Os Invisíveis

 Por Marcus Tavares

A adolescência não é uma fase fácil de ser vivida pelos jovens e convivida pelos adultos. Que o digam os pais e os educadores. Pensando prioritariamente no cotidiano destes adolescentes, cheios de talentos, desafios e dúvidas, a Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio (MultiRio) produziu a série Os Invisíveis. Composto de cinco filmes em animação, o projeto  tem o objetivo de mostrar o dia a dia do personagem Sumiço, um jovem que quer ser visto, ganhar popularidade e fama, mas ao mesmo tempo tem medos, angústias e vergonhas.

Em entrevista à revistapontocom, Marcelo Salerno, que responde pela Assessoria de Artes Gráficas e Animação da MultiRio, explica que “as histórias de cada filme, sem pretender ter todas as respostas, levantam questões para reflexão e apontam a importância de se buscar alternativas, entendendo que os jovens não precisam ser todos iguais para “aparecer”.

Acompanhe:

revistapontocom – Qual é a proposta da série Os Invisíveis?
Marcelo Salerno –  Utilizar a linguagem de animação, rica em magia e fantasia, em formato leve e com humor, para tratar de alguns elementos relacionados aos desejos, anseios, inseguranças e descobertas dos jovens na fase em que se aproximam do mundo adulto, o início da adolescência. Destaque para a possibilidade de isolamento por dificuldades em integrar grupos tradicionalmente populares entre as crianças e jovens. Sem pretender ter todas as respostas, as histórias em cada filme levantam questões para reflexão e apontam a importância de se buscar alternativas, entendendo que os jovens não precisam ser todos iguais para “aparecer”. Todos possuem talentos e habilidades diferenciadas. É preciso se descobrir e investir no que é seu. O grupo ajuda e, por isso, com apoio de pais, professores e colegas, vale investir no aprimoramento e buscar novos caminhos.

revistapontocom – O que motivou a criação da série?
Marcelo Salerno – Atender ao público de 10 a 14 anos, fase reconhecidamente rica em questionamentos e descobertas para crianças e seus pais. Trabalhar a temática em filmes de animação com formato e duração adequados à veiculação via TV e internet, incluindo dispositivos móveis como celulares e tablets. Uma série de filmes que fale diretamente ao adolescente e crie a possibilidade da discussão dentro e fora da escola.

revistapontocom – Parece que por meio das histórias também está a fala do jovem que quer se reconhecido. Houve também esta busca?
Marcelo Salerno – Também. A invisibilidade do personagem remete ao desejo de integração aos grupos de destaque em seu convívio. Seja como atleta, intelectual, artista ou qualquer outra forma de pertencimento a um grupo, incluindo a família. Mas existem momentos em que a invisibilidade é tentadora, o que também pode levar ao isolamento. Outros pontos a considerar são a questão da privacidade e o bullying, que recebem importância ainda maior em tempos de internet e mídias sociais.

revistapontocom – Então, ao mesmo tempo em que se quer empoderar os jovens, os vídeos querem mostrar aos adultos a situação em que estes jovens se encontram?
Marcelo Salerno – Sim. Na série, os adultos estão representados por pais, professores e treinadores. Estes possuem extrema importância nas questões tratadas, como as pressões das tarefas diárias que podem dificultar as relações em família; a identificação do isolamento de um aluno em sala de aula por um professor, que solicita então sua atenção; o treinador que identifica habilidades do indivíduo e indica atividades que o fazem se sentir capaz. Essas são algumas das questões abordadas na série de animação.

revistapontocom- Como surgiram os roteiros das histórias?
Marcelo Salerno – A partir da consultoria de Marci Dória Passos e Ástrea da Gama e Silva, especialistas nos temas abordados, que indicaram as questões de maior relevância. O grupo de desenvolvimento selecionou situações que melhor funcionariam na técnica e no formato da série. A narrativa apresenta o personagem principal, Sumiço, os colegas de escola, a família e outras pessoas de seu convívio a cada episódio, em forma de filmes curtos que funcionam individualmente, como um viral da internet, mas que podem ser apresentados em sequência com bom resultado.

revistapontocom – No processo de construção do projeto, houve participação dos jovens?
Marcelo Salerno – Ouvimos um grupo de jovens que colocou questões que consideravam mais importantes. Trocamos ideias sobre escola, família, mídia, sexualidade e muitos outros assuntos. Essas informações se somaram às orientações dos consultores e ajudaram na formatação do projeto.

Ajudas para aprender

Por Virginia Ferrara Barbosa

É comum ouvir de professores que seus alunos são muito diferentes e que o trabalho em sala de aula seria mais efetivo se as turmas fossem homogêneas. Sabe-se que cada criança tem necessidades distintas, assim como os adultos apresentam dificuldades em dar respostas criativas e flexíveis às crianças que têm maneiras de ser e de se comportar nem sempre fáceis de serem compreendidas.

No livro Ayudas para aprender  – trastornos del desarrollo y práticas inclusivas, laureado com o prêmio Isay Klasse al Libro de Educación, o psicólogo e educador argentino Daniel Valdez ajuda pais, professores e demais profissionais da educação e da saúde a entender a diversidade em um mundo social e escolar inclinado à homogeneização e à condenação da diferença.

Acompanhe a entrevista e aproveite para refletir sobre a construção de uma escola inclusiva.

revistapontocom – O que são as ajudas para aprender?
Daniel Valdez – Vamos partir do seguinte ponto: todos nós precisamos de ajudas, em diferentes momentos de nossas vidas. As ajudas são pessoas que nos guiam na aprendizagem; são estratégias didáticas que criam ambientes educativos significativos e possibilitam compartilhar diferentes compreensões; são andaimes (como dito por Bruner) ou suportes para favorecer a autonomia, o autocontrole e os processos de autorregulação. As ajudas para aprender nada mais são que ferramentas para diminuir as barreiras em relação à aprendizagem e à participação nos grupos de trabalho. São instrumentos para melhorar nossa qualidade de vida e contribuir para a construção de uma escola inclusiva.

revistapontocom – De acordo com a importância das ajudas, que desafios a questão da diversidade suscita nas escolas?
Daniel Valdez – É importante analisar como as escolas se colocam frente àqueles alunos que “não encaixam” na sala de aula, que estratégias devem ser colocadas em jogo, que respostas criativas podem ser oferecidas diante do desafio do fracasso escolar. No século XXI, já não cabe pensar que o fracasso escolar é uma questão individual, atribuída somente ao aluno. Impõe-se a tarefa de recontextualizar o problema em termos de sistemas sociais complexos. As diversas maneiras de se abordar as diferenças mudaram, consideravelmente, nas últimas décadas. Desde o enfoque obsoleto baseado na “deficiência” ou “transformar em patologia aquilo que não é patológico [o entrevistado usou a expressão patologización], passando pelas propostas sobre necessidades educativas especiais e a integração, até chegar às atuais propostas de inclusão educativa e uma escola para todos que diminua as barreiras para aprender e participar.

revistapontocom – Qual é a diferença entre integração e inclusão?
Daniel Valdez – A Declaração de Salamanca de Princípios, Política e Práticas para as Necessidades Educativas Especiais, de 1994 – organizada pelo governo espanhol em cooperação com a Unesco e da qual participaram 92 países – incitou a comunidade internacional a concretizar os objetivos de uma “educação para todos”, evidenciando que a escola comum com orientação integradora representa o meio mais eficaz para combater as atitudes discriminatórias, criar comunidades que incluam a todos e contribuir para o êxito do ensino. Fez com que os governos se comprometessem em propiciar mudanças nas políticas educacionais, designar recursos econômicos, propor formação docente e participação da comunidade nas atividades escolares, atendendo às características de cada região. É evidente que a perspectiva das necessidades educativas especiais supera as visões reducionistas e tem efeitos políticos e sociais, visando não somente o nível “micro” (mudanças na interação professor-aluno e aluno-aluno, por exemplo), mas também o nível “macro” (mudanças decorrentes de políticas públicas). Nos últimos anos, se fala em escola inclusiva no lugar de escola integradora. A ideia que traz o cerne dessa mudança é interessante: não basta pensar em uma escola que “integre” e “normaliza” às crianças com necessidades educativas especiais ou com dificuldades de aprendizagem com a visão subjacente de que “somos todos iguais” (nesses termos até a pousada de Procusto poderia ser integradora). Isso supõe que o sistema propõe poucas mudanças, ou mesmo nenhuma, no que diz respeito às práticas educativas, seus valores, as formas de ensinar, de avaliar e de distribuir os saberes. Basta “assimilar” os diferentes, sem afetar muito a dinâmica institucional. Ao contrário, a ideia de inclusão supõe, a princípio, que “todos somos diferentes” e lança a escola no desafio de colocar em prática objetivos, conteúdos, sistemas de ensino e de avaliação que assumem essa diversidade, procurando incluir a todos no projeto educativo da comunidade. É evidente que essa proposta precisa de uma mudança de mentalidade profunda, mudança de valores que vão além da escola e que interpelam a sociedade como um todo.

nota: Procusto representa a intolerância do homem em relação ao seu semelhante. Procusto era dono de uma cama de ferro, que tinha seu exato tamanho, para a qual convidava todos os viajantes a se deitarem. Se as pessoas fossem muito altas, ele amputava o excesso de comprimento para ajustá-las à cama; as que tinham pequena estatura eram esticadas até atingirem o comprimento suficiente. Ninguém sobrevivia, pois nunca uma vítima se ajustava exatamente ao tamanho da cama. O mito do Leito de Procusto já foi usado como metáfora para criticar tentativas de imposição de um padrão em várias áreas do conhecimento, como na economia, na política, na educação, na história, na ciência e na administração.

revistapontocom – Quais são as características resumem o espírito da educação inclusiva?
Daniel Valdez – O movimento em direção a Educação Inclusiva pressupõe a reestruturação das escolas para responder às necessidades de todas as crianças e jovens. Exige-se uma série de mudanças metodológicas e organizacionais que incluem a formação dos próprios professores para que aceitem e aprendam a trabalhar com a diversidade, ao mesmo tempo em que as próprias instituições educacionais se reorganizam, com o objetivo de garantir um ensino de qualidade. O Índice de Inclusão (2000/2002), realizado pelo Centro de Estudos em Educação Inclusiva do Reino Unido e do Departamento Regional de Educação da Unesco para a América Latina e o Caribe, oferece uma caracterização da educação inclusiva que pode ser sintetizada em alguns pontos- chaves: a inclusão em educação envolve processos para aumentar a participação dos estudantes e reduzir sua exclusão na cultura, nos currículos e nas comunidades escolares; a inclusão implica na reestruturação da cultura, das políticas e das práticas das instituições escolares para que a diversidade de seu alunado possa ser atendida; a inclusão se refere à aprendizagem e à participação de todos e quaisquer estudantes vulneráveis à exclusão e não somente daqueles etiquetados como incapazes por motivos diversos ou aqueles denominados “portadores de necessidades educativas especiais”; a inclusão se refere ao aprimoramento das escolas, tanto de sua equipe como de seu alunado; a preocupação em superar as barreiras, para o acesso e a participação de um determinado aluno, pode servir para revelar as limitações mais gerais da escola, no momento de atender à diversidade de seu alunado; e todo estudante tem direito a uma educação no local onde vive; a diversidade não é entendida como um problema a ser resolvido, mas sim como uma riqueza para apoiar a aprendizagem de todos; a inclusão refere-se ao esforço mútuo das relações entre as escolas e a comunidade onde estão inseridas; e a inclusão em educação é um aspecto da inclusão social.

revistapontocom – Explique o que venha a ser este novo conceito de barreiras para aprender e participar.
Daniel Valdez  – O conceito de “necessidades educativas especiais” é substituído pelo termo “barreiras para aprender e participar”. Nesse contexto, a inclusão implica identificar e minimizar as barreiras que surgem no momento de aprender e de participar, fazendo uso de todos os recursos necessários que favorecem os processos de aprendizagem e de participação. Tanto as barreiras quanto os recursos para reduzi-las encontram-se em todos os elementos e estruturas do sistema: dentro das escolas, na comunidade e nas políticas locais e nacionais. O uso do conceito “barreiras para aprender e participar”, para definir os obstáculos que experimentam os alunos, implica em um modelo social em relação aos denominados alunos com dificuldades de aprendizagem e aos portadores de necessidades especiais. Para esse modelo, as barreiras para aprender e participar ”surgem da interação entre os estudantes e seus contextos: as pessoas, as políticas, as instituições, as culturas e as circunstâncias sociais e econômicas que afetam suas vidas. As dificuldades são barreiras para a participação dos alunos com deficiências físicas ou doenças crônicas. As necessidades especiais são criadas na interação entre atitudes, ações, culturas, políticas e práticas institucionais discriminatórias em relação às deficiências, à dor e às doenças crônicas”. Nesse sentido, as escolas têm o grande desafio de reduzir, consideravelmente, as dificuldades decorrentes de barreiras físicas, pessoais, sociais e institucionais de acesso e de participação.

revistapontocom – Como a idéia de redução das barreiras para aprender e participar reflete no trabalho concreto dos professores nas salas de aula?
Daniel Valdez – Acredito que a educação deve ser entendida como um processo constante de negociação entre professor e aluno. A negociação de significados e sentidos se torna essencial quando o objetivo é construir um espaço de compreensões compartilhadas entre professores e alunos. Isso implica não somente aspectos intelectuais, mas também supõe aspectos emocionais e afetivos que se revelam nas interações intersubjetivas. É um processo de negociação entre os significados e sentidos próprios dos alunos, seus conhecimentos prévios, suas formas de ver a realidade, sua maneira de conceber as outras pessoas, sua própria vida afetiva e emocional, os conhecimentos ligados a sua língua materna, a sua região e a sua cultura de origem e os significados e sentidos do adulto que ensina, expressos, em parte, por meio dos conteúdos conceituais, atitudinais e procedimentais do currículo. Tal negociação presume conhecer e respeitar os significados e sentidos de cada um; reconhecer as diferenças e valorizá-las como um fator de enriquecimento do processo de ensino e aprendizagem. De qualquer maneira, o adulto é o responsável por encontrar, na sua prática docente, os instrumentos de mediação semiótica mais adequados à construção de conceitos mentais compartilhados. Posto dessa forma, o desafio de lidar com a diversidade não deveria ser mera retórica da gestão educacional, mas sim ser considerado à luz do próprio processo permanente, interativo e interpessoal de negociação de significados e sentidos com alunos que demonstram grande heterogeneidade e desafiam os professores a utilizar instrumentos semióticos diversos, criativos, originais e, por que não dizer, inéditos. Instrumentos a serviço da comunicação, do enriquecimento mútuo e de compreensões compartilhadas.

Crianças e desenho animado

A professora Adriana Hoffmann Fernandes, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), acaba de lançar o livro As Crianças e os Desenhos Animados – mediações nas produções de sentido. (Editora Nau). No livro, a autora traz o significado da TV e dos programas de grande preferência das crianças a partir do olhar infantil, vendo-os com os olhos das crianças, respeitando-as como sujeitos coparticipantes da pesquisa e, com frequência, também, como críticas da cultura em que estão inseridas.

“Vivemos numa época de profundas e rápidas mudanças sociais, que tem a mídia, principalmente televisiva, como uma das principais veiculadoras de informações e valores. A experiência da criança hoje é profundamente marcada pelo contato cada vez mais frequente com a imagem, principalmente a imagem em movimento da TV, do computador/internet/videogame e em outros meios tecnológicos e suas telas. Tudo isso vem rompendo com hábitos intelectuais e educativos seculares. As crianças estão estabelecendo novas relações com a cultura e elaborando novas formas de acessar a informação e construir conhecimento”, destaca a autora.

A obra é voltada para todos os que desempenham papéis junto às crianças: pais, professores, pesquisadores – adultos que, de um modo ou de outro, preocupam-se com a experiência cotidiana da criança frente à TV –, bem como os gestores de políticas públicas implicadas com a educação de crianças e com a produção cultural que a elas se destina.

 

Quando o playground se digitaliza

Por Ilana Eleá
De Tampere, Finlândia

A pesquisadora britânica Jackie Marsh foi quem abriu o seminário bianual de Mídia-Educação, My Media Playground, realizado pela sociedade de mídia e educação da Finlândia, em Tampere, Finlândia, nos dias 14 e 15 de fevereiro. Professora da Universidade de Sheffield, Marsh apresentou dados sobre o modo de se pensar e fazer pesquisa a respeito de letramentos digitais com crianças a partir dos dois anos. Em sua proposta de trabalho, os pais são convidados a filmar seus filhos quando estiverem envolvidos com práticas de mídia no contexto doméstico e cotidiano, bem como as próprias crianças, que podem registrar como acessam, por exemplo, o site do Club Penguin.

Além de tal abordagem, Marsh realiza estudos etnográficos longitudinais em escolas públicas, onde crianças atuam como co-pesquisadoras. Elas próprias são responsáveis por realizar entrevistas, vídeos, mapas, sociogramas e questionários sobre usos de mídia.

A ideia é pensar como a criatividade e as culturas digitais se relacionam com as formas de brincar, jogar e se divertir na contemporaneidade. Neste mapeamento, são consideradas formas de brincar: cantar, dançar, falar sobre o que se vê na TV com amigos ou família; usar brinquedo eletrônico com irmãos e parentes; usar o telefone celular para falar com amigos imaginários ou com membros da família ou usar o laptop sozinho, assistir à vídeos no Youtube e navegar na internet.

clique aqui e veja s apresentações do encontro

A intertextualidade trazida pela chamada transmídia também é foco de pesquisa. Segundo Marsh, se conglomerados de mídia, como a Disney, são responsáveis pelos programas que as crianças mais consomem como entretenimento, a associação de marcas e produtos bem como o consumo não podem ser ignorados pelas práticas mídia-educativas. Marsh reconhece que a intenção de relacionar entretenimento com consumo infantil não é nova. Desde os anos 30, a Disney associa a sua produção a uma grande oferta de produtos a serem consumidos pelo público infantil. O mesmo vale para os jogos online – cada vez mais presente no cotidiano das crianças. Jogos nos quais elas podem personalizar avatares e onde ferramentas, ditas de segurança, são oferecidas, como chat, moderadores e informações para os pais disponíveis.

De acordo com a pesquisadora, há um persistente espaço de atração comercial sendo oferecido nos “playgrounds digitais”, ambientes nos quais as desigualdades socioeconômicas são experimentadas, vivenciadas desde cedo pelas crianças. Em sites como Club Penguin, é possível que a criança se torne um membro especial, tendo direito a utilizar acessórios diferenciados e promover festas privadas dentro da comunidade virtual, um claro espelho de distinção econômica vivida na sociedade e reproduzida entre as crianças.

Autora dos livros Play, creativity and digital cultures e Virtual Literacies, Marsh encoraja pesquisas que aprofundem as práticas que as crianças estão tendo de jogar e de se divertir, especialmente em estudos comparativos, que levem em consideração ações tanto on-line quanto off-line.

Volta às aulas

Por Flavia Lopes Lobão
Professora da Escola Sá Pereira e doutorando em Educação pela UFF

Para ensinar sempre é necessário o amor e o saber, porque quem não ama não quer, e quem não sabe, não pode. (Padre Antonio Vieira).

Essa experiência de volta às aulas, para mim, se repete há muitos anos e parece sempre inaugural no que diz respeito à realização de um sonho de escola, sua poetização e (re) encantamento. É nisso que penso/sinto em primeiro lugar: como alimentar este sonho? Novos vínculos de afeto com o grupo que nos espera estarão por ser construídos, assim como novos desafios com relação à pesquisa, ao conhecimento; isso quando se sabe que quase nada está pronto/dado, ou seja, que há um espaço grande para decisão coletiva do que será estudado, do que será posto na centralidade como desafio para grupo.

Parece claro que o reencontro precisa ser cativante! Certamente há uma complexidade aí que escapa aos limites deste texto, mas não é possível deixar de considerar que esse sonho é tecido tendo em vista uma série de condições objetivas e subjetivas, que vai dos aspectos mais miúdos, do cotidiano, aos macros.

Sendo assim, a cada ano, o momento volta às aulas parece atravessado por uma enormidade de desafios, mas que reforçam tal necessidade de (re) encantamento da escola: fazer sentido para as crianças/jovens sendo capaz, ao mesmo tempo, de produzir novos desafios intelectuais, estéticos, afetivos etc.

Ao considerar a complexidade de nossa realidade, a situação da Educação no Brasil, penso que não há como reiniciar um ano letivo sem pensar a questão do formação do leitor – da palavra e do mundo – na verdade, o “nó cego” que atravessa toda a formação escolar e acadêmica, com implicações na vida cidadã.

Um dia desses, lendo Ruy Duarte de Carvalho, encontrei-me com a seguinte ideia que sacoleja, especialmente, quem lida diariamente com o compromisso de educar:

quem é analfabeto nada lê, de fato, e também de fato pouco ou nada leem aqueles que se beneficiam de aprendizagens modernas mas evitam, recusam mesmo, porque antes do mais lhes intimida, toda a escrita que não lhes proponha uma sopa de letras liquidificada pelas tecnologias da midiatização…

Fico pensando nesse inusitado analfabetismo um pouco mais sutil. Vivemos num tempo em que parece não ter fim a quantidade de informação disponível, talvez nunca as pessoas tenham lido tanto, mas, paradoxalmente, parece que nunca leram tão pouco. Falo dessa experiência de leitura que arrebata e transforma. Essa leitura que interpela a vida parece já não ter mais espaço quando o desejo é estar, simplesmente, bem informado – sobre uma infinidade de coisas pulverizadas. De fato, pouco ou nada se lê quando não somos capazes de afirmar/reinventar um lugar de leitor diferente daquilo que já está previamente demarcado, visado. Qual tem sido a contribuição da escola para uma leitura atenta e bem cuidada, do mundo, de uma circunstância, ou ainda do outro? E, como iniciar um ano letivo, encontrar os estudantes, sem nos lembrar que estamos implicados nesta realidade?

Fico sempre na esperança de que algo seja realmente inaugurado nas escolas, e quem sabe deixaremos de falar em criar o hábito de leitura e passaremos a, pacientemente, cativar a leitura. Estaremos diante do desafio de transformação de práticas engessadas, e a primeira de todas as exigências para compreensão dos mecanismos e do funcionamento da linguagem é proporcionar a experiência de narrar e de ser ouvinte de narrativas. O professor será ensinante, mas também aprendiz, porque as compreensões serão sempre muitas e variadas, lançando os sujeitos envolvidos em novos processos de experimentação e de aprendizagem. Certamente que atuar nessa perspectiva exige uma compreensão de que a criança e o jovem também educam, não apenas são educados. Reencontrar com nossos estudantes exige esta disponibilidade: uma atitude amorosa de reconhecimento/respeito pela alteridade.

Infelizmente, a realidade ainda aponta para a escola do “Psiu, falem baixinho! A Rainha pode ouvir!” Assim, menino e menina perspicazes vão se entregando, entrando no jogo que a escola faz, cansados por suas inúmeras tentativas de serem vistos, ouvidos, tocados, amados. Logo entendem que precisam crescer rapidamente para serem reconhecidos como igual. Mesmo que isto signifique sacrificar sua felicidade real. Entretanto, aprenderam mais lições importantes: barganhar para receber atenção, cuidados, amor e crescer é ser alguém na vida. Se não se domesticarem poderão ser castigados ou abandonados, ficarem invisíveis, incompreendidos…e, quem sabe, até, transformarem-se em ninguém.

Cultura para portadores de deficiência

Em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Ministério da Cultura vai oferecer o 1º Curso de Especialização em Acessibilidade Cultural para pessoas com deficiência. O curso visa à formação de especialistas para atuarem na elaboração e aplicação de políticas públicas voltadas ao acesso à Cultura para portadores de deficiência. As inscrições podem ser realizadas no site da UFRJ até o dia 1º de março. Este é o primeiro curso público em formato de Pós-Graduação, no país, no campo das políticas culturais acessíveis para pessoas com deficiências.

A realização do curso vem a atender o compromisso do Ministério da Cultura (MinC) com a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a diretrizes do Plano Nacional de Cultura (PNC) e do Sistema Nacional de Cultura (SNC), que estabelecem a necessidade do desenvolvimento de ações governamentais de promoção da fruição cultural para pessoas com deficiência.

O público alvo da especialização são os gestores públicos, funcionários e professores de universidades públicas, integrantes de Pontos de Cultura e Organizações Não Governamentais que trabalhem com o tema. Estão sendo oferecidas 42 vagas direcionadas a candidatos de todo o país. O curso tem duração de nove meses e carga horária de 360 horas, distribuídas em 40 horas semanais. A periodicidade das aulas será de uma semana por mês, para viabilizar a participação de pessoas de outras cidades e estados.

O conteúdo programático do curso traz palestras com cerca de 40 especialistas na área e disciplinas de audiodescrição, braile, libras, desenho universal, web acessível, prática de montagem de exposição acessível, entre outras. No Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) o aluno sairá com a proposta de política cultural de acessibilidade para a sua instituição.

Informações pelo endereço:acessibilidadecultural@medicina.ufrj.br, ou pelo telefone (21) 2562-6506.

Cinema francês em cartaz

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 19 de fevereiro a 03 de março, a mostra “XXI Filmes Franceses Contemporâneos – 2ª edição”, que vai reunir algumas produções de expressivo reconhecimento de crítica e público e outras de pouca ou nenhuma circulação comercial no Brasil. Com patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal, a mostra é uma produção do Cineduc – Cinema e Educação, com apoio da Cinemateca da Embaixada da França no Brasil e do Institut Français.

A seleção de 21 filmes apresenta, lado a lado, nomes como Jean-Luc Godard, Alain Resnais e cineastas pouco conhecidos pelo grande público, como Eulzhan Palcy. Entre os filmes mais comerciais estão os fenômenos “Intocáveis” e “O pequeno Nicolau”, que estiveram recentemente em cartaz no Brasil, e o já cult “A professora de piano”, com a performance antológica de Isabelle Huppert, que recebeu a Palma de Ouro de Melhor Atriz, no Festival de Cannes. Os recentes “As neves do Kilimanjaro” e “E se vivêssemos todos juntos” aumentam a lista de obras atuais da cinematografia francesa.

Em outra vertente, a mostra exibe também títulos que não tiveram circulação comercial, dando ao público oportunidade de ver obras raras nos cinemas brasileiros, como “Claude Lévi-Strauss por ele mesmo” e “A Travessia”. A mostra reúne ainda cineastas de outras nacionalidades que, por intermédio de seus filmes, realizaram coproduções com a França. É o caso do cineasta austríaco Michael Haneke e seu intrigrante “A professora de piano”, e do norte-americano Julian Schnabel e sua obra-prima “O escafandro e a borboleta”, que serviram de veículo para atuações memoráveis dos atores franceses Isabelle Huppert e Mathieu Amalric.

Em sua segunda edição, o evento dá continuidade à proposta de mesclar o melhor do cinema francês comercial e alternativo. “Com os filmes, exibidos em película ou digital, a mostra propõe uma revisão do cinema francês contemporâneo, com filmes realizados preferencialmente entre 2001 e 2012, trazendo ao público carioca toda a versatilidade e a complexidade de uma das mais ricas cinematografias do mundo”, afirma o curador Alexandre Guerreiro.

Clique aqui e confira a programação

Jornalismo em ação

O Canal Futura, em parceria com a Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU) e o projeto Globo/Universidade, vai eleger 20 projetos audiovisuais de estudantes do Ensino Superior para coprodução e exibição. Para participar, os interessados no 3º Chamado Público do Núcleo de Jornalismo do Canal Futura devem enviar uma proposta de reportagem, com duração de 13 minutos, até o dia 30 de abril.

O material, do projeto selecionado, será transmitido na faixa do Sala de Notícias, um espaço dedicado aos documentários que exploram a diversidade de olhares, linguagens e narrativas, no ar de segunda a sexta-feira, às 14h30 e 21h. Na seleção, a temática será livre, entretanto, serão valorizados assuntos de interesse público, como educação, saúde, cultura, memória, meio ambiente, direitos humanos e empreendedorismo, além de perfis e histórias pessoais. As obras devem ser realizadas também em versões de dois minutos para apresentação no programa e no site do Globo Universidade. Os vencedores serão divulgados no dia 3 de junho.

Esta é a primeira vez que o Futura realiza uma edição especial do Chamado para estudantes. A iniciativa, exclusiva para alunos universitários de cursos de graduação em fase de preparação dos seus trabalhos finais nas áreas de Comunicação Social, Cinema ou outra que envolva a formação para a produção audiovisual, reforça o caráter colaborativo do canal. Atualmente, a emissora já conta com a participação de 31 universidades de diversas regiões do Brasil em sua programação.

Clique aqui e confira o edital

Convocatória Biblioteca Nacional

Com o objetivo de divulgar a literatura para crianças e jovens e a produção de histórias em quadrinhos (HQs) brasileiras, a Fundação Biblioteca Nacional recebe inscrições de editoras estrangeiras que queiram traduzir, publicar e distribuir, no exterior, obras de autores brasileiros nesses segmentos, já publicadas no Brasil. Os interessados têm até o dia 1º de julho deste ano para se inscrever.

A convocatória se insere no âmbito do Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior. Tendo em vista as especificidades dos livros de HQs (para todas as idades) e das obras voltadas para as crianças e jovens, o apoio concedido às editoras poderá contemplar tanto os custos de tradução quanto os custos de edição dos projetos aprovados.

Conforme o texto do edital, cada projeto apoiado receberá o máximo de 8 mil Dólares. As obras apoiadas deverão ser publicadas até 1º de março de 2014. Tanto os projetos enviados para avaliação quanto os projetos aprovados deverão respeitar as normas e os critérios estabelecidos no edital.

Clique aqui e leia o edital

O samba e a indústria cultural

Por Denis Weisz Kuck
Pesquisador e jornalista

“O samba é um símbolo da identidade brasileira. Mas só atingiu esse status ao se inserir na indústria cultural e ser aceito pelas chamadas classes dominantes. Porém, ele não é apenas mercadoria, pois foi construído por uma cultura popular que o legitima”. Pode soar como heresia aos puristas, mas trata-se de uma das conclusões do doutorado de José Adriano Fenerick, defendido na Universidade de São Paulo. O estudo analisa como as inovações tecnológicas e a difusão nos meios de comunicação e nos vários setores da sociedade afetaram o samba entre 1920 e 1945.

O samba surgiu no Rio de Janeiro no fim do século 19 (ou até antes) na região da Cidade Nova, onde se concentravam negros libertos e vindos da Bahia. A princípio, o samba era praticado apenas como festa, como as que ocorriam no casarão da lendária mãe-de-santo baiana Tia Ciata, onde os negros ‘brincavam’ o samba, tocavam chorinho e promoviam rodas de candomblé.

As rodas de samba da época eram diferentes das de hoje, quando todos cantam a mesma música do início ao fim. O samba da época era o de partido-alto, em que havia a repetição de uma única estrofe fixa, cantada por todos, entremeada de versos improvisados — assim, só os mais sagazes sambistas cantavam sua realidade de malandragem, violência e sexo. “A indústria cultural afetou as relações do samba com o sambista e a sociedade”, diz Fenerick. Um exemplo é o famoso samba “Pelo telefone”, de Donga: após ser gravado em 1917, ganhou versão fixa estruturada em estrofes ‘congeladas’ pelo disco.

Nos anos 1920, os sambas começaram a ser gravados acompanhados pelas orquestras dos cassinos do Rio, o que alterou ainda mais sua estrutura rítmica e melódica. O samba se tornava mercadoria, com a compra e venda de discos e sua divulgação pelo rádio. Em oposição a esse samba que se ‘elitizava’ e se coisificava, surgiram as escolas de samba criadas nos morros e que circulavam pelas ruas do Rio com seus instrumentos feitos de sucata.

“O samba feito a partir daí tinha elementos dos dois mundos, do morro e da cidade.” O ritmo deixava de ser apenas um fenômeno local e ganhava o Brasil. Durante o governo Vargas, cresce sua divulgação pelo rádio e sua temática muda. Era preciso ‘educar’ o samba (torná-lo civilizado e branco). Não por acaso, data do fim dos anos 1930 a invenção do samba exaltação, que elevava o Brasil ao patamar de ‘paraíso terrestre’ (a “Aquarela” de Ary Barroso é o maior exemplo).

Em seu estudo, Fenerick pesquisou, entre outros, as biografias lançadas pela Fundação Nacional de Arte (Funarte) sobre sambistas como Cartola, Candeia ou Ismael Silva. O pesquisador também esmiuçou publicações do período especializadas em música como a Revista Phono-arte, que trazia as novidades em equipamentos de som, e jornais como A Modinha Brasileira e A Voz do Violão. E, claro, ouviu sambas da época, no que foi muito ajudado pelo acervo do Museu da Imagem e do Som, no Rio. “O samba só se tornou símbolo do Brasil devido aos interesses relacionados das camadas populares, da classe média, do Estado e dos meios de comunicação”, avalia Fenerick. “Ele não é nem do morro, nem da cidade – como diz o samba de Noel Rosa. É brasileiro.”

* Reportagem publicada pelo portal Ciência Hoje on-line, em 7 de abril de 2003.

Merchandising infantil

O Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) determinou novas regras em relação à publicidade dirigida ao público infantil (até 12 anos). A partir do dia 1º de março, crianças não poderão mais participar de ações de merchandising na televisão. A realização de merchandising de produtos e serviços voltados para esse público também não será mais aceita, seja em programas voltados para o público infantil, adolescente ou adulto.

De acordo com a entidade, a publicidade de produtos e serviços focada no público infantil deve se restringir aos intervalos e espaços comerciais. “O Conar, mais uma vez, corresponde às legítimas preocupações da sociedade com a formação de suas crianças”, diz, em nota, Gilberto Leifert, presidente do conselho.

Leifert diz, contudo, que não se deve impedir a exposição de crianças à publicidade ética. “O consumo é indispensável à vida das pessoas e entendemos a publicidade como parte essencial da educação. Privar crianças e adolescentes do acesso à publicidade é debilita-las, pois cidadãos responsáveis e consumidores conscientes dependem de informação”.

A autorregulamentação já previa veto a ações de merchandising de alimentos, refrigerantes e sucos em programas especificamente dirigidos a crianças. Segundo o órgão, ainda que seja de adesão voluntária, o documento é unanimemente aceito e praticado no país por anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação. Para ler o código na íntegra, acesse o site do Conar.

Leia a íntegra das novas regras da Seção 11 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, que passam a valer em março:

SEÇÃO 11 – CRIANÇAS & JOVENS

Artigo 37

3 – Este Código condena a ação de merchandising ou publicidade indireta contratada que empregue crianças, elementos do universo infantil ou outros artifícios com a deliberada finalidade de captar a atenção desse público específico, qualquer que seja o veículo utilizado.

4
 – Nos conteúdos segmentados, criados, produzidos ou programados especificamente para o público infantil, qualquer que seja o veículo utilizado, a publicidade de produtos e serviços destinados exclusivamente a esse público estará restrita aos intervalos e espaços comerciais.

5
 – Para a avaliação da conformidade das ações de merchandising ou publicidade indireta contratada ao disposto nesta Seção, levar-se-á em consideração que:
a. o público-alvo a que elas são dirigidas seja adulto
b. o produto ou serviço não seja anunciado objetivando seu consumo por crianças
c. a linguagem, imagens, sons e outros artifícios nelas presentes sejam destituídos da finalidade de despertar a curiosidade ou a atenção das crianças.

Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis

Estão abertas as inscrições para a 12ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que ocorre de 28 de junho a 14 de julho no Teatro Governador Pedro Ivo Campos, na capital catarinense. Podem participar da seleção curtas-metragens nacionais de todos os gêneros e formatos, direcionados ao público infanto-juvenil e inéditos em Santa Catarina.

O regulamento e a ficha de inscrição podem ser acessados no endereço
www.mostradecinemainfantil.com.br/inscricoes2013

Todo o processo é online, incluindo o envio de cópias dos filmes. O prazo de inscrições vai até o dia 21 de março e a relação das obras selecionadas será divulgada a partir de 23 de abril. O Melhor Filme eleito pelo Júri Oficial e o Melhor Filme escolhido pelo público infantil receberão o prêmio aquisição da TV Brasil no valor de R$ 10 mil cada um.

“Desde 2008, os curtas da Mostra Competitiva são também encaminhados para a Programadora Brasil, que seleciona títulos para este projeto do governo federal, e faz circular o cinema brasileiro em escolas, universidades, cineclubes e centros culturais”, diz Luiza Lins, diretora da Mostra.

Além dos curtas nacionais, o festival exibe curtas e longas-metragens internacionais, médias e longas brasileiros nas sessões especiais e de pré-estreias. Na última edição, mais de 120 mil crianças participaram do evento, que tem como objetivo a inclusão social, o fortalecimento e a circulação do cinema infantil brasileiro. A Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis é uma realização da Lume Produções Culturais com apoio do Núcleo de Ação Integrada e patrocinadores.

Educação on-line

 Da equipe do site Porvir

Um grupo formado por 12 especialistas em educação on-line do mundo se reuniu para elaborar uma Declaração de Princípios e Direitos da Educação On-line, dentre eles Sebastian Thrun, da Udacity, e Betsy Corcoran, cofundadora do Edsurge. Durante mais de um mês, eles se debruçaram sobre os limites éticos do ensino virtual, até onde se pode ir e que valores respeitar. Eles produziram um documento, traduzido do EdSurge pelo site Porvir, com nove direitos e dez princípios da educação no contexto virtual.

Confira:

DIREITOS
Nós acreditamos que, na nossa cultura, o aprendizado, o desaprendizado e o reaprendizado são fundamentais para a nossa sobrevivência e prosperidade, assim como respirar. Por isso, acreditamos que todos os estudantes têm direitos inalienáveis que se transferem para novos e emergentes ambientes digitais. Eles incluem:

Direito ao acesso
Todos devem ter o direito de aprender: estudantes tradicionais, estudantes não tradicionais, adultos, crianças e professores, independenetemente de gênero, raça, classe social, orientação sexual, situação econômica, nacionalidade, condições físicas em qualquer lugar do mundo. A aprendizagem deve ser acessível e disponível, oferecida em diversos formatos, para alunos que estão em um lugar específico ou aqueles que estão em algum lugar remoto, adaptando-se aos diferentes estilos de vida das pessoas, às necessidades de mobilidade e horários. A aprendizagem on-line tem o potencial de garantir que este direito seja uma realidade para uma maior porcentagem da população mundial, algo antes impossível.

Direto à privacidade
A privacidade dos alunos é um direito inalienável, não importando o lugar onde o aluno aprenda, seja física ou virtualmente. Os estudantes têm o direito de saber como os dados de sua participação foram coletados pela plataforma on-line e como serão usados pela organização e se estarão disponíveis para terceiros. Quem oferece o ensino deve ser claro quanto às implicações que as escolhas dos alunos têm em sua privacidade.

Direito de criar conhecimento público
Aprendizes em comunidades digitais e globais têm o direito de trabalhar, organizar-se em rede e contribuir para o conhecimento público; partilhar suas ideias e seu aprendizado de forma visível e conectada, se assim o desejarem. Os cursos devem incentivar a participação aberta e envolvimento significativo com o público real onde for possível, incluindo os pares e o público em geral.

Direito à propriedade intelectual
Os estudantes também têm o direito de criar e ter propriedade intelectual e dados associados a sua participação em cursos on-line. Programas on-line devem encorajar a abertura e o compartilhamento, já que entre os seus deveres, está o de educar os alunos sobre como proteger e licenciar seus dados e trabalhos criativos. Qualquer mudança em termos de serviço deve ser claramente comunicada por quem está oferecendo o serviço e elas nunca poderão contrariar os termos originais de prividade e de propriedade intelectual com os quais os estudantes concordaram.

Direito à transparência financeira
Os estudantes têm o direito de saber como a sua participação suporta a saúde financeira do sistema on-line do qual faz parte. Eles têm o direito à justiça, à honestidade e a uma contabilidade financeira transparente. Isso também deve ser verdade para os cursos gratuitos. A instituição que oferece o curso deve dar explicações claras sobre as implicações financeiras das escolhas dos alunos.

Direito à transparência pedagógica
Os estudantes têm o direito de entender os resultados esperados – do ponto de vista educacional, vocacional ou mesmo filosófico – de um programa ou de uma iniciativa on-line. Se uma condecoração, uma menção honrosa ou um certificado é prometido por quem oferece o curso, sua autenticidade, significado, seu reconhecimento histórico ou pretendido (por empregadores ou instituições acadêmicas, por exemplo) devem estar claramente estabelecidos e explicados.

Direito à qualidade e ao cuidado
Estudantes têm direito ao cuidado, à diligência, comprometimento, honestidade e inovação. A eles não está sendo vendido um produto – muito menos eles são produtos a serem vendidos. Eles não são apenas consumidores. A educação se baseia em confiança. O aprendizado, e não o lucro, é o principal objetivo da educação.

Direito de ter professores excelentes
Todos os alunos precisam de professores reflexivos, facilitadores, mentores e parceiros na aprendizagem; precisam também de ambientes de aprendizagem atentos às suas metas e necessidades específicas. Enquanto apenas alguns são a favor de comunidades de aprendizagem, todos nós reconhecemos que, em contextos educativos formais, os alunos devem esperar – na verdade, até exigir – que as pessoas que estão organizando, orientando e facilitando a sua aprendizagem on-line sejam financeira, intelectual e pedagogicamente valorizadas e apoiadas por instituições de ensino superior e pela sociedade. A experiência dos professores e suas condições de trabalho são as condições de aprendizagem dos alunos.

Direito de ser professor
Em um ambiente on-line, professores não precisam mais ser as únicas autoridades. Em vez disso, devem compartilhar responsabilidades com os alunos. Estudantes podem participar e ajudar a moldar o aprendizado uns dos outros por meio da interação entre pares, novos conteúdos, do aprimoramento dos materiais de aprendizagem e da formação de redes virtuais e reais. Estudantes têm o direito de participar da construção do próprio aprendizado. Estudantes são atores, pensadores, colaboradores e não apenas receptores passivos das aulas ou métodos de alguém. Eles são colaboradores críticos em suas áreas de interesse, disciplinas e do projeto de educação.

PRINCÍPIOS
Os pontos que se seguem são os princípios para os quais o aprendizado on-line deveria apontar. Nós acreditamos que o mérito de cursos específicos, programas e iniciativas podem ser julgados pela adesão a esses princípios. Seu sucesso também pode ser medido pelo incentivo a estudantes e professores para que busquem e criem ambientes de aprendizado digital que fortaleçam esses princípios.

Contribuição global
O aprendizado on-line deveria emergir de todo o mundo, não apenas dos EUA e outros países tecnologicamente mais avançados. Os melhores cursos serão globais em design e colaboração, oferencendo perspectivas múltiplas e envolvendo vários países. Eles devem maximizar oportunidades para que estudantes de diferentes países colaborarem uns com os outros, contribuam com conhecimento e histórias locais e aprendam com os métodos, valores, conhecimentos e pontos de vista de seus pares.

Valores
A função do aprendizado é permitir que os estudantes se preparem para enfrentar os desafios e demandas da vida e do trabalho. O aprendizado on-line pode servir como um meio para desenvolver habilidades. Ele também pode dar o suporte para o aperfeiçoamento, o envolvimento da comunidade, o desafio intelectual ou a diversão. Todas estas funções são válidas.

Flexibilidade
Os estudantes devem ter opções para o aprendizado on-line. Elas não devem ser apenas uma cópia dos cursos das universidades convencionais. Os melhores programas de ensino on-line não vão apenas replicar formatos pré-existentes de ensino universitário, mas vão oferecer uma série de oportunidades flexíveis de aprendizado. Tais oportunidades se valem de novas ferramentas digitais e pedagógicas para ampliar os horizontes tradicionais e, assim, atender melhor os interesses dos alunos do século 21 e as demandas de um aprendizado para a toda a vida. A ideia é que os alunos também deem sugestões e apoiem as novas formas de pesquisa interdisciplinar, que não são mais dependentes das fontes tradicionais.

Aprendizado híbrido
Sem amarras a tempos ou espaços, a aprendizagem on-line deve estar conectada com vários locais do mundo, e não exclusivamente localizada no mundo digital. Essa conexão com o mundo real pode acontecer por meio de estágios ou mesmo da resolução de problemas baseados, por exemplo, em dilemas existentes ou a partir de uma comparação histórica ou perspectivas culturais.

Persistência
O processo de aprendizagem acontece ao longo da vida, e não apenas em um período específico. As divisões muito nítidas que existiam entre trabalho, educação e diversão parecem não fazer mais sentido no século 21. A aprendizagem começa em um playground e, ao longo da vida, continua em outros playgrounds, em espaços individuais e compartilhados de trabalho, em comunidades. A aprendizagem até pode ser avaliada, mas não deve se voltar exclusivamente para a avaliação.

Inovação
As inovações técnicas e pedagógicas devem ser a marca dos melhores ambientes de aprendizagem. Os alunos aprendem de diferentes formas e, por isso, devem ser auxiliados por meio de uma grande variedade de abordagens pedagógicas, de ferramentas de aprendizagem, de métodos e práticas distintos. O aprendizado on-line deve ser flexível, dinâmico e individualizado, em vez de enlatado ou padronizado. Um formato ou abordagem não é o único apropriado para todo mundo.

Avaliação formativa
Os alunos devem ter a oportunidade de rever e reaprender até atingir o nível de domínio desejado em um tema ou uma habilidade. Os programas devem se esforçar para transformar a avaliação em um processo rico de feedback, centrado no aluno, no qual os alunos recebem informações constantes e destinadas a orientar os seus caminhos de seu aprendizado. Em termos pedagógicos, isso significa dar ênfase a uma avaliação individualizada e a ser completada em um tempo específico, em de ser aplicada no “fim do aprendizado”. Da mesma forma, os professores devem usar a avaliação para melhorar suas práticas em sala de aula. A avaliação só é útil na medida em que ajuda a promover a cultura de sucesso e prazer em aprender.

Experimentação
Experimentação deve ser uma base reconhecida e benéfica da aprendizagem on-line. Os alunos devem estar aptos a experimentar um curso e abandoná-lo sem que isso incorra em rótulos pejorativos, tais como insuficiência (para o estudante ou a instituição que oferece o curso). Por meio da discussão aberta sobre os pontos fortes e fracos dos programas, a indústria deve desenvolver, em grupo, guias de avaliação para ajudar os alunos na escolha do melhor curso on-line que se adapte às suas necessidades.

Civilidade
Os cursos devem incentivar a interação e colaboração entre os estudantes, onde quer que isso agregue à experiência de aprendizado. Tais programas devem encorajar as contribuições de conteúdo, perspectivas, métodos, refletindo sobre seus próprios pontos de vista culturais e individuais. Programas ou iniciativas de aprendizagem on-line têm a responsabilidade de compartilhar essas contribuições em uma atmosfera de integridade e respeito. Os alunos têm o direito e a responsabilidade de promover e participar de forma generosa, gentil e construtiva dentro do seu ambiente de aprendizagem.

Brincadeira
A educação on-line aberta deve inspirar o inesperado, a experimentação e o questionamento – em outras palavras, incentivar a brincadeira. Brincar permite a familiarização com as coisas novas, o aperfeiçoamento de novas habilidades, a experimentação dos movimentos e, mais importante, abertura para abraçar a mudança – um ponto-chave para o sucesso no século 21. Devemos cultivar a imaginação e a disposição para questionar, mexer e se conectar. Devemos lembrar que o melhor aprendizado, acima de tudo, transmite o dom da curiosidade, a maravilha da realização, e a paixão por conhecer e aprender cada vez mais.

Carnaval seguro

O Governo Federal, por meio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, lança, mais uma vez, a Campanha Nacional de Carnaval pelo Fim da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.

O objetivo é conscientizar a sociedade sobre a incidência dessa prática em todo o país. As peças publicitárias chamam a atenção dos foliões para que não desviem o olhar. Em caso de violência sexual contra crianças e adolescentes, a campanha orienta que os adultos denunciem. Basta discar 100.

A violência sexual  contra crianças e adolescentes, principalmente entre crianças até 9 anos de idade,  é o segundo principal tipo de violência, ficando pouco atrás apenas para as notificações de negligência e abandono. Pesquisa feita pelo Ministério da Saúde mostra que, em 2011, foram registrados 14.625 notificações de violência doméstica, sexual, física e outras agressões contra crianças menores de dez anos.

Além da ação do Governo Federal, as redes nacionais de proteção aos direitos da infância e da adolescência também estão promovendo a campanha Brinque o Carnaval sem Brincar com os Direitos das Crianças e dos Adolescentes. A proposta não é apenas proteger o público da violência sexual, mas também do trabalho infantil, do tráfico para fins de exploração, entre outros tipos de violação.