Mais uma hora na escola. O que você acha?

Dirigentes do Ministério da Educação acertaram o diálogo e vão propor ao Congresso Nacional o aumento da carga horária de aulas nas escolas das redes pública e privada de Ensino Básico. O objetivo é aumentar a carga horária diária e não os dias letivos, que continuarão no total de 200. A ideia é adicionar uma hora na jornada diária, que passaria de quatro para cinco horas. A decisão foi anunciada esta semana pela secretária de Educação Básica do ministério, Maria do Pilar Lacerda. O prazo para que as escolas se adaptem, caso a medida seja aprovada, será de quatro anos. Segundo MEC, aumentar o tempo que os alunos ficam dentro da sala de aula pode ajudar a reduzir a desigualdade na Educação, e melhorar a educação em até 44%.

leitor da revistapontocom – o que você acha da proposta? comente.

Bibliotecas públicas unidas

A Fundação Biblioteca Nacional anunciou, esta semana, a criação do Cadastro Nacional de Bibliotecas Públicas. O objetivo é mapear todas as bibliotecas de acesso público existentes no país, sejam municipais, estaduais, comunitárias, rurais, escolares, universitárias, especializadas ou Pontos de Leitura. Administrado pelo Sistema Nacional de  Bibliotecas Públicas, o banco de dados deve reunir todas as informações disponíveis sobre acervo, serviços,  infraestrutura e usuários.

Clique aqui e leia entrevista com a bibliotecária Marília Dias

Para inserir os dados, as bibliotecas públicas, escolares, universitárias e especializadas devem ser cadastradas pelos órgãos públicos, ou privados aos quais estão vinculadas, a partir do CNPJ da instituição. Já as bibliotecas comunitárias e os pontos de leitura poderão ser cadastrados a partir do CNPJ da instituição mantenedora, ou pelo CPF do responsável pela biblioteca/ponto de leitura.

Ter os dados atualizados no Cadastro Nacional de Bibliotecas Públicas é uma condição, a partir de agora, para receber recursos e participar das ações de modernização e ampliação e atualização de acervos desenvolvidas pela Fundação Biblioteca Nacional. Este será o primeiro passo, de acordo com o presidente da  Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, para o  fortalecimento do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas.
Fonte: Conselho Regional de Biblioteconomia

 

Plano Nacional de Educação

O relator da proposta que cria o Plano Nacional de Educação (PNE), deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), pode divulgar ainda nesta semana seu parecer sobre as quase 3 mil emendas apresentadas ao projeto (PL 8035/10). Encaminhado pelo governo em dezembro do ano passado, o PNE define as metas da educação brasileira para os próximos dez anos.

Uma das principais metas até 2020 é a universalização do ensino para toda a população de 4 a 17 anos de idade. A meta que mais vem causando controvérsias, no entanto, é o investimento público em educação. Hoje, União, estados e municípios aplicam, juntos, cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) na área. A proposta do PNE prevê a ampliação para 7%. Entidades da sociedade civil, porém, pedem pelo menos 10%.

A proposta do PNE contém 20 objetivos e 170 estratégias. Os objetivos abrangem temas como a oferta de ensino em tempo integral em 50% das escolas, a duplicação das matrículas do ensino profissional, o alcance de índices mínimos de qualidade da educação básica e a melhoria do salário dos professores.

Clique aqui e leia na íntegra

Metas previstas na proposta do PNE 2011-2020

– Investimentos públicos
Até 2020: Ampliar progressivamente o investimento público em educação até atingir, no mínimo, 7% do Produto Interno Bruto do país.

– Professores
Até 2013: Assegurar a existência de planos de carreira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de ensino. Até 2020: Garantir que União, estados, Distrito Federal e municípios colaborem para que todos os professores da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam; Formar 50% dos professores da educação básica em nível de pós-graduação lato e stricto sensu; Garantir a todos os docentes formação continuada em sua área de atuação; Valorizar o magistério público da educação básica para aproximar o salário médio do professor com mais de onze anos de escolaridade ao rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente.

– Diretores de escolas
Até 2020: Garantir, mediante lei específica aprovada no âmbito dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, a nomeação de diretores vinculada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à participação da comunidade escolar.

– Educação Infantil
Até 2016: Universalizar o atendimento escolar da população de quatro e cinco anos de idade. Até 2020: Ampliar a oferta de educação infantil para atender a 50% da população de até três anos de idade.

– Ensino Fundamental
Até 2020: Universalizar o ensino fundamental de nove anos para toda a população de seis a 14 anos de idade.

– Ensino Médio
Até 2020: Elevar a taxa de matrículas no ensino médio para 85% da população entre 15 e 17 anos.

– Educação profissional
Até 2020: Oferecer pelo menos 25% das matrículas dos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA) de forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio; e  duplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta.

– Ensino Superior
Até 2020: Elevar a taxa bruta (índice que leva em consideração todas as faixas etárias) de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta; Ampliar a atuação de mestres e doutores nas instituições de ensino superior para, no mínimo, 75% do corpo docente em efetivo exercício. Desse grupo, pelo menos 35% devem ser doutores; Expandir gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu, a fim de formar anualmente 60 mil mestres e 25 mil doutores.

– Educação em tempo integral
Até 2020: Oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de educação básica.

– Atendimento inclusivo
Até 2020: Universalizar, para a população de quatro a 17 anos de idade, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades (ou superdotação) na rede regular de ensino.

– Alfabetização
Até 2015: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5%. Até 2020: Alfabetizar todas as crianças até, no máximo, os oito anos de idade; e erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional (quando a pessoa lê e escreve, mas não compreende os textos).

– Igualdade
Até 2020: Elevar a escolaridade média dos cidadãos de 18 a 24 anos, a fim de assegurar, pelo menos, 12 anos de estudo para as populações do campo, das regiões de menor escolaridade e dos 25% mais pobres; Igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com o intuito de reduzir a desigualdade educacional.

– Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)
Até 2020: Atingir as seguintes médias nacionais no Ideb, criado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) em 2007 para avaliar o desempenho dos estudantes dos ensinos Fundamental e Médio em Língua Portuguesa e Matemática.

Oficinas de mídias acessíveis

Uma boa notícia para os jovens cariocas: a OSCIP Escola de Gente vai oferecer 75 vagas em três comunidades do Rio para as Oficinas de Mídias Acessíveis. Voltado para jovens, com ou sem deficiência, na faixa dos 15 aos 29 anos, o curso tem o objetivo de disseminar diversas formas de comunicação inclusiva. O lançamento do projeto está marcado para o dia 26 deste mês, no Centro Integrado de Atenção à Pessoa Portadora de Deficiência, localizado no Centro do Rio.

“Queremos que os jovens, a partir das oficinas, possam disseminar esses conteúdos em todas as suas ações da vida cotidiana. Que possam produzir com acessibilidade produtos como livros, vídeos, espetáculos teatrais e até mesmo programas de rádio, descobrindo como não discriminar determinadas condições humanas, o  que naturalmente fortalece as redes de juventude das comunidades e fomenta uma mentalidade inclusiva e cidadã”, avisa Claudia Werneck, jornalista, empreendedora social e fundadora da Escola de Gente.

As inscrições podem ser feitas  no local do lançamento do projeto ou através do  e-mail da Escola de Gente (escoladegente@escoladegente.org.br)

Acompanhe a entrevista que Claudia Werneck concedeu à revistapontocom:

revistapontocom – O que os participantes aprenderão neste curso?
Claudia Werneck – Através dessa iniciativa, 75 jovens com e sem deficiência terão acesso a conteúdos e práticas que os colocarão em contato com as diversas formas de comunicação acessível.  As oficinas serão lideradas por especialistas em acessibilidade no Brasil, incluindo integrantes da equipe técnica da Escola de Gente. As aulas apresentarão conteúdos inéditos para a maioria destes jovens, como audiodescrição, língua de sinais brasileira, braile, legendas eletrônicas, entre outros. Nosso objetivo é que eles possam disseminar esses conteúdos em todas as suas ações da vida cotidiana. Que possam produzir com acessibilidade produtos como livros, vídeos, espetáculos teatrais e até mesmo programas de rádio, descobrindo como não discriminar determinadas condições humanas, o  que naturalmente fortalece as redes de juventude das comunidades e fomenta uma mentalidade inclusiva e cidadã.

revistapontocom – Durante o próprio curso, os alunos colocarão em prática os ensinamentos?
Claudia Werneck – Sim. Durante o curso, os participantes viverão a prática porque a formação será finalizada com a produção de uma cartilha acessível, elaborada pelos próprios jovens e pela equipe técnica da Escola de Gente. Tudo será documentado de formar a garantir que jovens com deficiência participem de todo o processo e tenham seus direitos à comunicação garantidos.

revistapontocom – Qual é a duração do curso?
Claudia Werneck – Cada módulo tem 60 horas. Um módulo é de sensibilização em Libras (4 horas por semana) e o outro oferece conteúdos de audiodescrição e livro falado (3 horas por semana). Além disso, a Escola de Gente realizará oficinas inclusivas, que trabalharão conceitos como diversidade, inclusão, não-discriminação, oficinas de teatro e inclusão, entre outras metodologias participativas durante as aulas.

revistapontocom – É a primeira vez que a Oscip oferecerá este curso?
Claudia Werneck – Esse projeto é um sonho antigo da Escola de Gente: reunir formação de juventude, disseminação de conteúdos acessíveis e trabalho em comunidade. Com apoio do programa Oi Novos Brasis – o projeto foi um dos selecionados na 7º edição do programa -, vamos conseguir oferecer essas oficinas pela primeira vez.

revistapontocom – Por que criar e oferecer este tipo de oficina?
Claudia Werneck – Segundo dados do Censo Demográfico/2000 do IBGE, o Brasil tem a maior geração de jovens de todos os tempos. São 48 milhões de brasileiros com idade entre 15 e 29 anos, sendo mais de seis milhões com pelo menos uma deficiência – 14,7% do total de jovens. De acordo com a Organização das Nações Unidas, 82% das pessoas com deficiência no mundo vivem abaixo da linha da pobreza, sendo grande parte na faixa da infância e juventude. Com o cruzamento, raça/etnia e pobreza e deficiência, percebemos que esta população é ainda mais discriminada porque é a soma de vários estereótipos. Para reverter este quadro é preciso investimento em formação em acessibilidade na comunicação, pois é onde ocorre a maioria dos processos de discriminação.

revistapontocom – E totalmente diferente das oficinas de mídias que já são oferecidas aos jovens?
Claudia Werneck – A Escola de Gente quer trabalhar o direito à comunicação e à participação de jovens com e sem deficiência por meio de metodologias participativas criadas pela organização. São mídias ainda desconhecidas da maioria da população, incluindo os jovens, que desconhece direitos garantidos na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU, da qual o Brasil é signatário, e tem valor de norma constitucional em nosso país. A ideia é que elas aprendam esses conteúdos antes de chegarem ao mercado de trabalho, tornando-se profissionais mais aptos para lidar com a diversidade humana.

Plágio: o que fazer?

Por Joaquim Luís Coimbra
Professor na Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, Portugal

A generalização das práticas de plágio é, entre outros aspectos, um sinal positivo dos tempos que correm. Entendamo-nos: mais jovens e mais diversos, quanto a muitas das suas características pessoais e sociais, acedem, hoje em dia, ao ensino superior, o que configura um fenómeno de massificação, ainda que não de democratização.

A Universidade perdeu uma parte de elitismo que, no passado, foi a sua marca distintiva. Os modos de socialização para a vida académica também se diversificaram, as proveniências sócio-económicas e culturais dos alunos alargaram-se: jovens com níveis bem distintos de capital social encontram-se na Universidade. A contrapartida de tal diversidade é que trouxeram para o contexto académico novos comportamentos, atitudes, necessidades e até problemas, que não eram habituais no passado.

Obviamente, os níveis de preparação para a aprendizagem de nível universitário são, hoje, também menos uniformes. A combinação deste complexo panorama com a facilidade de acesso a suportes tecnológicos de memória (não será o mero “decorar” ou “marrar” uma antiga e não reconhecida modalidade de plágio?), de disponibilidade constante e imediata, são parte da mistura quase explosiva que explica o aumento inédito de fenómeno de plágio.

Não caiamos, no entanto, na fácil e tentadora tendência de entender tal problema a partir dos estudantes e da sua atávica inclinação, quase natural, para a preguiça, o facilitismo e a aversão ao trabalho.

O plágio, como sinal, fornece uma excelente oportunidade para reflectir sobre o que a Universidade faz da juventude que a frequenta. Sem procurar identificar os antecedentes susceptíveis de explicar o problema em toda a sua abrangência e profundidade, a verdade é que a Universidade se encontra num processo de hiperespecialização que se exprime numa desinstitucionalização.

“A Universidade é uma indústria”

Em suma, e assumindo a hiperbolização admissível numa crónica, a Universidade é uma indústria. A expressão que marcou a viragem profunda no modo como as opções políticas começaram a transformar por dentro a universidade, no início da década de 80, “university-for-industry”, sugere ou requer uma actualização “industry-for-industry”.

A sua funcionalização, proletarização e instrumentalização têm vindo a pô-la de joelhos perante o mercado, a participar no jogo mercantil, a esvaziá-la da sua substância e, até, surpreendentemente, a alheá-la da sua relação com o trabalho e com a responsabilidade que aí deveria assumir (não confundir com a retórica da empregabilidade nem com a leviandade do empreendedorismo incondicional).

O que tem vindo, progressivamente, a ficar de fora? A capacidade de, pela via do conhecimento, questionar o mundo em que se vive, a possibilidade de imaginar transformações nele, a prática reflexiva rigorosa, abstracta e complexificante, a participação e contribuição no e para o saber, cultura e artes: enfim, as condições no seio das quais se desenvolvem pessoas e cidadãos autónomos.

Ao contrário, a mensagem implícita mais eficaz que, hoje em dia, a Universidade tende a transmitir está nos antípodas da autonomia: a confusão de meios com fins. Tudo é assimilável a “caixas de ferramentas” de que importa conhecer como funcionam, mesmo desconhecendo os fins, imediatos, mediatos ou últimos (culturais, políticos, económicos, tecnológicos, científicos) do seu uso. A funcionalização, tecnicização e “ferramentalização” da Universidade vão-na transformando numa enorme caixa de ferramentas que dispensa, além do mais, o trabalho de cada um pensar por si próprio.

O que fazem, neste contexto, os estudantes que plagiam? Limitam-se a recorrer, diligente e eficazmente, a uma “caixa de ferramentas” adaptada aos seus objectivos imediatistas e compatível com a incultura que tacitamente lhes é transmitida, em nome de um produtivismo desprovido de sentido e de uma competitividade que não se ousa questionar. Que desafio está, então, posto à Universidade?

Cultura digital na contemporaneidade

Na segunda-feira, dia 17 de outubro, o antropólogo italiano Massimo Canevacci esteve na Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo (ECA-USP) para ministrar a palestra Fake consumers: Cultura digital e urbana na contemporaneidade: crossing falso e verdadeiro. Reconhecido por romper com métodos clássicos da história e por explicar a metrópole contemporânea e sua relação com o meio digital, Canevacci falou sobre a relação entre comunicação, metrópole e fetichismos visuais.


Foram responsáveis pelo evento o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM), o CRP, o Grupo de Estudos Semióticos em Comunicação, Cultura e Consumo (GESC3), o Centro de Comunicação Digital e Pesquisa Partilhada (CEDIPP) e o Grupo de Estudos e Pesquisas e Efeitos de Comunicação (GEPEC).

HQs também se aprende na escola

 

Aprender a fazer uma história em quadrinhos enquanto lê uma história em quadrinhos? Essa é a proposta de Quadrinhos – Guia Prático, publicação da Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio – MultiRio que começa a ser distribuída às escolas da Rede Municipal do Rio de Janeiro e às salas de leitura póo. O objetivo da publicação é auxiliar professores e os alunos no desenvolvimento de atividades em sala de aula que utilizem a linguagem dos quadrinhos.

Leia a entrevista com o professor Waldomiro Vergueiro, da USP, especialista em HQs
clique aqui

O guia prático apresenta os principais conceitos utilizados na criação de histórias em quadrinhos (HQs), como o tempo da narrativa, o uso de balões e letras, o desenho de personagens e a elaboração de roteiros. Além da seção Trocando Ideias, que apresenta curiosidades e técnicas, e um passo a passo para o aluno desenvolver uma HQ.

Para a professora Cleide Ramos, presidente da MultiRio, a publicação investe no surgimento de novos talentos nas escolas. “Em um fascículo de metalinguagem como Quadrinhos – Guia Prático, é possível exercitar a arte das HQs em processos criativos, quando novos talentos poderão surgir e, se estimulados, ser bem-sucedidos. Mais ainda, esta publicação poderá favorecer mestres e alunos no exercício da visão crítica para a leitura do mundo atual”, afirma.

Hoje, alguns desenhos criados por alunos já estão presentes nas edições bimestrais dos boletins O Tagarela e Entre Jovens, produtos produzidos pelos estudantes da rede municipal de ensino do Rio que são distribuídos nas escolas pela MultiRio. De acordo com Cleide, em breve a será lançado um curso de capacitação sobre HQs para as escolas municipais.

Na sociedade de hoje, quem educa quem e como?

Confira os cinco autores das melhores reflexões sobre a pergunta acima, proposta pela revistapontocom para celebrar, hoje, Dia 15 de outubro, o Dia do Professor. As professoras receberão, gratuitamente, o livro Por dentro dos meios, do planetapontocom que traz uma análise e dicas sobre a importância do uso das diversas linguagens de mídia na sala de aula

Feliz Dia do Professor!

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A palavra Educação tem múltiplos significados e se tratando das escolas, como um todo, podemos afirmar que a sociedade de hoje passou para os professores  o papel de educar, aquela educação base, que vem de casa, ou deveria vir. Pouquíssimas famílias conseguem cumprir este papel de educação familiar. Infelizmente por conta da transformação sociopolítica e econômica da nossa sociedade e mundo, os responsáveis das famílias se ausentam por horas e dias sem conseguir acompanhar seus filhos e filhas, empurrando a escola esta função a mais. E nesse vai e vem de histórias, tropeços e vitórias, vai rolando a tão chamada educação. A escola, o professor ficou com mais este papel: EDUCAR. Educar para aprender, para somar, para compartilhar e para saber viver melhor diante do enorme gigante da irresponsabilidade social que gira sem parar. E como? Lançando mão de seu tempo de aula, de seus conteúdos e planejamentos a cumprir e de sua missão de visão e futuro a realizar. Neste sentido, assim se insere no Projeto Político Pedagógico mais um item: Educação Familiar.

“Faça o necessário, depois o possível, de repente, você, estará fazendo o impossível.”
 Autor desconhecido

Cristiane de Souza Couto
Professora

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Em uma sociedade midiática, como a atual, o educador é na realidade um coautor de conhecimentos juntamente com seus alunos, reelaborando conceitos através do confronto de informações obtidas por meio de diversas fontes e através da comparação, levando os alunos a questionarem o que parecia estar pronto e acabado. A educação nasce no convívio consciente com o outro, na troca de vivências, informações, exemplos práticos e dinâmicos, que possibilitam mudanças e amadurecimento nos aspectos sócio-cognitivo, emocional e cultural. Quem educa quem e como esse processo ocorre? Bem, na realidade uns aprendemos com os outros no convívio, na prática, na troca ou até mesmo na imitação dos exemplos, no confronto e na formação de ideias próprias. Na sociedade da “infoeducomunicação”, o processo educativo pode ocorrer através dos recursos midiáticos, que favorecem a troca e construção do conhecimento, por exemplo, as redes sociais, jogos virtuais, comunidades, blogs, portais, sites, entre muitos outros. Como diria o educador Paulo Freire: “Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” (Pedagogia do Oprimido. 9 ed., Rio de Janeiro. Editora Paz e Terra. 1981, p.79). Esse mundo de vasta informação, educação e comunicação, hoje, pode estar bem na frente dos alunos e educadores seja pela TV, rádio, jornais e revistas, pelo celular ou até mesmo pelo computador e outros recursos tecnológicos. A educação se faz na coletividade e não isoladamente, pois todos somos detentores de algum tipo de saber, basta apenas estar disposto a compartilhar, confrontar e reformular os conhecimentos.

Deise Borges Barbosa Lourenço
Professora 

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Tudo na vida é troca. Na educação não é diferente. Ela é um ato de socialização, interação e integração. Aprendemos e ensinamos há todo momento. Seja com o aluno, com os pais, com os filhos ou com qualquer outra pessoa. Aprendemos até com a natureza, pois quando fazemos algo de errado ela reclama. Os animais nos ensinam e nós, ensinamos a eles. Aprendemos com nossos erros e acertos e dos outros, também. Aprendemos desde o minuto em que somos fecundados até o último suspiro. Não há um único ser que não tenha algo a aprender ou a ensinar, desde o mais humilde ao mais sábio. Portanto, todos ensinam e todos aprendem. Como? Trocando os ensinamentos!

Helena Lazzaro Fernandes
Professora

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Hoje, educar é sinônimo de compartilhar, colaborar. É no conjunto de saberes compartilhados entre todos, professores, alunos, dirigentes e mídias, que se faz mais do que uma escola ou um sistema educacional, mas um povo. O saber está em tudo, do conhecimento científico ao popular, e é este saber que deve circular e ser entendido, compartilhado, vivido. Sábio hoje é aquele que promove o respeito às diferentes culturas, o desenvolvimento sustentável, o conhecimento e reflexão sobre os problemas nacionais, a compaixão com as dificuldades e limitações de cada um. Aquele que ouve, discute, reflete e age em prol de uma educação para e por todos. As novas tecnologias, uso do computador e internet, são recursos importantes na comunicação e no aprendizado, mas uma educação de verdade, onde todos participam deve promover acima de tudo, independente da utilização de recursos tecnológicos, o diálogo.

Josefina Giacomini Kiefer
Professora

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Todos nós. Não há relação afetiva, emocional e social que não ocorra a troca. E onde há troca, haverá um aprendizado. Em todos os momentos de nossa vida, do nascer até ao envelhecer. Em alguns momentos, uma troca dolorosa, em outra, prazerosa. Mas, uma troca. Aprendemos com os alunos, com discípulos, com pessoas, mais simples e mais complexas. Aprendemos com o erudito e com o analfabeto, por completo. Engana-se quem acredita que o professor, o educador e ou mestre são os únicos com a grande tarefa de educar. Quando conseguirmos retirar a venda que nos cobre os olhos, poderemos ver que o conhecimento pode ser adquirido de forma autodidata, mas o aprendizado depende da relação humana. Relação de troca. Sou grata, quantas vezes me fizeram aprender e reaprender o meu ver. Hoje, aprendo de outro modo, o ver e o ouvir. Aprendo e ensino em outra função, mas também educo. Educo pai, mãe, filhos e irmãos. Em todo e qualquer estabelecimento de ensino, em qualquer função se educa, mesmo quem pensa que não. Toda a sociedade tem a função de educar: pais, mães, médicos, motoristas, guardas de trânsito, cozinheiros, todos. Sem exceção. Inacreditavelmente escutei um profissional de ensino dizer não quer ser Educador, mas apenas um instrutor, repassar conhecimento, como um orador. Como se o conhecimento não fosse construído diante de tantas e tantas pesquisas ao longo dos tempos. Para que seja comprovado e aprovado. Quantas Alexandrias foram queimadas! Quantos conhecimentos foram perdidos e roubados! Quantas vidas foram doadas! Tentamos instruir meninos e meninas para os valores legais e construtivos e assistimos diante de nossos olhos a uma suposta evolução social, onde valores são vendidos de forma deturpada, inconsequente e corrupta. O homem nem mais como moeda legal! Inconscientemente evitamos a troca e consequentemente o aprendizado! Isso faz lembrar um trecho de uma música: “Quem é que vai pagar por isso?”, do Lobão. “Quem é que vai pagar por isso?”

Patricia da Silva Nascimento
Professora

Paz nas escolas, respeito ao professor

A Unesco lançou a campanha “Paz nas escolas, respeito ao professor” em homenagem ao Dia Mundial e ao Dia Nacional do Professor, comemorados nos dias 05 e 15 de outubro, respectivamente. Os alunos podem participar dessa campanha e concorrer a uma blusa Osklen/Unesco.

Para entrar na disputa é necessário responder à pergunta nas redes sociais da Unesco: como valorizar e respeitar nossos professores e fazer da escola um lugar de paz? Os autores das melhores respostas (um menino e uma menina) ganharão a blusa e terão suas respostas publicadas no twitter e facebook da Unesco no dia 15 de outubro.

Para mais informações, entre no site http://www.unesco.org/brasilia ou acesse facebook.com/unesconarede e @unescobrasil no twitter.

A revolução educacional

Por Thyago Taian da Rocha Ziderich e Mariana da Silva Barbalho
Alunos do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual José Leite Lopes
Núcleo Avançado em Educação

Vivemos dias em que os meios tecnológicos cada vez mais nos oferecem alternativas para a melhoria de diversas áreas da sociedade. Um desses setores é a educação, onde a tecnologia bem usada pode vir a revolucionar o jeito que os alunos vêem a escola.

Não basta mais termos em sala de aula professores ensinando conteúdos de maneira tradicional e mecânica, se fora daquele espaço de ensino existe um crescente mundo virtual e tecnológico que cada vez mais faz parte do cotidiano dos estudantes. É preciso que a escola e os professores repensem sua metodologia de trabalho e procurem alternativas para introduzir a tecnologia no contexto das aulas, contribuindo para um melhor aprendizado dos estudantes.

Existem diversas maneiras para que a instituição de ensino e os profissionais da mesma usem a tecnologia de forma construtiva e interativa, através do computador e principalmente da internet. A internet, para fins pedagógicos, permite ao aluno uma interação impressionante, além de possuir possibilidades inesgotáveis de pesquisa.

É preciso que os professores ensinem e estimulem os alunos a utilizarem novas mídias, tais como a internet, blogs, o que irá contribuir muito para aumentar a motivação e o interesse dos mesmos, preparando – os para um mundo cada vez mais globalizado e tecnológico.

O uso de redes sociais como o facebook, o Orkut, o MSN, entre outros, também tem tudo para estimular cada vez mais os alunos. Usar essas redes como ferramentas de debates virtuais, mobilizações para entregas de trabalhos e formas de conhecimento, fará com que o aluno tenha um interesse e estímulo de ir à escola, jamais presenciados antes.

O fato de se ter projetores e quadros interativos nas salas de aula seria outra novidade muito interessante para alunos e professores. Os educadores não precisariam mais se desgastar tendo que copiar longas matérias no quadro. Em vez disso, poderão preparar apresentações para serem exibidas nos quadros interativos e consequentemente os alunos não tendo que copiar longas matérias, poderão se concentrar mais na explicação do orientador e posteriormente, ter acesso ao conteúdo dado.

É importante citar também que os professores, para fazerem com que suas aulas fiquem mais dinâmicas e interessantes, precisam ter estrutura para isso. A escola deverá oferecer aos professores recursos e formação que nos possibilitem a fazer uso de todas as práticas citadas nos parágrafos acima. As escolas que não possuem estrutura suficiente para isso precisam e devem mudar rapidamente, pois computadores e internet disponíveis aos alunos são algo que a instituição de ensino deve oferecer aos professores como ferramenta de trabalho.

Todas essas melhorias tecnológicas no âmbito educacional contribuirão para um melhor rendimento dos alunos, que não mais considerarão a escola como um lugar enfadonho, e sim como uma oportunidade de aprender coisas novas e interessantes. Dessa forma, poderemos construir um país melhor, onde a educação ocupe um lugar privilegiado.

Dia do professor: participe da promoção

Afinal, na sociedade de hoje, quem educa quem e como?

“Difícil responder de forma breve e objetiva a essa indagação. Acredito que não apenas hoje a educação se realize através de um conjunto de experiências que produzam sentido na vida das pessoas. E isso transcende as pedagogias instituídas e os saberes disciplinares. Educar é um modo de afetar os sujeitos, é fazer com que o conhecimento ecoe nos campos da percepção e, assim, amplie modos de ver, pensar e agir. Nesse esteio de reflexão, a escola deve ser percebida como mais um ponto na teia de produção do conhecimento. A educação efetua-se em dobras diversas: a família, as turmas, a escola, a internet e nos mais variados campos de sociabilidade. É um ato ativo, plural e participativo. Por isso, a educação não combina com assimetria, com a atuação do professor como sendo a única fonte “repassadora” de conhecimento. O Aluno traz para a sala de aula seus códigos de aprendizagem, suas visões de mundo, seu lastro de sabedoria e, no encontro com o educador, estabelece e fertiliza um campo de mútua aprendizagem”

Faça como a professora Glória Diógenes, doutora do programa de pós-graduação em sociologia da Universidade Federal do Ceará, responda a questão e participe do sorteio do livro Por dentro dos meios.

A obra, uma publicação do Planetapontocom, apresenta a importância das diferentes linguagens e meios de comunicação no dia a dia da escola. O livro traz discussões sobre o tema midiaeducação, sugerindo, inclusive, formas de trabalhar o conteúdo na sala de aula. Os autores das cinco melhores reflexões ganharão um exemplar.

A resposta de até 10 linhas deve ser enviada para o e-mail revistapontocom@planetapontocom.org.br, com nome, profissão e contato. Ou se preferir, curte a página da revistapontocom no facebook e deixe lá a sua reflexão. O prazo final é dia 14 de outubro, às 18 horas. No dia seguinte, Dia do Professor, você fica conhecendo os ganhadores.

Divulgue e participe!

Tempo e espaço: era de mudanças

A TV Cultura exibiu no dia 2 de outubro, no programa Café Filosófico, a palestra A contração do tempo e o espaço do espetáculo, ministrada pela filósofa e professora Marilena Chauí. A apresentação propõe uma reflexão sobre as mutações contemporâneas das concepções de espaço e de tempo, no momento em que as categorias clássicas da sociabilidade, como esfera pública, direitos, sujeito, responsabilidade, se desfazem. Como o especialista pouco a pouco foi substituindo o intelectual, aquele que era o mestre da verdade e do saber ético?

Confira o vídeo na íntegra clicando aqui

Britney Spears sem photoshop

Escolas britânicas vão usar fotos da cantora Britney Spears de biquíni para tentar aumentar a autoestima de alunos de 10 e 11 anos de idade. As imagens, divulgadas pela própria cantora, mostram como sua celulite foi retocada com programas de computador e suas pernas e quadris, afinados. O objetivo do programa educacional, que tem apoio do governo e foi criado pela organização sem fins lucrativos Media Smart, é mostrar como as fotografias em revistas e anúncios são alteradas digitalmente e criam “um grau de perfeição que é inalcançável na sociedade”.

“Os jovens estão recebendo padrões impossíveis a partir das imagens com as quais eles se deparam diariamente na mídia e na publicidade e há indícios de que isso tem um impacto negativo em sua autoestima. Eu quero que as crianças percebam desde cedo que seu valor é tão maior que apenas sua aparência física”, disse a secretária de Igualdade britânica, Lynne Featherstone.

O material de ensino consiste em uma apresentação de PowerPoint mostrando fotografias publicadas em revistas famosas e em outdoors, além de instruções para os professores explicando “a influência da mídia e da publicidade na maneira como os jovens veem seu corpo”.

Parte da apresentação mostra fotos de modelos e tenta estimular os alunos a pensar nos objetivos das marcas e publicações ao escolher aquelas imagens. O material também traz campanhas que ficaram famosas por desafiar a norma, como as da grife Benetton e dos produtos Dove, mostrando diversidade cultural e “mulheres comuns”.

A aula também mostra uma fotografia da atriz Keira Knightley com o busto aumentado digitalmente e imagens de anúncios de maquiagem e perfume, em que os modelos têm uma pele absolutamente perfeita. Para terminar, a Media Smart sugere que os professores discutam com os alunos a “importância das características pessoais e valores humanos em relação à beleza física”.

A organização também apresenta estatísticas que indicam que modelos e atrizes que aparecem na mídia têm cerca de 50% menos gordura que mulheres saudáveis e que seis em cada 10 adolescentes acham que seriam mais felizes se fossem mais magras.

Fonte – BBC Brasil

Em busca de um novo indivíduo

 Mukara Meredith, no Brasil, fala com exclusividade para a revistapontocom.

Por Marcus Tavares

Pensadores, sociólogos e historiadores dizem que o mundo do século XX foi bastante marcado pelo consumismo exacerbado, pela banalização da violência e pelo individualismo. O que se vê, hoje, no século seguinte é um desdobramento do anterior, mas com uma preocupação cada vez maior de conduzir o planeta para uma era mais compassiva, justa e humana.  Se isto é possível? Sim. O conhecimento para tornar esta busca exitosa está no próprio ser humano ou melhor: no grupo.  “A chave de todo esse processo é o relacionamento”, avisa Mukara Meredith, presidente da Matrixworks.

Veja o vídeo:

Trabalhando desde a década de 90 com lideranças empresariais de várias partes do mundo, Mukara criou o Matrixworks, um modelo de gestão que, ao unir princípios da neurociência, psicologia e espiritualidade, entende o grupo de pessoas como um sistema vivo.  Em suas dinâmicas, Mukara explica que todos os sistemas humanos, tais como a família, a escola e as diversas instituições, são sistemas vivos. “Estes sistemas vivos têm dentro de si a inteligência, a sabedoria e os recursos que precisam para se auto-organizar, aprender e crescer. Quando essa inteligência é acessada, a verdadeira transformação é possível, seja para o indivíduo, para o grupo, família, organização e sociedade. Transformação significa uma mudança fundamental na qualidade dos relacionamentos dentro de um sistema”, explica o texto do projeto.

O modelo do Matrixworks, de reconhecimento do poder do grupo, vem mudando o dia a dia das instituições, empresas e até mesmo de sistemas educacionais. A ideia é capacitar indivíduos em facilitadores desta redescoberta do grupo em que “nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós” e que “nada é o si mesmo, sem todo o resto”.  Benefícios para as empresas, benefícios para o mundo: “Todo sistema vivo contém a sabedoria que necessita dentro de si, assim como a semente contém o poderoso carvalho. Quando um conjunto de indivíduos torna-se um grupo como um sistema vivo, ele traz compaixão para o mundo”.

Na semana passada, Mukara esteve no Brasil, em Belo Horizonte, capacitando, mais uma vez, um grupo de empresários na metodologia Matrixworks.  Entre as tarefas do facilitador está o acompanhamento do grupo nos três estágios – conexão, caos e consciência – que levam o grupo a sua verdadeira e positiva potencialidade. Nesta construção, busca-se, na prática, um novo indivíduo que tem a capacidade de cuidar de si, do outro e do todo.

“Em outras palavras, o cuidar se estende ao eu, ao nós e ao meio ambiente como incluídos em um sentido expandido do si mesmo.  Ser humano nos relacionamentos é sentir a nossa humanidade em comum e reivindicar a autonomia e a conexão como o real valor de ser humano. Conhecemos a nós mesmos e uns aos outros. Aceitamos a nós mesmos e uns aos outros. E protegemos a nós e uns aos outros , protegendo a própria vida”, destaca Mukara.

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Cinema e educação para além do arco-íris

 

Por Marcus Tavares

Há cinco anos, a professora Monica Fantin defendia sua tese de doutorado, fruto de um árduo trabalho de quatro anos de pesquisas e trocas intensas com crianças do Brasil e da Itália sobre a magia do cinema. De lá para cá, a professora do Departamento de Metodologia do Ensino e do programa de pós-graduação em educação da Universidade Federal de Santa Catarina intensificou seus estudos na relação mídia e educação.

No final do ano passado, resolveu voltar aos seus escritos e publicar um livro relatando sua experiência do doutorado. “É um encontro entre crianças, cinema e educação que se abriu para outros universos: infância, mídia e cidadania; políticas de educação para as mídias; cinema como experiência escolar; cultura midiática e produção cultural”, destaca.

No lançamento do livro Crianças, cinema e educação além do arco-íris (Editora Annablume), durante evento da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine), realizado no campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a revistapontocom conversou com a professora.

Acompanhe:

revistapontocom – O livro é fruto de sua pesquisa de doutorado. Do que se trata?
Monica Fantin – Sim, é resultado de minha pesquisa de doutorado que tinha o objetivo de entender qual é o significado que as crianças constroem a partir dos filmes que assistem. Afinal, como elas se apropriam das histórias e narrativas que o cinema traz? No primeiro ano, acompanhei a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, com o objetivo de ver a relação da criança com o cinema em geral. No segundo ano, com a proposta de entender a relação da criança com uma obra cinematográfica, escolhi o filme O Mágico de Oz. Era um estudo de recepção. Trabalhei com cerca de 200 crianças de escolas públicas que assistiram à obra e responderam questionários que davam conta da percepção estética, da linguagem e narrativa. No terceiro ano, acompanhei um grupo que tinha participado da segunda etapa. Com uma professora, na sala de aula, pude intensificar o trabalho de cinema na escola. Trabalhamos com a análise, interpretação, gênero, roteiro, linguagem e fotografia. Desenvolvi todo um trabalho de linguagem audiovisual. E mais tarde, fui fazer um estudo de recepção na Itália. Lá também fiz essa mesma pesquisa de recepção, trazendo o olhar de outro contexto. Observando o que tem em comum entre as crianças brasileiras e italianas. O que as aproximam? O que muda? O que é da criança, o que é da cultura e o que é da escola? Quando voltei ainda retornei ao grupo e decidimos produzir um vídeo sobre a vida das crianças brasileiras para ser visto pelas crianças italianas que ficaram muito curiosas em conhecer a nossa realidade. Foi um percurso de apreciação, análise, fruição, interpretação e também de produção e expressão.

revistapontocom – As crianças italianas também viram o Mágico de Oz? Por que este filme?
Monica Fantin – Sim, elas também viram o filme. A escolha é justificada por vários motivos, mas, principalmente, pelo fato de Salman Rushdie ter afirmado que ter assistido ao O Mágico de Oz fez dele um escritor. Esta resposta foi muito inspiradora para mim. Fiquei pensando: como então uma experiência tão potencializadora poderia ainda mobilizar as crianças dos dias de hoje, considerando que a produção, a primeira voltada para o público infantil, é de 1939. Além disso, o filme fala sobre o mundo da criança, trabalha com arquétipos universais.

revistapontocom – Foram praticamente quatro anos de pesquisa. Muita informação, muito material. A partir de todos esses dados, o que a senhora concluiu?
Monica Fantin – Trabalhei com algumas categorias. Por exemplo: em representação, queríamos ver o que é um filme para a criança. O que o filme tem que ter para agradá-la. As respostas foram unânimes, tanto aqui quanto lá. Tem que ter fantasia, ser bem-humorado, ser divertido… Vimos também a experiência estética das crianças frente ao cinema e a questão da apropriação. Afinal, o que as crianças levam do filme? O que é possível aprender? Não no sentido da mensagem, mas que outras questões elas conseguem levar para a vida? Lembro de uma frase de uma menina que me chamou muita atenção. Ela disse que quando viu a personagem Dorothy caminhando pela estrada dos tijolos das pedras amarelas percebeu que não precisava mais sentir medo de ir sozinha ao mercado. Ela fez uma relação de apropriação da história do filme com uma situação da vida concreta dela. Uma coisa aparentemente banal, mas que a criança se sentiu fortalecida a partir das identificações e ou diferenciações que o filme promoveu. É claro que a apropriação é uma questão sempre contextualizada a partir da história de vida das crianças, do capital cultural, das condições de acesso, das mediações escolares, mas é perceptível que as crianças não só captam, às vezes, as mensagens explícitas dos filmes como também transgridem e constroem outras conexões.

revistapontocom – Poderíamos replicar essa apropriação para outras telas também audiovisuais?
Monica Fantin – Em geral, o processo de apropriação acontece, seja na tevê ou no cinema, por exemplo. Mas são formas diferentes de ver. O que a sala de cinema propicia em termos de imersão, de ritual, de tempo e espaço vai possibilitar um tipo de apropriação diferente de quando se assiste ao vídeo no DVD, onde a atenção está distribuída e com outras interferências, podendo parar quando quiser. Muda a experiência, mas, sim, ambas podem ser significativas. É possível construir significados e sentidos de qualquer forma, dependo, é claro, do sentido que se quer.

revistapontocom – Observa-se hoje que boa parte da população brasileira – criança, jovem, adulto e idoso – não tem o costume de frequentar as salas de cinema, por diversos motivos. E o que se constata muitas vezes é que o fato de não ir ao cinema não faz diferença alguma na vida destas pessoas. Para elas, o cinema não faz parte da vida e muito menos é essencial. Como a senhora avalia isso?
Monica Fantin – Ninguém ama aquilo que não conhece. Considerando que o acesso à cultura é direito da criança, acredito que cabe às políticas públicas oferecer e criar condições para promover essa aproximação, mas também é necessário pensar nas mediações da educação com a produção cinematográfica. Toda uma riqueza de experiência que poderia estar sendo construída não está sendo possibilitada. Toda essa diversidade de imaginário que o cinema traz – como arte, linguagem, indústria e entretenimento – está sendo tolhida. Não se está oportunizando a experiência estética, lúdica, participativa e também de aprendizado, de conhecimento de si e do outro, do mundo, de pertencimento.

revistapontocom – A visão de que o cinema proporciona experiências positivas está presente na escola? Monica Fantin – Infelizmente, muito pouco. Porque os professores também não têm essa formação, não vão ao cinema. O cinema na escola ainda é visto como tapa-buraco. Faltou professor, ele entra. Ou está na escola apenas para ilustrar conteúdo, como uma ferramenta. Ele pode ser isso, mas não é só isso. No livro, falo sobre esta questão. Sobre o cinema como objeto de conhecimento e também como ferramenta pedagógica. Na Itália, há uma disciplina de linguagem audiovisual junto ao ensino da arte. Afinal, a Itália possui uma tradição cinematográfica bem diferente da nossa.

revistapontoocom – Podemos dizer que o Brasil de certa forma ensaiou uma tentativa de iniciar uma tradição entre cinema e educação com a criação e a produção do Instituto Nacional de Cinema Educativo (Ince), na década de 30?
Monica Fantin
– Sim. Houve uma perspectiva de trabalho, de projeto de educação e cinema, como política pública. Só que não teve continuidade, não se fortaleceu e se consolidou. Sobraram várias experiências e movimentos localizados. Não se consolidou como cultura nem na política pública, nem no cinema e nem na escola.

Fantástico: antigos e novos ideais

“Informar, esclarecer e se possível tornar a vida mais decente, justa. Educar também, embora não seja o objetivo, pode até ser”. É assim que o apresentador Zeca Camargo, do Fantástico, define a missão do programa, na palestra Tendências da mídia brasileira e internacional rumo a 2030, realizada no dia 29 de setembro, na Semana de Comunicação Social do Centro de Estudos de Pessoal Forte Duque de Caxias, no Rio.

Zeca reconhece que o programa dominical não tem a mesma audiência das décadas anteriores, quando reunia até mesmo a sua própria família em torno da televisão, mas destaca que o Fantástico ainda hoje tem grande importância na vida das pessoas. “Hoje, elas não veem tevê da mesma forma. Isso é fato. O Fantástico pode estar perdendo audiência em números, mas ainda tem a mesma capacidade de impactar, positivamente, a vida das pessoas”.

O maior exemplo, segundo Zeca, é o recente quadro Medida Certa, na qual ele e a apresentadora Renata Ceribelli tiveram que se submeter a uma reeducação alimentar. “Não fizemos este quadro para aumentar a audiência, embora isso tenha acontecido. Tínhamos por trás uma intencionalidade de impactar positivamente a vida das pessoas, fazer com que elas percebessem a importância de uma alimentação saudável. E conseguimos isso. As caminhadas que aconteceram é uma prova de como o Fantástico faz parte da vida das pessoas. Pessoas que nem assistem ao programa na tevê, mas que confiam nele. Isso é muito bacana. É uma forma de se fazer chegar às pessoas de outra maneira”, destaca.

De acordo com Zeca, a produção do Fantástico é dividida em três áreas: matérias especiais, séries, algumas terceirizadas, e reportagens sobre a atualidade. Uma equipe de 50 pessoas trabalha para por no ar um programa, a cada semana, diferente. “Somos adeptos às inovações, mas não abrimos mão do conceito de que temos o objetivo de contribuir com a sociedade. A audiência pode cair frente a programas das outras emissoras, mas seguimos com esta meta independentemente”.

Em novembro, o Fantástico vai estrear uma nova série que, a exemplo da 1901 – que acompanhou durante um ano o dia a dia de alunos da turma 1901 da Escola Municipal General Euclydes de Figueiredo –, deverá falar sobre tecnologia e educação.

O profissional do século XXI

Aquele trabalhador que não faz o que se pede e que só faz o que se pede está com os dias contados. Não conseguirá espaço nem destaque no mercado de trabalho. “É preciso ousadia”, explica Mauro Martinez, Gerente de Comunicação e Segurança de Informações da Petrobras, em palestra, no dia 28 de setembro, na Semana de Comunicação Social do Centro de Estudos de Pessoal Forte Duque de Caxias, no Rio.

Segundo Mauro, o mundo em constante transformação exige que as pessoas sejam cada vez mais interessadas e não mais interessantes. Ele afirma que aquele que estiver sempre interessado, investindo em sua carreira, será o profissional de amanhã. E que as empresas devem rever o seu posicionamento frente aos consumidores. O problema que se enfrenta hoje é o de sempre: comunicação.

No mundo da web 2.0 e colaborativa, Mauro avisa que as empresas devem estreitar seus relacionamentos com os clientes. Não é possível mais estabelecer uma comunicação unilateral. É preciso haver trocas, compreender o que os consumidores entenderam e como entenderam as mensagens enviadas. “Só desta forma é que as pessoas se sentirão engajadas, orgulhosas e participantes”.

Para Mauro, neste jogo do século XXI, ou ganhamos como equipe ou perdemos como indivíduos. Podemos estar sozinhos, mas todos conectados. Segundo ele, o trabalho cada vez mais será pensado de forma colaborativa. E neste sentido, ele crítica a escola que ainda ensina e avalia, na maioria das vezes, individualmente.

As crianças devem exercitar a frustração


Autodisciplina na comunicação: liberdade com responsabilidade. Este foi o tema da palestra realizada pelo diretor da Central Globo de Relações com o Mercado, Gilberto Leifert, no dia 29 de setembro, na Semana de Comunicação Social do Centro de Estudos de Pessoal Forte Duque de Caxias, no Rio. Em sua apresentação, Leifert, que também é presidente do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), questionou o fato de o Brasil possuir muitas leis sobre que acabam não sendo respeitadas na prática. Segundo ele, há no país uma “sanha regulatória de que tudo se resolverá pelo poder da caneta”.

Antes de falar do trabalho que o Conar vem realizando junto às agências de publicidade e destacar alguns trechos de documentos das Organizações Globo com o objetivo de promover uma autodisciplina de comunicação, Leifert questionou projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que têm como meta restringir e ou proibir a propaganda voltada para a criança, inclusive banindo do comercial sua presença. “Imaginem como ficarão a propaganda da Ceia de Natal ou do automóvel sem a presença das crianças?”.

De acordo com Leifert, o Conar entende que a mensagem de uma publicidade não deve ser endereçada às crianças, mas os produtos podem ser, sim, anunciados. O presidente afirmou que as propagandas voltadas para o público infantil são destinadas às famílias que têm renda. E mais: não é a criança que tem a decisão de agir, são os pais. “Cabe a eles assumir a responsabilidade”.

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Se algumas crianças ficarão frustradas por não terem o produto, Leifert respondeu: “O número de pessoas que não têm uma Ferrari é grande. Mas é assim mesmo. A indústria não tem como atender a todos. Isso é da vida. As crianças devem exercitar a frustração, sim”.

Ainda sobre o tema, o presidente disse que ao participar recentemente de uma discussão sobre o assunto ficou extremamente constrangido pelo fato de a sociedade, representada por instituições organizadas, estar tão ávida e interessada pela restrição e ou proibição da propaganda voltada para as crianças enquanto não há nenhum movimento para demais causas da infância. Ele citou o caso da menina de 14 anos que foi abusada sexualmente dentro de um presídio, no Pará, e as crianças que foram detidas e quebraram delegacia, em São Paulo. “Não vi nenhum movimento articulado para discutir estes casos”.

Ao destacar os valores que regem a autodisciplina da Rede Globo, bem como o recente documento que traz os princípios editoriais das Organizações Globo, Leifert afirmou que a televisão deve ser recebida como hóspede na casa das pessoas. Portanto, segundo o presidente, ela deve estar de acordo com as regras e etiquetas impostas pelos donos da casa.