As crianças que trabalham na tevê

Inês Vitorino Sampaio é professora da Universidade de Fortaleza, onde se dedica a estudar a relação entre a criança e as diferentes mídias. Autora do livro Televisão, publicidade e infância (Ed. Annablume) e coordenadora do Grupo de Estudos da Relação Infância e Mídia (Grim), ela diz que a infância dos bastidores de TV e sets de cinema perde um elemento importante para o seu aprendizado: o caráter lúdico da atividade de representar.

“Creio que o ingresso precoce da criança em um universo permeado pela lógica da mercantilização da cultura (…) a expõe indevidamente a tensões que ela poderia lidar com mais serenidade na idade adulta. Esta é para mim a principal perda dessa relação (infância, juventude/bastidores, sets), a perda do lúdico, em que a criança podia simplesmente cantar, dançar, representar, enfim, apenas para se divertir e não para ser eleita a melhor por uma equipe de profissionais, uma banca de calouros ou o público de um país”, afirma a professora, entrevistada pela equipe da Revista Nós da Escola, uma publicação da MULTIRIO dirigida aos professores da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Acompanhe:

O que caracteriza a infância e a juventude dos bastidores de programas de TV e sets de cinema? Inês Sampaio – A atividade de representar para a criança é algo muito natural. O ingresso no mundo da imaginação, onde ela se transforma em incontáveis personagens – assumindo papéis referentes a mundos próximos (pai ou mãe) ou distantes (o xerife ou a bruxa), constitui parcela importante do seu aprendizado. Ao brincar, como postulam Walter Benjamin, Jean Piaget, entre outros estudiosos, a criança descobre o mundo e suas regras, seus limites e possibilidades. Brincar de representar para ela é, nessa perspectiva, um enorme aprendizado, que se situa no terreno do lúdico, da gratuidade, do prazer. Creio que o ingresso precoce da criança em um universo permeado pela lógica da mercanti­liza­ção da cultura, ou seja, voltado, predominantemente, para a obtenção de lucro, a expõe inde­vi­da­mente a tensões que ela poderia lidar com mais serenidade na idade adulta. Esta é para mim a principal perda dessa relação (infância, juventude/basti­dores, sets), a perda do lúdico, em que a criança podia simplesmente cantar, dançar, representar, enfim, apenas para se divertir e não para ser eleita por uma equipe de profissionais, uma banca de calouros ou o público de um país como a melhor. Particularmente nas duas últimas décadas, têm sido recorrentes as matérias jornalísticas que retratam as situações vivenciadas por crianças, expostas a filas em processos de seleção para agências e/ou emissoras que lhes pro­metem a fama; obrigadas, muitas vezes, a enfrentar horas em sets de gravação submetidas à intensa iluminação e alta temperatura.

O que ganha a criança com esta busca frenética pela fama?
Inês Sampaio – Em um país de profundas desigualdades sociais, em que a mídia se apresenta como uma possibilidade de mobilidade social mais evidente que os bancos escolares, costuma-se ouvir a alegação de muitos pais de que a exposição da imagem da criança na mídia constitui a possibilidade real de se garantir para ela um futuro promissor. Como muitos profissionais da comunicação podem atestar, essa promessa de futuro melhor, extensiva à família em alguns casos, vem a se constituir em mais uma sobrecarga de responsabilidade posta sobre os ombros das crianças, que passam a sustentar com seus vencimentos os demais membros da família, em uma inversão clara da relação criança-adulto.

A atividade que crianças e jovens exercem ao fazer programas de TV, cinema, publicidade etc. se caracterizaria por ser um trabalho de ‘manifestação e expressão artística’ ou ‘trabalho infantil’?
Inês Sampaio – As duas possibilidades não são excludentes, a não ser que estejamos pensando em uma arte inteiramente autônoma, o que não tem se configurado como realidade, mesmo considerando o período que antecede ao processo recente de sua massificação a partir da indústria cultural. Receio que esta questão não deva ser tratada de forma indiscriminada, envolvendo todas as crianças que atuam hoje na TV, no cinema ou na publicidade. Há diferenças importantes do ponto de vista das quantidades de horas que a criança dedica às atividades de comunicação, exigências específicas a que ela está submetida, como participar de desfiles, show, etc. O fato de que este deta­lha­mento seja feito mediante contrato, já constitui um indicativo de que a criança passa a ser projetada num universo institucional pautado por relações comerciais, que ultrapassa sensivelmente o seu mundo de brincadeiras.

Em que medida a legislação que temos hoje relativa à infância e adolescência, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), protege essas crianças e jovens que trabalham na TV e no cinema?
Inês Sampaio – O Estatuto da Criança e do Adolescente tem sido um instrumento fundamental de proteção à infância no que se refere as suas atividades no contexto da comunicação midiática, estabelecendo horários especiais para o desenvolvimento das atividades infantis, exigindo a sua freqüência obrigatória na escola, proibindo o trabalho para menores de 14 anos. Vale, contudo, ressaltar que nem sempre o que está previsto na lei vem sendo cumprido. Além disso, é necessário que se estabeleçam novas discussões acerca de aspectos legais, na medida em que a dinamicidade do campo comu­nica­cional cria novas situações não previstas por esta lei.

O que normalmente é produzido, em termos de programas de TV e cinema, em nome das crianças?
Inês Sampaio – A questão da qualidade na produção cultural para a criança não me parece estar associada ao fato de ser um adulto ou uma criança seus idealizadores e executores. Há bons programas produzidos por adultos, tanto quanto por crianças. Não se trata também apenas de uma questão de ouvi-las. Há muitas formas utilizadas pelas emissoras para buscar entender a criança e os seus interesses, tais como cartas e pesquisas. A questão mais grave, me parece, é a própria concepção hegemô­nica da criança como consumidora. É a partir desta lógica que parcela expressiva dos programas são feitos, o que acaba comprometendo a sua qualidade. Não é de admirar que as produções da televisão pública, neste contexto, destaquem-se como referenciais de qualidade. Nas escolas, ONGs, centros culturais, por sua vez, vemos crescer uma tendência importante de participação de crianças e adolescentes na elaboração de filmes, documen­tários, vídeos. São manifestações culturais articuladas, muitas vezes, com o próprio resgate da identidade cultural de um bairro ou região, onde se verifica uma boa dose de experimen­talismo, na medida em que tais experiências são situadas, muitas vezes, à margem do mercado. É preciso, neste cenário, apostar nesta garotada, dar-lhe condições de se en­vol­ver com a comunicação e a arte numa outra perspectiva, algo que está fortemente associado à definição de políticas públicas no terreno da comunicação.

Entrevista concedida em 2005

Em busca de novos escritores

Está marcada para novembro – entre os dias 8 e 11 de novembro – a Festa Literária das Unidades de Polícia Pacificadora (FLUPP), um evento que pretende promover a leitura nas favelas cariocas que já receberam as UPPs. Mas desde abril a leitura já faz parte das comunidades, envolvendo jovens e adultos. Trata-se da FLUPPensa, uma espécie de game literário que busca despertar e encontrar novos escritores tanto das periferias quanto da polícia militar e civil.

Até novembro, serão realizados 13 encontros (três já aconteceram) com os 100 participantes inscritos (50 policiais e 50 moradores das comunidades). Em cada evento, os participantes têm um desafio literário,  proposto pelos escritores que integram o projeto e que é avaliado por uma banca examinadora. Em cada encontro, o escritor convidado conta como o seu processo de criação, produção e sua experiência profissional.

O lançamento do projeto aconteceu no dia 3 de abril, no Morro dos Prazeres, com a participação da escritora Ana Maria Machado, atual presidente da Academia Brasileira de Letras. Houve um segundo encontro, no dia 14 de abril. Na ocasião, os participantes da Gamboa receberam o crítico e jornalista Rodrigo Fonseca. No dia 28 de abril, foi a vez da Cidade de Deus. A palestra foi comandada pelo escritor André Vianco. As duas próximas acontecem no dia 4 de maio, no QG da Polícia Militar, e no dia 5 de maio, no Complexo da Maré. Os dois encontros contarão com a presença do roteirista Bráulio Tavares. (leia abaixo a expectativa do escritor sobre o evento).

No final dos 13 encontros, os 30 melhores pontuados – 15 policiais e 15 moradores – terão seus textos publicados em uma coletânea a ser lançada na abertura da FLUPP, em novembro. “Vencerão os trinta que fizerem mais pontos ao longo do processo que não será eliminatório, porque achamos importante, e raro, que neste processo de formação literária, os jovens da periferia sejam expostos a autores complexos. Mesmo quem não pontuar o suficiente para ter seus textos publicados será vencedor”, disse Julio Ludemir, coordenador do projeto ao Observatório de Favelas.

Literatura como auto-expressão

Por e-mail, Bráulio Tavares contou à revistapontocom o que espera do encontro e como ele vê essa aproximação da literatura com as comunidades cariocas que já receberam as UPPs. Confira:

“Já participei de muitas iniciativas parecidas, e talvez a mais recente tenha sido na Universidade das Quebradas, a convite de Numa Ciro e Heloísa Buarque de Hollanda, aqui no Rio de Janeiro. Pela experiência que tenho, a maioria das pessoas envolvida nessas atividades vê a literatura como uma forma de auto-expressão. Querem falar de si mesmas, mas não querem falar do próprio umbigo ou de inquietações existenciais, embora estas possam estar presentes; querem falar de um modo concreto do mundo em que vivem, das dificuldades que enfrentam, das esperanças que têm. Em suma: a maioria quer fazer uma literatura (seja romance, conto, poesia) que de certa forma explique, discuta, questione o mundo em que vivem. Não querem fazer literatura escapista. Isto coloca várias questões interessantes, porque, como se sabe, eu me dedico principalmente ao estudo da literatura fantástica e de ficção científica, ou seja, um tipo de literatura considerado “irrealista”, fora da realidade, uma literatura que dá as costas ao mundo real, fecha os olhos à vida real. Meu desafio é mostrar que não é bem assim. A literatura fantástica extrai suas imagens do nosso inconsciente, reflete nossos medos, nossos traumas, nossas fascinações ocultas. E a ficção científica é, cada vez mais, no mundo de hoje, a única literatura que fala da totalidade do presente, mesmo quando suas histórias se passam em outros planetas ou num futuro remoto. Acho que as pessoas podem usar a literatura como uma interface entre elas e o mundo. Um território onde elas jogam uma parte de si mesmas, uma parte do mundo que conhecem, e ficam mexendo aquilo num caldo de palavras, fervendo, para ver o resultado”.

TV pública no Brasil

Por Maria Alice da Cruz
Do Jornal da Unicamp

Na década de 1950, as imagens em preto e branco que tornavam mais acessíveis os ídolos do rádio ocupavam lugar de destaque no Brasil. A novidade, porém, já nascia comercial, pelas mãos do jornalista Assis Chateaubrind. O curioso é que nesses 60 anos de criação da TV, o Brasil não conseguiu estabelecer um sistema público de comunicação, o que dificulta a manutenção da TV pública no país. Na opinião do autor da tese “A TV Pública no Brasil”, defendida no Instituto de Artes da Unicamp, Nordahl Christian Neptune, para se chegar a uma televisão capaz de atender mais aos interesses sociais que comerciais, é preciso rever a legislação e, principalmente, estabelecer regras, já que no Brasil os interesses foram elaborados sem elas.

Para o orientador da tese, professor Adilson Ruiz, a falta de regras desde a origem da TV no Brasil faz com que os detentores dos canais não admitam ser controlados por uma legislação. Ruiz acrescenta que na Europa não há qualquer possibilidade de isso acontecer. Um exemplo é a proteção à produção independente, cujos produtos devem ser comprados pelas emissoras de TV para veicular. No Brasil, as emissoras comerciais tentam manipular, dizendo que isso poderá interferir no interesse público. “Eles dizem que é ditadura. Preferem repetir um filme a semana inteira à exaustão, pois, apesar de não terem produto audiovisual para preencher a grade, não adquirem trabalhos de produtoras independentes pelo fato de essas gerarem um novo mercado”, explica Ruiz.

Ao comparar o desenvolvimento da TV pública no Brasil ao de outros países, Neptune observa que na Europa e nos Estados Unidos a TV já nasceu pública, enquanto no Brasil os interesses comerciais e de poder ainda emperram as discussões sobre políticas voltadas para o campo público da televisão. “Na Europa, a TV comercial aparece somente na década de 1980 e mesmo assim a pública não perde seu espaço”, compara Neptune.

Ele pontua que, apesar de começar a ser discutida com a participação de diferentes setores da sociedade, a TV pública ainda não contempla uma excelência na grade de programação. Mesmo com a criação da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) durante o 1º Fórum de TV Pública, em 2007, os canais públicos ainda conquistam de forma tímida seu lugar na grade. Segundo o orientador Adilson Ruiz, a criação da EBC é um marco importante na história da TV pública por contar com um conselho de personalidades de diversos setores da sociedade. A empresa tem em seu bojo a NBR, que dá conta do dia a dia da Presidência da república, mas tem também a TV Brasil que tem uma programação autônoma supervisionada por seu conselho.

De acordo com Neptune, nos Estados Unidos e em toda a Europa, a TV surge pelas mãos da iniciativa pública, com regras estabelecidas e aperfeiçoadas ao longo do tempo, mas no Brasil, a origem da TV diferencia-se do resto do mundo. Ele lembra que no país, a primeira TV educativa nasceu em 1967, na Universidade Federal de Pernambuco, mas, apesar dos avanços, muitas delas ainda estão atreladas a interesses do governo. Para o orientador da tese, Adilson Ruiz, naquela época não havia entendimento de que a televisão é um serviço público. “Sem normas e regras, existe uma TV comercial absurdamente verticalizada. Este fenômeno só tem no Brasil”, pondera Ruiz.

O professor acrescenta que tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, as questões referentes à TV pública estão legisladas, mas no Brasil, a legislação não é suficiente para organizar um sistema de comunicação pública. Na Europa, segundo o orientador, a TV comercial ganha espaço somente na década de 1980, mas as emissoras públicas mantêm papel importante no sistema de comunicação. No Brasil, a discussão de uma TV com interesse público começa a ter força somente perto da década de 1990, com a Constituição Cidadã de 1988, quando o conceito de cidadania começa a ser discutido.

Para Neptune, a discussão é dificultada pelo fato de os próprios legisladores não conseguirem definir os conceitos de TV pública e TV educativa. “Hoje, esses conceitos estão mais estabelecidos. Mesmo assim, precisam ser intensificados”, pondera.

Narcisismo no facebook

Por Luiz Felipe Pondé
Colunista da Folha de S. Paulo
Publicado no Caderno Ilustrada – Folha de S. Paulo

Faço parte do que o jornal britânico “The Guardian” chama de “social media sceptics” (céticos em relação às mídias sociais) em um artigo dedicado a pesquisas sobre o lado “sombrio” do Facebook (22/3/2012).

Ser um “social media sceptic” significa não crer nas maravilhas das mídias sociais. Elas não mudam o mundo. Aliás, nem acredito na “história”, sou daqueles que suspeitam que a humanidade anda em círculos, somando avanços técnicos que respondem aos pavores míticos atávicos: morte, sofrimento, solidão, insegurança, fome, sexo. Fazemos o que podemos diante da opacidade do mundo e do tempo.

As mídias sociais potencializam o que no humano é repetitivo, banal e angustiante: nossa solidão e falta de afeto. Boas qualidades são raras e normalmente são tão tímidas quanto a exposição pública.

E, como dizia o poeta russo Joseph Brodsky (1940-96), falsos sentimentos são comuns nos seres humanos, e quando se tem um número grande deles juntos, a possibilidade de falsos sentimentos aflorarem cresce exponencialmente.

Em 1979, o historiador americano Christopher Lasch (1932-94) publicava seu best-seller acadêmico “A Cultura do Narcisismo”, um livro essencial para pensarmos o comportamento no final de século 20. Ali, o autor identificava o traço narcísico de nossa era: carência, adolescência tardia, incapacidade de assumir a paternidade ou maternidade, pavor do envelhecimento, enfim, uma alma ridiculamente infantil num corpo de adulto.

Não estou aqui a menosprezar os medos humanos. Pelo contrário, o medo é meu irmão gêmeo. Estou a dizer que a cultura do narcisismo se fez hegemônica gerando personalidades que buscam o tempo todo ser amadas, reconhecidas, e que, portanto, são incapazes de ver o “outro”, apenas exigindo do mundo um amor incondicional.

Segundo a pesquisa da Universidade de Western Illinois (EUA), discutida pelo periódico britânico, “um senso de merecimento de respeito, desejo de manipulação e de tirar vantagens dos outros” marca esses bebês grandes do mundo contemporâneo, que assumem que seus vômitos são significativos o bastante para serem postados no “Face”.

A pesquisa envolveu 294 estudantes da universidade em questão, entre 18 e 65 anos, e seus hábitos no “Face”. Além do senso de merecimento e desejo de manipulação mencionados acima, são traços “tóxicos” (como diz o artigo) da personalidade narcísica com muitos amigos no “Face” a obsessão com a autoimagem, amizades superficiais, respostas especialmente agressivas a supostas críticas feitas a ela, vidas guiadas por concepções altamente subjetivas de mundo, vaidade doentia, senso de superioridade moral e tendências exibicionistas grandiosas.

Pessoas com tais traços são mais dadas a buscar reconhecimento social do que a reconhecer os outros.
Segundo o periódico britânico, a assistente social Carol Craig, chefe do Centro para Confiança e Bem-estar (meu Deus, que nome horroroso…), disse que os jovens britânicos estão cada vez mais narcisistas e reconhece que há uma tendência da educação infantil hoje em dia, importada dos EUA para o Reino Unido (no Brasil, estamos na mesma…), a educar as crianças cada vez mais para a autoestima.

Cada vez mais plugados e cada vez mais solitários. Na sociedade contemporânea, a solidão é como uma epidemia fora de controle. O Facebook é a plataforma ideal para autopromoção delirante e inflação do ego via aceitação de um número gigantesco de “amigos” irreais. O dr. Viv Vignoles, catedrático da Universidade de Sussex, no Reino Unido, afirma que, nos EUA, o narcisismo já era marca da juventude desde os anos 80, muito antes do “Face”.

Portanto, a “culpa” não é dele. Ele é apenas uma ferramenta do narcisismo generalizado. Suspeito muito mais dos educadores que resolveram que a autoestima é a principal “matéria” da escola. A educação não deve ser feita para aumentar nossa autoestima, mas para nos ajudar a enfrentar nossa atormentada humanidade.

Classificação indicativa

Por Marcus Tavares

De novembro de 2010 a março de 2011, o Ministério da Justiça, por meio do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação (Dejus), promoveu ampla consulta pública online sobre o processo de classificação indicativa. Na ocasião, o próprio Dejus anunciou que a consulta serviria de base, inclusive, para a elaboração da redação de uma nova Portaria sobre o tema. Dias depois do início da consulta, o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 2404), ajuizada pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), contra o dispositivo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – artigo 254 – , que classifica como infração administrativa a transmissão de programa de rádio ou televisão em horário diverso do autorizado pelo governo. O julgamento foi suspenso no dia 30 de novembro. O ministro Joaquim Barbosa fez pedido de vista do processo.

Passados cinco meses, o tema não voltou à pauta do STF. Fato que vem adiando a publicação da nova Portaria, como informa a diretora do Dejus, Fernanda Alves dos Anjos. Em entrevista à revistapontocom, Fernanda, no entanto, garante que nada muda com o novo documento.”Fundamental destacar aqui que mesmo com uma nova Portaria, as bases da política pública da classificação indicativa permanecem as mesmas”, afirma.

Na entrevista que se segue, Fernanda também fala do diálogo entre o Dejus e as emissoras comerciais de tevê e responde aos questionamentos de que a classificação indicativa é um dos empecilhos à produção audiovisual para crianças e adolescentes.

Acompanhe:

revistapontocom – O Dejus promoveu – de novembro de 2010 a março de 2011 – uma ampla consulta pública sobre a classificação indicativa da programação da tevê. Os resultados ainda não foram divulgados. A sociedade tomou conhecimento de alguns retornos, apenas, por meio da imprensa. Na ocasião, foi divulgado pelo Dejus que o resultado da consulta serviria de base para redação de uma nova Portaria de Classificação Indicativa. Por que o resultado ainda não foi divulgado? O que de fato ficou constatado? A consulta foi válida ou não?
Fernanda Anjos – Sim, a consulta foi e é extremamente válida. Os resultados da participação social no debate público online sobre a classificação indicativa (http://culturadigital.br/classind/) foram bastante expressivos: recebemos mais de 60 mil acessos; cerca de 2.200 comentários e sugestões de cidadãos; além de cerca de 20 contribuições de instituições representativas, como o Ministério Público, emissoras de TV, como o SBT, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), programadores de TV por Assinatura, como a Associação Brasileira de Programadores de Televisão por Assinatura (APBTA) e a Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA). O objetivo do debate público foi a atualização da política da classificação indicativa por meio da participação da sociedade. Parte do resultado disso foi o lançamento, no dia 19 de março, da última edição do Guia Prático da Classificação Indicativa (clique aqui e acesso o documento), que deixam mais claros os objetivos, critérios e métodos de análise para se atribuir a classificação indicativa. A nova Portaria, resultado da consulta, já foi construída e está em fase de finalização.

revistapontocom – Mas quando, de fato, a nova Portaria será publicada?
Fernanda Anjos – A nova Portaria já foi construída e está em fase de aprovação. O Ministério da Justiça aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) acerca da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 2404) que questiona a vinculação horária da programação de TV aberta à classificação indicativa. Isso [este aguardo se dá] para que essa nova regulação se dê de forma integral e perene. Fundamental destacar aqui que mesmo com uma nova Portaria, as bases da política pública da classificação indicativa permanecem as mesmas. No debate público online não houve sugestões de mudanças substanciais, até mesmo porque a classificação indicativa e o trabalho realizado pelo Ministério da Justiça são baseados tanto na Constituição Federal quanto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

revistapontocom – Pode-se dizer, portanto, que a atuação do Dejus está de certa forma aguardando a resolução do STF que ainda julgará a inconstitucionalidade da classificação indicativa, tal como está posta?
Fernanda Anjos – O que está sendo questionado no STF não é constitucionalidade da classificação indicativa. Não há qualquer dúvida de que a classificação indicativa seja constitucional. O que a ADI 2404 questiona é parte do artigo 254 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que prevê possibilidade de penalização pelo não atendimento da recomendação de horário da classificação indicativa pela TV aberta. A atuação do Dejus independe do julgamento do STF. Qualquer que seja a decisão, o Ministério da Justiça continua com a competência de monitorar a programação de TV, analisar obras audiovisuais e indicar a classificação etária e a respectiva recomendação de horário para sua exibição, no caso da TV aberta. As penalidades do artigo 254 do Estatuto da Criança e do Adolescente (sejam de multa ou suspensão das transmissões, em caso de reincidência da emissora de TV) já não são hoje aplicadas pelo Ministério da Justiça. São medidas determinadas somente por decisão judicial, com ampla possibilidade de contraditório, e o ministério sequer tem o poder de ingressar com essa ação judicial.

Lembrando o caso:
O julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 2404), ajuizada pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) contra dispositivo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que classifica como infração administrativa a transmissão de programa de rádio ou televisão em horário diverso do autorizado pelo governo federal, foi interrompido no dia 30 de novembro de 2011. O ministro Joaquim Barbosa fez pedido de vista do processo. O dispositivo em questão prevê pena de multa e suspensão da programação da emissora por até dois dias, no caso de reincidência (clique aqui e saiba mais sobre o tema).

revistapontocom – De que forma o Dejus, por meio do Ministério da Justiça, está trabalhando internamente para tentar reverter a possibilidade de o STF ser contrário à constitucionalidade do artigo 254 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)?
Fernanda Anjos – Não cabe ao Ministério da Justiça ou a seus departamentos interferir nesta ou em qualquer decisão do STF. O Ministério da Justiça tem recebido manifestações da sociedade, especialmente de históricos defensores dos direitos de crianças e adolescentes, em favor da confirmação da constitucionalidade do artigo 254 do ECA (que é o ponto questionado no STF). É possível que esta manifestação da sociedade ganhe corpo e possa influenciar uma reversão da tendência até aqui manifestada.

revistapontocom – Caso o STF julgue inconstitucional o artigo 254 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que caminho o DEJUS, por meio do Ministério da Justiça, vai seguir? Há alguma saída legal/jurídica para retomar o processo? Qual a orientação que o Dejus vai tomar na perspectiva positiva ou negativa do STF?
Fernanda Anjos – Ao Dejus e ao Ministério da Justiça não cabe questionar uma decisão do Supremo e o trabalho do Departamento permanecerá, seja qual for a decisão do STF. O Ministério da Justiça continuará com a competência de monitorar a programação de TV, analisar obras audiovisuais e indicar a classificação etária, com a respectiva recomendação de horário de exibição e, ainda, informar às autoridades competentes, sempre que verificar o desatendimento destas recomendações.

revistapontocom – Em relação à classificação indicativa, o Ministério da Justiça/ Dejus recebe alguma orientação específica de trabalho do Governo da Presidente Dilma Rouseff?
Fernanda Anjos – Não. A política pública de classificação indicativa já está consolidada, com sua dinâmica de trabalho estabelecida.

revistapontocom – Como anda o diálogo entre o Dejus e os canais de televisão? A incompreensão e as discussões ainda são grandes?
Fernanda Anjos – O Ministério da Justiça tem um bom diálogo com as emissoras de TV. Houve uma grande aproximação desde a realização de oficinas da classificação indicativa, a partir de 2009, e da objetivação dos métodos e critérios da classificação indicativa, consolidados no Guia Prático da Classificação Indicativa (o primeiro lançado em 2009 e o segundo, ainda mais claro e objetivo, lançado em março deste ano). Hoje há critérios e métodos claros para se atribuir a classificação, elaborados com a participação da sociedade. Todo o processo de classificação é público e transparente. Tanto que, no ano de 2011, de cerca de 5.500 filmes, episódios e capítulos autoclassificadas pelas emissoras e posteriormente analisados pelo monitoramento do Ministério da Justiça, resultaram apenas 48 advertências por irregularidades. Isso representa algo inferior a 1%. Também o número de reclassificações (indeferimento da autoclassificação) é inferior a 10%, ou seja, em mais de 90% das vezes há concordância entre emissoras e Ministério da Justiça.

revistapontocom – Canais de TV aberta culpam, em parte, a política de classificação indicativa por inviabilizar a criação/produção de programas voltados para crianças, devido aos critérios utilizados para a classificação. Como o Dejus responde a este questionamento?
Fernanda Anjos – Crianças podem ser influenciadas pelo que experienciam na TV ou em outros meios audiovisuais e, ao longo de seu desenvolvimento, as crianças passam por diferentes estágios de amadurecimento mental e emocional. A exposição a alguns conteúdos audiovisuais como violência, sexo, e uso de drogas (que são os critérios da classificação indicativa), podem, por exemplo, causar medo, imitação, dessensibilização ou naturalização da violência, sexualização precoce e despertar para o uso de drogas. Por isso, é necessário que existam parâmetros claros para agregar esta informação à obra audiovisual. Para que os pais possam fazer a escolha do melhor divertimento para os seus filhos, é preciso informação. E é isso que faz a classificação indicativa: informa. Os pais e responsáveis por crianças e adolescentes – e só eles – é que devem fazer as restrições e proibições. A classificação indicativa certamente representa restrições bem menores à criação e produção de programas do que algumas imposições comerciais, tais como o interesse dos patrocinadores, o merchandising e o apelo dos índices de audiência. O problema e a dificuldade das emissoras não é a produção de programas voltados para criança – aí estão canais como a TV Ra Tim Bum, Futura, e mais alguns da TV por assinatura – que têm programação de qualidade voltada exclusivamente para esse público, mostrando que isso não é impossível ou extremamente difícil. O desafio das grandes emissoras de TV aberta, na realidade é a intenção de fazer programas para todos os públicos. Para atrair o público adulto, a demanda de realismo engloba o trinômio sexo, drogas e violência, que não é conciliável com uma formação saudável de crianças e adolescentes.

Seminário FNLIJ de Literatura Infantil e Juvenil

Por Marcus Tavares

Começa nesta terça-feira, dia 24 de abril, o 14º Seminário FNLIJ de Literatura Infantil e Juvenil, uma das atrações do 14º Salão do Livro para Crianças e Adolescentes, que acontece no Rio de Janeiro, no Centro de Convenções SulAmérica, desde o último dia 18. Promovidos pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), o seminário e o salão do livro têm o objetivo de promover a leitura no dia a dia de meninos e meninas.

O seminário, aberto ao público e com foco principalmente nos professores, vai durar três dias – 24 a 26 de abril, das 9 às 17 horas. A literatura mexicana para crianças e adolescentes é o tema da abertura do evento, com a presença de escritores, ilustradores e especialistas. O segundo dia será dedicado ao 9º Encontro Nacional dos Escritores e Artistas Indígenas, quando serão discutidos questões sobre a literatura indígena. Já no terceiro dia, os participantes discutirão a relação dos jovens com a leitura.

Clique aqui e veja a programação detalhada de cada dia do seminário

A escolha da literatura mexicana como tema do primeiro dia do seminário é justificada pelo fato de o México ser o país homenageado pelo Salão do Livro deste ano. Uma escolha mais do que justa, segundo a presidente da FNLIJ, Beth Serra. Em entrevista à revistapontocom, Beth Serra explica mais detalhes da escolha do México como país homenageado.

Acompanhe:

revistapontocom – Por que o México foi escolhido como o país homenageado?
Beth Serra – A escolha do México como país homenageado se insere primeiramente no objetivo geral de divulgar a qualidade da literatura latino-americana que, nós brasileiros, conhecemos tão pouco. O México tem excelentes escritores e ilustradores. Haverá um exposiçao de livros e de ilustraçoes. Além disso, o primeiro dia do Seminario sobre Literatura Infantil Juvenil será dedicado ao país. A homenagem ao México foi possível graças a parceria da FNLIJ com a instituição Leer México, que é a seção mexicana do IBBY naquele país. A mensagem deste ano do Dia Internacional do Livro Infantil, comemorado no dia 2 de abril, foi de autoria da Leer México. O autores do texto e da ilustraçao estarão presentes.

revistapontocom – Qual é o diferencial da literatura infanto juvenil mexicana?
Beth Serra –  A literatura, entendida como textos ficcionais de qualidade, se caracteriza por expressar traços da cultura de um país com valores universais. E com o México nao é diferente. O escritor Francisco Hinojosa, que estará conosco, tem uma marca de humor muito particular que traduz bem esse aspecto. Na ilustaçao, os artistas expressam uma riqueza de cores e de imagens que reflete as ricas raízes de sua cultura.

revistapontocom – De que forma a experiência do México pode contribuir para o incentivo à leitura no Brasil?
Beth Serra – O intercâmbio do Brasil com o México sobre as experiências de incentivo à leitura já ocorre há muito tempo. Há vinte anos, os mexicanos decidiram investir na ampliação da rede de bibliotecas públicas, decisão revolucionária para a época, quando o governo brasileiro sequer tinha cogitado a necessidade de tal projeto. Durante alguns anos, fui a uma feira de livros, na cidade do Mexico, só para crianças e jovens. Fique surpresa quando vi que as feiras tinham sempre uma biblioteca em seus espaços, com o objetivo de semear e fortalecer a cultura de valorizar e usar a biblioteca da escola e as públicas. Trouxe essa experiência para o nosso Salão. Portanto, certamente existem várias experiências no México nas quais podemos nos inspirarmos. Não gosto de usar o termo replicar experiências, pois não acredito que experiências educacionais e culturais possam ser “replicadas”. As experiêcias que deram certo nos apontam caminhos que podemos adaptar à nossa realidade.

revistapontocom – O que temos a aprender com o México e vice-versa?
Beth Serra – Valorizar a biblioteca  é uma delas e investir nas feiras de livros para crianças. Como disse, me inspirei neles para o Salão FNLIJ. No campo da formação de leitores e da divulgação da literatura infanto-juvenil dos nossos paises, temos tido oportunidade de trocar experiências e projetos. O Congresso internacional do IBBY de 2012, será no México, evento que também estaremos divulgando durante o Salão.

Periferia na tevê

Por Inaira Campos e Thiago Ansel
Observatório de Favelas

“Bateria arrebenta/Todo mundo comenta” são versos de “Samba da Regina”, música de Arlindo Cruz e Gilberto Gil, que abre o programa de TV Esquenta!, comandado pela atriz Regina Casé. Até a sua última edição, no domingo, dia 31/03, a atração cumpriu o que professou sua trilha sonora: deu o que falar.

No palco rodeado por um auditório, sambistas, comediantes e celebridades  dividem espaço com grupos musicais de diferentes cantos do país. Os números musicais são entrecortados por quadros que costumam abordar temas tão diversos  quanto educação, violência contra mulher, comportamento e aspectos da cultura popular. Estes últimos, geralmente comentados por uma espécie de elenco fixo – composto por cantores como Arlindo Cruz, Preta Gil, Leandro Sapucahy, atores como Douglas Silva, entre outros – e convidados, que parecem selecionados segundo o seguinte critério: não deixar o nível de heterogeneidade do programa cair.

Segundo Sarah Nery Chaves, que fez uma pesquisa intitulada “Eu tenho cara de pobre: Regina Casé e a periferia na TV”, o argumento da apresentadora para fazer o que faz é colocar o pobre que sempre vê TV para se reconhecer nela, longe dos estereótipos das novelas e das notícias policiais. “Acredito que ela realmente procura aproximar as pessoas: anônimos e famosos, ricos e pobres, brancos e pretos. Faz isso à sua maneira, com os aparatos e parceiros que tem e na polêmica empresa em que trabalha”, afirma Chaves. O cantor Criolo, um dos convidados da edição do dia 18 de março, deu um depoimento semelhante ao se referir à atração: “As pessoas que estão em casa dizem ‘tem alguém parecido
comigo’.”

Para Alexandre Paes, ex-espectador declarado e estudante de educação física, o Esquenta! causa mais embaraço do que distração. “Acho que o pobre e o favelado são zoados o tempo todo. Não sei se é a intenção da produção. Acho que não é, mas é isso que acaba acontecendo. E todo mundo fica rindo. Antes eu via e sentia aquela vergonha que só me fazia olhar para o lado. Da última vez que vi, tive que mudar de canal. Acho que quando chega nesse estágio de trocar de canal é porque você fica muito constrangido”, conta.

Há também os que afirmam que a forma pela qual o programa representa a periferia pode ser um tiro pela culatra. “A Regina tem carisma e até me parece muito autêntica quanto à proposta de mostrar os subúrbios e favelas. Agora, não sei se é uma decisão da emissora ou da direção do programa estigmatizar comportamentos presentes nas comunidades. Um exemplo foi a eleição das chamadas ‘néns’, garotas ‘vestidas para ir ao baile funk’, cheias de maneirismos, falando errado e servindo de chacota. É isso que é ser garota de favela? Acho que as favelas têm coisas mais interessantes para se mostrar”, opina a jornalista Alexandra Silva.

Paradoxal

De um extremo a outro, a marca da atração parece ser o paradoxo. Se de um lado, Esquenta! traz para a grade dominical da Globo diversidade muito superior em contraste com outros programas da emissora, de outro há momentos em que o reforço de estigmas é patente. Foi o que aconteceu no dia 12 de dezembro,
num quadro dedicado a discutir o papel das empregadas domésticas na sociedade brasileira. O programa trouxe babás que deixam suas famílias durante a semana para cuidar dos filhos de outras pessoas.

Regina encerrou o bloco dizendo “a babá é uma instituição nacional”. E completou: “Antigamente babá se chamava ama de leite porque elas também davam de mamar para os bebês. Até o imperador tinha uma ama de leite. Outro político muito importante, um cara sensacional, Joaquim Nabuco, que lutou muito pela
abolição da escravatura, escreveu em suas memórias sobre os escravos domésticos.

Ele escreve especialmente sobre a sua ama de leite: ‘Ela permanecerá por muito tempo como uma característica nacional do Brasil’” (durante a fala, a telinha mostrava fotos de mulheres negras com crianças brancas nos dias atuais). “Talvez a gente deva a abolição da escravatura a esse carinho que a babá do Joaquim Nabuco teve por ele. Palmas para a ama de leite do Joaquim Nabuco, que fez o
Brasil dar um passo importante na sua história”, concluiu a apresentadora.

A equivalência estabelecida entre ama de leite – tarefa executada, à época, por escravas – e babá – categoria profissional contemporânea, como tantas outras – parece longe de propor qualquer tipo de ruptura com estereótipos. O que chama atenção, ao contrário, é a insistência na ideia de que o carinho tem sido o emblema de relações raciais no Brasil. A escolha de Joaquim Nabuco como referência confirma que a abordagem do programa em alguns momentos pode mesmo ser paradoxal, já que se trata de um personagem histórico que foi diplomata, intelectual abolicionista do Império, mas cujas memórias contêm uma célebre passagem onde o pensador diz ter “saudades do escravo”.

Para Maria Eduarda Rocha, professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que tem se dedicado a analisar o programa, a questão exige pensar o Esquenta! em seu conjunto. “A resposta exige que se olhe para duas coisas: primeiro, a chave de
representação dos negros no programa. Essa não me parece assimilável ao mito da democracia racial porque os negros e mestiços não são ‘embranquecidos’, muito pelo contrário, estão lá trazendo formas de manifestação cultural que são as da ‘periferia’. Embora o mito da democracia racial possa ser ressignificado na ideia de pluralismo, sem dúvida há no programa uma dimensão afirmativa das
identidades negras que vai na contramão desta ideia”, pondera a pesquisadora.

O lugar da periferia na grande mídia

Há lugar para a periferia, ao meio-dia, na Rede Globo? Para a pesquisadora Sarah Nery Chaves é possível, mas desde que dentro das regras e formatos da emissora. “As estratégias televisivas nos seduzem com suas narrativas e isso não deveria ser motivo para descartamos as experiências que elas proporcionam. Apesar de também poderem ser vistos enquanto reprodução de estereótipos e
reforço das fronteiras culturais, por um lado, sem dúvida, eles ajudam a expandir nossa visão de Brasil e de mundo com histórias e personagens tão extraordinários quanto ordinários, que retratam aspectos profundos da nossa cultura. Por isso não há como pensar em termos de ‘positivo’ ou ‘negativo’, ‘bom’ ou ‘ruim’, pois há muitos fatores juntos”, explica.

As ambiguidades que marcam a incorporação das culturas populares pela mídia não são exatamente novas. Segundo Maria Eduarda Rocha, esse movimento de “incorporação”, simultaneamente, reconhece as classes populares, mas deixa evidentes as tentativas de dominação simbólica sobre este grupo. De acordo com essa perspectiva, a ideia de que há um “aviltamento” da cultura popular pela cultura de massa remete a uma concepção purista de cultura que não se sustenta quando olhamos para a história.

A professora, contudo, adverte que no caso do Esquenta é preciso lembrar que enquanto a Globo dá visibilidade positiva às classes populares, ao mesmo tempo, ela trabalha fervorosamente em favor do monopólio da fala. “Esse monopólio é um obstáculo, embora não absoluto, para que as classes populares
possam falar de si mesmas e as torna em parte dependentes de um espaço de visibilidade outro. Essa contradição, a Globo não pode resolver, por mais pluralista e democrático que seu programa tente ser”, ressalta.

Programa infantil na tevê aberta

Por Anna Virginia Balloussier. Colaborou Elisangela Roxo
Folha de S. Paulo

Querida, encolheram as crianças. Na TV aberta, ao menos, a programação para essa faixa etária ficará em breve mais “baixinha”. A Globo, que já colocou em sua linha de frente programas como “Vila Sésamo” e “Xou da Xuxa”, argumenta agora que a grade infantil não dá nem audiência, nem receita publicitária. E decidiu acabar com os 60 minutos diários dedicados à criançada. Com os desenhos “Homem de Ferro” e “Bob Esponja”, a “TV Globinho” sairá das manhãs de segunda a sexta -continua aos sábados, com “Sítio do Picapau Amarelo” e “Turma da Mônica”. Abre espaço para o programa de Fátima Bernardes, que deve estrear no segundo semestre, vizinho ao Ana Maria Braga. É comum que “Globinho” empate com “Hoje em Dia”, feminino da Record.

A Globo diz seguir tendência internacional: deixar os pequenos para a TV paga. Seria um espaço menos sujeito a controle externo, como classificação indicativa, sugerida pelo governo, e proibições à publicidade infantil (como limite à propaganda de alimentos e ao uso de desenhos para “seduzir” o público-alvo). Dos dez canais por assinatura mais assistidos em fevereiro, quatro eram para menores – campeão (Discovery Kids) e vice (Cartoon) inclusos.

“O segmento infantil está na TV paga porque lá não tem censura nem restrição à propaganda”, diz à Folha Luis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação.

Cada um no seu galho

As crianças ainda veem TV, como prova o “boom” de canais pagos. A Globosat se prepara o lançamento do canal Gloob. Na “Globo mãe”, afirma Erlanger, “não estamos deixando de fazer programação que interesse à criança, mas que interesse apenas à criança”.

Para especialistas, a Globo largou o osso justamente por falar a um público genérico demais. Ex-secretário do Audiovisual (em 2010), Newton Cannito diz que “a programação precisa ser muito segmentada dentro do próprio segmento”. Pais com filhos de várias idades sabem direitinho do que ele está falando.

“São diversas faixas etárias que concorrem entre si. Até os seis anos é uma. Dos sete aos dez, é outra. E ainda começa uma subdivisão entre gêneros: o que agrada ao menino não agrada à menina.”

Para piorar, na TV aberta, o modelo é baseado na venda de anúncios, com pouco “branding” – basicamente, a gestão de uma marca de modo que ela grude como chiclete na cabeça do consumidor.
Exemplo: se você quer vender uma Barbie, cria um universo em volta dela (de desenhos temáticos a virais na internet), em vez de comerciais tradicionais de 30 segundos.

Outra brecha: os canais pagos avançam a passo largo, mas ainda atingem menos de 25% da população. E o resto da garotada, assiste a o quê? A tendência é que as emissoras abertas foquem em seus pontos fortes. Em março, o diretor-geral da Globo, Octávio Florisbal, já disse que o SBT faz “muito bem” a grade infantil. O canal dedica sete horas diárias ao gênero e detém o pacote Disney/Warner.

Em sua autobiografia, o ex-executivo global José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, questiona: “Com tantos canais […] transmitindo toneladas de lixo estrangeiro, não seria a hora de as redes abertas deixarem esse tipo de produto apenas para o sábado, quando não há aula?”. Indaga, por fim, se “deu curto-circuito na babá eletrônica”. O apagão já começou.

Audiência pública debate a liberdade na internet

Uma audiência pública nesta terça-feira, dia 17, na Câmara dos Deputados, às 10h30, no Plenário 3, vai discutir o direito dos usuários da internet e a responsabilidade civil de terceiros por conteúdos publicados na rede. É o primeiro debate da comissão especial que analisa o projeto de lei do Marco Civil da Internet (PL 2126/11). Duas audiências públicas e seis seminários estão programados até junho.

O relator da proposta, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), quer envolver especialistas e a sociedade na discussão da proposta. Ele explica que é preciso avaliar que direitos o usuário da internet deve ter reconhecidos, protegidos, respeitados. “Direito à privacidade, à proteção dos seus dados, por exemplo, à sua navegação. De que maneira isso deve ser tratado pela lei brasileira? Muitas vezes hoje blogs têm receio de publicar opiniões com medo de depois serem responsabilizados por terem publicado a opinião de um terceiro e eventualmente ter que responder na Justiça por danos à imagem de alguém que se sinta prejudicado com aquilo.”

Leia também:
O poder tem medo da internet, por Manuel Castells (clique aqui)
Internet: novo direito humano, segundo EUA (clique aqui)

Nesta terça-feira, também será inaugurada a comunidade virtual no portal e-Democracia dedicada ao Marco Civil da Internet. No site www.edemocracia.camara.gov.br serão oferecidos diferentes instrumentos de interação, em parceria com a Coordenação de Participação Popular da Câmara, e ainda orientações quanto ao andamento da proposta no Congresso Nacional.

A gerente do portal, a servidora Alessandra Muller, explica como os cidadãos poderão contribuir com sugestões ao projeto, que vai estar disponível no wikilégis. “A pessoa vai poder participar fazendo sugestão de texto ou comentário, de artigo por artigo. Isso facilita a compreensão das pessoas, os próprios parlamentares também podem trabalhar de uma forma mais sistematizada. Diferentemente de fórum, que é uma participação mais aberta, o wikilégis orienta a participação no ponto exato que a pessoa deseja que seja alterado.”

O poder tem medo da internet

Manuel Castells é um dos sociólogos internacionais que mais estuda a sociedade da informação. A sua trilogia A era da informação: economia, sociedade e cultura já foi traduzida para 23 línguas. Depois de ter lecionado, por 24 anos, na Universidade da Califórnia, em Berkeley, desde 2001, ele dirige o departamento de pesquisa da Universidade Aberta da Catalúnia. Seu estudo mais recente chama-se Projeto Internet Catalúnia. Durante seis anos, por meio de 15 mil entrevistas pessoais e 40 mil via internet, Manuel Castells analisou as mudanças que a internet produziu na cultura e na organização social.

Confira a entrevista concedida ao jornal El País:

El País – Esta pesquisa mostra que a internet não favorece o isolamento, como muitos acreditam. Pelo contrário, ela revela que as pessoas que usam, por exemplo, as salas de bate-papo são as mais sociais.
Manuel Castells – Exatamente, o que para nós não é nenhuma surpresa. A surpresa é que esse resultado tenha sido recebido com espanto. Há, pelo menos, 15 estudos importantes no mundo que revelam o mesmo resultado.

El País – Por que acredita-se exatamente ao contrário?
Manuel Castells – Os meios de comunicação tem muito a ver com isso. Todos sabemos que, para a mídia, o que é mais notícia é a notícia negativa. Você utiliza a internet e seus filhos também. Mas é mais interessante acreditar que ela está cheia de terroristas, de pornografia… Pensar que ela é um fator de alienação é mais interessante do que dizer que a web é a extensão de nossas vidas. Se você é sociável, será mais sociável. Se não é, a internet lhe ajudará um pouquinho, mas não muito. De certa forma, os meios de comunicação expressam o que a sociedade pensa. A questão é: por que a sociedade pensa assim?

El País – Por que tem medo do novo?
Manuel Castells – Exatamente. Mas medo de quem? A velha sociedade tem medo da nova. Os pais dos seus filhos. As pessoas que têm o poder ancorado num mundo tecnológico, social e culturalmente antigo do poder que pode destabilizá-las, do poder que não entendem, controlam e que percebem como perigoso. A internet é um instrumento de liberdade e de autonomia. O fato é que o poder sempre foi baseado no controle das pessoas, por meio do controle do acesso à informação e à comunicação. Mas isto, com a web, acaba. A internet não pode ser controlada.

El País – Vivemos numa sociedade onde a gestão da visibilidade na esfera pública midiática, como define John J. Thompson, se converteu na principal preocupação de qualquer instituição, empresa ou organismo. Mas o controle da imagem pública requer meios que sejam controláveis. Mas nesse sentido, e se a internet não é …
Manuel Castells – Não, não é controlável. E isso explica porque os poderes têm medo da internet. Participei de várias comissões que assessoravam governos e instituições internacionais nos últimos 15 anos. A primeira pergunta que os governos faziam era: como podemos controlar a internet? A resposta é sempre a mesma: não se pode. Pode se vigiar, mas não controlar.

El País – Se a internet é tão determinante na vida social e econômica das pessoas, seu acesso pode ser o principal fator de exclusão?
Manuel Castells – Não. O mais importante ainda é o acesso ao trabalho e à carreira profissional, bem como o acesso à educação. Sem educação, a tecnologia não serve para nada. Na Espanha, a chamada exclusão digital é uma questão de idade. Os dados são bem claros: entre os maiores de 55 anos, somente 9% são usuários da internet. Mas entre os menores de 25 anos, 90% navegam regularmente.

El País – O acesso integral é, portanto, uma questão de tempo?
Manuel Castells – Quando minha geração desaparecer não haverá mais esta exclusão digital no que diz respeito ao acesso. Mas na sociedade da internet, o complicado não é saber navegar, mas saber onde ir, onde buscar o que se quer encontrar e o que fazer com o que se encontra. Isso requer educação. Na realidade, a internet amplifica a velha exclusão social da história: que é a educação. A verdadeira exclusão digital é o fato de que 55% dos adultos não tenham completado, na Espanha, a educação secundária.

El País – Nesta sociedade que tende a ser tão líqüida, na expressão de Zygmunt Bauman, em que tudo muda constantemente e que é cada vez mais globalizada, o senhor acredita que a sensação de insegurança vem aumentando?
Manuel Castells – Há uma nova sociedade que busquei definir teoricamente com o conceito de sociedade-rede e que não está distante da que define Bauman. Creio que, mais que líqüida, é uma sociedade em que tudo está articulado de forma transversal e onde há menos controle das instituições tradicionais.

El País – Em que sentido?
Manuel Castells – Admite-se a idéia de que as instituições centrais da sociedade, o Estado e a família tradicional já não funcionam. Então, o chão se move sob os nossos pés. Primeiro, as pessoas pensam que seus governos não as representam e que não são confiáveis. Começamos mal. Segundo, elas pensam que o mercado é bom para os que ganham e mau para os que perdem. Como a maioria perde, há uma desconfiança para o que a lógica pura e dura do mercado pode proporcionar às pessoas. Terceiro, estamos globalizados. Isso significa que nosso dinheiro está no fluxo global que não controlamos, que a população está submetida às pressões migratórias muito fortes, de modo que é cada vez mais difícil aglutinar as pessoas numa cultura ou nas fronteiras nacionais.

El País – Qual é o papel da internet neste processo?
Manuel Castells – Por um lado, ao nos permitir acessar toda informação, ela aumenta a incerteza, mas, ao mesmo tempo, é um instrumento chave para a autonomia das pessoas, e isto é algo que demonstramos pela primeira vez na nossa pesquisa. Quanto mais autônoma é uma pessoa, mas ela utiliza a internet. Em nosso trabalho definimos seis dimensões de autonomia e comprovamos que quando uma pessoa tem um forte projeto de autonomia, em qualquer uma dessas dimensões, ela utiliza internet com muito mais freqüência e intensidade. E o uso da internet reforça, por sua vez, a sua autonomia. Mas, claro, quanto mais uma pessoa controla a sua vida, menos ela se fia nas instituições.

El País – E maior então pode ser a frustração da pessoa pela distância que há entre as possibilidades teóricas de participação (o voto, por exemplo) e as que exerce na prática?
Manuel Castells – Sim, há um descompasso entre a capacidade tecnológica e a cultura política. Muitos municípios colocaram Wi-Fi de acesso. No entanto, se ao mesmo não são capazes de articular um sistema de participação, servem para que as pessoas organizem melhor as suas próprias redes, mas não para participar da vida política. O problema é que o sistema político não está aberto à participação, ao diálogo constante com os cidadãos, à cultura da autonomia. Portanto estas tecnologias contribuem para distanciar ainda mais a política da cidadania.

Tradução – Marcus Tavares

Lutas na TV aberta. Para quê?

Por Marcus Tavares

Desde que a Rede Globo comprou, em outubro de 2011, os direitos de exibição do UFC (Ultimate Fighting Championship), torneio de MMA (Mixed Martial Arts, em português, Artes Marciais Mistas) que é febre nos Estados Unidos e virou moda no Brasil, a polêmica sobre a exibição da violência na TV aberta voltou à tona. Em discussão: até que ponto as imagens das lutas incitam a violência e podem influenciar crianças e adolescentes? Como de praxe, o debate não encontra eco nos veículos de comunicação, principalmente, os que estão ligados às Organizações Globo, detentora da maior rede de comunicação no país. Afinal, estão em jogo a audiência, uma receita publicitária de milhões de reais e o licenciamento de produtos.

Pelo fato de a TV aberta, no Brasil, ser uma concessão pública e que, por esta razão, tem compromissos educativos, artísticos, culturais e informativos, a Câmara dos Deputados resolveu dar andamento a um projeto de lei de 2009, do deputado José Mentor (PT-SP), que veta a exibição de lutas marciais violentas não olímpicas na televisão aberta.  Ainda sem data, foi requisitada uma audiência pública para discutir o tema.

O que diz a Constituição Federal:

Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Para a audiência pública, serão convidados, entre outros, o diretor de Esportes da Rede Globo, Marcelo Campos Pinto, o diretor de Esportes da Rede Record, Sérgio Hilinsky, o diretor de Esportes do Canal Combate, Pedro Garcia, o lutador profissional de MMA, Anderson Silva, o presidente da Frente Parlamentar Católica, deputado José Linhares (PP-CE), o presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), o filósofo e cientista político Emir Sader, e o professor de filosofia da PUC de São Paulo Mário Sérgio Cortella.

Leia a entrevista com a pedagoga Ana Paula Fonseca clique aqui

De acordo com o projeto de lei, quem descumprir a determinação ficará sujeito à multa de R$ 150 mil, além de outras sanções. Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro. Se incorrer na infração pela terceira vez, a emissora perderá o direito à concessão. O valor das multas deverá ser corrigido anualmente pela variação dos índices oficiais de inflação.

Mas por que a exibição do MMA na televisão aberta gera tanto debate? Quais são os argumentos dos setores que são a favor e contra a transmissão das lutas? A revistapontocom elencou, abaixo, alguns dos argumentos. Você leitor também pode e deve contribuir com outros que possam ter sido deixados de lado. Participe desta discussão.

Argumentos:

1) Trata-se de uma violência contextualizada, não gratuita. São lutas, não brigas. Os lutadores participam de uma grande preparação física e psicológica. Há quem considere, portanto, um esporte como outro qualquer.

2) Com a exposição na TV, e consequentemente, em todas as outras mídias – jornais, revistas, rádio, outdoor – os lutadores de MMA tornam-se, da noite para o dia, celebridades. No Brasil, tornam-se ídolos, principalmente de crianças e adolescentes. Lutar dá prestígio, reconhecimento, poder, sucesso.

3) As lutas de MMA, desde que começaram a ser exibidas na Rede TV!, são transmitidas a partir das 23 horas, quando o horário não é recomendado, de acordo com a classificação indicativa, para menores de 18 anos. As lutas, portanto, são exibidas em um horário apropriado de acordo com a atual legislação da classificação indicativa. Teoricamente, neste horário, as crianças estão dormindo.

4) As cenas de lutas na TV, associadas ao glamour midiático das transmissões, podem ratificar a banalização da violência dos dias de hoje, influenciando o comportamento de crianças e dos adolescentes. A resolução de conflitos passa pela violência, esse talvez seja o principal recado que chega às crianças. Quem vence é o mais forte. É o que tem mais força física. É aquele que é o campeão.

5) MMA é uma das atrações que o público quer ver. A boa audiência no pay-per-view na TV por assinatura e, depois, na Rede TV!, fez com que as principais emissoras de TV aberta – Band, Record e Globo – entrassem na disputa pelo direito de transmissão. A Rede Globo ganhou o direito em outubro de 2011. Pelo acordo entre a Rede Globo e o UFC, a emissora poderá exibir todas as lutas do UFC realizadas no Brasil e três eventos disputados no exterior, além da primeira edição brasileira do reality show The Ultimate Fighter, que já está no ar.

6) Por trás de toda essa exibição está milhões de reais. A primeira edição do Ultimate Fighting Championship (UFC) disputada no Brasil, no Rio de Janeiro movimentou R$ 66,8 milhões. Para assistir à luta, da primeira fila, foi preciso desembolsar R$ 1,6 mil – mais de duas vezes o preço da área vip do show do ex-beatle Paul McCarntey. Mais de 400 itens/objetos de licenciamento passaram a integrar o rol da marca do UFC deste então. Para 2012, a previsão é que outros 200 componham a categoria. A meta era atingir US$ 120 milhões da venda no varejo em um ano, mas o teto foi ultrapassado em US$ 20 milhões, tornando o Brasil o maior vendedor de produtos originais fora dos Estados Unidos, segundo Marcus Macedo, diretor de Licenciamento e Marketing da Exim, empresa responsável pelo licenciamento da UFC na América Latina. Kalunga também integra os fabricantes oficiais da linha UFC, que tem entre seus itens, cadernos e bonés. A gerente de Licenciamento de Produtos da Kalunga, Fernanda Rodrigues, diz que o crescimento das vendas foi de 30%. Com as transmissões na TV aberta, analistas afirmam que a previsão é que as vendas cresçam 100%, em todos os setores, em relação ao ano passado (dados Jornal Estado de Minas).

7) A Rede Globo vem tomando medidas responsáveis ao exibir a sua programação relativa ao MMA. A ideia é contextualizar as lutas, mostrando quem são os lutadores, trazendo o lado humano dos ‘esportistas’, sua vida e sua história. E reforçando, por meio dos lutadores, inclusive, que a luta só pode e deve acontecer dentro do octógono.

Proibir o MMA na televisão

Por José Mentor
Advogado e Deputado Federal pelo PT-SP

No Brasil, rinhas de galo e de canário são proibidas, mas o “vale-tudo”, uma rinha humana, não; uns poucos ganham muito dinheiro com o sangue alheio. Um projeto de lei que propus em 2009, proibindo a cobertura de MMA (em inglês, artes marciais mistas), o “vale-tudo”, pelas TVs, tem gerado polêmica, ainda mais após a realização, no Brasil, do UFC, principal campeonato da luta, e de sua transmissão pela maior rede de TV do país.

Nosso objetivo é proibir o televisionamento de lutas agressivas e brutais que banalizam e propagandeiam a violência pela violência, sem qualquer outra mensagem, pela TV, que é uma concessão estatal. Basta assistir a um único embate para ver a brutalidade e a contundência dos golpes, desde pontapés e joelhadas na cabeça até cotoveladas no rosto, chaves de braço e “mata-leões” (chaves no pescoço).

Em dezembro, o brasileiro Rodrigo Minotauro quebrou o braço e teve de passar por cirurgia para colocar 16 pinos metálicos. Em outra apresentação recente, bastaram alguns segundos para o “vencedor” derrotar o adversário com dois únicos golpes. Há cenas de sangue jorrando longe após cotoveladas na boca e no nariz do oponente – que caiu, tremendo e com espasmos. E a luta continua!

O MMA nada tem a ver com as lutas de judô, taekwondo ou boxe, modalidades com regras previstas em competições olímpicas ou mesmo profissionais. Nem com o karatê, a capoeira ou o jiu-jítsu, destinados à defesa pessoal, ao autocontrole e ao treinamento físico dos atletas. São lutas em que, mesmo nas competições, a integridade física é preservada.

Éder Jofre, bicampeão mundial de boxe, é um dos veementes opositores ao MMA, que tem pouco de esporte e muito de “briga de rua”, onde vale tudo.

No Brasil, rinhas de galo e de canário são proibidas legalmente. Há cidades, como São Paulo, por exemplo, que não permitem rodeios, porque ferem e machucam animais. Mas lutar MMA que maltrata, fere, machuca, lesiona, sangra o ser humano, pode! Rinha humana pode!

Em Nova York, desde 1997 são proibidas competições e outras atividades do MMA. Na França, elas também já foram proibidas. No Canadá, em 2010, a associação médica concluiu que o MMA provoca traumas e lesões que podem estar presentes pelo resto da vida do lutador.

A entidade sugeriu que o esporte seja banido do Canadá, que é o segundo maior mercado do UFC no mundo. No Brasil, médicos e pesquisadores têm se manifestado contra a prática, apontando riscos tanto de lesões, algumas permanentes, como de morte.

Ainda não há levantamentos oficiais de quantos praticantes de MMA morreram. Mas pelo menos três casos ficaram famosos, em apenas 13 anos da luta: o primeiro em 1998, na Ucrânia, e outros dois nos Estados Unidos (2007 e 2010).

A veiculação das imagens dessas lutas pode incitar ainda mais a violência. São cenas que despertam instintos raivosos, maldosos. O UFC está avaliado em mais de US$ 1 bilhão e se tornou um fenômeno de mídia, recorde de vendas de pay-per-view. São poucos ganhando muito com o sangue, com a desumanidade e com o destempero alheios.

Na Roma antiga, os gladiadores, escravizados, lutavam entre si até a morte. O jornalista esportivo Milton Neves, referindo-se ao MMA do Brasil, pergunta: “Os gladiadores de Roma voltaram?” Galvão Bueno, nas chamadas da TV Globo, alardeia “os gladiadores do século 21”.

Esta Folha, em editorial de 19 de dezembro, sinalizou a necessidade de regulação para as transmissões de MMA: “é o século 21 naquilo que tem de mais primitivo e troglodita”.

O projeto de lei 5.534/2009 está agora na Comissão de Ciência da Câmara, já tendo passado pela de Desporto. Depois vai para a de Constituição e Justiça, podendo chegar ao Plenário, se houver recurso.

O debate é se o MMA é o tipo de atividade que queremos para formar, qualificar, graduar ou promover os valores esportivos e civilizatórios do cidadão brasileiro. É essa a discussão que devemos travar.

O que (não) fazer no Dia do Índio

Da Revista Nova Escola

Na data em homenagem aos primeiros habitantes do Brasil, uma série de estereótipos e preconceitos costuma invadir a sala de aula. Saiba como evitá-los e confira algumas propostas de especialistas de quais conteúdos trabalhar.

O Dia do Índio é comemorado em 19 de abril no Brasil para lembrar a data histórica de 1940, quando se deu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O evento quase fracassou nos dias de abertura, mas teve sucesso no dia 19, assim que as lideranças indígenas deixaram a desconfiança e o medo de lado e apareceram para discutir seus direitos, em um encontro marcante.

Por ocasião da data, é comum encontrar nas escolas comemorações com fantasias, crianças pintadas, música e atividades culturais. No entanto, especialistas questionam a maneira como algumas dessas práticas são conduzidas e afirmam que, além de reproduzir antigos preconceitos e estereótipos, não geram aprendizagem alguma. “O índigena trabalhado em sala de aula hoje é, muitas vezes, aquele indígena de 1500 e parece que ele só se mantém índio se permanecer daquele modo. É preciso mostrar que o índio é contemporâneo e tem os mesmos direitos que muitos de nós, ‘brancos'”, diz a coordenadora de Educação Indígena no Acre, Maria do Socorro de Oliveira.

Saiba o que fazer e o que não fazer no Dia do Índio:

1. Não use o Dia do Índio para mitificar a figura do indígena, com atividades que incluam vestir as crianças com cocares ou pintá-las.

Faça uma discussão sobre a cultura indígena usando fotos, vídeos, música e a vasta literatura de contos indígenas. “Ser índio não é estar nu ou pintado, não é algo que se veste. A cultura indígena faz parte da essência da pessoa. Não se deixa de ser índio por viver na sociedade contemporânea”, explica a antropóloga Majoí Gongora, do Instituto Socioambiental.

2. Não reproduza preconceitos em sala de aula, mostrando o indígena como um ser à parte da sociedade ocidental, que anda nu pela mata e vive da caça de animais selvagens.

Mostre aos alunos que os povos indígenas não vivem mais como em 1500. Hoje, muitos têm acesso à tecnologia, à universidade e a tudo o que a cidade proporciona. Nem por isso deixam de ser indígenas e de preservar a cultura e os costumes.

3. Não represente o índio com uma gravura de livro, ou um tupinambá do século 14.

Sempre recorra a exemplos reais e explique qual é a etnia, a língua falada, o local e os costumes. Explique que o Brasil tem cerca de 230 povos indígenas, que falam cerca de 180 línguas. Cada etnia tem sua identidade, rituais, modo de vestir e de se organizar. Não se prenda a uma etnia. Fale, por exemplo, dos Ashinkas, que têm ligação com o império Inca; dos povos não-contatados e dos Pankararu, que vivem na Zona Sul de São Paulo.

4. Não faça do 19 de abril o único dia do índio na escola.

A Lei 11.645/08 inclui a cultura indígena no currículo escolar brasileiro. Por que não incluir no planejamento de História, de Língua Portuguesa e de Geografia discussões e atividades sobre a cultura indígena, ao longo do ano todo? Procure material de referência e elabore aulas que proponham uma discussão sobre cultura indígena ou sobre elementos que a emprestou à nossa vida, seja na língua, na alimentação, na arte ou na medicina.

5. Não tente reproduzir as casas e aldeias de maneira simplificada, com maquetes de ocas.

“Oca” é uma palavra tupi, que não se aplica a outros povos. O formato de cada habitação varia de acordo com a etnia e diz respeito ao seu modo de organização social. Prefira mostrar fotos ou vídeos.

6. Não utilize a figura do índio só para discussões sobre como o homem branco influencia suas vidas.

Debata sobre o que podemos aprender com esses povos. Em relação à sustentabilidade, por exemplo, como poderíamos aprender a nos sentir parte da terra e a cuidar melhor dela, tal como fazem e valorizam as sociedades indígenas?

Consultoria:
– Maria do Socorro de Oliveira, coordenadora de Educação Escolar Indígena d a Sec. De Educação do estado do Acre. E Majoí Gongora, Antropóloga do programa de Povos Indígenas do Brasil do Instituto Socioambiental.

Google lança óculos de realidade aumentada

O Google apresentou na primeira semana de abril o Project Glass, um óculos de realidade aumentada. Ele permite navegar pelos serviços na nuvem da gigante da internet, que podem ser acessados no campo de visão. A novidade foi apresentada em uma postagem na rede social Google+, com um vídeo demonstrando algumas funções do óculos.

O Google não revelou mais detalhes de quando chega ao mercado, mas pediu a ajuda dos internautas para desenvolvê-lo. “Estamos dividindo essa informação agora porque queremos iniciar uma conversa para aprender com suas valiosas contribuições”, diz o post.

O vídeo mostra a rotina de um rapaz desde o momento em que acorda até quando o sol se põe. Ainda em casa, ele checa os compromissos do dia, a temperatura e responde com um comando de voz uma mensagem de um amigo querendo encontrá-lo. Andando pela rua, descobre que os trens estão paralisados. Pede então que uma rota seja traçada. Enquanto anda, o óculos sinaliza qual direção deve ser tomada. No caminho, compra tíquetes para um show por comando de voz. Já na livraria, pergunta onde fica a seção de música e é avisado que um amigo está próximo do local.

Depois de registrar sua passagem por uma barraquinha de bebidas, tira foto de uma pintura em uma porta e a compartilha no Google+.  Ao subir até a cobertura de um prédio, interrompe a música com um comando de voz e atende chamado de videoconferência de uma amiga. O vídeo acaba quando ele olha o pôr do sol para, com o óculos, mostrá-lo a ela.

Geração do remix

Por Marcus Tavares

Como explicar que um vídeo caseiro, postado no You Tube, possa chamar tanto a atenção dos internautas, despertando, inclusive, o interesse de milhões de pessoas ao redor do mundo em remixá-lo, trazendo uma nova roupagem para a história e para os personagens?  O professor Michael Wesch, da Universidade de Kansas (EUA), vem se debruçando sobre este estudo, mais especificamente sobre a relação dos indivíduos com o You Tube. É ele o responsável pelo grupo Digital Ethnography.

Segundo Wesch, o You Tube possibilita que as pessoas tenham, cada vez mais, o que ele chama de hyper-self-awareness, ou seja, uma hiper consciência de si mesmo. O pesquisador afirma que os indivíduos que fazem uso da plataforma e que postam vídeos, deles próprios, têm a chance de serem vistos e mais do que isso: de se verem.

De acordo com o professor, a mídia, no caso o You Tube, proporciona uma conexão entre as pessoas sem coação, restrição ou constrangimento. “Elas se sentem relaxadas e têm a liberdade de usufruir a experiência humana sem medo e ansiedade”, conta.

Para Wesch, o You Tube cria uma nova forma de o ser humano se compreender. Em suas palestras, ele destaca que a partir do momento em que o internauta faz uma filmagem de si próprio e posta no You Tube é possível concluir duas coisas: o You Tube é o espaço mais privado e particular que existe no mundo, já que o indivíduo pode exibir a sua intimidade mais secreta. E, ao mesmo tempo, o espaço mais público do século XXI, pois tudo está ao alcance de todos, basta um clique. E nas contas do pesquisador, são os adolescentes que aumentam a estatística dos remixes no You Tube. Será?

A revistapontocom conversou com três adolescentes sobre o tema. Ygor Bahia e Caio Jun, ambos de 16 anos e alunos do curso de Produção Audiovisual da Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch (Eteab), e William da Silva Pinto, de 15 anos, estudante do curso de Narrativas Digitais, do Colégio Estadual José Leite Lopes – Nave. Todos localizados no Rio de Janeiro.

Para Ygor, o interesse dos jovens já começa pelo inusitado dos vídeos postados no You Tube. “Inusitado que, às vezes, não está nem no conteúdo, mas na forma como foi feito, produzido o vídeo. Pode ser uma bobagem que ninguém nunca pensou em ver na internet. Mas se for recheada de humor, de criatividade, pega, chama a atenção e faz com que os adolescentes queiram imitar e reproduzir”, diz o Ygor.

Caio Jun concorda com Ygor, mas acrescenta outro ponto. Para ele, a possibilidade de remixar um vídeo do e no You Tube é, muitas vezes, vista como uma oportunidade de se destacar, desde cedo, no mercado de trabalho. “Eu, por exemplo, desde novo, quando escutava uma música, tinha vontade de aprimorar aquela canção. Quando surgiu então a oportunidade, fui em frente. Fazer um remix é uma brincadeira, é a possibilidade de criar, de mostrar a sua produção. É tudo uma coisa só. É uma diversão. É uma forma de fazer a sua música preferida ou video do melhor jeito que você imagina, para no final mostrar a todos, ou pelo menos aos interessados, o tamanho da sua criatividade. E, talvez com isso, crescer na profissão”, destaca.

A última experiência de Caio foi remixar uma das músicas do grupo Coldplay (assista ao vídeo abaixo).  “Coloquei mais elementos na música – uma nova batida, uma reeditada no vocal, aumento do grave –, mas mantive o formato da música, não queria modificar muito, só queria deixá-la mais agitada, algo para as pessoas dançarem, curtí-la de uma forma menos sedentária”.

William também faz coro às afirmações de ambos estudantes da Eteab. Ele, resumidamente, explica porque os jovens se dedicam cada vez mais ao remix. São dois os motivos: “Primeiro, pelo prazer de mostrar algo para as pessoas e dizer ‘olha, fui eu que fiz isso’. É uma forma de entretenimento e diversão. Normalmente a pessoa vê o vídeo e pensa: ‘poxa, esse vídeo tem a ver comigo’. É por essa identificação pessoal que o jovem decide fazer alguma edição com imagens ou sons que remetam à sua personalidade, como uma maneira de se auto-homenagear. O segundo motivo é, digamos, mais técnico. O adolescente aprende a editar vídeos, a mexer com a tecnologia. E aí quer experimentar, quer produzir, quer criar”, finaliza.

A TV na Espanha

Por Marcus Tavares

Mesmo num mundo cada vez mais mediado pela internet e redes sociais, a televisão ainda ocupa um espaço privilegiado entre as crianças. Se você acha que estamos falando mais uma vez da realidade brasileira, errou. A cena também se repete em Barcelona, na Espanha. Pelo menos é o que afirma Doina Bird, coordenadora do Festival Internacional de Audiovisual de Barcelona, do Observatório Europeu de Televisão Infantil (Oeti). Em entrevista à revistapontocom, Doina falou sobre a importância e o impacto que a tevê ainda exerce no cotidiano das crianças europeias, em especial as que vivem em Barcelona.

O Festival faz parte das atividades do Oeti, que acaba de comemorar 15 anos. Em 1997, um grupo de produtores, ativistas e educadores espanhóis resolveu criar uma organização sem fins lucrativos, com o objetivo de promover e investir em programas de televisão educativos e de entretenimento, voltados para as crianças. A proposta desde então é ser um espaço de referência sobre televisão infantil para pais, educadores, políticos e profissionais da indústria mundial de mídia.

Com sede em Barcelona, o Oeti promove, anualmente, o Festival Internacional de Audiovisual, bem como os encontros – Fórum e Jornada – que, ao reunir especialistas de vários cantos do mundo, discutem as novidades, os desafios e os obstáculos da televisão voltada para crianças e adolescentes.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Qual é o poder das telas no mundo de hoje?
Doina Bird – Estamos sob a influência de um mundo em constante expansão de novas tecnologias: televisão por assinatura, games, MP3, internet, conexões, Bluetooth, uma lista extensa. Há benefícios deste progresso técnico, benefícios da ordem econômica e comunicacional. Mas há grandes desafios e perigos neste cenário, como o impacto desta mudanças no cérebro humano, não só na primeira infância, mas também nos adolescentes e jovens adultos. Um impacto tanto na forma como o cérebro humano se desenvolve e se transforma. Na verdade, não há nada de novo nisso: o cérebro humano vem sendo modificado e adaptado em resposta a estímulos externos durante séculos. Mas o ritmo das mudanças deste ambiente externo, de hoje, tem aumentando drasticamente. Trata-se de um impacto que afetará nosso cérebro durante os próximos 100 anos. É evidente que o mundo das telas, que envolve tanto os adolecentes quanto os adultos, está produzindo mudanças no comportamento. A falta de atenção das pessoas é maior, as habilidades pessoais de comunicação são menores e verifica-se também uma redução na capacidade do pensamento abstrato. Esta geração interpreta o mundo a partir das telas que lhe são mais amigáveis. As coisas só acontecem se passam no Facebook, no Bebo ou no You Tube. Era assim a relação da geração analógica com a TV. Só era considerado verdade, se a televisão exibisse. Mas, de qualquer forma, vivemos num cenário no qual as telas têm um potencial educativo muito alto, que podem e devem maximizar a criatividade, a aprendizagem e o conhecimento.

revistapontocom – Neste sentido, qual é o lugar que a televisão ocupa na vida das crianças da Europa?
Doina Bird – A televisão na Europa ainda tem um lugar importante na vida das crianças. As italianas lideram o ranking de consumo, com duas horas e 46 minutos por dia. Os dados são do primeiro semestre de 2011. São dois minutos a mais do que no mesmo período de 2010. Em segundo lugar, estão as meninas e os meninos espanhóis, com duas horas e 38 minutos por dia, seguido pelos ingleses, com duas horas e 24 minutos, dez minutos a mais que em 2009. Em quarta posição, as crianças francesas, com uma média de duas horas e nove minutos à frente da TV. E, segundo a pesquisa KIDs TV Report, o que é mais visto pelas crianças italianas, espanholas e francesas são as animações americanas e japonesas, como as séries dos Simpsons, Bob Esponja e Pokemon. Portanto, diria que a televisão continua, sim, sendo a mídia com maior penetração nas famílias, embora o consumo da tevê divide, cada vez mais, o espaço e o tempo com o consumo de outros meios de comunicação, com outras ‘janelas’, como a internet, o celular e o game. Uma coisa é certa: as crianças dedicam, por ano, mais tempo consumindo mídia – são 990 horas – do que se ocupando com os estudos escolares – são 960 horas.

revistapontocom – O que as crianças espanholas assistem na televisão?
Doina Bird – O panorama audiovisual televisivo na Espanha tem se modificado muito nos últimos anos, principalmente com a criação da Television Digital Terrestre (TDT), que passou a oferecer novos canais exclusivos de programação infantil e uma possibilidade de acessar essa mesma programação via web. Muitos programas estão presentes, inclusive, nas redes sociais. Os programas podem ser baixados pela internet e por meio dos celulares. Mas ainda há um grande caminho a percorrer para, de fato, conseguir transformar a mensagem unilateral da televisão clássica em uma mensagem que atraia, mais e mais, o interesse das crianças. As TVs precisam trabalhar muito para estabelecer uma maior interatividade com as crianças, que, cada vez mais, decidem o que querem ver, quando e onde. Os canais precisam aproveitar todas as possibilidades que as tecnologias oferecem. Na Europa, cerca de 80% dos jovens que estão online têm conta nas redes sociais, como revelou recente estudo da Eurostat. Dados de 2007 revelam que 70% dos domicílios da União Europeia têm internet, 30% a mais do que durante o mesmo período analisado, em 2006. Domicílos que têm crianças favorece a contratação de serviços de acesso à internet. No caso da Espanha, cerca de 60% das famílias espanholas estão ligadas à internet. A maioria dos adolescentes (67%) tem telefone celular.

revistapontocom –  As crianças espanholas, mais especificamente as de Barcelona, se vêem na TV?
Doina Bird –  Sim. Temos o Infok de Televisión de Cataluña. Trata-se de um informativo infantil e juvenil que é exibido diariamente, de segunda a sexta-feira, às 19h30, através do canal Super 3, o canal infantil da Cataluña (TV3). Este canal também produz séries que trazem atores infantis que retratam diferentes ambientes da vida de Barcelona, como o El cor de la ciutat, que durou anos. http://www.tv3.cat/pprogrames/infok/infkSeccio.jsp

revistapontocom – O que significa 15 anos do Observatório Europeu de Televisão Infantil (Oeti)?
Doina Bird – Os 15 anos do Oeti significa 15 anos de sensibilidade e alfabetização audiovisual com o objetivo de constituir crianças e jovens mais críticas e solidárias. Comemoramos a data em novembro do ano passado, com uma retrospectiva de nossa jornada. Celebramos com o XV Festival Internacional de Audiovisual de Barcelona, com a exibição dos vídeos que ao longo do período ganharam prêmios, e com o XV Fórum Mundial de Televisão Infantil e as Jornadas do Observatório, nos quais especialistas de todo o mundo se reúnem para discutir o presente e o futuro da televisão voltada para as crianças. O Oeti é um adolescente com muito futuro. Queremos potencializar o nosso trabalho, criando novas alianças em nível international. Somos poucos e há muito o que fazer. Vistem nosso site. Vejam nossa produção e participem do nosso grupo.

Barbie firme e forte

Depois de passar pela experiência de se submeter a sessões de quimioterapia, devido a um câncer, linfona não-Hodgkin, a americana Jane Bingham iniciou a campanha Beautiful & Bald Barbie no Facebook (http://www.facebook.com/BeautifulandBaldBarbie/info#!/BeautifulandBaldBarbie )
e em outras redes sociais para pedir que a Mattel, fabricante oficial da Barbie, criasse uma versão careca da boneca. O objetivo: diminuir a dor, o preconceito e a vergonha que algumas mulheres, mas principalmente crianças, têm pela queda dos cabelos, tendo que usar perucas e ou lenços para cobrir a cabeça.

A campanha deu certo. Jane conseguiu inclusive espaço na mídia tradicional dos EUA para levantar sua bandeira. “A beleza e a auto-estima não são dependentes do cabelo”, avisa Jane.

A Mattel se pronunciou. Disse que vai sim, a exemplo do que já fez com uma menina de Nova York, criar uma versão da Barbie sem cabelo e doar para crianças com câncer dos EUA. Jane aprovou a ideia, mas ainda quer que a empresa passe a vender a boneca nas lojas, pois não são todas as crianças que terão acesso às bonecas que serão doadas.

Aluno, professor e desrespeito

Há um ano, a revistapontocom divulgou aqui que a Câmara dos Deputados estava analisando o Projeto de Lei 267/11, da deputada Cida Borghetti (PP-PR), que estabelece sanções para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem regras éticas e de comportamento de instituições de ensino. As sanções envolvem suspensão e encaminhamento aos órgãos judiciários competentes, em caso de reincidência. Pois bem, depois de um ano, o texto foi aprovado por unanimidade, no último dia 28, pela Comissão de Seguridade Social e Família.

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, agora segue para as comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovado, será encaminhado para o Senado.

“Infelizmente, a indisciplina em sala de aula tornou-se algo rotineiro nas escolas brasileiras, e o número de casos de violência contra professores por parte de alunos aumenta assustadoramente. Trata-se de comportamento decrépito, inaceitável e insustentável, que deve ser prontamente erradicado da vida escolar com a adoção de medidas próprias”, destaca a deputada.

De acordo com o projeto, o estudante infrator pode ser suspenso e, caso repita o ato, encaminhando para a Justiça. A proposta muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), uma vez que estabelece o respeito aos códigos de ética e de conduta como responsabilidade e dever da criança e do adolescente na condição de estudante.

“O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece inúmeros direitos e garantias para a criança e o adolescente e as respectivas obrigações a serem cumpridas pelo Estado e pela sociedade. Todavia, inexistem dispositivos a disciplinar as obrigações que essas pessoas, na condição de estudantes, devem ter perante seus mestres”, afirma a parlamentar.

Acompanhe a tramitação do projeto de lei

As câmeras ocultas no jornalismo

Por Lila Diniz

Um repórter disfarçado de gestor de compras em um hospital público, três câmeras escondidas e quatro representantes de empresas fornecedoras de serviços para o governo federal. Em jogo, contratos milionários. Com o conhecimento da direção do Hospital Pediátrico Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro, a equipe do programa Fantástico, da TV Globo, infiltrou o repórter Eduardo Faustini na instituição para mostrar como funciona o esquema de fraude em licitações na área de saúde pública. O resultado das gravações foi ao ar no domingo (18/3) e teve grande repercussão.

De acordo com a lei, é preciso haver uma licitação entre empresas que ofereçam o mesmo produto para determinar qual estabelecimento irá firmar um contrato com um hospital público. No esquema mostrado pelo Fantástico, as empresas – que deveriam atuar como concorrentes – combinavam valores para
fraudar a disputa. A vencedora pagava uma porcentagem do total do contrato para as outras candidatas, que propunham valores mais altos de forma intencional.

Sem saber que estavam sendo filmados, os representantes das empresas revelaram todos os detalhes das fraudes: da combinação do preço pelos serviços ao pagamento da propina para gestores de hospitais, que podia chegar a 20% do valor do contrato. A Polícia Federal abriu quatro inquéritos para investigar as
denúncias e deve ouvir mais de quarenta pessoas nas duas próximas semanas. O Ministério Público anunciou que também irá investigar as empresas flagradas no esquema fraudulento. O Observatório da Imprensa exibido ao vivo na terça-feira (27/3) discutiu o uso de câmeras escondidas pelo jornalismo.

No Rio de Janeiro, o programa contou com a presença do jornalista Luiz Garcia, articulista do diário O Globo. Garcia foi editor de Opinião e organizador do Manual de Redação e Estilo do jornal, trabalhou na
revista Veja e na Editora Abril. Em São Paulo, participaram os jornalistas Caio Túlio Costa e Claudio Tognolli. Consultor de mídias digitais e professor de Ética Jornalística, Caio Tulio foi o primeiro ombudsman da imprensa brasileira, na Folha de S.Paulo.Foi um dos fundadores do UOL e presidiu
o portal iG. Claudio Tognolli é diretor-fundador da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)e professor da Universidade de São Paulo (USP).

Os fins e os meios

Em editorial, Alberto Dines ressaltou que o jornalismo busca a verdade permanente e, por isso, está impregnado de questionamentos éticos ou deontológicos: “Cada passo e cada procedimento jornalístico suscita dúvidas – e não poderia ser diferente porque, sendo a imprensa um poder, suas ações só podem
ser praticadas de forma atenta, rigorosamente conscientes”. O jornalista lembrou que, em fevereiro, o Tribunal Constitucional da Espanha desqualificou o uso de câmeras ocultas por jornalistas. “Quem está certo? Todos os que se preocupam com um jornalismo de qualidade”, avaliou.

A reportagem exibida antes do debate no estúdio entrevistou o filósofo Renato Janine Ribeiro. Para ele, do ponto de vista ético, invadir a privacidade de uma pessoa não tem justificativa. No entanto, se o dano compensar a infração, a ação pode ser considerada correta. “Você só pode fazer alguma coisa que é de certa forma invasiva sob uma razão muito boa, muito superior ao dano causado”, disse Janine. O filósofo considera a situação delicada porque, durante as gravações, não é possível ter certeza se o ganho com a divulgação das imagens irá compensar a perda de privacidade dos envolvidos. Janine sublinhou que é importante discutir esta questão, mesmo que não se chegue a resultados concretos.

Cristiane Finger, professora da pós-graduação do Departamento de Comunicação da PUC-RS, ponderou que as imagens captadas por câmeras ocultas são sedutoras para quem assiste e facilitadoras para quem grava. Para a professora, a câmera escondida é uma armadilha contra o entrevistado. “A gente comete dois crimes ali. Um, contra os direitos individuais das pessoas. Nós não estamos em um regime de exceção, as pessoas têm direitos individuais. O segundo crime é de falsa identidade. Ou seja, nós estamos nos fazendo passar por outra pessoa. Isso é crime previsto no Código Penal”, criticou Finger. A professora ressaltou que nos Estados Unidos, pátria da liberdade de expressão, dez estados já têm jurisprudência contrária à utilização da câmera oculta por parte dos jornalistas.

Primeira solução ou último recurso?

Na avaliação de Givanildo Menezes, diretor regional de Jornalismo da Record-RJ, se um repórter não tem um flagrante espontâneo de um crime, deve recorrer a outros documentos e não ficar dependente apenas da câmera escondida: “Situações armadas, situações em que o crime existe, mas que naquela situação
foi induzido a acontecer pelo uso da câmera escondida, não devem ser uma ferramenta do jornalismo”. Rodrigo Hornhardt, chefe de reportagem do SBT-Rio, ressaltou que as imagens produzidas por microcâmeras costumam aumentar a audiência, mas não se pode “cair na tentação” de usá-las
indiscriminadamente.

O deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), que foi jornalista, criticou a invasão de privacidade dos envolvidos, mas avaliou que em algumas situações a gravação pode ser válida: “Você não pode colocar uma câmera em um quarto para ver quais são os hábitos de uma pessoa. Não pode haver invasão da privacidade, isso é que não pode ser violado. Agora, quando você está na investigação de um crime, eu acho que os meios legais são válidos. Não existe sigilo em favor do crime. Se você está diante da conduta criminosa, a sociedade tem que permitir o uso de todos os instrumentos para revelar aquele crime”.

Para o advogado José Roberto Sampaio, o direito à intimidade dos representantes de empresas flagrados pela reportagem do Fantástico foi violado porque as pessoas estavam em uma conversa privada. No entanto, outros deveres e direitos também tutelados pela Constituição devem ser preservados,como o da integridade do processo. Por isso, se uma imagem de microcâmera é a única prova de um caso de corrupção, não deveria ser descartada: “A prova poderia ser considerada ilícita porque violou o princípio da intimidade. De outro lado, a gente pode ter a prova como lícita caso se comprove, no caso concreto, circunstâncias que levem à conclusão de que não haveria uma outra prova a ser produzida”.

Problema antigo

No debate ao vivo, Luiz Garcia ressaltou que o uso de microcâmeras pela imprensa não é novidade e disse que um repórter que grava alguém propondo ou revelando um ato ilícito está exercendo “jornalismo da maior qualidade”. “Não há chantagem, não há violência, porque a violência foi cometida pelo alvo da
gravação, pelo infrator”, comentou Garcia. O jornalista discorda da tese de que a privacidade dos representantes de empresas mostrados na reportagem devesse ser preservada.

“Elas tiveram a sua privacidade invadida, sim. E foi muito bem feito”, avaliou o jornalista. Para Garcia, deve-se usar o recurso da câmera oculta para fins honestos e sem prejudicar reputação de pessoas sérias. Garcia comentou o farto material disponível no Brasil para reportagens sobre corrupção: “A TV Globo, por sorte ou decisão, selecionou um grupo de bandidos de quinta categoria. Fisicamente autênticos. Não sei se houve muita deliberação nisso, se os conselhos superiores da TV Globo passaram meses escolhendo corruptos de diferentes perfis ou se acertaram na primeira leva. Eu acho que certamente acertaram na primeira leva”.

Caio Tulio Costa vê com cuidado o uso de câmeras ocultas e acredita que os casos devem ser avaliados individualmente. Na opinião do jornalista, a reportagem produzida pelo Fantástico fortalece a imprensa e a
democracia. “Eu não acho que o jornalismo vai ser melhor se usar e abusar deste recurso. Ele pode ser muito eficaz em determinados momentos, mas pode ser muito invasivo e destruir reputações que necessariamente não mereciam esta destruição”, ponderou Caio Tulio.

A mentira como ferramenta

Hoje, a microcâmera se popularizou e deixou de ser exclusividade da imprensa e da polícia. “Todo mundo hoje pode fazer e usar isso sem o menor pudor e sem o menor constrangimento ético”, criticou Caio Tulio. O jornalista ressaltou que emissoras públicas como a BBC, do Reino Unido, e a TV Cultura, de São Paulo, não usam câmera escondida e alguns manuais de redação restringem o uso dessa tecnologia. É questionável, na opinião de Caio Tulio, o uso da mentira como recurso jornalístico.

“O jornalista, a rigor, está em busca das diferentes verdades, de contar aquilo que está acontecendo de acordo com a visão das diferentes fontes, de acordo com os diferentes pontos de vista. Quando ele usa um recurso como este, ele está usando a mentira, o fingimento”, disse Caio Túlio. Por isso, o disfarce vale apenas como último recurso. Para ele, a reportagem do Fantástico mostrou o “grau de delinquência” ao qual a sociedade brasileira chegou, o que é importante do ponto de vista jornalístico. “O problema é que isso pode virar um festival lamentável de invasões de privacidade e forçar pessoas a fazer coisas que normalmente elas não fariam”, afirmou o jornalista.

Claudio Tognolli defendeu o uso da câmera oculta: “Em casos de interesse público, os interesses particulares não se sobrepõem aos interesses coletivos. O repórter está coberto de razão a usar a câmera oculta até porque, constitucionalmente, o partícipe de uma conversa está protegido pela Constituição se ele resolver tornar essa conversa pública, se essa conversa tiver interesse público”. Tognolli acredita que o jornalista deve se valer de todos os instrumentos disponíveis para revelar informações relevantes para a
sociedade.

O limite do jornalista, para o representante da Abraji, é a lei. “A câmera oculta para o jornalismo e para a sociedade hoje é tão importante quanto o telescópio foi para Galileu, ou quanto o microscópio para o Leeuwenhoek. É um instrumento de buscar novos universos desde que o fundamento seja a informação
de interesse público”, disse Tognolli.

A preguiça nas redações

O uso indiscriminado de gravações fornecidas pela Polícia Federal e de dossiês montados por políticos contra seus opositores pela imprensa, situação frequente nas décadas de 1990 e 2000, foi criticada por Tognolli. “Para se afastar de publicar o que lhe foi dado – ou seja, o que seria um ponto de partida virar um ponto de chegada –, o jornalista eventualmente tem tentado  andar com as próprias pernas. Então, põe a câmera oculta como um deus ex machina para salvar o jornalismo de fazer cover, ou seja, de pegar
a investigação pronta”.

Biologia na berlinda

No início do século XXI, quando o atual modelo de ensino é cada vez mais questionado, o que ensinar? Como ensinar? O que deve ser prioridade no ensino das áreas de conhecimento da Educação Básica? A revistapontocom dá continuidade a série de entrevista que pretende ouvir professores de cada área de conhecimento, com o objetivo de refletir sobre o tema e fazer com que você, leitor, também participe, enviando seu comentário e opinião.

Já abordamos as áreas de História, Geografia, Língua Portuguesa e Matemática. Desta vez, a série se dedica à discussão da área de Biologia. Confira as observações da professora Mônica Waldhelm, professora de Biologia. Doutora em Educação, Mônica dá aulas no mestrado em Ensino de Ciências e Matemática- CEFET/RJ e é co-autora de livros didáticos de ciências e Biologia.

Confira e participe:


– Biologia
Professora Mônica Waldhelm (clique aqui)
Veja também:


– Língua Portuguesa
Carla Pimentel (clique aqui)


– Matemática
Raul Agostino (clique aqui)


– História
Keila Gringber (clique aqui)


– Geografia
Marcos Ozório (clique aqui)