Oportunidade para os jovens

Estudantes do Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e São Paulo têm até o dia 4 de maio para se inscrever no Conexão Responsa, projeto voltado para jovens que gostam de usar as redes sociais e querem aprender mais sobre comunicação.

Preencha o formulário aqui até 4 de maio de 2014 para se candidatar à vaga.Em caso de dúvidas, envie um e-mail para transformeconosco@lynxconsultoria.com

O Conexão acontecerá em cada cidade sede do programa e será realizado nos sábados de maio e junho. Podem se candidatar jovens de 13 a 17 anos que receberão uma formação inicial em comunicação (redes sociais), um celular e uma ajuda de custo. Destes, dez serão escolhidos para produzir conteúdo para o Programa Jovens de responsa. O Na Responsa  foi criado pela companhia Ambev para atuar no combate ao consumo de álcool por adolescentes.

Confira as datas

Rio de Janeiro (RJ)
Data: 10 de Maio (sábado)
Horário: 8h30 às 18h30
Local: Viva Rio – Rua do Russel, 76 – Gloria

Porto Alegre (RS)
Data: 17 de Maio (sábado)
Horário: 8h30 às 18h30
Local: ACM Restinga – Estrada João Antônio da Silveira, 4065 – Restinga

Belo Horizonte (MG)
Data: 24 de Maio (sábado)
Horário: 8h30 às 18h30
Local: Oficina de Imagens – Rua Salinas, 1101 – Santa Tereza

Salvador (BA)
Data: 31 de Maio (sábado)
Horário: 8h30 às 18h30
Local: Cipó Comunicação Interativa – Morro da Paciência, 3784 – Rio Vermelho

São Paulo (SP)
Data: 07 de Junho (sábado)
Horário: 8h30 às 18h30
Local: FGV – Rua Itapeva, 474- Bela Vista

Um banho de estética

Por Mailson Ramos
Escritor

A novela das 18 horas ainda mantém padrões tradicionais dos personagens que compõem a história: existe uma mocinha, representada na figura da professora; um vilão que é o fazendeiro e se sente no direito de comandar a vida das pessoas; um ou dois rapazes que duelarão até o fim da trama pelo amor da mocinha. Mas além deste estilo costumeiramente utilizado pelos autores, a obra tem sido bastante comentada por seu inovador conteúdo estético, resultante numa explosão de cores e formas nunca antes vistas numa telenovela brasileira. Luiz Fernando Carvalho, diretor, é o responsável por esta alteração visual que chama a atenção em vários aspectos e faz-nos pensar que é possível atrair a atenção do telespectador com valores artísticos que não o enredo em si.

Esta é, sobretudo, uma nova maneira de criar sentido; criar expectativa sobre um traçado que mais se parece com um desenho animado, às vezes sem foco e quase sempre atrativo; é distante da realidade das novelas convencionais, mas muito próxima no discurso dos personagens, no seu jeito caipira de falar, na estruturação do enredo em volta duma personagem principal carismática e apaixonante. Em certo momento, a crítica e o público imaginaram que a novela era mais uma história infantil do que propriamente um enredo para abordar temas mais sérios. Por sua especificidade, a novela de Benedito Ruy Barbosa exibe uma estética que sem dúvida atrai o público infantil, embora não se exima de criticar a autoridade excessiva de um coronel, o ideal de educação duma jovem professora, a perspectiva e compreensão de mundo duma menina que é a todo momento “podada” pela arbitrariedade do pai.

As imagens se não são excêntricas compõem uma alternativa ao natural, ao comum. Como se houvesse sido extraída de um livro de ilustrações infantil, a história da professorinha Juliana é mais que um apelo à visão, ao elemento sensorial da retina: é um modelo a ser seguido pela teledramaturgia que, cansada de trilhar sempre pelos caminhos da rotina, do enquadramento imutável, das cores inalteradas, busca uma nova forma para atrair os telespectadores. Talvez seja o momento oportuno para que a televisão descubra em outros produtos culturais sua verdadeira fonte de recriação.

Os resultados na telinha

Com uma das audiências mais baixas da história da telenovela no horário das 18, no dia da estreia, Meu Pedacinho de Chão sofre com as críticas de quem não está acostumado a mudanças estéticas bruscas, uma alteração importantíssima na linguagem audiovisual que se reflete numa estranheza, provavelmente efêmera, uma vez que, compreendendo que o estilo da novela não será outro senão este, o telespectador começa a compreender o que significa aquele banho de estética. É muito importante que esta novela se torne uma representação alternativa às novelas ‘tradicionais’.

Tornar-se mais comum que autores e diretores optem por uma teledramaturgia recontada com estilos diferenciados para atrair a atenção do público. Com isso não é possível afirmar que não haverá rejeições, mas neste mesmo horário, em 2011, a TV Globo inovou e lançou Cordel Encantado, telenovela com uma linguagem típica dos cordéis, escrita por Duca Rachid e Thelma Guedes e dirigida por Amora Mautner. Um sucesso, assim como deverá ser a atual ocupante do horário na programação global.

Alienação parental em cartilha

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT) lançou neste mês a Cartilha Alienação Parental. O objetivo é ajudar as pessoas a compreenderem e identificarem esse fenômeno social, no qual crianças e adolescentes sofrem abuso psicológico (do pai ou da mãe) para dificultar ou destruir os vínculos do filho com o outro genitor. Mato Grosso é o segundo estado a lançar uma cartilha sobre o tema. O Tribunal de Justiça da Bahia já tinha lançado uma HQ onde aborda o assunto.

Com 20 páginas, a cartilha do TJ/MT informa o que é a alienação parental, quais as formas de alienação, as medidas aplicáveis, a importância do depoimento especial e da perícia e a quem procurar quando essa prática é identificada. O material traz ainda a íntegra da lei 12.318, de 26 de agosto de 2010, que dispõe sobre a alienação parental.

Conheça a HQ do TJ/BA
Veja o trabalho do TJ/MT 

28 de abril: Dia Mundial da Educação

O Dia Mundial da Educação faz referência a um encontro de representantes de 180 países participantes do Fórum Mundial de Educação realizado entre 26 e 28 de abril de 2000, na cidade de Dakar, no Senegal, onde foi assinado um documento no qual estes países se comprometiam a não poupar esforços, políticos e financeiros, para que a Educação chegasse a todas as pessoas do planeta até o ano de 2015.

Este fórum é considerado um marco para a educação global pois nele os países participantes assumem o compromisso de atingirem os objetivos da Declaração de Jomtien – documento criado na Conferência Mundial sobre Educação para Todos, no ano de 1990, em Jomtien, Tailândia. Universalizar o acesso à educação e promover a equidade, ampliar os meios e o raio de ação da educação básica e propiciar um ambiente adequado à aprendizagem são alguns destes objetivos.

Segundo a representação da Unesco no Brasil, nosso país apresentou os seguintes avanços nestas últimas duas décadas: o acesso ao ensino fundamental está quase universalizado, com 94,4% da população de 7 a 14 anos incluídos nesse nível de ensino; a proporção de jovens na idade própria que se encontra no ensino médio é mais que o dobro da existente em 1995, mostrando expressivo avanço no acesso à educação secundária; redução das taxas de analfabetismo entre jovens e adultos; aumento no acesso ao ensino superior.

Fonte – Professora online – Professor web

Jovens têm até o dia 7 de maio para tirar o título

Com o mote das manifestações ocorridas no Brasil no ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) convida os jovens eleitores de 16 e 17 anos, para quem o voto não é obrigatório, a tirar o título de eleitor e fazer a diferença nas urnas. A ação, que tem como slogan “Seu voto vale o Brasil inteiro” e a hashtag #vempraurna, conta com vídeos para televisão, spots para rádio e cartazes. Os jovens têm até o dia 7 de maio para requerer o título de eleitor.

No filme de 30 segundos, homens e mulheres aparecem em uma espécie de manifestação do bem sobre a importância do voto jovem para o futuro do país. Na publicidade, os eleitores levantam bandeiras e cartazes com dizeres como: “Não posso dirigir um carro. Mas escolho quem dirige meu país” e “Verás que um ?lho teu não foge à urna”.

No rádio, de forma descontraída e alegre, o TSE convoca os jovens para “fazer a melhor eleição do Brasil”. Com uma melodia agitada e positiva, o jingle lembra que as pessoas que tem 16 anos já podem votar e fazer “o melhor pro Brasil, pra mim e pra você”.

Já na publicidade visual, em meio a uma manifestação em favor do voto, um jovem segura um cartaz com o formato de urna eletrônica e com a hashtag #vempraurna escrita no local onde aparece a foto do candidato no dia da eleição. Na peça, além de reforçar a informação que as pessoas com 16 anos têm até o dia 7 de maio para tirar o título, lembra ainda que eleitores com de?ciência física ou mobilidade reduzida podem pedir transferência para a Seção Eleitoral Especial até a mesma data.

Como  tirar o título

O interessado em fazer a inscrição eleitoral tem até dia 7 de maio para procurar um cartório mais próximo de sua casa e apresentar documento o?cial de identi?cação com foto e comprovante de residência, além de certi?cado de quitação do serviço militar obrigatório para pessoas do sexo masculino, maiores de 18 anos. O título de eleitor é o documento que comprova o alistamento eleitoral e informa o número de inscrição, zona eleitoral e o local de votação.

Também é possível acessar o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fazer o pré-atendimento e agilizar a retirada do título. Ao acessar o serviço, também chamado de Título Net, basta preencher os campos de identi?cação até o ?nal e apresentar o protocolo gerado on-line em uma unidade de atendimento da Justiça Eleitoral, com a documentação exigida, até o dia 2 de maio.

Lugar de menina é na computação

Lugar de menina também é na computação. É o que quer mostrar e defender o projeto Android Smart Girls, uma iniciativa do grupo Mulheres na Engenharia do Instituto de Computação da Unicamp, filiado ao IEEE – associação de profissionais de engenharia do mundo.

“Há um estereótipo de que quem está na computação é sempre nerd, pessoa que fica o dia inteiro na frente do computador, sem interagir com ninguém. E não é isso! Os profissionais da computação têm interação com todas as áreas do conhecimento. E, normalmente, as mulheres gostam, apreciam atuar em atividades de impacto social. As áreas de computação, exatas e engenharia oferecem essas oportunidades, mas o público nem sempre vê isso”, destaca a coordenadora do projeto Juliana Borin, em entrevista ao Jornal da Unicamp.

O objetivo do Android Smart Girl é proporcionar a alunas de Ensino Médio um primeiro contato prazeroso com noções de lógica de programação e desenvolvimento de algoritmos. Para tanto, a atividade escolhida para ser realizada com as meninas é o desenvolvimento de aplicativos para smartphones.

O projeto consiste de duas fases: primeira fase (de março ­ junho/2014): um curso para alunas de Ensino Médio da Escola Estadual Hilton Federici, em Campinas, com o objetivo de ensiná-las a desenvolver aplicativos para a plataforma Android. A ferramenta de desenvolvimento utilizada no curso, chamada MIT App Inventor, permite a criação de aplicativos através de uma interface gráfica intuitiva.

Segunda fase (julho ­ dezembro/2014): as meninas que concluírem o curso formarão equipe para desenvolver aplicativos de sua escolha. Cada equipe terá uma mentora e os melhores aplicativos serão submetidos a competições nacionais e internacionais.

“Alunas dos cursos de engenharia e ciência da computação participam ativamente na condução do projeto. As atividades permitem aplicar os conhecimentos já adquiridos na universidade em um projeto de impacto para a comunidade de uma escola, a curto prazo, e para a sociedade em geral, a longo prazo. Com isso, esperamos estimulá-las a continuar seus estudos e perseguir a carreira escolhida bem como torna-las agentes multiplicadoras e motivadoras entre suas colegas de graduação”, destaca Juliana.

O projeto foi um dos contemplados pela chamada “MCTI/CNPq/SPM-PR/Petrobrás – Meninas e Jovens Fazendo Ciências Exatas, Engenharias e Computação”, lançada em outubro de 2013. A Samsung também apoia a iniciativa.

Saiba mais em http://sites.ieee.org/southbrazil-wie/

European Media Literacy

No dia 27 de maio, o European  Media Literacy (Emedus), espécie de órgão que reúne instituições e especialista europeus em torno do tema, vai lançar o Observatório Europeu de Alfabetização Midiática. O evento acontecerá dentro da programação do European Media Literacy Forum, que será realizado nos dias 27 e 28 de maio, em Paris. O objetivo do forum é defender a inclusão da mídia educação no currículo escolar europeu e desenvolver iniciativas que visam à educação formal e informal de diferentes e diversos grupos.

Conheça a programação do evento

Ensino Médio em debate

Nos dias 8 e 9 de maio, dois grupos de pesquisa da Universidade Federal Fluminense (UFF) – Observatório Jovem e Currículo, docência e cultura – vão promover o seminário Sujeitos e práticas no Ensino Médio. O objetivo do evento é estabelecer um diálogo com escolas e professores sobre as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, considerando os desafios da formação de professores, bem como as práticas curriculares atuais. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 4 de maio.

faça aqui a sua inscrição

De acordo com a coordenação, no primeiro dia do encontro, havéra uma mesa redonda sobre os limites, possibilidades e desafios das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Participarão do debate os professores Sandra Selles (UFF), Celso Ferreti (UFTPR), e Juarez Dayrell (UFMG). No dia seguinte, acontecerão rodas de diálogo sobre as seguintes temáticas: avaliação no Ensino Médio, organização e gestão democrática da escola; currículo, sujeitos e formação humana; jovens no Ensino Médio; áreas do conhecimento e integração curricular.

O seminário será realizado no Auditório Florestan Fernandes, na Faculdade de Educação da UFF. Campus do Gragoatá. Mais informações no site emdialogo.uff.br

Direto da Lua para o Brasil, aqui perto de mim

Por Artur Melo, 10 anos
Aluno do 6º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

“Deus manda, Deus manda
Na hora que mais se precisa
A luz para acender minha alma
A cura da dor num lampejo
Todo o perdão que me salva
Olhos pra quando eu não vejo

Se eu me sinto sozinho
Ele vem em segredo
E me faz passarinho
Pra que eu não mais tenha medo…” (Letra de Jorge Aragão)

Salve Jorge,
Quando estou em perigo, na hora precisa.
Quando estou sem ideias, acende minha imaginação.

Quando estou com dores no corpo ou com maus pensamentos
Cura tudo num instante, passa logo e sigo adiante.
Chateado ou triste, num lampejo, me alegra rapidamente.
Quando é difícil perdoar, já entendo que devo tentar.

Salve Jorge,
Olha por mim, por você, por todos nós,
em melhores ou piores situações.
Se me sinto sozinho, te conto um segredo,
me distraio brincando e já não tenho incômodo, nem medo.

Direito de permanecer calado

Por Júlia Gabriele Araújo da Costa
Ex-aluna do curso Roteiro para Mídias Digitais (Nave)

Penso que, atualmente, cresce cada vez mais uma (auto)limitação sobre as opiniões e críticas que queremos/podemos expor através de um jornal, redes sociais e outras mídias. Mesmo com o direito de manifestar livremente nossos pensamentos, o que eu, você e todos escrevem/falam pode ter uma consequência não positiva em nosso local de trabalho, em nossa família, na escola ou na conquista de um emprego. Do jeito que as coisas andam, dificilmente conseguiríamos, por exemplo, um cargo público ou uma vaga numa empresa particular após fazer críticas políticas.

Acredito que as críticas deveriam servir para a construção de melhores ações, atitudes e encaminhamentos. Mas elas não são vistas desta forma. Quase sempre o autor das críticas é julgado – e muitas vezes condenado – quando não coloca a sua opinião de acordo com o desejado, tanto pelas empresas quanto pela maioria dos cidadãos. Nos dias de hoje, a imagem transmitida é mais importante do que o serviço prestado.

Neste sentido, venho observando que o jornalismo está cada vez mais limitado a reportar acontecimentos do dia a dia, muitas vezes, sem importância social, focando muitas vezes em celebridades e novelas. Partindo do princípio de que o jornalista tem compromisso com a informação e que desempenha de certa forma um papel de formação de opinião pública, o contexto deixa a desejar. A população está cada vez mais alienada pelas diversas mídias, muitas vezes controladas por pessoas do próprio poder público, o que gera uma sociedade sem grande conhecimento e com opiniões rasas. Uma sociedade tão limitada não tem muito para onde correr. Retratos fantasiosos do nosso dia a dia e reality shows ditam o ritmo do país.

Facebook indica novas relações e desafios

Por Marcus Tavares

A professora Nélia Mara defendeu, em fevereiro deste ano, sua tese de doutorado, em Educação, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Com o título Você tem face?, o estudo pesquisou as experiências infantis com as redes sociais online, tendo como plataformas de investigação o Orkut e o Facebook.

“Em 2009, meus alunos de seis anos, na classe alfabetização, perguntavam frequentemente se eu tinha Orkut e revelavam, com frequência, novidades sobre seus perfis. Enquanto isso, o grupo de pesquisa do qual faço parte desde 2005, Grupo de Pesquisa Infância e Cultura Contemporânea, coordenado pela professora Rita Ribes, na UERJ, voltava seu foco de estudos para a relação das crianças com as mídias digitais, oportunizando a sistematização teórica e metodológica das minhas questões nascidas na escola. Buscava entender porque as crianças estavam no Orkut, como acessavam e o que gostavam de fazer nas redes sociais online. Dois anos depois, as crianças migraram para o Facebook e, em pouco tempo, muitas tinham suas primeiras experiências com as redes sociais nele. Por isso, os dois sites foram as principais plataformas de análise”, conta.

Segundo Nélia, o grande desafio foi conseguir construir uma metodologia que não desprezasse a dimensão técnica do fenômeno que pretendia estudar e que conseguisse captar, de alguma forma, a fugacidade das relações online e, em última instância, a dinâmica da cultura contemporânea. “Foi assim que nasceu uma pesquisa online, em que eu conversei com crianças entre oito e onze anos através dos chats, além de observar constantemente todas as atualizações nos perfis infantis”, destaca.

Em entrevista à revistapontocom, Nélia conta detalhes do estudo e suas principais conclusões sobre a relação das crianças com as redes sociais online. “Desejo que a entrevista seja o começo de uma conversa com quem se interesse pelo tema e que traduza também num convite para a leitura da tese”, afirma.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom  O que leva as crianças a participarem, cada vez mais, das redes sociais?
Nélia Mara  As redes sociais despontam na fase atual da cibercultura como uma potência que inaugura novas experiências nas formas de se relacionar, aprender, conviver, se expressar… Quando me interessei pelo tema, busquei selecionar os sites que as crianças mais acessavam, como forma de conhecer suas experiências e preferências na internet. Queria ir onde elas estivessem. E apesar de, em 2009, época em que surgiram os primeiros movimentos da pesquisa, eu ter conhecido alguns sites de rede social voltados especialmente para crianças, estes não eram sequer citados pelas crianças quando as indagava sobre o que faziam na internet. Talvez esse seja um bom exemplo para pensar que as crianças não vivem num mundo apartado dos adultos, mas estão inseridas na cultura e dela participam ativamente. As crianças querem estar onde todos estão.

revistapontocom  Como podemos definir as crianças que participam das redes sociais?
Nélia Mara  São crianças que inauguram experiências que situam a infância em um lugar social inédito na cultura. A pesquisa me permite afirmar que a presença e a participação das crianças nas redes sociais online possibilitam que as vozes das crianças habitem o ciberespaço numa relação de horizontalidade com as vozes dos adultos. Estão todos lá, convivendo, interagindo, comunicando. Isto quer dizer que a possibilidade de as crianças serem emissoras de conteúdo guarda uma potência que liberta a infância dos estatutos modernos calcados na ideia de menoridade e inferiorização em relação ao adulto. São crianças que burlam os protocolos dos sites – que é bom lembrar, ostentam uma proibição hipócrita, visto que atraem as crianças de forma velada –, criam e se apropriam cada vez mais de novas linguagens, novas formas de ser criança e de viver a infância. Para essas crianças, as redes sociais representam hoje, sobretudo, novas formas de interação e sociabilização. Elas jogam, brincam, conversam, assistem a vídeos, produzem vídeos, se informam, aprendem coisas novas, consomem. No entanto, é importante não perder de vista que a cibercultura, essa cultura em rede que vivemos hoje, nos afeta não só materialmente, mas, sobretudo, simbolicamente. Está em jogo a produção de novas linguagens, subjetividades, de novas formas de aprender, de se relacionar, novas relações com o tempo e com o espaço, o que é também vivido por quem não tem, necessariamente, um perfil no Facebook.

revistapontocom  São grandes as diferenças de formação, oportunidade, experiência e conhecimento entre crianças que acessam e as que não acessam as redes?
Nélia Mara  Pesquisas oficiais de cunho quantitativo sobre crianças e internet, como as realizadas pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC) em todo o território nacional, têm demonstrado o quanto a condição socioeconômica é fator que determina o acesso à internet, a frequência com que ocorre, bem como a posse de aparatos técnicos. Renda familiar, classe social e região do país – dada desigualdade no investimento das condições técnicas para a distribuição da conexão, se compararmos os dados da região norte com a sudeste, por exemplo – são elementos que interferem de maneira decisiva para a participação das crianças nas redes sociais. No caso específico da pesquisa que realizei, é importante dizer que não se adotou um recorte de classe, pois se buscou, inicialmente, dialogar com crianças que já possuíam perfis em sites de redes sociais e, num segundo momento, crianças que fizessem parte da minha rede de contatos. Dito isto, a pesquisa que realizei não se debruçou sobre um estudo comparativo entre as crianças que têm acesso e as que não têm. No entanto, se aceitamos a ideia de que a cibercultura nos afeta simbolicamente, a questão se complexifica e exige aprofundamento. Mas é inegável que a oportunidade de entrar em contato com o mundo através do seu próprio celular posiciona a criança no mundo de maneira diferente daquela que, sequer, tem o que comer. São, sem dúvida, experiências de infância distintas qualitativamente. Penso que autonomia e criatividade estão no centro da participação nas redes sociais online. Inclusive, as crianças precisam, muitas vezes, criar datas de nascimento fictícias para terem acesso a uma conta no site. Precisam criar um perfil com inúmeras informações sobre si. O próprio ato de apenas “curtir”, no Facebook, alguma postagem, já evidencia uma expressão. Solidariedade e ética são noções por demais subjetivas para serem definidas aqui como algo propiciado pelas redes sociais. As crianças que estão nas redes sociais estão em diálogo com o mundo – elas têm acesso à informação, são encorajadas a se mostrar, a emitir opiniões, a compartilhar o que gostam, a conversar. Mas a formação se dá a todo momento: para a leitura, para a escrita, para a relação com o outro, para a construção da própria identidade, para a construção das noções de privacidade, formação para o consumo… Por isso, ao mesmo tempo em que é indiscutível reconhecer a centralidade que ocupam hoje as redes sociais na vida de muitas crianças, é indispensável pensar em formas articuladas de oferecer uma mediação que possam amplificar e qualificar todas estas fontes de in(formação).

revistapontocom  Quando falamos de mediação pensamos no papel dos adultos. As crianças estão sozinhas na rede?
Nélia Mara  Não, elas não estão sozinhas, ainda que acessem a internet sem ninguém por perto fisicamente. Penso que o grande desafio, hoje, para pais, professores e pesquisadores é pensar em novas formas de mediação online. Dado o caráter diferenciado das tecnologias digitais, a mediação não pode ser pensada sobre as mesmas bases, já consolidadas, das mídias eletrônicas. A mobilidade, por exemplo, é uma realidade e uma tendência também entre as crianças, já que a miniaturização dos aparelhos produz também condições para um uso mais individualizado. Se, por um lado, a impossibilidade de acompanhar fisicamente os acessos das crianças à rede pode sugerir menos possibilidade de acompanhamento dos adultos ao que as crianças acessam, há que se compreender que, online, as crianças nunca estão sozinhas. Estar nas redes sociais pressupõe estar em diálogo com alguém, seja um amigo, um familiar, um estranho ou mesmo uma empresa. O “estar com” é a essência do “estar em rede”. Por isso, friso, nosso papel enquanto adultos é buscar o diálogo com as crianças também online, fazendo-se presente também nas redes sociais. Há responsáveis que, sim, marcam sua presença de diferentes formas nos perfis de seus filhos; outros não. Há uma diversidade nas formas como a permissão do acesso às redes sociais acontece nas casas das crianças: há pais que criam os perfis dos filhos, incentivando que coexistam em rede; também há filhos que criam contas para seus pais, em busca de “atualizá-los”. Há famílias, por exemplo, que impõem uma idade mínima para que a criança conquiste o direito de estar numa rede social online, entendendo que é preciso crescer para ganhar novas responsabilidades, mesmo que não seja uma idade inferior à recomendada por sites como o Facebook ou o Orkut. Há pais que usam seus perfis com os filhos, um uso compartilhado. Em outros casos, e aqui já me posiciono como forma de dizer que penso ser a postura mais interessante, cada indivíduo da família possui um perfil, mas os pais e demais adultos interagem online com a criança frequentemente, além de conversarem em casa sobre o assunto. É uma forma de estar junto em rede, de acompanhar o que a criança faz, com quem interage, o que comunica, mas permitindo que ela tenha seu espaço, que ela construa seu perfil com suas características, preferências, fotos que gosta, podendo expressar a singularidade da sua identidade na internet.

revistapontocom  E quanto à escola?
Nélia Mara  A escola, de maneira geral, ainda não consegue ocupar o espaço de quem pode e deve colocar esse assunto como questão curricular porque ainda se baseia na lógica da vigilância, da proibição ou mesmo da didatização das tecnologias sob um viés, algumas vezes, empobrecedor e distante dos usos que as crianças fazem fora das salas de aula. Há instituições que, inclusive, proíbem o uso de aparelhos em suas dependências, parecendo fechar-se a uma realidade que está posta. Em paralelo, crianças postam, em seus perfis, fotos na escola em tempo real, o que denuncia que, a despeito de normas meramente burocráticas, as crianças estão em rede, se conectam de seus dispositivos móveis e, na maioria das vezes, a escola não se oferece para o diálogo.

revistapontocom  E ao contrário do que se pensa, as crianças têm conhecimento dos perigos da internet, não é isso?
Nélia Mara  As crianças demonstram ter muita informação sobre os perigos a que, possivelmente, estamos todos expostos na internet e nas redes sociais. Essas informações e ressalvas chegam de variadas fontes: a família conversa e instrui, a televisão noticia casos variados sobre o assunto e, mais timidamente, mas progressivamente, a escola também vai se envolvendo neste debate, ainda que o uso de sites de redes sociais seja comumente proibido em seus espaços. As crianças mostraram que elegem critérios para aceitar ou recusar pedidos de amizade e eu fui, inclusive, recusada por muitas quando busquei realizar a pesquisa com crianças indicadas por amigos, desconhecidas para mim. As recusas me obrigaram a redesenhar os critérios de escolha dos interlocutores e foram fundamentais no percurso da pesquisa. Ao longo do processo, também me dei conta, em diálogo com outras pesquisas a que fui tendo acesso, que as redes sociais são espaços de encontro entre pessoas que têm ou já tiveram algum tipo de relação face a face. Assim, sob esta lógica, as recomendações dos pais aos filhos sobre os perigos de dar atenção a pessoas estranhas é incorporada também para a vida online. É possível que esta constatação na minha tese, que nem sempre emerge em outros estudos, tenha a ver com a abordagem teórico-metodológica que adotei na pesquisa. A minha premissa foi de que as crianças estão de forma ativa e autônoma nos sites de redes sociais e me interessou ver o que fazem, como usam, por que usam e, em última instância, o que comunicam sobre suas experiências quando estão em rede, enquanto sujeitos criativos e produtores de cultura que são. Há outros estudos que, embora se detenham em temática similar, se fundamentam em concepções de infância que remetem aos pilares modernos de vulnerabilidade, inabilidade e menoridade, já elencando como premissa que há perigos, há uma proibição burocrática e, portanto, as crianças não deveriam estar lá. Penso que falamos, portanto, de lugares distintos; logo, nos posicionamos de formas diferentes em relação às crianças e às experiências de infância, conduzindo as pesquisas por caminhos que, nem sempre, se encontram. É preciso enfatizar aqui que reconhecer que as crianças entendem os perigos a que estamos expostos na internet não representa ignorar a importância do adulto no que diz respeito ao seu papel de proteção da criança. Friso que é fundamental que o adulto assuma o seu lugar de quem se oferece ao diálogo e aponta o caminho seguro. No entanto, me preocupa observar como essa relação se traveste, muitas vezes, em controle e vigilância por parte dos pais. Se é certo admitir que estamos todos, adultos e crianças, aprendendo a viver em rede, também é preciso compreender que a produção compartilhada de sentidos sobre o que nos desafia é um processo que se dá em diálogo.

revistapontocom  A participação de crianças e adultos no ambiente online vem estabelecendo um novo tipo de relacionamento?
Nélia Mara  Essa pergunta conduz ao debate pertinente em torno da questão geracional que marca os estudos sobre crianças e tecnologias digitais. Quando nos espantamos com a intimidade dos bebês com um tablet nas mãos, evidenciamos que a questão geracional está posta. Mas é importante não perder de vista que a relação com as mídias sempre esteve atravessada por essa tensão. O que parece complexificar a questão no contexto cibercultura é que a velocidade das transformações e a obsolescência como marca dessa era nos coloca, enquanto adultos, num lugar frágil de quem também se vê inseguro e rendido pelas constantes novidades, tão bem recebidas e incorporadas pelas crianças. Elas lidam com os aparatos de forma lúdica, criativa e desbravadora, enquanto o adulto, com um olhar mais cristalizado para a realidade, se relaciona de forma menos espontânea. Mas, se as redes sociais podem ser concebidas como lugares de encontro, podemos percebê-las na potência do encontro entre adultos e crianças, e não como algo que produz algum tipo de impacto negativo, ou que gera um abismo geracional.

Toda criança tem direito a não ser campeã

Por Hugo Tourinho Filho
Professor da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto
Artigo publicado inicialmente no site ComCiência

O ser humano, em todas as fases da vida, está sempre descobrindo e aprendendo com seus semelhantes e através do domínio sobre o meio em que vive. A esse ato de busca, de troca, de interação, de apropriação se dá o nome de educação. Neste sentido, é inegável a importância da utilização dos conteúdos dos jogos, ginásticas, lutas e dança na prática regular de exercícios físicos realizados durante a infância e adolescência como importante estratégia para o ato de educar. No entanto, a atividade física, por si só, não educa, pois seus efeitos dependem da situação criada, especialmente, em relação aos aspectos de interação social e ao clima afetivo-emocional, entre os quais a interação com o educador é fundamental.

Atualmente, no mundo em que vivemos, o lúdico está sendo excluído do universo infantil. As crianças estão brincando cada vez menos e este fato se dá em virtude de alguns fatores, entre os quais se destacam: o amadurecimento precoce, a redução do espaço físico e do tempo de brincar em função, muitas vezes, do excesso de atividades – o aprendizado de línguas estrangeiras, as aulas de computação, as aulas de reforço escolar, a participação em equipes esportivas e competições, e toda uma gama de compromissos que, em tese, estariam “preparando” nossas crianças para o mercado de trabalho.

Quando sobra tempo, em muitos casos, as horas de lazer são gastas à frente da televisão e dos jogos eletrônicos (videogames, tablets, jogos em celulares). Não se quer dizer com isso que não seja importante a participação em tais atividades e que o contato com novas tecnologias seja prejudicial à criança, pelo contrário, pois tais ferramentas também precisam ser exploradas dentro do ato de educar no mundo contemporâneo. O grande problema é quando não há espaço para o lúdico.

O lúdico na educação infantil, apoiado nas ações do jogo, da dança, enfim, por meio do movimento, é uma importante forma de educar. Para manter o equilíbrio com o mundo, a criança necessita brincar, jogar, criar e inventar. A infância é a idade das brincadeiras. A brincadeira é algo inerente à criança – é sua forma de trabalhar, refletir e descobrir o mundo que a cerca. Uma criança que não sabe brincar será, fatalmente, um adulto que não sabe pensar e com sérias dificuldades para criar.

Neste sentido, a ludicidade, como conteúdo dos jogos, ginástica, lutas e dança nos programas de exercícios físicos na infância, está longe da concepção ingênua de passatempo, brincadeira ou diversão superficial, muito pelo contrário, quando bem planejada se torna uma importante ferramenta para o desenvolvimento integral da criança. Dentro dessa linha de raciocínio, a participação das crianças nas atividades esportivas deve ser voltada, necessariamente, à aquisição de um repertório motor amplo e variado que possibilite uma maior vivência motora – experiência com diferentes formas de se movimentar a fim de criar uma “biblioteca motora” ampla e rica, além dos estímulos que propiciarão um melhor desenvolvimento cognitivo e socioafetivo.

Quanto maior o repertório motor (biblioteca motora), maior será a capacidade de aprender e executar novos padrões de movimento – mais preparada a criança ficará nas fases seguintes (adolescência e fase adulta) para aprender movimentos mais complexos e realizados com maior precisão, fato que, no caso da formação de atletas, aumentará as chances de obtenção do alto rendimento. Acredita-se importante ressaltar que é durante as primeiras etapas do aprendizado esportivo, a iniciação esportiva, que se estabelecem as bases do futuro rendimento, sem jamais buscar o rendimento – toda criança tem direito a não ser campeã.

Essa constatação parece fazer todo o sentido diante de todas as possibilidades que a participação em programas de atividades físicas pode propiciar nessa importante fase da vida, que vão muito além de uma vitória, um título ou a quebra de um recorde. Todavia, nem sempre é dessa forma que é encarada a participação das crianças na sua iniciação esportiva e dos adolescentes em sua formação atlética.

Essa afirmação pode ser ilustrada por meio da reflexão dos motivos que levam um adulto a matricular uma criança em uma escola ou em uma “escolinha” de esportes. Quando levamos uma criança para o seu primeiro dia de aula, dificilmente pensaremos que com essa atitude estaremos contribuindo para a formação de um futuro gênio da bioquímica ou da física, ou que ao matricularmos nossas crianças na escola estaremos contribuindo para a preparação do próximo ganhador do Prêmio Nobel de Literatura.

Já quando matriculamos uma criança numa “escolinha” de futebol, natação, tênis, futsal ou qualquer outro esporte, não é difícil encontrar o seguinte desejo – “este será o futuro Neymar do futebol, ou o Cielo da natação e – por que não? – o Federer do tênis ou o Falcão do futsal”. Por que numa escolinha de esportes não desejamos apenas que nossas crianças sejam felizes por estarem num ambiente que lhes proporciona, acima de tudo, boas experiências? Não, neste caso queremos que elas se tornem as melhores, as campeãs. Com essa forma de agir, podemos estar contribuindo para a instalação de um grande problema no que diz respeito à participação das crianças no esporte e que pode ser intensificado com o advento da Copa do Mundo e das Olimpíadas que serão organizadas em nosso país.

Embora ainda não se tenham explicações adequadas para inúmeros questionamentos relacionados aos efeitos da prática regular de exercícios físicos envolvendo integrantes da população jovem, verifica-se que, nos últimos anos, uma grande quantidade de informações vem sendo acumulada com referência ao assunto, muito provavelmente, em função do aumento da participação de jovens em programas de treinamento.

Em especial, no Brasil, com a organização da próxima Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas a serem realizadas em 2016, espera-se que esse aumento na participação dos jovens em eventos esportivos tome uma proporção cada vez maior. E a busca pelo rendimento sem a devida atenção às fases que precisam ser respeitadas dentro da iniciação esportiva e formação atlética de crianças e adolescentes pode nos levar a deparar com um quadro de pressão excessiva que, ao invés de contribuir para aumentar o desejo em praticar esportes, irá acelerar o processo de abandono do hábito saudável da prática esportiva desde a mais tenra idade.

Nas últimas décadas verificou-se uma explosão do profissionalismo no esporte. O interesse da iniciativa privada por essa área e as consequentes oportunidades de independência financeira e ascensão social têm levado os profissionais envolvidos com esse segmento a uma corrida incessante em busca do sucesso que, em muitos casos, tem trazido sérios prejuízos psicofisiológicos às pessoas envolvidas nesse processo.

É comum deparar-se com atletas que abandonaram o esporte por se sentirem “desmotivados”. Por vezes, afirmam ter perdido o objetivo de treinar e/ou competir. “O que eu estou fazendo aqui neste jogo?”, pode-se ouvir. “Eu treino cada vez mais e não consigo mais melhorar minhas marcas!”, é outra afirmativa recorrente. Essas frases são frequentes no mundo do esporte competitivo e alguns sintomas de apatia, fadiga excessiva, perda de rendimento e lesões frequentes têm motivado os pesquisadores da área a investigar as causas de tantos males.

Diversos problemas como dificuldades em melhorar o desempenho, conflito entre técnico e atleta, uso de drogas muitas vezes utilizadas como doping em busca de melhores resultados e estresse emocional são extremamente intensificados pela incrível pressão exercida pelas sessões de treinamento face às exigências da preparação dos atletas de elite que se inicia cada vez mais precocemente.

Formação atlética inadequada e o “burnout”

No começo dos anos 1980, o termo “burnout” começou a aparecer com frequência na literatura esportiva, sendo explicado como uma síndrome que tem o poder de afastar as pessoas de suas atividades – no caso do esporte, o abandono da prática esportiva. Técnicos em todos os níveis começaram a discutir os perigos do “burnout” em sua profissão. Atletas de elite começaram a abandonar o esporte no auge de suas carreiras, afirmando que estavam “esgotados” e que a participação tinha-se tornado tão aversiva que era impossível para eles continuar. Preocupações com o grande número de atletas que passaram a desistir do esporte durante a adolescência tornaram-se frequentes.

Mas, na verdade, tudo começou em 1959, quando Thibaut e Kelley avançaram para uma teoria que fornece uma base para diferenciar as retiradas do esporte provenientes do “burnout”, daquelas provenientes de outros motivos. Thibaut e Kelley começaram seus estudos com a suposição de que o comportamento humano é governado principalmente pelo desejo de maximizar as experiências positivas e minimizar as negativas. A partir dessa perspectiva, as pessoas têm relações ou participam de atividades só enquanto os resultados da participação são suficientemente favoráveis. O favorecimento é determinado pelo equilíbrio entre recompensas e custos. No entanto, eles ainda verificaram que a decisão de entrar ou de permanecer em uma relação ou em uma atividade não é baseada somente no resultado recompensa menos custos, ou seja, se a recompensa for maior que os custos, a tendência seria continuar na atividade e o contrário levaria ao abandono da mesma.

Os resultados da participação em uma atividade são avaliados em relação a dois padrões: o nível de comparação e o nível de comparação a alternativas. O nível de comparação é uma escala pessoal, onde a atividade pode ser avaliada, em seus extremos, como boa/satisfatória/prazerosa ou ruim/insatisfatória/não prazerosa. A relação do resultado com o nível de comparação determina quanta satisfação uma pessoa encontrará em uma atividade, mas não determina se a pessoa continuará na atividade. Algumas vezes os atletas continuam a participar da atividade embora já não sintam mais satisfação em sua prática. O nível de comparação a alternativas, sim, pode explicar a retirada da atividade. Se a pessoa já não sente mais prazer na atividade, mas verifica uma impossibilidade de manter um status social, por exemplo, em virtude da sua retirada, ela pode optar por permanecer na atividade. Por outro lado, se ela verifica que tem possibilidades de mudança, sem grandes perdas, ou seja, uma alternativa mais atraente, então ela abandona a atividade em que está e que já não lhe garante mais satisfação, trocando-a por outra.

Estudos que revisaram os motivos de desistência esportiva encontraram como a razão mais proeminente de abandono da prática do esporte o interesse por outras atividades, e não demandas excessivas de treinamento ou excesso de pressão por resultados.

Em todos os casos acima, parece ser impróprio atribuir a desistência ao “burnout”. Em contraste à desistência baseada numa mudança de interesses ou numa reorientação de valores, o “burnout” resulta de um aumento dos custos induzidos pelo estresse. No “burnout”, o abandono da prática não se dá apenas pelo fato de haver uma alternativa mais atrativa e sim por não se suportar mais permanecer naquela função.

Verificando alguns conceitos de “burnout”, isso pode tornar-se mais claro. “Burnout” é um subproduto do estresse prolongado que pode resultar em consequências negativas, tais como: absenteísmo, insônia, fadiga, e sentimentos de passividade ou de agressividade. “Burnout” é uma síndrome multidimensional caracterizada por sentimentos de exaustão e despersonalização emocionais e um reduzido senso de realização pessoal. “Burnout” é uma resposta à tensão emocional crônica de lidar extensivamente com outros seres humanos, particularmente quando eles são problemáticos. Então, muitas vezes os valores das “recompensas” não diminuem, mas os custos induzidos pelo estresse se tornam pesados demais. Como conclusão, pode-se utilizar a ideia de que o “burnout” envolve uma desistência psicológica, emocional e, às vezes, física de uma atividade em resposta ao estresse excessivo – no caso aqui discutido, as pressões realizadas em momentos inoportunos nas crianças e adolescentes envolvidos com o esporte competitivo.

Alguns estudos têm sinalizado para o fato de que as raízes do “burnout” estavam fundadas na organização social do esporte de competição. Nessas pesquisas, os jovens entrevistados frequentemente mencionaram pressões e estresse relacionados à participação esportiva, mas as pressões e o estresse que pareciam ser piores para eles eram aqueles ligados à falta de controle sobre suas próprias vidas. Os jovens atletas verbalizaram o quanto gostariam de experimentar outras coisas fora do esporte. Um jovem atleta de 17 anos expressou seus sentimentos imediatamente antes de desenvolver os sintomas do “burnout” da seguinte maneira: “Eu dizia a todo mundo: ‘Eu patino por diversão. Adoro as viagens, a competição, a atenção, as multidões’. Eu sempre dizia: ‘Para alcançar meus objetivos, eu tenho que fazer muitos sacrifícios’. Mas quando eu me tornei mais velho, eu vi que eu estava perdendo muito. Outros garotos estavam fazendo coisas que eu nunca tinha tido tempo de fazer. Eu me senti sufocado!”

Não existe dúvida de que o estresse está associado ao “burnout”. Contudo, as raízes do “burnout” entre jovens atletas vão além do estresse crônico, além das demandas emocionais e consequências do esporte competitivo, e além dos recursos psicológicos individuais. O “burnout” é mais bem explicado se tratado como um problema social ao invés de uma falha pessoal.

As identidades são construídas através de relações sociais e os jovens envolvidos no esporte competitivo encontram-se em situações nas quais se torna quase impossível se envolver em outras atividades e desempenhar outros papéis. Eles não têm poder de construir socialmente suas identidades fora do esporte. Então, o jovem esportista desenvolve sua identidade de “atleta”, enquanto todos os outros papéis sociais são tolhidos. Logo, o “burnout”, dentro dessa concepção social, ocorre quando os jovens não veem possibilidades de socialmente construir uma identidade desejada afora sua identidade de atleta.

O envolvimento no esporte torna-se análogo a estar sobre uma corda bamba: é excitante, eles são bons, eles são o centro das atenções, mas sabe-se que não se pode mudar o foco de atenção para nada além do esporte sem perder o equilíbrio. E se eles perderem esse equilíbrio, eles sabem que não terão uma rede para segurá-los. Em virtude disso, passam a se sentir inseguros. Essa insegurança afeta o rendimento. E a inabilidade de manter os padrões de desempenho leva à retirada do esporte.

Nesse sentido, parece razoável sugerir que quando o “burnout” é conceituado como um problema social ao invés de uma falha pessoal, isso sugere uma mudança, indo além do tratamento do estresse. Assim sendo, se os cientistas do esporte focalizarem sua atenção exclusivamente sobre ajustes individuais e administração do estresse, sem lidar com as condições sociais nas quais o desenvolvimento da identidade é tolhido, resultando em jovens atletas que perdem o controle significativo sobre importantes partes de suas vidas, o problema não será resolvido de forma efetiva. Jovens atletas, frequentemente, necessitam muito mais de uma avaliação crítica com relação à sua participação no esporte e uma maior autonomia sobre sua vida do que simples técnicas de controle de estresse.

Por fim, os atletas precisam ser encorajados a se tornarem menos dependentes e mais autônomos em suas decisões. Atletas são seres humanos com sentimentos, desejos, necessidades e sonhos, e não máquinas de performance esportiva! Os jovens devem aprender com o esporte que não são perfeitos e que vão errar muitas vezes. Eles não deveriam ter receio de agir por medo de errar. É preciso ensiná-los a ter iniciativa, agir e ousar sabendo que vão errar muitas vezes. Os erros os tornam mais fortes se forem aceitos de maneira apropriada.

E as crianças? Ah! As crianças podem e devem jogar imaginando ser o Neymar, o Lionel Messi ou o Cristiano Ronaldo – elas têm todo o direito de sonharem ser um astro numa partida de futebol, basquete, vôlei ou tênis, pois isso faz parte do lúdico que enriquece a infância. Porém, é incorreto pensar que todas as crianças que se dedicam ao esporte vão atingir altos níveis de rendimento. Em sua maioria, elas se beneficiaram pelo simples fato de estarem envolvidas com a prática esportiva: sentem alegria, fazem amigos e aprendem as habilidades dos esportes praticados, o que as ajudará durante toda a vida.

MEC lança edital para 2015

O Ministério da Educação (MEC) lançou edital do Programa de Extensão Universitária (Proext) 2015, no qual apoia programas e projetos de extensão universitária voltados para a formação dos alunos e a inclusão social nas suas mais diversas dimensões. Dentre as linhas a serem financiadas há uma série de possibilidades de ações voltadas à garantia de direitos de crianças e adolescentes.

Podem concorrer ao edital as universidades públicas federais, estaduais e municipais, institutos federais de educação, centros de educação tecnológica e instituições comunitárias de educação superior. O financiamento chega até a R$ 100 mil por projeto e a R$ 300 mil por programa. As instituições interessadas têm até o dia 25 de abril para se cadastrarem ao sistema.O tema dos direitos de crianças e adolescentes pode ser desenvolvido em uma série de linhas como Saúde, Cultura, Esporte e Lazer e Comunicação. Além disso, a linha de Direitos Humanos inclui uma ação específica voltada para esse público com temas diversos como violência sexual; trabalho infantil; difusão do Estatuto da Criança e do Adolescente; crianças e situação de rua, dentre outros. As propostas devem necessariamente estar relacionadas com as atuais políticas públicas e envolver os estudantes matriculados regularmente.

Os temas previstos para direitos de crianças e adolescentes na linha de Direitos Humanos são: a) apoio a ações de enfrentamento ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes; b) pesquisa-ação sobre cyberbullying sexual e navegação segura na Internet; c) apoio a ações de enfrentamento da violência letal de crianças e adolescentes; d) pesquisa-ação sobre a Primeira Infância; e) Apoio a ações de prevenção e erradicação do trabalho infantil; f) pesquisa-ação sobre justiça restaurativa no âmbito da justiça especializada da infância e juventude; g) apoio a ações de difusão do Estatuto da Criança e Adolescente – ECA; h) Formação de Conselheiros de Direitos e Conselheiros Tutelares; i) pesquisa-ação sobre mídia e consumo na infância e adolescência; j) apoio a ações de participação democrática de crianças e adolescentes; l) apoio às ações de proteção de crianças e adolescentes em situação de desastres naturais; m) pesquisa-ação e apoio a ações de prevenção de acidentes na infância e adolescência; n) pesquisa-ação e apoio a ações de proteção integral de crianças e adolescentes em situação de rua; o) pesquisa-ação e apoio a ações de proteção integral de crianças e adolescentes indígenas; p) pesquisa-ação e apoio a ações de proteção integral de crianças e adolescentes quilombolas; q) pesquisa-ação e apoio a ações de proteção do adolescente trabalhador; r) pesquisa de ação e apoio de criança e adolescente vítima de violência doméstica.

Acesse o edital elaborado pelo MEC

Troféu HQ Mix

A Comissão Organizadora do 26º Troféu HQ Mix divulgou os pré-indicados de cada categoria do evento deste ano, que elegerá os melhores do mercado de quadrinhos em 2013. A lista ficará disponível no blog da premiação por um período de duas semanas para apreciação de todos. Em seguida, os jurados reavaliarão as indicações e definirão se haverá alguma modificação. Então a cédula final será disponibilizada e os interessados poderão se inscrever e votar.

Há 28 categorias. No quesito publicação infanto-juvenil, foram pré-indicadas as seguintes obras: Clássicos do cinema Turma da Mônica (Panini); Chico Bento Moço (Panini); Combo Rangers: somos heróis (JBC); Cosmonauta cosmo! (Mingulin/Quadrinhos Rasos); Futuros heróis (Desiderata/Nova Fronteira); Gigantes, cuidado! (V&R); e O Amuleto – A maldição do guardião da pedra (Fundamento).

O Troféu HQ Mix foi criado em 1988 pelos cartunistas Jal e Gual com a finalidade de premiar e divulgar a produção de histórias em quadrinhos, cartuns, charges e as artes gráficas brasileiros. A cada ano são escolhidos, por meio de votação, os que mais se destacaram entre as várias categorias que compõem a premiação. A ACB-Associação dos Cartunistas do Brasil e o IMAG-Instituto do Memorial de Artes Gráficas do Brasil são as duas entidades que organizam o troféu.

Acompanhe as etapas no blog http://trofeu-hqmix.blogspot.com.br/

Festival de Cinema Nueva Mirada

Estão abertas as inscrições para o 13º Festival Internacional de Cinema Nueva Mirada para a Infância e a Juventude. O evento, que acontece na cidade de Buenos Aires (Argentina) entre os dias 28 de agosto de 3 de setembro, recebe filmes e programas de TV para as competições oficiais e paralelas. O prazo final para as inscrições é o dia 15 de maio (o vídeo acima mostra a chamada da edição do ano passado).

As inscrições são gratuitas e são realizadas em duas etapas: na primeira, o responsável deve enviar o título da obra e nome do remetente para o e-mail programacion@nuevamirada.com e anexar o formulário de inscrição preenchido, foto e currículo do diretor, lista de diálogos em inglês e material promocional do filme.

Na segunda etapa, será necessário enviar o filme também em DVD, acompanhado do formulário de inscrição impresso e preenchido, para o endereço indicado no regulamento, por via postal regular ou pela Embaixada Brasileira – não serão aceitos DVDs enviados por transportadoras. Para fins de seleção, os filmes devem ter legendas em inglês.

As seções Panorâmica, Doces Sonhos, Novos Olhares e Minha TV são competitivas, e aceitam, respectivamente, filmes de ficção infanto-juvenis, animações para o público infanto-juvenil, curtas produzidos por escolas ou oficinas de cinema, e programas e séries inéditos para TV. Longas de ficção e animação e curtas-metragens em competição concorrem ao troféu Pipa de Ouro; obras realizadas por crianças e jovens concorrem ao troféu Novo Olhar; e um júri jovem também atribuirá prêmios.

Filmes nacionais em competição podem solicitar apoio à ANCINE por meio do Programa de Apoio à Participação de Filmes Brasileiros em Festivais Internacionais e de Projetos de Obras Audiovisuais Brasileiros em Laboratórios e Workshops. Para este evento, o apoio compreende o envio da cópia, a confecção de cópia legendada e auxílio financeiro para a promoção do filme. Para mais informações sobre solicitação do apoio, acesse a página do programa.

Fora de competição, os filmes podem ser exibidos nas seções Olhar Federal (filmes que expressem a diversidade cultural argentina), Mundo Animado (curtas de animação), Mirada Latino-americana (curtas infantojuvenis produzidos na América Latina), e Retrospectiva.

Cinema infantil Florianópolis

Saiu a relação dos curtas metragens selecionados para a 13ª edição da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, que acontecerá entre os dias 31 de maio e 8 de junho, no Teatro Governador Pedro Ivo Campos. Dos 133 filmes inscritos, 64 foram escolhidos. São Paulo se mantém como o Estado com maior participação na produção de audiovisual para a infância, com 27 curtas selecionados. A grande novidade é que Santa Catarina este ano aparece logo em seguida, empatando com o Rio de Janeiro (8), seguidos por Paraná, Distrito Federal e Minas Gerais (4), Espírito Santo (3), Rio Grande do Sul e Bahia (2), Roraima e Pará (1).

o vídeo acima traz os bastidores da última edição do evento 

Todas as obras concorrem a dois prêmios nas categorias Melhor Filme, votado por um Júri Oficial, e Prêmio Especial das Crianças, votado pelo público infantil. Cada uma das produções escolhidas receberá o Prêmio Aquisição no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) da TV Brasil, e um troféu.

Os curadores envolvidos no processo de seleção dos curtas têm a função de trazer para a Mostra Competitiva, filmes feitos para crianças, com temas interessantes para elas e com uma abordagem adequada para esse público, de até 12 anos, seja no campo da educação, da ficção ou do social. A curadoria entende ser esse um trabalho de grande responsabilidade, já que a infância é o momento de formação do indivíduo, quando se está aberto para possibilidades de experiências e pensamentos.

“Por mais um ano, a Mostra reafirma sua importância no país, sendo um dos únicos eventos de cinema para o público infantil, com objetivos educacionais, para formação de público e principalmente, para mostrar a multiplicidade cultural do Brasil e do mundo, numa linguagem própria para criança. O cinema que valoriza a cultura, incentiva a autoestima, gera curiosidade e, acima de tudo, que diverte as crianças, pode ser a chave para um mundo melhor, pois exerce um grande poder na construção de valores e saberes”, destaca Luiza Lins, coordenadora da mostra. 

Confira a relação dos curtas selecionados:

1. A baleia e o tesouro (de alunos da Escola Municipal Dr. Tuffy Nader, animação, ES, 2014, HD, 5’05’’)
2. A bruxinha Catarina (de Giovanni Girardi, animação, SC, full HD, 2014, 2’05’’)
3. A despedida (de Lucas Ogasawara, ficção, SP, 2013, full HD, 15’40’’)
4. A fábula do camaleão (de Clayton da Silva Viana, animação, SP, 2012, full HD, 3’30’’)
5. A libélula e o sapinho (de Carlos Avalone, animação, SP, 2013, full HD, 1’25’’)
6. Amor, primeiro! (de Guilherme Nasraui, ficção, RJ, full HD, 2013, 7’35’’)
7. Ana e as frutas (de Luana Mucci, animação, RJ, full HD, 2013, 4’)
8. Andar de trem (de Jon Russo, animação, SP, full HD, 2014, 3’25’’)
9. Andarilha (de Ligia Helena Nunes von Villon Imbó, animação, SP, DV/NTSC, 2013, 1’20’’)
10. A nobre e breve história do beijo (de Eid Buzalaf, ficção, SP, full HD, 2013, 15’35’’)
11. As pintas do Junior (de Cleide Ramos, animação, RJ, full HD, 2014, 3’10’’)
12. A rebelião das águas (de Agê, animação, SP, DV/NTSC, 2012, 3’10)
13. A Vacaleta de lambreta (de Almir Correia, animação, PR, full HD, 2014, 3’30’’)
14. Balloon – uma viagem animada (de Cesário Filho, animação, SP, full HD, 2013, 7’05’’)
15. Balú (de Paula Gomes, ficção, BA, full HD, 2014, 15’35’’)
16. Barquinhos (Renata Meirelles, David Reeks e Fernanda Heinz Figueiredo, doc. SP, full HD, 2014, 2’)
17. Boneco de pano (de Deuilton do Nascimento Barboza Júnior, animação, RJ, DV/NTSC, 2013, 4’15’’)
18. Bruxinha Catarina – joaninha (de Giovanni Girardi, animação, SC, full HD, 2014, 1’40’’)
19. Cabeça papelão (de Quiá Rodrigues, animação, RJ, full HD, 2012, 20’)
20. Carrinhos de Alto Santa Maria (de Renata Meirelles, David Reeks e Fernanda Heinz Figueiredo, documentário, SP, full HD, 2014, 2’)
21. Casinhas e guisadinhos no Vale do Jequitinhonha (de Renata Meirelles, David Reeks e Fernanda Heinz Figueiredo, documentário, SP, full HD, 2014, 2’)
22. Corrida de toras (de Renata Meirelles, David Reeks e Fernanda Heinz Figueiredo, documentário, SP, full HD, 2014, 2’)
23. Descobrir: os criadores de Saci (de Piero Sbragia, documentário, SP, full HD, 2014, 17’)
24. Dinossauro Rex (de alunos da Escola Mariano Ferreira de Nazareth, animação, ES, HD, 2014, 3’)
25. Doce turminha e o jogador especial (de Eduardo Drachinski, animação, SC, HD, 2014, 1’)
26. Entre latinhas (de Carla Leoni e Richard Dantas, ficção, SP, full HD, 2013, 12’15’’)
27. Erros (de Rodrigo Soldado, animação, RJ, full HD, 2014, 9’20’’)
28. Êta, bicho homem… (de Marcelo Branco, animação, MG, full HD, 2013, 1’10’’)
29. Fuga animada (de Augusto Bicalho Roque, animação, SP, full HD, 2013, 3’40’’)
30. John Feldman e a moto (de Rodrigo Gasparini, ficção, SP, HD, 2013, 16’)
31. Lápis cor de pele (de Anderson Lima, ficção, MG, HD, 2013, 4’55’’)
32. Manchik (de Marcos Carvalho, ficção, Venezuela/RR, full HD, 2014, 17’)
33. Marcelo (de Jéssica Lopes, documentário, SP, full HD, 2013, 12’20’’)
34. Matando cachorro a grito (de Almir Correia, animação, PR, full HD, 2014, 3’15’’)
35. Medo (de William Renan Koscianski, animação, SC, full HD, 2012, 3’50’’)
36. Menina bonita do laço de fita (Diego Lopes e Claudio Bitencourt, animação, PR, full HD, 2014, 7’20’’)
37. Meu foguete (de Marcelo Bala e Andrea Pesek, animação, SP, HD, 2013, 2’20’’)
38. Miroca e seu cuco caduco (Diego Lopes e Claudio Bitencourt, animação, PR, full HD, 2014, 13’05’’)
39. Moustache fever (de Giovanni Girardi, animação, SC, HD, 2013, 50’’)
40. Música na cabeça (de Igor Amin, ficção, MG, HD, 2013, 3’30’’)
41. Ninja (de Marcelo Marão, animação, SP, full HD, 2014, 3’45’’)
42. O balãozinho azul (de Fáuston da Silva, ficção, DF, full HD, 2013, 18’30’’)
43. O maestro do tempo (de alunos do Projeto Animação, animação, ES, HD, 2014, 16’45’’)
44. O menino que sabia voar (de Douglas Alves Ferreira, animação, SP, full HD, 2013, 10’50’’)
45. O piano (de Marcelo Bala e Andrea Pesek, animação, SP, HD, 2014, 2’20’’)
46. O ser curioso (de Julia Machado, documentário, SC, full HD, 2014, 6’45’’)
47. Paleolito (de Ismael Lito e Gabriel Calegario, animação, RJ, full HD, 2013, 6’20’’)
48. Pequeno (de Ernesto Molinero, ficção, BA, full HD, 2012, 5’)
49. Pierre e a mochila (de Iuli Gerbase, ficção, RS, HD, 2013, 10’50’’)
50. Plin & Plan (de Beatriz Zugliani e Daniel Regadera, animação, RJ, HD, 2014, 3’30’’)
51. Polvo Paul (de Thomas Larson, animação, SP, full HD, 2014, 3’30’’)
52. Projeto V.I.D.A (de Gustavo Rodrigues, animação, DF, full HD, 2013, 8’45’’)
53. Quati (de Giovanni Scoz Girardi, animação, SC, full HD, 2014, 2’55’’)
54. Requília (de Renata Diniz, ficção, DF, full HD, 2013, 15’55’’)
55. Ser (de Luciana Duailibe, animação, SP, full HD, 2013, 3’15’’)
56. Sinuquinha (Renata Meirelles, David Reeks e Fernanda Heinz Figueiredo, doc. SP, full HD, 2014, 2’)
57. Sofia e o guarda-chuva (de Rodolfo Rizzo, animação, SP, full HD, 2013, 2’10’’)
58. Taí ó, uma aventura na Lagoa (de Mauricio Venturi, ficção, SC, full HD, 2014, 15’)
59. Turma do Jambu – Seu Lobo (de José Paulo Vieira da Costa, animação, PA, full HD, 2013, 3’25’’)
60. Um ano novo danado de bom (de João Batista Melo, ficção, DF, full HD, 2014, 18’15’’)
61. Um dia de gato (de Maria Teresa Murer, animação, RS, full HD, 2014, 10’20’’)
62. Um dia de trânsito (de Daniel Kanczuk, animação, SP, full HD, 2014, 3’35’’)
63. Um rio (de Marcelo Bala e Andrea Pesek, animação, SP, HD, 2013, 4’10’’)
64. Zaga de bonecas (de Anderson Lima, ficção, MG, full HD, 2013, 8’10’’)

MinC lança editais para promover a leitura e a literatura

O atual Plano Nacional de Cultura, aprovado em 2010, que tem por finalidade o planejamento e a implementação de políticas públicas de longo prazo, até 2020, estabelece uma série de metas em torno da promoção da leitura e da literatura. Com objetivo de contribuir para o alcance destas metas, o Ministério da Cultura, por meio da Diretoria de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (DLLLB) e da Secretaria do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), lançou editais para apoiar iniciativas de fomento à leitura e à produção literária. Os interessados têm até o dia 2 de maio para se inscreverem. O investimento total é de R$6,6 milhões, valor que será dividido em quatro eixos de ação.

1) Prêmio boas práticas e inovação em bibliotecas públicas
Proposta: Premiar e fomentar iniciativas reconhecidas como boas práticas, ou inovadoras, que vêm sendo aplicados em bibliotecas públicas e são voltadas para a qualificação dos serviços oferecidos e a sustentabilidade desses equipamentos culturais, bem como para difusão e compartilhamento das metodologias e das iniciativas premiadas no SNBP – Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas. O Investimento é de R$ 1.700.000,00 para premiar 52 projetos com R$ 32.000,00

2) Prêmio leitura para todos: projetos sociais de leitura
Proposta: Reconhecer e fomentar iniciativas da sociedade civil que realizam projetos sociais de fomento à leitura em espaços e contextos diversos, cujo histórico de atuação demonstrem resultados efetivos na formação de leitores, na inclusão social e construção da cidadania por meio do livro e da leitura. O Investimento é de R$ 1.500.000,00 para premiar 30 projetos de R$ 50.000,00

3) Bolsas de fomento à literatura
Proposta: Promover e fomentar a literatura brasileira, por meio de concessão de bolsas de apoio ao desenvolvimento de projetos voltados para a criação, a produção, a difusão, a formação e a pesquisa literária. Investimento é de R$ 1.900.000,00 e forneceremos 100 bolsas.

4) Circuito nacional de feiras de livros e eventos literários
Proposta: Apoiar a realização de feiras de livros e de eventos literários existentes no país, voltados para o fomento da economia do livro, a promoção da leitura e difusão da literatura no âmbito do Calendário Nacional de Feiras de Livros e Eventos Literários. Investimento: R$ 1.500.000,00 para apoiar até 15 projetos.

Confira os editais:

 – Edital de Apoio ao Circuito Nacional de Feiras de Livros e Eventos Literários
Edital , Anexo I , Anexo II , Anexo III , Anexo IV , Anexo V

– Prêmio Boas Práticas e Inovação em Bibliotecas Públicas
Edital , Anexos I a IV

– Edital  Bolsas de Fomento à Literatura
Edital ,  Anexo I , Anexo II , Anexo III

– Edital Prêmio Leitura para Todos: projetos sociais de leitura
Edital , Anexo I , Anexo II , Anexo III

Ruídos na sala de aula

Fonte Jornal da Unicamp
Edição do texto de Silvio Anunciação

Pesquisa da Unicamp envolvendo cerca de 700 estudantes, de 6 a 14 anos, de escolas municipais, estaduais e particulares de Campinas, indicou que mais de 70% deles estão insatisfeitos com o nível de ruído na sala de aula. A investigação constatou ainda que, para 99,2% dos alunos, as maiores fontes de barulho na escola são os próprios colegas. O diagnóstico faz parte do trabalho de pós-doutorado da fonoaudióloga Keila Knobel. “E o surpreendente foi que quando questionados sobre os responsáveis pelos ruídos a resposta era sempre
os muleque, indicando que a maioria desses jovens não tem consciência sobre seu papel na produção da poluição sonora”, aponta Keila Knobel, que está envolvida, agora, na elaboração de um projeto que contribua para a diminuição do ruído e a prevenção da perda auditiva das crianças e jovens.

Uma de suas propostas é a elaboração de aulas em que as crianças e adolescentes aprendam conceitos sobre os sons, vibrações, perda auditiva e o quê fazer para se protegerem. A intenção é que alunos e professores discutam a questão do ruído na escola e que eles próprios elaborem um plano de ação a ser seguido por todos.

Segundo Keila, em curto prazo, o ruído na sala de aula afeta o aprendizado e a qualidade de vida dos estudantes, com relatos de cansaço, estresse, dor de cabeça e dor de ouvido. Embora o barulho na escola não atinja níveis tão intensos, Keila explica que a somatória de ruídos ao longo dos anos pode provocar a perda auditiva. Ela cita estudos americanos indicando que 12% das crianças daquele país têm algum tipo de perda auditiva ocasionada pelo som intenso.

“Quando o indivíduo recebe um som muito intenso, as células ciliadas localizadas no ouvido se quebram ou entortam ao invés de apenas se movimentarem. Estas células ciliadas, que são milhares, podem até se recuperar depois que se quebram ou entortam. Numa festa muito barulhenta, por exemplo, a pessoa sai com o ouvido meio tapado, com um zumbido. Isso é sinal de que as células entortaram”, explica.

Neste caso, de acordo com a fonoaudióloga, a tendência é que o distúrbio se normalize nas 12 horas seguintes. “Agora, se isso for acontecendo, repetidamente, as células serão mortas. Uma vez mortas, elas não se recuperam. Não existe cirurgia, transplante, nada, por enquanto, infelizmente. O que temos é a prevenção ou o aparelho auditivo”, completa.

Detalhes e intervenção

Cerca de 60% dos participantes da pesquisa afirmaram que o ruído na escola “atrapalha a fazer a lição”, pois interfere na atenção e concentração. 10,3% relataram que o barulho “atrapalha a entender a professora”; 6,2% disseram ficar com dor de cabeça e 6,5%, com dor de ouvido.

Foram entrevistados 670 estudantes, do 2º ao 9º anos do Ensino Fundamental de escolas públicas e particulares de Campinas. A pesquisadora também ouviu 126 professores sobre percepções e incômodos em relação ao ruído no ambiente escolar. Ao classificarem o nível de ruído na escola, os docentes apontaram a biblioteca como o lugar mais silencioso e a sala de aula como o mais ruidoso.

“O ideal numa sala de aula é que o barulho máximo chegue até 65 decibels (dBs), mas constatamos que ele atinge 80 dBs. Neste caso, ainda não há risco de perda de audição, mas já tem problema suficiente para aprendizagem e para afetar a audição em longo prazo”, conta Keila.

Cultura do barulho

A sociedade atual vive uma “cultura do barulho” na opinião de Keila Knobel. “Para a festa estar divertida, a música tem de estar alta. Se você está se divertindo, grite. Quando você vai ao circo, os palhaços falam: quem está gostando, dá um grito, quem gritar mais alto vai ganhar um pirulito. Eles fazem isso, como se fosse uma manifestação da diversão”, exemplifica.

“Portanto, a cultura do som intenso vem dos pais, é uma questão de educação. É um ‘aprendizado’ que vem vindo. Mesmo na escola – onde a acústica pode não ser muito boa, onde as salas estão instaladas próximas ao pátio ou a uma rua mais barulhenta -, a queixa principal está relacionada ao ruído produzido dentro da sala. Isso nos faz pensar na relação entre aluno e professor, na falta de respeito dos alunos para com os professores e nas dificuldades destes em controlarem os alunos e despertarem o interesse pelo conhecimento”, conta.

A solução passa pela educação. “O diagnóstico da minha pesquisa não retrata apenas as escolas de Campinas. É um cenário que se repete, com diferenças para mais ou menos, em todo país e no exterior. Nos EUA, por exemplo, as queixas são as mesmas. Se a questão da poluição sonora for encarada como ambiental – e é -, torna-se possível mudar”, acredita.

“Quantos de nós já não encara como normal separar lixo orgânico de inorgânico? Muita gente já adotou isso em casa, muitas escolas, inclusive. No momento em que as pessoas entenderem a questão auditiva, assumindo a sua própria responsabilidade de abaixar o som, de falar mais baixo, de colocar o celular no silencioso, de não arrastar a cadeira, esse cenário pode mudar. São diversas atitudes de educação, de gentileza, de respeito ao outro, que podem diminuir muito o ruído nas escolas, nos escritórios, nos restaurantes”, ensina.

Produção jovem na revista Juventude e Meio Ambiente

Com o objetivo de dar visibilidade às experiências criativas, inovadoras e sustentáveis envolvendo a juventude brasileira e servindo de inspiração e reflexão para outros jovens, governos e empresas, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai selecionar material comunicativo, informativo e jornalístico que envolva adolescentes na agenda ambiental. A produção dos jovens fará parte da 1ª edição da revista “Juventude e Meio Ambiente”.

O tema da 1ª edição da revista é “Territórios: espaços para o exercício da cidadania ambiental da juventude”. Jovens de 15 a 29 anos podem enviar fotografias (imagens em alta resolução), reportagens, poemas, charges e artigos sobre o tema. Os adultos também podem participar enviando artigos acadêmicos.

“A proposta dessa primeira publicação é discutir soluções para os problemas urbanos e rurais que afetam a juventude brasileira, sob a ótica e participação dos próprios jovens”, afirma Marccella Berte, coordenadora da Juventude do MMA.

A revista servirá de apoio na divulgação das reflexões sobre o tema e de experiências que estimulem comportamentos, práticas, políticas públicas e mudanças nos padrões de produção e consumo. Ela 
pretende ser um canal de troca de informações e um instrumento de participação direta da juventude, que auxiliará no fortalecimento dos debates sobre a juventude e meio ambiente e na incidência política dos jovens nas agendas ambientais.

A revista conta com um Conselho Editorial formado em parceria com o Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) e com a Secretaria Nacional de Juventude por meio do Participatório – Observatório Participativo da Juventude.

Confira o edital com os detalhes e as normas para envio dos conteúdos. O prazo termina no dia cinco de maio. Informações: juventude.meioambiente@mma.gov.br.

Por uma imprensa ética e responsável

Em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Intervozes lançou, no dia 4 de abril, o Guia Mídia e Direitos Humanos que traz subsídios e informações para orientar a produção jornalística ética e responsável de temas relativos aos direitos humanos. Abordando os direitos dos negros, da população LGBT, das mulheres, das pessoas com deficiência, das crianças e adolescentes e da população idosa, o guia oferece para cada segmento: um breve histórico das lutas e acúmulos políticos; marcos legais – principais legislações, calendário de pautas – datas comemorativas ou marcantes; reflexões sobre o enquadramento midiático; dúvidas frequentes na produção das notícias; práticas em comunicação; glossário; e uma guia de fontes – endereços, sites, telefones, filmes e publicações de referência.

Acesse o documento 

O material que compõe o documento foi construído inicialmente a partir de discussões e propostas levantadas durante oficinas realizadas, pelo Intervozes, nas cidades de Brasília, Curitiba, Fortaleza, Salvador e São Paulo, mas também é fruto do acúmulo de diversas organizações e entidades sobre a relação entre mídia e direitos humanos.

A publicação baseia-se na compreensão da mídia como espaço público fundamental de formação de imaginários, representações, hierarquias e identidades. Sabe-se que os cidadãos brasileiros têm nos jornais – impressos, televisivos, radiofônicos ou online – suas principais fontes de informação. Por isso, é preciso que haja responsabilidade/compromisso por parte dos comunicadores/as e profissionais da imprensa.

“De um lado, percebe-se que a omissão, o desrespeito, a construção de estereótipos, o machismo, o sexismo, o racismo, a homofobia, a exposição, a mercantilização e a crimininalização de mulheres, negras e negros, LGBTs, indígenas, crianças e adolescentes, idosas e idosos e pessoas com deficiência são ações que marcam parte da cobertura jornalística brasileira. Por outro lado, algumas iniciativas de comunicadores/as e jornalistas apontam num sentido diferente. Cientes do papel da imprensa na formação de ideias e opiniões, profissionais da área têm dedicado seu trabalho diário à publicação, edição e difusão de conteúdos éticos que levam em consideração os tratados legais, os acúmulos políticos e a diversidade de fontes necessária à produção de conteúdos equilibrados e responsáveis. Tais trabalhos têm contribuído fortemente para a difusão dos direitos destes segmentos historicamente oprimidos e a desconstrução de preconceitos”, destaca trecho do material.