Dia da criança

 

No dia 1º de outubro, o Movimento Infância Livre de Consumismo lança sua nova campanha sobre consumismo infantil no Dia das Crianças. A campanha é composta por uma série de textos e imagens sobre a data festiva, apresentando uma reflexão sobre a necessidade de ensinar sobre consumismo desde que os filhos são pequenos, bem como de valorizar os momentos e as experiências que não necessitam de objetos para que sejam prazerosas e divertidas.

a campanha poderá ser vista e compartilhada no blog e no facebook

A série de imagens, dirigida aos pais, tem como objetivo chamar atenção para a reflexão sobre a quantidade do que realmente importa para as crianças, que é o brincar, o estar com os pais, o usufruir do ar livre e exercitar a imaginação, tudo divertido e prazeroso sem a necessidade de objetos novos.

A campanha foi concebida por três voluntários que se mobilizaram pelo tema: Mila Bartilotti assina a redação; Lu Azevedo, a ilustração; e Pedro Serravalle, a direção de arte. Mila Bartilotti é redatora, compositora, cantora e – mesmo sem filhos – anda atenta às questões relacionadas à infância e comunicação e emprestou seu talento criando o conceito “Dia das crianças sem consumismo. É de pequeno que se aprende.” que leva em conta o protagonismo dos pais na educação das crianças e no questionamento do que é ofertado pela mídia e pelos anunciantes.

Radicada no Canadá, Lu Azevedo é ilustradora apaixonada pelo mundo infantil, tem dois filhos pequenos que são a sua fonte de inspiração diária: “amo a inocência deles, a facilidade que eles têm de amar, criar, imaginar e confiar nas pessoas, e acho extremamente maldoso se aproveitarem de tantas qualidades a favor do consumismo.”

Pedro Serravalle é pai de dois filhos, designer, especializado em Branding e adora brincar ao ar livre com as crianças. “Ando ocupado em oferecer as melhores experiências para os meus filhos, e observar o ativismo pela infância me mobiliza a contribuir com a estética do movimento.”

A campanha traz ainda um convite para que o público atenda à convocação do Instituto Alana e organize localmente Feiras de Trocas de Brinquedos para que adultos e crianças possam vivenciar a possibilidade de negociar brinquedos sem a necessidade de desembolso financeiro, mostrando uma nova forma de renovar a brincadeira.

O Dia das Crianças é a segunda data mais importante para o comércio de brinquedos e é quando os anunciantes centram fogo na infância. O número de inserções comerciais na programação infantil cresce vertiginosamente e as crianças tendem a acreditar que só serão homenageadas se ganharem muitos presentes.

O desejo do Movimento Infância Livre de Consumismo é que mães, pais e familiares consigam perceber “a falácia da publicidade, afinal não são objetos de plástico que farão os filhos felizes, por mais caros que sejam”.

Fórum Pensar a Infância

A coordenação do 5º Fórum sobre Políticas, Narrativas e Linguagens do Cinema Infantil no Brasil divulgou a programação do evento, marcada para os dias 21 a 24 de outubro. O evento que contará com três módulos – narrativa, mercado e cinema educação – será realizado no espaço Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro. O fórum integra as atividades do Festival Internacional de Cinema Infantil (FICI). 

Mais informações e inscrições no site (www.fici.com.br) ou através do email forumpensarainfancia@fici.com.br

A revistapontocom publica, abaixo, a programação ainda em fase de ajustes.

Confira:

Dia 21 de outubro, segunda-feira
18h – Abertura oficial – celebrando a 5° edição do Fórum Pensar a Infância, damos boas vindas ao público do evento exibindo um painel com alguns dos mais significativos movimentos de políticas internacionais em prol do audiovisual para crianças. O intuito é  valorizar ações positivas, bons exemplos a serem cultivados.  Reforçando esta ideia, daremos um passo a diante debatendo junto aos nossos principais representantes dos órgãos públicos de cultura, caminhos que optamos em transitar. O Fórum Pensar a Infância aproveita o momento pela busca por qualidade e diversidade na produção nacional de cinema para crianças e anuncia os vencedores do 6° Prêmio Brasil de Cinema Infantil.

Dia 22 de outubro, terça-feira
Módulo Narrativas
10h – Painel Roteiro e Direção de Atores – O módulo Narrativas, conduzido pela diretora Rosane Svartman, propõe, através de seus convidados, a apresentação de painéis sobre diferentes modos de se contar uma história que faça com que crianças se aproximem e se identifiquem com o filme que esta sendo exibido na tela. Debatendo acertos e metodologias, o foco do módulo narrativas está na construção de roteiros e na direção de atores na hora de se colocar uma criança em cena.
14h30 – Sessão Narrativas – após exibição de curtas-metragens, uma conversa com diretores e roteiristas dos filmes exibidos.

Dia 23 de outubro, quarta-feira
Módulo Mercado
10h – Painel mercado audiovisual para crianças – Analisando casos bem sucedidos no mercado audiovisual brasileiro, o módulo Mercado propõe, com intermediação de Vanessa Fort, um diálogo entre produtores e plateia. O intuito é promover debates sobre o mercado interno, políticas de circulação e, especialmente, sobre as necessidades de adaptação da indústria para atender as demandas de um público alvo que está constantemente em busca de novidades.
14h30 – Sessão Mercado – após exibição de curtas-metragens, uma conversa com produtores dos filmes exibidos.

Dia 24 de outubro, quinta-feira
Módulo Cinema e Educação
10h – Painel Cinema e Educação – Mostrando diferentes formas de abordagens do audiovisual como instrumento de apoio ao aprendizado, o módulo Cinema e Educação com intervenções de Ana Dillon, vai debater limites e possibilidades do cinema como recurso de apoio à Educação dentro e fora da sala de aula. Compartilhando desafios didáticos, metodologias de ensino e reforçando um diálogo possível entre as crianças e a sétima arte, o módulo  é um exercício de reflexão do uso dessas ferramentas em sala de aula.
14h30 – Sessão Cinema e Educação – após exibição de curtas-metragens, uma conversa com os realizadores dos filmes exibidos.

Carta de Ponta Grossa

A cidade de Ponta Grossa, no Paraná, sediou seu  ECOM.EDU – Encontro de Comunicação e Educação de Ponta Grossa, que foi realizado entre os dias 8 e 13 de setembro. Ao final do evento, os participantes redigiram A Carta de Ponta Grossa, sobre mídia e educação. O documento defende nove tópicos. Veja abaixo.

O encontro discutiu ainda práticas de educação e comunicação, incentivou professores e jovens a mostrarem suas produções de mídia educação (com direito a premiações) e principalmente foi uma ponte entre a área acadêmica com suas pesquisas realizadas neste campo e a comunidade de um modo geral. O evento foi organizado pelo Departamento de Pedagogia da Universidade Estadual de Ponta Grossa e teve como objetivo principal articular o conhecimento acadêmico com a comunidade local ao discutir práticas de educação e comunicação, incentivando jovens e professores a exporem trabalhos envolvendo as duas áreas.

Carta de Ponta Grossa de Mídia e Educação

Considerando que a educação para usar as mídias com autonomia e criticidade é um fator fundamental para que pessoas de todas as idades e nações possam exercer o direito humano universal à liberdade de expressão, entendido como o direito de ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, e independentemente de fronteiras;

Considerando que o desenvolvimento tecnológico possibilitou a construção de conhecimentos em rede através das diferentes mídias e potencializou práticas culturais colaborativas e compartilhadas;

Considerando que o acesso às mídias e aos seus conteúdos permanece desigual, e que as possibilidades de produção e circulação de seus conteúdos não é praticada pelos diversos atores sociais;

Considerando, como já afirmou o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova no Brasil, que as forças econômicas de um país não se desenvolvem sem o “preparo intensivo das forças culturais e o desenvolvimento das aptidões à invenção e à iniciativa” e que as chamadas indústrias criativas ganham cada vez mais importância no cenário global;

Considerando que a escola, juntamente com outros espaços da sociedade civil, são instâncias democráticas onde a formação para a cidadania ativa é favorecida;

Considerando que no contexto Iberoamericano vários países têm adotado políticas de educação para as mídias trazendo para o âmbito escolar a discussão e práticas de produção e análise crítica da mídia visando a democratização da comunicação e o estabelecimento de uma relação com a mídia que favoreça o pleno exercício da cidadania.

Considerando que as políticas nessa área em nosso país ainda são tímidas e carecem da formação de uma rede de boas práticas e de desenvolvimento de metodologias próprias que dependem certamente de estudos e pesquisas.

E considerando documentos importantes tais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Constituição Brasileira, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a Declaração de Grunwald sobre Mídia e educação capitaneada pela UNESCO , os participantes do encontro que assinam esta carta convocam os diversos atores sociais envolvidos direta ou indiretamente com educação para as mídias a:

1. Iniciar e apoiar programas de educação para as mídias para públicos de todas as idades, nas esferas da educação formal e não-formal, através das mais diversas plataformas de mídia que promovam a literacia midiática como o desenvolvimento de habilidades para acessar, selecionar e avaliar produtos de mídia, além de adquirir competência para se expressar criativamente e se engajar socialmente usando canais midiáticos.

2. Promover a formação inicial e continuada de professores e outros profissionais que tenham envolvimento com a educação para as mídias, de modo que adquiram conhecimento crítico e consistente sobre o papel social e o funcionamento dos meios em sociedades democráticas e desenvolvam habilidades pedagógicas para transformar esse conhecimento em práticas de ensino e aprendizagem.

3. Fomentar a produção e compartilhamento de materiais específicos de educação para as mídias, que utilizem as múltiplas linguagens e tenham qualidade validada por seus públicos.

4. Criar condições mínimas nas escolas para que a educação para as mídias possa de fato ocorrer nesses lugares, o que inclui remunerar adequadamente os professores que se proponham fazer mídia e educação, criar e manter laboratórios com os equipamentos necessários e suporte técnico constante e eficiente e prover acesso à internet.

5. Lembrar os meios de comunicação, que por serem concessões públicas, devem cumprir sua parcela de responsabilidade social e se engajar na formação de cidadãos ativos e capazes de avaliar criticamente os conteúdos por eles veiculados.

6. Incentivar espaços de discussão, formação e atualização dos profissionais envolvidos na produção e circulação de conteúdos midiáticos de qualidade para que haja uma maior conscientização da responsabilidade social dos mesmos quanto ao papel que exercem na construção de uma sociedade mais democrática.

7. Estimular a produção e circulação de conteúdos de qualidade dirigidos a crianças e adolescentes de modo a considerar sua participação e suas necessidades específicas tendo em vista a condição estratégica deste público e de sua educação para as mídias;

8. Encorajar a pesquisa em educação para as mídias, inclusive com destinação de recursos financeiros, que apoiem o desenvolvimento de políticas públicas no sentido de favorecer a democratização das mídias e de seus usos nos diversos contextos.

9. Integrar as iniciativas brasileiras às tendências internacionais, em especial às ações da UNESCO, para que os brasileiros também possam ser beneficiados com o avanço do conhecimento produzido em outros países e em cooperação na promoção da educação para os meios.

Uma história de crianças e cinema

Um dos filmes da programação do Festival do RIo que mais chamou a atenção da revistapontocom é o A story of children and film (Uma história de crianças e cinema), de Mark Cousins. Trata-se de um documentário inglês lançado este ano. O filme traz uma montagem de inúmeras cenas que retrataram crianças ao longo da história do cinema mundial, selecionadas de forma pessoal e lúdica pelo crítico de cinema que se tornou diretor.

Acesse o site oficial do filme

A seleção é feita de obras-primas como O garoto, de Charles Chaplin, e E.T. – O extraterrestre, de Steven Spielberg, passando por títulos como O balão vermelho, de Albert Lamorisse, e Os esquecidos, de Luis Buñuel – e inclui ainda vários títulos pouco conhecidos. Um retrato apaixonado das aventuras da infância, visto através de 53 grandes filmes provenientes de 25 países. Cannes 2013.

Há ainda três sessões:
Sexta, dia 4 de outubro, às 16 horas, no Estação Rio 3
Segunda, dia 7 de outubro, às 20 horas, no Oi Futuro Ipanema
Quinta, dia 10 de outubro, às 17h40, no Estação Vivo Gávea 4 

Seminário e livro marcam comemorações dos 20 anos da MultiRio

Os impactos da cultura digital e como produzir mídia para os nativos digitais são os temas do seminário promovido pela Empresa Municipal de Multimeios – MultiRio para celebrar seus 20 anos de criação.  O evento acontece nos dias 3 e 4 de outubro, no Senac do Flamengo, e reúne 300 convidados entre profissionais de educação e comunicação. Na ocasião, também será apresentado o livro A Escola Entre Mídias – Experiências e Conquistas, que aborda o uso inovador da tecnologia na Rede Pública Municipal e, nesse contexto, da experiência de se criar uma empresa produtora em diversas mídias, vinculada à Secretaria Municipal de Educação.

Com o tema A Escola, as Mídias e a Cultura Digital, o seminário tem como alvo professores e especialistas em educação e comunicação. Entre os palestrantes, o professor de Sociologia da UFMG Francisco Coelho dos Santos, que fala sobre Cultura Digital, e o educador colombiano Bernardo Toro, um dos mais importantes pensadores da educação e da democracia na América Latina e que aborda o tema Produção para Nativos Digitais. Participam também dos debates a professora Lynn Alves, da Universidade do Estado da Bahia e a professora Rosália Duarte, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Exibições de produções e posterior interação com os presentes e oficinas de animação, web rádio, games e produção com o celular também estão no programa. Em destaque, a apresentação do projeto da série Megassaudável da MultiRio, estruturada após encontros e debates com alunos da Rede Municipal e que estreou com fan page no Facebook.

As experiências bem sucedidas e os desafios de produzir conteúdo educativo para as novas gerações também estão no livro A Escola Entre Mídias – Experiências e Conquistas, que aborda o investimento do município do Rio em tecnologia para as escolas da Rede.

A publicação elenca ações como a Educopédia e o projeto Cineclube nas Escolas. As comemorações também incluem uma nova imagem visual e sonora, presente na TV, Web Rádio, Web TV e impressos da MultiRio. Além disso, a partir de 14 de outubro, haverá uma programação com produções especiais. No dia 18, aniversário de criação da Empresa, será feita uma homenagem ao idealizador e primeiro presidente da MultiRio, Walter Clark, quando um dos estúdios da casa receberá o nome do comunicador.

A empresa e suas produções

Vinculada à Secretaria Municipal de Educação, a MultiRio atua com a premissa da articulação entre cidade e educação e vem se consolidando como a mídia educativa da cidade. A valorização da produção escolar, o foco nas crianças e jovens e em suas famílias e a oferta de produções educativo-culturais de qualidade ao público são frutos de um esforço pioneiro que se renova a todo instante.

Na TV, os primeiros produtos, lançados em 1995, destinavam-se aos professores e aos alunos, depois vieram opções que ampliavam o leque de temas para o cidadão carioca em geral. No total, foram mais de 4.200 programas produzidos ao longo desses anos, com destaque para a colaboração da comunidade escolar no conteúdo das produções da casa. O acesso ao acervo audiovisual da MultiRio está garantido nas escolas da Rede Municipal do Rio com a distribuição de cerca de 70 mil MultiKits. Na área de impressos, foram mais de oito milhões de jornais e revistas para professores e alunos, fascículos das séries audiovisuais e cerca de 300 mil livros produzidos desde o início das atividades da Empresa.

Inscrições abertas

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com o Ministério da Cultura e a Universidade Federal Fluminense, acaba de  lançar a convocatória da 8ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, que vai ocorrer de 26 de novembro a 20 de dezembro deste ano. O edital abre chamadas para locais de exibição, que poderão se inscrever até 11 de outubro.

Poderão participar da seleção e habilitação cineclubes; pontos de cultura; institutos federais de educação profissional, científica e tecnológica; universidades; museus; bibliotecas, sindicatos; associações de bairros; telecentros; e quaisquer outras instituições que se habilitem a exibir os filmes da Mostra a parcelas da sociedade. Os locais de exibição habilitados poderão também realizar, se possível, sessões acessíveis de filmes com audiodescrição, dublagem e legendas e com tradução para Libras. A instituição habilitada receberá gratuitamente o kit contendo os filmes, inclusive os das sessões acessíveis no que se refere à audiodescrição, dublagem e legendas, a serem exibidos durante Mostra.

A 8ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul é um evento que celebra há oito edições o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948. A mostra dedica-se a apresentar filmes sul-americanos que discutem temas atuais de Direitos Humanos na América do Sul. Os filmes serão exibidos em 26 capitais e no Distrito Federal. Mas, pelo primeiro ano, a mostra também será realizada em até mil espaços culturais pelo Brasil, assumindo um caráter descentralizador e democrático.

A programação compreende uma seleção de filmes contemporâneos que desde 2008 são também selecionados por meio de chamada pública, além de uma retrospectiva histórica, homenagens e programas especiais. A Mostra promoveu em edições anteriores homenagens ao projeto brasileiro Vídeo nas Aldeias, aos argentinos Cine Ojo (produtora) e Ricardo Darín (ator), ao documentarista Eduardo Coutinho, e suas recentes retrospectivas históricas tiveram por tema “infância e juventude”, “iguais na diferença” e “direito à memória e à verdade”.

A ficha de inscrição para as instituições interessadas está disponível no site http://culturadigital.br/cinedireitoshumanos/, e deve ser enviada no período de 26 de agosto a 11 de outubro de 2013. A inscrição é online e inteiramente gratuita. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones: (21) 2629.9763 e (61) 2025.3732/3950.

Observatório de projetos e políticas de leitura

Por Lucia Penteado
Pesquisadora de Políticas, Programas e Projetos de Leitura do iiLer / Cátedra UNESCO de Leitura

Um lugar em que podemos observar e estudar um determinado tema ou fenômeno no tempo e no espaço. Apesar de simples, essa é uma definição de Observatório que pode ser aplicada em várias áreas de interesse. O campo da leitura e da formação de leitores é uma delas. Com essa intenção e perspectiva, a Cátedra Unesco de Leitura da PUC-Rio está criando o Observatório de Projetos e Políticas de Leitura no Brasil e na América Latina: um espaço dinâmico, de convergência de informações e interações pessoais, que estimula a reflexão e o diálogo permanentes, em torno de diversas ações de incentivo à leitura no Brasil e demais países da América Latina.

Que projetos estão sendo desenvolvidos? Onde podemos localizá-los? Quais iniciativas podem ser consideradas casos de sucesso? Quem está pesquisando sobre determinado assunto? No Observatório, respostas e informações sobre essas e outras questões estão organizadas e sistematizadas com o objetivo de auxiliar pesquisadores e professores na área de leitura, por meio de análises e discussões que contribuam para decisões e ações no campo da leitura e da formação de leitores. Sua estrutura foi desenvolvida para oferecer visibilidade aos projetos, programas e políticas de leitura, divulgar exemplos bem sucedidos como fonte de inspiração para outras iniciativas, bem como eventos e notícias relacionados ao tema. Possuindo uma rede de comunicação como base de sua estrutura, o Observatório alimentará e será alimentado por várias pessoas e instituições, articulando especialistas, gestores e mediadores.

Como exemplo, podem ser citadas fontes públicas nacionais e internacionais, como Ministério da Cultura, Biblioteca Nacional, Ministério da Educação, Unesco, IFLA, CERLALC, todos com atuação central para o desenvolvimento da leitura na América Latina, além de iniciativas do terceiro setor e do setor privado, como Itaú Cultural, Instituto Votorantim, Natura, entre outras.

Vale ressaltar que várias ações desenvolvidas pela equipe da Cátedra também serão utilizadas como fontes importantes para o Observatório, tais como os projetos Viva Leitura e Serra Viva. O papel dos especialistas, com análises em diversas áreas de interesse no âmbito da leitura, será fundamental para garantir o dinamismo e a visão ampla e multidisciplinar desse ambiente.

O Observatório funcionará por meio de uma plataforma de consulta e diálogo dentro do portal da Cátedra, com as seguintes áreas: link de cada projeto, programa e política, contatos, documentação, análises, opiniões, pesquisas, artigos e fóruns. Em um primeiro momento, o trabalho do Observatório terá como foco o Brasil, oferecendo um banco de dados sobre projetos e políticas públicas de leitura existentes e com histórico de continuidade. Ao avançarmos na construção deste observatório, trabalharemos com informações sobre outros países da América Latina.

Acesse o site: http://www.catedra.puc-rio.br/

Audiovisual e cinema

Por Marcus Tavares
Texto publicado originalmente no Jornal O DIA

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) acaba de divulgar o Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual. O documento foi aprovado, ano passado, pelo Conselho Superior do Cinema, órgão formado por representantes de nove ministérios e da sociedade civil, incluindo cineastas e profissionais do mercado. O conselho tem a missão, segundo o próprio texto, de formular as diretrizes que determinam a ação da Ancine em sua meta de fomentar e regular o setor audiovisual brasileiro.

O documento traz série de dados e perspectivas do mercado, estabelecendo 12 diretrizes para ampliar o acesso da população aos conteúdos, capacitar profissionais e impulsionar a competitividade do setor. O projeto afirma que “até 2020, o Brasil pode se transformar no quinto mercado do mundo em produção e consumo de conteúdos audiovisuais para cinema, TV e novas mídias”.

Creio que isso possa, de fato, acontecer. Mas penso que este ‘quinto mercado’ parece que será bastante tímido, para não dizer quase nulo, em relação a uma produção com qualidade para o público infantil, sejam os exibidos nas TVs comerciais e ou nas telas do cinema. Digo isso pois o documento sequer faz menção à potencialidade e à necessidade de se produzir para as crianças.

A única ressalva que o plano faz e que de alguma forma repercute no público infantil está expressa na Diretriz 12, que objetiva ‘ampliar a participação do audiovisual nos assuntos educacionais’. Traduzindo: pretende-se equipar as escolas com produções audiovisuais, inserir formação em linguagem audiovisual no sistema regular de ensino, implantar videotecas e ampliar a produção audiovisual para uso pedagógico. O que a diretriz defende, portanto, é a produção de conteúdos educativos e ou didáticos. Importantes? Sim. No entanto, são produtos que veem as crianças na condição de estudantes, na escola, e não como crianças.

Mais uma vez o direito das crianças de ter acesso a uma mídia de qualidade é negligenciado. Mais uma vez constata-se que o tema está presente no discurso, mas longe, muito longe, da prática. Sigam as crianças assistindo a produções estrangeiras…

Polêmica

Por Instituto Alana

Com base em pesquisa inédita da Universidade de Harvard, Instituto Alana questiona modelo de autorregulação da publicidade no país.É fundamental a regulação da publicidade no Brasil, especialmente quando dirigida a crianças, que estão em fase de desenvolvimento psíquico, afetivo e cognitivo e, por isso, são mais vulneráveis aos apelos para o consumo.

Hoje, apesar de todos os dispositivos constitucionais e legais que protegem a criança, não há uma legislação com regras claras e específicas para a publicidade que impacta o público de até 12 anos – seja por conter mensagens que despertam a identificação da criança, seja por estarem inseridas em meio à programação infantil.

O levantamento inédito “Autorregulação da publicidade de alimentos para crianças”, realizado pelo LIDS (Harvard Law & International Developmente Society), da Universidade de Harvard, em parceria com o Instituto Alana e a ANDI, compilou as experiências de autorregulação em quatro países – Canadá, França, Reino Unido e Austrália – e na União Europeia. Observou-se uma variedade de abordagens para regular a publicidade dirigida às crianças como um esforço no combate à obesidade infantil.

Os pesquisadores concluem que a existência de um regime legal subjacente que empodere a fiscalização e cumprimento das regras é fundamental para o sucesso da autorregulação, a exemplo do Reino Unido, cujo modelo de corregulação é descentralizado e está ancorado em um rigoroso ordenamento jurídico estatal, tendo a implementação e o reforço das regras delegadas a organizações da sociedade civil.

Afirmam ainda que se a autorregulação não tiver enforcement, ou seja, exigibilidade e capacidade de punir, não será bem sucedida.  Além disso, a pesquisa da LIDS conclui sobre a importância de definições e regras claras, para não gerar ambiguidades que causem sobreposições de regras ou que possibilitem ao mercado criar seus critérios de acordo com interesses privados.

Publicidade infantil no Brasil

No Brasil, a atuação do Conar (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) não tem apresentado resultados efetivos com relação aos interesses públicos  no tema da publicidade infantil. Também se demonstra resistente ao necessário compartilhamento da regulação publicitária com o Estado, a chamada corregulação – não há fiscalização da autorregulação.

Com relação à dimensão do tema da publicidade infantil no país, vale lembrar que o assunto é pauta de debate no Congresso Nacional e em diversas esferas do Poder Executivo e Judiciário. Nesta semana, o Projeto de Lei 5.921/2001, que propõe a regulação da publicidade dirigida a crianças, seguiu para análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), sua última fase de tramitação na Câmara Federal.

A proposta tem o apoio do Alana e de diversas organizações de defesa do consumidor e da criança por apresentar a possibilidade de restringir o direcionamento de mensagens comerciais ao público menor de 12 anos, que tem sido um foco constante das ações de marketing.

A respeito do “Estudo sobre volume de publicidade direcionado a crianças na televisão aberta e por assinatura”, (clique aqui e leia) realizado pelo IBOPE e divulgado no dia 20/09 pela ABA e pelo Conar, o Instituto Alana entende que os números apresentados são alarmantes: segundo a pesquisa, mais de 700 mil publicidades foram veiculadas nos canais infantis por assinatura em um período de 31 dias – uma média de mais de 22 mil inserções por dia.

Para o Alana, a quantidade de publicidade que impacta a criança identificada pela pesquisa IBOPE é assustadora não só pelo volume, já que bastam 30 segundos para uma marca influenciar uma criança (Associação Dietética Norte-Americana – Borzekowski Robinson).

O Alana ainda esclarece que os critérios adotados pelo IBOPE desconsideram aspectos relevantes para avaliar o impacto das mensagens comerciais que falam com a criança. O estudo levou em conta as publicidades de produtos infantis com mensagem para criança, produtos infantis com mensagem para adulto e produtos adultos com atores infantis, mas não contou publicidade de produtos adultos com apelos infantis, como jingles, animações e uso de personagens do universo da criança – que são comuns em comerciais de produtos de limpeza, cosméticos, telefonia e até mesmo automóveis. O IBOPE também não definiu o conceito de produto infantil.

Mais uma vez, o Alana chama a atenção para a necessidade de um esforço coletivo com  o cuidado e a proteção da criança brasileira frente aos abusos da comunicação mercadológica endereçada a ela.

Veja os filmes internacionais da Mostra Geração

A coordenação do Programa Vídeo Fórum, da Mostra Geração, segmento infanto-juvenil do Festival do Rio, que acontecerá entre os dias 26 de setembro a 10 de outubro, divulgou a relação dos longas internacionais que serão exibidos. São obras dedicadas a crianças e jovens. Confira os filmes, datas e horários.

Mais informações no site
http://mostrageracao.blogspot.com.br/

Eis a relação do filme

O inverno que mudou minha vida
– Sexta, dia 27 de setembro, às 14h30, no Estação Rio, sala 1
– 
Quarta, dia 2 de outubro, às 9h, no Estação Rio, sala 1
Depois de perder tragicamente a mãe que o incentivava, Janeau Trudel, um jovem de 12 anos com grande talento para o hóquei, muda com o pai para outra cidade. Lá, entra para o time da escola por insistência de Julie, a goleira da equipe. Estimulado por ela, uma jovem talentosa e determinada, Janeau vai conviver com novos desafios e muitos conflitos.

Tom, o garoto malandro
– Sexta, 4 de outubro, às 14h30, no Cine Carioca
– Terça, 8 de outubro, às 9h, no Estação Rio, sala 1
– Quarta, 9 de outubro, às 14h30, no Estação Rio, sala 1
Crianças de 5 anos se perdem durante um passeio na floresta, depois que a professora come uma frutinha e desfalece. Tentando voltar para casa, encontram Tom, um garoto de 14 anos que se evadiu da escola e vive em um velho carvalho. Tom promete ajudá-los quando tiverem desaprendido tudo que aprenderam na escola.

Mãe, eu te amo
– Terça, dia 1 de outubro, às 14h30, no Estação Rio, sala 1
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Sexta, dia 4 de outubro, às 9h, no Estação Rio, sala 1
Raimonds é um pré-adolescente que mora com a mãe e aprende saxofone na escola. Ao ser acusado de uma brincadeira de mau gosto com uma menina no ensaio da banda, leva mais uma advertência para casa. Tentando evitar que a mãe saiba do ocorrido, Raimonds se enreda em uma série de mentiras e atitudes que ficam cada vez mais complicadas e perigosas.

A pérola
– Terça, dia 1 de outubro, às 9h, no Estação Rio, sala 1
– 
Terça, dia 8 de outubro, às 14h10, no Estação Rio, sala 1
– 
Domingo, dia 6 de outubro, às 17h30, no Cine Carioca
Mesclando ficção com belos trechos de documentário ambiental, o filme conta a história de Maher, 12 anos, e sua irmã Mahrokh, filhos de Karin, um pobre pescador de pérolas. Karin está muito doente e precisa de uma cirurgia cardíaca. Maher se desespera e tenta conseguir dinheiro buscando pérolas, atividade que envolve grande perigo. 

Inocentes
– Segunda, dia 30 de setembro, às 14h30, no Estação Rio, sala 1
– 
Quinta, dia 3 de outubro, às 9h, no Estação Rio, sala 1
Ah Huat tem uma vida difícil e estuda em uma escola muito rígida. É incompreendido e constantemente humilhado e punido. Syafiqah, vivendo o momento de separação dos pais, vai morar com a avó. Os dois estudam na mesma sala e se identificam. Acabam criando um espaço de liberdade nas florestas, longe do mundo complicado dos adultos, que continuam a perseguir Ah Huat.

O superformiga
– Quinta, dia 3 de outubro, às 14h, no Estação Rio, sala 1
– 
Quarta, dia 9 de outubro, às 9h, no Estação Rio, sala 1
– 
Segunda, dia 7 de outubro, às 14h30, no PontoCine
Fugindo de colegas agressivos, Pelle, um menino de 12 anos, se esconde no jardim de um cientista excêntrico. É mordido por uma formiga modificada em laboratório adquirindo superpoderes. Com a ajuda do amigo Wilhelm, especialista em histórias em quadrinhos, vai entender e usar essas faculdades no combate ao crime e contra seu grande adversário: o Supermosca.

Aya
– 
Sexta, dia 4 de outubro, às 14h30, no Estação Rio, sala 1
– 
Quarta, dia 9 de outubro, às 19h, no Estação Rio, sala 1
Aya é jovem e quer estudar medicina. Mora em Yopougon, uma comunidade pobre e perto de Abidjan, a cidade mais rica da Costa do Marfim. Ela e suas amigas sonham com amor e riqueza. O desenho reproduz preciosamente a geografia e a vida local, além de aspectos das relações sociais e familiares de um povo que influenciou muito a cultura brasileira.

A fraternidade negra
– Quarta, dia 2 de outubro, às 14h, no Estação Rio, sala 1
– 
Segunda, dia 7 de outubro, às 14h30, no Estação Rio, sala 1
Século XIX. Giorgio, 14 anos, é um dos muitos jovens suíços oriundos de famílias muito pobres que, vendidos, tornam-se escravos limpando chaminés em Milão, Itália. Perseguidos pelos Wolves, uma gangue de jovens milaneses, ele e seus amigos fundam a Fraternidade Negra, sociedade secreta onde encontram apoio, solidariedade e aventuras.

Gloob estreia a primeira novela infantil

Por Marcus Tavares

Estreia no dia 14 de outubro a primeira novela do canal infantil Gloob, da Globosat. Gaby Estrella vai contar a história de uma menina carioca, moradora de Ipanema, que vê a sua vida mudar quando vai morar com a sua avô, em uma fazenda, longe do consumo e das tecnologias das grandes cidades. A direção é de Claudio Boeckel. E o roteiro de quatro mulheres: Ana Pacheco, Carina Schulze, Izabella Faya e Laura Barile.

O folhetim, que deve ir ao ar às 20 horas, de segunda a sexta, vai contar com conteúdos exclusivos para sites e aplicativos. Segundo informações do Meio&Mensagem, o projeto comercial conta com quatro cotas de patrocínio, que dão direito a inserções em vinhetas, intervalos, chamadas da novela e plataformas móveis.

Mas o que está por trás da narrativa? Além do entretenimento e do interesse comercial, a primeira novela do Gloob vai trazer alguma reflexão para as crianças? Foi o que a revistapontocom procurou saber. Em entrevista, a roteirista Ana Pacheco explica que a série não vai dar ‘lições’, mas carrega valores como como ética, solidariedade, respeito às diferenças e a importância da família.

“No entanto, esses valores não aparecem como “lição”. Isso não quer dizer que não existam situações de conflito, caso contrário não há história. Tais valores, portanto, norteiam o desenvolvimento da história e as resoluções dos conflitos. Do ponto de vista das roteiristas, tentamos sempre trazer estes valores principalmente nas resoluções, porque os conflitos existem na novela como existem na realidade, mas a resolução que é dada a estes conflitos é que é determinante”, conta.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Gaby Estrella conta que história?
Ana Pacheco  Gaby Estrella tem 12 anos, mora em Ipanema e vive cercada de amigos. Patricia Estrella, sua mãe, uma executiva workaholic, compensa a falta de tempo proporcionando à filha tudo que o dinheiro pode comprar:gadgets de todo tipo, aulas de dança, teatro, inglês e surf, um motorista que a leva para todos os lados e todos os seus desejos atendidos. Gaby é um ser social e a praia de Ipanema é a extensão da sua casa. Tudo parece estar perfeito na festa de final de ano da escola: Gaby é a protagonista da peça de teatro e contracena com o menino mais lindo da 702, o Quinho. É justamente no meio da festa que Gaby fica sabendo que sua mãe recebeu uma proposta de trabalho nos Estados Unidos e que Gaby terá que ir morar na fazenda, no interior do estado, com sua avó paterna, de quem ela mal se lembra. O mundo de Gaby, que ela achava que era perfeito até então desaba quando ela passa de garota de Ipanema a “peixe fora d´água”. Quando chega à fazenda da avó, Gaby acha que seu mundo acabou. Não é fácil para ela se adaptar à vida no campo. Ela estranha tudo: o chão de terra, o sotaque caipira, acordar cedo, comida saudável… e estará sujeita às rígidas regras da avó, Laura Estrella. Além disso, na nova escola ela terá que conquistar seu lugar no grupo já liderado por sua prima Rita de Cássia, a rainha do rodeio mirim, que é voluntariosa e “manda” em todos. “Desconectada” de seus gadgets, Gaby terá que aprender a se reconectar com outras formas de se divertir e passar o tempo. Com as “pirralhos” Juju, Luli e Chiquinho, Gaby terá a oportunidade de resgatar uma parte mais lúdica da infância. Na fazenda, Gaby entra em contato com a música e a memória do pai, que era cantor sertanejo. A música também lhe ensinará a lidar com seus sentimentos e lhe ajudará a se inserir no contexto local.Com a música, Gaby vai achar sua “voz”. A jornada de Gaby no mundo da música a ajudará a se reconectar com sua família, reestabelecendo os laços afetivos com o pai, a avó e a mãe. Ao longo da série, Gaby reconstruirá essas relações com muito conflito, carinho e aprendizado.

revistapontocom  Quem são os roteiristas? Como foi o processo de construção?
Ana Pacheco  
As roteiristas são Carina Schulze, Ana Pacheco, Izabella Faya e Laura Barile. Depois do desenvolvimento inicial da serie, feito por Carina e por mim, adotamos a dinâmica de um writer’s room (dinâmica de trabalho, usada na criação das séries americanas, onde os roteiristas ficam juntos, num mesmo espaço, elaborando o roteiro). No nosso caso, desenvolvíamos os arcos das histórias em conjunto e depois cada uma escrevia um roteiro e depois as outras revisavam e mexiam. Em uma determinada altura realmente foi um trabalho a oito mãos. Fizemos também uma pesquisa de campo numa escola junto aos estudantes para observar como falam e se comportam meninos e meninas, para ver se os diálogos criados estavam dentro da linguagem deles.

revistapontocom  Como se chegou à história da Gaby?
Ana Pacheco  O argumento da série foi criado pela Mara Lobão, da produtora Panorâmica, e pela Carina Schulze, da produtora Chatrone. Partiu-se da ideia de criar uma série infantil que unisse entretenimento de qualidade e música. Pelo que eu sei, o processo de pesquisa foi feito a partir da produção existente para o público infanto juvenil.

revistapontocom  A novela terá quantos capítulos? Estreia quando?
Ana Pacheco  É a primeira novela do Gloob. Tem 52 capítulos e vai ao ar diariamente de segunda a sexta, as 20hs. Estreia dia 14 de outubro. A dinâmica de produção está sendo como a de uma série. Em algum ponto estará sendo produzida e indo ao ar ao mesmo tempo, mas não com a perspectiva de alterar os capítulos.

revistapontocom  Há alguma reflexão que se quer travar com as crianças?
Ana Pacheco  De forma geral, a história carrega valores como ética, solidariedade, respeito às diferenças e a importância da família. No entanto, esses valores não aparecem como “lição”. Isso não quer dizer que não existam situações de conflito, caso contrário não há história. Tais valores, portanto, norteiam o desenvolvimento da história e as resoluções dos conflitos. Do ponto de vista das roteiristas, tentamos sempre trazer estes valores principalmente nas resoluções, porque os conflitos existem na novela como existem na realidade, mas a resolução que é dada a estes conflitos é que é determinante.

revistapontocom  Como encantar as crianças por meio de uma novela? É possível?
Ana Pacheco  Uma boa história sempre prende a atenção e, neste caso, a novela tem a estrutura da Sherazade, nas Mil e uma noites: cada noite você quer saber como continua a história no dia seguinte. Além disso, alguns elementos são muito atraentes na Gaby Estrella: a música, que tem um papel importantíssimo na história. Ela ajuda a contar a narrativa e está sendo cuidada com primor. Tem temas musicais lindíssimos e muitos deles são super “chiclete”. O elenco também é super cativante e o fato de ser composto, na sua maioria, por crianças, também é um fator atraente para as crianças. É uma história de crianças para crianças.

revistapontocom  Como é o processo de escrever para o público infanto-juvenil?
Ana Pacheco  É uma delícia escrever para este público. Eu adoro. Sempre convivi com crianças e a melhor coisa é que a gente não tem vergonha de criar situações engraçadas, aproveitar o olhar fresco das crianças para as coisas. Essa parte é muito divertida. Eu acho que no fundo você tem que ser um pouco criança para escrever para as crianças, curtir entrar nesse universo. O meu filho tem a idade da Gaby e poderia perfeitamente fazer parte desta história. Muitas coisas eu “pego carona” nos papos dele e de seus amigos. E, sinceramente, a nossa maior preocupação é a de contar uma boa história. É uma história bem contada que prende a atenção. Eu me lembro que quando estávamos bem no começo do processo, escrevendo as sinopses, contei a história para minha sobrinha de oito anos. Ela ficou grudada prestando atenção no que eu falava, sem nenhum recurso, nenhuma foto, nenhum vídeo, nada, apenas a história. Acho que esse é um bom começo para tentar cativar o público: contar uma boa história.

revistapontocom  Como é a interação entre as roteiristas e a direção?
Ana Pacheco  A nossa relação com a direção é de colaboração. Tentamos sempre buscar soluções para as limitações de produção e a equipe de direção também. A Carina, que é a coordenadora dos roteiros, sempre que pode vai ao set, mas nem sempre o ritmo louco de produção permite isso.

revistapontocom  O que se espera com a Gaby Estrella?
Ana Pacheco  Que ela encante o público da mesma maneira que encantou  todos os envolvidos no projeto. Estamos todos apaixonados por ela e torcendo para que seja um sucesso e para que possamos seguir contando suas histórias por outras temporadas.

revistapontocom  Qual é o lugar que a ‘novela’ ocupa, hoje, no dia a dia das crianças?
Ana Pacheco  Na minha opinião a TV ainda ocupa um espaço bem grande do lazer das crianças, mas, conforme elas vão crescendo, a forma de ver TV e de consumir narrativas vão mudando. Meu filho atualmente vê tudo pela internet, raramente liga a TV.

RioMarket Jovem

Boa dica para os jovens que têm interesse na área do audiovisual: o Festival do Rio, evento internacional de cinema, vai promover o RioMarket Jovem, uma espécie de incubadora de profissionais do cinema com objetivo de apresentar aos adolescentes o campo do audiovisual e suas profissões (fotógrafo, cinegrafista, figurinista, diretor, montador, produtor, diretor musical, etc.). O projeto é voltado para jovens entre 15 a 21 anos de comunidades do Rio de Janeiro. As inscrições terminam no dia 25 de setembro.

Para participar, os jovens devem se enquadrar nas seguintes características: faixa etária entre 15 à 21 anos, ser morador dos bairros da Saúde, Gamboa, Caju e Santo Cristo e também de outras comunidades da cidade do Rio de Janeiro, e ter interesse em aprender sobre o universo do audiovisual.

Durante o Festival do Rio de 2013, os participantes serão imersos em atividades que proporcionarão o desenvolvimento de habilidades dentro do mercado audiovisual. A proposta é promover uma experiência do primeiro contato com essas linguagens e despertar ou desdobrar o interesse dos jovens por esse mercado de trabalho.

A programação contará as seguintes oficinas: Jovens Jornalistas promovido pela GloboNews; figurino ministrado por Mary Vogt (EUA); design de produção ministrado por John Muto (EUA); roteiro ministrado por Gustavo Martinez (Brasil); direção ministrado por Paulo Fontenelle (Brasil); som ministrado por Zezé d’Alice (Brasil). Além de palestas promovidas pela universidade Full Sail (EUA); pelo MIT Media Lab (EUA); e pelo iFuture com Giuliano Chiaradia (Brasil);
 

Faça a sua inscrição no link: http://tinyurl.com/riomarketjovem

Programação RioMarket Jovem

Sábado, dia 28/09 – Sede do Festival do Rio
10h -Abertura do RioMarket Jovem | Conhecendo o Festival do Rio (CINEMA)
13h00 – CineEncontro (CINEMA/CINEENCONTRO)
15h45 às 16h45 – Sessão com o diretor de fotografia Matthew Libatique (SALA 1)

Domingo, 29/09 – MAR e Sede do Festival do Rio
10h – 12h – Workshop de Direção – Paulo Fontenelle (Sala a confirmar)
Deslocamento
13h00 – CineEncontro (CINEMA/CINEENCONTRO)

Segunda-feira, dia 30/09 – Sede do Festival do Rio
10h às 12h45 – Design de Produção com John Muto (CINEMA)
15h00 – CineEncontro (CINEMA/CINEENCONTRO)

Terça-feira, dia 01/10 – Sede do Festival do Rio e MAR
10h às 12h45 –Workshop de Figurino com Mary Vogt (CINEMA)
Deslocamento
14h30- Workshop de roteiro com Gustavo Martinez (Sala a confirmar)

Quarta-feira, dia 02/10 – Sede do Festival do Rio
15h00- CineEncontro (CINEMA/CINEENCONTRO)

Quinta-feira, dia 03/10 – MAR
14h30 – 17h30 -Workshop de Som – Zeze Dalice  (Sala a confirmar)

Sexta-feira, dia 04/10 – Sede do Festival do Rio
14h às 19h – Workshop  Jovens Jornalistas Globo News (SALA 2)

Sábado, dia 05/10 – Sede do Festival do Rio
15h00- Cinencontro (CINEMA/CINEENCONTRO)

Domingo, dia 06/10 – Sede do Festival do Rio
10h às 17h30 – Workshops FULL SAIL UNIVERSITY (SALA 1)

Segunda-feira, dia 07/10 – Sede do Festival do Rio
11h15 às 17h30 – Apresentação MIT MEDIA LAB (SALA 1)

Terça-feira, dia 08/10 – Sede do Festival do Rio
13h00 – CineEncontro (CINEMA/CINEENCONTRO)
17h45 às 18h45 – Workshop de Ifuture com Giuliano Chiaradia (SALA1)

Quarta-feira, dia 09/10 – Sede do Festival do Rio
15h00 –  CineEncontro (CINEMA/CINEENCONTRO)

Quinta-feira, dia 10/10 – MAR
10h00- Encerramento do RioMarket Jovem (Sala a confirmar)

 

 

Uma aventura e tanto

Por Artur Melo, 10 anos
Aluno do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Uma vez, andando de lancha com os meus pais, já estávamos em alto mar, quando, de repente, as nuvens ficaram escuras, raios e trovões cobriram o céu e um furacão tomou conta do mar. O que será de nós? Pensei. Meu pai tentou voltar, mas não dava porque um dos raios tinha acertado a pontinha da lancha e o furacão a puxava. Horrível sensação de “estamos fritos!”.

Acordei! Estava deitado na areia de uma praia, mas nem sinal dos meus pais. Pensei, então, que eles estivessem do outro lado da Ilha e fui procurá-los. O lugar era todo cheio de pedras. Avistei uma caverna lá longe. Fui me aproximando e consegui chegar, por sorte ou azar, não sei.

Entrei, dei de cara com um esqueleto e, em cima dele, uma mochila. Dentro dela tinha corda, canivete, lanterna etc. Fiquei com a lanterna e continuei andando até que reencontrei a saída, mas nada adiantou. Pânico!!! No exato momento, um raio caiu em cima da tal saída. Todas as pedras desabaram, fechando a passagem. Mas havia esperança: a caverna era grande, poderia ter uma outra saída, se eu tivesse sorte.

Saída não, mas quatro buracos na parede. Precisava chegar a um algum lugar. Então entrei pelo último buraco da direita. Acendi a lanterna do Sr. Esqueleto. Comecei a andar pelo buraco. De repente, uma placa velha avisava: “cuidado”. Na hora não entendi, mas bastou um olhar para baixo, vi um enorme penhasco, me assustei e, desajeitado, acabei caindo.

Submergi com a queda. Fui ao mais fundo dos fundos, nadava, nadava, não aguentava mais prender a respiração. Quase morto, meio tonto, talvez desmaiado, fui parar em terra firme, não sei como. O lugar era escuro, fechado. Escutava um bater de asas forte se aproximando, não sabia se estava ouvindo coisas demais. Não tive muito tempo para pensar em nada, algo me pegou, e já não sentia mais os meus pés no chão. Não conseguia enxergar nada, até que me soltaram. Fechei os olhos rapidamente. Quando abri já estava em uma floresta majestosa, com vulcões e muita natureza.

Fantástico! Os animais pequenos ficavam grandes e os grandes ficavam pequenos. Aquilo me distraiu até que vi uma serpente gigante e me dei conta que estava pisando em seus ovos. Imaginei a sua fúria, saí correndo sem parar, me escondendo entre cogumelos gigantes e outras plantas. Agora, sim, por sorte, certamente, vi uma abelha e pulei em cima dela. Saí voando!

Sobrevoando! Que alegria avistar os meus pais lá embaixo, desci com abelha até eles, desta vez, nada de ser jogado. A abelha era gigante, mas delicada e bondosa. Quando pousei, eles ficaram falando todas aquelas coisas de pais preocupados. Depois, subimos os três na abelha, já amiga a essa altura, que nos levava delicadamente por entre as maravilhas daquela floresta encantadora. Passávamos perto de um vulcão, quando ele entrou em erupção. Gotas de lava bateram na asa da minha amiga. Ela caiu, mas delicadamente, um buraco roxo, meio azulado piscando foi se aproximando. Caímos, adormecemos.

Acordamos. E, voltamos ao começo, estávamos na praia, de onde saímos com a lancha, onde tudo começou.

Para instigar, encantar e provocar

 Por Marcus Tavares

Começa nesta quinta-feira, dia 19 de setembro, a 11ª edição do Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens, que estará em cartaz, no Rio, até o dia 29 do mesmo mês. Trata-se de um evento que reúne diferentes artistas e linguagens de vários cantos do mundo com o objetivo de instigar, encantar e provocar. “Do bebê ao idoso”, completa a autora, atriz e diretora Karen Acioly, coordenadora e idealizadora do festival.

Em entrevista à revistapontocom, Karen explica que o encontro, ao longo dos anos, vem proporcionando a descoberta de novas composições de linguagens, conexões e parcerias. “Como o público cresceu e, como acompanhamos esse público, temos espaço também para as coisas que ainda não têm nome, como é o caso do skate misturado ao cinema, no Push in FIL ou o caso da Mostra de óperas infantis, inédita até então em nosso país”, destaca.

Confira a programação na página do FIL no facebook

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – O que é exatamente o Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens?
Karen Accioly – O FIL nasceu da vontade de abrir as janelas do imaginário, criando pontes com mundos desconhecidos. Percebi que não havia, em nossa cidade, um pólo convergente de fomento à criação artística e à difusão das artes “harmonizadas”. Tive a vontade, então, de criar esse ‘lugar”, que pudesse entender a importância  de estimular o imaginário em qualquer lugar onde ele quisesse se manifestar e pra todo o mundo, unindo públicos e criando pontos de contato entre culturas tão diferentes. Chegamos à edição deste ano, apresentando 22 espetáculos, sete mostras, duas exposições, além das atividades formativas. Mas mais importante do que o número de atrações em si, é como essas atrações serão desenvolvidas. O FIL é um festival multidisciplinar, de acolhimento e transbordamento.

revistapontocom – Então o FIL pretende promover a integração e criatividade?
Karen Accioly – Sim. A ideia é unir e potencializar processos criativos que normalmente não têm espaço para se desenvolver. A proposta é sensibilizar, formar massa crítica e inventiva. Oferecer um cardápio variado para isso e para todos os públicos, do bebê ao avô. A meta é possibilitar que o público entre em contato com as suas emoções e sensações para potencializar o contato com o outro.

revistapontocom – O FIL então está intimamente ligado ao cenário contemporâneo midiático e colaborativo em que vivemos hoje?
Karen Accioly – No FIL, você pode estar em contato tanto com a cultura tradicional quanto com os dispositivos mais avançados da nova tecnologia. Veja por exemplo a programação deste ano: temos desde o Luiz Carlos Vasconcellos, com o seu tão genial e tradicional palhaço Xuxu ao teatro digital com dança escalada do espetáculo Suspend’s. Como o público cresceu e, como acompanhamos esse público, temos espaço também para as coisas que ainda não têm nome, como é o caso do skate misturado ao cinema, no Push in FIL ou o caso da Mostra de óperas infantis, inédita até então em nosso país.

revistapontocom – O que o Festival pode proporcionar às crianças e jovens?
Karen Accioly – Um convite a entrar em diversos mundos e viver muitas aventuras. Desde as mais arriscadas às mais suaves experiências. O FIL tem espetáculos sutilíssimos, profundamente tocantes e outros tão grandes e fascinantes. O FIL pode proporcionar novas curiosidades e muitas descobertas.

revistapontocom – Quais os destaques da edição deste ano?
Karen Accioly – O FIL é quase matemático; “o todo sem a  parte não é todo”, mas cada parte tem seu charme. Para que não se diga que estou fugindo da pergunta, faço um exercício aqui: se você tem uma família com um bebê , dois filhos de 5 e de 14 anos, pais e um avô, diria que há programação para todo mundo. Para o bebê, por exemplo: Songs from above (Dinamarca), Flots (Quebec), Meu jardim (Brasil), A Bailarina (Brasil), Edredon (Quebec), Wind (Dinamarca), só para citar alguns. Para o filho de cinco anos: Silêncio total vem chegando o palhaço, Sienta la cabeza (Espanha), Pequena coleção de todas as coisas (RJ/BR) , Mozart Moments, A princesa e o herói (SP/BR), Mostra Comkids. Para o adolescente de 14: Push in FIL (RJ/BR), Mostra FIL novas bandas, Mostra FIL de circo, Mostra Fina, Sozinha na minha pele de asno, mostra Rafucko. Já para os pais: todas acima (acompanhando os filhos) e mais: Post (FR), Suspend’s (FR), Sozinha na minha pele de asno (FR), Expo Infâncias, mesas-redondas, Expo minorias, Vagabundo. Para os avós: Expo Infâncias, Mozart moments, Suspend’s, Silêncio total, vem chegando o palhaço, Sienta la cabeza, Vagabundo. Dica: conheça e vá também no que você nunca conheceu ou viu! Essa é a ideia principal do FIL.

Eletroeletrônicos fora das salas

Está em tramitação na Assembleia Legislativa da Bahia o Projeto de Lei nº 16.724/2007, do deputado João Carlos Bacelar, do PTN, ex-secretário municipal de Educação, que tem o objetivo de proibir o uso de dispositivos eletroeletrônicos nas escolas do estado, pública ou privadas. De acordo com o texto do projeto, “a regra valerá para celulares, câmeras digitais, tablets, notebooks e aparelhos reprodutores de som e vídeo, a menos que sejam usados para fins pedagógicos”.

Somente na capital baiana, há 463 escolas da rede pública municipal, 220 privadas e 44 da rede pública estadual. Cerca de 200 mil alunos fazem parte da privada. Na rede municipal, são cerca de 146 mil alunos. Na estadual, o quantitativo chega a 1 milhão.

Representantes do colegiado de cultura digital da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia divulgaram, há alguns dias, um manifesto de repúdio ao Projeto de Lei. Segundo o grupo, formado por especialistas e professores, como Lynn Alves, Mary Sales, Nelson Pretto e Obdalia Ferraz, “proibir a utilização dos dispositivos móveis no ambiente escolar é negar às crianças e aos adolescentes o exercício da autonomia, da liberdade, da escolha e o desenvolvimento da maturidade necessária, que dê condições as esses sujeitos de identificar os espaços e tempos produtivos destes artefatos culturais, os quais têm um grande potencial pedagógico, visto que podem contribuir, diretamente, nos processos de construção e difusão do conhecimento”.

Os interessados em apoiar esse movimento contrário ao PL podem enviar um e-mail para lynnalves@gmail.com afirmando que concordam com o teor da carta aberta ou podem ainda assinar a petição on-line.

Leia, abaixo, o manifesto na íntegra:

Salvador, 11 de setembro de 2013
À Assembleia Legislativa do Estado da Bahia

Estamos acompanhando, através da mídia, a tramitação, nesta Assembleia, do Projeto de Lei (PL) 16.724/2007, de autoria do deputado João Carlos Bacelar (PTN), que visa proibir o uso de dispositivos eletrônicos durante as aulas.

Embora o referido projeto faça a ressalva de que estes dispositivos possam ser usados para fins pedagógicos, nós, representantes das Instituições de Ensino e Pesquisa do Estado da Bahia, responsáveis pela formação dos professores que atuam na rede pública e privada, e que, ao longo dos últimos vinte anos, desenvolvemos pesquisas, formamos e criamos espaço para debate e discussão acerca da importância das tecnologias, especialmente as digitais e telemáticas, para formação dos estudantes, vimos, juntamente com a sociedade civil, nos posicionar contrários ao proposto nesse Projeto de Lei.

Assim nos posicionamos, por entendermos que estes agenciamentos sociotécnicos podem se constituir em espaços/recursos de aprendizagem que poderão potencializar o desenvolvimento de competências comunicativas dos sujeitos em formação, bem como suas habilidades cognitivas, sociais, afetivas, as quais têm sido ampliadas, agora, pelos dispositivos móveis.

Os dispositivos móveis estão presentes no cotidiano de crianças, adolescentes e adultos, constituindo-se em espaços para comunicação, entretenimento, aprendizagem e geolocalização, podendo, desse modo, possibilitar a emergência de novas culturas e novas práticas pedagógicas na sala de aula.

Considerando essas possibilidades, a escola não pode se fechar para o que acontece ao redor do mundo e, mais uma vez, ficar alheia aos desejos e demandas dos seus estudantes. Ao contrário, o espaço escolar precisa ser ressignificado, mudando sua forma de ensinar para que professores e alunos possam acompanhar as mudanças sociais. Portanto, atentos às atividades cotidianas dos alunos com o uso do celular, os docentes precisam, ao invés de abominá-los, enfrentar o desafio de ensinar com esses recursos tecnológicos digitais, na intenção de atrair a atenção de seus alunos, tornando o ensino mais lúdico.

Compreendemos que é fundamental estabelecer limites de uso desses dispositivos em determinadas situações de aprendizagem; esses limites serão aprendidos e internalizados a partir da mediação dos adultos, sejam os pais ou os professores que, juntamente com os estudantes, devem construir sentidos para o uso dessas tecnologias, identificando os seus potenciais, bem como os espaços e tempo para interação, os limites em relação a esse uso, de forma responsável e dialogada.

Proibir a utilização dos dispositivos móveis no ambiente escolar é negar às crianças e aos adolescentes o exercício da autonomia, da liberdade, da escolha e o desenvolvimento da maturidade necessária, que dê condições as esses sujeitos de identificar os espaços e tempos produtivos destes artefatos culturais, os quais têm um grande potencial pedagógico, visto que podem contribuir, diretamente, nos processos de construção e difusão do conhecimento.

Oportunamente, é importante lembrarmos que, dentre as ações do MEC, estão as distribuições de tabletes para a rede pública, a fim de possibilitar aos alunos e professores a interação com aplicativos, jogos, web, e-book, enfim, uma diversidade de linguagens com o objetivo de mediar a aprendizagem. Essas ações já foram iniciadas em Salvador, desde de 2012, através do Núcleo de Tecnologia Educacional 17, da Secretaria Municipal da Educação, estando, inclusive, presentes nas classes hospitalares.

Os dispositivos estão aí, não podemos negar o seu potencial, não podemos proibir a interação dos sujeitos com tais aparatos, assim como não podemos negar que a educação, na sociedade atual, transcende os muros da sala de aula e se abre para as linguagens e as práticas do mundo contemporâneo. Temos, sim, que educar os sujeitos para (re)significar os melhores tempos e espaços de interação, e isso é papel, também, da escola.

Temos que repensar o enfoque até então dado ao processo ensino-aprendizagem e à formação docente, buscando consolidar ou redimensionar perspectivas e práticas. Temos, por fim, que problematizar, refletir, investigar e interpretar o uso desses dispositivos sociotécnicos, além de viabilizar ações que estabeleçam uma aproximação entre educação e as necessidades e expectativas dessa sociedade que, dinâmica e sob influências de várias naturezas, também se encontra em processo de digitalização.

O Projeto de Lei (PL) 16.724/2007, nega isso à escola e aos atores que constroem, diariamente, o fazer pedagógico. Colocamo-nos, portanto, à disposição para um debate mais aprofundado sobre o tema.

Atenciosamente,
Representantes do colegiado de cultura digital da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia

V Encontro Brasileiro de Educomunicação

Por Marcus Tavares

O V Encontro Brasileiro de Educomunicação, realizado entre os dias 19 e 21 de setembro, reúne cerca de 130 especialistas e profissionais da área de educação e comunicação. O objetivo é discutir o tema Educação midiática e políticas públicas. De acordo com Ismar Soares, coordenador-geral, os debates “buscam identificar e valorizar os esforços do sistema público de ensino e da iniciativa privada no sentido de pautar a relação entre o universo educacional, formal e não formal, e o sistema midiático, em benefício do protagonismo do público consumidor, capaz de dialogar e construir suas próprias pautas de comunicação”.

saiba mais sobre o evento

Promovido pelo Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP e pela recém-criada Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais da Educomunicação e da Licenciatura em Educomunicação da ECA/USP, o encontro é composto por quatro mesas redondas, 20 painéis, sete grupos de relatos de experiências e mais quatro sessões de oficinas. Tudo documentado por crianças e adolescentes, como conta o professor Ismar Soares, em entrevista à revistapontocom..

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Os encontros brasileiros de educomunicação têm se transformado, ano após ano, numa espécie de ágora, reunindo pesquisadores, especialistas e professores da área da mídia, da infância, da educação e de áreas afins. A que se deve tal movimento?
Ismar Soares – Entendo que a acolhida que os encontros de educomunicação vem recebendo por parte de especialistas e gestores públicos de áreas afins deve-se à própria natureza interdisciplinar do conceito. Seu foco é a interface comunicação/educação em toda a sua complexidade. No V Encontro, por exemplo, o tema da educação midiática, entendido como de interesse específico dos que, no espaço da educação, desenvolvem projetos ou pesquisas no âmbito da educação frente à mídia, é abordado por um grupo de 130 especialistas das mais diferentes áreas do saber, que vão do direito à política, da psicologia à sociologia crítica, da pedagogia por projetos à gestão comunicativa, passando pela mobilização comunitária em torno da construção de políticas públicas voltadas à mudança radical no modo de se conceber as relações de comunicação no interior dos sistemas educativos. É o que propõe por exemplo, o guia pedagógico do macrocampo “comunicação e uso de mídias”, proposto pelo MEC, no Programa Mais Educação.

revistapontocom – O senhor poderia traçar uma linha histórica temática dos encontros?
Ismar Soares – Falamos em sete anos, pois o I Encontro Brasileiro de Educomunicação ocorreu em maio de 2007, numa parceria entre o NCE da USP e o Grupo Estado, no contexto da publicação de uma página semanal no “Jornal da Tarde”, abordando temas do currículo do Ensino Fundamental a partir da perspectiva educomunicativa (80 dessas produções, de página inteira, foram veiculados aos domingos, entre 2006 e 2007).  Já o II Encontro  (agosto de 2010) visava apresentar ao público os primeiros cursos de graduação em Educomunicação aprovados por universidades brasileiras: a Licenciatura em Educomunicação da ECA/USP e o Bacharelado em Educomunicação da UFCG. O evento discutiu, entre outros temas, o perfil do profissional a ser formado. O III Encontro, ocorrido nos primeiros dias de dezembro de 2011, teve como tema “Uma década de Educomunicação”, fazendo alusão à consolidação do conceito ao longo dos primeiros dez anos do século XXI. O IV Encontro, em outubro, de 2012, centrou-se no tema: “Protagonismo sem Fronteiras”, analisando, com a presença de especialistas de todo o país, o reconhecimento que o conceito e sua prática haviam obtido na América Latina e mesmo na África (com destaque para Burkina Fasso e Guiné Bissau), por obra de organizações da sociedade civil e da universidade. Circulou neste evento a informação de que a CAPES havia registando a produção, no Brasil, de 85 pesquisas de mestrado e doutorado relativas à Educomunicação. Finalmente chegamos ao V Encontro que volta-se ao tema educação midiática – uma das práticas em que o educomunicador se envolve em seu cotidiano – buscando identificar e valorizar os esforços do sistema público de ensino e da iniciativa privada no sentido de pautar a relação entre o universo educacional, formal e não formal, e o sistema midiático, em benefício do protagonismo do público consumidor, convertido, mediante uma gestão compartilhada e democrática da novas mídias, em público socialmente capaz de dialogar e construir suas próprias pautas de comunicação.

revistapontocom – O V encontro consagra, então, um amadurecimento das discussões de educomunicação no Brasil?
Ismar Soares – Há 17 anos que o NCE/USP vem articulado pesquisa e extensão cultural, tendo promovido eventos anuais (congressos, simpósios e, finalmente, encontros nacionais) com a explícita intenção de oferecer espaços de diálogo entre as diferentes correntes de pensamento ou metodologias de ação em torno que denomina como “interface comunicação/educação”. No caso, os eventos se constituem em pista de mão dupla: difusão e acolhida de informações e experiências. Não restam dúvidas de que tais eventos contribuíram decisivamente para um amadurecimento das discussões sobre educomuncação. Em seu  livro Media Education, key concepts, perspectives, dificulties and main paradigms, o pesquisador indiano Devadoss Joseph Sagayaraj considera, por exemplo, que coube ao NCE/USP a realização de um dos quatro eventos mais importantes, em nível internacional, sobre o tema da educação midiática, na década de 1990. Referia-se ao Congresso Internacional sobre Comunicação e Educação, realizado em São Paulo, em maio de 1998, onde pela primeira vez se fazia uso do conceito da educomunicação para designar uma forma particular de se entender as relação comunicação e educação a partir não exatamente da educação (media education) ou da comunicação (comunicação educativa), mas de uma perspectiva singular engendrada no movimento social latino-americano que trazia para o cotidiano das comunidades a perspectiva do agir comunicativo como ação fundante do estar no mundo e do construir o mundo, segundo Paulo Freire. Nesse sentido, a cada novo encontro, novos pilares conceituais são explicados e novos atores são envolvidos nesse contínuo processo de construção teórica e metodológica.

revistapontocom – Qual o grande diferencial do evento deste ano?
Ismar Soares – Em 2013, estamos privilegiando o que denominamos como a “área da educação para a comunicação”. Chamamos para o debate os sujeitos sociais que estão no processo: a mídia, o sistema educacional público e privado, as organizações sociais, os pesquisadores, os protagonistas das ações, sem esquecer dos parceiros maiores desses processos que são os adolescente e jovens, incluindo um grupo de crianças da nação Guarani que produz rádio e vídeo na defesa de seu meio ambiente, nos sopés do Pico do Jaraguá, na periferia de São Paulo. Somamos, pois, a ação afirmativa dos promotores, o pensamento crítico dos pesquisadores e prática afirmativa das novas gerações. Durante o evento, um grupo de 50 adolescentes de diferentes procedências fará a cobertura educomunicativa, dialogando com as autoridades e os expositores.

revistapontocom – No atual contexto, e com todo o amadurecimento das discussões e pesquisas, como podemos definir o campo da educomunicação?
Ismar Soares – Definimos a educomunicação como um práxis social, na interface comunicação/educação, em permanente diálogo com os campos dos quais se origina. Em termos acadêmicos, como um paradigma orientador de ações coletivas na busca permanente da ampliação do coeficiente comunicativo das ações educativas, garantidor das condições para uma aprendizagem fundamental: aquela que dá legitimidade ao pleno exercício da expressão, independentemente dos condicionantes de idade, situação econômica, status social, entre de tantos outros elementos de exclusão. Em confronto com o funcionalismo hegemônico da comunicação comercial e com o iluminismo pouco disfarçado da educação tradicional, a educomunicação se coloca como um espaço articulador de ações voltadas a um diálogo comunicativo intransigente.

Em busca da inovação

Por Marcus Tavares

No competitivo mercado do Ensino Superior privado brasileiro, como é possível aliar o interesse dos estudantes, a adesão do corpo docente, as parcerias com o mercado e a formação tanto profissional e intelectual? Gestão, prudência, responsabilidade social e boa dose de inovação. Pelo menos é assim que o Centro Universitário Celso Lisboa vem se solidificando nos últimos anos. Com 42 anos de existência e, hoje, oferecendo 14 cursos de graduação e seis na pós-graduação, o centro vem crescendo não apenas em números, mas em qualidade, com o objetivo de se tornar referência no ensino de saúde e bem estar. Como afirma o diretor executivo, Alexandre Mathias, transformando-se “na melhor escola da Zona Norte do Rio”.

Para alcançar tal meta, não faltam esforços. Depois de uma recente reestruturação administrativa, a instituição investe agora numa reformulação metodológica do ensino, construída em conjunto com os professores, visando à constituição de profissionais – docentes e discentes – competentes e seguros para atuar no mercado. Profissionais também, e acima de tudo, autônomos, críticos e empreendedores. “É o jeito Celso de ser, de fazer, de promover e de investir. Estamos trabalhando para isso. Foi, inclusive, com este foco que, no início deste ano, a instituição lançou o projeto Transformação 3.0, em parceria com o planetapontocom”, afirma Mathias.

Em entrevista à revistapontocom, o diretor executivo conta detalhes do projeto, divulga outros planos da instituição, analisa o mercado educacional do Ensino Superior e relembra a trajetória da instituição.

Acompanhe:

revistapontocom – Em meio a um competitivo mercado de Ensino Superior privado brasileiro, onde muitas instituições enfrentam, inclusive, dificuldades de gestão, onde encontra-se o Centro Universitário Celso Lisboa?
Alexandre Mathias – Estamos numa situação bem equilibrada. Desde o segundo semestre de 2010, a instituição está sendo gerenciada pela Comatrix, empresa de gestão empresarial, que trouxe um olhar mais profissional para a unidade. O cenário do Ensino Superior particular brasileiro mudou. As instituições há algumas décadas tinham muito mais demanda do que oferta, mais estudantes do que vagas. Mas nos anos 90, essa realidade começou a inverter. O mercado começou a oferecer mais vagas do que a demanda que existia. Algumas instituições perceberam o novo cenário e enxergaram que era preciso assumir um processo de atuação comercial, de captação de estudantes. O jogo havia mudado, embora muitas instituições ainda tivessem – e ainda tenham – certo preconceito em ‘vender educação’. Foi exatamente este preconceito, essa falta de gestão empresarial, que levou algumas a enfrentarem problemas financeiros. Vivemos, hoje, um cenário bastante complexo. De um lado, aumento da oferta de vagas e estabilização da demanda, da procura. De outro: um despreparo de gestão empresarial. Soma-se a isto um marco regulatório, trazido pelo Ministério da Educação (MEC), que estabelece regras e normas para um setor que era bastante complexo. Era de fato um setor de concessões, de muitas entidades filantrópicas, geridas por famílias. Se pegarmos a história, veremos que muitos fundadores destas instituições ou eram políticos ou educadores, com pouco olhar profissional. Um cenário bem característico do contexto da cidade do Rio de Janeiro. Na verdade, esta é a história do próprio Centro Universitário Celso Lisboa. A diferença é que as mantenedoras, Karina Lisboa e Ana Carolina Lisboa, que herdaram a instituição, tiveram a visão e a coragem de tentar reverter este processo. Já no primeiro ano de trabalho, junto à Comatrix, foi possível recuperar administrativamente e financeiramente a instituição que passava dificuldades. Hoje, a situação é saudável, o que nos permite então pensar no futuro, em questões que são, de fato, relevantes para a perpetuidade de uma instituição de Ensino Superior: investir no desenvolvimento do corpo docente, envolvendo-o na gestão, e atender da melhor forma possível os estudantes. Este é o nosso foco há um ano. Funcionamos num só campus, localizado em Sampaio, Zona Norte do Rio. São 14 mil m², com uma capacidade para atender sete mil estudantes. Contamos hoje com 4,5 mil alunos. Ou seja: temos um grande potencial para crescer, mas faremos isso de forma consciente, não atabalhoada, para que o nosso trabalho tenha perpetuidade e os processos funcionem adequadamente.

revistapontocom – Como se deu, na prática, este processo de reestruturação administrativa/financeira?
Alexandre Mathias – A Comatrix trouxe um olhar de gestão, controle, planejamento e governança. Trouxemos para o centro as melhores práticas de gestão que são possíveis de serem implantadas em empresas, sejam com ou sem finalidades educativas. São modelos de gestão que vêm sendo aplicados no mercado. A Celso Lisboa é, hoje, uma empresa que tem uma modelagem, tem um modelo de gestão implementado que traz resultados positivos para a sustentabilidade da própria empresa.

revistapontocom – Isso envolve também a área acadêmica?
Alexandre Mathias – Na área acadêmica, começamos a transformação há cerca de um ano. Fizemos uma revisão de todos os cursos, de todas as grades, com o objetivo de unificar os currículos. Ao mesmo tempo, fomos ouvir o mercado no sentido de perceber que profissional as empresas estão buscando. Investimos também nos processos internos com o objetivo de atender os requisitos regulatórios do Ensino Superior, muitas vezes desafiadores para uma instituição pequena/média como a nossa. Isso envolve, por exemplo, um número de professores, a titulação do corpo docente, o estabelecimento do Núcleo Docente Estruturante (NDE). Aos poucos, vamos avançado neste sentido. Temos buscado também, em outra ponta, qualificar a infraestrutura da unidade, renovando a biblioteca e os laboratórios, bem como estabelecendo parcerias estratégicas. O curso de Estética e Cosmética tem um trabalho integrado com a Matriz, marca do grupo L’Oreal, líder em produtos capilares profissionais. Temos um salão de beleza no nosso campus para as aulas práticas.  Firmamos uma parceria entre a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e o curso de Educação Física, onde os alunos também têm aulas práticas na Escolinha de Futebol do Flamengo. Acabamos de fechar outra parceria com a Mangueira do Amanhã, por meio do qual nossos alunos de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Psicologia acompanharão o dia a dia das crianças e adolescentes que treinam no espaço. E na área da saúde, estamos assinando um convênio provavelmente com a Santa Casa para a instituição se tornar o nosso hospital escola. Como um segundo grande movimento, investimos também, em paralelo, na recepção/acolhimento do corpo discente. Sabemos que o nosso aluno tem dificuldades de aprendizagem. Ele chega aos cursos com deficiências. Não adianta reclamarmos. Nosso desafio é ajudá-lo nesta chegada e fazer com que o processo de ensino e aprendizagem seja o menos traumático possível, para que ele consiga superar os possíveis entraves. Creio que a dificuldade de aprendizagem é o grande responsável pela evasão no Ensino Superior. Neste sentido, as instituições não podem se afastar dos estudantes.

revistapontocom – Qual foi a solução encontrada?
Alexandre Mathias – Criamos um projeto de acolhimento. Para ingressar em nossa instituição, o interessado faz uma prova que chamamos de assessment. Por meio dela, temos uma noção das dificuldades que o estudante tem nas áreas de Língua Portuguesa, raciocínio lógico e informática, que são, para nós, as ferramentas chaves para um bom rendimento, desempenho no Ensino Superior. Ao ingressar na instituição, o aluno então tem acesso a um conjunto de oficinas que os ajuda nestes conteúdos. São oficinas que funcionam à distância e presencialmente. São totalmente gratuitas e oferecidas antes mesmo que o estudante inicie o primeiro semestre do curso. Implantamos esta estratégia no início do ano letivo de 2012. Já podemos observar mudanças. Os alunos que passaram pelas oficinas têm um rendimento maior daqueles que não frequentaram. Mas não é só isso. Além das oficinas, oferecemos também as disciplinas de reforço e um programa de monitoria. Identificamos nos cursos um conjunto de disciplinas que reprova mais do que as outras. Para estas, oferecemos aulas de reforço e o apoio dos monitores. As aulas acontecem regularmente durante o semestre. São mudanças e atividades propostas que têm muito a ver com nossa cultura, como nosso corpo discente, que em alguns casos está muito tempo longe dos estudos. Procuramos achar o nosso jeito Celso de ser, de fazer, de promover e de investir.

revistapontocom – É daí que surge o projeto Transformação 3.0?
Alexandre Mathias – Sim. Para complementar todo esse processo, criamos o programa Transformação 3.0, que visa à transformação da área da didática para criar um jeito Celso Lisboa de acolher o aluno, de cuidar do aluno e de fazer o processo de transformação deste aluno. O programa envolve todos os funcionários da instituição, sem exceção. Da área administrativa à acadêmica. É este projeto que está sendo trabalhado em parceria com o planetapontocom e que já traz frutos positivos, direto e indiretos.

revistapontocom – Por exemplo?
Alexandre Mathias – Conseguimos montar uma matriz de competências do corpo docente e administrativo, a partir da qual vamos trabalhar o desenvolvimento de cada profissional, com um olhar de transdisciplinaridade e de mídia e educação, na perspectiva de nos colocarmos no lugar do aluno para melhorar o processo de ensino e aprendizagem. Acreditamos e investimos muito no trabalho da educação por evidência. Isto vale para qualquer tipo de educação, mas para o nosso corpo discente é uma necessidade. O que ensinamos na sala de aula tem que ter a ver, tem que fazer sentido, com a realidade de vida do aluno. Caso contrário, ele não consegue estabelecer pontes. Estamos, neste sentido, usando os recursos da mídia e educação para fazer estes links. Todo este processo está sendo elaborado, produzido com os professores. É uma construção coletiva de um novo jeito de ensinar e aprender no Ensino Superior, de uma nova metodologia e competência. Nada é imposto, mas construído. Não conheço instituição de Ensino Superior que esteja fazendo isso. Trata-se de um legado que ficará para sempre com a instituição no sentido de envolver o corpo docente nesta construção de forma ativa, ouvindo e dialogando. O retorno tem sido bem bacana.

revistapontocom – Isto é o que significa inovação para o Celso Lisboa?
Alexandre Mathias – Sem dúvida. Estamos tentando inovar. E essa inovação é bastante corajosa. Sabemos onde queremos chegar, mas às vezes, não o caminho. E isto tem uma grande vantagem: torna o processo mais desafiador e ao mesmo tempo envolvente. Com este projeto estamos trabalhando com os professores, mas o foco são os estudantes. Os estudantes de um novo Ensino Superior brasileiro que não é mais de elite. A fotografia do Ensino Superior é outra. Com receio de errar, arrisco dizer que 45% dos estudantes que estão no Ensino Superior recebem de meio a um salário mínimo e meio por mês. Há muitos que se encontram para baixo desta faixa e poucos acima. A realidade é diferente de décadas anteriores. Fico assustado ao perceber que alguns professores não têm este tipo de informação, que não entendem esta nova realidade e o novo papel que têm neste cenário. Muitos fazem mestrado/doutorado e dão aulas como se fosse para seu colega de turma da pós-graduação. É outro momento. Portanto, é preciso envolvê-los. O professor é, sim, a peça chave neste, e em qualquer outro, processo de transformação. Acho que o professor nunca foi tão importante no atual cenário brasileiro. Temos hoje a desafiadora tarefa de transformar milhões de pessoas. Precisamos ampliar o acesso ao Ensino Superior. Sete milhões é um número pequeno. É preciso formar mais pessoas e melhor. Vivemos hoje um problema de qualificação da mão de obra, não de emprego. Neste sentido, temos que encontrar, promover e aplicar soluções para qualificar tanto os professores quanto o ensino e consequentemente os estudantes. Cabe a nós, gestores destas áreas, trabalhar com este objetivo. Perdemos o estudante no Ensino Médio e continuamos perdendo no Ensino Superior, repetindo os mesmos erros. A inovação, no meu entendimento, é quebrar padrões, metodologias. É ter vontade de fazer melhor e diferente. É buscar o diálogo, pessoas dispostas a navegar, às vezes no escuro, e a correr riscos com a meta de acertar e promover mudanças positivas.

O jornal daqui a 50 anos

Como será o jornal daqui a 50 anos? Mais de 300 crianças de São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Minas Gerais e de outros Estados toparam o desafio e participaram do concurso de redações da “Folhinha”, suplemento infantil do jornal Folha de S. Paulo, cujo resultado foi publicado na última edição, sábado dia 8 de setembro. Os textos foram publicados com ilustrações, produzidas por Laerte, Adão e Pedro C., que fazem os quadrinhos da “Folhinha”, e por Andres Sandoval, ilustrador da coluna Cafuné. O estudante Ryan, de 10 anos, ficou em primeiro lugar. Sua escola, Dona Antonieta Dias de Souza (MG), onde estuda, receberá 50 livros. Com um texto curto, mas muito criativo, ele imaginou um jornal em formato de garrafa! Confira a ideia dele e dos outros três vencedores:


Ryan Dias Silva, 10 anos
Escola Municipal Dona Antonieta Dias de Souza, em Nova Lima (MG)
Notícias engarrafadas – Na minha imaginação, daqui a 50 anos o jornal será em formato de uma garrafa. E, para você ficar sabendo das notícias, basta beber as informações e ficar por dentro de tudo. A garrafa se recarregará sozinha. Se você não quiser saber das notícias, aperte um botão que ficará do lado do bico. Assim, ela poderá ser usada para tomar água, suco, refrigerante e o que você desejar.


Diego Gonçalves de Paula Mota, 9 anos
Colégio Santa Maria, em São Paulo (SP)
Caixa azul e sanduba ‘itudo’ – Domingo, ano de 2063, o robô-carteiro me dá uma caixa. É azul com detalhes que emitem energia. Pego a caixa e aperto um botão. Aparece um holograma que, quando tocado, mostra o que aconteceu nos dias anteriores. O que é? O jornal da época futurística.Contém cadernos e folhas holográficos, é sensível ao toque, como o iPad, na época já extinto.Os maiores cadernos são os de tecnologia e de cultura. Não há mais histórias em quadrinhos, e sim vídeos. As notícias de esportes estão inovadoras após as estreias dos esportes Space Hóquei e Gravitationbol.O caderno de política informa que a polícia foi eliminada, já que não há mais roubos ou assassinatos. O caderno de tecnologia fala do iPhone 15, do iBook 8 e do iTudo, um sanduíche com chip, que faz com que você tenha a internet na mente ao comê-lo. Tem o caderno de carros, com a nova Ferrari voadora. O jornal é guardado em um chip. Para desligá-lo, aperte o botão azul. Se ficar curioso, espere 50 anos e veja essa maravilha. Até lá!


David Kolar,
9 anos
Colégio Iavne, em São Paulo (SP)
O drible do raio-x na escola – Imagino que, no futuro, o jornal vai estar na sua mente; você vai pedir para aparecer a notícia e um aparelho irá transmiti-la ao seu cérebro. Para evitar que as crianças entrem na escola e comecem a ouvir o jogo de futebol, elas terão que passar por uma máquina do tipo raio-X, para ver se estão com o jornal eletrônico. Poderíamos imaginar a seguinte história: Certa vez, um menino chamado Michel ganhou um jornal de presente e queria levá-lo à escola, mas não sabia como fazer isso sem que ninguém descobrisse. Percebeu que alguns alunos levavam o jornal escondido. Descobriu que as crianças de até cinco anos não tinham que passar pelo raio-X, e que alguns alunos mais velhos pediam para o irmão menor levar o jornal na mochila.Michel era filho único e por isso começou a pedir para o irmão de seu amigo levar seu jornal. Assim, ouvia o jornal durante as aulas e, no recreio, contava aos amigos. Todos adoravam ficar por dentro das últimas notícias!

 


Isabela Parizotto Caramico e Lívia Betito
, 12 anos
Colégio Bandeirantes, em São Paulo (SP)
Repórter teletransportado – Oito horas após o amanhecer, o homem acorda, desce as escadas, senta-se em sua cadeira e toma o seu café. Sua mulher entrega-lhe uma placa fina, pequena, lisa, branca e leve, em cujo centro há um círculo como um olho. Aquele é o jornal. Em um instante, do centro da placa sai um holograma com a forma de um jornal de papel. Rapidamente, o homem passa seus olhos atentos por fileiras de letras que se encolhem ou aumentam ao seu chamado. Após alguns minutos, o homem faz um suave movimento, virando a página do jornal holograma. Mal sabia ele como fora feito. Dois dias antes, um jornalista havia se teletransportado para a Austrália para escrever sobre uma catástrofe com jatos particulares. Para isso, reviu em três dimensões a tragédia em um vídeo. Então, no seu português mais polido, descreveu o acontecimento. Assim também foram feitas todas as outras reportagens do mundo moderno, com assuntos inovadores e tecnologia.

Regulação da publicidade de alimentos

O Instituto Alana e a Andi Comunicação e Direitos acabam de lançar o livro “Publicidade de Alimentos e Crianças”, que traz um relato aprofundado das políticas de regulação da publicidade de alimentos no Brasil e no mundo, comparando as iniciativas de diferentes países. O livro foi produzido em parceria com a LIDS, Harvard Law and International Development Society, programa da Universidade de Harvard que promove a pesquisa sobre temas de grande relevância social e que conjuguem aspectos jurídicos, de políticas públicas e de desenvolvimento internacional. O LIDS realizou a pesquisa comparativa de sete países selecionados: Canadá, Austrália, Estados Unidos, União Europeia, Suécia, França, Alemanha e Reino Unido.

Haverá lançamento do livro no dia 12, seguido de debate sobre ética, criança e publicidade,
na Casa das Rosas, localizada na Avenida Paulista, 37, SP.

A publicação, voltada a profissionais de direito e gestores públicos, busca trazer informações para o debate e estimular a adoção de medidas efetivas que protejam as crianças dos efeitos da publicidade de alimentos no país, assim como em outros locais. O livro traz textos e artigos de 11 autores, sendo oito pesquisadores de Harvard. “Conhecer a maneira pela qual outros países vêm lidando com o tema da publicidade de alimentos e de bebidas não alcoólicas é essencial para a construção e efetivação das bases legais brasileiras”, afirma Isabella Henriques, diretora da área de Futuro e Defesa do Instituto Alana, em seu prefácio.

O livro vai ao encontro dos objetivos do Alana e da Andi de promover os direitos das crianças em relação à mídia, embora essa seja uma luta que enfrente diretamente os interesses econômicos das grandes indústrias. Nesse contexto, a publicidade merece destaque, ao impulsionar o consumo excessivo entre todas as gerações e, principalmente, junto às crianças. O foco publicitário no público infantil gera uma preocupação a mais, já que a disseminação de valores consumistas desde a infância forma hábitos que serão levados para toda a vida e, no caso da publicidade de alimentos altamente calóricos e de baixo valor nutricional, chega a ser uma questão de saúde pública, com a difusão de uma verdadeira epidemia de obesidade e doenças crônicas não transmissíveis entre crianças.

Em sua primeira parte, o livro se aprofunda na situação atual do Brasil, as leis em vigor, os acordos de autorregulação, a atual fiscalização dos estatutos em vigência, projetos de lei relevantes e diretrizes normativas. O capítulo aborda ainda os desafios e perspectivas da regulação do setor no país, além da necessidade de uma ação conjunta da sociedade, organizações sociais, escolas, empresas e governos pela proteção da infância.

Além da apresentação e da análise dos exemplos realizados nos países analisados, o livro conta também com uma análise da especialista e professora Corinna Hawkes, que participou do processo de desenvolvimento de políticas públicas de alimentação nos Estados Unidos e foi presidente do Grupo de Especialistas em Marketing de Alimentos para Crianças da Organização Mundial de Saúde. Corinna escreve sobre o marketing de alimentos dirigido ao público infantil no mundo, sobre as políticas que vem sendo criadas sobre o assunto e seus efeitos.