Jovens de hoje: líderes do amanhã

A geração do milênio brasileira valoriza a internet e acredita que a tecnologia capacita e iguala. Familiarizados com tecnologia, a maior parte da geração do milênio brasileira possui smartphones (63%) e fica sete horas online por dia, em média (ante seis horas mundialmente). As informações constam da pesquisa Jovens de hoje: líderes do amanhã, produzida pelo Instituto Telefónica, Os dados integram o estudo Global Millennial Survey, realizado em parceria com o “Financial Times”, que teve o objetivo de observar a percepção dos jovens de 18 a 30 anos em relação ao empreendedorismo, otimismo com o futuro e tecnologia. Foram ouvidos 12 mil pessoas em 27 países, incluindo quase 3 mil latino-americanos da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela.

Chamados de “millenials” e também conhecidos como geração Y, os jovens brasileiros não só lideram o crescimento do mercado de smartphones no Brasil como são motores importantes para o crescimento de oferta de dados móveis, um segmento que as operadoras de telefonia têm investido por conta de maior rentabilidade. Ainda segundo o levantamento, os brasileiros apostam no poder da tecnologia para mudar o mundo e são verdadeiramente preocupados com desigualdades sociais, educação, pobreza e saúde.

Alguns números

-> 45% se dizem confortáveis com o conhecimento e uso da tecnologia.
-> 46% afirmam que a Internet é a fonte preferida para informação e entretenimento.
-> 57% concordam que a tecnologia os tornou melhor informados sobre questões políticas em seu país.
-> 92% acreditam que a tecnologia faz com que as barreiras linguísticas sejam mais fáceis para superar.
-> 85% acreditam que a tecnologia tornou mais fácil conseguir um emprego.
-> 71% acreditam que a tecnologia cria oportunidades para todos.
-> 57% dizem que a tecnologia diminuiu o fosso entre ricos e pobres
-> 37% acreditam que a tecnologia é o campo mais importante de estudo acadêmico.

Outros dados da pesquisa com os jovens brasileiros podem ser consultados 
Acesse o estudo geral

Lembranças da História

Por Artur Melo, 10 anos
Aluno do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Eu estava lá, pensativo, no alto do Pão de Açúcar, sentado perto de um matinho que tinha por ali, estava super quente, fazia mais ou menos uns 47º, mas arrumei uma bela sombrinha para ficar. Ainda
sentia calor, mas a vista era tão linda que compensava, e resolvi ficar.

Acho que toda aquela quentura foi me deixando meio tonto, confuso, e comecei a ter alucinações. Estava olhando para a Baia de Guanabara e vi vários Sambaquis enormes, que tinham entre 10 e30
metros. Eu já sabia que eram feitos com muitas conchas, ossos, esqueletos de peixe e outras coisas. Também pude ver os homens índios entrando em um deles, achei que fosse uma reunião importante. Não deu outra! Deviam estar combinando estratégias de guerra.

Não demorou muito e a guerra começou:Franceses e alguns índios de um lado lutando contra os portugueses e outros índios. Foi, então, que me lembrei, eles estavam disputando a cidade
maravilhosa. Os Portugueses venceram, mas infelizmente Estácio de Sá foi ferido por uma flecha envenenada e morreu. Depois disso, muita coisa aconteceu na história do Rio, até chegar a esse dia em que estava ali sonhando.

Quando fui despertando, o calor tinha passado, a noite já ia entrando. Fiquei ainda mais um pouco apreciando a vista, que era linda, ainda melhor, só que de uma outra maneira, tudo parecia mais
calmo e misterioso. Senti que aquela foi a melhor manhã do mundo, na companhia de tantos guerreiros corajosos, e pensei em como teria sido esta cidade se os franceses ganhassem a guerra.

Festa do livro infantil

Tem de tudo um pouco no 15º Salão FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil) do Livro Infantil, que abre suas portas no dia 6 de junho. Defendendo a bandeira da literatura infanto-juvenil de qualidade, o evento deste ano conta com uma série de encontros, debates e seminários. Os temas vão desde a discussão de boas práticas de leitura e literatura na sala de aula aos desafios do mercado editorial.

Em paralelo, é possível traçar um panorama da produção literária infantil na América Latina, resgatar e debater clássicos nacionais, como a poesia de Cecília Meireles, analisar pesquisas que medem o impacto da leitura no dia a dia do país, bem como estudar a importância das imagens/ilustrações dos livros para a garotada. Isso, é claro, sem contar os tradicionais estandes do salão, cujos livros, histórias, autores e personagens acabam encantando adultos e crianças. A feira fica em cartaz até o dia 16 de junho, no Centro de Convenções Sul América, na Cidade Nova, Rio de Janeiro.

Veja os lançamentos do salão do livro 2013
Confira a programação do seminário
Participe dos encontros paralelos

Colômbia: país homenageado

Há alguns anos o Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens presta uma homenagem a um diferente país. Os países já homenageados foram: França, em 2001; Cuba, em 2002; Alemanha, em 2006; Suécia, em 2007; Itália, em 2008; França, em 2009; Coreia do Sul, em 2010; países da Comunidade ds Países de Língua Portuguesa, em 2011 e México, em 2012. O país homenageado desta edição é a Colômbia. Escritores, ilustradores e especialistas participarão do seminário do evento, quando apresentarão um panorama da literatura colombiana para crianças e jovens, além de exposições de livros infantis e ilustrações de artistas colombianos no estande do país homenageado, proporcionando um intercâmbio cultural entre os dois países.

Veja os convidados colombianos que participarão do salão

Encontros e desencontros

Por Mariléa da Cruz
Ex-secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro
Coordenadora do Centro de Cidadania Artes e Cultura (CIdadaniarte) 

É rotina do Centro de Cidadania Artes e Cultura (Cidadaniarte), que coordeno, levar crianças e adolescentes para visitarem exposições e participarem de oficinas na Caixa Cultural, no CCBB, no Centro Cultural dos Correios, para percorrerem roteiros turísticos da cidade ou para assistirem a uma peça teatral. O interesse e curiosidade são imensos. São crianças que vivem penduradas nos aparelhos eletrônicos de que dispõem e sonham com os equipamentos de última geração, mas que, ao vivenciarem estes momentos, os curtem de tal forma que chegam a perguntar quando vai ter outro. Divertem-se fazendo brinquedos infantis, improvisando com o material que lhes vem às mãos.

Além das crianças, os idosos são os que mais se beneficiam das atividades. Sempre que a programação permite a integração de gerações, lá estão eles dispostos a curtir sem constrangimentos os prazeres que lhes foram negados na época de sua infância e adolescência, quando era impensável, não só por razões econômicas, mas também por razões que restringiam a liberdade do indivíduo no sentido de classificá-lo pejorativamente, se mulher (questionando-lhe a castidade) e se homem (questionando a masculinidade se demonstrassem algum interesse pela atividade artística).

A integração é total e, mesmo havendo divergências na leitura que cada geração faz daquilo que vê, há os pontos comuns entre eles, como a convivência pura e simples que a natureza proporciona e que o homem tende a destruir. É mágico presenciar momentos tão pueris: o idoso relembrando situações vividas e a criança se divertindo, mas todos fazendo descobertas com a mesma naturalidade.

Há um vácuo entre esta e aquela geração. Geração de adultos/pais que, na infância, não teve acesso à cultura, privilégio da elite. Essa geração é vítima da transição que vivenciam. Um período de transformação da sociedade em que predomina a valorização da tecnologia e que o referencial de valor é o ter e não o saber e o ser. São raros os adultos/pais que participam dessas atividades. Mas é frequente a surpresa e a alegria que experimentam com seus filhos.

Pesquisa com infância

O Grupo de Pesquisa Infância e Cultura Contemporânea do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) acaba de lançar, no Rio, durante a realização do VII Seminário Internacional as Redes Educativas e as Tecnologias, realizado na Uerj, o seu primeiro livro coletivo: Infância em Pesquisa  (Editora Nau). Segundo Rita Marisa Ribes Pereira, coordenadora do grupo, os artigos que compõem a obra foram produzidos com o objetivo de sistematizar as questões e temáticas mais representativas do grupo ao longo de sua história, o que propiciou um pensar sobre a pesquisa que é produzida com crianças e também sobre o processo de constituição e desenvolvimento da própria equipe. “Entendemos que a identidade do grupo afeta e é afetada pelo trabalho minucioso e cotidiano de delimitação de nosso objeto de estudo – a infância contemporânea – e as abordagens teórico-metodológicas escolhidas”, acrescenta Rita.

No prefácio do livro, a professora Solange Jobim e Souza, da PUC-Rio, destaca que a obra oferece contribuições para uma análise da experiência da criança no mundo contemporâneo. “Vale dizer que este livro nos convida a retomar perguntas que devem ser sempre revisitadas por aqueles que se dedicam a realizar pesquisas com crianças, como o que é contracenar com crianças nos espaços instituídos pela pesquisa, inventando modos de ser e de produzir cultura com elas? Como fazer pesquisa com crianças, respeitando-as como sujeitos singulares que são, sem deixar, porém, de reconhecer nelas as contingências culturais da época atual? Como explicitar através da escrita experiências tão singulares vividas entre o pesquisador e seu outro, especialmente quando este outro é a própria infância contemporânea, que se revela no encontro entre o adulto e a criança?”, questiona.

A obra, organizada pela professora Rita Ribes e por Nélia Mara Rezende Macedo, traz dez artigos. Entre eles: Pesquisa com crianças, de Rita Ribes; Intimidade e estranhamento na pesquisa com crianças, de Núbia de Oliveira Santos; Pesquisar com crianças pequenas: desafios do trabalho de campo, de Luciana Bessa Diniz de Menezes; Pesquisando com crianças em espaços particulares: a busca de uma metodologia de pesquisa, de Joana Loureiro Freire: e  O processo e o produto da pesquisa: a negociação do texto de pesquisa com as crianças, de Maria Esperança de Paula.

O Grupo de Pesquisa Infância e Cultura Contemporânea reúne alunos de graduação e pós-graduação e professores ligados às redes de ensino. Objetiva-se com essa formação um diálogo entre universidade e escola, tanto no sentido de fomentar práticas curriculares sensíveis à problemática da cultura contemporânea, quanto no sentido de incentivar professores a darem continuidade à sua formação acadêmica.

Outras opções

Por Marcus Tavares
Editor da revistapontocom
Texto publicado inicialmente no Jornal O DIA 

Dar ou não um tablet ou um smartphone de última geração para as crianças? Volta e meia, os pais se fazem esta pergunta. Muitos acabam se rendendo aos pedidos insistentes da garotada, que se sente fora da moda ou da turma por não ter o mesmo aparelho. Se você, que é pai ou mãe, ainda não vivenciou esta cena, aguarde. E, lógico, prepare o bolso. Mas lembre-se: há outras boas opções, inclusive mais baratas, que podem ser oferecidas para os pequenos. Não sou contra a compra das tecnologias digitais, mas reitero o quanto é importante impor limites no uso e propiciar outras vivências.

Por exemplo, qual foi a última vez que você levou seu filho ao cinema? Quando foi que visitou um museu ou uma livraria para comprar um livro? Já fez as contas? Com o valor de um smartphone, em média ao preço de R$ 1.200, é possível comprar cerca de 100 ingressos de cinema ou 75 livros e visitar dezenas de exposições, muitas inclusive gratuitas.

Achar que a tecnologia e tudo o que ela traz com o acesso à internet já dão conta do recado, da curiosidade das crianças, garantindo conhecimento, informação, entretenimento e cultura é um ledo engano. Faz-se necessário oferecer outras linguagens e momentos. Outros contextos. Só assim é possível ampliar o horizonte delas.

Vejo muitos pais dando tais aparelhos por insistência da meninada (muitos se endividando em até 12 prestações no cartão de crédito), mas também como uma forma de fazer com que as crianças fiquem quietas, sem “encher o saco”.

Prático para os responsáveis? Muito, certamente. Porém, desrespeitoso com a potencialidade das crianças. Depois são estes mesmos pais/responsáveis que reclamam que seus filhos não saem do computador, não desgrudam dos celulares e não largam os joguinhos, as redes sociais e os tablets. Como exigir outra realidade se foi exatamente essa na qual foram e ainda são criados?

Oficina: criança e mundo sustentável

Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade é o nome da oficina que a psicóloga Lais Fontenelle Pereira vai ministrar, no dia 6 de junho, no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio. Integrante do Instituto Alana, Lais discutirá com o público de que forma é possível construir um mundo mais sustentável com as crianças. Ela também vai apresentar a cartilha que leva o nome da oficina, criada pelo Instituto Alana. O objetivo da publicação é ajudar pais e educadores a trabalharem com as crianças a diferença entre o “querer” e o “precisar”, além dos temas sustentabilidade, descarte e consumo. O material também traz alguns dados preocupantes sobre a influência da publicidade no consumismo infantil. O evento faz parte da Semana do Meio Ambiente, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente.

Mais informações e inscrições em http://hotsite.mma.gov.br/semanadomeioambiente/