Um caso, tristemente, misterioso

Por Artur Melo, 10 anos
Aluno do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Quem irá contar essa história será o detetive Artur…

Fui convidado por um velho amigo para um jantar. Era um jantar em comemoração a sua nova casa. Tudo aconteceu no dia 14 de dezembro. Lá chegando, meu querido amigo e sua esposa foram me receber. A casa era realmente muito bonita, digna de uma inauguração. O problema é que mesmo com toda aquela beleza e amizade, eu estava sentindo algo ruim no ar. Seria meu faro de detetive?

Não fiz nada, preferi simplesmente me sentar, depois de cumprimentar a todos. Logo o jantar foi servido. Não demorou muito, escutei um barulho: a porta estava espatifada no chão. Foi um susto daqueles. Coloquei uma das mãos na minha arma que estava na cintura e num piscar de olhos dois mascarados entraram na sala de estar.

O de pistola rendeu meu amigo – reparei que tinha uma tatuagem de estrela na mão – e o outro, de escopeta, ficou dando cobertura. Então, não podia fazer nada, Só lamentar não ter dado importância ao meu faro, sabia que meu amigo morreria se eu sacasse a arma. Neste momento, o bandido falou:

– Quero todo o dinheiro!
– Está bem, está bem!! O cofre está embaixo do piso da cozinha, pode pegar, respondeu meu amigo.

O bandido da escopeta foi até lá e pegou o dinheiro. Os ladrões saíram correndo com a grana. Nessa hora, fui atrás deles e dei uns disparos no carro em que fugiam. Um acertou a roda, mas mesmo assim conseguiram escapar.

No dia seguinte, fui falar com meus parceiros, João e Pietro. Contei que um dos bandidos tinha uma estrela tatuada na mão direita, como a de João. Isso mesmo, do meu parceiro João. Eles não se animaram muito, falaram que era um caso normal, que acontece toda hora, que não valia a pena investigar. Naquele momento, não liguei os fatos.

Em casa, fiquei pensando bastante sobre aquilo tudo e foi aí que comecei a refletir:

– João tem uma estrela igual a de um dos bandidos… E, também, eles nunca recusariam uma investigação, ainda mais uma que eu tivesse apresentado.Seriam eles os bandidos?

Não estava querendo acreditar que meus parceiros me traíram e, pior ainda, que eram os ladrões. Mas não tinha a prova concreta. Dois dias depois, falei que não poderia investigar o caso. Mas era só um plano. Fui para o meu escritório. Cheguei silenciosamente e escutei os traíras bolando outro assalto. Eu estava ali, com minha arma e minhas algemas… Pronto!

E aí, leitores, o que vocês acham que o detetive Artur deve fazer? Prender seus velhos companheiros ou poupá-los? O que faz com que as pessoas roubem outras pessoas? Ou traiam os seus companheiros? É difícil encontrar respostas para essas perguntas, mesmo para um detetive experiente como o Artur.

Alguém pode dar uma boa pista?

Criança: prioridade absoluta?

A pesquisa Legislação sobre os direitos das crianças, realizada pelo Datafolha no primeiro semestre deste ano, mostrou que 40% da população desconhece o artigo 227, da Constituição Federal, que estabelece que as crianças devem estar em primeiro lugar nos planos e preocupações da nação. Crianças têm prioridade absoluta. Com objetivo de dar visibilidade à legislação e garantir que ela seja cumprida, o Instituto Alana, lançou, no dia 26 de novembro, em São Paulo, o projeto Prioridade Absoluta, que, inicialmente, se traduz numa plataforma digital que reúne textos, pesquisas, artigos, vídeos e sugestões de como a sociedade pode atuar na promoção e garantia da lei.

Num primeiro momento, a iniciativa vai desenvolver ações nas seguintes áreas: educação, espaço público, mídia e comunicação e sistemas de garantias. Os primeiros temas a serem trabalhados dentro de cada eixo são: ruas de lazer, condições básicas nas escolas, conselhos tutelares e publicidade infantil.

“Os dados da pesquisa indicam que, apesar de ter uma das legislações mais avançadas do mundo, o Brasil ainda não conseguiu fazer com que os direitos das crianças saiam do papel e tomem as ruas. A população desconhece seus direitos e os direitos de seus filhos. E isso contribui para um cenário de negligência com relação à infância no país. Tratar as crianças como prioridade absoluta significa reafirmar que elas não conseguem promover seus direitos sozinhas por estarem em processo de formação e que precisam, portanto, de atenção, cuidado e proteção”, explica Isabella Henriques, advogada, diretora do Instituto Alana e uma das coordenadoras do projeto.

Além dos conteúdos, o site também traz a seção como fazer, no qual o projeto compartilha experiências de mobilização e de advocacia, além de modelos de carta, petições, denúncias, ações judiciais, entre outros, com o intuito de facilitar a atuação, principalmente de advogados, em defesa e promoção das crianças.

O evento de lançamento foi aberto pela presidente do Instituto Alana, Ana Lucia Villela. Contou com a exibição do curta O menino que não queria nascer, de Estela Renner, e com a fala do escritor e conselheiro do Instituto, Frei Betto. “É triste saber que a maioria das crianças no mundo nasce na pobreza e na miséria, e elas não escolheram isso. Esse mundo injusto e desigual resulta de uma obra humana, e precisamos assumir a responsabilidade de mudar essa realidade em defesa de uma infância digna”, afirmou.

– Veja aqui quem faz parte da coordenação do Prioridade Absoluta
– Conheça os integrantes do conselho consultivo do projeto
– Acesse o site do Prioridade Absoluta

Instituto Alana
O Instituto Alana é uma organização sem fins lucrativos que trabalha em várias frentes para encontrar caminhos transformadores que honrem as crianças, garantindo seu desenvolvimento pleno em um ambiente de bem-estar. Com projetos inovadores, que vão desde a ação direta na educação infantil e o investimento na formação de educadores até a promoção de debates para a conscientização da sociedade, o Instituto Alana tem o futuro das crianças como prioridade absoluta. Mais informações: www.alana.org.br

Do desenho ao brinquedo

Dar vida aos desenhos das crianças. Desde 2007, é este o ofício de Wendy Tsao, que criou o Child’s Own Studio, localizado no Canadá. A ideia surgiu depois que a artista deu ‘vida’ ao desenho do seu próprio filho: um boneco de olhos grandes e dedos longos. Ela conta que ele ficou bastante emocionado, surpreso e feliz quando viu o boneco ao vivo, fruto de sua imaginação.

A partir daí, Tsao não parou mais. Até hoje, ela continua recebendo encomendas de todo o mundo. Já são mais de 400 brinquedos de pelúcia produzidos, seguindo como modelo os desenhos das crianças. Tsao já não dá mais conta de tantos pedidos. No início deste ano, em apenas três horas, havia recebido 200 encomendas na sua página do Facebook. Em seu site, ela afirma que a ideia se transformou num ‘negócio’, mas que não este é o objetivo principal. O grande ‘barato’ é dar vida à imaginação particular e única de cada criança.

Conheça o trabalho


 

Monitores de mídia

Eles são monitores de mídia. E a partir do próximo ano vão atuar diretamente na comunicação da escola, auxiliando os professores, propondo e experimentando formas inovadoras de ensino e aprendizagem e redescobrindo novos caminhos para o sucesso escolar. No dia 21 de novembro, quinze alunos do primeiro ano do Colégio Estadual José Leite Lopes – Núcleo Avançado em Educação (Nave), concluíram o Curso de Formação em Monitores de Mídia, promovido pelo Departamento de Mídiaeducação da instituição, idealizado e gerenciado pela OSCIP planetapontocom.

“Trabalhamos de junho a novembro, em encontros semanais. O curso foi bem instigante e teve como proposta discutir o lugar, a importância e o poder dos meios de comunicação no nosso dia a dia e, em especial, no contexto da inovação escolar. Por outro lado também, cada estudante foi capacitado no uso dos equipamentos – câmeras, microfones, softwares de edição – do Departamento de Midiaeducação do Nave, com a proposta de que eles, a partir de agora, também poderão auxiliar os professores nas suas práticas e projetos”, explica Roberta Fernandes, coordenadora do Departamento de Mídiaeducação.

Segundo Roberta, durante os seis meses de encontros, os estudantes também colocaram a mão na massa: entrevistaram professores para mapear os projetos integrados, produziram um manual de bom uso dos equipamentos, que será distribuído aos novos e antigos estudantes do colégio, e propuseram intervenções no espaço escolar para chamar a atenção dos colegas quanto ao uso inadequado destes equipamentos.  “Foi interessante observar que à medida que discutíamos as questões sobre midiaeducação, o grupo começou a propor ações, que foram muito bem vindas”, destaca.

Ao longo do curso, os monitores leram o livro Por dentro dos Meios, uma publicação do planetapontocom que, ao resgatar a história dos meios de comunicação, instiga o leitor a refletir sobre o papel da escola, que, no mundo contemporâneo, precisa repensar suas práticas para formar cidadãos autônomos e com competências para avaliar, criticar e produzir de forma criativa, ética, solidária, sustentável e responsável.

“Foi um diálogo rico que produziu bons efeitos. Engana-se quem acha que esta geração está alienada dos principais temas e polêmicas do dia a dia. Faltam, sim, espaços para que ela possa se expressar, ouvir, dialogar e trocar experiências, visões e expectativas. Promovemos esse espaço”, ressalta Roberta.

Na entrega do certificado de conclusão do curso, que contou com a presença da diretora da escola, Ana Paula Bessa e da presidente do planetapontocom, Silvana Gontijo, foi pedido que cada um dos quinze alunos escolhesse um nome de guerra que resumisse o legado do curso e a força de cada integrante. Regina Estella não titubeou: “Regina Esperança”, confiante que o ano de 2014 será de grandes conquistas. Também estiveram presentes na cerimônia a gerente do planeta, Virginia Barbosa e os professores Winston Sacramento e Tiago Dardeau. O ex-aluno da escola Jonathan Caroba, hoje integrante do Departamento de Mídia e Educação da instituição, também participou.

Relação nominal dos monitores de mídia
André Luis Santos Andrey Arthur Azevedo Carolina Tavares Catarina Lopes Deborah Marcos Gean Saraiva Giulia Ventura Gustavo Torres Ingrid Andrade Julia Custódio Maria Luiza Aguiar Raquel Cristina Regina Estella Amaral Rhebeca Macedo Raquel Cardoso

Mídia e educação: o que pensam os monitores de mídia?

“A comunicação sempre esteve conosco. Ela é indispensável para a sobrevivência do ser humano. Porém, parece que essa comunicação não está funcionando muito bem nos dias de hoje. As pessoas conseguem se comunicar, mas não conseguem se fazer entender. Estamos diante de um grave problema. Acreditamos que, por isso, as ações de mídia e educação são necessárias. Elas precisam estar presentes na escola e desde cedo” – Andrey Arthur e André Oliveira.

“Em situações contínuas observamos que até mesmo um educador precisa buscar outras maneiras de ensino que possam desatar “nós” de aprendizagem. É preciso buscar formas ágeis e eficazes de trabalhar a linguagem. O conceito de comunicação é partilhar algo, tornar comum. Portanto, essa ação de partilhar algo merece ser investida cada vez mais na escola” – Deborah Marcos e Regina Estella.

“Sabemos que todo e qualquer tipo de aprendizado na escola necessita obrigatoriamente de muita prática e atenção. Neste sentido, é importante notar que o espaço de aprendizagem precisa ser entendido como um momento de liberdade para errar, acertar e, principalmente, tentar. Esses verbos só têm ação se a troca entre educadores e educandos for clara, simples e leve. Afinal, os alunos de hoje são os adultos de amanhã” – Carolina Oliveira, Giulia Ventura, Julia Custodio.

“A mídia está em toda parte, seja nas nossas casas ou em espaços públicos. Ela está sempre se renovando e se tornando indispensável, com as suas tecnologias interativas e cativantes. Para os adultos, é um meio. Para os jovens, um mundo. Porém, a falta de limites, às vezes, pode ser prejudicial. Não seria então muito útil discutir com os adolescentes formas positivas de usos?” – Gustavo Torres.

“Muitas vezes, nas aulas, onde apenas o professor fala e os alunos escutam, cria-se um grande abismo entre o educador e o educando, mesmo que não seja aparente. O problema muitas vezes está na linguagem utilizada. Os jovens têm uma linguagem própria. Portanto, não se pode falar com esse público da mesma maneira que se fala com o público adulto. O mestre precisa aprender a se comunicar com seu público alvo, de forma simples, direta e objetiva” – Raquel Rosa.

“Já percebeu como é difícil ensinar? Falar sobre os problemas da comunicação nos dias de hoje, quando as informações estão ao alcance de todos, pode parecer totalmente contraditório. Mas não é, principalmente no dia a dia das escolas. Na maioria das vezes, o que vemos é uma grande falha na comunicação entre educadores e educandos. Integrar o ensino ao mundo do aluno é a saída para melhorar a comunicação nas escolas” – Ingrid Andrade e Rhebeca Macedo.

O livro “Por Dentro dos Meios”, do planetapontocom, apresenta inúmeros exemplos de interação entre mídia e escola. A obra abrange diversos assuntos, além de auxiliar professores e mediadores a lidar com o novo contexto. A relação entre mídia e alunos pode colaborar bastante no processo de ensino e aprendizagem nos dias de hoje. Podemos perceber que, além da discussão sobre midiaeducação, está implícita uma visão crítica sobre as novas tecnologias”.
Catarina Lopes.

“As mídias de hoje tentam auxiliar/facilitar a compreensão de todos os ouvintes, telespectadores ou leitores, diversificando os meios para o entendimento. Com as tecnologias digitais, essa comunicação pode ser mais e mais facilitada”. Maria Luiza.

Doutora brinquedo

Com informações do Público PT

Chris Nee inventou a série Doutora Brinquedos (Doc McStuffins) porque é mãe. A ideia de criar uma série de animação sobre uma menina de seis anos que cura brinquedos, bonecos e bichos de pelúcia surgiu quando diagnosticaram que o seu filho, Theo, tinha asma. A criadora e produtora da série conta que foram horas e horas de médicos e noites no hospital e que em todos os momentos queria tornar o processo menos penoso. Uma noite, por exemplo, a mãe encontrou o filho sentado na cama sem conseguir respirar. A criança foi de ambulância para o hospital e passou toda a noite lá. Um susto para os dois.

“Como mãe de uma criança doente, tudo o que queremos no mundo é fazer com que ela se sinta melhor, mais segura, mais confortável, com menos medo. E fazemos tudo para que isso aconteça. Tudo, completamente. Eu fiz uma série de televisão”, escreve a produtora em seu artigo A série de televisão que fiz para o meu filho.

A série nasceu, justamente, para ajudar as crianças a sentirem menos ansiedade diante dos médicos. Quando a Doutora Brinquedos põe o estetoscópio, algo mágico acontece: os brinquedos ganham vida e a protagonista pode se comunicar com eles, até com os dos seus amigos e de outras crianças da vizinhança.

A série também busca promover um estilo de vida saudável e hábitos de higiene. “Quisemos explorar temas da Medicina e os medos das crianças, mas também promover hábitos de vida saudáveis, como fazer exercício e praticar uma boa alimentação. Estas mensagens são parte da série. Sabemos que ela está tornando a ida ao médico mais fácil”, diz Chris Nee.

Theo tem hoje sete anos e vive em Los Angeles, Califórnia, com a mãe. O menino e a personagem cresceram juntos. Graças a série, Theo já não tem medo de ir ao médico. Uma vez, quando ainda tinha apenas cinco anos, o pediatra disse que ia medir a pressão arterial. Apesar de inicialmente ter ficado apreensivo, Theo lembrou-se que já tinha visto a Doutora Brinquedos fazer o mesmo com um dos bonecos. Ele diz que isso lhe deu confiança. “Foi um momento comovente para mim e tenho certeza que para ele também”, conta a mãe.

Sucesso entre as meninas
Cada episódio apresenta duas histórias com 11 minutos de duração, onde a doutora e seus amigos fazem o diagnóstico da situação e cuidam do brinquedo adequadamente. Os personagens e temas apresentados estão relacionados aos pequenos telespectadores e têm o objetivo de aliviar a tensão das crianças perante a eventual ida ao médico ou a necessidade de remover uma simples farpa. Muitas das histórias abordam especificamente o tipo de situações enfrentadas pelos pais com seus filhos no que diz respeito à saúde, higiene e cuidados médicos.

Em Portugal, a série completa um ano de transmissão, via o canal Disney Junior. É o segundo programa preferido das meninas até os cinco anos de idade. A segunda temporada começa em janeiro. No Brasil, é exibida desde junho de 2012.

Cinema é maior diversão

Não é nenhuma novidade para os estudantes que concorrem ao vestibular da Universidade do Estado do Sul da Bahia (Uesb), localizada em Vitória da Conquista, que cinema rima com aprovação. Na terra de Glauber Rocha, quem gosta e curte sétima arte sai na frente. Desde 2004, obras cinematográficas são temas e conteúdos das provas, uma forma de reiterar a importância da linguagem.

“Trata-se do projeto Cinema eis a questão: o janela indiscreta no vestibular que, a cada ano, escolhe três filmes para compor a grade do vestibular”, explica Raquel Costa, uma das coordenadoras do Programa Janela Indiscreta Cine-Vídeo Uesb, projeto de extensão da universidade.

De acordo com Raquel, dos três longas, dois são nacionais – um de ficção e outro documentário – e um estrangeiro. Em comum, os filmes têm o objetivo de favorecer um olhar diferenciado sobre a produção cinematográfica e incentivar o debate sobre temas importantes do mundo contemporânea.” Trata-se de uma cinematografia qualificada, diversificada e sem muita visibilidade no mercado comercial das salas de cinema, principalmente dos títulos de filmes brasileiros”, conta Raquel.

Os filmes são exibidos aos interessados um mês antes das provas. Na ocasião, a coordenação convida três professores e ou pesquisadores de áreas afins às temáticas dos filmes para comentar e debater. Para os que não podem participar das sessões, a equipe produz, desde 2009, o livreto “Leituras de Cinema”, com textos feitos pelos comentaristas dos filmes e outras pessoas convidadas a colaborar.

“Poderíamos dizer que são dez anos de história. Mas, com 30 filmes exibidos, vistos por mais de 35 mil vestibulandos e comentados por 90 convidados, podemos dizer que são dez anos de histórias, muitas histórias. As dos filmes e as de cada um que lança um olhar único sobre eles: os comentaristas e, claro, os estudantes que compõem essa plateia tão especial”, comemora Raquel.

Para o vestibular deste ano, foram selecionados os filmes: O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburguer;  Infância Clandestina, de Benjamin Ávila; e Marighella, de Isa Grinspum Ferraz. No livreto deste ano, comemorativo aos dez anos, confira os textos e toda a retrospectiva do projeto.

História viva

Por Marcus Tavares

Há semanas, o estudante Lucas Guarnieri, 17 anos, vem pesquisando a história de Lampião. Descobriu fatos e curiosidades da vida do mais famoso cangaceiro brasileiro. Assistiu a filmes e documentários. Entendeu a importância do personagem e passou a se interessar pelos movimentos de resistência no Brasil. Produziu pesquisas e vídeos sobre Lampião, descrevendo seu papel do ponto de vista filosófico, sociológico e histórico. No último feriado, dia 20 de novembro, Lucas produziu a caracterização do personagem. Comprou e customizou um chapéu, buscou uma blusa do pai, uma calça da tia. Reproduziu armas e balas, bem como os óculos. Vestido a caráter apareceu no dia seguinte na escola, assim como Shakespeare, Julieta, Charles Darwin, Margaret Thatcher, Ney Matogrosso e as meninas da Belle Époque, contando sua vida e histórias. A dinâmica faz parte do projeto História Viva, que acontece há três anos no Colégio José Leite Lopes – Nave (Núcleo Avançado em Educação), localizado no Rio.

“O trabalho é construído e realizado com os alunos do 3º ano do Ensino Médio, que são convidados a escolher e estudar um personagem histórico para ganhar vida, por meio de uma representação cênica. Caracterizados, esses alunos, em data específica, trazem os personagens para uma visita ao colégio, quando dialogam com outros estudantes, professores e pessoal de apoio, apresentando um pouco de suas histórias, da época em que viveram e de suas ideias”, explica Ana Paula Mogetti, professora de História, coordenadora do projeto.

Para não esquecer a História

De acordo com Mogetti, o História Viva foi uma das formas que ela encontrou para tornar o aprendizado, no dia a dia das aulas da disciplina, mais divertido e prazeroso, longe das aulas expositivas e avaliações tradicionais. Para ela, uma avaliação mais descontraída é capaz de imprimir uma boa lembrança da História. “Nos dias de hoje, a grande contribuição do ensino de História é incutir nas atuais gerações conhecimentos que fazem a diferença nas conversas, nas relações cada vez mais superficiais a cada rede social que surge. Fico muito feliz quando vejo que entre o cara, aí, se liga nisso e o irado! aparecem informações sobre a história da humanidade que, para muitos, é dispensável. Sabemos que, ao longo dos anos, muito do que se estudou fica adormecido na memória, mas esse tipo de vivência que promovemos não se esquece. Acredito que desta forma as chances de se manter o interesse pela História são maiores”.

Pela História, mas também pela Sociologia e Filosofia. Desde o início, o projeto integra as três disciplinas. “Quando o aluno escolhe o seu personagem, por uma questão afetiva e de interesse particular, ele tem que justificar a escolha também do ponto de vista sociológico, histórico e filosófico. A ideia é que o personagem também possa ser pesquisado a partir dos contextos e conceitos trabalhados nos três anos do Ensino Médio. O lugar e o papel do Estado no contexto de vida do personagem, por exemplo, sempre vem à tona”, explica Eliene Cunha, professora de Sociologia.

Personagem e seu discurso

Na edição deste ano, ao escolherem as mulheres da Belle Époque para pesquisar e encenar, as estudantes Gabriella Kleinpaul, Amanda Almeida, Júlia Gabriele e Anna Carolina Castro tiveram a oportunidade de conhecer a função positiva da transgressão que tais mulheres tiveram na promoção de um novo papel do feminismo na virada do século XX. “Pensar o personagem como interlocutor do pensamento de uma época, contribuindo ou contrariando os paradigmas, é o trabalho que a Filosofia busca fazer neste projeto. Qualquer personagem escolhido pelos alunos traz consigo ideologias, pontos de vistas, pensamentos e atitudes que podem e merecem ser objeto de estudo e reflexão”, avisa Daniel Gaivota, professor de Filosofia.

Depois da entrega das pesquisas e da apresentação dos personagens, a equipe de professores promove uma avaliação e autoavaliação colaborativa do projeto. Segundo Mogetti, o que mais chama a atenção dos estudantes é a oportunidade de brincar com o conteúdo. “Além de conhecer, resgatar e explorar os conteúdos, os estudantes ganham experiência. A vivência da pesquisa e da aplicação dela em algo prático, ainda que simulado, é algo que segue com eles. Não esquecem”, conta.

Para os professores, o projeto, que tem tudo para crescer ainda mais, pode ser facilmente aplicado em outros contextos e realidades escolares. “Basicamente, o projeto é feito de pesquisa e composição de personagens, com improviso de figurino. Os requintes de vídeo-divulgação da visita e a edição dos melhores momentos, que procuramos realizar na escola, é claro, demandam o uso de equipamentos e laboratórios. Mas também, podem ser feitos com o uso de celulares”, indica Mogetti.

O que dizem os alunos?

Muitas vezes é muito chato fazer uma pesquisa escolar escrita sobre um determinado fato e ou personagem da História. Mas fazer uma pesquisa para subsidiar um contato, ao vivo, com a História é muito mais rico, dinâmico e desafiador, o que desperta a atenção de nós estudantes. A gente consegue brincar com a própria história. Rayane Mendes, 18 anos.

O que é legal é que temos, num mesmo espaço e ao mesmo tempo, diferentes personagens dialogando, personagens de épocas e contextos diferentes. E o que é melhor: trazendo suas visões de mundo, suas histórias. Dessa forma, muda o jeito de nós alunos olharmos para a História, para a escola, para o entendimento da disciplina. Amanda Almeida, 18 anos.

Uma coisa é fazer uma pesquisar para fazer um trabalho escrito. Outra coisa é fazer uma pesquisa para vivenciar o personagem.  Não dá para copiar e colar, usar o ctrl c + o ctrl V. É preciso pesquisar muito mais, pensar como o personagem, se vestir, entender a História. Como ficamos expostos, temos que nos preparar. Não podemos pagar mico, no sentido de falar uma besteira ou não interpretar o papel da melhor forma. É totalmente diferente. Gabriela Kleinpaul, 17 anos.

Inscrições abertas

Já estão abertas as inscrições para o 7º Seminário Nacional “O professor e a leitura de jornal”. O evento será realizado nos dias 24 e 25 de abril de 2014, na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e terá como tema ‘Educação, Comunicação e Liberdade na Sociedade do Espetáculo’.

O objetivo do evento é promover discussões com pesquisadores e especialistas que façam relações entre as produções midiáticas e a atividade docente. O seminário é realizado desde 2002. Embora tenha surgido para abordar o uso do jornal na sala de aula, o encontro, já nas últimas três edições, tem promovido discussões em outras linguagens e meios, principalmente,  a internet.

De acordo com o coordenador de Jornalismo do Correio Escola Multimídia e um dos organizadores do seminário, Fabiano Ormaneze, “a programação pretende problematizar as diferentes formas de produção de subjetividade na sociedade contemporânea, levando em consideração o consumo e a espetacularização”. Por isso, parte da programação pretende analisar temas contemporâneos do mundo midiático como reality shows, sensacionalismo e redes sociais.

É possível participar do seminário de duas formas: como ouvinte — com direito a assistir às conferências, mesas-redondas e oficinas — ou como apresentador de trabalhos acadêmicos ou relatos de experiências pedagógicas com o uso de mídia na escola.

As inscrições podem ser feitas pelo site www.correioescola.com.br, clicando no link “7º Seminário”. Todas as informações sobre o evento também estão disponíveis no site.

Organizado a cada dois anos, o evento é uma realização da Associação de Leitura do Brasil (ALB), da Faculdade de Educação da Unicamp, do programa Jornal e Educação da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e do projeto Correio Escola Multimídia, do Grupo RAC. Desta vez, também conta como organizador com o Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal), que mantém um curso de especialização em Educomunicação, em parceria com o Correio Escola Multimídia.

Audiovisual em tempo de transformações

O Sistema Firjan, através do Instituto Euvaldo Lodi (IEL do Rio), em parceria com o Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual (Sicav-RJ), promove no dia 26 de novembro, das 15 às 17 horas, o seminário “O Negócio do Audiovisual em Tempo de Transformações”. O objetivo é debater as transformações provocadas pelas inovações tecnológicas, sociais e regulatórias em andamento, e as mudanças que essa nova realidade exige no negócio do audiovisual. No encontro também será feito o lançamento do curso de Educação Executiva do IEL do Rio para os empresários do setor audiovisual, realizado em parceria inédita com a Escola de Cinema Darcy Ribeiro (ECDR).

O curso é uma iniciativa do SICAV-RJ e tem como objetivo preparar os empresários do setor audiovisual em novas técnicas de gestão e inovação para que sejam aproveitadas as oportunidades abertas pela Lei de Serviço de Acesso Condicionado – Lei 12.485/11, que determina que os canais de TV por assinatura reservem parte de sua programação a conteúdos brasileiros, para promover a cultura brasileira e estimular produções independentes e regionais.

De acordo com o SICAV, o Rio de Janeiro é o maior produtor de filmes do país, responsável por cerca de 70% da produção nacional. As inscrições são gratuitas. Mais informações pelo telefone do sindicato (21) 2513-4555 ou pelo e-mail: sicavrj@sicavrj.org.br.

Programação:

15h às 16h30
 
– Seminário
Silvia Rabello, SICAV (moderadora)
Claudio D´Ipolitto, coordenador acadêmico InoveLab
Ligia Diogo, Segunda-Feira Filmes
Helena Sroulevich, Caribe Produções
Paulo Mendonça, Canal Brasil

16h30
 – Apresentação do programa do curso “O Negócio do Audiovisual em Tempo de Transformações”

O adolescente que quer reinventar a leitura

Por Seth Stevenson
Do Wall Street Journal
Reproduzido do Valor Econômico, 18/11/2013

Depois de ouvir falar que, em março, um garoto britânico de 17 anos vendeu um software para o Yahoo! por US$ 30 milhões, alguém poderia ter noções preconcebidas de que tipo de rapaz ele seria. Um nerd, que só pensa em códigos de programação. Um sujeito tímido, que fala baixinho e tem aversão ao olho no olho.

Por isso, conhecer Nick D’Aloisio é um choque. Imagine um alto executivo do Vale do Silício dotado de temperamento fácil e talento nato para a mídia. Imagine um cara capaz de conversar com segurança (e olhando no seu olho) sobre temas variados como as teorias de Noam Chomsky, a ciência das redes neurais e o conceito budista de “jñana”.

O aplicativo inventado por D’Aloisio, o Summly, comprime textos longos em algumas frases representativas. Especialistas em tecnologia perceberam que um aplicativo capaz de gerar resumos sucintos e precisos seria extremamente valioso num mundo em que estamos o tempo todo lendo coisas em nossos telefones.

Em 2011, aos 15 anos, D’Aloisio recebeu um financiamento inicial do bilionário de Li Ka-shing de Hong Kong, o homem mais rico da Ásia. A venda para o Yahoo! fechou um ciclo notável para alguém que ainda nem terminou o ensino médio. Mas não é só o conhecimento tecnológico que distingue D’Aloisio. Muito antes de poder fazer a barba, ele já era movido por uma curiosidade intensa e um enorme desejo de deixar uma marca no mundo da tecnologia. Não apenas criar, mas construir algo, e, é claro, ganhar dinheiro no processo.

Ele recentemente passou a se reunir com gente como Marissa Mayer, diretora-presidente do Yahoo!, e Rupert Murdoch, presidente da News Corp., a dona do The Wall Street Journal. À sua maneira, ele é tão formidável quanto os relativamente “velhos” David Karp, 27 anos, fundador do Tumblr, ou Mark Zuckerberg, 29, o prodígio do Facebook. “Ele cativa a atenção das pessoas”, diz Joshua Kushner, fundador da Thrive Capital, uma das primeiras a financiar o Summly. “Ele é incrivelmente autoconsciente para a idade.”

Sem comentários

D’Aloisio começou a programar aplicativos para o iPhone em 2008, quando tinha 12 anos e trabalhava em seu quarto, num computador Mac. Não teve aulas formais de computação e nenhum de seus pais entendia de tecnologia. Aprendeu a programar praticamente sozinho.

Estudou línguas diversas como latim e mandarim, e ficou fascinado por conceitos como estruturas gramaticais e análise morfêmica (morfema é a menor unidade linguística com um significado).

D’ Aloisio chegou à conclusão de que era crucial encontrar uma maneira de determinar melhor o que vale a pena ser lido. Imaginou uma ferramenta sintetizadora que usasse teoria linguística para fazer uma sinopse significativa em menos de 400 caracteres.

“Há dois jeitos de fazer processamento de linguagem natural: o estatístico e o semântico”, diz D’Aloisio. O sistema semântico tenta descobrir o significado de um texto e traduzi-lo de forma sucinta. O sistema estatístico – do tipo usado por D’Aloisio no Summly – não se preocupa com isso. Ele mantém as sentenças intactas e descobre como selecionar umas poucas que melhor captem a mensagem do texto todo.

Uma versão inicial do Summly, chamada Trimit, foi destaque na loja de aplicativos da Apple em 2011. Lá, o app chamou a atenção do TechCrunch, um blog influente do Vale do Silício, e logo atraiu um grupo de investimento liderado por Li Ka-shing, o Horizons Ventures.

“Pensei que ia vender o aplicativo por uma ou duas libras esterlinas cada um na loja da Apple e aí usar o dinheiro para comprar um computador novo”, diz D’Aloisio. “Nunca havia tido contato com um investidor antes.” Ele foi à reunião com representantes do Horizons Ventures acompanhado dos pais. O encontro terminou com D’Aloisio recebendo um investimento inicial de US$ 300.000.

Ele foi levado a conferências de tecnologia em todo o mundo e apresentado a outros potenciais investidores. “Ele tem uma maturidade assustadora”, diz Andrew Hall, diretor da King’s College School, a escola que D’Aloisio frequenta desde os 11 anos.

D’Aloisio atraiu também um grande grupo de financiadores para o Summly, incluindo famosos como Ashton Kutcher, Yoko Ono e Stephen Fry.

Os pais de D’Aloisio migraram da Austrália para a Inglaterra. O pai, Lou, trabalhou na área de commodities da BP e do Morgan Stanley, e a mãe, Diana, é advogada especializada em direito empresarial e representa o filho nos contratos. Eles sempre souberam que D’Aloisio era uma criança extremamente curiosa. “Mas ele é nosso primeiro filho e, por isso, não achamos que fosse nada fora do comum”, diz Diana. (O irmão de D’Aloisio, Matthew, tem 14 anos.) Eles enfatizam o fato de que D’Aloisio continua a ser um garoto normal. “Ele ainda sai nos fins de semana, vai a festas, namora”, diz Diana. E, embora tenha parado de frequentar a escola, ainda tem que fazer lição de casa e se encontra com seus professores regularmente.

Por enquanto, D’Aloisio não tocou no dinheiro. “Sou muito novo para apreciar o valor desse dinheiro”, diz. Ele não tem autorização para comentar o preço de venda do Summly, noticiado como US$ 30 milhões.

Vício empreendedor

Talvez a pergunta mais interessante seja por que o Yahoo! gastou tanto dinheiro num único aplicativo. É que a capacidade de resumo do Summly se encaixa perfeitamente ao novo foco do Yahoo! em serviços para dispositivos móveis. A empresa americana de internet está decidida a obter espaço na disputada telinha do smartphone e atrair os jovens.

Não há dúvida que a aquisição é uma dessas em que a pessoa sendo adquirida é tão importante quanto o produto. D’Aloisio está agora trabalhando em tempo integral no escritório do Yahoo! em Londres. Mayer, a diretora-presidente, elogia seu “compromisso com a excelência em design e a simplicidade”. D’Aloisio passa 80% do tempo no escritório melhorando o Summly (que já foi integrado aos apps para iPhone do Yahoo!) e os restantes 20% planejando novos desafios. Ele prevê que haverá programas para sumarizar para vídeo fazendo o equivalente ao que o Summly faz para texto.

D’Aloisio está pensando em cursar uma faculdade na Inglaterra, ou talvez nos Estados Unidos, para ficar mais perto do Vale do Silício. Ou talvez nem faça faculdade. “Com certeza quero abrir outra empresa”, diz ele. “Empreendedores ficam viciados nisso.”

 

Júri Jovem



Por Ygor Bahia

Estudante da Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch (Eteab)

Recentemente tive o prazer de participar de dois festivais de cinema que ocorreram aqui no Rio de Janeiro: o Mostra Geração, do Festival do Rio; e o Curta Cinema. Diferente das demais oportunidades que já me apareceram durante o curso técnico que faço na Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch (Eteab), no Rio de Janeiro, nesses dois festivais tive a responsabilidade de avaliar filmes das respectivas mostras competitivas, fazendo parte do júri jovem, que vem sendo a aposta de muitos festivais para obter, conseguir um novo olhar para os filmes. Está aí uma responsabilidade que não é nada fácil.

No Festival Curta cinema 2013 foi uma tarefa ainda mais difícil. Assisti a cerca de 30 filmes da mostra internacional. Assistir aos curtas foi muito importante para que eu pudesse vivenciar e conhecer novas estéticas do cinema, conhecer um cinema além do que é produzido no nosso pais e nos grandes pólos da indústria audiovisual. Tive a oportunidade de ver e entender novas formas de montagem, de fotografia e de construção de narrativa.

Enquanto assistia aos filmes, procurava, em primeiro momento, me envolver com o sentido, com o conceito que cada obra tentava passar. Levando em conta que passamos por um período de muitas lutas sociais no nosso país e grandes disputas, os curtas que se identificavam com a temática e se apresentavam com elementos singulares às lutas acabaram sendo mais impactantes, na minha avaliação. O Júri jovem foi composto por adolescentes de vidas sociais muito diferentes, cada um de uma religião, cultura, estrutura familiar e outros aspectos que foram de grande importância para que a escolha do prêmio de melhor curta  pudesse ser bem justa.

Participar do Festival, como parte do júri, foi uma grande experiência de vida, de relacionamento com as pessoas, de comprometimento e responsabilidade. E uma aula de produção e cinema ao ver a capacidade de muitos cineastas que, mesmo com todas as dificuldades, amam a comunicação e fazem de tudo para conseguir transpor a história do roteiro para a tela do cinema. Cineastas que são, na prática, grandes inspiradores.

Câmara dos Deputados altera Projeto de Lei

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, no dia 19 de novembro, em caráter conclusivo, projeto de lei que acrescenta ao artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional o entendimento de que a disciplina de arte, nas escolas de Educação Básica, deva dar conta de conteúdos referentes ao patrimônio artístico, arquitetônico e cultural brasileiro, bem como dos conteúdos das artes cênicas, visuais e audiovisuais. No que diz respeito ao audiovisual, a lei sugere que as unidades deem preferência à exibição e análise de filmes nacionais. O texto ainda exclui a obrigação do ensino de educação ambiental e princípios de proteção e defesa civil dos currículos da Educação Básica.

A decisão dos parlamentares altera o texto original do Projeto de Lei 7507/10, de autoria do senador Cristovam Buarque. Pela proposta inicial, e aprovada no Senado, a exibição de filmes brasileiros deveria ser componente curricular obrigatório, integrado à proposta pedagógica da escola. Na ocasião da aprovação, Cristovam Buarque destacou que o “O cinema é a arte que mais facilidade apresenta para ser levada aos alunos nas escolas”. Para o senador, os jovens que não têm acesso a obras cinematográficas ficam privados de um dos objetivos fundamentais da educação: o desenvolvimento do senso crítico.

Como foi modificada por deputados, a matéria terá de ser analisada novamente pelos senadores. Se houver recurso, porém, o texto poderá ter de ser apreciado antes pelo Plenário da Câmara. Leia o projeto alterado, aprovado pela Comissão.

Intensivão sobre games


Todo mundo curte. E sabe-se que eles encantam, principalmente, crianças e jovens. Incorporá-los ao dia a dia da escola parece que é um caminho promissor. É o que aponta a pesquisa As perspectivas tecnológicas para o Ensino Fundamental e Médio brasileiro de 2012 a 2017, realizada pelo Sistema Firjan e o New Media Consortium. Segundo o estudo, os games são as principais tecnologias emergentes no cenário educacional. Profissionais, pesquisadores, educadores e especialistas estarão no Rio, no dia 21 de novembro, para discutir o assunto, instigando professores e apresentando propostas e dicas. É a edição do Conecta 2013.

“A escolha do tema Games para o Conecta 2013 vai ao encontro de uma tendência mundial de debater todo o potencial criativo e produtivo que os jogos proporcionam em diversas áreas do conhecimento. A cultura dos jogos, a Gamificação, já é amplamente utilizada em diversos segmentos da sociedade, para estimular a participação do usuário em sistemas com lógicas exclusivas dos jogos”, destaca a coordenação.

O evento será composto por palestras, como a do fundador do Atari, Nolan Bushnell, que hoje se dedica a utilizar a tecnologia para melhorar a educação; e oficinas, como a do pesquisador Roger Tavares, que vai sugerir jogos do mercado para serem trabalhados pelos professores na sala de aula.

A programação contará também com a Arena Conecta, na qual os estudantes serão as estrelas, assumindo o papel de entrevistados. Oportunidade para saber e conhecer o que eles, de fato, pensam sobre os jogos eletrônicos e a escola.

Veja a programação completa aqui 

Chamada para o projeto da Mostra Cinema e Direitos Humanos

Profissionais e instituições ligadas ao audiovisual têm até o dia 15 de novembro para se inscrever no projeto educativo “Inventar com a diferença”, que tem o objetivo de oferecer formação e acompanhamento a educadores de escolas públicas de todos o país para realização de trabalhos audiovisuais em torno da temática dos direitos humanos, durante o primeiro semestre de 2014. A proposta prevê que o projeto culmine com a produção de curtas-metragens desenvolvidos por estudantes a serem apresentados na 9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, no segundo semestre do próximo ano.

Podem-se candidatar ONGs, pontos de cultura, centros culturais, cineclubes, universidades, laboratórios de pesquisa e afins – para atuarem como espaço parceiro, de apoio e suporte para realização de atividades com professores; e pessoas físicas para atuarem como mediadores em oficinas de cinema e educação. É preciso ter experiência comprovada no campo da docência em universidades, escolas livres de artes, oficinas de criação ou cursos práticos e profissionalizantes. As inscrições devem ser realizadas pela instituição parceira com a indicação do mediador.

O projeto “Inventar com a diferença” será dividido em duas etapas: Janeiro – Trabalho de aperfeiçoamento com mediadores no Rio de Janeiro entre os dias 8 e 10 de janeiro. Um mediador em cada estado e no distrito federal vão ministrar oficinas de cinema e direitos humanos a educadores em dez escolas do Ensino Fundamental e Médio. Em cada estado, haverá uma oficina com duração de 20 horas a ser realizada no espaço parceiro do projeto. Fevereiro a junho – Na segunda fase, os educadores, em suas escolas, desenvolverão projetos de cinema e direitos humanos com os alunos, sob o auxílio do mediador.

Espaços Parceiros – Os espaços parceiros devem disponibilizar: sala para encontros de até 25 pessoas, computador e internet. Devem estar localizados em municípios com no mínimo 10 escolas de ensino fundamental e/ou médio.

Mediadores – A carga horária é de 30 horas semanais com remuneração de R$3.000 (três mil reais). Para participar da seleção é necessário preencher o formulário de inscrição até o dia 15 de novembro através do site sdh.gov.br/mostracinemaedireitoshumanos.

À procura de especialistas em audiovisual

A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura prorrogou até o dia 20 de dezembro as inscrições para o edital de Credenciamento de Especialistas em Audiovisual, que tem o objetivo de criar um banco de especialistas para atuar em comissões de seleção de editais e em curadoria de obras audiovisuais. Inicialmente, o prazo terminaria no dia 22 de novembro.

Os especialistas poderão ser credenciados nas seguintes categorias: Direção de Cinema e TV; Roteiro de Cinema e TV; Direção de Fotografia; Edição de cinema e TV; Edição de Som; Direção de Produção de Cinema e TV; Produção Executiva de Cinema e TV; Distribuição de Cinema e TV; Animação (animadores, modeladores, criadores, cenaristas e diretores); Análise Crítica em Audiovisual; Pesquisa em Audiovisual; Jogos eletrônicos; Exibição Comercial e/ou Não-Comercial (cineclubes); Curadoria de Conteúdos Audiovisuais; e Preservação de Acervos e Arquivos.

De acordo com o edital, o credenciamento ficará restrito a uma categoria do segmento audiovisual principal e uma categoria secundária. A inscrição deve ser feita no sistema Salicweb, do MinC. O ministério tem vinte dias úteis, após o último dia de inscrição, para divulgar a lista preliminar dos candidatos selecionados.

Inscrições: veja como proceder
Leia o edital do candidato

Cultura do aluno e novas tecnologias

Com informações do Jornal da Unicamp
Carmo Gallo Netto 

Por que a maioria dos jovens se sente motivada a curtir e compartilhar conteúdos nas redes sociais e não tem a mesma postura diante dos conteúdos da escola? Seria possível aproveitar o mundo virtual dos estudantes, bem como as ferramentas digitais, na sala de aula, tornando os alunos mais participativos? Estas foram as duas perguntas que nortearam a dissertação de mestrado da professora Melina Aparecida Custódio, defendida este ano no Instituto de Estudos da Linguagem, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para Melina, “não se pode tratar o aluno como mero espectador, despejando conhecimento e informações a que ele já tem acesso através da internet. Claro que estou considerando a realidade de uma região em que a maioria dos alunos tanto das escolas privadas quanto públicas dispõem da web”, destaca.

A pesquisa de Melina começou dentro de sua sala de aula, com um grupo de alunos do oitavo ano do Ensino Fundamental, de uma escola particular de Campinas, São Paulo. Depois de ter diagnosticado o que os seus alunos faziam na internet, a professora teve a ideia de compreender possíveis relações entre as práticas letradas dos jovens no espaço virtual e a influência desse repertório na produção colaborativa de um texto escrito na escola.

Para desenvolver a atividade, a professora dividiu a turma em grupos e propôs que cada um criasse um texto que tivesse a tragédia como tema. A proposta se baseou na leitura e releitura da tragédia de Hamlet, em Rei Lear, de Shakespeare. “A tragédia a ser produzida deverá abordar um tema de interesse do seu grupo, explorar recursos e assuntos com os quais nem os gregos (referência à tragédia grega também estudada) nem Shakespeare sonharam”, eis o desafio proposto aos grupos.

De acordo com Milena, os alunos podiam produzir a tragédia não só a partir dos conhecimentos adquiridos na escola, mas, e principalmente, a partir de suas próprias vivências. Eles foram instigados a utilizar repertórios, não valorizados pela escola, mas que faziam parte dos seus universos: entre outros, letras de música, videogames, histórias em quadrinhos de estilo japonês, os mangás, e animações produzidas no Japão, os animês.

Para acompanhar passo a passo a produção de cada grupo e propiciar um ambiente virtual familiarizado pelos estudantes, Milena fez uso da ferramenta digital Google Docs, que permitia o trabalho colaborativo dos membros do grupo, que poderiam trabalhar, à distância, ao mesmo tempo, escrevendo, comentando, modificando, (re)escrevendo. Procedimento que podia ser, inclusive, acompanhado passo a passo pela professora.

Resultado? Na avaliação da professora, a produção obtida não encontra paralelo nos trabalhos realizados rotineira e individualmente na sala de aula, em que o aluno dispõe de tempo limitado para elaborar um texto em que suas vivências culturais muitas vezes não são solicitadas.

Com o trabalho, Melina observou que a produção colaborativa, em tempo real e concomitante, colocou o aluno no papel do professor à medida que os alunos se corrigiam mutuamente, manifestando cuidados mútuos em relação à suas escritas, retomando regras gramaticais e reflexões que pareciam terem sido ensinadas em vão na sala de aula. A experiência tirou os estudantes também do papel de espectadores. Eles se tornaram, na prática, produtores que tinham encontrado a oportunidade de utilizar seus conhecimentos.

Além disso, a professora verificou que os estudantes também demonstraram motivação ao terem a possibilidade de utilizar repertórios de outras mídias e linguagens que fazem parte do seu dia a dia, de suas vivências fora da escola, muitas vezes negligenciadas. “Ao fazer o aluno compreender a importância dos seus conhecimentos e vivências e como eles podem ser utilizados na escola, propicia-se o despertar de uma paixão. A partir desse sentimento, o estudante se sente motivado a ir à escola, a trabalhar, a mostrar o que sabe e revela-se produtivo e criativo. É o que se quer desenvolver no jovem hoje: participação na sociedade, no mundo do trabalho com atitudes éticas, cívicas e proativas”, disse.

A conclusão da pesquisadora é a de que o conhecimento individualizado, hierarquizado, não motiva o aluno, não desperta interesse, não leva a uma postura proativa, não atrai. E, em boa parte dos casos, gera indisciplina. Em sua dissertação, Melina chama a atenção para a extrema importância da valorização da cultura e do dia a dia dos alunos na garantia do aprendizado efetivo, sem escamotear as questões sociais e culturais imbricadas nos mais diversos usos da linguagem. Considera essa abordagem bastante diferente daquelas sedimentadas na escola que ensinam os gêneros pelos gêneros, sem que os alunos saibam os contextos em que ocorrem e com quais propósitos.

Para ela, é importante “a discussão do papel do professor, que, frente a esse panorama, não pode mais ter sua função reduzida à transmissão de informações. A ele são lançados os desafios de conhecer as vivências culturais de seus alunos, construir projetos de trabalho que os insiram em práticas autênticas de produção de conhecimento, preparando-os para práticas bem-sucedidas de participação nas múltiplas maneiras de ser humano”.

Vale tudo para crianças?

Por Lais Fontenelle
Psicóloga

O MMA (Mixed Martial Arts) – Artes Marciais Mistas, na tradução para o português – tem ganhado cada vez mais novos adeptos da prática. Pasmem! Segundo últimas notícias em jornais internacionais e nas redes sociais crianças menores de oito anos têm se enfrentado em ringues ou palcos octogonais pelo mundo, mais especificamente EUA e Armênia, com sangue nos olhos e golpes para lá de adultos – que demonstram uma espetacularização da violência desde a infância. É fato que o boom do MMA, como um espetáculo midiático, que envolve diferentes artes marciais, faz sucesso há tempos em nosso país – seu criador – e mundo afora e que também não é de hoje que se observa uma adultização da infância quando vemos cada vez mais crianças ocupando papéis antes reservados ao universo adulto. Então vocês devem estar se perguntando o que tanto me chocou nas notícias que li.

Talvez o que mais tenha me chamado atenção, em tempos tão violentos – quando uma cultura de paz se faz urgente – foi ver que crianças, desde a mais tenra idade, têm sido treinadas ao ataque e encorajadas, por suas famílias, a ter um desempenho de galos de briga ao participar de um espetáculo que cultua e propaga a violência. E acho que não fui a única a questionar essa nova moda, pois o que andei lendo foram relatos bastante indignados de profissionais da saúde e educação e até o próprio presidente do UFC, Dana White, criticando a realização dessas lutas infantis. Para quem não está tão por dentro vale mencionar que UFC (Ultimate Fighting Championship) é hoje a maior organização de artes marciais mistas do mundo, que contém os maiores lutadores do esporte e produz mega eventos ao redor de todo o mundo. Mas, muito mais do que um evento, podemos dizer hoje que o UFC é uma marca que vende. Muito mais do que roupas, ídolos, acessórios de luta ou organiza eventos, a marca vende valores como competição, derrota, luta, ataque, performance, ganhador X perdedor.

Vale destacar que não quero dizer aqui de forma alguma, até como esposa de um karateca e filha de judoca, que lutas de contato são maléficas para as crianças ou que a prática de artes marciais é inadequada na infância porque, sem dúvida, tanto essas lutas quanto as artes marciais podem ensinar valores bem importantes como: autocontrole, foco, dedicação, comprometimento, defesa e principalmente respeito. Porém, tudo tem seu tempo e sua indicação. No karatê, por exemplo, que significa mãos vazias, o que se busca é mais autoconhecimento do que competição e crianças menores de oito anos não podem, em locais sérios, exercitar a prática. Há até um ditado dentro desta modalidade que diz que “o karatê começa na faixa preta”, o que significa que apenas depois de muita experiência se é capaz de começar a compreender o verdadeiro significado de uma arte marcial. No Judô o oponente não é tido como um adversário que merece ser nocauteado e sim como alguém que merece respeito na sua prática. Os golpes podem até ser enxergados como um balé a dois. Existem muitas regras claras de proteção à integridade física do seu oponente. O tatame é tido, inclusive, como uma terra santa.

Já o que tem acontecido nesses ringues é algo totalmente diferente e que passa longe do respeito exercitado através de outras lutas. O que se vê é uma espetacularização da violência onde crianças pequenas são convidadas a se degladiar enquanto adultos-voyeurs gozam divertindo-se e tomando cerveja. Tudo isso à custa de comprometimentos físicos nos ligamentos, ossos e pescoços das crianças sem contar com os danos emocionais e as marcas subjetivas que podem ser acarretadas por essa prática abusiva. Não se pode nunca esquecer que nossas crianças são seres em desenvolvimento psíquico, físico e emocional e que aprendem através de modelos adultos. Precisamos então parar e pensar no que estamos permitindo que seja feito com as crianças e seus corpos expostos. O das meninas, cada vez mais erotizados e despidos, e dos meninos expostos nessas lutas espetaculosas. Tanto as artes marciais quanto as lutas de contato envolvem conceitos sérios que a criança ainda não tem formados dentro de si. Essa prática esportiva, extremamente competitiva aos meus olhos, quando praticada na infância não traz  nada além da expressão de uma agressividade gratuita. Porque acredito que as crianças que ali entram para lutar não tem ainda a capacidade de entendimento total do que esse espetáculo envolve. Assim como, tenho certeza que, as meninas que desfilam em passarelas de mini miss também não têm a dimensão do que é essa experiência – e talvez seja até por isso que o Estado Francês discutiu com a devida seriedade esses concursos também.

Esse cenário não pode se armar e se tornar realidade. Nossas crianças precisam exercitar valores mais cooperativos do que competitivos e de ataque. Vivemos um momento especial no mundo em que diferentes manifestações de violência têm acontecido e sido cada vez mais recorrentes e ainda nos perguntamos o que tem acontecido. Nossas crianças têm sido convidadas ao combate e a luta, desde pequenos, quando o que mais se precisa hoje talvez seja de cooperação, solidariedade e troca afetiva – valores que não se aprende nesse tipo de embate.

E nem adianta vir com explicações, como a de um treinador desses pequenos lutadores, que disse que ele promove somente diversão e exercícios físicos entre esses meninos.  O que se promove são nada mais do que cenas brutais de aviltamento da infância. As crianças precisam de mais respeito e do entendimento de que coragem significa agir com o coração e isso começa em nós adultos. Temos o dever de questionar ou, pelo menos, estranhar espetáculos como esse. Crianças precisam brincar como exercício de comportamentos adultos. Elas não precisam de ringues ou palcos para construção de conceitos como feminilidade, masculinidade, coragem e bravura.  Para nossas crianças não vale tudo. Deixo aqui minha indignação.

Desenhos premiados

Os vencedores do 11º Salãozinho de Humor de Piracicaba foram anunciados no último mês. A estudante piracicabana Raíssa Pedroso, 7, da Escola Estadual Professor José Romão, levou o primeiro lugar na categoria 7 a 10 anos com a caricatura de Chiquinha, personagem da Turma do Chaves. Já Lia Tricoli, 11 anos, do Instituto de Arte e Cultura Garatuja, de Atibaia, venceu na categoria 11 a 14 anos com a versão do cantor Pe Lanza.

“Escolhi o Pe Lanza porque é um personagem que chama bastante atenção, tem um óculos gigante e o cabelo é muito engraçado”, descreveu Lia Tricoli. Já Raíssa declarou sua paixão pela personagem Chiquinha e se disse surpresa com o resultado.

A análise dos 2.514 desenhos enviados para o Salãozinho ficou a cargo de Amauri Ribeiro, Igor Bragaia, Maria Luziano e Daniel Ponciano, que integraram o júri. “O colorido e a espontaneidade, inerentes à criança, resultaram numa Chiquinha graficamente engraçada”, comentou Daniel. Para Maria, a caricatura de Pe lanza se destacou pela inovação: “Este foi um dos trabalhos mais completos, unindo criatividade e qualidade técnica.”

Radiodifusão longe das mãos dos políticos

44% não sabem que é necessária autorização do Estado para que funcione uma emissora de TV ou rádio; apenas 32% dos entrevistados sabem que é proibido aos políticos terem emissoras de rádio ou TV; 63% da população é contra a posse de emissoras de rádio ou TV por políticos; e 64% são contrários a que apresentadores de rádio e TV se candidatem a cargos públicos.

Esses são alguns resultados da pesquisa Poder e Meios de Comunicação, realizado, em setembro deste ano, pelo Data Popular e pelo Instituto Patrícia Galvão. Os dados, relativos a 50 municípios sorteados, apontou que 63% da população acredita que políticos não deveriam ser donos de emissoras de rádio e TV. Porém, cerca de 70% dos entrevistados não sabem que a Constituição proíbe tal prática, ou acreditam que seja permitida.

acesse a apresentação da pesquisa

Apesar da grande resistência das empresas de comunicação, a pesquisa indica a urgência do debate sobre a questão. Os dados demonstram que a maioria da população acredita que os poderes político e midiático não podem se confundir. Neste sentido, se faz premente o posicionamento do poder judiciário sobre a questão – tramita no STF, por exemplo, ação que pede a cassação das licenças de rádio e TV cujos donos sejam políticos.

“Nos debates que se seguiram (às manifestações populares),na mídia e no Congresso, sobre a reforma ou minirreforma política não houve menção, questionamentos ou ênfases sobre a propriedade de meios de comunicação por deputados e senadores. E é nesse sentido que chama atenção a visão crítica da população em relação a esse tema”, observa  Jacira Melo, coordenadora do Instituto Patrícia Galvão.

Trabalho infanto-juvenil na mídia: direitos

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática aprovou, no dia 30 de outubro, projeto de lei (PL 5867/09) do deputado Luiz Carlos Hauly, que regulamenta as atividades exercidas por crianças e adolescentes nos meios de comunicação.

O projeto foi aprovado na forma de substitutivo do relator, deputado José Rocha, do PR Baiano, e acrescenta parágrafos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei 8.069/90). Na proposta, são exigidos requisitos para a contratação de crianças e adolescentes para atividades que tenham natureza artística, desportiva e lúdica.

As empresas de comunicação que contratam crianças e adolescentes terão que obedecer algumas exigências como, por exemplo, manter psicólogos, atendimento médico e salas de repouso e de alimentação. No caso de descumprimento das normas de proteção da criança e do adolescente é estabelecido multa de até R$ 50 mil.

Para o deputado José Rocha, a lei oferece uma maior segurança à criança e ao adolescente, garantindo assim que a imagem do contratado não seja usada de forma abusiva.

Segundo consta na proposta, o contrato com a empresa deve estabelecer explicitamente a duração da cessão de direito de uso da imagem da criança e do adolescente, para garantir a eles seus direitos após o término do contrato.

“Às vezes, você tem se utilizado muito da imagem da criança e/ou do adolescente sem que eles tenham seu direito preservado ou até, às vezes, abuso do uso dessa imagem repetidamente. Às vezes, isso se repete por conta do contrato feito durante o trabalho. Então, à medida que você regulamenta isso, você dá à criança e ao adolescente, o seu direito, estabelecido em contrato, como, também, você dá aos meios de comunicação, detentores do contrato, a segurança de que esse direito de imagem está preservado durante o seu tempo de trabalho e não se perdurar depois desse contrato.”

Guilherme Angelim, da Guinada Produções, afirma que os trabalhos exercidos no meio artístico, geralmente, não coincidem com os horários em que as crianças e os adolescentes estão em sala de aula. Segundo ele, o projeto é contraditório e não funciona para a televisão e o cinema, pois é inviável prolongar o direito de imagem até a idade adulta.

“Diante do mercado – vamos colocar assim -, da prática, é uma coisa que torna a atividade do produtor de cinema, do produtor de publicidade, do produtor de cultura em geral um pouco inviável, porque é um pouco contraditório perante o que realmente é uma produção de um espetáculo, de um cinema com uma adolescente e com uma criança.”

A proposta que regulamenta a participação de crianças e adolescentes em meios de comunicação ainda será analisada pelas comissões de Trabalho, Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça.