O verdadeiro gol de placa

Por Marcus Tavares
Artigo publicado no Jornal O DIA, no dia 25/01/2014

Daqui a pouco começa mais um ano letivo. Enquanto estudantes aproveitam as últimas semanas de férias, professores já se preparam para o planejamento das atividades, para a volta às aulas. 2014 é um prato cheio, afinal não faltam temas, datas e eventos. Mas um debate em especial deveria fazer parte do cronograma de todas as instituições, sejam públicas ou privadas, seja qual for o segmento de ensino: as eleições. De certa forma, a questão da política, como tema central, faz parte, continuamente, do Projeto Político Pedagógico das escolas. Mas, muitas vezes, infelizmente, é deixado de lado ou trabalhado isoladamente por algum professor.

O ano eleitoral de 2014 é, portanto, um ótimo gancho para fazer com que o tema ganhe espaço e discussão. Engana-se que pensa que os alunos não curtem. Há uma série de provocações que pode ser feita aos estudantes. Duvido não despertar a atenção deles. Da Educação Infantil ao Ensino Médio, é preciso contribuir para a constituição de um cidadão político. Muitos de nós, adultos, não acreditamos na política partidária que aí está; temos, com razão, certo nojo da politicagem e sabemos que é preciso muito empenho, paciência e luta para mudar o quadro político brasileiro, no qual as diferenças sociais, culturais, políticas e econômicas se agravam a cada dia. Por isso, e por muito mais, é que não podemos, enquanto escola (professores, funcionários e pais), deixar de lado tal debate.
Formas de governo, voto aos 16 anos, propaganda eleitoral, ficha limpa, partidos políticos, poder da publicidade, propostas de governo dos candidatos, corrupção, arranjos políticos… Não faltam assuntos. E muito menos possibilidades de articulação e de atividades dentro e fora da escola. Pesquisas, palestras, entrevistas, mesas-redondas, interpretação de gráficos das pesquisas eleitorais, exibição de filmes, simulação de campanhas, produção de vinhetas, de pequenos documentários, avaliação dos programas dos candidatos… Como seria interessante que todas as áreas do conhecimento se unissem para debater o tema. Já pensou em transformar as escolas em polos de discussão da e com a comunidade? Já pensou cada escola estabelecer o programa ideal de governo para o seu estado, para o Brasil?

Essa garotada que está nas escolas é esperta, mas desconhece — por completo — seus direitos, como também seus deveres como cidadão. Sequer sabe o que são políticas públicas e quem, sempre, paga a conta no final. Se a escola não discutir política, com P maiúsculo, e não desenvolver um bom trabalho, contundente e consequente, tenho certeza de que muitas crianças e jovens não terão outra oportunidade. Há quem torce para que este quadro não mude. Não mudando, continuaremos numa eterna luta cada vez mais desigual. E a escola? Longe, muito longe de sua responsabilidade cidadã, política. Professor, pai, funcionário e você, estudante, façam um projeto bem bacana sobre política, eleição na escola. Um gol muito mais inesquecível e importante do que qualquer outro que vai rolar na Copa do Mundo deste ano.

Mudanças na Educação do Rio

Por Marcus Tavares

O ano começou com mudanças na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. O subsecretário de novas tecnologias educacionais, Rafael Parente, deixou o cargo. Segundo ele, para se dedicar a projetos pessoais. Ao longo de cerca de cinco anos, sua equipe propôs e criou projetos integrando tecnologias, mídias e educação. Entre as propostas, destacam-se a Educopédia, plataforma online colaborativa de aulas digitais, onde alunos e professores podem acessar atividades autoexplicativas de forma lúdica e prática; e o Ginásio Experimental das Novas Tecnologias Educacionais (Gente), que consiste em conceber e desenvolver um novo modelo de escola que inova na arquitetura do prédio escolar, se apropria integralmente de novas tecnologias educacionais, promove inovação curricular, coloca o aluno no centro do processo de aprendizagem e tem ênfase na formação dos professores.

Em entrevista à revistapontocom, Parente fez um balanço de sua gestão. Ponderou sobre suas ações e projetos. Analisou os pontos positivos e negativos. “Muitas escolas (cerca de 40%) ainda não têm internet de qualidade”, destacou. Criticou a morosidade do serviço público: “as regras que regem a administração pública são ultrapassadas e alimentam a inércia, tornando as mudanças e a inovação coisas quase proibitivas”. E destacou que é “preciso intensificar o desenvolvimento profissional de professores e gestores para que eles possam estar mais preparados para mudarem os seus papéis nas escolas e na rede. É preciso abandonar velhos discursos e comportamentos, criticar a realidade com responsabilidade e assumir a postura de agentes de transformação. Isso eu digo em relação a todos da comunidade escolar, incluindo os parceiros, os voluntários, os estagiários e os alunos”.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Sua passagem pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro foi marcada, mais fortemente, pela criação do Educopédia e mais tarde pela implementação do Gente. Qual foi o significado destes projetos?
Rafael Parente – Acho que há algumas coisas relacionadas aos dois projetos que são mais importantes do que simples ações ou programas isolados.  Conseguimos incentivar a inovação, o pensamento, o planejamento e a realização colaborativa, com o empoderamento dos professores e dos alunos. Buscando, assim, repensar posturas, espaços e metodologias cristalizadas há séculos. A rede mostrou que está sedenta por inovações e por poder fazer melhor e diferente, desde que tenha vez, voz e o ambiente adequado.

revistapontocom – Você acredita que estes projetos são, hoje, projetos de Estado, no sentido de que terão continuidade administrativa, independente de eventuais trocas dos mandatários?
Rafael Parente – É difícil dizer. Acho que muitas escolas, professores, pais e alunos querem a continuidade dessas ações e sempre disse que essa continuidade, no Rio de Janeiro, vai depender muito deles, do quanto eles se organizarem e se articularem para que continuem. Como o que fizemos já mostrou resultados concretos e muito positivos, acredito que qualquer pessoa sensata vá decidir pela continuidade, com adaptações e melhorias que são normais em todos os casos. Não sou vaidoso quanto a isso, não tenho problemas com relação a créditos e autoria, mas torço muito para que continuem e consigam evoluir mais e mais.

revistapontocom – O que deu certo e o que não deu nestes projetos? O que ficou?
Rafael Parente – Muita coisa deu certo e muita coisa precisou ser melhorada. Falo abertamente que comecei o trabalho com metas ousadas demais, como ter internet suficiente (banda realmente larga) e estável funcionando em todas as escolas e salas de aulas até o final do meu primeiro ano como subsecretário. A realidade mostrou que tudo era muito mais difícil do que eu previa inicialmente e que tinha uma visão ingênua dos possíveis desafios que encontraria no meio do caminho. A Educopédia se estabeleceu como a principal plataforma de aprendizagem no país hoje. Ela tem reconhecimento nacional e internacional. É usada em várias cidades. Nossas pesquisas internas mostram que a maioria adota, usa e quer continuar usando. O Gente, ainda que muito novo, também já tem reconhecimento nacional e internacional. Faz parte de uma lista das 80 escolas mais inovadoras do mundo. E os comentários que recebemos dos visitantes (e dos professores e alunos da escola) são incríveis. Por outro lado, poderia fazer uma lista gigante de coisas que não deram certo. Não consegui resolver o problema de estrutura suficiente para a utilização da Educopédia em toda rede. Muitas escolas (cerca de 40%) ainda não têm internet de qualidade. É preciso intensificar o desenvolvimento profissional de professores e gestores para que eles possam estar mais preparados para mudarem os seus papéis nas escolas e na rede. É preciso abandonar velhos discursos e comportamentos, criticar a realidade com responsabilidade e assumir a postura de agentes de transformação. Isso eu digo em relação a todos da comunidade escolar, incluindo os parceiros, os voluntários, os estagiários e os alunos. Com relação ao Gente, vimos que um ano era muito pouco tempo para internalizar todas as mudanças que havíamos planejado. A personalização da aprendizagem, o desenvolvimento de educação interdimensional (todas as dimensões do humano) e a aprendizagem baseada em projetos transdisciplinares aconteceram somente pela metade.

revistapontocom – O que os professores aprenderam com estes projetos?
Rafael Parente – Muitos viram que, com as novas tecnologias, podem aumentar a motivação dos alunos (e sua própria motivação). Podem romper barreiras de tempo e espaço, melhorar relacionamentos e personalizar o processo de aprendizagem, colocando o aluno no centro. Mas acho que o mais importante foi que os professores aceitaram e realizaram tarefas com excelência, sendo protagonistas de grandes transformações que não perdem para nenhuma outra rede de educação no mundo.

revistapontocom – O que os gestores aprenderam? O que você aprendeu?
Rafael Parente – Acho que os gestores das escolas também passaram a acreditar que podem e devem querer ousar mais em seus planejamentos e suas estratégias. Eu aprendi um mundo de coisas. Costumo dizer que quando comparo a minha aprendizagem no programa de PhD (em educação internacional, da NYU, que conclui em 2012) e a aprendizagem enquanto subsecretário, esse período como subsecretário me valeu como mais dois ou três PhDs. Creio que as aprendizagens mais importantes tenham a ver com a natureza humana, que é necessário estabelecer vínculos fortes e confiança antes de propor mudanças radicais de postura e pensamento. Uma segunda grande aprendizagem está relacionada com a natureza da gestão pública: as regras que regem a administração pública são ultrapassadas e alimentam a inércia, tornando as mudanças e a inovação coisas quase proibitivas. Não conseguiríamos realizar nem um terço do que fizemos não fossem as parcerias com institutos e fundações. Leva-se uma eternidade para conseguir implementar, de fato, qualquer mudança séria no setor público. Isso não pode continuar assim. Precisamos de mais modernidade e agilidade e nossos legisladores e governantes precisam estar atentos a isso. Por fim, aprendi muito em relação a mim mesmo, enquanto pessoa e profissional. Amadureci um bocado e aprendi a ouvir mais quem está na ponta antes de qualquer planejamento ou interferência. Passei a buscar mais a humildade e a admirar a habilidade de ouvir os outros.

revistapontocom – Você acredita que a utilização das mídias nas escolas do município do Rio – seja como ferramenta e ou linguagem no processo de ensino e aprendizagem – já é uma realidade de muitas escolas, de muitos professores? O que realmente falta para se avançar neste sentido?
Rafael Parente – Acredito que sim e as pesquisas que realizamos (nossas ou em parcerias) apontam nessa direção. A maior reclamação de professores para a não utilização é a falta de infraestrutura completa. É preciso continuar investindo em infra e no desenvolvimento profissional.

revistapontocom – A rede está 100% conectada à internet, banda larga? Qual é o cenário?
Rafael Parente – Temos seis escolas onde nenhuma empresa consegue chegar com internet. Em cerca de 60% das escolas, a internet é de qualidade. E em cerca de 40% delas a internet precisa ser melhorada.

revistapontocom – Nos últimos meses, a Prefeitura enfrentou uma grande manifestação de professores que, depois de muitos anos, fizeram greve e foram para as ruas, exigindo mais autonomia, melhores salários e condições de trabalho. Inicia-se daqui a pouco um novo ano letivo. Como você avalia o ano de 2014 na educação do RIo?
Rafael Parente – 2013 foi um ano complexo e de muita aprendizagem. Acho que houve avanços, mas é preciso que os dois lados estejam sempre dispostos a refletir, dialogar e se colocar no lugar do outro. Creio no amadurecimento da relação e da negociação. Sou otimista em relação ao futuro, mas creio que 2014, por conta da Copa e das eleições para governadores, tem algum potencial para complicações.

revistapontocom – Você se desligou da secretaria por qual motivo?
Rafael Parente – Refleti um bocado durante o ano de 2013 e cheguei à conclusão que o processo natural na SME do Rio seria o amadurecimento do que já foi iniciado, nessa área de inovação. A nossa subsecretaria criou novas ferramentas, novos modelos, ampliou paradigmas e transformou a cultura. Senti que havia chegado a hora de me desligar e buscar que esse mesmo trabalho pudesse continuar, em escala e qualidade diferentes. Fiz todo o possível, dentro dos limites do cargo que tive, e acredito que possa ser mais útil fora do governo. Vou continuar acompanhando a rede, os projetos, vou continuar morando no Rio, batalhando pela melhoria da educação pública, pela valorização dos profissionais, pela inovação em espaços, ferramentas e rotinas de aprendizagem. E também continuarei buscando a modernização, inovação e a transparência na gestão pública.

revistapontocom – O vereador Cesar Maia afirmou que você teria sido exonerado por ter patenteado, em seu nome, projetos como Educopedia, Educomundo e Educoteca, que pertenciam  à administração municipal. É verdade? O que realmente aconteceu?
Rafael Parente – Acredito que o problema tenha sido de falta de pesquisa e do cuidado necessário por parte da equipe que assessora o vereador. O tempo todo tive muito cuidado para não usar dinheiro público em ações arriscadas e para proteger os interesses da SME e do município. Até o começo de 2012, o único registro relacionado à Educopédia era o domínio www.educopedia.com.br, em nome da IplanRio. Naquele ano, ao ser informado que havia um pedido de registro da marca Educopédia por um instituto privado, fui verificar como deveria agir para defender o projeto e a marca. Como havia pouco tempo para protestar (menos de 60 dias), decidi fazê-lo enquanto pessoa física. Se, ao invés disso, tivesse começado um processo pela SME, o tempo certamente teria excedido o limite. Decidi, então, pelo registro da marca Educopédia e marcas a ela associadas em meu nome e assinei um termo de cessão de titularidade das marcas que diz que cedo e transfiro, nos termos dos artigos 134 e 135 da Lei 9.279/1996, a titularidade sobre os pedidos de registro de números 904347540, 904347605 e 904347621 para o Município do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Esse documento, assinado por mim, enquanto cedente, e pela Secretária Claudia Costin, enquanto cessionária, se encontra em um dos processos da SME. Além disso, registros de marcas levam bastante tempo para serem deferidos. Ou seja, ao contrário do que foi publicado pela equipe do vereador César Maia:  1) Os registros das marcas ainda não foram deferidos; 2) Caso sejam, já serão de titularidade do Município do Rio de Janeiro; e 3) Nenhum projeto foi privatizado”.

De olho na Copa do Mundo

Por Larissa Maia

No final de 2013, a turma do segundo ano do curso de Narrativas para Mídias Digitais, do Colégio Estadual José Leite Lopes – Núcleo Avançado em Educação (NAVE) topou o desafio de participar de uma simulação de pitching para a escolha da melhor proposta de criação de uma web série com foco na Copa do Mundo. Divididos em sete grupos, os alunos tiveram  dois meses para idealizar, planejar e roteirizar o projeto.

Como primeiro passo, criaram uma empresa, uma produtora independente que ficaria responsável por produzir e vender a web série. A partir daí, os jovens produtores escreveram o projeto, contendo os elementos básicos da web série: nome, público alvo, objetivo, justificativa, detalhamento do programa, formato, cronograma, bem como a descrição detalhada do primeiro episódio da série. Além do projeto escrito, eles produziram também uma vinheta, uma espécie de trailer sobre a proposta. Para a turma, a parte mais animada do trabalho.

A partir do roteiro, os grupos correram atrás de locações, atores, cenários e figurinos. Tudo foi gravado e, posteriormente, editado por eles. O trabalho foi avaliado por uma banca composta por professores do próprio curso, onde puderam trocar experiências e aprendizagens.

Suspense, comédia, entrevistas, documentários e pratos típicos dos times da copa. Não faltaram temas e assuntos. Confira as ideias dos estudantes e alguns dos trailers produzidos:

Escanteio
Estudantes – Clara Callado, Giulia Ferrão, Higor Simões, Lívia Pimentel e Thamara Collares.
Trata-se de uma comédia que conta a história de seis jovens (Enício, Marcela, Fabiano, Roger, Helena e Juan) que compartilham uma mesma vontade: acompanhar os jogos da Copa do Mundo de 2014 que acontecerão no Brasil. Com muita diversão, companheirismo e uma pitada malandragem, a série foca em relações de amizade e como elas superam os desencontros de uma rotina pesada e corrida, a partir das confusões e dificuldades pelas quais a galera passa para conseguir assistir aos jogos. 

3×1
Estudantes – Amanda Brum, Amanda Waelti, Kelly Alves, Larissa Maia e Marcos Sales.
Conta a história de três amigas apaixonadas por futebol e que, atualmente, moram juntas. Elas querem ir ao jogo do Brasil na final da Copa do Mundo, mas acabam descobrindo que o ingresso está caro demais. Para resolver o problema, as meninas fazem um pacto: ninguém vai assistir ao jogo no estádio. Será? 

Com a bola: elas
Estudantes – Beatriz Soares, Jasmine Machado, Letícia Belém, Luana Cardoso e Thaynara Fernandes.
O programa fala sobre futebol na perspectiva da moda, beleza, evolução da mulher, quebrando o tabu de que futebol é coisa de homem. O principal objetivo do programa é aproximar o futebol do mundo da mulher.

Copa Tudo
Estudantes – Jéssica Constantino, Lucas Mendes, Luiz Carlos, Matheus Martinho e Tamires Oliveira.
O programa reúne humor e entretenimento. É composto por quadros que revelam o comportamento dos torcedores, no Brasile  no mundo, durante a edição de uma Copa do Mundo.  Além de entreter, o programa também traz notícias, curiosidades e fatos históricos do torneio.

A taça do mundo é nossa?
Estudantes – Anna Beatriz, Henrique Amorim, Larissa Rosas, Matheus Leão e Natasha Motta.
Web série de investigação policial. A taça da Copa do Mundo foi roubada e as forças policiais brasileiras farão de tudo para encontrá-la. O Capitão Ubirajara, encarregado do caso, terá que enfrentar relações pessoais turbulentas para poder concluir o caso e recuperar o troféu desaparecido antes que a FIFA mande fazer outro e o Brasil ganhe uma má fama ainda maior, já que nos anos 1970 a Taça Jules Rimet foi roubada em solo brasileiro.

Da cozinha ao ataque
Estudantes – Cristal Dias, Italo Gonçalves, Marcelly Tavares, Matheus Gomes, Matheus Gonçalves.
Para integrar os temas futebol e culinária, a web série mostra uma narrativa ficcional sobre o dono de um bar que é fanático pelos dois mundos tão distintos. Com a proximidade da Copa do Mundo, ele aproveita para promover seu estabelecimento. A cada semana, um país campeão diferente é abordado. A trama se desenrola entre pratos típicos e histórias sobre as maiores finais do campeonato.

Cultura no Prato
Estudantes – Adalgiza Soares, Daniel Peixoto, Daniele Dias, Evellyn Sereno e Maria Júlia Torres.
É uma web série que integra o tema Copa do Mundo com culinária, de maneira interativa e extrovertida, levando em consideração os jogadores de cada seleção e a rivalidade entre os países. Pretendemos unir quem gosta de culinária e não gosta de futebol e vice-versa, para que os mesmos percebam que ambos fazem parte da cultura de um país.

Popularidade pode destruir a fotografia

Por Stuart Jeffries
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 25/12/2013, tradução de Paulo Migliacci.
Ttítulo original: “Popularidade pode destruir a fotografia, dizem especialistas”

“A fotografia nunca foi tão popular, mas está sendo destruída”, diz Antonio Olmos. O fotógrafo mexicano radicado em Londres refletiu sobre sua arte há algumas semanas, quando a imagem da primeira-ministra dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt tirando foto dela mesma (selfie) com Barack Obama e David Cameron no funeral de Nelson Mandela foi reproduzida no mundo inteiro. A imagem parecia exemplificar o narcisismo das fotos tiradas com smartphones. Com um porém: a foto do trio foi capturada por Roberto Schmidt, fotógrafo da agência France Presse, usando uma câmera profissional. A cena também inspirou um debate no qual os psicólogos argumentaram que existe um “efeito redutivo da fotografia”. “Se as pessoas dependem da tecnologia para suas recordações, dedicando menor atenção ao evento, pode haver um impacto negativo sobre a qualidade da lembrança”, afirmou a psicóloga Linda Henkel, da Universidade Fairfield (Connecticut).

“Gente tirando fotos de comida no restaurante, em vez de comê-la”, diz o premiado Olmos, de 50 anos. “Tirando foto da Mona Lisa em lugar de olhar o quadro. O iPhone afasta as pessoas da experiência.” Mas existe um motivo mais forte para que Olmos diga que a fotografia está morrendo. “O iPhone tem uma lente péssima. Você tira uma foto linda e, quando a amplia para impressão, fica horrível.”

Mas quem precisa de impressão num mundo sem papel? “Para mim, a versão em papel é a expressão última da fotografia”, diz. “Quando dou cursos, faço os alunos imprimirem suas imagens – em muitos casos, pela primeira vez. A ideia é forçá-los a criar fotos, e não só tirá-las.”

Profundidade

Eammon McCabe, fotógrafo do Guardian, concorda. “Mesmo com o risco de parecer um daqueles chatos que defendem disco de vinil, creio que a foto impressa tenha uma profundidade que não se consegue com a digital.” Ele recentemente olhou a cópia em papel de uma foto que tirou da escritora Doris Lessing, vencedora do Nobel, que morreu no mês passado. “Era uma imagem em preto e branco que registrei com uma Hasselblad, um tripé e muita janela. Isso me fez recordar os dias em que a fotografia não causava preguiça.” Por que a fotografia digital é preguiçosa? “Você chuta para todo lado. Bate muitas fotos, imaginando que uma funcionará, e não se concentra em capturar a imagem.”

Já Nick Knight, fotógrafo de moda britânico, fez dois trabalhos com o iPhone – um livro de 60 imagens sobre Isabella Blow, editora de moda morta em 2007, e uma campanha para a marca Diesel. Para Knight, a revolução democratizante propiciada pelas câmeras de celular é tão radical quanto a ocorrida nos anos 1960, quando o britânico David Bailey, ícone da fotografia, largou o tripé e começou a trabalhar com uma câmera de mão. “Isso deu liberdade a ele e mudou o que a fotografia era, artisticamente. O mesmo vale para mim e o iPhone.”

Mas e quanto à lente do aparelho? “É absurdo que as pessoas pensem que todas as fotos têm de ter alta resolução. O que importa, em termos artísticos, é se a imagem funciona. A maquinaria com a qual se cria arte é irrelevante”, afirma o fotógrafo. Nem tanto. O iPhone mudou a fotografia de Knight, e ele sabe disso. “Posso curvar uma imagem, reduzir o valor do branco. Não sei como funciona, mas me deslumbra.”

Ele vem pesquisando imagens de bandas punk. “Não há muitas imagens, e são quase todas de palco. Compare com o que temos agora: num show de Kanye West, há um mar de câmeras, e isso cria um banco de dados.”

A caminho de casa

Tirar fotos incessantemente não nos faz esquecer, como dizem os psicólogos? “Bobagem”, diz. “Como aquela lenda de que se sentar perto da TV vai contaminá-lo por raios-X. Qual é o problema de tirar uma foto de um quadro de Matisse para olhar no ônibus, a caminho de casa? É ótimo que as pessoas queiram fazê-lo.”

Mas é difícil fotógrafos profissionais não se sentirem ameaçados. “Há menos empregos”, diz Magda Rakita, 37, fotógrafa em Londres. “Mas os avanços permitem que fotógrafos distribuam seu trabalho e contem histórias de formas inovadoras.”

E quanto a pagar contas? Para ela, “criar um público é essencial num modelo financeiro que depende cada vez mais do crowdfunding”. “Sobreviverei na profissão porque sou competente”, diz Olmos. “Não basta ter um computador e um programa de texto para ser escritor. E não basta ter Instagram para ser um grande fotógrafo.”

Direitos das crianças

No dia 14 de janeiro, a Costa Rica ratificou o Terceiro Protocolo Facultativo da Convenção sobre os Direitos da Criança que trata sobre os procedimentos de comunicação. Pelo documento, as crianças poderão apresentar queixas ao Comitê sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU). Com a assinatura da Costa Rica, o 10º país signatário, o protocolo começa a valer a partir de abril.  Apenas as crianças cujos governos ratificaram o protocolo poderão então apresentar suas denúncias ao comitê da ONU. São eles: Albânia, Alemanha, Bolívia, Costa Rica, Eslováquia, Espanha, Gabão, Montenegro, Portugal, Tailândia e, é claro, Costa Rica.

De acordo com a ONU, todos os Estados partes da Convenção sobre os Direitos da Criança têm a obrigação de tornar o mecanismo acessível para todas as crianças, com esforços especiais dirigidos às crianças mais vulneráveis a violações de direitos, especialmente crianças excluídas e marginalizadas, por exemplo, as indígenas e as portadoras de necessidades especiais.

Segundo o protocolo ratificado, crianças ou grupos de crianças poderão apresentar denúncias sobre violações específicas dos seus direitos protegidos pela Convenção sobre os Direitos da Criança, pelo Protocolo Facultativo sobre o envolvimento de crianças em conflitos armados e pelo Protocolo Facultativo sobre a venda de crianças, prostituição e pornografia infantis. O Terceiro Protocolo Facultativo vai reforçar a responsabilidade final, não apenas ajudando a identificar as lacunas nos sistemas judiciais para crianças no nível nacional, mas também apoiando instituições independentes de direitos humanos para as crianças, tal como solicitado pela Convenção sobre os Direitos da Criança.

“Uma pessoa com menos 18 anos que considere que os seus direitos estão a ser violados por exemplo na escola pode escrever ao Comité dos Direitos da Criança pedindo apoio”, explicou aos jornalistas a portuguesa Marta Santos Pais, alta-representante da ONU para as crianças, considerando como “histórica” a entrada em vigor deste mecanismo.

O Comitê sobre os Direitos da Criança da ONU pode tomar providências para proteger, contra qualquer represália, as crianças que apresentarem queixas, pedindo que o Estado adote medidas provisórias para proteger a criança ou o grupo de crianças. No caso de o próprio Estado ser o acusado de violar a Convenção, este será obrigado a implementar as recomendações que o Comitê fizer. O comitê é composto por 18 especialistas independentes de direitos humanos internacionais que monitoram a implementação, pelos Estados partes, da Convenção e dos seus Protocolos Facultativos.

A Convenção sobre os Direitos da Criança possui três protocolos facultativos: um sobre o envolvimento de crianças em conflitos armados, outro sobre a venda de crianças, prostituição e pornografia infantis e o terceiro sobre procedimentos de comunicação. De acordo com o trâmite legal, os protocolos entram em vigor depois depois que o 10º país ratifica o documento. Os dois primeiros, já assinados e ratificados inclusive pelo Brasil, em 2004, já estão em vigor nos países signatários. O Brasil ainda não se posicionou frente ao Terceiro Protocolo.

Novas possibilidades

Por Marcus Tavares

Professora da Universidade do Tocantins, Darlene Teixeira Castro defende o uso dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem no dia a dia da escola. Segundo ela, é a oportunidade que o professor tem de perceber que o processo de ensinar e aprender, neste contexto, é norteado pela autonomia e pela construção do conhecimento. “A interação mediada pela web é um novo meio de construir relações, de identificar simbolicamente grupos, de simular movimentos e atitudes e de transformar a construção do conhecimento”, afirma.

Doutora em Comunicação e Culturas Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Darlene avisa que o primeiro passo para se trabalhar com os ambientes virtuais é capacitar os professores tecnologicamente e depois “instruí-los no uso didático-pedagógico desses recursos em sala de aula, respeitando a realidade em que estão inseridos”.

Em conjunto com a professora Kyldes Batista Vicente, Darlene escreveu o artigo Educação e tecnologia como fatores essenciais para a interação nas redes sociais, que foi publicado no livro Educomunicação, redes sociais e interatividade (Leitura Crítica). No artigo, ela afirma: “Aprender a aprender, no contexto tecnológico, não é simples, pois selecionar as informações disponíveis e relevantes para determinado contexto, levar os alunos à reflexão sobre uma situação-problema e escolher a melhor forma de resolução são apenas o pontapé inicial para se conviver com as Tecnologias de Informação e Comunicação”.

Acompanhe a entrevista concedida pela professora à
revistapontocom:

revistapontocom – Na atualidade dos grandes centros urbanos, que tipos de Ambientes Virtuais de Aprendizagem os professores poderiam trabalhar com seus alunos? As redes sociais, como o Facebook, são boas alternativas?
Darlene Teixeira Castro – Para que a aprendizagem seja consolidada por meio dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), é necessário que esses ambientes sejam “amigáveis”. Isso significa já serem conhecidos, usados pelos “usuários-alunos”. Isso quer dizer que o professor não precisa “criar” essa ou aquela plataforma. Ele deve se apropriar do que já é conhecido pelos jovens-alunos. Um exemplo, sim, é o Facebook, que já está bem difundido. O desafio é criar boas estratégias de utilização das redes sociais, de forma que possam se tornar objetos de aprendizagem para professores e alunos.

revistapontocom – Quais são os pontos positivos ao se trabalhar com estes ambientes?
Darlene Teixeira Castro – Uma das vantagens de se trabalhar com os AVA é que o professor, ao elaborar as suas estratégias pedagógicas, pode perceber que os processos de aprendizagem acabam tendo como eixo norteador a autonomia e a construção do conhecimento pelo indivíduo, que é convidado a participar da rede e ampliar o seu mundo rumo à aprendizagem colaborativa. A interação mediada pela web é um novo meio de construir relações, de identificar simbolicamente grupos, de simular movimentos e atitudes e de transformar a construção do conhecimento.

revistapontocom – Mas o que o professor deve levar em conta neste tipo de trabalho?
Darlene Teixeira Castro – Para que possamos entender o potencial das redes sociais e suas possibilidades de interatividade, devemos considerá-los muito mais do que um simples conjunto de endereços eletrônicos com diferentes ferramentas de interatividade e de realidade virtual. A implantação e a criação de um espaço de compartilhamento, seja ele um blog, o Facebook ou Twittter, transformam e ampliam os espaços de interação entre professor-conteúdo-aluno e, consequentemente, ensinam os alunos a viverem e conviverem na chamada sociedade em rede. É preciso levar em conta esta questão.

revistapontocom – Portanto, uma nova forma de ensinar e aprender?
Darlene Teixeira Castro – O ensinar e o aprender são vivenciados por professores e alunos rumo à construção do conhecimento, partilhado entre todos os membros da comunidade criada por meio da rede. O mais interessante são as possibilidades que podem ser criadas entre as disciplinas e conteúdos a serem abordados, utilizando uma linguagem contemporânea e já consolidada pelos alunos. Assim, é bem mais fácil fazer com que eles se envolvam e participem das atividades propostas.

revistapontocom – O uso do AVA é um caminho sem volta?
Darlene Teixeira Castro – A interação mediada pela web é um meio de construir relações, de identificar simbolicamente grupos, de simular movimentos e atitudes e de transformar a construção do conhecimento. Neste sentido, é importante que a formação docente propicie um ambiente escolar em que os professores sejam estimulados e capacitados a proporcionar ambientes favoráveis de aprendizagem e promover caminhos, estratégias e métodos rumo à criatividade e dinamismo das suas ações pedagógicas. Assim podemos compreender que o primeiro passo é capacitar os professores tecnologicamente e depois instruí-los no uso didático-pedagógico desses recursos em sala de aula, respeitando a realidade em que estão inseridos. Além disso, quando falamos em ambiente on-line, é importante compreendermos que construir espaços de formação on-line constitui um desafio que não se limita à simples disponibilização de conteúdos no ambiente ou na plataforma. Deve haver, acima de tudo, interação e experimentação. A ideia é a colaboração entre os pares, com a exposição de ideias, dúvidas e sugestões. E para que isso de fato aconteça o professor deve ser estimulado e capacitado pela equipe gestora, principalmente porque estamos lidando com a geração de “nativos digitais”.

revistapontocom – Você poderia indicar algum exemplo de uso do AVA na sala de aula?
Darlene Teixeira Castro – Várias experiências já foram citadas em relatos de entrevista/artigos científicos, com o uso do Facebook ou do Twitter, por exemplo, como estratégias de aprendizagem. Podemos destacar alguns passos que o Instituto Claro disponibiliza em seu site. Mas é preciso alertar que não há receitas prontas. Cabe ao professor verificar a melhor estratégia de acordo com a turma, o contexto social em que está inserido, a disciplina que ministra. Enfim, o mais importante é criar possibilidades de aprendizagem que envolvam a turma de forma que a construção do conhecimento possa ser coletiva.

A hora de ocuparmos a TV Aberta

Por Bruno Marinoni
Repórter do Observatório do Direito à Comunicação e doutor em Sociologia pela UFPE

A possibilidade de que os movimentos sociais tenham liberdade para falar diretamente à população por meio da TV aberta pode ser uma realidade a médio prazo, no Brasil. Na última segunda-feira (20), o Ministério das Comunicações aprovou o pedido do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb) para operar o Canal da Cidadania. Com a medida, a cidade de Salvador terá reservado, na TV aberta, espaço para duas emissoras não-comerciais dirigidas pela sociedade civil.

O desafio para a concretização dessas emissoras, no entanto, é ainda muito grande. Embora esteja previsto na norma regulamentar do Canal da Cidadania que “o Ministério das Comunicações selecionará para este fim (operar duas faixas de programação) duas associações comunitárias por município e três no Distrito Federal”, montar uma emissora de televisão aberta e garantir sua gestão democrática é algo que pode ser considerado inédito no país, apesar dos esforços que já foram feito nesse sentido.

No Brasil, as TVs comunitárias foram relegadas ao ostracismo (para utilizar um eufemismo) pelos interesses comerciais que pressionaram as tentativas de regulamentação desse segmento. Sem condições para se financiar razoavelmente, em um cenário em que a produção audiovisual independente sempre andou mal das pernas, capturadas por interesses individuais ou eleitoreiros que sufocam a democracia em suas gestões e restritas às transmissões por meio de TV por assinatura, dificilmente essas TVs puderam exercer sua dimensão comunitária de fato.

Agora, o Canal da Cidadania abre espaço para que as emissoras comunitárias possam ser sintonizadas na TV aberta e para que sejam formados conselhos participativos que discutam o conteúdo e a gestão dessas TVs. Além disso, a produção audiovisual independente tem crescido no país e as novas tecnologias têm favorecido a ampliação do número de produtores, alguns fundos públicos já prevêem recursos a serem aplicados no setor direta ou indiretamente (como a Condecine, por exemplo).

O papel da sociedade civil

Apesar das possibilidades inscritas na implementação do Canal da Cidadania, duas questões precisam ser enfrentadas: a grande dependência da iniciativa do poder público e a necessidade de que a sociedade civil compreenda a importância do espaço e se mobiliza para ocupá-lo.

A outorga para que o serviço seja operado é dada a órgãos das prefeituras ou dos governos estaduais, que devem ocupar uma das quatro ou cinco faixas de programação suportadas pelo canal (grosso modo, cada faixa de programação equivale a uma emissora). As duas emissoras comunitárias, para operarem no Canal da Cidadania, dependem do pedido de concessão pelo poder público, da instalação dos conselhos locais de comunicação (costumeiramente rejeitados pelas forças políticas influenciadas pelos empresários de mídia), da instalação dos equipamentos de transmissão pelo órgão responsável e dos avisos de habilitação publicados pelo Ministério das Comunicações.

No caso de Salvador, por exemplo, o pedido foi feito pela TV Educativa do governo do estado e não houve conversa com a sociedade civil. Já no Rio de Janeiro, o processo todo tem acontecido por pressão da Frente Ampla pela Liberdade de Expressão (Fale-Rio), que tem levantado a bandeira da importância de ocupar esse espaço. No dia 13 de janeiro, a Câmara dos Vereadores autorizou a prefeitura (que já fez a solicitação da outorga) a dispor do orçamento para instalar o Canal da Cidadania e o conselho municipal.

A lista de pedidos de outorga do Canal da Cidadania disponibilizada pelo site do Ministério das Comunicações, ainda que incompleta (Salvador não consta na lista), contabiliza apenas 149 de um total de 5.570 municípios brasileiros. É muito pouco. Talvez por desconhecimento, talvez por descrença. O fato é que os movimentos sociais ainda não abraçaram a ideia do Canal da Cidadania e, com isso, poderemos perder a chance de ter um veículo de comunicação com a população que não seja orientado pela busca do lucro ou pelo discurso oficial.

Curta criança

A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC) divulgou no dia 16 de janeiro, no Diário Oficial da União (DOU), portaria com a lista final dos selecionados no Edital Curta Criança 2013, após a análise dos pedidos de reconsideração da fase de seleção. O Edital apoia a produção de 12 curtas-metragens, com duração de 13 minutos, podendo ser de ficção, documentário ou animação. A temática das obras é voltada à infância (0 a 12 anos). As obras audiovisuais selecionadas deverão ser concluídas no prazo de 180 dias, contados a partir da data do depósito da primeira parcela dos recursos financeiros para a sua execução, na conta corrente de livre movimentação.

Veja os selecionados:

Bá – Leandro Tadashi Duarte
O melhor som do mundo – Pedro Paulo baptista de Andrade Júnior
Médico de monstro – Gustavo Ardito Teixeira
Um orelhão para as crianças falarem com Deus – Almir Correia
Entrevista de emprego – Thiago Domingues Penteado
Nham nham: a criatura – Lucas Andrade Leite de Barros
Drakar – Marina Cavalcanti Tedesco
Vento – Betânia Vargas Furtado
O fim do verão – Caroline Andressa de Biagi
A menina que carregou o mar nas costas ou o mar de Teresa – Dilea Frate
Viagem do menino sem sonhos – Marco Antonio Nick Lauar Martins
Quem não tem cão – Carolina da Silva Gesser

TV Writing Intensive in Rio

No dia 21 de janeiro, às 15h, na sede do Columbia Global Center Rio, no Centro do Rio, será apresentado o modelo e formato do curso TV Writing Intensive in Rio, coordenado pela Columbia Global Center e pela Columbia University School of the Arts.

O curso começará no dia 28 de abril e terá cinco semanas de duração (60 horas). Representa uma oportunidade de aperfeiçoamento profissional e especialização para profissionais da área de audiovisual com uma das 10 melhores escolas de cinema dos Estados Unidos. O programa recebe o apoio da Secretaria de Cultura do Rio, SICAV, ABPITV, FIRJAN e RioNegócios e conta com o patrocínio da RioFilme, que irá oferecer bolsas para alunos residentes na cidade do Rio.

As inscrições para o curso serão online e começam no dia 31 de Janeiro. Todo o processo de seleção será feito pela Universidade de Columbia Columbia. Além das atividades previstas no curso, cada professor irá oferecer uma aula pública e aberta para estudantes de comunicação e de cinema no Rio.

Para confirmar presença no dia da apresentação, é preciso enviar um email para  riodejaneiro.cgc@columbia.edu. O Columbia Global Center Rio fica na Rua da Candelária, 9 – 3º andar – Centro.

Fotos newborn

Por Wilson Roberto Vieira Ferreira
Professor da Universidade Anhembi Morumbi em Semiótica, jornalista, editor do blog “Cinema Secreto: Cinegnose” e doutorando em Meios e Processos Audiovisuais na ECA/USP.

Era uma vez uma época em que os momentos mais íntimos dos filhos eram registrados por meio de fotografias e vídeos caseiros para serem mostrados aos vizinhos, parentes e amigos mais próximos. Isso tudo ficou muito chato. Agora, no lugar, temos uma autoconsciente e calculada produção de imagens, geralmente de crianças, com alcance global através redes sociais ou em produtos esteticamente sofisticados e profissionais como ensaios fotográficos publicados em photobooks, CDs ou em sites e blogs na Internet. Nesse contexto cresce o subgênero das fotos chamadas “newborn” (fotografias de recém-nascidos) onde, apesar do discurso da simplicidade e espontaneidade, são produzidas através de complexas estratégias técnicas e estéticas para simular cenas e poses enquanto, alheio a tudo, o bebê dorme. Que história essas fotos contarão para essas crianças no futuro?

As fotografias newborn (fotos de recém-nascidos em suas primeiras semanas de vida) é o novo baby boom fotográfico. Um mercado tão promissor que acabou sendo criada a Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-Nascidos (ABFRN) para zelar a filosofia, ética e segurança dos pequenos modelos. Tudo isso em meio a uma intensa agenda de Workshops e Conferências sobre o tema.

Se concordarmos com Woody Allen de que os três principais fatos da nossa existência são nascimento, sexo e morte, as fotos newborn (ao lado das fotos de casamento, pornográficas e todos os rituais e estrutura de serviços funerários) se revestem de grande importância para todos aqueles que estudam a semiótica da cultura: a forma como a Natureza é incorporada pela cultura através de uma complexa rede de simbolismos e significados. E, principalmente, como essa rede semiótica revela como sintomas as mazelas da sociedade e dos indivíduos.

A preocupação da ABFRN em zelar pela ética é o reconhecimento de uma questão implícita nessas fotos: é sempre moralmente complicado quando os membros mais vulneráveis da sociedade são transformados em imagens sem eles terem a possibilidade de consentir ou recusar. Principalmente porque os bebês, alheios a tudo enquanto dormem, serão suportes vivos de significados que pais e sociedade atribuem a eles. E levarão isso para o resto das suas vidas.

Veremos através de uma análise semiótica do sistema linguístico desse gênero fotográfico (em uma amostragem aleatória de 350 fotografias de ensaios newbornexibidas pelo Google Imagens) que por trás do encanto dessas imagens esconde-se uma elaborada produção tecnológica e simbólica: a contradição entre o discurso da simplicidade e espontaneidade versus a calculada produção simbólica de significados. Entre as fotos de estúdio e as chamadas “orgânicas” que procuram minimizar essa contradição, tentando transformar o nascimento em um evento natural integrado à família.

Os bebês estão entre o Mágico e o Orgânico

Em um primeiro olhar para o conjunto de fotografias podemos perceber três grandes grupos que a princípio pode parecer uma distinção logística ou instrumental, mas percebemos que determinam a própria natureza da significação foto: (a) fotos no estúdio do fotógrafo; (b) fotos na casa dos pais; (c) fotos metalinguísticas.

(a) No estúdio – Por serem as fotos mais produzidas pelo ambiente do estúdio e pelo aparato técnico disponível elas se revestem de maior significado simbólico: o bebê dentro de sacos de tecido suspensos ou rede como estivesse sendo conduzido numa referência ao mito da cegonha. A posição fetal e de bruços, criam a forma compacta em alusão à origem uterina. Os elementos retóricos como flores de crochês, flores naturais na cabeça ou composições florais reforçam a origem do bebê: a Natureza.

Em uma referência à construção simbólica mítica, a Natureza é investida de um significado mágico: os eventos naturais são representados como fossem dádivas ou presentes. Bebês em caixas (às vezes retoricamente carregadas como engradados de exportação ou embalagens de presentes) reforçam essa conotação de um lindo presente entregue aos pais pela Mãe Natureza ou, num sentido mais “espiritualizado”, pela Providência.

Após essa apropriação mágica da Natureza, vem a sua transformação: o Futuro do bebê. São as fotos mais elaboradamente posadas em uma composição com cenários e objetos que retoricamente produzem uma espécie especial de elipse: a prolépse – avanço no tempo figurando coisas futuras face às presentes com as quais o bebê convive: bebê com óculos adultos com os braçinhos apoiados sobre livros de Direito e Física Quântica, bebê com gravata, bebê apoiado em um console de videogame etc.

(b) Fotos orgânicas – Enquanto no grupo anterior reina a abstração ao traduzir o evento natural do nascimento em termos de magia, miticismo e previsão, no grupo dessas classes de frequência o evento natural é traduzido como evento orgânico: a proximidade física com os corpos dos pais, carinho, aconchego e proteção.

É interessante a construção de significados na relação do bebê com o pai e a mãe. Na relação com o pai, vemos a construção de um simbolismo que em Psicanálise chama-se “fálico”. Com o pai a relação é de força e virilidade: bebê repousa sobre o braço do pai estendido (força), por exemplo; em relação à mãe, os braços não se estendem, mais envolvem o bebê (aconchego). Quando pai e mãe estão juntos, a composição das fotografias conota uma ideia de proteção – juntos, os pais olham para o bebê, ao mesmo tempo em que braços e mão envolvem ou tocam.

Como toda produção cultural, a Natureza deve ser transformada, re-significada. Se no grupo anterior o evento biológico é conotado como magia e mito, nas fotografias orgânicas (o Lar, a Casa, a Família) já estão presentes conotações até políticas (o simbolismo fálico paterno de Força e Poder) onde a rotina do cotidiano se interpõe como campo da reprodução social da vida biológica – fotografias em que os pais observam a criança brincando ou dormindo.

(c) Metalinguagens – Nesse conjunto de fotografias é onde fica mais explícita a contradição entre o discurso da “simplicidade” e o aparato de produção e a astúcia das estratégias em simular a espontaneidade e simplicidade enquanto o bebê dorme alheio a tudo. Fotografias em que vemos o fotógrafo, luzes e cenários com o pequeno ser no centro enquanto uma atenta mãe observa.

Ou ainda as fotografias com infográficos explicando os truques utilizados para manter a pose do bebê para o clique como esse: “Se a cabeça ficar caindo para trás, pense em colocar um enchimento de apoio no cotovelo do bebê”.

As fotografias desse grupo de classes de frequência é o aspecto mais evidente de uma contradição que parece permear esse sistema semiológico: o metadiscurso da simplicidade e espontaneidade desse campo particular da fotografia convivendo com um complexo e autoconsciente aparato tanto técnico como simbólico.

O Sistema Retórico

Como já abordamos acima, a primeira coisa que chama a atenção no conjunto de fotografias newborn analisado é o domínio da figura de retórica chamada prolépse: bebês vestindo tutu como fossem bailarinas; bebê dormindo sobre um tecido em pele de onça enrolado em uma manta roxa num décor nitidamente adulto; bebê incorporando o personagem de nerd com óculos adultos com os bracinhos apoiados em grossos volumes de física quântica ou ainda sobre instrumentos musicais.

Nitidamente a figura de retórica é uma projeção da profissão ou estilo de vida dos pais.Nas fotos orgânicas a retórica tende mais para o simbolismo, metáforas e alegorias. São figuras de retórica mais elaboradas exigindo mais sensibilidade do fotógrafo e do próprio consumidor final dessas imagens.Nas fotografias orgânicas há uma tendência mais “documental” em preto e branco e sépia, ou tendendo para paletas de cores em tons pastéis, compondo um décor de suavidade. Ao contrário, no grupo de fotos em estúdio há uma visível tendência estética para o kitsch pela saturação sígnica e pastiche – fundos em papel de parede vitoriano com flores de crochê na cabeça do bebê envolvido em mantas da qual sai uma ponta enrolada simulando um cordão umbilical…Ou ainda fundo em papel de parede vitoriano (um clichê insistente) misturado com cesta de vime com tecido de algodão cru onde o bebê repousa dando um toque de “simplicidade”.

Conclusões: o que história as fotografias querem contar?

O pediatra Daniel Decker toca em dois pontos que a nossa análise semiótica parece confirmar: “Acho lindo fazer fotos espontâneas do recém-nascido no parque, mas essa “arte” parece estar sendo usada para fazer graça ou divertir os adultos. Caso os pais decidam fazer essa bobagem, melhor usar só luz natural. Imagino esse bebê como um adolescente vendo as próprias fotos em poses forçadas ou engraçadas. Será que vai gostar?” (“Ensaios megaproduzidos com recém-nascidos ganham fãs e aquecem o mercado fotográfico” – O Globo).

Desde 1855, quando na Exposition Universelle de Paris (a primeira exposição industrial com exposição de fotos), um fotógrafo alemão espantou a multidão ao apresentar duas versões de um mesmo retrato (uma retocada e outra não), a fotografia abandonou o campo do registro objetivo e documental para ser possuído pela autoconsciência da cultura da pose. Assim como na Moda, o campo da fotografia promove-se a si mesmo através do discurso do espontâneo através de um olhar cuja tecnologia e todo o aparato técnico confere a aparência da objetividade e realismo.

O sistema semiológico e retórico das fotos newborn revela a contradição entre o discurso e a prática: uma simplicidade e espontaneidade autoconscientes, como de resto toda a história da fotografia acabou criando desde 1855 com o desenvolvimento da cultura da pose e fotogenia. Mas há algo mais: o predomínio da prolépse no sistema retórico confirma essa secreta motivação da fotografia de querer “fazer graça e divertir adultos” – as fotos como projeções no bebê das profissões e estilo de vida dos pais.

Ao mesmo tempo suscita uma questão importante: que histórias essas fotos querem contar? Se elas são duplamente simulações (pela autoconsciência inerente da pose produzida por pais e fotógrafos e pela projeção psíquica dos pais nos bebês) como o adolescente vai encarar essas fotos que mostram o primeiro fato mais importante na biografia de um indivíduo?

É sintomática a origem desse gênero de fotos: primeiro, a australiana Anne Geddes que no final dos anos 80 se notabilizou por fotos de bebês em legumes, verduras e flores – um trabalho mais comercial voltado a confecção de calendários. Segundo, as gêmeas americanas Kelley e Tracy que, com a consultoria de pediatras e fisioterapeutas, procuraram tipos de poses com filhos de clientes e criaram os clichês de recém-nascidos em posição fetal, mãos no queixo e a história do bebê pendurando em um saquinho na árvore.

O gênero newborn é mais um exemplo dessa época onde a tecnologia, de tão sofisticada, inverte sua própria finalidade original: das técnicas de revelação de imagens por emulsão química à captação e tratamentos digitais atuais as imagens suplantam o próprio real, ao em invés de reproduzi-lo. Uma segunda natureza onde os pais veem mais a si próprios do que seus novos filhos. É precisamente isso que as chamadas “fotos orgânicas” querem reverter.

Os jovens e o Facebook


Por Marcus Tavares

O namoro já tem tempo: de três a quatro anos. Período mais do que suficiente para avaliar a relação, a intimidade. Caroline Rieger, Leandro Barbosa, Lennon Medeiros e Mario Andrey são quatro jovens estudantes, todos com 18 anos, e que têm em comum o Facebook, Aliás, eles e todos os adolescentes da geração. A revistapontocom entrevistou os quatro jovens com o objetivo de traçar o envolvimento deles com o Facebook nos últimos anos.

Conectados 24 horas por dia, eles dizem que conseguem fazer uma auto-avaliação, positiva, dos usos e desusos da rede social, que se tornou uma espécie de ‘acessório’. Suas falas parecem indicar um maior amadurecimento no sentido de serem mais responsáveis pelos conteúdos que postam nos dias de hoje.

Os depoimentos também revelam que o grupo percebe que a rede social tem um papel de disseminação da informação muito maior e importante do que imaginavam. Os jovens continuam vendo a rede como lugar de divertimento, mas também – e principalmente – de possibilidades profissionais. E neste sentido, a questão do privado e do público vem à tona. Leia as respostas dos adolescentes e faça suas reflexões.

Confira:

revistapontocom – Desde quando você tem conta no Facebook?
Caroline Rieger Desde o início de 2011.
Leandro Barbosa – Desde 2010.
Lennon Medeiros – Por volta de 2008, mas só passei a usa-lo efetivamente em 2011.
Mario Andrey – Desde o final do ano de 2010.

revistapontocom – Alguém ensinou você a usar o Facebook?
Caroline Rieger – Não. Como era uma rede social bem conhecida, entrei e simplesmente comecei a usar. Fui lendo as funções para saber o que elas faziam e para onde as informações iam. Não tem muito mistério, né? Acho que qualquer um que saiba ler consegue usar sem ser ensinado.
Leandro Barbosa – Não. Aprendi sozinho como em todas as redes sociais.
Lennon Medeiros – Não.
Mario Andrey – Aprendi o básico com um amigo (adicionar, aceitar amigos e editar perfil). Depois fui descobrindo coisas novas e aprendendo sozinho.

revistapontocom – Você diria que algum tempo atrás você usava o Facebook para…
Caroline Rieger – Quando entrei, o intuito era manter um grupo de estudos que antes estava no Orkut, mas depois tornou-se uma rede social para conversar e socializar com pessoas.
Leandro Barbosa – Apenas para me manter em dia com as redes sociais.
Lennon Medeiros – Lazer. Vídeos, fotos e afins. Eu usava apenas para diversão.
Mario Andrey – Para fuxicar as fotos de amigos, tentar saber o dia a dia da galera.

revistapontocom – E, hoje, você usa o Facebook para…
Caroline Rieger – Para manter contato com amigos e receber uma série de informações relevantes como vagas de estágio. E claro, para uma boa diversão porque disso o Facebook está cheio!
Leandro Barbosa – Para tudo, desde diversão e comunicação até contatos profissionais.
Lennon Medeiros – Para  me conectar. Hoje eu entendo a ferramenta poderosa que esta rede social é como meio de comunicação.
Mario Andrey – Hoje o facebook substitui o antigo MSN, com um messenger fácil de utilizar e rápido (com aplicativo para celular e tablet). Serve para jogar diversos games de variados temas e podemos acompanhar páginas de empresas, sites e páginas de humor. O Facebook uniu toda a vasta internet, incluindo os websites, em um só lugar. Inclusive, a galera usa o Face cada vez mais como uma espécie de twitter, contando o dia a dia por meio dos posts e fotos.

revistapontocom – Você diria que algum tempo atrás você agia no Facebook de uma forma….
Caroline Rieger – Eu agia como se este fosse apenas uma rede qualquer e não havia ainda a percepção de que também poderia ser um canal onde eu poderia mostrar, da minha maneira, o que eu sou.
Leandro Barbosa – Agia de uma forma mais descontraída e despreocupada com a opinião do outro.
Lennon Medeiros – Imatura. Não somente por falta de instrução, como por falta de experiência. Eu utilizava sem aproveitar muito o que a rede tinha para me oferecer. Além de não utilizar todas as ferramentas corretamente, acabava incomodando as pessoas com postagens, convites e mensagens incoerentes com o que o ambiente desta rede social comporta.
Mario Andrey – Agia de forma mais curiosa na vida das pessoas.

revistapontocom – Você diria que hoje você age no Facebook de uma forma….
Caroline Rieger – Hoje é diferente e ajo no Facebook “compartilhando” tudo de mim que acho relevante. Um pouco do que faço na faculdade, dos meus gostos pessoais, notícias interessantes e momentos.
Leandro Barbosa Tendo em vista que profissionalmente sou avaliado em todas as redes possíveis, me comporto de forma mais séria no Facebook, mantendo outro tipo de postura.
Lennon Medeiros – Mais situada. Apesar de ainda não conseguir aproveitar tudo que o Facebook oferece, utilizo muito melhor do que anos atrás.
Mario Andrey – Hoje eu tenho mais receio de publicar qualquer coisa. As pessoas estão divulgando demais o seu particular. Sinceramente, não me sinto bem com muita exposição. Entretanto, o Facebook é a plataforma onde recebo notícias e novidades das coisas que realmente quero saber.

revistapontocom –  Você acha então que, ao longo desses anos de uso, você mudou a sua relação com o Facebook?
Caroline Rieger – Sim, com o Facebook e com a rede de pessoas que nele estão, porque todos mudaram. Todos mudam suas relações a todo o momento e influenciam outros comportamentos, inclusive no Facebook. Talvez não tenha sido eu quem mudou, mas, sim, os outros que me fizeram mudar. Só sei que, de alguma forma, hoje olho para trás e vejo mudanças.
Leandro Barbosa – Sim. Virou uma rede social que encontro de tudo, profissionalmente ou pessoalmente.
Lennon Medeiros – Sim. Entendo que conforme o tempo passou, eu me habituei não só ao Facebook, mas à internet como um todo. Fui aprendendo a me comportar nessa rede.
Mario Andrey – Mudei, além de acessá-la a cada dia com mais frequência. Pelo crescimento de usuários, procurei ser cada vez mais restrito com as publicações. Prefiro usar o Face para conversar com amigos e saber as novidades. Mas não é minha praia contar para todo mundo a minha vida particular.

O Facebook sabe o que nós calamos

Por Rosa Jiménez Cano
Do Jornal El País

Digitar, reler, mas, no último segundo, vem o arrependimento ou a dúvida e a mensagem não é enviada. Uma rotina muito comum para qualquer internauta, mas que na rede social Facebook tem suas consequências, embora internamente. A autocensura é o último alvo de análise por parte do invento de Mark Zuckerberg. As coisas que não dizemos, mas que pensamos, digitamos na caixa dedicada a mudar o status, e depois acabamos apagando, também são registradas no Facebook.

Durante a temporada de verão do hemisfério norte em 2012, o Facebook guardou todos os ‘status frustrados’ de 3,9 milhões de usuários. O Facebook não esconde, por exemplo, que reúne muitos outros dados, como as solicitações de amizade que nunca são aceitas. A intenção da rede social é conhecer melhor seu público, embora isso signifique registrar o que nunca se publica, e nisso se inclui tratar como “falha do serviço” que seus usuários se autocensurem.

Adam Kramer, analista de dados do Facebook, e o estagiário Sauvik Das são os autores de uma análise de 15 páginas na qual fazem algumas conclusões interessantes. Para começar, consideraram “autocensura” qualquer atualização de mais de cinco caracteres que não foi publicada até dez minutos depois de ser escrita.

No documento, fazem questão de deixar claro que o foco foi colocado na linguagem HTML e nas interações com os formulários, mas não nas palavras-chave ou no tipo de conteúdo que nunca veio à tona. Isto é, não leram as mensagens inexistentes.

Durante os 17 dias que durou a fase de recompilação de dados, 71% dos usuários estudados escreveram ao menos um status, um comentário ou ambos, e não o publicaram. Em media, 4,52 status e 3,2 comentários. Entre os motivos para pensar duas vezes e não dar o clique, os pesquisadores  encontraram motivos políticos, assim como não encontrar afinidade na audiência, ou por questões relacionadas ao gênero.

Descobriram que as possibilidades para se autocensurar são menores tratando-se de um comentário ao status de um amigo, mas bem mais provável quando se inicia uma conversa no perfil próprio. O motivo? Segundo os pesquisadores, as repostas dadas consistem em algo mais sucinto e com mais conhecimento da audiência potencial. Ao mesmo tempo, observaram que o nível de censura era muito menor no caso dos grupos de participação restringida, mais delimitados e com mais afinidade entre participantes.

Este estudo é uma versão do conhecido “abandono do carrinho de compra” no site de comércio eletrônico e serviu, por exemplo, para que o serviço da cidade californiana de Menlo Park melhore sua forma de apresentar as notícias. A guerra da atenção e, em consequência, a da interação, é primordial para o desenvolvimento de Facebook.

“Nossos resultados indicam que 71% dos usuários tiveram algum nível de autocensura no último minuto”, assinalam os pesquisadores, que atribuem esse percentual à teoria da “audiência percebida” indo para enviar seu post ou comentário. “As pessoas com mais limites em seus temas se censuram mais; os homens se censuram mais que as mulheres; bem como as pessoas que exercem maior controle sobre sua audiência, em relação aos que têm uma rede de contatos mais diversa em idade e ideias políticas, que se censura menos”.  Também concluem que quanto mais jovens, menos censura e quanto mais amigos do sexo oposto, mais autocensura.

Com quem seu filho bate papo na internet?

 

A ideia é chamar a atenção dos pais para que fiquem atentos com os seus filhos na web. “Você sabe quem realmente está batendo papo com seu filho na internet?” é o tema da nova campanha em favor da proteção das crianças desenvolvida pelo grupo francês Innocence in Danger. Aqui você tem acesso ao documento (em francês) com toda a proposta da campanha.

A campanha usa fotos de pessoas reais, mas os rostos foram transformados em versões animadas dos famosos emoticons, usados em mensagens. A campanha Emoticones foi idealizada pela agência de publicidade Rosapark, associada ao grupo Havas, e tem como objetivo lembrar aos pais que existem predadores na internet escondidos pelo anonimato das salas de chat, aplicativos de bate-papo e sites de redes sociais.

Educomunicação: inscrições em fevereiro

Estarão abertas entre 17 e 28 de fevereiro de 2014, as inscrições para a seleção do curso de especialização “Educomunicação: Comunicação, Mídias e Educação”, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. São 60 vagas. Podem candidatar-se à seleção portadores de diploma de graduação, em qualquer área do conhecimento, obtido em instituições de ensino superior nacionais ou estrangeiras, nos termos da legislação vigente na Universidade de São Paulo. Mais informações no site.

O processo de seleção, que consiste de prova escrita, análise do currículo e entrevista, será realizado no período de 10 a 14 de março de 2014. A prova escrita será realizada no dia 10 de março, às 10h, no edifício central da ECA, e constará da redação de um texto dissertativo, cuja temática será indicada pelo examinador no ato da prova.

Os candidatos que obtiverem nota mínima 7,0 (sete) na prova escrita submeter-se-ão à entrevista. O resultado será divulgado no dia 11 de março de 2014, às 13h, no Departamento de Comunicações e Artes, no quadro de avisos do curso. As entrevistas classificatórias serão realizadas no período de 12 a 14 de março de 2014, manhã e tarde, no edifício central da ECA, conforme escala afixada no dia 05. Na entrevista serão avaliados o currículo e os objetivos do candidato.

A homologação dos resultados da seleção caberá à Banca Examinadora e sua divulgação se dará no dia 17 de março de 2014Os candidatos aprovados efetuarão sua matrícula no período de 18 a 20 de março de 2014. O valor total do Curso é de R$ 13.500,00, a serem pagos em até 18 (dezoito) vezes, no período de março de 2014 a setembro de 2015.

O Curso tem uma carga horária total de 600 (seiscentas) horas, distribuídas nas modalidades presenciais e semipresenciais, com duração de 18 (dezoito) meses, sendo um deles dedicado à elaboração do projeto de intervenção. As aulas presenciais, cuja frequência mínima é de 85%, serão ministradas às sextas-feiras, das 19h às 23h e no sábado, das 9h às 13h e das 14h às 18h, conforme calendário letivo entregue no ato da matrícula.

Informações poderão ser obtidas junto à Secretaria do Curso de especialização lato sensu “Educomunicação: Comunicação, Mídias e Educação”, do Departamento de Comunicações e Artes da ECA, através do fone: (011) 3091.4341, pelo fax: (011) 3091.4867 ou pelo e-mailgestcom@edu.usp.br.

Curta de Portugal concorre ao Oscar

Do jornal Público PT, de Portugal
Por Ana Abreu

Feral, de Daniel Sousa, está nas cinco curtas-metragens animadas candidatas ao Óscar e conta a história de uma criança selvagem que é levada para a civilização e se protege com os instintos que desenvolveu ao crescer em plena natureza. O cineasta português conta como reagiu à nomeação e fala-nos do filme e das influências que a cultura portuguesa teve nesta produção.

Daniel Sousa diz que gostava de trabalhar em Portugal, mas vive em Providence, no Estado de Rhode Island, nos Estados Unidos, país onde se radicou aos 12 anos. Tem agora 39 anos, nasceu em Cabo Verde e passou a infância em Portugal. Estudou animação na Rhode Island School of Design, onde actualmente dá aulas. Com os seus filmes procura explorar a dicotomia inteligência-instintos e abordar temas que definam o ser humano.

Acompanhe:

Público PT – Que reacção é que teve quando soube que tinha sido nomeado. Ficou surpreso?
Daniel Souza – Fiquei muito surpreendido, não estava nada à espera. A surpresa maior foi quando fui nomeado para os dez que ficaram na short list, antes de serem anunciadas as nomeações oficiais. Agora, como só havia dez, já estava mais ou menos na expectativa de chegar aos cinco. Sim, foi uma grande surpresa, estou muito feliz. E agora vamos ver.

Público PT – O que representa este filme para si?
Daniel Souza – 
É um filme em que trabalhei durante muito tempo, por isso representa um período na minha vida que vou sempre lembrar com muito amor nas memórias deste trabalho. Os temas são mais universais. A história de uma criança selvagem e outros temas que o filme explora são expressão daquilo que define o ser humano: qual é a diferença entre os humanos e os animais, e entre a inteligência e os instintos? É uma coisa que tento investigar em todos os filmes que faço.

Público PT – Quanto tempo demorou a fazer o filme?
Daniel Souza – 
Comecei a pensar nele há quase cinco anos, mas tinha outros trabalhos a fazer, e também dou aulas, por isso, não pude trabalhar no filme durante esse tempo. Se me tivesse dedicado só ao filme, demoraria talvez um ano, mas o trabalho prolongou-se por cinco anos.

Público PT – Qual foi a técnica que utilizou?
Daniel Souza – É um bocadinho confusa. Fiz os desenhos à mão, mas, através do computador, num programa chamado Flash, o desenho foi depois impresso em papel, tracejado a lápis e devolvido ao computador.

Público PT – Ainda sente alguma afinidade com Portugal?
Daniel Souza – 
Claro. Gostaria de visitar Portugal mais vezes, os meus pais ainda vivem lá e eu tento voltar para os visitar todos os anos, mas a indústria dos trabalhos que faço é nos Estados Unidos. Não sei se há outras oportunidades aí para isso; se houver, seria uma maravilha poder trabalhar em Portugal, mas ainda não encontrei.

Público PT – De alguma forma a cultura portuguesa influencia ou já influenciou os seus trabalhos?
Daniel Souza – 
Sim, eu considero-me português, embora tenha um vocabulário de uma criança de 12 anos, que foi a idade com que vim para os Estados Unidos; por isso, não me consigo expressar muito bem na língua. Não estou muito familiarizado com os filmes portugueses actuais, mas o que me influencia muito são as memórias da minha infância, e isso foi tudo em Portugal. As cores, a atmosfera, a arquitectura, são tudo coisas que me lembro de ver perto de Lisboa e acho que todas elas entraram um pouco no filme que fiz. Por isso, sim, considero a atmosfera de Feral uma atmosfera portuguesa.

Evento na Bahia chega à 10ª edição

Há dez anos, um grupo de professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), coordenado pela professora Lynn Alves, dava início ao Seminário Jogos Eletrônicos, Educação e Comunicação – Construindo Novas Trilhas. De lá para cá, o grupo cresceu, produziu, pesquisou e firmou parcerias. Nos dias 29 e 30 de abril, o encontro chega a sua décima edição. De acordo com Lynn Alves, o desafio deste ano é estabelecer uma interlocução entre jogos eletrônicos educação, saúde e inclusão social na perspectiva da acessibilidade digital. Nesta lógica o objetivo principal é reunir uma rede de pesquisadores e desenvolvedores de jogos a fim de discutir e explorar esse novo campo de estudo e produção, onde todos tem direito a jogar. “O processo de reabilitação neuropsicológica através do uso dos games será apresentado como uma proposta inovadora no âmbito das práticas de saúde mediante a apresentação do Project Neumann. E a inclusão social será discutida a partir dos diversos recursos de acessibilidade digital atrelada aos games de forma a garantir o direito universal de todos ao jogo”, avisa.

Professores e pesquisadores interessados em participar com apresentação de artigos têm até o dia 31 de janeiro para enviar os trabalhos. Há quatro grupos de pesquisa:  GT1 – jogos eletrônicos e cultura; GT2 – jogos eletrônicos e arte & design; GT3 – jogos eletrônicos e computação; e GT4 – jogos eletrônicos e saúde. Para saber sobre os procedimentos, clique aqui.

E a exemplo dos anos anteriores, será realizada a Mostra de Jogos Eletrônicos,na qual desenvolvedores terão a possibilidade de apresentar o seu game e socializar com a comunidade o processo de desenvolvimento. Nesta edição, a mostra terá uma categoria específica para os jogos desenvolvidos com enfoque na acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência. O prazo de inscrição dos games termina no dia  de março. Para saber sobre os procedimentos, clique aqui.

Uso de tablets e smartphones por crianças deve ser monitorado

Por Associated Press 

A facilidade com que crianças de até 3 anos lidam com tablets e smartphones vem preocupando pediatras e outros especialistas. Hoje em dia é muito comum que pais deixem seus filhos navegando nos gadgets em restaurantes ou no carro, de modo a mantê-los quietinhos numa viagem ou enquanto esperam a refeição. Mesmo sem ler, as crianças conseguem escolher sozinhas filmes para assistir, jogos ou ver fotos de família e amigos no tablet ou smartphone. E os pais se sentem menos culpados por achar que, usando os aparelhos mesmo em idade tão tenra, as crianças aprendem alguma coisa com os aplicativos. Fabricantes como a Samsung colocaram no mercado tablets especialmente projetados para os pequeninos e boa parte dos tablets para adultos já vem com controles que os pais devem configurar para filtrar o conteúdo.

Mas os especialistas observam que não há qualquer prova de que passar muito tempo navegando num tablet ofereça qualquer benefício educacional ou relativo ao desenvolvimento das crianças. Na verdade, essa navegação tira as crianças de seu elemento natural: brincar, interagir com amigos e adultos ao vivo e usar brinquedos comuns, que não sejam digitais. Para os médicos, ficar muito tempo entretido com a tela de um celular ou tablet cada vez mais se mostra ligado a problemas comportamentais e atraso no desenvolvimento social. “Os tablets só estão no mercado há pouco mais de três anos, ou seja, a pesquisa sobre seu impacto numa criança ainda se encontra num estágio bem inicial”, afirma o pediatra Dimitri Christakis, do Seattle Children’s Hospital.

A natureza solitária dos gadgets

Segundo ele, jogos e apps educativos têm algum valor real pela interação da criança com o dispositivo, mas apenas ver vídeos no gadget é como assistir à TV, em que o espectador é mais passivo.

De acordo com Christakis, os pais devem verificar se o uso do tablet não está afetando outras atividades cotidianas da criança, como ler, interagir com adultos e dormir. “A Academia Americana de Pediatria recomenda no máximo duas horas de uso de tablets ou smartphones por dia para crianças de mais de 2 anos. E eu penso que uma hora por dia é mais que suficiente”, diz. “Nada é mais importante para crianças dessa tenra idade que passar tempo com seus pais e com as pessoas que cuidam delas. Se o uso dotablet as afasta disso, não é bom.”

O aprendizado da linguagem também pode ser atrasado pela atenção excessiva aos gadgets eletrônicos, diz a psicóloga infantil Rahil Briggs, do Monefiore Medical Center em Nova York. “A natureza solitária do uso dos eletrônicos significa que as crianças não estão aproveitando seu tempo para aprender a fazer amigos ou como se comportar socialmente”, diz Briggs.

Questão de equilíbrio

Outros especialistas, porém, acham que os tablets e smartphones são benéficos do ponto de vista educacional. De acordo com Jill Buban, diretora da Escola Educacional da Post University, em Connecticut, diz que, quanto mais as crianças puderem absorver e compreender a tecnologia antes de entrar na escola, mais confortáveis se sentirão ao entrar numa sala de aula pela primeira vez. “Mas mesmo assim os melhores apps educativos têm de ser monitorados pelos pais, e seu uso, limitado. O ideal é que não sejam usados mais que 30 minutos por vez”, diz Jill.

Adam Cohen diz que seu filho Marc, de 5 anos, usa apps em tablets desde 1 ano e meio de idade. “No começo ele ficava um pouco sozinho, mas agora consegue ler tão bem a ponto de quase chegar ao nível da segunda série, e eu credito isso aos apps do iPad”, diz o pai. “Agora ele tem seu próprio tablet e sua irmã, Harper, que sequer completou um ano, parece frustrada por não ter o seu também.”

Definitivamente, é uma nova era para a criançada. Até o tradicional programa Vila Sésamo tem atualmente em seu departamento digital 45 aplicativos e 160 e-books. “No fim, trata-se de uma questão de equilíbrio, e o que procuramos fazer é proporcionar uma experiência enriquecedora de mídia onde quer que pais e filhos estejam, da TV ao tablet”, diz Scott Chambers, vice-presidente de conteúdo digital da Sesame Workshop.

Inscrições prorrogadas

Atenção: foram prorrogadas as inscrições de curtas para a 13ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que será realizada no Teatro Governador Pedro Ivo Campos, de 31 de maio a 10 de junho. Os interessados têm agora até o dia 17 de março para confirmar a participação. Podem concorrer produções nacionais de todos os gêneros e formatos de curta-metragem, e inéditas em Santa Catarina. As obras serão exibidas na mostra competitiva e não-competitiva.

O Melhor Filme eleito pelo Júri Oficial e o Melhor Filme escolhido pelo público infantil receberão o prêmio aquisição da TV Brasil no valor de R$ 10 mil. Segundo a diretora da Mostra, Luiza Lins, a iniciativa busca discutir questões ligadas à educação, à cultura e ao audiovisual para a infância, não só por meio da exibição dos filmes em si, mas também com o apoio de uma programação paralela, que prevê seminários e mesas de debate para o público adulto.

“O objetivo é que mais pessoas entendam a importância e o profissionalismo que envolve a produção cultural para crianças, além de promover a inclusão social, o fortalecimento e a circulação do cinema infantil brasileiro”, destaca.

Os vídeos inscritos e selecionados serão exibidos gratuitamente aos estudantes da rede pública e particular de ensino durante os dias de realização da Mostra e em mostras itinerantes em comunidades na Grande Florianópolis e outros municípios catarinenses.

Em 2013, por meio do Circuito Estadual de Cinema Infantil, o evento – um dos únicos no Brasil voltados à produção audiovisual com linguagem para os pequenos – atingiu cerca de 140 mil crianças em todo o estado, com exibição de mais de 80 filmes. A Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis é uma realização da Lume Produções Culturais, com apoio do Núcleo de Ação Integrada e patrocinadores. Inscrições – As inscrições estarão abertas até o dia 10 de março.

O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no site www.mostradecinemainfantil.com.br. Todo o processo é online, incluindo o envio dos filmes. As obras selecionadas serão divulgadas no início de abril. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail inscricoes@mostradecinemainfantil.com.br ou pelo telefone 48-32325996.