Cultura da Infância

Nos dias 23 e 24 de setembro, o Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (FIL), em sua 12ª edição, vai promover o I Fórum Nacional Cultura Infância, que tem o objetivo de refletir com diferentes atores e interessados da sociedade a promoção da infância. O evento também busca sistematizar o acúmulo das ações e diretrizes já desenvolvidas por diversos setores com vistas à revisão do Plano Nacional de Cultura e, principalmente, à formulação de uma política pública de Estado para a Cultura da Infância.

acesse a programação do Fórum

De acordo com a coordenadora-geral do Fórum, Karen Acioly, o Plano Nacional de Cultura, aprovado em dezembro de 2010, no âmbito do Ministério da Cultura, abriu um espaço – por meio da Meta 47 – para a elaboração de uma política pública voltada especificamente para a infância, ao mesmo tempo em que criou a oportunidade inédita de se conceber uma política de Estado que ultrapasse períodos governamentais e possa romper a descontinuidade que marca o processo histórico-político.

“Daí a ideia da realização deste Fórum que contará, inclusive, com a participação de integrantes de um Grupo de Trabalho que há algum tempo vem se reunindo e lutando pela criação de uma política de Estado que promova a infância em diversos aspectos, ou seja, a cultura da infância transversal e multidisciplinar”, explica Karen.

Para o Fórum, estão sendo oferecidas 120 vagas. As inscrições são gratuitas. A programação do evento contará com mesas redondas. Mas o público terá participação ativa. No ato da inscrição, é necessário que o interessado escolha um dos dois grupos que deseja fazer parte: Grupo I – Criança Prioridade Absoluta (onde os integrantes discutirão a importância da infância); e o Grupo II – Sistematização do Plano Nacional de Cultura (onde os participantes avaliarão o documento, seus pontos referentes à infância).

“Com base nas discussões dos dois grupos, queremos construir as bases e o documento da política pública de promoção da Cultura da Infância”, finaliza Karen.

faça sua inscrição aqui

Os selecionados

A coordenação da Mostra Geração, segmento infanto-juvenil do Festiva do Rio, que será realizado de 26 de setembro a 10 de outubro, divulgou a relação dos curtas selecionados. Há produções do Brasil (Bahia, Ceará, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe), Itália, Espanha e Argentina. Em breve, será anunciada a programação, com a data e horário das exibições. Depois da apresentação dos curtas (exibidos para faixas etárias diferentes), é promovido um bate-papo entre os realizadores jovens. O resultado sempre é positivo.

Releia a entrevista com as coordenadoras Beth Bullara e Felícia Krumholz 

Confira alguns dos curtas selecionados. Em seguida, a relação completa.

A QUASE MORTE DE ZÉ MALANDRO
Colégio Estadual Miguel Couto (Cabo Frio – RJ, Brasil)

APURINÃ
CIEP Poeta Cruz e Sousa/ Projeto Anima Escola – (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

ARCA DE NOÉ
CIEP Presidente Agostinho Neto – (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

BRINCADEIRA
Cine Guri / Savian Filmes (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

ED, O MOSQUITO
Viva Rio Socioambiental / Sec. Mun. De Educação de Itaboraí (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

FELIZ
Núcleo de Artes Grande Otelo / Projeto Anima Escola (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

O MENINO DE PAPEL
Escola Mun. Roraima (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

O QUE FAZER COM O LIXO???
Escola Mun. Orlando Villas Bôas (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

REGRAS DO JOGO
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

SHHH
Escola Técnica Cícero Dias (Recife – PE, Brasil)

SUDDEN
Escola Técnica Cícero Dias (Recife – PE, Brasil)

VERDADE OU CONSEQUÊNCIA
Escola Mun. Monteiro Lobato (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

VÔO
Escola Mun. Eunice Weaver (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)

Relação completa:

– A HISTÓRIA DA BRANCA DE NEVE – Escola Mun. Bombeiro Geraldo Dias (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– A MUDANÇA QUE VEM DE DENTRO – E. M. Bolívar / Cine Clube Bolívar (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– A PARTIDA DE FUTEBOL – Escola Municipal Professor Zélio Jotha (Cabo Frio – RJ, Brasil)
– A QUASE MORTE DE ZÉ MALANDRO – Colégio Estadual Miguel Couto (Cabo Frio – RJ, Brasil)
– A RUA – Núcleo de Arte Grécia (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– A SUJEIRA DA FEIRA – Creche Escola Studio da Criança – (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– AMIZADE COLORIDA – E.M. Cilencina Rubem de Oliveira Mello – (Paraty – RJ, Brasil)
– APURINÃ – CIEP Poeta Cruz e Sousa/ Projeto Anima Escola – (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– ARCA DE NOÉ – CIEP Presidente Agostinho Neto – (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– BOMBANDO GERAL – Escola Mun. Narcisa Amália (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– BRINCADEIRA – Cine Guri / Savian Filmes (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– CRISTALLINO – Instituto Scolastico Comprensivo Statale – (Ponte San Nicolò, Itália)
– E ONDE EU VENHO: UM OUTRO OLHAR SOBRE NÓS – Ginásio Carioca Orsina da Fonseca ( Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– DIMENSIÓN GOLOSINA – Escuela de Cine Infantil y Juvenil Taller de Cine El Mate (Buenos Aires, Argentina)
– DO JONGO AO SAMBA – Escola Mun. Gal. Humberto de Souza Mello (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– ED, O MOSQUITO – Viva Rio Socioambiental / Sec. Mun. De Educação de Itaboraí (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– EL HORNITO – Cinema en Curs / Cine en curso Córdoba / A Bao a Qu (Córdoba, Argentina)
– ENSAIO SOBRE A CHUVA – Instituto Benjamin Constant / UFRJ/ Lecav-Cinead (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– EXPERIMENTAÇÕES EM VÍDEO – CEAT (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– FELIZ – Núcleo de Artes Grande Otelo / Projeto Anima Escola (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– FINALS DE JUNY, PRINCIPIS DE SETEMBRE – Cinema en Curs / A Bao a Qu (Barcelona, Espanha)
– FLORES DO JARDIM – Escola Estadual Professora Júlia Teles (Aracaju – SE, Brasil)
– INDIANISMO – Colégio Mun. Ela Maria Santa Rosa Bernardo (Arraial do Cabo – RJ, Brasil)
– JULIANA – Cdei Amália Fernandez Conde/ Casarão Dos Prazeres (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– KANON – Escola Sesc de Ensino Médio ( Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– MÃOS EM AÇÃO – Centro de Pesquisa e Formação em Arte – Núcleo de arte Grande Otelo (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– NEM-NEM, TÔ FORA! – Escola Mun. Professor Edison Duarte (Cabo Frio – RJ, Brasil)
– NOIVA – Colégio Est. Dom Pedro II (Petrópolis – RJ, Brasil)
– O MENINO DE PAPEL – Escola Mun. Roraima (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– O QUE AS CRIANÇAS PENSAM SOBRE AS DROGAS – Núcleo de Arte Avenida dos Desfiles (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– O QUE FAZER COM O LIXO??? – Escola Mun. Orlando Villas Bôas (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– O REINO MÁGICO DOS CAVALOS – Escola Mun. José Alves de Macedo (Nova Friburgo – RJ, Brasil)
– PARQUE DOS HORRORES – Escola Oga Mitá (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– PONTOS TURÍSTICOS – Escola Mun. Comunidade de Vargem Grande (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– QUANDO EU CRESCER EU VOU FICAR CRIANÇA – Coletivo Cutucar (Salvador – BA, Brasil)
– QUARTO TEMPO – Além Mar Filmes / Educando o Olhar (Fortaleza – CE, Brasil)
– QUEM TEM MEDO DE MÁSCARAS? – Núcleo de Arte Grécia (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– QUERIDA SOLIDÃO – Escola Parque / A Solidex Produções (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– REGRA UNIFORME – Bem Tv Educação E Comunicação (Niterói – RJ, Brasil)
– REGRAS DO JOGO – Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– SHHH – Escola Técnica Cícero Dias (Recife – PE, Brasil)
– SIMPLES EVASÃO – Colégio Mun. Rui Barbosa (Cabo Frio – RJ, Brasil)
– SUDDEN – Escola Técnica Cícero Dias (Recife – PE, Brasil)
– TIROS DE CONFETES – Ideia Coletiva / Projeto Nosso Curta (Osasco – SP, Brasil)
– TODA A PAZ – Escola de Cinema CineZé (Nova Friburgo – RJ, Brasil)
– VARGEM ALTA NEWS – Colégio Estadual Dr. João Bazet (Nova Friburgo – RJ, Brasil)
– VERDADE OU CONSEQUÊNCIA – Escola Mun. Monteiro Lobato (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– VIDA DE MÃE – Escola Municipal Senador João Lyra Tavares (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– VILA PALMEIRAS – ASBRINC (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– VÔO – Escola Mun. Eunice Weaver (Rio de Janeiro – RJ, Brasil)
– YO ME ANIMO – Escuela de Cine Infantil y Juvenil Taller de Cine El Mate (Buenos Aires, Argentina)

A educação proibida

A revistapontocom indica esta semana o documentário A educação proibida. No filme, mais de 90 entrevistas com educadores, acadêmicos, autores e pais de alunos, envolvendo oito países da Ibero-América, passando por 45 experiências educativas não convencionais, são apresentados. Mais de 25 mil seguidores nas redes sociais antes de sua estreia e um total de 704 coprodutores converteram “A Educação Proibida” em um projeto totalmente independente e inédito que mostra a necessidade de implementação de estratégias inovadoras na educação.

Trata-se, portanto, de um documentário que se propõe a questionar as lógicas da escolarização moderna e a forma de entender a educação, mostrando diferentes experiências educativas, não convencionais que propõem a necessidade de um novo modelo educativo. O projeto surgiu do desejo de jovens realizadores que partiram da visão de quem aprende. Eles embarcaram numa pesquisa que cobre oito países realizando entrevistas com mais de 90 educadores de propostas educativas alternativas.

O filme foi financiado coletivamente graças a centenas de co-produtores e tem licenças livres que permitem e incentivam sua cópia e reprodução. O doc se propõe alimentar e lançar um debate de reflexão social sobre as bases que sustentam a escola, promovendo o desenvolvimento de uma educação integral centrada no amor, no respeito, na liberdade e na aprendizagem.”

Adorno e mídia

Por Francisco Fernandes Ladeira
Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora
Professor de Geografia em Barbacena
Publicado originalmente no Observatório da Imprensa

No ensaio denominado A indústria cultural – O Iluminismo como mistificação das massas, o filósofo alemão Theodor Adorno, membro da lendária Escola de Frankfurt, desenvolve uma interessante reflexão sobre a atuação dos meios de comunicação de massa. Para ele, o termo “cultura de massa” é inadequado para definir determinadas produções difundidas nos grandes veículos de comunicação, pois não se tratam de formas espontâneas da criatividade humana, mas apenas “produtos” para serem vendidos no mercado, “fabricados” exclusivamente para gerarem lucros para os empresários da mídia. Ademais, também é importante ressaltar que esses “produtos” não são realizações culturais da massa, mas “cultura para a massa”.

Feitas as devidas ressalvas, é importante fazermos um diálogo entre as ideias de Adorno e a degradação dos conteúdos das programações televisivas e radiofônicas no Brasil pós-ditadura militar. De acordo com Adorno, as produções da “indústria cultural”, introduzidas como mercadorias, condicionam atitudes passivas de seus consumidores e buscam a formação de “cidadãs conformistas”. Em outros termos, são poderosos mecanismos de dominação simbólica. Assim, enquanto no período ditatorial havia em nosso país uma censura direta às produções que questionavam o status quo, atualmente há uma “censura branca” nos grandes veículos da mídia contra determinadas obras que poderiam levar a população a uma maior reflexão. É fato que na atual conjuntura midiática brasileira imperam produções de questionável qualidade artística e intelectual.

Diante desse quadro, não é por acaso que, desde pelo menos a década de 1990, as paradas de sucesso predominantes nas emissoras de rádio e televisão são ditadas por “ciclos musicais”: “ciclo sertanejo”, “ciclo do pagode”, “ciclo do axé”, “ciclo do funk carioca”, “ciclo do sertanejo universitário”. Músicas descartáveis, feitas sob medida para alienar as massas. A receita é demasiadamente simples: a população é bombardeada incessantemente por um determinado “estilo” musical, grupos surgem por atacado, ouve-se um único tipo de música até a sua exaustão, e depois, quando todos estão saturados, parte-se para outro estilo musical (o anterior é peremptoriamente esquecido) e seguem-se as mesmas etapas desse processo.

Comportamento dócil

Para Adorno, distinções enfáticas, como músicas ou programas destinados a uma determinada classe social não são fundadas na realidade, mas são mecanismos para classificar e organizar os consumidores a fim de padronizá-los. Sendo assim, cada indivíduo deve se comportar “espontaneamente” segundo o seu nível e dirigir-se à categoria de massa que foi preparada para o seu tipo. Isso explica os motivos que fazem com que o sertanejo universitário e o funk ostentação (que ressaltam em suas letras o “carrão”, a roupa de grife e a balada da moda) sejam a trilha sonora dos membros da “nova classe média”, pois este é o estilo de vida que se espera desses indivíduos: muito consumo e pouca capacidade intelectual.

Ainda segundo Adorno, o efeito colateral da vertiginosa expansão dos meios de comunicação de massa é o nivelamento cultural por baixo. A maior parte da população do Brasil não tem boa instrução; assim surge um grave problema: os meios de comunicação de massa se expandiram em nosso país antes que a educação de qualidade se universalizasse nas classes menos abastadas. Por isso, os ídolos fabricados pela indústria cultural acabam sendo bem aceitas pela população em geral.

Lembrando o supracitado pensador alemão, o lazer não é mais simples diversão ou entretenimento. Há um imenso maquinismo denominado “indústria cultural” visando obter um comportamento dócil e uma multidão domesticada, através da exploração sistemática de bens culturais. Em suma, esta é a anódina realidade de um país onde as autoridades politicas nunca se preocuparam em fomentar um sistema educacional público de qualidade, as elites econômicas se limitam a mimetizar padrões de consumo das nações desenvolvidas e os indivíduos que ascendem socialmente não pretendem melhorar sua formação intelectual.

Fim da violência?

Por Marcus Tavares

Em três anos, dois Projetos de Lei, praticamente idênticos, foram apresentados na Câmara dos Deputados e seguem em tramitação. Ambos, de autoria de deputados do Sul do país, defendem uma nova redação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com o objetivo de estabelecer responsabilidades e deveres às crianças e adolescentes na condição de estudantes. Em linhas gerais, os projetos determinam que os alunos que desrespeitarem os professores e suas respectivas escolas estão sujeitos a suspensão das aulas. Em caso de falta grave e ou reincidência, as crianças e ou adolescentes serão encaminhados à autoridade judiciária.

Um dos projetos (PL 267/2011) é de autoria de Cida Borghetti (PP/PR). O outro (PL 7307/2014) é proposto por Rogério Peninha Mendonça (PMDB/SC). O primeiro está pronto para ser analisado pela Comissão de Educação, desde dezembro do ano passado. O segundo está em tramitação na Comissão de Seguridade Social e Família.

Segundo a deputada Cida Borghetti, “a indisciplina em sala de aula tornou-se algo rotineiro nas escolas brasileiras, e o número de casos de violência contra professores por parte de alunos aumenta assustadoramente. Trata-se de comportamento decrépito, inaceitável e insustentável, que deve ser prontamente erradicado da vida escolar com a adoção de medidas próprias”.

Ela destaca que o ECA estabelece inúmeros direitos e garantias para a criança e o adolescente, e as respectivas obrigações a serem cumpridas pelo Estado e pela sociedade. Todavia, afirma a deputada, inexistem dispositivos a disciplinar as obrigações dos estudantes em relação aos seus professores. “Em caso de descumprimento desse dever, estabelece como responsabilização a suspensão do aluno por prazo determinado e, em caso de reincidência à autoridade judiciária competente, para que as medidas necessárias sejam tomadas a fim de se resguardar estudantes e docentes”, frisa.

Já o deputado Rogério, em sua justificativa, destaca que “a violência por parte dos alunos é um problema enfrentado diariamente por milhares de professores das redes pública e privada de ensino, que são alvos de ameaças de alunos quase sempre devido ao baixo rendimento escolar. Alguns ficam no enfrentamento verbal, enquanto outros partem para agressão física ou danos a bens do professor”.

Rogério segue o mesmo raciocínio da deputada Cida. Ele afirma que o ECA estabelece uma série de obrigações do Estado, da família e das instituições de ensino com vistas a garantir o direito à educação das crianças e adolescentes, no entanto, a lei não prevê uma contrapartida desses estudantes no ambiente escolar.

“Nesse sentido, vimos propor esta alteração ao ECA para que as crianças e adolescentes passem a observar as regras de conduta estabelecidas pela escola, respeitando a integridade física e moral dos demais estudantes, professores e membros da comunidade escolar, bem como do patrimônio da instituição. Em caso de descumprimento dessas obrigações, poderá a escola suspender o aluno das atividades escolares, pelo prazo que julgar adequado, e, em casos de faltas graves, encaminhá-lo às autoridades judiciais competentes para as providências cabíveis”, finaliza o deputado.

Fala Jovem

Desigualdade, violência, paz, consumo e política. Com o objetivo de dar vez e voz às crianças e jovens, a revistapontocom inaugura mais um espaço neste sentido: o Fala Jovem. Neste espaço, vamos publicar textos escritos por crianças e jovens sobre diversos assuntos. A ideia é promover a ‘fala’ destes cidadãos e ao mesmo tempo possibilitar que os adultos conheçam e ouçam suas histórias, sentimentos, comentários, avaliações sobre temas do nosso cotidiano. O texto de hoje é da jovem Stephanie Orosz, de 14 anos. Em pauta: as eleições presidenciais: o que nos espera?

Para sempre Brasil

As nossas memórias não se esgotam,
o esgoto do Brasil, em compensação, fica a céu aberto,
esgotando os gritos de luta da população,
cansada dessa tristeza no Brasil, o país da corrupção.

As memórias marcadas nas veias da população,
são aquelas histórias de desacato infinito ao cidadão.
Tudo promessa para a eleição.

O que acontecera? quando o candidato virar presidente?
As promessas se cumprirão?
Eis a questão que deveria causar aflição, em cada brasileiro.

“A verdade é plena, mata a alma e envenena.”
Temos que gritar para ouvirem
que a necessidade da população é de saúde e educação.

É verdade, te digo, não é mentira, não.
Precisamos mesmo é de honestidade
daqueles que se candidataram
para haver a transformação.

Eu sei que há pessoas boas na política,
porém o povo luta e sofre todos os dias.
Um povo inteiro invisível, da capital à periferia,
que tem esperança na mudança do Brasil.

A transformação poderá ocorrer, no entanto,
se cada cidadão pensar duas vezes
no candidato que irá votar.

Nos resta a esperança
que fica marcada e lida
nos olhos de cada brasileiro.

Afinal, precisamos superar as dificuldades para nos erguermos
e causar a transformação de nossa realidade.
Será que, como nos contos de fadas, seremos felizes para sempre?

Há apenas a esperança,
porque se não estamos no País das Maravilhas,
muito menos estamos na Terra do Nunca.
Estaremos onde Judas bateu as botas?
Ou no país que, enfim, se reconfigurará para o futuro?

Anim!Arte 2014

Vem aí a  décima primeira edição do Anim!Arte – Festival Internacional de Animação Estudantil do Brasil. O evento tem o objetivo de incentivar a cultura e o crescimento profissional e artístico na área de animação no Brasil, estimulando principalmente o aumento de produções  audiovisuais em animação entre estudantes e profissionais. Os interessados em participar têm até o dia 30 de setembro para inscrever suas produções. O Anim!Arte 2014 será realizado em outubro, no Rio, no Instituto Moreira Salles.

confira o site do evento

Há oito categorias: Competitiva BR – universitários; Competitiva BR – Ensino Fundamental;  Competitiva BR – Ensino Médio; Competitiva BR – profissional filme ambiental; Competitiva – estudantes internacionais mini (-18);  Competitiva – estudantes internacionais maxi (+18); Competitiva Internacional – profissional filme ambiental; e  Competitiva Nacional e Internacional – profissional culturas do mundo.

As animações inscritas serão avaliadas por três tipos de júri:

A) Júri Profissional – composto por animadores, professores e outros profissionais de reconhecida competência no meio, nomeados pela coordenação do festival. Este júri profissional premiará as melhores animações das categorias: universitários, estudantes internacionais maxi (18 +), profissional filme ambiental e profissional culturas do mundo.

B) Júri Popular – composto pelos espectadores que estiverem presentes às exibições da mostra competitiva. O júri popular premiará as melhores animações de todas as categorias.

C) Júri Infantil – composto por crianças indicadas pela organização do festival. O júri infantil premiará as melhores animações das categorias: ensino fundamental, ensino médio e estudantes internacionais mini (-18).

Graduação em games

Agora é oficial. Estão abertas as inscrições para o processo seletivo do Curso Superior de Tecnologia em Jogos Digitais do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). São oferecidas 35 vagas para o segundo semestre letivo deste ano 2014. De acordo com o edital, os candidatos serão classificados com base nas notas das edições 2012 ou 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

clique aqui para fazer a inscrição

Para concorrer, é necessário que o candidato tenha concluído o Ensino Médio e alcançado, no mínimo, 400 pontos na média aritmética das notas das provas do Enem (Ciências humanas e suas tecnologias, Ciências da natureza e suas tecnologias, Matemática e suas tecnologias e Redação) e não ter obtido a nota zero em nenhuma delas.As inscrições são gratuitas e devem realizadas pela internet, até o dia 25 de setembro, por meio do preenchimento do Formulário de Inscrição e envio do boletim do Enem, com o número de inscrição e as notas obtidas em cada uma das provas. No momento da inscrição, o candidato deverá optar por concorrer nas modalidades de Ampla Concorrência ou de Ação Afirmativa, observando os requisitos para ter direito à reserva de vagas.

A relação nominal com a nota final dos candidatos (os pesos de cada nota das provas do Enem podem ser conferidos no edital do processo seletivo) será divulgada no dia 10 de outubro. Após a análise de recursos, será divulgada, no dia 20 de outubro, a classificação final do processo seletivo, com a indicação dos candidatos habilitados para matrícula e aqueles que comporão a Lista de Espera, para eventuais chamadas de reclassificação.

leia o edital divulgado pela coordenação do curso

Pinóquio: relembranças

Por Artur Melo, 10 anos
Estudante do 6º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

História de hoje: Relembranças de uma grande aventura

O que eu me lembro desta nobre e bonita aventura é que tudo começa em um tronco de madeira, um tronco qualquer, mas grande e bonito. Foi Gepeto, que era um pobre carpinteiro, que com tal madeira fez essa linda obra, que acabou tendo vida e deu origem a essa bela história.

Gepetpinoquiohomeo e Pinóquio acabaram virando pai e filho. Gepeto falava e falava com o filho, que ele precisava estudar para ter uma boa condição no futuro. Eles eram tão pobres! Entretanto, Pinóquio só queria brincar e se divertir. Odiava a escola, vivia matando aula junto aos seus amigos, que tinham o mesmo conceito de escola. Eles odiavam  a escola com todas as forças.

Até que um dia, de tanto odiarem, Pinóquio e seus amigos foram parar na Terra dos Meninos Burros, literalmente…

Meus queridos leitores, eu vou parando por aqui. Mas, não, não fiquem tristes. Voltarei depois com relembranças de uma grande aventura, episódio 2.

Enquanto isso vocês devem ir estudando e cuidando muito bem de suas orelhas…

Consumo consciente?

Será possível consumir sem alienar-se?

Por Gabriela Leite

Imagine-se entrando em um supermercado para comprar uma garrafa de cerveja. Chegando lá, além de escolher pelo preço ou pelo sabor, você também pode analisar. Rejeita a marca que desrespeita os direitos dos trabalhadores. Evita aquela que faz publicidade machista. Por fim, escolhe a que utiliza ingredientes orgânicos. Na prateleira de cosméticos, pula os que ainda fazem testes em animais. Assusta-se ao perceber que uma das marcas faz parte de multinacional de alimentos. Finalmente, escolhe o creme hidratante da empresa que usa energia renovável.

Essa é a ideia do aplicativo Buycott (um trocadilho de “buy” — comprar, em inglês — com “boycott” — boicote). Criado por Darcy Burner, uma ex-desenvolvedora norte-americana da Microsoft, o programa para celulares ligados à internet baseia-se numa ferramenta do próprio capitalismo: o código de barras… Estimula os usuários escaneá-los, com o próprio telefone. E, ao identificar cada produto, associa seu fabricante a um banco de dados que pode tornar-se cada vez mais completo. Oferece todas as informações disponíveis: desde se o produto utiliza químicos cancerígenos até se a empresa apoia o direito dos transexuais.

O software é participativo. As classificações dos produtos são chamadas de campanhas,e podem ser criadas por qualquer usuário, dentro de algumas categorias. Algumas delas: direitos dos animais, justiça econômica, meio ambiente, comida, direitos humanos, direitos das mulheres. O usuário escolhe participar das campanhas que quiser e, em seguida, pode passar a escolher um produto de acordo com seus princípios pessoais.

No Brasil, ainda é bastante difícil achar produtos que estejam em listas. Isso pode ser rapidamente alterado. Depende apenas de que usuários da internet comecem a registrar produtos e criar campanhas. Isso permitiria diversos tipos de boicote: contra empresas que financiam certos políticos; contra uma indústria que esteja na lista do trabalho escravo; ou alguma marca cujo presidente mostrou-se contra os direitos das mulheres, por exemplo. Para testar, escaneamos o código de barras de dois produtos. O primeiro foi uma câmera Canon. Sobre ela, o aplicativo avisou: “você apoia esta marca por responsabilidade ecológica”, e mostrou que a marca está na lista positiva de “Energia limpa e renovável”. Acessamos seu site e vimos que realmente há uma campanha de reciclagem de toners de suas impressoras, por exemplo.

Já no momento em que fotografamos o código de barras de um cosmético da L’Oreal, o Boycott advertiu: “evite este produto”. Em seguida, explica: a marca faz parte do conglomerado da Nestlé. Por isso, está na lista suja de uma campanha de boicote à multinacional. O movimento adverte que o presidente da empresa, Peter Brabeck-Latmathe, já afirmou que “o acesso à água não é um direito humano”, e sua a indústria rouba a água potável de uma pequena comunidade no Paquistão, deixando seus habitantes passarem sede.

A L’Oreal ainda pertence a outra campanha: a “Long live Palestine, boycott Israel” (“longa vida à Palestina, boicote Israel”). Esta é uma das de mais sucesso nas últimas semanas, como afirma a página de trends do aplicativo — já tem 230 mil seguidores. “A L’Oreal estabeleceu Israel como seu centro comercial no Oriente Médio e aumentou o investimento e atividades manufatureiras”, alerta. Se acreditar que deve haver um boicote econômico a Israel, após o massacre na faixa de Gaza das últimas semanas, o consumidor pode escolher não comprar a marca. Se fizesse isso sozinho, sua ação não seria nem levemente sentida pela marca de cosméticos. Mas, em rede, essa atitude tende a crescrer consideravelmente — e, talvez, pode chegar até a incomodar a gigante Nestlé.

Por séculos, o consumo tem sido uma das bases do processo de alienação capitalista. Ao comprar algo, legitimamos e fortalecemos relações sociais que ignoramos. É como se nossos valores éticos fossem irrelevantes ou impotentes, e devêssemos consumir levando em conta apenas fatores superficiais: preço, aparência, publicidade, suposta “qualidade” do produto. Agora, parece que a tecnologia pode ser utilizada para atitudes distintas. Haverá consciência social suficiente para que elas se disseminem?

Cinema e educação

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com as Secretarias Municipais da Cultura e da Educação de Porto Alegre, promove, entre os dias 17 e 18 de outubro, o 2º Seminário Internacional de Cinema e Educação: dentro e fora da lei. O evento integra as ações do Programa de Alfabetização Audiovisual, projeto financiado pelo Programa Mais Educação, do MEC, que objetiva a difusão do audiovisual na Rede Pública de Ensino de Porto Alegre. Esta edição do Seminário será pautada em reflexões sobre a lei 13.006/2014 que determina a obrigatoriedade da exibição de filmes nacionais nas escolas de Educação Básica como componente curricular complementar.

Mais informações no site do evento

No período entre 1 a 10 de setembro estarão abertas as inscrições para submissão de resumos para as sessões de trabalhos. A temática das sessões refere-se a trabalhos e experiências sobre a exibição de conteúdo audiovisual em ambientes educacionais, realizadas por professores, grupos de pesquisa, instituições ou estudantes da área. O Comitê Científico do Seminário selecionará os resumos, que devem ser submetidos através do e-mail alfabetizacaoaudiovisual@gmail.com. Os trabalhos apresentados serão publicados sob a forma de Anais em formato digital.

O interessado deverá se inscrever em um dos seguintes Grupos Temáticos:
GT I- O Conteúdo: programação específica; acesso ao material; direitos autorais.
GT II- O Educador: formação docente; contextualização das exibições.
GT III- O Estudante: a experiência do cinema; repertório, recepção e crítica.
GT IV- A Escola: estrutura física e equipamentos; obrigatoriedade das exibições no currículo escolar.

Crianças invisíveis

Por Marcus Tavares

Forte, denso e emocionante. Não há como ficar indiferente às cenas do filme “Crianças Invisíveis” – o filme que a revistapontocom recomenda para esta semana. Às vezes de forma poética, às vezes sem nenhum tipo de glamour, o longa retrata a dura realidade que vivem algumas crianças do mundo de hoje. Realidade que não está tão distante do nosso cotidiano e que nem é privilégio de um ou de outro país. Talvez seja exatamente isso o que mais sensibiliza e chama a atenção de quem assiste ao filme.

Produzida pela MK Film Productions, a obra reúne sete curtas produzidos em diferentes localidades: África, Sérvia-Montenegro, EUA, Brasil, Inglaterra, Itália e Japão. A idéia surgiu em 2002, quando a produtora italiana Chiara Tilesi decidiu montar um projeto que pudesse servir de instrumento para conscientizar as pessoas sobre o caótico cotidiano das crianças ao redor do mundo. A proposta ganhou o apoio do Unicef que, ao lado de patrocinadores da Itália – Rai Cinema e Italian Development Cooperation Ministry of Foreign Affairs -, financiaram a produção.

Os roteiros foram encomendados a sete renomados diretores que tiveram liberdade para criar suas histórias. No entanto, para que nenhum enredo se repetisse, os scripts foram analisados, debatidos e aprovados em conjunto com os produtores e os patrocinadores. Os diretores – Mehdi Charef, Emir Kusturica, Spike Lee, Katia Lund, Jordan Scott, Ridley Scott, Stefano Veneruso e John Woo – abriram mão de seus cachês.

As histórias são envolventes. Cada uma retrata uma realidade local, mas têm em comum a infância, os sonhos, as fantasias e os desejos das crianças, o que acaba tornando todas as narrativas universais. Assim é, por exemplo, a história da menina japonesa Little Mao. Abandonada pela mãe numa lata de lixo, ela é criada por um velho mendigo. Mas, com sua morte, ela passa a vender flores nas ruas de Tóquio em troca de comida e moradia. Ou então a história da menina norte-americana Blanca, que descobre que é portadora do vírus da AIDS, assim como seus pais. Blanca sofre todo o tipo de preconceito na escola e nas ruas.

O curta brasileiro chama-se Bilu & João. Dirigido por Katia Lund, o filme fala sobre o cotidiano de duas crianças que moram numa favela da Grande São Paulo. Para ajudar seus pais, elas catam latinhas. “Quando recebi a proposta de participar deste projeto fiquei pensando em que história iria contar. Não queria mais falar sobre o tráfico, sobre o dia-a-dia das crianças que se envolvem com as drogas. Optei pelas crianças que vivem em comunidades carentes, mas que não entram para o tráfico, que não se envolvem com as drogas – o que representa na verdade a grande maioria dos jovens, 99%”.

Neste sentido, o curta não mostra armas, nem desgraça. “Mostra o que o brasileiro ainda não perdeu: a esperança. Procuro retratar a realidade de duas crianças que querem apenas crescer, ter o seu espaço, querem ser alguém. Para isso, elas correm atrás, usando a criatividade e a imaginação que possuem. Mas ao mesmo tempo, procuro questionar se elas, de fato, vão conseguir alcançar seus objetivos? Será que elas terão espaço para crescer neste mundo de hoje? Será que elas vão crescer para o lado certo?”, indaga Katia, ao debater o filme com um grupo de professores que participam do projeto Oficina Cine-Escola, desenvolvido pelo Grupo Estação, no Rio de Janeiro. A última cena do curta mostra, no primeiro plano, a favela e atrás, os arranha-céus da cidade de São Paulo.

Saiba mais sobre os curtas

– Bilu & João, de Katia Lund, Brasil
Um dia na vida de Bilu e João, duas crianças empreendedoras que se esforçam para tocar a vida nas ruas de São Paulo. Seus tesouros são latas vazias, papelão, placas e pregos retirados do lixo, objetos que a sociedade já jogou fora. Deparando-se, simultaneamente, com a infância e a vida adulta, as crianças usam a imaginação para transformar a paisagem urbana em seu playground, as recusas em retribuição, e os obstáculos que enfrentam em sonhos para seguir adiante.

– Ciro, de Stefano Veneruso, Itália
Ciro é um garoto da periferia de Nápoles, na Itália. Ele mora em um conjunto habitacional de cimento armado, parte do projeto de construções erguidas pelo governo, após o terremoto de 1980. Lá, a classe mais baixa e em reclusão paga as contas de sua existência diária, da mesma forma que os que vivem nos luxuosos apartamentos decorados, em ruas famosas. Ao lado de seu amigo Bertucciello, ele assalta um motorista para tentar roubar-lhe o relógio. Ciro quebra uma das janelas do veículo com um martelo e o vidro estilhaçado voa por todo lado. Em seguida os dois garotos saem em disparada, seguindo direções diferentes, rumo ao imprevisível.

– Jonathan, de Jordam Scott e Ridley Scott, Inglaterra
Jonathan é uma história sobre um fotógrafo jornalista, um homem introspectivo, cujas missões o deixaram desiludido da vida e completamente perturbado. Ele sonha com a liberdade daquilo que já viu e é obcecado pela felicidade, a todo custo. Isto é algo que ele tanto quer, que, ao decidir fugir, ele regressa fisicamente à melhor época de sua vida, e embarca numa aventura, redescobrindo a essência dos tempos de infância. As crianças que ele conhece nessa trajetória, o inspiram e desafiam a abraçar novamente a sua própria vida.

– Marjan, de Emir Kusturica, Sérvia-Montenegro
Marjan, um garoto cigano de quinze anos. Já passou bastante tempo preso em um centro de detenção. A hora de sua libertação se aproxima e, conflitante, ele observa tudo com sentimentos confusos e misturados. Seu pai o obrigava a roubar, desde bem pequenino. Durante a cerimônia habitual de liberação dos internos, após a sua família lhe dar presentes, seu pai, sem ter o dinheiro para a passagem de trem de volta para casa, arma um de seus golpes familiares costumeiros, obviamente, envolvendo Marjan.

– Tanza, de Mehdi Charef, África
Fortemente armado, um grupo de sete jovens guerrilheiros de Ruanda vai ganhando terreno, em direção ao território do inimigo. O líder do grupo é o mais velho de todos, com vinte e um anos de idade. Os outros têm entre doze e dezesseis anos. Tanza, nosso herói, tem apenas doze. Conforme o grupo avança em sua missão rumo ao vilarejo inimigo, nossos jovens soldados se deparam com uma patrulha do exército, quando tem início um tiroteio. Kali, de treze anos, e melhor amigo de Tanza, é morto. Exaustos e quase sem forças, os garotos finalmente alcançam o destino de sua jornada. O líder prepara o cronômetro das duas bombas que foram secretamente trazidas até a aldeia, no local em que deverão ser detonadas. Depois entrega uma delas a Tanza. No meio da noite, o jovem segue até o alvo determinado, sem ter a menor idéia de que o prédio que ele deve explodir é, na realidade, uma escola, onde outras crianças iguais a ele deverão estar.

– Jesus Children of America, de Spike Lee, EUA
Blanca é uma adolescente do Brooklyn e sua rotina diária deveria ser a de ir para o colégio e se divertir com as amigas, não fossem suas visitas constantes à enfermaria, e a pobreza absoluta de seus pais. Após um incidente na escola ela finalmente descobre que é HIV soro-positiva, além de filha de pais viciados em drogas.

– Song Song & Little Mao, de John Woo, China
Little Mao é órfã. Ela é criada numa cabana por um velho mendigo. Eles procuram economizar cada moeda para que ela possa freqüentar a escola. Já Song-Song tem uma vida abastada, mas a situação de sua família acaba gerando angústia na menina. Os caminhos das duas se cruzam quando uma boneca que Song-Song jogou fora passa a ser a companhia mais valiosa de Mao.

Kuddle… para crianças

Por Inês Garcia
Do Público PT

Um grupo de noruegueses criou uma aplicação de partilha de fotos destinada a crianças mas com controlo parental. Chama-se Kuddle, quer prevenir o bullying e introduzir os mais pequenos no mundo das redes sociais de uma forma calma.

Nos dias que correm, jovens e adultos, desconhecidos e famosos, têm uma conta de Instagram – a aplicação de partilha de fotos e vídeos tornou-se uma das mais populares nos últimos anos e há de tudo um pouco, desde conteúdos adequados aos mais impróprios, principalmente para os mais novos.

A nova rede social Kuddle funciona da mesma maneira que o Instagram, mas tem um elevado nível de segurança e foi desenhada para ensinar a “etiqueta da Internet”, isto é, o modo correcto de navegar.

As crianças podem partilhar fotos, legendá-las, fazer desenhos e dar asas à imaginação. Mas não existem comentários nem são permitidos hashtags para não haver hipótese de ofensas (cyberbullying), não há localização geográfica e os ‘gostos’ nas fotos dos amigos são feitos de forma anónima para evitar competições e concursos de popularidade.

Sempre que se partilha uma fotografia, a aplicação faz ainda perguntas como “concordas que o bullying online é tão mau como na vida real?”. O objectivo é deixar as crianças a pensar sobre o comportamento adequado a ter em fóruns online. A aplicação tem até uma mascote: um urso chamado Kodi Kuddle, o primeiro amigo de quem se regista pela primeira vez na app.

É recomendada para crianças com menos de 13 anos mas para se conseguirem inscrever é obrigatório ceder o e-mail de alguém maior de 18, que ficará responsável por activar a conta e controlar tudo o que a criança quiser publicar. Este tutor conseguirá também adicionar ou eliminar amigos.

Na página de Facebook, os criadores têm respondido aos comentários de pais e outros curiosos acerca da aplicação e agradecem o interesse de todos. “A imprensa tem escrito sobre a nossa app sem esquecer o foco anti-bullying, isso é importante”, dizem.

A Kuddle está disponível para iOS e Android, gratuitamente, em nove línguas (português ainda não é uma delas).

Mapa do Ensino Audiovisual

Por Marcus Tavares
Artigo publicado no Jornal O DIA, dia 23/08/2014

Foi divulgado, no dia 22 de agosto, durante a realização do 6º Festival CineMundo, o Mapa do Ensino do Audiovisual no Estado do Rio de Janeiro. O estudo revela que há, no Estado do Rio, 18 instituições que oferecem, em média, 20 cursos regulares e gratuitos na área do audiovisual para os jovens que ainda não ingressaram no Ensino Superior.

São diferentes cursos que contemplam desde a área de programação de games, de produção de cinema e TV, à utilização, por exemplo, de softwares de edição. São ONGs, OSCIPs, instituições particulares e públicas. Quatro estão ligadas ao governo do Estado do Rio de Janeiro. São elas: Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch, Colégio Estadual José Leite Lopes – Nave (em parceria também com o Instituto Oi Futuro), Colégio Estadual Dom Pedro II e o Centro de Vocação Tecnológica de Barra do Piraí.

Dos 20 cursos, 14 estão localizados no Município do Rio. Os demais em Niterói, Petrópolis, Nova Iguaçu e Barra do Piraí. O levantamento revela que, juntos, tais módulos formam, em média, por ano, cerca de 1.050 estudantes, em diferentes tipos de cursos – de livres aos técnicos de três anos, em paralelo ao Ensino Médio. A maior parte das instituições conta com professores especialistas e mestres – 90% deles atuando no mercado de trabalho. Cerca de 75% dos coordenadores considera boa a infraestrutura de seus respectivos cursos.

A ideia do evento foi reunir as instituições para iniciar um diálogo mais direto e objetivo entre elas, com a meta de tentar encontrar soluções para os desafios do cotidiano e estabelecer uma rede de trocas e conexões de diferentes realidades, estudantes e projetos. Trata-se de uma ação pertinente e mais do que isso: preciosa. Afinal, o Estado do Rio tem, sem dúvida alguma, uma vocação no setor do audiovisual, que merece e necessita cada vez mais de parcerias.

O fortalecimento deste grupo é importante ainda mais no que tange à aproximação destas escolas e seus jovens do mercado de trabalho, que, muitas vezes, desconhece tais instituições e a potencialidade dos estudantes. O levantamento aponta que os jovens que são absorvidos pelo mercado se sobressaem e alcançam boas colocações. A realização do VI Festival CineMundo e a iniciativa da promoção do encontro das escolas foram da OSCIP Cinema Nosso.

Jornal da Galera

O jornal brasileiro Gazeta do Povo,  do Estado do Paraná, lançou no dia 18 de agosto, em seu canal de TV online, o Jornal da Galera. Segundo a publicação, o programa “é uma forma diferente de contar os principais destaques do jornal Gazeta do Povo usando uma linguagem que facilite o entendimento das crianças”. O programa é exibido de segunda a sexta, às 9h10.

Assista ao vídeo

Na avaliação da professora e jornalista, Juliana Doretto, o que poderia ser uma boa e inovadora ideia tornou-se num caldeirão de lugares-comuns sobre a infância. Em seu blog ‘O Jornalzinho’, Doretto analisa o programa: “com tom professoral, uma jornalista senta-se atrás de uma bancada, com cenário colorido ao fundo, e comenta notícias da edição do dia do jornal, acompanhada todo o tempo de uma música instrumental que lembra as que tocam em brinquedos para crianças menores. Enquanto fala, a apresentadora levanta as páginas do diário, e a câmera fica estática, num plano médio, que mostra a jornalista e a bancada. Ou seja, não há close no jornal, nem uma imagem de cobertura, com um infográfico ou um detalhe da página impressa”.

Segundo Doretto, que faz doutorado em Ciências da Comunicação, na Universidade Nova Lisboa, para além das deficiências de formato e gráficas, a fala da apresentadora lembra a de uma professora que explica aos alunos o que eles vão encontrar no jornal — como se eles nunca tivessem folheado um jornal na vida.

“E a apresentadora faz comentários gerais sobre as notícias, que não vão nada além do que elas viram quando assistiram ao telejornal com os pais. Para fechar, segue uma série de “ordens” e sugestões para as crianças: ‘pergunta [pro pai e pra mãe]; ‘sempre que você perder um jogo do seu time favorito, você pode ler a ‘Gazeta Esportiva’’; ‘você vai descobrir que o mundo dos esportes é muito bacana’… — como se a criança fosse um tábua rasa, sempre ansiando por conselhos do que e de como fazer”.

Conheça o Blog O Jornalzinho

A arte de vender livros

Por Alexandra Alter
Reproduzido da Folha de S.Paulo/The New York Times
Publicado pelo Observatório da Imprensa

Criador de capas chamativas para obras de gigantes literários já mortos, como Kafka, Dostoiévski, Tolstoi e Joyce, Mendelsund não gosta de trabalhar com escritores cheios de exigências, que fazem questão de uma fonte, uma cor, uma imagem ou um tema visual específicos. “O produto final fica horrível”, explicou.

Mas, no ano passado, ele, que é diretor associado de arte da editora Alfred A. Knopf, virou seu próprio pior pesadelo. Criar uma capa para seu próprio livro, “What We See When We Read” [o que vemos quando lemos], foi penoso, contou. Sua primeira tentativa foi minimalista, própria para provocar o repúdio dos leitores: uma capa preta simples com texto em letras pequenas e brancas. “Foi como quando um ator fica com medo de se apresentar sobre o palco: fiquei paralisado”, contou.

O medo de se expor publicamente não é um problema crônico de Mendelsund, 46 anos, “pianista clássico em recuperação” e desenhista gráfico autodidata. O mais frequente é ele sofrer de um excesso de ideias, sendo visto como como um dos maiores criadores de capas de livros em atividade hoje. E agora ele está fazendo sua estreia como escritor, com dois livros saindo.

Em “What We See When We Read”, Mendelsund trata do modo misterioso pelo qual o texto produz imagens mentais vívidas, mesmo quando o autor fornece poucos detalhes.

A maioria dos leitores sente que consegue descrever Anna Kariênina perfeitamente, apesar de Tolstoi nos dar poucos elementos além de olhos cinzentos, cílios espessos e cabelos castanhos cacheados. Mendelsund argumenta que ler é cocriar e que nossas impressões de personagens e lugares devem tanto a nossas próprias memórias e experiências quanto aos poderes descritivos dos autores.

O outro livro de Mendelsund é “Cover” [Capa], uma obra ilustrada contendo mais de 300 de suas sobrecapas mais marcantes e esboços rejeitados. “A maioria dos designers procura uma imagem central para sintetizar um livro, mas Peter não procura uma imagem -ele busca uma ideia”, disse James Gleick, autor dos livros de não ficção “Caos” e “The Information”.

Para a edição em capa dura do último, Mendelsund repetiu o título cerca de 60 vezes, de modo que parece um fluxo de código.

Preta e simples

Para idealizar uma capa, Mendelsund começa por fazer anotações sobre um manuscrito e sublinhar orações chaves. Ele pendura as páginas marcadas sobre seu computador.

Então cataloga suas ideias numa folha de papel coberta por 16 retângulos, em cada um dos quais coloca uma palavra, uma frase ou uma imagem minúscula. Em seguida, escolhe o conceito mais promissor e cria um esboço.

Depois de ter o rascunho pronto, ele frequentemente passa a ilustrar à mão. Finalmente, imprime um boneco da capa, a coloca sobre um livro de capa dura e a deixa em sua estante de livros por alguns dias. Se seu olhar é atraído espontaneamente para o livro alguns dias depois, ele conclui que optou pelo rumo certo.

Com frequência, ele repete esse processo dezenas de vezes. Para criar a capa de “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, de Stieg Larsson, teve que fazer quase 70 tentativas.

Mas nenhuma capa foi mais difícil que a de seu próprio livro “What We See When We Read”, já que a tese central é que os leitores às vezes inventam imagens que o texto não substancia. “A ideia toda [da capa] é não mostrar alguma coisa”, explicou.

Finalmente ele encontrou uma solução. “Ainda é muito minimalista, mas é uma maneira de mostrar a sensação de ser incapaz de ver alguma coisa.” Numa capa preta simples, Mendelsund colocou uma fechadura dourada pequena e reflexiva.

Jovens e audiovisual

Do dia 16 a 23 de agosto, estudantes da área do audiovisual têm uma boa oportunidade de se qualificar. Estará em cartaz, no Rio de Janeiro, o VI Festival Cinemundo, que vai oferecer uma série de oficinas e palestras, bem como a apresentação de uma mostra competitiva de curtas e games.  Boa parte da programação vai acontecer na Caixa Cultural, no Centro da Cidade.

Produzidas pelo Cinema Nosso, as palestras fazem parte do seminário internacional: formação, público e mercado audiovisual, que busca promover o diálogo entre várias vertentes do campo audiovisual, projetando o tema da formação, através do intercâmbio de estudos, projetos, linguagens. Produzindo, assim, o diálogo entre estudantes, produtores, professores, profissionais de mercado.

As mostras de curtas e games são uma vitrine para novos realizadores, permitindo reconhecimento social e possibilitando a criação de novos horizontes de informação, cultura e pensamento. Serão três dias de exibição, com a apresentação de curtas e games que serão avaliados por meio de júri popular, bem como uma Mostra de longas de novos diretores.

Já as oficinas visam contribuir para a formação e mercado de trabalho. São cinco módulos, gratuitos, que têm o objetivo de ampliar o conhecimento dos jovens, por meio da produção audiovisual, de games, e do empreendedorismo.

As inscrições podem ser feitas através do site: www.cinemundo.org

Para mais informações no telefone (21) 2505-3300.

 

Intercâmbio de Linguagens

Vem aí a 12ª edição do Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (FIL). O evento já está marcado. Será realizado entre os dias 19 e 28 de setembro, no Rio, em diferentes locais. A ideia é reunir diferentes artistas e linguagens de vários cantos do mundo com o objetivo de instigar, encantar e provocar. “Do bebê ao idoso”, completa a coordenadora e idealizadora do festival Karen Acioly, autora, atriz e diretora.

Segundo Acioly, o encontro tem como foco principal apresentar de forma afetiva e acolhedora, um cardápio variado de curiosidades e encantamentos artísticos – e até de maravilhas que ainda não têm nome, os “entre-mundos” do FIL.

Confira a programação:
Criações Fil
Espetáculos internacionais
Espetáculos nacionais
Fil Escolas
Fil Parque
Fil Sétima arte
Brincar de Fil

Confira aqui os locais de apresentação, ingressos e horário

Ao longo das últimas edições, o Fil trouxe mais de 280 criações/experiências. Uma programação com ênfase na pesquisa e na mistura de linguagens, das mais diversas culturas. Para Karen, um dos grandes diferenciais do evento, desde seu início, é o estímulo à residências artísticas nacionais e internacionais de criação e coprodução. Por isso em 2014, o Fil arrisca mais uma vez ao juntar artistas de diferentes partes do mundo em suas criações. Alguns exemplos: Experiência Yellow, Obstinados! (Brasil/França), 100% Família (Brasil/Espanha), Vi Tudo (França/Brasil).

Em paralelo aos espetáculos, o Fil vai promover eventos pontuais e voltados para profissionais/especialistas.
I Fórum Nacional Cultura Infância
Jornada de Literatura Infantil e Juvenil
Lançamento do II Catálogo Livre Cultura Infância
Oficina Vi Tudo

Mídia e deficiência

Por Lucio Carvalho
Coordenador-geral da Inclusive – Inclusão e Cidadania (www.inclusive.org.br)
Autor de Morphopolis (
www.morphopolis.wordpress.com).

Entre os dias 13 e 15 de agosto, dentro da programação do VI Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência, que ocorrerá em São Paulo, acontecerá uma série de mesas redondas destinadas a debater assuntos relacionados aos disability studies, ou estudos sobre a deficiência. A última delas, na tarde do dia 15, abordará os temas comunicação e deficiência. Ao lado de Jairo Marques, jornalista que atua na Folha de São Paulo e de Lara Pozzobon, produtora do Festival Assim Vivemos e diretora da Lavoro Produções Artísticas, debateremos como esses dois assuntos relacionam-se entre si e também com outros assuntos, em suas diferenças e peculiaridades. Não são, infelizmente, tão comuns as iniciativas de debater as relações entre comunicação social e o tema deficiência e, por isso mesmo, há uma gama bastante grande de temas a abordar.

Desde que, em 2003, a ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância e a Fundação Banco do Brasil trabalharam em uma pesquisa quantiqualitativa  sobre a emergência das temáticas da deficiência nos meios de comunicação, provavelmente nenhum trabalho tão abrangente e sistematizado foi realizado nesse sentido. Isso não significa que trabalhos pontuais, entre institucionais e acadêmicos, não tenham sido realizados no período, embora o âmbito predominante dos estudos sobre deficiência venha se configurando mais em outros campos do conhecimento, especialmente nas ciências da saúde e ciências sociais. O que se verifica, em decorrência disso, é a existência de lacunas consideráveis a respeito do conhecimento que se dispõe sobre a relação entre as duas temáticas.

Seria improdutivo procurar recuperar todo o apanhado e os achados daquela pesquisa sem que se pudesse atualizá-los efetivamente para, a partir daí, cotejá-los, embora esta seja uma demanda interessante a muitos atores sociais, como governos, movimentos sociais, associativos, etc. Por outro lado, os dados que procuramos levantar são bem menos específicos e realizados em uma metodologia diversa, tendo em vista a disponibilidade presente de novos recursos de tratamento e recuperação de informações, especialmente daquelas publicadas em meio digital no ambiente internet. Já do ponto de vista conceitual, as diferenças são menores, a não ser aqueles conceitos e realidades sociais que, no espaço de uma década, foram substancialmente modificados, como conceitos educacionais, dispositivos legais e outros.

Dessa forma, antes de partir a uma pormenorização maior, é preciso comentar que os dados obtidos tem caráter predominantemente quantitativo. Ainda que sua expressão permita algumas especulações de natureza qualitativa, isso apenas ocorre pela sua natureza de macroindicadores. Trata-se, portanto, não de um ponto de chegada de uma pesquisa extensiva, como a realizada pela ANDI em 2013, mas de um corte específico em uma realidade específica, talvez ponto de partida para análises e estudos mais detalhados e cuidadosos.

De um modo bastante geral, a relação entre meios de comunicação e as temáticas relacionadas à deficiência poderiam ser analisadas sob diversos critérios como, por exemplo, a forma, o conteúdo, abordagens, predominâncias conceituais e outros. No caso dos dados que queremos apresentar, nos fixaremos basicamente no tipo de ocorrência temática nos meios de comunicação e seus números no espaço preciso de tempo correspondente a um ano, considerando as informações disponíveis e indexadas pelas ferramentas de busca disponíveis atualmente e exclusivamente em informações da espécie “notícia” e “reportagem” e desconsiderando, para todos os efeitos, aquelas informações e conteúdos cujos proprietários reservam-se ao direito de organizar e disponibilizar por meios próprios.

Os dados exibidos no gráfico a seguir mostram exclusivamente a predominância temática de conteúdo jornalístico em relação aos temas transversais à questão da deficiência obtidos no período de tempo correspondente a junho de 2013 e junho de 2014, ou seja, são números absolutos de ocorrência obtidos em séries de recombinação pesquisados através do mecanismo Google News ©.

temas_transversais

Além dos dados, obtivemos outros por cruzamentos que serão apresentados durante a mesa redonda, mas que necessitam ainda de alguma depuração, apesar de representarem algumas situações de forma bem clara, principalmente no que diz respeito ao conhecimento acerca da legislação interessante ao tema, educação e outros.

Em muitas análises jornalísticas e estudos acadêmicos sobre a relação entre os assuntos deficiência e comunicação social, é bastante presente a concepção de que o tema e subtemas são veiculados especialmente em datas comemorativas ou em função de outras variáveis menos conhecidas. Isso não explica, por exemplo, como o maior avanço legal obtido pelo movimento social das pessoas com deficiência, a aprovação com efeito constitucional da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, continue subalternizado em relevância e ocorrências a temas secundários. Caso compare-se os dados com outros temas – como saúde e educação, por exemplo – as diferenças fazem-se gritantes.

O que desejamos pensar a respeito disso sempre será menos importante que a realidade presente. Se os meios de comunicação produzem a informação ou, mais simplesmente, repercutem-na, isso ocorre a partir de uma determinada realidade social. O que os dados obtidos talvez nos indiquem seja onde a sociedade e o Estado poderiam atuar mais para concretizar um ambiente acessível e inclusivo. Mesmo que o tema venha continuar a ser, de certo modo, objeto de interesse mais ou menos restrito a instituições e agentes sociais envolvidos diretamente com as pessoas com deficiência, é preciso considerar que há mudanças em curso que são tanto resultado de políticas públicas governamentais como da ação social e civil propriamente ditas. Caso o conteúdo dos meios de comunicação sejam pensados como reflexo dos movimentos que acontecem internamente à sociedade então a própria deve ser capaz de provocá-los a ponto de refletir uma democracia e um estado de direito para todos, o que parece ser o desejo central de todos agentes sociais interessados às temáticas da deficiência.

Um capítulo a parte mereceriam as formas, terminologias, conceitos e preconceitos ainda elaborados e redigidos pelo jornalismo a respeito das situações de deficiência. Esse tipo de análise, contudo, já é bem mais presente graças ao envolvimento de entidades de defesa de direitos e do interesse do campo jurídico e de ciências sociais. Mas, diferente do aqui cogitado, esse é um tema que trata do “como” ao invés do “quando” e do “quanto”, não que tenha menor relevância, já que dá conta do imaginário, das narrativas e da representação real e simbólica das pessoas. Um capítulo a parte que merece ser tratado com mais cuidado que o disponível neste momento e que faz fronteira aos limites da linguagem e de como dispomos dela para considerarmos uns aos outros.

Boato ou fato? Informe-se

Foi publicada, no dia 4/04/2014, no Diário Oficial da União, a Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que considera abusiva a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço. Desde então, uma série de interpretações vem sendo feita por entidades e categorias a respeito. Há algumas semanas, membros da Rede Brasileira Infância e Consumo, Rebrinc, lançaram nas redes sociais uma campanha para esclarecer a sociedade sobre o que é boato e o que é, de fato, verdade.

A revistapontocom apoia o movimento e compartilha, abaixo, a campanha.

Confira:

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