Adultização da infância

Por Marcus Tavares

Talvez, você não se dê conta, mas, com certeza, já viu várias propagandas, dos mais variados produtos, que utilizam crianças nos papéis de adultos. Publicidades bem feitas, às vezes, engraçadas e que acabam mexendo com o emocional. Pois bem, esse é o objetivo. Porém, você já parou para pensar no efeito que isso tem na infância? O que essas imagens acabam impactando no universo, na formação das crianças? Essas práticas acabam contribuindo, de certa forma, para a adultização de meninos e meninas, para o que diversas pesquisas destacam como o encurtamento da infância.

Intrigada com o tema, a professora assistente da Universidade do Estado da Bahia, Cristhiane Ferreguett, resolveu pesquisar mais sobre o assunto. Descobriu que as crianças desenvolveram certo grau de ceticismo com relação à publicidade, boa parte sabe que tudo é imaginário, não real. Mas por outro lado identificou que “o discurso publicitário passou a se camuflar e a se inserir em diversos gêneros do discurso, especialmente nas reportagens das revistas infantis”.

Relações dialógicas em revista infantil: o processo de adultização de meninas foi o título da tese de doutorado da professora, defendida em agosto deste ano, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Em entrevista à revistapontocom, Cristhiane traz mais dados do estudo e avalia o contexto da adultização nos dias de hoje.

(a montagem da foto acima é de Léo Nogueira Pagonawta)

Acompanhe:

revistapontocom – A sua tese tem o objetivo de discutir a questão da adultização das crianças, correto?
Cristhiane Ferreguett Sim. O título da minha tese é Relações dialógicas em revista infantil: o processo de adultização de meninas; um trabalho de doutorado em letras defendido, em agosto deste ano, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Trata-se de um estudo sobre o discurso midiático dirigido às crianças, em especial às meninas, na faixa etária dos 6 aos 11 anos de idade. Tomei conhecimento de pesquisas que constataram que a criança desenvolveu certo grau de ceticismo em relação à publicidade. A criança sabe que o intuito da propaganda é vender e que para isso ela apresenta um discurso persuasivo que, na maioria das vezes, não corresponde à realidade. Para vencer esta resistência, o discurso publicitário passou a se camuflar e a se inserir em diversos gêneros do discurso, especialmente nas reportagens das revistas infantis. Inserido em reportagens, o discurso publicitário passa a ser mais aceito pela criança. Portanto, na minha tese, analisei como o discurso publicitário se engendra na tessitura discursiva de reportagens de uma revista infantil da Editora Abril, a Revista Recreio Girls, e que efeitos de sentidos produz no que se refere à adultização precoce da menina.

revistapontocom – E o que você observou?
Cristhiane Ferreguett – Após analisar detalhadamente três reportagens de diferentes exemplares, constatei que as reportagens apresentam diversas características do discurso publicitário, como apresentação de marcas e preços de produtos. A adultização precoce da menina é construída discursivamente e pode ser observada pelos modelos adultos apresentados como referência de como a menina deve se vestir, maquiar, pentear e do modo como ela deve agir e ser, a fim de promover e incentivar o consumo de produtos normalmente desnecessários para uma criança.

revistapontocom – E a adultização da infância se constitui num problema, certo?
Cristhiane Ferreguett – Sim. A inserção precoce da criança no mundo do adulto encurta sua infância. Existem estudos que comprovam um encurtamento da infância no plano fisiológico, as meninas estão entrando mais cedo no período da puberdade. Na contramão da queda da fertilidade entre as mulheres adultas, aumenta o número de gravidez na adolescência.

revistapontocom – O fato é que essa adultização, muitas vezes, é compreendida como ‘algo normal’.
Cristhiane Ferreguett
– Adultizar uma criança significa inseri-la precocemente no mundo adulto. Isso pode acontecer de diversas formas. Por exemplo, no inicio do processo de industrialização do nosso país a criança era inserida no trabalho das fábricas e era exigido delas a produtividade e a responsabilidade de um adulto. Hoje o trabalho infantil não é mais aceito. A adultização está acontecendo de outras formas, através do incentivo de comportamento e aquisição de produtos desnecessários a criança.  Já é possível encontrar e comprar  sutiãs com bojo para meninas a partir de 2 anos de idade. Meninas pequenas usam maquiagem e sandálias de salto alto, comprometendo a saúde da sua pele e da sua coluna. Para a indústria e o comércio isso é muito bom, no sentido em que uma criança que vive sua infância com comportamento de criança consome muito menos do que uma criança adultizada. E, sim, existe uma banalização deste comportamento no sentido que a sociedade passa a aceitar isso como normal e adequado.

revistapontocom – Sempre que uma voz ecoa contra abusos da adultização vem à tona o discurso do direito de informação/comunicação, da liberdade da imprensa e a questão da censura.
Cristhiane Ferreguett – Compreendo que é dever do Estado e da sociedade civil organizada proteger a criança e sua infância. A liberdade da imprensa não deve comprometer o bem estar e a formação das nossas crianças, nossos futuros cidadãos. Recentemente uma resolução (Resolução n.º 163/2014 – aprovada por unanimidade pela plenária realizada no dia 13/03/2014) do Conanda proibiu “a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço”. Essa resolução precisa ser respeitada, precisamos da adesão dos pais, da escola e da sociedade como um todo para isso é preciso debater o assunto em diversas instâncias.

revistapontocom – Como as crianças interpretam/analisam a adultização?
Cristhiane Ferreguett – A mídia apresenta a criança adultizada com uma conotação positiva, de uma criança que tem/faz sucesso e é feliz graças a um comportamento pautado no consumismo. Se a mídia só mostra a criança adultizada como o modelo ideal, esse modelo passa a ser um modelo idealizado e copiado pelas crianças. Daí a necessidade de um debate com os adultos que cuidam da educação das crianças. As crianças precisam ter um olhar crítico sobre o modelo que a mídia lhe apresenta.

revistapontocom – Você acredita que é possível reverter este quadro de banalização da adultização da infância?
Cristhiane Ferreguett – Sou professora de cursos de licenciatura na Universidade do Estado da Bahia e sempre percebi a ausência da leitura e discussão de textos midiáticos por parte do professor do Ensino Fundamental e Médio. Gostaria que meu estudo servisse de apoio para o trabalho do professor do Ensino Fundamental junto às crianças no processo de discussão de textos midiáticos – em especial o texto publicitário – e para o embasamento de uma leitura crítica de revistas que circulam em nosso meio social. O diálogo e o debate permanente dentro dos diversos espaços sociais da criança é o caminho mais adequado para que ela tenha um olhar crítico sobre os diversos discursos que circulam no meio midiático.

Arte e celular na sala de aula

Por Marcus Tavares

A aula começa e, em poucos segundos, o professor percebe que os estudantes estão como um olho no quadro/livro/explicação e o outro no celular. Proibidos em muitos sistemas de ensino público e privado, os aparelhos, conectados à internet, estão presentes do Ensino Fundamental ao Superior. E você sabe: esta realidade não é, de forma alguma, privilégio de poucos. O que fazer?

Para a professora de arte, Vanessa Carvalho, proibir parece ser o caminho mais fácil do que pensar em novas estratégias de trabalho. Lecionando na Escola Municipal Getulândia, no município de Rio Claro, no Estado do Rio, Vanessa surpreendeu os estudantes do nono ano. Durante suas aulas, o celular não só devia estar ligado como também era objeto fundamental e indispensável para a realização de um trabalho de arte contemporânea.

78Em entrevista à revistapontocom, ela explica todo o processo e destaca que o projeto desenvolvido desmistifica a ideia de que o celular na escola é um objeto desprezível, que atrapalha as aulas e distrai os alunos. Segundo a professora, que também leciona na rede municipal de Barra Mansa, as múltiplas funções do mobile  é capaz de promover uma relação dialógica e dialética entre professor e aluno.

Acompanhe:

revistapontocom – Como a maioria dos professores, você reclama do uso intensivo dos celulares por parte dos alunos?
Vanessa Carvalho – Realmente nossos alunos têm utilizado muito o celular em sala, o que de fato atrapalha a dinâmica das aulas e o rendimento do aluno. Porém, isso acontece porque o aluno tem uma ferramenta extremamente atrativa, cheia de recursos e que não é utilizada de maneira produtiva em sala.

revistapontocom – Então esse uso intensivo de alguma forma incomodava você?
Vanessa Carvalho
 – O que me incomodou e ainda incomoda é a maneira como a escola lida com essa situação. Tenho percebido que a postura de proibir é bem mais confortável do que pensar em novas estratégias para agregar esse interesse do estudante à novas práticas pedagógicas.

revistapontocom – Foi por causa disso que você pensou em usar a tecnologia móvel nas aulas?
Vanessa Carvalho –
Sim. Não podemos simplesmente proibir um aparelho que já faz parte da vida da grande maioria das pessoas e que é visto com bons olhos pelos estudantes. Com a postura de proibir o uso deste aparelho na escola, estamos perdendo a oportunidade de utilizar uma poderosa mídia, de fácil acesso e que pode ser utilizada como ferramenta facilitadora do processo ensino-aprendizagem, já que seu uso é capaz de motivar o interesse do estudante para novas experimentações em favor de sua cognição ampliada, num contexto em que se sente inserido e confortável, pois tem total empatia com o objeto.

revistapontocom – Qual foi o projeto que você desenvolveu?
Vanessa Carvalho –
Sou professora de Arte e desenvolvi o projeto Arte contemporânea com celular – inspirações Vik Muniz. O projeto foi desenvolvido com os alunos do nono ano, em apenas uma das escolas que leciono, a Escola Municipal Getulândia, localizada no município de Rio Claro, no Estado do Rio de Janeiro. A direção da escola acolheu muito bem o projeto, deu todo o suporte. Os alunos ficaram super empolgados, encontraram no projeto uma oportunidade de usar o aparelho celular, só que de uma maneira diferente da que estavam acostumados a utilizar. Não preciso nem dizer que todos sabiam utilizar todas as funções do aparelho e que até me ensinavam em alguns momentos. Também não tive problemas com os meus colegas, pois assim que lancei a ideia do projeto deixei bem claro à turma que só poderiam utilizar o celular nas minhas aulas. O maior desafio foi desenvolver estratégias de trabalho com os alunos que não tinham um celular com as funções que eu utilizaria e até mesmo aqueles que não possuíam o aparelho ou não podiam levar para escola. Mas resolvi essa situação com trabalho em grupo. O objetivo era então exercitar a criatividade e senso crítico do aluno, por meio da produção de trabalhos artísticos utilizando o celular como instrumento didático.

O projeto passo a passo

1. Sensibilização: foram selecionados vídeos da Internet que falem sobre Vik Muniz, as suas obras e seu processo de criação; a ligação entre suas obras e  o conceito de arte contemporânea. Todos estes vídeos foram convertidos  para o formato 3GP (vídeo para celular) e distribuídos aos alunos através de Bluetooth.

2. Todos assistiram aos vídeos e participaram de um seminário onde expuseram suas opiniões, sensações e indagações sobre o tema “Arte contemporânea – relação entre o uso de materiais e indagações do mundo existente nas obras de Vik Muniz”.
3. Foi feita a leitura da obra Mapa Mundi de Vik Muniz. Esta é um tríptico formando um mapa mundi construído com descarte eletrônico mostrando que aquilo que nos conecta também entope o planeta de lixo.
4. Em seguida a turma foi separada em duplas e estas tiveram que elaborar um projeto de releitura para a obra selecionada, levando em conta quais os outros tipos de materiais utilizados por nós que também entopem o planeta. O projeto contou de: nome da dupla, tipo de material selecionado para trabalhar, justificativa da seleção do material, dimensão da obra, quantidade estimada do material que foi utilizado e tipo de suporte que utilizaram.
5. Os alunos levaram para a sala os materiais indicados no projeto para a releitura e fazer a montagem da obra.
6. Após a conclusão do processo de montagem das obras os alunos fotografaram os trabalhos com o celular (Obs: Vik Muniz trabalha com a fotografia para expor seus trabalhos).
7. A culminância do projeto aconteceu com a exposição dos trabalhos na Inovatec (feira de ciência e tecnologia do município de Rio Claro, cujo tema deste ano é “Desenvolvimento Sustentável”). Foi elaborado um vídeo com as fotos das releituras das obras produzidas em sala pelos alunos e este foi projetado durante toda a exposição para os visitantes da feira.

revistapontocom – O que mudou no dia a dia das aulas de arte?
Vanessa Carvalho
 – A maior mudança ocorreu no acesso às imagens das obras de arte. Antes tinha que imprimir, comprar imagens ampliadas para fazer uma leitura em sala. Com o celular faço uma pesquisa de imagens, salvo no meu celular e compartilho com os alunos. Ou os próprios alunos fazem a pesquisa em seus celulares. Assim o repertório imagético do aluno se torna muito maior e mais acessível. Fato que foi relatado no depoimento de um  aluno. “Temos a possibilidade de ter as obras no celular, já que não temos livros com as imagens.” (Alexandre).

revistapontocom – Toda essa mudança pode então ser atribuída ao celular? Isso então reforça a ideia de que a inovação passa necessariamente pela tecnologia na sala de aula?
Vanessa Carvalho – 
De fato o uso do celular facilitou muito minha pratica pedagógica e o processo ensino aprendizagem dos alunos. Mas não podemos nos fechar em uma única ideia para a educação. A tecnologia nem é a solução para os problemas educacionais, assim como o celular também não é o vilão da história.

revistapontocom – Você acha que este projeto pode ser replicado em qualquer outra realidade escolar?
Vanessa Carvalho
 – Atualmente utilizo o celular em todas as escolas em que leciono. Cada escola tem suas particularidades, mas não tenho encontrado entraves para a utilização do aparelho em sala. Acredito primeiramente que se deve fazer um trabalho de conscientização do aluno e da família sobre em que momento será permitido o uso do aparelho e como será utilizado, para que não haja nenhum problema com o uso em momentos e maneiras indevidas por parte do aluno.

Quer saber mais sobre o projeto? leia o artigo da professora, apresentado no I Colóquio Internacional de Educação com Tecnologias. Acesse aqui o documento.

revistapontocom – Fico pensando se o uso não se torna mais fácil por causa do conteúdo de arte. Não que seja um conteúdo menor, mas é mais abrangente, que faz uso de maior criatividade e liberdade.
Vanessa Carvalho – Você tem toda razão. A disciplina de Arte permite maiores possibilidades, até mesmo porque, a própria Arte faz uso da tecnologia, como é o caso da fotografia, cinema e outros. Mas posso garantir que é possível utilizar a tecnologia em outras áreas, porém é necessário que o professor tenha o domínio da tecnologia para poder utilizá-la em seu favor e em favor da aprendizagem. É necessário que o educador dirija um novo olhar para os recursos tecnológicos que vão surgindo, a fim de inseri-los a sua prática pedagógica, tornando-o ferramenta de apoio ao educador e ao aluno.

revistapontocom – E hoje como são suas aulas depois da aplicação deste projeto? O que você aprendeu?
Vanessa Carvalho – 
Com a realização deste projeto percebo que foi possível desmistificar a ideia de que o celular na escola é um objeto desprezível, que atrapalha as aulas e distrai os alunos. Mostrando que as suas múltiplas funções são capazes de promover uma relação dialógica e dialética entre professor e aluno. O celular é uma ferramenta didática capaz de auxiliar no processo ensino aprendizagem com eficácia.

Longas da Mostra Geração 2014

Foram divulgados os longas que vão compor a seção internacional da Mostra Geração 2014 – segmento infanto-juvenil do Festival do Rio. São oito filmes que trazem temas focados nas crianças e nos jovens. Escolas públicas e projetos educativos ou sociais sem fins-lucrativos têm acesso gratuito, mediante o agendamento com a coordenação.

Veja os contatos: telefones – (21)3035-7102 / 3035-7110 /
e-mail – mostrageracao@festivaldorio.com.br

Para orientação dos interessados, a revistapontocom, publica, abaixo, a relação dos filmes, o trailer, a sinopse e o horário de exibição.


– Violeta (Violet)
Ficção / Cor / Digital / 85 min.
Bélgica e Holanda, 2013 / Direção: Bas Devos
faixa etária recomendada – acima dos 14 anos

Um jovem de 15 anos é testemunha do esfaqueamento de seu amigo. Sua perplexidade impede qualquer reação na hora do assassinato. Apesar de todo o apoio e carinho que recebe dos amigos e das famílias envolvidas na tragédia, não consegue entender ou explicar como realmente se sente. Sessões – Estação Rio, sala 1 (sexta, 26 set, 13:50; segunda, 29 set, 15h45).

– Finn (Finn)
Ficção / Cor / Digital / 90 min.
Holanda, 2013 / Direção: Frans Weisz
faixa etária recomendada – acima dos 8 anos

Finn perdeu a mãe ao nascer.  Seu pai insiste que ele jogue futebol, mas ele não consegue ser um bom goleiro e sofre com isso. Certo dia, ao voltar para casa, encontra um misterioso personagem que o faz se apaixonar pela música. Seu maior desejo passa a ser tocar violino, para desespero do seu pai. Sessões – Estação Rio, sala 1 (quarta, 1 out, 9hs; quarta, 8 out, 13:40).

– Maria e o homem aranha (Maria y el araña)
Ficção / Cor / Digital / 90 min.
Argentina, França e Equador 2013 / Direção: Maria Victoria Menis
faixa etária recomendada – acima dos 14 anos

Maria é uma menina de 13 anos que mora numa favela de Buenos Aires com sua avó e o companheiro dela. Estudiosa e caprichosa ganha uma bolsa de estudos que permitirá que continue estudando. Enquanto trabalha vendendo coisas no metrô, se apaixona. Mas a dura realidade doméstica faz seus planos desmoronarem. Sessões – Estação Rio, sala 1 (quinta, 25 set, 13:30; quinta, 2 out, 9h).

– Dixie e a revolução dos zumbis (Dixie y la rebelión zombi)
Animação / Cor / Digital / 82 min.
Espanha, 2013 / Direção: Ricardo Ramón e Beñat Beitia
faixa etária recomendada – acima dos 10 anos

Dixie é uma adolescente rebelde e gótica e por isso é chamada de “A Zumbi” pelos colegas. Um acidente a coloca no limiar de dois mundos: o dos vivos, onde está bem com os colegas, e o dos mortos-vivos, onde conta com amigos para lutar contra uma rebelião de zumbis. Sessões – Ponto Cine (sábado, 4 out, 14h) e Estação Rio, sala 1 (terça, 7 out, 13:40; quarta, 8 out, 9 hr).

– Primeiros amores (Amori Elementari)
Ficção / Cor / Digital / 94 min.
Itália/ Rússia, 2014 / Direção: Sergio Basso
faixa etária recomendada – acima dos 8 anos

Numa cidade dos Alpes italianos, 6 personagens de 10 anos frequentam a mesma escola de hóquei e patinação. Katarina e Aleksey são recém chegados da Rússia, Ajit é filho de indianos e tem uma amigo invisível. Em meio a novos sentimentos que afloram, eles se envolvem em aventuras por causa de uma medalha roubada. Sessões – Estação Rio, sala 1 (quarta, 1 out, 13:30, terça, 7 out, 9hrs).

– Encantados (Encantados)
Ficção / Cor / Digital / 77 min.
Brasil, 2013 / Direção: Tizuka Yamasaki
faixa etária recomendada – acima dos 14 anos

Zeneida é filha de um importante político da Amazônia. Muda-se com a mãe e seus 9 irmãos para uma fazenda na Ilha de Marajó. Sensível, percebe o que ninguém vê. Ao conhecer um Caruana, figura encantada da floresta, apaixona-se. Considerada louca, entra em conflito com sua família e foge, tornando-se uma pajé com poderes de cura. Sessões – Estação Rio, sala 1 (quinta, 2 out, 13:40) e Cine Eduardo Coutinho (sexta, 3 out, 19 horas).

– Belle e Sébastien (Belle et Sébastien)
Ficção / Cor / Digital / 104 min.
França, 2013 / Direção: Nicolas Vanier
faixa etária recomendada – acima dos 14 anos

Durante a ocupação nazista na França, alguns moradores de uma aldeia nos Alpes se dedicam a conduzir fugitivos até a Suíça. No povoado local, moradores pensam que Belle, uma fêmea de Cão dos Pirineus que se torna selvagem, é a responsável pela morte de ovelhas. Sébastien, um menino de 6 anos, se torna seu amigo e mostra a todos que ela não é agressiva. Sessões – Estação Rio, sala 1 (sábado, 4 out, 14:40, segunda, 6 out, 13:30).

– Desligando Charleen (Charleen macht schluss)
Ficção / Cor / Digital / 103 min.
Alemanha, 2014 / Direção: Mark Monheim
faixa etária recomendada – acima dos 14 anos

Aos 15 anos, Charleen acha que crescer é muito complicado e se sente entediada. Para ela, a família é confusa e os colegas da escola são aborrecidos. Ela gosta de música, mas seu grande ídolo é o finado Kurt Cobain. Certo dia, ela entra na banheira com o secador de cabelo e sofre um acidente ao tentar atender o celular. E a partir daí, começa a ver a vida de outra maneira. Sessões – Estação Rio, sala 1 (domingo, 28 set, 13:30, sexta, 3 out, 13:30).

Cine revistapontocom

Por Marcus Tavares

A revistapontocom indica esta semana o filme Pro dia nascer feliz, de João Jardim. O longa estreou em 2006. Na ocasião, eu fiz uma resenha sobre o documentário e tive a chance de entrevistar, inclusive, o diretor. Para quem não assistiu, é uma boa oportunidade. Para quem já conferiu, sabe que vale a pena.

Leia, abaixo, uma crítica minha sobre a obra, e, em seguida, a entrevista que o diretor concedeu.

Seja no interior de Pernambuco, em um dos municípios do Rio de Janeiro ou em uma cidade afastada do Centro de São Paulo, a escola ainda é um lugar significativo na vida de jovens, mesmo com todos os problemas que possa apresentar. Um espaço de identidade e diversidade, de encontros e desencontros, de sonhos e realidades, de pressões e emoções, de valores. É o que revela Pro dia nascer feliz, novo filme de João Jardim, que estréia na próxima semana nas salas de cinema do eixo Rio-São Paulo.

Nas palavras do diretor, trata-se de um documentário investigativo que mostra que não existem padrões de escolas, mas realidades complexas que envolvem alunos, professores e sistemas públicos e privados de educação. De certa forma, o conteúdo das cenas não é muito diferente das histórias que já foram publicizadas pela mídia. Mas, o fato é que elas estão todas ali reunidas numa costura narrativa simples, objetiva e sem ser piegas.

Ao captar depoimentos de jovens estudantes, diretores de escolas, docentes e alguns pais, o filme prende a atenção. Não há como o público não se identificar, ao menos uma vez, com as situações apresentadas. Há o descaso de alguns professores e o amor de outros pela profissão. Há a indisciplina dos estudantes e a pressão daqueles que vivem para ‘passar de ano’.  Há dificuldades e sucessos. Há o dito e o não dito.

A câmera percorre escolas de diferentes cidades brasileiras: Manari, em Pernambuco, uma das localidades mais pobre do país; o município de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro; a capital de São Paulo, representada pelo rico bairro de Alto de Pinheiros; e Itaquaquecetuba, no interior paulista.

Em cada local, várias histórias de adolescentes e professores são apresentadas por uma câmera que revela os antagonismos que os dois grupos vivem dentro da escola. “Trabalhei muito para fazer um filme interessante e cativante sobre o tema escola que é chato e que, de início, já suscita uma desconfiança das pessoas”, destaca João Jardim.

Pro dia nascer feliz foi eleito, pelo júri popular do Festival de Gramado/2006, como o Melhor Filme. O mesmo festival concedeu ao longa o Prêmio de Melhor Trilha Sonora e o Prêmio Especial do Júri. O título também conquistou o Prêmio de Melhor Fotografia de Documentário, pela Associação Brasileira de Cinematografia e o Prêmio Especial do Júri, na décima edição do Cine de Pernambuco.

Em entrevista, o diretor disse que o filme levou quatro anos para sair do papel e que ele espera que o longa possa, pelo menos, promover uma reflexão sobre o tema. “Muitas coisas precisam ser feitas para melhorar a educação no país. O filme é um pequeno grão de areia”.

Confira a entrevista:

Marcus Tavares – Por que contar esta história?
João Jardim –
 Pela própria realidade que a gente vê. É muito pertinente fazer um filme sobre o funcionamento da escola e do comportamento do adolescente. Inquieta-me você ter uma escola que não consegue dar condições para o indivíduo, de qualquer classe social, crescer e se realizar. Da mesma forma, me inquieta você ter um jovem que não está interessado em fazer com que a escola seja boa para ele mesmo. Ou seja, esse antagonismo entre o adolescente e a escola me inquietava bastante. Quis mostrar uma realidade que me incomoda.

Marcus Tavares – O filme mostra a realidade de algumas escolas do Rio, de São Paulo e de Pernambuco. Como se deu a escolha destas instituições, dos alunos e dos professores?
João Jardim –
 Na verdade, tínhamos escolhido temas centrais que queríamos trabalhar no filme: a questão da desigualdade; o comportamento dos adolescentes na escola, a violência entre meninos e meninas; a questão dobullying, a implicância do jovem; e o desinteresse dos professores e também dos alunos pela escola. A partir daí, procuramos personagens que pudessem se encaixar nestes temas. Foi uma procura longa, uma pesquisa de mais de seis meses, para achar pessoas que falassem de maneira interessante e cativante sobre esses assuntos. Mas, na prática, o filme acabou também falando sobre outras questões, como a auto-afirmação, o rito de passagem da adolescência, a precariedade da escola… 

Marcus Tavares – Não havia então um roteiro pré-determinado?
João Jardim –
 Era um roteiro de temas, idéias, perguntas, coisas que podiam ter… Um roteiro aberto. A forma de fazer o filme variou de acordo com cada situação. Tem muito depoimento e observação. Minha função era ficar o mais invisível possível, provocando o mínimo de alteração, para que pudéssemos registrar a realidade como ela era.

Marcus Tavares – Qual das histórias apresentadas mais sensibilizou você?
João Jardim –
 Não tem a mais. Todas as histórias de uma forma me emocionaram e por isso estão no filme. De alguma forma, me identifico com todas elas: com o menino de Duque de Caxias que está à margem da marginalidade, mas que não virou marginal; com a menina que se sente rejeitada na escola; com a professora que é, no sentido figurado, violentada na escola pelos estudantes. Enfim, todas as histórias que estão no filme têm um pouco de mim mesmo.

Marcus Tavares – As escolas que você percorreu são bem diferentes das que você estudou?
João Jardim –
 Têm similaridades e diferenças. Tem coisas que não mudaram, como a sala de aula, o quadro-negro… A forma de ensinar sempre foi, de vez em quando, interessante; e desinteressante na maior parte das vezes. Isso não mudou. Por outro lado, as pessoas estão diferentes. O mundo está diferente, mais violento, mais radical.

Marcus Tavares – Que escolas, professores e alunos são esses que você mostra no longa-metragem?
João Jardim –
 Não dá para generalizar. A resposta acabaria rotulando as escolas, os professores e os alunos. A intenção não é esta. Deixo esta análise para quem for assistir. É um tema muito difícil, dúbio, que não existe certo ou errado. O filme mostra que não existe uma escola desta ou daquela forma. Mas, uma realidade muito complexa que envolve elementos intensos e também complexos: o aluno aos 15 anos, o professor que lida com esse estudante e o sistema educacional. Hoje em dia, acho que nem os educadores conseguem responder a essa questão. Que escola temos na atualidade? Esta é a grande pergunta. Eu não tenho respostas. Procurei fazer este filme por isso. Trabalhei muito para fazer um longa interessante e cativante sobre o tema (escola/educação) que é chato, e que, de início, já suscita uma desconfiança do público.

Marcus Tavares – Você acha que as pessoas consideram escola e educação temas chatos?
João Jardim –
 Acho não, tenho certeza. É só ver a audiência da TV Educativa e da TV Cultura. As duas emissoras, por exemplo, têm uma programação ótima, mas, pelo fato de estarem associadas à educação, seus programas afastam os telespectadores.

Marcus Tavares – Neste sentido, por ser um filme sobre educação, você encontrou dificuldades na obtenção de apoio e patrocínio?
João Jardim –
 Encontrei dificuldade, mas nem mais nem menos do que o normal.  Na prática, o tema, de vez em quando, dificultou. Em outras horas, ajudou. Acho que ficou no meio do caminho.

Marcus Tavares – O que você pretende com este filme?
João Jardim –
 Provocar uma reflexão sobre o tema para ver se, de uma forma bem humilde, as pessoas começam a se tocar de que a escola precisa ser prioridade. O tema precisa ser discutido de uma outra maneira. Outros aspectos devem ser debatidos, como a questão da subjetividade e do comportamento. Educação não é só número e dinheiro. O objetivo é trazer uma outra visão para uma coisa muito conhecida. É um trabalho a longo prazo. Na verdade, muitas coisas precisam ser feitas para mudar o quadro que se apresenta. Pro dia nascer feliz é um pequeno grão de areia.

Saiba mais sobre o filme no site
www.prodianascerfeliz.com

Literatura + escolas públicas

Até o dia 24 de outubro,  escolas municipais do Rio de Janeiro participam do projeto Grandes Poetas Brasileiros, que investe na formação de novos leitores por meio das obras de Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Ferreira Gullar e Manuel Bandeira. O programa é constituído de três etapas: aulas-espetáculo com dramatização de poemas e projeção de fotos e vídeos; rodas de leitura de poemas; e oficinas de criação poética a partir de recursos como sonoridades, figuras de linguagem, ritmo, rimas. “Nosso desejo é apresentar a obra dos poetas brasileiros para os jovens num formato que atenda suas expectativas por inovação e dinamismo. É esse também o caráter da poesia, que se pauta na vitalidade da linguagem”, explica Eliza Morenno, uma das idealizadoras da proposta.

Ao final das oficinas, haverá uma exposição dos poemas escritos pelos alunos no muro de cada escola participante, além de leituras dos poetas estudados. O objetivo do evento é fazer com que o projeto vá além dos limites da escola e interaja com os pais dos alunos e moradores do entorno. Entre as escolas escolhidas estão a E.M Alencastro Guimarães (Copacabana), E.M Joaquim Nabuco (Botafogo), E.M João Goulart (Vila Isabel), E.M Panamá (Grajaú), E.M República Argentina (Vila Isabel) e E.M Manoel Cícero (Gávea). “O projeto ‘Grandes Poetas Brasileiros’ propõe uma abordagem mais lúdica e interativa com poesia, utilizando também recursos teatrais e audiovisuais. O projeto pretende oferecer uma experiência ampla do fenômeno poético”, afirma João Pedro Fagerlande. Assim que o trabalho terminar, a revistapontocom se compromete a publicar os resultados das oficinas.

 

A cinefilia na era da internet

Por Amir Labaki
Publicado em 23/09/2014 na edição 817 do Observatório da Imprensa
Diretor-fundador do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários

O que têm em comum o fechamento da videolocadora da esquina de casa, em São Paulo, e o lançamento nos EUA daquela que será a última edição do mais popular dicionário de filmes do planeta? Ambos os modelos de negócio foram transformados em cinzas pela internet.

Localizada em Higienópolis, a HM Home Video já fazia parte do cotidiano do bairro quando cheguei, no começo dos anos 2000, em dois movimentados endereços, de um total de quatro lojas da rede. A matriz, que eu frequentava, reunia cerca de 15 mil títulos, apostando tanto nos últimos grandes lançamentos dos estúdios hollywoodianos quanto numa coleção de clássicos, filmes de arte, documentários e títulos nacionais. O único similar paulistano é agora a 2001 Video.

O fechamento da segunda locadora do bairro, há seis meses, já acendera o sinal amarelo. Um mês atrás, uma placa de “Passa-se o ponto” jogava a toalha. “Mantivemos aberto muito além do limite”, me disse um dos sócios, Hermínio Paschoal Filho, em meio à liquidação de cópias que levou compradores a esvaziar num par de dias as estantes preenchidas durante 27 anos.

Em 2007, o fim das atividades em lojas físicas da sucursal brasileira da gigante americana Blockbuster, o que no final do ano passado repetiu-se nos EUA, foi o primeiro grande símbolo do fim de uma era. Uma nova forma de consumo impôs-se rapidamente no mercado, por meio de operadoras de “streaming” digital de filmes como a Netflix e a multiplicação dos canais de TV por assinatura e suas crescentes plataformas digitais.

No fecho de uma crônica na “Folha”, em 18 de agosto, Leão Serva foi certeiro em destacar uma dimensão para além da cinematográfica do fechamento das locadoras: “Como será a vida sem locadoras, esse espaço público de afeto que se esvai”? Seu texto lembrou-me um comentário de Fernando Gabeira num de seus primeiros livros após a volta ao Brasil, quando indagava quem faria, no balanço da repressão e do exílio, o inventário dos afetos perdidos, dos encontros, beijos e abraços para sempre inviabilizados.

Nas metrópoles contemporâneas, com a esfera do trabalho invadindo ininterruptamente o cotidiano privado por meio da vida 24 horas on-line dos “smartphones” e “tablets”, somado, no caso brasileiro, à violência urbana disseminada, videolocadoras e livrarias representam oásis de sociabilização. Reencontros casuais e interações com desconhecidos quebram a rigidez das agendas e dos restritos círculos de amigos, familiares e colegas de trabalho. Com a progressiva desativação desses pontos de encontro, impera o enclausuramento em torno do novo totem: as grandes e pequenas telas frente às quais nos isolamos dentro de casa.

Contato tátil

Do ponto de vista da cultura cinematográfica, sem temer soar como um dinossauro reclamão, tampouco sou otimista frente à aparentemente avassaladora oferta on-line. Creio que perdemos, tanto em diversidade quanto em qualidade.

Nem mesmo a Netflix americana, que desembarcou na França nesta semana, apresenta um cardápio minimamente comparável ao de uma videolocadora antenada com o público mais cinéfilo. Não apenas por razões legais, éticas e estéticas, o acervo on-line de cópias piratas tampouco representa uma alternativa. Além disso, por melhor que seja a conexão com a internet e mais avançado o home theater, tenho dúvidas de que a curto prazo teremos por aqui uma experiência como espectador tecnicamente próxima à hoje possível com as cópias em blu-ray.

Deve-se também à internet a extinção do “Movie Guide” anual, do crítico americano Leonard Maltin. Aquela que será a última edição, com 1.632 páginas e cerca de 16 mil resenhas breves, acaba de ser lançada nos EUA. A primeira edição data de 1969, quando Maltin contava apenas 18 anos. Em 1978, seu dicionário de filmes tornou-se bienal e, em 1986, um evento editorial a cada começo de outono americano.

“Uma geração inteira cresceu acostumada a buscar informação em seus celulares ou computadores”, explicou Maltin em entrevista a Pete Hammond, um dos tradicionais colaboradores do guia, publicada sintomaticamente no site “Deadline Hollywood”. “Não são esses os consumidores potenciais de livros físicos de referência. Nossas vendas declinaram radicalmente nos últimos anos.”

Nada que surpreenda, com a facilidade de pesquisas on-line em sites especializados como o IMDb, gerais como Wikipedia e numa infinita blogosfera. Maltin já adiantou que não incluirá o “Movie Guide” nessa onda, pois seu estilo de “resenhas e informações concentradas” foi desenvolvido para o formato livro. “A internet tem um imperativo diferente e regras distintas.”

São mais sutis as as razões para lastimar-se o fim do “Movie Guide”. Como espectador cotidiano e crítico profissional, eu preferiria continuar combinando os dois modelos de pesquisa, somando a hierarquização subjetiva do guia de papel à multiplicidade informativa da internet. E perde-se on-line uma vantagem colateral: a leitura aleatória, com o correr dos olhos pela mesma página impressa, dos verbetes para outros filmes que não aquele pesquisado.

Uma última razão, reconheço de pronto, é eminentemente pessoal: a bibliofilia. Sou fascinado pela fisicalidade do objeto livro, pelo contato tátil com o papel, pelo ritual da virada de páginas. As videolocadoras podem estar condenadas, mas espero que se cumpra uma profecia do crítico americano Harold Bloom: “A aura que envolve o livro impresso jamais desaparecerá”.

O Pinóquio e a política

Por Artur Melo, 10 anos
Estudante do 6º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Vocês devem estar se perguntando o que tem a ver Política com o Pinóquio , pois, então vou contar. Por incrível que pareça, Pinóquio foi inventado em 1881, muito tempo atrás, na Itália, e parece que o autor está passando uma mensagem subliminar sobre o Brasil, hoje, em 2014. O Brasil das eleições.

Pinóquio detestava se esforçar para qualquer coisa, adorava facilidades. Um dia, estava andando cheio de alegria porque tinha ganho cinco moedas de ouro. Até que encontrou, pelo caminho, uma raposa que se fingia de manca e um gato que, como a raposa, se fingia de cego. Sabendo que Pinóquio tinha cinco moedas de ouro, falaram para ele que poderia transformar essas cinco moedas em mil, duas mil, era preciso simplesmente plantá-las no campo dos milagres e elas brotariam em grande quantidade.

Pinóquio, que adorava facilidades, aceitou sem pestanejar, com um desejo na mente: ficar rico. Pelo caminho, Pinóquio teve todos os conselhos de outros animais dizendo que os dois eram vigaristas e teve diversas pistas dadas por eles mesmos, mas Pinóquio estava tão cego que não conseguia perceber nada.

Pinóquio, depois de uma longa caminhada, chegou em uma cidade nomeada de Enganatrouxas, que seria o lugar onde ele plantaria suas moedas de ouro. Era terrível o lugar! Tinha muita sujeira, pobreza, destruição e muitas outras “ruindades”, era mesmo um lugar horrível. Mas mesmo assim Pinóquio não conseguia perceber nada.

Pinóquio cavou um buraquinho na terra e botou suas moedas lá, como a raposa e o gato recomendaram. Pinóquio esperou vinte minutos e depois voltou em busca de uma árvore com duas mil. Mas não viu foi nada, ficou desesperado, correu, cavou no mesmo lugar onde tinha enterrado, mas não encontrou. No silêncio profundo do lugar ele escutou uma risada… Era um papagaio, que lhe disse que os dois vigaristas haviam roubado suas moedas de ouro. 


Vocês devem estar se perguntando o que isso tem a ver com a Política. Pois bem, vou explicar, vocês não acham que essa raposa e esse gato não lembram os políticos enganando o povo no Brasil? E enganando de um jeito tosco, pois está na cara que é mentira. E o Pinóquio? Ele não parece o povo, que mesmo estando na terra dos Enganatrouxas, não percebe que está sendo enganado? 

15 anos da Mostra Geração

Por Bete Bullara
Coordenadora da Mostra Geração

Está chegando mais uma edição do Festival do Rio, o mais importante evento de cinema do Rio de Janeiro. A Mostra Geração, que é o segmento infanto-juvenil do Festival, completa em 2014 seu 15º aniversário e tem muito a comemorar. Criada para aproximar crianças e jovens do cinema de qualidade e diversidade, para abrir diálogo com os educadores e para dar espaço para que os pequenos realizadores mostrem e discutam suas obras, podemos que dizer com orgulho que ela tem cumprido essas funções plenamente. Muitas das pessoas que eram crianças quando estiveram a primeira vez em nossos programas tornaram-se assíduos frequentadores das salas de cinema. Multiplicaram-se os professores que trazem seus alunos e trocam ideias nos Encontros de Educadores.

Para comemorar como se deve, organizamos mais um evento, que propomos que venha a ser permanente: uma Aula Magna, que será inaugurada com palestra do cineasta Jorge Furtado, um mestre da linguagem cinematográfica, que cria sem parar novas formas de significação em imagens e sons. A Aula Magna será aberta ao público, com entrada mediante senha, e acontecerá no dia 27 de setembro, às 15 horas. Anote em sua agenda, pois em breve divulgaremos o local. Outro programa imperdível é a estreia de Encantados, o novo filme da cineasta Tizuka Yamasaki, que deve ganhar as telas em bairros diversos.

O primeiro Encontro de Educadores, com a parceria do Instituto Desiderata e a Secretaria Municipal de Educação-RJ, acontecerá no dia 26 de setembro, apresentando o filme holandês Finn, dublado ao vivo, numa sessão totalmente pilotada pelos professores e alunos monitores do projeto Cineclubes nas Escolas, da SME, voltada prioritariamente para escolas das 1ª, 2ª e 3ª CRE. O segundo, com o filme Men, Womam and Children acontecerá no dia 2 de outubro, quinta feira, às 19h no cinema São Luiz, sala 3.

O Programa Vídeo Fórum selecionou 51 filmes de crianças e jovens até 18 anos não universitários, realizados em escolas ou projetos culturais. Durante 5 dias, esses jovens autores podem ver seus trabalhos projetados em tela grande e sala escura, e depois debaterem técnicas e linguagem. A curadoria seleciona a programação levando em conta a criatividade do filme e a participação de todas as instituições inscritas, independente da qualidade técnica, porque sabemos que esse é um processo educacional. Aí podemos mais facilmente constatar a importância do debate para o avanço da expressão dos alunos. A cada ano, melhora. Portanto, convidamos todos os professores e alunos que desejam fazer seus filmes, mesmo que pela primeira vez. A programação do Vídeo Fórum é inteiramente gratuita e acontece no cinema Estação Rio, sala 2, entre os dias 29 de setembro e 2 de outubro.

Com muitas atrações a mais, como sessões na Arena Cultural  Jovelina Pérola Negra e salas de exibição alternativas, a Mostra Geração divulgará em seguida no seu blog e facebook a programação da Mostra Internacional, com filmes vindos de várias partes do  mundo.

Acompanhe nossos eventos nos seguintes endereços:
Blog: mostrageracao.blogspot.com.br
Facebook: Mostra Geração
Twitter: @MostraGeracao

De meninas a mulheres

De meninas a mulheres num click
Por Lais Fontenelle
Mestre em Psicologia Clínica. Autora do blog infanciadeclarice.wordpress.com

Acabo de ver o recente edital da revista Vogue Kids de Setembro de 2014 e fico estarrecida com as imagens veiculadas por essa mídia – que fala diretamente com o público infantil ditando as últimas tendências de moda para crianças. As imagens rompem com o limiar, já bastante tênue nos dias de hoje, entre meninas e mulheres. O ensaio fotográfico da revista traz outras fotos de meninas entre 7 e 9 anos em poses mais do que sensuais, tirando a camiseta, fazendo caras e bocas em frente às câmeras e para vender o quê? Roupas?!

Qual menina nunca experimentou o salto alto da mãe ou se borrou com o batom vermelho da irmã da mais velha? Vocês dirão… Brincar de faz de conta com roupas do universo adulto e experimentar trejeitos maduros é importante para o desenvolvimento e faz parte do exercício de comportamentos futuros através da brincadeira, mas o que vemos nessas fotos está longe de ser brincadeira – até porque a intenção das fotos nada mais é do que chamar atenção das crianças para compra dos produtos- o que por si só já ataca a vulnerabilidade infantil no que tange os apelos de consumo posto que a maioria das crianças ainda não têm a capacidade crítica formada e a abstração de pensamento necessária para lidar com esses apelos sedutores como nós adultos. Sem falar das consequências emocionais que imagens como essas provocam no imaginário feminino infantil já que as pequenas moças crescem sendo doutrinadas e acreditando que uma roupa sensual ou uma pose erótica serão peças fundamentais para a expressão de sua identidade e aceitação social e expressão de sua identidade.

foto 11  foto 10Num país como o nosso que apontou dados extremos como 1.820 pontos de exploração sexual infantil nas rodovias federais, 241 rotas de tráfico de crianças e adolescentes para fins de exploração sexual, 13.472 denúncias de pornografia infantil na internet apenas no primeiro semestre de 2010 e 3.600 denúncias telefônicas de abuso e exploração sexual infanto-juvenil no mesmo período é muito complicado convidar nossas meninas a uma erotização precoce. Sem esquecer, claro, os dados recentes da pesquisa da WCF- World Childhood Foudation – que mostram que 65% das meninas exploradas sexualmente declararam usar o dinheiro da exploração sexual para comprar celular, tênis ou roupas que demonstra que a violência sexual infantil é, sem dúvida, uma questão delicada no país e que já não se restringe mais a bolsões de pobreza se manifestando de diversas formas, pois a vulnerabilidade econômica não é mais o grande fator a despertar esse tipo de violência dividindo a cena com apelos de consumo principalmente de moda e itens de indumentária.

Diante desses dados acima citados acho que não nos restam dúvidas de que essas imagens são uma violação dos direitos de nossas crianças e principalmente do direito que têm de ter infância – uma fase essencial de desenvolvimento físico e cognitivo. Meninas não devem sofrer o convite a se tornarem mulheres antes do tempo porque não estão preparadas para os olhares adultos que receberão de outros e o mercado tem o dever e a responsabilidade compartilhada de um olhar mais sensível, ético e cuidadoso para nossas crianças- prioridade absoluta em nosso país como prevê nossa Constituição Federal.

Não é de hoje, portanto que fatos como esse chamam atenção da sociedade civil e de profissionais que trabalham na luta pelos direitos das crianças. Em 2008 o Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana denunciou a marca de roupas infantis Lilica Ripilica da empresa Marisol pela veiculação de outdoor na cidade de Londrina com uma foto nitidamente de erotização precoce.

Mas, depois de muitas idas e vindas uma nova representação foi endereçada ao Ministério Público do Estado de Santa Catarina (onde se localiza a sede da empresa) que após analisar o caso celebrou em 2.3.2009 um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Marisol S.A., no qual a empresa ficou comprometida a não mais veicular publicidade com imagens de crianças tais quais na denúncia apresentada e também a pagar uma multa compensatória ao Fundo de Reconstituição de Bens Lesados do Estado de Santa Catarina no valor de RS 20.000,00 o que demonstra que se denunciarmos ou fizermos a pressão necessária os abusos começam a ser coibidos. Podemos começar a mudar essa realidade ou pelo menos incomodar o mercado tanto quanto nos incomodam essas imagens. Façamos nossa parte! E um bom início é denunciar. Conheça o Projeto Prioridade Absoluta do instituto Alanawww.prioridadeabsoluta.org.br

Precisamos ver tudo?

Por Patrick Rosa
Estudante de Jornalismo
Observatório da Imprensa

É fato que a internet e as novas tecnologias proporcionaram ao jornalismo um novo horizonte, com a pluralidade de vozes e um aumento em nível exponencial da diversidade de fontes que deram mais agilidade à divulgação das notícias e propiciaram ao leitor mais elementos para que ele próprio reconstrua um fato noticiado.

A quantidade de informação divulgada na rede todos os dias é avassaladora e seria necessário mais de uma encarnação para que um reles mortal se inteirasse de tudo que é publicado no ambiente online em 24 horas. O leitor pode ter acesso à mesma notícia em diversas plataformas: fotos, vídeos, áudios, enfim, tudo que permita ao leitor chegar o mais próximo possível do fato. Mas nesse contexto, cabe a pergunta: precisamos ver tudo?

Não é de hoje que o chocante e o escatológico chamam a atenção do público, e também não é novidade que os grandes grupos de comunicação explorem a audiência proporcionada pela utilização desses recursos. A violência, o crime, a guerra sempre foram um prato cheio para os grandes veículos de informação. Essa perspectiva de proporcionar ao público maior possibilidade de reproduzir a informação, “colocando o leitor cada vez mais próximo da notícia”, tem sido lugar-comum no grande jornalismo. Como certa vez destacou Dov Shinar, professor e doutor em Comunicação pela Universidade Hebraica de Jerusalém: “O alto valor da notícia é algo promovido por certos mecanismos na comunicação constituída por componentes como o heroísmo, o drama, a ação visual.”

Lembro todas essas questões para falar de um fenômeno nem tão recente no ambiente online: o Liveleak (http://www.liveleak.com/), site colaborativo britânico que divulga vídeos de toda parte do mundo. Criado em 2004, o site ganhou notoriedade em 2007, quando divulgou o vídeo completo da execução de Saddam Hussein. Os vídeos, enviados por voluntários de toda parte do mundo, têm em comum o fundo político e a violência explícita. Podem ser encontradas no endereço algumas centenas de vídeos que retratam execuções brutais, assassinatos em geral e todo tipo de tragédia. O site não divulga apenas vídeos, mas também fotos de decapitações e mutilações, como o acidente com um tigre que decepou o braço direito do menino Vrajamani num zoológico do interior do Paraná no mês passado.

O fotógrafo que chegou atrasado

Recentemente, a página voltou a ganhar visibilidade com a divulgação do vídeo em que o jornalista James Foley é decapitado por membros do grupo terrorista Estado Islâmico. Com o lema “Redefinnig the media”, algo como “redefinindo os meios de comunicação”, o site possui também textos, mas o que chama a atenção são os vídeos de assassinatos, que contam algumas milhares de exibições.

O que vale ressaltar aí é o conteúdo informativo. Sem filtros, todo esse material não passa de objeto para a curiosidade dos internautas. E será que o leitor precisa mesmo desses detalhes para a informação ser completa? Será que é preciso que o público assista às execuções e veja com seus próprios olhos para dar credibilidade à informação? Ao mesmo tempo, será que assistir à barbárie nua e crua nos deixará melhor informados?

Francamente não sei. Mas esses dias, vendo um manual antigo de fotografia da Arfoc, deparei com uma situação em que o fotógrafo contava uma situação em que ele havia chegado atrasado a uma cena de acidente, no qual uma mulher havia sido jogada para fora de um carro contra um poste. Na ausência de corpos para fotografar, o “fotojornalista” conta que jogou vinho no poste e colocou os pertences de alguns transeuntes próximos à cena para simular que fossem da vítima. Tudo, para dar maior “realismo” à cena, para deixar o leitor mais dentro o possível da notícia, mais “informado”. Era um manual de 1968, o que mostra que essa necessidade não é um fato recente no jornalismo.

De: Professor. Para: aluno

Ensino Médio, professor e aluno. A tríade não é fácil. As relações são complexas. Quem está na sala de aula sabe bem a realidade do dia a dia. O tema vem sendo discutido por professores do Estado do Paraná na comunidade virtual Pacto Nacional pelo Ensino Médio no Paraná. A comunidade é dedicada ao compartilhamento de reflexões, discussões e produções desenvolvidas por um conjunto de professores que participam do programa de formação continuada vinculado ao projeto Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio, desenvolvido no Estado por nove universidades públicas em parceria com a Secretaria de Estado de Educação. As reflexões podem ser vistas por qualquer pessoas. A comunidade está ‘abrigada’ no Portal EMDiálogo, um projeto coordenado pelo Observatório Jovem da Universidade Federal Fluminense (UFF), que visa estimular o diálogo, articular parcerias e socializar conhecimentos e experiências que contribuam para a melhoria do ensino médio público.

Acesse e confira

No dia 13 de setembro, um grupo de professores do Colégio Estadual Jayme Canet, em Curitiba, no Paraná, que participa da comunidade, publicou uma carta aberta endereçada aos estudantes. A revistapontocom achou interessante a proposta e compartilha com você, leitor, professor. Já pensou se a moda pega?

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Carta do(a) professor(a) ao(a)  aluno(a)

Querido(a) aluno(a)

Refletindo sobre a nossa relação, não apenas a relação entre professor(a) e aluno(a), mas a relação entre pessoas que convivem diariamente, me perguntei: qual é o meu papel na sua formação como cidadão(ã)? Como posso proporcionar um futuro melhor para você, para mim, para as nossas famílias e para a sociedade? Sim, me preocupo com o seu futuro, porém não deixo de pensar em como auxiliá-lo(la) no presente.

Você pode pensar que o meu papel como professor(a) é apenas prepará-lo(la) para enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais disputado e muitas vezes ingrato. Porém minha função vai muito além disso. Preparar um(a) cidadão(ã) capaz de olhar a vida com seus próprios olhos, um(a) cidadão(ã) capaz de observar o mundo no qual está inserido e de buscar o melhor para toda a sociedade, responsabilizando-se por suas escolhas e também entendendo que cada um tem um papel na construção do nosso país, e este é o maior desafio.

Hoje, percebo que a escola não é um local em que você se sinta à vontade, estimulado(a) a participar, a produzir e  que não satisfaz suas expectativas. Do mesmo modo, eu também muitas vezes me sinto desestimulado(a) com o meu trabalho, por não conseguir enxergar em você o interesse tão necessário para que a escola seja realmente significante à sua vida. Constato que, frequentemente, o estudo não atrai mais os (as) estudantes e, assim, também me desanimo.

Você é jovem,e ser jovem é ter um mundo inteiro para conhecer, é poder arriscar-se, errar e acertar, é construir uma pessoa com princípios e caráter. Tudo isso faz parte da preparação para o futuro diante de tantas mudanças e escolhas, nós enquanto escola, devemos auxiliá-lo(la) na construção de opiniões e também na percepção do mundo (política, sociedade , culturas, direitos e deveres).

Por isso escrevo essa carta. Quero que você me apresente a sua vida, na escola, me mostre quais são as suas angústias, as dificuldades, os motivos que fazem com que ela não seja um lugar de satisfação, preparação para o mundo e cheia de significados. Nesse momento único de sua vida, que é a juventude, repleta de mudanças, decisões e cheia de esperanças, desejo saber o que você espera da escola, e como ela pode satisfazer suas necessidades, preparando-o(a) para suas escolhas profissionais, mas principalmente, como a escola pode contribuir para uma sociedade com pessoas melhores, mais justas, honestas, solidárias e honradas.

Quero que demonstre seus sentimentos e pretensões nessa etapa de sua escolaridade, o ensino médio, para que possamos juntos encarar as dificuldades e, finalmente, transformar a escola em um lugar melhor. Por fim, desejo que daqui a algum tempo possamos nos encontrar e,nos orgulharmos das mudanças ocorridas e que impulsionaram a sua vida.

Desligue a TV

Com o objetivo de promover e incentivar uma vida mais equilibrada entre crianças e jovens, o Programa Omnisciência de Educação para Paz acaba de lançar o CD infanto-juvenil Não ao consumismo, sim ao heroísmo. O produto traz a música Desligue a televisão, de Maeve Vida. De acordo com os produtores, o CD visa ampliar a consciência dos pais, educadores, crianças e jovens para o tema do consumismo na infância. Através do questionamento do modo de vida atual, o projeto busca despertar a riqueza interior. Confira, abaixo, o clipe produzido para a música.

O Programa Omnisciência de Educação para Paz existe há mais de 10 anos. Desenvolve oficinas de Cultura de Paz para crianças e jovens e realiza palestras para educadores, no Brasil e no exterior, como tema da Educação para Paz e também da Ciência da Yoga aplicada à área da Educação. O projeto mantém um blog (www.culturadapaz.com.br). Em um dos seus últimos posts, foi publicado um trecho do livro O Despertar de uma nova consciência, do escritor Echart Tolle. Nele, Tolle fala do impacto da imagem da televisão no pensamento humano. Para quem se interessa pelo tema, a revistapontocom reproduz abaixo.

Texto de Echart Tolle
Do livro ‘O Despertar de Uma Nova Consciência’
Publicado pelo blog Cultura da Paz, do Programa Omnisciência de Educação para Paz

Para um número significativo de pessoas, ver televisão é algo “relaxante”. Observe a si mesmo e verá que, quanto mais tempo sua atenção permanece tomada pela tela, mais sua atividade intelectual se mantém suspensa. Assim, por longos períodos você estará assistindo a atrações como programas de entrevistas, jogos, shows de variedades, quadros de humor e até mesmo à anúncios, sem que quase nenhum pensamento seja gerado pela sua mente. Você não apenas deixa de se lembrar dos seus problemas como se torna livre de si mesmo por um tempo – e o que poderia ser mais relaxante do que isso?

Então ver televisão cria o espaço interior? Será que isso nos faz entrar no estado de presença?

Infelizmente, não é o que acontece. Embora a mente possa ficar sem produzir  nenhum pensamento por um bom tempo, ela permanece ligada à atividade do pensamento do programa que está sendo exibido. Mantém-se associada à versão televisiva da mente coletiva e segue absorvendo seus pensamentos. Sua inatividade é apenas no sentido de que ela não está gerando pensamentos. No entanto, continua assimilando os pensamentos e as imagens que chegam à tela. Isso induz um estado passivo semelhante ao transe, que aumenta a suscetibilidade, e não é diferente da hipnose.

É por isso que a televisão se presta à manipulação da “opinião pública”, como é do conhecimento de políticos, de grupos que defendem interesses específicos e de anunciantes – eles gastam fortunas para nos prender no estado de inconsciência receptiva. Querem que seus pensamentos se tornem nossos pensamentos e, em geral, conseguem.

Portanto, quando estamos vendo televisão, nossa tendência é cair abaixo do nível do pensamento e não nos posicionarmos acima dele. A TV tem isso em comum com o álcool e com determinadas drogas. Embora ela nos proporcione um pouco de alívio em relação à mente, mais uma vez pagamos um preço alto: a perda da consciência. Assim como as drogas, essa distração tem uma grande capacidade de viciar. Procuramos o controle remoto para mudar de canal e, em vez disso, nos vemos percorrendo todas as emissoras. Meia hora ou uma hora mais tarde, ainda estamos ali, passeando pelos canais. O botão de desligar é o único que nosso dedo parece incapaz de apertar. Continuamos olhando para a tela. Porém, normalmente não porque algo significativo tenha chamado nossa atenção, e sim porque não há nada interessante sendo transmitido.

Depois que somos fisgados, quanto mais trivial e mais sem sentido é a atração, mais intenso se torna nosso vício. Se isso fosse estimulante para o pensamento, motivaria nossa mente a pensar por si mesma de novo, o que é algo mais consciente e, portanto, preferível a um transe induzido pela televisão. Dessa forma, nossa atenção deixaria de ser prisioneira das imagens da tela. O conteúdo da programação, caso apresente alguma qualidade, pode até certo ponto neutralizar, e algumas vezes até mesmo desfazer, o efeito hipnótico e entorpecedor da TV. Existem determinados programas que são de uma utilidade extrema para muitas pessoas – mudam sua vida para melhor, abrem seu coração, fazem com que se tornem mais conscientes. Há também algumas atrações humorísticas que acabam sendo espirituais, mesmo que não tenham essa intenção, por mostrarem uma versão caricata da insensatez humana e do ego. Elas nos ensinam a não levar nada muito a sério, a permitir um pouco mais de  descontração e leveza na nossa vida. E, acima de tudo, nos ensinam isso enquanto nos fazem rir. O riso tem uma extraordinária capacidade de liberar e curar. Contudo, a maior parte do que é exibido na televisão ainda está nas mãos de pessoas que são totalmente dominadas pelo ego. Assim, a intenção oculta da TV é nos controlar nos colocando para dormir, isto é, deixando-nos inconscientes.

Evite assistir a programas e anúncios que o agridam com uma rápida sucessão de imagens que mudam a cada dois ou três segundos ou menos. O hábito de assistir à televisão em excesso e essas atrações em particular são duas causas importantes do transtorno de déficit de atenção, um distúrbio mental que vem afetando milhões de crianças em todo o mundo. A atenção deficiente, de curta duração, torna todos os nossos relacionamentos e percepções superficiais e insatisfatórios. Qualquer coisa que façamos nesse estado, qualquer ação que executemos, carece de qualidade, pois a qualidade requer atenção.

O hábito de ver televisão com freqüência e por longos períodos não só nos deixa inconscientes como induz a passividade e drena toda a nossa energia. Portanto, em vez de assistir à TV ao acaso, escolha os programas que despertam seu interesse. Enquanto estiver diante dela, procure sentir a vívida atividade dentro do seu corpo – faça isso toda vez que se lembrar. De vez em quando, tome consciência da sua respiração. Desvie os olhos da tela em intervalos regulares, pois isso evitará que ela se aposse completamente do seu sentido visual. Não ajuste o volume acima do necessário para que a televisão não o domine no nível auditivo. Tire o som durante os intervalos. Procure não dormir logo após desligar o aparelho ou, ainda pior, adormecer com ele ligado.

Seminário no Rio

Nos dias 23 e 24 de setembro, será realizado o 1º Seminário Internacional de Psicopolítica e Consciência: para superar a discriminação. O objetivo é aprofundar as investigações e intervenções a respeito de como os indivíduos e culturas são atingidos pela discriminação construída pela mídia, pela Justiça em conflitos sociais e por processos eleitorais. A cada duas horas de palestras, o público-participante terá 1h30m para conversar entre si e com os expositores sobre os aspectos abordados. O evento vai acontecer no Instituto Infnet, no Centro do Rio. A entrada é gratuita.

“Muitos sujeitos e organizações emergem de experiências de subjugação não como emancipados e emancipadores mas como subjugadores de outros. Isto dificulta a mudança social proposta, pois ser emancipado é o efeito de ser posto pela estrutura (poder) na história (lugar determinado) e de emergir em rede como seu contraposto reflexivo (potência). A questão portanto é: como o sujeito pode fazer a dobra subjetiva na qual ele elimina de seu território mental os estados mentais discriminatórios produzidos por exemplo pelos discursos da pedagogia, da mídia e da justiça?”, indaga o professor Evandro Vieira Ouriques, coordenador-geral do encontro.

De acordo com a programação, o dia 23 será dedicado à Visões Compartilhadas, quando quatro especialistas apresentarão os fundamentos da psicopolítica e consciência. O dia 24 será dedicado aos Territórios Compartilhados, quando treze especialistas acadêmicos e não-acadêmicos e lideranças sociais (coletivos e redes) tratarão das conexões entre suas áreas de atuação e o tema do seminário.

Confira a programação
Dia 23 de setembro de 2014

Visões compartilhadas
14h – Abertura
Evandro Vieira Ouriques, Coordenador do NETCCON.ECO.UFRJ, e Marcelo Serpa, Coordenador do NUMARK.ECO.UFRJ -Coordenadores do Seminário- Representante do INFNET, e Samuel Ossa, Consul-Geral do Chile.

14h30m às 16h30m – 
1a. Sessão
– Sujeição criminal: Quando o crime constitui o ser do sujeito.
Michel Misse – Coordenador do Núcleo de Estudos de Cidadania, Conflito e Violência Urbana-IFCS-UFRJ.
– Argumentaciones discriminatorias en las sentencias penales de imputados mapuches en los tribunales de la región de La Araucanía, Chile: Crítica a la ‘certeza moral’ como razonamiento hegemónico.
Carlos Felimer Del Valle Rojas –Decano de Educación, Ciencias Sociales y Humanidades, Universidad de La Frontera, Temuco, Chile.

16h30m às 18h – 1h30m de Interação Público e Expositores

18h às 18h30m – 
Confraternização

18h30 às 20h30m – 2a. Sessão
– Opinião Pessoal e Opinião Pública.
Marcelo Serpa – Coordenador do NUMARK-Núcleo de Marketing-ECO-UFRJ.
– Psicopolítica e Consciência: para superar a discriminação.
Evandro Vieira Ouriques – Coordenador do NETCCON-Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-ECO-UFRJ.

20h30m às 22h – 1h30m de Interação Público e Expositores

Dia 24 de setembro de 2014 

Territórios compartilhados
14h às 16h – 1a. Sessão
– Fortalecer imagens interiores.
Ratão Diniz – Imagens do Povo, Coletivo Favela em Foco e Projeto Revelando os Brasis-MinC.
– Temos o dever moral de desobedecer a estados mentais violentos.
Evandro Rocha – Pedagogo Comunitário, Amparo, Nova Friburgo.
– Yuluka y Zhigonezhi: principios del pensamiento indigena para la resilencia.
Lorena Aja Eslava – Diretora do Programa de Antropologia, Universidad del Magdalena, Colombia.
– Tecnologias da sociabilidade contemporânea e formação da opinião.
Claudio Rabelo – Universidade Federal de Santa Maria.
– Pueblo Misak, del destierro a la resistencia: emergencia de lo ancestral en el mundo contemporáneo.
Maria Isabel Noreña – Universidad Minuto de Dios, Colombia. 
– Reich, Acontecimentos Sociais e Processos Psíquicos.
Frinéa Souza Brandão – Diretora da NeuroFocus Psicoterapias.
– O jornalista precisa conhecer a própria identidade do que é ser jornalista para cumprir seu papel na sociedade.
Paula Máiran – Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.

16h às 17h30m – 1h30m de Interação Público e Expositores

17h30m às 18h – Confraternização

18h às 20h15m – 
2a. Sessão
– Lembrar da luta de meus ancestrais me faz forte no respeito ao outro e no encontro do que nos une.
Anapuaka Tupinambá Hãhãhãe – Coordenador da Radio Yandê, do Grupo Raízes Históricas Indígenas e da Rede de Cultura Digital Indígena.
– Emancipação no Hip Hop, a questão do Quinto Elemento.
Luck Gbcr – Universal Zulu Nation, Brasil.
– Valores ancestrales en la resiliencia de liderazgos en el Caribe colombiano. 
Eduardo Forero – Programa de Antropologia, Universidad del Magdalena, Colombia. 
– Reconhecendo Potências Emancipadoras.
Victor Hugo Rodrigues – Honório Gurgel Coletivo.
– Autorrepresentação e Protagonismo: a experiência do Cafuné na Laje.
Léo Lima – Cafuné na Laje.
– Produção de encontros na zona norte do rio: ser o que eu quero pro mundo.
Carlos Meijueiro – Norte Comum.
– Proteger-me de mim mesmo para ser fiel ao que me fez ser dirigente sindical.
Afonso Celso Teixeira – 1º Vice-Presidente do Sindicato de Professores do Município do Rio de Janeiro e Região.

20h15m às 21h45m – 
1h30m de Interação Público e Expositores

21h45m – 22h – Conclusões, Compromissos e Confraternização

Mundo virtual e as crianças

Pensando na proteção das crianças online, a União Internacional de Telecomunicações (UIT) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançaram, no dia 5 de setembro, um guia de orientação que aborda os perigos que crianças e adolescentes podem encontrar no mundo virtual. O documento também oferece estratégias para capacitá-los e sensibilizá-los sobre os mecanismos de proteção existentes. “A revolução da comunicação online tem criado tremendas oportunidades para os jovens de hoje, mas, ao mesmo tempo, criaram uma exposição para novos riscos no ciberespaço. Apesar das iniciativas locais e nacionais terem a sua importância, a internet não conhece fronteiras e a cooperação internacional será a chave do sucesso para ganhar as batalhas futuras”,  disse o secretário-geral da UIT, Hamadoun I. Touré.

Acesse aqui o guia, em espanhol

Preparadas em conjunto com a iniciativa de Proteção de Crianças Online, as diretrizes respondem aos avanços substancias em tecnologia para avaliar e responder às necessidades das crianças conectadas à internet, podendo, elas mesmo, “ajudar a ganhar essa luta contra o cibercrime e as ameaças cibernéticas”, disse Touré. A seção “dicas inteligentes” oferece um passo a passo sobre como podem proteger sua privacidade na rede e alerta sobre aceitar pessoas estranhas como amigas ou encontrá-las no mundo real. A publicação também fornece conselhos sobre como a indústria da tecnologia de informação e comunicação (TIC) – que desenvolve, fornece e produz produtos neste contexto – pode ajudar a promover mais segurança para as crianças e adolescentes online, assim como orientações sobre como garantir uma cidadania digital responsável, aprendizagem e participação cívica.

Mais informações, acesse o portal com todos os dados

Pinóquio: relembranças

Por Artur Melo, 10 anos
Estudante do 6º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

História de hoje: Relembranças de uma grande aventura. Parte 2

Meus amigos, essa história do Pinóquio está dando o que falar.
Para esse segundo episódio, estou aqui imaginando uma conversa entre bonecos: Emília e o Pinóquio.
Esse boneco está tentando de todo jeito se livrar da escola. Vejam só a ideia que ele teve.

Carta de Pinóquio para Emília, do Sítio do Pica Pau Amarelo.

Querida Emília, adoraria ir aí, fiquei sabendo que você, assim como eu, é uma boneca falante que virou gente. Ah, como eu queria virar gente, um menino! Além disso, também soube que por aí tem uns bolinhos de chuva deliciosos para matar a minha fome. Há outra notícia maravilhosa é a sua avó, dona Benta, uma senhora muito esperta e, cá entre nós, seria muito melhor aprender com ela, gramática, matemática, geografia etc, aprender tudo participando de grandes aventuras, porque tenho detestado ir à escola. Já me meti em diversas encrencas por causa disso. Quem sabe também ajeitamos um casamento entre o meu pai com a sua querida avó. Ele anda muito solitário. Beijo, espero sua reposta ansioso, 

Pinóquio 

Agora, leia a resposta de Emília para Pinóquio 

Que surpresa Pinóquio! Pensei que você tivesse virado lenha para o assado do Titereiro. Ando lendo a sua história e pensei que dele você não fosse escapar. Poxa, dizem que sou eu que não tenho coração, que não tenho piedade, quando a tia Nastácia mata os frangos, mas você hein… Deixar o seu pobre pai em mangas de camisa para comprar sua cartilha e depois vendê-la por quatro moedas! Que bobinho você! Só quatro!? Eu venderia por muito mais!rsrsrsrs

Venha logo, deixe de lenga, lenga! Vamos ajeitar logo esse casamento, porque a vida por aqui anda muito calma, uma mesmice danada! Já sei que vocês não têm nenhum tostão, então mando um pouco do pó do pirlimpimpim para vocês chegarem até aqui, mas veja se traga algo para a minha canastrinha, hein…
Beijo, até logo,
Emília

Cine revistapontocom

A revistapontocom indica esta semana o documentário Meninas, de Sandra Werneck. Em pauta: a gravidez na adolescência. Estima-se que uma em cada cinco gestantes no Brasil é adolescente. “Meninas enfoca três casos particulares, mas que ajudam a compreender um quadro mais geral. O universo que conheci ao acompanhar a trajetória dessas meninas, durante um ano, foi profundamente revelador: elas quase não vivem suas infâncias, desde cedo assumindo o compromisso de cuidar dos irmãos mais novos e de suas casas. Acabam por confundir maternidade com maturidade, na expectativa de que o novo status de mãe signifique um reconhecimento na comunidade e na família. O período da gestação – em que a espera é a única grande aliada – coincide com o fim de seus sonhos infantis”, explica a diretora.

O documentário traz as histórias de Evelin, Luana e Edilene. No dia em que completa 13 anos, Evelin descobre que está grávida de seu namorado, um rapaz de 22 anos que acaba de se desligar do tráfico de drogas para o qual trabalhava na Rocinha, Rio de Janeiro, onde vivem. A gravidez não a impede de continuar sendo a garota de sempre. A possibilidade de um aborto nem passou pela cabeça de Luana, 15 anos, quando ela descobriu que estava grávida. Órfã de pai, Luana vive com quatro irmãs e a mãe em uma casa onde só há mulheres. Desde cedo ajuda a mãe a criar as irmãs mais novas, e há meses vinha alimentando a idéia de ter um filho “só para ela”. Edilene não planejou nem evitou sua gravidez. Tampouco o fez sua mãe. Agora, mãe e filha estão grávidas. Edilene espera um filho de Alex, por quem é apaixonada. Alex engravidou ao mesmo tempo sua vizinha, Joice, de 15 anos. Edilene, aos 14 anos e grávida, já vai viver o drama de um triângulo amoroso.