Os jovens pais

Mais de 80% dos jovens iniciaram a vida sexual até os 17 anos. Pesquisa foi feita com três mil pessoas e divulgada nesta quarta (dia 26), Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência.  Para refletir sobre a data a revistapontocom traz, abaixo, o documentário Meninas (2006), de Sandra Werneck, um retrato sobre quatro casos e os acompanha, da gravidez ao parto. São quatro moradoras de áreas populares do Rio: Evelin (13 anos), Edilene (14), Luana e Joice (15). Há também dois vídeos sobre a relação dos meninos com a paternidade.

Confira:


– Meninas, de Sandra Werneck


– Com a voz o jovem pai!, produzido pelo Instituto Papai (parte 1)


– Com a voz o jovem pai!, produzido pelo Instituto Papai (parte 2)


Você saiba? –
Dados divulgados este ano pelo IBGE mostram que o número de adolescentes grávidas no país aumentou. A taxa subiu de 6.9% para 7,6%. É verdade que na última década, houve uma diminuição considerável no crescimento, mas os números ainda são preocupantes. O problema não é só brasileiro. Trata-se de uma realidade mundial e que também atinge os países ricos. Segundo estudo divulgado nos Estados Unidos pelo National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion, a taxa é alta.

– Dinamarca (6 em cada 1.000 adolescentes)
– Suécia (6 em cada 1.000 adolescentes)
– Itália (7 em cada 1.000)
– Noruega (9 em cada 1.000)
– Alemanha (14 em cada 1.000)
– Canadá (14 em cada 1.000)
– França (14 em cada 1.000)
– Israel (14 em cada 1.000)
– Irlanda (17 em cada 1.000)
– Reino Unido (27 em cada 1.000)
– Estados Unidos (39 em cada 1.000)
– Romênia (39 em cada 1.000)
– Bulgária (43 em cada 1.000 adolescentes)

Eleições 2012: entrevista com os candidatos à Prefeitura do Rio

Educação: o que eu quero para minha cidade? Este é o slogan da campanha da revistapontocom.Conheça a proposta e participe. Abaixo, você confere as entrevistas concedidas pelos principais candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro. Até o fechamento desta edição, o candidato Eduardo Paes não retornou à solicitação da revistapontocom.

As entrevistas aqui publicadas não traduzem a opinião da revistapontocom. Sua publicação obedece ao propósito de promover o debate da política pública municipal de educação, no Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, e de refletir as diversas tendências de pensamento. O espaço está aberto a todos os interessados em se manifestar.


Entrevista com a candidata Aspásia Camargo. Clique aqui


Entrevista com o candidato Eduardo Paes. A entrevista não foi publicada junto a dos outros candidatos na última edição da revistapontocom, pois as respostas, enviadas pela assessoria do candidato à reeleição, chegaram depois do fechamento. Clique aqui


Entrevista com o candidato Marcelo Freixo. Clique aqui


Entrevista com o candidato Otavio Leite. Clique aqui


Entrevista com o candidato Rodrigo Maia. Clique aqui

Rodrigo Maia e o seu projeto para Educação

Educação: o que eu quero para minha cidade? Este é o slogan da campanha da revistapontocom.Conheça a proposta e participe. Abaixo, você confere a entrevista concedida pelo candidato Rodrigo Maia à Prefeitura do Rio.

As entrevistas aqui publicadas não traduzem a opinião da revistapontocom. Sua publicação obedece ao propósito de promover o debate da política pública municipal de educação, no Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, e de refletir as diversas tendências de pensamento. O espaço está aberto a todos os interessados em se manifestar.

Por Marcus Tavares

revistapontocom – Como o senhor avalia a qualidade da Educação pública no município do Rio?
Rodrigo Maia – A Educação da Cidade do Rio tem os melhores professores de rede pública do Brasil. São mais de 1000 Escolas com muita tradição e organização. Nos últimos quatro anos, esta rede está enfrentando enormes desafios ligados à privatização da Educação e ao cerceamento do professor de desenvolver seus métodos de ensino.  O processo de privatização da Educação Pública de nossa cidade precisa ser estancada urgentemente.

revistapontocom – Quais são os dez principais desafios da Educação pública municipal do Rio?
Rodrigo Maia – 1º) Universalizar o acesso às creches; 2º) Garantir a Pré Escola para todas as crianças de 4 e 5 anos; 3º) Garantir que todas as crianças de 7 anos estejam lendo e escrevendo; 4º) Criar uma Agenda de Educação Integral; 5º) Ampliar o número de Vilas Olímpicas linkadas às escolas; 6º) Garantir que todos os alunos tenham professores em sala de aula; 7º) Garantir o aumento real [de salário] dos professores anualmente; 8º) Garantir a participação de pais no processo de gestão da Escola; 9º) Implantar o programa Professores da Família; 10º) Garantir que a média do Ideb das escolas, em 2015 seja de seis pontos.

revistapontocom – Se eleito, o que é possível ser feito em curto prazo? Há alguma prioridade?
Rodrigo Maia – É preciso devolver a secretaria de Educação para a gestão dos professores e acabar com a privatização. É preciso transformar o Rio em uma cidade Escola. Temos que garantir a experiência e os conhecimentos dos professores como componente integral da Política Municipal de Educação. Vamos acabar com a privatização e retomar a gestão da secretaria de Educação para o comando de nossos professores.

revistapontocom – O senhor conhece o dia a dia das escolas municipais e de seus professores ou é algo distante de sua realidade?

Rodrigo Maia Conheço de perto. Tenho profunda admiração pelo trabalho dos nossos professores, diretores de escola e servidores de Educação. Como Deputado Federal, há 14 anos, tenho trabalhado muito pela Educação da nossa cidade. A Educação da Cidade é um tema muito próximo na minha atuação política e como cidadão.

revistapontocom – Qual é a proposta de sua campanha para a área da Educação? Existe algum documento? Podemos ter acesso?
Rodrigo Maia Educação é uma das 5 urgências de nosso programa de governo (saúde, Educação, segurança, transporte e mobilidade ). Temos tudo detalhado no site da campanha www.rodrigomaia25.com.br Temos um programa de governo articulado com as metas do milênio. Nosso programa de Educação é uma construção coletiva com professores da rede de ensino que acreditam verdadeiramente no ensino público.

revistapontocom – Se eleito, o que é possível ser feito em curto prazo? Há alguma prioridade?
Rodrigo Maia – Acabar com a privatização da Educação. Garantir que os professores sejam respeitados. Reestabelecer a importância da Multirio e fazer da cidade uma Cidade Escola.

revistapontocom – O que está sendo realizado pela atual gestão da secretaria municipal de Educação que merece ter continuidade? O que é preciso mudar de imediato?
Rodrigo Maia Faremos esta avaliação com a comunidade Escolar. Vamos respeitar a decisão dos professores sobre o que deve continuar e são eles que vão conduzir o processo de mudanças necessárias.

revistapontocom – Pode-se dizer que a Educação será prioridade em seu governo? Como um prefeito pode, de fato, torná-la prioritária entre tantas demandas?
Rodrigo Maia – A Educação é sem dúvida a ação mais importante da Prefeitura e será assim no meu governo.  A Cidade do Rio no meu Governo será uma cidade Escola.

revistapontocom – Por que professores, funcionários, estudantes e suas famílias deveriam votar no senhor para prefeito?
Rodrigo Maia – Porque eu acredito e defendo a Educação pública de qualidade. Porque eu construí o programa de Educação em parceria com professores e sobretudo porque eu respeito a Educação de nossa cidade.

revistapontocom – Se eleito, que perfil de secretário de Educação o senhor buscaria?
Rodrigo Maia – Sem dúvida o Secretário de Educação será um professor de nossa Rede Municipal.

 

Otavio Leite e seu projeto de Educação

Educação: o que eu quero para minha cidade? Este é o slogan da campanha da revistapontocom.Conheça a proposta e participe. Abaixo, você confere a entrevista concedida pelo candidato Otavio Leite à Prefeitura do Rio.

As entrevistas aqui publicadas não traduzem a opinião da revistapontocom. Sua publicação obedece ao propósito de promover o debate da política pública municipal de educação, no Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, e de refletir as diversas tendências de pensamento. O espaço está aberto a todos os interessados em se manifestar.

Por Marcus Tavares

revistapontocom – Como o senhor avalia a qualidade da educação pública no município do Rio?
Otavio Leite Há muitas falhas na Educação do município do Rio. O modelo que se adota hoje, embora procure corrigi-las, no fundo, acaba por reproduzir as precariedades estruturais da Educação, que começa na alfabetização. Isso não acontecendo gera um adicional de custo e energia para recuperar o tempo perdido. A nossa proposta vai romper com esta forma de agir na Educação, com esse paradigma. Queremos começar essencialmente do inicio, com qualidade. Educação infantil é o foco prioritário das nossas preocupações. Se funcionar ali, o que vem depois não terá tantos problemas. Temos, hoje, uma secretaria que gasta muito com diagnósticos, com algo que todo mundo já sabe, e que procura tapar buracos, promovendo remendos para tentar ajustar o sistema. No fundo, esta secretaria municipal de Educação acaba por dar continuidade àquilo que, na sua essência, ainda esta precário. A Educação do Rio só vai funcionar quando a Educação Infantil for de alta qualidade. Nós temos um caminho para isso. O fato é: carecemos de ousadia na Educação. É da base que a pirâmide se constrói. No fundo, é preciso romper com essas características e implantar algo que signifique a semente da solução definitiva. É obvio que sempre haverá necessidade de ajustes, de salas de reforços, de programas de aceleração. Mas é preciso, na base, fazer com que o processo pedagógico funcione com qualidade, com sustância.

revistapontocom – Quais são os dez desafios da educação pública municipal do Rio?
Otavio Leite – 1º) Fazer com que o processo de alfabetização funcione; 2º) Universalizar o atendimento no pré-escolar; 3º) Promover a Educação Especial. Temos que respeitar a individualidade de cada aluno e a opinião dos pais. A inclusão é necessária, mas só quando for possível. E onde não for possível, todo o apoio deve ser dado para que o aluno se desenvolva. O que queremos é que todos os alunos tenham autonomia, independência. Jamais adotaremos uma política de inclusão a fórceps, como este atual Governo tentou fazer, o que resultou numa ação equivocada. Faremos a inclusão onde for possível. É preciso transformar o Instituto Helena Antipoff num grande centro de referência de pedagogia especial; 4º) Estabelecer um Plano de cargos e salários para o magistério, privilegiando a formação pedagógica e continuada; 5º) Alterar o mecanismo contábil do Fundeb, para colocar novos R$ 500 milhões por ano na Educação; 6º) Introduzir a Educação Física por profissionais da área, o que trará resultados formidáveis do ponto de vista pedagógico e da saúde das crianças; 7º) Abrir as escolas no final de semana, gradualmente, para incorporar as famílias; 8º) Instituir um contra turno para atividades culturais e de acompanhamento das tarefas de casa dos alunos; 9º) Tornar real, para todos os alunos, o acesso à web, uma exigência do nosso tempo. Sou a favor de que cada aluno tenha o seu Ipad e sua escola, o seu centro de informática. Faremos parcerias com as lan houses para que trabalhem com as escolas; 10º) Aproximar os jovens das atividades culturais. Não há Educação sem cultura. Tudo o que for potencial artístico – teatro, cinema, música, literatura – será turbinado pela Prefeitura do Rio.

revistapontocom – O senhor conhece o dia a dia das escolas municipais e de seus professores?
Otavio Leite Lógico que conheço. Aliás, toda a nossa proposta de governo, no âmbito da Educação, é produto de inúmeras conversas com professores, acadêmicos, pessoas informadas e, sobretudo, com os professores que estão na ponta do processo, na sala de aula. Professores que sabem que não têm condições de segurar a barra de uma sala de aula inchada, com 20 e 25 alunos.

revistapontocom – Qual é a proposta de sua campanha para a área da Educação? Existe algum documento? Podemos ter acesso?
Otavio Leite Em resumo: no que se refere às crianças do zero aos três anos é preciso universalizar a creche. Temos uma carência muito grande de vagas. Na verdade, estimamos algo em torno de 80 mil vagas necessárias. Nascem 75 mil crianças por ano. Queremos 280 mil crianças, entre zero e três anos, nas creches. A oferta de vagas ainda é precária, mesmo considerando as opções que são oferecidas. Com relação às crianças dos quatro aos cinco anos, entendemos que o pré-escolar é uma etapa indispensável e que já tem que estar sendo executada com muito conteúdo pedagógico. É preciso trabalhar as habilidades, as percepções cognitivas. Metade das crianças com idade de quatro e cinco anos está fora da escola. Em terceiro lugar, queremos colocar dois professores em cada sala de aula da alfabetização. Uma vez que esse processo seja executado de forma consistente, a criança será alfabetizada e não será uma criança problema, mas uma criança solução. Dois professores em sala de aula. Faremos imediatamente um concurso público para preencher duas mil novas vagas, para professores lotados na alfabetização. Nesta linha de partida para a estrada da vida – a alfabetização – o poder público não pode deixar de cumprir seu papel. Se corrigirmos a roda a partir da base, estaremos plantando as raízes de muitos frutos que virão pela frente. Esta é uma proposta concreta. O custo adicional é da ordem de R$ 36 milhões por ano. Isso não é nada em relação ao orçamento da secretaria municipal de Educação. É preciso agir. Nossa proposta está no site da campanha.

revistapontocom – Se eleito, o que é possível ser feito em curto prazo? Há alguma prioridade?
Otavio Leite O concurso público para os dois mil novos professores lotados no 1º ano da alfabetização. Isso é estrutural. Isso mexe. Isso é novidade. Isso é oferecer um horizonte promissor para a Educação.

revistapontocom – O que está sendo realizado pela atual gestão da secretaria municipal de Educação que merece ter continuidade? O que é preciso mudar de imediato?
Otavio Leite Não é novidade o trabalho de aceleração de aprendizagem. Acho que é necessário prosseguir. Só que queremos introduzir também a aceleração para os alunos que também estão com bom rendimento. Ou seja: queremos criar um programa de aceleração para os que têm aptidão por uma determinada área do conhecimento. É uma falha de nossa cultura acadêmica só voltar os olhos para os que não estão bem. É preciso identificar os potenciais e potencializá-los. O que é preciso mudar de imediato? Fazer com que todos os alunos realizem a prova do IDEB. A atual gestão esconde e proíbe alunos com notas ruins de fazer o exame. Isso está errado. Os números têm de ser mostrados de maneira transparente.

revistapontocom – Pode-se dizer que a educação será prioridade em seu governo? Como um prefeito pode, de fato, torná-la prioritária entre tantas demandas?
Otavio Leite Só acredito numa sociedade mais justa, mas igual, menos violenta através de uma estrada que se chama Educação. Educação somada ao desenvolvimento econômico é a química que pavimenta um amanhã melhor para a sociedade. Os fundamentos que me animam são de natureza ideológica. Não estou tomando como base pesquisas, mas minha visão de mundo. Partindo daí, posso assegurar o meu compromisso total de fidelidade a esta prioridade. Vamos fazer uma verdadeira cruzada em prol da educação, uma nova direção, apostando todas as fichas. Toda semana estarei nas escolas, visitando, conversando com professores. Será pauta permanente da minha agenda.

revistapontocom – Por que professores, funcionários, estudantes e suas famílias deveriam votar no senhor para prefeito?
Otavio Leite Porque a escola, em minha gestão, será muito prestigiada. Eles terão um prefeito que compreende a Educação como algo prioritário, que respeitará as reivindicações legítimas e que, de maneira muito transparente, negociará os avanços salariais e o desenvolvimento da formação dos professores. Os profissionais terão essa tranquilidade.

revistapontocom – Se eleito, que perfil de secretário de educação o senhor buscaria? O senhor já tem alguns nomes?
Otavio Leite Será alguém da rede. Vou governar com pessoas escolhidas entre as melhores cabeças do Rio de Janeiro. Não tenho um nome, mas esteja certo que vai brotar da rede municipal. Meu programa de governo para a Educação tem a chancela de vários nomes, por exemplo do senador Cristóvão Buarque. Ele endossa o nosso programa. Estabeleci um caminho e fui consultar alguns bambas da área. O projeto está bem construído.

Marcelo Freixo e seu projeto para Educação

Educação: o que eu quero para minha cidade? Este é o slogan da campanha da revistapontocom.Conheça a proposta e participe. Abaixo, você confere a entrevista concedida pelo candidato à Prefeitura do Rio, Marcelo Freixo.

As entrevistas aqui publicadas não traduzem a opinião da revistapontocom. Sua publicação obedece ao propósito de promover o debate da política pública municipal de educação, no Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, e de refletir as diversas tendências de pensamento. O espaço está aberto a todos os interessados em se manifestar.

Por Marcus Tavares

revistapontocom – Como o senhor avalia a qualidade da educação pública no município do Rio?
Marcelo Freixo A Educação é uma das principais responsabilidades do município, tem papel preponderante na construção de uma cidade mais justa e, por isso, deve ser prioridade. O atual governo optou por privatizar o ensino público e transferiu milhões de reais para o controle de organizações privadas. O professor perdeu a autonomia em sala de aula e está engessado em programas e projetos distantes da realidade dos estudantes. Quem faz a escola são os professores, funcionários, alunos e seus responsáveis. Nossa política de Educação será elaborada e implementada coletivamente, respeitando a contribuição de toda a comunidade escolar.

revistapontocom – Quais são os dez desafios da educação pública municipal do Rio?
Marcelo Freixo – 1º) Preparar a rede de escolas e os profissionais de Educação para a implementação do horário integral, progressivamente, em toda a rede de ensino básico; 2º) Elaborar Plano de Carreira unificado para professores e funcionários, com progressão por tempo de serviço, valorização por formação e extensivo a aposentados; 3º) Ampliar os investimentos em Educação e aplicação do mínimo constitucional de 25% de verbas municipais em Educação, aumentando os investimentos progressivamente; 4º) Auditar todos os contratos com empresas privadas que apresentarem suspeitas de malversação; 5º) Instituir eleições diretas para a direção de creches e escolas; 6º) Trabalhar para a promoção de aumentos reais e progressivos de salário para todos os servidores municipais; 7º) Convocar concurso público para profissionais de Educação para escolas e creches; 8º) Incentivar a qualificação do profissional de Educação com oferta de formação continuada e em serviço; 9º) Ofertar Educação Especial na perspectiva inclusiva, qualificando professores e funcionários das escolas e creches, mantendo classes especiais para os que não apresentem condições de serem incluídos em turmas regulares e oferecendo Educação escolar e preparação para o trabalho para os maiores de 17 anos, através de ações interdisciplinares entre as várias secretarias: Educação, Trabalho, Assistência Social, Saúde e Transporte; 10º) Resgatar o sentimento de pertencimento à escola. Isso só acontecerá quando toda a comunidade escolar se sentir incluída na formulação da política pública.

revistapontocom – Se eleito, o que é possível ser feito em curto prazo? Há alguma prioridade?
Marcelo Freixo – As duas primeiras medidas seriam a mobilização da comunidade escolar para uma grande avaliação do projeto político-pedagógico do Município e elaboração de um Plano de Carreira para todos os profissionais de Educação (professores, administrativos, merendeiras etc.).

revistapontocom – O senhor conhece o dia a dia das escolas municipais e de seus professores?
Marcelo Freixo – Sou professor de História e, antes de ser eleito deputado estadual, ministrei, por muitos anos, aulas em escolas convencionais e presídios. Continuei dando aula mesmo depois de eleito. Sou filho de pai inspetor de colégio público e mãe secretária de escola pública. Desde o início do meu primeiro mandato, sou membro efetivo da Comissão de Educação da Alerj. Já fui diretor do sindicato dos professores. A luta em defesa da Educação pública faz parte da minha história.

revistapontocom – Qual é a proposta de sua campanha para a área da Educação? Existe algum documento? Podemos ter acesso?
Marcelo Freixo – Na área de Educação, temos dialogado com diversos profissionais da rede pública e muitos pais de alunos que nos colocam suas impressões, a partir do dia-a-dia das escolas. Temos muitas propostas. O nosso programa de governo está amplamente disponível no nosso site www.marcelofreixo50.com.br e também no Facebook. Qualquer um pode baixar ou ler direto na internet e interagir conosco enviando sugestões e críticas através de e-mail, facebook ou twitter. A ideia do programa-movimento é que os documentos sejam sempre abertos e sujeitos a aperfeiçoamentos, assim como pretendemos que seja o nosso governo.

revistapontocom – O que está sendo realizado pela atual gestão da secretaria municipal de educação que merece ter continuidade? O que é preciso mudar de imediato?
Marcelo Freixo – Alguns projetos específicos, como os Espaços de Desenvolvimento Infantil e as Escolas do Amanhã são ideias interessantes. Mas quando se pensa em gestão, dotações orçamentárias, projeto político-pedagógico, relação com os profissionais, enfim, o sistema educacional como um todo, é preciso mudar quase tudo.

revistapontocom – Pode-se dizer que a Educação será prioridade em seu governo? Como um prefeito pode, de fato, torná-la prioritária entre tantas demandas?
Marcelo Freixo – Ninguém é aquilo que diz que vai ser, somos o que já fizemos. Nosso compromisso com a escola está na nossa história. Um bom sistema de Educação é a base para uma sociedade saudável e segura. A escola, muitas vezes, é a única referência de presença do Estado, além da Polícia, nas comunidades mais pobres. A escola precisa ser vista como algo muito maior que um lugar para as crianças estudarem. A escola tem que ser uma referência no território, tem que ser o pólo central das mudanças locais. Defendemos a parceria com a Secretaria de Cultura para que projetos culturais ocorram tendo a escola como referência. No nosso governo, nossa Primavera Carioca, as crianças vão ter acesso ao conhecimento, à cultura, à alimentação de qualidade e à perspectiva de uma vida melhor.

revistapontocom – Por que professores, funcionários, estudantes e suas famílias deveriam votar no senhor para prefeito?
Marcelo Freixo – Tudo o que o prefeito tem feito, nós podemos fazer melhor, mais barato e com mais efetividade para a população do Rio, pois seremos muito mais transparentes e usaremos instrumentos concretos de participação pública. O Rio de Janeiro merece um segundo turno. Muitos dos desafios colocados para a Educação pública na cidade só poderão ser melhor esclarecidos e aprofundados se chegarmos ao segundo turno e podermos confrontar de igual para igual as nossas propostas e ideias com a política executada atualmente pela Prefeitura.

revistapontocom – Se eleito, que perfil de secretário de educação o senhor buscaria?
Marcelo Freixo – Nesse momento da campanha, não faz sentido pensar em nomes. O debate ainda é mais conceitual e propositivo. Mas certamente a escolha do secretariado vai seguir a mesma linha do que tem sido a nossa campanha: muito diálogo e muito respeito com os servidores públicos e com a população da cidade. Como não fizemos alianças espúrias, teremos liberdade para escolher o melhor nome para a pasta, aliando conhecimento técnico com confiança política.

Aspásia Camargo e seu projeto para Educação

Educação: o que eu quero para minha cidade? Este é o slogan da campanha da revistapontocom.Conheça a proposta e participe. Abaixo, você confere a entrevista concedida pela candidata à Prefeitura do Rio, Aspásia Camargo.

As entrevistas aqui publicadas não traduzem a opinião da revistapontocom. Sua publicação obedece ao propósito de promover o debate da política pública municipal de educação, no Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, e de refletir as diversas tendências de pensamento. O espaço está aberto a todos os interessados em se manifestar.


Por Marcus Tavares 

revistapontocom – Como a senhora avalia a qualidade da política de educação do Rio?
Aspásia Camargo Muitas vezes, temos um problema estatístico para fazer uma avaliação mais concreta. Mas, em linhas gerais, acho que a Educação no município do Rio é melhor do que a do Estado, embora a qualidade seja, de fato, ruim. Há uma taxa de repetência alta, o número de analfabetos funcionais também é significativo e a defasagem idade/série ainda se apresenta como um grave problema. Um cenário totalmente diferente de décadas atrás, quando a Cidade do Rio se orgulhava de sua rede de escolas públicas. Estamos hoje numa posição nada honrosa no Ideb, considerando que somos a segunda cidade mais rica do país. Estamos atrás de São Paulo e Minas Gerais. Cerca de 71% da população, de nossa cidade, não tem o Ensino Fundamental completo. A média de estudo do carioca é de oito anos e meio. É um dado péssimo. Essa decadência pode ser explicada, em parte, por uma evolução histórica. Éramos a capital do Brasil e quando deixamos de ser, o Estado do Rio de Janeiro se fundiu com o Estado da Guanabara, enfrentamos uma grande e séria crise financeira. Lembro que o Darcy Ribeiro tentou fazer com essa fusão uma boa plataforma educacional para nossas escolas, mas não conseguiu.

revistapontocom – Quais são os dez desafios da educação pública municipal do Rio?
Aspásia Camargo – 1º) Instituir a escola de tempo integral. Isto é possível. Podemos organizar as escolas. No segundo período do dia, os estudantes aproveitariam as áreas que estão abandonadas da cidade para diversas atividades culturais e esportivas até mesmo o reforço escolar, com estudos dirigidos. Contaríamos com professores voluntários; 2º) Valorizar o professor. Este é o segredo; 3º) Aprovar o Plano de Carreira do magistério, para que o professor possa se concentrar numa só escola e não em duas, três unidades; 4º) Oferecer salários melhores, de forma gradual; 5º) Estabelecer uma capacitação contínua voltada para o professor; 6º) Dotar as escolas de métodos pedagógicos de última geração, intensificando a qualidade do aprendizado e a participação ativa do aluno; 7º) Disponibilizar mais informação de qualidade e ensino prático para o aluno, contrariando a nossa tradição livresca. Nos EUA, meninos e meninas aprendem coisas práticas da vida. Precisamos trazer isso para nossas escolas: ensinar coisas úteis, práticas, como questões de higiene, sinalização, consumo responsável, sustentabilidade. É preciso tornar o estudante um cidadão pleno, integrado à sua cidade e ambiente; 8º) Tornar a Cultura, de fato, um instrumento auxiliar da Educação. Precisamos ensinar os alunos por meio da cultura: teatro, música, filmes, livros, tornado, inclusive, os estudantes protagonistas e produtores desta mesma cultura. Este é o grande pulo do gato de minha gestão. Infelizmente, hoje, a Cultura está dissociada da Educação; 9º) Incentivar e promover atividades extraclasses; 10º) Lutar por mais recursos financeiros para a Educação. Os 25% dos impostos não estão sendo usados integralmente. Se bem utilizados, e não distribuídos de qualquer maneira, poderemos valorizar os professores e os assistentes de ensino. A escola precisa ser o centro de cada bairro carioca.

revistapontocom – Se eleita, o que é possível ser feito em curto prazo? Há alguma prioridade?
Aspásia Camargo A escola de tempo integral. Tudo isso que falei acima tem a ver com a escola integral. O problema hoje é o pouco número de horas que a criança fica na escola. Podemos implementar este projeto de uma forma mais ampla com o apoio do trabalho voluntário. O foco da educação não pode ser o prédio, mas, sim, o professor, o ensino. A escola é uma espécie de microcosmos de tudo o que acontece na cidade. Portanto, ela tem de ser acolhedora. Ela pode funcionar até debaixo de uma árvore, com vinte alunos, mas só funciona se houver qualidade e foco no ensino. Fico pensando também se a Prefeitura do Rio não deveria assumir o Ensino Médio, hoje sob a responsabilidade do Estado. Sei que não é uma tarefa fácil. Cuidaríamos não apenas da entrada da criança, mas também da conclusão da Educação Básica. Penso também que de forma imediata deveríamos melhorar os métodos pedagógicos das escolas, seus equipamentos, instrumentos que auxiliam o trabalho do professor e oportunizam o aprendizado dos alunos.

revistapontocom – A senhora conhece o dia a dia das escolas municipais e de seus professores?
Aspásia Camargo Volta e meia visito as escolas. Conheço a Escola Municipal Marília de Dirceu, no Cantagalo, Zona Sul do Rio. Sempre fui muito ligada também à Escola Municipal Rosa da Fonseca, onde estudei. Sou professora universitária, mas na faculdade convivi com inúmeras professoras da rede municipal. Sou muita ligada à professora Heloísa Meireles, professora primária, hoje aposentada, uma grande referência na educação do município. A mãe dela, Iracema Meireles, foi colaboradora de Anísio Teixeira. Foi ela quem criou o método Fonológico, na década de 60 e 70, que tinha o objetivo de alfabetizar a criança com dificuldades de se expressar, utilizando os sons no processo de alfabetização.

revistapontocom – Qual é a proposta de sua campanha para a área da Educação? Existe algum documento? Podemos ter acesso?
Aspásia Camargo A população pode conferir a plataforma em meu site da campanha.

revistapontocom – O que está sendo realizado pela atual gestão da secretaria municipal de educação que merece ter continuidade? O que é preciso mudar de imediato?
Aspásia Camargo – O projeto Escolas do Amanhã, que consiste em escolas de horário integral em áreas de risco da cidade, é um ótimo programa. Pelo que sei já existem cerca de 130 unidades. A atuação da atual secretária municipal de Educação de acabar com o processo de aprovação automática, criando um sistema de reforço escolar, também foi acertada. No nível de relacionamento, vejo que a atual secretária [Claudia Costin] conseguiu a proeza de estar mais próxima dos professores, se comunicando com eles via internet. Isso quebrou a barreira, a linha divisória, entre o secretário e os professores. O que precisa mudar com urgência é a situação funcional dos professores, o plano de carreira e os salários. O resto é miudeza.

revistapontocom – Pode-se dizer que a educação será prioridade em seu governo? Como um prefeito pode, de fato, torná-la prioritária entre tantas demandas?
Aspásia Camargo Educação em primeiro lugar é um dos lemas da minha campanha. Mas, soma-se à Educação, a Saúde, um grande problema de gestão de recursos, reflexo de gestões desastradas e muitas vezes corruptas. É preciso ter prioridade absoluta na Educação. É por meio dela que todos os outros problemas da cidade vão se resolvendo. Um exemplo: a questão do emprego. A nossa mão de obra é cada vez mais precária. As empresas chegam ao Rio querendo se instalar, mas vão embora porque não há mão de obra qualificada. A cada ano que o jovem completa no sistema de ensino, ele aumenta em 10% o seu valor no mercado de trabalho. Pelo que sei, a atual secretária de educação [Claudia Costin] vai às escolas. Isso é muito bom. O prefeito deveria fazer o mesmo. O prefeito de uma cidade, em vez de inaugurar tanta obra, deve visitar as escolas, acompanhar o sistema de ensino. A Educação tem que ser mobilizadora. A prefeitura tem que formar um cidadão pleno, capacitado, lúcido e consciente. Um indivíduo envolvido com os problemas da sua cidade e do seu mundo.

revistapontocom – Por que professores, funcionários, estudantes e suas famílias deveriam votar na senhora para o cargo de prefeito?
Aspásia Camargo Por isso tudo que já disse. Estarei com eles e trabalharei para eles.

revistapontocom – Se eleita, que perfil de secretário de educação a senhora buscaria?
Aspásia Camargo – Tem que ser um educador, no sentido amplo da palavra, alguém que tem, de fato, conhecimento da área educacional. Tem que ser um líder, que veja a Educação com paixão. Não tenho nenhum nome. E mesmo que tivesse, não diria. Não é a hora. A hora é de divulgar o programa e lutar por uma cidade melhor.

Eleições 2012: educação para o Rio

O que o governo diz? O que os sindicatos falam? O que os diretores de faculdade de Educação pensam? O que os ex-secretários destacam?

Educação: o que eu quero para minha cidade? Este é o slogan da campanha da revistapontocom.Conheça a proposta e participe. Abaixo, você confere as primeiras entrevistas publicadas pela campanha.

As entrevistas aqui publicadas não traduzem a opinião da revistapontocom. Sua publicação obedece ao propósito de promover o debate da política pública municipal de educação, no Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, e de refletir as diversas tendências de pensamento. O espaço está aberto a todos os interessados em se manifestar.

Confira:


Entrevista com Ana Maria Monteiro, diretora da Faculdade de Educação da UFRJ


Entrevista com Claudia Costin, secretária municipal de Educação do Rio


Entrevista com Carmem Moura, ex-secretária municipal de Educação do Rio 


Entrevista com Janaína Specht, diretora da Faculdade de Educação da UniRio


Entrevista com Jorge Najjar, diretor da Faculdade de Educação da UFF


Entrevista com Mariléa da Cruz, ex-secretária municipal de Educação do Rio


Entrevista com Regina de Assis, ex-secretária municipal de Educação do Rio


Entrevista com Rosana Glat, diretora da Faculdade de Educação da Uerj


Entrevista com Susana Gutierrez, diretora do SEPE-Rio


Entrevista com Terezinha Saraiva, ex-secretária municipal de Educação do Rio


Entrevista com Wanderley Quêdo, presidente do Sinpro-Rio

“No Rio, professores e secretaria trabalham juntos”

Educação: o que eu quero para minha cidade? Este é o slogan da campanha darevistapontocom.Conheça a proposta e participe. Abaixo, você confere a entrevista concedida pela secretária municipal de Educação do Rio, Claudia Costin

As entrevistas aqui publicadas não traduzem a opinião da revistapontocom. Sua publicação obedece ao propósito de promover o debate da política pública municipal de educação, no Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, e de refletir as diversas tendências de pensamento. O espaço está aberto a todos os interessados em se manifestar.

Por Marcus Tavares

“Não podemos considerar, por exemplo, que oferecemos um ensino de excelência se não tivermos, no mínimo, sete horas de aula por dia. Os 15 melhores países no Pisa têm sete horas. Vamos implementar isso aos poucos. Não poderíamos fazer de uma vez, pois estaríamos sendo irresponsáveis. Cada mudança mínima em nossa rede tem um impacto tamanho. São cerca de 41 mil professores”, afirma Claudia Costin, secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro.

Em entrevista à revistapontocom, Claudia faz um balanço de sua gestão. Conta qual foi a sua estratégia de ação assim que assumiu a pasta. Traz dados estatísticos que mostram que a rede municipal de escolas do Rio vem apresentando bons resultados no Ideb e na Prova Brasil. Rebate críticas de professores e sindicatos de que sua gestão só se preocupa com avaliações e de que a política de sua administração tira a autonomia do professor. E adianta que, caso o prefeito Eduardo Paes seja reeleito, deseja continuar à frente da secretaria. Projetos futuros: plano de cargos e salários dos professores e ampliar o horário escolar.

Acompanhe:

revistapontocom – Qual era a radiografia da rede de ensino do Rio quando a senhora assumiu?
Claudia Costin – Resisti muito até aceitar o convite do prefeito Eduardo Paes. Trabalhava em São Paulo, na Fundação Victor Civita, voltada para a melhoria da educação pública, e assumir a secretaria significava uma mudança de vida muito complicada. Inicialmente, em vez de assumir, propus a elaboração de um plano de melhoria do sistema educacional da cidade, que poderia ser tocado por outra pessoa. Eu disse não algumas vezes, mas, o prefeito insistiu e resolvi então aceitar, porque acreditei – e acredito – que poderíamos transformar o Rio. Tínhamos uma rede bastante organizada de professores. Com professores de qualidade, dado a competitividade dos concursos públicos que conseguiam atrair, na média, bons mestres. Havia também sistemas informatizados bastante razoáveis. Não começaríamos do zero e havia, portanto, pontos que permitiriam dar um salto na qualidade da educação. A cidade já tinha tido boas secretárias. A Regina de Assis foi uma ótima secretária. A Sônia Mograbi que me antecedeu foi uma secretária séria e muito dedicada. Vínhamos de um cenário que não era um desastre. Mas poderíamos, com certeza, melhorar a rede. Comecei então a preparar um diagnóstico mais preciso, observando algumas estatísticas.

revistapontocom – Que tipo de estatísticas?
Claudia Costin – Por exemplo: as notas da Prova Brasil e do Ideb. O Ideb da cidade do Rio não era ruim para padrões nacionais, porém a nota da Prova Brasil estava em queda tanto no primeiro quanto no segundo segmento. O que nos colocava numa posição perigosa, ainda mais quando o prefeito Eduardo Paes havia me informado que o seu programa de governo previa o fim da aprovação automática. Fiquei preocupada: se você colocasse as notas da Prova Brasil num mapa, perceberia que as notas de 2007 eram muito desiguais pela rede. Havia escolas com desempenho europeu e outras com resultado ruim, muitas localizadas em áreas conflagradas, o que reforçava a importância de trabalharmos mais pesado, por meio de ações positivas, nestas regiões. Antes de tomar qualquer medida, fiz reuniões com todas as diretoras de escolas, divididas pelas Coordenadorias Regionais de Educação (CRE). Ouvi, ouvi muito.

revistapontocom – O que as diretoras das escolas disseram?
Claudia Costin – Que havia muito analfabeto funcional, que não se aplicavam mais provas na rede e que a cultura do dever de casa não existia. Afirmaram também que as escolas careciam de infraestrutura de apoio. As instituições não tinham secretárias, porteiros, inspetores…

revistapontocom – A avaliação das estatísticas e das diretoras foi o ponto de partida?
Claudia Costin – Não isoladamente, visto que já contávamos com dados sobre o desempenho das escolas. Mas ajudou muito. Em seguida, aplicamos uma prova de nivelamento para ver, de fato, como estavam os nossos alunos. Afinal, de onde partiríamos? Tínhamos poucos dados concretos sobre o ensino, sobre a aprendizagem das crianças. Decidimos fazer duas grandes provas: uma para o 4º, 5º e 6º anos para saber se havia analfabetos funcionais. E uma entre os estudantes do 2º ano para saber se havia déficits importantes de defasagem em Português e Matemática. Descobrimos que havia na rede cerca de 28 mil analfabetos funcionais, do 4º ao 6º ano. Isso significava que tínhamos 14% de analfabetos funcionais, do 4º ao 6º ano. Era um dado que não era condizente com o Brasil, com a 6ª economia do mundo. Não podíamos aceitar isso. Tínhamos uma taxa de reprovação em torno de 30%, do 6º ao 9º ano. Resolvemos investir pesado em diferentes modalidades de reforço, além de estruturar um currículo e oferecer estratégias, instrumentos aos professores. A rede contava com o Núcleo Curricular Base, a MultiEducação, que trazia uma linguagem parecida com os Parâmetros Curriculares Nacionais, mas que era bastante genérica e não definia com clareza quais deveriam ser as competências dos professores em cada etapa de ensino. Para alguns professores, recém-saídos da universidade, que, como mostra Bernadeth Gatti, enfatiza teorias, fundamentos e tem pouca vivencia prática, a chance de fazer um trabalho sólido e sequencial, sem uma orientação estruturada, era bem pequena. Decidimos montar um currículo muito claro, organizado por bimestres, determinando precisamente o que cada criança deveria aprender. Produzimos, então, o chamado material estruturado, feito pela própria rede, que auxiliava o trabalho do professor com base no currículo. E por fim resolvemos implantar provas bimestrais unificadas que permitissem que cada escola soubesse se aquela criança estava evoluindo positivamente ou negativamente, e que a rede soubesse, inclusive, como cada escola estava evoluindo comparativamente com as outras, com a média da rede. Desde então, ao final do exame, cada diretor recebe um mapa onde é possível enxergar todos esses dados por disciplina. A princípio pode parecer que estávamos tirando a autonomia do professor. Não é o caso. Costumo me fazer valer de uma fala de Claudio Moura Castro. Ele afirma que a Educação é como se fosse uma orquestra. Nesta orquestra, é fundamental que cada um tenha a sua partitura, caso contrário não promovemos o sequenciamento da aprendizagem e a interdisciplinaridade. Isso não impede, de forma alguma, que cada músico coloque toda a sua magia no desenvolvimento da música. Nesta perspectiva que implantamos, um professor maravilhoso vai produzir uma aula encantadora. Aquele não tanto maravilhoso vai, pelo menos, cumprir os conteúdos necessários.

revistapontocom – O resultado destas provas serviu apenas como diagnóstico?
Claudia Costin – Serviu e ainda serve para dar um retorno à escola sobre sua evolução e para a definição e redefinição das ações de reforço escolar. O primeiro reforço que decorre do resultado destas provas é o mais simples. Ele pode ser dado pelo professor, com a ajuda de voluntários e ou estagiários. Produzimos um material específico para isso. O segundo tipo de reforço é mais complexo. Trata-se da realfabetização dos analfabetos funcionais. Procuramos o MEC para saber quem tinha, de fato, uma tecnologia educacional adequada. Era uma área não dominada pela rede. A rede do Rio sabia alfabetizar, mas não realfabetizar. O MEC nos recomendou o Instituto Ayrton Senna, que deu um show. Eles capacitaram cerca de 1500 professores da nossa rede. Isso sem contar com o trabalho da MultiRio, que capacitou outros três mil profissionais para melhorar a alfabetização inicial. Nossa gestão colocou a Multirio e a secretaria municipal de Educação do Rio num caminho sintonizado. A MultiRio foi e é uma peça chave na capacitação dos professores e na produção de material que dialoga com o professor e com o nosso currículo. Essas avaliações também nos ajudaram a definir o Programa Acelera, que tem o objetivo de corrigir a defasagem idade/série. Decidimos fazer isso de uma forma concreta e que resolvesse razoavelmente o problema de uma vez por todas. Diante de um sistema de progressão continuada, que havia nas gestões anteriores, tínhamos uma reprovação acentuada no 6º ano. Tínhamos 22% dos alunos, no 6º ano, com defasagem idade/série. Chamamos a Fundação Roberto Marinho para capacitar nossos professores num programa de aceleração do ensino. Foi incrível o resultado. Os alunos que participaram deste programa tiraram notas, nas provas bimestrais, levemente superiores à média da rede. Quanto à reprovação em si, resolvemos lidar com a questão por meio de um processo de diálogo com a escola, no sentido de sensibilizar os diretores para conversar com seus professores para evitar que a aprovação automática virasse uma reprovação automática. Ao perceber que o aluno não aprende, o sistema de reforço escolar deve ser ativado, antes de se pensar em reprovar.

revistapontocom – A senhora falou sobre o contexto do primeiro e segundo segmentos. E com relação ao ciclo da alfabetização? Qual era o cenário?
Claudia Costin – Naquelas reuniões com as diretoras, no início de nossa gestão, elas me disseram que alguns professores estavam deixando a alfabetização para o último ano do ciclo. A atitude estava vinculada a uma visão um pouco populista da educação, de que o público é pobre, não possui ambiente letrado em casa. Era a mesma visão que levava alguns professores a não passarem dever de casa, não dar redação aos alunos. Não acabamos com o ciclo, pois se trata de uma determinação do MEC, mas investimos, sim, numa metodologia de alfabetização, muito inspirada nas ideias da professora Magda Soares, que critica a desmetodologização do processo de alfabetização. Produzimos o nosso próprio material, o nosso livro de alfabetização, que organiza o ensino e a aprendizagem no primeiro, segundo e terceiro ano do ciclo. Aproveitando o mote do MEC que queria fazer um pacto nacional pela alfabetização aos oito anos, lançamos o nosso pacto de fazer o mesmo, só que aos seis anos de idade. Ao lançar o pacto, já tínhamos investido na capacitação dos professores, na escrita do livro e na construção de uma avaliação diagnóstica no primeiro ano, onde foi possível identificar em que nível do processo de letramento se encontrava cada aluno. Instituímos também uma avaliação interna, no meio do ano, e outra externa, ao final do ano. Com base nestas avaliações externas, identificamos os alunos com mais dificuldades, que são, então, encaminhados para o Nenhuma Criança a Menos, que conta com aulas em tempo integral três vezes por semana, uma lista de livros de leitura obrigatória e monitoramento gerencial do desempenho pela direção. Neste contexto, os estudantes tinham aulas integrais três vezes por semana. Os professores, cujos alunos tinham tido êxito na prova, eram entrevistados pela MultiRio, no sentido de socializar seus conhecimentos e práticas. Voltando ao pacto: hoje já estamos com 83% de nossas crianças alfabetizadas já no primeiro ano – os dados são de 2011. Nosso desafio é chegar a 95%.

revistapontocom – Houve mudanças também no conteúdo do ciclo de alfabetização, não foi?
Claudia Costin – Sim. Tiramos do ciclo de alfabetização as aulas específicas de História, Geografia e Ciências. Qual era a intenção? Focar na alfabetização bem feita. Não inventamos isso. Cingapura fez a mesma coisa. Depois que o aluno está alfabetizado, fica mais fácil entrar com as outras disciplinas. Mas ao mesmo tempo em que tiramos estes conteúdos, resolvemos introduzir as áreas de arte e inglês. Em relação ao ensino de inglês, contamos com o auxílio da Cultura Inglesa para nos orientar numa metodologia que investe muito na oralidade. Para tanto, passamos a exigir no concurso público para professores de idiomas uma prova oral. Já a arte tem um papel importantíssimo na formação dos estudantes, para a ampliação de repertório do aluno. O ensino de artes só acontecia do 6º ao 9º ano. Na 2ª Coordenadoria Regional de Educação resolvemos ir além. De forma experimental, o ensino de arte, com professor especialista, já faz parte do dia a dia da educação infantil.

revistapontocom – Há um investimento em diferentes tipos de projetos experimentais, envolvendo poucas escolas. Por quê?
Claudia Costin – Porque nossa rede é muito extensa. São cerca de 41 mil professores. Qualquer mudança impacta o dia a dia de milhares de pessoas. Por exemplo: criamos o projeto Ginásio Carioca, envolvendo uma escola de cada Coordenadoria Regional de Educação (CRE). Nestes espaços, os alunos têm oito horas de aula, com estudo dirigido, disciplinas eletivas e ações de protagonismo juvenil. Se ampliássemos as oito horas para todas as escolas criaríamos um caos no sistema. Vamos devagar, analisando os resultados, positivos e negativos, reformulando as práticas e ampliando a nossa base. As escolas que sediam o projeto Ginásio Carioca estão agora entre as 50 melhores da rede e quatro delas, entre as dez. Resultados positivos que também verificamos com o projeto Escolas do Amanhã, localizadas em áreas conflagradas do Rio, onde as crianças têm acesso a uma diversidade de atividades. De 2009 a 2011, essas escolas registraram um aumento médio de 33% contra 22% da rede no 2º segmento. Com o experimento realizado é possível verificar se vale a pena expandir para outras escolas. As escolas do projeto que estão em áreas pacificadas tiveram resultados ainda mais impressionantes: 42,9%. Outro projeto experimental que também vem dando boas notícias é a adoção de um professor para todas as disciplinas no 6º ano. Fizemos um teste com 50 turmas do 6º ano. Não é nenhuma novidade. Na Finlândia, só há professor especialista a partir do 8º ano. Em Cuba, somente no Ensino Médio. Em Cingapura, nos anos do 6º ao 9º, não há professor especialista. A média da rede em Matemática foi de 5,4. Nestas turmas, de 7,5.

revistapontocom – Quais são os desafios hoje da rede municipal?
Claudia Costin – Uso muito a metáfora da construção da muralha da China. Ela levou mais de 300 anos para ser construída. Cada geração construiu um pedaço. Cabe a cada nova geração não destruir o que já foi construído e avançar mais. Quando você está na metade da caminhada, corre o risco de apenas valorizar o que já fez, se esquecendo de olhar para frente. Há de se fazer o exercício de olhar para o passado e para o futuro. E quando olho para frente vejo que falta muita coisa. Não podemos considerar, por exemplo, que oferecemos um ensino de excelência se não tivermos, no mínimo, sete horas de aula por dia. Os 15 melhores países no Pisa têm sete horas. Vamos implementar isso aos poucos. Não poderíamos fazer de uma vez, pois estaríamos sendo irresponsáveis. Cada mudança mínima em nossa rede tem um impacto tamanho. São cerca de 41 mil professores. Além disso, o número de filhos por mulher em idade fértil vem diminuindo. O numero de crianças de seis anos vem caindo. Há ainda uma tendência de a nova classe média, que vem aumentando, tirar seus filhos da rede pública e colocá-los na rede privada, como símbolo de status ou de diferenciação social. Se construíssemos mais escolas para o período de sete horas, dentro de três anos, teríamos prédios ociosos, desperdiçaríamos recursos públicos. Nossa meta até 2016 é que 35% das crianças tenham sete horas de aula. Estamos preparando o terreno. Todos os concursos públicos para professores são, agora, para 40 horas. Ao lado deste desafio, temos o da infraestrutura, da manutenção predial, que envolve muito trabalho. E por último destacaria o problema do bem: as creches. Dobramos o número de vagas. O que aconteceu: a demanda cresceu mais ainda e temos que atendê-la com qualidade.

revistapontocom – Como ‘anda’ a relação das secretarias municipais de Educação do país com as universidades, com as faculdades de Educação?
Claudia Costin – A universidade no Brasil está muito distante das redes. Nós produzimos muitos dados, mas poucos são trabalhados, pesquisados e investigados pelas universidades. Precisa haver uma relação menos desconfiada. Podemos e devemos ampliar o diálogo.

revistapontocom –  Como a senhora avalia o Plano de Carreira da categoria e o salário base?
Claudia Costin – Acho que é necessário construir um novo Plano de Carreira. Na média, é superior ao de várias partes do Brasil. Mas, sim, precisa de um novo Plano. Este seria outro desafio importante que vamos enfrentar, caso o governo seja reeleito. Todo administrador tem que olhar com muito cuidado, pois se trata de uma rede gigantesca. Inclusive para aperfeiçoar elementos da proposta atual. O salário do professor do município do Rio parece muito baixo, mas a carga horária é baixa, são 16 horas. Se você considerar um professor de 40 horas, na metade da carreira, com todos os direitos incluídos, ele ganha em média R$ 5.200,00. É ideal? Não. Mas é muito superior a média nacional. É importante que o salário inicial seja atraente. É importante organizar isso tudo.

revistapontocom – Em entrevista à revistapontocom, diretores de faculdades de educação do Rio destacaram que sua gestão aposta bastante na avaliação da rede – o que é importante segundo eles – mas que deixa de lado a política pedagógica. A senhora concorda?
Claudia Costin – Eu não concordo. Estava [a avaliação] tão em desuso que choca quando a gente organiza. França, Finlândia, Coreia e tantos outros países têm avaliação. E não é bimestral não, é mensal. A questão é que a nossa avaliação é unificada. Os bons professores da rede davam provas mensais, alguns até quinzenais, antes da minha chegada. O que nós fizemos foi estabelecer provas bimestrais. É um pouco, acredito eu, de espanto de uma retomada de uma prática que fazia parte, por exemplo, da dita boa escola do passado. Achamos importante, sim, esta avaliação e uma avaliação unificada para que cada diretor perceba a sua escola frente à média da rede. Mas não focamos apenas nas avaliações. Introduzimos a disciplina de arte e inglês desde o 1º ano e não há prova alguma. Colocamos ênfase no projeto de vida do aluno, há o trabalho do projeto Educopédia, colocamos salas de música nas escolas, enfatizamos a Educação Física, trabalhamos os valores olímpicos etc. Há uma série de projetos que não aparece na mídia, mas que, no entanto, são fundamentais para o processo formativo do aluno. Mas esse espanto é natural. É o espanto do novo, bem de algo que não é tão novo, mas que é essencial para que se tenham instrumentos para agir. Talvez, algumas escolas olharam para isso e mobilizaram muitas energias contra, pois não tinham o hábito de avaliar. Hoje a vida cultural das crianças, por exemplo, é muito mais intensa do que antes. Mas agora há ensino com base no currículo, uma verificação se a criança está aprendendo e um reforço escolar.

revistapontocom – Outra crítica vem do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe). O Sepe destaca que a atual gestão fez uma série de parcerias retirando recursos públicos da Educação, da escola, repassando para a iniciativa privada, tirando a autonomia do professor.
Claudia Costin – Não concordo. Usamos o cadastro de tecnologias educacionais, certificado pelo MEC, para a escolha das parcerias. Seria hoje vergonhoso se o Sepe informasse que a cidade tem 28 mil analfabetos funcionais. Reivindicação que não estava na agenda do sindicato. Nós não tínhamos determinados saberes organizados de como realfabetizar e corrigir a defasagem idade/série. Faria tudo de novo. Nenhum professor de fora veio dar aula. Nossas parcerias foram feitas com ONGs, fundações e instituições reconhecidas. Não foram Organizações Sociais. Parcerias foram firmadas como aconteceram em gestões anteriores, como acontece em vários municípios e estados brasileiros. Chamaria de novo o Instituto Ayrton Senna, a Fundação Roberto Marinho. Fizeram um ótimo trabalho e foram muito elogiados pelos professores da rede. Capacitar nossos professores, por meio de universidades e fundações, é muito bom. Internaliza e socializa conhecimento. As boas organizações fazem isso.

revistapontocom – Sua gestão vem ‘ganhando’ a simpatia e a adesão dos professores?
Claudia Costin – A nossa meta não é conquistar, é trabalhar junto. Sinto que há um diálogo muito mais forte. Temos um conselho de professores. Eu fico no twitter três horas por dia, dialogando com os professores, tirando dúvidas, ouvindo críticas, compartilhando experiências boas. Tenho cerca de 40 mil seguidores. Meu e-mail é aberto a todos os professores. Visito pessoalmente as escolas. Acho que hoje os professores e a secretaria trabalham juntos. Basta ver como as escolas mobilizam. Todos os professores devem ter uma crítica aqui um elogio ali. Mas é um trabalho em conjunto.

revistapontocom – O prefeito Eduardo Paes sendo reeleito, a senhora continua no cargo?
Claudia Costin – Isso é uma decisão que cabe ao prefeito. Mas ele já me fez o convite. Disse que numa eventual reeleição, eu aceito. Ainda gostaria de construir mais um pedaço deste processo. E mais do que isso: estou vivendo uma intensa paixão. Viver este processo é o maior presente que ganhei na minha vida. Ele é perfeito? Não. É um processo de avanços, acertos e recuos. Mas é um processo de intensa paixão. Meu sonho é que toda criança aprenda, se desenvolva bem e esteja habilitada para construir o seu futuro.

“Governo quer uma geração que não critique, identifique e intervenha”

Educação: o que eu quero para minha cidade? Este é o slogan da campanha da revistapontocomConheça a proposta e participe. Abaixo, você confere a entrevista concedida pela professora e diretora do Sepe-Rio, Susana Gutierrez.

As entrevistas aqui publicadas não traduzem a opinião da revistapontocom. Sua publicação obedece ao propósito de promover o debate da política pública municipal de educação, no Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, e de refletir as diversas tendências de pensamento. O espaço está aberto a todos os interessados em se manifestar.



Por Marcus Tavares

Nos últimos 20 anos, vimos acontecer, na Prefeitura do Rio, um processo de implantação de uma lógica neoliberal na política pública de Educação, marcado pelo início de uma série de ataques e retiradas de direitos, não só de professores, mas também de alunos. As políticas desenvolvidas não foram pautadas com o objetivo de resolver o problema da escola pública. Pelo contrário”. As críticas são feitas pela professora da rede municipal de Ensino do Rio e diretora do Sepe-Rio, Susana Gutierrez. Em entrevista à revistapontocom, ela faz uma análise histórica da política pública de educação do Rio.

Segundo ela, pouca coisa melhorou nos últimos vinte anos na pasta da Educação. De acordo com Susana, o cenário piorou com a atual gestão do prefeito Eduardo Paes. Ela denuncia que não são aplicados os 25% dos impostos na Educação, como determina a legislação. E mais ainda: o que é investido não é direcionado para as escolas, mas para instituições privadas.

Acompanhe:

revistapontocom – Como a senhora avalia a evolução histórica da educação municipal do Rio?
Susana Gutierrez – Nos últimos 20 anos, vimos acontecer, na Prefeitura do Rio, um processo de implantação de uma lógica neoliberal na política pública de Educação, marcado pelo início de uma série de ataques e retiradas de direitos, não só de professores, mas também de alunos.  As políticas desenvolvidas não foram pautadas com o objetivo de resolver o problema da escola pública. Pelo contrário. Os governos não respeitaram a regulamentação constitucional que estabelece a aplicação de 25% das verbas na Educação nem deram continuidade ao projeto de construção de escolas, num período em que houve uma entrada maior de alunos na rede. Soma-se a isto a desvalorização profissional da carreira, que foi acentuada na gestão do então prefeito Saturnino Braga, prosseguiu com Marcelo Alencar e intensificou-se com César Maia. No final da gestão de Saturnino, tivemos uma greve histórica dos professores, que durou cerca de seis meses. Ela começou no último ano de governo de Saturnino e continuou no início da gestão de Marcelo Alencar. Desde então, os professores começaram a ter um arrocho salarial conjugado com poucas condições de trabalho e turmas cada vez maiores. Com Cesar Maia, vivenciamos um discurso diferente da prática. Foi uma gestão, no âmbito da Educação, no período da secretária Regina de Assis, que teoricamente era progressista, com a Multieducação , mas não condizia com a realidade das escolas. Os professores eram chamados para alguns cursos, mas não podiam opinar, nem eram consultados sobre a política educacional. O avanço pedagógico não aconteceu porque na prática nada mudou. O governo não deu condições de trabalho. Faltavam professores e funcionários, as salas eram lotadas. Não existiam verbas. A Educação carecia de estrutura e uma série de materiais. Anos mais tarde, com a administração da secretária Carmem Moura, gestão do prefeito Conde, e da Sonia Mograbi, já no segundo e terceiro mandatos de Cesar Maia, há um aprofundamento maior da crise, com a implantação dos ciclos e da então chamada aprovação automática. O ciclo, na verdade, era uma defesa do movimento dos professores, mas a idéia de considerar os três primeiros anos como parte do processo de consolidação da alfabetização foi deturpada. Os ciclos foram aplicados não por uma questão metodológica, mas para iniciar o processo de aprovação automática, disfarçando os problemas da falta de investimento, do déficit de professores e funcionários, das péssimas condições de trabalho, ensino e aprendizagem.  A aprovação automática foi a forma que o governo encontrou para diminuir os índices da evasão escolar e dos maus resultados na aprendizagem. O sindicato sempre reivindicou que para o ciclo funcionar era necessária uma mudança na política governamental. Precisaríamos que a Prefeitura aplicasse mais verbas na educação, garantisse mais tempo para planejamento, condições de trabalho, redução do número de alunos, mais profissionais, autonomia pedagógica, equipes interdisciplinares. Nunca houve retorno. A discussão em torno do ciclo e da aprovação automática foi uma luta que marcou bastante a rede. Quase 90% das escolas participaram de paralisações. Conseguimos desmascarar a farsa desta política e o ataque que a aprovação automática significava para profissionais, alunos e toda a comunidade escolar. O debate foi tamanho que ultrapassou o muro da escola. Alcançou os pais e a sociedade, ao ponto de ter sido bandeira de todos os candidatos à Prefeitura do Rio nas eleições de 2008.

revistapontocom – E com a gestão do atual prefeito Eduardo Paes?
Susana Gutierrez – Na avaliação do sindicato, há uma aceleração da política de destruição da escola pública. Uma aceleração que se dá de forma perversa. Este cenário tem a ver com o contexto histórico. No momento em que o Eduardo Paes assume a Prefeitura do Rio, temos uma política neoliberal que anuncia a crise do capital, que certamente chegaria ao Brasil. Por conta disso, essa política defendia que empresários e banqueiros recebessem apoio dos governos de forma a minimizar prejuízos. Eram estas – e ainda são – as orientações do Banco Mundial. O que se faz então? O prefeito nomeia Claudia Costin para a secretaria de Educação, uma pessoa ligada à área econômica. Ex- secretária de Cultura do governo de Geraldo Alckmin, ela abriu as portas da secretaria para as parcerias públicas- privadas. Curiosamente uma pessoa ligada ao PSDB num governo do PMDB, num momento em que o partido estava em aliança com o PT. Claudia Costin inicia uma gestão de retirada de direitos e de autonomia de professores e escolas, uma gestão de abertura da administração pública para empresas e fundações privadas e organizações sociais, as chamadas OS. Essa abertura da administração pública para as OS, na área da Educação, só não foi maior, porque gritamos e lutamos muito. Elas entraram nas escolas, mas apenas no âmbito do reforço escolar e atuando nas creches.

revistapontoocom –  Mas, na prática, como foi feito isso?
Susana Gutierrez – Com a desculpa da aprovação automática do governo anterior que, de fato, levou a uma defasagem grande de idade série, a secretaria da vazão a uma série de projetos. De 2009 até hoje, temos mais de 90 projetos que são conduzidos por institutos privados que, hoje, na verdade, definem e mandam pedagogicamente das escolas. O Projeto Político Pedagógico das escolas foi totalmente ignorado. Essas instituições mandam apostilas que já trazem definido todo o trabalho que o professor tem que fazer. A autonomia do professor foi extinta: ele não precisa mais pensar e preparar a sua aula, de acordo com o contexto dos seus alunos. Instala-se nas escolas uma lógica empresarial. Os departamentos viraram gerências, os diretores, gestores. Uma lógica empresarial com foco na meritocracia. As escolas que atingem metas ganham mais. Isso é um grave problema. A Educação não pode ser encarada como uma fábrica. Não há como padronizar o que é um processo de aprendizagem. Não há como dizer, por meio de uma prova externa, que um aluno é melhor do que outro, que uma escola é melhor do que a outra. A avaliação é um processo contínuo e ninguém melhor do que o professor, de sala de aula, avaliar. O que acontece hoje é que temos uma padronização de provas externas que definem índices, metas, gerando uma desigualdade na rede, uma rede muito grande e que é influenciada, na prática, por questões econômicas, culturais e sociais. Com esta política, você nega o conhecimento ao aluno, já que estes projetos de correção de fluxo e aceleração do conhecimento trazem currículos mínimos para suprir o déficit de aprendizagem. Além disso tudo, os projetos mascaram a falta de professores da rede. Por exemplo, com a proposta do Projeto Travessia Experimental, os estudantes têm apenas um professor. Nos Ginásios Experimentais Cariocas, há um professor por área de conhecimento. Nas turmas do Projeto Autonomia, ligadas à Fundação Roberto Marinho, também há apenas um professor para dar conta de todas as disciplinas.

revistapontocom – Por que o sindicato entende a presença destas fundações de forma negativa?
Susana Gutierrez – Porque elas trazem um retrocesso do ponto de vista metodológico, de compreensão progressista. Essas fundações, que ditam a metodologia da rede, trazem de volta um sistema tradicional de ensino e de avaliação, que em muitos lugares já está totalmente defasado. Por exemplo, extingui-se a prioridade de envolver o cotidiano e o contexto dos alunos no letramento. Além disso, essas fundações e instituições levam parte da verba pública destinada à educação. A Prefeitura do Rio não aplica os 25% dos impostos na Educação. São apenas 17%. E o fato é que esses 17% não vão para a escola, vão para estas empresas, que nunca estiveram na escola, que não conhecem a realidade dos alunos, os problemas da cidade. O objetivo não é com o processo-ensino aprendizagem, não é garantir acesso e produção de conhecimento. Pelo contrário é uma aprovação automática disfarçada. Serve para enriquecer institutos e fundações privados e criar índices fictícios, mascarando os problemas.

revistapontocom – Por que não há uma ‘grita’ dos professores?
Susana Gutierrez – Porque a secretaria joga pesado com o sistema de meritocracia. Se não alcançarem as metas, não ganham o 14º salário, não ganham gratificações etc. Soma-se a isto um profundo ataque que acontece com a publicação de sucessivas resoluções, circulares e portarias que são editadas, retirando os direitos dos professores e colocando os profissionais contra a parede. A cada semana, somos surpreendidos com uma novidade. Quando estamos tentando resolver uma pendência, uma reivindicação, surge outro ataque. A implantação da meritocracia na educação tem sido uma política internacional. É uma formula que os governos encontraram para culpabilizar profissionais e impedir sua mobilização. Os profissionais ficam de pés e mãos atados. Por exemplo: o professor que não conseguir que todos os seus alunos tenham bons índices na avaliação, não alcançar a meta pré-estabelecida pela prefeitura ou não seguir a cartilha meritocrática pode ser transferido, pela direção, para outra escola. Nas entrelinhas, quem discorda do atual sistema pode até ser considerado “incapaz”, sendo encaminhado, para “capacitações” na Escola de Formação Paulo Freire, recém-criada pela secretaria. Coitado de nosso pensador. Essa escola seria muito interessante e representaria uma grande homenagem ao mestre, se não fosse voltado apenas para a capacitação de profissionais nas apostilas e dinâmicas das fundações. Em vez de termos uma educação libertadora, defendida por Freire, temos uma educação bancária. O governo quer uma geração que não tenha a capacidade de criticar, de identificar erros nem intervir em mudanças. Desta forma, é mais fácil ele se manter no poder.

revistapontocom – Quais são as perspectivas futuras?
Susana Gutierrez – Caso esta administração seja reeleita, temos a certeza que novos ataques virão. Dois deles com certeza: a mudança no sistema previdenciário, estabelecido pelo projeto de lei complementar número 41, no qual se quer desvincular o salário dos aposentados e pensionistas. Eles não teriam mais isonomia salarial com os da ativa. A integralidade também é retirada. Quem se aposentar receberá 80% da média aritmética dos 3 últimos salários, não mais o valor integral. O projeto continua em tramitação na câmara. E o segundo tem a ver com o plano de carreira. O que temos hoje é chamado de a ‘maldição da pirâmide’, nossa carreira é congelada depois de dez anos, não há mudança de nível. A atual secretaria já acenou que vai apresentar, neste segundo mandato, como se ele já estivesse ganho, um novo projeto. A lógica é que este novo plano esteja baseado em questões meritocráticas, como hoje acontece em São Paulo, onde os professores são submetidos a avaliações para mudar de nível e só podem participar das provas aqueles profissionais que cumprirem diversos quesitos, como número mínimo de faltas.

revistapontocom – Que medidas deveriam ser tomadas para reverter este quadro?
Susana Gutierrez – 1ª medida: o governo tem que aplicar os 25% na escola pública, não na iniciativa privada. 2ª medida: redução do quantitativo dos alunos na sala de aula. Não é possível que uma turma de 6º ano tenha quase 50 alunos. 3ª medida: é necessária uma valorização do salário do professor. 4ª medida: concurso público para professores, equipe interdisciplinar e funcionários. 5ª medida: direções democráticas. 6ª medida: recursos. No auge da tecnologia, a maioria dos profissionais usa mimeógrafo, pois as escolas não têm verba para comprar toner da máquina de fotocopiadora nem bolas e ou quadras de esporte, numa cidade que se diz olímpica.

revistapontocom – Tudo isso já foi colocado para o governo? Como anda o diálogo do Sepe com a secretaria municipal de Educação?
Susana Gutierrez – É a nossa pauta de reivindicações. Já entregamos três vezes esta pauta na secretaria. Raramente somos recebidos, o que é lamentável, afinal somos, de fato e de direito, representantes da classe dos profissionais de educação. Quando somos recebidos, somos atendidos pela sub-secretária Helena Bomeny. É uma relação complicada e bastante delicada. O que é lamentável para um governo que se diz democrático.

“A educação do Rio esta aquém das possibilidades do município”

Educação: o que eu quero para minha cidade? Este é o slogan da campanha da revistapontocomConheça a proposta e participe. Abaixo, você confere a entrevista concedida pelo presidente do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro (Sinpro), Wanderley Quêdo.

As entrevistas aqui publicadas não traduzem a opinião da revistapontocom. Sua publicação obedece ao propósito de promover o debate da política pública municipal de educação, no Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, e de refletir as diversas tendências de pensamento. O espaço está aberto a todos os interessados em se manifestar.

Por Marcus Tavares

Por mais que esta secretaria possa ser creditada como uma gestão exitosa, muito organizada e extremamente qualificada tecnicamente, no meu entender, ela não cumpre sua função social nem respeita a comunidade, os anseios dos professores. Se não houver uma educação libertadora para que você possa realmente transformar as mentalidades, numa disputa com o capital, a mídia e a violência, a juventude estará reproduzindo o quadro que já existe. Vamos precisar cada vez mais de UPPs e presídios”, analisa o presidente do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio), Wanderley Quêdo.

Professor de História, Quêdo diz que a sociedade carioca, brasileira, está entorpecida com os grandes eventos que a cidade do Rio vai sediar, o que vem contribuindo ainda mais para que ela não preste atenção nos grandes problemas históricos do dia a dia, como a Educação.

Em entrevista à revistapontocom, o diretor faz uma análise da história da política pública de ensino do Rio, critica a atual gestão e destaca que os professores da rede encontram-se reféns da mídia, do consumo e da política de avaliação.

Acompanhe:

revistapontocom – Como o senhor avalia a gestão da secretaria municipal de Educação do Rio?
Wanderley Quêdo – A atual política pública na área da Educação do município do Rio deixa a desejar. Ela esta aquém das possibilidades do município. A nossa grande luta sempre será pelo cumprimento da legislação que estabelece a aplicação dos 25% na Educação, o que não vem sendo feito pela administração. Com relação aos recursos que são investidos, consideramos equivocados, pois eles têm sido aplicados em projetos que não têm como foco um resultado universal, como deve ser pensada e elaborada uma política pública. Muitos destes projetos visam a resultados isolados e parciais e que, portanto, não atendem a necessidade do conjunto da população que usa e precisa do atendimento educacional público. Por mais que esses projetos alcancem alguns índices satisfatórios, eles só atendem 50, 100 escolas, de um total de cerca de mil. Estas não são as minhas expectativas nem de grandes educadores. Não se justifica. O uso que a atual gestão da secretaria municipal de Educação faz também das avaliações preocupa. O Ideb, por exemplo, deveria ser usado como elemento norteador, de referência, para questões estratégias ligadas ao conjunto de todas as escolas e não para punir uma escola com ostracismo, esquecimento e não investimento e com premiação outra unidade escolar. Às vezes, o fracasso no Ideb de uma determinada escola significa uma grande vitória no contexto no qual a escola está inserida. Ela conseguiu funcionar, abrir durante todo o período, mesmo estando localizada num local de difícil acesso e marcado pela violência. Estatísticas são coisas perigosas. Por meio dos números, você pode fazer qualquer discurso. Do lado dos recursos humanos, há uma evidente precarização dos profissionais. A presença das Organizações Sociais (OS), fundações e instituições tira o professor da pauta, de ser um dos elementos indispensáveis da e na escola. Tudo isso mostra o perfil da aposta política da atual administração, diferente de uma aposta na educação libertária, que eu concebo e defendo, na educação democrática coletiva para o bem comum. Por mais que esta secretaria possa ser creditada como uma gestão exitosa, muito organizada e extremamente qualificada tecnicamente, no meu entender, ela não cumpre com sua função social nem respeita a comunidade, os anseios dos professores. Se não houver uma educação libertadora para que você possa realmente transformar as mentalidades, numa disputa com o capital, a mídia e a violência, a juventude estará reproduzindo o quadro que já existe. Vamos precisar cada vez mais de UPPs e presídios.

revistapontocom – A avaliação do senhor é que a política pública de Educação no município do Rio piorou nos últimos anos?
Wanderley Quêdo – Não acho que piorou. Acho que continua na mesma perspectiva. A visão é de cima para baixo, uma visão que não é de uma democracia participativa. Aliás, nunca foi. Já tivemos, digamos assim, alguns lapsos na tentativa de uma educação para todos. Mas, nas últimas gestões, a perspectiva neoliberal contribuiu negativamente. Temos uma estrutura administrativa muito bem organizada, mas que socialmente deixa a desejar. Não podemos reduzir a política pública educacional ao fato de saber ler, escrever e aprender uma profissão. São perspectivas e metas erradas. Por mais que a política faça isso, melhore as notas do Ideb, mantenha as escolas limpas e bonitas, melhore a merenda, introduza o horário integral, nesta perspectiva simplória, jamais conseguiremos transformar a sociedade.

revistapontocom – Qual é o maior desafio hoje do professor da rede municipal do Rio?
Wanderley Quêdo – Manter-se vivo e dentro de sua ocupação de formação, pois a maioria das pessoas acaba desistindo de sua profissão e vai se aventurar em outras atividades. De acordo com o IBGE, somente 30% dos professores, depois de 10 anos de carreira, continuam na profissão. Outro desafio é enfrentar, diariamente, o poder que o capital possui junto a crianças e jovens. É difícil, numa sala de aula, disputar a atenção. As meninas estão vestidas de Barbie, com todos os seus acessórios cor-de-rosa. E os meninos de Ben 10. A Barbie é uma princesa de aspecto narcísico extremo, consumista e hedonista. Não trabalha, tem um corpo que ninguém tem ou vai ter e consome o tempo todo. E dentro desta lógica que vive a menina da Zona Sul ou de Campo Grande. Já o Ben 10 é o menino que tudo pode, que se transforma em dez monstros para conseguir o que quer. Como o professor vai estabelecer um ambiente solidário, de respeito e união, se temos diante da sala um bando de princesas e Ben 10, totalmente narcísicos e consumistas? Soma-se a isto a linguagem da escola, distante da linguagem da mídia, dos games, da velocidade, onde tudo é digital e instantâneo.

revistapontocom – Como mudar este cenário?
Wanderley Quêdo – Por meio de uma transformação, de uma democracia participativa. Por meio de um novo currículo e ensino que estimulem o debate, a reflexão e a formação humanística em geral. Enquanto isso não mudar, vamos continuar educando nossas crianças e adolescentes para não criticar, pensar e refletir.

revistapontocom – O carioca está atento a esta necessidade, à política de educação da cidade?
Wanderley Quêdo – O carioca, assim como todo brasileiro, está entorpecido, sendo levado ao êxtase do espetáculo dos grandes eventos, como a Copa do Mundo e a Olimpíada. Minha grande preocupação é o pós 2016. O que será desta cidade, deste país? As expectativas que as pessoas estão depositando na possibilidade de transformação e de felicidade nos eventos que virão não se justificam e não se justificarão com os resultados. A educação, infelizmente, não é prioridade.

“Enfrentamos ainda o grande desafio: a evasão e a repetência”

Educação: o que eu quero para minha cidade? Este é o slogan da campanha darevistapontocomConheça a proposta e participe. Abaixo, você confere a entrevista concedida pela professora Carmem Moura, ex-secretária municipal de Educação do Rio (1997-2000).

As entrevistas aqui publicadas não traduzem a opinião da revistapontocom. Sua publicação obedece ao propósito de promover o debate da política pública municipal de educação, no Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro, e de refletir as diversas tendências de pensamento. O espaço está aberto a todos os interessados em se manifestar.


Por Marcus Tavares

“Enfrentamos ainda o grande desafio: a evasão e a repetência; ambas são consequências de uma escola que, muitas vezes, não atende às expectativas da sociedade. A instituição escola tem como principais objetivos a transmissão do conhecimento e a formação do cidadão, devendo sempre ser um local atraente para os alunos. Às vezes, as crianças deixam a escola porque têm de cuidar dos seus irmãos menores enquanto os pais trabalham. Já a repetência exige um trabalho contínuo. Para isso é preciso investir e apostar numa metodologia de ensino que desperte o interesse do aluno, a vontade de estudar. É um quadro complexo, mas que apresenta, sim, soluções. Acredito muito na competência do professor. Acho que não conseguiremos ainda zerar as taxas de evasão e repetência, mas é possível reduzi-las”.

A avaliação é da professora e ex-secretária municipal de Educação do Rio, Carmem Moura, que ocupou o cargo entre 1997 e 2000. Hoje aposentada, Carmem afirma que está um pouco longe das discussões das políticas educacionais, mas afirma que velhos desafios, embora tenham melhorado, ainda estão presentes. Como solucioná-los? A fórmula também é a de sempre: tornar a educação prioridade.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Como a senhora analisa a escola municipal do Rio dos dias de hoje?
Carmem Moura – Melhorou muito, principalmente no que diz respeito à participação dos pais. Essa participação ainda não é cem por cento, mas evoluiu. Ao longo da redemocratização do país, conseguimos trazer os pais, a comunidade para a escola. Este é um desafio que foi alcançado, mas que tem que ser renovado diariamente. Pelo que acompanho, a atual gestão da secretaria municipal de educação do Rio é a favor deste processo. Para mim, a comunidade tem que estar dentro da escola. Aponto também como ponto positivo a entrada das tecnologias, da mídia, na sala de aula, que acabaram por redesenhar e contribuir para o ensino e a aprendizagem. Mas enfrentamos ainda o grande desafio: a evasão e a repetência; ambas são consequências de uma escola que, muitas vezes, não atende às expectativas da sociedade. A instituição escola tem como principais objetivos a transmissão do conhecimento e a formação do cidadão, devendo sempre ser um local atraente para os alunos. Às vezes, as crianças deixam a escola porque têm de cuidar dos seus irmãos menores enquanto os pais trabalham. Já a repetência exige um trabalho contínuo. Para isso é preciso investir e apostar numa metodologia de ensino que desperte o interesse do aluno, a vontade de estudar. É um quadro complexo, mas que apresenta, sim, soluções. Acredito muito na competência do professor. Acho que não conseguiremos ainda zerar as taxas de evasão e repetência, mas é possível reduzi-las.

revistapontocom – Qual seria a solução?
Carmem Moura – Em primeiro lugar, como já falei, investir e apostar numa metodologia de ensino atraente e forte no conteúdo. É preciso também capacitar os professores. Uma atualização em serviço e contínua. Sem falar, é claro, na remuneração do magistério. Acredito que uma escola de horário integral ajuda bastante na redução da evasão e da repetência. Uma escola que ofereça trabalho diversificado, atividades extraclasses, conteúdo qualificado e aulas de reforço. Estabelecer e manter escolas em horário integral não é tão fácil como se pensa. Esta proposta reduz as vagas. Mas creio que se queremos atingir uma educação de qualidade este seja o caminho. Precisaríamos, portanto, de mais escolas, salas e professores.

revistapontocom – Estes desafios não são os mesmos da sua gestão?
Carmem Moura – Sim. Diria que são os mesmos. Melhoraram mas não como gostaríamos. Por quê? Porque faltam investimentos na Educação, de fato e de direito. É preciso que haja uma valorização do professor para que ele possa estar sempre atualizado com as políticas pedagógicas e novas metodologias de ensino. Valorizar significa salário, atualização, condições de trabalho e apoio. Temos também salas de aula cada vez mais cheias, o que dificulta o trabalho do docente. Por outro lado, a educação, como política pública, continua não sendo prioridade.

revistapontocom – Como a senhora avalia a atuação da sociedade brasileira frente aos problemas da política pública educacional?
Carmem Moura – A educação está na pauta da sociedade, embora ela discuta muito pouco. Infelizmente, ainda não é um tema que a mobiliza. Mas sou otimista. A sociedade deveria se envolver mais, participar mais do dia a dia das escolas.

revistapontocom – Qual deveria ser o perfil do próximo secretário(a) de Educação do Rio?
Carmem Moura – Não sei se o secretário tem que necessariamente ser professor. Ele tem e deve ser um educador capaz de gerenciar uma rede de ensino tão complexa e, é lógico, gostar do seu trabalho. O imprescindível é que o secretário estabeleça um bom e contínuo diálogo com os professores e toda a comunidade escolar. Isso é fundamental.

O Brasil não deve adotar um currículo nacional único para a educação básica

Por Dalila Andrade Oliveira
Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)

O artigo 210 da Constituição de 1988 determina como dever do Estado fixar “conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar a formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais”.

Essa liberdade, em país tão diverso como o Brasil, está vinculada à existência de diretrizes que orientem a definição de conteúdos em conformidade à base nacional comum e diversificada do currículo, garantindo a necessária integração nacional.

Como estabelece o artigo 26 da Lei das Diretrizes e Bases de 1996: “Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela”.

As mudanças na legislação garantindo flexibilidade curricular permitem a adequação do projeto pedagógico de cada escola ao seu meio, objetivando a unidade na diversidade.

Essa foi uma conquista de setores sociais que historicamente estiveram alijados do direito à educação pública neste país. Nas últimas décadas emergiram políticas voltadas à promoção da educação para os afrodescendentes, indígenas, pessoas com deficiência, população do campo e em condições de pobreza. Compreendeu-se que não bastava garantir acesso à escola se a educação não correspondia a seu universo sociocultural.

É com a liberdade de cada escola elaborar seu projeto pedagógico, acolhendo os sujeitos que dela participam, que a educação vai se tornando ato de liberdade e instrumento da democracia. Essa é uma orientação que tem possibilitado ao sistema educacional brasileiro ser mais inclusivo e justo com os que mais necessitam da escola pública.

Contudo, há vozes discordantes na sociedade que defendem o velho elitismo republicano da escola pública do início do século 20. Essas vozes têm defendido o currículo nacional único sob o pretexto de que todas as crianças devem ser alfabetizadas na idade certa e que para tanto é necessário definir conteúdos padronizados para ser ensinados de norte a sul do país e que devem ser exaustivamente avaliados.

Trata-se de um argumento que ignora a complexidade do processo educacional. A transmissão de conteúdos, muitas vezes estranhos ao contexto dos alunos, não é suficiente para garantir o bom desempenho educacional. Outros fatores sociais interferem na aprendizagem e a escola não é, nem pode ser, impermeável a eles.

A padronização curricular foi, durante séculos, responsável pela expulsão de importantes segmentos sociais da escola. O critério de justiça que orienta os sistemas escolares, apesar de repousar no ideal de igualdade de oportunidades, promove injustiça ao tratar o diferente como igual, pode torná-lo também desigual. Não se pode negar as diferenças sociais, econômicas e culturais entre os indivíduos.

A retomada da defesa do currículo único na atualidade no Brasil se deve a setores que concebem a educação somente como fator de produção, a serviço de um modelo de desenvolvimento que ignora dimensões indispensáveis à felicidade humana.

Quantos são os distúrbios em sociedades que levaram a risca tal concepção? A experiência parece não bastar e a pesquisa acadêmica pouco é solicitada a contribuir nas políticas públicas a serviço do bem comum. É necessário debater a concepção de educação que interesse à sociedade brasileira no seu conjunto, capaz de mobilizar forças sociais e as potencialidades deste país.

Fonte: Folha de S. Paulo

O Brasil deve adotar um currículo nacional único para a educação básica

Por Priscila Cruz
Diretora-executiva do movimento Todos Pela Educação

A Constituição Federal assegurou a educação como um direito fundamental. No entanto, ainda precisamos cumprir o artigo 210, que dispõe que “serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais”, definindo de forma mais precisa e transparente quais aprendizagens todos e cada um dos alunos devem adquirir.

O currículo nacional é o conjunto de aprendizagens que devem ser comuns a todos os alunos, seja porque são universais (a aritmética, as leis básicas da natureza etc.) ou porque dizem respeito à nossa identidade brasileira (o estudo dos ecossistemas brasileiros, a nossa história etc.).

Ou seja, trata-se do conjunto de conhecimentos necessários para a garantia de oportunidades no contexto atual da sociedade deste início do século 21. Outros temas de interesse da comunidade escolar e especificidades regionais devem fazer parte dos currículos escolares que serão diferentes entre as redes.

Uma analogia que nos ajuda nessa reflexão é a aproximação do direito à educação com os direitos humanos. Este não é distinto em cada Estado, município ou escola.

Todos estão protegidos por um direito comum, necessário para garantir uma vida igualmente digna para indivíduos reconhecidamente diferentes. No direito à aprendizagem, hoje, quanto maior é a vulnerabilidade em que estão inseridos os alunos, menor é a sua aprendizagem, quando justamente ela deveria ser assegurada para quebrar o ciclo de exclusão e pobreza em que estes alunos estão presos há gerações.

Um currículo nacional permite a execução eficiente, transparente e justa das políticas públicas na área da educação. O Brasil tem avançado em seus sistemas de avaliação da aprendizagem, garantindo diagnósticos para que caminhos de sucesso sejam difundidos. Os diagnóstico garantem também que os erros sejam aprimorados ou corrigidos. Gestores e educadores estão engajados nesse processo, mas o trabalho de milhões desses profissionais é avaliado sem que haja completa transparência dos resultados esperados.

O objetivo central da formação de professores é prepará-los para que garantir os direitos de aprendizagem. Isso só pode ser feito se houver explicitação destes direitos. O mesmo pode ser dito sobre a elaboração, aprovação e compra dos livros e materiais didáticos em toda a sua diversidade.

Muitas redes estaduais e municipais, por falta de um currículo nacional, definiram os seus. E, não por acaso, essas redes apresentaram bons avanços no último Ideb, apontando para o fato de que o currículo pode ter auxiliado na articulação e organização de suas políticas em torno da aprendizagem esperada.

Por fim, é importante falar sobre a autonomia dos professores. Sua participação é fundamental na definição do currículo nacional. Mas, depois de definidos os direitos de aprendizagem de cada um dos alunos, o essencial do exercício docente está na escolha das estratégias de ensino e em como os professores conduzem as atividades para que todos os seus alunos aprendam.

É isso que difere o matemático do professor de matemática -que, além do conteúdo, tem o conhecimento sobre como ensinar esse conteúdo.

Assim, é urgente que, democraticamente, seja debatido e definido um currículo nacional, que oriente as políticas educacionais, o trabalho de milhões de profissionais, o engajamento das famílias e a participação de toda a sociedade em torno do direito de aprender de todas as crianças e jovens.

Fonte: Folha de S. Paulo

O poder das câmeras dos celulares

Jornal da Unicamp

Em junho de 2009, manifestações populares contra o regime ditatorial no Irã ganharam repercussão mundial e se transformaram no histórico estopim de uma revolução sem precedentes nos países árabes. As imagens impactantes das revoltas e até da morte brutal de uma jovem de 16 anos, Neda Soltani, transformada em símbolo do protesto reformista, não foram, contudo, geradas pela imprensa. As restrições impostas pelo governo iraniano ao trabalho de jornalistas foram inúteis diante de um surpreendente e avassalador fenômeno de comunicação: o de vídeos produzidos e divulgados na internet por uma legião de cinegrafistas amadores. Gravadas pela população por meio de telefones celulares, as cenas da conflagração inundaram os portais de vídeo na web e permitiram ao mundo assistir àquilo que a ditadura desejava ocultar. Mais tarde, imagens e relatos deram origem à comovente coletânea Iranian Stories, também disponibilizada pela rede mundial de computadores.

A telefonia móvel disponibilizou uma poderosa ferramenta para a produção e disseminação instantânea de vídeos sobre tudo o que esteja ao alcance das minúsculas objetivas instaladas na grande maioria dos aparelhos celulares. Seja os sangrentos protestos da denominada “Primavera Árabe”, seja o flagrante da devastação causada pela irrefreável força de um tsunami no Japão, seja o drama dos alunos de uma escola no Rio de Janeiro invadida por um tresloucado atirador. Ou ainda a aprazível viagem a um recanto turístico e até mesmo um despretensioso almoço dominical da família. Hoje, as mais diferentes, inusitadas e cotidianas situações são documentadas e compartilhadas por meio de imagens em movimento.

Para Roger Odin, professor emérito de ciências da informação e de comunicação na Universidade Paris III – Sorbonne Nouvelle, vivemos a era da linguagem cinematográfica. Ele esteve na Unicamp para falar dos estudos que desenvolve na área do cinema documentário e no campo do cinema e do vídeo amador, onde se insere seu atual interesse pelas produções audiovisuais a partir dos celulares.

“Estamos testemunhando uma grande revolução, em que a linguagem cinematográfica tornou-se um meio de comunicação usual, cotidiano. Com frequência cada vez maior as pessoas se comunicam por meio de pequenos filmes que fazem com seus celulares, substituindo a linguagem verbal pela linguagem visual”, declarou Odin ao Jornal da Unicamp.

De acordo com ele, a familiaridade do público, mesmo que de maneira rudimentar, com determinadas técnicas e jargões da produção audiovisual, proporcionada, sobretudo, pela televisão, levou a uma banalização do uso da linguagem cinematográfica.

“A imagem ocupou o lugar da palavra. Se, num passado mais recente, alguém descreveria ao telefone o local onde se encontrava ou alguma situação que estivesse vivenciando, hoje essa pessoa utiliza o aparelho para mostrar o que deseja comunicar. Servimo-nos da linguagem cinematográfica do mesmo modo como utilizamos a caneta para expressar ideias”, afirma Odin.

Para o professor, os celulares colaboraram para dar uma dimensão totalmente nova à produção cinematográfica planetária, não apenas colaborando para o incalculável crescimento do gênero classificado como filmes de família, mas também impulsionando a realização de longas-metragens, a partir de avanços tecnológicos que aprimoraram a definição das imagens geradas pelas câmeras que esses aparelhos trazem embutidos e baratearam substancialmente a produção. A Nigéria (África), segundo Odin, é exemplo de país com larga escala de longas de ficção realizados nesse tipo de suporte.

“Há uma produção local muito forte e uma grande popularização da arte cinematográfica. Os filmes não são exibidos no circuito comercial, mas comercializados em DVDs por preços muito baixos e as pessoas os assistem em casa”, explica. Ele cita ainda a Europa, a Ásia e a China como outros centros com expressiva produção cinematográfica baseada em telefones móveis, embora pondere que no continente chinês isso se tornou uma alternativa à censura que limita a produção audiovisual em circunstâncias normais.

Facebook e escola

Por Marcus Tavares

Hoje, uma das perguntas que a escola cada vez mais se faz é: como é possível estabelecer uma interface criativa e construtiva entre ela, os estudantes e as redes sociais? Como o Facebook, febre entre os jovens, pode favorecer esta relação? Isto seria recomendado? Ou as redes sociais não têm nada a ver com o cotidiano da escola, fazem parte apenas do universo particular dos alunos?

As redes são características do mundo digital em que vivemos. Por meio delas, é possível criar tendências, reiterar novos ou antigos valores, criticar, denunciar irregularidades e por aí vai. São vistas com tanta importância que, no âmbito profissional, muitas empresas traçam o perfil de seus funcionários e dos que vão contratar levando em consideração o que postam e defendem nas plataformas.

Acho que fica bastante clara a ligação: se as redes sociais já ocupam parte de nossa vida com tamanha importância, naturalmente devem, pelo menos, fazer parte das discussões da escola. Bem, de uma escola que objetive contribuir com o crescimento de um jovem que está neste cenário de múltiplas vozes e tecnologias.

Sim, cabe às escolas – e aqui é bom que se diga que também cabe às famílias – pensar as redes sociais como espaço de informação, de constituição de conhecimentos e valores positivos ou negativos, de troca de saberes e de aprendizagem, ainda mais quando mais de 50% dos alunos, senão a turma toda, burlam idades e formulários, muitas vezes com o consentimento dos pais, para administrarem suas próprias contas. Esta talvez seja a primeira grande discussão que deve ser debatida na escola: o acesso. Crianças e jovens podem ter contas no Orkut, no Facebook?

As redes sociais, na perspectiva de ferramenta tecnológica e digital, são excelentes apoios do diálogo pós- sala de aula entre estudantes e professores. Quem usa sabe do que estou falando. Mas a questão é que elas não são apenas ferramentas. São mídias, vitrines, megafones individuais, espelhos e janelas. Qual é o limite? Quais são as regras? Tudo vale e é permitido? O que fazer quando as redes são usadas para reiterar preconceitos, para a difamação, para o bullying? As palavras respeito e ética fazem parte do glossário dos usuários das redes?

A ideia não é didatizar, cercear a liberdade e a criatividade dos jovens no uso das ferramentas nem violar a privacidade dos mesmos, mas pensar e refletir sobre quem somos, como agimos e de que forma nossas ações podem ser vistas, interpretadas e avaliadas. Como podemos viver de forma consciente no mundo digital.

Animação infantil estreia em janeiro

Por Marcus Tavares

Os habitantes da Vila dos Brichos precisam decidir o futuro da sua cidade, ameaçada de perder sua floresta para investidores-terroristas internacionais. Armados de coragem, inteligência e bom humor, os heróis encaram o desafio que será decidido nas areias de Noforest, na gelada Iceforest e na exuberante Brainforest. Esta é a sinopse da animação Brichos – a floresta é nossa, de Paulo Munhoz, que chega aos cinemas em janeiro de 2013.

Em entrevista à revistapontocom, por e-mail, Paulo contou que o filme é voltado para toda a família, mas que tem como público alvo crianças dos 7 aos 12 anos. Trata-se de uma animação que, além de divertir, que fazer com que crianças e adultos pensem sobre o mundo que queremos. Sustentabilidade é um dos temas principais do enredo.

Acompanhe:

revistapontocom – Brichos – A Floresta é Nossa é voltado para que faixa etária?
Paulo Munhoz – O filme foi pensado para agradar toda a família, assim o roteiro agrada desde crianças até os mais velhos. O target principal é o público dos 7 aos 12 anos. O filme foi um grande sucesso na sua première no Festival Anima Mundi. O público adorou a obra. Ele vai ser lançado nacionalmente no dia 1º de janeiro, nas principais cidades do país, nos melhores cinemas. Faremos ações de promoção, anúncios etc. Em dezembro, vamos lançar o game Brichos para smartphones, como produto independente do filme, mas fazendo referência ao  longa. Vamos também desenvolver um projeto com as escolas.

revistapontocom – Qual é a história do filme?
Paulo Munhoz – É uma aventura planetária que ocorre no verão brasileiro. Os principais locais da trama são a Vila dos Brichos, Iceforest (na América do Norte) e Noforest (Na África do Norte). Tales (jaguar) e Jairzinho (quati) estão acampando na floresta. Dumontzinho, o gênio da turma, está num intercâmbio em Iceforest, onde conhece a querida Li Pan Din. Bandeira (tamanduá) está em viagem com seu pai pelas areias de Noforest. Nesse meio tempo, Mr. Birdestroy age para comprar a floresta dos Brichos, usando de todos os métodos, com a cumplicidade de Ratão, o mal elemento da Vila. Serão travadas batalhas em vários campos, do intelecto às vias de fato, da magia à tecnologia. Sem didatismos, a grande questão colocada pelo filme é: que futuro nós queremos? Enfim, vai ser um programa divertido que deverá brotar uma bela questão na cabeça das pessoas.

revistapontocom – É um filme que tem um caráter educativo?
Paulo Munhoz – O filme segue o padrão de obras em que há uma preocupação reflexiva aliada a um caráter de entretenimento. Cito, como exemplo o filme Wall-E, em que há isso: diversão e preocupação com o meio ambiente. A diferença é que, em nosso caso, estamos criando peças de propaganda totalmente recicláveis e não faremos ações que gerem lixo. Brichos é nosso principal projeto e buscamos, através dele, dar uma real contribuição para um mundo melhor. Quem for ao cinema vai perceber isso.

revistapontocom – Produzir cinema no Brasil é um desafio. Produzir cinema infantil no Brasil é um desafio maior ainda. Como foi o processo de produção do filme?
Paulo Munhoz – Realmente é um desafio gigantesco. Os problemas são referentes à dificuldade de financiar uma obra como essa (captar recursos), depois produzir ao longo de anos (já que animação é muito intensiva em trabalho e tempo), e conseguir desenvolver uma história que dialogue com esse público. Fizemos várias sessões de conversa com crianças e pesquisamos o seu universo atual. O roteiro não subestima a inteligência e nem a visão das crianças de hoje. Cedo elas já dominam a linguagem audiovisual e tem acesso a muitas informações. Produzimos o filme em Curitiba, tanto a imagem quanto o áudio. Toda a animação foi feita na Tecnokena, produtora audiovisual, localizada em Curitiba. Gravamos os atores aqui no estúdio Astrolábio. Gravamos com o Marcelo Tas e o Antonio Abujamra e o Tas em São Paulo. A finalização ocorreu em São Paulo, na Cinecolor.

revistapontocom – Quais seriam, na sua avaliação, as possíveis saídas para incrementar o cinema infantil no Brasil?
Paulo Munhoz – Acho que essa questão tem duas vertentes. Primeiro, os cineastas precisam olhar para esse público. Há muita produção de filmes para adultos,  pois é mais fácil desenvolver histórias dentro do seu próprio universo. Há que se ter muita coragem e desprendimento para fazer filmes infantis.  A segunda questão é que é muito mais difícil captar recursos para um filme infantil. Assim, eu penso que os dois caminhos de solução seriam: a) Introduzir essa questão na formação dos cineastas, seja nos cursos de cinema, design e comunicação social, seja nos cursos de pós graduação, seja nos cursos livres que estão por aí. b) Criar mecanismos de apoio voltados ao cinema infantil.

Educação e Mídia

Nesta quinta e sexta-feira, dias 13 e 14 de setembro, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) está sediando o III Colóquio de Pesquisas em Educação e Mídia: teorias e metodologias em Educação e Mídia. O encontro reúne os grupos de pesquisa na área das universidades públicas e particulares do Rio de Janeiro. São elas: UFRJ, UFF, Uerj, UniRio, UFFRJ, PUC-Rio e UCP. O colóquio consiste na apresentação dos grupos e de suas principais pesquisas.

A coordenação do evento disponibilizou um livro digital com todas as apresentações dos grupos.
Clique aqui e confira 

Facebook para educadores

Você, professor, sabe quais são as sete utilidades do Facebook para um trabalho em conjunto na sala de aula? Anote: ajuda a criar e fazer com que os alunos sigam a política da escola de uso do Facebook; incentiva os alunos a seguirem as diretrizes da ferramenta; mantém professores e estudantes atualizados sobre as configurações de segurança e privacidade; promove a boa cidadania no mundo digital; facilita a comunicação, por meio de páginas e grupos, entre alunos, pais e professores; auxilia na discussão e adoção de estilos de aprendizagem digital, social e móvel; promove o desenvolvimento profissional. Bem, pelo menos essas são as auto utilidades que o próprio Facebook, em seu projeto Facebook for Educators,divulga para os docentes.

O material foi divulgado no ano passado. Há uma tradução para o português realizada pela Faculdade de Educação da Unicamp.  O documento abre com a seguinte reflexão: “Tradicionalmente, os educadores ajudam pais a ensinar jovens como se comportar adequadamente em relação aos outros. Agora, com a explosão da mídia social, os educadores podem fazer parte de uma conversa mais ampla com os jovens sobre a cidadania digital e o comportamento on-line”.

Clique aqui e acesse o documento

Torresmo – parte 2

Por Artur Melo, 10 anos
A
luno do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira


TORRESMO PARTE 2:

clique aqui e leia a primeira parte da história

A volta de Torresmo para a fazenda

Quando Torresmo estava voltando para a fazenda, resolveu dar uma passadinha na casa do seu amigo Bacon. Quando chegou lá, seu amigo estava na companhia do primo, o Costelinha de Porco. Torresmo já chegou falando:

– Fala aí, amigos! Vocês não sabem o que me aconteceu, fugi da fazenda atrás de aventuras e quase entrei foi numa “esquentada”, fui parar numa sala gigante, e vi uma coisa horripilante: uma mulher muito esquisita, preparava alguns pobres de nós, coitadinhos, numa marmita.

Os porcos ficaram ouriçados que mal conseguiam respirar.

– Como você fugiu? Como você fugiu?
– Conta, conta!

Essa conversa foi longa, Torresmo teve que explicar tudo tim tim por tim tim, contou aos amigos que quando estava fugindo dos seguranças acabou entrando na sala de projeção, deu um susto no homem que estava por lá, que saiu em disparada e depois se trancou sozinho lá dentro. Precisava pensar, rapidamente, em uma estratégia para fugir daquele lugar. Foi aí que ele começou a fuçar em todos os botões, a história do filme que estava passando ficou uma loucura, ele mexeu em muitos rolos de outras histórias, e mexe daqui, mexe dali, começou a projetar filmes muito antigos.

Que confusão aconteceu quando a cena do porco na marmita desapareceu, e no seu lugar, espantosamente, viram o Chaplin quase comendo o seu sapato. Foi aí que todas as pessoas resolveram reclamar com o gerente, pedindo o seu dinheiro de volta. Ele aproveitou a confusão e, muito esperto, saiu de lá como um foguete.

Os amigos ouviram tudo, calados, impressionados. Mas não sabemos se toda essa história foi verdade ou se tudo não passou de uma farsa imaginada por torresmo, querendo dar uma de valentão.

 

Confira os filmes da Mostra Geração – 2012

Por Marcus Tavares

Aconteceu neste sábado, dia 1º de setembro, o Primeiro Encontro de Educadores da Mostra Geração, seção do Festival do Rio voltada para crianças e adolescentes. Na sala 3 do Estação Sesc  Rio, as coordenadoras e curadoras da mostra, Bete Bullara e Felicia Krumholz, apresentaram aos professores os trailers dos filmes que vão compor o programa internacional: uma seleção de oito filmes escolhidos a dedo, alguns extremamente tocantes. Vale a pena conferir.

Na edição deste ano, a Mostra vai se dividir em três eventos:

Programa Internacional – Oito longas, sendo um brasileiro, serão exibidos de 27 de setembro a 11 de outubro. As escolas interessadas poderão marcar de levar seus alunos e o que é melhor: de graça. Informações e reservas pelos telefones – (21) 3035-7101 / 3592-0434 / 2539-6142.

clique aqui e veja os trailers dos filmes

Encontro de Educadores – Serão três encontros, nos quais os professores terão a oportunidade de assistir a filmes fora do circuito e discutir sobre eles com a equipe de produção. O primeiro encontro aconteceu no sábado, dia 1. Quem esteve por lá conferiu o filme Uma garrafa no mar de Gaza. Os próximos eventos serão realizados no dia 29 de setembro (filme ainda a ser confirmado) e 6 de outubro, quando será exibido o filme Vocacional – uma aventura humana, de Toni Ventura, que discute uma experiência educacional em escolas estaduais de São Paulo, na década de 1960. Os dois encontros serão realizados na sala 3 do Estação Sesc Rio, em Botafogo, às 9 horas.

Programa Vídeo Fórum – É o espaço da Mostra Geração onde crianças e jovens – dos 5 ao 18 anos – vão exibir seus trabalhos audiovisuais em tela grande, trocar informações com colegas realizadores da mesma idade e aperfeiçoar cada vez mais seu impulso criativo. “E é também com grande satisfação que constatamos nesta edição, mais uma vez, a presença de obras de vários estados brasileiros e de outros países, como Espanha, Argentina, Itália e Estados Unidos, garantia de diversidade na nossa programação”, destaca Felicia Krumholz. O cronograma das apresentações das obras selecionadas pela coordenação será divulgado nos próximos dias. Será dividido por faixa etária. A exibição também é gratuita para escolas públicas, ONGs, projetos educativos ou sociais sem fins lucrativos.