Cruentior: terror e suspense

O estudante Lennon Medeiros tem 17 anos. É aluno do último ano do curso de Roteiro para Novas Mídias Digitais, do NAVE – Colégio Estadual José Leite Lopes. Leitor assíduo, resolveu há alguns meses criar uma novela, em capítulos, na internet. Atualizada semanalmente, Cruentior conta a história de um mistério que assola uma cidade. Mortes e atentados dão pistas de que algo maior está para acontecer. Para tentar solucionar o caos, os “lixeiros” – detetives da divisão de casos insolúveis – são convocados. Ao mesmo tempo, um grupo de extremistas, certo de que a humanidade caminha para o seu desaparecimento, defende uma reviravolta da sociedade.

“Recheada de suspense e terror, a história tem o objetivo de mexer com as emoções dos leitores, fazendo com que eles também repensem o próprio mundo contemporâneo em que vivem”, explica o autor.

Às vésperas da Bienal do Rio, Lennon está se preparando para participar do Salão de Negócios do evento. Ele quer apresentar a proposta de sua história paras as editoras que estarão presentes. Em entrevista à revistapontocom, ele contou o seu processo de produção.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Como você define o Cruentior?
Lennon Medeiros – É uma novela on-line, uma narrativa de suspense e horror. A história é dividida em capítulos e divulgada semanalmente. Pistas lógicas, teses filosóficas, mistérios e a tensão dos momentos são características marcantes da trama, que narra uma cidade em crise, violenta e sem controle, que vive num caos extremo. Um atentado num ônibus, um incêndio criminoso, um ataque num sinal, tudo isto se liga de uma maneira atraente e instigante para o leitor. Toda esta trama tem o objetivo de fazer com que o leitor acabe refletindo sobre os valores do nosso cotidiano.

revistapontocom – Da onde veio a ideia?
Lennon Medeiros – A ideia surgiu a partir da observação do comportamento humano. Minha imaginação pregou a peça de fazer a seguinte pergunta: como seria se todos fossem submetidos a um tratamento de choque? Daí bastou observar e ver o que traria mais desconforto em cada situação para moldar dentro dos planos de uma história já desenvolvida. A pergunta central que conduziu toda a narrativa foi: qual remédio usaríamos para curar a humanidade?

revistapontocom – Quais são as suas inspirações?
Lennon Medeiros – De Edgar Allan Poe até meu gato brincando com o novelo de lã. Com o passar do tempo, aprendi a observar tudo ao meu redor e tirar disso informações nutritivas e construtivas. É claro que, mesmo com toda a pesquisa de campo, conhecer o trabalho de bons escritores é fundamental para quem queira rumar nessa vida, seja lendo as obras da família Veríssimo ou analisando Stephen King.

revistapontocom – Você sempre gostou de ler e escrever?
Lennon Medeiros – Desde pequeno tenho grande contato com o mundo dos livros, já que meus pais sempre me influenciaram a desfrutar de uma boa leitura, não somente para acrescentar conhecimento, mas para me divertir também. Logo comecei a andar pelas minhas próprias pernas e sempre estourava a cota de livros que podia pegar emprestado por vez na biblioteca, logo tornava a devolver e repetia o ciclo novamente. Sempre quis replicar o sentimento que aqueles livros causavam em mim. Queria fazer com que as crianças também se sentissem inspiradas a inspirar mais crianças. Ao mesmo tempo, queria pôr no papel todos os universos e castelos que eu imaginava. Conforme a minha carga de leitura aumentava, aumentava também a vontade de produzir e sucessivamente o nível de produção. As oportunidades surgiram e eu as aproveitei como melhor pude. É como diz aquele ditado popular: quem quer procura, e quem procura acha.

revistapontocom – Por que você escolheu a plataforma digital como divulgação da sua obra?
Lennon Medeiros – Desbravar novos formatos de mídia é sempre um desafio. Na internet, temos a possibilidade de não somente experimentar o contato direto com o leitor. Neste diálogo, você pode adaptar o que está fazendo, melhorar, reescrever, utilizando as críticas, aproximando a sua visão da do seu público alvo. Hoje com um computador na mão e uma ideia na cabeça se pode conquistar o mundo.

revistapontocom – E como o público vem respondendo?
Lennon Medeiros – Procuro ter o maior contato possível com meus leitores. Durante estes dois meses de escrita, recebi críticas positivas e negativas, mas, no geral, construtivas. Relatos de como os personagens, suas atitudes e seus pensamentos eram reflexos de suas vidas, não faltaram, nem dicas de como me aproximar do meu público. O importante é estar aberto para o diálogo, para os conselhos e ser um bom apurador na hora de aplicá-los.

revistapontocom – O que você pretende com o Cruentior?
Lennon Medeiros – Como todo jovem sonhador, gostaria de ver o projeto alçar um longo voo. Quero – e pretendo – publicar Cruentior como livro impresso, porque, apesar das grandes vantagens do digital, sempre gostei de folhear as páginas de um bom livro. Acredito que existam pessoas que sintam este mesmo prazer. Mais para frente, gostaria de adaptar esta história para TV, cinema, quem sabe? Para quem começou fazendo uma historinha de cabeceira chegar até aqui já é grande coisa.

revistapontocom – Como você avalia hoje a produção literária nacional voltada para os jovens?
Lennon Medeiros – Estamos em um grande momento. Agora mais do que nunca, a literatura nacional caminha para uma fase brilhante. Se antes caminhávamos com grandes mentes que influenciaram toda uma geração, hoje temos toda uma geração pronta para fazer. Hoje temos leitores sedentos por uma escrita nova e escritores prontos para atender esta demanda. O Brasil está descobrindo outra geração de talento: jovens leitores e escritores assíduos. Eu me orgulho de fazer parte desta geração.

Um dia com Nicolau

Por Artur Melo, 10 anos
Aluno do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Terça -feira, à noite, estava lendo um dos livros do Pequeno Nicolau, mas já com sono. Fui dormir. Às 7h 55m senti me cutucarem e acordei. Olhei para o relógio e ainda não eram 8h, pois ele ainda não tinha tocado. Olhei para trás e lá estava o Pequeno Nicolau, me olhando misteriosamente…

Esfreguei os olhos, pois não estava acreditando no que via, era ele mesmo, verdade, pisquei, pisquei e ele continuou lá. Então, é claro, não perdi nenhum minuto, pulei da cama e começamos a conversar.

– Inacreditável você aqui! Como você conseguiu sair de um livro?
– Artur, você não sabia que coisas impossíveis também podem acontecer?
– Como você sabe me nome? perguntei admirado
– Ué, eu também leio as suas histórias na revistapontocom, disse ele.
– Ah, entendi, respondi. Já ia me esquecendo de dizer: hoje é dia de futebol e se você quiser ficar por aqui terá que ir comigo.
– Eu adoro mesmo bater uma bolinha!

Saímos do quarto, passamos pela sala, meus pais se assustaram, lembraram do menino do filme. Logo gostaram de Nicolau também, mas desconfio que eles sempre ficam com aquela pulguinha atrás da orelha, pensando se eu não teria ainda mais motivo para fazer umas boas traquinagens.

Chegamos ao futebol. Fomos conversar com o técnico para pedir para que Nicolau pudesse jogar. Claro que ele deixou, não é sempre que temos uma visita ilustre e um futebol que pode virar história de livro… Por sorte, ficamos no mesmo time, jogamos muito, faltava apenas um minuto para o jogo acabar e o placar estava 2 a 2, então PRRIIIII!! Pênalti para nós! Era o último lance do jogo. O juiz apita. Nicolau vai bater… E aí, leitores, o que vocês acham? Ele marcou ou não esse gol? Ou será que isso tudo não passou de um sonho meu, naquela quarta, amanhecendo?

Fil sedia primeiro encontro de festivais de crianças e jovens

O que os festivais voltados para crianças e adolescentes, sejam nacionais ou internacionais, têm em comum? A 11ª edição do Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens, que acontece entre os dias 19 e 29 de setembro, no Rio, vai discutir o tema. No primeiro encontro de Festivais internacionais para Crianças, serão debatidas diversas experiências obtidas por organizadores de festivais internacionais para crianças e jovens, das mais diversas linguagens. Suas dificuldades, expectativas, articulações internacionais e conquistas.

Confira a programação completa

De acordo com Karen Acioly, o festival abre mais este espaço para que sejam potencializadas as criações de novas redes de articulação nacional, estímulo à políticas que beneficiem os profissionais que se dedicam ao aprimoramento da exibição e divulgação de trabalhos artísticos voltados ao público infantil.

Já confirmaram participação: a Mostra Internacional do Teatro de Animação, o Festival Internacional de Teatro do Objeto, o Sesi Bonecos, o Festival Internacional de Teatro para Bebês, o Festival Internacional Infantil do Ceará, o Festival Internacional de Curitiba e a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis.

Local: Oi Futuro – Flamengo
Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo, Rio de Janeiro – RJ
Dia e horário: 25/09 às 16h30;
Ingresso: Grátis
Capacidade: 60 lugares
Duração: 180 minutos

Guia mais educomunicação

Com o objetivo de fortalecer e encaminhar as atividades do projeto Mais Educomunicação, que visa fortalecer as ações da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores (Renajoc), presente em escolas públicas brasileiras, foi lançado o Guia mais educomunicação: orientações, conceitos e metodologias para subsidiar as ações. A publicação é resultado de uma parceria entre a Renajoc, a organização social Viração Educomunicação e o Instituto C&A, por meio do programa Redes e Alianças.

Acesse aqui o guia

A proposta do projeto Mais Educomunicação é fazer com que os estudantes participem do processo de democratização da comunicação no Brasil, contribuindo com o monitoramento e a incidência nas políticas públicas de educomunicação. Cada núcleo formado comportará dez adolescentes. Os alunos receberão formações quinzenais em direito humano à comunicação, educomunicação e produção de conteúdos de comunicação a partir da perspectiva do adolescente sobre sua realidade e comunidade.

O guia está dividido em 11 capítulos, que abordam desde os conceitos de educomunicação e direito humano à comunicação até roteiros de como montar produtos de comunicação – jornal mural, fanzine, funpage, podcast, estêncil, blog, transmissão on-line, vídeo de bolso, flashmob, web-rádio, entre outros. A publicação também contempla conteúdos específicos sobre avaliação e prestação de contas do projeto de educomunicação.

A Renajoc foi criada em 2008, durante o I Encontro de Adolescentes e Jovens Comunicadores promovido pela ONG Viração Educomunicação. A rede integra ações que buscam unir adolescentes e jovens do Brasil para chamar a atenção para o direito humano à comunicação. Para tanto, o projeto incentiva que eles realizem coberturas colaborativas de eventos relevantes para os adolescentes e jovens e participem de debates nacionais sobre adolescência, juventude e comunicação.

A Viração Educomunicação foi criada em 2003, com o objetivo de fomentar e divulgar processos e práticas de educomunicação e mobilização entre jovens, adolescentes e educadores, para a efetivação do direito humano à comunicação e para a transformação socioambiental.

O programa Redes e Alianças do Instituto C&A busca promover a cooperação, a convergência e a multiplicação de esforços entre organizações e pessoas, de modo a contribuir para a garantia do direito à educação das crianças e dos adolescentes no Brasil.

43% da população não se reconhecem na programação da TV

 

Todo dia, 82% dos brasileiros ligam a televisão, e 43% desta população não se reconhecem na programação que assistem. Uma quarta parte (25%) acha que o povo é retratado negativamente e 32% se sentem representados positivamente. Os dados são da pesquisa Democratização da Mídia, da Fundação Perseu Abramo, a partir de um universo de 2,4 mil entrevistas domiciliares em zonas rurais e urbanas de 120 municípios, entre 20 de abril e 6 de maio deste ano.


Quase um terço dos entrevistados (29%) disse que nunca vê a defesa de seus interesses na televisão, enquanto que para 55% essa defesa ocorre de vez em quando. Em relação às mulheres, 17% acham que quase sempre são tratadas com desrespeito na programação, problema que ocorre eventualmente para 47% dos entrevistados. O tratamento dos nordestinos também recebeu avaliação semelhante, sendo que foi considerado quase sempre desrespeitoso para 19% e só às vezes para 44%. Sobre a população negra os percentuais foram de 17% e 49%, respectivamente.

De acordo com o estudo, a maioria da população (61%) acha que a TV concede mais espaço para o ponto de vista dos empresários do que dos trabalhadores (18%). Para 35% dos brasileiros, os meios de comunicação, não só a televisão, defende principalmente os interesses dos próprios donos. Na opinião de 32%, a versão que prevalece na mídia é a dos que têm mais dinheiro e para 21% é o interesse dos políticos que é mais defendido pelos meios. Apenas 8% avaliaram que os meios de comunicação estão prioritariamente ao lado da maioria da população.

A maioria dos entrevistados (71%) é favorável a que a programação televisiva tenha mais regras. Para 16%, as regras atuais são suficientes para disciplinar o conteúdo e 10% disse que é preciso reduzir o número de normas. Na opinião de 54%, não deveriam ser exibidos conteúdos de violência ou humilhação de homossexuais ou negros. Para 40% da população, esse tipo de programação pode ser aceita sob determinadas regras. Percentual semelhante ao humor que ridicularizam pessoas, 50% são contra a exibição desse conteúdo e 43% admite desde que normatizado.

A pesquisa realizada antes das Jornadas de Junho, que levaram milhões de brasileiros às ruas, comprova a importância da televisão aberta e do rádio e o desconhecimento da população sobre a concessão aos grandes meios, mas aponta que é preciso haver mais regras na comunicação.

A maioria dos entrevistados defendeu mais regras no conteúdo (71%), que é uma das questões mais importantes, uma vez que é muito alto o percentual de pessoas que se informam pela televisão (93%) e pelo rádio (79%). 94% da população assistem TV aberta e se observa ainda que 60% da população desconhecem que os veículos são concessões públicas, embora saibam que os meios de comunicação defendem os interesses dos donos, dos políticos, dos mais ricos.

Na pesquisa, apenas 38,5% disseram ser a programação negativa para a educação de crianças e adolescentes. Para 34,7% não ajuda nem prejudica e para 26,8% a televisão é positiva para a educação deles.

Quanto às mulheres, 36,4% de entrevistados na pesquisa opinam que a TV retrata as mulheres “sempre com respeito” e mais de um terço das pessoas não perceberem o desrespeito à mulher, somam-se, assim, com os 46,8% que acham que só às vezes a mulher é tratada com desrespeito, dá mais de 83% que acreditam que o modo como a mulher é mostrada é respeitoso, avaliação bem distante daquela feita pelo movimento feminista. Ainda que 61% sejam contra a exposição gratuita do corpo da mulher.

Uma tímida maioria é favorável a que não sejam exibidos na TV, “conteúdos de violência ou humilhação” contra a população negra (54%), contra gays e lésbicas (54%) e contra mulheres (53%). Respectivamente 40%, 40% e 41% admitem tais conteúdos “com regras”, o que acho um número bem grande para quem considera normal esse tipo de conteúdo. Percebam que em relação às mulheres ainda deu um por cento a mais que as outras minorias. E não chega à metade (49,8%) dos telespectadores os que acham que não deveria ser permitido tipo de humor que ridiculariza as pessoas. Dados a se pensar mais e aprofundar em novas pesquisas, esse tal de controle social da mídia. Novas pesquisas sobre a mídia que certamente acontecerão, pois Joaquim Soriano, da Fundação Perseu Abramo ressaltou a importância de haver uma série.

Fonte Adital com dados do Ciranda

Hora de esquentar os tambores!

Por Rachel Moreno
Psicóloga e pesquisadora
Autora do livro A imagem da Mulher na Mídia – Controle Social Comparado – Edit. Publisher 

A pesquisa da Fundação Perseu Abramo sobre Democratização da Mídia, realizada pela Mark Sistemas de Pesquisa, sob orientação de Gustavo Venturi e de Vilma Bokani, realizada entre os dias 20 de abril a 06 de maio de 2013, traz informações e resultados de grande relevância, com relação às afirmações contraditórias que têm sido feitas pelos diversos atores sociais que se manifestam acerca deste tema.

As indicações que ela traz também se consubstanciam na representatividade de sua amostra – 2.400 entrevistas junto a uma amostra representativa da população brasileira com 16 anos e mais – probabilística nos primeiros estágios (sorteio de municípios, setores censitários, quarteirões e domicílios), com controle de cotas de sexo idade no estágio final (seleção dos indivíduos) – cobrindo as áreas urbana e rural de 120 municípios (estratificados em pequeno, médio e grande porte), das cinco macro-regiões do país – bem como na sua margem de erro – de 2 pontos percentuais para os resultados com o total da amostra e varia de 3 a 5 pontos percentuais para os resultados nas macrorregiões brasileiras.

Mas vamos à discussão de seus resultados.

1. A predominância da TV aberta

A Internet vem ganhando a preferência da população como veículo para se informar sobre a cidade, o
Brasil e o mundo. Apesar de empatar em 43% com os jornais impressos, em meio habitual de informação, na soma de portais, blogs e indicação de amigos nas redes sociais virtuais, a Internet ultrapassa o impresso. Estes são alguns dos indicadores da pesquisa “Democratização da mídia”, realizada pelo Núcleo de Estudos e Opinião Pública (Neop) da Fundação Perseu Abramo (FPA) e apresentada na última sexta-feira, 16, em São Paulo.

A TV, tanto por sua penetração (94%), quanto pelo hábito de audiência diária (82%), continua predominando com relação às demais mídias, sendo seguida pelo rádio (79%).

A internet – grande vedete dos últimos tempos – disputa a 3º colocação (37%) com os jornais impressos. Seguem-se  a TV por assinatura, em quinto lugar (37%,  sendo 30% diariamente), e finalmente,  a soma de todas as revistas impressas (24%).

Com relação à distribuição de audiência/leitura, é relevante notar que o Facebook (17%), o Google (11%)  passam da metade dos que “visitam algum site, blog ou portal; e que a leitura da Veja se reduz a 12% dos que dizem ler alguma revista impressa.

Com isso, temos mais clareza sobre a crise da mídia impressa, anteriormente soberana – tanto em termos de jornais, como ao considerarmos a revista de maior circulação. É o que nos mostra a declaração segundo a qual “A internet, na soma de portais, blogs e indicação de amigos nas redes sociais virtuais, ultrapassa o jornal como meio habitual para se informar sobre o Brasil e o mundo, assim como a conversa com familiares, amigos e colegas”.

Mas a TV também começa a mostrar a sua fragilidade ante a insistência na não representação da diversidade do território nacional, perdendo espaço como meio de informação local, para os jornais impressos e as rádios.

2. Interesses e representações das mídias

A pretensa imparcialidade da mídia se vê questionada pela percepção dos entrevistados. 

Os meios de comunicação no Brasil costumam defender os interesses sobretudo dos seus próprios donos (35%) e dos que têm mais dinheiro (32%), avalia a maioria da população brasileira. Para 21% os meios defendem prioritariamente os políticos e apenas 8% acreditam que defendem mais os interesses da maioria da população. Na soma de duas indicações, essas taxas atingem, respectivamente, 66%  58%, 50% e 15%.

Além disso, apenas 22% acreditam que os meios costumam ser imparciais e neutros e, ilustrando esta avaliação, só 29% crêem que a cobertura do governo Dilma tem sido equilibrada.

A seletividade da grande mídia, focando apenas os eventos, fatos políticos e episódios que lhes interessam, e ignorando os demais, também têm tido a sua ação percebida. Apenas cerca de um terço dos telespectadores acredita que as principais notícias aparecem na TV, rádio e jornais. A janela, a rua, a conversa com familiares, vizinhos e amigos levantam pautas e acontecimentos que não se vêem na TV.

Já com relação à importância das notícias que decidem divulgar, 35,6% consideram que sobrem “a maior parte” dos acontecimentos importantes, 43% “aproximadamente metade” e 20%, “apenas uma pequena parte”. De um modo geral, é pouco para quem pretende prestar um serviço de utilidade pública, fingindo não ser uma concessão que deveria priorizar cultura e informação.

 

Esta seleção não é totalmente atribuída aos apresentadores e jornalistas, de quem 45% creem que têm liberdade parcial, e não total para decidir o que publicar e/ou divulgar.

E, num cenário em que a disputa política já se coloca, antecipando-se ao próximo ano eleitoral, o crédito atribuído às campanhas e interesses da grande mídia se vêem, portanto relativizados pelo ceticismo da maioria que aprendeu a perceber os interesses que há por trás das linhas editoriais.

O mesmo se dá com relação à falta de pluralidade apontada por entidades e militantes pela democratização da mídia, reforçada pelo fato de apenas 17,7% dos entrevistados concordarem totalmente com a afirmação segundo a qual, em termos de cobertura noticiosa, os meios ouvem todas as correntes políticas envolvidas, enquanto que 68% discorda ou concorda apenas em parte, e 17% discorda totalmente.

A síntese que fazem disso, de forma mais generalizante, leva 64% a concordar ou discordar parcialmente, enquanto que 28% concordam totalmente que, mesmo havendo vários meios de comunicação no Brasil, quase todos só defendem o interesse das elites. A nível individual, o direito de resposta é percebido como ocasionalmente respeitado por quase metade da população, enquanto que 27% considera que este direito nunca é respeitado.

3. A quem pertencem os meios de comunicação?

Sete em dez entrevistados não sabem que rádio e TV são concessões públicas.  Para 60% são empresas de propriedade privada, um negócio como outro qualquer. E, quando informados de seu caráter de concessão pública, metade acredita que a programação é controlada igualmente pelo governo e pelos empresários, sendo que apenas 1/3 crê que seja exclusivamente controlada pelos empresários.

Ou seja, informados sobre o caráter de concessão pública dos meios, apenas um terço acredita que, em assim sendo, tais meios são controlados pelos empresários exclusivamente… numa concessão estranha e excessivamente generosa…

Mas, mesmo assim, parecem crer numa relativa pluralidade de fontes e interesses, já que 55% acredita ser o número de “controladores” privados grande. Assim, o seu grande grau de liberdade na determinação do conteúdo seria contrabalançado pela concorrência de percepções e idéias distintas dos muitos donos dos meios, o que não acontece com os que acreditam ser médio ou pequeno o número destes proprietários.Já, quando são informados de que os meios de comunicação no Brasil pertencem ou são controlados por “cerca de dez famílias”, como de fato ocorre, a maioria (40%) avalia isso como ruim para o país.

4. Falta de pluralidade e diversidade na TV

A falta de diversidade e de pluralidade já denunciada na grande mídia termina sendo percebida pela maioria da população, que não se reconhece, que não identifica suficientemente os problemas nacionais, que não mostra a variedade do povo.

Para a maioria da população brasileira a TV trata dos problemas do Brasil menos do que deveria (57% – para 1/3 trata na medida certa), mostra a variedade do povo brasileiro mas não muita (54% – para 22% não mostra) e mostra a realidade apenas em parte (51% – para 23% costuma esconder).

A consequência disso é um distanciamento em termos de identificação – tanto em termos do que é mostrado (falta de diversidade), quanto em termos da falta de pluralidade de opiniões, de identificação bastante ocasional com a opinião mostrada, quando isso ocorre.

Não costumam se reconhecer na TV 43% e 25% se vêem retratados negativamente – só 32% de modo positivo. A maioria se identifica com o modo de pensar das pessoas mostradas apenas de vez em quando (56%) – 28% nunca; avalia que nem sempre a TV abre espaço para a diversidade de opiniões, às vezes sim, outras não (58%), para 24% nunca, e vê a defesa de seus interesses na TV só de vez em quando (55%), 29% nunca.

As mulheres, os nordestinos e os negros também são vistos como inadequada e desrespeitosamente retratados pela mídia. E, no caso dos negros, acusa-se ainda a sua sub-representação.

A maioria considera que a TV retrata as mulheres às vezes (47%) ou quase sempre (17%) com desrespeito, assim como desrespeita os nordestinos às vezes (44%) ou quase sempre (19%), e ainda a população negra ( 49% e 17%, respectivamente) – sendo esta retratada menos do que deveria (52%).

Um recorte de classe/econômico também é percebido criticamente: a maioria afirma que a TV costuma dar mais espaço para os empresários (61%) que para os trabalhadores (18%).

Assim como uma preferência regional, que deixa de considerar a amplitude e diversidade do Brasil …
consideram que o noticiário veiculado é quase só de São Paulo e Rio de Janeiro (44%),

Finalmente, a programação para crianças e adolescentes é nociva para a sua formação e educação:
acreditam que oferece uma programação para crianças e adolescentes que é antes negativa (39%) que positiva (27%) para sua educação.

5. O espaço das religiões

A maioria (69%) considera que as emissoras de rádio e TV dão espaço para todas as religiões e que a quantidade de exibição de programas religiosos está em quantidade adequada (para 56% dos entrevistados). Apenas 26% considera que o espaço cedido é maior do que deveria. Entretanto, temos algumas ressalvas com relação a esta questão.

A primeira delas diz respeito ao perfil dos entrevistados que consideram que esta distribuição favorece as religiões, compostos majoritariamente por evangélicos (63%) e católicos (24%).

Parece-me também que o cuidado que se teve com relação às demais questões (relativas à pluralidade, à diversidade etc., mensurando o que se pensa “espontaneamente” e o que se pensa após saber que TV é uma concessão pública, antes e depois de saber que está concentrada nas mãos de poucas famílias – o que foi muito bom) não correspondeu ao cuidado que se poderia e deveria também ter com relação às religiões.

A formulação da pergunta (P.68. Pela Constituição, o Estado no Brasil deve  ser neutro em relação às várias religiões, sem adotar os princípios  religiosos de uma ou de outra religião. Na sua opinião, a distribuição de  emissoras de rádio e televisão tem sido equilibrada, dando espaço para  todas as religiões, ou tem favorecido algumas religiões e prejudicado  outras? LER FRASES – R.U.) não me parece que seja a mais clara.

Não explicita para a população, que certamente ignora isso, que é proibida a concessão de canais às religiões, assim como não há referência à formulação legal que visa – de forma talvez não suficiente (tanto que é hoje burlada) – também não permitir a terceirização, que hoje se faz,  favorecendo as religiões que conseguem comprar este espaço, em detrimento das mais pobres.

Não lista as religiões que têm tido condições de comprar espaço, e as que  não têm tido essas condições (como as de matriz africana, e como,  inclusive, um espaço de divulgação do ateísmo).

Não explicita a laicidade do Estado, e a contradição com a venda/compra de  espaço por parte de algumas religiões, que eventualmente têm se  apresentado como Fundações.

Não coloca um leque mais amplo de formas alternativas (de um espaço  reduzido às datas mais importantes das diversas religiões, incorporadas  pela cultura), propostas por parte do movimento pela democratização da  comunicação.

Enfim, em consequência da aparente falta de uma fase qualitativa anterior à quanti, somada ao ineditismo da coleta deste posicionamento relativo às religiões, reduziu a informação que temos sobre essa questão ao nível de um grau de informação insuficiente, com relação ao detido pela população, devendo ser mais adiante merecedora de uma formulação que nos forneça, assim como aos entrevistados, uma compreensão mais rica das nuances possíveis desta questão controversa.

6. Regulamentação da mídia

Mesmo lembrando que um terço da população considera que cada emissora passa o que quer, em termos de conteúdo, 52% afirmam saber que existem regras para definir o que passar. E, de qualquer forma, a maioria é favorável a que haja mais regras (71%) para a programação veiculada na TV. Apenas 1 em cada 4 avalia que as regras atuais são suficientes (16%) ou que deveria haver menos regras (10%).

Frente à hipótese de que haja mais regras para a programação e publicidade na TV, a maioria (46%) manifesta-se favorável a que essa regulamentação seja definida e fiscalizada através de controle social, por um “órgão ou conselho que represente a sociedade”, antes do que por mera auto regulamentação (31%), como a hoje vigente – além de quase 1/5 ser favorável a um controle governamental (19%).

Ou seja, a demanda por controle social da mídia encontra amplo apoio na percepção e demanda da população. E tal fato não se refere apenas à programação, mas também à veiculação da publicidade – para 2/3 deveria haver mais regras (66%).

Quando vamos ver quais são os aspectos que consideram deveriam ser regrados, encontramos:

Apelação, mau gosto:
– a maioria se diz favorável a que TV não veicule palavrões (66%),
– não exponha gratuitamente o corpo da mulher (61%),
– não exponha cadáveres (60%),
– cenas de crueldade com animais (58%),
– cenas de nudez e sexo (53%),
– cenas de violência e morte (52%)
– e de uso de drogas (51%).
– e
ntre 32% e 42% admitem tais conteúdos desde que com indicação de idade e controle de horários para sua exibição.

Mulher:
– a maioria considera que não se deveria expor gratuitamente o corpo da mulher (61%),
– a maioria é contra cenas de nudez e sexo (53%),
– a maioria é contra cenas de violência e humilhação contra mulheres (53%).
– a maioria é contra cenas de violência e morte (52%)
– entre 32% e 42% admitem tais conteúdos desde que com indicação de idade e controle de horários para sua exibição.

Violência e humilhação:
– a
 maioria é favorável a que não seja exibido na TV “conteúdos de violência ou humilhação” contra a população negra (54%), contra gays e lésbicas (54%) e contra mulheres (53%). Admitem tais conteúdos “com regras”, respectivamente 40%, 40% e 41%.

Humor politicamente incorreto:
– 
“Humor que ridiculariza as pessoas” não deveria ser veiculado (50%),ou apenas com regras (43%).

Com relação ao estímulo ao consumo:
– para a maioria, podem ser veiculadas desde que com regras limitadoras da apologia – ou “valorização máxima” – do consumo (57%), a exposição de pessoas famosas (59%) e programas e publicidade para crianças (63%).
– são totalmente contrários a sua veiculação respectivamente 34%, 24% e 15%.

Publicidade de bebidas alcoólicas:
– e
specificamente para a publicidade de bebidas alcoólicas, quase a totalidade (88%) apóia mudanças na legislação, seja seu banimento da TV (44%), seja sua restrição a “horários noturnos e de madrugada” (44%)... Como solicita, há tempos o Instituto Alana.

Críticas ao governo:
– Críticas ao governo deveriam ser regradas para 46%,para 41% devem ser exibidas sem nenhuma regra.

Ou seja, regras que protejam a infância, que não banalizem a violência e a nudez gratuitamente, que não estimulem ou reproduzam os preconceitos, e que não estimulem desenfreadamente o consumo, particularmente para os mais indefesos – de idade mais tenra. Note-se também que, quando não se posicionam de forma francamente contrária a este tipo de conteúdo, os entrevistados defendem, no mínimo, restrições de horário e/ou demais regras. A auto regulamentação, defendida pelos grandes meios de comunicação, parece decididamente insuficiente para os telespectadores, leitores, ouvintes – enfim usuários/consumidores dessas mídias. Fica, portanto demonstrada também a insuficiência do CONAR (Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária), bem como o “controle remoto” da TV, que pouco muda efetivamente em termos de qualidade do conteúdo, mesmo trocando de emissora.

Finalmente, entre os mais permissivos, dá-se a categórica reafirmação da importância de indicação classificativa e de horários específicos para a exibição de determinados conteúdos. Por fim, a elaboração de “demais regras” que condicionem a exibição dos conteúdos acima listados também faz parte da demanda da população. Que seja ouvida!

7. Conclusões

Assim, os índices de audiência que costumam ser brandidos pela mídia, como comprovação de que a programação obedece estritamente ao gosto da população, que a brinda em retorno com audiência, cai por terra. Nada, nem ninguém garante que um aparelho de TV ligado numa determinada emissora em determinado horário signifique aceitação acrítica da programação exibida, como demonstram os dados.

Assim como afirmam também muitos pesquisadores, a mensuração da audiência em aparelhos fixos e sem rodízio ou representatividade efetivamente nacional, o mero registro da emissora e hora de aparelho ligado não significa audiência efetiva (a TV pode estar ligada para fazer barulho de fundo na casa, ou por inércia sem que haja ninguém assistindo), identificação (que parece precária) ou satisfação (que também acusa uma diversidade de problemas).

Finalmente, mais do que uma queda-de-braço entre os “donos” dos grandes meios de comunicação e os defensores da democratização da mídia, temos em alto e bom som, a opinião do objeto de desejo de ambos – a audiência. E esta se inclina marcadamente no mesmo sentido das críticas e propostas das rádios e TVs comunitárias, dos defensores da mídia livre, dos blogueiros, dos que participaram da Conferência de Comunicação e nela expressaram os seus desejos e aspirações, do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da  Comunicação), dos movimentos sociais – entre os quais o feminista, o movimento negro, LGBT – e, finalmente, desta que vos escreve.

Hora, portanto de esquentar os tambores e de mais uma vez tentar sensibilizar o governo sobre a necessidade de um novo marco regulatório e de um controle social democrático da mídia, com a participação da sociedade civil organizada. De um controle social que garanta a liberdade de expressão, sem porém que este direito inalienável se exerça em detrimento dos demais direitos humanos de que somos portadores – entre os quais, o direito à expressão de todos, e não apenas das dez famílias agraciadas com a concessão dos meios que, indevidamente, concentra.

Mistura para fortalecer a saúde

A fórmula professores, jovens e especialistas, todos juntos para falar sobre saúde, parece que dá certo e tem tudo para alimentar discussões na sala de aula. Esta é a intenção da série Megassaudável, que acaba de estrear na programação da Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio de Janeiro (MultiRio). Com o objetivo de difundir entre os professores, alunos e suas famílias informações e dicas sobre a qualidade de vida de crianças, jovens e adultos, a série tem como fio condutor a fala dos adolescentes, fruto de encontros e debates realizados com alunos do 6º ao 9º anos das escolas municipais Rugendas, em Madureira, e Orsina da Fonseca, na Tijuca.

“Embora tenhamos buscado criar um programa multifacetado, com dramaturgia, depoimentos, esquetes, especialistas, queríamos ter a fala autêntica dos adolescentes das escolas. Queríamos que eles se reconhecessem, que estabelecessem uma cumplicidade com o que se mostra e se vê nos vídeos. O trabalho com os Ginásios Experimentais Cariocas foi uma estratégia muito bem sucedida na criação e produção de uma outra série da casa. Decidimos revisitar a metodologia, dessa vez acrescentando outros elementos. A partir do trabalho do diretor Miguel Przewodowsky e dos atores Adassa Martins e Marcos Guian , surgiu então a possibilidade de trabalhar nas escolas em dois momentos: primeiro com os atores realizando esquetes que eram reencenadas com e pelos alunos e depois com uma discussão com os especialistas, onde os jovens podiam tirar dúvidas e discutir os temas levantados pelas cenas criadas pelos atores. A resposta foi excelente. A gente vê os olhos dos jovens brilhando e percebe como eram impactados pelas cenas”, explica Luiz Eduardo Ricon, assessor da Diretoria de Mídia e Educação da MultiRio.

Os atores interpretam dois adolescentes às voltas com as questões típicas da adolescência. Na pauta: as transformações físicas e emocionais, a construção da identidade adulta, os transtornos e distúrbios típicos da idade, as redes sociais e o ciberbullying, a importância do diálogo e a cultura da paz.

A série é formada por sete programas, mas somente cinco deles serão veiculados na televisão. A produção completa será enviada para as escolas sob a forma de um kit, para uso direcionado e em grupos fechados pelos professores, em projetos especiais ligados à adolescência. As unidades receberão os vídeos e materiais impressos para professores e estudantes. Com linguagem e apresentação específicas para cada público, as publicações (clique aqui e confira) complementam e aprofundam os assuntos levantados nos vídeos.

Todo o processo de produção contou com a consultoria de Albertina Duarte, mestre e doutora em Ginecologia e Ginecologia da Adolescência; Viviane Castello Branco, coordenadora de Políticas e Ações Intersetoriais da Superintendência de Promoção da Saúde da SMSDC; Aline Bressan, gerente do Programa de Saúde Escolar da SMSDC; Sonia Eva Tucherman, médica e psicanalista; e Eloísa Grossman, médica e doutora em Saúde da Criança e da Mulher.

Megassaudável vai ao ar diariamente, às 12h30, no canal 14 da NET. Na sexta-feira, dia 23 de agosto, estreia na BandRio, às 14h. O público também pode conferir mais informações sobre o programa na fan page(www.facebook.com/megassaudavel) que traz, em pílulas, as questões abordadas nos episódios

Aventura em Lujan

Por Artur Melo, 10 anos
Aluno do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira
Vocês devem estar estranhando o sumiço das minhas histórias, pois saibam que eu estava metido em uma grande aventura no Zoo Lujan, em terras argentinas. Para quem não sabe, o Lujan é um zoológico diferente. Afinal, não é todo dia que fazemos carinho em um leão, que damos comida na boca do urso ou sentimos a nossa mão dentro da tromba áspera do elefante.

É inimaginável ter tigres brancos e de Bengala lambendo leite na tua mão sem te arrancar o braço fora, colocar uma jiboia no pescoço sem que ela quebre os seus ossos, ou ter uma arara no ombro sem ganhar uma baita bicada na orelha.

São muitas emoções diferentes, há coisas meio estranhas como colocar a iguana no colo. Outras engraçadas, sentir a lhama esfomeada comendo na tua mão e te matando de tanto rir por causa das cócegas e, ainda, coisas admiráveis como os dromedários aguentando firme o peso dos humanos que resolvem dar uma voltinha neles.

A parte mais fofa da aventura foi pegar no colo um filhote de Leão, tive uma vontade enorme de trazê-lo para minha casa como meu bicho de estimação. Fiquei triste, mas em seguida fui ver o seu pai. Então pensei no que o Leãozinho iria se transformar: em um enorme Leão, não é a toa que ele é o Rei da selva.

Ele é todo majestoso: jeito, cor, tamanho, elegância etc. Lembrei, agora, dos filmes da Tainá e pensei que há alguns homens mais temíveis do que o mais feroz dos animais.

Por dentro do Vídeo Fórum – Mostra Geração

Por Marcus Tavares

Há 14 anos, elas aliam cinema e educação numa perspectiva de dar visibilidade e espaço para crianças e adolescentes contarem e (re)contarem suas experiências e aventuras produzidas no meio audiovisual. Soma-se a isto uma preocupação de elaborar uma curadoria de filmes nacionais/internacionais para compor o Vídeo Fórum, um área da Mostra Geração do Festival do Rio, voltada para estudantes e professores.

Em entrevista à revistapontocom, as coordenadoras Beth Bullara e Felícia Krumholz contam detalhes do projeto, que recebe, a cada edição, cerca de 150 produtos audiovisuais de crianças e adolescentes. Da violência ao bullying, as produções têm a característica de serem produzidas unicamente pelos jovens. As inscrições para o evento deste ano terminam no dia 23 de agosto. Para elas, o Vídeo Fórum 2013 só está começando.

Clique 
aqui e conheça o regulamento para participar do Vídeo Fórum deste ano.
E acesse aqui para fazer a inscrição

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Qual é o principal objetivo do Vídeo Fórum – Mostra Geração?
Beth Bullara e Felícia Krumholz –  O Vídeo Fórum é um espaço dentro da Mostra Geração/Festival do Rio exclusivo para a produção audiovisual de crianças e adolescentes. Aqui eles que comandam a festa cinematográfica. É um território deles, onde podem exibir seus filmes na tela grande do cinema, como qualquer cineasta que passa pelo Festival do Rio. Nosso objetivo principal é justamente unir a educação com essa vontade de se expressar, dar a oportunidade à criança e ao jovem de se manifestar positivamente, e se colocar no mundo. Acreditamos que através da sétima arte eles podem descobrir um mundo novo, que irá levá-los a lugares que nunca imaginaram. Nesses 14 anos de Vídeo Fórum, muitos foram aqueles que por aqui passaram, exibiram seu primeiro curtinha aqui conosco, e hoje já estão exibindo seus trabalhos em festivais pelo Brasil e pelo mundo afora. O que só comprova nosso objetivo. Optamos por não premiar pois acreditamos que o mais importante é mostrar independente da questão técnica (até porque sabemos que cada grupo teve condição diferente para executar seu trabalho). A seleção privilegia a inventividade e opta por mostrar pelo menos uma produção de cada instituição ou realizador independente que se inscreve. Por isso se chama Mostra Geração! Assim, conseguimos criar um circuito onde os jovens podem trocar informações e observações sobre suas criações. Depois de cada sessão há um debate onde os adultos só podem falar se forem perguntados. Nesses diálogos é que a gente fica sabendo como surgem as ideias e quais são as dificuldades que os meninos enfrentam na hora de fazer um vídeo. Eles encontram soluções muito criativas para as questões técnicas, mas, em relação aos problemas que os personagens de suas histórias encaram, costumam ser dramáticos. Nos filmes dos adolescentes, os personagens sofrem muito, mas o tom da maior parte das narrativas tende à comicidade…

revistapontocom – Nestes 14 anos da mostra é  possível identificar fases/marcos do projeto?
Beth Bullara e Felícia Krumholz – Influenciado por um contexto de florescimento de organizações sociais, o Vídeo Fórum surgiu em 2000 com a participação de entidades de comunicação popular, que formavam, no Rio de Janeiro, uma rede colaborativa explorando o audiovisual como ferramenta de empoderamento e elevação da autoestima de jovens, especialmente de comunidades de baixa renda. Na época, os trabalhos chegavam em formato VHS e eram muito marcados pela temática da violência e gravidez na adolescência. Assim entramos no debate da educação pela comunicação para a cidadania, o qual nunca abandonamos. Só que esses grupos envolviam uma faixa etária larga (até 23 anos) e, na segunda edição, percebemos que, sendo uma mostra infanto-juvenil, era mais interessante focarmos nas produções de crianças e adolescentes até 18 anos, não universitários. Este recorte acabou direcionando um pouco as inscrições para as escolas e com isso veio “a invasão” dos temas do universo escolar: bullying; diversidade cultural; meio-ambiente, literatura, datas comemorativas etc. A ampliação do acesso à internet foi importante para que adolescentes encontrassem a nossa convocatória sem a intermediação das escolas. Antes, a divulgação das nossas inscrições ficava muito dependente da comunicação institucional entre a Mostra Geração/Festival do Rio e as instituições de ensino ou ONGS e, em 2004, recebemos as primeiras inscrições de vídeos de jovens que tinham feito tudo sozinhos. A internet ainda nos ajudou a projetar mais filmes e mais diversidade, o que foi muito positivo.

revistapontocom – Como a coordenação avalia as produções das crianças e dos adolescentes ao longo destes anos? O que é possível observar, analisar, identificar?
Beth Bullara e Felícia Krumholz – Estes 14 anos de Vídeo Fórum testemunharam uma evolução tecnológica que permite que cada vez mais crianças e jovens sejam produtores de audiovisual.  Hoje, a seção recebe, por ano, uma média de 150 inscrições de trabalhos vindos do Brasil inteiro e de outras partes do mundo. Essa facilidade de acesso às novas tecnologias permite à criança e ao adolescente se expressar artisticamente e isso que é bacana. O audiovisual é uma forma de expressão poderosa, cada vez mais presente no nosso cotidiano, e seu processo de construção e realização é uma prática transformadora. O Vídeo Fórum é a prova disso. Cada grupo ou realizador independente, que volta a participar, retorna diferente. Percebemos a evolução e o amadurecimento do trabalho, que tende a explorar mais recursos criativos, discursivos e técnicos. E o mais gratificante é perceber que os debates que promovemos entre eles contribuem para esse desenvolvimento.

revistapontocom – Como funcionam os bastidores do Vídeo Fórum – Mostra Geração? Como são selecionados os filmes produzidos pelas crianças/adolescentes?
Beth Bullara e Felícia Krumholz – A produção do Vídeo Fórum começa seus trabalhos três meses antes da realização da Mostra Geração. Nesse período, a equipe de produção divulga as inscrições, vai conferindo a chegada dos inscritos e fazendo uma pré-seleção por temas e faixa etária. Também recebemos produções de outros países como Espanha, Argentina, Estados Unidos e Itália. É um trabalho árduo, pois assistimos todos os filmes enviados. Depois de assistidos, discutimos para ver a linha a seguir naquele ano, pois acaba que os temas dos trabalhos se coincidem. Infelizmente não é possível exibir todos os filmes. Por isso, optamos por selecionar pelo menos um trabalho de cada escola ou ONG que nos envia seus vídeos. Acreditamos ser esse o formato ideal, que irá colaborar inclusive na formação dessa criança ou jovem. A seleção não leva em consideração questões técnicas, mas sim a criatividade, inventividade, a forma como aquele grupo escolheu para contar aquela história. Além do Vídeo Fórum, a Mostra Geração tem mais três programas diferentes, que visam aproximar crianças, jovens e educadores do universo do cinema. O Programa Internacional exibe curtas-metragens brasileiros e longas inéditos vindos de todos os cantos do mundo. A proposta é trazer olhares diferentes, que ampliam nosso entendimento sobre as outras culturas e outras formas estéticas de construção da linguagem. Com o objetivo de proporcionar a reflexão sobre a linguagem e facilitar a apropriação das técnicas, realizamos as Oficinas Geração com crianças e jovens. A pergunta é: “como podemos criar um sentido captando e editando imagens e sons?” A cada ano existe uma proposta diferente levando em conta, entre outros fatores, os avanços tecnológicos. Nos Encontros de Educadores, procuramos oferecer filmes com qualidade artística cuja temática esteja afinada com as preocupações dos professores. Em cada sessão convidamos um especialista no assunto abordado nas obras e, sempre que possível, temos presente o diretor ou alguém da produção para um debate ao final da projeção. Para 2013 estão previstas 5 sessões do Encontros de Educadores. A primeira aconteceu no dia 17 de agosto, na Arena Dicró, na Penha. Exibimos o filme Colegas. Em seguida, houve um debate com o ator Breno Viola e com a psicóloga Julia Millman. A próxima será realizada no dia 31 de agosto, no cinema Estação Rio. Para os educadores interessados em integrar nosso mailling e com isso passar a participar dos Encontros, basta entrar em contato pelo telefone 0XX21 3035-7110, e falar com um dos nossos produtores.

revistapontocom – Quais são os diferenciais da mostra deste ano? O que se pode esperar?
Beth Bullara e Felícia Krumholz – 
Ainda estamos fechando a programação. Nossa produção está em ritmo acelerado para garantir uma Mostra Geração de qualidade, como em todos os anos. De novidade, por enquanto, temos a ida da mostra para as Arenas Culturais, que irão exibir filmes da nossa programação, e o Encontro de Educadores, que irá acontecer mais vezes até o final do ano.

Escolas de cinema do projeto Cinead apresentam produções

Estão abertas as inscrições para o VII Encontro Internacional de Cinema e Educação da UFRJ, que será realizado entre os dias 27 a 29 de agosto, na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Na edição deste ano, os participantes poderão conferir trabalhos produzidos pelas escolas de cinema criadas pelo projeto Cinema para aprender e desaprender (Cinead) em escolas públicas do Rio de Janeiro. A proposta nasceu a partir da experiência da Escola de Cinema do Colégio de Aplicação UFRJ, criada em 2008, com o apadrinhamento de Nelson Pereira dos Santos e da consultoria do professor e cineasta Alain Bergala.

“Em outubro de 2011, abrimos uma chamada às escolas públicas de Ensino Fundamental federais, estaduais ou municipais. Foram inscritas 28 escolas que, com a anuência do diretor, comprometia dois professores ou um professor e um funcionário para fazer um curso de 180 horas. O compromisso estendia-se à criação de escolas de cinema com uma atividade de no mínimo duas horas semanais e a organização de um cineclube com uma sessão, no mínimo, mensal aberta à comunidade. Para tanto, as escolas escreveram um projeto sobre a escola de cinema que sonhavam e ilustraram com fotografias um espaço possível para projetar filmes e um local seguro onde conservar os equipamentos, caso fossem contempladas. Dos projetos inscritos foram selecionados 15, o que representou um grupo de 30 participantes do curso”, explica a professora Adriana Fresquet, coordenadora do Cinead.

Das 15 unidades, quatro foram contempladas com aparelhos e um kit completo dos filmes da Programadora Brasil. Foram elas: o CIEP 175 José Lins do Rego; o Colégio Estadual José Martins da Costa; a Escola Municipal Vereador Antônio Ignácio Coelho e a Escola Municipal Prefeito Djalma Maranhão.

De acordo com Fresquet, o Instituto Nacional de Educação de Surdos e o Instituto Benjamin Constant foram convidados a fazer parte dos projetos do programa Cinead para criar conjuntamente um plano de trabalho particular dada sua especificidade. Somou-se ao grupo também o Instituto Fernando Rodrigues da Silveira.

No curso de formação dos professores e no trabalho nas escolas com as crianças foram trabalhados quatro exercícios, alguns dos quais serão apresentados no seminário: Minutos Lumière, filmado/montado; construção de um espaço fictício/real e plano comentado.

Faça aqui a sua inscrição

Confira a programação oficial:

Programação dia 27 de agosto

Manhã
9h30 – Apresentação do projeto de criação das escolas de cinema em escolas de Ensino Fundamental do Rio de Janeiro. Palestrantes: Adriana Fresquet (Coordenação CINEAD/UFRJ) e Clarissa Nanchery (Produção CINEAD/UFRJ).

Tarde
14h – Mesa redonda: A potência do cinema com gesto criativo nas escolas. Palestrantes: Débora Nakache (Universidade de Buenos Aires), Alexandre Ferreira Mendonça (FE/UFRJ) e Hernani Heffner (Cinemateca do MAM-Rio).

Programação 28 de agosto

Tarde
14h – Apresentação de alguns trabalhos audiovisuais realizados pelas escolas de cinema (Colégio de Aplicação CAp UFRJ, Escola Municipal Vereador Antônio Ignácio Coelho e Instituto Nacional de Educação de Surdos). Debate sobre as produções com Wenceslau Oliveira (Grupo Olho/UNICAMP) e Aline Veríssimo Monteiro (FE/UFRJ).

Programação 29 de agosto

Tarde
14h – Apresentação de alguns trabalhos audiovisuais realizados pelas escolas de cinema (Colégio Estadual José Martins da Costa, CIEP 175 José Lins do Rego e  Instituto Benjamin Constant). Debate sobre as produções com Débora Nakache (UBA), Hernani Heffner (MAM-Rio) e Angela Santi (FE/UFRJ).

Tenho 13 anos e nenhum dos meus amigos usa o Facebook

 

Por Ruby Karpdo, do Mashable
13 anos, mora em Nova York e está tentando descobrir como sobreviver ao ensino médio. Você pode encontrá-la no Twitter em @rubykarp, no Tumblr (
the-perks-of-being-ruby.tumblr.com) ou em artigos semanais para o HelloGiggles (hellogiggles.com/author/ruby-karp).

Sou uma adolescente que mora em Nova York. Todos os meus amigos têm redes sociais –Instagram, Vine, Snapchat etc. Quando eu era mais nova, só falava sobre o Facebook. “Mãe, quero um Facebook!”, e outras queixas que só uma mãe suporta.

Mas agora, aos 13 anos, venho percebendo algo de diferente. O Facebook vem perdendo os adolescentes recentemente, e acho que sei o motivo.

Parte da razão para que o Facebook esteja perdendo a atenção de minha geração é que existem outras redes agora. Quando eu tinha dez anos, ainda não tinha idade para um Facebook.

Mas uma coisa mágica chamada Instagram havia acabado de aparecer –e nossos pais nem faziam ideia de que houvesse uma idade mínima para inscrição. Meus amigos todos logo tinham Instagrams.

Agora que temos idade suficiente para um Facebook, não queremos mais. Quando chegou o momento em que estávamos autorizados a ter um Facebook, todos estávamos obcecados com o Instagram.

Isso me conduz ao ponto seguinte. Ainda que eu tenha Facebook, nenhum dos meus amigos tem. Eles acharam que ter um seria perda de tempo.

Decidi ter uma conta no Facebook para descobrir qual era a graça do site. Logo descobri que o Facebook é inútil se você não tem amigos lá. Meu único amigo no site é, tipo, minha avó.

OI, BONEQUINHA’

Adolescentes são seguidores. É isso que somos. Se todos os meus amigos estão baixando uma coisa nova e bacana chamada Snapchat, é isso que eu quero também!

Todos os nossos pais e os amigos de nossos pais têm Facebook. Não é só por eu receber ocasionais mensagens do tipo “oi, bonequinha”. Mas meus amigos postam fotos que me colocam em encrenca com os pais.

Digamos que eu seja convidada a uma festa e haja menores bebendo lá. Eu não estou bebendo, mas alguém pega a câmera. Mesmo que eu não esteja com um copo na mão, talvez seja fotografada por trás de uma menina que está bebendo algo forte. Mais tarde naquela semana, um idiotinha decide postar fotos da festa “maravilhosa”.

Se minha mãe me visse em uma festa com pessoas bebendo, mesmo que eu não estivesse, eu estaria morta. Isso não é culpa do Facebook, mas acontece lá.

O Facebook também causa muito bullying no ensino médio. A molecada faz comentários malvados em uma foto sua, ou envia mensagens malvadas. Não é culpa do Facebook, mas, uma vez mais, é algo que acontece lá.

Se minha mãe ouvisse dizer que estou sofrendo bullying no Facebook, me forçaria a sair da rede na hora.

Quando eu era mais nova, minha mãe tinha Facebook. Eu entrava sempre, para resolver charadas, jogar etc. O Facebook era algo único. Era um grande sucesso, mas não deixava de ser cool por isso.

Com o passar dos anos, eu sempre quis um Facebook só para mim. Mas, quando abri minha conta, tudo começou a mudar. Havia coisas demais acontecendo. A mudança do velho Facebook para o modelo Timeline aconteceu muito repentinamente.

Basta ver algo como o Twitter –eles têm, tipo, quatro botões. As pessoas gostam mais de um design mais “simples”.

PROPAGANDA

O Facebook também se tornou uma grande ferramenta de marketing. O site toma seus interesses com base naquilo que você tenha “curtido” e veicula anúncios na sua página. Não quero ofender, mas, quando estou olhando meu Feed de notícias, não quero realmente saber sobre o novo produto da Pantene.

Não é mais o Facebook que existia quando eu tinha sete anos. Ficou complicado –a realidade é que “nós gostávamos dele como era. Por que vocês estão mudando tudo?”

Em resumo, o Facebook está se esforçando demais. Os adolescentes odeiam quando as pessoas se esforçam demais; isso causa rejeição. É como quando minha mãe me diz para não fazer alguma coisa –eu imediatamente sinto que devo fazê-la. E, quando ela me força a fazer alguma coisa, eu não tenho a menor vontade.

Os adolescentes gostam de aderir às coisas por vontade própria. Se você fica esfregando os novos recursos do Facebook na cara deles, eles se irritam e encontram novas mídias sociais.

O Facebook precisa dos adolescentes, porque em breve seremos nós as pessoas que o manterão. E os adolescentes sabem disso, o que os incomoda.

Eu amo o Facebook, de verdade. Espero que eles se recuperem e atraiam o pessoal da minha idade. Acho que a ideia do site é ótima, e desejo toda sorte a eles.

Tradução de Paulo Migliacci. 

Sonho de criança vira cifra para empresas

Por Lais Fontenelle
Mestre em Psicologia Clínica, autora de livros infantis e psicóloga do Instituto Alana

A Fada do Dente, figura lendária que habita o imaginário de milhões de crianças ao redor do mundo, está ameaçada de perder sua verdadeira identidade para um negócio lucrativo. Parece mentira, mas não é. Segundo notícias de jornais e blogs internacionais, como The New York Times e Huffington Post (http://www.nytimes.com/2013/07/29/business/media/outcry-against-a-tooth-fairy-web-site.html?_r=0), um empresário da indústria de brinquedos, com experiência na Hasbro, teve a “grande” ideia de licenciar a Fada do Dente. Isso mesmo. Ele incita outros empresários a pensar no ganho que poderiam obter com cada dente perdido das crianças. Pasmem! Querem vender o ícone da fantasia que marca um rito de passagem na vida das crianças e ainda estava entre as poucas figuras do universo infantil que não tinha sido licenciado. A Fada do Dente agora tem cara de Barbie e pode ser vista no site interativo chamado “As verdadeiras Fadas do Dentewww.therealtoothfairies.com que engloba jogos, atividades e produtos, claro, criados para encantar milhões de meninas entre 5 e 10 anos.


Sabemos que a cada dia o mercado cria novos produtos e formas cada vez mais persuasivas de comunicação para vender suas criações para nossos pequenos. São embalagens chamativas, brindes, comerciais e até eventos em lugares públicos criados especialmente para atrair o público infantil, que é vulnerável – visto pelo mercado como extremamente lucrativo por estar numa fase de formação de hábitos e valores, além da capacidade de influência que exerce na família e nos amigos. Mas, ai é que está o problema… a maioria das crianças até mais ou menos 8 anos ainda mistura fantasia com realidade. E não podemos esquecer que a infância é uma fase essencial de desenvolvimento afetivo e cognitivo que merece ser respeitada com seus sonhos e fantasias.

A lenda da Fada do Dente, apesar de não se saber exatamente sua origem, marca a infância de milhões de crianças faz tempo. A lenda reza que quando a criança perde um dente deve colocá-lo debaixo do travesseiro para que a fada, de noite, possa trocá-lo por moedas ou presentes. Assim, através dessa lenda, muitas crianças de diferentes países conseguem atravessar de forma mais leve e lúdica esse rito de passagem de troca dos dentes de leite, que pode ser, muitas vezes, doloroso e assustador. Apesar da data e origem ainda serem incertas, sabe-se que provavelmente a lenda teve influência da Europa Ocidental, onde se pregava que os dentes eram bens que deveriam ser guardados pela família para não cair no poder das bruxas que os usariam em feitiços. Ironia ou não, o que aconteceu foi que a Fada do Dente parece ter caído nas mãos dos “magos” do marketing.

O problema de toda essa novidade está centrado no fato de que cada vez mais todo o universo infantil e seus personagens lendários, criados na imaginação de cada criança, estão sendo mercantilizados e licenciados. Um marco na vida das crianças- como a perda dos dentes de leite- que trazia para os pequenos não só a novidade da janela no sorriso, mas a sensação de uma etapa de crescimento vencida não pode ser ‘abocanhada’ pelo mercado como uma fase lucrativa. A meu ver os dentes de leite, como pregavam na Europa Ocidental, deveriam continuar sendo importantes bens dos pais que deveriam não só guardá-los em caixinhas especiais, mas resguardá-los do mercado. Portanto, não podemos deixar que figuras lendárias, como Fadas do Dente, que deveriam até ser consideradas patrimônios imateriais da humanidade (e por isso não passível de registro) sejam transformadas em produtos. Dessa forma estamos permitindo que os sonhos de nossas crianças se transformem em cifras para as empresas. Conheça a campanha norte americana da ONG CCFC  http://www.huffingtonpost.com/susan-linn/tooth-fairymarketing_b_3600039.htmlque tem feito barulho lá fora para se inspirar a quem sabe provocar essa reflexão por aqui. A fada do dente merece esse nosso presente!

Um caso clássico no qual poucos vão ganhar e muitos vão perder. Me senti roubada e, convenhamos, depois de tanto tempo nos ajudando, as fadas do dente não mereciam isso.

 

MinC: editais voltados para o público infantil

A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC) publicou no dia 16 de agosto, no Diário Oficial da União, dois editais de apoio à produção audiovisual voltada para o público infantil: o Curta Animação e Curta Criança. O relançamento dos editais é uma antiga reivindicação do setor que vinha sendo contemplado até 2009, quando então o Governo Federal deixou de contemplar a área. De acordo com o MinC, as inscrições já estão abertas. Os interessados têm até o dia 7 de outubro para se inscrever, por meio do sistema SALICWEB.

Os editais

O Edital Curta Animação 2013Resíduos Sólidos Em Um Minuto resulta de uma parceria institucional com o Ministério do Meio Ambiente (MMA). O objetivo é fomentar a produção de 40 obras audiovisuais brasileiras de animação, inéditas, de micro-metragem, com duração de um minuto. Cada micrometragem selecionado receberá o aporte de R$ 15 mil. A temática deve abordar, de forma criativa e inovadora, a questão dos resíduos sólidos.

Já o Edital Curta Criança 2013 apoiará 12 curtas-metragens com duração de 13 minutos, os quais poderão ser de ficção, documentário ou animação. A temática dos filmes deve ser voltada à infância, com classificação indicativa livre. O valor dos recursos a serem repassados é de até R$ 60 mil para cada projeto selecionado, sendo exigida contrapartida no montante de R$ 15 mil. A contrapartida pode ser em recursos financeiros ou bens e serviços economicamente mensuráveis.

Mais informações: concurso.sav@cultura.gov.br
Confira também, abaixo, os editais lançados e outras informações:
Curta Criança 2013
Curta Animação 2013

Filmes e debates

A Mostra Cinema pela Verdade volta ao Rio com seis novas sessões nos dias 20, 22, 23 e 28 de agosto, passando por cinco lugares diferentes. A primeira delas acontece no auditório do Colégio Pedro II do Engenho Novo, com o filme Eu Me Lembro, de Luiz Fernando Lobo, às 14h. Em sua segunda edição, a mostra foi criada com o objetivo de promover exibições de filmes seguidas de debates sobre o período da Ditadura Civil-Militar e seus desdobramentos, bem como a relação com as ditaduras contemporâneas do Cone Sul.

Realizada pelo Instituto Cultura em Movimento (ICEM), em parceria com o Ministério da Justiça, a mostra foi contemplada pelo edital “Marcas da Memória”, da Comissão de Anistia, que visa à promoção de eventos e projetos com foco neste período marcante da história brasileira. O ponto de partida foi um encontro, durante a primeira semana de maio, no Rio de Janeiro, entre os “agentes mobilizadores” – 27 universitários de diferentes áreas, que foram capacitados para serem os produtores locais em suas respectivas cidades. No Rio, a agente mobilizadora é Clarice Green, de 24 anos, estudante de Ciências Sociais da UFRJ.

Este ano, foram selecionados para a mostra dois documentários sobre a ditadura no Brasil e dois filmes de ficção sobre o período da ditadura na Argentina e no Chile. Entre as produções brasileiras estão Eu Me Lembro, de Luiz Fernando Lobo, e Marighella, de Isa Grinspum Ferraz. Já a ficção Infância Clandestina, de Benjamín Ávila, é uma coprodução Brasil-Argentina, e No, de Pablo Larraín, faz um recorte sobre a ditadura chilena.

“O projeto Cinema pela Verdade cria um ambiente de mobilização em todo o país. Especialmente junto à juventude, em favor da memória, em favor da construção da verdade para que o país possa, finalmente, passar a limpo a sua história e possa enfrentar os seus erros de frente, para que eles não se repitam mais. E, ao mesmo tempo, possa gerar consciência crítica na juventude para que ela assuma para si um legado de resistência, de lutas e de conquistas dos nossos direitos”, ressalta o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão.

A vice-presidente do ICEM, Luciana Boal complementa: “Por vivermos em um país em que 92% dos municípios não possuem salas de cinema, nós do ICEM acreditamos que projetos como o Cinema pela Verdade são fundamentais para dar mais acesso à produção nacional. E ter as universidades como palco dessas sessões é investir na formação de um público crítico e articulado. Nada melhor do que trabalhar com os próprios universitários para estimular o contato com o cinema nacional e para que possam compreender localmente como é possível produzir um festival, além de formarem uma rede de agentes culturais”.

Sobre os Filmes Selecionados:

Eu me lembro, de Luiz Fernando Lobo: exibido no Festival Internacional do Rio de Janeiro. O documentário acompanhou cinco anos das caravanas da Anistia e reconstrói a luta dos perseguidos por reparação, memória, verdade e justiça por meio de imagens de arquivo e de entrevistas.

Infância Clandestina, de Benjamín Ávila: representante argentino ao Oscar 2013, categoria melhor filme estrangeiro. Argentina, 1979. Juan, assim como seus pais e seu tio leva uma vida clandestina. Fora do berço familiar ele precisa manter as aparências pelo bem da família, que luta contra a ditadura militar que governa o país.

Marighella, de Isa Grinspum Ferraz, ganhador do Prêmio de melhor longa-metragem da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul em 2012. Carlos Marighella foi o maior inimigo da ditadura militar no Brasil. Este líder comunista e parlamentar foi preso e torturado, e tornou-se famoso por ter redigido o Manual do Guerrilheiro Urbano.

NO, de Pablo Larraín, concorreu ao Oscar 2013 na categoria melhor filme estrangeiro. Pressionado pela comunidade internacional, o ditador Augusto Pinochet aceita realizar um plebiscito nacional para definir sua continuidade ou não no poder. Os líderes do governo contratam René Saavedra para coordenar a campanha contra a manutenção de Pinochet.

Serviço

20 de agosto, terça-feira
14h – Exibição do filme Eu Me Lembro, de Luiz Fernando Lobo
Local: Auditório do Colégio Pedro II – Unidade Engenho Novo
Debate: ás 15h40
Debatedores: Luiz Fernando Lobo, Tarcísio Motta, Leonardo Brito

22 de agosto, quinta-feira
13h – Exibição do filme Infância Clandestina, de Benjamín Àvila
Local: Auditório Hilton Sales, UFRRJ
Debate: às 15h
Debatedores: Marcelo Muller, co-roteirista do filme

22 de agosto, quinta-feira
18h – Exibição do filme Marighella, de Isa Grinspum Ferraz
Local: Auditório Hilton Sales, UFRRJ
Debate: às 20h

23 de agosto, sexta-feira
9h – Exibição do filme NO, de Pablo Larraín
Local: Auditório da FACHA – Unidade Botafogo
Debate: logo após o filme durante a aula inaugural de Radialismo
Debatedores: Oswaldo Munteal (mediador), Roberto Mader, Jackson Saboya

23 de agosto, sexta-feira
14h – Exibição do filme Marighella, de Isa Grinspum Ferraz
Local: Auditório do Colégio Pedro II – Unidade Humaitá
Debate: às 16h

28 de agosto, quarta-feira
19h – Exibição do filme Marighella, de Isa Grinspum Ferraz
Local: Auditório João Goulart, UERJ
Debate: às 20h, durante o evento do ENEH – Encontro Nacional de Estudantes de História

Mostra Mazzaropi no MAM

Um dos mais populares nomes do cinema brasileiro, o ator e diretor Amácio Mazzaropi (1912-1981) tem o seu centenário lembrado a partir de hoje (15), na Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, com a mostra de sete títulos. O evento, que vai até domingo (18), tem uma característica inédita: é totalmente organizada por jovens do ensino técnico, com idades entre 15 e 18 anos.

Alunos do curso de técnico em eventos, da Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch, localizada em São Cristóvão, Zona Norte do Rio, eles se interessaram pela obra de Mazzaropi, que imortalizou no cinema o personagem Jeca Tatu, criado pelo escritor Monteiro Lobato como o protótipo do caipira brasileiro. Desprezados pela intelectualidade e pela crítica cinematográfica da época, os filmes interpretados e dirigidos por Mazzaropi são hoje reconhecidos pela contribuição que deram à construção da identidade cultural brasileira.

“A finalidade é estimular culturalmente os estudantes e fomentar o interesse deles pelo cinema brasileiro, do mesmo jeito que aconteceu comigo”, diz o curador da mostra, Lucas Daher. Com 16 anos de idade, ele também é aluno da Escola Adolpho Bloch, vinculada à Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec). A realização da mostra é o trabalho final do curso e os alunos escolheram Mazzaropi como tema por considerarem que a linguagem cômica do ator se mantém atual e alcança as novas gerações de artistas e público.

Serão exibidos no formato original os únicos seis filmes do ator que ainda restam em película, além de Tapete Vermelho, que abrirá a mostra, nesta quinta-feira, às 18h30. Dirigido em 2006 por Luiz Alberto Pereira, o filme é uma grande homenagem póstuma a Mazzaropi, com os atores Matheus Nachtergaele e Gorete Milagres.

Além da exibição dos filmes, a programação da mostra inclui dois debates, amanhã (16), às 17h15, e no sábado (17), às 16h45, com atores, diretores e pesquisadores que têm em comum com Mazzaropi a paixão pela arte popular brasileira. O primeiro debate tem como tema Cinema Popular Brasileiro: Origens e Perspectivas e os convidados são Gilberto Santeiro, Luis Alberto Rocha Melo e Luiz Carlos Sant’anna. O segundo encontro – Mazzaropi em Foco: da Relevância Artística e seus Meios de Produção – reunirá Anselmo Vasconcellos, Marcio Libar e Renato Lanna Fernandez.

Os filmes de Mazzaropi selecionados para a mostra são Sai da Frente (1952) e Candinho (1953), ambos dirigidos por Abílio Pereira de Almeida; A Carrocinha (1955), de Agostinho Martins Pereira; Jeca Tatu (1959), de Milton Amaral; O lamparina (1964), de Glauco Mirko Laurelli e A banda das Velhas Virgens (1979), de Pio Zamuner e Amácio Mazzaropi.

As sessões terão entrada franca e os horários podem ser conferidos no site www.mamrio.com.br. A Cinemateca do MAM fica na Avenida Infante Dom Henrique, 85, no Parque do Flamengo.

Fonte – Agência Brasil

Inscrições prorrogadas

Devido à greve dos professores do Estado e município do Rio de Janeiro, foram prorrogadas as inscrições de filmes brasileiros para o Programa Vídeo Fórum – Mostra Geração do Festival do Rio 2013. Os interessados têm agora até o dia 23 de agosto para se inscrever.

Trata-se de uma boa oportunidade para crianças e jovens mostrarem o seu talento. De acordo com o regulamento deste ano, estão aptos a participar não universitários com idade até 18 anos, que estejam comprovadamente matriculados na escola ou participando de projeto educativo. Serão aceitos somente trabalhos realizados a partir de 2012. E atenção: os vídeos devem ter duração máxima de 13 minutos, incluindo créditos. Cada jovem realizador ou grupo produtor poderá inscrever no máximo 5 (cinco) trabalhos. Para cada trabalho, deve ser preenchida uma ficha de inscrição distinta.

 As informações sobre as inscrições, com os prazos, formatos dos trabalhos, duração máxima, limite de idade e todas as regras necessárias para que você e sua turma possam fazer parte da Mostra Geração encontram-se em: http://inscricao.festivaldorio.com.br/2013/videoforum/regulamento_videoforum.php

Para fazer as inscrições: http://inscricao.festivaldorio.com.br/2013/videoforum/index.php

Fotografias no Facebook: o que publicar?

Do Público PT
Jornal de Portugal

Partilhar fotografias nas redes sociais é uma tarefa delicada. Algumas fotos são só para os olhos de família ou amigos e não devem ir parar aos ecrãs dos colegas de trabalho. Mas um estudo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, sugere que mesmo fotografias aparentemente apropriadas para toda a gente podem ter um efeito diferente do esperado.

A experiência centrou-se no Facebook e analisou quatro variáveis: o tipo de relação entre quem partilha e quem vê a fotografia (parceiros amorosos, amigos, colegas); a qualidade dessa relação do ponto de vista de quem vê a foto (por exemplo, se este classifica a relação como muito ou pouco íntima); a frequência com que as imagens eram vistas; e o respectivo conteúdo.

Uma das conclusões: nos casos em que o parceiro do utilizador partilha muitas fotos de amigos, o utilizador tende a classificar a relação como menos íntima. Mas se o parceiro publica fotos da família, a relação tende a ter uma classificação mais elevada do ponto de vista do apoio emocional. Outra conclusão: nos casos em que os amigos próximos partilham mais auto-retratos, os utilizadores dizem ter mais intimidade com aqueles amigos.

A experiência não prova que a partilha dos vários tipos de fotografias provoca uma mudança na qualidade da relação, observou ao PÚBLICO o investigador responsável pelo estudo, David Houghton, que também envolveu investigadores da Universidade de Edimburgo e da Universidade de West of England, em Bristol. “O trabalho representa alguns primeiros passos para perceber as especificidades de partilhar fotografias normais, ou seja, aquelas que não são deliberadamente ou obviamente ofensivas, mas o tipo de fotos que se vê todos os dias no Facebook”. O estudo apresenta associações entre variáveis, explicou Houghton, notando serem necessárias mais experiências para estabelecer eventuais relações de causalidade.

A experiência envolveu 508 utilizadores do Facebook de vários países, entre os quais o Reino Unido, EUA, Canadá, Filipinas, Itália e Alemanha, numa amostra que não é representativa dos 1100 milhões de utilizadores daquela rede social. O objectivo era  estudar o fenómeno da partilha de fotografias através de uma estratégia de precaução usada por utilizadores das redes sociais e a que os investigadores chamam “mínimo denominador comum”: consiste em publicar apenas aquilo que, à partida, é apropriado para ser visto por qualquer pessoa.

Aos participantes foi pedido que classificassem a qualidade da relação que tinham com pessoas cujas fotografias viam no Facebook através de duas variáveis – intimidade e apoio emocional –, às quais atribuíam uma pontuação. Os investigadores também registavam o tipo de relação entre quem partilhava a fotografia e quem a via: parceiro, amigo próximo, familiar e colega (a categoria genérica “amigo do Facebook” foi usada como grupo de controlo).

Os participantes usaram ainda uma escala para determinar a frequência com viam as fotografias partilhadas pelos outros . E, por fim, as fotografias foram classificadas em vários grupos: auto-retratos, imagens de amigos, de família, de eventos, paisagens, objectos e animais.

“A principal mensagem do nosso estudo é que há relações positivas e negativas entre a partilha de fotografias e a qualidade do relacionamento [entre quem partilha e quem vê]”, sintetiza Houghton. Para o investigador, este fenómeno pode ser importante para lá da gestão da presença online individual e deverá ser tido em conta por empresas que planeiam acções de promoção no Facebook que impliquem que os utilizadores partilhem fotografias com produtos ou referências a marcas.

A efemeridade daquilo que se passa no Facebook também foi notada por Houghton: “Sugerimos que estes efeitos são evidentes, mas não necessariamente permanentes”.

As novas mentes da Renascença

Por Luli Radfahrer
Professor-doutor de Comunicação Digital da ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP 

Você já deve tê-los visto por aí. Jovens criativos, cujos talentos distribuídos entre áreas tão diversas quanto música e sociologia não parecem se encaixar nas gavetinhas reservadas para a arte. Eles são vistos com desconfiança e desprezo pelos mais velhos. Quem se diz cineasta e bailarino precisa ser medíocre em ao menos uma das áreas, para conforto dos egos alheios.

No entanto, florescem. Criados livres de um aprendizado restrito, compartimentalizado e unidisciplinar, jovens que cresceram com a internet tiveram, pela primeira vez na história, tutores incansáveis, de capacidades infinitas, oscilando entre canais quando necessário.

Não é fácil ser polivalente hoje em dia. O conhecimento necessário para ser especialista em uma área é formidável, a ponto de praticamente não sobrar tempo para outros interesses. Para piorar, quanto mais sofisticado é o conhecimento, mais difíceis são os conceitos e os jargões.

Nada de novo para a geração Pokémon, que enfrenta desafios com o empenho dedicado a games. Curiosos e incansáveis, esses monstrinhos crescidos rodeados de estímulos e opções têm em si um pouco de médico e de louco. Sua forma de pensar é chamada de “mente da Renascença”, em referência a um período em que, depois de séculos isoladas, as pessoas voltaram a compartilhar conhecimento.

A visão multimídia não é exclusiva da Renascença. Pitágoras, na Grécia antiga, cresceu na ilha de Samos entre tutores e navios, e sua curiosidade e formação vasta o ajudaram a influenciar áreas tão diversas quanto filosofia, ética, política, matemática, religião e música.

No século 18, Goethe teve aulas de diversas línguas ainda na infância. Bom desenhista e leitor ávido, virou poeta, novelista, dramaturgo, cientista, filósofo e diplomata. Sua teoria sobre a natureza das cores, seus textos científicos e obras literárias, como “Fausto” e “Werther”, encantaram o mundo e inspiraram composições de Mozart, Beethoven, Schubert, Mahler e tantos outros. Seus ensaios filosóficos influenciaram Hegel, Schopenhauer, Nietzsche, Jung e Wittgenstein. Até Darwin se deixou levar por suas ideias.

O símbolo do raciocínio da Renascença é, naturalmente, Leonardo da Vinci. Pintor, escultor, arquiteto, músico, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, geólogo, cartógrafo, botânico e escritor, ele imaginou helicópteros, tanques, calculadoras e baterias solares em seus cadernos, sem se preocupar em publicá-los, ou mesmo se os protótipos poderiam ser executados.

Exceções em suas épocas, esses tipos são cada vez mais comuns. Munidos de pensamento crítico, multidisciplinar e inquisitivo, falando um créole multimídia que impressionaria James Joyce, são eles que construirão novas formas de arte, ciência e entretenimento, cada vez mais integradas, humanas.

Parte cientistas, parte humanistas, parte artistas e parte empresários, eles retratam uma geração desconfortável por não se adequar a modelos arcaicos de aprendizado e prática profissional.

Seu desconforto alerta para uma realidade em que ninguém pode mais se dar ao luxo de se isolar em sua especialidade. Como na vida, o aprendizado surge da colisão de ideias, por mais disparatadas que pareçam ser no início.

Fonte – Caderno Tecnologia, da Folha de S. Paulo

PUC-Rio lança novo curso de graduação

Por Marcus Tavares

As aulas começam em agosto de 2014, após o vestibular de inverno. Um espaço de 200m² está sendo construído para atender a primeira turma de 30 alunos e uma nova estrutura de ensino. Depois de três anos de intensas discussões e encontros com representantes do mercado de trabalho e de diferentes cursos universitários, o Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) divulga a criação de mais uma graduação: o curso de bacharelado Criação e Gestão de Mídias em Educação.

“Um curso inédito”, resume a coordenadora, professora Rosália Duarte do Departamento de Educação da PUC-Rio. Inédito e inovador para a estrutura universitária brasileira. O currículo é composto por disciplinas de oito diferentes cursos: Educação, Comunicação Social, Direito, Sociologia, Informática, Artes & Design, Administração e Psicologia. As matérias constam da grade de cada departamento e serão oferecidas conjuntamente para os estudantes matriculados nos respectivos cursos e para os que vão ingressar no novo bacharelado.  Soma-se a esta grade um rol de disciplinas criadas, pelo Departamento de Educação, especialmente para o novo curso, que também estarão disponíveis para os estudantes de Pedagogia.

Em entrevista à revistapontocom, a professora Rosália Duarte adianta mais detalhes e conta como foi o processo de criação do novo curso.

Acompanhe:

revistapontocom – De onde surgiu a ideia de criação do curso?
Rosália Duarte Surgiu de uma demanda que recebíamos continuamente  de empresas, instituições públicas e ONGs que trabalham há bastante tempo com a interface comunicação e educação. Essas empresas, como a MultiRio, o Canal Futura, a Fundação Roberto Marinho e o Senac, estavam sempre à procura de estagiários e de indicações de profissionais que soubessem um pouco de cada área. Faziam e fazem contato conosco pelo fato de oferecermos, desde 2004, um curso de especialização em mídias e tecnologias que tem o objetivo de formar profissionais qualificados em ambas as áreas. Todos os nossos alunos que passaram pelo curso de especialização foram aproveitados pelo mercado de trabalho. Acredito que com este curso de especialização, as empresas viram que era possível contar com um novo profissional, que dominasse as duas áreas. Em vários encontros, elas alegavam que os profissionais da área da comunicação eram competentes no domínio de mídia, mas não tinham formação sobre e de educação suficiente para o que elas necessitavam. O inverso também ocorria, isto é, os profissionais de educação não tinham praticamente nenhuma formação para o uso de mídias. Tradicionalmente, as empresas contratam profissionais de comunicação e pedagogos, que integram equipes de consultoria de conteúdos. No entanto, a prática tem mostrado que essa estratégia não é suficiente para atender às necessidades das instituições.

revistapontocom – Por quê?
Rosália Duarte – Porque, muitas vezes, o profissional da área de educação trazia um conteúdo extenso e prolixo que não dialogava com a linguagem da mídia. E por outro lado, as empresas estavam enfrentando dificuldades em oferecer ao profissional da comunicação todo o estofo de conteúdo da educação, como metodologia, didática, fundamentos. Estofo muito mais amplo e complexo. A formação em serviço não vinha surtindo o efeito desejado na produção, por exemplo, de planejamento de cursos, de criação de materiais didáticos, de roteiros de programas de TV, de produtos para a educação a distancia. E quando conseguiam formar, os profissionais acabavam sendo muito disputados pelo mercado. A partir desta constatação e de um olhar atento também da própria PUC-Rio sobre o mercado de trabalho, o Departamento de Educação então fez a proposta de criarmos o curso nesta interface, já na graduação.

revistapontocom – Um curso de quatro anos, em bacharelado.
Rosália Duarte Exatamente. Optamos pelo bacharelado e não pela licenciatura, como é oferecido, por exemplo, pela USP.

revistapontocom – Por qual razão?
Rosália Duarte – Porque não queríamos esse profissional somente na escola. Queríamos ampliar o leque, possibilitar que ele pudesse atuar num campo muito maior, exatamente esse que era apresentado pelas empresas que nos procuravam. Nosso objetivo é formar um gestor de mídia em educação. Um profissional que, com sua equipe, seja capaz de criar um material didático para a escola, montar um curso a distancia para formação continuada dos funcionários de uma empresa, criar um programa de TV. É um profissional que não precisa teoricamente produzir, mas demandar. Para isso, ele precisa conhecer. É um profissional de educação, mas que conhece a linguagem da comunicação. Sabe pedir e sabe como se faz. Seu trabalho, desafio e atividade é gerir uma equipe de produção.

revistapontocom – Neste sentido, como foi pensada a estrutura do curso?
Rosália Duarte – O curso tem 2.920 horas. Está estruturado em núcleos: o núcleo comum, que reúne disciplinas obrigatórias; o núcleo de optativas por área de conhecimento; e o núcleo de gestão de mídias em educação. Há disciplinas do Departamento de Educação que já existem, como Fundamentos da Educação, Didática e Avaliação. Mas há outras que foram criadas especialmente para o curso, como projeto e planejamento de produtos. Mas não é só isso. Os estudantes terão que cursar disciplinas, obrigatórias e optativas, de outras áreas de conhecimento de outros cursos da PUC. Há matérias do curso de Comunicação Social, Direito, Administração, Artes & Design, Psicologia, Sociologia e Informática. Esse novo curso é, portanto, fruto de uma parceria entre o Centro de Teologia e Ciências Humanas, o Centro Técnico Científico e o Centro de Ciências Sociais. Os estudantes farão estas matérias com os alunos matriculados nos respectivos cursos. Não haverá uma turma fechada. O Departamento de Educação poderia oferecer tais disciplinas específicas?  Sim, mas teria o nosso viés, o nosso olhar. Não queremos que o aluno olhe a mídia pelo campo da educação. Nossa proposta é que o estudante tenha o olhar do profissional, do mercado de cada área. Queremos que ele olhe a mídia pelo ponto de vista de quem produz e tem conhecimento. Que ele conheça a parte de planejamento, de direito autoral, de prática jornalística, de política pública com profissionais que estão ligados diretamente  a essas  áreas de conhecimento. Isso será muito mais rico para a formação. A ideia é que ele costure todos estes pontos de vista e siga uma perspectiva educacional. Como trabalho final do curso, o estudante terá que desenvolver um projeto de gestão de mídias para a educação. Um projeto que seja aplicável à realidade de um contexto, de uma empresa, de uma escola.

revistapontocom – É possível que o novo curso impacte o de Pedagogia?
Rosália Duarte – De certa forma sim. As disciplinas que criamos para o novo curso, no âmbito do Departamento de Educação, poderão ser cursadas pelos alunos do curso de pedagogia. Acreditamos que isso vai favorecer uma maior integração para ambos os cursos. Neste sentido, a mídia, inclusive vai estar mais presente no curso de Pedagogia, reformulado recentemente, em 2009.

revistapontocom – Esta estrutura é inovadora na PUC?
Rosália Duarte – Há uma experiência positiva no curso de Arquitetura, mas que envolve menos  cursos. Este realmente é pioneiro e acredito, inclusive, no Brasil. Vai ao encontro de uma nova estrutura universitária, sem dúvida, menos arrumada em departamentos e centros e mais integrada e interdisciplinar. Uma estrutura na qual o aluno constrói o seu plano de formação. Porém, não é nada fácil articular isso tudo na prática.

revistapontocom – Quais são os desafios?
Rosália Duarte – Todo curso universitário tem como desafios: construir a identidade profissional e constituir uma formação sólida. Temos cursos tradicionais, como Direito, Administração, Economia, cuja identidade profissional já está dada há muito tempo. Nestas áreas, a preocupação recai apenas na formação. No nosso caso, teremos que investir nas duas frentes. Soma-se a isso o risco da fragmentação, em virtude do novo modelo, aulas em cursos e turmas diferentes. Por isso, já decidimos que cada estudante terá uma espécie de professor tutor que o ajudará, do primeiro até o último dia de aula, a fazer a costura de todo o curso. Se bem que esta nova geração parece lidar muito melhor com supostas fragmentações do que nós. Estamos seguros que vamos conseguir vencer esses desafios. Nossos cursos são muito bons, conceituados e com um corpo docente qualificado.

revistapontocom – O curso tem como foco os jovens que estão concluindo o ensino médio?
Rosália Duarte – Achamos que o curso vai atrair profissionais que já atuam no mercado. Mas talvez em menor escala. Quem está no mercado tem experiência e conhecimento e talvez prefira se inscrever no nosso curso de especialização, que volta a ser oferecido no próximo ano, à noite. Por isso que optamos em oferecer o novo curso no turno diurno. Muito provavelmente o nosso público será de jovens que adoram tecnologia/mídia, mas não querem ser produtores, mas, sim, atuar no âmbito da educação, como gestores de mídia.

revistapontocom – Foi fácil sair do papel a proposta deste curso?
Rosália Duarte – Foram três anos de trabalho, contando com uma equipe relativamente grande. Cinco pessoas do Departamento de Educação em constante conversa com os demais departamentos envolvidos e, também, com as empresas, os empregadores. Foram vinte versões até chegarmos a um consenso entre todos os departamentos. Em geral, não houve grandes resistências. Acho que todos os departamentos gostaram do resultado final.

revistapontocom – A criação do curso é uma prova da importância da mídia na educação?
Rosália Duarte Mídia e educação é uma ideia força. Não é possível para fazer educação sem mídia. Quanto a isso nunca foi necessário convencer ninguém. Mídia e educação estão/são casados. Não se faz uma coisa sem a outra.