Baton: o que está por trás do não e do sim

Por Evandro Vieira Ouriques
Coordenador do NETCCON.Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência.Escola de Comunicação.UFRJ e líder de seu Grupo de Pesquisa

Se você me permite, compartilho como eu vejo o novo comercial da Garoto para o produto Baton. O que está dito nele é que tudo de criativo, de livre, de espontâneo, de infantil, de experiência do mundo é/torna-se proibido, torna-se o lugar do não, e isto dito pela mãe, o lugar da origem, da origem da criança em sua relação específica com sua mãe e arquetípica com a mãe sistêmica, com a qual ela tem a experiência da unidade original. E experiência na qual ela forma, como eu disse em outro lugar, digamos assim, a base de sua identidade.

Portanto a mãe torna-se neste comercial o lugar do não (que são quantos hein gente? Uns 50, em coro crescente, talvez ao longo do comercial) impedindo brincadeiras ou experiências de vida.

Todos estes nãos são contrapostos a apenas um sim. O de, pela Mãe, dar um Baton, e pela Criança, de comer Baton. Por gentileza, observem, nenhum destes nãos é dirigido a qualquer desvio de comportamento, vale dizer, alguma maneira de se comportar da criança que seja antissocial, não ética, não solidária. Apenas ações típicas da criança que são interditas por um não seco, sem diálogo, sem conversa, sem explicação alguma.

Operação psicopolítica da mesma ordem, por exemplo, que a mesma criança enfrenta na escola. Onde suas perguntas não são respondidas. Onde sua voz não é escutada. Apenas interditada e compensada, por exemplo, por um batom ou por um carro, quando passa para faculdade depois de ter estudado um monte de coisas sem saber porque nem para quê e sabendo que irá esquecer já no dia seguinte.

Se eu fosse adiante eu diria que vejo neste comercial a pedagogia do trabalho moldado pelos rendimentos: faça o que não gosta, aja ao contrário dos valores que fundaram a sua vida quando você era criança, pois a vida “é [seria] assim”; e consuma.

Usa-se portanto a crítica à desmesura gerada pela dificuldade de dar limites, tão comum em determinadas décadas anteriores, para gerar, por um lado, mais repressão e, por outro, a título de compensação, mais desmesura de consumo.

Outros artigos de Evandro Vieira Ouriques em https://ufrj.academia.edu/EvandroVieiraOuriques

Seminário literatura infantil

 

Com o objetivo de reunir pesquisadores brasileiros e estrangeiros envolvidos em estudos sobre literatura infantil e juvenil, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promove entre os dias 15 e 17 de outubro o VI Seminário de Literatura Infantil e Juvenil e o I Seminário Internacional de Literatura Infantil e Juvenil e Práticas de Mediação Literária.

Acesse o site do evento

O prazo para submissão de trabalhos está aberto. Os interessados têm até o dia 21 de julho para se inscrever. As reflexões serão realizadas a partir de cinco eixos temáticos. São eles:

– Literatura infantil e juvenil e a formação de professores: destina-se às reflexões e análises sobre a formação inicial e continuada de professores da Educação Básica e Superior, em interlocução com a Literatura Infantil e Juvenil: seus autores, títulos, bem como, práticas de mediação literária a partir de obras produzidas para a infância e juventude.

– Literatura na formação das crianças
: destina-se às reflexões e análises referentes às relações e interlocuções entre a literatura infantil e os processos educativos (institucionais, comunitários ou familiares) com e entre crianças de zero a 12 anos.

– Literatura na formação dos jovens: destina-se às reflexões e análises referentes às relações e interlocuções entre a literatura infantil e juvenil e os processos educativos (institucionais, comunitários ou familiares) com e entre adolescentes e jovens.

– Literatura e cultura digital: destina-se às reflexões e análises construídas nas e a partir das intersecções entre a literatura infantil e juvenil e as tecnologias digitais de informação e comunicação.

– Literatura e diversidade: destina-se às reflexões e análises sobre a temática da diversidade nos livros infantis e juvenis, no campo das relações étnico-raciais, socioeconômicas, gênero e inclusão de pessoas com deficiências

Minha rua

No dia 2 de julho, às 20h10, estreia uma nova série no Canal Futura: ‘Minha Rua’. Em formato de documentário, treze episódios vão retratar as dinâmicas sociais e culturais que acontecem entre os jovens no cotidiano das periferias e favelas do país. O pano de fundo das histórias é o esporte.

Em cada programa, o ator Leandro Firmino vai ao encontro de esportistas, que tentarão ensiná-lo a praticar as diferentes modalidades esportivas. É neste contexto, que ele conhecerá a história de cada personagem e suas memórias afetivas, valorizando a lógica do tempo de cada lugar e a relação com vizinhos e familiares. Minha Rua é uma co-produção Jabuti Filmes e Cinema Nosso.

Episódios
Episódio 1 – Surf
Episódio 2 – Futebol
Episódio 3 – Capoeira
Episódio 4 – Tênis / Vôo livre
Episódio 5 – Taco
Episódio 6 – Skate
Episódio 7 – Parkour
Episódio 8 – Rolimã
Episódio 9 – Boxe
Episódio 10 – Remo / Regata
Episódio 11 – Queimado gay
Episódio 12 – Pipa
Episódio 13 – Basquete

Cursos gratuitos

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) vai oferecer cursos de capacitação para profissionais do setor audiovisual. Os cursos serão oferecidos no segundo semestre de 2014, a partir do mês de agosto, e serão completamente gratuitos. Os beneficiários dos cursos receberão auxílio alimentação e transporte e, ao final, um certificado.

Nesse primeiro momento de implementação do Programa, os cursos serão oferecidos em 12 cidades: Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. Há vagas para 20 cursos: Aderecista; Assistente de Produção Cultural; Auxiliar de Cenotecnia; Dublador; Editor de Vídeo; Eletricista de Audiovisual; Figurinista; Iluminador Cênico; Maquiador Cênico; Operador de Áudio; Operador de Câmera; Roteirista de Animação; Sonoplasta; Tradutor e Elaborador de Legendas; Animador em Stop Motion; Desenhista de Animação; Projecionista de Exibição Cinematográfica Digital; Pós-Produtor de Animação (Edição e Montagem); Audiodescritor; e Elaborador de Legendagem Descritiva.

Interessados devem encaminhar nome, CPF e indicação do curso de interesse até o dia 30/06/2014 para renata.pelizon@ancine.gov.br.

Animação brasileira conquista o Annecy 2014

Mais dois prêmios. O longa ‘O menino e o mundo’, de Alê Abreu foi duplamente premiado na 54ª edição do Festival Internacional de Animação de Annecy, na França, um dos mais tradicionais festivais dedicados ao gênero. O filme ganhou o Prêmio Cristal de Melhor Longa e o Prêmio do Público. É o segundo ano consecutivo que o Brasil leva os prêmios principais do evento – em 2013, o grande vencedor do festival foi ‘Uma história de amor e fúria’, de Luiz Bolognesi.

Releia a entrevista que o diretor concedeu à revistapontocom no lançamento do filme. 

Aprendizagem móvel

Pelas contas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), pela primeira vez, o número de aparelhos móveis com internet – sendo a grande maioria telefones celulares – irá superar, neste ano, a população mundial. Entretanto, apesar da sua onipresença e dos tipos especiais de aprendizagem que elas podem apoiar, com frequência essas tecnologias são proibidas ou ignoradas nos sistemas formais de educação. Para a Unesco, isso representa uma oportunidade perdida.

Com o objetivo de fomentar políticas públicas educacionais que privilegiem a adoção de projetos que envolvam a tecnologia móvel, a organização acabou de publicar as Diretrizes de políticas da Unesco para a aprendizagem móvel. A publicação traz uma lista dos benefícios da prática, orientações para a capacitação de professores e estudos de caso que ratificam a importância do investimento.

Minimizar a interrupção educacional em áreas de conflito e desastre, auxiliar estudantes com deficiências, assegurar o uso produtivo do tempo em sala de aula, fornecer retorno e avaliação imediatos, apoiar a aprendizagem fora da escola e expandir o alcance e a equidade da educação são alguns dos benefícios.

“Os potenciais de aprendizagem por meio de aparelhos móveis são impressionantes e, em muitos casos, bem estabelecidos. Embora longe de serem uma solução para todos os problemas, elas podem abordar de forma significativa vários desafios educacionais urgentes, de formas novas e efetivas financeiramente. Em um mundo que confia cada vez mais na conectividade e no acesso à informação, os aparelhos móveis não são uma novidade passageira. À medida que o poder e a funcionalidade das tecnologias móveis continuarem a crescer, sua utilidade como ferramentas educacionais provavelmente se ampliará e, com ela, seu papel central para a educação, tanto formal quanto informal”, destaca o documento.

Confira alguns estudos de caso:

1) O programa Ecosystems Mobile Outdoor Blended Immersion Learning Environment (EcoMOBILE) permite que alunos do ensino médio aprendam mais sobre o ecossistema de uma lagoa. Em uma excursão escolar, os estudantes usam seus aparelhos móveis para explorar as áreas em torno de determinadas lagoas na América do Norte. Ao chegarem a certos locais, eles recebem perguntas e recursos, e são estimulados a coletar dados para aprofundar suas investigações. Esse programa interativo, tornado possível graças à integração da tecnologia global positioning system (GPS) aos aparelhos móveis, altera dramaticamente a relação entre os estudantes e o meio ambiente que estão estudando, além de estimular a colaboração, a pesquisa direta e o alto grau de reflexão.

2) Lançada em 2009, a plataforma nokia life leva informações e oportunidades educacionais a mais de 90 milhões de pessoas na Índia, na China, na Indonésia e na Nigéria. Os usuários do serviço escolhem os conteúdos de aprendizagem que gostariam de receber em seu aparelho de telefone celular, entre inúmeras opções, incluindo tópicos nas áreas de educação, saúde, agricultura e empreendedorismo. Com base nas preferências do usuário, a Nokia Life envia informações relevantes por meio de mensagens em rich format. O serviço ajuda alunos do ensino médio a se preparar para exames de diferentes matérias, ensina agricultores técnicas para aumentar safras e negociar preços justos de mercadorias comercializadas, e fornece às mães mais conhecimento sobre gravidez e cuidados pré-natais. Outras mensagens fornecem conselhos para pais e mães; compartilham informações sobre HIV/Aids, diabetes e outras doenças; e dão orientações a mulheres interessadas em ter uma atividade econômica e iniciar pequenos negócios.

3) Em muitos países, a comunicação entre escolas e órgãos gestores municipais, estaduais e nacionais é lenta e não confiável, o que resulta em uma escassez de informações necessárias para detectar e enfrentar problemas relativos ao desempenho de escolas e estudantes. Para responder a esses desafios, a província argentina de Salta lançou recentemente o Projeto gema (Gestão para a Melhoria das Aprendizagens), com a cooperação do UNICEF. O programa visa a melhorar os resultados da aprendizagem, desenvolvendo capacidades de gestão baseadas em evidências, nas escolas e nos níveis administrativos. Um dos seus componentes centrais é um sistema que investiga dados escolares (por exemplo, as taxas de evasão e frequência de alunos e professores), por meio de uma série de mensagens automáticas SMS, enviadas mensalmente a diretores de escolas em áreas distantes. As respostas dos diretores são registradas e processadas automaticamente em um sistema online de informações gerenciais de educação, que produz relatórios e notifica autoridades sobre situações críticas, demandando apoio a escolas específicas. Essa e outras iniciativas semelhantes melhoraram a tomada de decisões, ao disponibilizar aos gestores educacionais dados de melhor qualidade, nos momentos oportunos e com boa relação custo-eficiência.

Educação para todos

No ano de 2000, liderados pela Unesco, reunidos em Dakar, 164 países assumiram o compromisso de perseguir seis metas de Educação para Todos até 2015. Tais metas são relacionadas ao cuidado e à educação na primeira infância; educação primária universal; habilidades de jovens e adultos; alfabetização de adultos; paridade e igualdade de gênero; e qualidade da educação.

Aproximando-se do prazo para alcance das metas, a Unesco solicitou aos países que produzissem um relatório nacional apresentando o que se alcançou no período (resultados) e como se alcançou (estratégias), bem como os desafios apresentados para o período pós-2015.

Mais que um relatório do governo, o documento deverá constituir um relatório do país. Desse modo, a participação da sociedade civil, por meio de suas diferentes organizações, associações, entidades e indivíduos, é fundamental. O documento, que pode ser acessado abaixo, constitui uma versão preliminar da análise da situação do Brasil em relação às metas de Educação para Todos.

O documento fica aberto à consulta pública até 19/06/2014. Com as críticas e sugestões da sociedade civil o documento será analisado, revisto e aprimorado, de modo que o resultado final retrate a perspectiva do Brasil sobre sua própria trajetória. Em seguida, o relatório final será encaminhado à Unesco. O Ministério da Educação aguarda com expectativa esse diálogo com a sociedade sobre os avanços e desafios da educação brasileira.

Consulte o Relatório Educação para Todos no Brasil 2000-2015
Faça suas contribuições e considerações ao Relatório Educação para Todos no Brasil 2000-2015
Mais sobre o Relatório de Monitoramento Global do Educação para Todos 2015 (pdf em inglês)

 

Copa de Leitura na Baixada Fluminense

Durante o período de jogos e de férias escolares, o polo de leitura Baixada Literária vai realizar a Copa de Leitura, evento com exposição do acervo das bibliotecas comunitárias sobre futebol e atividades literárias
para crianças e jovens.

Os livros estarão expostos numa tenda transformada em biblioteca, que vai circular nos bairros de Vila de Cava, Rancho Fundo, Ponto Chic e Bairro Amaral em Nova Iguaçu e São Mateus, em São João de Meriti, durante a Copa do Mundo.

Na tenda da Copa de Leitura estarão expostas obras de craques como Ziraldo, Ruth Rocha, José Torero, Luís Fernando Veríssimo, João Máximo, Maurício de Souza, Origines Lessa, Julio Emilio Braz, José Santos, dentre outros, cujas histórias têm o futebol como cenário. No espaço acontecem rodas de leitura e jogos literários para crianças e jovens.

O polo de leitura Baixada Literária reúne um grupo de bibliotecas comunitárias mantidas por instituições sociais da Baixada Fluminense, que atua na formação de novos leitores e na ampliação do direito à leitura na região.

Festival do Minuto

Estão abertas as inscrições para os novos concursos do Festival do Minuto. São aceitas inscrições de filmes com até 60 segundos de duração (créditos inclusos), realizados com qualquer equipamento ou técnica. Não há limite de inscrições enviadas por realizador, e os prazos de inscrição variam de acordo com a categoria escolhida.

Os concursos “Terror”, “Animação” e “Tema Livre” recebem filmes até o dia 30 de junho. Os selecionados concorrerão ao troféu Minuto, e o mais votado nas redes sociais leva também um prêmio no valor de R$ 1 mil. Filmes com o tema “Futebol” podem ser enviados até o dia 31 de julho. Para este concurso, é possível filmar dentro Museu do Futebol (SP), desde que previamente comunicado, de acordo com o regulamento. Os três melhores filmes desta categoria levam, além do prêmio de R$ 1 mil, uma cota de 6 ingressos para o museu e um livro do Museu do Futebol.

Até o dia 30 de setembro, também estão abertas as inscrições para o Festival do Minuto Chato, uma ideia dos artistas Dora Longo Bahia e Lucas Bambozzi, que premia os filmes mais chatos em competição.

Inscrição
A inscrição é gratuita, e o interessado deverá realizar um cadastro de usuário no site do festival, preencher a ficha de inscrição e enviar seu vídeo pela internet. Leia atentamente o regulamento geral.

Sobre o Festival do Minuto
O Festival do Minuto, que existe desde 1991, tem caráter permanente, periodicamente abrindo novos concursos promovidos por diferentes parceiros e com diferentes temas. Para mais informações, acesse o site oficial do Festival do Minuto.

Fala Jovem

Desigualdade, violência, paz, consumo e política. Com o objetivo de dar vez e voz às crianças e jovens, a revistapontocom inaugura mais um espaço neste sentido: o Fala Jovem. Neste espaço, vamos publicar textos escritos por crianças e jovens sobre diversos assuntos. A ideia é promover a ‘fala’ destes cidadãos e ao mesmo tempo possibilitar que os adultos conheçam e ouçam suas histórias, sentimentos, comentários, avaliações sobre temas do nosso cotidiano. O texto de hoje é da menina Joana Brodt, de 14 anos. Em pauta: o machismo.

Machismo involuntário

Brasil: um país machista? Vamos examinar as seguintes frases e tire suas próprias conclusões:
“Toda Mulher sonha em se casar.” “Tem Mulher que é pra se casar, tem mulher que é pra cama.”
Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar.”  Pergunto: qual é nossa voz em qualquer uma dessas situações? Nenhuma.

A sociedade lança frases como essas e que acabam na boca de homens e mulheres. São usadas com terrível banalidade. Nessa mesma sociedade que nos educa, desde pequenos, a agir dessa forma, os garotos sentem a necessidade de mostrar o quanto são “machos” e superiores. E as garotas há muito tempo são instruídas a não usar roupas consideradas provocantes, pois assim poderão evitar ser estupradas ou, pelo menos, terão menos chance de sofrerem violência.

O que a sociedade julga “provocador” é uma forma de expressão que toda mulher tem por direito e que de forma alguma deveria ser questionada. Os homens não precisam se preocupar com esse tipo de coisa, afinal são o “sexo forte”. Na internet, me deparei com duas coisas que me indignaram. Não eram matérias, artigos ou algo do gênero, eram apenas frases, duas publicações.

Uma delas foi a resposta para essa pergunta: “O que você acha disso: Quando um garoto fica com várias é considerado foda. A garota que fica com vários, puta?”. Eis a resposta: “Todo mundo admira uma chave que abre vários cadeados, mas não admira um cadeado que se abre com qualquer chave”. Está ali explicitado: o homem é a chave. O pior de tudo é que várias garotas curtiram a publicação.

A segunda publicação: “Feliz dia da mulher pra quem sabe ser uma”. O que este post quer dizer com isso? Me desculpe, existe algum tipo de curso para que eu possa aprender a ser mulher? O que realmente me chocou foi o fato de ambos os garotos que escreveram terem a minha idade. Provavelmente nem se deram conta do que estava nas entrelinhas de suas publicações. O garoto talvez nem tenha pensado quando se colocou no papel da chave.Isso é um machismo que já virou automático, involuntário. Isso responde à primeira pergunta?Mesmo, às vezes, de modo mais discreto, o Brasil é um país machista.

À procura de um bom argumento

A oficina Pequeno Cineasta, sediada no Rio, recebe, até o dia 15 de junho, inscrições de vídeos de crianças e jovens, dos 8 aos 17 anos. A ideia é que os interessados enviem um vídeo de até um minuto contando a história que gostariam de ver realizada em um curta metragem, a ser produzido pelos oficineiros do curso Pequenos Cineastas. O objetivo da coordenação é que o vídeo realizado contribua para a reflexão de um planeta sustentável.

De acordo com o edital, o vídeo deve ter como tema o homem e o meio ambiente e pode ser gravado em qualquer formato. Para participar, basta ter entre 8 e 17 anos. A gravação deverá ser enviada para o seguinte e-mail: pequenocineasta@gmail.com. Os autores devem anexar a ficha de inscrição preenchida e assinada. Os vídeos estarão à disposição dos internautas para votação. Dos três mais votados, um deles será escolhido pela coordenação para ser produzido.

Acesse o edital 

Preencha a ficha de inscrição

O pequeno Charlie

Às vésperas da Copa do Mundo, o jornalista e escritor Marcelo Cavalcante e o ilustrador Ronaldo Câmara lançam um projeto audiovisual que une a paixão pelo futebol ao universo infantil. “O pequeno Charlie” visa valorizar a importância do esporte como elemento de educação e lazer. A ideia da primeira temporada é encantar as crianças com cores e músicas enquanto elas aprendem divertidas lições sobre os termos do esporte em vídeos curtinhos.

Acesse o site O pequeno Charlie

Neste projeto, o futebol aparece sob a ótica lúdica de um garoto de quatro anos, apaixonado pelo esporte e que, apesar da pouca idade, conhece todos os dribles e jogadas. Com a bola nos pés, ele quer repassar, de maneira divertida, o seu talento e fazer novos amigos.

Inicialmente, a ideia é publicar todo mês, no site do projeto e redes sociais, um vídeo de um minuto sobre algum termo usado no futebol. Não se paga nada para assisti-los. Nas histórias, Charlie dialoga com os personagens Nina e o macaquinho Biro. Lembrando que o personagem principal ganhou este nome em referência a Charles Miller, o brasileiro filho de um inglês que trouxe a bola e as regras do esporte para o País, no início do século passado.

“Eu tenho uma preocupação com o futuro do futebol. Hoje, nós ouvimos muito o lado negativo do esporte por conta de episódios de violência. Mas o Brasil é e sempre será o país do futebol, não podemos deixar essa paixão morrer. Meu objetivo é alimentar essa paixão de forma lúdica e educativa, mostrando que é capaz de nos divertir, construir amizades”, explica Marcelo Cavalcante.

No intervalo desses vídeos, executados pela Ideia Imagem e pelo Estúdio Falante, serão divulgados teasers, homenagens a personalidades do futebol, brincadeiras e informações sobre fatos históricos. A atualização das páginas ficará sob responsabilidade da Piano Lab. No futuro, Marcelo Cavalcante pensa em lançar um DVD reunindo todos os dez episódios, além de material extra e o clipe do hino de “O pequeno Charlie“.

Fonte – TAL

Vamos jogar

O canal de televisão infantil Cartoon Network, por meio do seu programa de responsabilidade social ‘Movimento Cartoon’, aderiu à ‘Vamos Jogar’, iniciativa de mobilização e compromisso cidadão e político impulsionado pelo Unicef e pela Prefeitura do Rio de Janeiro para a promoção do direito à recreação e ao esporte seguro e inclusivo para todas as crianças e adolescentes da América Latina e do Caribe. O Cartoon Network América Latina torna-se assim o primeiro meio de comunicação aliado desta iniciativa.

Como parte de sua contribuição para ‘Vamos Jogar’, o Cartoon Network produziu um anúncio de utilidade pública, protagonizado pelo jogador Neymar, para impulsionar o direito à recreação na América Latina. Programado para ser exibido em toda a região durante os próximos meses, o anúncio em animação 3D, com versões de 30″ e 60″, mostra meninas e meninos de todo o mundo, de distintas origens e com diferentes habilidades, reunindo-se em um campo de futebol sob o lema ‘Vamos Jogar’. O spot termina com uma mensagem que reforça o direito das crianças a brincar e a praticar esportes de forma segura e inclusiva.

O canal de televisão e o jogador Neymar cederam os direitos de transmissão do anúncio ao Unicef, para que todos os canais de televisão que queiram exibi-lo e assim contribuir para a promoção do direito à recreação e ao esporte possam fazê-lo livremente.

‘Vamos Jogar’ também aparecerá na nova versão do jogo online ‘Copa Toon 2014’, com o objetivo de incentivar crianças e adolescentes a se juntar à iniciativa, fazendo valer seus direitos à recreação e ao esporte perante suas famílias, comunidades e municipalidades.

Vamos Jogar
‘Vamos Jogar’ é uma iniciativa de mobilização e de compromisso cidadão e político impulsionada pelo Unicef e pela Prefeitura do Rio de Janeiro para promover o direito a praticar esportes, à recreação e à prática segura e inclusiva de esportes para todos os meninos, meninas e adolescentes da América Latina e do Caribe. ´Vamos Jogar’ aspira que todos os municípios, atletas, pessoas e organizações sociais se mobilizem para garantir às crianças o direito a praticar esportes, assegurar que haja recursos disponíveis e sejam implementadas políticas públicas para este fim em cada município e comunidade da região. Mais informações: www.vamosjogar.info

Fala Jovem

Desigualdade, violência, paz, consumo e política. Com o objetivo de dar vez e voz às crianças e jovens, a revistapontocom inaugura mais um espaço neste sentido: o Fala Jovem. Neste espaço, vamos publicar textos escritos por crianças e jovens sobre diversos assuntos. A ideia é promover a ‘fala’ destes cidadãos e ao mesmo tempo possibilitar que os adultos conheçam e ouçam suas histórias, sentimentos, comentários, avaliações sobre temas do nosso cotidiano. O texto de hoje é da jovem Stephanie Orosz, de 14 anos. Em pauta: o país da copa do mundo, às vésperas das eleições.



Realidade e fantasia, Brasil: o país das maravilhas?

E se hoje fosse amanhã e se o amanhã fosse ontem?
E se o lobisomem virar homem? E se os contos ganharem vida?
E se Dilma não tivesse comprado uma Refinaria em Pasadena?

O amanhã será ontem quando o ontem for o anteontem, o homem virará lobisomem quando a lua estiver cheia e, com uma varinha de condão, a Cinderela irá perder o sapatinho na manifestação. No sinsalabim, a copa surgirá e com a indignação do povo desaparecerá! O Brasil se tornará campeão quando no país acabar a corrupção.

Todos vão cantar lá lá lá lá na hora da roupa suja lavar, e abra-te sésamo gritarão para o gigante abrir a avenida no meio da manifestação.Dessa vez, a Bela Adormecida desmaiará em cima do Congresso Nacional, e, em plena madrugada, será presa no flagra.

A Globo transmitirá ao vivo todo o desenrolar da manifestação, mas a repórter irritadinha ficará em casa vendo apenas pela televisão, reclamando com o marido dos colegas de profissão. Por uma coincidência inusitada seu gato se irritará de tanto dramalhão, roubará suas botas de Milão e irá se juntar à manifestação.

No mexe e remexe da manifestação se misturarão contos reais e da imaginação.
E o futuro? Será decidido na próxima eleição?

Copa do mundo: futebol, cerveja e crianças

Por Desirée Ruas

Mãe, jornalista especialista em Educação Ambiental, coordenadora do Movimento Consciência e Consumo, de Belo Horizonte. Atua em causas como defesa da infância e combate ao consumismo infantil, leitura crítica da mídia, direitos e deveres do consumidor e ações socioambientais por uma vida mais saudável.  www.conscienciaeconsumo.com.br . Texto originalmente publicado no site do Movimento Infância Livre do Consumo (http://milc.net.br/)

Enquanto o convite para acompanhar os jogos e torcer pelo Brasil torna-se cada vez mais intenso, a gente se pergunta: devemos tirar as crianças da sala ou o bombardeio das grandes marcas de cerveja — que reinam absolutas na televisão quando o assunto é futebol — é algo que não devemos nos preocupar? Afinal, é Copa do Mundo e o interesse é dar visibilidade às marcas que patrocinam as exibições esportivas. Vale lembrar que o poder dos patrocinadores é tão grande que a proibição da venda de bebida alcoólica dentro dos estádios brasileiros foi alterada especialmente para o evento. Enquanto a bola estiver rolando no campo, o incentivo ao consumo de cerveja vai se intensificar em grande escala nos meios de comunicação. No Brasil, a publicidade de cerveja sempre teve lugar de destaque e o produto desperta tanto desejo que poucos se incomodam com o bombardeio publicitário. É como se a bebida fosse um elemento básico na vida social das pessoas e sem ela impossível degustar de momentos alegres e descontraídos em festas, encontros, conversas entre amigos e almoços em família. Mas e quanto às crianças que, expostas à publicidade da cerveja, criam uma imagem positiva do produto desde a infância? Será que temos motivos para nos preocupar? Afinal, quem ganha e quem perde com o constante incentivo ao consumo de álcool e a exibição de comerciais de cerveja sem restrição de horário?

Nossas crianças estão continuamente expostas a diversos tipos de mensagens publicitárias. Desde a publicação da Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Conanda, em 4 de abril de 2014, que proibiu a publicidade e a comunicação mercadológica dirigida à criança, a situação continua inalterada nos mais variados meios de comunicação para o descontentamento de todos aqueles que trabalham por uma infância livre de consumismo.

Mas para além da publicidade infantil abusiva, que se aproveita da deficiência de julgamento e experiência da criança, os comerciais feitos para o público adulto também têm sua influência sobre o público infantil e adolescente. Por meio da exposição à publicidade, em suas variadas formas, o comando “experimente este ou aquele produto” faz parte da vida das crianças desde os primeiros anos de vida. Preocupante constatar que nossas crianças são incentivadas a consumir produtos que não fazem bem à saúde. Mais grave ainda é pensar que elas estão mergulhadas em um ambiente que incentiva o consumo de cerveja, sem que nenhuma medida tenha sido tomada até hoje para reverter essa situação. Por meio da publicidade, elas passam a conhecer marcas, rótulos e slogans das bebidas e, continuamente, a mensagem se repete sempre com renovação de cenas e personagens, fazendo uso de cantoras de axé e jogadores de futebol, rostos bem familiares dos programas de televisão. Quando as crianças chegam à adolescência, a identificação com as mensagens torna-se ainda mais forte, com turmas de jovens promovendo festas, com mulheres com corpos à mostra, praias e bares cheios de gente bonita, e bom humor e rebeldia. Tudo que a turma com menos de 18 anos adora ver e fazer. Então, podemos achar que tais mensagens são de fato inofensivas? Como imaginar que a publicidade de cerveja não representa um incentivo ao consumo de álcool por crianças e adolescentes?

E o clima é de festa, alegria, entrosamento, descontração, paquera, beleza, lazer e diversão. Quem não quer fazer parte dessa turma? Todos esses elementos combinados, repetidos continuamente nos comercias veiculados em horários e programas que não são exclusivos para o público adulto, fazem com que crianças e adolescentes cresçam com uma imagem extremamente positiva do consumo da bebida. Afinal, só é mostrado o “lado bom” da cerveja, como faz toda publicidade.

Uma sociedade que vive mergulhada em conteúdos que estimulam o consumo perde parte de sua capacidade de fazer uma leitura crítica das mensagens que estão ao seu redor. A mensagem que nos orienta para o consumo não é informação verdadeira mas um estímulo para comprar que enaltece as vantagens e obviamente esconde os defeitos. As mensagens publicitárias têm o papel de simplesmente convencê-lo a comprar um produto ou serviço, consolidando estilos de vida e de pensamento. E onde vamos encontrar informação que contribua para a tomada de decisão e para escolhas com consciência? Quantas horas foram dedicadas à transmissão de programas e reportagens que expõem os riscos do consumo de álcool ou sua penetração nas faixas etárias mais jovens? E qual o volume de conteúdo promovendo a bebida, por meio de comerciais e merchandising, foi visto nos últimos dias na TV aberta? Quanto do dinheiro público é gasto com políticas de prevenção e combate aos problemas causados pelo álcool? E de que forma a indústria do álcool contribui com tais custos?

Como nossas crianças estão na sala quando são exibidos os comerciais de cerveja pela televisão, elas também estão sendo alvo de mensagens que não deveriam chegar até elas. Mas o que fazer se o Sistema de Classificação Indicativa, do Ministério da Justiça, que determina as faixas etárias recomendadas para novelas, filmes e programas televisivos, não se aplica à publicidade. Tampouco podemos nos valer da Lei 9294/1996, que proíbe a exibição de comerciais de bebidas alcoólicas antes das 21h. Por incrível que pareça, a cerveja e outras bebidas, como vinhos e espumantes, não são consideradas alcoólicas pelo texto da lei porque têm índice menor que 13 graus na escala Gay-Lussac. As cervejas, disponíveis em latas e garrafas cada vez maiores e adquiridas em grandes volumes nos pontos de venda, têm teor alcoólico que varia entre 2,5 e 5 graus. Então, o que dizer da influência de um produto que tem, por lei, seu consumo proibido para menores de 18 anos mas cujas mensagens são divulgadas também para esse público? Sem nenhum tipo de proteção legal, cabe a nós, pais e mães, questionarmos tal realidade e as consequências do bombardeio etílico cotidiano sobre todas as idades e que, infelizmente, tem o aval da sociedade, do governo e dos meios de comunicação.

Para saber mais:

– Conheça a campanha do Ministério Público do Estado de São Paulo “
Cerveja também é Álcool”, com uma petição para que o Congresso Nacional inclua a publicidade de cerveja na Lei Federal 9.294/96, que regula o tema.

– O Ministério da Justiça fez uma campanha muito interessante para o carnaval: “Bebeu, perdeu” era o mote. A copa seria uma excelente oportunidade para repetir esta ofensiva. Conheça a campanha, clique aqui.

Faça você mesmo

Em tempo de manifestações, segue uma boa dica. O Greenpeace, que desde 1971 vem usando confrontos não violentos e criativos para defender causas sociais e ambientais, acaba de reunir um kit de ferramentas para que qualquer pessoa possa ir às ruas em segurança, e com sucesso, com o objetivo de reivindicar seus direitos e promover mudanças positivas para o mundo.

“Nós incentivamos todos aqueles que se preocupam com o futuro a agir. Queremos contribuir para que cada vez mais pessoas façam uso do seu direito à manifestação e, pensando nisso, criamos um kit de ferramentas. Os materiais abordam muitos fatores que podem e/ou devem ser levados em conta antes de participar ou organizar uma intervenção ou protesto”, diz a iniciativa, em seu site oficial., lembrando que o direito à manifestação e à liberdade de expressão são garantidos pela Constituição Federal.

Para orientação e curiosidade, a revistapontocom, lista, abaixo, os materiais.

Todos podem ser baixados diretamente por meio deste link.

Manuais para intervenções criativas
a) Tudo o que você precisa saber antes de começar
b) Como fazer um lambe lambe
c) Como fazer uma projeção
d) Como fazer um banner, bandeira e cartaz
e) Como fazer um stencil
f) Inspira-se com outras intervenções

Dicas de comunicação
a) Imprensa
b) Redes sociais
c) Rádio Livre
d) Registro de imagens
e) Vídeo e transmissão online

Dicas de segurança
a) Como se comunicar
b) Direitos básicos
c) Segurança da informação
d) Primeiros socorros
e) Segurança Física

Canal da cidadania

Prefeituras de todo o país têm até o dia 19 de junho para solicitar ao Ministério das Comunicações a autorização para operar o Canal da Cidadania. O objetivo é que as prefeituras tenham sua própria TV digital para ampliar o exercício da cidadania e da democracia, a expressão da diversidade social, o diálogo entre as diferentes identidades culturais do Brasil e a universalização do direito à informação, comunicação, educação e cultura. A partir do dia 19, Estados ou fundações e autarquias a eles vinculadas também vão poder solicitar autorização. No entanto, as prefeituras continuarão tendo prioridade.

O Governo do Estado do Rio Grande do Sul e a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto lançaram uma cartilha explicativa sobre o tema. Acesse aqui

O Canal da Cidadania vai fazer uso da multiprogramação possibilitada pela TV digital. Serão quatro faixas de conteúdo: a primeira, para municípios; a segunda, para Estados; e outras duas para associações comunitárias. Até agora, o Ministério já recebeu 181 solicitações de municípios de todo o Brasil para operar o canal. A maior parte dos pedidos vem de Minas Gerais (36), São Paulo (29) e Goiás (18).


A secretária de Serviços de Comunicação Eletrônica do MiniCom, Patrícia Ávila, explica que o Canal da Cidadania pode ser pedido a qualquer tempo pelas prefeituras, mas a norma regulamentar estabeleceu que nos primeiros 18 meses elas têm prioridade. “Onde os municípios pedirem o canal, a preferência é deles. Mas a partir de 19 de junho, havendo canal disponível, os Estados também poderão pedir a autorização.”

Processos
Dos 181 pedidos de outorga feitos ao ministério, 20 já aguardam a designação de canal pela Anatel, outros 159 foram analisados e estão aguardando documentos complementares, 1 encontra-se em análise inicial e 1 encontra-se em exigência de projeto técnico. Após a conclusão dos processos, o Ministério das Comunicações vai abrir avisos de habilitação para selecionar as associações comunitárias, que ficarão responsáveis pela programação em cada localidade.

Canal da Cidadania
O Canal da Cidadania faz parte do conjunto de canais públicos explorados por entes da administração pública direta e indireta em âmbito federal, estadual e municipal, e por entidades das comunidades locais, dentro do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD). Entre os objetivos a serem atendidos pelo canal estão a busca pelo exercício da cidadania e da democracia, a expressão da diversidade social e o diálogo entre as diversas identidades culturais do Brasil.

Aviso de habilitação
O Canal da Cidadania também pode ser solicitado por TVs educativas vinculadas a governos estaduais e municipais que já têm outorga. Nesses casos, as emissoras só precisam pedir e obter a anuência do ministério. Foi o caso do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), de Salvador (BA), que em janeiro deste ano obteve a primeira autorização para operar o canal.

Diálogo ou monólogo?

Por Marcus Tavares
Editor da revistapontocom
Texto publicado originalmente no Jornal O DIA 

Participo de um grupo de professores que vem estudando o lugar do protagonismo juvenil nas escolas. Os encontros têm sido bem ricos, gerando boas reflexões, inquietações e questionamentos. Um deles é se toda essa ‘moda’ de protagonismo juvenil, de dar vez e voz aos estudantes, não passa de uma mera ação ‘politicamente correta’? Se esta ação não é promovida apenas para constar, embora esteja referendada nas legislações da área e configura-se como um direito de crianças e adolescentes?

Não há dúvida: há inúmeros projetos pedagógicos – de escolas públicas e privadas – que estabelecem lá em seus princípios o objetivo maior de formar crianças e jovens solidários, responsáveis e participativos. Crianças e jovens críticos e autônomos.  Em certa medida, todo o trabalho destas escolas é focado, sim, nesta direção. Porém, penso que tal orientação vale, muito mais e na maioria das vezes, da porta da escola para fora. Dentro, o papo é outro.

Posso estar sendo radical? Talvez, sim. Talvez, não. Por exemplo: os alunos de sua escola participam das decisões que estão ao alcance do ‘poder’ da escola? Os estudantes podem escolher o tipo de avaliação a que querem ser submetidos em cada disciplina? Eles podem optar por um ou outro tipo de conteúdo? Eles têm espaço para falar, opinar, reclamar e ou elogiar? De que forma as vozes das crianças e dos jovens são de fato incorporadas às práticas escolares?

Justificar as respostas dessas perguntas, sob o olhar de uma escola tradicional e do papel central do professor na sala de aula, não é difícil. Elas fazem parte, muitas vezes, inclusive, do senso comum. Difícil (e é difícil mesmo) é repensar a escola, o lugar do professor e do aluno, numa outra perspectiva, sem abrir mão de uma sistematização do ensino e da constituição de conhecimentos e valores. Confesso que enfrento essa dificuldade, ainda mais quando estou em diálogo com este grupo de professores que citei aqui. Não é um processo fácil se desprender de um modelo ou de certezas pré-estabelecidas. Sempre temos um pré-julgamento de que nós adultos sabemos mais e melhor do que as crianças e os jovens e que, portanto, o diálogo, mesmo que aconteça, sempre é de certa forma unilateral. Apenas os escutamos e pronto.

Rever a prática docente é preciso.  Vamos juntos?!

 

Se liga! Inscrições abertas

A coordenação da Escola Popular de Comunicação Crítica (Espocc) divulgou o edital para as próximas turmas. Estão sendo oferecidas 90 vagas, sendo 45 para o curso Publicidade afirmativa com ênfase em audiovisual e 45 para Publicidade afirmativa com ênfase em criação digital. As aula começam no dia 22 de julho. O curso, gratuito, é voltado para quem está cursando o Ensino Médio ou já concluiu. A seleção será composta de duas etapas: análise da ficha de inscrição e entrevista.

Faça aqui a sua inscrição.

Faça o download do edital. 

Criada em agosto de 2005 pela organização da sociedade civil Observatório de Favelas, no conjunto de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, a Espocc tem o objetivo de iniciar jovens e adultos de espaços populares em conhecimentos e vivências da teoria, metodologia e linguagens da comunicação popular, visando potencializar sua ação crítica e transformadora.

A iniciativa teve como parceiros a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), o Canal Futura e diversas organizações da área de comunicação e temas afins. Em novembro de 2006, depois de um ano de curso de extensão gratuito, a Escola formou a sua primeira turma de comunicadores, nas habilitações de Audiovisual, Jornalismo e Fotografia.

Ainda durante o período letivo, os estudantes produziram para o Canal Futura a série “Crônicas Urbanas”, além do cineclube Sem Tela, que hoje é ponto de difusão digital do Ministério da Cultura na Maré. Outro desdobramento foi a participação desses jovens nas oficinas do cineasta Cacá Diegues, que resultaram no filme “5X Favela, agora por nós mesmos”. Em junho de 2007, o mesmo grupo participou do Festival Audiovisual Visões Periféricas, com produções de periferia de todo o Brasil.

A partir disso, muitos ex-alunos permaneceram mobilizados em torno de projetos de mídia do Observatório de Favelas ou de oportunidades intermediadas pela instituição, colaborando para outras iniciativas como a revista do AfroReggae, o site Viva Favela, o zine Tangolomango, o projeto Juventude Cidadã, em Nova Iguaçu, e o coletivo Entre Sem Bater, dentre muitos outros.

Em 2008 novas turmas se iniciaram em Nova Iguaçu, em parceria com a Prefeitura. No ano de 2010, três turmas se formaram em Vitória/ES, numa parceria do Observatório com o governo local. Em 2011 a Espocc se reorganiza a partir de objetivos ambiciosos: estabilizar seu funcionamento, ampliar seus cursos e fomentar uma rede colaborativa de comunicação de interesse popular na região metropolitana do Rio de Janeiro.

A partir de 2012, a Espocc passa a contar com o patrocínio da Petrobras e apresenta o primeiro curso de Publicidade Afirmativa do Brasil. São 90 jovens de vários lugares do Rio de Janeiro, aprendendo, criando e trocando conhecimentos nas habilitações de Audiovisual e Cultura Digital. Um encontro que reúne comunicadores populares, universidades e profissionais de grandes agências.

A Espocc oferece a jovens e adultos moradores de espaços populares do Rio de Janeiro, acesso a diferentes conceitos, linguagens e técnicas na área em Publicidade Afirmativa – aquela que não visa o lucro ou a promoção de uma marca com fins estritamente comerciais, mas que promove valores de sociabilidade, a cultura e o empreendedorismo comunitário e socioambiental.

Quem pode estudar
Moradores de espaços populares (2/3 das vagas) ou de outros territórios da região metropolitana do Rio de Janeiro e estudantes do ensino médio ou universidades com conhecimentos básicos em informática.