Dia Nacional do Livro: 15 bons títulos infantis

Por Marcus Tavares

No Dia Nacional do Livro (29 de outubro), a revistapontocom aproveita para destacar que há bons livros infantis voltados para a questão da influência da mídia. É o caso, por exemplo, da obra “Tudo Por um Pop Star”, de Thalita Rebouças, que narra a história de três adolescentes que fazem de tudo para se aproximarem de seus ídolos. Ou do “Tempo em que a Televisão Mandava no Carlinhos”, de autoria de Ruth Rocha, que questiona o poder da publicidade no dia-a-dia das crianças.

Muitas vezes escondidas nas estantes, as obras trazem uma linguagem acessível, ilustrações caprichadas e conteúdo atualizado, com humor e imaginação. E o que é melhor: o enredo serve de ponto de partida para uma conversa entre pais e filhos, professores e alunos ou entre as próprias crianças. De forma divertida, o título “Eles parecem crianças!”, de Liliana Lacocca e Michele Lacocca, aborda o comportamento de alguns pais que não querem que seus filhos assistam à televisão. Embora consigam fazer com que as crianças desenvolvam outras atividades, os pais descobrem que são eles que estão viciados na TV.

Outra obra muito interessante é ‘Liga-desliga’, de autoria de Camila Franco e Marcelo Pires. De forma inteligente, o livro questiona a relação de dependência da criança com a televisão. Na história, são as televisões que dependem das crianças. Elas são viciadas na garotada, querem estar o tempo todo com ela e sofrem quando são deixadas de lado.

Se comparada com o número de obras que é lançado todos os anos no mercado brasileiro, uma média de dois mil livros, o único senão da lista de títulos infantis com esta abordagem é que ela ainda é pequena. Mercado é o que não falta, avisam os especialistas.

Confira algumas dicas de títulos:

– O Menino sem Imaginação
Autor – Carlos Eduardo Novaes
Editora – Ática
Sinopse: Uma pane no sistema de telecomunicações deixa o Brasil sem televisão por tempo indeterminado. A confusão é geral e o país fica de pernas para o ar. Tavinho é um garoto viciado em televisão. Assiste à três aparelhos de uma só vez. Aliás, na família de Tavinho, todos são completamente dependentes. Portanto, reaprender a viver sem a televisão não será nada fácil. Ainda mais para Tavinho que de tanto assistir à TV ficou sem imaginação.

–  Eles Parecem Crianças
Autores – Liliana Lacocca e Michele Lacocca
Editora – Melhoramentos
Sinopse: O livro aborda o comportamento de alguns pais que não querem que seus filhos assistam à televisão. Embora consigam fazer com que seus filhos desenvolvam outras atividades, os pais descobrem que são eles que estão viciados na TV.

– Rádio Muda
Autor – Renato Tapajós
Editora – Ática
Sinopse: Rafael era um expert na prancha de skate. Mas quando conhece Marina e a galera da Rádio Muda, descobre que pode fazer muito mais. Com os amigos, ele passa a ajudar os moradores do Parque Oriente a se defenderem da violência imposta pelos traficantes e a criar uma rádio comunitária, que se tornará instrumento de luta da comunidade.

– Lá Vai o Rui…
Autora – Sonia Rosa
Editora – Difusão Cultural do Livro
Sinopse: Menino descobre que, depois de desligar a televisão, há uma série de atividades legais e prazerosas.

– No Tempo em que a Televisão Mandava no Carlinhos
Autora – Ruth Rocha
Editora – FTD
Sinopse: Carlinhos tinha mania de comer tudo o que aparecia na televisão: achocolatado da Miúcha, sorvete do Bubu, biscoito do Xuxu… Ele acabou engordando, parecendo uma bola. Quando viu um anúncio de uma tal de Gororoba Dois Mil para emagrecer, encomendou rapidinho. Emagreceu. Mas depois caiu de cama e deu um susto na família. Depois da aventura, nunca mais. Carlinhos resolveu mudar de vida.

–  O Livro que Ninguém Vai Ler
Autora – Sylvia Orthof
Editora – Ediouro
Sinopse: Uma adolescente sonha ser escritora. Com o auxílio do computador, começa a escrever sua obra-prima. No entanto, um acidente faz com que a máquina assuma controle sobre a criação da menina. Aos poucos, o projeto gráfico e as ilustrações feitas no computador começam a dialogar com o texto em perfeita sintonia.

– Zap! Zap!
Autor – Ziraldo
Editora – Melhoramentos
Sinopse: O mestre Ziraldo escreveu este livro para as crianças. Trata-se de uma aventura do menino maluquinho bebê. Ao lado do seu pai, o menino assiste à televisão.

– Tudo Por um Pop Star
Autora – Thalita Rebouças
Editora – Rocco
Sinopse: O livro aborda os seguintes temas: amizade, fama e as loucuras que os fãs fazem por seus ídolos. A obra conta a história de Manu, Gabi e Ritinha, três amigas que moram em Resende, no Estado do Rio de Janeiro. São três tietes loucas por um astro de rock e sua banda. Ao descobrirem que o grupo vem ao Brasil para um show no Maracanã, elas fazem de tudo para ver os garotos bem de perto. Mas nada do que planejam dá certo.

– Os Internautas
Autor – Reinaldo Orth
Editora – Vozes
Sinopse: O número de jovens que passam horas em frente ao computador é o enredo do livro que pretende refletir sobre o tema. Por meio de uma história bem humorada e ilustrada, a obra conta o dia-a-dia dos viciados na tela do computador.

– Oto e o Controle Remoto
Autor – Cláudio Martins
Editora – Ática
Sinopse: Oto adora assistir à TV. Mas naquela tarde seu time estava perdendo o jogo do campeonato, que estava sendo transmitido pela tevê. Ele decide entrar em ação. Com uma manobra rápida, toma o controle remoto e se transforma no grande herói da partida.

– Truques coloridos
Autora – Branca Maria de Paula
Editora – Comport
Sinopse: Bastava querer e ele depressa aparecia. As crianças cruzavam as pernas no sofá e ficavam fascinadas. Distraia as pessoas e animava quem estava pra baixo também. Fazia gente chorar. Parecia um mágico. Quem será?

– Liga-desliga
Autores – Camila Franco e Marcelo Pires
Editora – Companhia das Letrinhas
Sinopse: “Era uma vez uma televisão que não saía da frente de um menino.” Assim começa Liga-desliga, um livro que inverte uma relação perfeitamente comum hoje em dia. Os autores, todos publicitários, sabem que a TV ocupa no mundo infantil tanto ou mais espaço do que a escola, a bola ou a boneca.

– É meu! Cala a boca! Quem manda aqui sou eu!
Autor – Luciana Savaget
Editora – Larousse do Brasil
Sinopse: A obra discute falta de tempo dos pais e solidão dos filhos, que trocam o afeto por brinquedos. A história de Frederico ajuda o pequeno leitor a identificar o egoísmo, e mostra como encontrar a alegria e a amizade quando se quer dividir as emoções.

–  Um Garoto Consumista na Roça
Autor – Júlio Emílio Braz
Editora – Scipione
Sinopse: No livro, temas como choque cultural e conseqüências do consumismo excessivo são expostos através do personagem principal com linguagem bem-humorada.

– Ludi, na TV
Autora – Luciana Sandroni
Editora – Salamandra
Sinopse – Verão chuvoso no Rio de Janeiro, Ludi passa o dia assistindo à TV. Uma “falha” no aparelho faz com que ela seja “seqüestrada” pelo televisor. Um pequeno acidente, que serve de motivação para ela fazer das suas, mexendo e remexendo na programação de todos os canais, interferindo em novelas, entrevistas, comerciais e desenhos. Que outra coisa se poderia esperar dessa irrequieta personagem, senão virar pelo avesso o mundo organizado e perfeito mostrado na TV?

Criatividade em até 3 minutos

Terminam no dia 4 de novembro as inscrições para o Festival Cel.U.Cine de Micrometragens. Em sua quinta edição, pela primeira vez o festival premiará quatro categorias com tema livre: documentário, ficção, animação e música, e vai também conceder um prêmio especial oferecido pela Rio Filme, parceira do projeto e que completa 20 anos neste ano. Os vencedores de cada categoria ganharão R$8 mil, mesmo valor concedido pelo prêmio da Rio Filme. Poderão ser inscritos filmes com duração de trinta segundos a três minutos, produzidos em qualquer plataforma digital, incluindo os aparelhos celulares, formato ao qual o Festival se propõe.

O festival enviará cinco vídeos pré-selecionados de cada categoria aos jurados oficiais: a atriz Dira Paes, o músico Paulinho Moska e o crítico de cinema Marcelo Janot. Os filmes finalistas serão anunciados dia 30 de novembro. Na cerimônia de premiação, dia 12 de dezembro, no Oi Futuro Flamengo, o público irá conhecer os vencedores das quatro categorias mais o ganhador do Prêmio Especial Rio Filme. Eles serão exibidos em um programa especial veiculado no Canal Brasil e na Oi TV.

O regulamento completo está no site www.celucine.com.br. O Cel.U.Cine é realizado pela Associação Revista do Cinema Brasileiro em parceria com o Oi Futuro. Conta com patrocínio da Oi e da Secretaria de Estado de Cultura, através da lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, e apoio da RioFilme e do Canal Brasil.

 

Você viu essa?

Por Karen Carnetti
Da redação IDG Now!

Diversas pessoas rasparam a cabeça nesta sexta-feira, dia 26, em apoio ao cantor Justin Bieber, que supostamente estaria com câncer. Acontece que tudo não passava de uma “brincadeira” do fórum 4Chan. O que aconteceu foi o seguinte: uma imagem mostrava a conta do Entertainment Weekly no Twitter, verificada como verdadeira (com aquele símbolo azul), tuitando o seguinte: “O pop star Justin Bieber foi diagnosticado com câncer no início desta manhã. Fãs de Bieber estão raspando suas cabeças para mostrar apoio”.

Justin aparentemente respondeu de volta agradecendo pelo apoio, e uma foto da conversa no microblog, junto com duas imagens de fãs de Bieber carecas, começou a espalhar o burburinho na Internet. A hashtag #BaldForBieber (“Careca por Bieber”, em tradução livre) entrou nos Trending Topics da rede.

Na realidade, o 4chan estava apenas querendo preocupar os “beliebers”, como se autodenominam os fãs do cantor. Os tuites nunca existiram e não e há qualquer tipo de câncer. Os internautas do fórum simplesmente fizeram uma montagem e pronto, o estrago estava feito. Fãs do cantor ficaram carecas e ainda há muitos postando condolências ao cantor utilizando a hashtag acima citada.

Não é a primeira vez que boatos são espalhados no Twitter, mas talvez seja o caso que mais teve consequências reais, com pessoas mudando sua aparência antes de verificarem os fatos. É um bom lembrete de que não devemos confiar em tudo o que lemos ou vemos por aí.

Série teen da Cultura mira escola pública

Por Alberto Pereira Jr.
Folha de S. Paulo

A Escola Estadual Alberto Torres, no Butantã, Zona Oeste de São Paulo, se transformou em cenário para a nova produção da TV Cultura. Foi lá que o diretor Cao Hamburger ambientou a série “Pedro & Bianca”, que estreia em 11 de novembro em capítulos semanais.

Diferentemente de “Castelo Rá-Tim-Bum” (1994-97), programa infantil que o diretor levou ao ar na TV Cultura, “Pedro & Bianca” mira em outro público: o adolescente. “Falamos da vida desses jovens e temos a escola como um ponto de encontro. Essa é uma fase conturbada e eu mesmo não tenho certeza de qual é a relação desse público com a televisão”, afirma Hamburger.

A história gira em torno dos irmãos Pedro (Giovanni Gallo) e Bianca (Heslaine Vieira), que frequentam a primeira série do ensino médio, em uma escola pública. Uma curiosidade: eles são gêmeos bivitelinos: ele, branco; ela, negra. “Vi um caso desses num jornal. É raro, mas existe. Achei interessante”, diz Cao Hamburger.

O casal é filho de Edison (Thogun Teixeira) e Zuzu (Gorete Milagres) -apesar de separados, eles continuam morando juntos, o que causa diversas confusões.

INSTITUCIONAL

Encomendado pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, “Pedro & Bianca” vai ocupar a faixa da atração “Escola 2.0”. O projeto está orçado em R$ 7 milhões. “Não é um programa chapa-branca. Mostramos a escola pública real. Não é um universo cor-de-rosa, mas também não é um bicho-papão como se prega por aí”, afirma Fernando José de Almeida, diretor da área de educação da TV Cultura.

A série vai abordar temas como sexo na adolescência, drogas, entrada no mercado de trabalho e preconceito. Além dos capítulos, que deverão durar um ano no ar, cinco programas de auditório vão discutir os assuntos levantados na ficção.

TIME

No elenco, a maior parte dos jovens é estreante na TV. Heslaine, que vive a protagonista Bianca, é exceção -já havia feito uma participação em “Filhos do Carnaval”, da HBO, também dirigida por Hamburger. Entre os amigos, há um cadeirante, uma imigrante boliviana, uma jovem periguete, um aluno mais malandro e outra indecisa sobre sua orientação sexual. “São Paulo é uma salada de pessoas de diferentes culturas e histórias”, frisa o diretor.

Ao todo a produção movimentou 150 atores e 2.000 figurantes. O programa não irá ao ar apenas na TV Cultura. A ideia é exibi-lo no Brasil todo, em parceria com Sesc TV e TVs educativas, entre outras. O público também poderá ver vídeos nos tablets e em redes sociais.

Muito antes do photoshop

Muito antes da invenção de softwares de alteração de imagens, fotos já eram manipuladas para encantar ou enganar espectadores. É o que mostra a exposição Faking It Manipulated Photography Before Photoshop, em cartaz no Museu de Arte Metropolitan, em Nova York. A mostra aborda os truques usados em 150 anos de manipulação de imagem e alteração da realidade.

Nia Fineman, curadora-assistente do museu, afirma que, com programas como o Photoshop, alterar fotos ficou muito mais rápido, fácil e acessível. Mas destaca que as motivações por trás dessa manipulação – sejam elas artísticas, estéticas, políticas ou de marketing – mudaram pouco no último século. A exposição explora as técnicas usadas para alterar as imagens, como múltipla exposição dos negativos, impressão sobreposta, montagem, pintura sobre a foto ou mesmo retoques.

Veja algumas delas:

 

 

Sala de aula menor

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal aprovou no dia 16 de outubro, em caráter terminativo, o Projeto de Lei 504, de 2011, que limita em, no máximo, 25 alunos, na pré-escola e nos dois anos iniciais do Ensino Fundamental. Nos anos seguintes do Fundamental e do Médio, o número não pode ultrapassar o total de 35. De acordo como Senado, o PL agora será encaminhado para apreciação da Câmara dos Deputados.

O assunto, de certa forma, já vem sendo analisado pela Câmara. A instituição analisa, desde 2007, o Projeto de Lei 597. O texto é quase igual ao PL do Senado. A única diferença é que determina que o número máximo de 25 alunos deve ser respeitado nos cinco anos iniciais do Ensino Fundamental e não somente nos dois primeiros, como propõe o projeto do Senado Federal. O PL 597, de 207, da Câmara dos Deputados estabelece ainda outras mudanças, relativas à Educação Infantil. Veja:

– Crianças até um ano de idade: máximo de cinco alunos
– Crianças de um a dois anos: máximo de oito alunos
– Crianças de dois a três anos: máximo de treze alunos
– Crianças de três a quatro anos: máximo de quinze alunos
– Crianças de quatro a cinco anos: máximo de vinte alunos
– Nos cinco primeiros anos do Fundamental: máximo de 25 alunos
– Nos anos finais do Fundamental e Médio: máximo de 35 alunos

Vigilância

Por Marion Strecker
Colunista da Folha de S.Paulo

A substituição do homem pela máquina segue em ritmo acelerado. São máquinas que atendem o telefone de muitas empresas. Isto é melhor para o cliente? Nem sempre. É mais barato para a empresa? Provavelmente sim. O que é certo é que elimina empregos de atendentes ao mesmo tempo em que gera empregos técnicos. Produz as adoradas estatísticas, que regem o mundo corporativo, sejam sensatas ou não.

Hoje ouvimos uma frase onipresente: “Para sua segurança esta ligação poderá ser gravada”. É uma versão rústica de outra mensagem frequente nos EUA: “Para controle de qualidade do nosso atendimento esta ligação poderá ser monitorada”. Por que gravam nossas ligações? De que segurança estão falando? Estão querendo nos proteger ou proteger a eles mesmos? Se é para nos proteger, por que não facilitam o nosso acesso a tais gravações?

Desconfiança mútua

O paralelo mais óbvio às gravações de voz são as câmeras de segurança. No mundo da espionagem institucionalizada, a comunicação evoluiu para algo mais simpático e menos ameaçador. “Sorria. Você está sendo filmado.” As câmeras são instaladas para flagrar furtos, roubos e outros crimes. Mas, ao ler essa frase, o cidadão pode se sentir um ator de cinema e realmente sorrir, esquecendo um instante que o motivo da filmagem é desconfiança e repressão.

Nas últimas semanas, um colégio tradicional paulistano instalou câmeras dentro de salas de aula. Não, não eram berçários dos quais pais aflitos, desconfiados ou culpados vigiam bebês e profissionais à distância. Era uma escola de elite que num só dia suspendeu 107 alunos do ensino médio que resolveram protestar quando descobriram as câmeras. Questionada, a direção da escola alegou razões de segurança e disciplina. O fato de já haver câmeras em laboratórios de informática, química e biologia fez com que a escola não se preocupasse em discutir o tema com pais e alunos antes de instalar os olhos de vidro em todas as salas de aula. Parte dos pais aprovou a medida, mas especialistas levantaram a voz para questionar que tipo de educação se desenvolve com base em desconfiança mútua. Outros questionaram o direito de uma escola filmar menores sem aval dos pais.

Estrutura de inspeção

A ideia é do final do século 18 e foi concebida pelo filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham. Ganhou o nome de poder panóptico: a consciência da permanente visibilidade asseguraria o funcionamento de um poder autoritário, como uma prisão, um manicômio, uma empresa ou uma escola. A única novidade é a banalização do instrumento. Panopticon é o nome de uma estrutura arquitetônica concebida para permitir a observação de tudo o que se passa num edifício sem que as pessoas a serem observadas saibam se estão sendo vigiadas. A simples possibilidade de estarem sendo vigiadas regularia o comportamento delas. O desenho consiste numa estrutura circular com uma torre de inspeção no centro, de onde o inspetor oculto poderia avistar todos os que estiverem no perímetro do edifício.Ele descreveu o projeto como um novo modo de obter poder da mente sobre a mente, numa quantidade até então sem paralelo.

Criança ainda ouve rádio?

Por Adriana Ribeiro
Doutoranda em Educação pela PUC-Rio, mestre em Comunicação, Educação e Cultura em Periferias Urbanas pela FEBF/Uerj. Atua em produção e pesquisa sobre rádio e educação desde 2000.

“O rádio é uma mídia acessada fundamentalmente por adultos”.
“Crianças não ouvem rádio”.

Essas duas afirmações costumam povoar o imaginário em relação a audiência de rádio, em parte porque quase todas as emissoras do rádio hertziano – as que sintonizamos em AM e FM –   não produzem programas para ou com crianças ou adolescentes há muitas décadas. A ausência de uma programação destinada a esse público, no entanto, não é indício de uma ausência de relações das crianças com a mídia rádio. Pelo menos esta é a conclusão a que chegaram dois estudos recentes realizados no Brasil e na Espanha, que fizeram pesquisas de audiência com crianças de 6 a 11 anos, no caso brasileiro, e de 8 a 9 e de 12 a 13 anos, no caso espanhol.

A pesquisa brasileira foi realizada, em 2003, pelo Instituto MultiFocus (especializado em consumo de mídia na infância), em quatro capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba), com 1500 crianças. O instituto constatou que 86,5% das crianças de 6 a 11 anos, das classes A, B e C, escutam rádio regularmente; e que quase metade delas escolhe pessoalmente as emissoras.

Já a pesquisa espanhola foi realizada por um grupo de professores da Universidade Autonoma de Barcelona, entre os anos 2006 e 2007, com 212 crianças. O levantamento afirma que, pelo menos, 61% das crianças que responderam aos questionários ouvia rádio regularmente e que 100% da amostragem conhecia o veículo, sabia identificar como usá-lo e tinha conhecimento do tipo de conteúdo que poderia esperar das estações. ‘Audiência escondida’ foi o nome dado à pesquisa realizada pelos professores espanhóis. Escondida, explicavam eles, principalmente porque nenhum instituto de pesquisa sondava o acesso desse segmento ao meio rádio.

Um interessante contraponto a esse cenário, aqui no Brasil, de ausência de interesse das emissoras abertas em relação ao público infantil está nos projetos de montagem de rádios escolares. Segundo o professor cearense Edgar Patrício, das 9.995 escolas que  aderiram ao programa Mais Educação, criado em 2007 pelo  Governo Federal, para aumentar a oferta de atividades extra-classe ligadas a artes, esportes, meio-ambiente etc – 3.911 optaram, até o ano de 2010, pelo macrocampo Comunicação e Uso das Mídias. Desse total, 2.218 escolas fizeram opção pela rádio escolar. No Rio de Janeiro, das 658 que se dispuseram a trabalhar com mídias, 375 escolas escolheram o rádio.

A criação de rádios escolares, no contexto do município do Rio de Janeiro, como parte dos projetos pedagógicos de escolas do Ensino Fundamental já era uma pauta da Secretaria Municipal de Educação há alguns anos, estimulada por profissionais como o arte-educador Zé Zuca, que, durante algum tempo, ministrou oficinas para professores da rede municipal carioca. Essas oficinas resultaram em bons projetos, como o da Rádio Professora Luzinete, emissora da Escola Municipal Manoel de Abreu. A grade da programação da emissora é realizada por alunos da 3ª e 4ª séries. Em uma visita à escola, perguntamos aos empolgados radialistas mirins se, fora do espaço escolar, ouviam rádio. A resposta foi um unânime e retumbante sim, seguido dos nomes das emissoras que escutavam: as de maior audiência no Rio de Janeiro, cuja programação é feita apenas para adultos.

Retratos do dial

Entre as emissoras cariocas, as Rádios MEC AM e FM e a Rádio Nacional estão entre as poucas que apresentam programas dedicados ao público infantil. Um dos principais responsáveis por essa programação é Zé Zuca, há oito anos no comando do Rádio Maluca, programa veiculado ao vivo, aos sábados pela manhã.

Não só programas dedicados à crianças são raros nas emissoras. A programação radiofônica atual, mais voltada à musica e informação, começou a ganhar esses contornos limitados com a chegada da TV. A televisão herdou do rádio os programas de auditório, os humorísticos e a dramaturgia, entre outros gêneros, que até a década de 1950 encantavam ouvintes. Os programas para e com crianças também sofreram esse fenômeno – foram incorporados à programação das emissoras de TV e sumiram do rádio.
Antes disso, no entanto, emissoras educativas e comerciais dedicavam algum tempo de sua programação ao público infantil. Umas mais preocupadas com o caráter de formação das irradiações, outras apenas adaptando formatos adultos, como no caso do programas com talentos mirins.

A primeira emissora oficial brasileira, a Sociedade do Rio de Janeiro, tinha em sua programação os chamados quartos de hora infantil, no qual educadores como João Kopke e Heloísa Alberto Torres contavam histórias ao microfone. Na também carioca e educativa Rádio Escola Municipal, Marina de Pádua, Augusta de Queiroz e Ilka Labarthe criaram a ‘Tia Lúcia’, contadora de histórias. A Rádio Jornal do Brasil apresentava Viagem através do Brasil, programa idealizado por Ariosto Espinheira. A Tupi contava com  a Hora do Guri, programa no qual, entre outros quadros, crianças eram as atrações musicais, ou repórteres.  A Cruzeiro do Sul, assim como a Rádio Ministério da Educação, irradiava teatro para crianças. Na Nacional, Ismênia dos Santos  transformava-se na  ‘Vovó da Rádio Nacional’, personagem do programa  Hora dos Garotos. Esses e outros tantos programas foram pensados para essa audiência que hoje as emissoras, em sua maioria, ignoram.

Na internet

Para além do limitado universo das concessionárias de rádio AM e FM, quem navega na rede mundial de computadores pode ter acesso a programas feitos para o público infantil que lembram os formatos do rádio das primeiras décadas – com contação de histórias ou conteúdos de apoio pedagógico –  e a muitos outros, que aproveitam os recursos técnicos contemporâneos para reencantar o rádio.

Vale conferir, nesse sentido, os programas Rádio Maluca disponíveis em forma de podcast no site Radiotube; as produções ganhadoras do Prêmio Roquette Pinto, na categoria infanto-juvenil e radiodrama (aqui, especificamente o trabalho do grupo gaúcho Cuidado que mancha); e a emissora on-line da MultiRio  (Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio), entre outros. Se a navegação for em direção a águas estrangeiras  as pedidas podem ser a premiada Radijojo, the World Children’s Radio Network –  uma estação de rádio on-line para crianças de 3 a 13 anos, onde elas mesmas fazem seus programas –, ou a Radiotekita, portal que reúne produções de diversos países da América Latina e Central.  Esses são alguns poucos exemplos perto do oceano de ofertas que a internet a todo dia renova. Nesse caso, navegar e explorar é preciso.

Nesta relação rádio e infância, podemos concluir que, no Brasil. o problema não é a ausência de programas de rádio para crianças  – o que pode nos levar a pensar, equivocadamente, que essa linguagem não as interessa –, mas sim a pouca disseminação dos programas radiofônicos infantis entre o seu público-alvo. Se a legislação que regula as concessões de emissoras se preocupasse em garantir que todos os públicos tivessem vez e voz no rádio aberto (AM e FM), talvez esse quadro fosse outro.

Sites:
Radiotube – programas Rádio Maluca e Blim, Blem, Blom: http://www.radiotube.org.br
Prêmio Roquette-Pinto, mais de 60 horas de programas infanto-juvenis: http://www.arpub.org.br
WebRádio MultiRio: http://www.multirio.rj.gov.br
Radijojo: http://www.radijojo.de
Radiotekita: http://www.radioteca.net/radiotekita.php

Salas de aula pelo mundo

Desde 2004, o inglês Julian Germain percorreu 19 países, dentre eles o Brasil, fotografando salas de aula. O resultado do projeto se transformou em um apanhado de 87 imagens de escolas de todo o mundo, publicadas no livro classroom portraits (ou Retratos da Sala de Aula, em livre tradução), da Editora Prestel, lançado em setembro deste ano.

Em todas as salas de aula que visitou, Germain se apresentava, contava do projeto e pedia licença para assistir a aula sentado em um canto. Quando o professor terminava, o fotógrafo posicionava seus equipamentos e tirava o retrato. O procedimento durava, no máximo, 15 minutos. Ele conta que sua preocupação era registrar uma atividade cotidiana. Por isso, pedia que o professor não apagasse o quadro nem que os alunos tirassem seus pertences de lugar. Outro cuidado que tinha era registrar tanto escolas rurais quanto urbanas e atividades de todas as disciplinas. Confira:

 

Quem é o professor do século XXI?

Por Gilberto Teixeira
Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) 

O mundo contemporâneo apresenta mudanças que afetam todos os setores da sociedade, inclusive a educação. Estas mudanças, irreversíveis, estão relacionadas ao desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), que instituem diferentes concepções de tempo e de espaço e possibilitam ao professor desenvolver novas práticas pedagógicas. É necessário, então, que os professores do século XXI, em primeiro lugar, adquiram fluência tecnológica – vinculada, principalmente, à reflexão e ao uso de ferramentas digitais (para a comunicação e interação) no âmbito educacional e à compreensão da lógica da hipertextualidade característica da Web. A falta de fluência tecnológica cria uma lacuna entre educadores preparados para utilizar mídias digitais, em aulas presenciais e em cursos on-line, e aqueles que não estão habilitados para fazer uso delas.

Os professores precisam adquirir novas competências e habilidades para que os alunos possam aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser – aprendizagens fundamentais salientadas por Delors no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI (1999). Essas competências e habilidades estão, primordialmente, vinculadas às seguintes esferas: pedagógica (relacionada à utilização de recursos discursivos facilitadores da aprendizagem), gerencial (concernente aos procedimentos estruturais para o desenvolvimento de atividades educacionais) e técnica (ligada à transparência tecnológica do conjunto formado pelo sistema, software e interface selecionados).

A mutabilidade da sociedade em rede implica em um processo constante de releitura das esferas de competências e habilidades e de uma adequada capacitação pedagógica ao longo da carreira docente. Sem capacitação e experiência, os professores continuarão a simplesmente a duplicar suas práticas tradicionais na Internet e não se beneficiarão adequadamente das novas mídias. Em muitos casos, os professores acreditam que atividades utilizadas em sala de aula presencial podem ser transferidas para os VLEs (Virtual Learning Environments – Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem) sem nenhuma adequação. Entretanto, isso não é possível, uma vez que cada mídia digital exige uma abordagem diferenciada para sua utilização.

Grande parte da literatura a respeito da capacitação do professor on-line se refere à utilização da tecnologia per se, manuais de ensino e listas de requisitos para a criação de tutoriais disponibilizados na Web. Contudo, a verdadeira revolução que está ocorrendo no campo da educação on-line é marcada pelo novo papel do professor. Este assume a função de orientador que auxilia e incentiva os alunos a pesquisar, selecionar e organizar as informações, gerenciar o tempo / estudos e a construir o conhecimento de forma autopoiética.

As mudanças em nossa sociedade e os avanços tecnológicos apresentados neste ensaio mostram a necessidade de uma reestruturação da prática de ensino, implementada por uma reflexão crítica sobre o trabalho do professor em sala de aula e em ambientes digitais. Este trabalho está ligado ao desenvolvimento de novas competências que devem ser priorizadas em estudos acadêmicos e incorporadas ao currículo escolar de qualquer instituição que oferece cursos para a formação de professores. Somente através dessa perspectiva é possível instituir um novo paradigma educacional.

O maior desafio da educação e do professor na contemporaneidade é, mais do que nunca, articular as experiências e conhecimentos prévios dos alunos e propiciar o desenvolvimento da autonomia discente de forma a constituir uma inteligência coletiva (Pierre Lévy) que promova a democratização do conhecimento e exercício pleno da cidadania.

Educação: a missão dos próximos gestores

Por Cristiane Parente
Jornalista, mestre em Educação/UnB, Sócia-Fundadora da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom) e coordenadora Executiva do Programa Jornal e Educação da Associação Nacional de Jornais

Gostaria que este artigo fosse lido pelos vereadores eleitos e novos gestores municipais como um convite à reflexão sobre uma nova educação. Não a educação conteudista, das fórmulas decoradas para o vestibular, mas uma educação que proporcione aos alunos aprender sobre valores, ética e respeito à diversidade e ao outro. Uma educação que valorize o professor e sua formação; que transforme a escola em um local de prazer, de troca de afetos e experiências.

É preciso repensar a educação de forma que ela leve em conta que o que aprendemos está cada vez mais fora dos muros escolares, mediatizado pelas mensagens que nos chegam pela enorme quantidade de aparatos tecnológicos, telas, sons, vídeos, imagens que as crianças têm acesso desde que nascem e que, por isso mesmo, devem fazer parte de seu currículo. Uma aprendizagem crítica, criativa, criadora, que as proporcione não só a experiência de aprender a selecionar melhor as informações que precisam, a pesquisar, a aprender a aprender, e terem a possibilidade da autoria, de serem narradoras de sua própria história e seu lugar, sujeitos que criam um novo roteiro para suas aprendizagens e tornam-se mais críticos diante delas.

Costumamos acreditar que toda palavra descreve o mundo de forma objetiva e a consequência é naturalizarmos o mundo. Cabe a uma educação de qualidade mostrar, por exemplo, como se dá o processo de edição do mundo feito pelos meios de comunicação, que também possuem importante papel na democratização das informações. É importante que a escola trabalhe com os alunos a desnaturalização da mídia enquanto espelho da realidade e que o novo gestor trabalhe com a Educomunicação, Mídia-Educação ou Educação para a Mídia, enquanto política pública, como uma nova alfabetização indispensável no contexto atual.

A partir daí, trabalhar a autoria do aluno, a criação de seus próprios jornais, programas de rádio, vídeos, para que construa espaços de diálogo, entenda quem é, de onde é e como pode melhorar o contexto em que vive a partir do exercício de um pesquisa, crítica e cidadania.

O direito a um lugar é também o direito de comunicá-lo, é um direito à comunicação e a espaços de comunicação/representação, que deve ser garantido às populações, como forma de expressão, de criatividade, de reflexão, criticidade, de ser seu contador de histórias, narrador e cronista de um tempo, de heróis e anti-heróis, personagens anônimos que constroem juntos a alma e as experiências desse lugar.

Neste momento em que a sociedade vai às urnas decidir que caminhos deseja para sua cidade, que este artigo seja também um convite para que reflita sobre seu papel na cobrança e garantia do direito à Educação, que leve em conta não só a inclusão, mas a equidade e a qualidade.

Publicado no Jornal O Povo

Por ser menina

Você sabia que:

– 75 milhões de meninas no mundo não frequentam a escola;
– uma a cada três meninas tem seu acesso a educação secundária negado;
– a cada 3 segundos uma menina é forçada a se casar;
– 1 em cada 3 meninas nos países em desenvolvimento casam antes de completar 18 anos;
– 1 em cada 7 meninas casa antes de completar 15 anos;
– 150 milhões de meninas já foram vítimas de estupro ou outra forma de violência sexual;
– a gravidez é a principal causa de morte de meninas entre 15 e 19 anos de países em desenvolvimento;
– um ano a mais no Ensino Médio aumenta o potencial de renda de uma menina de 15 a 20% e que 
– cada ano a mais de educação para uma mãe reduz a mortalidade infantil de 5% a 10%;

As meninas e meninos têm os mesmos direitos, porém enfrentam diferentes desafios para acessá-los. Em todo o mundo, as meninas enfrentam barreiras únicas à sobrevivência e desenvolvimento, simplesmente por serem meninas. Nas regiões mais pobres estão entre as pessoas mais desfavorecidas do planeta. A discriminação contra as meninas e as mulheres é uma das principais causas da pobreza. Foi por estas razões que foi lançada no dia 11 de outubro a campanha Por Ser Menina, que tem o objetivo de promover o potencial das meninas, de zero a 18 anos, tirando milhares delas da situação de pobreza, por meio da educação e do desenvolvimento de programas que estimulem habilidades específicas, garantem seus direitos e coloquem fim à discriminação baseada em gênero.

Lançada pela Plan Internationa, organização humanitária de origem inglesa que atua há mais de 70 anos na promoção dos direitos das crianças, a campanha, com previsão de cinco anos, busca melhorar a vida de 4 milhões de meninas em todo o mundo, ao trabalhar por sua boa alimentação, saúde e educação, além de protegê-las contra a violência e abusos de todo tipo, contra a pobreza, a desigualdade e a degradação do meio ambiente.

“A Plan constatou que as meninas enfrentam discriminação e barreiras únicas à sobrevivência e desenvolvimento, simplesmente por serem meninas, sendo uma das principais causas da pobreza. Porém, o investimento em meninas e adolescentes tem um efeito benéfico na redução da pobreza não só delas, mas de comunidades e países inteiros”, afirma Anette Trompeter, diretora nacional da Plan Brasil.

Para saber mais sobre a campanha visite www.plan-international.org/girls ou vá à nossa página no Facebookwww.facebook.com/plangirls. Novidades sobre a Plan e seus projetos no Brasil acesse www.plan.org.br ou siga-nos no Twitter /OngPlan.

Concurso de pintura infantil

O estudante brasileiro Waldir Hissashi Santana Tokuda, de 11 anos, morador de Teresópolis, ficou em primeiro lugar na categoria América Latina e Caribe do Concurso Internacional de Pintura Infantil sobre Meio Ambiente, promovido pela Organização das Nações Amigas (ONU).

Como prêmio, o jovem ganhou US$ 1 mil e uma câmera fotográfica. Em entrevista ao Jornal O Globo, Waldir disse: “Estou muito feliz porque não esperava ser o ganhador. As pessoas têm que preservar o meio ambiente para todo o mundo ter uma vida melhor e mais sustentável. Eu me inspirei no meio ambiente. Pensei em todos os países, inclusive no meu. A tragédia que aconteceu em Teresópolis também ajudou”.

O concurso, criado há 21 anos, contou este ano com mais de 630 mil trabalhos de vários países. Os vencedores de todas as categorias ganharam ainda uma viagem para a Conferência Internacional Tunza de Jovens pelo Meio Ambiente, que ocorrerá em Dubai, em 2013.

Criança: história para ser lembrada

Por Mary Del Priore 
Professora do Programa de Mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira

As crianças brasileiras estão em toda parte. Nas ruas, à saída das escolas, nas praças, nas praias. Sabemos que seu destino é variado. Há aquelas que estudam, as que trabalham, as que fumam crack, as que brincam, as que roubam. Há aquelas que são amadas e outras, simplesmente usadas. Seus rostinhos mulatos, brancos, negros, mestiços enfim, desfilam na televisão, nos anúncios da mídia, nos rótulos dos mais variados gêneros de consumo. Não é a toa que o comércio e a indústria de produtos infantis vêm aumentando progressivamente sua participação na economia, assim como a educação e o combate a mortalidade infantil são permanentes temas da política. O bem estar e o aprimoramento das relações pais & filhos tornaram-se assunto constante de psicólogos, sociólogos, psicanalistas, enfim, de especialistas que querem trazer uma contribuição para a melhor inserção da criança na sociedade.

No mundo atual, essas mesmas crianças passaram de reis a ditadores. Muitas de suas atitudes parecem-nos incompreensíveis. Quase hostis. Uma angústia sincera transborda das interrogações que muitos de nós se faz sobre o que seja a infância ou a adolescência. É como se as tradicionais cadeias de socialização tivessem se partido. Socialização na qual os laços de obediência, de respeito e de dependência do mundo adulto, acabaram sendo trocadas por uma barulhenta autonomia. Influência da televisão? Falta de autoridade dos pais? Pobreza e exclusão social de uma imensa parcela de brasileiros? Mais. E se tudo isso secretasse, nas margens da sociedade, uma brutal delinquência juvenil, entre famílias nas quais o excesso de amor ou de bens materiais substitui a educação?

Ora essa quase onipresença infantil nos interroga: o lugar da criança na sociedade brasileira terá sido sempre o mesmo? Como terá ela passado do anonimato para a condição de cidadão, com direitos e deveres aparentemente reconhecidos? Numa sociedade desigual e vincada por transformações culturais, teremos, ao longo dos tempos, recepcionado nossas crianças da mesma forma? Sempre choramos sua perda do mesmo jeito? Que marcas trazem as crianças de hoje, daquelas que as antecederam no passado? Mas há, também, questões mais contundentes tais como, por que somos insensíveis às crianças que mendigam nos sinais? Por que as altas taxas de mortalidade infantil, agora, começando a decrescer, pouco nos interessam?

Para começar, existe uma enorme distância entre o mundo infantil descrito pelas organizações internacionais, por ONGs ou autoridades, e aquele no qual a criança encontra-se quotidianamente imersa. O mundo do que a criança deveria ser ou ter é diferente daquele onde ela vive, ou no mais das vezes sobrevive. O primeiro é feito de expressões como a criança precisa, ela deve, vamos nos engajar para que, etc. até o irônico vamos torcer para. No segundo, as crianças são enfaticamente orientadas para o trabalho e o ensino, sobrando-lhes pouco tempo para a imagem que normalmente se lhes esta associada: aquela do riso e da brincadeira.

No primeiro, habita a imagem ideal da criança feliz, carregando todos os artefatos possíveis capazes de identificá-la, numa sociedade de consumo: brinquedos eletrônicos e passagem para a Disneylândia. No segundo, o mundo real, vemos se acumularem informações sobre a barbárie por ela sofrida e materializadas nos números sobre o trabalho infantil, a exploração sexual, o abandono nos lixões ou o uso que o tráfico de drogas faz de menores carentes, entre outros.

Privilégio do Brasil? Não! Na Colômbia, os pequenos trabalham em minas de carvão; na Índia, são vendidos aos cinco ou seis anos para a indústria de tecelagem. Na Tailândia cerca de 200.000 são roubados anualmente às suas famílias e servem à clientela doentia dos pedófilos. Na Inglaterra, os subúrbios miseráveis de Liverpool, produzem os « baby killers », crianças que matam crianças. Na África, 40% das crianças, entre 7 e 14 anos trabalham. Esses mundos opostos se contrapõem em imagens radicais de saciedade versus exploração.

Como se não bastasse, as mudanças pelas quais passa o mundo real fazem elas também suas tenras vítimas: a crescente fragilização dos laços conjugais, a explosão urbana com todos os problemas decorrentes de viver em grandes cidades, a globalização cultural, a crise do ensino face aos avanços cibernéticos, tudo isso tem modificado, de forma radical, as relações entre pais e filhos, entre crianças e adultos.

Explicações? Algumas: em primeiro lugar, tanto a escolarização quanto a emergência da vida privada chegaram com grande atraso entre nós. Desde o inicio da colonização, as escolas jesuítas eram poucas e, sobretudo, para poucos. No século XIX, a saída para os filhos dos pobres não era a educação. Mas a sua transformação em cidadãos úteis na lavoura, enquanto os filhos de uma pequena elite eram ensinados por professores particulares. E ao final do século XX, o trabalho infantil continuava sendo visto pelas camadas subalternas, como “a melhor escola”: “O trabalho – explicou uma mãe pobre, – é uma distração para a criança. Se não estiverem trabalhando vão inventar moda, fazer o que não presta. A criança deve trabalhar cedo”.

Afogados pelo trabalho, quase 60% desses pequenos trabalhadores, no Nordeste, são analfabetos e entre eles a taxa de evasão escolar chega à 24%; No sul do pais o cenário não é muito diferente. Trabalhando em lavouras domésticas ou na monocultura, as crianças interrompem seus estudos na época da colheita, demonstrando que estar inscrito numa escola primaria, não significa poder freqüentá-la plenamente. Assim, o trabalho, como forma de complementação salarial para famílias pobres ou miseráveis, sempre foi priorizado em detrimento da formação escolar.

Quanto à evolução da intimidade, sabemos o quanto ela sempre foi precária. Os lares monoparentais, a pobreza que se traduzia em espaços onde se misturavam crianças e adultos, a forte migração interna capaz de alterar os equilíbrios familiares, a proliferação de cortiços, no século XIX e de favelas, no XX, são fatores que alteravam a noção que se pudesse ter no Brasil, até bem recentemente, de privacidade tal como ela foi concebida pela Europa urbana e burguesa.

Mas, tampouco podemos achar que a história dos pequenos seria só um catálogo de maus tratos e horrores. Ontem ou hoje encontramos passagens de terrível sofrimento. Mas não só. Os testamentos feitos por jovens mães no século XVII não escondem a preocupação com o destino de seus « filhinhos do coração ». Os viajantes estrangeiros não cessaram de descrever o demasiado amor com que, durante o século XIX, os adultos tratavam as crianças. As cartas desesperadas de mães, mesmo as escravas, tentando impedir que seus filhos partissem para a guerra do Paraguai, sublinham a dependência e os sentimentos que os unia. Nos dias de hoje, educadores e psicólogos perguntam-se, atônitos, de onde vem o excesso de mimos e a “falta de limites” da criança brasileira já definida, segundo os resmungos de um europeu de passagem pelo Brasil, em 1886, como “pior do que um mosquito hostil”.

E por que as crianças são tão pirracentas? Uma das respostas está na escravidão. Como fazer uma criança obedecer a um adulto, como queria certa professora que vai, na segunda metade do século XIX, às fazendas do vale do Paraíba, ensinar os filhos dos fazendeiros de café, quando esses distribuem ordens e gritos entre os seus escravos? E não são apenas as crianças brancas que os possuíam. As mulatas ou negras forras, uma vez seus pais integrados ao movimento de mobilidade social que ocorreu na primeira metade do século XVIII, tiveram eles também seus cativos. Muitas vezes, seus próprios parentes ou até meios irmãos! Na sociedade escravista, ao contrário do que supunha a professora, criança mandava e o adulto escravo, obedecia.

A dicotomia dessa sociedade, dividida entre senhores e escravos, gerou outras impressionantes distorções. Tomemos o exemplo do trabalho infantil. Dos escravos desembarcados no mercado do Valongo, no Rio de Janeiro do inicio do século XIX, 4% eram crianças. Destas, apenas 1/3 sobrevivia até os 10 anos. A partir dos 4 anos, muitas delas já trabalhava com os pais ou sozinhas, pois perder-se de seus genitores era coisa comum. Aos 12 anos, o valor de mercado das crianças já tinha dobrado. E por quê? Pois se considerava que seu treinamento já estava concluído e nas listas dos inventários já aparecem com sua designação estabelecida: Chico “roça”, João “pastor”, Ana “mucama”, transformados em precoces máquinas de trabalho.

Quando da Abolição, crianças e adolescentes moradores de antigas senzalas, continuaram a trabalhar nas fazendas de cana de Pernambuco. Tinham a mesma idade de seus avós, quando esses começaram: entre 7 e 14 anos e até hoje, ainda cortando cana, continuam despossuídas das condições básicas de alimentação, moradia, saúde e educação. Como no passado, o trabalho doméstico entre as meninas, também é constante, constituindo-se num “outro” turno, suplementar ao que se realiza no campo. A ausência de uma política do Estado voltada para a formação escolar da criança pobre e desvalida só acentuou sua miséria. Ora, ao longo de todo esse período, a República seguiu empurrando a criança para fora da escola, na direção do trabalho na lavoura, alegando que ela era “o melhor imigrante”.

No inicio do século, com a explosão do crescimento urbano em cidades como São Paulo, esses jovens dejetos encheram as ruas. Passaram a ser denominados “vagabundos”. Novidade? Mais uma vez, não. Os primeiros “vagabundos” conhecidos eram recrutados pelos portos de Portugal, para trabalhar como grumetes nas embarcações que cruzavam o Atlântico. No século XVIII, terminada a euforia da mineração, crianças vindas de lares mantidos por mulheres sós, perambulavam pelas ruas, vivendo de expedientes muitas vezes escusos, – os nossos atuais “bicos” – e de esmolas. As primeiras estatísticas criminais elaboradas em 1900 já revelam que esses filhos da rua, então chamados de “pivetes”, eram responsáveis por furtos, “gatunagem”, vadiagem e ferimentos, tendo na malícia e na esperteza as principais armas de sobrevivência. Hoje, quando interrogados pelo serviço social do Estado, dizem com suas palavras, o que já sabemos desde o inicio do século: a rua é um meio de vida!

A entrada maciça de imigrantes, capazes de alavancar a incipiente industrialização, aos finais do século XIX, trouxe consigo a imagem de crianças no trabalho fabril. Mais uma vez, empurrados pela miséria, desprovidos do apoio de um Estado que deveria estar empenhado em educá-los e não, simplesmente em fazê-los substituir por custo mais baixo o trabalho escravo, os pequenos imigrantes passavam 11 horas, tendo apenas 20 minutos de “descanso”, frente às maquinas de tecelagem. Atualmente, a divisão da sociedade entre os que possuem e os que nada têm, só agrava a situação de nossa infância.

Nossa tarefa é a de resgatar a historia da criança brasileira não apenas enfrentando um passado e um presente cheio de tragédias anônimas como a venda de crianças escravas, a sobrevida nas instituições, as violências sexuais, a exploração de sua mão de obra, mas tentando também perceber, para além do lado escuro, a trajetória da criança simplesmente criança, as formas de sua existência quotidiana, suas ligações sociais e afetivas, sua aprendizagem da vida que, no mais das vezes, não nos é contada diretamente por ela. O mais importante, porém, é saber que as crianças brasileiras têm uma história. E querer conhecer mais sobre comportamentos e formas de ser e pensar em relação a elas é também uma forma de amá-las todas e indistintamente melhor.

Fonte – Site ProMenino

Entrevista com Luciano Meira

“A missão da escola não deveria ser ensinar, mas criar cenários de aprendizagem baseados em diálogo e diversão. A sala de aula enrijece o aprendizado e, da forma como foi concebida, a escola impõe um modelo que não incentiva a criatividade e dá pouco espaço para que o professor promova transformações. A escola tem que ser mais divertida”. A análise é do pedagogo, pesquisador e professor de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Luciano Meira, que participou do evento Inova Educa 3.0, apresentando a palestra “Como implementar inovação na escola em um mundo impulsionado pela tecnologia”.

Confira a entrevista concedida pelo professor Luciano Meira à assessoria do evento.

Como implementar inovação na escola em um mundo impulsionado pela tecnologia?
Luciano Meira – A inovação na escola não passa necessariamente e exclusivamente pela tecnologia. Inovação é tudo aquilo que atende o desejo e muda o comportamento de uma audiência. A organização social da escola não incentiva a criação de novos modelos de educação. A tecnologia também ajuda, mas somente se for empregada de forma adequada para esta audiência, como o desenvolvimento de jogos digitais educacionais. É preciso entender como usar a tecnologia para motivar esta geração a aprender, como é o caso da Olimpíada de Jogos Digitais e Educação, um projeto de inovação baseado em tecnologias educacionais lúdicas.

Quais são os principais desafios que as escolas enfrentam para que sejam realmente inovadoras?
Luciano Meira – As escolas ainda sofrem de uma inércia resultante de uma arquitetura muito antiga. A escola ainda mantem uma estrutura secular que foi concebida para padronizar certos comportamentos nos alunos, mas acabou introduzindo muitos elementos que deixou a instituição rígida demais. A missão da escola não deveria ser ensinar, mas criar cenários de aprendizagem baseados em diálogo e diversão.

E o que é preciso para mudar este cenário?
Luciano Meira –  É necessário criar inovação em larga escala para impulsioná-la em sistemas de educação e não somente dentro de uma escola em particular. Antes de mais nada temos que eliminar entraves à inovação que estão arraigados e são nocivos ao sistema educacional. As grades curriculares são herméticas e a estrutura educacional é cristalizada, aceitando pouco a introdução de inovações. É preciso sair desta rigidez de uma arquitetura secularmente montada.

Como preparar esta nova geração para realidade do mercado de trabalho?
Luciano Meira – As escolas não estão preparando nossos estudantes para o mercado de trabalho. As instituições precisam ter um compromisso com a formação humana e social. Para isso, é essencial termos empreendedores como gestores das escolas e não coordenadores que tenham apenas a função de monitorar o curriculum escolar. Há um grande descompasso entre o que a escola julga ser sua missão, que é ensinar, e o que deveria ser sua verdadeira missão, que é criar ambientes de aprendizagem.

Como deve ser esta escola inovadora?
Luciano Meira – Ela tem que criar espaços de aprendizagem além da sala de aula. Uma lan house pode oferecer um ambiente de aprendizagem mais interessante e que alcance melhores resultados. A inovação deve ser implementada para tornar o processo de aprendizado mais eficaz. Os educadores e gestores das escolas devem participar ativamente deste processo identificando e praticando comportamentos que fomentem a inovação. A sala de aula enrijece o aprendizado e, da forma como foi concebida, a escola impõe um modelo que não incentiva a criatividade e dá pouco espaço para que o professor promova transformações. A escola deveria perguntar aos alunos o que gostariam de aprender e não somente impor conteúdos. A escola inovadora tem que ser mais divertida.

Entrevista com Jim Lengel

“A disponibilidade de informação e comunicação enriquece o relacionamento entre aluno e professor, mas somente se ambos aproveitarem as vantagens e aprenderem a utilizar os recursos tecnológicos para fins acadêmicos sérios”. A declaração é de Jim Lengel, consultor e professor da Universidade de Nova York especialista em Educação 3.0, que participou da abertura do evento Inova Educa 3.0, realizado no dia 1o de outubro, em São Paulo.

Confira os principais trechos da entrevista concedida à assessoria do evento:

Como o senhor define a Educação 3.0? Qual a diferença dela para a educação tradicional?
Jim Lengel – A Educação 3.0 tem como princípio preparar os alunos para o mundo de hoje e de amanhã, para que estejam prontos para atuar em universidades e empresas que exigem pessoas inteligentes e curiosas, capazes de descobrir as coisas por si mesmas e aptas a tirar o máximo partido das tecnologias de informação e comunicação. A Educação 2.0 – que a maioria das escolas de todo o mundo está praticando atualmente – foi projetada para preparar os alunos para um local de trabalho industrial e uma mentalidade que não existe mais. As principais diferenças são visíveis na sala de aula e nas mentes dos alunos. Na Educação 2.0, os alunos sentam em grandes grupos e todos fazem a mesma coisa, ao mesmo tempo. Na Educação 3.0, os alunos trabalham em muitos grupos diferentes, cada um fazendo uma coisa distinta, contribuindo para o sucesso do trabalho do grupo. A Educação 2.0 mede o sucesso pelo “domínio de um conjunto restrito de rotinas e tarefas cognitivas que foram importantes para o trabalho industrial, nas  fábricas. A Educação 3.0 mede o sucesso dos alunos pela curiosidade, coragem, personalidade e capacidade de colaborar em pequenos grupos para resolver problemas complexos.

Qual o papel do professor, na Educação 3.0? 
Jim Lengel – O professor não é mais simplesmente um transmissor de conhecimento e guardião da ordem como na Educação 2.0. Na Educação 3.0, os professores desenham e gerenciam um complexo conjunto de projetos, estudantes e atividades que mudam frequentemente. Trabalha em estreita colaboração com outros professores e profissionais da universidade e do mercado de trabalho para garantir que o projeto dos alunos seja apontado para direção certa.

Somente o acesso às tecnologias mais modernas possibilita colocar em prática a Educação 3.0? Ou é preciso ainda uma transformação na postura de quem ensina e de quem aprende?
Jim Lengel – Desde que a tecnologia da informação em rede mudou o local de trabalho e a universidade e tornou-se um componente essencial para o mundo moderno, devemos preparar os alunos para esta nova realidade. Isso significa uma mudança na maneira de ensinar, nos materiais que utilizamos e nas formas que aprendemos. Livros de papel, folhas de papel e lápis e as outras tecnologias da Educação 1.0 e 2.0 devem dar lugar às tecnologias muito mais eficientes e interessantes que o mundo já está usando em outras áreas.

Quais habilidades são mais desenvolvidas na Educação 3.0?
Jim Lengel –
A Educação 3.0 desenvolve as competências necessárias para o mundo moderno de pesquisa e trabalho: curiosidade, pensamento rápido, busca de ideias, trabalhar em um grupo colaborativo, integrar ideias de várias disciplinas, e uma compreensão das ideias principais que explicam a condição humana e o progresso.

Como a Educação 3.0 pode impactar a educação no Brasil?
Jim Lengel – Muitas escolas no Brasil já praticam os princípios da Educação 3.0, buscando um alinhamento com as necessidades dos locais de trabalho e preparando os alunos para o futuro do Brasil. Mas muitas escolas seguem um modelo europeu ou americano industrial de escolaridade, que pode ter sido útil há 50 anos, mas é, hoje, irrelevante para os tipos de cidadãos que o Brasil precisa formar para avançar. Cada escola no Brasil precisa repensar e redefinir o tipo de cidadão que quer produzir – e então redesenhar a escola para desenvolver esses tipos de pessoas.

O Brasil está preparado para esta revolução educacional? O senhor poderia dar um exemplo?
Jim Lengel – O Brasil já está evoluindo do ponto de vista educacional. O país está fazendo grandes investimentos na educação, desenvolvendo novas capacidades, especialmente no Ensino Médio e universitário, para preparar seus cidadãos para uma economia moderna e uma democracia participativa. Grupos educativos, tais como o SENAI em Santa Catarina, estão projetando novas escolas em torno dos princípios da Educação 3.0, bem como programas de formação de professores no Estado de São Paulo estão preparando educadores com habilidades importantes no ensino e aprendizado digital.

Como as novas tecnologias estão transformando as relações entre professores e alunos?
Jim Lengel – As novas tecnologias digitais trouxeram aos professores novos canais para interagir e ensinar seus alunos por meio de diversas ferramentas, como as apresentações multimídia, os podcasts, a troca de mensagens online, os fóruns virtuais e a publicação e o compartilhamento de arquivos em multimídia. As tecnologias dão aos estudantes acesso não apenas às ideias e informações produzidas por seus professores, mas à bibliotecas on-line repletas de material acadêmico, alguns dos quais seus professores nunca tiveram acesso. A rede também oferece mais canais para que possam estabelecer debates com seus professores e colegas. A disponibilidade de informação e comunicação enriquece o relacionamento entre aluno e professor, mas somente se ambos aproveitarem as vantagens e aprenderem a utilizar os recursos tecnológicos para fins acadêmicos sérios.

Qual será o impacto dessas novas tecnologias nas escolas, nas salas de aula?
Jim Lengel – Se for empregada para tirar sua melhor vantagem, a tecnologia digital deixa a sala de aula mais viva, instigante, rica e profunda. O professor apresenta uma ideia ilustrada por imagens, som, voz e música; os alunos acompanham a aula em seus dispositivos móveis, com links para conteúdos referenciados, estimulando que façam perguntas mais profundas e discutam temas complexos com seus pares. E, após a aula, a aprendizagem continua: os estudantes pesquisam e criam suas próprias soluções e apresentações, muitas vezes junto com um grupo de estudo virtual. E muito do que é apresentado hoje na sala de aula, como a dissertação e exposição dos conteúdos pelo professor, será acessado em casa ou no ônibus pelos estudantes, reservando-se o tempo de aula para lidar com os pontos difíceis.

Como o senhor imagina que uma sala de aula será daqui a 5 ou 10 anos? 
Jim Lengel – As escolas que funcionam na Educação 3.0 inventaram espaços de aprendizagem muito diferentes das salas de aula típicas de hoje. Em vez de 30 cadeiras, um quadro negro e a mesa do professor, estas escolas realizam suas atividades escolares em uma variedade de configurações: uma sala de aula grande com recursos de multimídia, uma sala de reunião pequena com uma dúzia de pessoas ao redor de uma mesa, uma sala com mesas redondas onde 4 ou 5 estudantes trabalham em um problema em conjunto, uma biblioteca com poucos livros, mas muitas cadeiras confortáveis ??e bibliotecários preparados para ajudar nas novas formas de pesquisa online. Não apenas o espaço físico, mas haverá mudanças no cronograma também, com horários alternativos e mais independentes.

Que dicas o senhor daria para os professores?
Jim Lengel – Em primeiro lugar, aprendam a utilizar as novas tecnologias. Todos os dias, para tudo que puderem, assim como seus alunos fazem. Em segundo lugar, empreguem a tecnologia no ensino onde seja apropriado e incentivem seus alunos a usar a tecnologia para seus trabalhos escolares. Em terceiro lugar, modifiquem suas metodologias de ensino tirando proveito do que as tecnologias oferecem para facilitar a aprendizagem. Os principais desafios para avançar na Educação 3.0 são a tradição e a falta de visão. Você precisa impor uma visão convincente do que uma escola deve ser, a fim de superar a influência do “jeito que costumava ser.” Na escola 3.0, o aluno raramente entrega seus trabalhos em papel. Em vez disso, mantém um portfólio online, uma coleção de trabalhos que fornecem evidências de aprendizagem para os professores e pode ser usado posteriormente para a admissão para a faculdade ou entrevista de emprego. Na educação 3.0, o aluno é o foco dos esforços educativos e eles sabem que serão recompensados pela descoberta de novos padrões e relacionamentos.

Inovação na escola

Por Marcus Tavares

O que é inovação na educação? Mais tecnologia na sala de aula? Um computador, um tablet por aluno? O uso de celulares e de redes sociais numa prática pedagógica? Na segunda-feira, dia 1º de outubro, foi realizado, em São Paulo, o congresso InovaEduca 3.0, com o objetivo de debater a educação do século XXI frente às tecnologias, respondendo às perguntas que tanto afligem professores e educadores.

Acesse o site do evento e saiba mais

A melhor definição sobre o tema coube ao professor Luciano Meira, da Universidade Federal de Pernambuco. Para ele, inovação em educação envolve cinco palavras: diversão – a sala de aula precisa ser divertida, seja a da Educação Infantil ou do Fundamental e Médio; diálogo – o discurso unilateral da escola não encontra eco no mundo colaborativo em que vivemos; desafio – meninos e meninas têm de ser desafiados o tempo todo, instigados a pensar, refletir e produzir; narrativa – o ser humano necessita de histórias, de boas histórias, isso é que gera memória; e, por fim, aventura – estabelecer atividades interessantes. Em resumo, inovação é qualquer novidade, implantada e disseminada pelo professor, capaz de transformar crianças e jovens, capaz de mudar, para melhor, comportamentos. A tecnologia neste processo ajuda, mas não é pré-requisito.

clique aqui e leia entrevista com Luciano Meira

Como começar? Aos poucos, é a receita do educador. No dia a dia, ele propõe que o professor invista 10% numa inovação radical na sala de aula, 20% na experimentação de outras práticas e 70% no que já vem fazendo – até que os dois primeiros investimentos recebam, cada um, 50% de atenção. Luciano afirmou que a escola deveria perguntar aos alunos o que gostariam de aprender e não somente impor conteúdos.

Para despertar a reflexão, Jim Lengel, professor e consultor da Universidade de Nova York, exibiu, durante sua apresentação, uma hipotética história de como seria o dia de um aluno de uma escola regular e o de seu professor, num contexto máximo de interação com a mídia, sem os resquícios de uma escola tradicional, com horários, avaliações e imposições de modelos.

clique aqui e leia entrevista com Jim Lengel

Vani Kesndi, professora do programa de pós-graduação em Educação da USP, fez coro às observações de Luciano e de Lengel, mas destacou que a cobrança pela inovação não pode ser exigida apenas dos professores. “Não é possível investir na inovação sem que haja, na prática, uma mudança na concepção do ensino, na estrutura do ensino. É preciso haver uma desconstrução do modelo tradicional da escola”, avisa.

Como esperado, empresas de softwares – Windows, Intel, Geodinâmica,Mind Lab, Toptek e Msetch -, patrocinadoras do evento, apresentaram as últimas novidades digitais, prometendo aulas mais interativas e instigantes, com mil e uma facilidades para os professores. Venderam “o seu peixe”.

Mostrinha de Vitória da Conquista tem júri infantil

De 8 a 12 de outubro, será realizada a Mostrinha de Cinema Infantil de Vitória da Conquista, Bahia. Em sua 3ª edição, o evento é organizado pelo programa Janela Indiscreta da UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Na programação: 21 curtas brasileiros que serão exibidos em três sessões diárias para os alunos das escolas públicas municipais da região. Entre eles: O guitarrista no telhado, de Guto Bozzetti; Disque Quilombola, de David Reeks e O Fim do Recreio, de Vinícius Mazzon e Nélio Spréa – premiado no Festival Internacional de Cinema Infantil de Florianópolis.

O público também poderá conferir o longa A professora Muito Maluquinha, de André Alves Pinto e César Rodrigues. Inspirado no livro homônimo de Ziraldo, o longa será apresentado na praça pública da cidade.

Outra grande novidade da Mostrinha 2012 é a criação do jurado especial infantil, composto por seis alunos das escolas públicas municipais, que vai escolher os melhores curtas da seleção. O presidente do júri é o ator baiano Vinicius Nascimento, que se destacou no filme À beira do caminho, de Breno Silveira, e foi o protagonista do curta Doido Lelé, de Ceci Alves, exibido na Mostrinha em 2011. Desde o ano passado, Marialva Monteiro, fundadora do Cineduc, é quem assina a curadoria da mostra.