibidas na TV aberta é muito pequena, o que explica que a maioria dos filmes produzidos no país permaneça inédita para grande parte da população. Eis uma das justificativas para que o Programa Nacional Biblioteca da Escola, do Ministério da Educação (MEC), inclua, além dos livros, a distribuição de filmes de produção brasileira para as escolas públicas de Educação Básica. Essa proposta foi feita e encaminhada, no dia 30 de agosto, pelo deputado Pedro Eugênio ao MEC.

Segundo o congressista, uma comissão de especialistas poderia efetuar a seleção e a avaliação dos filmes, assim como determinar a faixa etária adequada para cada título. As escolas teriam a opção de exibir os filmes para os alunos, professores, servidores ou mesmo para a comunidade. Poderiam, ainda, emprestá-los para os interessados.

Em sua sugestão ao MEC, o parlamentar também destaca a importância de o ministério se articular com o Ministério da Cultura com a meta de dotar a escola com equipamento audiovisual para a reprodução dos filmes. “É possível buscar a parceria do MinC que desenvolve, com enorme êxito, o Programa Mais Cultura, do qual faz parte a ação Cine Mais Cultura, cujo objetivo é ampliar o acesso ao cinema brasileiro, por meio da distribuição de equipamentos como telão, projetor, aparelho de DVD, caixas de som, obras nacionais em DVD, amplificador e microfone sem fio a entidades tais como bibliotecas comunitárias, pontos de cultura, associações de moradores, prefeituras, escolas e universidades da rede pública”, destaca.

Clique aqui e leia o texto da sugestão na íntegra

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Jovem contemporâneo: quem é ele?

Por Tiago Cabral Dardeau
Coordenador do Curso de Roteiro do NAVE

A cibercultura ou Cultura Digital traz elementos que precisam ser considerados e incorporados pela escola, para que a mesma acompanhe as transformações que vem ocorrendo, principalmente no campo da comunicação. A expressividade cotidiana dos jovens na contemporaneidade deve ser investigada sob o ponto de vista cultural, possibilitando novas práticas pedagógicas significativas.

Compreender esse jovem contemporâneo atuando no “espaço liso” [expressão deleuziana para classificar o espaço das subjetividades, dos movimentos não lineares, das emoções], com suas multiplicidades, sensibilidades e complexidades é um caminho a ser trilhado para construção de novas relações de ensino e aprendizagem.

As instituições de ensino, em sua maioria, ainda adotam um sistema pedagógico calcado em processos homogêneos, autoritários, unidirecionais, projetados para a Era Industrial.  A escola dos estudantes do século XXI tem o modelo do século XIX.

Na década de 80 o conceito de letramento apontou para “a necessidade de reconhecer e nomear práticas sociais de leitura e de escrita mais avançadas e complexas que as práticas do ler e do escrever resultantes da aprendizagem do sistema de escrita.” (SOARES, 2004).

No mesmo campo de ampliação e contextualização das práticas educativas, nesta segunda década do novo século, um outro caminho é pensar a Educação a partir de “Múltiplos Alfabetismos”, definição proposta pelo New London Group. (O grupo é composto por pesquisadores renomados de nacionalidades americana, inglesa e australiana. Foi assim nomeado por conta do lugar onde se encontraram pela primeira vez , em 1994: New London, em New Hampshire, EUA. Em 1996, o grupo publicou o primeiro artigo intitulado “A Pedagogy of Multiliteracies: Designing Social Futures”, na revista Harvard Educational Review).

Complementando a necessidade dos múltiplos alfabetismos, é importante também repensar as relações professor-aluno; ensino-aprendizagem; passividade-interatividade; individual-cooperativo; espaço-tempo. No mundo contemporâneo, tão importante quanto a bagagem de conhecimento, é o saber procurar, saber fazer escolhas, analisar e criticar qualificadamente. Repensar essas relações sob a luz da cultura digital significa repensar a Educação: os processos de ensinar e aprender, os espaços físicos, os tempos de aula, os currículos, as turmas. As críticas ao que deve mudar na Educação já ganharam forma há algum tempo, porém, o novo, aquilo que deve fortalecer novos paradigmas, ainda precisa ser testado, validado empírica e teoricamente.

Talvez uma dessas mudanças possíveis, e a mais evidente e urgente, seja a compreensão da necessidade de participação da escola na cultura digital, dialogando com os educandos através de uma linguagem contemporânea, que se aproxime de suas práticas sociais.

Boneca, bola…celular

Por Marcus Tavares
Jornalista. Professor. Editor da revistapontocom

Coloridos, sonoros e cheios de tecnologia. Desde que entraram no mercado brasileiro, de forma mais efetiva no início da década de 1990 com a privatização do setor de telefonia, os aparelhos móveis de comunicação – os celulares – tornaram-se acessórios de crianças e adolescentes. De acordo com pesquisa divulgada pelo Ibope, jovens de 16 a 24 anos representam aproximadamente um quarto dos usuários nas 11 maiores capitais do Brasil. Em abril deste ano, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou que o número de aparelhos chegou à impressionante casa dos 210 milhões de unidades.

No mundo globalizado, o celular é, para muitos pais, símbolo de segurança e controle. Para os filhos, veículo de comunicação e fonte de entretenimento e informação. E não é para menos. Pode-se afirmar que o celular ‘atropelou’ todas as mídias, inclusive a web. Cada vez mais populares, eles tiram fotos, gravam voz e imagem, editam voz e imagem, enviam e recebem mensagens multimídias, funcionam como rádio, tevê, videogame, acessam a internet e, acredite, também servem para que nos comuniquemos à distância.

É ou não é invejável como as crianças e adolescentes manipulam, em frações de segundos, os celulares, muitas vezes apenas com o polegar? Como, em poucos minutos, dominam todas as funções oferecidas e ainda acham graça de nossa admiração. A facilidade com que os aparelhos passaram a integrar o dia a dia da garotada é instigante. O entrosamento vem possibilitando novas formas de interação com a sociedade. Novas formas de adquirir conhecimento. E, avisam os estudiosos, novas formas de pensar e raciocinar.

E a escola o que diz disso tudo? Algumas concordam com as recentes leis promulgadas tanto pela Câmara dos Vereadores da Cidade do Rio de Janeiro quanto pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que proíbem o uso de celulares na sala de aula. A justificativa é que muitos estudantes deixam de prestar atenção na aula, prejudicando, como afirma o texto do projeto da Alerj, “o rendimento no processo de aprendizagem”. Escolas que optam pela proibição porque, simplesmente, não sabem como lidar com o celular e suas inúmeras possibilidades na sala de aula.

Veja alguns depoimentos de professores:

“Peguei o celular desta estudante porque ela estava conversando com outra aluna da sala em frente. Não sei o que vou fazer. Agora, parece que os alunos já não conversam apenas entre eles na sala. Eles conversam entre-paredes, entre-salas”.

“Veja como as coisas andam: uma mãe me procurou dizendo que atrasou o pagamento desse mês porque seu filho era o único na sala que não tinha celular. Ela resolveu comprar um aparelho esse mês. A mãe passou a ser inadimplente porque seu filho disse que todo mundo tinha celular e ele não”.

“J, aquele aluno da 5ª série, gravou, com o seu celular, os palavrões de G. Fez isso para me provar que G. também fala palavrão e não somente ele, conforme a queixa da professora de Português”.

“Esta aluna estava passando cola para o colega com torpedos”.

“Peguei um aluno com esses dois celulares atrapalhando minha aula”, disse uma professora. A outra pergunta: “Ele estava com os dois celulares? De quem é o outro?” Retruca a professora: “Os dois celulares são do mesmo aluno! Um ele usa e o outro ele empresta para os colegas jogarem”.

“Quando estávamos executando a atividade, percebi que um aluno tinha tirado um retrato meu com os alunos que estavam trabalhando. Parece que estamos bastante vulneráveis”.

Todas as situações vivenciadas acima foram narradas por professoras de escolas públicas e privadas da cidade do Rio de Janeiro e se transformaram em objeto de pesquisa da professora Solange Castellano Fernandes, que lecionou na Escola Municipal Telêmaco Gonçalves Maia, localizada na Zona Norte do Rio. O trabalho da professora é de 2005. Sim, antigo, mas revela exatamente o que ainda hoje ocorre nas salas de aula.

Passados seis anos, ainda são poucas as escolas que resolvem incorporar a mídia, neste caso os celulares, no cotidiano escolar. As que topam o desafio investem em um trabalho pedagógico articulado, refletindo sobre a realidade local, o encantamento da mídia e o universo escolar do aluno. Veem o celular como mais uma possibilidade de ensinar e pensar. A professora Solange Castellano Fernandes, hoje aposentada, fez isso em 2005. Criou o projeto “Torpedário: o celular na sala de aula”. Com base em um texto de sua autoria, no qual observa mudanças no dia-a-dia escolar após a chegada dos celulares, Solange propôs a outros professores da escola que encarassem a nova tecnologia não somente como obstáculo ao andamento das aulas, mas também como uma ferramenta pedagógica. O trabalho, que começou com o auxílio dos professores de Língua Portuguesa e Ciências, ganhou o apoio dos professores de Geografia e História da 5ª a 9ª séries.

As múltiplas utilidades dos aparelhos, os diferentes modelos e a tecnologia empregada serviram de gancho para as mais variadas discussões. O trabalho começou com uma das primeiras formas de comunicação humana, as pinturas rupestres. Solange percorreu o longo caminho da história da comunicação, passando pela escrita, a publicidade e, finalmente, as mensagens recebidas e enviadas pelos celulares, os chamados torpedos.

A questão do acesso aos aparelhos ganhou força com o depoimento de uma aluna que disse ser muito fácil ter um, bastando abrir um crediário e não pagar.  Além disso, discussões sobre ética, cola na escola, violência urbana, desigualdade social e regras de uso surgiram ao longo do ano. Foram abordados temas como influência das propagandas, consumismo, juros, inadimplência. No processo de trabalho, o professor de História traçou um paralelo entre a propaganda usada durante o nazismo e a propaganda atual; o professor de Ciências organizou uma pesquisa sobre a energia utilizada nos celulares e outras formas de energia; a professora de Geografia tratou das diferenças regionais brasileiras a partir dos meios de comunicação. Os alunos confeccionaram um livro sobre a utilização do celular, projetaram um aparelho do futuro e utilizaram os torpedos como meio de comunicação para estimular a economia de energia e a preservação do meio ambiente.

“Proibir o uso do celular talvez elimine as inúmeras possibilidades de se fazer emergir novas formas de ensinar e pensar. Além de ser um aparelho de fácil acesso, o celular vem se transformando num recurso multimídia que pode facilitar, sem dúvida, a inclusão social”, palavras da Solange na época do projeto.

Acho que já foi dito tudo, não?

Pelo Direito à Cidade

Por Marcus Tavares

Promover encontros na diferença. Diferença que não fortaleça estigmas, preconceitos e desigualdades, mas que permita que cada pessoa se reconheça na outra. O que pode parecer apenas um pressuposto teórico é, na verdade, a prática diária das ações do Observatório de Favelas.

“O Observatório de Favelas cumpriu um papel significativo no sentido do reconhecimento da importância de se (re)conhecer as favelas e seus moradores a partir de novas referências, novas representações. Isso implica a compreensão de que a favela é constituinte da cidade e elemento central nela, em todos os sentidos. A partir da difusão desse pressuposto, foram construídos um conjunto de projetos, tecnologias sociais e metodologias voltados para a ampliação do Direito à Cidade e ao conjunto dos moradores da cidade”, destaca o fundador do projeto, Jailson de Souza.

Em entrevista à revistapontocom, Jailson fala sobre as principais ações do programa. Comenta sobre a dicotomia histórica, e na sua visão conservadora, sobre asfalto e favela. Destaca que o entendimento de ordem urbana deve ser revisto. E defende por meio do trabalho do Observatório o Direito à Cidade. Reflexões para todos nós.

Acompanhe:

revistapontocom – Passados dez anos, os objetivos do Observatório são os mesmos do início?
Jailson de Souza – Hoje, o Observatório de Favelas se define como uma organização social de pesquisa, consultoria e ação pública dedicada à produção coletiva do conhecimento e à proposições sociais e políticas sobre as favelas e fenômenos urbanos. Buscamos construir e afirmar uma agenda de Direitos à Cidade, fundamentada na ressignificação das favelas, também no âmbito das políticas públicas. De forma concreta, isso quer dizer que a vontade do Observatório, por meio de nossos projetos e ações, é de fazer com que as favelas sejam encaradas, cada vez mais, como espaços complexos e heterogêneos (inclusive entre si) – ao contrário da histórica representação dominante que se faz sobre elas, em especial no que diz respeito às percepções compartilhadas por gestores públicos e planejadores urbanos. É claro que uma década é sempre um marco a partir do qual qualquer instituição com perfil parecido com o nosso tende a se reavaliar. Só que no nosso caso, estamos sempre pensando em como nos identificamos e como isto impactará a caminhada em direção ao que queremos. O grande objetivo permanece: a construção de um projeto de cidade mais justa e fraterna. Contudo, os caminhos que nos conduzirão a esse ideal têm de ser constantemente pensados e repensados, já que as mudanças de conjuntura de diferentes ordens são inevitáveis. De qualquer forma, os dois eixos centrais de nossa intervenção no mundo continuam nos pautando: a busca de uma polis marcada pelo encontro, reconhecimento e legitimação da diferença entrelaçada, e inseparável, a luta pela igualdade no plano da dignidade humana, em toda a sua historicidade.

revistapontocom – Nestes dez anos, o que de fato foi conquistado?
Jailson de Souza – O Observatório de Favelas cumpriu um papel significativo no sentido do reconhecimento da importância de se (re)conhecer as favelas e seus moradores a partir de novas referências, novas representações. Isso implica a compreensão de que a favela é constituinte da cidade e elemento central nela, em todos os sentidos. A partir da difusão desse pressuposto, foram construídos um conjunto de projetos, tecnologias sociais e metodologias voltados para a ampliação do direito à cidade ao conjunto dos moradores da cidade. Os projetos visavam, como descrito acima, ao reconhecimento das possibilidades de encontro presentes na diferença. Diferença que não fortaleça estigmas, preconceitos e desigualdades, mas que nos permita nos reconhecermos no outro. Nestes dez anos, a subjetividade criativa e cognitiva foi fundamental para o desenvolvimento de ações e projetos que tiveram um impacto significativo na ocupação e ressignificação dos territórios. São nos espaços urbanos que se fazem visíveis algumas das mudanças mais profundas e desconcertantes de nossas sociedades contemporâneas. Vivemos a emergência de novas sensibilidades, somadas às empatias tecnológicas, sociais e econômicas. Assim, projetos como o Conexões de Saberes, Rio Democracia, Escola Popular de Comunicação Crítica, Imagens do Povo, Rotas de Fuga, Programa Nacional de Redução da Violência Letal e muitos outros buscaram produzir conceitos e difundi-los de forma sistemática e ordenada em espaços do Rio de Janeiro e outros territórios brasileiros.

revistapontocom – E o que falta ser conquistado?
Jailson de Souza – Nos anos 2000, década em que o Observatóqrio aparece, a favela se consolidou como figura central de vários dos debates sobre o urbano. Mas, ao contrário do que possa parecer, isso não se traduziu de forma total em políticas que visassem integrar estes espaços à cidade. A favela, apesar de foco das discussões sobre o futuro da urbe, foi ainda assim objeto de disputas em torno de seu significado. Ou seja, havia e ainda há profundo dissenso quanto ao “o que é favela?” e qual é a melhor forma de lidar com estes espaços. Há, por exemplo, grupos para os quais a favela é, por definição, o espaço do caos e da precariedade. Para estes, é perfeitamente justificável que comunidades inteiras sejam destruídas e seus antigos moradores expulsos. O fantasma das políticas remocionistas, que pensávamos já superadas, só vem assombrar neste momento de chegada dos grandes eventos. Isso porque iniciativas como essa continuam se sustentando no paradigma segundo o qual as favelas são espaços de carência e precariedade e, por isso mesmo, sua destruição é uma benfeitoria – inclusive para seus moradores. Este é um exemplo bastante evidente de que muito ainda falta a ser conquistado.

revistapontocom – Onde se conquistou mais: no fortalecimento da comunidade/favela ou na mudança da postura do “asfalto”?
Jailson de Souza – A própria pergunta é bastante reveladora sobre em que pé estamos neste momento. Este binário (favela/asfalto) marca justamente uma percepção da cidade existente desde que as favelas surgiram na paisagem urbana, mas, celebrizada entre os anos 1980 e 1990. A questão, entretanto, não é abandonar os termos e sim a forma dicotômica de interpretá-los. Isto é, começar a enxergar nestas duas palavras a complexidade que é própria do diálogo. E é por isso que insistimos tanto no encontro entre indivíduos oriundos de diferentes contextos sociais, porque ele é que permitirá estas “contaminações mútuas”. Hoje, fica cada vez mais evidente que o “asfalto” não partilha uma visão única sobre as favelas – e isto não quer dizer que deixamos de reconhecer que há discursos dominantes acerca das periferias urbanas. Entendo que fora ou dentro da favela, outras representações da cidade estão pipocando e isso é parte de um processo histórico. De forma objetiva, podemos falar que houve avanços de ambos os “lados” e que um reforçou o outro: temos hoje intelectuais nas periferias que superaram a primazia do discurso sobremaneira “exterior” a esses territórios. Esse discursos influenciaram a produção de novos discursos sobre o direito à cidade; sobre os vínculos entre os seus territórios e os direitos fundamentais dos seus moradores, independente do seu lugar de moradia. Esse encontro e construção de novas formulações teóricas, práticas, discursivas foi a principal conquista dos últimos dez anos. E temos orgulho de ter contribuído nesse processo de interlocução e ressignificações.

revistapontcom – Para o Observatório, a comunicação é…
Jailson de Souza – Comunicar foi e continuará sendo algo muito mais difícil e amplo que informar, é tornar possível que seres humanos reconheçam outros seres humanos em duplo sentido: reconheça seu direito a viver e pensar diferente, e reconheçam a si mesmos nessa diferença e na capacidade do diálogo, ou seja, que estejam dispostos a lutar, a todo momento, pela defesa dos direitos dos outros, já que nesses mesmos direitos estão contidos os próprios. A comunicação, em nossa perspectiva, contribui para desvelar a relação entre diferença cultural e desigualdade social e, nos permite trabalharmos para diminuir o espaço de ‘reprodução das indignidades, das práticas que alimentam a desigualdade de construção da essencial dignidade humana para todo. Comunicação é educação, é diálogo – e, necessariamente, poder. Mais do que transferência do saber, estimulamos o encontro de sujeitos interlocutores que buscam, a todo tempo, a significação dos significados e de ampliar as formas de contato com o outro no mundo.

revistapontocom – Portanto, para o Observatório, o respeito, a paz, o encontro das diferenças são possíveis num mundo, num Rio de Janeiro, cada vez mais caótico?
Jailson de Souza – Ordem e caos, atualmente, são figuras que parecem orientar várias das políticas voltadas para a cidade. É só observarmos a série de “choques de ordem” recentemente empreendida pelo poder público em nossa cidade. Dizer que o Rio é caótico, sem contextualizar esse diagnóstico, é perigoso porque pode ser uma reafirmação da avaliação a partir da qual se julga que a cidade necessita de “ordem”, ou melhor, de “choques de ordem”. Não quero com isso dizer tudo está perfeito, mas alertar que a metáfora do caos para se referir ao Rio, neste momento, é apropriada com o objetivo bastante claro de impor uma concepção de ordem cara a um grupo pequeno, porém poderoso. Talvez a sensação de que estejamos sob a égide do caos e de que isto seja um dos grandes impedimentos para o encontro dos diferentes seja, de alguma forma, produto desta noção conservadora de ordem com a qual nos deparamos. Nesse sentido, o nosso desafio é construir uma nova concepção de “ordem”, que não tenha como referência apenas as hierarquias, o poder do Estado sobre o Cidadão; a lógica autocêntrica onde a Ordem é vista como expressão do poder de uns sobre os outros. Uma ordem cidadã, democrática, que envolve o conjunto dos sujeitos da cidade, que define uma agenda centrada, sempre, no Direito à diferença e à dignidade humana. Essa “nova ordem” é necessária e urgente.  A partir dela, o caos deixará de ser o que é hoje: uma forma de legitimação das hierarquias em planos diversos sobre a maioria dos cidadãos.

revistapontocom – Quais são os planos para os próximos dez anos?
Jailson de Souza – O Observatório tem como missão a elaboração de conceitos, projetos, programas e práticas que contribuam na formulação e avaliação de políticas públicas voltadas para a superação das desigualdades sociais. Para serem efetivas, tais políticas têm de se pautar pela expansão dos direitos, por uma cidadania plena e pela garantia dos direitos humanos nos espaços populares. Nossos passos/projetos estão orientados pelas quatro dimensões humanas que visualizamos: dimensão subjetiva/singular de cada um; dimensão particular/social que caracteriza pertencimentos e inserções; a dimensão humana/genérica que caracteriza nossa ligação com os povos e redes sociais; e, por fim, dimensão global/vital que nos faz sentir parte da natureza pulsante, do planeta vivo que permite com que nos encontremos para além da fronteira do mundo em que vemos. Essa concepção de ser social, assim como a de mundo social, já expressa, é que irá continuar nos norteando. Nesse processo, nossos projetos e ações estão divididos em três vertentes: Desenvolvimento Territorial; Direitos Humanos e Comunicação e Cultura.

Conheça os projetos do Observatório de Favelas

TICs na educação?

 

Por Marcus Tavares

Luiz Fernando Gomes é, atualmente, presidente da Associação Brasileira de Estudos de Hipertexto e Tecnologia Educacional (ABEHTE). Professor do programa de pós-graduação em Educação e responsável pelo Centro de Educação e Tecnologia da Universidade de Sorocaba (Uniso), Luiz está à frente da coordenação-geral do IV Encontro Nacional de Hipertexto e Tecnologias Educacionais, que será realizado nos dias 26 e 27 de setembro, em São Paulo.

O evento reunirá cerca de 400 pesquisadores/professores de todo o país com o objetivo de discutir sobre a interface tecnologia e educação no contexto contemporâneo, em especial as redes sociais. Em meio a uma série de compromissos por conta da organização do evento, o professor Luiz Fernando Gomes conversou com a revistapontocom. Direto e crítico, Luiz reflete sobre o real papel e possibilidades das tecnologias na sala de aula, sem marketing e milagres. “Não é tecnologia que muda, que melhora a educação. São as pessoas”, destaca.

Acompanhe:

revistapontocom – Pode-se dizer que o Brasil já avançou, de fato, na discussão entre TICs e educação?
Luiz Fernando Gomes
– O Brasil é imenso e é difícil pensar nele como um todo, especialmente quando se trata de educação. Mas, se pensarmos em termos de acesso à internet, não há dúvida que esse acesso aumentou, embora muito mais lentamente do que gostaríamos. O computador baixou de preço e vem aí uma banda larga por trinta e poucos reais (mas não vem a internet via rede elétrica, como foi prometido…). Não sei se vejo com bons olhos o simples aumento do acesso. Junto à tecnologia vem a ideologia, as linguagens e os usos esperados. Numa ponta, aumenta o acesso, mas noutra, disseminam-se formas hegemônicas de ser, ver e de estar no mundo. Gostaria que a popularização do acesso fosse acompanhada de propostas de letramento que auxiliassem as pessoas a se inserir no mundo desta “nova escrita” de forma mais crítica e consciente. Utilizar hardwares e softwares é mais fácil, digamos, do que lidar com as linguagens e com o potencial do meio digital. Parece-me que a escola ainda não conseguiu, em seu currículo, trabalhar/superar a fase do “adestramento” para uso de softwares e hardwares. É necessário, urgentemente, que ela comece a ver o computador, como meio/canal de comunicação, como um artefato cultural e também como uma cultura. Ele funciona dentro de um contexto social e cultural. Há que se ter uma visão mais ampla. Há que se considerar sempre o “outro”, que não é outro computador, mas uma pessoa, um cidadão. É a partir do outro que a escola deveria começar a trabalhar. Há muitas práticas, muitas tentativas. Os resultados são variados e contraditórios, o que não é um mal em si. Na impossibilidade de termos uma teoria única e absoluta sobre a relação entre tecnologia e educação, uns pesquisam, outros copiam, outros repetem e outros ignoram. É assim até hoje com certas teorias linguísticas, certas pedagogias. Também não há uma relação direta entre tecnologia e aprendizagem, de modo que não se pode acreditar que a tecnologia em qualquer situação e contexto será melhor do que sem a tecnologia. A tecnologia não é “do bem”, tanto quanto “o progresso nem sempre é para frente.” A exclusão social começa pela exclusão linguística, pois é na linguagem que o sujeito se estabelece e se (re)conhece. Portanto, a presença de computador, do laboratório, traz o acesso, mas não há necessariamente algum progresso social advindo desse acesso. Não há relação direta entre melhoria na qualidade de vida das pessoas que residem, por exemplo, na periferia, e o acesso a um quiosque de máquinas conectadas oferecido pelo governo. Educação é política. Pois educação é para a cidadania, é para a coletividade, é para a sociedade. Seus reflexos devem ser sentidos na sociedade em que se insere e em seu entorno. Não é a tecnologia que muda, que melhora a educação. São as pessoas.

revistapontocom – Então a presença das TICs não fazem tanta diferença assim na aprendizagem?
Luiz Fernando Gomes – Com o conhecimento distribuído entre homens e máquinas é possível que nossas teorias de aprendizagem não dêem conta de como funciona a aprendizagem/cognição em situações de simbiose homem-máquina. Talvez o behaviorismo, o cognitivismo e o interacionismo não sejam suficientes. George Siemens, pesquisador canadense, defende o conectivismo. Mas ainda é uma teoria em construção. É razoável pensar em uma pessoa aprendendo com a outra, mas aprendendo com um computador é diferente. O conhecimento não está e não cabe na cabeça de uma única pessoa, ele está distribuído e a nossa noção do que é saber fica abalada. Saber é também, agora, saber encontrar, saber mobilizar. Claro que uma pessoa pode aprender frações sem computador. Mas se com um programa “X” essa aprendizagem for mais profunda, mais rápida, por que não utilizar o computador? Usamos, em cada época, em cada tempo, a tecnologia que nos é disponível. Não faz sentido rejeitá-la sem mais nem menos. A questão não é a tecnologia que se usa. A questão é a crença, diria mesmo fetiche, de que tudo é melhor com tecnologia. De que ela é a solução (ou mesmo parte dela). Não é. Mas, sim, pode ser. Fazem alarde do uso de notebooks, lousas digitais, celulares e outros tantos apetrechos nas escolas, mas isso é parte do marketing, do “ar de modernidade” que se quer passar. Pergunte ao filósofo Giorgio Agamben (ou acompanhe nosso seminário hipertexto 2011) e você verá que moderno é estar entre o não ainda e o já passou. Ele diz que nem a moda é moderna, pois os desenhos da coleção deste verão, na verdade, foram pensados, rascunhados, cerzidos e alinhavados na temporada de verão passado. As passarelas são do passado. Elas são fora de moda! E as modelos são démodé por definição.

revistapontocom – O senhor concorda que o hipertexto chegou meio que atropelando a escola? Ela nem havia ainda resolvido a sua relação com a mídia televisiva e já estava diante de um outro meio de comunicação: mais poderoso, impactante e revolucionário.
Luiz Fernando Gomes – A escola é lenta, paquidérmica. Nesse modelo que vem de séculos, não cabe a agilidade dos tempos de hoje. Ela tem problemas contemporâneos e tenta resolvê-los com medidas modernas do passado. Suspende, chama os pais etc. Olha sempre para trás. Não consegue ensinar para o futuro, apenas para o passado. Essa escola não está sintonizada para lidar com a liquidez [modernidade líquida, conceito do sociólogo Zigmunt Bauman] do mundo e para o desmanche da solidez da modernidade. O que ocorre é que a tecnologia é veloz e voraz. Ela tem pressa e não tem permanência. Ela quer ser consumida em gadgets e softwares, mas não quer saciar. Nunca será o bastante. A tecnologia atropelará cada vez mais a pedagogia. Os educadores sequer clamavam por tecnologia. Ela invadiu o cotidiano escolar causando problemas, mudando, desestabilizando, modificando a arquitetura das salas, laboratórios (antes eram os de Química e de Biologia). Enquanto os professores discutiam se aquilo era bom ou ruim, os alunos já haviam decidido que, sem saber se é bom ou não, “é o que todo mundo está fazendo”, e ninguém quer ser um “outsider”. A escola parece que não se importa em ser…  A escola tentou (tenta) controlar a tecnologia com regulamentação sobre uso de celular em suas dependências, criar regras e criminalizar os usos e “abusos”. Ou a escola muda ou os alunos mudam… de escola. Os jovens ligam-se em comunidades virtuais, aprendem colaborativamente e desqualificam a escola. Mas há uma coisa importante: nós valemos pelo que recusamos. Rejeitar também é uma forma de ser crítico e cético. Com a tecnologia, a escola tem que ser, ao mesmo tempo, crítico e cético, mas não voltar às costas para o problema.

revistapontocom Sempre quando se fala em TICs e educação, procuramos bons exemplos e práticas para serem, a medida do possível, reproduzidos em outras realidades. O senhor poderia indicar alguns exemplos e práticas?
Luiz Fernando Gomes – As “boas práticas” são sempre boas em seus contextos. Uma boa aula na sala “A” pode ser um desastre na sala “B” no mesmo dia, dada pelo mesmo professor. Decidir o que é bom, útil, necessário, não é papel do professor, da diretoria ou de qualquer outro superior hierárquico. O que é bom deve ser decidido e negociado com a comunidade/bairro onde a escola se insere. Entram todos: moradores, alunos, pais, professores, diretores, auxiliares. A comunidade é o currículo. É em função dela que as práticas devem ser adotadas e no olhar dela é que as práticas devem ser analisadas e criticadas.

revistapontocom – De que forma o seminário Hipertexto vem contribuindo para a melhoria da relação ensino/aprendizagem das e nas escolas?
Luiz Fernando Gomes
 – O professor da UFPE, Antonio Carlos Xavier, foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Estudos de Hipertexto e Tecnologia Educacional (ABEHTE) e seu primeiro presidente. Fez muito pela ABEHTE. Tem um trabalho consistente na área de estudos de hipertexto. A presidência da associação é itinerante: elege-se nova diretoria a cada dois anos. Uma das principais atividades da ABEHTE é a realização dos encontros nacionais. Os três já realizados foram coordenados pelas diretorias anteriores. Teremos, agora sob minha gestão, no IV Encontro mais de 400 pessoas dos quatro cantos do país. Isso mostra a quantidade de pesquisadores envolvidos com estudos sobre hipertexto e o cotidiano escolar. A quase totalidade dos trabalhos que será apresentado nos Grupos de Discussão refere-se a atividades desenvolvidas em sala de aula. São pesquisas de pesquisa de campo. O mesmo se pode dizer das oficinas e minicursos. Assim, embora a ciência não esteja vinculada à aplicação prática das teorias que desenvolve e dos processos que estuda, há uma relação muito consistente entre teoria e prática no caso dos estudos sobre hipertexto. Como os estudos sobre o hipertexto não são exclusividade de uma área do saber, o evento reúne pesquisadores das áreas de educação, lingüística, lingüística aplicada, comunicação, literatura e informática. Dentre eles muitos são professores também.

revistapontocom – O tema deste ano é a interface da escola com as redes sociais. Por quê?
Luiz Fernando Gomes – A ideia original da internet era conectar computadores de forma a distribuir os dados e informações, de modo a protegê-los, pois em caso de um ataque (era o tempo da Guerra Fria) num servidor, outros teriam os mesmos dados e informações. Com o advento dos PCs, a rede aumentou, mas logo se percebeu que a rede era mais que uma conexão entre computadores, e sim entre pessoas. Com os programas tipo Orkut e Facebook, a ideia era conectar não mais pessoas isoladas, mas ligá-las por algo que tivessem em comum. A isso se chamou redes sociais. De fato, esses programas mencionados não são redes – o termo social é praticamente desnecessário – o homem vive em sociedade, é um ser social, então suas redes de relacionamento são sociais! Essas redes apenas potencializam a formação de redes. A rede somos nós. As pessoas que delas participam desde, bem claro, que haja ações realizadas por seus membros! Uma rede é mais que ter nomes de pessoas ligados ao seu perfil! A maioria das pessoas inscreve-se nas redes para estarem juntas, para aumentarem sua visibilidade e seu capital social. Torna-se um “must”. As pessoas se encontram nas redes de que fazem parte, se identificam nas “comunidades” e sentem-se pertencendo a algum “lugar”  ou “turma” como se dizia antigamente. Não importa muito se isso é bom ou ruim. Bom é estar junto. Esse é o hiperindividualismo [conceito do sociólogo Gilles Lipovetsky]. Mesmo que os objetivos sejam pessoais ou egoístas, as pessoas se inscrevem em comunidades. Interessante, pois comunidade indica ter algo em comum. Às vezes têm mesmo, mas pode ser também que o que haja de mais em comum entre eles seja o individualismo. Do mesmo modo que falamos sobre educação, as redes vão se formando. O conceito original se perde e logo vem outra novidade, sem que tenhamos digerido a de ontem. 

revistapontocom – Então o que podemos esperar no evento deste ano?
Luiz Fernando Gomes – O evento tenta dar um passo além nessa discussão sobre as tais redes sociais. Propusemos como tema a discussão sobre os usos sociais da escrita (letramento) e do computador conectado e seus reflexos sobre as comunidades. Queremos discutir de que modo a tecnologia tem abalado ou provocado a escola no sentido de olhar além de seus conteúdos programáticos tradicionais e incluir neles o uso das linguagens verbal, audiovisual e verbovisual para, por exemplo, conectar pessoas e comunidades entre si. Entender como se dão os processos de letramento na educação não-formal, nas lan houses e quiosques e a cultura da transmídia. Esperamos que os pesquisadores voltem para suas instituições e salas de aula inspirados não apenas a inserir tecnologia no cotidiano escolar, mas dispostos a provocar mudanças profundas nos modos como nos relacionamos com a escola, com a educação e com a sociedade.

Seu filho é leve, médio ou excelente?

Dia 12 de outubro vem aí. A data é sinônimo de brinquedo para as crianças e de gastos para os pais. Bem, isso para quem de fato pode ou é convencido pelas inúmeras ofertas dos cartões de crédito, parcelamentos e pré-datados. A data não pode passar em branco, pelo menos para as crianças. E nesta queda de braço, elas estão com tudo e com um forte aliado: a indústria.

Não tenha dúvida, a indústria mundial de brinquedos, mais uma vez, virá com todo o seu encantamento para atrair a garotada. No Brasil, há uma revista especializada no assunto. Chama-se Revista Brinquedo. A matéria de capa da última edição traz as novidades para o Dia das Crianças. E uma pesquisa realizada este ano com 3.936 crianças, dos 7 aos 14 anos, da Austrália, França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido. A ideia era avaliar com que freqüência as crianças compram brinquedos sozinhas, mensurar o nível de conhecimento, por parte delas, dos nomes dos produtos e identificar as principais fontes de informações que a garotada usa para saber quais brinquedos comprar.

A pesquisa é apresentada por Philippe Guinaudeua, CEO do Kids Global, empresa de consultoria e pesquisa de mercado. O objetivo final do estudo é promover novas estratégias de marketing para vender mais. Uma das propostas do levantamento é conhecer quem são, afinal, os clientes infantis e segmentá-los em clientes leve, médio ou excelente.

Confira o resumo escrito pelo CEO e veja como a indústria está de olho nas crianças.

Resumo da pesquisa

A maioria das crianças de 7 a 14 anos compra brinquedo sozinha, logicamente, mais o grupo dos 10 aos 14 anos do que os mais novos. No entanto, os mais novos comprariam brinquedos sozinhos com mais frequência do que os mais velhos, pois este último grupo deixa o mercado de brinquedos mais cedo.

A grande maioria (mais de 80%) das crianças está extremamente consciente sobre o que pretende comprar. Além disso, quando elas sabem o que querem, elas predominantemente conhecem o nome do produto (cerca de 60%).

Os meninos são um pouco mais cientes do que as meninas sobre o que vão comprar. Isso é especialmente verdadeiro na França, onde 91% dos meninos conhecem o brinquedo pelo nome ou pelo tipo; para as meninas francesas essa porcentagem é de 78%.

Amigos, comerciais de televisão e presença na prateleira são os principais componentes para informar as crianças sobre os brinquedos que elas vão comprar. Na Austrália e na França, os catálogos dos varejistas têm uma forte contribuição em seu sistema de informações.

Recomendações para os distribuidores

1 – Desenvolver estratégias de boca a boca para fazer com que as crianças falem sobre seus produtos.

Peça para que elas experimentem seu produto, em um programa de amostras (se fizer sentido), tours de concursos, uso de produto por celebridade de seu interesse… Isso criará estímulo e recomendações verdadeiras.

Implemente uma pesquisa comunicada para fazer com que as crianças sintam-se parte da empresa. Se você tiver seu feedback e criar plataformas online/móveis para que elas saibam que você está interessado, você terá a sua atenção. Use o mundo eletrônico para anunciar futuros produtos, eventos especiais ou tours…

Ofereça um fórum para os formadores de opinião conversarem em nome de sua marca.

2 – Desenvolver displays específicos para as crianças nas lojas. Fornecer informações e preços iniciais para permitir que elas comprem seus brinquedos dentro de seu próprio orçamento; e criar produtos mais sofisticados para os pais comprarem.

Recomendações para os varejistas

1 – Atrair as crianças na loja com displays voltados especificamente para elas.

2 – Implementar  uma estratégia de marketing de fidelidade para aumentar as recompras pelas crianças. Inicialmente, conhecer quem são os clientes infantis, segmentá-los em clientes leve/médio/excelente.

Fonte – Revista Brinquedo

Boas práticas em jornalismo e educação

A interface entre jornal e educação no Brasil vai bem, obrigado. Bem, pelo menos na visão dos jornalistas que fazem parte do júri da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA). Três projetos – dos jornais A Gazeta (ES), Jornal da Manhã (PR) e Gazeta do Povo (PR) – foram reconhecidos pelo Prêmio Jovens Leitores, criado pela instituição para destacar os jornais que criam bons projetos e ou atividades para atrair jovens leitores. Na edição deste ano, foram avaliados 24 propostas de diferentes países. Os vencedores serão homenageados no Congresso Mundial de Jornais, no dia 12 de outubro, em Viena.

Confira os premiados:


Prêmio Connecting with mobile (Menção especial)
Jornal de Manha (Paraná)
Projeto Vamos Ler, do Jornal da Manhã (PR), recebeu uma menção especial na categoria Mobile, por seus workshops com celular para estudantes. O jornal ofereceu às escolas uma oficina de fotojornalismo, no qual os alunos aprenderam noções básicas da área por meio dos celulares. O projeto do uso do celular para aprender fotojornalismo estava ligado a uma proposta do uso do celular na educação. Professores receberam capacitação.
 

Prêmio Newspapers in Education
Gazeta do Povo (Paraná)
O projeto Ler e pensar ganhou o Top Prize na categoria NIE (Newspaper in Education Program – Programa Jornal e Educação). Ou seja, foi considerado o melhor projeto de Jornal e Educação do mundo este ano, entre os concorrentes. Por meio dele, o jornal teve o objetivo de promover o hábito de leitura entre os estudantes, auxiliando na melhoria dos indicadores educacionais relativos à leitura e interpretação de textos. Com apoio de universidades, o projeto visa também a preparar crianças e jovens para o exercício da cidadania.

 

 

 

Prêmio Newspapers in Education (Recomendação do júri)
Gazeta do Povo (Espírito Santo)
Projeto desenvolvido por dois professores mostra como a parceria entre educação e jornal é possível e rende bons frutos, como uma intensa mobilização social e resgate da cultura local. Inspirados pela publicação de uma história sobre o destino das casas dos imigrantes Pomeranos (etnia descendente de tribos eslavas e germânicas) no Paraná, dois professores, capacitados em oficinas sobre jornal e educação, estimularam seus alunos a refletir sobre o resgate da cultura de um povo da região.

Bebida alcoólica é para maiores de 18 anos

A Ambev (Companhia de Bebidas da América) lançou esta semana o movimento +ID que estimula o consumo responsável de bebida alcoólica. A iniciativa tem o objetivo de, com o apoio e a conscientização da sociedade, proibir a venda de bebidas para menores de 18 anos.

Para divulgar a iniciativa, serão veiculadas na TV aberta e no cinema propagandas que chamem a atenção do público para a informação que cerveja é para maiores de 18 anos. Além disso, haverá materiais impressos e digitais espalhados em bares, lanchonetes e supermercados. De acordo com o órgão, todas as ações de combate à venda de bebidas para menores ganham um ícone, o +ID, que estimula a apresentação de documento de identidade no momento da compra de bebidas.

“A partir de hoje, este ícone representa um convite para que a sociedade se engaje nesta causa”, destaca a Ambev. revistapontocom pergunta: A ação da Ambev é bem-vinda, mas não deveria haver uma campanha sobre o consumo consciente da bebida alcoólica? Afinal, o problema é a venda para menores apenas? Então quem tem mais de 18 anos pode beber à vontade? Para começar o movimento, a Ambev colocará o símbolo nas embalagens de suas principais marcas, como Skol, Brahma e Antarctica, em campanha de conscientização e em cartazes e adesivos nos bares e restaurantes. O consumidor poderá conferir essa novidade já a partir deste mês.

Em Brasília

O presidente da Comissão Parlamentar de Estudos sobre Políticas Públicas de Combate às Drogas, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), disse, nesta quinta-feira, durante o Seminário Nacional de Políticas Públicas de Combate às Drogas, em Brasília, que o grupo de trabalho tem uma nova missão: acabar com a propaganda de bebida alcoólica na televisão. “A propaganda para incentivar o uso de uma droga como o álcool é totalmente errada. Hoje a gente vê a propaganda de bebida alcóolica em competição de futebol. Existe a hipocrisia de que o álcool é uma droga leve, mas é, na verdade, extremamente perigosa”, disse.