Cenas de sexo e violência na TV

Por Cecília Bizerra
Observatório do Direito à Comunicação       

A Andi -Comunicação e Direitos e o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social publicaram o documento “Mídia e infância: o impacto da exposição de crianças e adolescentes a cenas de sexo e violência na televisão” que, em dez páginas, faz o levantamento dos principais estudos elaborados em diversos países sobre o tema.

A pesquisa apresenta estudos sobre os impactos da exposição de crianças e adolescentes a cenas televisivas de sexo e violência desenvolvidas há várias décadas em diversos países. A conclusão é que, majoritariamente, o contato regular de garotos e garotas com conteúdos inadequados pode levar a sérias consequências, como comportamentos de imitação, agressão, medo, ansiedade, concepções errôneas sobre a violência real e sexualização precoce.

O documento apresenta resultados de estudos realizados na Holanda, Canadá, Alemanha e Suécia, mas dedica a maioria de suas páginas a pesquisas realizadas nos Estados Unidos, onde, nos últimos 40 anos, foram realizadas mais de 3.500 pesquisas sobre os efeitos da violência na televisão sobre os espectadores.

Um dos estudos norte-americanos levantados pelo documento foi o longitudinal realizado por pesquisadores da Universidade de Michigan, que relaciona a exposição de crianças à violência na TV e seus comportamentos agressivos e violentos no início da fase adulta. A pesquisa mediu em 1977 os hábitos de 557 crianças de Chicago em relação aos meios de comunicação, especialmente ao consumo de programação televisiva violenta. Após 14 anos ouviu 329 daquelas crianças, já adultas, com idades entre 20 e 22  anos, e verificou que uma maior exposição a conteúdos violentos transmitidos pela tevê durante a infância foi capaz de predizer um maior nível de agressão na vida adulta, independentemente do quão agressivos os participantes eram quando crianças.

“O constatado pela equipe de pesquisa de Michigan é que mesmo crianças que não eram  agressivas na infância – e de todos os estratos sociais – ao terem sido expostas a um  volume expressivo de conteúdos televisivos violentos durante esse período acabaram por apresentar maior probabilidade de se tornarem adultos agressivos”, cita o documento.

O estudo também apresenta resultados de pesquisas que apontam como efeitos da exposição das crianças à violência na mídia o aumento de comportamentos agressivos, a perda de sensibilidade à violência no mundo real e o crescimento do medo. “O Physician Guide to Media Violence – publicado pela American Medical Association (AMA), em 1996 – alerta que a exposição a um único filme, programa de televisão ou reportagem pode resultar em depressão emocional, pesadelos ou outros problemas relativos ao sono em muitas crianças, particularmente as mais novas. E crianças amedrontadas estão mais sujeitas a se tornarem vítimas ou agressores”.

Classificação indicativa como política pública

Evidências como estas fizeram com que, ao longo das últimas décadas, as principais democracias do planeta adotassem sistemas similares ao da Classificação Indicativa utilizada pelo Ministério da Justiça brasileiro, com o fim de proteger os direitos humanos de crianças e adolescentes expostos ao conteúdo da televisão. “Com a Classificação Indicativa, as programações televisivas passam a dar indicação à família sobre a faixa etária para a qual as obras audiovisuais são recomendadas. Isso porque é um direito inalienável das famílias decidir o que seus filhos podem ou não assistir”, afirma o documento.

A opinião é respaldada por recomendações do Comitê para os Direitos da Criança da Onu e da Unesco, que aconselham os governos nacionais a assumirem atitudes concretas de proteção aos direitos da criança e do adolescente no campo da comunicação de massa. As entidades apontam que fatores como fácil acesso e alto consumo de televisão no país e a evidência que pais e mães trabalharem e permanecerem a maior parte do tempo fora de casa, fortalecem a necessidade de se defender a Classificação Indicativa como uma política pública fundamental para garantir o respeito aos direitos das crianças e dos adolescentes.

“Para os pais poderem cumprir com suas responsabilidades em relação à proteção do processo de desenvolvimento de seus filhos, antes o Estado e as empresas devem fazer sua parte, estabelecendo e obedecendo os limites para a veiculação de conteúdos potencialmente danosos”, recomenda o documento.

O estudo “Mídia e infância: o impacto da exposição de crianças e adolescentes a cenas de sexo e violência na televisão” está disponível para download, na íntegra, e pode ser conferido aqui.

Literatura infantil

Está em cartaz no Rio a 1ª MACLI – Mostra de Arte Contemporânea em Literatura Infantil reunindo vinte e nove trabalhos de artistas do Brasil, Argentina, Israel e EUA criados para ilustrar livros infantis. A exposição acontece na Livre Galeria no Jardim Botânico e tem como convidados os artistas Ofra Amit (Israel), John Parra (EUA), Juliana Bollini (Argentina), Favish (Rio de Janeiro) e o premiado Fernando Vilela (São Paulo).

O objetivo da mostra, idealizada pelo artista multimídia Favish, pela a psicanalista e curadora de artes visuais Flavia Corpas e pela especialista em literatura infanto-juvenil, Aline Pereira, é despertar nas crianças o senso crítico e estético e o prazer pelas artes visuais. A proposta também é valorizar o trabalho dos artistas que atuam na área da literatura infantil

“Os trabalhos que compõem esta mostra evocam questões que produzem efeito de estranheza, como a morte, a relação com o Outro e a própria noção de infância, questões patentes na obras de Favish, Fernando Vilela, Juliana Bollini, John Parra e Ofra Amit. A experiência do “estranho” revela-se não pelo tema em si, mas pela forma como este se apresenta no contexto da própria obra”, explica Flavia Corpas.

A exposição fica em cartaz até o dia 26 de maio. A Livre Galeria está localizada na Rua Jardim Botânico, 719, loja 29, no Rio.

HQ de meio ambiente

Com a proximidade da Conferência das Nações Unidas em Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a editora Qualidade em Quadrinhos realiza seu primeiro concurso cultural, com o intuito de revelar novos talentos da linguagem HQ e contribuir para a promoção da educação e responsabilidade socioambiental. Até o dia 30 de março, os interessados devem enviar suas tirinhas com o tema “Educação Ambiental” para apreciação do júri. Ao final do período, serão selecionados os 30 melhores trabalhos e o primeiro colocado ganhará um Tablet.

Para participar do 1º Concurso de Tiras Qualidade em Quadrinhos, basta se inscrever e enviar a arte para o e-mail concurso@qualidadeemquadrinhos.com.br. As tirinhas devem obrigatoriamente medir 15 cm de largura e 5 cm de altura e serem enviadas no formato digital. Além da adequação e interpretação do tema, serão avaliados a originalidade, a criatividade e o teor humorístico do roteiro. O concurso é válido apenas para maiores de 16 anos.

As 30 melhores histórias serão publicadas no site da editora e farão parte de uma ação educativa durante a Semana Mundial do Meio Ambiente, que ocorre na primeira quinzena de junho e antecipa a Rio+20. A conferência – que será realizada de 20 a 22 do mesmo mês – é uma convocação da Organização das Nações Unidas (ONU) e irá reunir cerca de 190 líderes de Estado para discutir ações, traçar metas e firmar compromissos em relação à sustentabilidade do planeta e a redução do impacto da humanidade no meio ambiente. O evento também promove uma avaliação do que foi feito pelos países nos últimos 20 anos, desde que a ECO-92 (ou Rio-92) foi realizada.

O autor da melhor tira, eleita pelo júri formado por membros da editora, ganha ainda um Tablet (Mesa Digitalizadora Wacom Intuos4 Small – PTK440). Estuda-se ainda a possibilidade de uma publicação impressa, reunindo em coletânea todas as artes selecionadas.

O resultado do 1º Concurso de Tiras Qualidade em Quadrinhos será anunciado no dia 9 de abril, através do site da editora em www.qualidadeemquadrinhos.com.br

Chiclete

Por Marcelo Naranjo
Do Universo HQ

Ora, bolas! – A inusitada história do chiclete no Brasil, do jornalista Gonçalo Junior chega nesta semana às livrarias pela Alameda Editorial. São 220 páginas coloridas, nas quais o pesquisador oferece aos leitores nostalgia e volta à infância ao contar desde como a goma de mascar chegou ao Brasil durante a Segunda Guerra Mundial à febre das figurinhas, passando pelas primeiras fábricas, a concorrência entre Ping-Pong e Ploc até chegar em sua influência cultural no país – no comportamento, música, literatura e nas histórias em quadrinhos.

Nas décadas de 1950 e 1960, para popularizar o produto no país, a Adams criou três dezenas de histórias em quadrinhos com os personagens Juquinha e Zezinho, em aventuras pelo Brasil e pelo mundo. As HQs – resgatadas no livro – traziam aventuras de uma página e, no final, o herói era premiado com uma caixa de chiclete. Sem contar, acrescenta Gonçalo, que a goma de mascar inspirou o título de uma famosa série de HQs criada por Angeli e publicada há décadas no jornal Folha de S.Paulo- Chiclete com Banana.

Como diz o autor, graças a uma eficiente estratégia de marketing, o chiclete se estabeleceu como um lucrativo negócio que movimenta muitos milhões de reais todos os dias: caiu no gosto das crianças, seduzidas principalmente pelas figurinhas, e acabou por conquistar os adultos – consumidores, médicos e dentistas, com as gomas diet, aprovam o consumo da guloseima.

Uma história que vale a pena ser conhecida, acredita Gonçalo, pela curiosidade e por sua forte carga emocional, já que transporta o leitor ao tempo em que era divertido fazer bolas de chiclete com a boca e colecionar figurinhas.

III Semana do cérebro

Um semana diferente, onde o objetivo é mergulhar no cérebro humano. De 26 a 30 de março (de terça a sexta-feira desta semana), acontece no Rio a III Semana do cérebro: viajando na linguagem. Trata-se de uma iniciativa internacional – Brain Awareness Week -, voltada para conscientização de alunos, pais, professores e comunidade em geral sobre a importância das neurociências. A meta é estimular a curiosidade do público sobre a relação das neurociências com o cotidiano humano, despertando vocações e fornecendo recursos para que professores da Educação Básica e Superior possam levar o tema “neurociências” para a sala de aula e trabalhá-lo.

confira a programação da semana

O evento é promovido e organizado pela Organização Ciências e Cognição, através do Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências (CeC-NuDCEN) em parceria com várias instituições de ensino e divulgação científica, dentre elas a UFRJ, UFF, Museu da Vida (Fiocruz) e Espaço Ciência Viva (UFRJ).

Para contribuir com a III Semana do cérebro, a revistapontocom destaca duas entrevistas já publicadas:

Cérebro, criança e mídia
“As crianças e jovens de gerações atuais são mais ou menos inteligentes, atentos, capazes de memorizar, do que as de gerações anteriores? Essa é uma boa pergunta para os neurocientistas”,  destaca Leonor Bezerra Guerra. Leia a entrevista, clicando aqui

As aventuras dos neurônios
“As informações selecionadas só serão armazenadas se vierem acompanhadas de elementos de interesse, utilidade, carga afetiva e outras características”, Roberto Lent. Leia a entrevista, clicando aqui

Manual vai orientar atendimento a pessoas com síndrome de Down

O Ministério da Saúde lançou, nesta quarta-feira (21) em que se comemora o Dia Internacional da Síndrome Down, consulta pública para definição do Manual de Atenção à Saúde da Pessoa com Síndrome de Down, que irá orientar profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e prestar esclarecimentos sobre como proceder quanto ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento das pessoas com a deficiência. O texto, assinado pelo ministro Alexandre Padilha, está publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União.

As sugestões podem ser encaminhadas ao Ministério da Saúde até 20 de abril para o endereço eletrônico manualsindromededown@saude.gov.br. O Brasil possui 300 mil pessoas com Síndrome de Dow, segundo dados do IBGE/2000. Estes números são semelhantes às estatísticas mundiais.

O secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, explica que a síndrome de Down não é uma doença, mas uma condição humana geneticamente determinada. “Com base neste enfoque e depois de um amplo estudo, lançamos este manual. O objetivo é o de oferecer orientações às equipes multiprofissionais para o cuidado à saúde da pessoa com Síndrome de Down, nos diferentes pontos de atenção da rede do SUS”, afirma.

A Secretaria de Atenção à Saúde coordenará a avaliação das propostas apresentadas e também será responsável pela elaboração da versão final do texto. Depois de aprovado pelo Ministério da Saúde, a publicação com instruções e normas para o atendimento de pessoas com síndrome de Down terá vigência em todo o território nacional.

Deficiência intelectual: o conceito

O conceito de Deficiência intelectual, passou no decorrer dos anos por diversas definições e terminologias para caracterizá-la, tais como: Oligofrenia, Retardo mental, Atraso mental, Deficiência mental, etc. De acordo com Krynski et al. (1983), esse tipo de deficiência é um vasto complexo de quadros clínicos, produzidos por várias etiologias e que se caracteriza pelo desenvolvimento intelectual insuficiente, em termos globais ou específicos.

Segundo a Associação Americana de Deficiência Mental (AAMR) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), Deficiência Intelectual ou Deficiência Mental (DM – como não é mais chamada) é o estado de redução notável do funcionamento intelectual, significativamente abaixo da média, oriundo no período de desenvolvimento, e associado à limitações de pelo menos dois aspectos do funcionamento adaptativo ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da sociedade em comunicação, cuidados pessoais, competências domésticas, habilidades sociais, utilização dos recursos comunitários, autonomia, saúde e segurança, aptidões escolares, lazer e trabalho.

A deficiência intelectual se caracteriza também por um quociente de inteligência (QI) inferior a 70, média apresentada pela população. Esta é uma nova classificação e tem importantes implicações para o sistema de prestação de serviços para pessoas com esse tipo de deficiência. A maneira anterior de classificação fazia referência aos elementos diagnósticos da deficiência mental. Assim, a utilização de um único código de diagnóstico de deficiência mental se afasta da conceituação prévia amplamente baseada no QI, que estabelecia as categorias de leve, médio, severo e profundo. Deste modo a pessoa era diagnosticada como deficiente mental ou não, com base no comprometimento dos três critérios de: idade de instalação, habilidades intelectuais significativamente inferiores à média, limitações em duas ou mais das dez áreas de habilidades adaptativas estabelecidas.

Números
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) 10% da população em países em desenvolvimento, são portadores de algum tipo de deficiência, sendo que metade destes são pessoas com deficiência intelectual. No Brasil, segundo censo 2000, foram identificados 2.844.936 casos de deficiência intelectual, sendo 1.545.462 homens e 1.299.474 mulheres. Representando 8,3% das deficiências encontradas em toda a população nacional. O censo indica ainda que há um número maior de deficiências do que de deficientes, uma vez que as pessoas incluídas em mais de um tipo de deficiência foram contadas apenas uma vez. O número de pessoas que apresentam mais de uma deficiência no Brasil é de quase 10 milhões.

Diagnóstico
Na maioria dos casos o diagnóstico é feito baseado no atraso no desenvolvimento neuro-psicomotor (a criança demora em firmar a cabeça, sentar, andar, falar) e na dificuldade no aprendizado (dificuldade de compreensão de normas e ordens, dificuldade no aprendizado escolar), mas existem ou critérios para o diagnóstico da DM como:

•Funcionamento intelectual significativamente inferior à média;
•Déficits ou prejuízos concomitantes no funcionamento adaptativo atual;
•Início no período de desenvolvimento até os 18 anos;
•Diversidades culturais e lingüisticas, assim como as diferenciadas formas de comunicação e comportamentos;
•Limitações nas áreas adaptativas de acordo com as exigências de cada meio, idade e necessidade de suportes individualizados;
•Capacidades específicas sempre coexistem com outras habilidades adaptativas.

É preciso que haja uma série de sinais associados para que se suspeite de deficiência mental. Um único aspecto não pode ser considerado como indicativo de qualquer deficiência. O diagnóstico da deficiência intelectual deve ser feito por uma equipe multiprofissional, composta de pelo menos um assistente social, um médico e um psicólogo.

Causas e fatores de risco
Muitas são as causas e os fatores de risco que podem levar à instalação da deficiência mental. Põem muitas vezes, mesmo utilizando sofisticados recursos diagnósticos, não se chega a definir com clareza a etiologia (causa) da deficiência intelectual.

Síndromes
Inclui-se também nas deficiências mentais algumas síndromes como:
•Sindrome de Down
•Síndrome de Angelman
•Síndrome de Rubinstein-Taybi
•Síndrome de Lennox-Gastaut
•Esclerose Tuberosa

Fonte: Wikiducação – construção coletiva de conhecimento – www.wiki.educartis.com

Movimento down

Com o nascimento da pequena Beatriz, a advogada Maria Antônia Goulart teve que entrar num mundo um tanto desconhecido: o da síndrome de down. Fato contraditório. Afinal as estatisticas mostram que a cada 800 partos realizados no Brasil, uma criança nasce com a síndrome. Foi em busca de mais informações para ela e para os outros que a advogada conseguiu reunir e manter um grupo de mães e familiares para debater o tema, ampliando as possibilidades de todos.

Nesta quarta-feira, dia 21, quando o Dia Internacional da Síndrome de Down será pela primeira vez incorporado ao calendário dos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), Maria Antônia vai lançar o portal Movimento Down (www.movimentodown.com.br), que tem o objetivo de se transformar em fonte de referência para pais, familiares e, inclusive, portadores da síndrome de down.

O trabalho começou, na verdade, há oito meses, com a mobilização de uma extensa rede de colaboradores – entre profissionais, instituições e empresas, além de familiares e amigos de pessoas com a síndrome de down –, para desenvolver, de maneira inédita, conteúdo qualificado e ao mesmo tempo acessível para este amplo universo de indivíduos.

“Ao mesmo tempo em que ficamos felizes com o excelente desenvolvimento da Beatriz, nos angustiamos com o fato de que somos parte de uma minoria que tem acesso às informações e meios de atendimento ideais. Isso nos motivou a querer difundi-los da forma mais abrangente possível”, explica Maria Antônia.

O portal será lançado oficialmente em Brasília, onde haverá uma sessão solene no Salão Negro do Congresso Nacional para comemorar a data. Neste mesmo dia será realizada na sede da ONU, em Nova Iorque, a conferência ‘Construindo o nosso futuro’, com participação brasileira. Os jovens da Associação Carpe Diem, de São Paulo, foram convidados para lançar o livro de sua autoria Mude o seu falar que eu mudo o meu ouvir, guia de acessibilidade na comunicação para pessoas com deficiência intelectual. A publicação, primeira no gênero em todo o mundo, terá edições em português e inglês. A entidade é uma das que apoiam o Movimento Down na produção de material acessível para o portal.

As atividades do Movimento Down não ficarão restritas à internet. Um censo pioneiro, atualmente em curso na comunidade da Maré e realizado em parceria com a entidade Redes de Desenvolvimento da Maré, servirá como piloto para o início de um mapeamento inédito da Síndrome de Down que irá ajudar na criação de novas políticas públicas de atendimento.

Ao mesmo tempo,,está sendo criada uma brinquedoteca,em conjunto com o Curso de Terapia Ocupacional da UFRJ, onde serão formados profissionais de terapia ocupacional e desenvolvidos brinquedos e brincadeiras para auxiliar no desenvolvimento das crianças com Síndrome de Down.

A educação das pessoas com síndrome de Down

Uma boa educação é um bem enorme que produz benefícios pessoais durante toda a vida. Isso não é diferente para pessoas com síndrome de Down, se bem que para elas e para seus pais ter acesso aos programas que garantem oportunidades de um aprendizado apropriado e de forma continuada pressupõe vencer uma série de desafios que vai se prolongar durante o período escolar.  Os dados atuais permitem afirmar que a maioria das pessoas com síndrome de Down tem deficiência intelectual de intensidade leve ou moderada, diferentemente das descrições antigas, que falavam em um atraso severo. Esta mudança se deve tanto a programas específicos aplicados hoje em dia quanto à estimulação e intervenção precoce, como a abertura e o enriquecimento do ambiente em que a criança está inserida. O mais encorajador é comprovar que, quando a boa ação educativa persiste, não há razão para que a deficiência intelectual se torne mais acentuada na passagem da infância para a adolescência. Existe um conjunto de características comuns a todas as formas de deficiência intelectual. São elas:

– A aprendizagem é mais lenta,
– É necessário ensinar muitas coisas às crianças, pois elas não aprendem sozinhas,
– É preciso ir passo a passo no processo de aprendizagem, levando-se em conta as características próprias de pessoas com síndrome de Down,
– É preciso identificar de que forma o aluno aprende melhor,
– Não cabe adotar uma atitude passiva, pelo contrário, o bom educador deve ser pró-ativo, utilizando maneiras criativas e interessantes de ensinar estimular o estudante a aprender ou buscar alternativas que compensem as dificuldades intrínsecas.

Como exemplo e sabendo que há inúmeras possibilidades e caminhos e a serem seguidos, aqui vão algumas sugestões (adaptadas de Espinosa de Gutiérrez) de soluções a problemas frequentemente encontrados. Apesar de se referirem a estudantes com deficiência intelectual em geral, também se aplicam
a alunos com síndrome de Down:

– A aprendizagem se dá num ritmo mais lento,
– Devemos oferecer-lhe um maior número de experiências variadas para que aprenda o que o ensinamos,
– Fica cansado rapidamente, sua atenção não se mantém por um tempo prolongado,
– Inicialmente, devemos trabalhar durante curtos períodos de tempo, aumentando-os pouco a pouco,
– Às vezes não se interessa pela atividade ou se interessa por pouco tempo,
– Devemos motivá-lo com alegria e com objetos chamativos e variados, para que se interesse pela atividade,
– Muitas vezes não consegue realizar a atividade sozinho,
– Devemos ajudá-lo e guiá-lo apenas o necessário para que realize a atividade, até que consiga fazê-lo sozinho,
– A curiosidade para conhecer e explorar o que está à sua volta é limitada,
– Devemos despertar nele o interesse pelos objetos e pessoas que o rodeiam, nos aproximando e mostrando as coisas agradáveis e chamativas,
– É difícil para ele se lembrar do que já fez e do que aprendeu,
– Devemos repetir muitas vezes as tarefas já realizadas, para que se lembrem de como fazê-las e para que servem,
– Não se organiza para aprender sobre os acontecimentos da vida diária,
– Devemos ajudá-lo  a aproveitar todos os fatos que ocorrem ao seu redor, bem como lembrá-lo de sua utilidade, relacionando os conceitos com o que foi aprendido na sala de aula,
– É mais lento ao responder,
– Devemos sempre esperar com paciência e ajudá-lo, estimulando-o ao mesmo tempo para que responda cada vez mais rapidamente,
– Não costuma inventar ou procurar situações novas,
– Devemos conduzi-lo a explorar situações novas, a ter iniciativas,
– Tem dificuldades em solucionar problemas novos, mesmo que sejam semelhantes a outros problemas vividos no passado,
– Devemos trabalhar permanentemente, dando-lhe oportunidades de resolver situações da vida diária, sem anteciparmos nem responder em seu lugar,
– Consegue aprender melhor quando foi bem sucedido em situações anteriores,
– Apresente situações que são possíveis para o aluno e aumente progressivamente o grau de dificuldade,
– Quando conhece imediatamente o resultado positivo de sua atividade, se interessa mais em seguir colaborando,
– Devemos dizer-lhe sempre o quanto se esforçou, o quanto já alcançou, animando-o pelo sucesso já alcançado. Assim é possível que ele se
interesse mais pela atividade e aguente trabalhar por mais tempo,
– Quando participa ativamente da tarefa, aprende melhor e se esquece menos,
– Devemos planejar atividades em que ele intervenha ou atue como sujeito principal,
– Quando se pede que ele realize muitas tarefas em pouco tempo, se confunde e rejeita a situação,
– Devemos selecionar as tarefas e dividi-las pelo tempo, de forma que não se confunda nem se canse.

A evolução necessária para os programas educativos tem que se ajustar à etapa evolutiva: desde bebê até a idade escolar, da idade escolar ao profissional que, ao mesmo tempo, desempenha sua função laboral, reserva parte de seu tempo para seguir aprendendo. Cada etapa tem suas características próprias, mas é preciso prestar atenção especial a alguns aspectos, desde o começo da ação educativa no programa de estimulação precoce e ao longo de todo o processo educativo:

– A programação por objetivos
– O desenvolvimento das capacidades, tendo em conta que se trata de um processo evolutivo
– O desenvolvimento da atenção
– O desenvolvimento da percepção e discriminação
– O desenvolvimento das habilidades manuais
– A comunicação e linguagem
– O desenvolvimento da leitura, escrita e cálculo
– A educação para autonomia

Gui: o novo integrante da turma do Planeta

Conheça o site movimentodown, criado por Maria Antônia Goulart
Assista ao vídeo da Down Syndrome International
Deficiência intelectual: o conceito
Governo abre consulta pública para produção de manual sobre down
Síndrome de down: dicas para professores e responsáveis

Mostrar a inclusão pelo outro lado. Este é o objetivo do Gui, o novo personagem da Turma do Planeta, criado pela jornalista Silvana Gontijo, presidente do Planetapontocom, que chega agora à turminha, composta por sete crianças/adolescentes que dão vida a livros, sites e jogos. Destinados ao Ensino Fundamental, os conteúdos da turma trabalham com a pluralidade étnica, cultural e religiosa da sociedade brasileira, ensinando Língua Portuguesa, Matemática, História, Ciências, Meio Ambiente e Geografia.

“Gui é um garoto de sete anos que tem síndrome de down, toca cavaquinho e possui uma grande sensibilidade e bom humor. Assim como os demais integrantes da Turma do Planeta, ele estuda na EM PAZ, Escola Municipal Planeta de A a Z, que acaba de se tornar inclusiva. Gui é, na verdade, inspirado em um parente de minha família, o Dudu do cavaco, Resolvi criar este personagem depois de ter sido instigada pelas pesquisas e determinação da advogada Maria Antônia Goulart, que é mãe de uma menina portadora da síndrome de down”, explica Silvana Gontijo.

Por meio do Gui e suas histórias, Silvana quer suscitar o tema da síndrome de down, destacando o potencial das crianças portadoras, promovendo a inclusão e diminuindo os preconceitos na sociedade e, principalmente, na sala de aula. “O processo de criação do Gui foi de grande aprendizado. Entrei em contato com vários especialistas e mães de crianças. Pude perceber o quanto o tema vem sendo estudado por responsáveis e educadores que estão frente a frente com a questão. Por isso, resolvemos lançar o personagem hoje, dia 21, no Dia Internacional da Síndrome de Down. Uma homenagem do Planetapontocom”, conta Silvana.

Pra valer, Gui estreia no próximo livro da jornalista: Queimando as Pestanas, o quatro livro da série da Turma do Planeta. O lançamento está previsto para agosto deste ano. Mas antes já será possível conhecer mais um pouco sobre o novo personagem no site da Turma do Planeta.

A imagem invisível

Por Eugêncio Bucci
Jornalista, professor da ECA-USP e da ESPM
Texto publicado no Jornal Estado de S. Paulo e no Observatório da Imprensa

A capa da revista Time com data de 5 de março provocou um bom debate. Em 20 fotografias enfileiradas sobre fundo branco, ela retratou rostos de americanos de origem latina. São homens e mulheres, de várias idades, mas todos eles, sem exceção, morenos, de olhos sutilmente puxados. Ao centro, uma chamada em espanhol: “Yo Decido”. Ao lado, um pequeno texto explicativo: “Por que os latinos decidirão a escolha do próximo presidente.”

Detalhe explosivo: numa das fotos – logo na fileira do alto, o terceiro da esquerda para a direita – está alguém que não nasceu nem no México nem na Guatemala. Embora nenhuma das personagens da capa esteja identificada, logo se soube que aquela pessoa, fisicamente parecida com as outras 19 que lhe fazem companhia na capa, era Michael Schennum, um tipo simpático de ascendência chinesa. Ele não é, nem nunca foi, o que a revista Time chama de latino, mas está lá para provar que os latinos existem. Foi o que bastou para que se armasse uma grita na internet. Duramente questionada pela multidão, a revista não teve outra saída: em questão de poucos dias, precisou pedir desculpas em seu site pelo que chamou de “mal-entendido”.

O episódio, que já rendeu polêmicas pertinentes, ainda vai ser muito comentado na imprensa e nas escolas de Jornalismo. Uns dirão que a Time cometeu um deslize ético. Outros, mais técnicos, afirmarão que houve pressa e descuido na seleção das fotos. Haverá ainda os que falarão da força crescente das redes sociais para fiscalizar e denunciar os desvios da mídia. Todos estarão certos, como de costume, mas o que essa história tem de mais interessante não tem que ver apenas com a ética ou com a técnica da atividade jornalística, assim como não se restringe ao poder dos internautas de desmentir a famigerada “grande imprensa”. O melhor do episódio está num campo mais vasto, mais crítico, mais fascinante e mais incerto: ele nos leva a refletir sobre o limite da fotografia como registro da realidade no jornalismo.

América Latina é território?

Comecemos pelo óbvio: há fenômenos que a fotografia é incapaz de registrar. Parece uma aleivosia dizer isso nestes tempos de culto das imagens, mas há notícias, há fatos, há personagens que os olhos não podem ver, mas o pensamento pode saber que existem de verdade. O jornalismo pode dar conta deles, sem dúvida, mas, aí, as câmeras fotográficas não apenas não ajudam, como, às vezes, atrapalham. Foi o que aconteceu agora com a Time, que tentou fabricar um fenótipo quase individualizado para uma demografia difusa.

O equívoco da Time não veio de um preconceito racial ou de más intenções inconfessas, mas da tentativa de fotografar o que não tem face própria, nem pode ter. A revista quis dar rosto a algo que não tem um rosto uniforme e, nesse artifício gráfico, distorceu a face da América. Pior: contribuiu para estigmatizar, pela cor da pele, pelo formato dos olhos, pela textura dos cabelos, pessoas que são tão americanas quanto Kim Basinger, Muhammad Ali ou Louis Armstrong. A Time apontou sua objetiva para uma demografia e captou apenas um erro de informação. Atenção para isso: mesmo que o descendente de chineses Michael Schennum não estivesse ali, a capa da Time com data de 5 de março seria bastante problemática. Ou mesmo errada.

Para que se entenda melhor a invisibilidade de que estamos falando aqui, pensemos no conceito de América Latina. Alguém consegue demarcar no mapa, com exatidão, onde começa e onde termina esse território? Aliás, a América Latina é território? Ou é um conceito cultural? Será que a América Latina acaba na cerca mortal que separa o México dos Estados Unidos? Ou ela continua para dentro do estado do Texas, chegando mesmo à periferia de Nova York? Será que a América Latina não está, hoje, dentro da própria alma do eleitorado americano? A revista Time, a seu modo, diz que sim, mostrando que 9% dos eleitores americanos são latinos. São eles, segundo a revista, que decidirão a disputa. Por isso ela quis mostrar o rosto deles, e errou.

Crença fanática nas imagens

Os latinos não têm um rosto homogêneo. Assim como o conceito de América Latina não tem fronteiras nítidas na geografia, o aspecto físico dos latinos não é único, distinto de todos os demais, pois nascem bebês de olhos azuis no Peru e em El Salvador. Há latinos loiros e negros despejando suas escolhas nas urnas americanas, mas eles não são um tipo físico. Os latinos da Time são reais, eles existem, mas, para quem quiser enxergá-los um a um, no meio das massas humanas que trafegam nas cidades americanas, eles são invisíveis. Podemos deles ter muitas imagens, mas não podemos ter um retrato. A não ser que queiramos estigmatizá-los, segregá-los, isolá-los, separá-los do povo – e se for esse o caso, teremos de inventar um tipo físico e, com base nele, traçar a linha de corte, o que poderia dar em tragédia.

De tudo isso temos uma conclusão provisória: vídeos, filmes e fotografias não são o critério da verdade, não são capazes de separar o que existe do que não existe. Às vezes as fotografias só mostram uma ilusão, como ocorreu com esse estereótipo de “latinos” que tomou de assalto a capa da Time. Quando é assim, a fotografia é antifactual, antijornalística por definição, apenas uma miragem.

No documentário Janela da Alma, de 2001, dirigido por João Jardim e Walter Carvalho, o escritor José Saramago dá um depoimento difícil de esquecer: “Foram necessários mais de 2 mil anos para que a humanidade inteira entrasse dentro da caverna de Platão.” Para ele, a nossa civilização é prisioneira da crença fanática que tem nas imagens. Só damos o estatuto de verdade ao que podemos ver. Um dos muitos problemas que isso nos causou aparece agora na capa da Time. Às vezes criamos falsos deuses, ou falsas fotos jornalísticas, para dar traços de fisionomia ao que são apenas fantasmas da ideologia.

Gloob

Por Marcus Tavares

Boa notícia para as crianças. Estreia no dia 15 de  junho mais um canal de TV por assinatura voltado para a garotada. Desta vez é o Gloob, da Globosat, cuja direção ficará a cargo de Paulo Marinho. O objetivo “é levar ao ar valores importantes, como amizade, companheirismo, não violência, coragem e respeito às diferenças. Sempre com muito humor, aventura, imaginação e alegria”. Quem afirma é Luciane Neno, gerente de marketing do Gloob, que conversou por e-mail, esta semana, com a revistapontocom.

Acompanhe:

revistapontocom – Qual é o objetivo do canal e o público-alvo?
Luciane Neno – O Gloob é voltado para crianças que estão saindo da idade pré-escolar. Nosso objetivo é levar ao ar valores importantes, como amizade, companheirismo, não violência, coragem e respeito às diferenças. Sempre com muito humor, aventura, imaginação e alegria. Seremos um canal onde a imaginação se conecta com a vida real e a curiosidade será um convite ao saber.

revistapontocom – Trata-se de um canal comercial dentro da lógica do mercado de TV por assinatura que cresce a cada dia. Mas há alguma outra intencionalidade?
Luciane Neno – Queremos oferecer diversão com responsabilidade. Entreter e celebrar a infância dentro de um universo inspirador e criativo, tendo a criança sempre como protagonista do canal e das outras plataformas onde atuaremos.

revistapontocom – O canal será gratuito para os pacotes mínimos das TVs por assinatura?
Luciane Neno – Ainda estamos fechando os acordos com as operadoras.

revistapontocom – Hoje, temos a TV Ratibum, que só veicula produção nacional, e os canais estrangeiros, oferecendo uma diversificada programação internacional, com algumas/poucas produções nacionais. Em que lugar ficará o Gloob?
Luciane Neno – Teremos conteúdo nacional e internacional na grade. Queremos contar boas histórias. Estamos apostando na brasilidade ao programar e produzir conteúdo, com o olhar nos hábitos e rotinas das nossas crianças. Fizemos uma seleção criteriosa na busca de conteúdo internacional, alinhado aos valores do canal.

revistapontocom – O Gloob vai investir em que gênero?
Luciane Neno – A nossa intenção é oferecer um mix formado por séries de animação e dramaturgia, além de interprogramas.

[A coluna Outro Canal, da Folha de S. Paulo, publicou em sua edição de quinta-feira, dia 15 de março, uma nota afirmando que o novo canal está preparando a sua primeira série em dramaturgia, em parceria com a Conspiração Filmes. Trata-se da série D.P.A – Detetives do Prédio Azul. “A série, de 26 episódios, traz três amigos – Mila, Tom e Capim – que se aventuram desvendando os mistérios do prédio em que moram. Os personagens serã interpretados por atores com idades entre 9 e 11 anos. A roteirista é Flávia Lins e Silva, autora de vários livors infantojuvenis”, informa a coluna.]

revistapontocom – Haverá co-produções para atender já a nova lei de TV por assinatura?
Luciane Neno – A realização de programas nacionais com produtoras independentes é prática da Globosat há tempos. E o Gloob já vai nascer com este mesmo DNA. Buscamos projetos de qualidade e que tenham possibilidades de serem adaptados a outras plataformas.

revistapontocom – Haverá algum projeto junto às escolas?
Luciane Neno – Ainda em estudo.

revistapontocom – Como o canal vai lidar com a publicidade infantil?
Luciane Neno – Vamos garantir o cumprimento da publicidade responsável, seguindo as restrições de publicidade do segmento infantil.

revistapontocom – Haverá algum personagem tema do canal? Algum mascote?
Luciane Neno – Os personagens do canal são as nossas crianças.

Luz, câmera e Educação!

De 25 a31 de março, acontece o III Festival Internacional Estudantil de Cinema de Barra do Piraí. Quem já teve a oportunidade de conferir sabe que o evento, no âmbito da mostra competitiva local, faz parte do projeto Luz, Câmara e Educação!, um processo que começa na escola, capacitando professores e instigando alunos, e chega ao seu clímax com a exibição dos curtas-metragens, de no máximo 20 minutos, que atrai e movimenta toda a cidade.

assista, abaixo, ao trailer da edição do ano passado do festival

Serão premiadas oito categorias: Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Direção, Melhor Arte, Melhor Áudio, Melhor Roteiro, Melhor Filme, Melhor Filme júri popular. Além dos troféus para todas as categorias,haverá dois prêmios em equipamentos no valor de até R$ 2 mil, um concedido para a escola vencedora do prêmio “Melhor Filme júri técnico” e outro para a escola escolhida pelo júri popular.

saiba mais sobre o evento, clique aqui

leia a entrevista que Roberto Monzo, coordenador, concedeu à revistapontocom na primeira edição

Além das mostras, a competitiva e a internacional, a edição do festival deste ano vai contar com dois seminários e três oficinas. Os temas dos seminários são: “Boas práticas em juventude, cinema e educação”, com os instrutores Evandro Santos, do coletivo Nossa Tela de São Paulo; e Míriam Machado, e “Cidades Criativas: o que muda no cenário empresarial”,com Steve Solot, presidente da Rio Film Comission, e César Piva, da Fábrica do Futuro. Já as oficinas serão sobre “Animação stop motion”, com Cacinho, do A gente que fez, e “Roteiro”, com Gustavo Colombo, do LuizCarlos Barreto Produções.

Eis a relação dos curtas das escolas públicas e privadas da cidade que participarão da mostra competitiva:

– Primeira Vez (Colégio Estadual Nilo Peçanha)
– Beato (Colégio Estadual Imar de Carvalho)
– Desatando Nós (Colégio Comercial Cândido Mendes)
– Dance no Ritmo (Colégio Estadual Barão do Rio Bonito)
– Superação (CIEP 310 – Profª Alice Aiex)
– Patricinha (Escola Estadual Paulo Fernandes)
– O Maníaco do Matadouro (CIEP 287 – Angelina T. Netto Sym)
– Nebuloso (Escola Estadual Joaquim de Macedo)
– Uma Chance Por Favor (Colégio Cenecista Profº José Costa)
– Os Meninos Que Catavam Latas (CIEP 284 – Nelly de Toledo Rocha)
– Os Gonzalez (Escola Municipal São José do Turvo)
– O Andarilho (Escola Estadual Profª Maria Nazareth Santos Silva)
– Sai de Baixo: Um Amor de Carnaval (Escola Estadual Dr. Álvaro Rocha)
– O Jogo (CIEP 428 – Mariana Coelho Municipalizado)
– Espeto de pau (Escola Estadual Marieta Vasconcellos)
– Ouro Que Liberta (Colégio Estadual Profº Adelino Terra)
– O Legado (Instituto de Educação Nossa Senhora Medianeira)

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Decisão em primeira instância da Justiça Federal de São Paulo concede ao governo federal 120 dias para regulamentar a lei 10.222, de maio de 2001, que proíbe as emissoras de televisão aumentar o volume durante os comerciais, uma das estratégias usadas para chamar a atenção da audiência.

Sancionado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, o texto de 2001 dizia que o Executivo deveria criar, em até 120 dias, “os mecanismos necessários” para aplicar e fiscalizar as novas regras do setor. Em 2011, o Ministério Público Federal de São Paulo entrou com uma ação civil pública, motivada por uma reportagem publicada pela Folha de S. Paulo. Na ocasião, a convite do jornal, um perito judicial mediu as variações de áudio em 26 canais –abertos e pagos. Quase todos tinham propagandas mais barulhentas do que suas atrações, sobretudo canais infantis. Registrou-se, à época, diferença de até seis decibéis (aumento de quase quatro vezes no volume).

“Isso é muito proveitoso para o anunciante. Canais infantis são aqueles em que os comercias são mais altos, justamente para chamar a atenção da criança”, diz o procurador Jefferson Aparecido Dias, responsável pela ação, em entrevista ao jornal, na edição desta quinta-feira, dia 15 de março.

A lei de 2001 prevê, como punição aos canais infratores, suspensão das transmissões pelo prazo de 30 dias (e o triplo para reincidentes). A discussão agora é quem, no âmbito do governo federal, ficaria responsável pela fiscalização. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a Advocacia-Geral da União (AGU) disse que só vai analisar o caso após ser intimada. Só assim tomará alguma atitude, inclusive recorrer da decisão.

Educação ambiental no Brasil

O que mudou nos vinte anos entre a Rio 92 e a Rio+20

Por Philippe Pomier Layrargues 
Professor adjunto do curso de gestão ambiental da Universidade de Brasília (UnB)
Publicado no site ComCiência

Como a cultura científica brasileira não tem incorporada a rotina de produção e sistematização da informação em séries históricas periódicas, o que pode então nos auxiliar para efetuar a reflexão sobre as mudanças que ocorreram em certo campo social ao longo de um determinado período é, basicamente, o testemunho da vivência militante dos profissionais que acompanharam o desenrolar dessa história. Se para exercícios dessa natureza, como no campo da educação ambiental, é possível identificar os momentos mais visíveis – de surgimento ou desaparecimento de algo –, por outro lado é muito difícil medir qualitativamente os aspectos sutis daquilo que se ampliou ou reduziu, se consolidou ou se fragilizou, se fortaleceu ou enfraqueceu, se tornou central ou periférico, sem um adequado instrumento de coleta e tratamento de informação. Portanto, um exercício de tal proporção, exige o estabelecimento de um diálogo envolvendo os sujeitos que não só acompanharam, mas participaram ativamente desse período histórico1. Assim, sem sombra de dúvidas, o estabelecimento de uma robusta metodologia de monitoramento periódico é um desafio que se coloca de forma imperativa para se conhecer e acompanhar de perto a realidade da educação ambiental, essa prática pedagógica incrivelmente dinâmica em sua historicidade.

Um dos contextos mais centrais a se considerar neste período que abrange dois decênios, entre a Rio 92 e a Rio+20, é o significativo programa de incentivo que as Nações Unidas protagonizaram a partir de 2005, instituindo no plano internacional, nada menos que a “Década da educação para o desenvolvimento sustentável”. Poucos temas possuem o privilégio de receber o destaque e atenção pública que a instituição das décadas das Nações Unidas pode oferecer a um determinado tema de alta relevância. Porém, faltando apenas dois anos para a sua conclusão, a constatação mais cabal e surpreendente é que a década passou praticamente despercebida e sem grandes efeitos para influenciar mudanças na educação ambiental brasileira em dez anos. Proposta em Joanesburgo no âmbito da Rio+10, foi recheada de muita apreensão e controvérsias no continente latino-americano. Se, por um lado, esse movimento poderia representar um vigoroso estímulo ao fortalecimento do processo educativo articulado à sustentabilidade, por outro lado, a década também representa a culminação de uma estratégia de consolidação simbólica do dúbio e questionável conceito “desenvolvimento sustentável”, com sua tendência economicista e sua vinculação com as ecotecnologias e com as forças de mercado como fatores indutores da sustentabilidade no regime capitalista de desenvolvimento. Como saldo desse período, diante da encruzilhada ideológica a escolher, tudo indica que a educação ambiental brasileira optou por abrir mão dos benefícios advindos com o estímulo político conferido à matéria educativa vinculada às questões ambientais, e rechaçou a proposta da “Década da educação para o desenvolvimento sustentável”, em nome da manutenção da força simbólica presente na identidade cultural do conceito “educação ambiental” concebido no país, fortemente vinculado à ideia de se trabalhar por “sociedades sustentáveis”, e não para o “desenvolvimento sustentável”.

No plano legal, pudemos assistir a um notável processo de institucionalização da educação ambiental no país, neste período de vinte anos. Tivemos, em 1999, a criação – relativamente prematura – da Política Nacional de Educação Ambiental (Pnea) – a primeira na América Latina –, e sua regulamentação efetivada em 2002. Esse marco legal veio se somar a outras matérias legais que já asseguravam à sociedade brasileira o direito ao acesso universal à educação ambiental, como a própria Constituição Federal e a Política Nacional do Meio Ambiente; mas como um corpo legal específico para a educação ambiental, avança na tipificação dos princípios, diretrizes, objetivos, características, modalidades e outras questões necessárias à sua prática.

Esse período testemunhou também a criação de novos marcos regulatórios para a gestão pública da educação ambiental como, por exemplo, a resolução 422/2010 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que estabelece as diretrizes para as campanhas, ações e projetos em educação ambiental, a Nota Técnica 01/2010 do Ibama, que estabelece as diretrizes para os programas de educação ambiental no âmbito do licenciamento ambiental do petróleo e gás, e a “Estratégia nacional de comunicação e educação ambiental em Unidades de Conservação”, lançada pelo Ministério do Meio Ambiente em 2011.

Novos espaços públicos

No plano político-institucional, assistimos ao surgimento de novas institucionalidades e espaços públicos para lidar com o planejamento da educação ambiental: em primeiro lugar, na esfera federal, foi criado o Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental, unindo os Ministérios do Meio Ambiente e o da Educação, com seu respectivo comitê assessor, composto por pouco mais de uma dezena de instituições de grande relevância no país. Na esfera estadual, foram criadas as Comissões Estaduais Interinstitucionais de Educação Ambiental, instâncias democráticas responsáveis pela formulação de políticas estaduais para a educação ambiental, apoiando as secretarias de meio ambiente e de educação na condução de seus programas e estratégias estaduais. Chegou-se inclusive a se aventar a criação de um Sistema Nacional de Educação Ambiental, que teria como meta dar um salto de qualidade na articulação institucional entre os atores e instituições que lidam com a educação ambiental não só entre as três esferas de governo, mas também com a sociedade civil, para potencializar a sinergia e complementaridade neste processo educativo que se espera ser contínuo e permanente.

Porém, se, por um lado, é notório o surgimento e consolidação do processo de institucionalização pública da educação ambiental neste período, inclusive com uma migração muito interessante de educadores ambientais que trabalhavam nas universidades, escolas e organizações não governamentais, que aceitaram o desafio de ocupar espaços governamentais centrais na formulação de políticas públicas de educação ambiental, aprendendo a fazer política a partir da própria experiência que ora se iniciava, por outro lado, podemos testemunhar às vésperas da Rio+20 haver ainda algumas fragilidades no campo político-institucional: baixa qualificação profissional não apenas entre alguns quadros técnicos dos gestores governamentais, mas também nos membros presentes nas instâncias colegiadas, que acumulam ainda a questão da fraca representatividade, muitas vezes não pertencendo ao campo da educação ambiental propriamente dito; constatação da necessidade de se efetuar alguns ajustes no texto da Política Nacional de Educação Ambiental, em decorrência da vivência e experimentação de sua implementação; constatação de algumas descontinuidades políticas na sucessão entre as distintas gestões governamentais, acrescidos de uma certa insatisfação com a elaboração de programas públicos nacionais de educação ambiental instrumentalizados pela pauta do ambientalismo pragmático, vertente do ambientalismo que põe a educação ambiental estrategicamente a serviço do mercado, para se constituir como um mecanismo de compensação do risco do atual modelo de produção e consumo: assim aparece a educação ambiental no âmbito das mudanças climáticas, da produção e consumo sustentáveis, e da economia verde, com sua face normativa e nada questionadora do atual modelo civilizatório.

E fica ainda a dúvida a conferir, se os avanços conquistados no processo de institucionalização da educação ambiental se traduziram em políticas públicas mais consistentes e apropriadas à realidade brasileira, garantindo um ganho de eficácia na gestão pública. Afinal, de nada adianta louvar os avanços obtidos na institucionalização se eles não se converteram em benefícios reais para a sociedade.

No plano organizacional, assistimos, desde a Rio 92, à criação e consolidação de um modelo de organização social muito característico para a cultura brasileira: as redes de educação ambiental. Iniciamos com a fundação da Rede Brasileira de Educação Ambiental no âmbito do Fórum Global em 1992, e chegamos ao período recente com cerca de 50 redes de educação ambiental, sejam elas estaduais, regionais, locais ou temáticas, que agregam milhares de pessoas predispostas a estarem articuladas e a trocar informações. Neste período de vinte anos, a Rede Brasileira de Educação Ambiental organizou sete Fóruns Brasileiros de Educação Ambiental, considerados como os eventos mais abrangentes e populares da área no país, fornecendo um robusto mapa do estado da arte em cada edição.

Porém, como parte da lógica das redes sociais, todas as redes de educação ambiental encontram-se passivas de sofrer com fases de refluxo, alternando períodos efervescentes de atividades coletivas com outros de total apatia e imobilismo. Ainda neste plano organizacional, outro problema enfrentado desde o início, até então, diz respeito à polêmica questão da representatividade das redes junto às instâncias colegiadas com o surgimento dessas novas institucionalidades na gestão pública da educação ambiental, em nome da manutenção da cultura das redes, que prevê a horizontalidade e multiliderança, não sendo, portanto, a forma de organização social mais adequada ao modelo político atual, vertical e hierarquizado.

Por fim, um terceiro problema de ordem organizacional, que persiste atualmente, é que algumas dessas redes e suas respectivas listas de discussão na rede mundial de computadores parecem se constituir muito mais como “caixas de som” propagandeando interesses particulares. Esses problemas desafiam um papel que se poderia esperar das instâncias organizadas da educação ambiental, o controle social e participação em políticas públicas. Outra característica, que parece explícita na identidade organizativa da educação ambiental brasileira é seu frágil diálogo para fora do círculo dos educadores ambientais, envolvendo outros atores sociais, notadamente os movimentos populares e sociais.

Inserção na educação formal

Quanto à educação ambiental formal, aquela desenvolvida na escola, neste período entre a Rio 92 e a Rio+20, ocorreu uma expressiva expansão no ensino fundamental brasileiro, inclusive considerado por especialistas como sendo muito acelerado para um período temporal tão curto (notadamente entre 2001 e 2004), atingindo a universalização do acesso à ela na escola e reduzindo as disparidades existentes entre os estados.

Porém, por outro lado, além das clássicas carências existentes na escola brasileira, conhecidas por todos, como a baixa capacitação dos professores, por exemplo, há ainda uma significativa carência institucional para a educação ambiental formal, que é a aprovação da proposta das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, pelo Conselho Nacional de Educação. Há que se reparar ainda que os Parâmetros Curriculares Nacionais, criados em 1997, não foram culturalmente internalizados na escola brasileira.

O fato de que tendencialmente os professores vêm utilizando como fontes de informação as revistas de popularização da ciência e não a produção científica, elaborada pelos próprios educadores ambientais que contribuem com a formulação teórica do campo, sugere que essa expansão quantitativa da educação ambiental na escola não foi acompanhada por uma expansão qualitativa no refinamento das intervenções educativo-ambientais na escola.

E, no balanço geral, parece que as políticas de educação ambiental para a escola ainda são formuladas de fora para dentro, desvalorizando-as, o que implica no esvaziamento das discussões históricas dos trabalhadores da educação. Tudo indica que a educação ambiental não encontrou as condições ideais para ser estruturante nas políticas centrais da educação (currículo, gestão escolar, planejamento de carga horária docente, carreira docente, função social das escolas etc).

Na academia, retratando a forte demanda por um aprofundamento da formação profissional em educação ambiental, esse período testemunhou ainda a criação dos primeiros e, até o momento, único programa de pós-graduação stricto senso exclusivo em educação ambiental: o mestrado em 1994 e o doutorado em 2005 na Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Foi criada também a Rede Universitária de Programas de Educação Ambiental, em 1997, e dois grupos de trabalho em duas associações de pós-graduação e pesquisa: o GT de Educação Ambiental da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade, e o GT de Educação Ambiental da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, ambos criados em 2002. Os educadores ambientais passaram a constituir-se também como pesquisadores. Por outro lado, surgiu recentemente uma nova categoria de problemas no campo da educação ambiental, que se caracteriza pelo encolhimento da área em diversos programas de pós-graduação do país, diante da forte demanda produtivista que assola a academia, expondo uma grave contradição: por um lado, a crescente demanda por formação profissional densamente qualificada, por outro lado, o encolhimento das linhas de pesquisa em educação ambiental nos programas de mestrado e doutorado.

No âmbito da produção teórica acadêmica, se há um país que o recado de Tbilisi (Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental promovida pela Unesco em parceria com o Pnuma e realizada na cidade russa de Tbilisi em 1977, considerada o principal marco histórico da área) acerca da necessidade de articulação interdisciplinar na educação ambiental envolvendo os aspectos físicos, biológicos, sociais, econômicos, culturais e políticos da questão ambiental, pegou, esse país é o Brasil. Esse período, no que diz respeito ao âmbito da produção conceitual, demarca a substituição dos esforços que buscavam definir um conceito de educação ambiental para outra fase, o de caracterizar distintas correntes político-pedagógicas na área. Se antes se buscava construir um conceito padrão definidor de tudo aquilo que engloba e representa a educação ambiental, passou-se a prospectar as diferenças entre as correntes de pensamento que inspiram as experiências pedagógicas propriamente ditas. O fato é que a produção intelectual brasileira passou por uma ampliação considerável, acompanhada por um adensamento dos debates nos eventos científicos.

Uma vertente de pensamento que se ampliou bastante nestes vinte anos – a crítica, emancipatória e popular – busca, na devida contextualização do fenômeno, ultrapassar o reducionismo ecológico que predomina nas práticas pedagógicas vinculadas à educação ambiental de cunho conservacionista/tecnicista, resultado de uma paulatina aproximação dos educadores ambientais com as ciências sociais e da educação e com o pensamento crítico que busca interpretar a questão ambiental por meio de sua politização. Mas, com isso, outra novidade que despontou no cenário foi o surgimento de disputas conceituais por significação da missão última da educação ambiental, gerando, inclusive, algumas desavenças entre os pontos de vista dos educadores ambientais.

Educação ambiental como disciplina

Com relação àquilo que divide as opiniões entre os educadores ambientais, o grau de conflituosidade interno de maior envergadura que estava presente nos anos 1990 (e talvez o único conflito realmente expressivo interno ao campo da educação ambiental no período histórico da Rio 92), que girava em torno da polêmica disciplinarização na escola (assunto agora debatido também no interior da escola, por atores sociais vinculados ao debate sobre o currículo escolar), migrou para outro cenário, o da constituição da esfera pública governamental nacional da educação ambiental. A conflituosidade passa a girar em torno da instrumentalização dos programas públicos de educação ambiental fortemente determinados pela conjuntura político-econômica do encolhimento do Estado e da prevalência das forças de mercado como mecanismos indutores de políticas públicas, de onde se formula a pauta programática esperada para a função da educação ambiental.

Enfim, podemos testemunhar diversas mudanças que ocorreram ao longo de vinte anos na educação ambiental brasileira, mas, por outro lado, existem também alguns aspectos que não mudaram desde a Rio 92, e que talvez possam ser vistos como futuros desafios: é notável, por exemplo, a ausência, ainda hoje, de debates acerca da formação e profissionalização em educação ambiental. De vez em quando surge uma voz ou outra em alguma rede de educação ambiental, levantando a necessidade de haver um currículo mínimo e certificação oficial para um profissional ser reconhecido como educador ambiental e poder atuar profissionalmente com esse rótulo institucional, assinando por projetos públicos e privados na área. A questão suscita um rápido e superficial debate, polarizando argumentos a favor e contra a profissionalização da educação ambiental como uma carreira formal, mas que de imediato cai no esquecimento e não gera nenhuma consequência.

Um segundo aspecto que parece não ter mudado, que soa como um traço da “pobreza política da educação ambiental”, se traduz na entrada de qualquer pessoa que se propõe a trabalhar com esse campo do conhecimento, simplesmente a partir do senso comum, julgando que a educação ambiental se resume a práticas de sensibilização ecológica e campanhas de reciclagem, desprezando todo acúmulo histórico dos referenciais teórico-metodológicos desde os anos 1970; trazendo embutido o risco da fácil cooptação ideológica para o desenvolvimento de práticas educativas ingênuas e românticas, dificultando o projeto radical de abandono da prevalência hegemônica para tornar-se um projeto alternativo emancipatório, realmente questionador e transformador da estrutura civilizatória contemporânea e seus mecanismos de reprodução.

Outro aspecto que parece não ter mudado foi o grau de mobilização dos educadores ambientais em torno de grandes temas e eventos. Observa-se, nitidamente, que a comunidade dos educadores ambientais esteve intensamente mobilizada nestes vinte anos, reagindo à altura nos momentos necessários. E um dos objetos mais caros dessa entusiasmada mobilização permanece vinculado à defesa do “Tratado de educação ambiental para sociedades sustentáveis e responsabilidade global”, reafirmando-o como a grande carta de princípios adotada por significativa parcela dos educadores ambientais e pelo próprio Programa Nacional de Educação Ambiental, desde a Rio 92, quando foi formulada no âmbito do Fórum Global, o encontro paralelo da sociedade civil à Conferência do Rio.

Pode-se dizer que uma das grandes mudanças que ocorreram no campo da educação ambiental nestes vinte anos foi o ingresso dos educadores ambientais, pelo menos os mais nucleares e históricos no campo, na arena política. O processo de aprendizagem política de atores sociais fortemente vinculados ao universo educacional-ambiental está em curso, e uma certeza é que este campo nuclear constitui-se como uma combativa e atuante arena de resistência ideológica, de projeto societário alternativo ao capital, reunindo forças progressistas e emancipatórias, que tem muita clareza sobre os interesses em jogo, sobre os projetos civilizatórios em disputa.

Contudo, permanece ainda um desafio a enfrentar saber o saldo que a educação ambiental proporcionou à sociedade brasileira ao longo desses vinte anos. O que ela foi capaz de realizar, em quê ela influenciou no pensamento e nas práticas sociais do brasileiro. Ou seja, que mudanças societárias de fato ocorreram.

Este breve e despretensioso ensaio, que retrata o processo contraditório de amadurecimento do campo da educação ambiental no Brasil – por combinar simultaneamente avanços com retrocessos –, não permite uma abordagem mais aprofundada do que isso representou ao longo de duas décadas no Brasil. Por esse motivo, para se obter um maior adensamento sobre o tema, recomendamos a leitura de três obras: A implantação da educação ambiental no Brasil e Os diferentes matizes da educação ambiental no Brasil – 1997/2007, ambos de Silvia Czapski, e Educação ambiental no Brasil: formação, identidades e desafios, de Gustavo Lima.

Nota de rodapé

1. Agradeço as valiosas e generosas colaborações de Antonio Fernando Guerra, Carlos Frederico B. Loureiro, Gustavo Ferreira da Costa Lima, Irineu Tamaio, Luiz Antonio Ferraro Júnior e Michèle Sato para a realização desta reflexão.

Do rosa ao choque

A história da boneca Barbie foi objeto de estudo da dissertação de mestrado da professora Fernanda
Roveri. O levantamento agora está no livro Barbie na educação de meninas: do rosa ao choque (Editora AnnaBlume), que será lançado no dia 27 de abri, às 16h30, na Faculdade de Educação da Unicamp, em Campinas.

No livro, a autora discute como meninos e meninas são educados por seus brinquedos e como a publicidade investe em carregá-los de feminilidade ou masculinidade. Enquanto os brinquedos destinados aos meninos propagam ideias de velocidade, destruição e desempenho, os brinquedos feitos para meninas reforçam a maneira sensível e passiva de como estas devem se comportar, reforçando conceitos de domesticidade e beleza como algo inerente ao feminino.

As imagens da boneca presentes em filmes, sites, acessórios, livros e gibis também contribuem para uma discussão sobre o que é esperado das meninas. Desde cedo elas aprendem que se não estiverem na moda não conseguirão prestígio e visibilidade social

Leia abaixo um artigo que a professora escreveu para a revistapontocom sobre o tema de sua dissertação de mestrado, agora em livro.

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Barbie: tudo o que você quer ser ou considerações sobre a educação de meninas
Por Fernanda Roveri

Barbie, a boneca mais vendida no mundo, é protegida por uma aura de sublime pureza, inocência e fantasia, oferecendo-se para ocupar o cargo de melhor amiga da menina. Uma história da boneca Barbie talvez possa nos ajudar a entender alguns dos valores que a sociedade mais preza para a consolidação de uma certa “identidade de mulher”.

A pesquisa, desenvolvida junto ao Programa de Pós Graduação em Educação da Unicamp, procura discutir o sucesso da boneca Barbie e os mecanismos publicitários que veiculam a imagem de mulher adulta, feliz, corpo “em forma”, moderna e consumista…

Sempre mostrando seu sucesso atrelado à beleza e a um comportamento jovem e consumista, Barbie atingiu o novo milênio com o status de boneca mais vendida no mundo. Mas, o que poucos sabem, é que a Barbie tem uma descendência alemã e é fruto de um modelo feminino ideal do pós-guerra.

O casal norte-americano Ruth Handler e Elliot Handler foram os fundadores da empresa de brinquedos que fabrica a Barbie, a Mattel. Em 1956, eles passavam as férias com a família na Suíça quando Ruth, fazendo compras com sua filha adolescente, viu uma boneca adulta que não conhecia. A menina quis comprá-la para enfeitar seu quarto e a mãe levou duas bonecas para a filha e uma para entregar aos executivos da Mattel. Ruth havia vislumbrado a possibilidade de fabricar uma boneca com corpo adulto, como há anos desejava criar.

A boneca se chamava Lilli, era personagem de caricaturas de um jornal alemão. Nos quadrinhos, Lilli apresentava-se como uma derrotada no pós-guerra que fazia de tudo para trazer de volta sua prosperidade: estampada nas histórias de maneira sensual, ela costumava perseguir homens ricos em busca de dinheiro e sucesso. A personagem Lilli fora transformada em boneca e era uma espécie de mascote para os homens adultos. Vendida em bares e tabacarias, Lilli não era direcionada para crianças; a boneca ficava sentada com as pernas abertas em um balanço ou em um burrico e servia tanto para ser colocada no painel do carro como um presente para as namoradas no lugar de flores.

Inspirada em Lilli, Barbie foi lançada no mercado em 1959, e seu nome foi dado em homenagem à filha de Ruth, Barbara. Mas Ruth Handler procurou se esforçar para adequar sua boneca a um padrão de garota norte-americana “respeitável”. A fabricante precisou elaborar um pacote de propagandas que sanasse a insegurança e o ódio que as mães tinham em relação a uma boneca adulta.

Um dos discursos publicitários era o de que Barbie, com toda sua elegância, ajudava meninas travessas a se comportarem como pequenas damas. Assim, as propagandas iniciais da boneca seduziam as garotas fazendo com que estas conseguissem convencer os adultos a comprar o brinquedo.

É crescente, nos dias atuais, o lançamento de inúmeros desenhos animados que  abrigam uma publicidade eficaz em designar a Barbie como uma personagem distinta, amiga e real, criando uma expectativa de valor de uso como fonte de prazer. A publicidade insinua e sugere um universo que não vem junto com o brinquedo. Barbie aparece sempre em extravagantes cenários recheados de milhares de acessórios e equipamentos sedutores: palácios imensos e rosados, bichinhos de estimação, fadinhas encantadas, pôneis com asas, sereias etc.

Barbie também ensina para as crianças como elas devem se apresentar corporalmente, vendendo não só seus produtos, mas o estilo de vida que está em alta no mercado. Desde pequenas, as crianças são incentivadas a se apoderarem desse corpo de plástico e desejá-lo para si mesmas. No mundo virtual da boneca, é possível participar de diversas atividades com a Barbie e aprender que é essencial ter uma roupa para cada ocasião e não repetir o mesmo traje dentro de certos espaços de tempo. Barbie e suas amigas mostram como a mulher pode ficar mais bonita e descolada ao usar roupas que valorizam as formas femininas mais admiradas socialmente. Entrar no mundo da Barbie e ser como uma destas bonecas está cada vez mais “fácil”: qualquer mulher que não possuir o desejado corpo magro, jovem e esguio poderá contar com serviços de drenagem linfática, bioplastia, depilação a laser, lifting, dieta natural, limpeza de pele, aparelho de ginástica passiva, bronzeamento instantâneo e lipoescultura.

A boneca Barbie é cuidadosamente arrumada nas lojas formando um comprido e rosado corredor de “brinquedos exclusivos para meninas”. As crianças aprendem que seus brinquedos surgem das prateleiras, naturalmente oriundos de um espaço delimitado por hierarquia de gênero. Os brinquedos vêm imbuídos de normas que definem o que é permitido e o que não é permitido para cada sexo, há um abismo que separa os brinquedos destinados para meninos e os destinados para meninas. Mas vale ressaltar que essas dicotomias são criadas pelos adultos e que nem sempre têm o mesmo significado para as crianças no momento da brincadeira.

Meninos e meninas desconhecem que seus brinquedos têm uma realidade anterior à da loja e que são objetos de um processo produtivo. Mesmo que nem todas as crianças possam comprar os produtos que a publicidade da Barbie esforça-se para vender, qualquer pessoa pode consumir os signos de gênero e sexualidade apresentados pela boneca, que vertiginosamente ensina e produz certas formas de pensar, de agir, de estar e se relacionar com o mundo.

Meninas aprendem que a beleza é a condição para que adquiram visibilidade social. Cada vez mais novas, as crianças desejam transformar seus corpos de acordo com os moldes de Barbie, na fantasia de que o mundo fashion da boneca possa corresponder às suas vidas. Nessa ideologia, há estreita ligação entre ter o que é da Barbie e tornar-se a própria Barbie: vestir suas roupas, usar seus acessórios e sapatos iguais aos seus, significa conseguir o mesmo corpo, o incrível sucesso, o luxo e o prestígio da boneca.

Notas

1 – O artigo é fruto da dissertação de mestrado, defendida pela autora em agosto de 2008, tendo como orientadora a professora Dra. Carmen Lúcia Soares.

2 – Para mais informações a respeito da Lilli, ver a obra:  STEINBERG, Shirley R. A mimada que tem tudo. In: STEINBERG, S. R.; KINCHELOE, J. L. (orgs.). Cultura infantil: a construção corporativa da Infância. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 2001. p. 321-338.

Aos mestres, sem carinho

Por Zuenir Ventura
Jornalista

Por experiência própria, alguns dos países mais bem colocados no ranking de qualidade da educação — China, Coreia do Sul e Finlândia, principalmente — sabem que a isso se deve muito do seu desenvolvimento socioeconômico, sem falar no cultural. O Brasil, ou parte dele, parece não saber. Bastou o Ministério da Educação divulgar o novo piso salarial dos professores da rede pública, a fortuna de R$ 1.451,00, para que governadores e prefeitos protestassem e alegassem falta de recursos para adotar uma lei que já fora confirmada pelo STF. Onze deles se deslocaram até Brasília para pressionar pela mudança do parâmetro usado nos reajustes. Choraram miséria, falaram em nome da austeridade, mas acharam natural gastar na viagem, com passagens e diárias, o que dava para pagar um mês do novo salário de dezenas de profissionais de ensino.

O caso mais gritante é o do Rio Grande Sul, que ostenta o piso mais baixo, 791,00 (o de Roraima é R$ 2.142,00), e onde foi preciso que a Justiça obrigasse o governo a cumprir suas obrigações legais. Como observou o colunista Carlos Brickman, o governador petista Tarso Genro, “cuja função certamente não é tão útil quanto a de um professor, recebe quase R$ 30 mil mensais, fora casa, comida e muitas mordomias”. E parece não concordar com a opinião de seu colega de partido, o ministro Aluizio Mercadante, de que “a valorização do professor começa pelo piso”.

Por essas e outras é que quase ninguém mais quer ser docente aqui, enquanto em outros lugares acontece o contrário. Numa recente entrevista a Leonardo Cazes, o finlandês especialista em edu cação Pasi Sahlberg informou que “o magistério é a carreira mais popular entre os jovens do seu país”. Não por acaso, a Finlândia ocupa o terceiro lugar no ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) e o Brasil o 53 entre 65 países. Talvez não seja coincidência também que o Distrito Federal, com o piso mais elevado (R$ 2.315,00), apresente o melhor resultado, segundo os critérios do Pisa.

É bom saber que o Brasil acaba de ser declarado a sexta economia mundial. Mas é triste constatar que em qualidade de educação estamos lá embaixo, atrás de Trinidad e Tobago, Bulgária e México. E que uma das razões é que dedicamos aos nossos mestres pouco carinho e remuneração insuficiente.

É revoltante a inação d o mundo diante do genocídio que vem sendo imposto ao povo sírio de Homs pelo ditador Bashar al-Assad. Em 1937, durante a Guerra Civil espanhola, quando Hitler fez o mesmo com uma cidade basca, arrasando-a, o martírio produziu pelo menos uma obra-prima: o quadro Guernica, de Picasso. Agora, além da conivência da Rússia e da China, a barbárie conta com o silêncio, a omissão ou a indiferença dos outros países, inclusive do Brasil.

Publicado no Jornal O Globo – 10/03/2012

Crianças ‘soldados’ em Uganda

Por Carlos Castilho
Jornalista

Até às 22h de sábado (10/3), 68 milhões de pessoas assistiram ao vídeo Kony 2012  pouco mais de cinco dias depois de ter sido colocado na Internet. Mas o que impressiona não é apenas a curiosidade em massa por um filme de meia hora que pretende usar os meios de comunicação para transformar um criminoso em celebridade mundial como estratégia para lograr a sua captura.

O vídeo é a principal peça de uma campanha  lançada pela organização Crianças Invisíveis (Invisible Children), criada pelo cineasta norte-americano Jason Russell com o objetivo de prender Joseph Kony, o chefe de um grupo armado que age  no interior de Uganda. Koni é acusado de usar crianças e adolescentes como soldados encarregados de espalhar o terror nas regiões rurais daquele país da África Central, conhecido por ter sido governado pelo excêntrico marechal Idi Amin.

A espantosa velocidade com que o vídeo se espalhou pela internet provocou outro fenômeno não menos impactante materializado nas discussões que  gerou em blogs, twitter, redes sociais e veículos da imprensa.  Em circunstâncias como esta, a variedade de participantes leva inevitavelmente a uma diversidade de dados, fatos e percepções, o que aumenta a complexidade dos temas da agenda noticiosa mundial e complica o trabalho da imprensa.

O vídeo Koni 2012 se baseia numa simplificação da realidade ugandesa (os bons contra os maus) para chegar a uma proposta também simplista:  os maus deve ser eliminados.  Mas a questão é mais complexa porque envolve uma longa lista de estereótipos construídos pela imprensa mundial sobre a realidade africana, interesses eleitorais norte-americanos, campanhas de captação de dinheiro, uso de uma sofisticada estratégia de advocacy (marketing de causas) e o impacto emocional causado pelo uso de crianças tanto para matar como para recolher donativos.

Jason Russel  explora uma situação dramática, comovente e revoltante num vídeo entulhado de clichês que vão desde opiniões de seu próprio filho de três anos para justificar um esforço mundial para capturar Koni, até instruções sobre como colocar o bandoleiro africano na mídia internacional, usando braceletes, doações, kits publicitários etc, passando por inevitáveis depoimentos de estrelas de Hollywood e de políticos norte-americanos em campanha eleitoral. Há pouquíssimas imagens das crianças/soldados de Koni, o que pode ser compreensível dado o fato de que o “exercito” atua em regiões muito remotas da selva ugandesa.

A dificuldade em entender todas as dimensões do problema colocou a imprensa, especialmente a europeia, diante de um dilema: simplesmente passar adiante os dados brutos deixando ao leitor a tarefa de contextualizá-los, ou assumir que tem responsabilidade em tomar partido da busca de explicações, rompendo com a tradicional preocupação com a neutralidade e isenção.

O desafio dos jornais, como também do resto da mídia, vem do fato de que no episodio Koni 2012 o marketing se tornou tão evidente que o fato jornalístico perdeu parte de seu impacto noticioso.  Isto também é um fato novo em se tratando de eventos de natureza tão dramática envolvendo crianças, sequestros e massacres.  A própria mídia começou a questionar a autenticidade informativa do fenômeno e da sua propagação viral pela internet.

O jornal  inglês The Guardian foi o que levou mais longe essa preocupação ao admitir publicamente que não tinha condições de oferecer ao seus  público uma analise completa do caso e convocou os  leitores para que eles aportassem novos dados, fatos e informações para ampliar o material disponível sobre a denúncia formulada pela organização Crianças Invisíveis criada por Russel e a campanha internacional que ele deflagrou com a publicação do vídeo no site YouTube.

Não é a primeira vez que o jornal convoca seu público para tentar esclarecer uma questão complexa. Ele já fez isto no caso dos documentos com denúncias contra parlamentares britânicos e no do vazamento de e-mails divulgados pelo site Wikileaks.  O reconhecimento da impotência de um jornal em investigar sozinho uma situação complexa marca uma importante mudança na tradicional autossuficiência jornalística e assinala, principalmente, a incorporação dos leitores como parceiros na contextualização de noticias.

Não é de hoje que a imprensa conhece ou finge ignorar a estratégia de organizações internacionais que, em situação de penúria financeira, “descobrem” alguma tragédia ou conflito tribal africano e chamam uma equipe de televisão que filma cenas dramáticas para ser exibidas em horário nobre na Europa e Estados Unidos. No dia seguinte os donativos começam a chover na conta das organizações ao mesmo tempo em que as imagens são exportadas para o resto do mundo.

Este tipo de advocacy promovido por ONGs da Europa e Estados Unidos não é ilegal e nem imoral. Em alguns casos é até louvável, mas a insistência com que passou a ser usado precisa ser questionada pela imprensa para que ela não certifique com sua credibilidade ações que podem levar os leitores à apoiar iniciativas equivocadas ou inconsistentes.

ENTENDA O CASO

Joseph Kony, número um na lista de criminosos de guerra mais procurados do mundo, acaba de tornar-se famoso, para seu azar. Na última sexta feira, seu rosto já tinha sido visto por mais de 70 milhões de pessoas em todo mundo, que assistiram ao documentário de 30 minutos chamado Kony 2012, postado no YouTube pela organização Invisible Children Inc na segunda-feira, dia 5 de março. O objetivo da ONG não era homenagear Kony, líder do grupo rebelde Lord’s Resistance Army, de Uganda, tristemente conhecido por sequestrar garotos de suas famílias e, pelo medo, transformá-los em guerrilheiros, matando e mutilando suas famílias e seus vizinhos. O anonimato facilitava a fuga de Kony pela África, por isso a Invisible Children se propôs a torná-lo uma celebridade divulgando seu rosto e fazendo com que cada pessoa no mundo possa identifica-lo e prende-lo ainda em 2012. Segundo a empresa de métricas online Visible Measures Corp, o vídeo de Kony superou os 70 milhões de views na manhã de sexta-feira, dia 9, tornando-se o viral mais rápido da história. Na segunda-feira anterior, a ONG lançou oficialmente a campanha Kony 2012 nas mídias sociais, criando páginas no YouTube, Facebook e Twitter e pedindo a celebridades que ajudassem a divulgar a campanha. Já existem mais de 500 mil comentários para a campanha e o twitter @invisible já tem mais de 370 mil seguidores. A página do Facebook passa dos 2 milhões de seguidores. Para ter uma ideia do impacto, a Visible Measures compara Kony 2012 ao fenômeno Susan Boyle, considerada a campeã até agora. No caso da cantora anônima, cujo vídeo hoje tem mais de 480 milhões de views, foram necessários seis dias para atingir os 70 milhões de views. Kony atingiu a marca com um dia a menos.

Celular para deficientes visuais

A equipe das engenheiras de computação Girly Perando e Janiena Roxanne Dirain, de Manila, Filipinas, apresentou, na última semana, um protótipo de aparelho para cegos que detecta obstáculos em até cinco metros de distância. O inventou custou US$ 142. O dispositivo apresentado pelas engenheiras, da Universidade Mapua, também funciona como celular com teclado em código braile para que os deficientes visuais possam receber e responder mensagens de texto e fazer ligações.

 

Você viu essa?

Dos quadrinhos para a cidade de Taubaté, em São Paulo. André Luiz Pinheiro, militar aposentado que se veste de Batman em festas infantis, foi convidado a atuar em conjunto com a polícia no combate aos crimes de homicídio e tráfico de drogas. O “Batman de Taubaté” de 50 anos é fã de quadrinhos e possui cerca de 200 fantasias de super-heróis.

De acordo com o jornal O Vale, da cidade de Taubaté, o Batman fará parte do Movimento pela Paz, iniciativa promovida por organizações civis e apoiada pela Polícia Militar. Sua primeira aparição pública será ao lado das autoridades policiais no próximo dia 17 de março, numa ação da Unidade Avançada de Polícia Comunitária, no bairro de Esplanada Santa Terezinha, um dos mais violentos de Taubaté.

Em depoimento à repórter Michelle Mendes, do jornal O Vale, alguns moradores exprimiram a ansiedade pela ajuda de Batman. “As crianças não têm espaço de lazer e nem onde brincar. Será uma boa o projeto ter um personagem grandioso como esse. Vai ajudar a resgatar valores que estão perdidos por aqui”, disse a dona de casa Fátima Ferreira. “Percebemos que as famílias estão desestruturadas e será por esse caminho que vamos conseguir resgatar os menores”, afirmou o empresário Fábio Duarte.

Nesta sexta-feira, André Luiz Pinheiro se reuniu com a major Eliane Nikoluk Scachetti – comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar do Interior, em Taubaté -, para acertar os últimos detalhes do trabalho de seu alter ego super-heroico.

“Não vou sair pelas ruas correndo atrás de bandido. Eu não tenho competência nem sou pago para isso, minha função no projeto será outra e que por sinal, é muito legal. A ideia é aproveitar a figura dos super-heróis para resgatar os ideais de valores como respeito ao próximo, à família, aos estudos, leis e direitos nos bairros carentes. Se tudo der certo e o projeto vingar, poderei montar em Taubaté um arsenal de heróis juntando diversos personagens. Já penso em algo como grupos de teatro nos bairros. Decidi participar porque acho que posso colaborar muito com os personagens, se conseguir ajudar uma criança que seja, o meu papel já será realizado”, afirmou o Batman de Taubaté ao jornal local.

Para que o Batman fique por perto, o alto comando da Polícia Militar terá que aprovar a medida.

Fonte – Universo HQ e Jornal O Vale