A cartilha do eu

Por Marcus Tavares e Flavia Lobão
Marcus Tavares é editor da revistapontocom. Doutorando em Educação pela PUC-Rio e integrante da Rede de Trabalho do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana. Flavia Lobão é professora e doutoranda em Educação pela UFF.

Dia a dia nega-se às crianças o direito de ser criança. Os fatos, que zombam desse direito, ostentam seus ensinamentos na vida cotidiana. O mundo trata os meninos ricos como se fossem dinheiro, para que se acostumem a atuar como o dinheiro atua. O mundo trata os meninos pobres como se fossem lixo, para que se transformem em lixo. E os do meio, os que não são ricos nem pobres, conserva-os atados à mesa do televisor, para que aceitem, desde cedo, como destino, a vida prisioneira. Muita magia e muita sorte têm as crianças que conseguem ser crianças. Eduardo Galeano

A minha tarefa não é nada fácil: fazer você pensar numa outra lógica de relação que envolve pais, filhos, consumo e direitos. Difícil porque acreditamos que estamos certos em nossas ações. Portanto, pensar diferente pressupõe colocar em xeque nossos valores que são dados como verdades e certezas por nós, pelos outros e por toda a sociedade.

Bem, vou tentar me fazer entender.

Com certeza, neste Natal, você já sabe o que seu filho(a) quer de presente. Acreditando ou não no Papai Noel, ele(a) vai ganhar o que pediu, mesmo que você, talvez, precise se apertar aqui ou ali para garantir a compra daquele brinquedo, eletrônico, livro e ou roupa? Afinal é Natal, não é? E por mais que as homilias religiosas nos falem, a cada domingo e todos os anos, da real e verdadeira intenção da data, a troca de presentes já faz parte da nossa sociedade.

Somos assim e cada vez mais consumistas. Não preciso ser nenhum gênio da lâmpada para adivinhar que o seu filho(a) tem muito mais carrinhos e ou bonecas do que você na sua infância. Que ele, aos dez anos, já teve mais celulares e joguinhos eletrônicos do que você em toda a sua vida. Isso sem falar na quantidade de roupas, acessórios e uma infinidade de bugigangas que pertencem ao universo infantil, cuja vida útil é cada vez menor.

Você já reparou nisso, não foi? Não se espante. É assim mesmo. É o que a indústria chama de obsolescência programada, uma estratégia de fabricar produtos com a vida útil curta, predeterminada desde o instante de sua fabricação, a fim de manter o ciclo ininterrupto do consumo girando rápido, cada vez mais rápido.

Haja reciclagem. Haja lixo. Só aqui no Brasil, geramos 370 mil toneladas anuais apenas de lixo eletrônico, dizem ser o mais alto índice produzido por habitante entre os países emergentes, superando a China e a Índia.

Mas, cá para nós, o que são 370 mil toneladas anuais de lixo eletrônico se nossa casa está sempre limpa? Se na nossa rua, de certa forma, todo dia o lixo é recolhido pela prefeitura de nossa cidade? Não 370 mil toneladas não são nada. Elas são jogadas em aterros sanitários bem longe de nossos olhos ou enviadas para países mais pobres do que o nosso. Afinal, temos o direito de comprar o que quisermos, quando quisermos e a quantidade que quisermos e nos descartamos do que compramos de acordo com a nossa conveniência. E, é lógico, também temos o direito de exigir que nossos governantes limpem nossas cidades dos lixos que produzimos, pois pagamos taxas e impostos.

Engraçado. Essa pequena história é apenas para mostrar como nós, seres humanos, fomos e somos continuamente formados, por osmose e hipnose, na faculdade do consumidor, diria mais ainda, na faculdade do direito do consumidor. Uma formação que acontece por meio de todo o tipo de publicidade. Formação à distância, gratuita, intensiva e, detalhe, indolor e despercebida. Em pouco tempo, nos tornamos PhD. Nós, adultos, e crianças. Não há pré-requisito de idade, gênero, raça, cor e, hoje em dia, nem de religião.

Com esta formação, internalizamos, como em nenhum outro tempo e momento da nossa história, os direitos do consumidor como sendo o aglutinador de todos os outros direitos que o homem e a mulher precisam para viver… e viver felizes, diria a propaganda.

Neste cenário, uma das questões que se coloca é que o direito do consumidor visa apenas à satisfação do cliente, à satisfação do indivíduo. A máxima de que o cliente tem sempre a razão resume os dez mandamentos da vida moderna.

A consequência, não sentida e difícil de ser percebida, é que o direito do consumidor não visa ao próximo e muito menos ao coletivo. O direito do consumidor/indivíduo não dá lugar para o outro. O cliente/individuo sempre tendo a razão não dá lugar para o próximo. Nesta lógica, consumimos sem se importar com os efeitos desta roda viva. O direito do consumidor se expande para todas as outras instâncias da vida e se confunde com o direito de ser e de ter. Gostei, compro. Não gostei, troco. Não me serve mais, jogo fora. A orientação vale para bens duráveis ou não. E também para as relações humanas? Parece que sim.

Num ambiente em que não respeitamos o outro, não sabemos compartilhar, temos dificuldade de ouvir, compreender e ou falar, as relações humanas são fugazes, são descartáveis, são mercadorias. E nós consumidores, seguindo à risca os nossos direitos.

Nossos filhos já aprenderam a lição, com mais rapidez e fundamentação teórica do que nós. São pequenos grandes consumidores de direitos, que devem ser respeitados em todas as suas necessidades, vontades. Em todos os seus pedidos e sonhos. Do contrário, o Serviço de Atendimento ao Consumidor, o famoso SAC, representado pelos seus respectivos pais, está de prontidão para defendê-los e fazer valer seus direitos, afinal são consumidores ainda em formação.

Lidar com esta geração de consumidores de direitos – com esta geração de crianças, jovens e adultos – não é fácil. Sob um individualismo exacerbado, calcado no direito, e em um coletivo desestruturado, que demanda deveres de todos, mas que poucos reconhecem, constituir conhecimentos e valores na vida das crianças, ensinar, orientar, mediar, é cada vez mais difícil.

Para aonde vamos? Não faço a mínima ideia. Mas, assim como você, sei para aonde não queremos ir.

O pirata da privada quebrada

Por Artur Melo, 10 anos
A
luno do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Você já deve estar se perguntando por que “Pirata da Privada Quebrada”, então eu vou responder: “Privada” é porque a cara dele faz lembrar uma privada e o “Quebrada” é porque ele não tinha metade do queixo, pois tinha perdido em uma guerra. Agora vou contar como foi essa guerra.

Um dia, o Pirata da Privada Quebrada não avistava nem um navio para saquear até que uma voz lá de cima do barco gritou:

– Capitão navio à vista, mas é de piratas também!

E o Capitão Privada Quebrada respondeu:

– E eu lá quero saber, vamos atacar logo!

– Então tá, Capitão! – gritou o pirata, cumprindo as ordens, mas pouco convencido.

Quando os dois navios ficaram lado a lado foi bala de canhão para todo lado. Os piratas das duas tripulações jogaram cordas um para o barco do outro e a tripulação do Pirata da Privada Quebrada estava perdendo feio, foi aí que o capitão disse:

– Já chega! Eu mesmo vou lá resolver isso.

Então, quando o capitão estava no navio inimigo, não demorou nada, logo levou uma espadada no queixo, foi amarrado e jogado no mar. Mas não pensem que foi porque ele é ruim de briga. Não! Na verdade, ele ficou perplexo porque deu de cara com uma mulher. Ela era a chefe da tripulação inimiga. Por essa ele não esperava! E por que será que ela não o matou de vez? Porque achava que ser comido por tubarões, atraídos pelo sangue de queixo quebrado, era o pior dos piores castigos.

O capitão, esperto, prendeu o ar até os dois navios irem embora. Por sorte, tinha uma pedra pontuda, afiadíssima, bem no meio de seu caminho, no fundo do mar. Ele roçou seus braços rapidamente até a corda se arrebentar. Em seguia, ele subiu para a superfície, pegou um pedaço de madeira e foi embora para uma ilha que ficava lá perto.

Ficou meses e meses esperando ajuda… Até que um dia, viu o seu navio voltando em direção à ilha. E quando ancorou, o Pirata da Privada Quebrada subiu no navio e disse:

– Por que vocês voltaram para me buscar?

– Oras, porque você é o nosso capitão – disseram os marujos que sobraram de sua tripulação.

E assim termina essa história.
O navio foi embora e nunca mais ouviram falar do Pirata da Privada Quebrada.

Facebook: o achatamento de nossas vidas

Por José Vitor Malheiros
Publicado pelo jornal Público PT 

Não é preciso ser Fernando Pessoa nem sofrer de personalidade múltipla para ser várias pessoas. Todos somos várias pessoas. Todos temos várias versões do nosso eu, várias personae, que activamos e desactivamos ao longo do dia conforme as circunstâncias e os interlocutores, que modulamos automática mas precisamente no espaço de uns segundos, de forma a obter o máximo benefício possível das nossas interacções com os outros. Não mostramos a mesma personalidade quando falamos com a nossa namorada ou com o pai da namorada. Não falamos com os nossos filhos como falamos com o nosso chefe no trabalho. Não contamos as mesmas anedotas à nossa mãe e aos colegas do trabalho. Nem sequer somos os mesmos com os amigos do futebol e os amigos da universidade. O nosso tom de voz muda, a atitude corporal muda, o olhar, as interjeições, o léxico, a maneira de rir.

Vivemos bem com esta multiplicidade de eus. Satisfaz-nos as várias facetas da personalidade. Podemos ser reflectidos e atrevidos, tímidos e espalhafatosos, sérios e brincalhões, prudentes e aventureiros, serenos e frenéticos, todas essas coisas que todos somos.

Na vida real podemos ser uma coisa para cada pessoa, uma pessoa para cada circunstância. Sem que cada um saiba como somos para os outros. Mas nas redes sociais tudo muda.

E muda porque na web usamos apenas uma personalidade. Sim, é verdade que podemos criar vários avatares, heterónimos com vidas próprias, cada um com os seus gostos e idiossincrasias, mas só quem tenha realmente tentado fazê-lo sabe como isso é difícil de gerir. Tão difícil que rapidamente se abandonam os heterónimos. Quando comecei a usar o Facebook também o tentei fazer, criando um perfil profissional e outro pessoal – muita gente que ainda o faz – mas a dificuldade começa na definição das fronteiras. Os dois mundos têm demasiadas intersecções, há demasiadas coisas que queremos partilhar com ambos. E há muitas coisas que só queremos partilhar com um subconjunto de um desses mundos, ou com um subconjunto dos dois – os que são do nosso clube, os amantes de poesia… É demasiado complicado, ingerível. Enganamo-nos, publicamos isto sob a personalidade do outro, trocamos amigos. Exige a paciência de um obsessivo e mais tempo livre do que temos. Começamos a meter as mesmas pessoas nas duas redes e os dois grupos acabam por ficar iguais um ao outro, acabamos a assumir que somos só um, com tudo ao molho, com amigos que não se falam uns aos outros, cheios de contradições e gostos heterogéneos.

Na vida real podemos dizer tudo mas apenas uma parte a cada um. Nas redes dizemos tudo a todos, ao mesmo tempo. Há um achatamento de todos os planos da nossa vida num único, como quando fazemos flatten num programa de desenho. Sim, é possível seleccionar, criar grupos, definir privilégios, escolher com quem se partilha o quê – mas, mais uma vez, já o tentaram fazer? É possível, mas trabalhoso. Acabamos sempre por concluir que não vale a pena. Para quê? Não temos nada a esconder!

Esta é, para mim, uma das principais características do Facebook: a perda (relativa, não absoluta) da multidimensionalidade das nossas relações. Quando falamos no Facebook dizemos mais do que gostaríamos, porque dizemos tudo a todos. Claro que satisfaz o nosso voyeurismo (“Olha, a Maria faz culturismo!”) e claro que há demasiada informação para que toda a gente repare em tudo o que nos diz respeito. Estamos relativamente protegidos pela densa nuvem de dados. Mas com um mínimo de atenção uma pessoa conhecida mas com quem habitualmente não partilharíamos informação conhece todos os membros da nossa família, onde trabalham e quando fazem anos, conhece as nossas ideias políticas, paixões clubísticas, preferências políticas e literárias, o que fazemos nas férias, que livros lemos, que filmes vemos e, claro, quem são os nossos amigos, colegas e conhecidos. E isto quando se trata de um amador. Porque um bom programa de data mining, daqueles que são usados pelos serviços de informações, consegue escavar mais fundo e concluir, pela análise textual do que escrevemos e pelo nosso ciclo de actividade online, quase tudo o que nos passa pela cabeça (estado de saúde, estado de espírito). Se tivesse Facebook George Smiley nunca teria precisado de sair de Oxford.

Qual é o problema? Para começar há (terríveis) problemas de privacidade. Há quem anteveja nos próximos anos uma epidemia de abusos em relação aos adolescentes de hoje que, impensadamente, se habituaram a viver na rede, em estado de e-comunitarismo total e permanente, partilhando pormenores íntimos e fornecendo, sem o saber, dados que podem prejudicar seriamente a sua possibilidade de obter uma bolsa, de conseguir um emprego ou uma promoção, de ter um empréstimo do banco, de fazer um seguro de saúde, etc. Pode não se tratar de algo muito violento. Numa sociedade relativamente aberta e com algumas protecções democráticas, como aquela em que ainda vivemos, isso pode não significar risco de prisão por crime de opinião ou condenação ao ostracismo devido às preferências sexuais. Mas significa que certas pessoas, com algumas fragilidades (uma tendência para a depressão, uma vida amorosa infeliz, uma família disfuncional, uma linguagem pouco cuidada, amigos pouco recomendáveis, atitudes demasiado assertivas, preferências heterodoxas de qualquer tipo, sejam elas vestimentárias ou alimentares), podem ter uma vida um tudo-nada mais difícil que as outras. Pode ser uma coisa estatística, um desvio ligeiro. Mas isso, ao longo dos anos, pode ir empurrando pessoas com determinadas características para novos guetos ­– bolsas de desemprego, de menor protecção social, menos acesso a todo o tipo de bens.

Mas isso não é tudo. Este achatamento dos vários planos da nossa vida numa comunicação cândida do que fazemos, pensamos, gostamos e desejamos, numa esfera aparentemente global, padece de dois defeitos: ela nem é suficientemente privada, nem totalmente pública, situando-se num limbo vago de meias-tintas relacionais e sociais.

O que estaremos a perder com esta insuficiência de intimidade, com esta escassez de silêncio, de recolhimento, de reflexão íntima, de modéstia, de introspecção, com estes novos hábitos de pensar-dizer e de sentir-dizer que se instalaram na juventude? Não sei. Mas receio que algo se perca de importante.

Por outro lado, se comunicar no Facebook é comunicar num novo “espaço público”, de infinitas e interessantes possibilidades, esse espaço é, de facto, fragmentado. Um conjunto de bolhas, que se intersectam e onde existem inúmeros vasos comunicantes, é certo, mas mundos independentes. Se é certo que se pode lançar uma informação no Facebook que dá a volta ao mundo num dia, é igualmente verdade que muito do que se passa aqui é absolutamente opaco para o mundo. É por isso que, apesar do Facebook, a imprensa e o jornalismo continuam a desempenhar um papel fundamental, na criação de um verdadeiro espaço público, verdadeiramente aberto a todos e partilhável por todos.

TICs: ensinar professores que ensinam professores

Por Glaucia Brito
Professora do Departamento de Comunicação Social e dos Programas de pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e Educação (PPGE) da UFPR, pesquisadora em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação.

Passei o mês de outubro pensando, falando e escrevendo sobre a incorporação das tecnologias no Ensino Superior, principalmente nos cursos de licenciaturas e pedagogia que formam os futuros professores. Não estou me referindo àquela disciplina sobre tecnologias educacionais que aparece, num semestre qualquer, nos currículos dos cursos. Me refiro aqui ao uso de tecnologias em todas as disciplinas dos cursos. Lembro a todos que muitos dos futuros professores, após suas formaturas, atuarão em escolas que já têm instalado um laboratório de informática, ou os alunos já utilizam tablets, ou cada aluno tem seu laptop e os professores serão cobrados para utilizar todas estas tecnologias nas suas aulas, independente da disciplina que irá lecionar.

Então surgem três questionamentos:

1.Como foi o uso das tecnologias na universidade e /ou faculdade durante a a formação dos futuros professores?

2.Como os professores das instituições de Ensino Superior têm utilizado as tecnologias nos cursos de formação de professores?

3.Os professores do Ensino Superior utilizam tecnologias na suas aulas de forma inovadora?

Antes de responder a estes questionamentos, chego à conclusão que precisamos rapidamente fazer a formação dos professores que aí estão, ministrando aulas nos cursos de pedagogia e licenciaturas. Talvez para a estruturação desta formação possamos utilizar as etapas da aprendizagem tecnológica apresentadas por José Mauel Moran no livro A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá, da editora Papirus.

A primeira etapa da aprendizagem diz respeito a usar as tecnologias disponíveis para melhorar as suas aulas, ou seja utilizar os recursos tecnológicos para:

– Melhor apresentar e expor os conteúdos da sua aula;
– Indicar aos alunos quais recursos utilizar para auxiliar seu processo de pesquisa e realização de tarefas;
– Disponibilizar seus materiais teóricos de diferentes forma, utilizando os recursos da Web 2.0.

A segunda etapa é aquela na qual o professor utiliza as tecnologias para realizar mudanças parcias na sua ação pedagógica em sala de aula:

– Criar novos espaços e atividades que vão além da sala de aula, por exemplo, blog ou comunidade no facebook da disciplina, utilizar o twitter para enviar avisos aos alunos;
– Criar novas formas de avaliação, por exemplo realizar uma produção de vídeo utilizando cameras fotográficas ou o próprio celular dos alunos etc.

A terceira etapa é aquela que se fará uso das tecnologias para mudanças inovadoras. Esta etapa não depende só do professor, exige também uma completa reestruturação do ensino nos cursos de Pedagogia e Licenciaturas, principalmente no que diz respeito a flexibilização do currículo dos cursos e a estruturação de espaços com recusros tecnológicos diversos. O professor poderá utilizar ambientes virtuais de aprendizagem para apoiar o ensino presencial, assim como utilizar os diversos recursos disponiveis na web 2.0 que combinam publicação e interação on-line. Desta forma os alunos podem expressar e tornar ideias visíveis, conferindo assim uma dimensão mais significativa aos seus trabalhos acadêmicos. Isso possibilita ao professor acompanhar em diversos momentos o processo de aprendizagem deste futuro professor. Para isto os professores devem saber o que é e como se estrutura um Blog, um videolog, uma wiki, um podcast etc.

Temos grandes desafios pela frente, no entanto precisamos (re)pensar e estruturar uma formação para os professores que formam os professores, pois cabe a ele, diante desse novo quadro promovido pela interseção das Tecnologias e a Educação, o incentivo, a coordenação, o acompanhamento flexível e constante da atuação de seus alunos, futuros professores, na sala de aula presencial e no ambiente on-line.

Texto em imagem

Os israelenses Zoahar Dayan, 28, e Yotan Cohen, 29, acabam de desenvolver uma ferramenta que transforma texto de um site em vídeo, sem ajuda humana. Batizado de wibbitz, o serviço dá vida visual as informações do site. A plataforma acrescenta ainda vídeos e gráficos, que já ficam em um banco de dados. Por ora, o trabalho da ferramenta ainda não é pago pelo usuário, mas a ideia de Dayan e Cohen é cobrar pelo acesso. Enquanto isso, experimente. Clique aqui

Consulta pública: direitos de crianças e adolescentes

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) está com Consulta Pública aberta sobre os parâmetros para a proteção da criança e do adolescente no período da Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas e Paralimpíadas (2016). O objetivo da ação é mobilizar os atores sociais do Sistema de Garantia dos Direitos (SGD) para minimizar e ou erradicar os efeitos desses grandes eventos na violação dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes.

As propostas devem ser enviadas no período de 22 de novembro a 7 de dezembro de 2012 para o e-mail conanda@sdh.gov.br com o assunto: Consulta Pública sobre Resolução da Copa.

Clique aqui e leia a minuta da consulta pública.

Coleção educadores de graça na web

Paulo Freire, Anísio Teixeira, Jean Piaget e Antônio Gramsci, dentre outros, fazem parte da Coleção Educadores, ao alcance de todos os interessados no portal Domínio Público do Ministério da Educação. Ao todo, a coleção reúne 31 autores brasileiros, 30 pensadores estrangeiros e um livro com os manifestos Pioneiros da Educação Nova, escrito em 1932, e dos Educadores, de 1959.

Professores e estudantes de pedagogia e de cursos de licenciatura encontram um ensaio sobre cada autor, a trajetória da produção intelectual na área, uma seleção de textos. Cada publicação tem, em média, 150 páginas. Preparada pelo MEC desde 2006, a coleção integra as iniciativas do governo federal de qualificar a formação inicial e continuada de professores da educação básica pública.

Clique aqui e acesse o material. 

10 dicas para combater o racismo na infância

Como você pai, mãe, responsável e educador pode contribuir para uma infância sem racismo? O Unicef lançou, em 2010, a campanha Infância sem racismo, do qual o vídeo acima fazia parte. Na ocasião, a instituição divulgou a lista das dez maneiras de combater a infância sem racismo.

Leia, siga e compartilhe:

1. Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.

2. Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer – contextualize e sensibilize!

3. Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.

4. Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente. Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.

5. Não deixe de denunciar. Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.

6. Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.

7. Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.

8. Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.

9. Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.

10. As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.

Muito além do peso

Por Marcus Tavares

É uma jogada de mestre: pessoas lindas, esbanjando saúde e ‘enquadradas’ no estilo da beleza dos nossos dias (magras e ou saradas), bebendo refrigerantes, comendo hambúrgueres, batatas fritas, bolachas e uma infinidade de guloseimas. Quem não gostaria que os 30 segundos dos comerciais se eternizassem na realidade? A balança que o diga.

Por desinformação e uma indústria alimentícia/publicitária que nos convence e vicia, com açúcares e gorduras, a comer sempre mais do mesmo, somos um país de obesos. E pior: um país de crianças obesas. Segundo o IBGE, são 33%. A realidade não é de hoje, muito menos de algumas metrópoles ou de famílias menos favorecidas. É geral. Acredite: é uma pandemia. Desta vez, o alerta vem do filme Muito Além do Peso, de Estela Renner, que estreou ontem, em oito cidades brasileiras.

Quem puder, assista. Na internet, já há alguns trailers e cenas. O filme impacta. Este é o objetivo. Não é possível que 56% das crianças com menos de um ano bebam refrigerantes, que crianças deixem de brincar por sentirem dores nas pernas, que tenham problemas cardíacos, pressão alta e até trombose por conta de uma alimentação não saudável, que não identifiquem legumes e verduras e que sejam hipnotizadas pela propaganda. De acordo com o documentário, o índice de sobrepeso aumenta 134% quando as crianças são expostas à publicidade.

O primeiro passo para a mudança é a informação. É o que o filme traz. Os personagens do documentário são as crianças, de todos os cantos do Brasil, os pais e especialistas no assunto que explicam o que está escondido nos rótulos dos produtos industrializados, o que não é dito, mas deveria. Uma das cenas mais chocantes do filme é quando uma das meninas entrevistadas diz o que falta na vida dela: sentido. Triste realidade. O que nós adultos — pais, responsáveis e educadores — podemos fazer?

Clique aqui e leia entrevista com a diretora Estela Renner, publicada no jornal Correio do Brasil

Como os pais separados usam as tecnologias?

Estudo da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, divulgado este ano, revelou o que muitos pais divorciados já vêm constatando na prática: a tecnologia pode tornar mais fácil ou difícil a comunicação dos ex-companheiros sobre o dia a dia dos seus filhos. Os que terminaram a relação conjugal de forma amigável fazem uso positivo da mídia para compartilhar informações e acompanhar o cotidiano dos filhos. Aqueles que não se dão bem, transformam as tecnologias em ‘armas de fogo’. Nessa briga tecnológica, as crianças são as grandes vítimas.

Ao entrevistar 49 casais separados, os professores Lawrence Ganong e Marilym Coleman descobriram que aqueles que têm uma relação hostil, por meio de uma ferrenha ‘fiscalização virtual’, usam, por exemplo, todos os movimentos do ex-marido ou ex-mulher na internet e nas redes sociais para envenenar a relação dos filhos com o pai ou com a mãe.

clique aqui e saiba mais sobre o estudo

Além da ‘fiscalização’, o estudo aponta que muitas vezes os pais fingem que não recebem e-mails ou mensagens que os ex-companheiros enviam pedindo informações dos filhos ou marcando compromissos entre eles.

“Os pais que são hostis precisam deixar seus sentimentos de lado e entender que eles devem se comunicar de forma eficaz, a fim de proteger o bem estar emocional de seus filhos”, disse Ganong. Para o professor, o e-mail, por exemplo, é um grande recurso para os pais hostis que não podem falar cara a cara. “Ao escrever, pais e mães podem editar o texto, evitando conflitos. Além disso, eles têm um registro do que foi acordado.”

O pesquisador americano sugere que os pais utilizem as redes sociais e agendas virtuais para compartilharem informações sobre as atividades dos filhos, fazendo tudo de maneira clara e sem esconder nada. Nos EUA, 25,8% das crianças menores de 18 anos vivem com pais divorciados. A cada ano, um milhão de outras crianças passam a conviver com a mesma realidade. Os professores agora estão debruçados sobre outro estudo: como as crianças lidam com seus pais por meio das tecnologias digitais.

Emissoras faturam R$ 6 bi só com merchandising

Por Alberto Pereira Júnior
Folha de S. Paulo

Zapear na tentativa de fugir dos comerciais na TV já não é suficiente. É cada vez mais comum se deparar com propaganda disfarçada de dica em novelas ou assistir ao “recadinho” de um apresentador entre dois quadros de uma atração de variedades. É o chamado merchandising: uma publicidade inescapável, encaixada no corpo dos programas televisivos. A Folha de S. Paulo teve acesso a um levantamento inédito sobre merchandising na televisão, realizado pela Merchanview, ferramenta do Ibope Media.

Segundo a pesquisa, entre janeiro e outubro de 2012, Globo, SBT, Record, Bandeirantes e Rede TV! receberam, aproximadamente, R$ 5,5 bilhões só em “merchan”. Nos três primeiros trimestres do ano, o crescimento em relação aos três meses anteriores foi sempre superior a 20%. Ou seja, cada vez mais o conteúdo televisivo é engolido por comerciais camuflados.Os números expressivos motivaram o mercado publicitário a encomendar análises mais completas ao Ibope. Na agência Y&R Brasil, a demanda subiu neste ano 20% em relação a 2011. No ‘merchan’, captamos a atenção do público, que se dispersa nos intervalos”, diz Gustavo Gaion, vice-presidente de mídia da empresa.

O DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça) e o Procon têm acompanhado esses anúncios velados. Segundo o artigo 36 do Código de Defesa do Consumidor, a publicidade deve ser exibida de forma que o consumidor a identifique. “Na prática, o ‘merchan’ desrespeita essa diretriz, principalmente quando surge em conteúdos artísticos”, diz Mariana Ferraz, advogada do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

‘Merchans’ ocupam até 25% de programas

O apresentador anuncia a reforma da casa de um telespectador. A ação é bancada por um “pool” de marcas, cujos nomes são repetidos e exibidos à exaustão na tela. O comunicador em questão poderia ser Luciano Huck, Gugu Liberato ou Celso Portiolli, respectivamente, do “Caldeirão do Huck” (Globo), do “Programa do Gugu” (Record) e do “Domingo Legal” (SBT). As atrações de auditório são as líderes em merchandising na TV brasileira.

Segundo o levantamento Merchanview, do Ibope Media, elas abocanharam 48% das ações, entre janeiro e outubro deste ano, rendendo aos canais R$ 2,64 bilhões. Essas e outras produções têm se moldado cada vez mais à lógica de integração da propaganda a seus conteúdos.

O “Programa Raul Gil”, por exemplo, fez recentemente o quadro “A Mais Bela Empregada Doméstica”, patrocinado pela Bombril. “Chamamos isso de ação integrada. É a busca crescente pela contextualização, ou seja, o envolvimento efetivo entre o conteúdo editorial e a comunicação do anunciante”, afirma Marcus Vinicius Chisco, diretor nacional de merchandising da Record. Espalhados pelo Brasil, 135 profissionais tocam o departamento da emissora.

Na Band, em São Paulo, 15 pessoas elaboram o merchandising. Segundo Milton Turolla, diretor de merchandising e conteúdo comercial da TV, a modalidade deve representar 19% das receitas da rede em 2012, contra 16% em 2011.

Grandes anunciantes têm investido em figuras populares e em atrações mais intelectualizadas. Jô Soares, por exemplo, se vale de situações cômicas em que envolve o seu assistente de palco, o chileno Alex, para anunciar um curso de inglês durante o seu “Programa do Jô” (Globo).

As atrações femininas são, ao lado dos humorísticos, o terceiro gênero da TV que mais lucra com as intervenções comerciais integradas a seu roteiro, R$ 501 milhões nos últimos dez meses. A pedido da Folha, a empresa Controle da Concorrência, que monitora inserções publicitárias, analisou atrações do gênero, entre 22 e 26 de outubro. No período, o extinto “Manhã Maior” (RedeTV!) dedicou cerca de 25% de sua duração (1h20min) a ações de merchandising. A medição desconta os intervalos comerciais. O matinal foi repaginado, virou “Se Liga, Brasil”, mas segue com uma enxurrada de anúncios: são 13 inserções diárias, em média. O “Mais Você” (Globo) mostra, geralmente, três intervenções publicitárias por programa, o que, em uma semana, representou 5% (20 minutos) de sua duração. Segundo o Procon-SP, não há ocorrências de reclamações por parte do público de excesso de publicidade na TV, apenas da ineficiência de produtos anunciados.

Minutos de valor

O mercado publicitário trabalha com a tabela de valores de comerciais de 30 segundos para calcular o custo de um “merchan”. Por se tratar de uma ação mais longa, ele sai pelo menos pelo dobro de uma propaganda padrão. No caso de uma novela das 21h da Globo, por exemplo, um comercial padrão de 30 segundos pode custar R$ 500 mil. Um anúncio inserido na mesma trama não sairia por menos de R$ 1 milhão.

O autor Aguinaldo Silva já quebrou a cabeça para citar uma marca de arame farpado na novela “Pedra sobre Pedra” (1992). Quando isso acontece, diretor, roteirista e o ator que participa da ação ganham porcentagens do valor pago pelo anunciante. “Por enquanto, o jornalismo é o único espaço em que o ‘merchan’ mais tradicional, com depoimentos, não conseguiu penetrar”, diz Paulo Gregoraci, diretor de operações da agência WMcCann.

Ele lembra um caso do “Jornal Nacional” (Globo), em que o logotipo de um banco que patrocinava o avião do programa aparecia na tela, mas sem menção dos âncoras. Ainda não foi dessa vez que um anunciante se infiltrou no “boa noite” de William Bonner.

SBT é punido por propaganda em ‘Carrossel’

A publicidade inserida em programas destinados a crianças segue uma regulamentação mais rígida. “Esse público, assim como o idoso, é mais suscetível a propagandas e ações de merchandising na TV”, diz Mariana Ferraz, advogada do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). “Eles não têm discernimento para diferenciar conteúdo de propaganda.”

No ano passado, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça multou o SBT em R$ 1 milhão por merchandising indevido. No processo administrativo, constava ação publicitária indireta nos programas “Carrossel Animado”, “Bom Dia & Cia”, “Sábado Animado” e “Domingo Animado”, que anunciavam as marcas em vez dos objetos dados de presente aos telespectadores participantes das gincanas. Treze investigações sobre publicidade direcionada a crianças ainda estão em andamento no departamento.

Atualmente, o SBT é alvo de uma nova investigação. O Procon-SP entrou com um processo administrativo no valor de R$ 6 milhões contra a novela “Carrossel”. Na trama, a emissora incluiu o merchandising de marcas de um chocolate e de um sabonete antibacteriano.

O Procon e a emissora já se reuniram duas vezes. O canal se comprometeu a não ter mais merchandising no núcleo infantil, mas segue com ações publicitárias entre os personagens adultos do folhetim. Segundo Aléssio Cavalcanti, gerente nacional de merchandising do SBT, todas as ações de publicidade velada que envolvem programas infantis são submetidas ao departamento jurídico.

Cultura digital e escola

Por Monica Fantin
Doutora em Educação, professora do curso de pedagogia da UFSC e do programa de
Pós-Graduação em Educação, linha de pesquisa Educação e Comunicação, PPGE/UFSC

Para continuar a conversa sempre atual sobre repertórios culturais e formação de professores, vamos comentar alguns aspectos de uma pesquisa intercultural sobre usos das mídias, consumos culturais dos professores e a formação em mídia-educação desenvolvida em dois contextos socioculturais: Brasil e Itália. A referida pesquisa foi publicada no livro recentemente lançado Cultura digital e escola: pesquisa e formação,organizado por Monica Fantin e Pier Cesare Rivoltella (Editora Papirus, 2012), que também coordenaram a pesquisa em Florianópolis, na Universidade Federal de Santa Catarina, e em Milão, na Università Cattolica del Sacro Cuore.

O que os professores costumam fazer nos seu tempo livre? Com que regularidade vão ao cinema, teatro, shows musicais, shopping centers? Que tipo de livro, revista, jornal preferem ler? Quais os programas que assistem na televisão? Com que frequencia usam internet e as redes sociais? O que costumam fotografar e filmar? Se as tecnologias estão presentes na vida da maioria das pessoas, com os professores não seria diferente, sobretudo aqueles que participaram da pesquisa, que demonstraram ser altamente conectados com a cultura digital. Mas como essas e outras tecnologias que fazem parte da vida pessoal de cada um estão presentes na vida profissional? E de que forma os professores usam essas e outras tecnologias da cultura digital na vida pessoal, profissional, na escola e na sala de aula?

Essas foram algumas perguntas iniciais da pesquisa desenvolvida com professores de escola pública de Florianópolis e de Milão, e resguardadas as especificidades dos contextos socioculturais, é possível dizer que muitas respostas se aproximam e transcendem certas fronteiras e tradições. Ao elaborar um perfil de uso das mídias, encontramos desde o professor não usuário (que não usa as mídias e tecnologias porque não sabe ou porque não quer), o iniciante, o praticante e o pioneiro.

Certamente tais perfis são flexíveis e também se modificam conforme a mídia e as condições de formação. O importante nesse mapeamento inicial é poder identificar as dificuldades que os professores sentem para trabalhar com as mídias e tecnologias em sala de aula para poder pensar propostas de formação. Assim como é importante reconhecer e destacar as boas práticas para dar visibilidade e socializar as experiências significativas.

Entre as dificuldades, evidenciam-se problemas de formação, de infraestrutura e manutenção dos equipamentos nas escolas, falta de tempo para aprender a usar as tecnologias e outros. Nas boas práticas, experiências com uso e produção de mídia (fotografias, audiovisuais, blogs, rádio escolar) de forma crítica, autoral e colaborativa, projetos interdisciplinares na escola envolvendo professor de sala, bibliotecária, coordenador de sala informatizada, professor de Educação Física. Uma experiência que chamou atenção foi o projeto monitor, em que os alunos que sabem ajudam o professor no contra-turno ensinando aspectos dos usos da cultura digital aos colegas que não sabem.

Outro aspecto que chamou nossa atenção, foi a possibilidade de os professores participarem de um grupo de estudos no contexto da pesquisa com objetivo de discutir propostas de formação. O grupo era formado por professores/pesquisadores da universidade que atuam com formação inicial, professores de sala de aula e formadores do NTM que atuam com formação continuada em Florianópolis.

Como um desdobramento da pesquisa, o grupo abordou a questão da formação e das competências midiáticas e tecnológicas necessárias ao professor hoje a partir de olhares possíveis e dos lugares que cada um se situava. O destaque à formação cultural e à valorização profissional do professor sempre esteve presente nessa discussão, que também está registrada num artigo coletivo “Práticas formativas e colaborativas em mídia-educação”, publicado no livro acima mencionado.

Os desafios e dilemas da formação, das políticas públicas de inserção das tecnologias na escola, e dos usos da cultura digital de forma responsável, ética e estética são muitos e remetem a diversas outras questões e pesquisas.

No entanto, é importante destacar que ao final desse percurso, além de socializar e divulgar os resultados da pesquisa e da formação entre os pares e em eventos acadêmicos, organizamos uma viagem com um grupo de professores brasileiros que participaram da investigação para conhecer e dialogar de perto com os professores italianos. No roteiro, além das atividades na universidade e nas escolas italianas, museus, parques, galerias, outros espaços turísticos e culturais europeus também fizeram parte da viagem.

Certamente, uma bela experiência de pesquisa e formação, em que professores e pesquisadores transcenderam as fronteiras das escolas e universidades para construir outras parcerias e outras possibilidades de pensar a formação, os usos das mídias e os consumos culturais na perspectiva da mídia-educação.

GENTE: a reinvenção da escola

Por Rafael Parente
Subsecretário de Novas Tecnologias, da Secretaria Municipal de Educação do Rio
Artigo publicado primeiramente no Portal Rioeduca em 13/8/12

A globalização, a internet e outras tecnologias têm impactado a forma como pensamos, agimos e nos relacionamos. Só em 2010, mais informação foi gerada do que nos 5000 anos anteriores. Até 2020, a quantidade de informações digitais crescerá 44 vezes. Diferentemente de seus pais e avós, os alunos de hoje mudarão de emprego mais de 10 vezes antes dos 40 anos e provavelmente exercerão funções que ainda não foram criadas.

Para exercer essas novas funções com competência, lidar com novas tecnologias na produção ética e responsável de riquezas, navegar funcionalmente em um novo mundo, com a responsabilidade de aproveitar oportunidades e enfrentar desafios, nossas crianças e jovens precisam ter, hoje, uma formação excepcional. Eles precisarão ter auto-confiança, se adaptar em diferentes contextos, construir relacionamentos rapidamente e virtualmente, utilizar bem sua criatividade nata e empreender. Precisarão compreender suas forças e fraquezas, emocionais e intelectuais, seus direitos e deveres na vida em comunidade e desenvolver suas potencialidades ao máximo. Precisarão ser autônomos e solidários, compreendendo nossos avanços culturais e, ao mesmo tempo, não só tolerando, mas valorizando diferenças.

No entanto, tivemos um atraso histórico no nosso desenvolvimento educacional e nossos sistemas educacionais estão completamente ultrapassados. Nossas salas de aula se parecem com aquelas de 1890, quando os primeiros sistemas de educação pública do mundo foram concebidos para impulsionar a era industrial. Na época, a instituição Escola foi planejada como uma fábrica de produzir operários em massa, de forma impessoal, padronizada e estimulando a conformidade. Esse sistema é completamente incongruente com o tipo de escola e de processo de aprendizagem que precisamos. Cada aluno é único e aprenderá mais e melhor se estiver engajado, interessado e motivado. O processo de educar, de desenvolver competências e habilidades, é, essencialmente e inevitavelmente, pessoal, social, acontece num contexto específico, precisa de tempo para assimilação e requer a construção ativa e a associação de ideias.

Vejam o infográfico no final desta postagem e o vídeo abaixo para entender como as novas tecnologias já estão modificando a educação pelo mundo.

Com esse contexto em mente e levando em consideração nossos avanços tecnológicos e nas neurociências, decidimos começar um debate que leve à reinvenção da Escola com o GENTE – Ginásio Experimental das Novas Tecnologias Educacionais. O objetivo é chegar a um modelo que coloque o aluno no centro do processo de aprendizagem, se aproprie integralmente das novas tecnologias educacionais e que possa ganhar escala.

Algumas propostas iniciais são:

1) Acabar com a separação por anos, turmas, salas de aula e o conceito da repetência. Não faz sentido ter um grupo de pessoas completamente diferentes numa mesma sala e esperar que todos consigam ter uma formação semelhante, como também não faz sentido reprovar crianças e jovens e fazê-los rever todas as aulas e todos os conteúdos. Cada aluno teria o seu itinerário formativo e saberia exatamente as habilidades que já desenvolveu e as que ainda precisa desenvolver. No lugar de salas de aula com carteiras, haverão grandes espaços com mesas para grupos, sofás e tapetes.

2) Tablets, smartphones e a Educopédia substituirão livros e cadernos. O conteúdo, as habilidades e as competências serão desenvolvidos nas aulas digitais. As provas serão aplicadas pela Máquina de Testes, a correção será automática e os resultados serão imediatos. Além das competências cognitivas, também desenvolveremos e avaliaremos as competências não cognitivas.

3) O professor terá um novo papel, o de arquiteto que garante a personalização do processo de aprendizagem e que nenhum aluno está sendo deixado para trás. O professor também será o mentor de um grupo de alunos e o orientador de projetos transdisciplinares.

4) Os alunos participarão de atividades individuais ou em grupos pequenos, de acordo com seu desempenho acadêmico, sua responsabilidade e sua autonomia. De acordo com o nível de autonomia e responsabilidade, eles poderão fazer mais ou menos opções, inclusive de que ou quantas aulas relacionadas às disciplinas participarão, quantas eletivas e quantos clubes.

5) A máquina de testes será um sistema de avaliação dos alunos que cobrirá, a médio prazo, todas as disciplinas, de 1º a 9º ano. Em fevereiro de 2013, o sistema já terá provas de Português, Matemática e Ciências, do 5º ao 9º anos. Por meio de um banco de questões, preparadas por cerca de 100 professores da rede municipal, os alunos farão provas em ambiente digital. Todas as questões aplicadas pelo computador serão de múltipla escolha, gerando um resultado imediato. O sistema será usado para as avaliações bimestrais, que servem como base para o acompanhamento do desempenho das escolas municipais. Os alunos do GENTE usarão a máquina de testes frequentemente, ao final de cada aula da Educopédia. Avaliações diagnósticas, auto-avaliações de competências e habilidades não-cognitivas também serão realizadas nela.

6) Projetos transdisciplinares serão desenvolvidos pelos alunos semestralmente a partir de uma situação-problema ou uma pergunta para digestão e aplicação do conhecimento. Serão uma forma de educação “hands on” relacionada a áreas diversas. Nesses projetos, os alunos terão de analisar dados reais, trabalhar em grupos pré-definidos e atuar como agentes transformadores de suas realidades.

Há, no momento, 13 instituições parceiras apoiando o projeto. Elas são: Ensina!, Fundação Lemann, Fundação Telefônica, Infoglobo, Intel, Instituto Ayrton Senna, Instituto Conecta, Instituto Natura, Microsoft, MSTech, Tamboro e UNESCO. Todos os diretores, professores e alunos (de 7o a 9o anos) estão convidados a contribuir com suas opiniões para esse processo de co-criação de um novo conceito de escola.

Rocinha terá unidade piloto de novo projeto escolar

Por Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

A Favela da Rocinha, na zona sul carioca, vai receber no próximo ano letivo, em 2013, o primeiro Ginásio Experimental de Novas Tecnologias Educacionais (Gente) da Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro. A unidade piloto funcionará na Escola Municipal André Urani e terá capacidade para atender 210 alunos do 7º ao 9º anos.

O subsecretário de Novas Tecnologias Educacionais da SME, Rafael Parente, disse que o projeto é “a menina dos olhos” da secretaria. Ele foi apresentado na Conferência Internacional do Programa Líderes da Educação Global (Gelp), que ocorre na capital fluminense. O evento reúne 80 representantes dos dez países que integram atualmente o Gelp (Estados Unidos, Finlândia, Brasil, Austrália, Canadá, China, Inglaterra, Índia, Nova Zelândia e Coreia do Sul).

clique aqui é leia o artigo do subsecretário Rafael Parente

Segundo, o Gente é um dos mais inovadores projetos do estado e, também, do Brasil na área da educação. Ele foi concebido a partir de estudos feitos sobre modelos de escolas inovadoras internacionais, voltados para o futuro. As experiências observadas permitiram à secretaria detalhar a infraestrutura do projeto, sua ambientação interna, processos de avaliação, entre outros elementos.

A rede de ensino municipal conta atualmente com 19 ginásios experimentais com vocações distintas. Caso do Ginásio Experimental Olímpico, destinado ao treinamento de atletas. Está nos planos da secretaria, segundo o subsecretário, ter um Ginásio Experimental das Artes e outro voltado para o samba. “O Gente é o Ginásio Experimental de Novas Tecnologias Educacionais. É o que leva os aspectos da inovação ao extremo”, disse.

De acordo com os resultados que o projeto apresentar na Rocinha, deverão ser construídos mais cinco ginásios desse tipo, em 2014, informou. “A gente não quer que seja só um. A gente quer chegar a um novo modelo de escola que possa ser replicado. Que a gente consiga, de fato, personalizar o processo de aprendizagem para os destinos e as necessidades de cada aluno e consiga ganhar escala em um modelo de escola que coloca o aluno no centro do processo todo de aprendizagem”, declarou.

O Gente está baseado em cinco pilares. Ele integra o Programa Ginásio Carioca, implantado pela prefeitura no ano passado. O primeiro pilar é a personalização do processo de aprendizagem. Isso significa que cada aluno tem o seu itinerário formativo e avança à medida em que consegue desenvolver as suas habilidades. A avaliação dos estudantes é baseada em competências e não em notas e conteúdos, explicou Rafael Parente.

O terceiro pilar é o uso de novas tecnologias para motivar e ampliar o interesse dos alunos. Os antigos cadernos são substituídos por tablets (computadores de prancheta) e smartphones, distribuídos para todos os estudantes e professores. “Vão fazer provas, ler livros, nessas plataformas de novas tecnologias”.

Parente acrescentou que os professores terão um novo papel no projeto Gente. “Ele deixa de ser um transmissor do conhecimento para ser um facilitador, um motivador, um arquiteto da aprendizagem, que garante que todos os alunos estão trabalhando e aprendendo”. O quinto pilar diz respeito à expansão do currículo além das habilidades cognitivas, que são relacionadas às matérias, ao raciocínio lógico, e traz também habilidades socioemocionais, para o desenvolvimento dos talentos vinculados à inteligência emocional, à criatividade, à colaboração em grupos.

O subsecretário não tem dúvidas que o Gente vai facilitar o aprendizado e aumentar o interesse dos alunos pela escola. “Em primeiro lugar, a gente espera que o aluno se torne mais autônomo porque, hoje em dia, no modelo de escola que a gente tem, o aluno fica muito passivo, escutando, copiando do livro ou sendo mandado o tempo inteiro. Nesse novo modelo de escola, a gente aposta na autonomia e no protagonismo do aluno, para que ele dirija o seu próprio processo de aprendizagem. Ele passa a ser mais ativo e, com isso, ele aprende muito mais”.

Simpósio discute o lugar do hipertexto na Educação

A 4ª edição do Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação quer mostrar para professores e público em geral que o hipertexto é um fenômeno que desconhece fronteiras tanto geográficas quanto disciplinares. O evento acontece entre os dias 13 e 15 de novembro no Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Com mais de mil participantes, de diferentes domínios das Ciências Humanas e Exatas, o Simpósio terá cinco conferências e 430 trabalhos distribuídos entre sessões de comunicação e pôsteres digitais, além de mesas-redondas, lançamentos de livros, exposições e a entrega do Prêmio Artes Digitais e Aplicativos Educacionais.

A abertura do Simpósio vai acontecer no dia 13, às 19h30. Nela será realizada conferência com o pesquisador João Mattar (UAM-Brasil e PUC-SP). Durante a palestra Parangolé x Batman, o especialista no desenvolvimento de técnicas para dinamizar redes sociais falará sobre como na “desestrutura” do ciberespaço podem ser planejadas estratégias educacionais afinadas com as demandas do século XXI.

No dia 14, às onze da manhã, a pesquisadora Lucia Santaella (PUC-SP), uma das maiores especialistas em Semiótica do país, vai refletir sobre como os conflitos e afinidades entre hipermídia e transmídia definem o atual perfil da comunicação, que coloca em interação Linguística, Informática e Biologia.

A conferência do francês Imad Saleh (Université Paris-8), no dia 14, às 16h30, vai tratar sobre como Ciências Humanas e Ciências Exatas reformulam suas fronteiras diante do desafio da interdisciplinaridade aplicada às redes sociais.

Também vindo da França, Philipe Bootz (Université Paris-8) vai apresentar, no dia 15, às 11 da manhã, os resultados de suas pesquisas sobre a interação entre cálculo, tecnologia e sensibilidade na Literatura e nos demais processos de criação estética que utilizam como material a palavra.

Num contexto em que a Educação a Distância (EaD) se expande em ritmo acelerado, o especialista em Realidade Misturada, Romero Tori (USP), estuda como a sobreposição entre ambientes reais e ambientes virtuais está nos levando rumo à era da Educação Sem Distância. Este será o tema de sua conferência, proferida no dia 15, às 16h30.

Novas tendências

As pesquisas que serão apresentadas abordam temáticas que vão dos estudos da interatividade em blogs de moda e estética, passando pela adaptabilidade das redes sociais às pessoas com deficiência. É o caso da pesquisa do paraibano Leonardo da Silva Souza, que analisa como um software com recursos em Braille pode contribuir para a aprendizagem musical de cegos.

Na mesma linha, pesquisadores da UFPB apresentarão o projeto Hawkings do Sertão, referente ao desenvolvimento de ferramentas de acessibilidade para portadores de necessidades especiais no Sertão nordestino.

Eu queria ter um Facebook, mas minha mãe não deixa eu mentir a idade. Com este título, a pesquisa de Helenice Ferreira, da UERJ, investiga os pressupostos éticos que orientam a conduta dos jovens nas redes sociais bem como os procedimentos de pesquisa relativos a este grupo social.

Já no campo das artes, o pesquisador Thiago Ramos (UFPE) falará sobre a possibilidade da Literatura ao vivo com auxílio das ferramentas do ciberespaço. O piauiense Juscelino Nascimento apresentará pesquisa sobre o novo perfil da linguagem bíblica ao ingressar em plataformas multimidiáticas. Essas e muitas outras apresentações serão realizadas nas salas do Núcleo Integrado de Atividades de Ensino (Niate), prédio recém-inaugurado no campus da UFPE. As conferências e mesas-redondas do Simpósio acontecerão no Centro de Convenções da Universidade.

A programação geral do 4º Simpósio Hipertexto pode ser acessada no link: http://www.hipertexto2012.com.br/programacao/caderno-de-programacao/

Crianças especiais

Ressaltar o direito à liberdade de crianças com necessidades especiais e fazê-las crescer em um ambiente que permita desenvolver plenamente seu potencial é a proposta do concurso infanto-juvenil, Tem a ver com habilidade!

Clique aqui e saiba mais sobre o regulamento

O projeto é promovido pelo Unicef em nível global para pessoas com até 25 anos de idade. Os interessados devem enviar para a sede da instituição, m Nova Iorque, até o dia 15 de dezembro, um vídeo relacionado às deficiências, seja mostrando uma experiência pessoal ou comentando sobre os direitos das pessoas com deficiência e os desafios que elas enfrentam.

Todos os materiais audiovisuais devem ter um minuto de duração e podem ser de qualquer gênero: drama, comédia, ficção, documentário, animação ou ação. Os vídeos serão analisados por um painel de comunicadores e jovens que escolherá os finalistas e o vencedor. O vídeo vencedor além de ser disponibilizado para divulgação em todo o mundo e apresentado em canais online, também será usado como parte dos materiais de lançamento do relatório Situação Mundial da Infância 2013. O realizador do vídeo vencedor receberá uma filmadora Flip HDV da Sony.

Envio de material

Os vídeos devem ser colocados em um dos seguintes sites de compartilhamento de vídeos: YouTube, Blip, Dailymotion, ou Vimeo. Após colocar o vídeo em um desses sites, envie um e-mail para unicef.youthvideocontest@gmail.com com as seguintes informações: nome, idade, link para o vídeo, título do vídeo, endereço postal (com país), e-mail, número de telefone.

 

Mercado brasileiro é o 9º do mundo

Por Mariana Barbosa
Folha de S. Paulo

Até agora “protegido” pela língua nacional, o mercado editorial brasileiro atingiu tamanho de gente grande e começa a atrair importantes grupos internacionais. Com R$ 6,2 bilhões de faturamento e 469,5 mil exemplares vendidos, o Brasil é o nono maior mercado editorial do mundo, segundo estudo recém-publicado da Associação Internacional dos Editores (IPA, na sigla em inglês). É o primeiro estudo que trás a movimentação total do mercado nacional, considerando o preço pago pelo consumidor. O faturamento das editoras, medido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), foi de R$ 4,8 bilhões em 2011.

A compra de 45% da Companhia das Letras pela britânica Penguin no final de 2011 foi o início de um movimento que deve se intensificar, avalia o consultor Carlo Carrenho, do site PublishNews. Diferentemente do que acontece em setores como meios de comunicação, não há impedimento para a entrada de estrangeiros no mercado editorial. Os espanhóis já estão no país há alguns anos e a portuguesa LeYa comprou a Casa da Palavra no ano passado.

O mercado brasileiro, com China e Índia, está no foco da Random House Penguin, união de duas das maiores editoras do mundo anunciada na semana passada. “Não tivemos muitas aquisições de estrangeiros no passado por conta do idioma. Mas, com o tamanho do mercado brasileiro, com a classe C entrando, o Brasil está cada vez mais atraente”, diz Carrenho.

Situação confortável

Dados da CBL mostram que o livro está mais barato e o brasileiro anda lendo mais. O preço médio do livro caiu 6,1% em 2011, considerando apenas preços praticados no mercado privado. Incluindo compras de governo, o preço médio ficou estável (alta de 0,1%). O governo representa 39,5% do mercado.

Em volume, as vendas subiram 7,2% – o brasileiro comprou 3,34% mais, e o governo,13,7% mais. Já em receita, a alta foi de 7,4%. Ou 0,81%, descontada a inflação.

Na opinião de Carrenho, as editoras estão em situação confortável para conversar, pois estão saudáveis e com perspectiva de crescimento. “Há muito espaço para as editoras se tornarem globais, com uma administração profissional”, diz. “As editoras são empresas familiares e só têm a ganhar ao fazer parte de grandes grupos.”

Livros digitais devem impulsionar setor

Embora represente uma fração do mercado editorial brasileiro, a venda de livros digitais começa a ganhar corpo e deverá sustentar o crescimento futuro do setor. Só a livraria Saraiva, maior rede do país, vendeu R$ 500 mil no mês de outubro. E 30% das vendas do best seller 50 Tons de Cinza pelo site da loja foram na versão digital. “À medida que as editoras começam a fazer lançamentos simultâneos no papel e no meio digital, os números deverão crescer rapidamente”, diz o presidente da Saraiva, Marcílio Pousada.

Se fossem contabilizadas como uma loja da rede, as vendas com livros digitais já estariam na 11ª posição entre as 102 lojas da rede em volume de exemplares vendidos. No início do ano, a venda de e-books ocupava o 79º lugar. “O negócio digital cresce com força e estamos muito satisfeitos”, afirma Pousada, que nega rumores de que a Saraiva estaria negociando sua venda para a Amazon. Ele diz não temer a concorrência da Amazon, que planeja entrar no Brasil no ano que vem. “Acreditamos nas nossas fortalezas e conhecemos o mercado. Entregamos 200 mil títulos em São Paulo em 24 horas”, diz Pousada.

O presidente da Livraria Cultura, Sérgio Herz, diz que a concorrência com a Amazon é bem-vinda, mas que a companhia americana vai encontrar um mercado com muitas peculiaridades. “Não dá para desrespeitar. Mas lá eles jogam em um campo bonito. Aqui a bola é murcha e o campo, esburacado”, diz Herz. “Pagamos tudo adiantado, fornecedor, imposto. Lá fora, não. Eles recebem à vista do cliente e pagam o fornecedor depois.” Até o fim do mês, a Cultura começa a vender o leitor digital Kobo, sua aposta para impulsionar a venda de livros digitais.

O ladrão Bod

Por Artur Melo, 10 anos
A
luno do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Um dia, um ladrão chamado Bod resolveu assaltar um banco. Mas não era qualquer banco: era um banco gigantesco, com muito dinheiro, vários tipos de jóias preciosas, ele estava tão ansioso… Seu tipo era pançudo, com uma cicatriz no rosto. Ele achava que quanto mais risco corresse, mais dinheiro ele teria. Mas era um pouco burro, pois não observava direito os lugares que ia roubar.

Um dia, Bod contratou dois comparsas para fingirem uma briga entre eles e chamar a atenção dos seguranças do banco, que logo tentaram separar a briga, agarrando os dois, segurando-os pelas costas, mas eles estavam armados e imobilizaram os seguranças, amarrando um no outro, deixando tudo livre para Bod fazer a assalto, e foram embora. Os leitores devem estar se perguntando por que os comparsas não ficaram… eu explico: Bod gostava de fazer seus assaltos sozinhos, ele “se sentia” muito, queria sempre dar uma de herói dos vilões, gostava de se comparar com o seu vilão favorito: O Alcapone. Vivia cantando aquela do Raul Seixas.

Quando começou a sua parte no assalto, Bod, afobado, mandou todas as pessoas deitarem no chão. Todos obedeceram e deitaram, morrendo de medo, enquanto ele roubava todo o dinheiro. Para sua surpresa, quando ia pegar o dinheiro de um dos caixas, deu de cara com um velho amigo, e isso o deixou meio confuso, achando que pudesse ser reconhecido, mas, para sua sorte, estava mascarado. Continuou fazendo o seu assalto, quando de repente pensou que o amigo poderia ter o reconhecido pela tatuagem que tinha na mão. E, então, se assustou com a possibilidade de seu amigo o dedurar para a polícia. Ficou mesmo perturbado, mas no fim Bod conseguiu fugir sem deixar nenhuma pista.

Quando chegou em casa já estava todo feliz porque agora tinha muito mais dinheiro e jóias. No dia seguinte, acordou todo bem disposto, animado, para fazer mais um de seus assaltos, mesmo rico, ele sempre queria mais e mais dinheiro. O problema é que não estava imaginando onde poderia assaltar desta vez, ele não conseguia pensar em nenhum lugar, até que disse:

– Já sei, vou assaltar um pequeno parque de diversão, porque pequenos parques não têm segurança, né? E vou me divertir muito.

E Bod sai para assaltar o parque.

No parque, ele tenta a mesma tática que fez no banco, mas não dá certo, porque se distrai pensando em quando era criança, como ele gostava da Montanha Russa. Foi aí que o segurança se aproximou, ele nem percebeu. Foi preso e entregue para a polícia.

Bod fica uma semana na cadeia e depois foi para juiz, que ia julgar quanto tempo ele ia ficar preso e já que tinha vários crimes, ficou decidido que ele ia mesmo era apodrecer atrás das grades.

Histórias do Artur



Eu sou Artur Melo. Nasci no dia 13/12/2002, tenho 10 anos. Estudo na escola Sá Pereira. Acho que comecei a gostar de escrever histórias porque fico com muitas ideias na cabeça. Algumas vêm da minha cabeça mesmo. Outras me inspiro em filmes que assisto, outras tiro de livros que já li ou leram para mim. Misturo isso tudo e invento as histórias. Do King Kong, por exemplo, gosto que ele é “gigante”, forte e agitado. Do Dom Quixote, acho legal o seu jeito aventureiro e engraçado. Dos Três Mosqueteiros, acho o máximo toda aquela ação e luta de espadas. Do Pequeno Nicolau, morro de rir com as traquinagens daquela turminha. Do Harry Potter, adoro os mistérios, as aventuras e os feitiços. Dos Piratas do Caribe, eu me divirto com tanta luta e suspense. Do Chaplin, adoro a comédia, mesmo mudo, ele faz a gente rir muito. Gostaria de participar de alguns desses filmes! Agora quero convidar todo mundo para ler minhas histórias. A cada quinzena uma diferente vai ser postada aqui. Espero que gostem!

Artur Melo

Carta aberta a Papai Noel
– O segredo do General
O ladrão Bod
– Torresmo (parte 2)
– Torresmo (parte 1)

Conecta 2012

Por Marcus Tavares

Já estão abertas as inscrições para o evento Conecta 2012, uma realização do Sistema Firjan, que acontece nos dias 21 e 22 de novembro, no Centro de Convenções Sul America, Cidade Nova, Rio de Janeiro. Em sua segunda edição, o encontro vai discutir de que forma a tecnologia vem transformando o ensino e a aprendizagem em sala de aula e o papel do professor neste cenário. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas no site .

As discussões do Conecta 2012 estão divididas em quatro eixos: Infraestrutura (em debate os principais desafios tecnológicos no Brasil, e no mundo, para a inclusão de tecnologias no ambiente educacional); Formação (como atualizar os professores de hoje frente às novas tecnologias); Conteúdo (as palestras com este foco irão esclarecer algumas dúvidas sobre este apropriação e exemplificar algumas experiências bem sucedidas); e Prospecção (quais são as tendências no uso de tecnologias no ambiente educacional? Como será o ambiente educacional nos próximos?).

   

A poucos dias do evento, a revistapontocom conversou com Luis Arruda, Gerente Executivo Senai Maracanã e integrante do grupo de conteúdo do Conecta. Arruda adiantou alguns detalhes do encontro e explicou de que forma o Sistema Firjan entende e aplica as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs).

Acompanhe:

revistapontocom – Para o Sistema Firjan, qual é o poder e a influência das TICs na Educação?
Luis Arruda – A qualidade da educação tem reflexos direto no desenvolvimento das nações e coloca em desvantagens aquelas que não oferecem mais e melhores oportunidades educacionais aos seus cidadãos. Na atualidade, não basta apenas oferecer vagas em escolas e currículos repletos de conteúdos academicistas. É preciso educar nossos trabalhadores para novas competências que estão diretamente relacionadas aos campos das ciências, tecnologias, engenharia e matemática. Estas áreas tem sido, no mundo, o combustível para os processos de inovação trazendo um especial valor para aquelas economias. Por esta razão, para o Sistema Firjan, não há como falar de qualidade na educação básica sem abordar a questão da incorporação das Tecnologias.

revistapontocom – De que forma, as TICs vêm sendo incorporadas nas escolas do sistema Firjan?
Luis Arruda – O Sistema Firjan elaborou em 2010 um plano plurianual com ações concretas até 2014 que está possibilitando a rede de escolas SESI/SENAI introduzir as TICs de forma consistente em suas salas de aula. Este plano foi construído de forma a contemplar três eixos fundamentais: aquisição de equipamentos, desenvolvimento de conteúdos e capacitação de professores. No eixo aquisição de equipamentos, foram introduzidas Lousas Digitais, distribuídos notebook para os professores, criado estúdio de webTV. No eixo desenvolvimento de conteúdo, foram produzidos eBooks, objetos de aprendizagem com uso de realidade aumentada e animação 2D/3D, produção de webaulas, além de um repositório de objetos e aprendizagem na web para disponibilização desses conteúdos No eixo capacitação de professores, foram realizados cursos, palestras e seminários para professores e educadores do SESI/SENAI, além de missão educacional para outros países visando possibilitar uma análise comparativa de diferentes sistemas educacionais.

revistapontocom – Para o Sistema Firjan, inovação na sala de aula significa o quê?
Luis Arruda – Significa formação de alunos criativos e antenados com o seu tempo. Para isso, o ambiente educacional e seus educadores precisam dispor das condições necessárias, assim como devem estar aptos para lidar com a formação dos novos perfis requeridos pelo mundo do trabalho.

revistapontocom – O Conecta surge neste cenário. Com qual objetivo?
Luis Arruda – O Conecta surge em 2011 com o objetivo de discutir como a tecnologia vem transformando a educação, a sala de aula e o papel do professor. A proposta central do SESI/SENAI com o Conecta é que o evento seja o principal locus da do debate que vem ocorrendo no mundo acadêmico sobre o uso das tecnologias na educação.

revistapontocom – Qual foi o saldo do primeiro encontro do Conecta? De que forma, o evento impactou o dia a dia das escolas/professores da rede?
Luis Arruda – Cerca de 3800 participantes de todos os estados brasileiros participaram durante dois dias de duas conferências internacionais, 18 palestras e 14 oficinas para formação de educadores. Além desse público presente, contabilizamos mais de 600 inscrições para assistir ao evento via webTV e 600 seguidores no Twitter.

revistapontocom – A edição deste ano traz que tipo de novidades?
Luis Arruda – Em 2012, o Conecta avança no debate com palestras nas áreas de infraestrutura, formação de professores, desenvolvimento de conteúdos educacionais e prospecção de tendências em educação. Nesta edição, teremos uma mesa de debate sobre Educação e Desenvolvimento com a presença de importantes jornalistas, como Gilberto Dimenstein, da Folha de S.Paulo, André Lahóz, da revista Exame, Merval Pereira, de O Globo e da Globo News, e Cristiana Lôbo, da Globo News. Nas palestras, teremos diversos nomes como José Manuel Moran da USP/Brasil, Larry Jonhson do NMC/Estados Unidos, Andreia Inamorato, da Open University/Reino Unido, e Marcus Silva da UERJ/Brasil.

revistapontocom – Um dos destaques do evento é a divulgação do estudo Horizon.Br. O que ele traz? É possível adiantar algum dado?
Luis Arruda – Ele traz um estudo inédito sobre o Panorama das Tecnologias Educacionais para a educação básica brasileira. Este estudo foi construído com a participação de mais de 50 especialistas em educação do Brasil e do exterior. Vamos apresentar as tendências, os desafios e as tecnologias com maior potencial de introdução nas escolas para o cenário de 2012/2017. Em relação às principais tendências em educação, o resultado de estudo não se distancia das mesmas apresentadas pela comunidade científica internacional como a mobilidade e a portabilidade de conteúdos para que se possa estudar onde e quando quiser; a necessidade de mudança do papel de educador frente às oportunidades educacionais possibilitadas pela Internet. Já em relação aos desafios para a educação, o panorama dos especialistas aponta para uma importante diferenciação em relação ao que vem sendo tratado em outras versões do Horizon de países desenvolvidos como a necessidade de se rever o processo de formação de professores e de reformulação de currículos.

revistapontocom – Qual é o maior desafio hoje da educação?
Luis Arruda – Diria que são dois os principais desafios: a mudança de paradigma da educação,  que possibilite a entrada de modelos colaborativos de aprendizagem, e a mudança no processo de formação de professores, com objetivo de que os profissionais estejam mais aptos a receberem os novos alunos e as novas tecnologias.