O saldo positivo da Rio+20

Rio+20: muito se falou, mas pouco se fez. Pelo menos, essa foi a conclusão de boa parte dos especialistas que acompanharam o evento. Em várias entrevistas, nas entrelinhas, a ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira, compartilhou a mesma opinião. Segundo ela, os países desenvolvidos, que não compareceram ao encontro, deixaram a desejar, bem diferente das 90 crianças do projeto +Criança na Rio+20, promovido pela Fundação Xuxa Meneghel, que reuniu meninos e meninas de vários cantos do país para participar de oficinas e de debates da Rio+20. No último dia 22, as crianças entregraram à ministra a “Carta das Crianças para a Terra”, documento que resume o que a infância brasileira deseja para o meio ambiente. A cerimônia aconteceu no Forte de Copacana, no Espaço Humanidade 202.

clique aqui e leia a carta na íntegra

“Não são pedidos singelos. É a voz de 49 milhões de crianças e jovens, um quarto da população brasileira. Pantanal, manguezais, florestas, acesso à água e consumo sustentável são parte da minha luta diária. Mas são essas crianças que vão transformar os padrão de consumo. E o exercício que elas fizeram nesse sumário é muito mais do que os chefes de Estado conseguiram fazer. Aqui elas mostram como se transforma”, disse a ministra.

Por meio de desenhos e frases, as crianças expressaram as suas prioridades e anseios rumo ao desenvolvimento sustentável. Cleiton Vieira Santos, da Aldeia Xandó, no município de Porto Seguro, na Bahia, cobrou melhores condições de habitação. “Tem que melhorar também a moradia das pessoas. Elas moram em beira de praia e qualquer vento pode levar [as casas]. Várias coisas precisamos. Tem que mudar o modo de vida das pessoas”.

Elizangela Souza dos Santos, da comunidade Vila Moura, em Tefé, no Amazonas, destacou a importância da participação das crianças na contribuição para melhorar o meio ambiente. “A gente tem que fazer o impossível para ajudar o planeta Terra”, disse. “Não jogando lixo nos rios, não desmatando a floresta, não poluindo o ar”, acrescentou.

A carta entregue à ministra contém, segundo Kemia Rodrigues Souza, de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, um resumo de todas as propostas. “A gente resumiu nessa carta [as propostas] para que as pessoas leiam e se conscientizem para mudar o mundo”, disse. Já a gaucha Ana Claudia da Silva pediu à ministra a adoção de medidas que diminuam a aplicação de agrotóxicos nas lavouras. “Isso faz muito mal à saúde”, alertou.

Xuxa, presente ao encontro, lamentou que as pessoas não ouçam mais o que as crianças têm a dizer. “Está todo mundo preocupado com o agora, com o presente. Só que as mudanças só vão ser feitas no futuro. E eles [crianças] são o futuro. Eles deixaram claro na carta que precisam de informação, saber o que têm de fazer. As crianças querem ser informadas, porque elas é que vão fazer a mudança”, declarou.

A apresentadora pediu à ministra que dê solução para os problemas relatados no documento pelas crianças. “É diferente de nós, que precisamos de uma solução para agora. Eles precisam de uma solução para sempre”, ressaltou.

Qual é o futuro das bibliotecas tradicionais?



Por Monique Lopes

Do site Com Ciência

Numa época em que se discute as mudanças da nossa relação com a leitura, ante a gradativa, porém crescente, digitalização de livros e revistas, o Brasil ainda tem uma questão a resolver: o acesso ao livro. O governo federal tem investido na missão de implantar em cada cidade do Brasil uma biblioteca pública. Segundo a Fundação Biblioteca Nacional, atualmente são cerca de 20 municípios sem uma. Dados do Conselho Federal de Biblioteconomia dão conta de que, em 2010, havia no país uma biblioteca pública para cada 33 mil habitantes. É pouco – na Argentina, na mesma época, era uma para cada 17 mil –, mas o empenho em aumentar esse número mostra que o futuro das bibliotecas tradicionais, apesar da atenção cada vez maior dada às virtuais, não é incerto.

Leia a entrevista com a bibliotecária Marília Dias.

Mônica Rizzo, coordenadora do Centro de Referência e Difusão da Biblioteca Nacional (BN), endossa esse discurso: “Eu não consigo visualizar hoje, com todos os meios de que nós dispomos, substitutos ao atendimento que as bibliotecas tradicionais oferecem, o apoio, o acompanhamento à pesquisa. A gente pode substituir o papel pelo digital, mas não pode substituir esse tipo de apoio”, avalia. A BN é a maior biblioteca da América Latina e a sétima maior do mundo, com um acervo de nove milhões de peças, dentre as quais cerca de 25 mil digitalizadas. Ficam de fora dessa conta os fascículos e periódicos, que fazem parte do projeto de uma hemeroteca digital ainda em andamento, esclarece Rizzo. Em 2011, esse acervo digital obteve 20 milhões de acesso. As contas do primeiro semestre de 2012, em aberto, já somam mais de 16 milhões. Ainda assim, a coordenadora afirma que o número de visitas à Biblioteca não têm diminuído em sua totalidade, mas apenas em determinados setores, como, por exemplo, o de referência, onde a biblioteca disponibiliza dicionários, enciclopédias e outras obras de consulta rápida.

“Hoje em dia, é muito fácil você acessar dados básicos, que é o que você costuma consultar num setor de referência, por meio da internet, que nisso tem se capacitado de forma bastante eficaz. Mas não houve um decréscimo expressivo nos últimos anos, porque a quantidade de acervo digitalizado versus acervo não digitalizado é muito grande pro lado do impresso”, diz. A digitalização de obras na Biblioteca Nacional segue um padrão: dá-se prioridade às obras publicadas no Brasil desde o século XIX, às obras raras e aos materiais mais consultados, como forma inclusive de preservar os originais. Além disso, Rizzo explica que não podem ser digitalizadas obras que ainda estejam sob direitos autorais.

Luiz Atílio Vicentini, coordenador do Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU), que tem hoje em seu acervo digital cerca de 302 mil e-books, também levanta essa questão: “Nós não podemos pegar qualquer livro, digitalizar e disponibilizar para os alunos. Nesses casos, dependemos das editoras lançarem a obra também em formato e-book”, explica. Segundo Vicentini, as obras mais lançadas nesse formato pelas editoras são da área de exatas, o que faz com que, consequentemente, os estudantes dessa área sejam os que mais procuram pelo acervo digital da Unicamp. O SBU é formado por 27 bibliotecas com um acervo de mais de um milhão de livros. E apesar de não disponibilizar todo o seu acervo em formato digital, oferece hoje a maioria de seus serviços, como reserva de obras e renovação de empréstimo, pela internet. “As bibliotecas precisam se reinventar no atendimento”, afirma Vicentini.

O conceito de biblioteca virtual tem sido bastante disseminado no ambiente universitário. O acervo digital da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é disponibilizado aos alunos na forma de cinco bibliotecas virtuais: Biblioteca Virtual de Música, de Ciências Sociais, de Economia, de Estudos Culturais e de Literatura. A Universidade de São Paulo (USP), além das bibliotecas de acesso exclusivo da comunidade universitária, dispõe de outros três portais de acesso livre a revistas, teses e dissertações, e é responsável também pela Brasiliana USP, que conta com um acervo de três mil livros, periódicos e obras de referência para consulta e download. Já a Universidade Estadual Paulista (Unesp) inaugurou em maio deste ano sua Biblioteca Digital, parceria da instituição com o Arquivo Público do Estado de São Paulo, a própria Biblioteca Nacional e a Biblioteca Mário de Andrade, que assim permite acesso não só ao acervo das bibliotecas da Unesp como também a materiais pertencentes a essas instituições públicas.

Nessa corrida tecnológica, as bibliotecas universitárias, segundo Vicentini, têm uma vantagem em relação às públicas: investimento. Adriana Cybele Ferrarri, coordenadora da Unidade de Bibliotecas e Leitura da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e idealizadora da Biblioteca São Paulo (BSP), concorda: “Nas universidades, você não precisa provar para o reitor que a biblioteca é importante. Quando entrei no governo, a área de biblioteca e leitura não estava no mesmo patamar que museus e teatros, por exemplo. Mas, por outro lado, em comparação a seis anos atrás (quando passou a integrar a equipe da Secretaria), estamos vivendo um momento muito especial nessa área, em questão de aporte financeiro”.

A BSP foi inaugurada em fevereiro de 2010 no Parque da Juventude, área em que antes funcionava o Complexo Penitenciário Carandiru. Em 2011, a Biblioteca teve 321 mil visitantes e possui hoje um acervo de cerca de 40 mil obras. Ferrari explica que a intenção não é, mesmo, possuir um acervo gigantesco. Em palestra recente no curso de biblioteconomia da PUC-Campinas, ela tocou num ponto que compete a toda biblioteca, em especial, às bibliotecas públicas tradicionais: o acervo envelhecido. Segundo ela, não adianta dispor de um acervo de milhões de livros “velhos” e que não chamem a atenção do leitor. “Não estou dizendo para por fogo em obra rara”, brinca. “Mas o acervo das bibliotecas públicas raramente recebe uma renovação com títulos atuais”, afirma. No caso das bibliotecas virtuais, a disponibilização de obras da atualidade esbarra, como já mencionado por Rizzo e Vicentini, na questão dos direitos autorais.

A Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, é a segunda maior do país e possui um acervo de 3,3 milhões de itens, entre livros, periódicos, mapas, multimeios e outros materiais, dos quais 200 livros raros e quatro mil imagens e fotografias estão digitalizados e disponíveis na seção “Tesouros da Cidade”. Contemplada com o financiamento do Program for Latin American Libraries and Archives, do David Rockfeller Center for Latin Studies da Universidade de Harvard, ela está dando continuidade à digitalização de seu acervo, com a catalogação e disponibilização em base de dados de mais 120 livros da coleção de obras raras e especiais.

Já o Real Gabinete Português de Leitura, biblioteca pública desde 1900, com acervo atual da ordem de 350 mil volumes, não possui livros digitalizados, apenas manuscritos avulsos, códices e Atas dos Colóquios do Polo de Pesquisa sobre Relações Luso-Brasileiras. Mônica Rizzo, da BN, acredita que a digitalização não seja ainda o caminho para todas as bibliotecas. “Principalmente nesse primeiro momento, porque estamos falando de um país que tem ainda muitas disparidades na área de tecnologia. Mas possivelmente num futuro, talvez nos próximos 30 ou 50 anos, a tendência é que a maior parte das coleções em domínio público já esteja disponível em meio digital, o que será muito bom pra todos. Mas as bibliotecas (tradicionais) permanecerão”, reforça. Adriana Ferrari endossa: “Essa ideia de que com a TV o rádio iria acabar, com o cinema o teatro iria acabar e assim por diante já está ultrapassada. Nas bibliotecas, vão existir livros (em papel) e livros digitais”.

Festival do Rio: inscrições abertas

Estão abertas até o dia 17 de agosto as inscrições do Programa Vídeo Fórum do Festival do Rio, iniciativa que há dez anos exibe produções audiovisuais produzidas por crianças e adolescentes, abrindo espaço para que os autores expliquem o processo de trabalho e troquem experiências com outros realizadores . O edital avisa que só serão aceitos trabalhos realizados a partir de 2011, cujos autores tenham até 18 anos e estejam comprovadamente matriculados na escola ou participando de algum projeto educativo.

Leia o documento

De acordo com a organização, os vídeos devem ter duração máxima de 13 minutos, incluindo créditos. Os filmes podem ser realizados em qualquer formato, porém, a inscrição para seleção deverá ser efetuada mediante o envio de uma cópia em Mini-DV. Caso não seja possível, a coordenação aceita em alta resolução em DVD, ‘salvo’ em pen drive (AVI) ou ainda o envio do link do vídeo, já postado na internet. Cada jovem realizador ou grupo produtor poderá inscrever no máximo cinco trabalhos. Para cada trabalho, deve ser preenchida uma ficha de inscrição.

Cronograma:
– Data Limite para inscrição para filmes brasileiros: 17 de agosto
– Divulgação do resultado da seleção: 28 de agosto
– Data limite para troca e ou envio da cópia do trabalho selecionado: 6 de setembro

Para mais informações escreva para:
videoforum@festivaldorio.com.br
mostrageracao@gmail.com

Audiência pública: publicidade infantil

A Câmara dos Deputados vai debater no dia 3 de julho, em uma audiência pública, o projeto de lei 5921/01, que proíbe publicidade destinada à venda de produtos infantis. O projeto, do deputado licenciado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), foi aprovado pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, mas acabou rejeitado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico. Antes de passar pela Comissão de Ciência e Tecnologia, a proposta será debatida em audiência pública.

A ideia é reunir fabricantes de produtos infantis, dirigentes de emissoras de televisão e entidades preocupadas com a relação entre consumo e infância. O Instituto Alana, ONG que organiza campanhas contra publicidade dirigida a crianças, vai participar do debate. Um dos pontos que será discutido na ocasião é o de liberdade de expressão, uma vez que emissoras de rádio e TV defendem que a proibição total de anúncios para crianças viola esse princípio. A Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) devem participar da audiência.

Clique nos links abaixo e leia

– Associação Brasileira de Agências de Publicidade lança campanha somos todos responsáveis

– As crianças devem exercitar a frustração

– Manifesto contra a publicidade infantil

– Publicidade e criança. Entrevista com a professora Rita Ribes e a publicitária Nádia Rebouças

Jovens consomem drogas para estudar

Por Alan Schwarz
Do New York Times

Nas escolas de Ensino Médio dos EUA, a pressão por boas notas e a concorrência por vagas em universidades estão incentivando estudantes a abusar de estimulantes vendidos com receita médica. Os adolescentes dizem que obtêm os estimulantes de amigos, os compram de traficantes, também estudantes, ou falsificam sintomas para que médicos lhes dêem receitas médicas. “Isso acontece em todos os colégios particulares daqui”, comentou a psicóloga nova-iorquina DeAn-sin Parker, que atende adolescentes de bairros de alto padrão como o Upper East Side de Manhattan. “Não é como se houvesse apenas um colégio com esse problema. Esse é o padrão.”

A DEA (o órgão dos EUA responsável pela repressão e o controle de drogas) classifica estimulantes vendidos com receita médica, como Adderall e Vyvanse (anfetaminas) e Ritalina e Focalin (metilfenidatos), como substâncias controladas de “Classe 2” —a mesma da cocaína e morfina—, que têm utilização médica, mas que provocam dependência. Esses estimulantes também encerram altos riscos legais: poucos adolescentes compreendem que dar um comprimido de Adderall ou Vyvanse a um amigo é o mesmo que vendê-lo e pode ser qualificado como crime.

Esses medicamentos tendem a acalmar as pessoas com transtorno de deficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Já para aquelas que não apresentam a síndrome, apenas um comprimido pode lhes dar energia e concentração suficientes para uma noite inteira de estudo na véspera de uma prova. “É como se o remédio estudasse por você”, disse William, que se graduou recentemente no colégio Birch Wathen Lenox, no Upper East Side.

Mas o abuso de estimulantes pode levar à depressão e a mudanças repentinas de humor (decorrentes da privação de sono), taquicardia e exaustão aguda ou psicose durante a abstinência, dizem médicos. Psicólogos que trabalham com dependentes químicos dizem que, para alguns adolescentes, os com-primidos conduzem ao abuso de analgésicos e soníferos.

Paul L. Hoke-meyer, terapeuta familiar do Centro de Tratamento Caron, em Manhattan, ponderou: “O córtex pré-frontal dos adolescentes ainda não está plenamente desenvolvido, e esses medicamentos mudam a química cerebral. Se você tem uma deficiência real, isso é uma coisa —o remédio é realmente importante. Mas se sua deficiência consiste em não entrar na Universidade Brown, o uso de remédios é perigoso”.

A quantidade de prescrições de medicamentos para TDAH dadas a pessoas de 10 a 19 anos de idade nos EUA aumentou 26% desde 2007, chegando a quase 21 milhões de prescrições por ano. A informação é da empresa de informações médicas IMS Health.

Médicos e adolescentes de mais de 15 escolas de padrões elevados nos EUA estimaram que de 15% a 40% dos alunos dessas escolas tomam estimulantes para ajudá-los nos estudos. “São os alunos que tiram nota A ou B, os ‘bons alunos’”, disse um estudante do último ano do colégio Lower Merion, em Ard-more, subúrbio de alto padrão da Filadélfia. Ele contou que ganha centenas de dólares por semana vendendo medicamentos a colegas de classe, geralmente por US$ 5 a US$ 20 o comprimido.

O uso de medicamentos para o TDAH se difunde em todo o mundo. Um estudo feito pela Universidade da Califórnia em Berkeley, em 2007, constatou que os gastos globais com esses medicamentos se multiplicaram por nove em dez anos entre um grupo de países que inclui França, Suécia, Coreia do Sul e Japão. O aumento foi atribuído à chegada de medicamentos mais caros e de ação prolongada, como Concerta, Strattera e Adderall XR.

Agradando a todos

Madeleine contou que costumava pedir à professora de sua escola católica em Bethesda, Maryland, para sair para tomar água. Então engolia uma cápsula de 40 miligramas de Vyvanse. O efeito aparecia em meia hora: atenção concentrada, memória instantânea e resistência para encarar qualquer prova.

“As pessoas nunca imaginariam que eu usasse drogas – eu não era esse tipo de pessoa”, falou Madeleine, que acaba de concluir o primeiro ano numa faculdade de alto nível e continua a usar estimulantes ocasionalmente. “Não foi uma decisão difícil. A escolha foi: ‘Quero dormir só quatro horas e ficar acabada, ir mal na prova e na partida de hóquei? Ou quero agradar os professores, o treinador, conseguir boas notas, entrar numa faculdade ótima e deixar meus pais felizes?'”. Madeleine estima que um terço de seus colegas no colégio recorria a estimulantes para melhorar seu aproveitamento escolar.

Muitos estudantes em todo os EUA fizeram estimativas semelhantes em relação às suas próprias escolas. Mas há poucos dados sobre esse tipo específico de abuso de drogas. O Instituto Nacional de Abuso de Drogas informou que, entre alunos do ensino médio do país, o abuso de anfetaminas vendidas com receita médica diminuiu em relação aos anos 1990 e permanece relativamente constante, em 10%. Mas alguns especialistas observam que a pesquisa do instituto não enfocou os locais onde o abuso cresce sem parar -os colégios de alto nível, onde a pressão sobre os estudantes é grande. Além disso, os mesmos especialistas lembram que muitos adolescentes mal sabem que os medicamentos, chamados de “drogas de estudo”, são anfetaminas ilegais. “Isso não é como uma vitamina?” indagou um colegial de Eastchester, um subúrbio de Nova York.

Um representante da Shire, que fabrica as cápsulas de Vyvanse e Adderall, disse que estudos não indicam nenhuma ligação entre o uso prescrito dos medicamentos e seu posterior abuso. Uma garota que vende estimulantes a seus colegas na Long Beach High School, em Long Island, a 45 km a leste de Nova York, falou: “Quando as pessoas vão fazer exames, a primeira coisa que perguntam é ‘com quem vou conseguir Adderall?’.”

Douglas Young, um porta-voz do Distrito Escolar Lower Merion, sente-se frustrado pelo fato de tantos pais ignorarem o problema. “Muitas notas A e altos escores no SAT parecem ótimos no papel, mas não refletem a saúde e o bem-estar do estudante.”

Enganando os médicos

Os remédios entram nas escolas através de estudantes que os conseguem legalmente, embora nem sempre legitimamente. Os medicamentos mais antigos contra TDAH vinham em doses que precisavam ser tomadas a cada poucas horas. Para que os alunos não ficassem com as drogas, a enfermeira de cada escola ficava com os comprimidos e os dava aos alunos. Versões mais novas dos medicamentos, com efeito prolongado -como Adderall XR e Vyvanse- permitem que os pais dêem a seus filhos uma dose única pela manhã.

Muitas vezes, eles não têm consciência de que as pílulas podem ser guardadas no bolso da calça em vez de engolidas. Alguns alunos disseram que tomavam os comprimidos apenas durante a semana e davam as pílulas do fim de semana a amigos.

A mãe de um aluno do condado de Westchester, ao norte de Nova York, disse que todas as manhãs observava seu filho tomar sua dose de Ritalina. Um dia ela percebeu que a cápsula estava muito leve e a segurou contra a luz. Estava vazia. “Houve algumas vezes em que faltaram comprimidos no mês, e eu não entendia o porquê”, contou a mãe, cujo filho estava na oitava série na época. “Nunca percebi a razão, até encontrar aquelas cápsulas vazias.Ele estava vendendo o remédio.”

Vários adolescentes entrevistados riram da facilidade com que conseguem receitas para TDAH. A definição do transtorno exige que o deficit de atenção, a hiperatividade ou a falta de controle de impulsos provoquem “prejuízos clinicamente importantes” em pelo menos dois ambientes (na escola e em casa, por exemplo), segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Um dado crucial é que parte desse prejuízo precisa ter estado em evidência aos sete anos de idade. Segundo vários médicos, um diagnóstico correto de um adolescente que afirma ter TDAH requer que sejam entrevistados pais, professores e outros para confirmar que os problemas já estavam presentes muito tempo antes.

Muitos adolescentes com receitas médicas disseram que seus médicos apenas ouviram o que eles relataram e já tiraram seus blocos de receitas. A médica Hilda R. Roque, de Nova Jersey, disse que nunca prescreveu remédios para TDAH, mas que muitos pais pressionam os médicos tanto quanto fazem seus filhos para pedir medicamentos, dizendo: “Meu filho não está se saindo bem na escola. Ouvi dizer que há remédios que ele pode tomar que o deixarão mais inteligente.”

Um aluno do último ano em Connecticut que já tomou o Adderall de um amigo comentou: “Esses remédios são esteroides acadêmicos. Só que geralmente não são os pais que conseguem esteroides para a gente.”

O lado negativo dos medicamentos estimulantes se manifesta depois de eles terem propiciado benefícios competitivos de curto prazo. Foi o caso de um estudante da McLean High School, na Virgínia, um dos melhores colégios públicos da região de Washington.

No final de seu segundo ano no colégio, o rapaz queria melhorar sua média, que era B. Então disse à sua psicóloga o que ela precisava ouvir para ele receber um diagnóstico de TDAH. Em pouco tempo, ele recebeu 30 comprimidos mensais de Adderall de dez miligramas. A droga funcionou. Ele passou a estudar até tarde da noite, sua concentração nos exames melhorou, e sua nota média subiu para A-. Quando começou seu último ano no colégio, ele estava tendo dificuldades em se concentrar. O médico prescreveu 30 miligramas por dia. Quando chegou a fase das tentativas de ingresso em faculdades, ele passou a comprar comprimidos adicionais, por US$ 5 cada, de uma garota na aula de francês que também tinha enganado um psiquiatra. Começou a tomar vários comprimidos em alguns dias.

Quando, finalmente, o rapaz estava matriculado numa boa faculdade (mas não ótima), ele consumia 300 miligramas ou mais para adiar a crise inevitável. Um dia, depois de tomar 400 miligramas, ele teve uma forte taquicardia. Começou a ter alucinações e sofreu uma convulsão. Levado ao hospital às pressas, passou sete meses num centro de reabilitação de drogas. Para sua surpresa, dois dos outros pacientes da clínica também estavam ali apenas por terem abusado de estimulantes no colégio.

Isso é errado?

Jonathan Sklar, aluno da nona série em Ardsley, subúrbio de Nova York, descreveu como alguns de seus colegas abusam de estimulantes. Ele disse à sua mãe, Dodi: “Se eu fizesse isso, você não perceberia nada. Só ficaria feliz por eu estar estudando tanto.” Jonathan falou que nunca fará o que fazem esses colegas.

Indagados se usar estimulantes de modo incorreto é errado, estudantes deram respostas diversas. Alguns consideraram que as horas de estudo a mais e a concentração nas provas representam uma vantagem injusta para quem toma estimulantes. Muitos responderam que “drogas não dão as respostas” nas provas.

Mas todos concordaram que o consumo de estimulantes está se tornando mais comum e disseram que alguns estudantes que prefeririam não tomar as drogas seriam obrigados a fazê-lo em função da competição por notas.

Um estudante da Harvard-Westlake School, em Studio City, Califórnia, um colégio de alto nível da costa oeste americana, contou que experimentou o Adderall de um amigo, mas não gostou da sensação de ter seu coração batendo acelerado por muitas horas. Prometeu que nunca repetirá a dose.

Mas ao ver colegas abusarem de estimulantes na concorrência por vagas nas melhores faculdades, ele não tem tanta certeza. “Se necessário, posso voltar a tomar.”

Algoritmos corrigem redações

Por Randall Stross
Do New York Times

Nos Estados Unidos, os exames padronizados do final do ano letivo geralmente incluem uma redação, o que exige a contratação de humanos para avaliar cada texto. Isso pode mudar. Recentemente, profissionais da ciência da informação e estatísticos amadores participaram de uma competição para desenvolver algoritmos capazes de prever as notas das redações que seriam dadas por avaliadores humanos. Os resultados foram assustadoramente precisos.

A competição foi realizada pelo site Kaggle, que costuma promover disputas para o desenvolvimento de modelos de previsão. O lema do Kaggle é: “Transformando a ciência da informação em esporte”. Alguns dos clientes desse site oferecem prêmios consideráveis em troca da propriedade intelectual usada nos modelos vencedores. A recém-encerrada competição para algoritmos capazes de prever notas atraiu 159 equipes. Ao mesmo tempo, a Fundação Hewlett, em Menlo Park, na Califórnia, patrocinou um estudo sobre a correção automática de redações, que já é oferecida comercialmente.  Os pesquisadores concluíram que a correção automática é, na prática, idêntica a de avaliadores humanos.

Barbara Chow, diretora do programa de educação da Fundação Hewlett, disse: “Ouvimos que os algoritmos eram tão bons quanto avaliadores humanos. Por isso, criamos uma plataforma neutra e justa para avaliar a validade do que diziam os vendedores. Descobrimos que eles não exageraram”.

Os algoritmos oferecem um tipo bruto de avaliação. Eles conseguem dar nota à dissertação de um aluno de sétimo ano, por exemplo, mas não consegue comentar o uso das metáforas de um universitário que fez um curso de escrita criativa. O software reduz drasticamente o custo por redação corrigida. E, ao ser aperfeiçoado, poderá apontar os problemas no texto e oferecer explicações completas e exercícios práticos para resolvê-los.

“Proporcionar ao aluno um retorno imediato a respeito de gramática, pontuação, escolha das palavras e estrutura da frase levará a mais tarefas de redação e permitirá que os professores foquem em habilidades mais elevadas”, diz Tom Vander Ark, chefe e executivo da consultoria OpenEd Solutions, que trabalha com a Fundação Hewlett.

Caberia ainda aos professores julgar o conteúdo das redações, porque os alunos podem ludibriar o software, alimentando-o com absurdos factuais que um humano prontamente reconheceria, mas o computador não consegue.

Jason Tigg, de Londres, membro da equipe que ganhou a competição de correção de redações do Kaggle, é um operador que atua em bolsas de valores e que usa enormes conjuntos de dados sobre preços. Mas o software que ele desenvolveu para  avaliar redações usa um conjunto de dados relativamente pequeno  e computadores comuns. Assim, o custo adicional em infraestrutura para as escolas é nulo. Os laptops dos alunos ainda não possuem o incansável instrutor de redação virtual. Mas a melhora dos modelos estatísticos deixa esse dia cada vez mais próximo.

Programa ensina música para crianças

A TV Cultura estreia nesta segunda-feira, dia 18, a série Os Cupins, que tem o objetivo de mostrar a importância da música no entretenimento e na educação das crianças. A atração vai ao ar de segunda a sexta-feira, dentro das duas faixas do Quintal da Cultura, às 9h e às 14h30. A história gira em torno de Joca, um multi-instrumentista criativo que tem que aguentar as traquinagens dos cupins Cupincha e Cupim. Os dois moram em um piano, detestam música e se divertem boicotando o processo criativo do protagonista. Detalhe: seguindo o modelo do Cocoricó, todos os personagens são bonecos manipulados. Nenhum deles é fruto de animação.

Escrita e dirigida por Roberto Machado Junior, a série tem 13 episódios que exploram, de um jeito bem didático, noções básicas de musicalização, como o ritmo, a voz e as notas musicais. O público-alvo são as crianças de 4 a 10 anos, mas, pelo tom de humor, também encanta os mais velhos. A produção é da Aiupa Brasil Produções. Seguindo a tendência transmídia dos mercados editorial e audiovisual, o programa Os Cupins deu origem a uma coleção de livros de mesmo nome editado pela Barsa Planeta Internacional. Composta por três volumes, que incluem CDs e DVDs, é voltada para professores com experiência no ensino de música para crianças. Neles estão reunidas inúmeras atividades que podem ser feitas em salas de aula, em casa ou em áreas externas.

Um dos objetivos da coleção é dar subsídio para que as escolas se adequem às exigências da lei federal 11.769, que determina a música como disciplina obrigatória.

A paranoia bullying

Por Luiz Felipe Pondé
Filósofo, escritor e colunista da Folha de S. Paulo
Publicado na Folha de S. Paulo, dia 18/06/2012

Entro em sala de aula várias vezes na semana. Daí vem muito do que penso acerca dos modismos perniciosos que assolam o mundo da educação. E daí também vem o fato de que, apesar de ser pessimista (nada tem de chique no pessimismo, apenas para quem não o conhece por dentro e o confunde com um estilo melancólico de se vestir), não desisto da vida e vou morar no bosque de “Walden” (ou algo semelhante), como fez o filósofo americano Thoreau no século 19.

Hoje vou comentar um caso específico de moda que em breve provavelmente vai destruir qualquer liberdade e espontaneidade na sala de aula: a “paranoia bullying”. Se atentarmos para o que o Ministério Público prepara como controle da vida escolar “interna”, veremos, mais uma vez, a face do totalitarismo via hiperatividade do poder jurídico.

Ao invés de atacar o que deve ser atacado (o lixo que é a escola no Brasil, porque o Estado arrecada impostos como um dragão faminto, mas não dá nada em troca), o Estado e seu braço armado, o governo socialista que temos há décadas, que adora papos-furados como cotas raciais e bijuterias semelhantes, invade o espaço institucional do cotidiano escolar com sua vocação maior e eterna: o controle absoluto da vida nos seus detalhes mais íntimos. E ninguém parece enxergar isso, muito menos a pedagogia e sua vocação, nos últimos anos, para livros bobos da moda e palestrantes de autoajuda.

Quando ouço alguma “autoridade pública em bullying”, sinto que estou diante de um inquisidor, que, como todos, sempre se acha representantes do “bem”. Seria de bom uso dar aulas de história dos perfis psicológicos dos grandes inquisidores, como Torquemada e Bernard de Gui, para essas “autoridades públicas” em invasão da vida íntima das pessoas e das instituições. Eles descobririam sua ascendência direta do grande inquisidor de Dostoiévski (“Irmãos Karamazov”).

Em breve, a melhor solução para o professor será a indiferença preventiva para com os alunos. Melhor uma aula burocrática e avaliações burocráticas do tipo “múltipla escolha” ou “diga se é falso ou verdadeiro”, mesmo nas universidades, porque assim o aluno não poderá acusar o professor de “desumanidade” ao reprová-lo, ou pior, acusá-lo de bullying porque desconsiderou sua “cultura de ignorante”, mas que “merece respeito assim como Shakespeare”.Os “recursos” contra reprovação logo se transformarão em processos contra “bullying intelectual”. E os fascistas do controle jurídico da vida terão orgasmos.

Atitudes como estas destroem a autoridade da instituição, dos profissionais que nela trabalham e transformam todos em reféns da “máquina jurídica”. O resultado é que família e escola perdem autonomia. O que este novo coronelismo não entende é que existe um risco inerente ao convívio escolar e que as autoridades imediatas, professores e coordenadores é que devem agir, e não polícia ou juízes.

Na minha vida como aluno em universidade tive duas experiências com dois professores que hoje poderiam ser enquadradas facilmente neste papinho de “tratamento desumano”, mas que foram essenciais na minha vida profissional e pessoal.

A primeira, quando era um aluno da medicina na Universidade Federal da Bahia, ocorreu no dia em que perguntei a um professor como um paciente terminal via o fato de que ele ia em direção ao nada. Ele disse: “O senhor está na aula errada, deveria estar na aula de filosofia”. Isso, numa faculdade de medicina, significa mais ou menos que você não tem a natureza forte o bastante para encarar a vida como ela é.

A segunda, já na faculdade de filosofia da USP, aconteceu quando um professor me deu zero e disse para procurá-lo. Ao me ver, no meio da secretaria e na frente de vários funcionários e alunos, ele disparou: “Suas ideias são ótimas, seu português é um lixo”. Em vez de preparar a polícia para prender bandidos que assaltam casas e restaurantes aos montes, o governo prefere brincar com essas bijuterias, fingindo que cumpre sua função de garantir a segurança pública. Será que isso é medo de enfrentar os criminosos de verdade?

Outras dicas

Sessão Teste de exibição
Dia 1º de julho – 10 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
A História antes de uma história, de Wilson Lazaretti (Animação, Brasil, 2012)

Doutor K é um velho e sábio desenhista, mas que não sabe tudo. Adora criar cenários, personagens e histórias para demonstrar como se faz um desenho animado. Para isso, conta com a ajuda dos personagens que ele mesmo cria, além de alguns instrumentos, que lhe parecem estranhos, a princípio, mas que o ajudarão a desvendar os grandes mistérios da técnica da animação. Após a sessão, bate-papo com o diretor do filme.

Sessão Jovem
Dia 1º de julho – 18 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
Quem se importa, de Mara Mourão (Documentário, Brasil, 2011, 35mm)

Documentário que apresenta histórias sobre empreendedorismo social. Entre os entrevistados estão Muhammad Yunus (Prêmio Nobel da Paz) e Bill Drayton (fundador da Ashoka). O longa reúne os mais importantes expoentes do setor social do mundo.

Sessão Festival Internacional de Cinema Infantil
Dia 7 de julho – 16 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
Os Três Ladrões, de Hayo Freitag (Animação, Alemanha, 2007, 35mm)

Eles eram três ladrões terríveis que viviam na estrada rendendo e assaltando os viajantes inocentes. Um dia, uma órfã chamada Tiffany seguia de carruagem para o asilo de sua ti a malvada em um castelo nas montanhas. A menina não estava nada sati sfeita com sua vida e, quando os ladrões atacaram, viu a grande chance de fugir. Quando ela diz que é uma princesa riquíssima, eles acham um bom negócio levar a menininha para a sua caverna. Daí em diante, tudo muda e de seqüestradores eles passam a reféns daquela garotinha.

Pré-estreia nacional
Dia 8 de julho – 10 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
Peixonauta – Agente Secreto O.S.T.R.A, de Celia Catunda e Kiko Mistrorigo (Animação, Brasil, 2012)

O Peixonauta está pronto para mais uma aventura: se tornar Agente Secreto da O.S.T.R.A. Para ganhar esta super insígnia, terá que cumprir sete complicadas missões. Mas ele não está sozinho: com a ajuda de seus amigos Marina e Zico e toda a turma do Parque das Árvores Felizes, será muito divertido.

Sessão Festival Internacional de Cinema Infantil
Dia 8 de julho – 14 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
Poli, o Fusquinha de Polícia, de Rasmus A. Sivertsen (Animação, Noruega, 2009, 35mm)

Poli é o fusquinha da polícia que todos amam. Quando falta luz e a cidade fica no escuro, lá vai o nosso herói resolver o problema. E resolve, mas toma um choque tão grande que todos acham que ele está morto. Milagrosamente acorda e descobre que se transformou em um carro elétrico, com nova e pura energia.

Sessão Internacional
Dia 8 de julho – 18 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
O Mágico, de Sylvain Chomet (Animação, Inglaterra/ França, 2010, 35mm)

Com roteiro original de Jacques Tati , o filme conta a história de um artista que está em decadência, cuja fase de glória está sendo roubada por estrelas emergentes do rock. Forçado a aceitar tarefas cada vez mais obscuras, como se apresentar em bares falidos e festas de jardim, ele conhece uma jovem fã que muda sua vida para sempre.

Sessão Internacional
Dia 14 de julho – 14 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
O Mundo Encantado de Gigi, de Rintaro (Animação, Japão, 2009, 35mm)

Em meio à saudade do pai, aquela menininha fantasiada de pinguim se consola, pensando o tempo todo como seria bom ser um deles. Quando é levada para um mundo mágico, pensa que o seu salvador é um deles. Mas aquela experiência traz outros amigos e faz com que ela descubra coisas que nunca imaginou.

Sessão Festival Internacional de Cinema Infantil
Dia 14 de julho – 16 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
Meu Amigo Storm, de Giacomo Campeott o (Ficção, Dinamarca, 2009, 35mm)

Aquele era o amigo de que Freddie precisava. Ele tinha o pai, mas não queria preocupá-lo com seus problemas. Aos poucos fica claro que Storm não era um cachorro comum e que assim como Freddie, ele tinha habilidades especiais. Foi um longo e difícil caminho até que os dois pudessem ficar juntos e mostrar tudo o que eram capazes de fazer.

Papo sério

– 8º Encontro Nacional do Cinema Infantil / Desafios criativos: distribuição e conteúdo
Dia 30 de junho – das 8h30 às 12h30 – Majestic Palace Hotel


Palestrantes: Abrão Scherer (distribuidor), Ana Paula Santana (secretária da Secretaria do Audiovisual, do MinC), Celia Catunda (diretora e produtora), Marco Aurélio Marcondes (distribuidor), e Vera Zaverucha (representante da Ancine).

– Palestra: Animação na América Latina
Dia 2 de julho – 14 horas – auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC


Cineasta uruguaio, diretor da Tournier Animações, Walter Tournier vai explicar o seu processo de criação e produção.

 – Debate: Criança e consumo
Dia 4 de julho – 19 horas – Fundação Cultural Badesc


Exibição do documentário Criança e Consumo. Em seguida, debate promovido pelo Instituto Alana sobre a relação entre a publicidade, a infância e os pais.

 – Seminário: Cineclubismo, cinema e educação
Dia 9 de julho – das 14 às 18h30 –  Fundação Cultural Badesc


Parceria com a Federação Catarinense de Cineclubes e Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes.

Confira os curtas da mostra

Sessão Diversidade Brasil 1
Dia 30 de junho – 14 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
– Julieta de bicicleta (de Marcos Flávio Hinke, animação, PR, 2012, 10 min 40 s)
– Lápis (de Lúcio Mazzaro, animação, SP, 2012, 2 min 25 s)
– Haina: o chapéu (de Arnaldo Galvão, animação, SP, 2011, 1 min 05 s)
– Caranga – do outro lado do manguezal (de Chicolam, animação, SC, 2011, 5 min 30 s)
– O girassolzinho (de Douglas Soares, animação, RJ, 2012, 3 min 55 s)
– As aventuras de Poti & Anda-Luz (de Valu Vasconcelos, animação, RJ, 2011, 4 min)
– Raspa tacho (de Mauricio Squarisi e Wilson Lazaretti , animação, SP, 2011, 3 min 50 s)
– A varinha mágica (de Ramon Faria, animação, MG, 2012, 5 min 50 s)
– O mundo de Ulim e Oilut (de Caru Alves de Souza, ficção, SP, 2011, 13 min 35 s)

Sessão Diversidade Brasil 2
Dia 1º de julho – 16 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
– Disque Quilombola (de David Reeks, ficção, SP, 2012, 13 min)
– O morro da guerra eterna (de Mauro D`Addio, animação, SP, 2011, 6 min 20 s)
– Memórias do meu tio (de Alexandre Rafael Garcia, ficção, PR, 2011, 12 min 05 s)
– O guitarrista no telhado (de Guto Bozzetti , animação, RS, 2011, 11 min 40 s)
– De saco cheio (de Davi Mello, ficção, SP, 2012, 16 min 30 s)
– Gorgon (de Felipe Khedi, animação, SP, 2011, 3 min)
– Máquina de sorvetes (de Christopher Faust, ficção, PR, 2012, 16 min)

Sessão Diversidade Brasil 3 – Sessão Ecológica
Dia 7º de julho – 10 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
– Um sol de jacaré (de Rosa Berardo, ficção, GO, 2011, 21 min 35 s)
– Peixe Frito em uma aventura rupestre (de Ricardo de Podestá, animação, GO, 2011, 11 min 50 s)
– Os Sustentáveis (de Lisandro Santos, animação, RS, 2012, 1 min 10 s)
– O cangaceiro e o leão (de Arnaldo Galvão, animação, SP, 2012, 13 min 10 s)
– Arara rara (de Chico Zullo, animação, SP, 2010, 11 min 20 s)
– Desabrigados (de Alexandre Costa, animação, MG, 2012, 1 min 25 s)
– A patrulha do xixi no banho (de Michael Valim, ficção, GO, 2011, 9 min 25 s)

Sessão Diversidade Brasil Jovem
Dia 7 de julho – 18 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
– There is no darkness / A escuridão não existe (de Michele Vannucci, ficção, Itália, 2012, 8 min 50 s)
– Coloridos (de Christopher Faust e Evandro Scorsin, documentário, PR, 2011, 10 min 35 s)
– Pizzangrillo (de Marco Gianfreda, ficção, Itália, 2011, 16 min 40 s)
– Até quando (de Cinema Nosso, animação, RJ, 2010, 3 min 25 s)
– Gonnyon Tcheot Drive (de Paula Un Mi Kim, ficção, Coreia do Sul / Brasil, 2012, 15 min 30 s)
– Folha em branco (de Iuli Gerbase, ficção, RS, 2011, 12 min 25 s)

Sessão Muito Especial
Dia 8 de julho – 16 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
Com audiodescrição e Libras para portadores de necessidades especiais
– A mula teimosa e o controle remoto (de Helio Villela Nunes, ficção, SP, 2011, 15 min 15 s)
– Cadê meu rango? (de George Munari Damiani, animação, SP, 2012, 4 min 10 s)
– A grande viagem (de Caroline Fioratti , ficção, SP, 2011, 15 min 45 s)
– O macaco e o rabo (de Direção Coletiva, animação, PE, 2011, 8 min 10 s)
– Regando bigodes (de Thais Vasconcellos e Kati a Lund, ficção, RJ, 2012, 11 min 10 s)
– Bud’s songs ti me (de Hélder Nóbrega, animação, SP, 2012, 3 min 50 s)
– O fim do recreio (de Vinicius Mazzon e Nélio Spréa, ficção, PR, 2011, 17 min 25 s)

Sessão Diversidade Brasil 5
Dia 14 de julho – 10 horas – Teatro Governador Pedro Ivo
– Do lado de fora (de Matheus Peçanha e Paulo Vinícius Luciano, ficção, MG, 2012, 19 min 35 s)
– Destimação (de Ricardo de Podestá, animação, GO, 2012, 13 min 05 s)
– Banjo e viola (de Thiago Martins, animação, BA, 2011, 3 min)
– O que acontece na sala do diretor? (de Paulo Vivan, ficção, SP, 2011, 13 min 05 s)
– Malu maluca (de Eudes Lins e Marcos Morce, animação, DF, 2011, 13 min 10 s)
– Zarah (de Rodrigo Bontempo, ficção, PR, 2012, 15 min 45 s)

Pré-estreias da mostra


– Selkirk, O Verdadeiro Robinson Crusoe, de Walter Tournier
Dia 29 de junho, 19 horas, Teatro Governador Pedro Ivo
(Animação, Uruguai, Chile e Argenti na, 2012, 35mm, 80 min)

Selkirk, pirata rebelde e egoísta, é o piloto de um galeão inglês que navega pelos mares do Sul à procura
de tesouros. Na falta de navios inimigos, os corsários se divertem apostando em jogos de azar e, em
pouco tempo, Selkirk depena a tripulação, ganhando a inimizade de todos, principalmente a do capitão
Bullock, que decide abandoná-lo em uma ilha deserta. Lá, ele deve sepultar seus desejos de vingança e
desmedida ambição, e encarar uma nova maneira de enxergar o mundo.


– Tainá – A Origem, de Rosane Svartman
Dia 30 de junho, 16 horas, Teatro Governador Pedro Ivo
(Ficção, Brasil, 2012, 35mm)

Tainá, uma menina índia de cinco anos, sonha em transformar-se numa grande guerreira e desvendar sua verdadeira origem. Ao longo do caminho, ela faz amigos inesperados, tais como Laura, uma garota da cidade perdida na floresta, e Gobi, o menino índio nerd. Juntos nessa grande aventura, eles aprendem a superar suas diferenças culturais e enfrentam o inimigo ancestral da família de Tainá, Jurupari, a encarnação do Mal, que quer destruir toda a floresta. Após a sessão, bate-papo com Wiranu Tembé, Rosane Svartman, Pedro Rovai e Kika Limberger (atriz, diretora e produtores do filme).


– Corda Bamba,História de uma Menina Equilibrista, de Eduardo Goldenstein
Dia 30 de junho, 18 horas, Teatro Governador Pedro Ivo
(Ficção, Brasil, 2012, 35mm)

Maria é uma menina de dez anos que nasceu no circo, filha de equilibristas, e que precisa lidar com uma difícil passagem em sua vida. Ela vai morar com a avó, na cidade, e não consegue lembrar de seu passado. Da janela do seu quarto, ela atravessa sobre uma corda bamba para a dimensão do imaginário, onde irá recuperar sua memória e encontrar a possibilidade de seguir adiante. Após a sessão, bate-papo com o diretor do filme, Eduardo Goldenstein.

Mostra de cinema infantil de Florianópolis

Por Marcus Tavares

A maratona já vai começar. São cerca de 80 curtas, três pré-estreias e uma série de animações e obras nacionais e internacionais que vale a pena conferir. Não, não é um festival de cinema para adulto. É a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, onde gente grande é coadjuvante. Em sua 11ª edição, o evento é o único do Brasil que traz, todos os anos, uma seleção de curtas e longas nacionais que têm como temática a infância, mostrando que há produções instigantes e aproximando as histórias do seu público-alvo. A edição deste ano começa no dia 29 de junho e só termina no dia 15 do mês seguinte. Além dos filmes, há oficinas de animação e interpretação, salas de leitura, palestras com diretores e shows.

Para os adultos, um papo sério: os desafios da criação de conteúdos e da distribuição de produtos audiovisuais para crianças. O debate integra o 8º Encontro Nacional do Cinema Infantil, que todos os anos abre espaço para a discussão do cinema infantil. A secretária da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/.MinC), Ana Paula Santana Dourado, confirmou presença. Ela deverá falar sobre as 71 propostas que foram encaminhadas à sua equipe pelo Grupo Técnico de Assessoramento de Elaboração da Política Pública do Audiovisual para a Infância, instituído pela secretária no encontro do ano passado. As 71 propostas foram elaboradas por 13 profissionais que se reuniram no Fórum Pensar Infância, do 9º Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI), realizado em agosto de 2011, no Rio.(conheça as propostas de cada um dos integrantes do grupo).

“Desde o início, a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis promove a inclusão social através da arte. A cada edição aumentamos o número de crianças atendidas e expandimos a nossa ação de promover a circulação de bons filmes nacionais. Atualmente, quase todos os estados brasileiros, por meio de parcerias, realizam eventos audiovisuais gratuitos para as crianças com os curtas-metragens do nosso acervo. Nosso sonho é o de que um dia todas elas possam ter acesso à cultura e a filmes nacionais e estrangeiros que mostrem a beleza e a diversidade cultural do planeta, que estimulem a paz, a sustentabilidade, e que sejam instrumentos para um mundo melhor”, Luiza Lins, coordenadora do evento.

revistapontocom traz, abaixo, um serviço especial da mostra.
Clique nos links, confira e participe:

– Veja as pré-estreias da mostra
Tainá, a origem / Selkirk, o verdadeiro Robison Crusoe / Corda Bamba

– A relação dos curtas
Cerca de 80 obras de vários cantos do país

– Debates para gente grande
8º Encontro Nacional do Cinema Infantil

– Outras dicas
Exibição teste do longa A história antes de uma históira, Sessão FICI, Internacional e Peixonauta

A concept art

Por Daniel Moreira de Sousa Pinna e Marcos Aurélio Machado dos Santos
Daniel é Mestre em design e professor da UFF
Marcos é especialista em Ilustração e professor do Núcleo Avançado em Educação (NAVE)

O que há em comum entre um panda que acha que luta artes marciais, um super-herói aposentado, um espectro que habita os mundos inferiores, um playboy que usa armadura, um planeta distante com seres fantásticos, uma motocicleta virtual e uma dupla de criaturas de caráter duvidoso? Se você responder diversão garantida…acertou!  Mas, existe um outro aspecto que poucos conhecem: a existência de um profissional responsável por desenvolver visualmente todos estes universos e seus personagens, cenários e artefatos: o artista conceitual (Concept Artist).

Vivemos em uma sociedade baseada em imagens. Tal fato não chega a ser novidade. Sempre foi, essencialmente, por meio destas que percebemos o mundo e os acontecimentos à nossa volta. Por meio de imagens nos comunicamos, adquirimos e armazenamos informações e contamos histórias, cada vez mais audiovisuais, dinâmicas e interativas.

A arte conceitual (ou concept art) surgiu no contexto das artes visuais clássicas e evoluiu com as artes cinematográficas do cinema de atores e de animação, ganhando importância ainda maior na contemporaneidade a partir do desenvolvimento da tecnologia CGI (Computer-generated Imagery), que torna concreta no espaço diegético qualquer criação da imaginação, desde que a mesma possa ser previamente visualizada. O artista conceitual torna-se então fundamental para a criação das realidades fantásticas apresentadas na tela. A este é passada a tarefa de conceituar o inexistente.

O termo concept art (arte conceitual) já era empregado na indústria cinematográfica e do entretenimento — pelo estúdio de Animação dos irmãos Roy e Walt Disney na década de 1930, na pré-produção dos filmes animados.

Curiosamente, também na mesma época, a indústria automobilística já empregava o termo concept art em suas equipes criativas. Surgiam departamentos de criação com artistas especializados em ilustrações de automóveis, que exploravam no traço novos caminhos para os veículos das montadoras para os anos vindouros. A partir das artes conceituais produzidas, eram desenvolvidos os carros-conceito, projetos experimentais de cada empresa.

Até hoje essa prática permanece, alimentando novas soluções não apenas no design dos automóveis, como também no uso do espaço interno e na pesquisa de tecnologias de engenharia, combustíveis, potência e serviços (os modelos de carros elétricos são ótimos exemplos).

A crescente popularização dos jogos eletrônicos nas últimas três décadas e o aumento significativo do volume de produções de longa-metragens e séries de animação no mesmo período, bem como de filmes de ação ao vivo que se utilizam amplamente de efeitos especiais visuais gerados por computador, fizeram com que os artistas conceituais começassem gradualmente a sair dos bastidores onde atuam e passassem a ser cada vez mais valorizados, não apenas pelo público (que se organiza em grupos de fãs em convenções, blogs, fóruns e redes sociais na internet) como também nesse crescente mercado de entretenimento no qual, através da arte, é possível criar experiências que excitam e estimulam cada vez mais a imaginação dos espectadores.

Entertainment Design

Fala-se nos dias de hoje, portanto, em Entertainment Design (Design de entretenimento) como área de atuação estratégica na indústria cultural e do entertainment designer, profissional de conceituação visual e projeto industrial de inserção transmídia, fundamental nas etapas criativas e de produção dos projetos voltados para a indústria do entretenimento.

A venda dos produtos derivados de filmes e séries de televisão tomou tal importância econômica para os estúdios que, frequentemente, o argumento e o design de obras e personagens sofrem modificações em função de planos de negócios, de marketing ou de alguma dificuldade industrial na fabricação de itens como jogos e brinquedos com as formas desta ou aquela personagem. Certo personagem, demasiado complexo para produzir em cadeia, deve ser alterado e simplificado ao nível dos estudos preparatórios.
Não apenas brinquedos, jogos e colecionáveis tornam-se em desdobramentos rentáveis de filmes ou séries, como também livros e revistas em quadrinhos, licenciamento em produtos que não possuem ligação direta com a obra original (da indústria alimentícia, de produtos de higiene e para o lar etc.), aparelhos eletrônicos, roupas e acessórios, veículos, museus e parques temáticos.

Um mercado em formação

O Design é hoje reconhecido como atividade necessária e indispensável ao desenvolvimento educacional, econômico e cultural. Insere-se no núcleo da Indústria Criativa, definida pelas Nações Unidas como “os ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usam criatividade e capital intelectual como insumos primários”.

Não existe uma formação específica para tornar-se um artista conceitual. Alguns iniciam suas carreiras como designers gráficos, ilustradores, diretores de arte, artistas gráficos de jornais ou das histórias em quadrinhos. Outros trabalharam com modelagem tridimensional, animação ou produção de efeitos visuais e “migram” para a arte conceitual. Para que um artista conceitual possa exercer sua atividade em plenitude, é importante que este saiba ler e interpretar um argumento, roteiro ou perfil de personagens e esteja familiarizado com a sintaxe e estética cinematográfica, entendendo o que o diretor, o diretor de fotografia e (por vezes) o coordenador de efeitos visuais necessitam para uma tomada.

Já existem cursos de especialização e graduações que contemplam o estudo da arte conceitual mais especificamente em suas grades curriculares. Este processo é diretamente proporcional ao crescimento  da indústria criativa no país. Uma atenção maior à conceituação visual resultará em obras audiovisuais cada vez mais eficientes e impactantes.

Crianças e consciência ecológica

Como as crianças latinoamericanas enfrentam os desafios de preservar o meio ambiente na realidade de  seus respectivos países? O que pensam e o que fazem? Este é o tema central da série de TV Senha Verde, um projeto de co-produção audiovisual que envolveu a participação de cinco canais latinoamericanos de televisão: o Paka Paka, da Argentina, o Señal Colombe, da Colômbia, o Tevé Ciudad, do Uruguai, o Vale TV, da Venezuela,  e a TV Brasil, do Brasil.

Senha Verde é resultado de uma iniciativa que tem o objetivo de consolidar uma rede formada por canais públicos que realizam projetos audiovisuais para a infância, incentivando produções locais e fomentando o intercâmbio entre países. Destinada a crianças com idade entre 8 e 12 anos, a série é composta de 13 microprogramas com duração de quatro minutos. Cada canal produziu até três episódios que destacam problemas ecológicos que mobilizam as crianças e as soluções que elas encontraram para melhorar o planeta.

O formato da série foi idealizado em conjunto pelos cinco canais, sob a supervisão de especialistas em mídia, infância e ecologia. Cada canal assumiu a responsabilidade de produção das eco-histórias a partir dos seus respectivos países. O Goethe-Institut, órgão patrocinador do projeto, criou mecanismos para garantir um diálogo fluido e um intercâmbio permanente entre todos os envolvidos. Também coube à instituição as funções específicas de tradução, dublagem e transcodificação.

“Com a participação dos produtores e produtoras dos canais, das diretoras artísticas com grande experiência na temática e com o know-how generosamente oferecido pelos especialistas convidados, conseguimos desenvolver um formato de uma série documental colorida e atrativa, onde as crianças relataram suas experiências com o meio ambiente. Estou confiante de que conseguimos montar um mosaico que destaca a particularidade de cada situação e que, ao mesmo tempo, realça as motivações e valores comuns entre as crianças de diferentes regiões. O que proporcionou isso foi o processo de criação conjunto onde todos puderam oferecer suas especificidades locais de maneira autônoma, mas, ao mesmo tempo, afinada entre todos os envolvidos. E o que mais me deixa entusiasmada é que, simultaneamente, houve a consolidação dos contatos e do intercâmbio entre os profissionais que representaram os canais”, destacou Inge Stache, coordenação institucional do Senha Verde, do Goethe-Institut Buenos Aires.

A brasileira Beth Carmona, que assina a direção artística, foi uma das especialistas convidadas para contribuir na formatação do projeto. A série na TV Brasil vai ao ar em julho deste ano. O lançamento aconteceu no dia 4 de junho, na Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro.

Confira a sinopse dos vídeos produzidos pelos cinco canais:

BRASIL

– Aderley apresenta: caranguejo tem que crescer
Aderley é um indiozinho que quer ser pescador e seu professor está ensinando sobre a pesca dos caranguejos e os ciclos da natureza.

– Arthur apresenta: sabendo usar, não vai faltar!
Arthur é curioso, adora desenhar e fazer pequenas experiências. Depois de um de seus experimentos, e de uma bela bronca de sua mãe, aprende sobre a importância do uso consciente das coisas.

– Bruno apresenta: os sons da mata
Bruno tem nove anos e adora ir para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde gosta de ficar com os animais e tirar belas fotos.

VENEZUELA

– Yohangel apresenta: sonho marinho
Yohangel tem 14 anos de idade e, desde os seus 10 anos, cuida de tartarugas e lagostas que estão em perigo de extinção. Cuida delas em um abrigo até que elas possam se defender sozinhas. Quando este momento chega, ele as coloca de volta em seu habitat natural: o mar.

URUGUAI

– Christian apresenta: luz demais
Christian é integrante do clube de ciências da sua escola que tem interesse de entender do que se trata: “contaminação lumínica”. Realizou uma investigação com trabalho de campo e tirou suas conclusões.

– Claudio apresenta: a panela mágica
Claudio ensina a fazer a “panela mágica” que esquenta em um toque de mágica e faz um doce delicioso.

ARGENTINA

– Carmen apresenta: um ciclo incrível
Carmem vive perto do parque Avellaneda, na Cidade de Buenos Aires. Ela gosta de visitar a horta orgânica que tem lá, onde aprendeu a fazer a compostagem caseira. E, agora, nos ensina a fazer e nos conta como funciona o “ciclo da abóbora”.

– Tobías apresenta: um café da manhã ecológico
Amanhece. Tobías acorda. Hoje ele mesmo vai preparar seu café da manhã. Para isso, ele colhe os alimentos e nos explica como faz chá em uma cozinha solar.

– Violeta apresenta: árvores felizes
Preocupada com o meio-ambiente, Violeta cria junto com seus amigos um plano de ação para conscientizar seus vizinhos.

– Milagros: a pasta mágica
Milagros participa do grupo “Os guardiães da Bacia Riachuello”da sua escola. O grupo tem o sonho de despoluir o Rio Riachuello e, para isso, cria uma pasta mágica com importantes informações que vai ajudar a realizar seu objetivo.

COLÔMBIA

– Estefania apresenta: Promessas ao vento
Estefania, sua professora e seus amigos da escola vão fazer um pic nic no campo. Entre lanches, músicas e pipas, ela descobriu um pequeno córrego que inspirou sonhos, promessas e voo para realizações de comunidade.

– Juan Estevan apresenta: vamos brincar no bosque
Juan Estevan adora brincar no bosque de eucaliptos, no quintal de sua escola. Certo dia, ele e seus amigos foram surpreendidos com o barulho de uma motosserra, que estava derrubado estas árvores. Ao buscar explicações, Juan criou um grande plano para plantar um novo espaço para eles brincarem.

– Carolina apresenta: Um riacho em meu caminho
Todos os dias, a caminho de sua escola, Carolina passa por um riacho que esta sofrendo com grande quantidade de lixo. Certo dia, ela tem a ideia de mostrar o caminho que esse pequeno rio faz até um lindo parque. Desse modo, ela tenta encantar todos os seus amigos para o cuidado com este pequeno pedaço da natureza.

Pesquisa com crianças

Por Marcus Tavares

Produzir pesquisas com crianças não é uma tarefa fácil, precisa de cuidados éticos e contextualizações em torno de suas especificidades. Estudos sobre infância e tecnologias revelam dados que vão, muitas vezes, de encontro com o senso comum e com o que a mídia divulga de forma generalista. E mais: dados que levam em consideração as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) são retratos de um momento, merecem, portanto, uma atualização constante. As observações são de Cristina Ponte, professora do Departamento de Ciências da Comunicação, da Universidade de Nova Lisboa, Portugal. Cristina esteve, no dia 30 de maio, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde apresentou para alunos e professores da instituição a metodologia e os resultados da última pesquisa EU Kids OnLine, aplicada, em 2010, em 25 países da Europa, pelo programa Safer Internet da Comissão Europeia.

O objetivo do levantamento era avaliar os riscos que as crianças, dos 9 aos 16 anos, estavam expostas no meio online, como receptoras, co-autoras e autoras de conteúdos. Entre os pontos pesquisados, destacam-se: a pornografia, o bullying, o recebimento de mensagens de caráter sexual, o contato com pessoas desconhecidas, encontros com pessoas conhecidas pela internet, e conteúdos potencialmente nocivos criados pelas crianças.

Foram ouvidas mil crianças de cada um dos países que integravam o projeto. As entrevistas aconteceram nos domicílios das crianças. De forma aleatória, os entrevistadores iam de casa em casa e se apresentavam para o responsável, perguntando se havia crianças na faixa etária do estudo e que tipo de acesso à internet o domicílio possuia. Em média, a cada 17 tentativas, uma era realizada com êxito.

O resultado do levantamento colocou em xeque algumas verdades até então estabelecidas pelo senso comum e reiteradas pelos meios de comunicação. Por exemplo: a de que as crianças são ingênuas, não sabem lidar com os riscos que estão sujeitas na internet. A pesquisa revelou que a maioria dos jovens com 11 a 16 anos consegue bloquear mensagens de pessoas que não desejam contatar (64%) ou encontrar conselhos de segurança online (64%). Cerca de metade consegue alterar as definições de privacidade num perfil de rede social (56%), comparar websites para avaliar a sua qualidade (56%) ou bloquear spam (51%).

clique aqui e acesse o sumário da pesquisa em Portugal

Outro mito um tanto refutado pelo estudo é de que as crianças usam/sabem mais a internet do que os seus pais. Um terço das crianças diz que a afirmação ‘eu sei mais sobre a internet do que meus pais’ é muito verdadeira, outro terço (31%) diz que a afirmação é verdadeira e outro terço, que não é verdadeira.

Doze por cento das crianças européias, dos 9 aos 16 anos, dizem que já se sentiram incomodadas ou perturbadas por alguma coisa na internet. Isto inclui 9% das crianças com 9 ou 10 anos. No entanto, a maioria das crianças não disse ter ficado incomodada ou perturbada no seu uso do online. Os riscos não são necessariamente vivenciados pelas crianças como desconfortáveis ou nocivos. Por exemplo, uma em cada oito crianças respondeu já ter visto ou recebido imagens de caráter sexual online, mas isso só constituiu uma experiência nociva para algumas. Pelo contrário, ser alvo de bullying online através de mensagens desagradáveis ou prejudiciais é um risco bastante mais raro, vivido por uma em cada 20 crianças, mas trata-se do risco que parece incomodar mais.

“Os dados coletados pela pesquisa servem para avaliarmos a dimensão que, nós adultos, damos a certas questões, mas que, na prática, não têm o mesmo grau de importância e complexidade dado pelas próprias crianças”, destaca Cristina.

Outros dados de Portugal:

– 78% das crianças portuguesas entre 9 e 16 anos usam a Internet.

As crianças e jovens portugueses estão entre as crianças europeias que acedem mais à Internet nos seus quartos (67%) do que noutros lugares da casa (26%), uma diferença mais acentuada do que a média europeia (respectivamente 48 e 37%).

Portugal é um dos países com menor incidência de riscos, abaixo da média europeia (12%): apenas 7% das crianças e jovens declarou já se ter deparado com riscos

Portugal é um dos países onde mais crianças e jovens declaram já ter sentido bastantes vezes que estavam a fazer um uso excessivo da internet (49%), muito acima da média europeia (30%).

Pesquisa no Brasil

Cristina Ponte é uma das consultoras da mesma pesquisa que acaba de ser realizada no Brasil, com  a mesma metodologia. De abril a maio, foram entrevistadas 2.500 crianças e seus responsáveis. A pesquisa foi aplicada, pela empresa Ipsos Brasil, nas 27 capitais brasileiras e alguns municípios. Os resultados serão conhecidos em setembro. “A partir daí, contaremos com o apoio de especialistas brasileiros, da academia, para avaliar e interpretar os dados apresentados”, conta Cristina. Os resultados do Kids Online Brasil poderão ser comparados com os dos países da Europa.

Animação brasileira na Europa

No próximo dia 18, a cidade de Guimarães, em Portugal, vai abrir espaço para a animação brasileira. A produtora e criadora de conteúdos para infância e animação brasileira Patricia Alves Dias foi convidada pela organização do evento Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura para assinar a curadoria da Mostra melhores momentos da animação brasileira. A propostado evento Internacional capitales européennes dela culture, que acontece desde 1985, é promover um diálogo entre criadores e criações, divulgando a diversidade cultural que caracteriza a Europa e, em paralelo, acolher outras culturas de outros países, como a do Brasil.

“Como tínhamos apenas um tempo estimado de sessenta minutos para compor os titulos da Mostra melhores momentos do cinema de animação brasileiro, convidamos aqueles autores e filmes brasileiros que de certa forma se apresentam como referências no âmbito da investigação estética e narrativa. A ideia era compor uma panorama diversificado com a representação em diferentes segmentos, desde obras experimentais de autores, dos mais novos aos mais consagrados, até conteúdos com fins comerciais para crianças. Há também obras de novos realizadores, com suas diferentes técnicas. Infelizmente, não estamos levando na maleta obras de enorme relevância para a cinematografia nacional de animação como as animações da série Hoje é dia de Maria, de Cesar Coelho, e o longa Lutas, de LuizBolognesi, mas terão seu destaque em nossa fala”, destaca Patricia.

Clique aqui e conheça mais detalhesdo evento

Veja abaixo os vídeos que farão parte da mostra Melhores momentos da animação brasileira:


Neomorphus , de Animatorio, stop motion, 2’48 sec.,2011, HD
Mutações,etapas de uma transformação. A evolução como ganho de função é denominada neo-mórfica. Ecossistema imaginário de adaptação das criaturas em seus meios – a transformação desses meios em função dessas criaturas, gerando um ciclo fantástico. A simbologia da mutação faz parte do momento que vivenciamos em nossa trajetória, mudando de espaço, encontrando um novo espectro, uma nova fase; evoluindo. Premiado em inúmeros festivais internacionais entre eles o Festival de Stop Motion do Canadá.


Quando os morcegos se calam, de Fabio Lignini, 7, 1986, 35mm
Durante uma tempestade, um homem chega à sua casa misteriosa. Faz parte da coletania de filmes realizados no Acordo de Cooperação Artística e Técnica entre o Brasil e Canadá, obteve prêmios de Melhor Obra nos festivais de animação mais importantes do mundo, tais como Annecy, Hiroshima, Los Angeles, entre outros. Primeira obra do realizador Fábio Lignini que desde 1989 faz parte da equipe de diretores da Dreamworks de Steven Spielberg.


Tempestade, de Cesar Cabral, 10 min., 2010, 35mm

Um marujo solitário enfrenta violentas tempestades a fim de reencontrar a sua amada. No caminho, estranhos acontecimentos mudam completamente sua vida. A animação em stop motion recebeu menção honrsa no Festival Del Nuevo Cine de Havana e foi premiado no Animamundi. Obteve também o prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Fotografia.


Fofurinha, de Andrés Lieben, 11 min., 2010, HD digital/ Betacam SD

O balão de cachorrinho da Lili voa pra longe, e ela fica arrasada! Ela resolve então se aventurar com os AmigãoZões entre as nuvens, numa longa jornada em busca da pequena Fofurinha! Da série Meu Amigãozão, é uma co-produção Brasil e Canadá exibida nos canais DiscoveryKids da America Latina.


Arbrario, Caldo de Cana é Um Real, pixilation,  1’08”, 2010, HD
Do comportamento aos universos paralelos, as linguagens tomam diferentes caminhos de manifestação própria. Experimeto em pixilação de grupo de novos artistas do nordeste brasileiro.


Tyger, de Guilherme Marcondes, 2D, puppetry e photographs, 4’30”, HD,  2006
Um enorme tigre aparece misteriosamente numa grande cidade. Ele vai revelar a realidade escondida numa noite que poderia ter sido como qualquer outra. Tyger é um curta inspirado no poema homônimo de William Blake. Um animal gigante passeia por São Paulo revelando diferentes realidades. Vencedor de Melhor Animação no 37th Tampere International Short Film Festival, Melhor Curta no Anima Mundi, Melhor Filme no Clerrmont-Ferrand Film Festival 2007. Menção Honrosa no Clerrmont-Ferrand Film Festival e Melhor Animação no Odense Film Festival.


Casa de Máquinas, de Daniel Herthel e Maria Leite, stop motion, 5 min., HD, 2007
Uma chave inicia o funcionamento de uma complexa estrutura mecânica onde planejadas reações em cadeia e acaso se misturam em cooperação. O vídeo “Casa de Máquinas” utiliza conceitos que transitam entre o teatro e as artes visuais. Através do teatro de bonecos, a designer Maria Leite e o desenhista e escultor Daniel Herthel se interessaram pela ciência que envolve o processo de animação de um objeto. Com este foco, alternam funções de artista e inventor, promovendo um elogio ao “fazer manual” e retornando às antigas tecnologias dos autômatos, da relojoaria e do ofício da madeira. Realizado com subsidio do British Councile Arts Council of England, o filme exibido em Annecy, Edinburgh International Film Festival, FilmFestival Hamburg, Anima Mundi e Ottawa.


Passo, de Ale Abreu, animação tradicional, 4’, 35mm, 2007
Passo surgiu a partir de exercícios de desenho e animação realizados durante  o período da finalização do longa Garoto Cósmico, e como experimento para um novo projeto do estúdio. Praticamente sem um roteiro definido, o filme foi concluído na ilha de edição, onde acrescentamos as imagens da mão desenhando e assumimos a ruidagem do lápis como o som do pássaro. No fundo havia o desafio do improviso: “vamos ver no que dá”. Passo foi exibido em festivais internacionais de animação como Annecy, Hiroshima, Cinanima e o Animacor na Espanha, onde foi premiado.


Matinta, de Humberto Avelar, animação tradicional, 13 min., 35mm, 2006

No interior do Brasil, reza a lenda que quando Matinta Perera passa por um vilarejo, e não encontra oferendas, uma tragédia pode acontecer. Uma menina e seu gato acabam, por acaso, descobrindo os mistérios da bruxa Matinta Perera que se transforma em pássaro e que abre conhecimentos sobre um mundo novo e maravilhoso, o que permite a menina suplantar seus medos. O filme faz parte da premiada série Juro que Vi,e recebeu o premio especial da presidência do Japan Prize.


O Caminho das Gaivotas, de Alexandre Rodrigues, Barbaro Joel Ortiz, Daniel Herthel e Sergio Glenes, 11 min., 35mm, 2011
Era uma vez, um lugar muito, muito longe daqui, onde não havianada…havia apenas três casas, um coqueiro e uma vaca. Lá vivia uma menina, que se chamava Maria Soledad. Apesar de seu nome, Soledad nunca estava só. Ela sempre estava acompanhada de seus brinquedos: um pião, uma flauta e uma manta de retalhos. Até que um dia, chega El Dios Huracán… O filme foi realizado no Acordo de Cooperação em Animação Brasil e Cuba e recebeu os prêmios de melhor animação em Nueva Mirada e Menção de melhor direção de arte no Divercine.

As crianças e a felicidade: a foto e os de fora dela

Por Maria Inês de C. Delorme
Professora adjunta da UERJ, pós-doutorada pela Universidade Nova de Lisboa

Sobre a matéria Por que ela está tão feliz? Uma nova pesquisa revela o que deixa as crianças brasileiras alegres ou tristes”, escrita por Thais Lazzeri, divulgada na internet, revista Época em 25/5/2012.
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Esse artigo se destina à reflexão da matéria da revista Época que, embora mereça muitos aplausos pela publicação, junto à SBP e ao Datafolha, também incita à análise, ao debate e à formulação de algumas questões. E, nessa reflexão, confesso que questiono, às vezes, a condução da repórter e a linha do periódico em que trabalha, a pesquisa e, eventualmente, as duas coisas.

A primeira questão se refere a um anúncio, no lead da matéria, que pode desapontar o leitor, interessado, como eu, em ouvir “pela primeira vez”, o que sentem as crianças brasileiras. E ninguém melhor que elas próprias para contar o que as deixa felizes ou tristes”. Não pude perceber o que dizem e sentem as crianças nessa pesquisa como sendo ideias, opiniões e sentimentos expressos por elas, já que na reportagem da Época elas estão presentes, sem as suas vozes.

Há falas interessantes e competentes que sustentam a matéria e a pesquisa, que traz discursos importantes de acadêmicos e de profissionais sobre as crianças. Há, também, um discurso legal, que atribui e garante para elas os seus direitos, (o que é ) indispensável. Fazem-se presentes os discursos dos pais e suas expectativas acerca da vida presente e futura de seus filhos, o que  também é valioso. Porém, a fala das crianças, que têm sempre o que dizer sobre suas vidas, é imprescindível. Ou então, mudam-se o lead e o texto de apresentação da pesquisa.

Um segundo ponto para reflexão se refere à reconhecida dificuldade de fazer, não só no Brasil, pesquisas sobre crianças, mas com crianças. Essa é uma decisão metodológica usada em pesquisas qualitativas, em geral de cunho etnográfico, que não têm uma execução simples. Embora saiba que a pesquisa em questão não tenha essas característica, por ser quantitativa, penso que ela reforce um conceito antigo em que se dava maior peso ao que têm em comum ou seja, em aspectos passíveis de generalizações, em detrimento do que caracteriza cada uma delas como um ser único e diferente de todas as outras. Por que digo isso? Porque, as falas das famílias e a homogeneidade das imagens divulgadas pela Época na reportagem deixam fora da foto uma infinidade de crianças e de famílias brasileiras que se fazem presentes, nesse caso pela sua ausência, ficam “fora da foto.”

Ainda sobre a metodologia utilizada na pesquisa, como parte extremamente interessada, fui buscar informações sobre como foi feita a “escuta” das crianças, além de precisar conhecer os contextos em que elas aconteceram, o que também não foi apresentado na matéria e que poderia enriquecê-la, dado ao pioneirismo da pesquisa.

Há, também, alguns resultados que surpreendem, positivamente, como por exemplo, o fato de a renda, a escolaridade da família e o seu capital cultural – ou as “diferenças culturais” – não terem peso na suposta tristeza/alegria das crianças, à medida que vivem imersas num mundo que produz a nefasta cultura material da felicidade e que procura mantê-la e reproduzi-la. Todas as pessoas, dos nossos filhos aos nossos alunos, de alguma forma e em algum momento, relacionam desejos materiais à felicidade, mas a pesquisa mostra claramente que elas não desejam apenas comprar e ter. Melhor assim.

Sobre os encontros entre adultos e crianças pelo Skype, ou por meio de outros recursos que dependem da internet, julguei oportuno estabelecer uma relação entre os resultados anunciados na Época e os dados apresentados pelo CETIC.br, de que apenas 27% dos domicílios brasileiros a ela têm acesso (CGI.br, 2010), sendo apenas 6% na área rural. Desses 27% de domicílios, 90% são da classe A; 65% da B; 24% da C; e 3% das classes D-E; sendo que os critérios usados pelo IBGE para a definição dessas classes sociais se basearam na renda familiar: A1 = Renda familiar mensal R$ 14.550;  A2 = até  R$ 9.850; B1 = 5.350;  B2 = até R$ 2.950; C1 = até R$ 1.650; C2 = até R$ 1.100; D = até R$ 750; E = até R$ 410.

Nesse processo, mais uma vez, busco localizar crianças que estão “fora da foto“, embora falem em seu nome, já que elas são brasileiras como as outras. Cito como exemplo o contexto da pesquisa que desenvolvo, onde em cem crianças apenas quatro têm internet e, assim, nunca poderiam se conectar com seu pai, mãe ou avó pelo Skype. E esse paradoxo que reflete a presença/ausência de certas crianças, na minha opinião, se impõe porque não sabemos os critérios utilizados para selecionar as dez famílias entrevistadas na matéria. Assim, me permito supor que tenham sido ouvidas apenas famílias com nível socioeconômico e padrões étnicos parecidos com o dos leitores da Época. E, nesse caso, ficamos devendo alguma coisa às crianças, de novo.

Como terceira questão, venho expor aqui algumas experiências, junto com certos medos, apenas para ilustrar o desafio de aferir e de quantificar ideias, desejos e sentimentos infantis. Insisto, no reconhecimento da dificuldade para fazer esse tipo de levantamento com adultos e, ainda mais, com crianças, sobretudo se for dado o devido destaque aos aspectos éticos que precisam ser considerados quando se pesquisa com crianças. Vejamos o que dizem algumas delas, que integram o meu universo de pesquisa: “É chato ficar ali, junto com o meu pai, na hora da novela e ele nem fala nada. Se eu falar, ele briga. Eu queria ficar ali, perto dele, fazendo aquele joguinho do celular dele, aquela brincadeira de jogo, sabe? Mas ele não empresta. Por que ele não empresta? Ora, ele diz que não é pra criança, mas é. Não é pra adulto, eu acho.” (W.S., menino, 7 anos).  Há sonhos e desejos expressos por elas que são muito semelhantes entre si e outros muito diferentes, como, “querer  aprender a fazer um Orkut só para usar no celular. E aí eu vou ficar rica, muito rica.”, diz  K.A. (menina, 8 anos), que sequer tem internet banda larga em casa, embora “já tenha um computador”.  E, ainda sobre o celular, diz uma outra menina de 5 anos: “Eu queria ficar no cinema com a minha mãe o dia todo, ali no escurinho só vendo os Vingadores, mas o celular dela nem ia poder tocar, hora nenhuma, nem uma vezinha. Só ela e eu.” (G.S., menina.)

O que pretendo dizer com isso? Que, ao desejar saber o que as crianças pensam, quero dizer que elas precisam ser ouvidas com o rigor necessário que lhes assegure a expressão da sua própria voz com confiança, conforto — e até mesmo segundo certos parâmetros de proteção, em alguns casos, em respeito à vida delas, quanto à exposição de suas imagens, ideias e sentimentos. Nesse viés, considero o uso de uma ou outra pergunta aberta, a aplicação de questionários e o uso de “carinhas” como não sendo suficientes para conhecer o que pensam e sentem as crianças. Há modos de perguntar, com ou sem aplicações de questionários, que produzem determinadas respostas, que encapsulam e, às vezes, conduzem as vozes dos pesquisados, sejam crianças, sejam adultos. Vale destacar aqui que coloco essas questões em função dos objetivos da pesquisa, dos seus resultados  e do meu compromisso com as crianças que me cobra o respeito às suas vozes. Jamais desacreditei da lisura nem da competência do Datafolha, da Sociedade Brasileira de Pediatria, muito menos da competência da repórter. São questões para uma reflexão que convida à uma aproximação da Educação, com a Pediatria  e a Comunicação Social, pelo menos, nesse caso.

Uma penúltima questão, a quarta, remete ao que é estabelecido, na matéria como família. Cresce o número de crianças brasileiras que não têm família em que pai e mãe vivem juntos, que são parte de outros arranjos familiares, que funcionam também como seu esteio e segurança, mas com organizações internas muito diferentes e variadas, e estas, a meu ver, precisariam estar presentes nessa matéria. Por que não ouvir mães, pais e crianças, principalmente, que favorecessem a inclusão de alguns outros formatos de famílias igualmente legítimos?

E, como última questão para reflexão, gostaria de propor duas coisas. Uma delas, é que sejam feitas mais pesquisas, novas ou complementares à apresentada, por exemplo, mas que possam ser demandadas, planejadas e analisadas sob uma ótica interdisciplinar que envolva a Pediatria, a Pedagogia, a Sociologia da Infância, a Comunicação Social e tantas outras áreas para que, juntos, seja possível enfrentar questões de abrangência multidisciplinar, como essa. A segunda e última questão se refere ao papel da imprensa e à responsabilidade dos jornalistas-repórteres no tratamento das questões que remetem às crianças e à infância. Sobre isso, há uma tese de doutoramento disponível na internet  que buscou estudar a relação de crianças de 6 a 8 anos com as notícias da televisão. Essa tese não apresenta verdades fechadas nem pretende esgotar o assunto, mas, quem sabe, pode ser do interesse dos adultos conhecer o que as crianças dizem a respeito do que entendem como uma notícia.

Jovem no poder

“Você já cresceu. Agora é hora de aparecer.” Já estão abertas, até o dia 15 de junho, as inscrições do projeto Parlamento Jovem Brasileiro (PJB) 2012, da Câmara dos Deputados. O programa é uma oportunidade para que jovens cidadãos brasileiros possam simular, durante cinco dias, a jornada de trabalho dos deputados federais. A nona edição do PJB será realizada entre 24 e 28 de setembro, reunindo 78 estudantes de todos os estados.

A primeira edição do programa ocorreu em 2004. De lá para cá, houve a participação de 613 jovens parlamentares estudantes do Ensino Médio. Desde a edição do ano passado, além dos estudantes do terceiro ano, os do segundo ano também podem participar. Após sessão de instalação e posse dos jovens parlamentares, estes elegem sua Mesa Diretora. Os trabalhos têm início com distribuição dos parlamentares nas Comissões do Parlamento Jovem Brasileiro e distribuição dos projetos aos relatores.
Os estudantes, assim, simulam todas as etapas do processo legislativo. O tema do projeto de lei a ser apresentado é livre.

Os deputados jovens são pré-selecionados pelas secretarias de educação dos respectivos estados, por meio da apresentação de um projeto de lei. O projeto de lei deverá ser apresentado nas escolas, em conjunto com a ficha de inscrição e documentação requerida, e deverá versar sobre temas nas seguintes áreas: agricultura e meio ambiente; saúde e segurança pública; economia, emprego e defesa do consumidor; educação, cultura, esporte e turismo. O Conselho Nacional dos Secretários de Educação – (Consed) encaminhará os projetos à Câmara dos Deputados, onde uma comissão, formada por servidores da área legislativa da Câmara, irá escolher os projetos participantes. O número de representantes por Estado e pelo Distrito Federal é proporcional ao número de deputados federais.

Para participar, basta que os estudantes tenham entre 16 e 22 anos e estejam matriculados e frequentando regularmente o 2º ou 3º ano do Ensino Médio em escolas públicas ou particulares. Mais informações pelo telefone: (61) 3216-1771 e 3216-1772.

Brasil é sede global do Dia Mundial do Meio Ambiente

Do plenário do Senado Federal às ruas do Rio de Janeiro, o Brasil é sede global do Dia Mundial do Meio Ambiente, que acontece, há 40 anos, em 5 de junho. Com o tema “Economia verde: ela te inclui?”, a data pretende engajar pessoas em todo o planeta em milhares de atividades ambientais. A escolha do Brasil não é sem razão. Aproximadamente uma semana após o Dia Mundial do Meio Ambiente, o país receberá governantes de todo o mundo para a Rio+20, evento internacional que será realizado de 13 a 22 de junho no Rio de Janeiro. O encontro terá como tema central a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e na erradicação da pobreza.

Clique abaixo e leia mais:
Releia a entrevista concedida pelo professor José Augusto Pádua, da UFRJ
Conheça o Game Change Rio
Responda: que tipo de jovem você é em relação à sustentabilidade?
Afinal, o que é educação ambiental?

Na corrida para a Rio+20, o Dia Mundial do Meio Ambiente vai promover o papel ativo de comunidades em todo o mundo na transição para uma economia verde, eficiente em recursos e com baixa emissão de carbono. Da Argélia a Auckland, cerca de oito mil atividades agendadas para o dia 5 de junho já foram cadastradas no site www.unep.org/wed.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), órgão da ONU,  também lança, no dia 6 de junho, o Panorama Ambiental Global 5 (GEO-5). Após três anos de preparação, que envolveu cerca de 300 especialistas ambientais, o GEO-5 é a mais abrangente análise ambiental da ONU. Na rota até a Rio+20, o GEO-5 vai avaliar o estado do meio ambiente global e acompanhar o progresso rumo às metas internacionais de sustentabilidade.

PROGRAMAÇÃO

Dia 5 de junho – celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente no Palácio Presidencial, às 11 horas, no Palácio do Planalto, Brasília.
A Presidenta Dilma Rousseff vai apresentar um pacote nacional de medidas ambientais para marcar a passagem do Dia Mundial do Meio Ambiente. Uma sessão especial da Comissão de Meio Ambiente do Senado Federal sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente 2012 acontecerá logo em seguida ao anúncio.

Dia 6 de junho – lançamento mundial do Panorama Ambiental Global 5 (GEO-5) do PNUMA.Coletiva de Imprensa e Painel de Discussões, das 10h30 às 12h45, Palácio Itamaraty, Centro, Rio de Janeiro.
O GEO-5 é a mais abrangente análise ambiental da ONU. O estudo, que será lançado oficialmente no Rio de Janeiro, fornece uma análise aprofundada sobre o estado ambiental global e inclui contribuições de aproximadamente 300 especialistas de todo o mundo. O GEO-5 também vai revelar o nosso progresso rumo às metas internacionais de sustentabilidade. Lançamentos paralelos acontecerão em diversas localidades ao redor do globo. Para mais informações sobre o GEO-5, acesse: www.unep.org/geo