A revolução pelo luxo

Por Vivian Whiteman
Da revista Serafina

Ruas em chamas, clima de guerrilha. O rebelde usa lenço Vuitton no rosto, a mocinha se arma com um cinturão da Gucci, um companheiro da linha de frente lança um coquetel molotov de champanhe. Todas são cenas da campanha publicitária lançada neste mês para divulgar a revista “Black Card”, dedicada ao mundo do luxo. Batizado de Revoluxury (em português, a tentação é traduzir como “Revoluxão”, algo que poderia ter saído do abecedário da Xuxa), o comercial fala, segundo seus idealizadores, sobre “o direito de lutar pelo luxo”.

Nos últimos meses, houve uma avalanche midiática sobre o assunto. Além do comercial, três filmes atuais tocam a questão. O jornal “New York Times” capturou a tendência e publicou um artigo falando sobre a tentação sensual do dinheiro e seus produtos. O artigo cita “O Grande Gatsby”, que traz personagens rodeados pelo luxo da década de 1920; “Spring Breakers” (com estreia prevista para setembro), de Harmony Korine, que conta a história de gatas marginais que assaltam para realizar sonhos de consumo; e “Bling Ring: a Gangue de Hollywood” (estreia em 12 de julho), de Sofia Coppola, baseado na história real de um grupo de jovens angelenas que invadia casas de celebridades para roubar bolsas e lingeries, numa abordagem “cleptomaníaca VIP”.

O texto do jornal americano termina denunciando nosso tempo como o da busca por prazeres tão superficiais quanto nossa ideia de felicidade. Acerta em cheio ao destacar a importância, nessas tramas, de uma figura essencial: o indivíduo que não pode ter certos objetos, mas acredita que merece tê-los. Desolado, o autor convida o leitor a chorar. Agarre seu lencinho e voltemos ao comercial: a quem ele se destina? Quem é que os publicitários convocam a lutar pelo direito ao luxo? Os milionários modernos, esses que posam no Instagram de bermuda e chinelo, estão ocupados com voos mais altos no plano do consumo.

Viagens espaciais, tratamentos preventivos que acrescentarão décadas a suas vidas e seleção genética de seus descendentes estão entre os produtos que podem adquirir aqui e agora. Sim, eles têm boas camisas e lençóis finos, mas os usam com naturalidade. Não ostentar é a nova ostentação.Mas, para manter o show do bilhão ativo, o mercado de bugigangas divinas precisa andar. As mocinhas precisam querer viajar para a praia da hora, precisam querer o sapato que a atriz do momento está usando. É preciso ter nações inteiras de bebês mimados gritando: “Eu também mereço essa bolsa de R$ 5.000” –para garantir os ovos de ouro da casta superior.

O alvo do comercial Revoluxury e os principais personagens dos filmes de Korine e Coppola são as elites emergentes e o mutante chamado classe média, com desejos de reparação e status. O paraíso do publicitário esperto. Olhando para a TV e outros horizontes, a massa é ensinada a desejar. Que muitos consigam alcançar seus objetivos somente pela via da pistola na cabeça, feito as gatas de “Spring Breakers”, faz parte do jogo, esse mesmo controlado pelos bilionários despojados. Incentivar que tantos outros ricos e milhões de filhos da classe média façam da “existência enquanto design” sua plataforma social, sua guerrilha, é um absurdo necessário. Uma última pergunta: quem está do outro lado da trincheira, contra quem lutam os “revoluxonários”?

Vamos ouvir as crianças?

Crianças entre 4 e 12 anos podem ajudar a formular políticas públicas? Não só podem como devem. E se alguém tem alguma dúvida de como ouvi-las neste processo de escuta, o projeto Criança Pequena em Foco, do Centro de Criação de Imagem Popular (Cecip) dá boas pistas. Ao longo de 2012, cerca de 100 crianças das favelas Santa Marta, Babilônia e Chapéu-Mangueira, localizadas no Rio de Janeiro, foram convidadas a participar de diferentes oficinas para retratarem as comunidades e identificarem as necessidades locais, auxiliando assim a construção de políticas públicas.

As dinâmicas foram sistematizadas e reunidas na publicação Vamos ouvir as crianças? que acaba de ser lançada pelo Cecip. O livro divulga as metodologias utilizadas nas oficinas. “A publicação surge no contexto da iniciativa Cidade Amiga da Criança do Unicef, que defende que o respeito aos direitos das crianças nas cidades passa por incluir sua participação no planejamento e execução de ações a elas destinadas. O Projeto Criança Pequena em Foco também acredita nessa ideia e esse caderno é uma ferramenta que convida órgãos públicos e organizações não-governamentais, escolas e organizações comunitárias a incluir nas suas práticas a escuta das crianças. Seria um desperdício não aproveitar sua criatividade, imaginação e desejo de contribuir com o diagnóstico e com a solução para os problemas que afetam a todos”, destaca Moana Van de Beuque, coordenadora do Projeto Criança Pequena em Foco.

A obra traz os detalhes de cada uma das dez oficinas realizadas: confecção de crachás, leitura do livro crianças como você; brincadeira lugares da comunidade; jogo os caminhos das crianças; como se brinca na rua?; mapa afetivo; linha do tempo; o que é bom e o que é ruim na sua comunidade?; vídeo jornal das crianças; e passeio fotográfico. “A metodologia não é um camisa de força para a elaboração das oficinas, mas uma referência, apenas. A partir das experiências dos facilitadores e das características de cada grupo, novas propostas serão construídas e adaptadas, em um aprendizado constante. A metodologia apresentada também pode servir de inspiração para que outros temas e questões sejam trabalhados e pesquisados com crianças”, destaca trecho da obra.

Faça o download do livro

 

 

O ensino da Língua Portuguesa

Por Elena Mandarim
Do site da Faperj 

No campo das discussões científicas sobre a Língua Portuguesa, os pesquisadores concordam que o ensino, tal como tem sido feito, principalmente nas escolas públicas, está muito longe de formar alunos com pleno domínio da norma culta, seja para expressão oral em situações específicas, seja para a escrita de textos mais formais. O que divide a opinião dos estudiosos, no entanto, é que uma parte deles acredita que o problema esteja em dar ênfase aos conceitos gramaticais, defendendo mais o uso da interpretação e produção de textos, enquanto outros apontam que as dificuldades são causadas por problemas da própria estrutura do ensino e não por ineficiência da gramática.

Fernando Vieira Peixoto Filho, professor de Língua Portuguesa no Departamento de Letras da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), é defensor convicto da necessidade do ensino de conceitos gramaticais. Ele coordena grupo de pesquisa que desenvolveu um projeto para avaliar o ensino de gramática na Baixada Fluminense (EGBF), que contou com auxílio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

Fernando e sua equipe entrevistaram, via questionários, cerca de 100 professores de Língua Portuguesa e 1.500 alunos, distribuídos em 15 escolas públicas nas cidades de Belford Roxo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São João de Meriti. “Os resultados obtidos apontam a validade do ensino de gramática para garantir o acesso do grande público à norma padrão, mas também confirmam velhos problemas, como a baixa carga horária destinada ao professor de português, que muitas vezes tem de trabalhar em mais de uma escola, com obrigação de dar conta de conteúdos extensos, o que faz com que o ensino se torne ineficiente e superficial”, relata Peixoto Filho.

As respostas foram agrupadas em gráficos que mostram a visão tanto dos professores quanto dos alunos. Entre as análises, Peixoto Filho destaca que os dois grupos julgam necessário o ensino da gramática para aumentar as possibilidades de sucesso na vida profissional. “Fica claro que o aluno não pode mais sair da escola mantendo as velhas dificuldades na elaboração do texto escrito. Na vida real, se ele apresentar textos com erros de concordância, por exemplo, será discriminado tanto social quanto profissionalmente. É como se pudéssemos fazer uma associação entre o domínio da norma culta – que só é possível com o mínimo de gramática – e o grau de instrução e conhecimento”, afirma o pesquisador.

Outro dado interessante, segundo Peixoto Filho, é observar que a maior parte dos professores de português gerencia sua profissão de acordo com suas necessidades financeiras e sociais, e não por abraçar esta ou aquela ideologia pedagógica. Ele assinala que 95% dos docentes gostariam de trabalhar em apenas uma escola, mas 89% são obrigados a assumir várias turmas em mais de um emprego para conseguir uma renda mínima que atenda às suas necessidades. “Isso implica superficialidade no ensino e sacrifício de vários conteúdos específicos, o que não garante que o aluno saia da escola com os conhecimentos devidos”, explica o professor.

Peixoto Filho destaca que, diferentemente do que pensam muitos linguistas, não é porque a gramática é difícil que os alunos não aprendem ou não se interessam pela disciplina. Pelo contrário, cerca de 90% dos estudantes julgam necessário aprender conceitos gramaticais. Além disso, “grande parte dos problemas que aparecem na escola nasce fora dos muros escolares, principalmente na falta de estrutura familiar. Nesse sentido, talvez o ensino de gramática esteja servindo como uma espécie de bode expiatório para justificar um fracasso que não reside nas descrições ou prescrições gramaticais. Se faltam ao estudante as condições elementares nos planos afetivo e familiar, não se deve esperar que ele mostre serviço no plano intelectual. Os resultados assinalam que, para a maior parte dos professores, a falta de estrutura e apoio familiar representa o principal empecilho ao aprendizado de conteúdos gramaticais”, argumenta o pesquisador.

O professor adianta que a equipe do projeto EGBF já está trabalhando na redação do primeiro livro, que trará os resultados da pesquisa a partir da perspectiva discente. “A proposta é contribuir para que as políticas públicas e os futuros materiais didáticos estejam mais bem alicerçados nos aspectos relevantes no padrão escrito da gramática portuguesa, levando-se também em conta as reais necessidades de alunos e professores.”

Projeto de lei de iniciativa popular das comunicações

Entidades da sociedade civil e do movimento social estão convocando a sociedade para assinar o Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações, que visa regulamentar os artigos da Constituição Federal que abordam as responsabilidades das rádios e TVs brasileiras. A marca de 1 milhão e trezentas mil assinaturas colocará a proposta na pauta do Congresso Nacional.

“Para construir um país mais democrático e desenvolvido precisamos avançar na garantia ao direito à comunicação para todos e todas. O que isso significa? Significa ampliar a liberdade de expressão, para termos mais diversidade e pluralidade na televisão e no rádio. Ainda que a Constituição Federal proíba os oligopólios e os monopólios dos meios de comunicação, menos de dez famílias concentram empresas de jornais, revistas, rádios, TVs e sites de comunicação no país. Isso é um entrave para garantir a diversidade. Pare e pense! Como o índio, o negro, as mulheres, os homossexuais, o povo do campo, as crianças, aparecem na televisão brasileira? Como os cidadãos das diversas regiões, com suas diferentes culturas, etnias e características são representados? A liberdade de expressão não deveria ser para todos e não apenas para os grupos que representam os interesses econômicos e sociais de uma elite dominante? Existem espaços para a produção e veiculação de conteúdos dos diversos segmentos da sociedade na mídia brasileira?”, indaga o documento.

Conheça e acesse o kit coleta

Todo cidadão/cidadã pode buscar voluntariamente as assinaturas para o projeto. Disponibilizamos abaixo um kit com o material necessário para o diálogo nas ruas. Acesse o documento.

Fala jovem


Por Kaique Sapienza

Aluno do curso de Roteiro para Mídias Digitais, do Colégio Estadual José Leite Lopes (NAVE)

Oremos a Santa Clara, padroeira da televisão, pelo extraordinário time que acabou de se formar na produção da nova novela das nove da TV Globo: Walcyr Carrasco, Mauro Mendonça Filho e Wolf Maia. Os três não são um trio, mas, sim, um time, que promete um novelão, como o recente sucesso de Avenida Brasil.

Carrasco é leve e sabe narrar muito bem os dramas do cotidiano. Suas tramas trazem conteúdo, irreverência, clássicas deixas e expressões que viram marcas registradas de personagens, além do dom de chegar ao coração dos telespectadores. Habituado ao horário das sete – com as novelas Sete Pecados, Caras e Bocas e Morde e Assopra – e confortável com o público das seis – O Cravo e a Rosa, Chocolate com Pimenta e Alma Gêmea –, o autor já demonstra que Amor à Vida, sua primeira incursão pelo horário nobre, não é somente um desafio, mas uma experiência na qual ele se atira com tudo. Basta observar a maneira como ele vem conduzindo os personagens e desenrolando as histórias nessas duas primeiras semanas.

Mauro Mendonça Filho volta, depois de ser aplaudido pela direção de O Astro e Gabriela, aos novelões. Sua criatividade e coração continuam nos oferecendo algo de novo. Creio que a sensação de “familiaridade” que a novela transmite também seja resultado da forma como Mauro trabalha.

Já Wolf Maia volta “gritando” com sua maravilhosa câmera, literalmente, nos ombros! A imagem trêmula, que deixa as cenas e os personagens numa dramaturgia ficcional que beira à realidade e inclui o telespectador na trama, é fantástica e bem feita. Os pequenos planos-sequências que trazem uma linguagem especial, com certeza, é obra dele. Wolf deixa a imagem coloquial e muito acessível ao gosto do grande público.

Na primeira semana da novela, apesar de tantas histórias e personagens apresentados, o trio, ou melhor o time, soube de forma ágil distribuir muito bem as emoções e dar uma linearidade confortável ao telespectador que recebeu muitas informações em poucos capítulos. Foi possível observar alguns erros de produção (como o notebook consideravelmente moderno que o personagem Félix – Mateus Solano – usava em 2001, no primeiro capítulo). Porém nada que tirasse a beleza da história e a verdade (por que não?) com que ela nos foi passada.

Senti falta da dobradinha Tatá Werneck-Elisabeth Savalla que promete. Um certo desconforto na identidade visual das cartelas que indicavam os nomes dos lugares em que algumas cenas se passavam no primeiro capítulo. Elas não tinham nenhuma ligação com a sutileza e a beleza da abertura da novela – um show à parte. Mas, enfim, tudo leva a crer que será um novelão, sem aquele drama jorrado e superficial na tela, principalmente no horário nobre. Temos pela frente uns 180 capítulos: vamos aguardar. Por enquanto… a nota é nove.

Foto da home page é de Mariana Zylberkan 

 

 

 

 

 

 

 

5ª edição do Fórum da Rede Kino

De 13 a 17 de junho, durante o 8º Festival de Cinema de Ouro Preto, será realizada a 5ª edição do Fórum da Rede Latino-Americana de Educação, Cinema e Audiovisual (Rede Kino). Criado em 2009, o grupo reúne pessoas e instituições interessadas em compartilhar experiências e somar esforços no intuito de viabilizar ações conjuntas relacionadas às áreas de cinema e educação. O objetivo também é estabelecer e promover um diálogo contínuo com educadores e pesquisadores envolvidos com atividades de pesquisa, ensino e extensão no âmbito do audiovisual.

Na programação deste ano, um dos destaques é o debate que acontecerá na sexta-feira, dia 14, que terá como tema o Estado brasileiro: o audiovisual e a educação em tempos de compartilhamento. Segundo os coordenadores, a proposição, circulação e preservação da produção cultural tornaram-se uma questão chave nos dias de hoje, perpassando instâncias tão amplas quanto distintas como ideologias nacionalistas, a indústria do entretenimento, cursos universitários, a legislação e obviamente a ação do Estado. Neste cenário, pretende-se refletir sobre o que se entende, no século XXI, por preservação, quais seus agentes, objetos, conceitos, formação, campos de trabalho, instituições, órgãos de classe e resultados. E de que forma este contexto dialoga com a educação.

O debate contará com a presença de Hernani Heffner, presidente da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual; Leopoldo Nunes, secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura; Manoel Rangel, presidente da Ancine; Marta Suplicy, ministra da Cultura (a confirmar), e Rosalia Duarte, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação/PUC-Rio.

No dia seguinte, professores e pesquisadores vão apresentar iniciativas diversas com foco na formação de professores, em produções realizadas por crianças e adolescentes na Educação Básica, e o papel dos festivais como ponto de encontro e difusão. Os convidados são: Margareth Diniz – professora da Universidade Federal de Ouro Preto; Cesar Leite – professor da Universidade do Estado de São Paulo; Débora Nakache, da Universidade de Buenos Aires; e Moira Toledo, professora da Fundação Armando Alvares Penteado.

Confira, abaixo, a programação completa

Programação temática Educação

Debate – Memória e consciência
14 de junho – sexta-feira – 10 às 12h30
Local: Auditório II – 2º andar – Centro de Convenções
Quais as condições de realização nos anos entre o golpe de 1964 e o AI-5 em 1968? Quais as fontes de financiamento dos filmes e o raio de alcance da censura? Em que medida o regime militar, nos filmes entre 1964 e 1968, foram uma sombra sobre a produção do período, uma contingência ao qual os filmes respondiam de alguma forma? Convidados: Eduardo Escorel – cineasta, montador e critico de cinema – RJ; Francisco Ramalho Jr – cineasta; Inácio Araújo – crítico de cinema – SP; e Walter Lima Jr – cineasta – RJ. Mediação: Daniel Caetano – professor e crítico de cinema – RJ.

Debate – O Estado brasileiro, o audiovisual e a educação em tempos de compartilhamento
14 de junho – sexta-feira – 14h30 às 17h30
Local: Auditório I – 2º andar – Centro de Convenções
A proposição, circulação e preservação da produção cultural tornaram-se uma questão chave, perpassando instâncias tão amplas quanto distintas como ideologias nacionalistas, a indústria do entretenimento, cursos universitários, legislação e obviamente a ação do Estado. Mas o que se entende por preservação hoje no Brasil, quais seus agentes, objetos, conceitos, formação, campos de trabalho, instituições, órgãos de classe e resultados? Como se configura o diálogo com a educação? Convidados: Hernani Heffner – Presidente da ABPA; Leopoldo Nunes – Secretário do Audiovisual/Minc; Manoel Rangel – Presidente da Ancine – RJ; Marta Suplicy – Ministra da Cultura (a confirmar); Rosália Maria Duarte – Profa. Doutora do Programa de Pós-Graduação em Educação/Puc-Rio. Mediadora: Laura Bezerra – ABPA.

Debate – Cinema e educação: experiências criativas
15 de junho – sábado – 9h30 às 13h
Local: Auditório II – 2º andar – Centro de Convenções
Apresentação de iniciativas diversas com foco na formação de professores, em produções realizadas por crianças e adolescentes na Educação Básica e o papel dos festivais como ponto de encontro e difusão. Convidados: Margareth Diniz – professora UFOP; Cesar Leite – professor UNESP; Débora Nakache – Festival Hacelo Corto – Universidade de Buenos Aires – UBA – Argentina; Moira Toledo – professora FAAP. Mediadora: Milene Gusmão – Professora UESB e membro da Rede Kino.

Debate – Cinema, política, estética e pedagogia
16 de junho – domingo – 9h30 às 12h30
Local: Auditório II – 2º andar – Centro de Convenções
Relações possíveis entre cinema, política, estética e pedagogia como potência de invenção de si e do mundo na contemporaneidade. Convidados: Cesar Guimarães – professor – UFMG;  Ana Lucia de Almeida Soutto Mayor – professora – UFRJ; André Guimarães Brasil – professor – UFMG; Cezar Migliorin – professor UFF. Mediador: Inês Teixeira – professora UFMG.

Debate – Experiências latino-americanas de cinema com crianças
17 de junho – segunda – 9h30 às 12h30
Local: Auditório II – 2º andar – Centro de Convenções
Experiências latino-americanas de cinema com crianças de segmentos marginalizados. O ensino de cinema nos subúrbios das grandes capitais e nas aldeias indígenas. A metodologia do projeto Vídeo nas aldeias: experiências e material para as escolas. Convidados: Ignacio Agüero – cineasta, diretor do documentário 100 niños esperando el tren – Chile; Mônica Acosta – professora Universidade de Buenos Aires – UBA – Argentina; Vincent Carelli – pesquisador, cineasta e fundador Vídeo nas Aldeias – PE – Brasil professora – UBA. Mediadora: Adriana Fresquet – Professora UFRJ e coordenadora da Rede Kino.

ComKids: infância e audiovisual

Uma boa oportunidade para quem pesquisa, produz e consome produtos audiovisuais para a infância. Estão abertas as inscrições para as oficinas que serão realizadas durante o Festival ComKids Prix Jeunesse Iberoamericano, que vai acontecer entre os dias 1º e 9 de junho, em São Paulo. Com um olhar dirigido à criatividade, a melhor compreensão da infância e às inovações sociais e culturais, as oficinas têm o objetivo de criar espaços de aprendizagem e experimentação, incentivando ideias, projetos e debates.

De acordo com a coordenação, a inscrição é gratuita. Podem participar profissionais da área de cultura, educação e mídia para a infância. Serão oferecidos três encontros. Os interessados devem baixar a ficha de inscrição e enviá-la para o seguinte endereço: workshops@comkids.com.br. As palestras serão realizadas em inglês. Há uma capacidade limite de 50 vagas. As inscrições vão até o dia 31 de maio

Veja as oficinas:

I – Entendendo histórias: como as crianças interpretam os programas de TV
Com Maya Götz, da Alemanha
Dia 4 de junho (terça-feira), às 20 hs, no Sesc Consolação

A diretora geral do Prix Jeunesse Internacional e diretora do Instituto Central Internacional para a Juventude e Televisão Educativa vai esclarecer como se dá a percepção infantil e quais elementos de linguagem funcionam na criação de conteúdos para meninos e meninas. Serão apresentados nesse workshop alguns exemplos de programas em que as crianças compreendem histórias de modos diferentes e, muitas vezes, distantes da intenção original dos produtores e criadores. Os conteúdos analisados, próximos de experiências práticas dos profissionais, mostram equívocos típicos causados pelas diferenças entre pontos de vista de crianças e adultos. Com base nos avanços do campo da psicologia do desenvolvimento, e com foco nas diferenças culturais, os exemplos servirão para chamar a atenção dos produtores para as crianças dos mais diversos grupos etários e culturais.

II – Histórias curtas para crianças: criação e desenvolvimento
Com Jan-Willem Bult, da Holanda
Dia 5 de junho (quarta-feira), às 20h, no Senac Consolação

O desafio de produzir histórias curtas para crianças, com mensagens criativas e ritmo envolvente será o foco do workshop do diretor de criação e programação Jan-Willen Bult, da KRO Youth, televisão pública da Holanda. Premiado documentarista, criador de séries e de animação, Bult vai mostrar como desenvolver boas histórias e apresentar exemplos de conteúdos bem-sucedidos produzidos pelo mundo. Com larga experiência na criação de conteúdos para o público infantil, Jan traz suas reflexões sobre o desenvolvimento de conceitos e formatos com apoio da criatividade e da imaginação dos pequenos, e de sua forma natural e espontânea de criar novas histórias. Da mesma forma que os adultos, as crianças querem se ver refletidas na tela. O workshop vai tratar ainda o uso da linguagem audiovisual no trato com a criança, valendo-se da psicologia do desenvolvimento infantil. O poder, a narrativa e o ritmo de histórias infantis de 15 minutos serão analisados por meio de exemplos de produções holandesas e de outras nacionalidades.

III – Diálogos sobre infância e pensamento
Com Walter Kohan, do Brasil/Argentina
Dia 6 de junho (quinta-feira), às 20h, Sesc Consolação

Quem se atreve a prever o que um menino ou uma menina pode pensar? Quem se atreve a identificar a força que pode ter o pensamento de um menino ou de uma menina? Quem se atreve a dizer que, por causa da idade, eles vão pensar uma coisa e não outra? Quem são as crianças? Ou o que é a infância? Este workshop é um convite para pensar com as crianças de forma mais sensível, mais fiel a sua maneira de ver e experimentar o mundo, para estimular ideias e pensamentos como insumo para desenvolver conteúdos audiovisuais. Quem produz conteúdo infantil precisa entender a forma particular com que as crianças se relacionam com o mundo; na linguagem e no pensamento. Neste workshop, Walter Kohan, professor de Filosofia da Educação da UERJ e autor e coautor de 15 livros, propõe um mergulho no universo infantil, para a descoberta de novos conceitos que servirão de matéria-prima para os conteúdos audiovisuais.

Para mais informações: 55 11 3074-0085

O negro nas revistas em quadrinhos


Por Marcus Tavares

O pesquisador Nobuyoshi Chinen acaba de defender a tese de doutorado O papel do negro e o negro no papel: representação e representatividade dos afrodescendentes nos quadrinhos brasileiros, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). O estudo fez um levantamento da presença de negros nas HQs nacionais, publicadas no período de 1869 a 2011. Chinen encontrou poucos personagens. E muitos deles em papéis de subordinação, aparecendo como elemento cênico para provocar efeito cômico e sempre de forma estereotipada.
Embora não tenha sido possível traçar um panorama fidedigno, na impossibilidade de se conhecer todo o material publicado em HQ no período, a lista dos personagens é pequena. Destacam-se, Jeremias, Benjamin, Pererê, Azeitona. Os personagens celebridades: Pelezinho e Ronaldinho Gaucho. E os mais recentes, como Luana e Aú.

Na avaliação de Chinen, a falta de personagens negros nas HQs cria uma falta de identificação que pode ter gerado ressentimentos e a diminuição da autoestima por parte das crianças negras. “É uma suposição”, diz o autor, destacando que a pesquisa não avaliou o impacto junto às crianças.

Acompanhe a entrevista concedida à revistapontocom:

revistapontocom – O que você constatou com sua pesquisa?
Nobuyoshi Chinen –  A minha pesquisa teve o objetivo de fazer um levantamento de como os negros aparecem nas histórias em quadrinhos, tanto na representatividade, ou seja, na quantidade de personagens afrodescendentes, quanto na representação, no modo como eles são retratados. Tinha como hipótese o fato de que os negros eram pouco e mal representados nos quadrinhos. O que o estudo permitiu constatar foi que, de fato, historicamente, isso é verdadeiro, mas que em tempos recentes esse quadro vem passando por mudanças significativas. Pesquisei o máximo de títulos em quadrinhos nacionais, de todos os gêneros, publicados entre 1869, considerado o marco inicial dos quadrinhos no Brasil, até 31 de dezembro de 2011, que foi instituído pela Organização das Nações Unidas (Onu) como o ano Internacional do Afrodescendente, no qual tinha a expectativa de que fossem publicadas várias obras alusivas à essa comemoração, o que, de fato, acabou se confirmando. De uma caracterização muito estereotipada, predominante no passado, houve uma evolução com traços menos exagerados.

revistapontocom – É possível traçar o lugar do negro nas HQs brasileiras?
Nobuyoshi Chinen – Não existe um lugar específico, não encontrei dados suficientes que pudessem definir um espaço determinado até porque ele pouco aparecia. O papel que desempenhavam era sempre de subordinação, de funções subalternas. Normalmente como elemento cênico para provocar efeito cômico e sempre de forma estereotipada. Em trabalhos mais recentes há uma preocupação em trazer o negro como protagonista e até de valorização da cultura afro-brasileira. Apesar de estar mais presente, o personagem negro ainda é pouco frequente e o melhor teste que faço é perguntar para as pessoas quais personagens negros de quadrinhos elas conhecem. Infelizmente, a resposta se restringe a pouquíssimos nomes, isso quando há alguma menção. Apenas a título de comparação, é só analisar a série mais bem sucedida dos quadrinhos nacionais, a Turma da Mônica em que existe um único personagem negro, o Jeremias, que, aliás, eu considero como sendo terciário, pois aparece bem pouco nas tramas. Mauricio tem outros personagens negros: Pelezinho e Ronaldinho Gaúcho, que entram no meu trabalho como celebridades que se tornaram personagens de quadrinhos.

revistapontocom – Mesmo com pequenos personagens, é possível traçar marcos na historiografia das HQs com relação à presença do negro?
Nobuyoshi Chinen – Existem personagens que foram mais marcantes, que fizeram mais sucesso e tiveram maior repercussão. O Benjamin, da série Chiquinho, publicado na revista O Tico-Tico foi um desses casos e que durou várias décadas. O Pererê, do Ziraldo, é um dos raros personagens negros a ter tido uma revista própria. O Azeitona, que compunha um famoso trio com Reco-Reco e Bolão, criado por Luiz Sá, também fez muito sucesso nas décadas de 1930 e 1940. Esses e alguns poucos mais podem ser considerados como marcos, constantemente citados pelos estudiosos dos quadrinhos, como Moacy Cirne e Alvaro Moya.

revistapontocom – Há alguma influência estrangeira sobre a produção das HQs brasileiras, impactando inclusive a presença/representação dos negros nas histórias?
Nobuyoshi Chinen – Sim e muita. Historicamente, os quadrinhos estrangeiros sempre foram os mais presentes no Brasil e dominaram o mercado, exercendo uma inegável influência no consumo, nos gostos e na maneira de se fazer quadrinhos. Nem haveria espaço aqui para explicitar e enumerar todos os casos, mas basta dar uma passada em qualquer banca de revista e ver a quantidade de super-heróis e de publicações de mangás para constatar. No caso específico de personagens negros, o estereótipo consagrado e que predominou durante as primeiras décadas do século XX derivou de uma representação inspirada nos minstrels, artistas brancos que pintavam o rosto de preto e realçavam a região da boca com um contorno exagerado. Segundo Harris, foi a partir dessa representação, em meados do século XIX, que se popularizou o tipo de representação que foi usada nos cartuns, desenhos animados e nas histórias em quadrinhos. Acho razoável supor que, se os desenhistas brasileiros de quadrinhos já tinham acesso ao material americano a ponto de decalcar o personagem Buster Brown, de Richard Outcault, e batizá-lo no Brasil de Chiquinho, provavelmente também se inspiraram na forma como eram desenhados os personagens negros nos Estados Unidos.

revistapontocom – De que forma esta historiografia das HQs com relação à presença do negro impactou a formação de gerações de crianças?
Nobuyoshi Chinen – Acho que pode ter havido um impacto pela ausência. Essa omissão cria uma falta de identificação que pode ter gerado ressentimentos e a diminuição da autoestima por parte das crianças negras, mas minha pesquisa não tinha o propósito de fazer esse tipo de levantamento. É uma suposição.

revistapontocom – Você disse que a presença do negro, nos dias de hoje, está um pouco melhor. A que se deve esta mudança positiva?
Nobuyoshi Chinen – Com toda certeza houve uma mudança positiva. E foi muita sorte ter feito a minha pesquisa exatamente nessa época e não há cinco anos. Há mais personagens negros em papéis de protagonistas nos quadrinhos e a representação estereotipada já não ocorre. Como exemplos cito a revista Luana, criada por Aroldo Macedo, e o álbum Aú, o capoeirista, de Flávio Luiz. Também tem havido uma valorização da cultura negra e, nesse aspecto dois exemplos são o álbum AfroHQ, de Amaro Braga, Danielle Jaimes e Roberta Cirne; e Orixás, de Alex Mir, Caio Majado e Omar Viñole. Um dos fatores foi a Lei 10.639 que instituiu o ensino da Cultura Afro-brasileira nas escolas de Ensino Básico, mas creio que também haja certa evolução da sociedade que tem menos tolerância a atitudes racistas. O que não quer dizer que o preconceito tenha sido totalmente extinto.

Dia mundial do meio ambiente

A campanha deste ano do Dia Mundial do Meio Ambiente vai reforçar a importância do combate ao desperdício de alimento no planeta. Com o título Pensar.Comer.Conservar – diga não ao desperdício, a campanha visa diminuir a enorme quantidade de alimentos próprios para o consumo que é desperdiçada por consumidores e comerciantes. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 1,3 bilhão de toneladas de comida são jogadas fora por ano. Isso é equivalente ao produzido na África Subsaariana no mesmo período. Uma em cada sete pessoas no mundo passa fome e mais de 20 mil crianças com menos de cinco anos morrem todos os dias por conta de desnutrição.

A proposta deste ano é fazer com que as pessoas reavaliem suas escolhas relativas à alimentação. Enquanto o planeta luta para garantir recursos para sustentar uma população de sete bilhões de pessoas – que deve chegar a nove bilhões até 2050 – a FAO estima que um terço da produção de comida é perdida. O desperdício de alimentos é um enorme consumidor de recursos naturais e um contribuinte para impactos negativos no meio ambiente.

Se a comida não é consumida, isso significa que todos os recursos usados na sua produção também são perdidos. São necessários, por exemplo, mil litros de água para produzir um litro de leite. Cada hambúrguer consome 16 mil litros de água por meio de ração para o gado. E gases estufas são emitidos ao longo de toda a cadeia de produção. A produção global de alimentos ocupa 25% das terras habitáveis e é responsável por 70% do consumo de água potável, 80% do desmatamento e 30% das emissões de gases estufas.

A Mongólia, que está priorizando a transição para uma Economia Verde nos principais setores da sua economia e promovendo a conscientização ambiental dos seus jovens, foi o país escolhido para sediar as celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente em 2013. O país aprovou uma lei contra a poluição atmosférica impulsionado pelo crescimento populacional e o uso de carvão na capital, Ulã Bator. Desde 2010, a Mongólia suspendeu todos os pedidos de criação de minas até que uma legislação atualizada seja estabelecida, com o argumento de proteger o ambiente mineral e o meio de subsistências de povos tradicionais.

Por lá também, Iniciativas de conscientização sobre conservação ambiental se tornaram mais comuns. Dias nacionais para plantar mudas e combater a desertificação e a escassez de água fizeram com que mais de 2 milhões de árvores fosse plantadas nas regiões desérticas desde 2011. O país também tem um grande potencial em captação de energia solar, em especial na região de Gobi. “Nosso governo mostrou seu comprometimento com ações ambientais por meio de ações concretas. Espero que a nossa liderança e a organização deste importante evento possa mostrar ao mundo que a mudança é possível”, declarou o Vice-Ministro do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Verde da Mongólia, Tulga Buya. 

Saiba mais no site da campanha Pensar.Comer.Conservar

Publicação para as crianças

No Brasil, não faltam publicações voltadas para crianças e adolescentes sobre a importância da preservação do meio ambiente. Uma das mais recentes chama-se ‘Almanaque Ecológico do Lucas”. O livro chama a atenção da sustentabilidade do planeta de uma maneira divertida e interessante.

Apresentado pelo personagem Lucas, o duende ecológico, o almanaque apresenta textos com uma linguagem simples e didática, ilustrações e passatempos. Com o objetivo de dar suporte aos professores que buscam conteúdo e atividades de apoio à educação ambiental, a iniciativa da criação do almanaque foi desenvolvida pelo cartunista Léo Valença que, em 2010, organizou um livro de coletânea intitulado “Aquecimento Global em cartuns”, reunindo cartunistas de vários cantos do país na publicação.

A poluição dos rios e mares, a destruição das florestas, o desmatamento em geral, o problema do lixo nas grandes cidades, o avanço tecnológico versus preservação da natureza, entre outros problemas ambientais, são colocados ao leitor, de maneira a conscientizá-lo da necessidade de ver o que se passa ao seu redor e de agir de maneira a não contribuir para o aprofundamento dos problemas.

Mais informações sobre o livro no site da editora PoD – Print On Demand 

Mais cultura nas escolas

O Ministério da Educação e o Ministério da Cultura lançaram nesta terça-feira (dia 21 de maio) o Programa Mais Cultura nas Escolas, que liberará R$ 100 milhões para as instituições públicas de ensino que já participam dos programas Mais Educação e Ensino Médio Inovador. Estão aptas a se inscrever 34 mil escolas Serão selecionados cinco mil projetos. Cada instituição contemplada receberá entre R$ 20 mil e R$ 22 mil, que serão usados em apresentações de teatro, música, dança, circo, artes visuais, cultura indígena, cultura afro-brasileira, além de atividades externas, como visitas a museus. Os projetos, que deverão atender aos objetivos de promover a circulação de cultura nas escolas e contribuir para a formação de público para as artes na comunidade escolar, deverão se formulados em parceria entre escolas, artistas e entidades culturais.

As inscrições começam nesta quarta-feira (dia 22 de maio) e vão até 30 de junho. O resultado será divulgado no começo de agosto. “Vamos potencializar a difusão cultural. Muitos professores querem, mas não sabem como fazer”, diz a ministra da Cultura, Marta Suplicy. De acordo com a ministra, o projeto é uma demanda tanto dos professores quanto dos artistas e agentes culturais. Eles poderão criar um plano de atividade cultural, envolvendo linguagens artísticas e manifestações da cultura.

Como a inscrição será feita apenas pelos diretores das escolas, os grupos de cultura que quiserem participar devem procurar as secretarias de Educação municipais e estaduais. As escolas serão escolhidas por um grupo de professores de universidades federais. Os projetos serão selecionados de acordo com o histórico de atuação dos grupos culturais e de acordo com a qualidade de cada um.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, informou ainda que todos os estados e o Distrito Federal serão contemplados. Os projetos serão desenvolvidos pelas escolas, que terão de apresentar prestação de contas. As instituições de ensino precisarão enviar também fotografias e vídeos que provem a execução das atividades. “A escola que não enviar o registro pode não participar do próximo edital”, alerta Mercadante. Os recursos serão encaminhados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) pelo Programa Dinheiro Direto da Escola (PDDE).

Informações no email: maisculturanasescolas@cultura.gov.br

Dicionário das crianças

Que tal conhecer um dicionário escritos pelas crianças? Quais são os significados que elas dariam para as palavras que usamos com frequência? Foi exatamente o que o professor colombiano Javier Naranjo fez há algum tempo. O trabalho, que deu origem ao livro Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças, foi reeditado no início deste ano, fazendo grande sucesso na Feira Internacional de Livro de Bogotá, que terminou em abril. “Isso me faz pensar que o livro continua revelando, continua falando sobre as pequenas coisas.  As crianças têm uma lógica diferente, outra maneira de entender o mundo, outra maneira de habitar a realidade e de nos revelar muitas coisas que esquecemos”, disse o escritor ao canal BBC Mundo.

Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela (Andrés Bedoya, 8 anos)
Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)
Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)
Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)
Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)
Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)
Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)
Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)
Guerra:Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)
Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)
Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)
Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)
Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)
Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)
Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)
Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)
Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)
Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)
Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)

As definições – quase 500, para um total de 133 palavras diferentes – foram compiladas durante um período “entre oito e dez anos”, enquanto Naranjo trabalhava como professor em diversas escolas rurais do Estado de Antioquía, no leste do país. “Na criação literária fazíamos jogos de palavras, inventávamos histórias. E a gênese do livro é um dos exercícios que fazíamos”, conta ele, que agora é diretor da biblioteca e centro comunitário rural Laboratório do Espírito.

Ele diz que teve a ideia de pedir aos alunos uma definição do que era uma criança, em uma comemoração do dia das crianças. “Lembro-me de uma definição que era: ‘uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo’. Eu adorei, me pareceu perfeita.” “As crianças escolheram algumas palavras e eu também: palavras que me interessavam, sobre as quais eu me perguntava. Mas não fugi de nenhum”, afirma Naranjo. No dicionário aparecem temas do cotidiano da Colômbia, como guerra e “desplazado”, pessoa que se desloca pelo país, geralmente fugindo de conflitos. Um dos alunos definiu a palavra criança como “um prejudicado pela violência”.

Para a publicação, Naranjo corrigiu a pontuação e a ortografia das definições escolhidas, mas afirma não ter tirado nenhuma das palavras por “questões ideológicas”. Por isso, o livro mantém a voz das crianças, com suas formas de explicar as coisas e construções gramaticais particulares. Bianca Yuli Henao, de 10 anos, define tranquilidade como “por exemplo quando seu pai diz que vai te bater e depois diz que não vai”.

O ex-professor diz que o respeito à voz das crianças também é parte do sucesso do livro, que foi reeditado em 2005 e 2009 e inspirou obras semelhantes no México e na Venezuela. As vendas do livro ajudaram a financiar as atividades da biblioteca atualmente dirigida por Naranjo, que continua convidando as crianças a deixar a imaginação voar com outras dinâmicas.

“Nós adultos somos condescendentes quando falamos com as crianças e deve ser o contrário. Mais que nos abaixarmos temos que ficar na altura deles. Estar à altura deles é nos inclinarmos para olhar as crianças nos olhos e falar com elas cara a cara. Escutar suas dúvidas, seus medos e seus desejos”, diz.

Fonte BBC Mundo

Internet cresce mais entre pobres

Por Rennan Setti
Reproduzido do Jornal O GLOBO 

O avanço da renda, do emprego e da escolaridade nos últimos anos proporcionou um salto no acesso à internet entre os brasileiros mais pobres. Habitantes de Norte e Nordeste e famílias com renda per capita inferior a um quarto do salário mínimo experimentaram acelerada inclusão digital entre 2005 e 2011, mostrou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2011, do IBGE. Nessa faixa de renda, um em cada cinco lares já tem acesso à rede. O número de alunos da rede pública conectados subiu 156%, atingindo dois terços do grupo. Mas essa população permanece maioria entre os excluídos digitais.

O acesso à internet no Brasil subiu de 20,9% a 46,5% no período entre a população com mais de 10 anos, chegando a 77,7 milhões. Mas foi no Norte e no Nordeste que ele mais avançou, superando um terço da população pela primeira vez. No Nordeste, a fatia de internautas subiu de 11,9% para 34%. No Norte, cresceu de 11,7% para 35,4%. O Sudeste lidera com 54,4%, contra 26,2% em 2005.

Entre os estados, o maior destaque foi Alagoas, que quintuplicou seus internautas, para 903 mil. Mas a penetração lá é só de 34,3%, a quinta menor. Roraima expandiu em 346%, saindo da 20ª para a nona posição, com 48,1% da população incluída. Mas estados dessas regiões continuam na lanterna, sendo os piores Piauí (24,2%) e Maranhão (24,1%). Outro problema é a qualidade da conexão.

– Acesso à internet é uma coisa, qualidade é outra. As empresas oferecem às vezes apenas 20% da banda larga que o cliente contrata, o que impede o brasileiro de fazer um uso melhor da rede. Fica difícil, por exemplo, frequentar cursos à distância e acessar conteúdos mais sofisticados – observou José Carlos Cavalcanti, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Rodrigo Baggio, do Comitê para Democratização da Informática (CDI), lembrou que é preciso dar um outro passo: – O crescimento foi importante, mas não mensura o que o brasileiro acessa. Só daremos um salto mesmo quando os internautas começarem a usar o meio para disseminar conteúdo relevante.

No ensino médio, um terço excluído

Entre estudantes da rede pública, a penetração da internet saltou de menos de um quarto, em 2005, para 65,8% em 2011. Foram 11,7 milhões de estudantes incluídos. No Grande Rio, a taxa é maior: 78,7% desses alunos são internautas.

Aluna da Escola Estadual Erich Walter Hein, em Santa Cruz, Ana Beatriz Sant’anna se tornou internauta quando ganhou seu primeiro computador, em 2007. Antes, só acessava ocasionalmente, quando o avô a levava a lan houses. – Hoje eu fico conectada o tempo todo, tenho laptop e iPhone – conta Ana Beatriz, que tem 15 anos.

Prova de que inclusão digital acompanha renda, entre alunos da rede privada o acesso é universal, atingindo 96,2%. A rede se popularizou com força também entre aqueles com menos de quatro anos de estudo, com a taxa saindo de 2,5% e atingindo 11,8%. Os que mais acessam têm diploma de nível médio, com 90,2%. Apesar disso, 28,5% dos que estão no ensino médio ou o deixaram incompleto não navegam na rede. – Isso diz muito sobre a qualidade do ensino – afirmou Cimar Azeredo, um dos coordenadores do IBGE.

Os pobres são os que menos acessam a rede, mas a adesão entre eles cresce rápido. Nos domicílios com renda mensal per capita abaixo de um quarto do salário mínimo, a inclusão cresceu de 3,8% para 21,4%.

Os mais velhos também estão cada vez mais conectados. O acesso daqueles com mais de 50 anos saltou de 7,3% para 18,4%. A aposentada Maria dos Anjos estreou na rede esta semana, aos 66 anos. A viúva, que se viu sozinha quando a filha se casou, busca na rede uma companhia. Uma vizinha recomendou curso de alfabetização digital do Proderj: – Já entrei no Google. Mas ainda cato milho e não me entendo com o mouse!

Mas os jovens dominam: o grupo com maior inserção é de 15 a 17 anos (74,1%). O estudo descobriu que, em 2011, pela primeira vez o percentual de mulheres que tinham celular passou o de homens: 69,5% delas possuíam o aparelho, contra 68,7% dos homens.

Criança e internet no Brasil

No dia 7 de maio, o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) lançou a publicação que traz os dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil/2012. O evento foi realizado no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo. Na ocasião, as professoras Ellen J. Helsper, da London School of Economics, Cristina Ponte, da Universidade Nova Lisboa, e Regina de Assis, consultora em mídia e educação, participaram do debate, intitulado crianças e adolescentes na internet: riscos e oportunidades. Elas comentaram os resultados da pesquisa e dialogaram com o público presente.

confira os resultados da pesquisa

Além dos dados já divulgados, a publicação traz dez artigos de especialistas na área de educação. São eles: 1 – Comparando resultados sobre acessos e usos da internet: Brasil, Portugal e Europa, por Cristina Ponte e José Alberto Simões; 2 – Desafios das políticas públicas: riscos e oportunidades andam de mãos dadas, por Drica Guzzi; 3 – Pais, filhos e internet: a pesquisa Tic Kids online Brasil 2012, na perspectiva da educomunicação, por Ismar de Oliveira Soares e Claudemir Edson Viana; 4 – Usos e apropriações da internet por crianças e adolescentes, por Jane Marques; 5 – Crianças e adolescentes: usando a internet com segurança, por Lucimara Desiderá e Miriam Von Zuben; Infância e internet: a perspectiva da midia-educação, por Maria Luiza Beloni; O uso das TIC por crianças e o impacto para a prática pedagógica, por Maria Paulina de Assis; Desafios, dilemas e interpretações sobre os usos da internet por crianças, adolescentes e jovens brasileiros, por Regina de Assis; Desafios na integração dos direitos humanos à agenda das políticas públicas de inclusão e letramento digital no Brasil, por Rodrigo Nejm; e Fatores associados ao uso seguro da internet entre jovens, por Rosália Duarte, Rita Migliora e Emerson Santos.

Acesse o livro divulgado pelo Cetic, que traz os artigos acima

A hora das crianças no cinema de Alan Minas

Por Patrícia Alves Dias
Produtora e criadora de conteúdos audiovisuais para e com crianças.
Mestranda em Educação pela UERJ

Quando Ju escapou pra dentro, longa metragem dirigido e escrito por Alan Minas, que está em fase de captação de recurso, é mais do que um roteiro de filme para crianças. É um convite à reflexão a cerca da infância e seu lugar na cultura contemporânea. Esse pequeno artigo nasceu ao longo de uma das fases de desenvolvimento do projeto do filme e é apoiado nos diálogos que realizamos com o diretor e as crianças que participaram da etapa de revisão de roteiro.

O longa conta a história de Ju, uma menina de sete anos que, às vésperas de seu aniversário, testemunha a crise conjugal e econômica de seus pais, dentro de um apartamento pequeno, de um bairro de classe média de uma cidade cosmopolita. Da janela de sua casa, com grades de segurança, ela vê, em primeiro plano, uma parede de concreto, um rebatedor causticante do sol da cidade grande – um grande sertão sem planta e aves livres. Mas é nesse mesmo cenário que a personagem Ju se reconhece como sujeito de sua própria história e ousa co-roteirizar, com o próprio Alan Minas, o enredo do filme, criando personagens e diálogos, façanha e atividade que as crianças do lado de fora do filme também não cansam de fazer.

O texto nos convida, com poesia e um humor próprio do universo infantil, a observar atentamente e a se relacionar com a criança e com o seu mundo para dentro e além das telas do cinema. Falar sobre e para a criança, seus quereres e (des)quereres, sonhos e cotidianos – uma escolha política e poética do diretor – tem sido uma marca, teima boa, de Alan Minas, desde A língua das coisas, vencedor do edital de curtas para crianças, da Secretaria do Audiovisual, do Ministério da Cultura e antiga TVE, atual TV Brasil. O autor vem corajosamente convidando o público adulto a revisitar e ou descobrir a experiência da infância contemporânea como “um pequeno mundo próprio inserido num mundo maior”, como proclama Walter Benjamin[1] em parte de sua obra, numa perspectiva de inserção cultural, política e propositiva às relações dialógicas frente à criança e ao outro.

Na contramão da maior parte dos conteúdos pensados e produzidos para o público infantil, Minas arrisca ser o porta-voz de muitas das questões existenciais da infância e propõe um olhar “despedagogizante” da arte do cinema para crianças, derrubando as barreiras e muros que separam o que seria ou não apropriado para meninos e meninas. O diretor aprende com as crianças e nos faz testemunhar as descobertas das crianças com suas perdas, fantasias e assombros frente à violência, ao desconhecido e ao medo.

Assim como em seus outros projetos, Quando Ju escapou pra dentro traz consigo uma crítica latente à cultura contemporânea e às relações sociais e políticas nelas refletidas, a partir dos acontecimentos  e sentimentos dos seus personagens infantis. Na história, Ju e seus companheiros – os personagens imaginários – como o caranguejo de pano Macarrão e os sapatos dos pais, bem como o amigo invisível Menino de Asas -, pensam, questionam, inventam, reinventam e procuram soluções para o fim dos conflitos e das dores da criança.

Como afirma Jobim Souza [2], “o sensorial, frequentemente empobrecido na experiência dos adultos, torna-se, para a criança, uma realidade que anula a diferença entre objetos inanimados e seres vivos. Contrapondo-se ao mundo dos adultos, a criança vai em busca de outros aliados”.

O diretor escava os pequenos tesouros escondidos de Ju, segredos enterrados dos adultos que um dia já foram crianças. Ele dá voz e escuta o que Ju sente sobre a realidade que vive. Alan nos convida a olhar para infância e para seu “pequeno mundo próprio, inserido num mundo maior” (BENJAMIN apud PEREIRA, 2012) [3], um pequeno mundo cheio de sabedoria e renovadas chances, sempre e mais uma vez.

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O título deste artigo é uma referência ao programa de rádio  “A Hora das Crianças”, realizado para crianças e narrado por Walter Benjamin, transmitido em emissoras de Berlim e Frankfurt, entre 1927 e 1933.

Referências:

[1] BENJAMIN, Walter. Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação.  São Paulo: Editora 34, 2002.
[2] JOBIM E SOUZA, Solange. Infância e Linguagem: Bakhtin, Vygotsky e Benjamin. São Paulo: Papirus Editora: 1994.
[3] PEREIRA, Rita Maria Ribes.Um pequeno mundo próprio inserido num mundo maior in Infância em pesquisa. Rio de Janeiro: Nau Editora, 2012.

Food Revolution Day

No dia 17 de maio, será comemorado o Food Revolution Day, promovido pelo chef britânico Jamie Oliver. O evento tem o objetivo de estimular a reflexão sobre como nos alimentamos.As três premissas propostas pelo chef são “Cozinhe, compartilhe e vivencie”, e a ideia é realizar atividades em todo o mundo defendendo a boa alimentação e o hábito de cozinhar.

Para celebrar a data, o Instituto Alana está sugerindo que as pessoas se reúnam e realizem uma exibição pública – que tal na escola de seu filho – do documentário Muito Além do Peso (2012), da cineasta Estela Renner, que trata de um tema bastante preocupante: uma em cada três crianças brasileiras já está com sobrepeso, e cerca de 15% são obesas. Repensar a forma como nos alimentamos, por meio do Food Revolution Day pode ser um bom começo. O filme pode ser baixado da internet gratuitamente.

Para orientar os interessados, o instituto desenvolveu um passo a passo, com todos os detalhes, que a revistapontocom republica aqui.

PASSO A PASSO

Antes da exibição

1 – Escolha o local: Pode ser uma sala de aula, um espaço onde você trabalha, a biblioteca ou centro cultural que frequenta, um auditório, uma livraria, ou até mesmo uma praça de sua cidade. O importante é garantir que os convidados terão um local confortável para se sentar. Além disso, o local precisa ter energia elétrica para o equipamento de projeção.

2 – Providencie os equipamentos e materiais: Você precisará de um projetor e um espaço para exibir o filme – uma parede branca, tela ou até mesmo um lençol branco podem fazer esse papel. Além disso, também será necessário um aparelho de DVD ou computador, e um sistema de alto-falantes. Verifique o tipo de arquivo compatível com seu equipamento e faça o download do Muito Além do Peso. No caso de um evento pequeno e mais informal, uma TV pode dar conta do recado. Além dos equipamentos eletrônicos, é sempre bom ter à mão papel e caneta, para que as pessoas que quiserem possam fazer anotações. Avalie também a necessidade de um flip-chart e canetões.

3 – Data e horário: é muito legal termos o maior número possível de exibições acontecendo no dia 17 de maio, mas se você não conseguir neste dia, não se preocupe! O importante é que o tema seja discutido. Com relação ao horário, leve em conta o público que pretende. Se você pretende convidar algum palestrante para falar após o filme, lembre-se também de levar em conta a agenda do convidado.

4 – Divulgue: Use todas as formas que puder para divulgar seu evento: facebook, twitter, boca-a-boca, e-mail, cartazes, filipetas, etc. A divulgação em veículos de comunicação de sua cidade também é interessante, porque ajuda a atingir mais pessoas e a dar maior visibilidade para o evento. Se houver um espaço para crianças e ajudantes disponíveis para cuidar dos pequenos durante o evento, não se esqueça de deixar registrado nos materiais de divulgação.

5 – Prepare-se: É importante que você conheça o tema e o filme antes de realizar o evento. Você pode assisti-lo antes e tomar nota de situações, pontos importantes, dúvidas e ideias de exemplos concretos que tiver.

6 – Prepare os palestrantes convidados: se você decidir convidar especialistas para palestrar após o filme, é importante enviar antecipadamente o link do filme e outros materiais que você vá utilizar, para que eles possam se preparar.

7 – Prepare seus ajudantes: dependendo do tamanho do evento e do tipo de público esperado, é possível que você precise de ajuda no dia do evento. E é importante que seus ajudantes estejam preparados e saibam qual será o papel deles no dia do evento: se vão recepcionar os palestrantes convidados, se vão recepcionar o público, se deverão cuidar das crianças enquanto os pais participam do evento, se devem coletar as perguntas por escrito, etc. Combine também se os ajudantes devem chegar antes do horário do evento, para ajudar na preparação do espaço.

No dia

1. Prepare o local: Confira se o equipamento necessário para apresentação está disponível e se tudo está funcionando perfeitamente. Verifique se os outros materiais que você vai utilizar estão ok, e se há água a disposição dos palestrantes e ajudantes.

2. O evento: comece se apresentando, agradecendo a presença do público e dos palestrantes. É importante também agradecer o apoio dos ajudantes e da instituição que cedeu o espaço para a realização do evento. Se puder, registre o evento com fotos e/ou vídeos.

3. Lista de presença: Muitas iniciativas bacanas e trocas de experiência surgem após esse tipo de eventos! Por isso, pode ser interessante circular uma lista entre os presentes, para que vocês possam manter contato.

Depois

1. Mantenha a rede ativa: se o público que participou do seu evento estiver interessado, vocês podem manter contato e organizar outras iniciativas e outros Cine Debates, por exemplo.

2. Divulgue os resultados: uma ótima maneira de estimular outras pessoas a realizar seus próprios eventos é contando como o seu foi bacana! Por isso, espalhe por aí as fotos e relatos que você tiver coletado. Facebook, Twitter e blogs são ótimas ferramentas para isso. E não deixe de nos contar como foi a sua experiência: voluntariado@alana.org.br

 

 

Enquanto o Papa Francisco não chega…

Por Artur Melo, 10 anos
Aluno do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Um dia, eu estava andando pela rua com o meu amigão, o… Cristo Redentor! Ops! Nem me perguntem como isso aconteceu, que o Cristo é nosso amigo e que anda sempre com a gente, protegendo, todo mundo sabe, mas como foi que aquela estátua ganhou vida ninguém entendeu, não. Deve ter sido mesmo um milagre. Bem, eu estava lá, caminhando numa boa, enquanto ele, coitado, ia quase caindo, tropeçando, do meu lado, também tinha ficado tanto tempo parado, lá em cima daquele morro, vendo tudo de tão longe. Caminhar, se equilibrando naquele tamanhão, não era para qualquer um, não.

Fomos andando… até que perguntei:
– Cristo, onde você quer ir primeiro, o que quer conhecer de perto?
– Ah, eu quero ir à praia.
– Boa escolha, vamos logo!

Lá chegando, Cristo adorou pisar na areia, que sensação… Ele viu uns caras jogando vôlei e quis jogar também. Depois de um tempo, Cristo teve que parar de jogar, porque todos os jogadores desistiram. Cristo ganhava sempre por causa de sua altura, que bloqueio! O outro time, por mais que tentasse, nunca conseguia fazer a bola chegar do outro lado.

Então, fomos surfar. Eu tive que ficar sentado no ombro dele, até que chegasse a uma parte da água que era muito profunda. Foi demais! Eu me divertia na água e quando o Cristo caia da prancha eu tinha que escalar novamente até chegar ao seu ombro. Cristo quis ir um pouco mais à frente, a correnteza estava muito forte e levou a gente embora. Então, estávamos em oceano aberto e já vinha um tubarão branco que, certamente, ia me devorar, quando acordei do meu incrível sonho. Mas, depois, fiquei pensando numa coisa curiosa, por que quando o tubarão veio eu não senti medo, nem me apavorei. No fundo, no fundo, sabia que estava em boa companhia e que nada de mal me aconteceria.

Os Trapalhões

Os Trapalhões no reino da academia: revista, rádio e circo na poética trapalhônica é o título da tese de doutorado do ator e diretor André Carrico, defendida recentemente no Instituto de Artes, da Unicamp. O estudo teve o objetivo de mostrar que o grupo de humoristas, no período de 1978 e 1990, reuniu vertentes da comédia popular nacional do teatro de revista, do circo e do rádio. Segundo o pesquisador, o “projeto trapalhônico” viabilizou a permanência de procedimentos universais de tradição popular no imaginário da sociedade, visto que os quatro humoristas do grupo (Antônio Renato Aragão, Didi; Manfried Santana, Dedé; Antônio Carlos Bernardes Gomes, Mussum; e Mauro Gonçalves, Zacarias) transmitiram os princípios cênicos de artistas que os antecederam.

“Dedé nasceu numa barraca de circo, era palhaço. Mussum passou pelo teatro de revista como músico dos Originais do Samba– eles contracenavam com Grande Otelo, que ao lado de Chico Anysio acabou influindo na configuração do tipo. E Zacarias começou no rádio, em Sete Lagoas, e depois em Belo Horizonte, sempre interpretando tipos caipiras.”

Já Didi teve a influência da chanchada. “Na verdade, Renato Aragão resolveu fazer cinema porque queria ser como Oscarito, seu grande mestre, e que por sua vez era de família circense, acrobata e palhaço. Minha impressão é de que convivendo no universo interiorano de Sobral (Ceará), ele também assistiu a muitos espetáculos de circo, trazendo da infância alguma coisa inspirada nos palhaços”, conta Carrico.

Ao entrevistar Renato Aragão, o pesquisador constatou que o líder dos humoristas pensava a trupe como um projeto e não como um grupo formado ao acaso. “Ele chamou primeiramente Dedé e depois Mussum e Zacarias, conjugando as potencialidades individuais de cada elemento também em termos de regionalismo e geografia humana: em Mussum, temos o negro e o malandro do morro; em Dedé, o sujeito de periferia e de origem indígena e cigana; em Zacarias, o caipira mineiro; e em Didi, o nordestino”.

Apesar de malvistos pela crítica, Os Trapalhões, de acordo com Carrico, figuraram entre os grandes campões de audiência da TV e, no cinema, a maioria dos seus filmes repetiu e ampliou a façanha do programa televisivo. “Durante 32 anos, a terceira bilheteria de um filme nacional pertenceu a eles, com Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão, perdendo apenas para Dona Flor e seus Dois Maridos (1976) e A Dama do Lotação (1978). Se a classificação for de cinema infantil, eles permanecem como os mais assistidos até hoje”.

Mesmo com o boom de produções nacionais nos últimos anos, acrescenta Carrico, OsTrapalhões mantêm quatro filmes na lista dos dez primeiros (40%), tendo caído para o 4º lugar apenas em 2009, com Tropa de Elite 2, e para o 5º lugar com Se Eu Fosse Você. “Se esticarmos a lista para 20 filmes, encontraremos mais seis deles, com o detalhe de que o grupo acabou há 23 anos como quarteto. Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão teve quase seis milhões de espectadores, aproximando-se de grandes blockbusters hollywoodianos como A Lagoa AzulLua Nova e Harry Potter”.

A tese resgata fatos curiosos, como aquele em que a TV Globo se viu obrigada a pagar o salário que Renato Aragão pediu, quando o programa Os Trapalhões, que foi ao ar na TV Tupi de 1974 a 1977, tornou-se o primeiro a bater o índice de Ibope do Fantástico. “Nos doze anos seguintes, com a sua formação completa, o grupo foi líder de audiência ao lado de Silvio Santos, que interrompia seu programa dominical no momento em que a Globo exibia o programa, reaparecendo somente depois com o seu Show de Calouros”.

Fonte – Jornal Unicamp

Biblioteca da midiaeducação

No site do planetapontocom, está disponível uma base de dados composta por aproximadamente sete mil documentos sobre educação e comunicação. Todos foram escolhidos pela relevância e são de uso livre para consultas, pesquisas ou trabalhos.

acesse aqui a Bibliotech

Professores e estudantes podem fazer uso desses conteúdos em pesquisas, na construção de projetos e em sala de aula. São arquivos de texto, imagens (ilustrações e fotos), áudios e vídeos selecionados pela atratividade, qualidade de produção e rigor na informação.

O ambiente virtual colaborativo permite a qualquer pessoa submeter um artigo, foto, conteúdo audiovisual educativo para apreciação dos curadores e publicação na Bibliotech.

Envie seu trabalho para:  contato@planetapontocom.org.br

Formação para professor

 

No final do mês de abril, a Unesco lançou, em seu site, a versão em português da publicação Alfabetização midiática e informacional – currículo para a formação de professores. 
A obra conta com a contribuição de diversos especialistas internacionais que sugerem tópicos imprescindíveis para um currículo de alfabetização midiática. A ideia é ajudar os professores a explorar e compreender o tema a partir de alguns pontos. Entre eles: as funções das mídias e de outros provedores de informação; como eles operam e quais são as condições necessárias para o cumprimento das funções; como a informação apresentada deve ser criticamente avaliada dentro do contexto específico e amplo de produção; o conceito de independência editorial e jornalismo como uma disciplina de verificação; como as mídias e outros provedores de informação poderiam contribuir racionalmente para promover as liberdades fundamentais e a aprendizagem continuada.

clique aqui e acesse o conteúdo

O trabalho de produção da publicação iniciou em 2008 e envolveu a reunião de um grupo internacional de especialistas que assessorou na estratégia de preparação do currículo; o mapeamento dos recursos globais de formação; o pedido da primeira versão do currículo a quatro grupos de especialistas; a realização de uma segunda reunião internacional do grupo de especialistas, para revisar a primeira versão e uma  série de testes de campo por meio de seminários de formação e consultas no Sul da África, na América Latina e no Caribe, e no Sul da Ásia; e a preparação de uma segunda versão do  documento, com uma rodada final de edição de linguagem e conteúdo.

A publicação está dividida em duas partes: a primeira traz a matriz curricular e de competências em alfabetização midiática e informacional, com uma visão geral do raciocínio que orienta o currículo, seu desenho e seus temas principais; e a segunda inclui os módulos centrais e os módulos complementares do currículo, que envolve questões de cidadania, ética, liberdade de expressão e aprendizagem continuada.

“Vivemos em um mundo no qual a qualidade da informação que recebemos tem um papel decisivo na determinação de nossas escolhas e ações, incluindo nossa capacidade de usufruir das liberdades fundamentais e da capacidade de autodeterminação e desenvolvimento. Movida pelos avanços tecnológicos nas telecomunicações, manifesta-se também a proliferação das mídias e de outros provedores de informação, por meio de grandes quantidades de informação e conhecimento que são acessadas e compartilhadas pelos cidadãos. Com esse fenômeno, e partindo dele, existe o desafio de avaliarmos a relevância e a confiabilidade da informação sem quaisquer obstáculos ao pleno usufruto dos cidadãos em relação aos seus direitos à liberdade de expressão e ao direito à informação. É nesse contexto que a necessidade da alfabetização midiática e informacional (AMI) deve ser vista: ela expande o movimento pela educação cívica que incorpora os professores como os principais agentes de mudança”, destaca o prefácio do documento.

O século do iPhone

Por William Farias – do Observatório da Imprensa
Estudante de Jornalismo, Brasília 

Por que conversar com a sua avó, escutar todas aquelas histórias de 1930, de quando o Brasil não era industrial, ou até mesmo da época da ditadura militar, se você pode conversar com seus amigos sobre o novo hit do momento, o último episódio da série mais assistida no mundo, ou mesmo trocar fofocas sobre o contexto da escola ou faculdade? Nessa comparação chegamos a uma conclusão mortal: a conversa com a vovó é uma interação em extinção.

A conexão web 24 horas, realizada pelos celulares e derivados, proporciona imersão no ambiente online. “Todos conectados”, esse é o lema. Facebook, Twitter, Instagram, Whatsapp! Todos os amigos reunidos em uma tela de cinco polegadas, em qualquer lugar, a qualquer momento. A sociedade mergulha de cabeça na plataforma digital e, consequentemente, substitui realidades, a tangível sensorial pela abstrata virtual.

Atualmente, é comum ser ignorado. As pessoas até têm se adaptado a essa condição. Em um jantar com o filho, por exemplo, o pai se vê em um monólogo, pois o jovem não desgruda da tela de retina. Pior ainda é quando a situação é invertida. Não é mais um crime ser ignorado. Não é mais motivo para chateação. “Pode falar, eu tô te ouvindo”.

Sentimentos e princípios

As ferramentas de comunicação de hoje proporcionam ao homem uma facilidade de comunicação sem precedentes. Podemos conversar com um amigo na China, nos Estados Unidos ou na Jamaica em questão de instantes. Só pressionar um botãozinho! A questão que paira, porém, é se essa comunicação mais rápida e fácil é, de fato, tão efetiva na manutenção e criação de vínculos interpessoais.

Zygmund Bauman, sociólogo polonês, defende o enfraquecimento dos laços interpessoais, em virtude da realidade moderna. É o que ele define como “sociedade líquida”. De acordo com Bauman, trata-se de uma sociedade que está em constante mudança. A transformação ocorre todos os dias. Assim como o estado líquido dos elementos, nunca está imóvel. É impossível não trazer a análise social de Bauman para o contexto virtual, até mesmo porque ele próprio o fez em seu livro 44 Cartas sobre o mundo moderno líquido. O sociólogo diz que os laços hoje são formados em rede e, por consequência disso, são mais fracos. A ideia é de que a rede funciona como uma eterna atividade de conectar e desconectar. “O atrativo da amizade de Facebook é que é fácil conectar, mas a grande atração é a facilidade de desconectar.” Bauman é brilhante ao dizer que a ruptura de relações na internet é a grande vantagem. Ela não exige quase nada do agente, evita traumas, discussões, situações embaraçosas. A ruptura é um clique.

Nesse sentido, levanta-se um questionamento claro: a vontade de se conectar com todos é proporcional a vontade de não estar efetivamente conectado? O homem decidiu desconstruir as relações profundas para viver em um mundo de contatos múltiplos e rasos? É certo que o homem acompanha as tendências do momento histórico em que vive. No entanto, a velocidade dos fatos, a evolução da comunicação e a dinâmica da vida moderna têm contribuído para uma insignificação de sentimentos como o amor, amizade e princípios fundamentais sobre os quais nossa realidade foi construída.

Adestramento criativo

Pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), mapeou como crianças e adolescentes têm usado a internet. De acordo com o CGI, 70% dos jovens entre 9 e 16 anos têm perfis em redes sociais. Além disso, 68 % destes afirmam que usam a web para navegar em redes sociais. A maioria destas crianças e jovens acessa a internet pelo computador, porém 21 % deles já usam o celular para ficar conectado. A pesquisa estudou o ano de 2011. Então, é possível supor que o número de crianças e jovens hiperconectados tenha crescido. Principalmente se considerarmos que a venda de smartphones cresceu 78% em 2012. Foram vendidos 16 milhões de celulares inteligentes em todo o Brasil, de acordo com a consultoria de tecnologia IDC.

O número assusta. Quem não tem um smartphone não está de acordo com a sociedade. O sujeito que não tem ferramentas para compartilhar fotos, comentários, dividir opiniões, curtir atualizações dos amigos, vive à margem. Tenho a liberdade de usar o neologismo científico de que estes sujeitos sobrevivem na periferia virtual. Seja criança, adolescente, adulto ou idoso, ninguém quer ficar fora dos padrões sociais. No último dia 21 de abril, minha avó, de 78 anos, ganhou um iPad. Mesmo ela não tendo intimidade com o aparelho, ficou muito feliz por enfim, poder sair da periferia. No dia seguinte, ela já tinha acessado o perfil no Facebook, criado um no Instagram e comentado as fotos de seus queridos netos.

Por outro lado, tenho uma prima que não completou um ano e já está conectada. Prender atenção de criança dessa idade não é fácil, mas ela já fica algumas horas em frente ao iPad do pai. Brinca com aplicativos que estimulam a fala e o raciocínio. Todos, em tese, muito educativos. Temo que seja, no entanto, um contato perigoso. Uma dependência!

Os aparelhos roubam das crianças a capacidade de abstrair, de inventar e imaginar! Tudo já está pronto para ser usado, não se necessita de nenhum esforço criativo. Imagine como serão essas crianças na fase adulta: extremamente inteligentes, embora sem nenhuma capacidade criativa. Adultos adestrados pela modernidade tecnológica.