Jovens vítimas

Em 2010, os adolescentes brasileiros do sexo masculino apresentavam um risco 11,5 vezes superior ao das jovens do sexo feminino de serem vítimas de homicídio. Já os adolescentes negros, um risco 2,78 vezes superior ao dos brancos. Os jovens de uma forma geral tinham um risco 5,6 vezes maior de ser atingidos por arma de fogo do que por qualquer outro meio. Os dados fazem parte do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) 2009/2010, divulgados em dezembro de 2012.

Segundo o relatório, para cada mil pessoas de 12 anos, 2,98 serão assassinadas antes de completar 19 anos – o que representa um aumento em relação a 2009, quando o índice foi de 2,61. A partir desse índice, é possível estimar que, se as condições que predominavam em 2010 não mudarem, 36.735 adolescentes serão vítimas de homicídio até 2016 – população equivalente, em termos de comparação, a uma cidade de médio porte, como Jundiaí (SP) ou Pelotas (RS).

O cálculo dos riscos relativos confirmou a influência de sexo, cor, idade e meio utilizado no homicídio na probabilidade de ser vítima de assassinato. Hoje, os homicídios representam 45,2% das causas de morte dos adolescentes brasileiros, enquanto para a população total correspondem a 5,1%. De acordo com o último levantamento do IBGE (2010), aproximadamente 13% da população brasileira é composta por adolescentes com idade entre 12 e 18 anos.

O IHA foi lançado em 2009 e pretende estimar o risco que adolescentes, com idade entre 12 e 18 anos, têm de perder a vida por causa da violência. O estudo avalia ainda fatores que podem influenciar esse risco, como raça e gênero, além da idade e meio (arma de fogo). O IHA pretende ser um instrumento para contribuir com o monitoramento desse fenômeno e, também, com a avaliação de políticas públicas, tanto municipais quanto estaduais e federais.

Em 2010, o estudo avaliou 283 municípios do Brasil com mais de 100 mil habitantes. O município de Itabuna, na Bahia, lidera o ranking de homicídios contra adolescentes entre as cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes, com 10,59 mortes para cada grupo de mil adolescentes. Em seguida, aparecem os municípios de Maceió (AL), com 10,15, e Serra (ES), com 8,92.

Leia o editorial do portal Observatório de Favelas

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Babá eletrônica aposentada

Por Marcus Tavares 

2012 não foi diferente dos outros anos. Pelo menos, no que diz respeito à produção audiovisual para crianças, no contexto da TV aberta comercial no Brasil. Poucas realizações de fato foram pensadas para o público infantil. Algumas que já existiam foram inclusive retiradas da programação diária, como a TV Globinho, da Rede Globo, que, na verdade, exibia apenas desenhos animados enlatados. A justificativa de não produzir conteúdo próprio brasileiro para a criança foi a mesma de sempre: altos custos combinados com a falta de anunciantes/patrocinadores diante de um contexto de pressão legislativa pelo fim da publicidade infantil na tevê.

Na contramão, o SBT talvez tenha sido o canal que mais se destacou, ao reeditar a novela infantil Carrossel. No ar às 20h30, a trama ganhou a atenção das crianças e aumentou o lucro da emissora, mostrando que o filão infantil não morreu e que pode ser um bom investimento, embora esteja batendo de frente com a legislação que proíbe o merchandising e os movimentos que defendem o fim da publicidade infantil. Glen Valente, diretor comercial do SBT, disse à imprensa que a novela deve faturar R$ 100 milhões com anunciantes, venda de CDs e licenciamento de produtos até seu encerramento, em março do próximo ano. Aproximadamente 15% do total embolsado pelo SBT com publicidade vêm da novela infantil. Não é por acaso, que a emissora tem procurado ampliar o horário para a garotada. Sucesso dos anos 80, o palhaço Bozo já voltou à programação da casa e com emprego garantido e ampliado em 2013. O palhaço já disputa a liderança do Ibope no horário matinal, concorrendo com Record e Rede Globo.

Tivemos também, neste ano, a série animada do Sítio do PicaPau Amarelo (26 episódios de 11 minutos cada), lançada aos sábados pela Rede Globo, e o programa Conversa de Gente Grande, na Band, mas que saiu do ar depois de sete apresentações. Segundo a emissora, o programa não decolou por conta do horário: aos domingos à noite. De resto, apenas os desenhos animados enlatados já conhecidos.

No Brasil de hoje, criança só tem melhores opções na TV por assinatura. Mas que criança? De acordo com a Anatel, somente 16 milhões de domicílios brasileiros têm acesso à tevê fechada. Ou seja: não é a realidade de muitas meninas e meninos. Fato muitas vezes ignorado pelas emissoras e pelo próprio governo federal, que poderia cobrar e investir mais na produção audiovisual para criança na tevê aberta comercial e na TV Brasil, vinculada à Empresa Brasileira de Comunicações. Em 2012, apenas o programa TV Piá, uma produção terceirizada, fez diferença na programação da TV Brasil. Que tal, em 2013, pressionar os canais e o poder público? Lembrando: os canais são concessões públicas. Exigir produções/programas para crianças, com bom conteúdo, diário e em horário compatível é um direito.