Cinema brasileiro na escola

Professora Claudia Mogadouro.

Por Marcus Tavares

A exibição de filmes de produção nacional constituirá componente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da escola, sendo a sua exibição obrigatória por, no mínimo, 2 (duas) horas mensais. Esta é a redação do parágrafo oitavo, do artigo 26, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que está em vigor. O novo texto foi incluído no dia 27 de junho por determinação da Lei 13.006, publicada no Diário Oficial da União. A medida foi comemorada por cineastas e especialistas da área. Boa parte entende que a obrigatoriedade tende a divulgar o cinema nacional e, consequentemente, a cultura brasileira. Desde que entrou em vigor, jornais, revistas e canais de TV vêm repercutindo a decisão que chega às escolas.

A revistapontocom ouviu a professora Claudia Mogadouro, que leciona no curso de Especialização em Educomunicação da Escola de Comunicações e Artes da USP. Claudia, que também ministra cursos de difusão cultural de História do Cinema e foi consultora pedagógica do Projeto Tela Brasil, afirma que a intenção da nova lei é boa no sentido de que o cinema venha a ser considerado, de fato, parte do currículo e não mera ilustração de conteúdos das matérias consideradas mais importantes, como geralmente se observa. Segundo ela, pela lei, o cinema é visto como obra de arte. “Portanto, a aprovação é um passo importante”, destaca.

No entanto, Claudia faz ressalvas. “Pode ser uma lei que não pegue“, avalia. Pior ainda: se a orientação não for bem compreendida, pode causar danos. “Já está cristalizada uma prática nociva da cultura escolar de passar filme quando falta um professor. Isso é bem mais comum do que parece. E vale tanto para escola pública quanto para particular. A partir de agora, as escolas podem, simplesmente, eleger filmes brasileiros para esse tapa-buraco, dizendo que estão cumprindo a lei. Outro problema: o conjunto de professores desconhece a produção do cinema brasileiro. Por quê? Em primeiro lugar, em sua maioria, os educadores têm preconceito com o nosso cinema. Acham que só existem pornochanchadas e filmes com palavrões. E segundo: o cinema brasileiro sofre de um grave problema de distribuição e exibição. Temos muitos filmes brasileiros bons, de diversos gêneros, para todos os gostos e idades, mas que não chegam às salas de cinema, ou, se chegam, ficam em cartaz  uma ou duas semanas. Poucos espectadores tomam conhecimento desses filmes, mesmo sendo excelentes e com potencial de agradar a um público amplo. Nossos professores, como parte da nossa sociedade, conhecem apenas os campeões de bilheteria, os chamados blockbusters nacionais. O que vão passar nas escolas? Os sucessos recentes da Globo Filmes, como Os homens são de marte e é pra lá que eu vou ou De pernas pro ar?”, indaga.

Neste sentido, a professora defende uma urgente capacitação entre os educadores para que saibam usar o cinema como obra de arte e conheçam a diversidade, criatividade e potencialidade do cinema brasileiro. “Se não souberem escolher filmes e construírem sentido com eles, será mais uma ação que cai de paraquedas. Lembro que existe uma geração inteira que odeia Machado de Assis e outros autores obrigatórios simplesmente porque eles eram impostos goela abaixo dos estudantes”, frisa.

Leia o artigo O Cinema Nacional nas Escolas, de Claudia Mogadouro.

Claudia ainda chama a atenção para a infraestrutura das escolas. Muitas não têm instalações e equipamentos para a exibição dos filmes.  De acordo com o Censo Escolar 2013, 43 mil escolas brasileiras não possuem televisão. O número aumenta quando se contabiliza aparelhos de DVD – do total de 190,7 mil colégios, mais de 48 mil não têm o equipamento. “Infelizmente, a lei ainda vai permanecer como desafio, por mais que tenha a norma, ela não será implementada imediatamente. Somos um país gigante, com muita diversidade. Temos escolas que não dispõem de recursos mínimos como TV e vídeo. Elas terão que ser equipadas, disse o vice-presidente da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), Alessio Costa Lima, à Agência Brasil.

A partir desta semana, a revistapontocom vai publicar dicas de filmes (curtas ou longas) brasileiros para serem exibidos nas escolas.

A dica desta semana é da professora Claudia Mogadouro. Confira

Inscrições abertas

Já estão abertas as inscrições de filmes para o Programa Vídeo Fórum – Mostra Geração do Festival do Rio 2014. Há dois prazos: até o dia 8 de agosto, para produções estrangeiras; e até o dia 15 de agosto, para produções nacionais. O evento é voltado para divulgar a realização de crianças e jovens, por isso os trabalhos devem ser totalmente produzidos por pessoas com até 18 anos (não universitários) e que estejam comprovadamente matriculados na escola ou participando de um projeto educativo.

De acordo com o edital, só serão aceitas obras realizadas a partir de 2013. Os vídeos devem ter duração máxima de 13 minutos, incluindo créditos. Cada jovem realizador ou grupo produtor poderá inscrever no máximo cinco obras. Para cada trabalho, deve ser preenchida uma ficha de inscrição distinta. Não serão computados trabalhos que já foram inscritos em edições anteriores da Mostra Geração, mesmo os que não foram selecionados. A relação das produções selecionadas será divulgada no dia 27 de agosto. A mostra que faz parte da programação do Festival do Rio será realizada entre os dias 24 de setembro a 8 de outubro.

O regulamento na íntegra pode ser acessado aqui 

Graduação em jogos digitais

Embora pesquisas apontem o Brasil como o 4º maior mercado consumidor global de jogos digitais, o país ainda tem muito espaço para se desenvolver na área de produção de games. É pensando neste mercado que o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) vai lançar, ainda este ano, o curso de graduação em Jogos Digitais, o primeiro da área a ser oferecido por uma instituição pública federal do país. Aprovado pelo Conselho Superior no final de junho, o curso será oferecido no campus Engenheiro Paulo de Frontin, localizado no município de mesmo nome, que se destaca pela produção de softwares e tecnologias da informação e da comunicação. Inicialmente o curso será ofertado no turno da manhã, com 35 vagas por semestre. A primeira seleção, prevista para o segundo semestre de 2014, será realizada através de processo seletivo especial, mediante nota do ENEM. Em breve será divulgado o edital.

O currículo da nova graduação foi minuciosamente planejado mediante realização de audiências públicas, visitas a universidades que disponibilizam o curso e intenso diálogo com os segmentos produtivos. Cada um dos seis períodos letivos será centrado em uma temática: Jogos em 2D, Jogos em 3D, Jogos em Rede, Jogos para Consoles, Jogos para Dispositivos Móveis e Jogos para TV Digital. Ao final do curso o estudante será diplomado em Tecnólogo em Jogos Digitais, estando apto a prosseguir seus estudos em nível de pós-graduação e a ingressar no mercado de trabalho em diferentes segmentos da economia, atuando principalmente como Programador de Jogos Digitais, Game Designer, Artista Gráfico ou, ainda, Músico Digital.

Segundo Rodney Albuquerque, diretor do campus Engenheiro Paulo de Frontin, o curso também é pensado na formação do empreendedor em games. Rodney garante que o campus possui todas as condições necessárias para o desenvolvimento do curso, contando com corpo docente especializado no segmento, laboratórios (Oficina de Criação, Laboratório de Informática I e II, Laboratório de Arquitetura de Computadores entre outros), biblioteca, auditório e demais recursos.

Saiba mais sobre o curso 

Concurso premia games de jovens

Foram prorrogadas até o dia 13 de agosto as inscrições para o concurso New Games do VI Festival CineMundo. O evento, promovido pelo Cinema Nosso, acontece, em paralelo, com o II Seminário Internacional: formação, público e mercado audiovisual, que será realizado entre os dias 19 e 23 de agosto, na Caixa Cultural no Rio de Janeiro.

O New Games é um concurso cultural que premiará os melhores jogos produzidos por jovem realizadores independentes. Há três categorias em disputa: 1) PC/Web: voltada a jogos executados em computadores pessoais, demandando ou não algum tipo de instalação adicional, e jogos acessíveis via navegador web; 2) Mobile: voltada a jogos para tablets, smartphones e dispositivos portáteis; e 3) Outras plataformas: voltada aos jogos que não se enquadram nos casos anteriores. Neste caso, se necessário, o participante deverá fornecer condições de hardware e software para que seu jogo seja analisado pelos juízes e exibido na mostra. Jogos analógicos (de tabuleiro) também se encaixam nesta categoria.

De acordo com o edital, os games serão avaliados nas seguintes categorias: tecnologia: aspectos computacionais incluindo a inovação tecnológica; arte: inovação e qualidade dos recursos visuais incluindo arte 2D, arte 3D e a arte destinada para interface gráfica; som: inovação e qualidade dos efeitos sonoros e trilha sonora; game design: qualidade e execução do jogo, incluindo projeto da mecânica de jogo, construção de fases, desafio, fator diversão e balanceamento; e overall: conjunto da obra, coerência entre os recursos tecnológicos, sonoros, game design e visuais, qualidade do jogo como um todo. Os vencedores ganharão certificado e troféu.

Acesse aqui a ficha de inscrição
Leia o regulamento na íntegra

Legado da copa

Qual é o legado da Copa do Mundo? Polêmicas à parte, o futebol pode ser uma boa porta para a entrada do esporte no dia a dia de crianças e adolescentes. Trata-se de uma poderosa ferramenta para inclusão social e desenvolvimento da garotada. Se bem orientados, professores, assistentes sociais e lideranças comunitárias podem fazer a diferença na formação cidadã de meninos e meninas. A fim de contribuir com a capacitação de educadores e disseminar a cultura esportiva em escolas e comunidades, a Unesco publicou os Cadernos de Referência de Esporte, que trazem os mais modernos conceitos e metodologias pedagógicas sobre esporte para o desenvolvimento. Os 12 volumes da coleção são parte do Programa Brasil Vale Ouro, da Fundação Vale. O conteúdo é de acesso livre. “Em tempos de Copa do Mundo, fica claro o quanto o esporte mobiliza pessoas e encanta as crianças e adolescentes de todo o país. Se unido às práticas para a educação integral, formação de capacidades, abordagem cidadã e cultura de paz, o esporte se torna altamente estratégico para a promoção do desenvolvimento humano”, explica Fábio Eon, Oficial de Programas em Ciências Humanas e Sociais da Unesco.

Time de alto nível

O material pedagógico consiste em orientar profissionais para a abordagem de temáticas consideradas essenciais à prática do esporte. São eles: Valores no esporte; Fisiologia humana; Fisiologia do exercício; Crescimento, desenvolvimento e maturação; Treinamento esportivo; Aprendizagem motora; Psicologia do esporte; O esporte como possibilidade de desenvolvimento; Nutrição no esporte; Biomecânica do movimento humano; Avaliação física; Pedagogia da cooperação e Proposta pedagógica de esporte. Os cadernos colaboram para a construção de padrões conceituais, operacionais e metodológicos que orientem a prática pedagógica dos profissionais do Programa Brasil Vale Ouro, principal programa de apoio ao esporte da Fundação.

Conheça a coleção:

1. Fisiologia humana. 54 p.
2. Fisiologia do exercício. 74 p.
3. Crescimento, desenvolvimento e maturação. 42 p.
4. Treinamento esportivo. 58 p.
5. Aprendizagem motora. 40 p.
6. Psicologia do esporte. 36 p.
7. O esporte como possibilidade de desenvolvimento. 30 p.
8. Nutrição no esporte. 44 p.
9. Biomecânica do movimento humano. 36 p.
10. Valores no esporte. 42 p.
11. Avaliação física. 70 p.
12. Pedagogia da cooperação. 66 p.
Proposta pedagógica de esporte. 45 p.

 

Promessas de um novo mundo

revistapontocom INDICA O FILME DA SEMANA
Promessas de um Novo Mundo (Promises)
Justine Arlin, Carlos Bolado, B.Z. Goldberg (Israel/EUA/Palestina, 2001)

Assista, abaixo, na íntegra:


Por Dominique Valansi

Dirigido por Justine Shapiro, B.Z. Goldberg e Carlos Bolado, o filme conta a história de sete crianças judias e palestinas de Jerusalém, com idades entre oito e 13 anos. Apesar de morarem muito próximos uns dos outros, eles vivem em mundos completamente diferentes e têm visões distintas sobre os conflitos religiosos no Oriente Médio.

O filme mostra o dia a dia de cada um delas: em casa, indo para a escola, estudando, brincando e rezando. Em pequenas entrevistas elas contam como se posicionam em relação às pessoas de outra religião. Todos sempre estão interessados em provar que são os verdadeiros donos da terra. Entre os depoimentos, as experiências com a violência na região, o medo da guerra, a morte.

Irmãos judeus conversam sobre o fato de terroristas explodirem pelo menos um ônibus por ano na cidade. Uma menina palestina fala emocionada da carta que escreveu para seu pai, preso há muito tempo pela polícia israelense. A carta não foi entregue a ele nem em seu aniversário. Meninos judeus e palestinos contam histórias de amigos e parentes mortos em conflitos.

E, apesar das diferenças, os diretores conseguem marcar um encontro entre crianças das duas religiões em um clima de curiosidade, respeito e alegria. Durante uma tarde eles brincam, conversam e deixam de lado o preconceito mœtuo. Cada criança fala de seus sonhos e esperanças e da vontade de se reencontrarem. Uma co-produção dos Estados Unidos, Israel e Palestina, o documentário recebeu o prêmio de Melhor filme na escolha do público no Festival Internacional de Roterdã de 2001 e traz uma nova e emocionante abordagem do conflito para o público.

As imagens das crianças

Da Agência Fapesp
Por Diego Freire

Pesquisadores do Instituto de Biociências de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp) têm utilizado fotos e vídeos produzidos por crianças para propor novas reflexões sobre o desenvolvimento infantil. O resultado pode ser conferido no curta-metragem, acima, O que pode a imagem?, que apresenta análises dos pesquisadores sobre os registros.

A iniciativa fez parte da pesquisa “Infância, pesquisa e experiência: reflexões e olhares para o desenvolvimento infantil a partir de produções imagéticas de professores e crianças”, coordenada por César Donizetti Pereira Leite, professor adjunto da Unesp, e realizada com apoio da Fapesp. O trabalho prático foi realizado em uma creche da rede pública de Rio Claro.

As visitas à creche ocorreram uma vez por semana, com duração média de 2 horas, ao longo de sete meses do ano letivo de 2012. As 45 crianças envolvidas na experiência produziram mais de 3.500 fotos digitais e 10 horas de filmagens.

Foram oferecidos a meninos e meninas de um a três anos de idade equipamentos de gravação digital: câmeras fotográficas e de vídeo e tablets. Houve o envolvimento dos professores, mas sem qualquer orientação que pudesse influenciar a espontaneidade do manuseio.

O objetivo, de acordo com Leite, foi descobrir novas percepções sobre o universo infantil por meio do registro espontâneo feito pelas crianças. “A maneira como as gravações foram feitas possibilitou reflexões importantes sobre os modos como o corpo e a memória criam e orientam sentidos”, disse.

Isso porque os equipamentos acabavam sendo usados não como câmeras, mas como brinquedos ou extensões do próprio corpo, levando a um registro muito próximo da maneira como as crianças veem os objetos e as pessoas que as cercam no dia a dia.

“As imagens produzidas abrem uma perspectiva de olhar, do ponto de vista da criança, detalhes nunca percebidos, como botões de camisas, a sujeira no nariz, a baba, além de minúcias dos movimentos, com os olhares rápidos, desfocados, os cortes bruscos e as pausas longas”, disse Leite.

Para o pesquisador, a experiência sugere uma inversão no olhar do profissional que trabalha com crianças. “Em vez de oferecer técnicas, conhecimentos, teorias e sentidos para educar nosso olhar sobre as crianças, os vídeos lançam o corpo em uma aventura”, disse.

A pesquisa analisou a percepção dos professores sobre os vídeos. Para Leite, há uma “ditadura dos sentidos e da cognição” que as gravações desafiam. “Para os adultos, todas as imagens, por mais borradas, por mais vertiginosas que sejam, precisam dizer algo, precisam fechar em um sentido final”, disse.

Segundo o pesquisador, os professores tendem a associar as imagens produzidas com maior nitidez ou clareza, mesmo que causalmente, às crianças tidas por eles como mais inteligentes ou espertas, assim como os registros mais caóticos foram atribuídos às que apresentam maior dificuldade no universo escolar. “Um entendimento que reflete nossa falta, muitas vezes, de sensibilidade em perceber o mundo com os olhos das crianças”, avaliou.

Novas abordagens

Entre as possibilidades de abordagens para a educação infantil que a experiência inspirou está uma nova visão de passagem do tempo. “Nossos currículos, práticas educativas e modos de pensar e viver a educação estão pautados em um tempo cronológico, presente nas teorias de desenvolvimento humano no campo da Psicologia – as ideias de fases, períodos, estágios ou ainda a ideia de que evoluímos, tudo isso se organiza em uma esfera de uma modalidade de tempo: o tempo cronológico e linear. Com as imagens nos vemos em outro deslocamento”, observou Leite.

Para o pesquisador, as imagens rápidas, disformes e confusas captadas pelas crianças sugerem uma ideia não linear de tempo, o “tempo kairológico” – em referência a “kairós”, do grego antigo, que significa “momento oportuno”.

“Trata-se do tempo da oportunidade, quando estamos completamente absorvidos pelo momento presente”, disse Leite. Essa noção de tempo, segundo o pesquisador, é fundamental ao entendimento do universo da criança no processo de desenvolvimento infantil.

É importante também outra noção de tempo relacionada à intensidade do momento, não à sua duração. “Esse é o tempo aiônico, da experiência. Uma brincadeira, por mais banal que pareça a um adulto, pode tomar toda a concentração de uma criança. E, naquele momento em que nada a distrai, ela vivencia mais essa dimensão do tempo, que precisa ser considerada no processo de educação”, disse.

O curta-metragem produzido com as gravações das crianças é um desdobramento de experiências que vêm sendo realizadas desde 2010 na rede pública de ensino de Rio Claro e que já resultaram em possibilidades de políticas educacionais para o município, de acordo com Leite.

O projeto “Ação, câmera, luz: entre imagens e olhares – experiência de infância e montagens”, também conduzido com o apoio da Fapesp, levou a Secretaria de Educação de Rio Claro a criar um grupo de estudos sobre o tema composto por professores, diretores e coordenadores de escolas de educação infantil. Há ainda um projeto com a prefeitura para a formação docente orientada pela temática da imagem e do cinema na educação.

Na Unesp, as experiências deram origem ao Laboratório de Estudos e Pesquisa da Imagem, Experiência e Criação (Imago).

Escola: velocidade lenta

Cresce o percentual de professores e estudantes que fazem uso do computador e da internet nas salas de aula. O desafio agora é outro: a baixa velocidade da conexão. A internet está presente na maioria das escolas que possuem computador na rede pública (95%) e na rede privada (99%), mas 52% das escolas públicas declararam possuir uma conexão de até 2 Mbps, enquanto este percentual é de 28% nas escolas particulares. Somente 7% das escolas públicas possuem velocidade superior a 10 Mbps, contra 14% da rede particular. Na percepção dos professores e coordenadores pedagógicos esta ainda se constitui em uma barreira para adoção das novas tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem. Os dados foram divulgados pela pesquisa TIC Educação 2013, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Confira todos os resultados/tabelas da pesquisa pelos seguintes segmentos
Professor
Estudantes
Coordenadores pedagógicos
Diretores
Escolas

O estudo mostra que, nas escolas públicas, 46% dos professores declararam utilizar computador e internet em atividades com os alunos na sala de aula – um aumento de 10 pontos percentuais em relação ao ano de 2012. “Esse dado revela como o professor percebe a importância do uso das novas tecnologias com os alunos, pois, parte deles leva seu computador pessoal para a sala de aula”, explica Alexandre Barbosa, gerente do CETIC.br. Ainda que a sala de aula tenha crescido como local de uso do computador e da internet nas atividades com os alunos, o ambiente mais comum para o uso de computador e internet nas escolas públicas segue sendo o laboratório de informática (76%). Outro destaque está no crescimento do uso de tablets nas escolas públicas. Enquanto em 2012 apenas 2% delas possuíam esse tipo de equipamento, em 2013 esse número chegou a 11%.
“A pesquisa TIC Educação 2013 também aponta para uma crescente tendência de mobilidade nas escolas, fenômeno também observado nas empresas e nos domicílios brasileiros, por meio das pesquisas TIC Domicílios 2013 e TIC Empresas 2013”, revela Alexandre Barbosa. Essa tendência se reflete no fato de que 71% das escolas públicas possuem acesso à internet sem fio (WiFi), um aumento de 14 pontos percentuais em relação a 2012.

O levantamento também indicou que 96% dos professores de escolas públicas usam recursos educacionais disponíveis na internet para preparar aulas ou atividades com os alunos. Os tipos de recursos mais utilizados são imagens, figuras, ilustrações ou fotos (84%), textos (83%), questões de prova (73%) e vídeos (74%). O uso de jogos chega a 42%, apresentações prontas, 41%, e programas e softwares educacionais, 39%. A quantidade de publicações de recursos educacionais por professores, ou seja, profissionais que são autores de conteúdos educacionais e que compartilham suas produções na rede, ainda é pequena. Apenas 21% dos professores de escolas públicas já publicaram na internet algum conteúdo educacional que produziram para utilizar em suas aulas ou atividades com os alunos.

A coleta de dados para a realização da quarta edição da TIC Educação aconteceu entre os meses de setembro e dezembro de 2013. Foram entrevistados, presencialmente, 939 diretores, 870 coordenadores pedagógicos, 1.987 professores e 9.657 alunos, de 994 escolas públicas e privadas localizadas em áreas urbanas de todas as regiões do território nacional.

A era dos robôs inteligentes

Por Rosa Jiménez Cano
Reproduzido do El País Brasil, 8/7/2014; intertítulo do OI

Os robôs vão tirar os empregos dos humanos. O velho medo dos trabalhadores da revolução industrial está de volta. Na conferência anual do Google, um incidente foi visto como sintomático, ou até premonitório. Um jovem saiu do meio do público – em sua maioria formado por programadores que pagaram 1.500 dólares (pouco mais de 3.300 reais) para participar –, aproximou-se do palco e começou a gritar: “Vocês trabalham para robôs que matam pessoas. E vocês sabem”. No mesmo instante, membros da equipe de segurança o acompanharam até a saída.  O Google quer que robôs façam o trabalho dos humanos. Só que Larry Page, co-fundador da empresa, enxerga tudo de uma maneira diferente. Em seu mundo ideal, os robôs teriam um papel relevante na hora de eliminar grande parte das tarefas mecânicas. Ele reconhece que isso traria um maior desemprego, entre outras consequências, mas também causaria o aumento do trabalho qualificado e a da produtividade.

“Muita gente ama o que faz, mas gostaria de ter mais tempo para estar com a família ou explorar seus interesses. Temos que encontrar uma solução equilibrada e coordenada para reduzir a carga de trabalho semanal”, disse Page em um debate informal com Vinod Khosla. É cada vez mais raro que os criadores da ferramenta de busca apareçam em público, ainda mais juntos. Mas Khosla, mentor de Page e considerado um dos pais do Vale do Silício, foi também um dos primeiros investidores na empresa, quando ainda funcionava em um pequeno escritórios com dois rapazes da turma de doutorado da Stanford.

E que tipo de trabalho podem fazer os robôs nos quais o Google aposta? Por enquanto, nada que tenha a ver com as habilidades de seus engenheiros. A compra da Boston Dynamics e da Shaft os coloca um passo adiante na programação de objetos mecânicos, mas que não vão além de transportar coisas de um lado para outro, subir escadas, abrir portas ou rastrear áreas registrando imagens. Ainda estão longe dos que se usa no Japão para fazer companhia a idosos ou substituir recepcionistas em empresas. O próximo passo, quando se cumprir a profecia de Sergey Brin, a outra metade do Google, será: “Algum dia faremos máquinas que poderão pensar e fazer as coisas melhor que os humanos”. Esse é o motivo da aquisição da DeepMind, uma empresa de inteligência artificial. Os resultados poderão ser vistos quando os cientistas forem capazes de juntar a robótica com essa forma de programação preditiva. E sim, é possível que aí então se tornem reais os motivos para o pânico trabalhista.

Mas os dois empresários não sonham apenas com um mundo de trabalhadores de meio-período, mas também com um mundo sem carros. O transporte rodoviário é uma das obsessões do Google. Começou com o Google Maps e se acentuou com a compra do Waze, um aplicativo que monitora em tempo real qualquer incidente nas estradas. E o promove externamente com uma injeção de 250 milhões de dólares no Uber. A aposta de Brin se baseia na ideia de que não é necessário ter seu próprio carro, quase um insulto nos Estados Unidos, onde o objeto faz parte da cultura.

“Entre 30% e 50% do espaço das cidades são tomados por estacionamentos. É um gasto enorme”, dizia Brin a seu mentor, Khosla. “A ideia é que o carro venha buscar a pessoa quando ela precisar”. Ele admite que um dos pontos fracos de seus sistema, por enquanto, é a velocidade. Seus carros mal passam dos 50 quilômetros por hora. No entanto, as máquinas reconhecem as ruas da maneira mais correta, mesmo para além de algumas áreas de Montain View, como as rotas 101 e 280, dentro de San Francisco. Brin está ciente de que o projeto não vai agradar a já prejudicada indústria automobilística nacional. Aliás, seus modelos de testes são da Lexus e da Toyota, empresas japonesas. “É todo um mundo a ser explorado. Claro que os fabricantes veem tudo como uma oportunidade para mudar completamente o desenhos dos carros, colocar assentos virados frente a frente…”, exemplificou.

Rumo ao esquecimento

Brin e Page são multimilionários, mas não estão por fora das preocupações dos homens comuns. Prolongar a vida, uma velha obsessão da humanidade, também os atingiu quando passaram dos 30 anos. Principalmente quando Brin revelou que sua mãe sofre do Mal de Parkinson. Promoveu uma cruzada para pesquisar a doença e incentivar estudos genéticos coletivos. Foi a semente de uma base de dados com informação pública dos cidadãos, com sua idade, raça, estilo de vida, sexo, lugar em que moram… Uma boa ideia em tese, exceto por se tratar de dados especialmente sensíveis e de investigar a saúde de qualquer pessoa. O executivo pretende resolver a questão e convencer as autoridades com algo tão simples como apagar os nomes próprios dos arquivos. “Imagine que sirva para salvar 10.000 vidas apenas no primeiro ano”, afirmou como argumento emotivo. O único projeto firme nessa área, que segue adiante de maneira notável, são as lentes de contato para medir o nível de glucose no sangue dos diabéticos.

Todo esse mundo de fantasia bate de frente com uma parede chamada legislação. Para grandes problemas, grandes soluções. Com um raciocínio um tanto inocente, Page pedia que se ponham numerus clausus a leis, mesmo as universais: “Foi o que disse há pouco tempo o presidente da Coreia do Sul. Por que não usar um número limitado de leis e páginas? Assim, quando se quiser acrescentar algo, será necessário eliminar outras”.

Apesar da mis-en-scène casual e otimista desses gênios contemporâneos, nem tudo em sua empresa é sucesso. À saída de Andy Rubin, o maior impulsionador do Android, e de Vic Gundotra, responsável por tudo relacionado a redes sociais, somam-se outras de menor repercussão, mas sintomáticas. Lars Ramussen, fundador do Google Wave, deixou o Google rumo ao Facebook, dando alguns motivos claros, como a lentidão e a burocracia em excesso. Não sentia que o que fazia tinha um impacto verdadeiro. Paul Adams, que também assinou com Zuckerberg, alega que não o deixaram publicar um livro. As redes sociais são o terreno por onde se movem os jovens, são o que serve de meio para o compartilhamento de conteúdo. O Twitter e o Facebook lideram com enorme distância. O Google+ se transformou no refúgio de bloggers e criadores de conteúdo que pretendem conseguir um melhor posicionamento na ferramenta de busca ao publicar ali. O nível de conversas é baixo. As sessões raramente superam um minuto.

Google Glass, projeto de óculos de realidade aumentada, está a caminho do esquecimento, prestes a se tornar mais um objeto de vaporware, nome que se dá aos gadgets com grande impacto inicial mas sem trânsito no âmbito comercial. Há dois anos, era a estrela da conferência anual do Google. Na edição de 2014, não foi sequer mencionado. Dentro de dois anos será necessário rever o que terá acontecido com esses carros e robôs…

Pesquisadores e juventude

Atenção pesquisadores: a Secretaria Nacional da Juventude (SNJ) abriu chamada pública para interessados em participar do Encontro dos Pesquisadores e Pesquisadoras de Políticas de Juventude – Participatório em Rede. O evento acontecerá nos dias 19, 20 e 21 de agosto, em Brasília (DF). Há 55 vagas para graduandos, graduados, pós-graduandos e pesquisadores plenos que tenham interesse no tema. O objetivo do evento é refletir sobre o estado da arte da pesquisa sobre juventude, políticas públicas, dados e indicadores. A proposta é criar um espaço para a troca e diálogo entre pesquisadores em diferentes momentos de sua formação e constituir uma rede de observatórios e pesquisadores. As inscrições terminam no dia 31 de julho.

As 55 vagas serão distribuídas da seguinte forma: 20 participantes que estejam cursando ou tenham concluído o curso de graduação; 20 participantes que estejam cursando curso de pós-graduação stricto sensu ou tenham concluído o programa de mestrado; e 15 participantes que tenham o título de doutor. Os selecionados terão direito à hospedagem, translado e alimentação, com a possibilidade de apoio para transporte aéreo ou terrestre, em território nacional, para os primeiros classificados em cada categoria.

Para inscrever-se, é necessário o preenchimento da ficha de inscrição online e enviar a Carta de Intenções para o e-mail: participatorio.juventude@presidencia.gov.br.

Leia o edital na íntegra

O Participatório
É  um ambiente virtual da SNJ criado para dialogar sobre políticas com os jovens, por meio da internet. Inspirado nas redes sociais, a plataforma foi lançada em julho de 2013 e possui a pretensão de se tornar um Observatório Participativo da Juventude. Para isso, uma Biblioteca Digital em breve será lançada com uma série de títulos referentes às políticas públicas de juventude. A necessidade de pesquisadores em várias áreas para aprimorar e subsidiar o espaço é fundamental.

Sugestões de Claudia Mogadouro

Sugestão: 5 a 10 anos

– Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo. Direção: Maurício de Sousa
Tudo começa com uma acidentada experiência de Franjinha, que pretende juntar os quatro elementos da Terra – fogo, ar, água e terra – para fazer uma viagem no tempo. Em uma briga entre Mônica e Cebolinha, os quatro elementos se dispersam e se perdem no tempo. Para impedir que o tempo e a História sejam interrompidos, os personagens devem buscar os 4 elementos em épocas diferentes. Magali volta uns poucos anos na História, quando ela e seus amigos eram bebês. Mônica vai parar na pré-história, Cascão no Brasil do século XVII e Cebolinha vai para o futuro. A recuperação de cada elemento se dá de diferentes formas e eles terão que se ajudar muito para salvarem o planeta. Classificação indicativa livre.

– Tainá 3 – A Origem. Direção: Rosane Svartman
As crianças acompanharão a origem da personagem, independente de já terem assistido ou não aos outros filmes. A narrativa se inicia com a descoberta de um bebê no meio da mata pelo pajé Tigê. Ele a batiza de Tainá, cujo significado é Estrela da Manhã. À medida que vai crescendo, cuidada por Tigê, Tainá sempre questiona porque os filhotes têm mãe e ela não. Quando Tainá completa cinco anos, o pajé a presenteia com um arco e flecha, para que ela se torne uma grande guerreira, porém a indiazinha se revela bem atrapalhada e sem pontaria. Um desafio agita a aldeia: as crianças devem ir atrás da flecha azul – uma flecha mágica, enviada por Tupã. Quem a encontrar será o novo guerreiro da tribo, com a responsabilidade de salvar a floresta dos ataques de Jurupari, o espírito do mal. Mas Tainá é impedida de participar da busca, por ser menina. Assim mesmo, com uma ajudazinha de seu avô, ela sai atrás da flecha e a encontra. Classificação indicativa livre.

Sugestão: 8 a 12 anos

– Corda Bamba, História de uma menina equilibrista. Direção: Eduardo Goldenstein
Maria é uma menina de 10 anos que nasceu no circo, filha de equilibristas, e que precisa lidar com uma difícil passagem em sua vida. Ela vai morar com a avó, na cidade, e não consegue lembrar de seu passado. Da janela do seu quarto, Maria atravessa sobre uma corda bamba para a dimensão do imaginário, onde irá recuperar sua memória e encontrar a possibilidade de seguir adiante. O filme é inspirado no livro Corda Bamba, de Lygia Bojunga. Classificação indicativa livre.

– Eu e meu guarda-chuva. Direção: Toni Vanzolini
Criativa produção brasileira, voltada para as crianças, que permite reflexões sobre sentimentos profundos, de forma lúdica. Desde o início do filme sabe-se que o garoto Eugênio, de 11 anos, está muito triste com o falecimento recente de seu avô, de quem era muito próximo. A insegurança se acentua com o fato de ser o último dia de férias e ele com seus melhores amigos – Frida e Cebola – passarão a estudar em um prédio muito antigo, carregado de histórias assustadoras. Resolvem, como última aventura de férias, explorar o cenário da nova escola que é “assombrada” pelo fantasma do Barão de Von Staffen. A lenda diz que o Barão maltratava as crianças, “torturando-as” com perguntas impossíveis de serem respondidas. Ao pularem o portão da escola, descobrem que o Barão fugira de um quadro e mantém crianças em cativeiro. Frida é raptada e Eugênio decide salvá-la, com o apoio do medroso Cebola. O que dá coragem a Eugênio é seu amor por Frida e o velho guarda-chuva, que herdou de seu avô. Classificação indicativa livre.

Sugestão: acima dos 12 anos

– Antes que o mundo acabe. Direção: Ana Luíza Azevedo
Adaptação para o cinema da obra de Marcelo Carneiro da Cunha, o filme trata de afeto, família, do mundo globalizado mas, principalmente, de responsabilidade. Questões éticas são colocadas e discutidas com a simplicidade, humor e delicadeza de um adolescente. Daniel é um adolescente crescendo em seu pequeno mundo com problemas que lhe parecem insolúveis: como lidar com uma namorada que não sabe o que quer, como ajudar um amigo que está sendo acusado de roubo e como sair da pequena cidade onde vive. Tudo começa a mudar quando ele recebe uma carta do pai que ele nunca conheceu. Em meio a todas essas questões, ele será chamado a realizar suas primeiras escolhas adultas e descobrir que o mundo é muito maior do que ele pensa. Classificação indicativa livre.

– À Beira do Caminho. Direção: Breno Silveira
João é um caminhoneiro muito amargurado. O destino o faz conhecer Duda, um garoto esperto que, apesar de viver um grande drama, é cheio de vida e ensina a João a importância de se superar o passado. Enquanto viajam pelo Brasil, a amizade entre os dois se consolida ao som das canções de Roberto Carlos. O passado misterioso de João vai sendo desvendado aos poucos, a partir de suas lembranças. Desse passado, surge Rosa que colabora para que Duda não se sinta abandonado e para que João tome coragem de vencer seus desafios. Classificação indicativa – não recomendado para menores de 12 anos.

– A Máquina. Direção: João Falcão
Karina está prestes a completar 18 anos e seu grande sonho é sair da minúscula cidade onde mora e se tornar uma artista. Aliás, quase todos os habitantes da cidade chamada Nordestina – que nem consta no mapa – desejam sair para o mundo. Antônio é o 13º filho homem de Dona Nazaré e acredita ser filho do tempo. Ele não deseja ir embora, pois só pensa no amor que sente por Karina. Para conquistá-la, resolve construir uma máquina do tempo e ir para o futuro, buscar “o mundo”. O filme é uma fábula que se vale dos recursos do cinema, do teatro, da música e de todas as manifestações da cultura popular do Nordeste para contar uma linda história de amor. Classificação indicativa livre.

– O Palhaço. Direção: Selton Mello
Benjamim e Valdemar formam a fabulosa dupla de palhaços Pangaré e Puro Sangue. Todos riem dos palhaços, mas Benjamim está em crise existencial, sente-se estressado e acha que perdeu a graça. Benjamin não tem nem carteira de identidade e cismou que um ventilador mudaria sua vida. O público acompanha as aventuras da trupe do circo e a busca interna de Benjamin, nesta comédia poética e emocionante. Classificação indicativa livre.

– Janela da Alma. Direção: João Jardim/Walter Carvalho
O documentário apresenta dezenove pessoas com diferentes graus de deficiência visual da miopia discreta à cegueira total que narram como se veem, como veem os outros e como percebem o mundo. Celebridades como o prêmio Nobel José Saramago, o músico Hermeto Paschoal, o diretor Wim Wenders, o fotógrafo cego esloveno Evgen Bavcar e o neurologista Oliver Sachs fazem revelações pessoais e inesperadas sobre vários aspectos relativos à visão: o funcionamento fisiológico do olho, o uso de óculos e suas implicações sobre a personalidade, o significado de ver ou não ver em um mundo saturado de imagens, e também a importância das emoções como elemento transformador da realidade. Janela da Alma resulta em uma reflexão emocionada sobre o ato de ver ou não ver o mundo. Classificação indicativa livre.

– Uma História de Amor e Fúria. Direção: Luiz Bolognesi
Na animação, dirigida por Luiz Bolognesi, há uma história de amor entre um herói imortal e Janaína, a mulher por quem é apaixonado há 600 anos. O herói assume vários personagens, mas seu espírito de luta permanece o mesmo, especialmente porque seu amor o alimenta. O filme conta 4 episódios de momentos diferentes da História do Brasil, contados a partir do ponto de vista dos vencidos. Três deles são reais: a guerra entre Tupiniquins e Tupinambás, no início da colonização portuguesa, em 1565; a revolta ocorrida no Maranhão, conhecida como Balaiada, em 1825 e a guerrilha urbana, no período da ditadura militar, em 1968. O quarto episódio é uma projeção do futuro, em 2096. Classificação indicativa – não recomendado para menores de 12 anos.

Sugestão: acima dos 14 anos

– As Melhores Coisas do Mundo. Direção: Laís Bodanzky
Mano tem 15 anos, sonha em tocar guitarra, deseja a menina “gostosa” da escola, circula de bicicleta pela cidade e vai na onda da turma, tentando ser “popular”. A separação dos pais o coloca em situações difíceis e ele percebe que tornar-se adulto não é uma tarefa fácil. Neste filme estão presentes os principais dilemas de um adolescente como os papos com a melhor amiga, o medo de ser “zoado” na escola, a admiração pelo irmão mais velho, as aulas de violão, o doloroso e necessário amadurecimento para enfrentar o mundo. Classificação indicativa – não recomendado para menores de 14 anos.

– Bicho de 7 Cabeças. Direção: Laís Bodanzky
Neto é um adolescente de classe média baixa, que levava uma vida “normal” até o dia em que seu pai o interna em um manicômio, porque encontrou um cigarro de maconha no bolso do seu casaco. Internado, Neto conhece uma realidade completamente absurda e desumana, em que as pessoas são devoradas por um sistema corrupto e cruel. As transformações pelas quais ele passa alteram radicalmente a sua relação com o pai. Um filme sobre o emudecimento das relações familiares. Classificação indicativa – não recomendado para menores de 14 anos.

– Quincas Berro D’água. Direção: Sérgio Machado
Aos 50 anos, Joaquim Soares da Cunha – funcionário público exemplar, bom pai e bom esposo – resolve chutar as velhas regras e princípios. Sem nenhuma explicação deixa a família e se muda para uma pocilga no Tabuão, para cair na farra, transformando-se em Quincas Berro D’ Água – cachaceiro-mor de Salvador, embaixador das gafieiras e patriarca da zona do baixo meretrício. Um dia, Quincas é achado morto em seu quarto. A família tenta apagar da memória os anos de loucura, dando a ele um enterro decente. Mas o plano se frustra. Martim, Pastinha, Curió e Pé de Vento, velhos amigos, aparecem no velório e inconformados com a morte do companheiro resolvem levá-lo para uma farra final. Depois de muita confusão, eles acabam colhidos por um temporal, no meio do mar. Envolvido em farrapos e curtindo sua última bebedeira, Quincas se atira do barco, para ter, em sua segunda morte, o enterro que sempre quis. Classificação indicativa – não recomendado para menores de 14 anos.

Sugestão: acima dos 16 anos

– Capitães da Areia. Direção: Cecília Amado
Adaptação da obra homônima de Jorge Amado. O romance passado na década de 1930 conta a vida dos adolescentes Pedro Bala, Professor, Sem-Pernas, Boa Vida e Dora, que vivem pelas ruas de Salvador, sem ninguém que possa cuidar deles, praticando assaltos e fugindo da polícia para sobreviver. Liderada por Pedro Bala, a trupe é conhecida por Capitães da Areia, pela facilidade que tem de se camuflar sem deixar pistas e sem ser notada. Assim, os adolescentes vivem sonhos e pesadelos. Classificação indicativa – não recomendado para menores de 16 anos.

Fala jovem

Desigualdade, violência, paz, consumo e política. Com o objetivo de dar vez e voz às crianças e jovens, a revistapontocom inaugura mais um espaço neste sentido: o Fala Jovem. Neste espaço, vamos publicar textos escritos por crianças e jovens sobre diversos assuntos. A ideia é promover a ‘fala’ destes cidadãos e ao mesmo tempo possibilitar que os adultos conheçam e ouçam suas histórias, sentimentos, comentários, avaliações sobre temas do nosso cotidiano. O texto de hoje é do jovem Gabriel Labouret, de 14 anos. Em pauta: o Brasil, seus problemas e a Copa do Mundo.

Relações intertextuais

No poema “O Bicho”, de Manuel Bandeira, vimos um catador como um bicho. Você tem que ser diferente! Esse poema nos faz refletir sobre as desigualdades sociais. Nesse mesmo pátio percorrido pelo homem-bicho pode ter uma pessoa de classe média, que não papou todo o seu almoço e jogou, sem problemas, o resto de comida fora. Esse resto, o catador vai catar, como fizeram os porcos e os pobres esfomeados no curta “Ilha das Flores” [de Jorge Furtado]. Esses são tão pobres que catam a comida que não serve nem para os porcos. Podemos até pensar que, nesse caso, o porco poderia ser uma pessoa de classe média observando o “BICHO” devorando os restos de sua refeição; e o bicho não é o bicho PORCO, é o catador de comida que não serve para o porco, no caso, um outro ser humano.

Em junho de 2014, os moradores de rua e os catadores vão ser escondidos, isso para gringo poder ver um Brasil do futebol, do samba, da mulher bonita e não o país de desigualdade social, de miséria, de violência e muito mais…

Eu, pessoalmente, nas mídias que frequento, como a internet, passo 80% do tempo vendo filmes e séries, 15% vendo esportes e política, 4% vendo bobagens e 1% vendo fome e pobreza, ou seja, invisibilidade para pobreza, para fome. Agora, imagine na COPA…

Em “Um artista da fome” (Kafka), a partir de um momento, o artista perde a fama e vai para um circo. Podemos imaginar o circo como um jornal e o artista da fome como a fome e a pobreza. Será que as pessoas se interessam em saber sobre a fome e a pobreza? Ou será que é o jornal que esconde esse problema? A questão é que esses problemas estão por aí. E o governo, eis a pergunta, se preocupa mais em escondê-los ou resolvê-los?

Controle remoto para quê?

Por Marcus Tavares

Há pouco mais de oito anos, o jornalista e sociólogo Lalo Leal está, desde a estreia, à frente do programa VerTV, uma produção da TV Brasil, que discute, com especialistas, os conteúdos apresentados pela televisão brasileira, trazendo uma boa dose de reflexão para os telespectadores.

Pesquisador na área de Políticas da Comunicação e professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Lalo  acompanha as tendências e novas abordagens da televisão brasileira. Não é a toa que já escreveu quatro livros sobre a sociedade e a televisão.

Em entrevista à revistapontocom, o apresentador faz uma breve análise da atual programação da televisão brasileira. Na opinião dele, a audiência está mais exigente, mas ainda há muito a se fazer. “Infelizmente o público brasileiro, pela história de nossa TV, dificilmente tem a oportunidade de conhecer outros tipos de programas e programações. Fica difícil para o telespectador exigir níveis melhores de qualidade sem que ele conheça um referencial desse tipo. São várias gerações educadas para acreditar que esse modelo de TV é o único possível de existir”, destaca.

Acompanhe a entrevista:

revistapontocom – Na avaliação do senhor, qual é o mérito do VerTV?
Lalo Leal – O programa estreou no dia 16 de fevereiro de 2006. Está portanto há mais de oito anos no ar. Acredito que o mérito principal tem sido o de colocar em debate o papel da televisão na sociedade brasileira sobre a qual ela exerce grande influência. Costumo dizer que a TV no Brasil trata, bem ou mal, de uma gama praticamente universalizada de assuntos, só não trata dela mesma. O VerTV procura, na medida do possível, realizar esse trabalho.

revistapontocom – E de que forma isso acontece na prática?
Lalo Leal – O programa procura levar ao público análises críticas sobre a televisão brasileira e, a partir daí, mostra, com exemplos nacionais e internacionais bem sucedidos, que um outro tipo de televisão é possível. Infelizmente o público brasileiro, pela história de nossa TV, dificilmente tem a oportunidade de conhecer outros tipos de programas e programações. Fica difícil para o telespectador exigir níveis melhores de qualidade sem que ele conheça um referencial desse tipo. São várias gerações educadas para acreditar que esse modelo de TV é o único possível de existir. Uma outra contribuição do VerTV para esse debate é dada pela sua reprodução e análise realizadas por professores em diferentes cursos no país. O programa acabou se tornando um importante instrumento didático, utilizado em salas de aula.

revistapontocom – O senhor acabou de falar sobre o público que não tem outras referências de TV. Mas o senhor não acha que essa ‘audiência brasileira’ está mais exigente?
Lalo Leal – Acredito que sim. Já houve momentos piores em nossa TV. Basta lembrar o que ocorria nos auditórios na década de 1990. Nessa época surgiu a Ong Tver e depois a campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania” como tentativas de enfrentar aquela situação. O próprio programa VerTv é resultado daquele momento. Essas iniciativas contribuíram para ampliar a visão critica da sociedade sobre os produtos oferecidos pela televisão. As coisas mudaram um pouco. Já não se vê, por exemplo, “teste de DNA” nos palcos ou ataques homofóbicos desferidos por apresentadores. Isso não quer dizer que não exista ainda muito a fazer. A exploração da violência como espetáculo segue revelando os níveis ainda rasteiros de nossa TV. Mas creio que o principal fator do aumento das exigências do público esteja sendo o grande crescimento dos níveis de escolaridade registrados no Brasil nos últimos anos. Pessoas mais ilustradas tendem a se tornar mais exigentes em termos de informação e entretenimento, dos quais a TV é parte importante.

revistapontocom – E, por outro lado, o senhor acredita que os canais estão mais preocupados em oferecer qualidade?
Lalo Leal – Isso não. Infelizmente o referencial único dos canais comerciais são os índices de audiência cujo resultado determina a obtenção maior ou menor de receitas publicitárias. Então as mudanças só ocorrem quando o público começa a se afastar deste ou daquele programa. As mudanças são realizadas apenas para fazer com que a audiência não caia. O critério qualidade é secundário.

revistapontocom – E o que seria um programa de qualidade?
Lalo Leal – São programas que despertem o espírito crítico do telespectador. Que elevem a sua sensibilidade em relação ao mundo e à vida. Ou numa síntese feliz de alguns fundadores da televisão pública europeia: que tornem os temas simples respeitáveis e os complexos agradavelmente simples. Vou dar um exemplo de um programa de qualidade que vi há alguns anos na TV Globo: a Paixão de Cristo, encenada pelo Grupo Galpão nas ruas de Ouro Preto. Excepcional. Reuniu a competência técnica da emissora e o alto nível de qualidade artística do grupo teatral mineiro na abordagem de um tema de fácil assimilação para o público. Pena que tenha sido apenas um raro exemplo de qualidade e não uma constante.

revistapontocom – O senhor citou uma TV comercial e o seu foco na audiência. E o que dizer dos outros tipos de TVs, a pública e a estatal?
Lalo Leal – Essa divisão ainda é muito precária. Na verdade nós temos uma televisão comercial hegemônica, ditando os padrões da TV brasileira, ao lado de um grupo pequeno de emissoras estatais e de outro, ainda mais reduzido, de emissoras que podem ser consideradas públicas. A programação das comerciais apresenta padrões muito semelhantes, todas reproduzindo as mesmas formas que consideram eficazes na luta pela audiência. É por isso que torna-se falaciosa a frase “o melhor controle é o controle remoto”. Para quê usar o controle remoto se ao trocar de canal se vê a mesma coisa? Mudam os cenários, os apresentadores, mas os conteúdos são os mesmos. As poucas experiências em busca daqueles padrões de qualidade que mencionei anteriormente vêm das emissoras não comerciais. Experiências que, quase sempre, não têm continuidade pelos eternos problemas de recursos e de gestão.

revistapontocom – O que podemos apontar, hoje, como avanços e desafios na TV brasileira?
Lalo Leal – A diversidade de ofertas através das TVs por assinatura (para uma parcela privilegiada economicamente da população) e da proliferação das antenas parabólicas têm sido fatores positivos na medida em que oferecem a um público maior canais não comerciais, cuja referência principal não é a busca de elevados índices de audiência. Alguns desses canais, dentro de suas limitações, têm oferecido programas de melhor qualidade, inexistentes nas emissoras comerciais. O desafio maior neste momento é aprovar uma Lei de Meios semelhante a que está em vigor na Argentina. É a única forma de ampliar o número de vozes na televisão brasileira, dividindo o espectro eletromagnético em partes iguais para emissoras públicas, comunitárias e comerciais. Só assim, a riqueza e a diversidade cultural existente no pais poderá ser vista e assimilada por todo o público brasileiro por meio da TV.

Guia para checar as redes sociais

Uma informação divulgada e distribuída nas redes sociais. Verdadeira ou falsa? Como descobrir, averiguar? No mundo da informação, cabem aos jornalistas, a imprensa, vasculhar e verificar os dados para informar corretamente e com base nos fatos.A grande questão é: como podemos colocar tudo isso em prática?

Escrito por jornalistas de instituições como BBC, Digital First Media, ABC e Storyful, além de outros especialistas em comunicação e tecnologia, o Manual de Verificação (Verification Handbook), produzido pelo Centro Europeu de Jornalismo (EJC), foi divulgado no dia 1º de julho. A publicação oferece orientações claras e didáticas sobre como lidar com o conteúdo gerado pelos usuários nas redes sociais. O livro é uma ferramenta poderosa para validar, certificar e utilizar relatos, fotos e vídeos compartilhados pelas pessoas. É a primeira versão oficial em outro idioma. Ela é gratuita e está disponível para download em vários formatos e também pode ser lida online. Uma boa fonte de consulta para jornalistas e não jornalistas.

PDF – http://goo.gl/0XSC13
EPUB – http://goo.gl/BnTNNA
Kindle – http://goo.gl/5bAKzh
Web – http://verificationhandbook.com/book_br

Educação de Jovens e Adultos

A Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) publicou edital de seleção de bolsistas para atuarem no curso de aperfeiçoamento em Educação de Jovens e Adultos para a Juventude (EaD). Confira o editalO objetivo é formar educadores vinculados aos cursos de Educação de Jovens e Adultos (EJA), no que se refere à análise de questões relacionadas à juventude brasileira. A referência principal é o Programa ProJovem Urbano, coordenado pelo MEC.

Serão concedidas bolsas de estudo e pesquisa nas modalidades de coordenador-adjunto, supervisor de curso, formador, professor-pesquisador e tutor. O valor das bolsas varia de R$765,00 a R$1,4 mil. A carga exigida é de 30 horas semanais. Bolsistas já vinculados à Universidade Aberta do Brasil (UAB) não podem se candidatar.

Para se inscrever, é necessário ter concluído curso superior nas áreas de ciências humanas e sociais, e possuir experiência prévia de atuação em programas de EJA. Terão prioridade candidatos com comprovada experiência de atuação no Programa Projovem Urbano, coordenado pelo Ministério da Educação.

As inscrições devem ser feitas entre 10 e 18 de julho, pelo e-mailaperfeiçoamentoprojovem@gmail.com. A relação de documentos necessários está disponível no editalOutras informações pelo edital, ou pelo telefone (21) 2542-7504.

Consumo de notícias digitais

Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações Richard Sambrook [“Objectivity and impartiality in digital news coverage”, The Guardian, 12/6/14]

O Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo acaba de divulgar seu Relatório Digital 2014, que revela novas percepções sobre o consumo de notícias digitais – incluindo os grandes centros urbanos brasileiros. Com base numa pesquisa representativa realizada entre consumidores de notícias online em dez países (Reino Unido, EUA, Alemanha, França, Dinamarca, Finlândia, Espanha, Itália, Japão e Brasil), o relatório é parte de um ambicioso projeto para acompanhar a mudança no consumo do comportamento de notícias digitais ao longo da próxima década.

Uma das grandes revelações deste ano diz respeito à maneira como o brasileiro consome a notícia. O brasileiro dos centros urbanos ainda é altamente influenciado por marcas e prefere receber as notícias de indivíduos e emissoras que compartilhem de ponto de vista similar ao seu.

O Brasil se revelou, basicamente, a região pesquisada mais oposta à ideia de que um repórter deve apresentar uma gama de pontos de vista neutros e permitir que o consumidor decida o que pensar sobre eles. Isto sugere que o brasileiro ainda vai de encontro à diversidade de opiniões (elemento-chave na antiga abordagem de notícias, aquela que deveria ser mais imparcial).

A tabela abaixo, por exemplo, representa um universo de entrevistados do sexo masculino com idades entre 25 e 34 anos. Os entrevistados foram perguntados se preferem que a notícia seja apresentada de forma mais neutra – para que eles tirem as próprias conclusões, ou se preferem que haja comentários por parte dos apresentadores.

Obviamente, as diferenças culturais estão refletidas neste resultado, bem como influência de questões como instrução acadêmica e prosperidade econômica. Esta pesquisa, bem como suas edições anteriores, confirmaram que os países com maior quantidade de indivíduos escolarizados (principalmente com curso superior) e com rendimentos mais elevados tendem a preferir tomar as próprias decisões em vez de se deter aos pontos de vista oferecidos pelos jornalistas.

Curiosamente, o Brasil revelou uma questão importante no fator “confiança na notícia”: embora valorize questões como objetividade e imparcialidade, o brasileiro urbano ainda associa fortemente a confiança numa notícia à sua “marca”, ou seja, a credibilidade de uma reportagem depende também do veículo/indivíduo que a está transmitindo.

Difícil dizer, mas é possível que isso revele também a tendência a seguir aquele indivíduo que simplesmente espelhe suas convicções pessoais.

Veja a tabela abaixo (indivíduos do sexo masculino com idade superior a 55 anos):

Mas isso levanta uma pergunta importante: os espectadores que confiam em tais marcas que simplesmente seguem suas opiniões e preconceitos estarão necessariamente mais bem informados?

Questões que envolvem a confiança do espectador são um tanto complexas e carecem de análise mais detalhada, mas tais respostas podem ser um indicativo para compreender a dinâmica da confiança em um ambiente de notícias digitais, no qual fatores culturais, educacionais e econômicos sempre influenciarão nas escolhas dos consumidores. Isto muda a maneira como as notícias serão levadas ao espectador. Se você for britânico ou alemão, por exemplo, vai preferir abordagens de notícias mais tradicionais. Se for italiano ou brasileiro, vai preferir notícias mais subjetivas. Um diploma universitário e uma boa renda pedem notícias mais neutras, de modo que você possa interpretá-las livremente. Uma escolaridade menor pede por jornalistas interpretando a notícia para o espectador.

Para evitar manipulações, alguns analistas de mídia sugerem que a transparência seja o novo caminho para a objetividade. Em outras palavras: se uma organização de notícias ou jornalista forem abertos quanto a seus preconceitos ou opiniões pessoais, então o consumidor poderá confiar neles como consequência.

Richard Sambrook, professor de jornalismo e diretor do Centro de Estudos de Jornalismo da Universidade de Cardiff, enxerga que, embora o meio digital esteja modificando rapidamente a paisagem da veiculação das notícias, o público ainda parece mais ligado às normas tradicionais de notícias – equilibradas e imparciais – do que alguns poderiam supor. Ele diz que a questão daqui para frente é o quanto a crescente gama de serviços digitais vai consegui se estabelecer nesse meio, mantendo o impacto.

Magistério: retrato brasileiro


Com informações do Portal UOL Educação

“O professor no Brasil está sozinho. Ele não tem apoio para nada, se compararmos sua situação com a dos seus colegas na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ele não tem preparação adequada durante a faculdade [50% não tem didática para tudo o que ensina], não sabe lidar com os problemas práticos da sala de aula [40% diz não ter treinamento para a prática] e não tem apoio [nos países ricos, há aconselhamento profissional e psicológico para os alunos, por exemplo]”.

A afirmação acima é da pesquisadora brasileira Gabriela Moriconi, da Fundação Carlos Chagas, que faz parte do time responsável pela análise do Brasil na Talis, pesquisa da OCDE, divulgada na quarta-feira, dia 25 de junho, em Paris. O levantamento foi realizado em 34 países com o objetivo de radiografar a realidade dos professores.

Acesse aqui o resumo da pesquisa

Os resultados da pesquisa indicam que os professores brasileiros têm uma carga horária maior do que o de seus colegas: o docente trabalha cerca de 25 horas semanais contra a média de 19 horas. “Nos países da OCDE, o professor trabalha em uma única escola, em tempo integral e leciona, em média, 19 horas. Aqui no Brasil, a jornada quase dobra se pensarmos que os docentes trabalham 26 horas em mais de uma escola e em salas maiores”, diz Moriconi.

Além do número de horas, o professor brasileiro também enfrenta o desafio de salas com maior número de alunos e, mesmo assim, disponibiliza o mesmo tempo que os profissionais dos outros países costumam gastar com o planejamento da aula e correção de trabalhos e provas. O cenário fica ainda mais complicado ao se observar de que maneira é utilizado o tempo da aula: 20% é destinado a manter a disciplina e outros 12%, para realizar tarefas administrativas como fazer chamada. Aula mesmo fica com uma fatia de 67%.

“Mesmo que ele queira, será que o professor brasileiro consegue preparar uma aula em que os alunos tenham tantas oportunidades de aprender quanto dos seus colegas em países da OCDE? Ele tende a ter mais turmas, já dá seis horas a mais de aula em média, mas gasta o mesmo tempo com planejamento”, indaga e analisa Moriconi.

Segundo a pesquisadora, no Brasil, o professor é um ‘dador de aula’. “Em muitos outros países, esse profissional é responsável por ensinar ao aluno como deve ser eu comportamento escolar. Por isso, a carga horária de aulas é menor e parte do tempo é utilizado para que o professor desempenhe essa função. É o caso de países como Inglaterra e Canadá”, explica Moriconi.

No relatório, os especialistas da OCDE fazem a seguinte ponderação: se o mundo atual exige que a educação seja um processo contínuo, os professores precisam aderir a essa ideia. Aos governos cabe promover o acesso a essa formação contínua. Mas advertem os especialistas da OCDE: não basta oferecer treinamentos e cursos. Docentes reportam taxas mais altas de participação nos países em que também existem apoio financeiro e suporte não monetário.

O que é a Talis
Talis é a sigla para Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Teaching and Learning International Survey em inglês), coordenada pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). No Brasil, a coordenação da pesquisa fica por conta do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). A edição de 2013 é a segunda desde a criação do estudo, em 2008. Seu objetivo é levantar as condições de trabalho dos professores e o ambiente de aprendizagem nas escolas para amparar decisões de políticas públicas no setor. Participaram desta edição 34 países (24 países da OCDE e outros 10 países parceiros, como o Brasil). Cerca de 106 mil professores responderam à pesquisa. No Brasil, foram questionados 14.291 professores do Ensino Fundamental 2 e 1057 diretores de 1070 escolas.

Campanha carequinhas ganha cinco prêmios no Cannes Lions

A campanha publicitária Carequinhas, lançada pela agência Ogilvy e realizada para o Graacc – Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer, em 2013, que teve o objetivo de usar personagens de quadrinhos e desenhos animados para apoiar a luta contra o câncer infantil, ganhou cinco prêmios no Cannes Lions, maior premiação mundial de publicidade. Levou o Leão de Outro nas categorias PR Lions (Relações Públicas) e Outdoor, além dos Leões de Prata e Bronze na categoria Mídia e outro Leão de Bronze na categoria Promo&Activation.

Conheça o projeto 

Indiferença e desinformação

Por Marcus Tavares
Publicado originalmente no Jornal O DIA

Enquanto o Brasil para por conta da Copa do Mundo, o calendário das eleições de 2014 se aproxima. Quando você, leitor, se der conta, espero que não tenha nenhuma surpresa. O cenário político — seja no plano federal ou estadual — está bastante confuso, e os desdobramentos, acredite, imprevisíveis. Neste contexto, um dado chamou, recentemente, a atenção da imprensa: somente 25% dos jovens de 16 e 17 anos tiraram o título de eleitor e, portanto, poderão participar das eleições deste ano. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que revela que o percentual vem caindo historicamente.

Responda: o baixo número de adesão significa indiferença ou protesto (lembre-se de que o voto para esta faixa etária não é obrigatório)? Acho que deve ser uma mistura dos dois. Fruto de uma descrença geral e unânime na política e, principalmente, nos políticos brasileiros, que contamina, cada dia que passa, não só os adultos, mas também os próprios jovens.

Alienados? Não. Esqueça essa palavra. Isto, eles não são. Podem ser, sim, desinformados. Afinal, quem discute política com esta geração? Quem, de fato, dá espaço, tempo e voz e propõe um diálogo sobre o tema? Os partidos políticos falam com os jovens como potenciais eleitores, como de fato são. Pouco importa a formação histórico-social e política deles. A imprensa parte do princípio de que todos — incluindo os adolescentes — conhecem a cartilha da política, desde a organização partidária brasileira até a divisão dos poderes nos três níveis governamentais. Ledo engano. Não sabem. E isso é triste. Estamos negligenciando um direito dos cidadãos, dos jovens, conquistado na Constituição de 1988.

O resultado da equação é simples: se não há trocas, discussões, explicações e aprofundamentos, não há interesse. Isso é óbvio. E é, como se vê, mensurado. Por que então todo este espanto com o percentual de 25%? Talvez, a porcentagem esteja até alta demais para a pouca ou nula aproximação que se faz com os adolescentes. É isto o que os dados revelam: a indiferença que a sociedade, como um todo, tem para com os jovens. Seria política assunto de adulto?

Diante deste quadro, o que fazer? Instituições governamentais têm algum projeto? A mídia planeja ações? Os partidos políticos pensam em alguma atividade contundente? Nada, nada. Pois é, é a escola, talvez, o único espaço e cenário possível para uma aproximação. Se a escola do seu filho(a) tomar esta discussão para si, comemore e apoie. Se não, proponha.

Transmissão cidadã

Com informações da Gazeta Esportiva

Você sabia que desde a partida de estreia entre Brasil e Croácia, os estádios de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte têm transmissões de rádios desenvolvidas especialmente para torcedores portadores de deficiência visual? Feita por voluntários do torneio, a locução é diferente das rádios tradicionais, pois é mais descritiva.

A transmissão do jogo de abertura foi realizada por uma equipe de três pessoas, com os narradores Natália Caldeira e André Varanda e o produtor Gabriel Mayr, que explicam como funciona a descrição. “Damos todas as informações do estádio. Nas outras rádios, por exemplo, o grito de gol do narrador é mais longo. Aqui, nós informamos que foi gol e detalhamos a comemoração, dizendo que o Neymar marcou e foi comemorar com a torcida, enquanto o Hulk correu para ganhar um abraço do Felipão. Contamos sobre o que acontece nas arquibancadas e explicamos por que os torcedores estão vaiando”.

Os voluntários não são necessariamente profissionais de rádio, mas receberam um treinamento específico para a função, inclusive em partidas dos campeonatos locais. “Não é (um estilo) tão opinativo, mas sim descritivo. Depois, se quiser ir para uma rádio saber a opinião dos comentaristas, o torcedor vai ouvir. Nós podemos dizer até que o Neymar errou dez passes, mas não que está jogando mal”, declarou.

Produtor no jogo de São Paulo, Mayr será o narrador em partidas no Rio de Janeiro. No projeto, duas pessoas se revezam transmitindo o mesmo duelo. A ideia não é descrever apenas o que acontece no campo, mas também nas arquibancadas. Para propagar o serviço, que começou a ser utilizado em jogos de campeonatos europeus, a Fifa enviou mensagem para torcedores que adquiriram ingressos, avisando sobre a disponibilidade.

Com início dez minutos antes das partidas, as transmissões da rádio são feitas para os portadores de deficiência visual que estão nas arquibancadas, nas seguintes frequências: Belo Horizonte (103,3 FM), Brasília (98,3 FM), Rio de Janeiro (88,9 FM) e São Paulo (88,7 FM).

A iniciativa é uma parceria entre a Fifa, que comprou e irá doar os equipamentos e manterá a audiodescrição por mais um tempo no Brasil, o Centro de Acesso de Futebol na Europa (Cafe), instituição que idealizou o serviço e fez o treinamento dos 16 voluntários brasileiros envolvidos no projeto, e a ONG Urece Esporte e Cultura, situada no Rio de Janeiro, e que desenvolve trabalhos com deficientes visuais.