Aplicativos nacionais em smartphones

A partir de 10 de outubro deste ano, os smartphones fabricados no Brasil e beneficiados com desoneração fiscal de PIS/Cofins deverão conter um pacote com pelo menos cinco aplicativos nacionais. Esse número terá de aumentar gradualmente até chegar a 50 aplicativos, em dezembro de 2014. As exigências estão previstas em portaria publicada pelo Ministério das Comunicações, no Diário Oficial da União.

De acordo com a norma, os aplicativos deverão ser disponibilizados em língua portuguesa e possuir indicação livre. Os aplicativos vão incluir diferentes categorias como educação, saúde, esportes, turismo, produtividade e jogos. O Ministério das Comunicações terá de aprovar os aplicativos escolhidos pelos fabricantes, que deverão encaminhar suas propostas ao ministério. A portaria detalha toda a documentação a ser enviada.

Além dos aplicativos obrigatórios, o Ministério das Comunicações também poderá indicar a inclusão de outros apps nacionais. Nesse caso, os aplicativos serão apresentados em posição de destaque e deverão possuir utilidade pública, ser de serviços governamentais ou escolhidos por concurso. O ministério notificará os fabricantes a qualquer momento sobre os aplicativos escolhidos, além de divulgar a seleção na internet. Os fabricantes terão até noventa dias, a partir da notificação, para disponibilizar os aplicativos de utilidade pública e serviços de governo.

A portaria estabelece ainda que os aplicativos nacionais poderão ser oferecidos aos consumidores de diferentes formas: pré-instalados; disponibilizados por meio de guias de instalação (wizards), quando da configuração inicial do aparelho; ou disponibilizados por meio de aplicação dedicada, embarcada, que conterá, em destaque, uma lista atualizável por meio da internet com hiperlinks para download e instalação dos aplicativos.

Origem nacional – A comprovação da origem nacional dos apps poderá ser feita de várias maneiras: registro do aplicativo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI); extrato do relatório de investimento em P&D; laudo técnico emitido pelo fabricante, que ateste o desenvolvimento nacional do aplicativo; ou apresentação de CNPJ e comprovante de endereço da empresa ou CPF da pessoa física desenvolvedora, além de cópia do contrato firmado entre as partes.

fonte – Ministério das Comunicações

 

O lugar da criança na sociedade

Será realizado nos dias 20 e 21 de setembro o I Seminário A Criança e sua Participação na Cidade, que acontecerá no IFCS/UFRJno Rio de Janeiro. O objetivo visa debater a participação da criança, na teoria e na prática, na construção da cidade. Confira a programação:

Dia 20 – Vamos ouvir as crianças?
Neste dia serão propostas mesas com apresentação de trabalhos e grupos de discussão entre os participantes do evento. Também será lançado um caderno de metodologias participativas, produzido pelo Projeto Criança Pequena em Foco. 

Manhã – das 9h30min às 12hs
1) Abertura, com  Karina Kuschnir (LAU/UFRJ), Claudius Ceccon (CECIP), Eduarda La Rocque (IPP) e Angélica Goulart (Sec. Nac. de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente)

2) Mesa: Criança e sua participação na cidade
– Immaculada Prieto – UNICEF
– Angélica Goulart – Sec. Nac. de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente
– Fernanda Muller – UNB
– Beatriz Corsino – CECIP
Moderação: Karina Kuschnir – LAU/UFRJ

Tarde – das 13h30min às 17h30min
3) Mesa: Relatos de experiências 
– Mauro Ferreira – Centro de Educação para o trânsito/CET-RIO
– Nayanna Brettas – PUC/SP
– Pedro Mendes e Clarissa Naback – Vila Autódromo
– Maria Carolina Dysman e Rosane de Oliveira – UPP Social
– Moana Van de Beuque – CECIP
Moderação: Beatriz Corsino – CECIP

Lançamento – 18hs – Vamos ouvir as crianças?: Caderno de Metodologias Participativas do Projeto Criança Pequena em Foco

Dia 21 – Crianças na Universidade
Nesse dia as portas e o espaço do IFCS/UFRJ estarão abertos para crianças de distintos contextos sociais da cidade do Rio de Janeiro. Serão oferecidas atividades com metodologias diversas que visem sua reflexão e participação em questões a ela relacionadas.

Manhã – das 9hs às 13hs
1) Oficinas para crianças e adultos sobre participação infantil (música, desenho, sucata e cartazes).

Mais informações no site do evento

Programa Vídeo Fórum 2013

Saiu a relação dos filmes selecionados para participar do Programa Vídeo Fórum, da Mostra Geração, segmento infanto-juvenil do Festival do Rio, que acontecerá entre os dias 26 de setembro a 10 de outubro. De acordo com o regulamento, foram escolhidos os filmes realizados pelas equipes formadas, por pequenos e jovens autores de até 18 anos não universitários. Na relação, há obras de vários estados brasileiros e de novos países como: Equador, Venezuela e Polônia, garantindo a diversidade da programação.

–  4 dias com meu celular
Escola Mun. Professor Edilson Duarte (Cabo Frio – RJ, Brasil)



– A empregada
Colégio Est. Barão do Rio Bonito / Praga Produções e Eventos Ltda (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– A lenda do peixe
Escola Mun. Professor Zélio Jotha (Cabo Frio – RJ, Brasil)

– A máquina do tempo
CIEP Maestro Francisco Mignone (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)



– A menina que ficou gigante
CEAT (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– A saga de canudos
Inffinito Eventos e Produções Ltda / B-a-Bá do Cinema Nacional / 6 Cine Fest Brasil-Canudos (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)



– À sombra da Mucuri
Instituto Marlin Azul (Vitória – ES, Brasil)

– A sopa de pedra
Escola Mun. Bombeiro Geraldo Dias (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Acesa 10 anos
Núcleo de Cinema de Animação de Campinas (Valinhos – SP, Brasil)

– Alive in memories
Warsaw’s Bednarska First Charter High School (Varsóvia,Polônia)

– Así vivo yo
Escuela Bolivariana 27 de Julio (Betania de Topocho, Venezuela)

– Atividade mais que o normal
Escola Mun. Orsina da Fonseca (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Charles Dickens: 200 anos
Núcleo de Arte Professor João Fernandes Filho (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Clara da baixada
Escola Mun. Professor Oneres Nunes Oliveira (Duque de Caxias – RJ, Brasil)

– Connected
Echo Park Film Center (California, Estados Unidos)

– Derecho a la familia
Centro Educativo Imantag (Imbabura ,Equador) 

– Em uma escola tudo é possível
Escola Mun. Benevenuta Ribeiro (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Escolabirinto
CINEAD/Cap-UFRJ (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Exercícios de um imaginário
Escola de Cinema CineZé / Colégio Est. José Martins da Costa (Nova Friburgo – RJ,Brasil)

– La salvación
Escuela Técnica Nº 19 D.E. 1 “Alejandro Volta” (Buenos Aires, Argentina)

– Maré reciclável
CIEP Presidente Samora Machel / Imagine Filmes (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Mentes que voam
Escola Mun. Quintino Bocaiúva (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Metamorfose adolescente
Laura Bezerra Lima (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Meu primeiro amor
Escola Mun. Professor Vieira Fazenda (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Mind over matter
Echo Park Film Center (California, Estados Unidos)

– Mundo eléctrico
Escuela de Cine Infantil y Juvenil Taller de Cine El Mate (Buenos Aires, Argentina)

– Nota de corte
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– O baralho mágico
Escola Mun Narcisa Amália (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– O cravo e a rosa
Núcleo de Arte Grécia (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– O flagrante
Colégio Est. Dom Pedro II (Petrópolis – RJ, Brasil)

– O gato malhado e a andorinha sinhá
Pólo de Educação pelo Trabalho Telêmaco Gonçalves I (Rio de Janeiro – RJ, Brasil) 

– O medroso
Escola Mun. Presidente Roosevelt /Dona Rosa Produções Artísticas ME (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– O menino que se livro das drogas
Núcleo de Arte Copacabana (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– O Rio e a enchente
Escola Mun. Roraima e FEBF/LABORAV (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Os guardiões das florestas
Cine-Clube de Avanca (Avanca, Portugal) 

– Os irmãos Villas Bôas
Escola Mun. Orlando Villas Bôas (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)



– Óculos mágicos
Escola Mun.Dunshee de Abranches/ Projeto Anima Escola/ (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Milord
Escola Edem (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– O anjo de pernas tortas
Escola Mun Professora Talita Hernandes Perelló (Cabo Frio – RJ, Brasil)

– Rap Atitudes
Centro Educacional Espaço Integrado (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)



– Uma pedra no caminho
Escola Mun. Monteiro Lobato (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Peixinhos do mar
Núcleo de Arte Grande Otelo (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Primiers dies
Cinema en Curs / A Bao a Qua (Barcelona, Espanha)

– Pronominais
Instituto de Educ. do RJ – ISERJ (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Prova difícil
Núcleo de Arte Grécia (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Sonho
CIEP Presidente Agostinho Neto/ Projeto Anima Escola (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Sonyc Corp
Escuela de Cine Infantil y Juvenil Taller de Cine El Mate (Buenos Aires, Argentina)

– Tá lembrada de mim?
Escola Parque (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Terrir na escola
Ginásio Experimental Bolívar (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

– Tomatipo
Papillon Produções Artisticas e Assessoria LTDA (Campinas – SP, Brasil)

– Vida em manchetes
Escola Mun. Monteiro Lobato (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Ouça os mais velhos

Por Roger Cohen
Publicado no The New York Times

Uma conversa uma noite dessas com amigos e seus filhos levou-me à questão dos conselhos sobre a vida, pérolas de sabedoria transmitidas por pais aos filhos na vaga esperança de que elas possam ser esclarecedoras.

Hoje em dia, com o relacionamento pais-filhos invertido a ponto de a geração mais velha viver com medo da mais jovem, minha sensação é de que esse conselho raramente é dado. Pareceria presunçoso. Os pais não mandam mais. Eles se encolhem. No último inverno em Vermont, vi uma garota de seis anos atirar um bastão de esqui contra sua mãe, cuja reação complacente sugeriu que ela considerava esse comportamento aceitável. Não é, aliás.

Ainda assim, alguns pais dão conselhos de vida, ao que parece. Um amigo diz a seus três filhos: “Nunca usem drogas ou adjetivos”. Um menino de 16 anos disse que foi muito útil a advertência de seu pai: “Nunca subestime ‘Rubber Soul’.”

É verdade que, na minha experiência, várias faixas do sexto disco dos Beatles, como “I’m Looking Through You”, nunca deixam de instruir e consolar. Outra amiga disse que seu pai, usuário inveterado dos táxis de Londres, sempre lhe havia aconselhado: “Não se preocupe se perder o táxi, sempre virá outro atrás”. Ela muitas vezes pensou nisso.

Hoje, esse conselho é falso. Com muita frequência, não há táxi depois daquele que você perdeu e você fica na chuva por meia hora espiando vagamente na escuridão urbana, amaldiçoando seu destino.

Por outro lado, como metáfora, talvez haja algo no conselho: com o tempo, depois de perder oportunidades, outras oportunidades surgirão -se você for paciente. Ou, colocado de outra forma, o caminho que não foi seguido pode ser uma perda menor do que se acreditava inicialmente. Mas, mais uma vez, talvez não. Às vezes as coisas simplesmente se perdem para sempre –e são lamentadas para sempre.

Como tudo isso sugere, pode haver mais nos conselhos de vida dos pais do que seu conteúdo. A própria existência deles é agradável -algo para se lembrar, ponderar e rir, independentemente de seu valor. Eu gostaria que meu pai tivesse me dado mais conselhos. Minha mãe costumava dizer: “Nunca subestime o poder da esperança”. Muitas vezes pensei sobre isso.

Durante a conversa, minha filha apartou: “Papai, você nunca me deu conselhos desse tipo”. Parecia desapontada comigo – evidência de que até as crianças do século 21 preferem que seus pais comandem em vez de se encolher. Eu acho que dei. Toda vez que tentava acordá-la, eu entoava: “Levante-se e brilhe. É dia no pântano, mais um dia, mais um dólar, o primeiro passarinho pega a minhoca. O futuro pertence aos que levantam cedo”. E fui redondamente ignorado.

Acho que hoje eu diria: “Não resmungue, não choramingue e adote a maior qualidade da Inglaterra: o estoicismo”. O que aconteceu com os estoicos? Como é que ninguém tinha exigências dietéticas especiais quando eu era criança e hoje todo mundo tem? O que é glúten, aliás?

Fiquei surpreso no outro dia, diante da epidemia de alergia a nozes, ao ver uma placa em um bar sobre os pacotes de amendoins: “Estes produtos realmente contêm nozes.”

Lembrou-me da piada sobre o assunto do comediante americano Louis C.K.: “É claro, é claro, as crianças que têm alergia a nozes precisam ser protegidas. É claro! Temos de segregar sua comida das nozes, ter sua medicação disponível a todo momento e qualquer um que fabricar ou servir alimentos precisa estar consciente das mortíferas alergias a nozes. É claro! Mas talvez, talvez, se tocar uma noz o matar, é porque você tinha que morrer!”.

Suponho que então esse é meu conselho de vida: lembre-se de rir e, se você não está rindo, lembre-se de que está em dificuldade. Fora isso, eu diria como os chineses: “Se você quer ser feliz por um dia, embebede-se; por uma semana, mate um porco; por um mês, case-se; pela vida toda, seja um jardineiro”.

Cultive seu jardim, o interior e o exterior. Faça-o florescer. Arrume a mesa para um banquete. Convide um desconhecido.

V Encontro Brasileiro de Educomunicação

O V Encontro Brasileiro de Educomunicação, que será realizado, em São Paulo, entre 19 e 21 de setembro, contará com 34 atividades acadêmicas, desenvolvidas por 137 especialistas, analisando o tema Educação midiática e políticas públicas. O evento é uma iniciativa do Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP, ABPEducom – Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais da Educomunicação e da Licenciatura em Educomunicação da ECA/USP.

Saiba como fazer sua inscrição

As bases para os debates serão lançadas na primeira mesa redonda, na manhã do dia 20, quando serão apresentadas as palestras: Os impasses na construção da política pública de produção audiovisual para crianças, no Brasil, por Marcus Tavares; Mídia, Educomunicação e Políticas Públicas de Educação: a experiência do Canal Futura, por Lucia Araújo e As Tecnologias da Informação e Comunicação e as Práticas de Educomunicação no Programa Mais Educação, com Cíntia Ines Boll, da Secretaria de Educação Basica-MEC.

Ao logo do evento, será discutida a contribuição da universidade, da sociedade civil e da própria juventude para os debates em torno da educação midiática. Serão apresentados o projeto da PUC/RJ para a formação do bacharelado em mídia e educação, com Rosália Duarte; o projeto da ECA/USP para a formação do licenciado em educomunicação, por Ismar de Oliveira Soares; os organismos da sociedade civil e a implementação da midiaeducação, no Brasil com Silvana Gontijo, presidente doplanetapontocom; e a contribuição da juventude para a consolidação da prática educomunicativa, no Brasil, com Vania Correia, que tomará como base a produção da Revista Viação e o trabalho da Rede Nacional de Jovens Comunicadores – RENAJOC.

Atividades

As atividades do V Encontro Brasileiro de Educomunicação serão compostas de 4 mesas redondas, 20 painéis, 7 grupos de relatos de experiências e 4 sessões diferentes de oficinas:

– mesas redondas, com 12 palestrantes, entre os quais Eduardo Castro, Diretor Geral da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação; Adauto Cândido Soares – UNESCO, Brasília e Fernando José Almeida – Diretor da DOT, SME da Prefeitura de São Paulo.

– painéis, com 88 palestrantes/autores de papers, entre os quais: Renata Mielli, da coordenação executiva do FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Sergio Gomes – OBORE. Veridiana Alimonti – Intervozes e João Brant, assessor da SMC/SP.

– grupos de relatos de experiências, com 28 relatos, entre os quais – Produção de curtas metragens por crianças de 5 e 6 anos, com Graziella Matarazzo e Web Rádio Água: a educomunicação como ferramenta para a mudança de comportamento nas questões socioambientais, com Willbur Rogers de Souza,reltando experiência da Fundação Binacional Itaipu.

– oficinas, oferecidos por 9 especialistas, com os temas: “Cinemação, com celular”, com Marcílio Rocha Ramos, UFBA;  “Animação educomunicadora”, com Marta Russo e “Leitura crítica educomunicativa da mídia”, com alunos da Licenciatura em Educomunicação, sob a coordenação da Roseli Fígaro.

Todas as atividades serão realizadas na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação  – Fapcom, localizada na Rua Major Maragliano, 191, São Paulo/ SP.

ABPEducom, revista e cobertura educomunicativa

Durante o V Encontro, será realizada a Assembleia Geral da ABPEducom – Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais da Educomunicação, um espaço criado justamente para abrigar os especialistas no campo e os que se preparam para trabalhar como educomunicadores. Na abertura do V Encontro, os professores Roseli Fígaro e Adilson Citelli, editores da Revista Comunicação & Educação, farão o lançamento do concurso para o selo comemorativo dos 20 anos da publicação. Trata-se da revista científica com maior acesso de pesquisadores da comunicação, mantendo-se entre as três primeiras – das 20 existentes – ao longo dos últimos oito anos. Será também apresentada a última edição da revista, produzida sob a responsabilidade das Paulinas.

Durante o evento, grupos de adolescentes e de jovens estarão realizando as “coberturas educomunicativas”. A iniciativa estará sob a coordenação da Agência Jovem de Notícias e Viração; do Programa Nas Ondas do Rádio e Imprensa Jovem da Prefeitura de São Paulo, assim como dos jovens educomunicadores da FUNDHAS – Fundação Hélio Augusto de Sousa, da Prefeitura de São José dos Campos, SP.

Mais informações sobre a programação, acesse aqui

Encontro acontece em Belém, no Pará

  • Universalidade, acessibilidade e diversidade
  • Inovação tecnológica e modelos de negócios na internet
  • Cultura, educação e direitos autorais na internet
  • Privacidade, inimputabilidade da rede e liberdade de expressão
  • Neutralidade de rede

Estes são os pontos que serão discutidos no III Fórum da Internet no Brasil, que acontece entre os dias 3 e 5 de setembro, em Belém, Pará. Promovido pelo Comitê Gestor da Internet (CGI.BR), o encontro tem o objetivo de reunir participantes dos setores governamentais, empresariais, acadêmicos, das organizações da sociedade civil, técnicos, estudantes e todos os interessados e envolvidos nos debates e temas a respeito da internet no Brasil e no mundo. As discussões servem de subsídios para a participação brasileira no Fórum de Governança da Internet, marcado para outubro, na Indonésia.

Os participantes são divididos em grupos temáticos. Clique aqui e veja quais são e quem vai participar. A cada fórum, o CGI.BR publica os resultados dos debates. Confira, abaixo, as conclusões do II Fórum.

Relatórios Sintéticos
Trilha 1: Garantia de Direitos na Rede e Marco Civil da Internet
Trilha 2: Propriedade Intelectual na Rede
Trilha 3: Banda Larga no Brasil e Inclusão Digital: O que fazer?
Trilha 4: Como estimular conteúdos e plataformas nacionais na rede mundial?
Trilha 5: Governança Global da Internet
Plenária Final

Mais informações no site do encontro 

 

 

Grupo se destaca na pesquisa e produção de games

Por Lynn Alves
Coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunidades Virtuais

O Grupo de Pesquisa Comunidades Virtuais, ligado à Universidade do Estado da Bahia, foi criado em 2002 com o objetivo de realizar pesquisas na área de cultura digital, destacando especialmente os games e suas implicações nos distintos cenários de aprendizagem (formal e não formal). Em 2006, o grupo participou da Chamada Pública MCT/FINEP/MEC – 02/2006 para o desenvolvimento de jogos eletrônicos educacionais e ampliou seus objetivos, passando também a produzir jogos para diferentes espaços de aprendizagem, como escolas e empresas.

A aprovação do projeto para desenvolver o jogo Tríade – igualdade, liberdade e fraternidade foi um marco para o nosso grupo, pois introduziu de vez a entrada na área de desenvolvimento de games no Brasil. Atualmente o grupo tem no seu portfólio nove jogos desenvolvidos:


Tríade 

O game possibilita a imersão dos alunos no universo do século XVIII, especialmente na Revolução Francesa, despertando nos alunos do ensino fundamental e médio o desejo de aprender de forma lúdica e prazerosa. Este conteúdo rico e importante para entender o contexto da sociedade contemporânea é apresentado através de um jogo de simulação. Este tipo de game possibilita aos jogadores experimentar situações que não podem muitas vezes ser concretizadas no cotidiano.


Aventura no Polo
Foi criado para situar as crianças na faixa etária de 7 a 13 anos sobre as matérias primas que são produzidas no Pólo Petroquímico de Camaçari, compreendendo que estes produtos retornam para o seu dia-a-dia de diferentes formas. A intenção é que as crianças compreendam também o papel social e econômico das empresas que compõem o Pólo Petroquímico.


Quiz Braskem
O jogo Braskem Game Quiz mostra de forma lúdica e didática como se processa a cadeia produtiva do plástico que é desenvolvido pela empresa Braskem. A interação acontece com um tabuleiro dinâmico que contém perguntas relacionadas aos processos de transformação, envolvendo assuntos desde a retirada da matéria-prima do petróleo (a Nafta) até o processo de reciclagem dos plásticos.


Búzios: ecos da liberdade

O jogo pretende simular o contexto da sociedade baiana no século XVIII especificamente a Revolta dos Búzios e resgatar uma revolta popular que se desenvolveu na Bahia, criando um espaço para que os alunos possam construir conceitos e significados acerca desse conteúdo histórico mediado por um jogo eletrônico.


Brasil 2014 – rumo ao Hexa

O jogador precisa solucionar os problemas da cidade de Salvador a fim de realizar os jogos da Copa do mundo em 2014, para tanto é preciso administrar recursos financeiros, mantendo estáveis as variáveis de saúde, educação e segurança.


In Situ

É um espaço de aprendizagem sobre o sistema imunológico humano. O jogador deve controlar as células de defesa do organismo defendendo o corpo de ataques virais e bacterianos. A partir da imersão no game, o jogador terá a possibilidade de conhecer as funções das estruturas celulares.


Guardiões da Floresta
A movimentação do jogador pelo cenário e desafios presentes no jogo desenvolvem a construção da noção de espaço, lateralidade e relação entre objetos. Além de conter elementos sobre a fauna, flora e lendas amazônicas. O código do jogo Guardiões da Floresta foi disponibilizado para o Grupo de Pesquisa da Universidade Federal do Oeste do Pará, coordenado pelo professor Doriedson Almeida, com o objetivo de ser desenvolvida uma nova versão do jogo ampliando a narrativa sobre lendas e contextos da Amazônia. A narrativa dos Guardiões será também ampliada no projeto do Gamebook que será um ebook gamificado financiado pela Fapesb e CAPES. O grupo da Universidade Aberta da Terceira Idade da Uneb de Juazeiro, coordenado pela professora Iva Santos, também vem interagindo neste trabalho. 


Industrialli
O jogador tem o desafio de administrar cidades inglesas à beira do período histórico conhecido como Revolução Industrial, gerenciando aspectos como o desenvolvimento agrícola, a construção das fábricas, o aumento do desemprego, a urbanização e a reivindicação de grevistas. Será necessário lidar com contextos que envolvem distintas áreas do conhecimento, focando sobretudo em desafios ligados ao ensino da História como modo de produção, capitalismo e industrialização.


Dois de Julho: o jogo, primeiro jogo para dispositivos móveis

Através de um jogo em estilo Tower Defense mostramos ao jogador a importância do 2 de Julho na Independência do Brasil.

O único jogo desenvolvido em 3D foi o Tríade e utilizamos o Torque como motor. Contudo, por conta destas especificações o game não pode ser executado nas escolas públicas e particulares do estado da Bahia, pois não tinham placa de vídeo. O referido jogo foi avaliado no laboratório do nosso grupo por alunos do ensino fundamental que cursavam o oitavo e nono ano. O fato de ser disponibilizado gratuitamente no site do Comunidades Virtuais possibilitou que os internautas pudessem interagir com o jogo e enviar feedbacks que vieram de diferentes partes do Brasil e também da Inglaterra e Portugal. Este jogo levou trinta e nove meses para ser desenvolvido, incluindo o processo de avaliação.

A partir da experiência do Tríade, o nosso time decidiu produzir jogos em flash que poderiam ser executados em qualquer computador, sem necessariamente ter conexão de rede e placa de vídeo. Assim, com exceção do jogo Dois de Julho, o jogo que está sendo desenvolvido em UNITY, todos os demais jogos foram produzidos em Flash, com uma média de tempo de desenvolvimento de vinte e quatro meses.

Os jogos que têm financiamento das agências de fomento, como Finep, CNPq, Capes, Fabesp e Pro-forte, são disponibilizados gratuitamente no site do Comunidades Virtuais, junto às Orientações Pedagógicas, e são avaliados nos cenários escolares e acompanhados por um grupo de pesquisadores. É importante ressaltar que os jogos Brasil 2014, Insitu e Industriali foram financiados pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia para os Centros Juvenis de Ciência e Cultura. Estas pesquisas geram artigos que são publicados no Seminário de Jogos Eletrônicos, Educação, Comunicação: construindo novas trilhas, SBGAMES, ABCIBER, EPPEN, ENDIPE, entre outros.

O trabalho do grupo também tem um viés na formação na medida em que se constitui em campo de estágio para alunos dos cursos de Design e Computação da Uneb, contando com bolsistas de Iniciação da Pesquisa dos cursos de Turismo, Pedagogia, Psicologia e Arquitetura. E em nível de especialização o grupo coordenou e realizou o curso Game Design financiado pela Fapesb.

Além destas atuações são realizadas pesquisas em nível de mestrado e doutorado que investigam cotidianamente as relações dos games e educação sob diferentes perspectivas. No site do Comunidades Virtuais também encontram-se disponível teses e dissertações que foram produzidas no período de 1994 a 2010, na área de educação sobre games no Portal do Games Studies, projeto financiado pela Fapesb.

Inscrições abertas

Que tal participar da 4ª  Mostrinha de Cinema Infantil de Vitória da Conquista? Inscrições até o dia 5 de setembro. Serão exibidos curtas (de até 20 minutos) voltados para crianças. “São aceitas produções realizadas a partir de 2010”, conta Marialva Monteiro, curadora do evento, que acontecerá de 7 a 11 de outubro, comemorando o Dia das Crianças.

No evento do ano passado, foram exibidos 22 curtas. Cerca de 3.600 crianças da rede municipal, entre 4 e 12 anos, assistiram aos filmes. Foi composto um júri infantil, composto por crianças de escolas públicas da região. A Mostrinha é um projeto da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), por meio do programa de extensão Janela Indiscreta.

Os interessados devem enviar um e-mail para a curadora da mostra para obter mais informações sobre a participação: marialvamonteiro@gmail.com

Encantamento e avaliação

Professora do curso de Cinema e Audiovisual da Uesb, Macelle Khouri participou do X Colóquio Nacional e III Colóquio Internacional do Museu Pedagógico da instituição, realizados entre os dias 28 e 30 de agosto. Na ocasião, ela apresentou dados de uma avaliação que fez da participação do júri mirim da Mostrinha do ano passado. Composta por meninas indicadas pela Secretaria Municipal de Educação de Vitória da Conquista e pelo ator Vinícius Nascimento, que interpretou Duda, no filme À Beira do Caminho, de Breno Silveira, o júri chamou a atenção da professora.pelas escolhas dos melhores filmes do festival. A revistapontocom transcreve aqui o estudo.

O olhar infantil para o cinema: entre o encanto e a maturidade avaliativa

Por Macelle Khouri Santos
Professora do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Uesb
Trabalho apresentado no X Colóquio Nacional e III Colóquio Internacional do Museu Pedagógico  

Este trabalho busca fazer uma análise a cerca da potencialidade avaliativa dos estudantes de escolas públicas que participaram do Júri Infantil da 3ª Mostrinha de Cinema Infantil de Vitória da Conquista, no sentido de refletir sobre a importância de ações que pretendem uma aproximação da criança com a sétima arte, e sobre o seu olhar cheio de significações.

Comecemos, portanto, falando do evento e de como se constituiu o júri, para seguir com a análise das avaliações dos alunos sobre os filmes assistidos. Tomamos como material analítico o barema preenchido por eles durante as exibições, bem como suas observações na reunião para conclusão do resultado final.

A Mostrinha de Cinema Infantil é um evento calendarizado, realizado pelo Programa Janela Indiscreta da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Vitória da Conquista, com o objetivo de despertar o olhar curioso e encantado de crianças das escolas públicas do município, proporcionando a elas a exibição de filmes de curta-metragem infantis, além de oficinas de Fotografia e Produção de Vídeo. Fruto do Projeto O que se aprende com o cinema a Mostrinha também volta seu olhar aos professores municipais, proporcionando a eles não só a assistência aos filmes junto com seus alunos, mas também oficinas para discutir a pedagogia da imagem e a formação de cineclubes nas escolas.

Em 2012, o evento conseguiu o patrocínio do Programa BNB de Cultura, e com isso pôde ampliar seu público, totalizando 22 curtas-metragens, de vários lugares do Brasil, exibidos em 12 sessões para 3.600 crianças, entre 4 e 12 anos; e suas ações, incluindo, além das tradicionais oficinas, uma de Animação para os estudantes, a exibição de um longa-metragem em duas praças públicas da cidade, e um Júri Infantil, também composto por estudantes das escolas públicas.

O olhar avaliador

O Júri Infantil foi formado por seis alunas, com idade entre 11 e 13 anos, de três escolas públicas: Escola Municipal Frei Serafim; Centro Educacional Eurípedes Peri Rosa (que fica no distrito de Bate-Pé); e Centro Educacional Professor Paulo Freire (CAIC), e presidido pelo ator mirim, Vinícius Nascimento. Antes de iniciar o Júri, os alunos tiveram uma breve reunião com a professora tutora, na presença de professores das respectivas escolas, para orientação dos procedimentos, distribuição de material e uma rápida explicação sobre os elementos imagéticos a serem observados nos filmes. Esse contato inicial fez-se importante, sobretudo, para atentar os estudantes para a responsabilidade da votação, a qual não deveria dar-se apenas pelo gostar ou não do filme, mas pelas qualidades técnicas e narrativas dos mesmos. Durante o evento, os sete estudantes assistiram aos 22 curtas-metragens e fizeram anotações em uma espécie de barema, que continha três colunas: uma com o nome e informações gerais sobre o filme, tais como gênero, local, ano e duração; uma para que eles fizessem anotações, e outra destinada à nota, que deveria ser dada numa escala de 0 (zero) a 10 (dez) pontos. Após a última sessão avaliativa, os membros do Júri reuniram-se com a tutora para discussão e cálculo do resultado final.

Para melhor ilustrar os resultados da nossa análise, faremos uma breve explanação sobre o resultado do Júri, destacando elementos importantes da narrativa dos filmes premiados, e em seguida, passaremos a uma análise mais detalhada das avaliações dos alunos de modo geral, a partir de considerações de Rosália Duarte (2002) sobre a relação entre filme e espectador.

Dos 22 filmes exibidos, três foram escolhidos para premiação e um para receber menção honrosa, de acordo com a tabela abaixo:

Primeiro lugar – 
As Folhas – nota 10,0
Segundo lugar – Lá longe – nota 9,6
Terceiro lugar – O Fim do Recreio – nota 9,5
Menção honrosa – Disque Quilombola – nota 8,2

Os três premiados foram do gênero ficção e a homenagem ficou para gênero documental. Disque Quilombola retrata uma conversa divertida, através de um telefone de lata, entre crianças de um morro e de uma comunidade quilombola, no município de Vitória, no Espírito Santo. Com a presença de alguns adultos que trazem elementos da história de cada uma das comunidades, o filme revela que há muitas semelhanças entre elas. O curta foi considerado pelas crianças como “muito inteligente e criativo”, porque “mostra as culturas de outras crianças”.

Já o terceiro colocado trata de um fictício projeto de lei que está tramitando no Congresso Nacional com o objetivo de suspender o recreio escolar. Por conta disso, um grupo de crianças de uma escola municipal de Curitiba decide pegar a câmera da escola, escondido da diretora, e filmar a hora do recreio, coletando entrevistas dos estudantes sobre a importância desse momento para a rotina estudantil deles. Na visão dos jurados mirins, O Fim do Recreio é “muito interessante” porque “envolve um assunto importante” e “as crianças conseguem ter um final feliz”, embora a história pudesse ter “a participação de outras escolas”.

Lá Longe, por sua vez, não traz nada de divertido em sua narrativa, pois conta a história de um garoto chamado Julinho que, com a ajuda do seu melhor amigo, foge de casa em busca do pai, que só conhece pelo rosto, registrado num pedaço de uma fotografia. O curta, na visão das crianças, tem “uma filmagem muito boa” e é muito “emocionante” e “misterioso”.

A ausência parental também faz parte do argumento de As Folhas, escolhido, por unanimidade, como o grande vencedor, e que traz em sua narrativa Rafael, um garoto que vive conflitos familiares e sente muito a falta da mãe, já falecida. Marcado pelo mistério, o curta traz como elemento chave uma árvore que deixa cair suas folhas o tempo todo. Para os membros do júri, essa aura misteriosa chama muito a atenção, o que faz dele “um filme surpreendente, emocionante e interessante”, com “mais imagens do que falas”, o que “é muito importante para um filme”.

Analisado os dados do júri, percebemos que as crianças dedicaram um olhar atento aos filmes e que foram rigorosos em suas notas. Os filmes escolhidos possuem qualidades narrativas interessantes, e algumas foram observadas com clareza por elas. Vale destacar que os estudantes, embora se sentissem mais motivados pelos filmes de ficção, souberam valorizar o gênero documental, não somente na escolha da Menção Honrosa, mas na percepção de que “faltou mais espaço para o documentário” na Mostrinha de Cinema Infantil.

Com relação aos filmes elegidos em primeiro e segundo lugares, chama a atenção o fato de serem narrativas mais elaboradas, que tratam de questões delicadas como a ausência do pai ou da mãe na vida de uma criança. O drama superou a comédia e a diversão na escolha dos estudantes, demonstrando certa maturidade na avaliação e eleição dos filmes. Nesse sentido, cabe ressaltar ainda que, embora o presidente seja ator, e por isso mesmo conheça o processo de produção fílmica mais de perto, as análises das alunas das escolas públicas não demonstraram nenhuma disparidade em relação às observações feitas por ele. A diferença estava na compreensão um pouco mais apurada, por parte dele, tanto da estrutura narrativa quanto de questões técnicas.

O olhar significador

De acordo com Rosália Duarte (2002, pg.59, grifos da autora), um fator relevante na relação do espectador com o cinema é a “identificação”, pois é ela a responsável pelo “vínculo entre o espectador e a trama”, já que possibilita a quem assiste “identificar-se com a situação que está sendo apresentada e reconhecer-se, de algum modo, nos personagens que a vivenciam”.

Analisando as observações e anotações dos estudantes, pode-se notar o quanto a identificação foi quesito fundamental nas suas avaliações. Falas como: “ele atrai a atenção das crianças porque é um desenho” ou “o filme não foi compreensível” revelam como elementos do mundo infantil os tocam especialmente, da mesma forma que aquilo que não está tão claro, para eles não faz sentido.

A impressão de realidade, destacada por Duarte (2002, pg. 58, grifos da autora) como “base do grande sucesso do cinema”, também foi alvo das observações dos jurados mirins, percebida com muita clareza em falas como: “É muita emoção, pois tem muita ficção misturada com um pouco de realidade” ou “a figuração do ratinho foge à realidade”.

Duarte (2002, pg. 60, grifos da autora) fala ainda da interpretação, entendida como “o modo como atribuímos significado às narrativas em imagem-som” como outro elemento fundamental na relação do espectador com os filmes. Nesse sentido também é possível destacar falas dos estudantes, tais como: “Incrível, romântico e interessante” ou “um filme muito expressivo” ou ainda “a música não combina com o filme” e “o filme deveria ter terminado de outra forma”.

Ainda nesse contexto de significação das narrativas, faz-se extremamente relevante destacar o conhecimento, ainda que inicial, da linguagem cinematográfica, pois as seis estudantes que compuseram o júri já tinham tido contato com estudo e/ou prática ligados ao cinema, seja na escola onde estudam ou através de oficinas promovidas pelo Programa Janela Indiscreta.

Esse conhecimento se revelava nas avaliações, pelo uso de expressões como: “A trilha sonora estava ótima e compatível com o filme”; “o filme é tipo uma reportagem”; “teve um pequeno erro técnico, mas foi criativo”; “difícil fazer animação com tanto sentido”; “ele é quase um cinema mudo”.

O olhar encantado

A experiência do Júri da 3ª Mostrinha de Cinema Infantil nos permite ainda mais algumas reflexões sobre o olhar da criança para o cinema. De acordo com Bruno Bahia (2009, pg.166),

O mundo expandido e verdadeiro aparece para a criança muito mais como o vir-a-ser do que realmente ele é. O cinema, assim, como outras expressões de arte, exploram o recorte de algo que se torna real no foco e que acaba se diluindo na macro-visão. O cinema aparece para resgatar essa forma de ver o mundo da criança, que, de algum modo, é diminuído e, sim, aumentado, ou seja, o que nos parece micro, o cinema resgata e nos reapresenta como macro.

Ao avaliarem os filmes, as crianças demonstraram consciência do compromisso e da responsabilidade de participar de um júri, mas também se deixaram invadir pela magia do cinema, projetando-se nos filmes, sorrindo ou sofrendo com eles. Nesse sentido, chama a atenção a escolha de As Folhas e Lá Longe. Para aqueles que possuem um olhar conhecedor da linguagem cinematográfica, é possível apontar problemas técnicos em ambos os curtas-metragens. Mas, para esses jurados mirins, foram as sutilezas das narrativas o que mais importou; histórias que os tocaram de modo especial. A complexidade presente na narrativa de

As Folhas impressionou-os significativamente,atestada inclusive pela fala do presidente do júri, para quem o filme traz em si “sentimentos e conflitos paralelos” que se expressam por meio do contato do garoto com a árvore e suas folhas.

O Fim do Recreio tem mais qualidade técnica e um roteiro bem estruturado, tendo sido, inclusive, o campeão da 11ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, eleito tanto pelo Júri Oficial, composto por profissionais da área, quanto pelo voto do público infantil. Mas para os jurados da 3ª Mostrinha de Cinema Infantil, ele não superava os outros.

No que tange à Menção Honrosa, ambos os júris elegeram Disque Quilombola. Sinal de que as crianças também são capazes de perceber o valor de um filme que revela a cultura e a realidade cotidiana de crianças de outros lugares, embora algumas das juradas mirins tenham manifestado certo asco ao ver as cenas em que as crianças da comunidade quilombola comem tanajuras fritas, o que impactou as suas notas.

Inês Teixeira (2010, pg.118) enfatiza que “são várias as contribuições educativas do cinema. Por meio dele podemos conhecer diferentes interpretações sobre a realidade, refletir sobre o comportamento humano, aprofundar nosso processo de autoconhecimento e de conhecimento do mundo”. Para as crianças, o mais marcante da experiência de participar do júri foi a possibilidade de refletir sobre os diversos temas e formatos de filmes. Para as duas alunas do Centro Educacional Eurípedes Peri Rosa, a avaliação dos filmes deveria ser rigorosa, por se tratar de um júri, mas era preciso ser compreensivo com as falhas técnicas, pois elas sabiam como era difícil fazer um filme.

O olhar para o cinema

A fala dessas alunas é fruto da experiência vivida por elas no Centro Educacional Eurípedes Peri Rosa, que estimula os alunos a escreverem roteiros e filmá-los. Há cinco anos, a partir da participação de um professor na oficina Cinema e Educação e Educação do Olhar, promovida pelo Janela Indiscreta em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, a escola deu asas a um projeto que já contabiliza quatro mostras de cinema com filmes produzidos pelos próprios estudantes. Hoje, além dessa ação no distrito de Bate-Pé, a Rede Municipal de Ensino também conta com um projeto similar no distrito de Inhobim, e já vem realizando algumas ações voltadas ao cinema e o audiovisual em escolas da zona urbana.

Essa trajetória que começa com o trabalho do Programa Janela Indiscreta, através do oferecimento de seminários e oficinas para o público docente, promovendo uma sensibilização desses professores para a importância de se trabalhar o cinema dentro do espaço escolar, além de oferecer a eles capacitação para tal, e ver essa ação resultar num envolvimento efetivo de professores e alunos para a produção videográfica dentro da escola, é muito significativa. Retomando Teixeira (2010, pg.120), podemos afirmar que levar o cinema para dentro da escola deve ter o compromisso de “interrogar, interpelar o que as crianças e os jovens já trazem consigo, fazendo-os desaprender para aprender algo novo, diferente do que já conhecem”. E foi esse olhar aberto para o novo que pudemos perceber nas anotações e avaliações das alunas das que participaram do júri. O contato com um cinema de qualidade e com a prática da produção em vídeo, quer sejam em oficinas ou dentro do seu espaço escolar, descortinou para elas uma capacidade perceptiva mais madura e consciente a cerca das imagens, das narrativas e dos seus sentidos.

Considerações finais

O que motivou a escrita deste artigo foi justamente a percepção do valor das trajetórias que marcam a relação do cinema com a educação, pautadas no compromisso de despertar o olhar, sobretudo das crianças e jovens, para os caminhos do cinema e do audiovisual. Quando compreendemos o exercício da docência como um compromisso constante de apontar caminhos, sabemos que cabe ao professor estimular novos olhares e, sobretudo, trabalhar pelo aprimoramento desses olhares.

A análise das perspectivas avaliativas dos estudantes que compuseram o Júri Infantil da 3ª Mostrinha de Cinema Infantil revela que um contato mais efetivo com o cinema impacta, sobremaneira, o olhar interpretativo sobre o filme. Tanto o presidente, por ser um ator mirim, quanto as estudantes que estão tendo a possibilidade, não só de estudar sobre cinema e audiovisual, mas também colocar em prática esse aprendizado dentro do seu ambiente escolar, demonstraram uma percepção diferenciada das narrativas e também dos aspectos técnicos dos curtas-metragens. Levando-se em conta que avaliar 22 filmes diferentes, num intervalo de apenas dois dias, requereu desses estudantes um grau de atenção e envolvimento significativo, podemos dizer que a maturidade avaliativa se deve à possibilidade que eles tem tido de aprender a olhar o cinema com olhos iluminados pelo conhecimento dessa gramática específica. Tomando como referência o resultado da Mostra de Cinema de Florianópolis, fica claro que o olhar de espectador deles, embora ainda muito marcado pelo universo infantil, não deixa que as sensações da infância comprometam sua postura de avaliadores, pois o conhecimento que carregam lhes possibilita avaliar e criticar os filmes com segurança e firmeza, percebendo o diálogo entre as imagens e entre essas e o som.

A trajetória que compôs a nossa análise aponta para uma continuidade não só de ações efetivas no ambiente escolar, assim como fora dele, mas também para uma diversidade de caminhos de pesquisa a partir desse contexto. Fica, por hora, a valia de pensarmos sobre como o olhar da criança é um olhar encantado, que traz consigo o valor do espantamento, que nós, adultos já perdemos pelo caminho. Talvez, nós mesmos estejamos precisando nos permitir outros olhares, mais sensíveis e perceptivos, com certo grau de espanto, que nos conduza a novas descobertas, surpresas e, por que não dizer, encantos.

Referências
– BAHIA, Bruno. Imagem: da infância ao cinema ou do cinema à infância. In: In: FRESQUET,Adriana (Org.). Aprender com Experiências do Cinema. Desaprender com Imagens da Educação. Rio de Janeiro: Booklink; CINEAD-LISE-FE/UFRJ, 2009.
– DUARTE, Rosália. Cinema e Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.
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TEIXEIRA, Inês Assunção de Castro Teixeira. Uma história sem fim – O cineclube abraça a escola. In: ALVES, Geovanni e MACEDO, Felipe (Orgs). Cineclube, Cinema e Educação. Londrina: Práxis; Bauru: Canal 6, 2010.

Crianças no Congresso. Que tal?

O Plenarinho prorrogou em duas semanas as inscrições para o Câmara Mirim 2013. Os interessados têm agora até o dia 15 de setembro. Crianças matriculadas do 5º ao 9º anos do Ensino Fundamental regular podem enviar suas propostas para melhorar sua cidade, sua comunidade ou o Brasil. Os autores dos três melhores projetos irão à Câmara dos Deputados defender sua proposta. Nesse caso, as despesas com transporte, hospedagem e alimentação para os três autores e seus responsáveis correm por conta da Câmara.

Como participar? Acesse Câmara MirimA divulgação do resultado será no dia 20 de setembro. O Câmara Mirim acontece em 22 de outubro na Câmara dos Deputados. Trata-se de um programa educativo que simula uma sessão legislativa da Câmara. Através do Câmara Mirim, as crianças discutem e votam, em plenário, três projetos de lei selecionados entre as propostas enviadas pelas crianças para o site Plenarinho. Quando aprovados pelas crianças em plenário, os projetos de lei votados durante o Câmara Mirim podem ser apadrinhados por deputados federais e encaminhados às comissões permanentes da Câmara para análise.

Concurso Curta Criativo

A partir de hoje, 2º de setembro, três faculdades cariocas (Estácio de Sá, UFRJ e PUC-Rio) serão sede de encontros e debates promovidos pelo concurso Curta Criativo, do Sesi Cultural. O objetivo é discutir temas referentes à economia criativa, inspirando formas alternativas de concretizar projetos e ações. Todos os eventos são abertos e têm entrada gratuita: não precisa ser estudante da unidade para participar.

Participe do Curta Criativo 2013
inscrições abertas até o dia 20 de setembro. Leia o edital

Quem for à Estácio de Sá no dia 2 de setembro vai participar, a partir das 10h30, no cinema do campus, de um interessante debate sobre empreendedorismo criativo e formas de financiamento a projetos culturais. À mesa, nomes importantes da cena cultural: Cavi Borges, cineasta, produtor e fundador da locadora Cavídeo; Julia Levy, superintendente de Audiovisual da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro; Junior Perim, cofundador e coordenador executivo do Circo Crescer e Viver; Marcio Graffiti, coordenador do Coletivo Anti Cinema; e Marcus Faustini, coordenador da Agência de Redes para Juventude, escritor e cineasta. A mediação ficará a cargo de Flávio Di Cola, coordenador do curso de Cinema e Audiovisual da Estácio. O campus fica na Rua do Bispo, 83, Rio Comprido.

Já na Escola de Comunicação da UFRJ, no dia 4 de setembro, o assunto a ser tratado é “tecnologia na economia criativa: conectividade e inovação na cultura”. Estão com as presenças confirmadas nomes entendidos de indústria criativa: Claudio D´Ipolitto, que é coordenador do MBA em Gestão e Produção Cultural da FGV Rio e consultor em inovação nas indústrias criativas; Gabriela Agustini, consultora de estratégia e negócios digitais, e professora de novas mídias no MBA em Gestão Cultural da FGV; além de Guilherme Velho, chefe-executivo das Incubadoras Rio Criativo. A diretora da ECO, Ivana Bentes, é quem fará a mediação. O encontro rola a partir das 15h. O endereço é Avenida Pasteur, 250, auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Urca.

No dia 5 de setembro, na PUC-Rio, na sala 102K, está programada uma palestra sobre novas formas de financiamento para projetos e empreendimentos culturais. Os convidados são representantes de algumas das iniciativas de financiamento alternativo mais conhecidas no país hoje: Bruno Beauchamps, fundador e CEO do Sibite; Luis Otávio Ribeiro, sócio do Catarse; e Murilo Farah, cofundador da Benfeitoria. A mediadora será Andréa França, coordenadora do curso de Cinema.  A PUC-Rio fica na Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea.