Homenagem ao ‘Chaves’

Morreu, no dia 28 de novembro, aos 85 anos, o ator mexicano Roberto Bolaños, criador dos personagens Chaves e Chapolin, cujos seriados seguem em exibição em diversos países, apesar de terem estreado ainda nos anos 1970. Muito já se falou sobre as séries aqui no Brasil, que chegaram na década de 80. Tive a oportunidade de entrevistar Luis Joly, um dos autores do livro “Chaves – foi sem querer querendo?”, lançado em 2005, pela Editora Matriz. A publicação, fruto de uma extensa pesquisa, traça a história do seriado Chaves que conquistou os brasileiros.

Um bom momento para relembrarmos. Uma homenagem da revistapontocom.

Confira:

Já são mais de vinte anos de exibição na TV brasileira. O seriado atravessou os anos 80 competindo com loiras, rainhas e desenhos animados, como He-Man e Thundercats. Quem é que não se lembra? Encarou os anos 90 dos Cavaleiros do Zodíaco, Jaspion e todos os similares. Chegou aos anos 2000 com a mesma pose, enfrentando Pokemón, DragonBall Z e tudo o que vinha pela frente. E sem fazer feio. Mantendo um público cativo, fiel e, em alguns casos, de três gerações. Sem dúvida nenhuma, pode-se dizer que Chaves – o seriado mexicano exibido desde 1984 pelo SBT – é um fenômeno na TV Brasileira.

Que o diga os jornalistas – e fãs do seriado – Luis Joly, Fernando Thuler e Paulo Franco. Formados pelo Centro Universitário UniFIAM e com pós-graduação pela Cásper Líbero, eles tiveram a ideia, ainda na graduação, de pesquisar e entender como um seriado mexicano fazia tanto sucesso no Brasil há mais de duas décadas e à base, praticamente, de reprises. A pesquisa foi feita e apresentada como trabalho de conclusão de curso.

O livro, escrito para os fãs e para quem nunca ouviu falar da série, conta detalhes do surgimento do Chaves no Brasil. Reconstrói a história e revela que, na prática, os diretores da então TVS (hoje SBT) não apostavam no seriado, ao contrário do presidente da empresa, Silvio Santos, que resolveu comprar os direitos de exibição da série, chamada oficialmente por El Chavo del Ocho.

O seriado era apenas um dos itens de um grande pacote de produtos importados da Televisa, empresa Mexicana. A TVS adquiriu cerca de 250 episódios. Todos foram dublados. A série foi ao ar, pela primeira vez, em 25 de agosto de 1984, como um dos quadros do Programa do Bozo, que já tinha se tornado o palhaço mais famoso da TV brasileira da década de 80.

Os autores do livro contam que Chaves não emplacou de vez. Nos primeiros anos, a audiência sempre esteve atrás dos programas exibidos pela grande rival da TVS, a Rede Globo. Mas Silvio Santos, com certeza, contava com a astúcia do menino Chaves. Em pouco tempo, o seriado desvinculou-se do Programa do Bozo e ganhou horário próprio, alcançando praticamente todo o território nacional a partir de 1987, quando a TVS se transformou no SBT, em uma rede nacional de televisão.

A partir daí o programa, segundo os autores, ganhou vida própria. Foi exibido em diferentes horários, virou marca de produtos infanto-juvenis – álbum de figurinhas, lancheiras, videogame, bonecos, acessórios e revistas em quadrinhos. E ainda foi líder de audiência em todos os horários de exibição, deixando para trás os outros canais. “Sua média de audiência nos primeiros vinte anos de exibição apresenta impressionantes oito pontos, o que representa cerca de oito milhões de pessoas por dia”  – destacam os autores do livro.

De acordo com a obra, dados de agosto e setembro de 2003 mostram que o programa é mais assistido por crianças de 4 a 11 anos, das classes C, D e E. Cerca de 54% dos telespectadores são do sexo feminino. A pesquisa revela também que o seriado tem uma boa aceitação entre as classes A e B e entre o público com mais de 35 anos.

Para contar mais detalhes da série, confira a entrevista com um dos autores do livro, Luís Joly. Fanático por Chaves, o jornalista adiantou que até julho será publicado um novo livro sobre a saga do menino Chaves. “Uma publicação com outras curiosidades e histórias engraçadas”. Acompanhe a entrevista:

Marcus Tavares – O que há de tão especial em Chaves? Como explicar o sucesso da série no Brasil?
Luís Joly – Vários motivos podem explicar o fato de o Chaves fazer sucesso no país. É, inclusive, esta brincadeira que fazemos no título do livro: será que foi sem querer querendo mesmo que o SBT conseguiu tornar a série um sucesso? Cada episódio, por exemplo, foi reprisado mais de 40 vezes. A reprise funcionou como uma boa estratégia, uma boa tática. Investiu-se na repetição maciça. E de tanto repetir, a série acabou fazendo parte do imaginário coletivo do brasileiro. Acredito que a narrativa atemporal da série e as piadas ingênuas e universais também podem explicar o sucesso. O próprio protagonista, o Chaves [interpretado pelo autor da série], chama a atenção dos telespectadores. De certa forma, eles acabam se identificando com o personagem: um garoto órfão que vive se escondendo no barril da vila em que mora. Além de aprontar muitas e muitas peraltices e peripécias, o garoto sempre tenta arrumar alguma coisa para comer, já que passa dias e dias sem se alimentar. Na verdade, todos os personagens são carismáticos e têm alguma característica que desperta o interesse dos telespectadores. Trata-se de uma realidade que você encontra em qualquer lugar, em qualquer país. Além disso tudo, Chaves é um programa humorístico de fácil entendimento e voltado para todas as idades. Não é um programa essencialmente infantil. Bolaños, o autor da série, não escreveu um seriado infantil, mas, sim, um seriado humorístico dirigido para qualquer idade.

Marcus Tavares – O Chaves também fez sucesso no México e em outros lugares?
Luís Joly – No México, o autor da série, Roberto Gómez Bolaños, é idolatrado. É uma celebridade como Renato Aragão. Inclusive o mês de abril é dedicado a Bolaños que, curiosamente, é chamado de Chespirito, uma forma ‘espanholizada’ do nome inglês Shakespeare. O Chaves foi e é sucesso no México, assim como na Argentina e nos Eua, nas comunidades latino-americanas. A série também foi vendida para alguns países da Europa e da Ásia. É importante destacar que a série que o SBT vem reprisando ao longo destes 21 anos se refere à produção da década de 1970. Bolaños regravou o seriado nos anos 80, com novos atores. O SBT inclusive exibiu estes novos episódios. Mas eles não agradaram ao público, que exigiu a série antiga.

Marcus Tavares – Então pode-se afirmar que Chaves foi uma grande aquisição feita pelo SBT?
Luís Joly – Sem dúvida. Durante estes 21 anos de exibição, o SBT já reprisou cada episódio, no mínimo, 40 vezes. O programa já foi ao ar em diferentes dias e horários, à noite, no horário nobre, à tarde e pela manhã. Já saiu e entrou na grade da programação algumas vezes, mas sempre dando um bom retorno e uma ótima audiência. Sua média, nos primeiros 20 anos de exibição, é de oito pontos, o que representa cerca de oito milhões de pessoas por dia. Fora isso, Chaves já deu muito trabalho para as emissoras concorrentes. Há um caso que contamos no livro que envolveu o programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga. Ao estrear na programação vespertina da Rede Globo, o SBT contra-atacou com Chaves. Dois meses após a estréia, os números mostravam que o seriado tinha um público cativo e muito forte. O programa ficava à frente do Mais Você. No ano passado, a renovação do contrato da Televisa com o SBT foi motivo de interesse das outras emissoras. O contrato com o SBT estava expirando, e, sem uma razão específica, o grupo mexicano decidiu cobrar US$ 1,5 milhão por ano de exibição em vez dos US$ 500 mil. Muitas emissoras pensaram em comprar os direitos, mas o SBT resolveu pagar e manter Chaves na sua programação.

Marcus Tavares – Como foi a chegada do Chaves ao Brasil?
Luís Joly – O Chaves chegou ao Brasil como um contrapeso das novelas mexicanas. A Televisa vendeu algumas novelas para a TVS, como era conhecido o SBT antes de se tornar uma rede nacional de televisão. Em contrato, a Televisa determinava que todos os produtos comprados deveriam ser exibidos. Os diretores da empresa assistiram ao primeiro episódio da série, mas não aprovaram. Mas contrariando as expectativas do grupo, Silvio Santos resolveu veicular o seriado. Na verdade, Chaves ficou cerca de três anos na gaveta. Contra a vontade dos diretores, Silvio Santos mandou a série ser dublada. Oficialmente, ela estreou em 1984, dentro do Programa do Bozo. O SBT comprou cerca de 250 episódios, todos produzidos durante a década de 70.

Marcus Tavares – O livro que vocês lançaram em setembro do ano passado está na 5ª edição. Quem é o leitor de vocês?
Luís Joly – Na verdade, o nosso livro é voltado para todo tipo de público. Ele não foi escrito apenas para quem é fã da série. É atraente para quem já conhece a obra e para quem nunca ouviu falar dela. Há diálogos da série, curiosidades e muitas histórias. O que temos verificado é que muitas crianças e jovens têm lido o livro. Mas também temos leitores mais velhos, afinal o seriado já foi visto por várias gerações. O engraçado é que para muitas crianças e jovens trata-se do primeiro livro de suas vidas. O que nos gratifica muito. Até julho, vamos lançar mais um sobre o assunto. Vamos trazer mais curiosidades e contar outras coisas que aconteceram nos bastidores.

HQs: da internet para os livros

Por Gabriela Colicigno
El País – Observatório da Imprensa

O mundo das histórias em quadrinhos viu na internet uma ferramenta para se reerguer. Com as redes sociais e a facilidade de criar um blog, muitos desenhistas e roteiristas investiram em tirinhas para a internet, para se tornarem conhecidos e divulgar seu trabalho. “Antes, tirinha era coisa de jornal, dominada pela mídia impressa. Com a internet, novos autores ganharam espaço”, coloca Carlos Ruas, autor dos quadrinhos doUm Sábado Qualquer, que retrata os deuses de várias mitologias de uma forma divertida.

Para Maurício Muniz, editor da Mundo Nerd, das linhas de quadrinhos da Gal Editora e da Editora Peirópolis, “a internet tanto ajuda o autor a ficar conhecido com um custo mínimo, quanto ajuda a divulgar o trabalho”. E é assim que muitos autores que depois vão para o mundo dos impressos começam: com tirinhas publicadas na internet. Esse é o caso de Ruas, Pedro Balboni (Joãos e Joanas, que traz a conversa entre duas joaninhas) e de Paulo Kielwagen (Blue e os gatos, tirinhas sobre a vida de um grupo de gatos). “Comecei a fazer tirinhas sobre o cotidiano dos meus gatos, porque era um tema fácil e que rendia bastante”, explica Kielwagen. O ilustrador e roteirista já havia publicado alguns livros de quadrinhos antes, mas nenhum sozinho. Depois de um ano de tirinhas, resolveu lançar o primeiro livro, canecas e camisetas. “As pessoas gostam do seu personagem e querem comprar coisas dele”, explica. Suas tirinhas contam as histórias de vários gatos, protagonizando cenas do cotidiano de forma engraçada, inclusive de sua vida real, como o nascimento de sua filha e a relação dos gatos com a criança.

Já Pedro Balboni tem uma história diferente: ele também começou na internet, mas conta que não sabe desenhar. “Eu só sou roteirista. Para resolver isso, criei duas joaninhas que sempre são iguais e escrevo os diálogos”, diz ele. Esses diálogos entre as joaninhas abordam vários temas, desde pensamentos filosóficos à discussões cômicas sobre a vida. Na hora de lançar uma compilação das tirinhas em forma de livro, Balboni chamou vários outros quadrinistas brasileiros para redesenhar suas histórias, e assim nasceu o livroFulanos e Fulanas, publicado de forma independente. As histórias são as mesmas publicadas na internet, mas com os traços de outros desenhistas, que dão às joaninhas novas personalidades. O autor já conta com cinco livros publicados desde 2009, e diz que o que ganhou com os primeiros serviu para financiar o lançamento dos outros.

A maneira mais simples de publicar tirinhas atualmente, segundo os desenhistas, é de modo independente. “Ainda há muita desconfiança por parte das editoras tradicionais”, afirma Ruas. Ele, que lançou já vários livros por meio destas, explica que o mercado ainda é relutante em publicar no impresso algo que está disponível gratuitamente na internet. “Mas não funciona assim. Quem gosta, vai comprar o livro também, tive bastante retorno e mostrei que é possível ganhar dinheiro com isso”. Além dos livros, ele vende almofadas, cadernos e bichos de pelúcia de seus personagens.

Segundo Muniz, as editoras, aos poucos, estão notando o crescimento do mercado de quadrinhos nacionais. “Há bastante gente querendo publicar, então elas precisam ser seletivas”, conta. Com certa relutância dos meios mais tradicionais, os autores independentes têm buscado outros meios de lançar seu trabalho em papel. Um dos mais importantes é o Catarse, um site de crownfounding, em que eles anunciam um projeto e as outras pessoas podem investir se gostarem. Muitas vezes, investindo um certo valor, elas recebem um exemplar do livro de quadrinhos. Isso permite que os mais variados projetos tomem forma. O segundo livro de Paulo Kielwagen, por exemplo, foi lançado assim, depois de ele ter financiado o primeiro por conta própria. Com tiragem de 1.000 exemplares, ele atingiu o financiamento de 17.915 reais, quase 3.000 a mais d que a meta. Essa é uma saída para quem tem a ideia de lançar um livro, mas não tem dinheiro para começar.

Em 2013, segundo relatório do próprio Catarse, dos 71 projetos de quadrinhos lançados no site, 41 deles obtiveram investimento suficiente para sair do plano das ideias, sendo o quarto segmento com maior taxa de sucesso do site. Atualmente existem 21 projetos de quadrinhos em andamento e outras dezenas com metas atingidas. A exemplo de comparação, há dois anos o número total de projetos beirava os 20.

De qualquer forma, todos os autores são otimistas: há bastante espaço no mercado brasileiro para quem estiver disposto a criar. “A produção puxa o mercado”, afirma Balboni. Ele, assim como os outros, também concordam que há mais espaço para divulgar os quadrinhos fora da internet, nos diversos eventos voltados para esse nicho que ocorrem no Brasil, como a GibiCon, em Curitiba, a Brasil Comic Con e a Comic Con Experience, ambas em São Paulo. Sem contar os eventos menores, que reúnem fãs de quadrinhos como o Festival Guia dos Quadrinhos, que aconteceu em São Paulo no mês passado. De acordo com Carlos Ruas, quem quiser entrar nesse mercado deve “começar a desenhar, criar um blog e estar em todas as redes sociais. E procurar fazer um bom trabalho”.

Estado da arte do audiovisual

A Conferência de Autoridades Cinematográficas do Audiovisual (CACI) anunciou o lançamento do Observatório Iberoamericano do Audiovisual (OIA), site que reúne informações estatísticas e legais sobre a indústria audiovisual da região ibero-americana. O OIA dispõe de uma ferramenta interativa que permite realizar análises e comparações entre os bancos de dados disponíveis com informações do mercado audiovisual nos países membros da CACI.

conheça o site

Além de dados estatísticos do mercado, o site concentra em um mesmo espaço as legislações nacionais pertinentes ao setor, além de acordos, protocolos e convenções internacionais, facilitando e potencializando o surgimento de coproduções entre produtores dos países do grupo.

Resultado de um trabalho desenvolvido desde 2008, o OIA usa como referência o Observatório Europeu do Audiovisual (OEA) e tem o objetivo de se consolidar como um depósito de recolhimento, análise, sistematização e divulgação de informações sobre a produção cinematográfica e audiovisual, tendo como público-alvo os profissionais do setor, a imprensa especializada e os gestores das políticas públicas para o audiovisual nos países ibero-americanos.

Educação e mídia em debate

foto 3Saiu a programação do 4º Colóquio de Pesquisas em Educação e Mídia, evento que reúne diferentes cursos de pós-graduação do país e que tem como foco a produção de conhecimento nas relações entre educação e mídia.

Promovido pelos programas de pós-graduação do Estado do Rio que trabalham com o tema, o colóquio será realizado na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), entre os dias 2 e 4 de dezembro.

A noite de abertura ficará por conta das coordenadoras da The International Clearinghouse on Children, Youth and Media (Nordicom, University of Gothenburg, Suécia), Ilana Eleá e Catharina Bucht. Na ocasião, será lançado o livro (foto ao lado) Agentes e Vozes: um Panorama da Mídia-Educação no Brasil, Portugal e Espanha, uma publicação da Clearinghouse que reúne 28 capítulos/artigos que trazem experiências na área.

Acesse o site do evento e veja a programação completa

“O evento propõe-se a promover a discussão entre os grupos de pesquisa brasileiros e os pós-graduandos a eles filiados que tenham investigações em desenvolvimento visando a reflexão sobre o processo de produção de conhecimento dentro dos Programas de Pós-graduação, bem como ampliar as discussões para temas que estão em debate internacional, especialmente na América Latina.A temática do evento envolve o debate sobre o fazer pesquisa com mídias e sujeitos e propõe-se a ser um espaço de construção de novas parcerias para publicações e pesquisas interinstitucionais surgidas no contexto do evento”, destaca a coordenação.

Veja o livro com os resumos das apresentações

Alienação parental

Na semana em que o plenário do Senado aprovou projeto que regulamenta a guarda compartilhada, na qual torna-se obrigatória quando o casal se separa, foi lançado o livro A morte inventada – ensaios e vozes (Editora Saraiva). Trata-se de uma produção dos cineastas Alan Minas e Daniela Vitorino, realizadores do documentário A morte inventada – alienação parental, já amplamente divulgado pela revistapontocom.

Leia a entrevista sobre o documentário

O livro amplia a reflexão sobre a alienação parental, estende um novo olhar sobre a infância e fomenta novas perspectivas para a família. Abrange o campo do direito, da psicologia, do serviço social e avança em uma abordagem pioneira e sutil que o assunto merece e necessita.

A potencialidade da obra está em reunir 20 depoimentos de pessoas envolvidas nesse conflito e 20 ensaios de pensadores ligados ao direito de família e das mais variadas áreas da sociedade. Os depoimentos foram extraídos do site do filme (www.amorteinventada.com.br), que, desde outubro de 2008, disponibiliza um espaço para essas publicações. A diversidade dos autores na comunhão da mesma questão representa um novo momento em que a sociedade se reconhece no tema e participa dos efeitos, causas e soluções.

“A dinâmica na relação familiar durante a disputa pela convivência de um filho, sobretudo quando os envolvidos se encontram em conflito, muitas vezes em um processo de separação, representa um período de bastante apreensão. Em alguns casos, o excessivo desgaste entre os pais pode deixar marcas indeléveis. A criança, figura central nesse embate, seguramente é a que, por mais tempo, levará consigo essa questão, como um sinal. Indesejável herança”, destaca trecho do livro.

Limão azedo

Por Artur Melo, 10 anos
Estudante do 6º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

O dia em que um limão foi mais azedo

Um dia, minha mãe me pediu para ir ao mercado fazer umas compras. Lá fui eu…

Estava na seção de frutas quando então um pequeno menino, bem pequeno mesmo, chegou perto de mim. Perguntou se eu poderia comprar três limões para ele. Achei esquisito, mas disse que estava tudo bem, que eu poderia comprar os limões.

Mas uma coisa estava martelando minha cabeça. Com tantos biscoitos, chocolates, refrigerantes por que limões? Não poderia ser banana, maçã, uva? Perguntei se não queria outra coisa. Ele disse que não. Fiquei meio sem graça. Enfim perguntei por que ele queria os três limões.

Ele me respondeu. Precisava dos limões para fazer malabares, no sinal de trânsito. Nunca ia imaginar aquela resposta. Acho que ele nem sabia o que significava esse nome ‘malabares’. Acho também que, provavelmente, nem ia para a escola.

Falei que, além dos limões, ele poderia escolher o biscoito que quisesse. Todo feliz, me agradeceu e foi correndo pegar um biscoito. Paguei. Ele me agradeceu novamente e foi embora.

Bem, eu também fui embora, pensando nas injustiças desse nosso mundo.

E o limão, que eu já não gosto, ficou muito mais azedo!

Em defesa da infância

Para celebrar os 25 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança, comemorado no próximo dia 20 de novembro, a Rede Brasileira Infância e Consumo, Rebrinc, vai lançar oficialmente seu site na data (www.rebrinc.com.br). A ideia é reunir, articular e mobilizar pais, mães, educadores e profissionais de diversas áreas na defesa dos direitos de crianças e adolescentes diante das relações com o consumo. Neste sentido, o site vai trazer notícias, artigos, entrevistas, campanhas, publicações e vídeos sobre os temas infância e consumo. O site será um espaço para troca de experiências e para a promoção de um novo olhar sobre a cultura do consumo, além de outras questões relacionadas à infância e à adolescência. Além disso, os interessados também poderão contribuir enviando sugestões e conteúdos para o site que, assim como Rebrinc, é construído de forma coletiva.

Criada em junho de 2013, a Rebrinc é uma rede horizontal e colaborativa que reúne, virtual e presencialmente, pessoas físicas, instituições e movimentos de todas as regiões do país em defesa dos direitos de crianças e adolescentes diante das relações com o consumo. Em pauta: publicidade abusiva, obesidade infantil, adultização da infância, erotização precoce, estímulo à violência e distorção de valores.

A rede também planeja e executa ações em diferentes segmentos, da educação à sustentabilidade, com foco em políticas públicas para a promoção dos direitos de crianças e adolescentes. Neste sentido, incentiva práticas, simples e inovadoras, como feiras de troca de brinquedos e ocupação de espaços públicos e debates sobre conteúdo da mídia, publicidade infantil e alimentação saudável. Essas ações vêm sendo idealizadas por um grupo de 50 profissionais, de diferentes áreas e regiões do país, que se reúne periodicamente para alinhavar e refletir sobre a atuação da rede.

Alguns destes membros são também representantes das cerca de 30 instituições e movimentos brasileiros que já aderiram à Rebrinc. Entre eles: Aliança pela Infância, Centro de Inteligência Urbana de Porto Alegre, Colégio Marista Dom Silvério de Belo Horizonte, Movimento Infância Livre de Consumismo – Milc, Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (Seccional Rondônia), Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec, Instituto 5 Elementos, Movimento Consciência e Consumo, Instituto Akatu, Rede Nacional Primeira Infância e Instituto Alana.

Você e seu corpo

Por Marcus Tavares

Dois vídeos estão sendo divulgados pelas redes sociais nas últimas semanas. O primeiro é do animador francês Frederic Doazan. Chama-se Supervenus. O curta traz um desenho anatômico feminino que passa por uma cirurgia plástica. A modelo sofre toda sorte de cirurgias. Coloca botox, faz lipoaspiração, tira uma parte das costelas e se transforma em uma mulher loira de cabelos lisos e compridos. Os procedimentos não param por aí e são contínuos. Mas, em um dado momento, as mudanças não são positivas. O vídeo é duro e, ao mesmo tempo, assustador, à medida que mostra as consequências de uma corrida, insensata, pela beleza.

 

O segundo foi criado pelo Jubilee Project, um grupo formado por jovens asiáticos, que moram nos EUA, e resolveu fazer vídeos por uma boa causa. “Queremos inspirar as pessoas”, destaca o projeto. Um dos últimos vídeos chama-se Comfortable: 50 People 1 Question. O filme reúne adultos e crianças. Todos são convidados a responder a uma única questão: se você pudesse mudar algo em seu corpo, o que você mudaria.

Pergunta simples para os adultos entrevistados: a testa, as orelhas, a altura, a pele, as estrias, os olhos. Mas, a princípio, complicada para as crianças. O que mudariam? Pensaram e saíram com essas pérolas: uma cauda de sereia, uma boca de tubarão, orelhas pontiagudas, pernas de guepardo para correr rápido e assas. Segundo as crianças, elas estavam satisfeitas com o corpo e só. O vídeo termina com a seguinte indagação: quando foi a última vez que você esteve confortável consigo mesmo?

Ambos os vídeos são excelentes para refletir sobre a busca desenfreada pelo padrão de beleza imposto em nossa sociedade, mas especificamente pelo padrão cultivado e incentivado pela mídia e seus complementos, como publicidade e propaganda.

Chamar a atenção de jovens e adultos, principalmente do sexo feminino, se torna cada vez mais urgente. A International Society of Aesthetic Plastic Surgery divulgou um relatório com números sobre cirurgia plástica ao redor do mundo em 2013. Ao todo foram 23 milhões de cirurgias plásticas no ano passado. O Brasil ocupa posição de destaque no levantamento: o país foi o que mais realizou procedimentos cirúrgicos, ficando à frente dos EUA O país da América do Norte, no entanto, ainda lidera quando o volume total de cirurgias plásticas – cirúrgicas e não cirúrgicas – são considerados.

De acordo com o estudo, as cirurgias mais realizadas no Brasil foram lipoaspiração e colocação de próteses mamárias. O país também é líder quando o assunto é rinoplastia e abdominoplastia. Entre os procedimentos estéticos o destaque é a aplicação da toxina botulínica. O volume é o segundo maior do mundo, com 308.185 procedimentos realizados.

As mulheres representam 87,2% das pessoas que fizeram cirurgia plástica, num total de mais de 20 milhões. Na lista de mais populares estão: mamoplastia de aumento, lipoaspiração, blefaroplastia, lipoescultura e lifting de mama. Os homens representam 12,8% do total de pacientes de cirurgia plástica, num total de mais de três milhões. Os procedimentos mais procurados foram: rinoplastia, ginecomastia, blefaroplastia, lipoaspiração e otoplastia (cirurgia de orelhas).

Fica aqui a reflexão.

Privacidade tem limite?

Há cerca de três semanas, a estudante holandesa, de design, Laura Cornet, apresentou durante a Dutch Design Week, o projeto New Born Fame, seu trabalho de conclusão de curso da graduação na área de design.  Atenta às redes sociais e verificando que cresce o número de publicações de fotos de bebês, Cornet resolveu projetar brinquedos que, na verdade, funcionam como câmeras digitais conectadas à rede wi-fi. Quando o bebê levanta a mão ou faz um movimento mais brusco, a câmera dispara e faz uma foto ou um pequeno vídeo da criança. O resultado é compartilhado nas redes sociais automaticamente, incluindo uma legenda criada de forma aleatória.

Ao contrário do que se pensa, Cornet, ao criar o projeto, queria, na verdade, questionar a atuação dos pais que postam toda e qualquer foto de seus filhos. E não estimular a prática. “É estranho estar envolvido na vida de alguém que nem sequer sabe que eu já vi de tudo em sua vida”, disse em entrevista à CNN.

Em sua página na web, Cornet disse que a polêmica causada com o seu projeto é bem interessante, uma vez que questiona o limite ético, digamos assim, da sua proposta quando, na prática, o que mais se vê nas redes são fotos e mais fotos de bebês. “É interessante observar as reações das pessoas que só leram o meu projeto superficialmente, mas é, ao mesmo tempo, gratificante ver também muitas pessoas interessadas e curiosas. Tenho recebido vários questionamentos sobre o processo de criação, que, é claro, é algo que não pretendo compartilhar”, brinca.

Caso venha a ser comercializado pelo mercado, Cornet avisa que o modelo não permitirá o compartilhamento automático das imagens e deverá mandar as fotos diretamente para os smartphones dos pais.

Direitos da infância

Por Ana Luísa Vieira

No livro “Vida, o Filme – Como o Entretenimento Conquistou a Realidade”, o autor Neal Gabler ressalta que, além de levar emoção à rotina, os filmes “nos prestam também um serviço psicológico inestimável”. Afinal, diz ele, “sejam quais forem as dores, não deveríamos querer afastar o sofrimento, as perdas e o desespero, mesmo que isso fosse possível. Precisamos deles para enrijecer, para que estejamos totalmente vivos e nos sintamos como tal”.

Retratar difíceis realidades, valorizar as diferenças e sensibilizar o público estão justamente entre os objetivos da Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul. O evento chega à 9ª edição nesta segunda-feira (3) e segue em cartaz até 20 de dezembro em todas as capitais brasileiras, com entrada gratuita. Entre janeiro e março de 2015, os 41 filmes serão exibidos em mil pontos culturais do interior do país. A Mostra é realizada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com o Ministério da Cultura e a Universidade Federal Fluminense (UFF).

A pedido do Promenino, os curadores fizeram uma seleção de 10 filmes que tratam dos direitos das crianças e dos adolescentes, sob os olhares de diretores de diferentes países. Sete deles compõem o guia deste ano – os outros três foram exibidos na Mostra de 2013.

Confira:

1 – 6 Cups of Chai – Laila Khan (Índia, 2014, 7′)
O menino Dharavi trabalha como vendedor de chá e mora na favela mais pobre de Mumbai, na Índia. Ele alimenta um simples desejo: ir à escola como as outras crianças.

2 – Growing – Tariq Rimawi (Jordânia, 2013, 5′)
Animação sobre uma criança que brinca com arma de brinquedo e cresce junto com ela.

3 – Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – Daniel Ribeiro (Brasil, 2014, 95′)
Leonardo, um adolescente cego, tem de lidar com a mãe superprotetora ao mesmo tempo em que busca sua independência. Quando Gabriel chega à cidade, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade.

4 – Meu Amigo Nietzsche – Fáuston da Silva (Brasil, 2013, 15’)
Filmado na periferia de Brasília, traz a história do garoto Lucas, que encontra no lixão um livro de Nietzsche. A obra faz a vida dele mudar.

5 – Requília – Renata Diniz (Brasil, 2013, 15’53”)
Um garoto de 7 anos se afeiçoa por um homem em situação de rua. O curta-metragem traz a história dessa amizade inesperada entre personagens de diferentes gerações e classes sociais.

6 – Sanã – Marcos Pimentel (Brasil, 2013, 18′)
No interior do estado do Maranhão, as buscas de um menino pela imensidão da paisagem.

7 – Sophia – Kennel Rógis (Brasil, 2013, 15′)
No intuito de entender melhor o universo de Sophia, Joana, mãe dedicada, vive uma sucessão de experiências. Uma história de amor cercada de poesia visual e delicada trilha sonora.

8 – Quando a Casa é a Rua – Thereza Jessouroun (Brasil, 2012, 35’) *
O que leva crianças e jovens a viver na rua? O documentário procura responder a essa pergunta com depoimentos e imagens cotidianas de jovens que cresceram nas ruas da Cidade do México e do Rio de Janeiro.

9 – Leve-me Pra Sair – Zé Agripino (Coletivo Lumika) (Brasil, 2012, 19’) *
Retrata um grupo de adolescentes gays da cidade de São Paulo e suas visões de mundo.

10 – O Prisioneiro – Martin Deus, Omar Zambrano e Juan Chappa (Venezuela, 2012, 24’) *
Um grupo de escoteiros participa de um jogo de estratégia nas montanhas, quando dois integrantes de uma das equipes decidem aprisionar um adversário.

Planeta WhatsApp

Por Camilo Rocha
Colunista do Estado de S. Paulo

O dia 5 de novembro foi uma quarta-feira cheia de notícias importantes, como a divulgação do primeiro aumento da miséria no País em dez anos e o anúncio da conversão de esgoto tratado em água para consumo em São Paulo. Para milhões de pessoas em todo o Brasil, porém, a bomba do dia foi esta: o WhatsApp agora permitia que remetentes de mensagens soubessem se sua mensagem foi lida pelo destinatário.

O termo WhatsApp foi dos assuntos mais comentados no Twitter brasileiro naquele dia. Como de praxe, esta rede social e o Facebook (e, lógico, o WhatsApp) foram tomados por indignação, lamentações e piadas. Situações de constrangimento e dramas cotidianos foram previstos envolvendo o novo recurso, repetindo o que já aconteceu no chat do Facebook, que já contém o mesmo tipo de alerta. Um usuário dramatizou: “O que o amor constrói a mensagem visualizada e não respondida no WhatsApp destrói.”

Talvez só o Facebook conseguiria que uma simples novidade técnica, como o novo aviso de mensagem lida, gerasse tanta conversa e reação.

A repercussão reflete o fato de que o WhatsApp se tornou uma ferramenta essencial no dia a dia de donos de celular de qualquer parte do mundo, com destaque para Índia e Brasil. O aplicativo é a quarta comunidade virtual do mundo, com 600 milhões de usuários ativos. Fica atrás apenas da rede social e do serviço de mensagens chineses Tencent e do Facebook. Em fevereiro, a empresa disse que contava com 38 milhões de adeptos no Brasil.

Entre os mais jovens, o WhatsApp é uma obsessão e para constatar isso não é preciso pesquisa, mas mera observação do entorno. É esta a verdadeira ferramenta social dos mais novos, não o Facebook, com seus velhos, parentes e publicidade inoportuna, ou o email, uma relíquia usada quase que só para assuntos de trabalho.

Passo decisivo

O que se fala no WhatsApp é muito mais efêmero e livre de controles, o que encoraja conversas e compartilhamentos de todo o tipo. No momento, quem se sentir ofendido por algum conteúdo disseminado no WhatsApp deve se dirigir ao bispo, pois a empresa ainda não tem porta-voz no Brasil (o Facebook, que comprou o serviço por US$ 19 bilhões, ainda não responde por ele, segundo sua assessoria).

O WhatsApp segue dois preceitos de ouro no mundo da tecnologia: facilidade de operação e custo baixíssimo. Qualquer um que já tenha mandado mensagens de texto no celular sabe intuitivamente o que fazer no WhatsApp. E o fato dele usar a internet móvel para realizar a comunicação faz ele sair mais barato que as tradicionais mensagens de texto. Dados recentes indicam que o WhatsApp processou 7,2 trilhões de mensagens, quase o mesmo que o total de SMS pelo mesmo período, 7,5 trilhões.

O WhatsApp dará em breve um novo e decisivo passo ao oferecer chamadas de voz no aplicativo. A novidade, que usará tecnologia VoIP (voice over IP; como a do Skype), havia sido prometida para este ano, mas acabou adiada para o primeiro trimestre de 2015. O serviço tomará posição na próxima fronteira importante dos dispositivos móveis: os serviços de voz que usam a rede de dados. Com sua gigantesca base de usuários, pode representar um sério golpe na tradicional conversa telefônica, da mesma maneira que fez com o SMS.

Cine revistapontocom

Em homenagem ao poeta Manoel de Barros, que morreu na última quinta-feira (dia 13/11), aos 97 anos, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o cine revistapontocom indica o documentário Só dez por cento é mentira, de Pedro Cezar. Alternando sequências de entrevistas inéditas do escritor, versos de sua obra e depoimentos de leitores contagiados pela literatura, o filme constrói um painel revelador da linguagem do poeta.

O doc ganhou o prêmio de melhor documentário longa-metragem do II Festival Paulínia de Cinema 2009 e os prêmios de melhor direção de longa-metragem documentário e melhor filme documentário do V Fest Cine Goiânia 2009.

 

A criança negra na TV brasileira

No próximo dia 20, comemora-se o Dia da Consciência Negra. Para celebrar a data, a revistapontocom destaca o doc A negação do Brasil, de Joel Zito Araújo, que traz à tona a história das lutas dos atores negros pelo reconhecimento de sua importância na história da telenovela brasileira.

Ao mesmo tempo, a revistapontocom republica uma entrevista concedida pelo cineasta Joel Zito Araújo ao editor Marcus Tavares, para o então site do Centro de Referência em Mídias para Crianças e Adolescentes (Rio Mídia). Na ocasião, o cineasta, consultor da Fundação Cultural Palmares, destacava que o novo modelo de TV pública, com o advento da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) e da TV Brasil, deveria garantir – de fato e de direito – a presença tanto do índio quanto do negro na grade da programação da tevê brasileira.

Zito apresentou alguns resultados da pesquisa “Onde está o negro na TV pública?”. O estudo mostrou, por exemplo, que apenas 0,9% da programação de três emissoras públicas do país (TV Cultura, de São Paulo; Rede Brasil, do Rio de Janeiro; e TV Nacional/Radiobrás, de Brasília) foi destinado à cultura afro-brasileira. O levantamento indicou também que menos de 10% dos apresentadores são negros e que somente 5,5% dos jornalistas que atuam nas empresas são de origem afro-descendente.

Acompanhe a entrevista:

Como as crianças e os jovens negros são retratados pela televisão brasileira?
Joel Zito Araújo – A televisão brasileira, privada ou pública, como regra, não dá nenhum destaque a criança negra. Temos exceções, mas a tragédia que abate os jovens negros, e, por conseqüência, a sociedade brasileira como um todo, demanda uma intencionalidade maior, uma política efetiva de promoção da auto-estima daqueles que tendem a ser representados de forma estigmatizada em nossas telinhas. Mas, os personagens mais importantes negros foram retratados como a criança adotada ou o menor abandonado. Tanto nas telenovelas dos tempos da Tupi como nas produções da Rede Globo de Televisão.

Estamos diante de uma visão estereotipada, preconceituosa, cheia de clichês?
Joel Zito Araújo – Sim. O grande clichê é o menor adotado ou abandonado, mas também tivemos o moleque de recados engraçado ou o jovem rapper. De uma maneira geral, o que mais quero destacar é que as crianças negras não têm família. É uma visão preconceituosa porque tende a incorporá-las de forma solitária em um elenco de brancos e muitas vezes fazendo o papel do mais inculto ou ignorante. Portanto, a criança negra é incorporada da mesma forma que qualquer personagem negro: entra como estereótipo de si mesmo, e nunca como representação de qualquer ser humano, do brasileiro comum. Esse privilégio somente é dado aos brancos.

Isso sempre foi assim?
Joel Zito Araújo – Sempre foi assim na história da televisão brasileira. Mas pode ser diferente, vou dar como exemplo a garota negra (Biba) da produção infantil Castelo Rá-Tim-Bum. Uma personagem linda e de sucesso.

Quais são as conseqüências desta abordagem para a constituição das identidades das crianças?
Joel Zito Araújo – A TV brasileira praticamente não oferece a possibilidade de nossa criança afro-descendente ter modelos que promovam a sua auto-estima, enquanto que as crianças brancas, especialmente as de padrão ariano, louras dos olhos claros, são hiper-representadas nos comerciais, nas telenovelas e nos filmes. O resultado é óbvio: enquanto a criança negra tem vergonha de sua negritude, de sua origem racial, porque cresce em um ambiente social e educacional de recusas que promovem uma auto-estima negativa, a criança branca cresce superpaparicada e com uma impressão de que é superior a todas as outras. Portanto, a sociedade – com o seu racismo – provoca distorções tanto nas crianças negras quanto nas crianças brancas.

Se a televisão, como dizem alguns especialistas, é o espelho da sociedade, então somos um país extremamente racista?
Joel Zito Araújo – É evidente que somos. Todos os indicadores sociais comprovam isto. O arianismo é racismo, herança hitlerista. Somos uma sociedade guiada para a promoção do branco e para a negação do afro-descendente.

O que pode se feito para mudar este quadro?
Joel Zito Araújo – Exigir do Governo e das elites econômicas, artísticas e intelectuais, o compromisso com políticas de reparação. Com inversões financeiras de vulto em programas educacionais, culturais e de saúde. E com cotas nas universidades.

Villa Lobos: música e identidade

Por Marcus Tavares

Qualquer exposição, biografia ou entrevista sobre Heitor Villa Lobos não consegue dar conta de sua obra e importância no cenário brasileiro e mundial. Villa Lobos foi e é um dos grandes compositores internacionais, trazendo à tona toda a riqueza do folclore do país. Muitos de nossos familiares, aqui do Rio e de São Paulo, puderam conhecer de perto sua proposta de ensino. O canto orfeônico que reunia milhares de estudantes em estádios do Rio era o símbolo máximo de um projeto que tinha o objetivo de integrar a música à formação cidadã de crianças e jovens.

Villa Lobos também é lembrado por ter derrubado a dicotomia entre a música popular e a erudita, um ranço do século XIX. Por ter escrito obras genuinamente nacionais e outras tantas para o público infantil, o que é pouco conhecido.  E ainda por ter influenciado uma legião de compositores e músicos brasileiros. Até bem pouco tempo, ele era o maior detentor de direitos autorais [musicais] do país.

No dia 17 de novembro, celebram-se os 54 anos de morte do compositor. Para homenageá-lo e conhecer um pouco de sua história a revistapontocom republica a entrevista concedida por Valdinha Barbosa e Luiz Paulo Sampaio, ambos do Museu Villa Lobos, no Rio de Janeiro. Valdinha é responsável pelas atividades educativas e Luiz Sampaio é assessor técnico do espaço.

Acompanhe:

revistapontocom – Quem foi Heitor Villa Lobos?
Valdinha Barbosa e Luiz Paulo Sampaio –
O mais importante compositor de música brasileira do século XX e reconhecido mundialmente como um dos grandes mestres. Devido ao tamanho, originalidade e diversidade de sua obra, Villa Lobos acabou exercendo uma enorme influência sobre todo o gênero musical brasileiro.  Tomando como base o folclore nacional, ele deixou um legado para todos os demais compositores nacionais.  Não é à toa que Tom Jobim dizia que devia toda a sua obra a Villa Lobos. Ele talvez tenha sido a figura mais importante na história da música brasileira.

clique aqui e conheça a cronologia da vida do artista

revistapontocom – E antes de Villa Lobos?
Valdinha Barbosa e Luiz Paulo Sampaio –
Antes dele, há uma série de compositores que podem ser chamados de pioneiros. Há o Padre José Maurício, primeiro compositor brasileiro, ainda na fase do Brasil Colônia. Temos o Carlos Gomes, considerado, nas Américas, o maior compositor de óperas do século XIX. Há ainda Alberto Nepomuceno, Francisco Braga, muito amigo de Villa Lobos, e Leopoldo Miguéz. Antes de Villa Lobos, já havia, portanto, um movimento de música brasileira. Mas a chegada de Villa Lobos é uma espécie de furacão.

revistapontocom – Por quê?
Valdinha Barbosa e Luiz Paulo Sampaio –
Ele é nitidamente um compositor brasileiro. O som dele é o som do Brasil. Foi, inclusive, por essa razão que ele recebeu críticas. Ele não fazia composições como os europeus. Sua diferença estava exatamente nas raízes brasileiras em que inspirava para compor. Além disso, Villa Lobos conseguiu derrubar a dicotomia que existia entre a música popular e a erudita, um ranço do século XIX. Um ranço tão forte que levou, por exemplo, o então Instituto Nacional de Música [hoje Escola Nacional de Música, da UFRJ], a não admitir em seu curso o compositor Ernesto Nazareth. O primeiro show de Villa Lobos é exatamente dedicado a Nazareth. Hoje qualquer gênero musical brasileiro tem o seu espaço.

ouça trechos de algumas obras do compositor

revistapontocom – A educação musical também é um forte legado de Villa Lobos?
Valdinha Barbosa e Luiz Paulo Sampaio –
Sem dúvida. Mas isso acontece mais tarde, na década de 1930, quando Villa Lobos, já famoso, volta da Europa. A convite de Anísio Teixeira, então Secretário de Educação do Distrito Federal [Rio de Janeiro], assume a Superintendência de Educação Musical e Artística (Sema), período no qual é instituído o ensino obrigatório de música e o canto orfeônico nas escolas. Para Villa Lobos, o ensino de música nas escolas fazia parte de uma educação cidadã de crianças e jovens. Era necessário que os jovens soubessem cantar e conhecer a música e o folclore de seu país. Era uma questão de cidadania e identidade. Para que isso saísse do papel, como de fato aconteceu, Villa Lobos realizou um grande projeto de capacitação de professores e de implantação de condições básicas nas escolas para que o ensino pudesse ser desenvolvido. É desta época a criação do curso de Pedagogia de Música e Canto Orfeônico, ministrado por ele mesmo. Era um projeto grandioso. Villa Lobos pensava grande. Alguns pesquisadores dizem que ele foi usado pela ditadura do Governo de Getúlio Vargas. Creio que foi ao contrário: Villa Lobos aproveitou a própria ditadura, o nacionalismo, o populismo, para dar vazão ao seu projeto musical.

revistapontocom  – A organização do Guia Prático, contendo  137 canções folclóricas, é um dos projetos de Villa Lobos para subsidiar o ensino musical?
Valdinha Barbosa e Luiz Paulo Sampaio –
Era uma espécie de material didático para os professores. Era uma coletânea de todo o cancioneiro infantil daquela época. Um trabalho primoroso. Villa Lobos fez todo o arranjo das músicas para o canto, para o canto acompanhado, para banda e piano. Uma obra que está até hoje e que inclusive acaba de ser reeditada pela Academia Brasileira de Música e pela Funarte.  É curioso: Villa Lobos é um dos compositores mundiais que mais importância deu para as crianças. Ele tem um conjunto enorme de obras voltado para elas. Brincamos sempre com isso, dizendo que Villa Lobos tinha, dentro dele, uma grande criança. Afinal, dizem que gênio é aquele que mantém a capacidade criativa da criança.

visite o Museu Villa Lobos

Como é que é?

Usar a linguagem audiovisual para falar sobre conteúdos da química, física e biologia. A proposta é da série Como é que é?, nova produção da MultiRio. Com roteiro de Wladimir Weltman, as histórias são movidas pela curiosidade do adolescente Tomás. Ao lado de Hermenegilda, o jovem busca entender os fenômenos que o cercam por meio de experiências. Ele faz uso também das etapas do método científico (problema, hipótese, experimento e conclusão) para aprender mais sobre as reações químicas e uma série de outros assuntos.  A produção é voltada para alunos do 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental.

No site da MultiRio é possível assistir aos seguintes episódios:

O tal do Ph
Tomatinhos explosivos
Osmose é grego para mim

Carioca, o rio do rio

Imagem1Por Silvana Gontijo
Jornalista, escritora e especialista em educomunicação

Para uma mineira nascida e criada em Belo Horizonte, o Rio de Janeiro era o destino dos sonhos. Mineiramente eu tentava disfarçar o que podia ser entendido como uma traição às minhas origens e era mesmo. Como o viciado que tenta resistir à tentação, ou o apaixonado não correspondido que maldiz seu objeto de desejo eu queria, mas não podia admitir nem assumir, ser refém desce fascínio: o Rio. Hoje, quarenta anos depois de ter conquistado o meu Olimpo particular me sinto em casa e assumo que o Rio de Janeiro é um objeto de desejo. Morar no Rio é muito mais do que viver numa cidade é pertencer a um privilegiado contingente de deslumbrados com sua urbe. Cantada em prosa, verso e imagem a cidade e se define como incomparável.  Gente, natureza, cultura …  quem conhece, nunca esquece e esse é o primeiro passo para ser carioca.

Millôr Fernandes dizia “O carioca, todos sabem, é um cara nascido dois terços no Rio e outro terço em Minas, Ceará, Bahia, e São Paulo, sem falar em todos os outros Estados, sobretudo o maior deles o estado de espírito. (…). O carioca é, antes de tudo, e acima de tudo, um lúdico.” [1]

Vinícius reiterava pois a verdade é que ser carioca é antes de mais nada um estado de espírito.(…) Pois ser carioca, mais que ter nascido no Rio, é ter aderido à cidade e só se sentir completamente em casa, em meio à sua adorável desorganização.”[2]

Contudo, poucos cariocas sabem a razão dos nascidos aqui serem assim chamados. E tudo começa com um rio, não o de Janeiro, mas o Rio Carioca, que deu nome aos habitantes da cidade, origem a belíssimas lendas indígenas e inspirou artistas e naturalistas.

Esse mesmo rio que foi motivo de guerras pelo controle de sua água e a razão da construção dos famosos Arcos da Lapa, hoje tem a maior parte de seu curso sob a terra, carregando lixo e esgoto, sem vida e sem beleza, escondido como algo indesejável e vergonhoso.

Mas nem tudo está perdido, sua nascente e o trecho que corre dentro da Floresta da Tijuca são um testemunho de sua antiga Glória. Falando nisso a maior floresta urbana do mundo, segundo a revista Ciência Hoje, foi replantada e recuperada em 1861 exatamente para proteger as nascentes que abasteciam a cidade.

A qualidade das águas do Rio Carioca era afamada, e delas surgiu um ditado para se referir às boas coisas – “Isto é bom como a água do Carioca”.

Mas porque o rio que é o pai do Rio está esquecido, morto e enterrado? E é exatamente isso que eu gostaria responder com um desafio: vamos recuperar e renaturalizar o Rio Carioca? Claro que é impossível fazê-lo novamente saindo da floresta, descer o Cosme Velho, Laranjeiras, atravessar o Aterro, formar ilhas e lagos. Mas é possível limpá-lo, recuperar alguns trechos, torná-lo parte da paisagem e, sobretudo, contar sua história, que faz parte da história da cidade que faz 450 anos, em 2015.

Para se comemorar o aniversário de uma cidade como o Rio de Janeiro é preciso redescobrir e revisitar o que ela teve de bom, de bonito, de rico. Devemos, é claro, comemorar as conquistas do progresso, mas é importante trazer de volta os motivos que a fizeram ser uma cidade única. O próprio carioca precisa lembrar-se do privilégio de viver nesta cidade incomparável.

Recuperar o Rio Carioca será um legado digno das comemorações dos 450 anos do Rio de Janeiro e um exemplo para o Brasil.

Vamos nessa?

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[1] Texto extraído do livro “Que País é Este?“, Editora Nórdica – Rio de Janeiro, 1978, pág. 50.
[2] http://noticias.r7.com/blogs/pense-nisso/vinicius-de-moraes-e-o-jeito-que-so-o-carioca-sabe-ter-20131224/

Texto publicado originalmente no site do Planeta Sustentável

Panorama audiovisual

De 10 a 14 de novembro, a Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch (Eteab), uma das unidades da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro, vai abrir suas portas para mostrar o que o ensino integrado – médio e profissionalizante – é capaz de desenvolver. Cada um dos seis cursos da instituição – Empreendimentos, Produção Cultural e Eventos, Propaganda e Marketing, Turismo, Dança e Produção Audiovisual – vai promover atividades, oficinas e mostras. Tudo com um mesmo objetivo: trocar experiências e conhecimentos. Que o diga o curso de Produção Audiovisual. Diante de tantos avanços na formação, legislação e no desenvolvimento de tecnologias na área, o grupo de professores do curso resolveu discutir com profissionais do mercado o que já é, de fato, realidade e o que ainda é futuro.

“São tantas novidades e possibilidades que surgem na área do audiovisual que queremos promover um encontro dos especialistas com os nossos estudantes. Por exemplo, como anda o diálogo entre a TV e a web, na perspectiva da linguagem transmídia? Quais são os reflexos da nova Lei da TV Paga no dia a dia das programadoras e produtoras? Foi pensando nisso que elaboramos o programa deste ano”, avisa a coordenadora do curso de Produção Audiovisual, Alzira Carvalho.

Na terça, dia 11, o jornalista e apresentador do Canal Futura, Thiago Gomide, e a produtora de conteúdo transmídia da novela Malhação, da Rede Globo, Amanda Jordão, analisam de que forma as emissoras estão fazendo a ponte entre a programação de TV e a internet. E o diretor e fotógrafo André Horta, um dos sócios da produtora Com Domínio Filmes, aponta como as novas tecnologias eletrônicas e digitais vêm interferindo nas produções audiovisuais.

Com objetivo de ampliar o repertório estético dos estudantes e mostrar para o público as produções da ‘casa’, o Bloch AV, na quarta-feira, dia 12, pela manhã, abre espaço para a VII Mostra Interestadual do Cinema Paraibano. E, à tarde, exibe os curtas já produzidos pelos alunos do terceiro ano do curso técnico em Dança, em parceria com o curso de Produção Audiovisual.

Na quinta, dia 13, Gustavo Gindre, especialista em regulação do audiovisual da Agência Nacional do Cinema (Ancine), e Talita Arruda, responsável pela área de curadoria e aquisição do Porta Curtas e do Canal Curta!, debatem os avanços e os reflexos da Lei da TV Paga no dia a dia das produtoras independentes de conteúdo nacional.

E sexta-feira, 14 de novembro, é dia de prestigiar a prata da casa. Ex-alunos do curso de produção audiovisual voltam à escola para contar e compartilhar suas aventuras e sucessos no mercado de trabalho. “Este é um momento ímpar em que há uma troca bem instigante. Nosso ex-alunos estão bem encaminhados, trabalhando em empresas e postos chaves da produção audiovisual”, frisa o professor Adriano Barbosa, um dos produtores do Bloch AV 2014.

Durante a semana, os professores Ângelo Duarte, Everaldo Rocha, Josimá Gonçalo e Waldemar Alves ministram oficinas para o público em geral. Há três módulos: fotojornalismo, fotografia e cinematografia digital.

Mais informações pelos telefones: 2334-1733 / 2334-1735

Confira a programação:

Dia 10 de novembro
– Das 9:30 às 12:30
Oficina de Fotojornalismo
Local: Sala 604
Responsável: Profº Ângelo Duarte

– Das 13:30 às 15h
Oficina de fotografia/Moda
Local: Estúdio
Responsável: Profº Waldemar Alves

Dia  11 de novembro
– Das 9:30 às 12:30
Mesa redonda – Produção de conteúdo: da TV para a web
Local: Multimídia 02
Convidados: Amanda Jordão / Malhação TV Globo  e Thiago Gomide / Canal Futura

– Das 13:30 às 15
Palestra – Como as novas tecnologias interferem nas produções audiovisuais
Local: Multimídia 01
Convidado:  Andre Horta / Diretor Com Domínio Filmes

Dia 12 de novembro
– Das 9:30 às 12:30
VII Mostra Internacional do Cinema Paraibano
Local: Cine Clube Olho na Cena

– Das 13:30 às 15h
Mostra de curtas. Curso Técnico em Dança e Ex-alunos Teatro da UniRio
Local: Cine Clube Olho na Cena

Dia 13 de novembro
– Das 9:30 às 12:30
Oficina de Cinematografia Digital
Local: Sala 604
Responsáveis: Professores Everaldo Rocha e Josimá Gonçalo

– Das 13:30 às 15h
Mesa redonda – Lei da TV Paga e seus reflexos nas produtoras e programadoras
Local: Auditório
Convidados:  Gustavo Gindre /  Ancine e Talita Arruda / Porta Curtas e Canal Curta!

Dia 14 de novembro
– Das 9:30 às 12:30
Bate-papo: Encontro com os “ex” estudantes
Local: Arena
Convidados: Camille Lago, Cristina Melo, Gilson Machado, Leandro Silveira, Matheus Queiroz, Paulo Lourenço, Rodrigo Diniz e Vitor Silveira.

– Das 13:30 às 15h
Avaliação do encontro
Local: Arena

Presente do futuro

Produzir seus próprios produtos, como copos, lápis e pratos. Todos eles com a sua cara. Cena do desenho animado da família Os Jetsons? Não, não. Aqui não tem nada de ficção. É a realidade que está por trás do conceito da FabLab, uma espécie de pequena oficina que possibilita a fabricação de objetos digitais. Um ambiente pensado para estimular a inovação, com laboratórios de fabricação digital voltados, principalmente, para a prototipagem. Essas FabLab já se espalham por algumas cidades ao redor do mundo. Calcula-se que existem hoje cerca de 200 laboratórios. Acesse o mapa e veja onde elas estão.

Ainda neste mês de novembro, mais uma FabLab será inaugurada. Desta vez, no Senai, no Centro de Tecnologia Senai Automação e Simulação, em Benfica. É a primeira vez que uma instituição de educação profissional  brasileira adota o conceito da FabLab.

No Centro, os estudantes são estimulados a desenvolver todo o processo produtivo para construção de soluções para a indústria – da ideia ao protótipo, passando por todas as etapas até chegar a avaliação do resultado –, sem contar o conhecimento adquirido para a elaboração da documentação técnica dos projetos. No Senai FabLab, os estudantes terão acesso a softwares e equipamentos como a impressora 3D, as máquinas de corte a laser e os kits Arduino, para montagem de circuitos eletrônicos.

Visite o site do projeto

Obsolescência planejada

A revistapontocom indica esta semana o documentário A história secreta da obsolescência planejada, de Cosima Dannoritzer. O vídeo mostra como a obsolescência planejada definiu a vida da sociedade desde os anos 20, quando os fabricantes resolveram começar a diminuir a vida útil dos produtos para aumentar as vendas e como engenheiros e designers se viram forçados a adotarem novos valores e objetivos.

Filmado na Catalunha, França, Alemanha, EUA e Gana, o documentário faz uma viagem através da história de uma prática empresarial que envolve a redução deliberada da vida de produtos para aumentar seu consumo. Segundo o vídeo, seria possível fabricar lâmpadas baratas que durassem 10 anos, geladeiras para durar 25 anos ou carros para rodar 1 milhão de km. Assim, seria possível gastar muito menos com o consumo de produtos industrializados. Mas como foi publicado em 1928, em uma influente revista de publicidade dos EUA: “Um artigo que não se desgasta é uma tragédia para os negócios.”

Infância com mais tempo

a2Você acredita que as crianças devem se desenvolver de maneira saudável? Que é importante respeitar o tempo dela, o de descobrir, observar, experimentar? Que é preciso dar a elas espaço para que se conheçam, investiguem seus interesses, capacidades e emoções? Se você concorda com tais premissas, que tal conhecer o projeto Slow Kids. Trata-se de um movimento que prega a desaceleração da rotina de meninos e meninas do século XXI, cuja agenda, muitas vezes, é completamente tomada de compromissos e responsabilidades. O projeto defende a valorização do tempo livre na infância.

“Queremos que a criança tenha vivências no mundo real que sejam plenas, calmas e afetivamente significativas, e não meramente informativas. O impacto negativo da mídia e dos jogos eletrônicos é observado tanto no desenvolvimento físico das crianças como no emocional, social e mental. Por isso, defendemos que esse tempo seja limitado e que haja, sempre, a mediação ou o acompanhamento de um adulto”, destaca o manifesto do movimento.

Correalizado pelo Instituto Alana e pela produtora Respire Cultura, o movimento desenvolveu sua primeira ação, em 2013, no Parque da Água Branca, em São Paulo. Na ocasião, foram realizadas diversas atividades. No próximo dia 9, uma nova edição vai acontecer. Desta vez, no Parque Burle Marx, das 14h às 18h. Um bicicletário estará à disposição dos visitantes, que também poderão levar lanches para fazer piquenique.

Com entrada livre, a programação contará com contação de histórias, show da banda Brasileirinhos, oficinas e atividades até para bebês e Feira de Troca de Brinquedos, organizada pelo Instituto Alana. Na Feira, cada criança deve levar um brinquedo em bom estado e negociar com o dono do brinquedo o que ela quer em troca.

Confira a programação
Leia o manifesto Slow Kids
Visite o site