Vai começar a gincana

Carioca, tá limpo! é o nome da gincana virtual que o planetapontocom vai realizar de agosto a novembro deste ano. A proposta é mobilizar escolas públicas e privadas do município do Rio de Janeiro a se integrarem ao esforço de recuperar o primeiro rio urbano do Brasil: o Rio Carioca.

A ideia é que os estudantes sejam protagonistas na análise e no questionamento crítico e responsável da realidade social e ambiental da cidade. Serão propostos desafios que promovam o exercício da cidadania aliado ao uso das tecnologias educacionais, de modo a gerar transformações sociais significativas na escola e, principalmente, na comunidade.

Poderão participar estudantes que estejam matriculados e cursando o Ensino Fundamental I –  do 1º ao 9º ano, de escolas públicas e privadas de toda a cidade do Rio de Janeiro. As equipes devem ter no mínimo 5 e no máximo 10
estudantes, acompanhados por um professor-coordenador. Cada escola pode inscrever até três equipes.

A inscrição da equipe deve ser realizada no período de 30 de junho a 10 de agosto de 2015, por meio
de preenchimento de formulário on-line.

Participe e confira mais detalhes no edital

Intolerância

Por Marcus Tavares

Do ofício de jornalista, surgiu o interesse de aprender e pesquisar mais. Foi então um caminho sem volta. Há cerca de 20 anos, a jornalsita Stela Guedes Caputo resolveu seguir carreira acadêmica para aprofundar seus estudos sobre religião e escola, mais precisamente sobre terreiros de candomblé, crianças e escolas. O estudo virou livro: Educação nos terreiros (Editora Pallas).

Em entrevista à revistapontocom, Stela, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) traz algumas conclusões de seu estudo. Traça uma breve historiografia do Ensino Religioso no Brasil e, em particular, no Rio de Janeiro. Mostra a importância de a sociedade conhecer o tema e se posicionar. A entrevista – já publicada pela revistapontocom – é pertinente e atual frente ao caso de agressão recentemente sofrida por uma jovem carioca.

Acompanhe:

revistapontocom – Religião combina com escola pública?
Stela Guedes Caputo – Não e digo porque. Veja: a Constituição brasileira de 1824 estabelecia em seu artigo 5º que a religião católica continuaria sendo a religião do Império. Todas as outras religiões eram permitidas, mas apenas em seus cultos domésticos, nada fora dos templos. Já a atual Constituição, de 1988, não instituiu qualquer religião como oficial do Estado. Além disso, seu artigo 19º diz que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II – recusar fé aos documentos públicos; III – criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. Isso deveria garantir a laicidade do Estado. Ao mesmo tempo, a mesma Constituição garante a liberdade de culto, a igualdade entre os cultos e isso é importante. Significa dizer que, no assunto religião, não há problema com as instituições de ensino particulares ou as ligadas às Igrejas, seja quais forem. O problema é o ensino religioso na escola pública.

revistapontocom – Mas sabemos que o ensino religioso está presente em todas as escolas, inclusive nas públicas. Como funciona na prática este ensino nas salas de aula?
Stela Gudes Caputo – Não dá para discutir o assunto sem trazer um pouco de sua história. O problema do ensino religioso no Brasil começa com a chegada dos jesuítas que vão marcar o início de nossa escolarização com empenhos de catequese. A proclamação da República, em 1889, separa Estado e Igreja Católica, mas só a Constituição de 1891 garante o ensino laico nas escolas públicas. Desde então, a luta entre os setores laicos da educação e a Igreja Católica vem revezando-se entre avanços e derrotas ora de um e de outro. Há outros marcos importantes nessa contenda. Em 1967, já em plena ditadura militar, a Constituição desse ano garantiu mais uma vez o ensino Rrligioso como disciplina nos horários normais das escolas oficiais do ensino fundamental e médio, mas, conforme artigo da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1961, os ônus para os cofres públicos continuariam vetados, o que duraria até a LDB de 1971, que revoga esse artigo. Por conta dessa revogação e também graças às pressões da Igreja, professores do magistério público de outras disciplinas foram desviados para o ensino religioso. Então a Constituição de 1988 já encontra professores de religião nas escolas públicas e não vai romper com a Igreja. O resultado é que temos hoje uma Constituição totalmente esquizofrênica. Se a Constituição não estabelece nenhuma religião oficial, proíbe e seu artigo 19º dependência ou aliança com cultos e igrejas e, ainda, garante a igualdade entre os cultos, como pode ser que a mesma Constituição, no parágrafo primeiro de seu artigo 210º, estabeleça o ensino religioso? O curioso também é que o artigo 210º fixa conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. E a primeira coisa que tenta estabelecer e homogeneizar é o aspecto religioso de uma sociedade como a nossa, o que é impossível. É no artigo sobre valores culturais e artísticos que foi fixado o ensino religioso. Ter o ensino religioso na Constituição de 1988 foi uma derrota para os que lutam por uma educação pública de qualidade e laica. Tentando minimizar esse dano, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB 9394/96), de dezembro de 1996, definia que o ensino seria sem ônus para os cofres públicos e de acordo com as preferências manifestadas pelos alunos ou por seus responsáveis. O então ministro da Educação Paulo Renato Souza propõe alterar a LDB. O projeto do deputado padre Roque (PT-PR), que tramita em regime de urgência, é aprovado e resulta na Lei 9475 de 22 de julho de 1997. A LDB é enfim modificada e o Ensino Religioso é considerado parte integrante da formação do cidadão. A restrição aos cofres públicos desaparece e os estados ganham autonomia para regulamentarem essa disciplina, bem como a forma de selecionar e contratar professores. Desta forma, ficou aberto o caminho para, não digo inventar os absurdos que ocorrem em quase todos os estados, mas para legitimá-los.

revistapontocom –  Que tipos de absurdos?
Stela Guedes Caputo – Por exemplo, em setembro de 2000, o então governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, sanciona a Lei 3.459, do ex-deputado católico Carlos Dias, e estabelece o ensino religioso confessional na rede estadual. Em 2004, Rosinha Garotinho, já governadora, realiza concurso público para professores de religião, aprova 1299 e contrata 500 professores que se somam aos 364 que já lecionavam essa disciplina nas escolas. Desses contratados, 68,2% são católicos, 26,31% evangélicos e 5,26% de outras religiões. Se você perguntar para a Coordenação de Ensino Religioso da Secretaria Estadual de Educação, ela vai dizer que nenhum professor faz proselitismo, ou seja, não há nada de catequeses ou doutrinação nas salas de aulas e que nessa disciplina só se ensina o que eles chamam de valores. Mas na prática não é o que acontece. Depoimentos revelam que em muitas escolas se reza o Pai Nosso. A Igreja católica lançou uma coleção de livros didáticos católicos em 2007. Professores entrevistados afirmam que selecionam o que há de comum entre católicos e evangélicos e planejam assim suas aulas, falam que estudantes de candomblé entendem que estão errados e se convertem. Ou seja, o tempo inteiro há o que eu chamo de atitude missionária de grande parte dos professores de ensino religioso. O pior é que essa atitude missionária, essa perspectiva de que a função da educação é converter alunos, é pregar uma religião, esse obscurantismo, também é característica de muitos professores que lecionam várias outras disciplinas como Língua Portuguesa, Matemática e por aí vai. Um dos grandes absurdos que eu verifiquei são os encontros de formação dos professores de ensino religioso no estado do Rio. A Secretaria de Educação não se reúne com nenhuma outra área, não realiza encontros periódicos para avaliar problemas de Matemática, de História ou de Química, por exemplo, e traçar projetos de solução. Mas faz encontros sistemáticos com os professores de religião e organiza, principalmente, a inserção da Campanha da Fraternidade de cada ano nas escolas públicas. Isso devia ser crime porque é evidente que fere a laicidade, é evidente que privilegia um grupo religioso, portanto, é evidente que é inconstitucional.

revistapontocom – Esses dados que você traz estão ligados a sua pesquisa, não é isso?  Você acompanhou durante 20 anos a relação das crianças com o candomblé. Por que este interesse?
Stela  Guedes Caputo – Eu era repórter do Jornal O Dia, no Rio de Janeiro, e estava desenvolvendo uma pauta dada pelo meu editor que era mapear os terreiros de candomblé na Baixada Fluminense. Ele queria saber se as religiões afro-descendentes ainda resistiam. Na noite do dia 13 de outubro de 1992, cheguei ao Ile Omo Oya Legi, a casa de Mãe Palmira de Iansã, em Mesquita, na Baixada Fluminense e vi um menino de quatro anos tocando atabaque. Em um instante a pauta mudou. Não sabia que crianças podiam receber cargos. O menino era Ricardo Nery (o da foto na home page da revistapontocom) que já era Ogan, um cargo muito importante na hierarquia do candomblé. Ele era responsável, por exemplo, por convocar os Orixás para o terreiro. Fiquei curiosa e fizemos uma boa matéria com outras crianças que conheci na época. Ocorre que já nessa ocasião Ricardo e outras crianças me falaram que, ao mesmo tempo em que sentiam orgulho da religião, da cultura afro-descendente, elas se sentiam discriminadas nas escolas que frequentavam e escondiam a fé. Diziam que eram católicos e católicas para não sofrerem. Todas elas tinham relatos de discriminação e racismo. A coisa piorou porque o Bispo Macedo, da Igreja Universal, comprou as mesmas fotos que usamos na nossa reportagem e publicou na Folha Universal e em um livro seu essas imagens, mas discriminando o Ricardo, a Paula, a Tauana (a menina que aparece na home page da revistapontocom), pessoas com as quais conversamos. As crianças sofreram muito e eu já não podia mais abandonar o que para mim se configurou como uma grande questão. Resolvi aprofundar o tema, fiz mestrado, doutorado e pós-doutorado em educação e fui acompanhando o crescimento das crianças, aprendendo com elas e pensando sobre a sociedade brasileira marcada por fortes desigualdades de classe e de raça e por diferenças culturais. A escola, da mesma forma, é marcada por tudo isso.

revistapontocom – E o que você constatou com esta pesquisa?
Stela Guedes Caputo – Digo sempre que esta pesquisa é uma encruzilhada. Ela aponta para dois caminhos. E eu segui os dois. O primeiro caminho me levou para os terreiros que vejo como espaços ricos de aprendizagens, de circulação de conhecimentos. São, e aqui vou usar uma noção da professora Nilda Alves, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, “redes educativas”, ou seja, os terreiros, assim como diversos outros espaços também educam. Nesses terreiros de candomblé, crianças e jovens, sobretudo negros, aprendem e ensinam sobre ervas, comida, preceitos, história, roupas, danças, sobre o yorubá que é uma língua viva falada na Nigéria, no Sul da República do Benin, nas repúblicas do Togo e de Gana por cerca de 30 milhões de pessoas. Os terreiros de candomblé ajudaram a manter essa língua. O outro caminho percorrido é que essa rede de conhecimento penetra, está e circula nas escolas. O que acontece com ela? Por que não é bem-vinda? Por que é desprezada se pode ensinar tanto? E pior: por que é desrespeitada e discriminada? Foi o que percebi: a maioria das crianças sente vergonha de suas culturas e a escondem.

revistapontocom – Mas o universo rico e valioso de conhecimento que as crianças têm acesso nos terreiros não seria o mesmo que as crianças têm na religião católica, espírita, judaica ou islâmica? É uma questão de preconceito?
Stela Guedes Caputo – A minha pesquisa é sobre candomblé, uma religião que passei a amar profundamente, principalmente por sua importância para a afirmação de identidades e culturas negras, o que é central na luta contra o racismo nesse país. Imagino que todos os espaços religiosos são espaços em que circulam conhecimentos e aprendizagens e são também importantes para suas culturas de referência. Mas, como educadora, não posso deixar de questionar o que se aprende e como se aprende. Então eu pergunto: o que se aprende nos espaços religiosos? A respeitar ou a discriminar orientações sexuais? A respeitar ou discriminar os diversos tipos de famílias que se constituem em função dessas orientações sexuais? A respeitar ou a discriminar as diferentes raças que existem? A respeitar ou a discriminar mulheres? A respeitar ou a discriminar outras religiões? Então o que é rico e valioso? Para mim valioso é aprender a não discriminar e em todos os terreiros em que estive aprendi muito sobre uma educação que não discrimina nada disso. Então depende. Se é isso que se ensina e se aprende eu acho rico e importante. Se o que se ensina é o obscurantismo, o racismo, o sexismo, a homofobia, então não, não é valioso para a educação que eu defendo, pelo contrário, são campos opostos de educação.

revistapontocom – Você disse que acabou acompanhando algumas crianças que trabalharam em terreiros e que sofreram muitos preconceitos. Como eles estão hoje?
Stela Guedes Caputo – A maioria dos depoimentos associa a discriminação religiosa à discriminação racial. Ao longo da pesquisa e em épocas diferentes, as crianças, que depois ficaram jovens e adultas revelaram que se sentiam discriminadas por serem do candomblé e por serem negras. Mesmo os adolescentes brancos disseram entender a discriminação do candomblé justamente por essa ser uma religião trazida pelos escravos e praticada por maioria negra. O mais triste é que alguns desses jovens, que já tiveram filhos, também vêem seus filhos serem discriminados pelos mesmos motivos.

revistapontocom – Esse preconceito então não diminuiu?
Stela Guedes Caputo – Não. O que eu percebi foi que a forma como crianças e adolescentes lidavam com o racismo e com o preconceito religioso mudou. Muitas escondiam a fé, os artefatos do culto. Mesmo no contexto da pesquisa, algumas não permitiam que eu revelasse seus nomes verdadeiros nos artigos que publiquei ao longo da pesquisa. Isso mudou e hoje uso o nome verdadeiro de todas elas. E todas permitem que eu divulgue suas imagens. Mas o triste é que essas crianças que acompanhei e que hoje são jovens me dizem que a escola não contribuiu para essas mudanças, pelo contrário, afirmam que se dependessem das escolas permaneceriam com vergonha da fé e da própria cor. Asseguram que os espaços dos terreiros, dos movimentos negros e de suas próprias famílias é que contribuíram para que o sofrimento com a discriminação diminuísse e que esse sofrimento fosse transformado em luta concreta pelo fim do racismo e da discriminação das religiões afro-descendentes.

revistapontocom – A partir da sua pesquisa, como você avalia a legislação de ensino religioso que começa a ser implantada na rede municipal do Rio de Janeiro neste ano e a que vem sendo praticada no âmbito estadual?
Stela Guedes Caputo – Acho péssima e é mais uma batalha que os setores laicos da educação perdem. De acordo o Sindicato dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro, a rede estadual possui carência de 12 mil professores de todas as disciplinas, Matemática, História, Ciências e outras. A rede municipal tem aproximadamente a mesma carência. No entanto, o governo estadual prepara a contratação de mais 300 novos professores e o município vai contratar 600 do ensino religioso. Dados da Coordenação de Ensino Religioso revelam, por exemplo, que a Secretaria Estadual de Educação gastou quase que R$ 16 milhões em 2010 com essa disciplina, o mesmo valor previsto para o gasto com a disciplina no município. Consultando a LOA (Lei 5632 que estima a receita e fixa a despesa do estado do Rio para 2010) os dados da SEEDUC revelam que, por exemplo, a construção de uma piscina semi-olímpica no município de Petrópolis custou R$ 250 mil. A construção de uma escola no bairro da Rasa, em Búzios, R$ 1 milhão. Para montar um laboratório de informática na Escola Técnica Henrique Lage foram usados R$ 50 mil. Já na reforma da escola Maria José foram gastos R$ 500 mil. É só fazer as contas e ver quantas piscinas, laboratórios de informática, reformas e novas escolas poderiam ser feitas com o que se gastou com ensino de religião em 2010. Além do tão necessário reajuste de salário dos professores e professoras.

revistapontocom – O que você pretende com a publicação do seu livro?
Stela Guedes Caputo – Partilhar o que aprendi nos terreiros. Não pretendo “dar voz a ninguém”. Crianças e jovens desse espaço têm sua própria voz e não precisam de mim. Quero apenas partilhar sopros, vestígios, algo de pouco do muito que vivenciei com elas, do que aprendi com elas. Dizer também que a escola pública não precisa de uma disciplina de ensino religioso, nem de uma disciplina de candomblé, por exemplo. Significa dizer que as religiões não devem estar nas escolas? Não, de maneira alguma, as religiões são bem-vindas nas escolas e esse é mais um desafio que professores e professoras enfrentam, ou seja, como lidar com as diferentes religiões? Eu penso que devemos aprender com todas as diferenças porque, como reafirma a professora Vera Candau, da PUC-Rio, em seus trabalhos: “a diferença está no chão da escola”. A diferença religiosa circula nas escolas e professores e professoras podem abraçar essa circularidade, dançar com ela, aprender com ela, estimulá-la e não tentar engessá-la. A disciplina de ensino religioso engessa as diferenças religiosas e as mais prejudicadas, não tenho dúvida, são as religiões afro-descendentes. Não podemos achar que a disciplina de ensino religioso é um fato consumado já que está previsto na Constituição Federal e que esta é a parede que limita nossa luta por uma sociedade verdadeiramente laica e que, contra essa parede, não adianta se bater. O projeto de lei número 1069/2007, de autoria do Deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL), por exemplo, quer revogar a lei 3459/2000, entre outras coisas, retirando a confessionalidade do ensino religioso e devolvendo ao poder público a função de elaborar os materiais didáticos. Evidente que não há nenhuma pressa para a tramitação deste projeto de lei. Acho que podemos questionar as próprias mudanças que vem sendo propostas. Sim, sabemos que o ensino religioso está previsto na Constituição Federal. Contudo, para o jurista e ex-presidente da Associação dos Procuradores de São Paulo, José Damião Trindade, esse dispositivo não é cláusula pétrea, isto é, não é imutável. Portanto, pode ser objeto de alteração mediante Proposta de Emenda Constitucional (PEC), de iniciativa de qualquer partido político. O próprio jurista ressalta que, desde 1988, já foram aprovadas mais de sessenta emendas constitucionais na Constituição Federal e, que, atualmente, há uma dezena de outras PECs em tramitação no Congresso Nacional. Então por que não podemos levar a luta para além dos limites que vemos? A garantia de uma educação laica exige isso e dessa exigência não podemos abrir mão. Quanto mais laica for a educação menos preconceito haverá na escola. Só uma educação laica garante que as diversas culturas, incluindo as diversas religiões, circulem na escola e ensinem à escola.

Cinema na escola

Por Marcus Tavares
Artigo publicado originalmente no Jornal O DIA

Há exatamente um ano foi publicada no Diário Oficial da União a Lei 13.006, logo em seguida sancionada pela presidenta Dilma, que torna a exibição de filmes de produção nacional obrigatória nas escolas de Ensino Básico por, ao menos, duas horas mensais. Mas depois de um ano ainda falta a tal da regulamentação. Afinal: de que forma a lei será colocada em prática? Ao que tudo indica cabe ao Conselho Nacional de Educação, órgão ligado ao Ministério da Educação, regulamentar a matéria.Por que a demora?

Bem, a proposta não partiu do MEC, muito menos do Ministério da Cultura (MinC) — e inacreditavelmente nem é preocupação das duas pastas. Na prática, se verifica um contrassenso no sentido de que o audiovisual, se explorado na escola — mas não a partir de um formato-padrão de duas horas mensais para cumprir pacote imposto de cima para baixo —, pode estabelecer um sem-número de atividades pedagógicas interessantes, envolvendo diversos temas transversais e interdisciplinares: da estética ao pertencimento, da visão política à cultural, do entretenimento à reflexão.

A proposta foi apresentada pelo senador Cristovam Buarque, que apenas lançou a ideia e passou a bola. Tanto o MEC quanto o MinC (responsáveis por áreas que não raro são moedas de troca política) vêm sendo exigidos a debater o assunto, não por vontade própria, mas em razão de uma feliz imposição da sociedade civil. Esta, sim, interessada em regulamentar a lei, ampliando seus efeitos, como o reconhecimento do cinema como linguagem que deve permear a Educação Básica; o entendimento que o audiovisual não é algo menor ou simples entretenimento para preencher a falta do professor; e a necessidade do investimento qualificado na formação estética dos professores e, por conseguinte, dos estudantes (no meu entender, um dos pontos-chave de toda a discussão).

Por ora, aos interessados no tema, é preciso se somar aos esforços dos segmentos que estão no combate. Dois grandes eventos recentes — Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis e Mostra de Cinema de Ouro Preto — abriram espaço para a discussão, convocando inclusive os representantes do governo. O último, inclusive, sob a coordenação da Rede Kino, publicou a Carta de Ouro Preto 2015, que traz dez pontos que precisam ser levados em conta na regulamentação da lei.

Para não esquecer

No dia 16 de julho de 1945, o mundo viu o limite de sua própria autodestruição. No deserto do Novo México, os americanos explodiram, como teste, a primeira bomba atômica que se tem notícia. O artefato não foi lançado de avião, mas colocado numa torre, arrasada pela explosão enquanto a areia ao redor ficou vitrificada e um cogumelo de 300 metros de diâmetro se elevou. Dias depois, em 6 agosto do mesmo ano, o experimento se repetiu, só que dessa vez no Japão, na cidade de Hisoshima, sede do comando militar do Japão Imperial. A explosão provocou a morte de cerca de 100 mil pessoas e outras 35 mil ficaram feridas.

Para relembrar a data, a 5ª edição do Festival Internacional de Cinema sobre Energia Nuclear do Rio de Janeiro, International Uranium Film Festival/Urânio em Movimento, vai exibir, nos dias 16 e 17 de julho, filmes sobre bombas atômicas. Na programação, também haverá longas sobre outros assuntos nucleares, como o acidente radioativo de Fukushima e bombas perdidas na Espanha.

Veja a programação no site do evento

Um dos destaques vem do Brasil: o filme “Revista da Morte” de Laércio Tomaz. O documentário chama atenção para o risco à saúde do uso de scanners corporais, com radiação ionizante, na inspeção de segurança nos presídios. Estes aparelhos de “body scan” funcionam como um raio-X e podem substituir a revista íntima nas mulheres que visitam presidiários. No caso retratado pelo filme, o uso de radiação ionizante na inspeção de segurança dos presídios de Vila Velha e Viana, no Espírito Santo, pode ter causado 22 abortos em série.

De acordo com os organizadores, a continuação da 5ª edição do Uranium Film Festival está planejada para setembro, enfocando filmes sobre o acidente radioativo de Goiânia, ocorrido em 13 de setembro de 1987. O festival também estará de 24 a 30 de setembro, em Berlim.

Sobre o festival
Criado em 2010, Urânio de Moviemento – fora do Brasil reconhecido como “International Uranium Film Festival” – é o primeiro festival internacional de cinema no mundo dedicado à temática nuclear, exibindo filmes sobre todas as formas de uso da tecnologia nuclear em nossa sociedade. O seu objetivo é romper a barreira entre o complexo mundo da Ciência & Tecnologia Nuclear e o senso comum, utilizando o poder da sétima arte com filmes de todos os gêneros e duração (documentário, ficção, experimental e animação), provenientes dos cinco continentes. O festival sensibiliza o público para a importância de conhecer os efeitos do uso da tecnologia nuclear em nossa sociedade, entendendo que esta é a melhor forma de prevenção aos seus riscos.

Pátria radiodifusora…

Por José Araripe Jr.
Cineasta e diretor da TVE Bahia

Um país que ama tanto o rádio e a TV pode receber de retorno desses veículos apenas entretenimento, sensacionalismo e publicidade, ou seria obrigação de todas as redes de telecomunicações – por serem concessões públicas – veicularem conteúdos educativos, de responsabilidade social e cidadã? Se a grande massa de audiência está nestas redes, como é possível imaginar que apenas a radiodifusão pública deve ter a missão de educar?

Esta é uma conta que não fecha. As dimensões continentais do Brasil, e sua imensa dependência da televisão como hábito, exige que a grande inteligência empresarial, jornalística, publicitária, artística que faz o sucesso da radiodifusão comercial, também se dedique a dar ao seu espectador – contribuintes que os mantêm, e mais que consumidores: cidadãos – o direito de assistir a bons conteúdos que auxiliem o processo de formação de nossas crianças em seus ambientes domésticos.

Se a fruição de televisão e de rádio significa para milhões de pessoas carentes de informação e conhecimento um momento único no dia a dia, de acesso à cultura, por que não considerar que além de uma escola forte é fundamental completar o ciclo educacional de estudantes e cidadãos com “intervalos comerciais” de cunho educativo e pedagógico?

Epa! correção neste penúltimo bloco: se a livre iniciativa fez da mídia um sustentáculo de lucro e comercialização, está na hora de devolver algo aos que lhe sustentam com olhos, corações e mentes abertas desde a infância. O grande e necessário pacto de todos segmentos da sociedade para potencializar a educação como agente transformador e essencial para a construção de uma pátria educada e educadora, inevitavelmente passa por esta tecnologia em que o Brasil é especialista: a ciência da comunicação publicitária. Apenas o esforço dos gestores e mestres, e os recursos do Estado, não serão suficientes para que no médio prazo possamos qualificar as novas gerações combatendo com Saber a baixaria dominante, entregando informação saudável que permita uma reação coletiva de desenvolvimento mental, social e ético.

Onda democrática

Os milhões investidos em pesquisas pelas redes, para identificar os estratos em suas faixas etárias e sociais, são meio caminho andado nesse nobre trabalho de criar conteúdos especializados e segmentados que possam oxigenar os breaks de programação: educativos e de utilidade pública, direcionados justamente para os públicos-alvo mais necessitados de complementação educacional.

Esse ferramental já existe, assim como existe da parte dos criadores e redatores das agências de publicidade brasileira uma imensa reserva de disponibilidade para inventar e inovar para além de produtos e de bens de consumo. Decerto que as mentes brilhantes das agências publicitárias almejam ardentemente contribuir com sua parte no pacto mais urgente desta nação.

Se a livre iniciativa fez da mídia um sustentáculo de lucro e comercialização, está na hora de devolver algo aos lhe sustentam com olhos, corações e mentes abertas desde a infância.

Feliz o dia em que todos juntos tenhamos a consciência de que toda e qualquer emissora de TV e rádio deve ser educadora, na óbvia constatação que merecemos mais qualidade – memória, cidadania, arte e educação – no que nos chega pelas ondas democráticas do ar.

Água: tema do Enem?

Qual será o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano? Há quem aposte no tema da água. Afinal, a crise hídrica – que ainda persiste, embora não seja mais destaque na mídia – é um assunto atual e urgente. Uma boa dica para os jovens se preparem é o projeto Água: conhecimento para gestão, curso gratuito e online, voltado para prioritariamente para jovens dos 12 aos 18 anos, que aborda os recursos hídricos.

inscrições aqui

O módulo traz conceitos como ciclo da água, problemas socioambientais, água e saúde, cuidados com o lixo, saneamento básico, tratamento de água e esgoto, geração de energia elétrica, os diversos usos da água, clima, agricultura, características hídricas de cada região, mobilização social e ciberativismo. Além disso, o aluno é sensibilizado quanto à importância da água no cotidiano. A meta é incentivá-lo a adoção de atitudes responsáveis para a conservação do recurso natural.

Três personagens compõe uma história em que se passa todo o enredo. A capacitação tem duração total de 12 horas. Para fazer as aulas basta ter computador com acesso à internet. O curso é fruto de um convênio entre a Agência Nacional de Águas (www.ana.gov.br), Fundação Parque Tecnológico Itaipu (www.pti.org.br) e Itaipu Binacional (www.itaipu.gov.br).

Cultura participativa

Da Tela Viva News

A MTV International, responsável pelos canais da marca fora dos Estados Unidos, acaba de adotar uma nova ferramenta em sua programação: o #MTVbump, que permite exibir, na programação linear, vídeos produzidos por telespectadores e veiculados nas redes sociais. Refletindo as mudanças, o slogan do canal mudou de “I want my MTV” para “I am my MTV” e o logo da marca será atualizado.

“Nós observamos a maneira como o público jovem está criando e consumindo conteúdo hoje e resolvemos nos alinhar a isso, permitindo que usem as mesmas ferramentas do dia a dia em nossos canais. O telespectador passará a ter um papel muito mais ativo na criação da programação e ninguém está fazendo isso no mundo”, explica Nacho Gil, diretor criativo da MTV internacional.

A marca também está modificando a padronização do visual dos canais ao redor do mundo, adotada desde 2011. A ideia é permitir personalizações locais dentro de diretrizes globais. Os promos do canal passam a ser mais curtos, altos e hipervisuais. Nos próximos meses, a rede de canais deve lançar o MTV Canvas. Criado em parceria com a To.Be, será uma espécie de livro de adesivos online interativo que dará ao público a liberdade para criar e brincar com a marca, produzindo sua própria arte visual com música, cenários customizados e muito mais.

“Em 2011 fizemos a opção de padronizar o visual do canal. Na época fazia sentido pois queríamos fazer com que a marca fosse reconhecida e passasse as mesmas sensaçõs aos telespectadores em todo o mundo. Mas isso teve um preço e tornou-se algo monótono. Agora estamos revendo essa política para permitir que as pessoas personalizem a experiência em suas regiões”, diz Nacho.

Youtube e games

Do Tela Viva News

De olho na crescente audiência do serviço de streaming de vídeo de games Twitch, o Google anunciou nesta sexta-feira, 12, o lançamento do YouTube Gaming, um novo aplicativo e website dedicado exclusivamente aos jogos. Além de agregar conteúdo que já está disponível no portal tradicional, a ideia é permitir uma “experiência melhorada ao vivo que deixa mais simples fazer broadcast de gameplay ao YouTube”, com um sistema redesenhado (agora não é necessário mais agendar uma transmissão), gravação digital, conversão automática de vídeo e captura em 60 quadros por segundo.

Para quem consome os vídeos, haverá facilidades. A companhia vai criar páginas específicas para 25 mil títulos, onde será possível assistir aos vídeos e streamings de cada jogo. O YouTube Gaming também deverá ter canais de publishers de jogos e de criadores do portal de vídeos. O próprio sistema de busca levará em consideração o tipo de conteúdo: as sugestões serão sempre de games.

Em post no blog oficial do YouTube, a companhia afirma que o Gaming estará disponível inicialmente neste verão (inverno no Brasil) nos Estados Unidos e no Reino Unido. A partir deste final de semana, a companhia contará com um estande na maior feira de videogames do mundo, a E3, nos Estados Unidos, onde convidará participantes a testar a plataforma. Até o momento, a empresa não informou se haverá versões do aplicativo para iOS ou para os consoles da atual geração (Nintendo Wii U, PlayStation 4 e Xbox One) que permita a transmissão facilitada. A plataforma trará páginas individuais para cada jogo, e já será lançada com espaços dedicados para mais de 25 mil títulos, como “Zelda” e “Asteroids”.

“YouTube Gaming foi construído para ser sobre seus games favoritos e jogadores, com mais vídeos do que qualquer outro lugar. De “Asteróides” a “Zelda”, mais de 25 mil games cada um terá sua própria página, um local próprio para todos os melhores vídeos e transmissões ao vivo sobre o título”, afirmou o gerente de produto do YouTube, Alan Joyce, por comunicado.

No prato dos adolescentes

 

Por Erika Suzuki
Da Secretaria de Comunicação da UnB

Para saber o que os adolescentes brasileiros andam comendo e entender os hábitos alimentares desses jovens, a nutricionista Sumara de Oliveira decidiu avaliar alunos do 9º ano do Ensino Fundamental de várias escolas no país. Em pouco mais de um ano, ela e um grupo de pesquisadores do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília coletaram e analisaram dados sobre a alimentação de mais de 25 mil estudantes. A pesquisa foi realizada entre setembro de 2011 e novembro de 2012. “Sou nutricionista da Secretaria de Educação do DF e fico preocupada com o estado nutricional dos adolescentes, uma vez que a prevalência de excesso de peso e obesidade nessa população é crescente e representa sérios riscos à saúde”, justifica.

Além de descrever o tipo de comida que esse grupo de jovens tem consumido, o estudo feito por Sumara analisa hábitos que podem influenciar na escolha de alimentos saudáveis, como refeições em casa com a família, tempo gasto na frente da TV e do computador e prática de atividades físicas. O aspecto comportamental chama a atenção da pesquisadora. Ela destaca a influência da TV e cita os efeitos nocivos da propaganda. “Nossa investigação mostrou que quanto maior o número de horas assistindo à televisão, maior o consumo de alimentos como salgados fritos, embutidos, guloseimas e refrigerante”.

Orientado pela professora Natacha Toral, o trabalho “Caracterização do consumo alimentar e seus fatores determinantes entre adolescentes de escolas públicas e privadas das capitais brasileiras e do Distrito Federal” foi apresentado no ano passado na Faculdade de Ciências da Saúde da UnB no programa de pós-graduação em Nutrição Humana. A dissertação, segundo a autora, resulta de estudo mais amplo desenvolvido pelas professoras do Departamento de Nutrição Muriel Gubert, Raquel Botelho, Renata Monteiro e Natacha Toral que mapeia a cultura alimentar dos adolescentes nas capitais brasileiras.

“Estudos nessa área ainda são escassos”, afirma. “Acredito que a pesquisa traz importantes contribuições sobre o consumo alimentar dos adolescentes e mais ainda sobre seus determinantes, possibilitando o direcionamento de políticas públicas voltadas para esse público”, diz.

A pesquisa reforça a tese de que, para se ter uma vida saudável, os hábitos cultivados são tão importantes quanto a combinação dos alimentos. “Se uma pessoa se alimenta de junk food no carro, correndo entre um compromisso e outro, ou enquanto assiste TV ou trabalha no computador, não está dando à alimentação o espaço que ela realmente merece em sua vida, e as consequências negativas disso na saúde são evidentes”, diz a professora Natacha.

Além dos resultados esperados, como o fato de os adolescentes nas capitais brasileiras comerem poucas frutas e hortaliças e muitos alimentos com alto teor de gordura e açúcares, o estudo de Sumara destaca aspectos pouco explorados na literatura atual, no caso, que a alimentação está associada ao comportamento da pessoa, àquilo que fazemos habitualmente, e ao modo de comer.

Adolescentes que tinham uma alimentação mais saudável faziam mais refeições em casa com a família, praticavam pelo menos 4 horas de atividade física por semana e comiam com menos frequência na frente da TV e do computador, verificaram as pesquisadoras. “Essas práticas, aliás, são recomendadas pelo Guia Alimentar da População Brasileira, lançado no ano passado pelo Ministério da Saúde”, diz Natacha. Entre as recomendações, a professora cita refeições caseiras que usem alimentos naturais ou minimamente processados, feitas em locais tranquilos e na companhia de outras pessoas.

O poder do boca a boca

Por Manuel Alves Filho
Do Jornal da Unicamp

Atire a primeira pedra quem nunca recorreu a um familiar ou amigo para pedir indicações sobre a qualidade de um bem ou serviço antes de adquiri-lo. A consulta boca a boca estabelece o senso comum e ajuda o consumidor a decidir por este ou aquele fornecedor. Pesquisa desenvolvida para a tese de doutorado do economista Marcelo de Carvalho Pereira, defendida no Instituto de Economia (IE) da Unicamp, não somente ratifica esse entendimento, como revela que as redes sociais reais influenciam até mesmo na maneira como as empresas concorrem entre si. O trabalho foi orientado pelo professor David Dequech Filho.

De acordo com Pereira, o foco específico do estudo foi o mercado brasileiro de serviço de acesso à internet, no período 1996 a 2014. O economista explica que optou pelo segmento porque ele faz parte do que os especialistas classificam de bens e serviços complexos, que exigem do consumidor conhecimentos de ordem técnica.

O economista observa que, quando os bens e serviços não são tão sofisticados, as pessoas tendem a privilegiar outras fontes, como internet e redes sociais virtuais, para obter informações. Isso ocorre porque os produtos são conhecidos e há somente a necessidade de qualificá-los. “Entretanto, quando se trata de produtos novos ou complexos, geralmente de valores mais elevados, o consumidor recorre com mais frequência à sua rede social real. Ou seja, ele tem maior confiança na experiência das pessoas mais próximas, porque não se trata somente de obter informação objetiva, mas de aprendizado sobre o próprio produto. Confiança, nesse momento, é importante”.

Na avaliação do pensador, a prática é recorrente entre os adolescentes. Basta que alguns integrantes do grupo comecem a utilizar um determinado produto, para que os demais também passem a adotá-lo. No caso dos consumidores, a mecânica é parecida, embora os motivos obviamente sejam diferentes. “As pessoas tendem a imitar umas às outras. O princípio é o seguinte: se meus amigos e familiares usam e aprovam, é sinal de que tem qualidade e utilidade. Os mecanismos que orientam a escolha, portanto, nem sempre são conscientes. Pesquisas genéricas apontam que 40% dos brasileiros se deixam influenciar pelas redes sociais reais no momento da compra de um produto, mais do que norte-americanos e chineses”, pontua.

Essa forma de organização social não interfere somente na decisão dos consumidores. Ela também tem capacidade de influenciar na maneira como as empresas disputam o mercado. “O fato de as pessoas agirem dessa forma, baseando suas escolhas nas dos conhecidos, aumenta a probabilidade de um determinado segmento do mercado ficar mais concentrado. O setor de acesso de banda larga à internet no Brasil, fixa ou móvel, é um exemplo dessa concentração. Embora ele conte com mais de 2 mil provedores em atividade, 95% do mercado é controlado por apenas quatro grupos. As demais empresas têm atuação muito restrita, normalmente no âmbito municipal ou regional”, informa.

 

I Encontro de Pesquisadores

Com o objetivo de apresentar e de tornar conhecidas as pesquisas desenvolvidas por profissionais que atuam na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), será realizado, a partir do dia 16 de junho, em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, o I Encontro de Pesquisadores da EBC. A promoção é da EBC em parceria com a Unesco no Brasil e acontece no âmbito de projeto de cooperação técnica internacional para a criação do Centro de Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento e Inovação em Comunicação Pública. O evento em Brasília será no dia 16/06, no Espaço Cultural da sede da empresa, com cerimônia de abertura às 9h, que contará com a presença do diretor-presidente da EBC, Nelson Breve, seguida de palestra magna do Diretor de Engenharias, Ciências Exatas, Humanas e Sociais do CNPq, Dr. Guilherme S. Melo.

O Projeto EBC-Unesco para a criação do Centro de Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento e Inovação em Comunicação Pública tem como objetivo contribuir para a consolidação de um sistema público de radiodifusão diversificado, plural e em sintonia com os padrões internacionais de qualidade, com a intenção de tornar-se referência no Brasil, na América Latina e na África, em especial nos países lusófonos. Dirigido pela jornalista Joseti Marques, doutora em Comunicação e Cultura e ouvidora geral da EBC, o Centro será lançado oficialmente no dia 25 de setembro, data que marca os 131 anos do nascimento do pai da radiodifusão no Brasil, Edgard Roquette-Pinto. Além de contar com trabalhos de pesquisa nas categorias de doutorado, mestrado e especialização, o Centro e os futuros Encontros de Pesquisadores também abrirão espaço para a apresentação de trabalhos produzidos por profissionais da EBC com notório saber em suas áreas de atuação.

Apresentações de trabalhos

Na tarde do dia 16 de junho, entre 14h e 18h, também no Espaço Cultural da EBC, os pesquisadores inscritos apresentarão pesquisas relacionadas as suas qualificações de doutorado, mestrado e especialização, que versam sobre temas voltados à comunicação pública, rádio, televisão, cinema, política, arte contemporânea e mídia. Estão previstas nove apresentações.

O I Encontro de Pesquisadores da EBC continua seu ciclo de apresentações nos dias 23 e 24 de junho, na EBC no Rio de Janeiro, com 15 trabalhos. No dia 26 de junho, cinco pesquisadores apresentarão trabalhos na EBC em São Paulo. Ao final de cada apresentação, haverá espaço para perguntas e debate com a plateia.

A proposta desse primeiro evento é dar início a um ciclo anual de encontros de pesquisadores em Comunicação Pública, envolvendo as empresas de radiodifusão nacionais e internacionais e as instituições de pesquisas acadêmicas e profissionais. A expectativa é que nos próximos encontros sejam apresentados resultados de pesquisas aplicadas, desenvolvimento e inovação na área.

– Cerimônia de abertura
Data: 16 de junho
Horário: 9h
Local: EBC-Espaço Cultural da EBC
Endereço: Setor Comercial SUL-SCS Quadra 08, Bloco B-60, 1º Piso Inferior, Edifício Venâncio 2000, Asa Sul, Brasília-DF

– Apresentação dos trabalhos/ Brasília
Data: 16 de junho
Horário: De 14h às 18h
Local: EBC-Espaço Cultural da EBC
Endereço: Setor Comercial SUL-SCS Quadra 08, Bloco B-60, 1º Piso Inferior, Edifício Venâncio 2000, Asa Sul, Brasília-DF

– Apresentação dos trabalhos/ Rio de Janeiro
Data: 23 e 24 de junho
Horário: De 14h às 18h
Local: Mezanino EBC/Rio
Endereço: Rua da Relação, 18, sobreloja, Lapa, Rio de Janeiro-RJ

– Apresentação dos trabalhos/ São Paulo
Data: 26 de junho
Local Auditório EBC/São Paulo
Horário: De 14h às 18h
Endereço: Avenida Monfarrej, 1200, Vila Leopoldina, São Paulo-SP

O Rio em jogo

Carioca da Gema é um jogo de perguntas e respostas para quem é apaixonado pelo Rio de Janeiro e quer testar seus conhecimentos sobre a cidade. Nele, os jovens aprendem, de forma lúdica e educativa, sobre a história e as características da cidade e de seus moradores. Qual é o local das provas de vôlei de praia dos Jogos Olímpicos de 2016? Com quantos beijinhos o carioca se cumprimenta? Qual o local do baile charme mais conhecido do Rio de Janeiro? Quem foi o autor da frase Ser carioca é antes de tudo um estado de espírito? Essas e outras perguntas fazem parte do novo game disponibilizado no Portal MultiRio.

São 250 questões, todas com três opções de resposta. Ao longo do ano, o número de perguntas será ampliado gradativamente. Estão disponíveis questões sobre cinco temas, escolhidas aleatoriamente a cada rodada: CarioquiceCulturaEsporteGeografia/História e Personalidades. Para se tornar um legítimo “carioca da gema”, o participante precisa acumular 25 respostas corretas em cada uma das quatro fases do game.  Todo jogador começa na categoria “turista na cidade” e vai evoluindo para “morador descolado”, “explorador gente fina”, “carioca sagaz” e, finalmente, “carioca da gema”.

Cada jogador deve correr contra o tempo que vai diminuindo de acordo com o nível de dificuldade para responder as perguntas. Em caso de dúvidas, o participante pode recorrer a recursos que podem ajudá-lo a acertar a questão como, por exemplo, “pular”, que leva o jogador para a próxima pergunta, ou “ajuda”, que elimina até duas alternativas erradas.

Para acessar o game, basta entrar no Portal MultiRio (www.multirio.rj.gov.br), selecionar a área de jogos e clicar em Carioca da Gema. Além do jogo digital, também será produzida uma versão física, em formato de tabuleiro, que será distribuída em salas de leitura de escolas da Rede Municipal do Rio no segundo semestre deste ano. O game faz parte das ações desenvolvidas pela MultiRio em comemoração ao aniversário de 450 anos do Rio.

Cinema infantil: os vencedores

Saiu a relação dos filmes vencedores da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. A diversidade cultural, a aceitação das diferenças e a postura de se colocar no lugar do outro conduziu a escolha dos jurados, composto por  Hermínia Bragança, coordenadora de conteúdo infantil da diretoria de produção da TV Brasil (presidente do júri), e pelos jornalistas Dauro Veras e Dariene Pasternak. O filme A Visita (vídeo acima), de Leandro Corinto, levou o prêmio de Melhor Ficção, “pela coragem, ousadia e atualidade do tema, que discute a diversidade sexual”.

O Mar de Teresa conquistou a categoria Melhor Filme Prêmio Jovem, ao abordar “de maneira sensível emoções femininas”. A animação teve dois vencedores: Dalivincasso, uma obra que instiga pela “subversão da história da arte ao criar uma figura que mistura Salvador Dali, Picasso e Leonardo Da Vinci”;e Salu e o cavalo marinho, “pela alegria e persistência do personagem principal”.  O júri oficial ainda concedeu menção honrosa ao diretor Humberto Avellar e ao curta Valentino, de Cassiana Maranha.

Os vencedores recebem o Prêmio Aquisição no valor de R$ 5 mil da TV Brasil, com exceção de Nham Nham, que foi realizado com recursos do edital Curta Criança do MinC e conforme prevê a regulamento já vai entrar na programação da TV Brasil.

Durante os 10 dias da Mostra, 40 mil crianças e adultos estiveram presentes nas sessões de cinema realizadas no Teatro Pedro Ivo, sala de cinema do CIC, além de projeções em escolas e associações comunitárias, com as sessões itinerantes e Circuito Estadual de Cinema. Na escola Forquilhão, em São José, um dos locais onde ocorreram as sessões itinerantes, houve a participação dos 900 estudantes num único dia. A Mostra é uma realização da Lume Produções Culturais e do Núcleo de Ação Integrada com patrocínio do Ministério da Cultura, Tractebel Energia, Eletrosul, Petrobras e Governo do Estado de Santa Catarina.

Premiados 2015

MELHOR FICÇÃO
– A visita, de Leandro Corinto, RJ

MELHOR ANIMAÇÃO
– Dalivincasso, de Marcelo Castro e Marlon Amorim Tenório
– Salu e o cavalo marinho, de Cecilia da Fonte

MELHOR FILME PRÊMIO JOVEM
– O mar de Teresa, de Dilea Frate

MELHOR FILME JÚRI INFANTIL
– Nham Nham – A Criatura, de Lucas de Barros

MENÇÃO HONROSA
– Hugo, o monstro e Voa, João, de Humberto Avelar
– Valentino, de Cassiana Maranha

Guia museus

Olha que coisa bem legal. Um esforço em conjunto entre a Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC), a Casa da Ciência da UFRJ e o Museu da Vida possibilitou a publicação da terceira edição do Guia de Museus de Ciência do Brasil. Com informações sobre 268 espaços científico-culturais espalhados pelo país, o guia funciona como instrumento de divulgação ao público em geral, em especial às escolas, sobre espaços e instituições que merecem a visita de crianças, jovens e adultos.

A publicação está disponível online.  Acesse aqui

E atenção estudantes de pedagogia: inscrições abertas para estágio no Museu da Vida. A instituição está selecionado estudantes para estágio no campo da educação em museus. Os candidatos escolhidos vão atuar no atendimento ao público visitante. Para se candidatar, é necessário estar no 4º ou 5º períodos do curso de pedagogia. A carga horária é de 20 horas semanais. É importante que os candidatos tenham disponibilidade nas tardes de segunda-feira para reuniões de estudo e de equipe. O processo seletivo conta com análise curricular e entrevista.

Os interessados devem encaminhar currículo para o e-mail hilda1203@gmail.com até 19 de junho.

Sua viagem em destaque

Estão abertas as inscrições – até o dia 3 de julho – do Concurso Fotográfico passe Livre Carioca. O autor da foto vencedora vai ganhar uma máquina fotográfica. Além disso, as 40 melhores fotografias farão parte de um livro que será publicado pela Coordenadoria de Juventude do Estado do Rio de Janeiro e também farão parte da exposição Passe Livre Carioca – Compartilhe seu Passeio.

Acesse o regulamento

Podem participar alunos da rede pública de Ensino Fundamental, Ensino Médio, universitários beneficiados pelos programas do Governo Federal e Estadual de cotas ou pelo Prouni e estudantes universitários com renda familiar per capita de até um salário mínimo. Só valem estudantes residentes no município do Rio de Janeiro. O presente concurso será composto de duas fases: a primeira é a fase do voto popular. E a segunda, se refere ao julgamento das fotos pela comissão julgadora.

O concurso é promovido pela Coordenadoria da Juventude Cidadã, a entidade promotora da primeira edição deste concurso fotográfico em parceria com a Escola Técnica Estadual Adolpho Bloch e As Faculdades Integradas Hélio Alonso.

Viaje pelo Brasil

Qual é a diferença que o uso da tecnologia faz na sua prática docente?
Responda a pergunta e participe do concurso da revistapontocom, que celebra os dez anos do planetapontocom

A revistapontocom – a revista da midiaeducação, uma publicação da OSCIP planetapontocom, vai premiar um professor(a) com uma passagem aérea (ida e volta) para qualquer destino brasileiro no segundo semestre deste ano. E atendendo aos pedidos dos leitores, a partir de agora, pode participar  professor(a) de qualquer escola pública ou particular do país, independente do segmento de ensino (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação Especial e ou Educação de Jovens e Adultos). Os interessados deverão enviar um artigo que conte a sua melhor experiência de uso de tecnologias na sala de aula. As inscrições também foram prorrogadas. O novo prazo é 30 de junho de 2015.

Leia o regulamento

Envie o seu texto para concursorevistapontocom@planetapontocom.org.br
Dúvidas, fale conosco também no email concursorevistapontocom@planetapontocom.org.br

“O planetapontocom acredita na Educação brasileira. Traduzindo: acredita nos professores. Ao celebrar os dez anos do planetapontocom, queremos prestigiar os educadores e, ao mesmo tempo, reafirmar a importância da mídia como linguagem pontencializadora das práticas educativas. Esta sempre foi e continuará sendo uma das grandes bandeiras do planetapontocom e de sua publicação, a revistapontocom”, destaca a jornalista e escritora Silvana Gontijo, presidente do planetapontocom.

Os artigos devem conter entre 8 a 10 mil caracteres (com espaços). Precisam seguir as seguintes especificidades: corpo 12, entrelinha 1,5, texto alinhado à esquerda e margem normal. Textos entregues fora da formatação serão desclassificados.

Representantes do Conselho do planetapontocom, que reúne acadêmicos, formadores de opinião e profissionais do mercado da indústria criativa, vão compor o júri que selecionará o melhor artigo.

As inscrições estarão abertas até o dia 30 de junho. O resultado será anunciado em agosto, durante o Encontro de Midiaeducação que será promovido pelo planetapontocom/revistapontocom.

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Discussão necessária

Da socialização online aos deveres de casa e à diversão, a internet tornou-se, nos dias de hoje, uma parte essencial na vida dos jovens e abre um vasto campo de novas possibilidades de conexão e aprendizagem. Ao mesmo tempo, proporciona a extremistas violentos ferramentas poderosas para propagar o ódio e a violência ou, ainda, para identificar os recrutas em potencial ao criar comunidades globais online para promover a radicalização.

Nos dias 16 e 17 de junho, a Unesco organiza, em sua sede em Paris, uma conferência de dois dias (two-day conference) para estudar meios para combater a radicalização de jovens e o extremismo no ciberespaço. “Assistimos hoje ao surgimento de uma nova geração digital”, declarou a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova. “Nosso papel é formar uma nova geração de cidadãos digitais em âmbito mundial – começando com educação, novas competências interculturais e uma alfabetização midiática e informacional mais aprofundada”.

O objetivo da conferência é apoiar ações dos Estados e da comunidade internacional e também prover, por meio de exploração de ferramentas eficazes em resposta, uma melhor compreensão do papel que a internet desempenha em alimentar o extremismo violento.

A conferência, organizada no âmbito do Programa Intergovernamental de Informação para Todos (PIPT), visa também a criar uma rede mundial de parceiros para apoiar a defesa de interesses e compartilhar conhecimentos. A Unesco apresentará uma proposição de projeto piloto, fundamentado em todos os trabalhos já existentes, a fim de oferecer aos jovens formas de combater a radicalização e o extremismo online e também a possibilidade de realizar suas aspirações de um mundo mais pacífico e sustentável.

Nesse contexto, a conferência debaterá ideias e experiências de governos, organizações internacionais, pesquisadores e acadêmicos, bem como de empresas online, e apresentará estudos de caso de várias partes do mundo. Além disso, se concentrará nas diversas formas de participação online de jovens e, mais particularmente, nas iniciativas criadas por jovens que se posicionam como modelos a serem seguidos.

“O futuro de muitos países depende da juventude – especialmente aqueles países que passam por tensões ou que estão em situação de pós-conflito. Atualmente, em todo o mundo, quase 1,2 milhões de jovens – com idades entre 15 e 24 anos – vivem em sociedades nas quais a juventude é duramente atingida pelo desemprego, assim como pela falta de educação, de qualificações ou de perspectivas, tudo isso em um contexto de mudança das estruturas familiares, de rápida urbanização e de percepção crescente de marginalização”, explicou Irina Bokova.

O extremismo violento é uma ameaça aos princípios das Nações Unidas, representados pelo respeito aos direitos universais e às liberdades fundamentais de uma pessoa. Ele constitui também uma ameaça crescente às sociedades que passam atualmente por profundas transformações. A luta contra o extremismo violento exige que sejam tomadas medidas em todos os níveis para fortalecer os alicerces da solidariedade.

“A posição da Unesco é clara: a internet e as novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) devem ser plataformas de engajamento positivo, de paz, de promoção do respeito aos direitos do homem e de dignidade, permitindo, assim, o diálogo e a compreensão mútua”, declarou a diretora-geral.

Conheça o Parampampam

O Parampampam é um grupo de música para crianças, formado por arte-educadores e músicos, que trabalha um repertório autoral, valorizando a arte e a cultura das infâncias, com muita diversão. O grupo foi formado inicialmente no ano 2000 a partir da reunião de amigos e parceiros de trabalho que se uniram por sua paixão pela música, por crianças e pela educação em torno das composições de Carlos Evandro Lordello. Hoje está de cara nova, mas ainda mantendo os mesmos objetivos. “Todas as canções que fiz, especialmente as “infantis”, só se completam na boca e na emoção do outro”, revela Carlos Evandro, compositor, cantor e instrumentista do grupo, que se apresenta no dia 14 de junho, às 16 horas, no Centro Cultural da Justiça, no Centro do Rio.

Para o Parampampam, a música tem magia, tem vida e favorece no estímulo à criatividade, imaginação, inventividade e expressividade das crianças. Nossa música é para ser sentida, cantada, dançada e brincada. “É música para crianças de todas as idades, inclusive para aquelas que moram dentro de cada adulto. Queremos fazer boa música para as crianças, mas que toda a família possa curtir junto”, completa o produtor musical Cadu Dias Lopes.

Os animais sempre despertaram muita curiosidade, interesse, encantamento e afeto nas crianças e é dentro desse universo que o espetáculo Olha que eu viro bicho navega. Como diz a letra da música que dá nome ao show: “Tem gente que bicho gosta, tem bicho que gosta da gente, tem gente que vira bicho e tem bicho que vira gente”.

É nesse contexto que uma galinha, uma serpente, um elefante, uma aranha, um jacaré, uma onça e um grupo de formigas viram frutos da nossa imaginação e não bichos somente. Nossos bichos fazem ginástica, dançam, cantam, brincam em um conjunto, vão à feira, escovam os dentes, gostam de andar elegantes, escalam o Pão de Açúcar e comem biscoito.

Com aproximadamente 50 minutos de duração, o espetáculo apresenta ao público bichos que são personagens curiosos, astutos e engraçados. Há adivinhações, trava-língua e outras sutilezas do mundo infantil que ganham forma rítmica em samba, rock, coco, maracatu, ciranda, blues, marchinha e bolero.

Stop motion: inscrições abertas

Estão abertas as inscrições de filmes para a mostra competitiva do V Festival Internacional Brasil Stop Motion, no Recife. As inscrições devem ser feitas online (www.brasilstopmotion.com.br) até o dia 25 de agosto de 2015. O festival será realizado entre os dias 24 e 28 de novembro, no Cinema São Luiz. A programação inclui mostras competitivas e de convidados, além de palestras e oficinas com animadores nacionais e internacionais.

Apenas filmes realizados com a utilização da técnica de animação Stop Motion, a partir janeiro de 2013, serão aceitos. No caso de filmes que utilizem duas ou mais técnicas de animação, apenas aqueles que tenham mais de 75% do tempo em Stop Motion serão aceitos. Os filmes devem ser inscritos numa das seguintes categorias: stop motion até 10 minutos ou stop motion com mais de 10 minutos. E nas subcategorias abaixo: Estudante ou profissional e Infantil ou adulto.

O festival concederá, caso a Comissão de Premiação julgue pertinente, troféus para as seguintes modalidades: Melhor Stop Motion de até 10 minutos, Melhor Stop Motion de mais de 10 minutos, Melhor Stop Motion Estudantil, Melhor Stop Motion Brasileiro, Melhor Stop Motion do Público, Melhor Stop Motion Infantil, Melhor fotografia, Melhor roteiro, Melhor direção de arte, e Melhor som. A inscrição é gratuita e deve ser efetuada, exclusivamente, via online no site do festival, no endereço: www.brasilstopmotion.com.br

Na última edição, o Brasil Stop Motion recebeu mais de 260 filmes vindos de 45 países e teve as vagas para Master Class e oficinas esgotadas. Todas as atividades oferecidas pelo festival são gratuitas.

Convocatória para anuário

No contexto do seu primeiro ano de funcionamento, o Observatório Latino-americano e Caribenho de Alfabetização Midiática e Informacional (OLCAMI), que tem o objetivo de debater e intercambiar experiências na área, vai lançar um anuário da área, sistematizando pesquisas e casos que foram ou estão sendo atualmente desenvolvidas sobre a matéria. Com a iniciativa, o observatório visa contribuir para a difusão do trabalho que diferentes atores sociais promovem em toda a região, com denominações como educação para os meios, educomunicação ou educação midiática e informacional.

Saiba mais sobre a convocatória

De acordo com o professor Ismar Soares, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação, e um dos coordenadores da OLCAMI, a proposta do anuário é dar visibilidade aos estudos e às experiências que estão em processo. Os artigos deverão ser inscritos nos seguintes temas/áreas de trabalho, listados abaixo. Os resumos devem ser enviados até o dia 19 de junho.

Temas/Áreas de trabalho:

1. Avaliação de iniciativas de Alfabetização Mediática e Informacional
a. Estudos práticos (com descrição do projeto, incluindo suas referências teóricas e metodológicas)
b. Desenvolvimento de ferramentas de mensuração/avaliação

2. Boas práticas de Alfabetização Mediática e Informacional
a. Descrição e análise de boas práticas de AMI
b. Sistematização de experiências e de boas práticas latino-americanas e caribenhas

3. Desenvolvimentos teórico-conceituais
a. Pesquisas em curso
b. Estado da arte

4. Ensino de Alfabetização Midiática e Informacional
a. Marcos e desenvolvimentos teóricos
b. Análise de atividades e/ou ferramentas

5. Políticas de Educação para os meios, Educomunicação ou de Alfabetização Midiática e Informacional
a. Estudos de Casos
b. Comparação de contextos e das referências teórico/metodológicas
c. Análise de políticas