Série infantil da TV Cultura

Estreia no dia 10 de novembro, na TV Cultura, a série infantil Que monstro te mordeu, criação de Teodoro Poppovic  e do diretor e roteirista Cao Hamburger, autor de Castelo Rá Tim Bum e do seriado infantojuvenil Pedro e Bianca, que ganhou, no ano passado, o prêmio Emmy. Voltada para o público de 4 a 10 anos, a nova atração vai contar com 50 episódios de 30 minutos. E com outros 50, de menor duração, que serão exibidos na web.

Qual é a história da nova série? Bem, prepara-se: toda vez que uma criança desenha um monstro, esse desenho ganha vida no Monstruoso Mundo dos Monstros, provocando caos e confusão por onde passa. Neste lugar misterioso e encantador, caberá a Lali e seus amigos monstruosos resolverem a confusão instaurada e ainda aprender algo com a missão. O objetivo dos episódios é dialogar com as crianças sobre os sentimentos e medos: ciúme, intolerância e convivência em grupo. A atração mistura bonecos manuais e animação 3D.

Em entrevista ao UOL, o diretor Cao Hamburguer adiantou que a série é bem-humorada e divertida. A série, de acordo com Cao, dialoga sobre sentimentos, o que no mundo atual, tecnológico, acaba sendo deixado de lado. Fala também sobre a importância da vida em grupo, algo que, segundo ele, estamos perdendo.

Com uma produção independente, criada pelas produtoras Primo Filmes e Caos Produções, o projeto de Cao Hamburguer e Teodoro Poppovic é financiado pelo Sesi e a TV Cultura e a TV Rá Tim Bum são parceiras na divulgação.

Acompanhe em: https://www.facebook.com/quemonstrotemordeu

Prêmio Jabuti

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Foram divulgados, no último dia 16, os ganhadores do Prêmio Jabuti 2014. A autora Marina Colasanti, com o livro Breve história de um pequeno amor, lançado em 2013 pela Editora FTD, é a vencedora do Prêmio Jabuti na categoria infantil. O anúncio foi feito pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), responsável pela organização.

Vencedor também do Prêmio Fundação Nacional do Livro Infanto Juvenil (Fnlij) 2014, Breve história de um pequeno amor conta a história de uma escritora que encontra um ninho com dois filhotes de pombo. Por meio de uma prosa poética, o leitor compartilha as hesitações e os sucessos de uma história de crescimento e desenvolvimento. Como o próprio nome da obra diz, esta é uma história de amor, mas também de ciúme, aflição, paciência, saudade, preocupação, entre outros sentimentos.

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Já o Prêmio Jabuti na categoria juvenil foi para o escritor Ricardo Azevedo, com a obra Fragosas Brenhas do Mataréu. O livro, editado pela Ática, em 2013, conta a história de um jovem de cerca de 15 anos que se vê abandonado após a morte da mãe. Ele seria apenas um adolescente, mas a narrativa se passa no século XVI, em Portugal, onde garotos precisam se tornar homens muito cedo, e a fé, em vez de reconfortar, fomenta o ódio e o medo.

Órfão, ele é condenado a trabalhar na frota ultramarina portuguesa e empreender a maior de todas as aventuras: a arriscada viagem para o Novo Mundo, para as terras de um Brasil ainda em formação, de matas intransponíveis, rios abundantes e povos tão misteriosos quanto perigosos. Durante a jornada, o jovem narrador-protagonista vai descobrir o fascinante choque entre o conforto das verdades estabelecidas e o desassossego de uma vida pulsante e repleta de encontros, indagações, paixão, amizade.

Fragosas brenhas do mataréu se mostra um verdadeiro estudo sobre as condições de vida no Brasil Colônia em seus primeiros anos e traz à tona questões ainda nebulosas sobre esse período: como viviam os colonos, como eram constituídos os povoados e quais eram suas relações com o Reino, com os índios dominados e com as tribos do interior? Entre outros temas, o autor descortina ainda o embate e a miscigenação entre diferentes culturas, crenças e mentalidades presentes na construção do país.

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Na categoria ilustração de livro infantil ou juvenil, Renato Moriconi levou o prêmio pelo trabalho Bárbaro, editado pela Companhia das Letras. O livro, sem diálogos, conta a aventura de um bravo guerreiro que montou em seu lindo cavalo e saiu em uma perigosíssima jornada. Ele lutou contra serpentes e gigantes de um olho só, sobreviveu a flechadas, enfrentou leões monstruosos e plantas carnívoras, até que, de repente, ele para no meio do caminho e começa a chorar.

Veja os demais vencedores

Infantil
1º Lugar – Título: Breve História de um Pequeno Amor – Autor: Marina Colasanti – Editora: Editora FTD
2º Lugar – Título: Da Guerra dos Mares e das Areias: Fábula Sobre as Marés – Autor: Pedro Veludo – Editora: Editora Quatro Cantos
3º Lugar – Título: Poemas que Escolhi para Crianças – Autor: Ruth Rocha – Editora: Editora Moderna

Juvenil
1º Lugar – Título: Fragosas Brenhas do Mataréu – Autor: Ricardo Azevedo – Editora: Ática
2º Lugar – Título: As Gêmeas da Família – Autor: Stella Maris Rezende – Editora: Globo
3º Lugar – Título: Uma Escuridão Bonita – Autor: Ondjaki – Editora: Pallas

Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil
1º Lugar – Título: Bárbaro – Ilustrador(a): Renato Moriconi – Editora: Companhia Das Letras
2º Lugar – Título: Naninquiá – A Moça Bonita – Ilustrador(a): Ciça Fittipaldi – Editora: Editora DCL
3º Lugar – Título: Conselho – Ilustrador(a): Odilon Moraes – Editora: Escrita Fina Edições / Tinta Negra Bazar Editorial

Festa da Animação

No dia 28 de outubro, o Dia Internacional da Animação é comemorado em 30 países com a exibição simultânea de filmes de animação. O evento, cujo objetivo é atrair novos públicos para o cinema de animação, é realizado em comemoração à primeira projeção pública mundial de imagens animadas, realizada pelo artista Émile Reynaud, na França, em 1892.

No Brasil, o evento, organizado pela Associação Brasileira de Cinema de Animação – ABCA, está em sua 11ª edição.  Serão exibidos curtas-metragens em mais de 240 cidades das cinco regiões do país, a partir das 19h30. Além das mostras oficiais – Internacional, Nacional, Infantil e Ambiental –, a programação de cada cidade conta com diversas atividades nos dias anteriores ao evento, como mostras infantis, internacionais, para deficientes visuais e auditivos. Além disso, também serão promovidos debates, oficinas, palestras e exposições. Todas as atividades do evento são gratuitas.

Confira aqui se a sua cidade faz parte do circuito do Dia Internacional da Animação e participe.

Inscrições abertas

Estão abertas as inscrições para as oficinas do Encontro #Gambiarra Mídias Digitais e Ativismo. O evento acontece entre os dias 05, 06 e 07 de novembro no Auditório do Bloco A – Centro de Tecnologias da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A programação inclui duas mesas-redondas, “Ações e empreendimentos criativos na web” e “Mídias digitais: política e ativismo”. Oficinas confirmadas: Robótica Educacional, Dojo de Programação, Stop-motion com massinha, Edição de vídeo para web, Marketing Digital, Tecnologias assistivas, Blogs, Slackline e Circo.

Durante o encontro será realizado Game Jam com abertura no dia 05 de novembro às 16h e encerramento no dia 07 de novembro às 13h.Para saber mais informações e inscrições, acompanhe em: www.nides.ufrj.br/gambiarra/

Energia pura

Por Jessica Miwa
Site The Greenest post

Depois de trabalhar durante anos como voluntário em Gana, o engenheiro Bem Markham percebeu duas sérias questões que precisavam ser resolvidas: a falta de parquinhos para a criançada e de energia para as escolas. Markham então ligou os pontos e iniciou o desenvolvimento de um playground que gerasse eletricidade para abastecer a vizinhança, a partir da energia das crianças.

A partir da ideia, e com o apoio da Birgham Young University, o engenheiro criou a ONG Empoyer Playgrounds, que produz uma série de brinquedos capazes de transformar energia cinética – das crianças – em energia elétrica. Segundo a ONG, cada brinquedo pode gerar até 150 watts, que são utilizados para abastecer a escola e iluminar o caminho dos estudantes com lanternas LED – já que a iluminação pública deixa a desejar. A instalação do sistema custa aproximadamente dez mil dólares. O custo benefício, segundo analistas, é bom: abastece 200 crianças por pelo menos cinco anos – o que significa um investimento de menos de um dólar por mês para cada criança. A iniciativa de Markham já contemplou 31 escolas africanas.

Ilustração brasileira

Depois de ter sido exibida na Itália, na Feira do Livro de Bolonha, em março deste ano, a exposição Brasil: incontáveis linhas, incontáveis histórias chega ao Rio de Janeiro, ao Espaço Eliseu Visconti, na Biblioteca Nacional do Rio. A mostra reúne ilustrações brasileiras originais, com cerca de 70 imagens de 55 autores e respectivos livros de literatura para crianças e jovens.

Entre os ilustradores selecionados estão Alcy, Alê Abreu, Cárcamo, Daniel Bueno, Fernando Vilela, Guazzelli, Guto Lacaz, Guto Lins, JC Alphen, Jô Oliveira, Laurent Cardon, Lelis, Maria Eugênia, Marilda Castanha, Mauricio Negro, Nelson Cruz, Odilon Moraes, Rosinha, Rui Oliveira, Salmo Dansa e Suppa.

“A reabertura deste espaço é importantíssima, pois permite que a Biblioteca cumpra sua vocação museológica. Além de ser uma exposição que consagra a arte brasileira na área do livro infantil, esta mostra nos permite exibir uma parte importante do acervo da própria biblioteca, além de fazer a ponte entre o passado e o presente”, destaca Renato Lessa, presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

Além da mostra, haverá um ciclo de debates sobre o tema, com a participação de convidados ilustres. A exposição homenageia Ziraldo e Roger Mello – vencedor do Prêmio Hans Christian Andersen na categoria ilustração em 2014. Ela marca, também, a reabertura do Espaço Eliseu Visconti, da Biblioteca Nacional, após um período de quase dois anos de inatividade.

Informações no site http://www.bn.br/portal/

Conheça o Observacom

Monitorar o desenvolvimento de marcos normativos e políticas públicas de comunicação. Esta é a missão do Observatório Latino-Americano de Regulação, Mídia e Convergência (Observacom), uma iniciativa de pesquisadores e especialistas de diversos países, que têm produzido e divulgado informações e análises que permitem avaliar a liberdade de expressão, a diversidade e o pluralismo nos sistemas de mídia da região.

No site do observacom.org, é possível encontrar análises sobre concentração da propriedade dos meios de comunicação, sobre as legislações de cada país, o grau de liberdade de expressão e diversidade em cada localidade, a implantação da TV Digital, o controle da internet e o papel das mídias públicas, por exemplo.

Há ainda espaço para notícias, uma completa base de dados com os marcos normativos de cada país e um apanhado de informações sobre os principais aspectos regulatórios da transição à televisão digital, realizado por especialistas latino-americanos para o projeto Mapping Digital Media. As informações podem ser acessadas por país.

A direção geral do Observacom é formada por Gustavo Gómez (Uruguay), Aleida Calleja (México), Joao Brant (Brasil), Edison Lanza (Uruguay), Bruce Girard (Canadá), Martín Becerra (Argentina), Guillermo Mastrini (Argentina), Miriam Larco (Perú) e Fernando Bermejo (España).

Para saber mais, acesse:

http://observacom.org/
https://www.facebook.com/observacom
https://twitter.com/@Observacom

Inscrições prorrogadas

Atenção: as inscrições do 3º Festival de Vídeo Curta na Uerj foram prorrogadas. Os interessados têm agora até o dia 3 de novembro para inscrever seu vídeo no concurso que é promovido pelo Centro de Tecnologia Educacional (CTE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Qualquer pessoa acima dos 12 anos pode concorrer.  O tema do festival deste ano é “Povo brasileiro”.

O conteúdo dos vídeos – que podem ser gravados com celular, máquina fotográfica ou filmadora – pode abordar diferentes aspectos do tema central: valores, o que move a sociedade, o modo de ser, a diversidade, as histórias, a vida, o país, os personagens, as contradições, as desigualdades etc. Informação importante: o vídeo não pode ultrapassar dez minutos, incluindo os créditos.

Há duas categorias: adulta e teen. Os primeiros lugares ganham uma câmera Go Pro. Segundos, um smartphone. E os terceiros, um tablet. A divulgação do resultado final está prevista para novembro.

Acesse aqui o edital na íntegra

Cinema para as crianças

Está confirmada: vem aí a 5ª edição da Mostrinha de Cinema Infantil de Vitória da Conquista, Bahia. E a primeira etapa de exibições de curtas e longas para as crianças acontece na Zona Rural do município, entre os dias 20 e 24 deste mês. Serão atendidos os distritos de Inhobim, José Gonçalves, Pradoso, São Sebastião e Iguá. Já na cidade, as exibições acontecerão nos dias 5, 7, 17, 19 e 21 de novembro, e nos dias 1º, 3, 5, 10 e 12 de dezembro, sempre às 15h. Quinze escolas e creches municipais receberão o projeto.

Já consolidada no cenário cinematográfico nacional, a Mostrinha de Cinema Infantil de Vitória da Conquista, que acontece desde 2010, é uma parceria entre o Programa Janela Indiscreta Cine-Vídeo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) e a Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Educação.

A Mostrinha surgiu como parte do projeto “O que se aprende com o cinema”, cujo objetivo inicial foi o despertar novos olhares e potencialidades por meio do contato com a sétima arte, possibilitando o acesso a filmes que, geralmente, não estão no circuito comercial.

Em quatro edições, já foram exibidas 80 produções infantis e cerca de 10 mil crianças da Rede Municipal de Ensino foram contempladas com as exibições e as oficinas de Fotografia e Produção de Vídeo e de Animação.

Mais informações no site 

Adultizar, erotizar…vender!

Por Lais Fontenelle
Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-Rio e autora de livros infantis
Consultora do Instituto Alana

Mês passado, um ensaio fotográfico intitulado “Sombra e água Fresca”, de um editorial de moda da Vogue Kids envolvendo meninas em poses sensuais, foi alvo de contundentes críticas de pais, mães, pediatras, especialistas em infância, estudantes e instituições que trabalham em prol da garantia dos direitos das crianças. O repúdio e as denúncias a diversos órgãos competentes foram tamanhos, que acabaram acarretando denúncia formal ao Ministério Público do Trabalho. A Justiça determinou que as fotos fossem retiradas, em 48h, de todas as mídias digitais, da revista Vogue Kids e consequentemente da Vogue (edição de setembro), na qual Vogue Kids é encartada como suplemento.

O fato deve ser celebrado nesse mês das crianças, e merece reflexão. É claro que é linda a cena de uma filha se equilibrando nos saltos da mãe, passando o batom vermelho da avó ou brincando com outros elementos que permeiam o universo feminino materno e fazendo de conta que é gente grande. Brincar de faz de conta com roupas e objetos do universo adulto e experimentar trejeitos maduros é importante para o desenvolvimento e faz parte do exercício de comportamentos futuros.

Mas o que vimos nas fotos do ensaio da revista Vogue estava longe de ser brincadeira. As imagens veiculadas rompiam nitidamente com o limiar entre crianças e adultos, meninas e mulheres – um limiar já bastante tênue, hoje, na sociedade de consumo. O ensaio fotográfico trazia fotos de meninas entre sete e dez anos em poses mais que sensuais, fazendo caras e bocas costumeiras às modelos adultas mas incompatíveis com essa faixa etária. O cenário era praiano, mas as fotos não retratavam crianças brincando ou correndo felizes. Aliás, nem sorrindo estavam. Com expressões lânguidas, as meninas posaram em posições adultas, mas com expressão de fragilidade, tirando a blusa e olhando por cima do ombro ou com o corpo deitado e as pernas entreabertas.

Cabe então a pergunta: qual a real intenção do ensaio? A meus olhos, nada mais do que chamar atenção de adultos e crianças para os produtos ali “anunciados veladamente” – o que, por si só, já ataca a vulnerabilidade infantil, posto que a maioria das crianças ainda não têm, como nós, adultos, capacidade crítica e abstração de pensamento necessárias para lidar com os apelos sedutores do consumo. Sem falar das consequências emocionais que imagens como essas provocam no imaginário feminino infantil, levando as pequenas moças a acreditar que roupa sensual e pose erótica serão peças fundamentais para a expressão de sua identidade e aceitação social.

Não é de hoje que que as crianças são insistentemente convidadas a amadurecer precocemente e passar, num clique, de menina a mulher aos olhos da sociedade. Isso, num país que mapeou 1.820 pontos de exploração sexual infantil nas rodovias federais, 241 rotas de tráfico de crianças e adolescentes para fins de exploração sexual, além de 13.472 denúncias de pornografia infantil na internet e de 3.600 denúncias telefônicas de abuso e exploração sexual infanto-juvenil, apenas no primeiro semestre de 2010.

Diante desses dados, fica clara a gravidade de convidar nossas meninas à adultização e erotização precoces. Recente pesquisa da World Childhood Foudation (WCF) revela que 65% das meninas exploradas sexualmente declaram usar o dinheiro da exploração sexual para comprar celular, tênis ou roupas. Isso demonstra que a vulnerabilidade econômica não é mais o único fator a despertar esse tipo de violência, dividindo a cena com apelos de consumo de indumentária e aparelhos eletrônicos.

Assim, não restam dúvidas de que imagens como as do ensaio fotográfico são uma violação ao direito das crianças a ter infância – fase essencial do desenvolvimento físico, cognitivo e de valores. Meninas precocemente erotizadas não estão preparadas para os olhares adultos que receberão – e o mercado tem o dever e responsabilidade compartilhada de construir um olhar mais cuidadoso sobre estas crianças.

Sem esquecer o fato de que essas meninas trabalharam, ao participar do ensaio, e a legislação brasileira veda o trabalho infantil até os 14 anos, e permite trabalho artístico desde que com caráter de aprendizagem e com as devidas autorizações, de modo a garantir-se o direito da criança de ter seus interesses preservados.

Não é de hoje que fatos como esse chamam atenção da sociedade civil e de profissionais que trabalham pelos direitos das crianças. Em 2008, o Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana denunciou a marca de roupas infantis Lilica Ripilica, da empresa Marisol, pela veiculação de outdoor com foto erotizando uma criança, em Londrina. Depois de muitas idas e vindas, nova representação foi endereçada ao Ministério Público de Santa Catarina, sede da empresa. Em março de 2009 foi celebrado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Marisol S.A., em que a empresa comprometeu-se a não mais veicular publicidade com imagens desse tipo e a pagar multa de 20 mil reais – evidência de que, com a devida pressão, os abusos começam a ser coibidos.

Não há dúvidas quanto à importância de as crianças serem representadas na mídia, até para serem enxergadas na sociedade como sujeitos de direitos. No entanto, as produções culturais devem contribuir para o desenvolvimento infantil ou, ao menos, não prejudicá-lo. Crianças são sujeitos de direitos, e o principal deles é ter infância. Não façamos o convite para que as crianças, meninas especialmente, amadureçam antes do tempo. Elas precisam ser preservadas para que possam florescer no seu próprio tempo. Façamos valer o preceito legal de que elas são prioridade absoluta em nosso país. Será nosso maior presente no mês das crianças.

Artigo publicado, originalmente, no site Outras Palavras

Projeto Rede Escola Rio

rede 2No próximo ano, o Rio de Janeiro comemora 450 anos. Tempo de resgatar suas histórias e a relação dos moradores com a cidade através do olhar de meninos e meninas das escolas do município. Curtiu? Bem, esta é a proposta do projeto Rede Escola Rio (RER), que começa a sair do papel no dia 21 de outubro. Cerca de 200 estudantes, de 11 a 16 anos, e mais 20 professores de cinco escolas vão dar o pontapé inicial mapeando as áreas verdes de seus bairros e, ao mesmo tempo, refletindo sobre a importância do patrimônio natural da Cidade Maravilhosa.

“O Rede Escola Rio pretende ser um espaço de pensamento, desenvolvimento de ideias e criação sobre a cidade do Rio de Janeiro e seus habitantes, sobre o espaço físico organizado socialmente onde vivemos e atuamos. O projeto acontece dentro das escolas municipais através de um encontro entre alunos, professores, os profissionais da Secretaria de Educação e da área do audiovisual”, explica a idealizadora do projeto, Juliana de Carvalho.

Ao todo, serão ministrados cinco módulos. Cada um dividido em três oficinas que acontecerão nas escolas que participam do projeto. Cada oficina será baseada nos livros da coleção As Cores do Rio, que desvenda a cidade por meio de suas tonalidades: verde, azul, amarelo, vermelho e branco. A coleção é composta por cinco livros: O Rio que é verde, O Rio que é azul, O Rio que é amarelo, O Rio que é vermelho e O Rio que é branco.

Conheça mais sobre  a coleção

Neste primeiro encontro, marcado para o dia 21 de outubro, o verde é o destaque. As escolas vão receber um exemplar do livro O Rio que é verde, que vem acompanhado de um Guia de Plantio. Arquivos audiovisuais serão disponibilizados para as turmas atendidas enriquecerem suas próprias produções. Todos os professores e alunos terão acesso ainda a um material pedagógico impresso, com orientações e uma cópia do DVD de coletânea do módulo verde do RER.

“Mas vale lembrar que nos dias 17 e 19 de outubro, ou seja antes do pontapé inicial, realizamos com os professores uma oficina passeio no Campo de Santana, onde trabalhamos com os docentes os recursos das câmeras, inclusive de celular. A oficina foi conduzida pela professora e fotógrafa Monique Cabral, da Trilharte”, conta Bia Porto, coordenadora geral e pedagógica do projeto.

De acordo com o cronograma, os próximos módulos acontecerão em 2015. Inspirado no livro O Rio que é azul, o segundo módulo abordará a história da ocupação do litoral carioca, a cultura e particularidades de nossas águas. O Rio que é amarelo, terceiro módulo do RER, abordará o patrimônio material histórico da cidade do Rio. No quarto módulo, baseado no livro O Rio que é vermelho, estudantes e professores da rede pública municipal de ensino abordarão a tradição das grandes festas e eventos e os locais onde se experimenta a “energia do Rio”. Em O Rio que é branco, quinto e último módulo do Rede Escola Rio, as escolas abordarão a busca da paz dentro da sociedade carioca, sua religiosidade diversa e questões de cidadania.

Veja a relação das escolas participantes:
– Escola Municipal General Humberto de Souza Mello
– Núcleo de Arte Grécia
– Escola Municipal Rostham Pedro de Farias
– Escola Municipal Rose Klabin
– Escola Municipal Conjunto Praia da Bandeira

Tim Allen em Recife

A quarta edição do Festival Internacional Brasil Stop Motion, que acontece entre os dias 25 e 29 de novembro, em Recife, vai contar com um convidado ilustre: Tim Allen, o animador de sucessos como A Noiva Cadáver e Frankenweenie, de Tim Burton. Ele estará no Recife durante todo o festival e fará uma Master Class e uma oficina para animadores. Haverá uma mostra especial de filmes animados por Tim Allen. Mais informações serão divulgadas em breve.  Acompanhe o site e a fan page do festival.

Sobre Tim Allen. Acesse o site

357 filmes na disputa

Pseudo Evolução – Escola Parque Barra

O jogo dos sonhos – Escola Parque Gávea

A mulher ramada – Escola Parque Gávea

Esses são alguns dos curtas, produzidos por alunos do Ensino Médio, que participam do Festival Anim!Arte 2014 – Festival Internacional de Animação Estudantil do Brasil. Para a edição deste ano, foram selecionados 357 curtas de 46 países. (clique aqui e veja a relação completa dos vídeos que concorrem ao festival)  Os interessados têm dez dias para conferir de perto os filmes. A exibição vai do dia 21 ao dia 31 de outubro. Todas as sessões são gratuitas. Elas acontecerão no Planetário da Gávea, no Instituto Infnet e na Espm-Rio.  Haverá sessões fechadas para escolas no Instituto Moreira Salles. A cerimônia de premiação vai ser realizada no dia 13 de Novembro na Cúpula Carl Sagan, no Planetário do Rio.

Há oito categorias em disputa: Competitiva BR – universitários; Competitiva BR – Ensino Fundamental;  Competitiva BR – Ensino Médio; Competitiva BR – profissional filme ambiental; Competitiva – estudantes internacionais mini (-18);  Competitiva – estudantes internacionais maxi (+18); Competitiva Internacional – profissional filme ambiental; e  Competitiva Nacional e Internacional – profissional culturas do mundo. As animações inscritas serão avaliadas por três tipos de júri:

A) Júri Profissional – composto por animadores, professores e outros profissionais de reconhecida competência no meio, nomeados pela coordenação do festival. Este júri profissional premiará as melhores animações das categorias: universitários, estudantes internacionais maxi (18 +), profissional filme ambiental e profissional culturas do mundo.

B) Júri Popular – composto pelos espectadores que estiverem presentes às exibições da mostra competitiva. O júri popular premiará as melhores animações de todas as categorias.

C) Júri Infantil – composto por crianças indicadas pela organização do festival. O júri infantil premiará as melhores animações das categorias: ensino fundamental, ensino médio e estudantes internacionais mini (-18).

Confira, abaixo, as sessões que serão realizadas:

PLANETÁRIO – RJ
22 /10  – (quarta feira)
sessões:
14h às 15h – Estudantes Internacionais  Mini
15h às 16h – Estudantes do Ensino Fundamental – BR
16h às 17h – Filme Ambiental – Profissionais (sessão 01)
17h às 18h – Filme Ambiental – Profissionais (sessão 02)

23 – (quinta feira)
sessões:
15h às 16h – Culturas do Mundo – Profissionais (sessão 01)
16h às 17h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 04)
17h às 18h –  Estudantes Internacionais Maxi (sessão 03)
18h às 19h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 02)
19h às 20h –  Estudantes Internacionais Maxi (sessão 05)
20h às 21h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 10)

30 (quinta feira)
sessões:
15h às 16h – Culturas do Mundo  – Profissionais (sessão 03)
16h às 17h – Filme Ambiental  – Profissionais (sessão 03)
17h às 18h – Filme Ambiental  – Profissionais (sessão 04)
18h às 19h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 01)
19h às 20h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 07)
20h às 21h  – Culturas do Mundo  – Profissionais (sessão 02)

31 (sexta feira)
sessões:
9h às 10h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 12)
10h às 11h – Estudantes do Ensino Fundamental – BR
11h às 12h – Filme Ambiental –  – Profissionais (sessão 05)

INSTITUTO INFNET
21- (terça feira)
sessões:
16h às 17h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 01)
17h às 18h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 02)

22 – (quarta feira)
sessões:
8h às9h – Filme Ambiental – Profissionais (sessão 05)
9h às 10h – Filme Ambiental – Profissionais (sessão 04)
10h às 11h – Estudantes  Internacionais Maxi (sessão 03)
11h às 12h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 04)
12h às 13h – Culturas do Mundo – Profissionais (sessão 06)

23 – (quinta feira)
sessões:
9h às 10h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 05)
10h às 11h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 06)
13h às 14h – Filme Ambiental – Profissionais (sessão 03)
14h às 15h – Estudantes Internacionais  Maxi (sessão 07)
15h às 16h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 08)
16h às 17h – Culturas do Mundo – Profissionais (sessão 05)
17h às 18h – Filme Ambiental – Profissionais (sessão 01)
18h às 19h – Filme Ambiental – Profissionais (sessão 02)

24 – (sexta feira)
sessões:
9h às 10h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 09)
10h às 11h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 10)
11h às 12h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 11)
13h às 14h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 12)
14h às 15h – Culturas do Mundo – Profissionais (sessão 01)
15h às 16h – Estudantes Universitários BR (sessão 01)
16h às 17h – Estudantes Universitários BR (sessão 02)
17h às 18h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 14)
18h às 19h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 13)

25- (sábado)
sessões:
10h às 11h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 04)
11h às 12h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 03)
13h às 14h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 02)
14h às 15h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 01)
15h às 16h – Culturas do Mundo – Profissionais (sessão 03)
16h às 17h – Culturas do Mundo – Profissionais (sessão 02)

ESPM – ESCOLA SUPERIOR DE PROPAGANDA E MARKETING
23- (quinta feira)
sessões:
14h às 15h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 01)
15h às 16h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 02)
16h às 17h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 03)
17h às 18h – Filme Ambiental – Profissionais (sessão 02)

27- (segunda feira)
sessões:
14h às 15h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 04)
15h às 16h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 05)
16h às 17h – Estudantes Internacionais Maxi (sessão 06)
17h às 18h –  Culturas do Mundo – Profissionais (sessão 01)

Seminário moda e infância

O tema é polêmico, mas cada vez mais necessário ser discutido por todos. Nos dias 21 e 22 de outubro, acontece em São Paulo, o I Seminário Infância e Moda, pelo direito de ser criança. Serão duas tardes de diálogos com profissionais da comunicação, produtores de moda e educadores, com o objetivo de incentivar a sociedade a buscar um novo entendimento sobre o universo infantil e os cuidados que precisamos ter com ele.

“É preciso respeitar o desenvolvimento natural de cada criança. Crianças de 0 a 6 anos, por exemplo, precisam de roupas adequadas aos movimentos da faixa etária e que possam proporcionar liberdade e conforto no brincar. E Crianças de sete aos doze anos frequentemente são induzidas a consumir roupas para adolescentes”, observa Giovana Barbosa de Souza, gestora nacional da Rede Aliança pela Infância.

No primeiro dia do encontro, será exibido o filme Idades da Moda, do diretor Gilmar Moretti, acompanhada de um bate papo com o diretor Marcelo Machado e o jornalista e pesquisador Tarcísio D’Almeida. No segundo dia, os convidados são Giuliano Donini, presidente da Marisol, e Alessandra Françoia, da ONG Criança Segura. Ambos vão propor uma reflexão sobre o atual cenário do mercado da moda e seu impacto no cotidiano infantil.

O seminário será realizado, às 13h30, no Auditório da Faculdade Santa Marcelina, que fica na Rua Dr. Emílio Ribas, 89 – Perdizes. A participação é gratuita. As inscrições serão feitas por meio do e-mail: alianca@aliancapelainfancia.org.br ou pelo site www.aliancapelainfancia.org.br (link eventos).

Crianças sem direitos

professor-roberto-da-silvaPor Marcus Tavares

Neste Dia das Crianças, a revistapontocom convida os leitores para refletirem sobre os direitos da infância. Da infância mais sofrida, desprovida de cuidados, de educação, saúde e carinho. Neste sentido, é bem oportuno reler a entrevista que Roberto da Silva, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), concedeu. Roberto vem concentrando seus estudos e pesquisas na área da infância. Mais especificamente, na triste infância do país, aquela que está ligada aos abrigos, ao abandono e à exploração.

Para o professor, que já atuou como consultor de organismos internacionais, ainda há milhares de crianças que nascem destituídas de direitos no Brasil, simplesmente, porque seus pais não têm direitos. “Conceber a criança como sujeito de direitos significa entender que ela tem direitos, independente de quem sejam seus pais”.

Acompanhe a entrevista:

Marcus Tavares – Crianças abandonadas, privadas e vítimas de violência. Qual a causa de tantas histórias bárbaras?
Roberto da Silva –
Não é possível entender esta questão apenas com a análise de casos concretos que aparecem na mídia, pois as raízes do problema social brasileiro remontam à formação inicial da estrutura social brasileira, assentada sobre dogmas religiosos. Estes, desde o início, atribuíram o estigma da ilegitimidade à crianças, mulheres e famílias que não obedeciam aos cânones da Igreja Católica. Este fato está na origem do abandono de crianças, no concubinato, na estigmatização da mãe solteira e na negação do status de família aos arranjos sócios familiares que não estavam de acordo com os sacramentos cristãos. Esta situação foi particularmente agravada com a exploração sexual da mulher índia, com a introdução da escravidão no Brasil e, posteriormente, com as medidas tomadas para erradicá-la, tais como a Lei do Ventre Livre e a Lei do Sexagenário, que literalmente jogou na rua milhares de pessoas sem nenhuma proteção da lei ou do Estado. As razões da desestruturação familiar no Brasil são históricas, e falta coragem para alguns setores da sociedade tomarem as decisões políticas que se fazem necessárias, tais como o apoio estatal à família, planejamento familiar e atendimento público de saúde para mulheres que não deveriam mais engravidar.

Marcus Tavares – O senhor diria que a infância brasileira, dos dias de hoje, é respeitada pela sociedade?
Roberto da Silva
– A infância de modo geral não. Rejeitados são os filhos dos pobres, das mães solteiras, dos presos, dos que nascem com doenças mentais, doenças congênitas ou deficiência física, exatamente como no passado. A sociedade, sobretudo a classe média, aprova quando estas mulheres ou famílias manifestam publicamente a rejeição pelo filho que nasce e o entregam para adoção. No passado, o juiz de menores destituía as famílias pobres de seus filhos e os entregavam para adoção nacional ou internacional. Hoje, o ECA limita esta prática e a classe média se recusa a procurar crianças para adoção dentro de abrigos. Entende-se que as crianças já incorporaram vícios da cultura institucional que são definitivos na formação do caráter e da personalidade. Mas veja a correria que se faz quando há notícias de um recém-nascido abandonado.

Marcus Tavares – O que é ser criança no Brasil de hoje?
Roberto da Silva –
Ainda há milhares de crianças que nascem destituídas de direitos, simplesmente porque seus pais não têm direitos. Estou falando de emprego garantido, de seguridade social, de licença maternidade/paternidade, de férias, seguro contra acidentes do trabalho, aposentadoria, 13º salário, plano de assistência médica, salário-educação – direitos sociais desejáveis para qualquer família com filhos. Esta realidade ainda nos remete à dicotomia criança x menor (ainda não completamente erradicada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA): filhos que nascem com direitos porque seus pais têm direitos e filhos que nascem absolutamente sem direitos, porque seus pais não têm ou foram destituídos dos direitos sociais. Milhares destas crianças ainda são invisíveis às políticas, programas e ações sociais e são vítimas preferenciais do trabalho escravo, da exploração sexual e da violência doméstica.

Marcus Tavares – Neste sentido, que papel ocupa o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)?
Roberto da Silva
– O ECA instituiu alguns paradigmas que são importantes para a resolução dos problemas que afetam a infância. Conceber a criança como sujeito de direitos significa entender que ela tem direitos, independente de quem sejam seus pais. Mas, na verdade, são os pais quem primeiro asseguram os direitos dos filhos. A doutrina da Proteção Integral significa que a infância deve ser prioritária na destinação dos recursos públicos, mas isso efetivamente não acontece porque os orçamentos públicos ainda estão atrelados aos interesses políticos de secretarias de governo e ministérios. O Estado brasileiro ainda não encontrou a fórmula apropriada para proporcionar Proteção Integral às famílias pobres para que elas não percam os seus filhos para as drogas, para a prostituição, para o abrigo e adoção. Da mesma forma, é necessário haver a unificação nacional dos cadastros de pretendentes à adoção e de crianças disponíveis para adoção, com o objetivo de oferecer uma chance de vida digna para milhares de crianças, hoje abandonadas em abrigos. Estas pendências mostram que o ECA é um instrumento eficiente para proteger os direitos da infância, mas que é preciso aplicá-lo efetivamente e criar os mecanismos que possibilitem ao Estado proteger a família.

Marcus Tavares – E a mídia? Como o senhor analisa sua atuação frente à infância?
Roberto da Silva
– Gosto do trabalho da Agência Nacional dos Direitos da Infância (ANDI), que faz um mapeamento de como os principais veículos de comunicação no Brasil abordam o tema criança e adolescente. As estatísticas mostram um salto qualitativo no tratamento do tema, associando-o cada vez mais à Educação, aos direitos e ao protagonismo e não mais à violência e à criminalidade. Falta à mídia algo que poderíamos chamar de “cultura da infância” para que se sobressaiam, nas reportagens, novelas, filmes, programas de auditório e desenhos animados, os valores próprios da infância. O único aspecto desta “cultura da infância”, pela qual a mídia tem se interessado, é de natureza mercadológica, ou seja, a venda de produtos e serviços para crianças, a maioria deles de valor pedagógico questionável. O excesso de escrúpulos do Governo brasileiro em relação à censura prévia resulta em excessivas concessões às entidades reguladoras da mídia e da publicidade. Vemos o desvirtuamento da imagem, tanto da criança quanto da mulher, o que é extremamente ruim para as relações sociais e humanas.

Marcus Tavares – E a família? O que ela pode concretamente fazer para a resolução dos problemas que afetam a infância?
Roberto da Silva
– O estudo da formação da estrutura social brasileira mostra que família está na origem dos mais graves problemas sociais  em que vive a nossa população. Não a família em si, mas o conceito de família que se quis estabelecer como hegemônico no Brasil. A estrutura social brasileira foi criada para assentar-se sobre o modelo da família nuclear, composta de homem e mulher casados e seus filhos, ignorando os arranjos sócio familiares de índios, negros e resultantes da grande miscigenação racial que houve no Brasil. É a ideia de família enquanto célula mater da sociedade. Este modelo está em crise e há uma multiplicidade de arranjos sócio familiares diferentes da família nuclear, mas que sofre a rejeição por parte do Estado e a discriminação por parte da sociedade.

Entrevista publicada inicialmente pelo Rio Mídia
Centro Internacional de Referência em Mídias para Crianças e Adolescentes

Programa Especial

Programa_Especial_Matheus_apresenta_esta_edicaoPor Marcus Tavares

O Dia das Crianças vem aí. Quer dar um presente bem bacana para elas? Conheça um pouco a história da Maria Rita, da Beatriz e da Mariana. Do Francisco e João Victor. Dos irmãos Luiz Henrique e Isabela. Da Marina e do José Carlos. E dos namorados Giovana e Hugo. A turma de meninos e meninas é a estrela do Programa Especial, deste sábado (dia 11/10), uma produção da TV Brasil que tem o objetivo de dar vez e voz às pessoas com deficiências. A atração comemorativa ainda conta com Matheus, o apresentador. Caio, responsável pela transcrição em Libras e Maria Júlia, pela narração da audiodescrição.

“As crianças, de diferentes idades e deficiências, vão se apresentar, bem como seus lugares, amigos, brincadeiras, enfim seus respectivos cotidianos. Elas são carismáticas e se expressam com muita naturalidade. Não é um programa infantil, mas fizemos uma edição especial para o Dia das Crianças”, avisa Hermínia Bragança, coordenadora de conteúdo da TV Brasil.

Há dez anos em cartaz, o Programa Especial é um ícone da grade da TV Brasil, e um dos únicos da TV brasileira, que busca dar visibilidade aos indivíduos que têm algum tipo de deficiência da forma como eles realmente são. “Nem coitados nem super-heróis”, resume Ângela Patricia Reiniger, diretora do programa.

Conheça mais sobre o programa. Acesse o site
O programa do Dia das Crianças vai ao ar sábado, dia 11, às 10h30, na TV Brasil.

Segundo Ângela, a cobertura sobre os cidadãos deficientes, de modo geral, melhorou bastante nos últimos anos, mas, ainda falta colocar a pessoa antes da deficiência. “Existem muitos casos em que a pessoa com deficiência é tratada como incapaz de gerir a própria vida ou então é vista como um ser extraordinário, só porque tem um trabalho”.

Dada à importância do programa para o debate sobre a inclusão dos deficientes no dia a dia da sociedade e no desenvolvimento de políticas públicas consistentes, a revistapontocom entrevistou Hermínia e Ângela. Um bate-papo, via e-mail, que faz pensar, refletir e reconhecer a importância de um Programa Especial.

Acompanhe:

revistapontocom – Ao longo dos dez anos do programa, como vocês avaliam o retorno da audiência e da equipe responsável pela produção, nos bastidores?
Ângela Reiniger – Quando o Programa Especial começou, acredito que o que mais chamou a atenção do público foi ver pessoas com deficiência como protagonistas de um programa. Por mais absurdo que isso pareça hoje em dia, na época, se falava sobre as pessoas com deficiência e não em conjunto com as pessoas com deficiência. (Ângela, não entendi essa questão anterior…do conjunto) Com o tempo, acho que, simultaneamente, ajudamos à sociedade a encarar este tema de outro modo, por meio das abordagens das nossas matérias. Pessoas com deficiência não são nem coitadinhas nem super-heróis. Era desta forma que retratávamos as mudanças que estavam acontecendo, em grande parte devido à atuação de movimentos de pessoas com deficiência e de pais que queriam que seus filhos crescessem se enxergando de outro modo. Em relação aos profissionais que conviveram e convivem diretamente com a produção do programa, percebo significativas mudanças em quatro grupos distintos. Primeiro: os técnicos, como operadores de áudio, por exemplo, que me disseram que antes nem prestavam atenção nos direitos das pessoas com deficiência, mas que, agora, são indivíduos que, se virem alguém parando indevidamente em uma vaga reservada para cadeirantes, vão lá falar com quem está fazendo isso para explicar o quão é inapropriada a atitude. Segundo: os pais das crianças com Síndrome de Down, por exemplo. Ao serem entrevistados pela nossa repórter Fernanda Honorato, que também tem Down, eles parecem ter uma outra visão do futuro dos seus filhos. A repórter ali, entrevistando eles, é uma evidência concreta de que muito do que ouviram até então pode ser fruto de desconhecimento ou preconceito e que não há como pré-estabelecer até aonde cada pessoa, tenha ela deficiência ou não, pode ir. Terceiro: os estagiários que passaram por aqui. Como não é possível aproveitar todo mundo, a maioria segue seu caminho ao final do estágio. E é com grande alegria que percebemos que eles levam a experiência que adquiriram com o programa para outros veículos de comunicação. E, por último, o quatro grupo: as crianças e os jovens com deficiência que passaram a ter modelos na mídia para se espelhar.

Hermínia Bragança
– Outra perspectiva que acho importante destacar em relação ao Programa Especial é que, ao longo destes dez anos, ele se estabeleceu como uma referência importante não apenas para pessoas, mas também para instituições e organizações que trabalham com pessoas com deficiência. Isso ficou muito claro para mim nas entrevistas que foram feitas para o programa comemorativo dos 10 anos. As pessoas veem o Programa Especial como um “companheiro de luta”, quase como se ele, em si, já tivesse se tornado uma instituição, uma organização.  Assista ao vídeo 

revistapontocom – É possível historicizar as bandeiras do Programa Especial ao longo dos dez anos?
Ângela Reiniger – Nosso primeiro objetivo foi, antes de tudo, possibilitar a troca de informação entre pessoas em diferentes partes do país. Quando falo em troca de informações, não me refiro apenas aos novos tratamentos ou leis, mas, sim, que pudéssemos mostrar de que forma diferentes pessoas lidavam com as questões que a deficiência trazia para vida delas. Também sempre houve uma preocupação de nossa parte de mostrar as pessoas com deficiência como protagonistas de suas próprias histórias. Acredito que o público percebeu isso e se sentiu representado pelo Programa Especial. É importante ressaltar que, após um tempo, creio que o programa teve um avanço quando passamos a contar com repórteres com deficiência, fazendo matérias sobre outros assuntos não ligados à deficiência. Este é o caso, por exemplo, quando a Fernanda Honorato (nossa repórter que tem Síndrome de Down) faz uma reportagem de cultura ou o José Luiz Pacheco (nosso repórter cadeirante) entrevista um atleta sem deficiência. Para mim, essas duas abordagens são importantes e complementares: ter a deficiência como tema e também ter o olhar da pessoa com deficiência sobre outros assuntos. Atualmente, o nosso objetivo é expandir ainda mais a audiência, alcançando o público que não tem nenhuma ligação direta com a questão da deficiência. Já percebemos, através de mensagens de espectadores e mesmo de pessoas que vêm falar conosco quando estamos gravando em externa, que este público está ligado ao programa e que se interessa por uma abordagem natural deste tipo de assunto. Enfim, esperamos contribuir para que a inclusão seja natural e parte da vida cotidiana de todos nós.

revistapontocom – Podemos afirmar então que a sociedade está mais sensível à temática?
Ângela Reiniger – Acho que, depois de dez anos, a sociedade está mais aberta em relação ao tema. Embora ainda existam várias ideias pré-concebidas sobre as pessoas com deficiência, pelo menos há um interesse maior em ouvir essas pessoas e menos medo de se conversar com elas. Além disso, grupos ligados, por exemplo, à questão do autismo se articularam de modo a defender seus direitos e a tentar conscientizar a sociedade sobre assuntos de seu interesse (inclusão escolar, por exemplo). Com uma maior visibilidade na mídia, muitas pessoas com deficiência passaram a sair mais de casa, fazendo com que a sociedade como um todo olhasse mais atentamente para este tema. Ainda há um caminho a ser trilhado, mas acho que avançamos bastante.

Hermínia Bragança – É inquestionável que houve uma mudança positiva na forma como a sociedade se relaciona com as pessoas e com o tema. E a TV reflete isso. É muito bom ver o tanto e o quão rapidamente caminhamos, mas ainda há muito a se fazer. E a questão da inclusão da pessoa com deficiência se insere em uma questão mais ampla que é o convívio com a diferença, que eu, pessoalmente, acho que é um dos grandes desafios do nosso tempo.

revistapontocom – Neste sentido, a mídia tem um papel importante. Como vocês avaliam a cobertura dela frente ao tema?
Ângela Reiniger – Acho que a cobertura, de modo geral, melhorou bastante, mas, ainda falta colocar a pessoa antes da deficiência. Além disso, ainda existem muitos casos em que a pessoa com deficiência é tratada como incapaz de gerir a própria vida ou falar por si. Ou então como diferentes, como se fosse algo extraordinário alguém com deficiência trabalhar.

Hermínia Bragança – Acho que o grande desafio hoje não é tanto “cobrir” ou abordar a questão da deficiência, mas incluir pessoas com deficiência nos programas de uma forma mais natural. Por exemplo, no jornalismo: mais do que matérias sobre deficiência ou “superação” – implico bastante com este termo -, precisamos de um jornalista ou de um âncora que seja deficiente. Ou uma matéria sobre um escritor, pintor ou matemático falando sobre o seu trabalho e não sobre a sua deficiência. Da nossa parte, pensadores e produtores de conteúdo para o público infantil, precisamos, cada vez mais nos “incumbirmos” de produzir conteúdos onde crianças com deficiência se vejam refletidas e crianças sem deficiência vejam pessoas com deficiência existindo, colaborando socialmente, enfrentando desafios e rindo e brincando e brigando. Enfim, como pessoas, com qualidades e defeitos, nem melhores nem piores.

revistapontocom – Se temos muito a caminhar com relação ao tema, o que dizer das crianças e adolescentes portadores de necessidades especiais? Eles teriam mais obstáculos a enfrentar?
Ângela Reiniger – É interessante que as crianças em si não costumam demonstrar preconceito. No caso da inclusão escolar, por exemplo, o mais comum são alguns pais acharem que a convivência com pessoas com deficiência irá prejudicar os filhos deles, sem se darem conta de que uma sociedade inclusiva é boa para todos, não apenas para pessoas com deficiência. E eu concordo com a Hermínia quando ela diz que é preciso mostrar as crianças com deficiência com naturalidade, porque, antes de tudo, elas são crianças. Fazem bagunça, tem preguiça às vezes para os estudos, adoram estar com os amigos e assim por diante.

Hermínia Bragança – Em relação às crianças, elas estão inseridas na sociedade e como hoje a sociedade é um pouco mais informada, um pouco menos preconceituosa e existe mais acessibilidade e inclusão, elas têm muito mais chances de desenvolver uma autoestima melhor.

Sem consumismo

Publicidade dirigida às crianças é ilegal. Mas o que pais, avós, educadores, padrinhos e todos aqueles que se preocupam com as crianças podem fazer para manifestar seu desagrado diante das ações de comunicação mercadológica direcionadas ao público infantil? Neste Dia das Crianças, o projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, está lançando a campanha #anunciapramim.

Basta acessar o hotsite www.anunciapramim.com, informar nome e e-mail (que não será divulgado), e dizer qual empresa a pessoa flagrou agindo contra a lei. Os dados servirão de base para uma carta, que será encaminhada para a empresa citada, solicitando que ela pare com a ilegalidade das mensagens publicitárias e passe a dirigir sua comunicação aos adultos.

A carta também pede para que a empresa assuma a vanguarda na construção de práticas institucionais verdadeiramente sintonizadas com a ideia de garantir uma infância plena. Do lado direito da página, os internautas poderão acompanhar quais empresas estão recebendo a maior quantidade de cartas.

O Código de Defesa do Consumidor (CDC), em seu artigo 37, prevê a proibição da publicidade abusiva, que é aquela que se aproveita da deficiência de julgamento e de experiência da criança. “Em média até os 12 anos de idade, as crianças, pela fase de desenvolvimento emocional, cognitivo e psíquico em que se encontram, ainda não conseguem ter a capacidade crítica para lidar com os apelos de consumo”, afirma Laís Fontenelle, psicóloga do projeto Criança e Consumo. A resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), aprovada em março de 2014, clarifica ainda mais o que pode ser considerado abusivo e reforça o que já estava previsto no CDC.

A ação conta com o apoio do Akatu, Idec, Proteste, ACT+, Milc (Movimento Infância Livre de Consumismo), Rebrinc (Rede Brasileira Infância e Consumo), Conectas Direitos Humanos e Intervozes.

Fala jovem

Desigualdade, violência, paz, consumo e política. Com o objetivo de dar vez e voz às crianças e jovens, a revistapontocom inaugura mais um espaço neste sentido: o Fala Jovem. Nele, vamos publicar textos escritos por crianças e jovens sobre diversos assuntos. A ideia é promover a ‘fala’ destes cidadãos e ao mesmo tempo possibilitar que os adultos conheçam e ouçam suas histórias, sentimentos, comentários, avaliações sobre temas do nosso cotidiano.

Hoje, publicamos três textos. Trata-se de uma produção textual apresentada, pelos estudantes da Escola Sá Pereira, no I Fórum Nacional de Cultura Infância, realizado nos dias 23 e 24 de setembro, no Rio. Eles foram instigados a refletirem sobre a política cultural voltada para crianças e jovens, pelo governo brasileiro.

Confira:

Quem somos, o que pensamos, o que sabemos, o que queremos
Produção coletiva dos alunos do nono do Ensino Fundamental.

Um dia, em um bairro pobre, brotou do chão um conjunto de madeira com folhas. Conforme toda aquela casca crescia, os planos dos moradores sobre o que fazer com aquele corpo também tentavam alcançar as alturas. João via plantada no chão uma cadeira, Maurício jurava que aquilo ia virar papel, mas provavelmente ia acabar tudo como carvão – como dizia Pedro. De fato, ninguém via ali o que realmente era aquela junção de madeiras e folhas: uma árvore. Assim também são a infância e a adolescência: a árvore que ninguém percebe que produz sombra e frutos. (clique aqui e leia na íntegra).

Precisamos de um guia
Produção coletiva dos alunos do nono ano do Ensino Fundamental

Eu fico com a pureza das respostas das crianças. É bonito domingo ensolarado, passar a manhã na praia e de tarde ir ao cinema, É bonito ir a uma peça. É bonito dar um abraço no pai, seguido por uma história, história de criança, inventada ou verídica, que enche a cabeça de criatividade e imaginação. É bonito sair de tarde e de noite, a beleza de ser um eterno aprendiz.Mas e a vida? Ela é maravilha ou é sofrimento? (clique aqui e leia na íntegra).

Manifesto – entre a luta e a poesia
Produção coletiva dos alunos do nono ano do Ensino Fundamental

A juventude não é algo construído por aqueles que já foram jovens um dia. Existe, sim, NÃO como simples etapa de formação do ser humano, mas como um ciclo infinito que se renova a cada geração. Cada juventude tem características próprias de seu tempo e características de outras juventudes que deixam a sua história. Mas sempre é algo completamente diferente e único. Então, deixem-nos nos construirmos. Deixem-nos construirmos a própria cultura. (clique aqui e leia na íntegra).

Cine revistapontocom

Uma verdade inconveniente é o filme desta semana do Cine revistapontocom:

Por Michele Karina Cotta Walter

A ocorrência de fenômenos naturais extremos vem nos dando sinais de que algo incomum está acontecendo na natureza. Estamos vivenciando uma época de intensas ondas de calor em todo o mundo, de tempestades, secas e furacões cada vez mais severos, assim como o aumento de epidemias e a extinção de inúmeras espécies. Esses fenômenos têm sido apontados como conseqüência da mudança do clima na terra. No filme “Uma Verdade Inconveniente: o que devemos fazer (e saber) sobre o aquecimento global” dirigido por Davis Guggenheim e apresentado pelo ambientalista e ex- vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, o aquecimento global e suas conseqüências são retratados de forma realista. De caráter informativo e ao mesmo tempo impactante, o filme é exibido em forma de um documentário, elaborado a partir das palestras proferidas por Al Gore o redor do mundo.

Lançando mão de uma eloqüente retórica e de excelentes recursos audiovisuais que exibem dados científicos e imagens de fenômenos naturais recentes, Al Gore argumenta de forma convincente que a temperatura da terra está aumentando e que a principal causa desse aquecimento são as ações do homem. A veracidade com que o tema é tratado é capaz de remover qualquer dúvida de que as atividades humanas exercem influências na mudança do clima. Além de nos deixar alarmados com os conseqüentes desastres ambientais a que estamos sujeitos, ou melhor, que já estamos vivenciando.

O aquecimento global é causado pela intensificação do efeito estufa que, por sua vez, é conseqüência do excesso da concentração de determinados gases na atmosfera, os chamados gases de efeito estufa, dentre eles o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso. A principal fonte desses gases tem sido atribuída particularmente à queima de combustíveis fósseis e ao desmatamento.

Embora pesquisas científicas demonstrem claramente a correlação entre o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera e da temperatura, embora existam várias simulações do comportamento do clima através de modelagens computacionais, embora a ocorrência de eventos climáticos extremos esteja se intensificando, há ainda aqueles que questionam a veracidade de que o clima na terra está mudando e ignoram seus efeitos.

Informações publicadas no meio científico, e enfatizadas por Al Gore, são constantemente julgadas quanto à sua consistência. Mesmo havendo um sólido consenso científico, afirmando a correlação entre o aumento da temperatura e a concentração de dióxido de carbono, muitos ainda resistem em acreditar que o homem seja o principal culpado.

Os chamados “céticos do aquecimento global” defendem a teoria de que a terra está se aquecendo devido a causas naturais. Eles afirmam que mudanças climáticas periódicas ocorrem desde a origem da terra, com ou sem a interferência do homem como, por exemplo, as “Eras Glaciais”. E ainda, que o que estamos presenciando hoje são apenas flutuações cíclicas da natureza. Sabemos que eventos desse tipo já aconteceram em épocas passadas, mas vale ressaltar que tais mudanças ocorreram com variações naturais nos níveis de dióxido de carbono bem menores do que as que presenciamos hoje.

É sabido também que, além do efeito estufa, outros fatores internos ao sistema Sol- Terra-Atmosfera afetam o clima, tais como, variação de albedo planetário, porcentagem da radiação solar incidente e concentração de aerossóis. Entretanto, tais fatores não bastam para explicar tanto aquecimento em tão pouco tempo.

O fato é que existe um conflito de informações, as quais devem ser tratadas de forma cautelosa. De um lado estão aqueles que afirmam que a ciência é imprecisa, que os dados são incoerentes e que ainda existem dúvidas quanto à verdadeira causa dos fenômenos ocorridos. De outro, aqueles para os quais o aquecimento global já é uma realidade. A verdade é que está cada vez mais evidente que há algo de errado acontecendo em nosso planeta: fenômenos que antes ocorriam ao longo de eras geológicas agora se sucedem no decorrer de uma geração.

A hipótese de que o aquecimento da Terra é fruto da ação humana foi confirmada, com mais de 90% de probabilidade, com a divulgação recente de uma parte do Quarto Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). No relatório anterior, publicado em 2001, essa probabilidade havia sido estimada em 60%. Os cientistas ressaltam que até o final deste século a temperatura na Terra vai aumentar em torno de 3 a 5ºC, caso não ocorra uma redução imediata da emissão de poluentes. E ainda, que o aquecimento global vai causar derretimento de geleiras e o conseqüente aumento do nível do mar, gerando tufões e furacões menos freqüentes, porém mais intensos.

No filme “Uma Verdade Inconveniente” Al Gore chama a atenção para os diversos fenômenos catastróficos já ocorridos em todo o mundo, como o furacão Katrina nos Estados Unidos, as intensas ondas de calor na Europa, as inundações na China e o derretimento das geleiras do Monte Kilimanjaro. Ele ressalta que esses fenômenos serão cada vez mais freqüentes e violentos. Cita também que sempre foi considerada impossível a formação de furacões no Atlântico Sul, mas, em 2004, o Brasil foi atingido pelo furacão Catarina. Entretanto, a intenção principal do filme não é ser alarmista, não é deixar as pessoas apavoradas com o que possa acontecer, e sim informar, esclarecer a realidade e, principalmente, mostrar que algo tem que ser feito.

Intercalado a uma exposição didática da problemática ambiental, o filme apresenta histórias da vida pessoal do protagonista, como o acidente que quase matou seu filho, a morte de sua irmã, as aulas de um professor na universidade e a sua derrota nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Isso “quebra” um pouco o cenário científico do documentário e revela claramente o interesse do ex-candidato à presidência dos Estados Unidos em reerguer-se no cenário político.

Al Gore diz ter tornado a questão “mudanças climáticas” prioridade número 1 de sua vida profissional. É inegável o entusiasmo com que ele aborda o assunto e demonstra sua paixão pela luta ecológica. Mas, inegável também é a tentativa de promoção política explícita nas entrelinhas do filme. O “quase-presidente” dos Estados Unidos realça sua imagem pública quando aborda a politização do aquecimento global. Além disso, ele ressalta a enorme culpa de seu país neste processo, lembrando que os Estados Unidos, país que mais polui – responsável por aproximadamente ¼ das emissões de gás carbônico – foram um dos dois únicos países a não ratificar o Protocolo de Quioto, juntamente com a Austrália. Desse modo, faz c ríticas à posição do seu último oponente eleitoral, o presidente George W. Bush, em relação à não-adoção de políticas em prol da minimização do aquecimento global.

Independentemente de quem seja o protagonista deste assunto, seja ele cidadão norte-americano ou não, contra ou a favor do governo Bush, temos que admitir que é impossível falar de “aquecimento global” sem considerar os Estados Unidos o maior vilão da história.Embora Bush admita que o mundo esteja ficando mais quente, ele ainda insiste em afirmar que não existem provas conclusivas de que o aquecimento global seja causado por atividades humanas, resistindo, desta forma, em adotar medidas de redução de emissões de poluentes. O motivo da não-ratificação do Protocolo de Quioto pelos Estados Unidos não é segredo para ninguém. Para o país com a maior economia mundial, reduzir emissões de poluentes significa mudança nos padrões de produção, no modo de vida dos norte-americanos e, indiretamente, prejuízos à economia. Talvez seja mais conveniente ignorar a verdade, mesmo sabendo que suas conseqüências são inconvenientes. Entretanto, mesmo sem o apoio do governo, os norte-americanos vêm se demonstrando preocupados com essa questão. Várias cidades já adotaram medidas por conta própria, implementando políticas em prol da redução de poluentes causadores do aquecimento global.

“Uma Verdade Inconveniente” desperta o público para as reais conseqüências do aquecimento global, mostra que nenhuma forma de vida a habitar o planeta Terra foi tão agressiva quanto a raça humana. Ao mesmo tempo, mostra que existem soluções viáveis para que, pelo menos, tentemos minimizar seus impactos. Várias dessas soluções dependem de políticas governamentais, mas a maioria delas terá que partir de cada um de nós.

“Cada um de nós é uma causa de aquecimento global; mas cada um de nós pode se tornar parte da solução – em nossas decisões sobre o produto que compramos, a eletricidade que usamos, o carro que dirigimos, o nosso estilo de vida. Podemos até fazer opções que reduzam a zero as nossas emissões de carbono.” Al Gore.

Independentemente das razões que levaram Al Gore a abraçar esta causa, realizar conferências, escrever livros e produzir o filme, a adoção de ações que minimizem os efeitos das mudanças do clima são necessárias e urgentes. Temos que nos conscientizar que somos os culpados da crise climática do nosso planeta e cabe a nós fazermos algo para revertê-la.

Debate com Tisuka Yamasaki

No dia 14 de outubro, às 14h30, no Cinema Estação Botafogo, a diretora Tisuka Yamasaki vai conversar com o público sobre o seu mais recente longa: Encantados. O debate será realizado logo após a exibição do filme. O evento faz parte da programação 2014 da Mostra Geração, segmento infanto-juvenil do Festival do Rio. Para participar é preciso agendar. Basta ligar para os telefones (21) 30357110 ou 30357108. A sessão e o debate são gratuitos para as escolas públicas.

O filme conta a história de Zeneida. Uma garota qualquer, mas que sempre soube ser única. A mais esperta entre os dez irmãos; perseverante até na teimosia; atrevida e ousada em suas escolhas. A garota com sua beleza é uma estrela radiante; é o apoio que ampara a mãe, o desafio que provoca qualquer autoridade, e claro, a dor de cabeça que enlouquece a todos. A adolescente, irreverente e luminosa transforma-se quando é desafiada, quando não tem respostas prontas ou não consegue se explicar. Suas ações são incompreensíveis, acessos de pânico, muitas vezes de ira, gritos histéricos, chegando mesmo a pequenas convulsões. As acusações começam em casa, maluca, perdida, ela mesma não sabe o que fazer. Ela só quer sobreviver.

O pai quer interná-la num hospício. Zeneida só quer sobreviver, ali na ilha do Marajó, onde encontra seu primeiro grande amor: Antonio. Foge com ele para o fundo da floresta, sem saber que aquela paixão os levará às fronteiras do amor sagrado, no mundo mítico dos Caruanas. Sem que perceba, Zeneida vai ao encontro de seus antepassados, a linhagem dos pajés que vivem na natureza da alma. Antônio e Zeneida lutam desesperadamente para salvar o amor, mas são surpreendidos com a notícia que Zezé, mãe de Zeneida está morrendo. Só Zeneida, agora como pajé, pode salvá-la. Ela tem que escolher, aceitar seu dom assumindo o destino de ser pajé, ou com Antonio, viver encantada pelo povo do fundo das águas, os Caruanas.