Oficina com inscrições abertas

Literatura e cinema. Este é o tema da edição deste ano do Festival Internacional de Cinema de Arquivo – Recine, que acontecerá entre os dias  24 e 28 de setembro, no Rio. Durante o evento, serão exibidos filmes raros, cujos roteiros foram desenvolvidos por grandes escritores ou adaptados de suas obras literárias.

“Grandes escritores brasileiros e latino-americanos do século XX tiveram uma ligação muito forte com o cinema, a ponto de influenciar diretamente na adaptação de suas obras literárias para a tela grande, escrever roteiros cinematográficos e até críticas de filmes. Pouca gente sabe, mas Gabriel García Marquez, Mario Vargas Llosa, Mário de Andrade, entre outros, apaixonados pela Sétima Arte, estão intimamente relacionados à história do cinema mundial.O REcine 2014 vai trazer em sua mostra informativa de filmes essa bela relação entre o cinema e a literatura brasileira e latino-americana”, destaca a coordenação.

Como de praxe, o Recine vai promover a oficina de vídeo do festival. Serão selecionados 30 alunos que, depois de um curso de formação, vão produzir vídeos de curta metragem, com tema livre e utilizando imagens de acervos audiovisuais de domínio público. Os filmes produzidos pelos alunos da oficina vão concorrer na Mostra Competitiva do REcine, na categoria Melhor Filme Realizado pela Oficina. As inscrições poderão ser feitas até dia 30 de julho.

Informações e inscrições aqui

Internet das coisas

Por Patrick Thibodeau, Computerworld /EUA

Será que a Internet das Coisas vai liberar o potencial humano? Todo mundo vai compartilhar os seus benefícios, ou apenas alguns irão capitalizar sobre ela? Essas e outras questões inspiram os debates da primeira grande conferência organizada em torno deste tema. Com o título sugestivo de “Philosophy of the Internet of Things” ( Filosofia da Internet das Coisas), acontecerá a partir do dia 3 de julho, na York St. John University.

“A conferência foi motivada pelo entendimento comum entre nós, organizadores, incluindo Joachim Walewksi e Rob Van Kranenburg, de que a Internet das Coisas não é apenas uma revolução tecnológica, mas também a revolução social. No entanto, seu desenvolvimento tecnológico está sendo impulsionado principalmente pelas preocupações comerciais e de negócios. Precisamos pensar sobre os aspectos sociais da tecnologia. Só porque podemos construir algo, não significa necessariamente que devemos”, explica Justin McKeown, diretor do programa de Belas Artes e Ciência da Computação em York St. John.

De acordo com ele, se olharmos para a primeira revolução industrial, veremos que ela libertou os seres humanos, aliviando muitos deles da carga de seus postos de trabalho, através da mecanização. Em contrapartida, não aliviou os problemas econômicos trazidos pela falta de renda causada pela falta de trabalho.

Assim, no curto prazo, com base na evidência histórica, não há garantias de que a IoT vai liberar todo o potencial humano. “De todo modo, se refletimos bem sobre os benefícios a longo prazo da primeira revolução industrial, podemos ver que ela acabou por nos levar para um lugar onde o potencial humano se tornou livre o suficiente para se envolver em outras coisas”, afirma McKeown. Daí a necessidade de começar a pensar sobre as implicações filosóficas da IoT agora.

Este é exatamente o tipo de pensamento que precisa acontecer para que a Internet das Coisas beneficie o maior número possível de pessoas e não apenas aquelas inteligentes o suficiente para capitalizar sobre ela.

Existe a preocupação de que a Internet das Coisas pode mudar a relação do homem com as máquinas de uma forma jamais experimentada antes. “A tecnologia por trás da Internet das Coisas vai mudar a relação dos seres humanos com máquinas de uma forma jamais vista antes, com outras inovações tecnológicas recentes. Por exemplo, a proliferação de meios de comunicação via smartphones já nos deu novas maneiras de organizar a nós mesmos, tanto social e politicamente”, argumenta McKeown. Como a IoT pode potencializar esse fenômeno? Quais são as implicações desta mudança?

A função da tecnologia sempre foi a de tornar as aspirações humanas mais fáceis de serem conquistadas, tornando as tarefas mais fáceis de executar. Já foi demonstrado que o cérebro mapeia ferramentas como parte do corpo e não como entidades separadas, de modo que a nossa relação com as máquinas já é muito mais íntima do que a maioria das pessoas imagina. A Internet das Coisas nos oferece um nível de automação que nos possibilitará estreitar relações de trabalho com máquinas e a Inteligência Artificial. Portanto, a Internet das Coisas tem potencial nos permitir viver uma vida mais sustentável??, prever e tratar doenças, bem como automatizar certas formas de trabalho. Alguns dizem que isso terá um efeito positivo, outros se preocupam com prováveis efeitos colaterais. O potencial é grande, o valor da realidade reside na sua aplicação – daí a necessidade de começar a fazer perguntas filosóficas o quanto antes.

“Você consegue imaginar um mundo onde as pessoas têm emoção genuína provocada por máquinas, pela robótica em particular? E se isso é possível, as máquinas teriam direitos de algum tipo? Acho que as pessoas já têm ligações emocionais com máquinas”, afirma McKeown. Por exemplo, o quanto você ama seu smartphone?

O que ele espera da conferência? “Precisamos encontrar linguagens e estruturas ideológicas para analisar e debater o impacto potencial da Internet das Coisas em nossas vidas e no planeta. Precisamos desses debates para ter subsídios, não só no meio acadêmico, mas também da indústria e da política. A conferência é um passo para geramos subsídios que poderão nortear o desenvolvimento da Internet das Coisas”, diz McKeown.

O que as pessoas querem desenvolver e implantar? Na opinião de McKeown a resposta para isso deveria ser muito simples: um mundo melhor para si mesmas, suas famílias e amigos, fazendo sistemas que trabalham para incentivar a expansão do conhecimento e da experiência humana, em vez de simplesmente coisas que tornem nossa vida mais eficiente. “A eficiência não é necessariamente melhor para nós, como seres”, afirma.

A conferência é aberta a todos, acadêmicos, filósofos, tecnólogos, profissionais da indústria e até membros de governos. Há ingressos diferenciados de modo a tornar a conferência bastante acessível, para tentar incentivar a participação do maior número possível de pessoas de diferentes segmentos.

Quem não puder participar de forma presencial poderá usar uma conta no Twitter _ @iotphilosophy _ para se comunicar com os participantes. “Além disso, pretendemos disponibilizar os documentos da conferência na internet”, afirma McKeown.

À procura de jovens inovadores

Até o dia 28 de junho, a fundação Technology, Entertainment, Design, mais conhecida como TED, que realiza séries de conferências ao redor do mundo sobre inovação e empreendedorismo, está à procura de jovens brasileiros para compor o grupo de palestrantes.

A organização possui um projeto chamado TED fellows que ajuda jovens empreendedores a desenvolverem seus projetos. Dos 328 integrantes, apenas 3 são brasileiros. Essa demanda é por conta da próxima edição do TED Global que acontecerá em outubro, no Rio de Janeiro.

Os interessados devem apresentar um projeto inovador e aparentarem ser boas pessoas, ou seja, possuir valores e ser colaborativo. Para mais informações, acesse: http://www.ted.com/participate/ted-fellows-program/apply-to-be-a-ted-fellow

‘Uma boa história dialoga com outras culturas’

Por Beatriz Borges em 27/05/2014 na edição 800
Reproduzido do El País Brasil, 19/5/2014
Publicado no Observatório da Imprensa

João Emanuel Carneiro (Rio de Janeiro, 1970) fez o caminho inverso dos autores tradicionais, que começam com contos para acabar construindo romances: saiu da telona para a telinha. Aos 20 anos escrevia roteiros para o cinema e fez mais de uma dezena de longas e curtas. Depois de colaborar com a roteirização do Central do Brasil, que foi indicado ao Oscar em 1999, entrou na Rede Globo. Seu início na maior rede de televisão brasileira foi fazendo programas especiais, mas seus dedos inquietos resolveram escrever uma sinopse de uma novela das sete. Autodidata, aos 16 anos já fazia histórias em quadrinhos, o que o levou a entrar no time do cartunista Ziraldo. Algo que, garante, não passou de um final feliz para um adolescente que teve a audácia de mostrar seus desenhos ao criador de Menino Maluquinho ”um dia qualquer, depois de sair do colégio”. Por telefone, falou ao EL PAÍS sobre o sucesso da novela de sua autoria Avenida Brasil, que é o título mais licenciado da história da emissora e que acaba de cruzar o oceano uma vez mais e chegou até a Espanha, depois de passar por 125 países e ter versões em 19 línguas.

El País – Como funciona o seu processo de criação de uma novela?
João Emanuel Carneiro – Eu acredito que uma novela é uma obra aberta, mas no meu caso, meio fechada, porque eu sei o que vou fazer desde o início. É uma via de mão única. Claro que me alimento de muitas coisas que os atores fazem, é uma construção conjunta, mas da parte deles espero obediência. Em uma guerra, se a tropa resolver discutir no campo de batalha, não dá certo.

El País – A fórmula de uma novela é um pouco como na gastronomia, se acrescentamos um ingrediente, muda totalmente a receita… Como controlar a entrada de um personagem que rouba a cena? Ele é capaz de mudar o rumo da história?
João Emanuel Carneiro – Das histórias paralelas, sim. Em uma das novelas que fiz, Cobras e Lagartos, o personagem Foguinho [Lázaro Ramos] fez o maior sucesso. E também era uma novela das sete, fazia menos planejada, ao sabor das ondas. E ele foi tomando conta da trama toda, aí eu fui aumentando aquela história. Me permito muito mudar as histórias paralelas, diferente do que aconteceu em Avenida Brasil, que foi muito bem planejada.

El País – Nem mesmo o que o público quer ou pensa te influencia?
João Emanuel Carneiro – Não. Eu acho que é justamente um grande deslize. O problema de muitas novelas é tentar fazer uma obra encomendada para agradar alguém, baseada em pesquisas, em imaginar como seria esse outro [espectador].

El País – Então de qual fonte você bebe?
João Emanuel Carneiro – De muita leitura, muitos filmes e, claro, ter vivido alguma coisa [risos]. Um autor tem que ter uma antena, perceber o que está passando à sua volta. Eu acho que para Avenida Brasil eu tirei muito das conversas com as minhas empregadas contando a vida delas na cozinha de como era no subúrbio, e fui filtrando aquele universo. Também recorto jornal, tenho muito personagem tirado de notícias. Mas eu acho que todo escritor tem que ser mesmo um conversador, que se interessa pelo que o outro tem a dizer.

El País – E o que as novelas brasileiras têm de especial? Por que costumam repetir a mesma repercussão nacional no exterior?
João Emanuel Carneiro – O brasileiro e o latino, de modo geral, é muito fixado na ideia de família. Nas minhas novelas sempre tem a família. A desfeita, a de eleição, a com filho adotado, a que quer um ajuste de contas… O tema da família é universal, dá muito pano para manga. Como sou filho único e neto único, sempre fui fascinado por famílias grandes. A dificuldade é fazer uma história que seja vista por jovens e adultos, que seja ecumênica. A novela no Brasil tem essa particularidade, que é vista por todas as classes sociais. Já na América Latina, é vista pelos mais pobres, até mesmo no México, onde as telenovelas estão direcionadas para este público. E lá competimos com a novela mexicana em horário nobre e tivemos uma ótima audiência. A gente sempre foi tão colonizado que esse é o nosso colonialismo, ainda que eu não me veja na figura de um colonizador.

El País – E por que as suas novelas, em especial, têm muito sucesso lá fora?
João Emanuel Carneiro – Uma boa história dialoga com outras culturas. Minhas novelas têm a característica de ter poucos personagens, centrados em uma trama muito definida. Quando tem vários núcleos fica tudo muito moído, até mesmo a sinopse de uma novela com muitas tramas é difícil de contar ou vender. O grande desafio é fazer uma história com fôlego e com poucos personagens. A casa do Tufão [personagem de Murilo Benício em Avenida Brasil] e seus arredores ocupava 80% do capítulo. Mas não fazemos novela pensando lá fora, tem que dar certo aqui.

El País – Fazer novela é muito diferente de fazer cinema?
João Emanuel Carneiro – Sim, eu nem sei como pulei de um ao outro, na verdade, porque são totalmente diferentes. Umanovela são três longas por semana. São habilidades diferentes. O cinema tem mais liberdade, você não invade a casa das pessoas. Eu procuro fazer coisas que eu gostaria de assistir. Eu gosto de assistir dramas, mas algo que não tem humor me cansa. Uma obra longa como uma novela precisa ser dramática, ter humor e [despertar] libido. É a libido que faz você ver tantos capítulos.

El País – Alguns defendem que novela é um gênero literário. Você concorda?
João Emanuel Carneiro – É um gênero de literatura. Se pensarmos nos folhetins do século XIX, eram publicados nos jornais. Até mesmo Dostoiévski saiu na tira inferior de um jornal. Na Europa se sabia que uma tira com uma história contínua aumentava as vendas. Se for pensar, é o mesmo que se faz na televisão. Estou longe de ser um poeta, não estou me comparando. Mas a base da literatura europeia foi feita dessa forma.

El País – E as temáticas das novelas? A emissora influencia nos temas que serão tratados?
João Emanuel Carneiro  – Não é obrigatório, mas tem um departamento na Globo que sugere que algumas coisas sejam ditas em determinados capítulos para educar a população. Eu já me engajei em várias. Tento não fazer isso sempre, para não carregar na linha social. Afinal, novela é entretenimento, mas também tem espaço para educar de uma forma não tão didática e sistemática. Se pensarmos bem, são 40 milhões de pessoas assistindo. É necessário que seja feito um demonstrativo de atitudes corretas, do politicamente correto. Se eu invento uma história onde cabe o crack, eu vou fazer. Mas nunca penso em um personagem só para abordar um tema polêmico. A Globo tem o mérito de nunca se meter. Eu proponho o que eu quero.

El País – Como foi o beijo gay da novela Amor à vida?
João Emanuel Carneiro – Sim, eu achei muito louvável o beijo de Amor à vida. Eu acho que essa novela cumpriu a função de provocar, de educar a ver algo diferente, a aceitar o diferente, a se familiarizar.

El País – Ainda existem temas tabus que não são abordados nas novelas da Globo?
João Emanuel Carneiro – Além das freiras lésbicas assassinas, acho que não… [risos]. Eu tenho a impressão que a sociedade ainda é muito tradicional. O homossexualismo ainda é um tabu. As histórias têm que acompanhar mais a sociedade. Na minha opinião, um dos assuntos mais importantes ainda não foi abordado: o controle de natalidade. Deve existir um diálogo com as adolescentes de subúrbios, um tipo de pessoa que não deveria ter filhos jovem. Até o Agnaldo Silva [outro autor de novelas da Globo] tentou fazer uma campanha sobre isso. Mas temos aí a igreja católica… É uma questão política, mas muito importante para o Brasil. É um país que tem um imenso sucesso na luta contra a Aids, mas tem um problema seríssimo por não falar sobre o controle de natalidade, que é uma questão muito mais visceral que a do beijo gay. É o mesmo que abordar um tema difícil como o aborto, mas tem que ser feito de alguma maneira, ainda que sutilmente.

Eram umas vezes

Desigualdade, violência, paz, consumo e política. Com o objetivo de dar vez e voz às crianças e jovens, a revistapontocom inaugura mais um espaço neste sentido: o Fala Jovem. Neste espaço, vamos publicar textos escritos por crianças e jovens sobre diversos assuntos. A ideia é promover a ‘fala’ destes cidadãos e ao mesmo tempo possibilitar que os adultos conheçam e ouçam suas histórias, sentimentos, comentários, avaliações sobre temas do nosso cotidiano. O texto de hoje é da menina Antonia Quintiliano, de 14 anos. Em pauta: a questão do (bastidor do) consumo das drogas.

Eram umas vezes

Era uma vez uma garota.
Ela gostava de viajar, ir ao shopping e sair com seus amigos hippies.
Os hippies foram um movimento jovem de protesto que nasceu na década de 60.
Mas essa garota não era de 1960. Não protestava.
Mas ela comprava roupas na feira hippie.
Um dia ela saiu com esses amigos pra dar um ‘tapinha’.
A maconha quem arranjou foi um dos garotos do grupo.

Era uma vez um garoto do grupo.
Ele tinha um irmão e o admirava muito.
Esse irmão já tinha dezesseis anos, tinha uma banda de rock, e tinha maconha.
O irmão dava um pouco a ele em troca de tarefas.
Isso era o maior motivo pra tirar onda: seu irmão tinha maconha, logo ele sabia tudo sobre o assunto.
Mas nem era ele que arranjava a droga, era seu irmão.

Era uma vez um Irmão. Ele tocava guitarra na sua banda.
Ele fumava, afinal, era muito alternativo.
Ele tinha acabado de fazer dezesseis anos e escondia maconha na terceira gaveta do armário.
Se sua mãe descobrisse ele tava morto.
Ele subia o morro.
E comprava de um cara

Era uma vez um cara.
Ele nasceu na favela e iria morrer na favela.
A maconha vinha e ele vendia.
Toda sua família era metida com o tráfico.
Seu irmão havia morrido, foi baleado.
E ele também tava fudido.
A única que o ajudava era sua mãe.

Era uma vez uma mãe.
Ela havia tido dois filhos com 15 anos.
Um tinha sido baleado, tudo por causa do tráfico.
Ela rezava toda dia pra Jesus Cristo acabar com isso, pra Jesus fazer os filhos dela ficarem bem.
Ela rezava para as pessoas pararem de comprar droga.
Para o filho parar de vender, pra acabar com a violência.

A menina também protestava por isso. A menina tinha acabado de fumar com seus amigos a maconha que o amigo do grupo que tinha dado que o irmão tinha arranjado, que tinha comprado com o cara. Depois, ela saiu e foi protestar pela paz, na marcha que estava acontecendo em Copacabana.

Mas a paz da mãe ainda não chegou.

De Curitiba para a ONU

 

Se uma imagem vale mais que mil palavras, para as crianças curitibanas – de cinco a 17 anos – que passam por tratamento de saúde no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, a exposição da imagem vale muito, mais muito mais. Pinturas, colagens e desenhos produzidos por elas foram expostas na sede da ONU, em Nova Iorque.

A iniciativa fez parte do projeto cultural Criando Laços, e incentivou os pacientes a produzir arte dentro no hospital. Colaboradores de educação e cultura passavam pelos quartos convidando aqueles que podiam sair do leito a participar das atividades. As crianças eram, então, recebidas em uma sala com mesa espaçosa, telas em branco, pincéis, tinta e lápis.

Depois de serem apresentados ao clássico O Pequeno Príncipe, do escritor Antoine de Saint-Exupéry (que completou 70 anos, em abril deste ano), os pacientes soltaram a imaginação, criando desenhos relacionados à história.  Aparelhos de monitoramento de sinais vitais, cadeira de rodas e suportes de soro não atrapalharam as crianças durante as oficinas.

Uma reprodução dos trabalhos está em exposição na sede do hospital, em Curitiba, até o dia 6 de junho.

Desafio para o Ensino Médio

Se você é estudante do Ensino Médio e gosta de produzir filmes, fique ligado: em breve a coordenação do III Festival Imagens Emdiálogo vai divulgar o edital do concurso deste ano. O tema desta edição é: Uma escola sem muros. Os jovens são convidados a produzir um curta de até 5 minutos que dê conta do assunto. Quer saber mais? Acompanhe no site http://www.emdialogo.uff.br/festival/2014

Infância armada nos EUA

Na Holanda, as únicas pessoas que andam com armas de fogo são os policiais. O fato de as crianças nos EUA serem presenteadas por seus pais com rifles projetados especificamente para elas – leves, em proporções menores e com variedade de cores – chamou a atenção da fotógrafa An-Sofie Kesteleyn. Há cerca de um ano, depois de ler uma notícia de que uma criança americana de 5 anos matou a irmã de 2, com arma de fogo, ela percorreu, durante três semanas, várias cidades americanas, de Ohio ao Texas, entrevistando famílias e registrando, em fotos, a infância armada.

“Para mim, a inocência e o potencial dos jovens são um símbolo claro de esperança. Uma arma, não importa o seu tamanho ou cor, é um símbolo de morte e destruição, a própria antítese de esperança”, escreveu Kesteleyn no site do World Press Photo.

As fotos se transformaram na série My First Rifle (Meu primeiro rifle). Com o consentimento dos pais, Kesteleyn fotografou as crianças com as armas, quase sempre no quarto delas. Durante as fotos, Kesteleyn pediu também que as crianças colocassem no papel o que elas tinham mais medo. Na lista: zumbis, dinossauros, ursos etc. Segundo Kesteleyn, a maioria dos pais dá as armas para educar as crianças. Trata-se de uma forma de garantir que elas saibam usar corretamente a arma de fogo quando crescerem.

 

NAVE Recife recebe Ariano Suassuna

Por Roan Saraiva
Fotos – Lorena Taumaturgo

Um momento inesquecível e inspirador. Foi assim que os alunos da Escola Técnica Estadual Cícero Dias – Núcleo Avançado em Educação (NAVE), localizada em Boa Viagem, Recife, definiram o encontro que tiveram com o dramaturgo, romancista e poeta Ariano Suassuna. Prestes a completar 87 anos, Suassuna visitou a escola no dia 15 de maio.

Os estudantes estavam agitados e ansiosos. Não era à toa. Ha cerca de um mês, eles tinham mergulhado a fundo na pesquisa da vida e obra do escritor. Num auditório lotado, com 180 estudantes, Suassuna falou de tudo um pouco: tecnologia, literatura, escolhas profissionais e de suas aventuras da infância e adolescência antes de ir morar em Pernambuco. Aplaudido por toda a escola, Suassuna se emocionou quando os estudantes cantaram o hino do time de coração dele, o Sport Clube de Recife.

Muitos estudantes, fãs de Suassuna por causa da paixão de seus respectivos pais, se emocionaram com as histórias do dramaturgo. Com um exemplar do livro Auto da Compadecida autografado nas mãos, Vinícius Guilherme da Silva, 16 anos, estava radiante. “Esse aqui é para o meu pai. Ele é muito fã dele. Sempre me contou o quanto o Suassuna é uma pessoa simples. Fiquei emocionado e tímido ao me dirigir ao mestre, mas consegui o autógrafo. Vou dar ao meu pai de presente”, comemorou o estudante.

O encontro com Ariano foi produzido pela OSCIP planetapontocom, que supervisiona o Departamento de MídiaEducação do NAVE Recife, com o apoio da Rede Globo Nordeste, por meio da diretora de jornalismo, Jô Mazzarolo.

Segundo a presidente do planetapontocom, Silvana Gontijo, o encontro com Suassuna faz parte de uma estratégia de enculturamento dos jovens. “Pensamos que para agir globalmente se faz necessário, cada vez mais, reconhecer e descobrir nossas raízes, nossa cultura local. É desta forma que o planetapontocom trabalha e vem oportunizando esses encontros para e com os estudantes”, destaca.

Repercussão do encontro:

Marília Renata – estudante do curso de multimídia
Passamos um bimestre estudando-o, e quando chegou o momento da aula-espetáculo, parecíamos pessoas inexperientes no assunto “Ariano”. Não foi uma simples peça ou até mesmo aula: foi vida encantada por palavras de poeta. E há coisa mais bela que poeta narrando vida? Nos sentimos dentro de um romance dele, quando descreveu o momento em que conheceu sua esposa. Um mestre, poeta, simples sertanejo paraibano contador de histórias.

Saionara Santos – estudante do curso de multimídia
São poucos os jovens que têm a oportunidade de ter contato direto com grandes escritores e contribuintes da cultura nordestina. Estar com Suassuna foi uma grande honra. Poder ver de perto aquele que por muitas vezes me inspirou a escrever e me emocionou com suas obras… foi fabuloso.Não pude conter a emoção ao vê-lo sorrindo, enquanto ouvia o poema recitado pelos monitores de mídia.

Juliana Gusmão – estudante do curso de multimídia
Gostei muito da palestra dele. Foi engraçada e divertida. Um jeito de saber e aprender um pouco mais sobre a vida desse grande escritor. A forma como ele interpretou poemas foi muito bonita e prendeu a atenção de todos. Além de compartilhar o gosto pela poesia, compartilhamos a paixão incorruptível e o amor pelo mesmo time, um momento único na minha vida que vou levar para sempre em meu coração.

Nativos digitais: 20 milhões de brasileiros

Vinte milhões. Este é o número de nativos digitais que vivem no Brasil. Para quem ainda não conhece a expressão, tratam-se de jovens que têm entre 15 e 24 anos e que há pelo menos cinco anos estão conectados à internet. Os dados e a definição do conceito foram divulgados no dia 7 de maio pela União Internacional das Telecomunicações (UIT), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU). Fruto da pesquisa ‘Medindo a Sociedade da Informação”, o levantamento aponta que o país ocupa a 4ª posição mundial, atrás da China (75,2 milhões), dos Estados Unidos (41,3 milhões) e da Índia (22,6 milhões).

“Enquanto não existe consenso na literatura do impacto exato que as tecnologias da informação e comunicação têm sobre os jovens, há consenso geral que as mídias digitais estão mudando o jeito que eles aprendem, brincam, socializam e participam da vida civil”, destaca a UIT a respeito das transformações enfrentadas pelos nativos digitais.

De acordo com o levantamento, tais jovens representam 5,2% da população mundial e 30% da faixa etária dos 15 aos 24 anos. No Brasil, 60,2% dos jovens são nativos – 10% do total dos brasileiros. Apesar do grande quantitativo brasileiro, o mesmo estudo da UIT mostra que o custo de estar conectado no Brasil é um dos mais altos do mundo.

O minuto das ligações por celular, o principal serviço de telefonia do país e motor da expansão da banda larga móvel, chega a US$ 0,74. A quantia é mais de setenta vezes o valor de US$ 0,01, cobrado na Coreia do Sul, país mais barato. A despeito da quantidade de jovens conectados, a banda larga fixa é apenas a 55ª mais barata do mundo, custando, em média, US$ 17,20, cerca de R$ 40. Até no envio do SMS, o país está entre os maiores: cobrando US$ 0,23 o torpedo. É o segundo mais caro.

Na lista dos países com maior proporção dos nativos digitais entre os jovens estão os mais desenvolvidos. Coreia do Sul conta com 99,6% de sua juventude conectada. O Brasil está na 50ª posição. A UIT mediu também o Índice de Desenvolvimento em Tecnologia da Informação e Comunicação (IDI). Os países que equilibram bem o nível acesso à web, o uso da rede e as habilidades desenvolvidas on-line têm os maiores índices. O Brasil tem IDI de cinco pontos. Está no 62º posto.

Empresa britânica cria smartphone em braille

Boa notícia para os deficientes visuais: a empresa britânica OwnFone lançou o primeiro celular em braille do mundo, que custa 60 libras (cerca de R$ 223), no Reino Unido. Para quem não sabe ler em braille, o smartphone ainda oferece uma cobertura opcional com teclas de letras em alto relevo no teclado. O anúncio foi feito no dia 19 de maio.

Em entrevista à BBC, o inventor Tom Sunderland conta que o aparelho é fabricado em 3D, o que permite que sejam criados botões personalizados em braille de maneira rápida e econômica.

“O telefone pode ser personalizado com dois ou quatro botões pré-programados para ligar para amigos ou serviços de emergência. É o primeiro telefone com teclado impresso em 3D, e para quem não sabe ler Braille, podemos imprimir textura e texto em alto relevo”, conta o inventor do aparelho.

Quem deseja comprar o telefone tem que entrar no site da companhia e criar um design customizado de acordo com as necessidades pessoais. Vale lembrar que uma empresa indiana já fez um protótipo de smartphone com braille em 2013, porém, esse é o primeiro que, de fato, acaba saindo do papel.

Concurso de redação

Estão abertas as inscrições para o projeto Jovem Senador. Por meio de um concurso de redação, 27 estudantes brasileiros, um de cada Estado da federação, serão selecionados para vivenciar o trabalho dos senadores. O interessado deve enviar sua redação – escolhida pela escola onde estuda – para a Secretaria de Educação do seu respectivo estado. O prazo termina no dia 22 de agosto. O tema deste ano é “Se eu fosse Senador…”.

O regulamento e todo material informativo sobre o certame estão disponíveis no endereço www.senado.gov.br/jovemsenador. Os professores que orientarem os alunos premiados também acompanharão os trabalhos na Capital, com uma programação especial no Senado Federal.

Qual é o lazer dos jovens?



Do Jornal Estado de S. Paulo

Pesquisa da Secretaria-Geral da Presidência da República, obtida com exclusividade pelo Estado de S. Paulo, aponta que as atividades de lazer e cultura mais populares entre os jovens de 15 a 29 anos são aquelas que não envolvem custos, como passeios em parques ou shoppings, idas a festas em casa de conhecidos e comparecimento a missas e cultos religiosos.

Cinema, teatro e espetáculo musica são asseios realizados em proporção muito menor. A forma mais popular de lazer fora de casa é o passeio em parques e praças – atividade realizada por 61% dos entrevistados. Logo depois, aparecem festas na casa de amigos (55%), seguidas por missas ou cultos religiosos (54%), bar com amigos (41%) e passeios em shopping centers (40%). Apenas 19% dos jovens afirmaram ter frequentado cinema nos 30 dias anteriores à pesquisa, índice que despenca para 4% quando se trata de ida ao teatro.

Em relação à frequência em atividades de lazer e cultura pelo menos uma vez na vida, os dados são igualmente alarmantes: 84% dos jovens brasileiros nunca compareceram a um concerto de música clássica, 65% jamais foram ao teatro e 59% nunca estiveram em uma biblioteca fora da escola.

Nos fins de semana, 79% dos jovens realizam atividades de lazer fora de casa, índice significativamente superior ao daqueles que optam por fazer algo em casa (44%), por praticar esportes (22%), por visitar parentes (14%) e por atividades religiosas (11%).Foram ouvidos no ano passado 1.100 jovens de todos os estratos sociais para a pesquisa, cuja margem de erro é de 3 pontos porcentuais.

O objetivo do estudo da Secretaria-Geral da Presidência é fornecer subsídio ao governo federal para implementar políticas públicas de juventude. “Os jovens têm muita vontade de passear e fazem aquilo que não custa nada como forma de se divertir nos fins de semana, alargar os horizontes e viver experiências que os tirem do universo mais restrito da casa”, diz a socióloga Helena Wendel Abramo, coordenadora de Políticas Setoriais da Secretaria Nacional de Juventude, da Secretaria-Geral.

Cinema

A atividade com maior disparidade entre os grupos sociais é o cinema, observa a socióloga. Entre o segmento mais pobre, 49% dos jovens já foram a uma sala de cinema, índice que sobe para 78% no universo de jovens de classe média e para 93% entre os mais ricos.

A pesquisa considera a renda per capita para definir a faixa em que o jovem se encontra: os mais pobres têm renda familiar per capita de até R$ 290 mensais; classe média de R$ 290 a R$ 1.018; e os mais ricos, acima deste valor.

Os pesquisadores também questionaram os jovens sobre o que gostariam de fazer nas horas livres, caso não tivessem de se preocupar com tempo nem com dinheiro. Para 59% dos entrevistados, a resposta espontânea e única foi “viajar”, mais do que o dobro (26%) daqueles que optaram por atividades de lazer e entretenimento. No entanto, para 61% dos jovens, a falta de dinheiro é a razão que os impedem de fazer o que gostariam.

Inicialmente frustrante

Por Artur Melo, 10 anos
Aluno do 6º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Inicialmente frustrante

Em uma quinta-feira, lá estava eu, Pedro, preparando guloseimas para a minha festa de aniversário, que seria no domingo, às 19 horas. Fui na casa de todos os meus amigos perguntar se eles podiam ir à festa. Queria ver todo mundo junto!

Mas ao fazer o convite fiquei decepcionado, desanimado, frustrado. Todos eles já tinham um compromisso muito importante e inadiável. Eu, que já estava bem irritado, tive uma ideia: chamar as crianças de quem eu não gostava muito, não queria deixar de comemorar. Para minha sorte, todos elas podiam ir e falaram que, com certeza, estariam lá. Eu não sabia se ficava alegre ou triste, mas “quem não tem cão, caça com o que lhe dão”.

Finalmente, o domingo chegou e todos estavam lá, na hora marcada. Supergentis. Me deram presentes legais à beça. Mal começara a festa, o telefone toca. Eu atendi, era o meu melhor amigo, o Juca, com voz de doente grave, me desejou feliz aniversário. Perguntei se ele estava bem. Mal começou a me responder, não conseguiu me dizer mais nada. Eu, tão preocupado, não tinha mais clima pra festa. Fui à casa dele, levando os meus convidados, pois ele era meu amigo do peito, não tinha outra opção!

Chegando lá, bati à porta, mas ninguém atendeu, resolvi espiar pela janela. Estava tudo escuro, fiquei ainda mais preocupado. Tentei girar maçaneta e ela abriu. Entrei, acendi a luz, e que surpresa!! TODOS os meus amigos estavam lá, cheios de presentes, sorrisos no rosto, cantando parabéns!

O presente maior de todos foi ter ganhado de presente muitos amigos que eu nem sabia que eram tão legais assim.

Sala Google na escola

Com informações do Estado de S. Paulo

Há um mês, o Colégio Mater Dei, localizado no Jardim Paulista, Zona Oeste de São Paulo, inaugurou a sala de aula no formato Google. Trata-se de uma parceria da escola com o setor de educação do Google, que foi batizado com o nome Google Learning Space.

“O Colégio Mater Dei enxergou o potencial de aprendizagem nesse ambiente, que é uma parte muito importante da escola, e procurou a empresa. O Google viu que a ideia era sensacional e depois formatou como um programa mundial. Não é uma marca, mas um conceito”, explica o diretor de Educação do Google no Brasil, Milton Burgese, em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo.

A proposta da direção era criar um novo conceito de interação entre o professor e o aluno. Segundo o diretor do colégio Sylvio Gomide, a escola deve melhorar o ambiente colaborativo, de troca. “Buscamos o Google porque é uma empresa que trabalha nesse sentido”, conta.

Em sistema de rodízio, a sala Google é usada pelas turmas de Ensino Fundamental e Médio. Nos intervalos, o acesso ao local é livre. O uso do espaço depende do professor e do tipo de aula, em disciplinas tão variadas quanto Física e Ioga. Uma das inspirações para o espaço Google é o da sala de aula invertida, método muito usado em faculdades e colégios norte-americanos de ponta em que se muda a lógica de organização da classe. Por esse formato, os alunos pesquisam e aprendem o conteúdo em casa e usam o momento de aula para projetos conjuntos e uso de recursos interativos.

“Compreendemos o patamar em que cada professor está (em relação ao o uso desses novos formatos de aula) e estimulamos que se transformem”, destaca Sylvio Gomide. O colégio também investiu em capacitações da equipe para aproveitar o espaço. Na maioria dos casos, usam a sala Google os professores que já tinham afinidade com tecnologia. “Mas há surpresas: alguns professores ‘coroas’ já estão mais empolgados que colegas jovens”, relata. “E o sucesso da proposta tem vencido a resistência que alguns tiveram no início”.

Um dos mais assíduos da sala Google, o professor de História Alexandre Muscalu conta que o trabalho no espaço é um desafio. “O educador se transforma em um mediador do conhecimento, que trabalha em uma ideia de rede”, diz. De acordo com ele, a organização física das salas tradicionais prejudica uma dinâmica de aula mais envolvente. “Já nesta sala temos um espaço lúdico, que estimula”, completa. A proposta da Sala Google ainda não foi discutida em outros colégios. O Mater Dei planeja levar até julho o modelo a uma filial em São José dos Campos.

#BrasilNaDefesaDaInfancia

Para combater a violência e a exploração sexual de crianças e jovens durante a Copa do Mundo, a Childhood Brasil está promovendo a campanha #BrasilNaDefesaDaInfancia. O objetivo é sensibilizar e alertar turistas, torcedores e a população brasileira sobre a imprescindível necessidade de evitarmos qualquer tipo de violência contra crianças e adolescentes durante o m’undial.

“Estamos empenhados em dar visibilidade ao assunto, pois acreditamos que a informação e o engajamento de todos são uma arma para enfrentar o problema. Queremos contribuir para que esse megaevento deixe um legado positivo para crianças e adolescentes brasileiros”, diz Ana Maria Drummond, diretora-executiva da Childhood Brasil.

Para apoiar e compartilhar o movimento, os jogadores Neymar e Daniel Alves gravaram um vídeo alerta para que o Brasil jogue na defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Diz Neymar: “É importante que todos denunciem esse tipo de violência. Esse é um papel de todos nós: proteger as crianças e os adolescentes; não só em ano de Copa, mas pelo resto de nossas vidas”.

Daniel Alves também se alia a causa: “Sabemos que em muitas famílias o abuso e a exploração sexual aconteceram ou acontecem. Por isso, é importante que a gente discuta esse assunto nas nossas casas, com os amigos e conhecidos. Encarar o assunto é o primeiro passo para enfrentar algo que é tão complicado e grave”.

Para levar a mensagem a turistas nacionais e estrangeiros e também para toda a população, a Childhood Brasil contará com o apoio dos canais de comunicação de parceiros estratégicos como Atlantica Hotels, EY (antes Ernst & Young), GRU Airport, Grupo CCR, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a TAM Linhas Aéreas.

“Os parceiros envolvidos entendem que seu papel é também levar a mensagem por todo o Brasil. É importante que todos os brasileiros ajudem, compartilhem o vídeo e deem voz a esta causa, para que mais pessoas conheçam o problema e saibam como agir pela proteção de nossas crianças”, explica Anna Flora Werneck, coordenadora de programas da Childhood Brasil.

A participação desses parceiros garantirá que hotéis, aeroportos e estradas – por onde efetivamente passam os turistas – estejam cobertos pela campanha.

O que você pode fazer?

Para atuar como agente de proteção da infância e denunciar casos de violências contra crianças e adolescentes, disque 100, o número do Disque-Denúncia Nacional.

Reportagem em quadrinhos

O impacto da Copa do Mundo e a questão da exploração sexual de meninas no Ceará foram os temas de mais uma reportagem da Agência Pública, mas, dessa vez, em uma edição inédita. Divida em cinco capítulos, a matéria foi escrita em quadrinhos. O projeto foi premiado pelo Prêmio Tim Lopes de Jornalismo. “Nosso objetivo é justamente buscar novas formas de fazer jornalismo para que histórias tão importantes quanto essas cheguem ao máximo de pessoas possível. É nossa missão como agência de reportagens investigativas”, explicou a codiretora da Agência Pública, Natalia Viana.

Confira a reportagem em HQ

É a primeira vez que a agência aposta nesse modelo de matéria. Para realizar o trabalho, a equipe de reportagem e de quadrinistas percorreu quilômetros de estradas, visitando Fortaleza, Canoa Quebrada e São Gonçalo do Amarante, e apurou como funciona a rede de exploração, que envolve menores de idade e estrangeiros.

Assinados pelo quadrinista Alexandre De Maio e pela repórter Andrea Dip, os textos apresentam relatos de especialistas, fontes oficiais, moradores, meninas abrigadas, mulheres adultas em situação de prostituição, contextualização da situação no Ceará e trechos em primeira pessoa, com a visão dos jornalistas em relação à apuração e situação do local. O resultado revela, segundo a agência, “a existência de uma grande teia de exploração sexual de meninas, além do registro do despreparo e a falta de estrutura dos órgãos oficiais para lidar com a ameaça de abuso sexual”.

Publicidade criada pelas crianças

No final do ano passado, a WWF Itália (organização de conservação global – unidade italiana) resolveu contar com a ajuda das crianças para criar uma nova campanha publicitária. Oitenta meninos e meninas participaram do desafio que ganhou o nome de Pets4Pets.

Trabalhando com a agência italiana Leo Burnett, as crianças contribuíram na criação de uma campanha – para mídia impressa, radiofônica e televisiva – que alertasse a sociedade sobre a situação dos ursos pandas, que correm sério risco de extinção. Em conjunto com diretores, produtores e designers, a garotada produziu dois comerciais de TV, quatro spots de rádio e oito anúncios. Todos com o objetivo de sensibilizar, principalmente, os adultos. Bom exemplo de união entre crianças, adultos e publicidade.

Veja, abaixo, o making of do projeto e as duas propagandas para a TV:

Os três moleques

Desigualdade, violência, paz, consumo e política. Com o objetivo de dar vez e voz às crianças e jovens, a revistapontocom inaugura mais um espaço neste sentido: o Fala Jovem. Neste espaço, vamos publicar textos escritos por crianças e jovens sobre diversos assuntos. A ideia é promover a ‘fala’ destes cidadãos e ao mesmo tempo possibilitar que os adultos conheçam e ouçam suas histórias, sentimentos, comentários, avaliações sobre temas do nosso cotidiano. O texto de hoje é do menino João Daniel, de 14 anos. Ficção ou realidade? Um texto denso, instigante, bem construído que prende o leitor do começo ao fim, fazendo pensar.


Os três moleques

Três moleques estavam fazendo arruaça no BRT e foram expulsos.
Três moleques que pagaram a passagem estavam fazendo arruaça no BRT e foram expulsos.
Três garotos, de não mais de 13 anos, estavam fazendo arruaça no BRT e foram expulsos.
Três crianças, moradores de rua, não souberam se comportar no BRT e foram expulsas.
Três indivíduos, vítimas da incompetência/negligência do estado, fizeram arruaça e foram expulsos do BRT.

5 fatos:
1- Você é um garoto de não mais de 15 anos.
2- Você acabou de fazer uma trilha durante um dia inteiro.
3- São 21 horas no Rio de Janeiro.
4- Vocês não pagaram a passagem.
5- Você é o único que está indo pra Zona Sul.

Você está a bordo de um BRT. Ao chegar a um dos pontos em que ele para, você vê, à frente, outro BRT parado no ponto com o pisca alerta. Várias pessoas entram no seu ônibus nessa estação. Você fica sabendo por meio de sua mãe, que soube por meio de um passageiro do ônibus parado, que naquele ônibus havia três moleques fazendo arruaça. Todos ficam com pena do motorista por ter que passar por isso.

4 fatos sobre os moleques:
1- Eles não deviam ter mais que 13 anos.
2- Eles foram expulsos pelo motorista e se recusaram a sair.
3- Diferentemente de vocês, eles pagaram a passagem.
4- Eles ameaçaram quebrar o ônibus.

O seu ônibus faz uma manobra e volta para a “via”.  Ao chegar à próxima estação todos veem os moleques esperando o ônibus passar no canteiro central. O ônibus para. Todos se levantam para olhar. O seu grupo fala para as pessoas saírem da janela, pois eles poderiam jogar pedras. Todos estão com medo. O ônibus continua a andar e passa pelos moleques. Todos reparam que os moleques não tinham mais de 13 anos. Eles viram crianças. Sua mãe comenta: “Esses daí dava pra colocar no colo e dar umas palmadas”. Todos riem. Em seguida ela fala para você: “Tadinhos, eles devem estar doidões”.

Alguém do seu grupo fala: “Isso é guerrilha”. Você não sabe ao certo se algum dos garotos falou isso ou se alguém inventou. Eles repetem isso algumas vezes, rindo dos garotos e ironizando: “Nós andamos no meio da floresta no escuro e estamos com medo desses meio-homens”. Sua mãe fala para você: “Eles disseram que não queriam descer por que tinham pago a passagem” e mais uma vez coloca eles como vítima da história, usando como sempre a piedade.

Você olha para a janela e sente uma imensa tristeza. Pensa o quão difícil deve ter sido para esses garotos arrumarem dinheiro para desperdiçar em passagens de ônibus. Você pensa na palavra “guerrilha” que o grupo não para de repetir e rir. E pensa que gostaria de estar do outro lado. Pergunta a si mesmo o que está fazendo ali. Pergunta-se porque se relaciona com essas pessoas tão desprezíveis.

3 sentimentos em forma de rajada:
1- Raiva
2- Vontade de vandalizar e fazer arruaça.
3- Pena

Você sente vontade de quebrar algo, porém isso viola as leis de conduta que os moleques não conheciam. Você pensa nisso, e isso apenas te motiva mais. Você tenta quebrar um pau que você usou como cajado durante a caminhada. O pau dobra, mas você não tem forças suficientes para quebra-lo, talvez por você ser fraco, talvez por você saber que a sua raiva não vai ter nenhum fruto. Você tem vontade de pegar o pau que você não conseguiu quebrar e bater na cabeça dos indivíduos rindo dos moleques ou rindo da impossibilidade dos moleques de machucarem eles. Você se contém e pensa que a ignorância é uma benção. E depois percebe que os indivíduos provavelmente não tinham tanto acesso ao conhecimento quanto você, e que o oprimido sempre oprime. Você sente pena.

O BRT chega ao seu ponto final. Você se separa do seu grupo, com sorrisos e apertos de mãos. Pega outro ônibus que lhe deixará perto da sua casa. Senta com seu irmão e mãe numa cadeira do ônibus. O cara da frente, um gordo com cara de bêbado e camisa do fluminense, puxa conversa com você e seu irmão. Pergunta se os cajados iriam virar arco e flechas. Vocês respondem que sim, que um deles vai virar. Ele comenta sobre o jogo do fluminense. Você decide fingir que é fluminense. Ele reclama sobre o Renato Gaucho que, faltando cinco minutos de jogo, mandou o time segurar e não avançar. Você pensa o quão importante um mero jogo de futebol deve ser para esse individuo. E responde com uma cara que não diz nem sim nem não, mas é o que o cara quer ver. Ele pergunta se eu vi na televisão a luta do brasileiro fortinho contra o Americano, mais bonito e mais forte. Você faz que não com a cabeça. Ele fala que o brasileiro fortinho deu uma surra no americano e que ele não era o favorito. Ele comenta que outro dia estava vendo televisão e parou no canal da missa, e que a missa foi uma coisa fenomenal. Você pensa que deve ser bom realmente acreditar nessas coisas. Ele fala que a fé da garotinha tinha sido tão grande que ainda sobrou mais um pouco. Ele faz uma conexão com a sobra de fé e a vitória do brasileiro fortinho. Ele desce do ônibus. Sua mãe comenta: “É tanta solidão. Ele não deve ter amigos, a vida dele deve se resumir a assistir à televisão”.

Você pensa que a situação dele lembrou muito a do “papai”, que não é seu pai de verdade, mas, sim, pai do seu irmão, que uma época procurou ser um pai de verdade, porém as coisas não foram muito bem e ele parou. Porém você não comenta isso. Você não acha que é necessário essa comparação. Ela traria coisas que não são necessárias.

Você chega em casa. Toma um banho. Faz um dever que valia nota do curso de inglês e que você havia esquecido de fazer, sentado em sua mesinha em frente ao computador. Você pensa que deveria escrever sobre os garotos. E depois deita na sua cama e dorme, numa paz tão solene que dá a impressão de que todo o resto do mundo está bem.

Inclusive Eu

Desafios, anseios e realizações fazem parte da vida de todos, assim como daqueles com deficiências ou transtornos do desenvolvimento. Inclusive Eu, a nova série de TV, produzida pela Empresa Municipal de Multimeios da Prefeitura do Rio, MultiRio, mostra histórias de vida e o cotidiano de crianças, jovens e adultos com autismo, surdez, deficiência visual, entre outras necessidades especiais.

A produção de seis episódios coloca em destaque a abordagem afetiva e se distancia da perspectiva clínica, evidenciando as possibilidades em vez das limitações. A série mostra a importância do apoio da família, da escola e da relação entre pessoas com ou sem deficiência, além de apontar caminhos para incentivar que haja mais naturalidade na convivência com as diferenças. Nos episódios, os pais relatam sua busca por informações, os cuidados com a qualidade de vida e com o desenvolvimento da autonomia de seus filhos.

A série também destaca a convivência no trabalho, no lazer e no ambiente da escola, ressaltando a interação, em classes regulares, de crianças com necessidades especiais e seus professores e colegas de turma. Com consultoria do Instituto Municipal Helena Antipoff, centro de referência em Educação Especial, os programas abordam surdez, autismo, deficiência física, deficiência visual, deficiência intelectual e altas habilidades.Os episódios podem ser assistidos, na íntegra, no portal da MultiRio (http://www.multirio.rj.gov.br/).