Jovens da periferia

Na infância, Thayná não podia usar a cor vermelha, considerada uma provocação à facção do tráfico que dominava o morro onde morava. Quando o tráfico deixou de dominar sua comunidade, Flavia descobriu que podia fotografar o céu. Bianca e Jaqueline recebiam olhares tortos nas ruas por seus cabelos coloridos, piercings e tatuagens. Lucas admira a mãe por assumir que retirou um seio devido a um câncer de mama. Bianca Helena acompanhava a mãe em seu trabalho como catadora de um lixão. Helen assumiu o cabelo como sinal de orgulho de sua cor. Experiências pessoais diversas, resultaram em algo em comum: trabalhos artísticos que estarão expostos na mostra Co.Mo.Ver, uma seleção de obras produzidas por jovens ao longo dos 12 anos de existência da Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia, que atua nas cidades do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belo Horizonte. A exposição celebrativa abre no dia 31 de agosto, na Oi Kabum, de Ipanema, no Rio. Os interessados terão até o dia 4 de outubro para conferir o trabalho.

Além de esteticamente original — por ser fruto de uma formação que estimula a experimentação multimídia — o conjunto de trabalhos propicia uma reflexão sobre como vivem, o que pensam, o que sentem e como se expressam os jovens da periferia. Os projetos revelam forte conteúdo social, mas sem recorrer a palavras de ordem ou formatos panfletários. Ao privilegiar questões de identidade e de autoafirmação de cada jovem — subjetiva, familiar, social — os projetos alcançam sentidos universais.

Consumismo, meio ambiente e homofobia, por exemplo. Temas sérios, com sentido histórico e político, sujeitos a toda sorte de discurso pronto e engajado, estão presentes nas obras dos jovens da Oi Kabum!, mas de forma sutil, como desdobramento de suas vivências pessoais e de sua relação com a arte.

No curta-metragem O Plano do Ano (foto acima), as mudanças climáticas estão subjacentes ao olhar de duas crianças da favela metidas a cientistas e imbuídas da missão de salvar o mundo. Na série de aquarelas Meninos Veados (BH), o rótulo preconceituoso é desconstruído com leveza e humor, em forma de “galhos” sobre as cabeças. Em Então é Natal, jovens cariocas fizeram paródias de músicas natalinas ridicularizando a onda consumista dessa época do ano, “cantadas” por caixas de presentes cujos rostos são animados pela técnica de projeção mapeada.

Para jovens vindos da rede pública de ensino e de famílias de baixa renda (perfil de todos os formados pela Oi Kabum!), o que significa tomar contato com tecnologias de ponta e passar a circular por áreas e relações antes vedadas devido à desigualdade social? Eles constroem olhares híbridos, que misturam improviso, informalidade e gambiarra, por um lado, com técnicas, ferramentas e formatos digitais, por outro.

As fotografias de Sal de prata (Recife) foram feitas em câmera pinhole (caixa de madeira) e serão exibidas em projeção mapeada na fachada do prédio do Oi Futuro Ipanema. Outras animações usam recortes, massinha e técnicas manuais de pinturas sobre frames de vídeo, por exemplo.

Quanto à circulação democrática pelas ruas e pelas artes da cidade, os projetos retratam como eles se apropriam do espaço urbano, desconstruindo conceitos consagrados pela grande mídia, que reproduz a cultura da elite. Dentro de mim mora um lugar: o título deste trabalho fotográfico desenvolvido em Salvador resume essa dicotomia entre vivência subjetiva e relações urbanas.

Os pontos de vista dos jovens da Oi Kabum!, só eles têm. São variados, pois resultam de centenas de indivíduos num período de 12 anos e em quatro cidades diferentes. Mas também tem muito em comum, e muito de incomum. Para saber o quê, só mesmo visitando a mostra Co.Mo.Ver.

Vai ver se eu tô na esquina!
Uma novidade que faz parte da mostra é o projeto A esquina. Trata-se de um ponto de encontro de jovens, artistas, produtores culturais, pensadores de diferentes camadas sociais do Rio de janeiro, onde tudo pode acontecer: cursos, oficinas, palestras e eventos — um ambiente democrático de intercâmbio e transcriação cultural. Quem chega à esquina pagando propicia vagas gratuitas para se encontrar com quem não pode pagar. Todos os recursos arrecadados revertem para um fundo que financia as atividades gratuitas promovidas pela Oi Kabum! Rio.

Confira aqui a programação do esquina

E outras coisas
A mostra também promoverá eventos paralelos: sessões de vídeos adultos e infantis; sessão do cineclube Pingado, um projeto de jovens da Oi Kabum! Rio; lançamento do livro Arquivo Oi Kabum! 12 Anos: Juventudes, Experiências e Aprendizados em Arte e Tecnologia; e debate sobre arte jovem da periferia e metodologias inovadoras de educação.

E como ver a mostra?

Como ver uma exposição que tem como autores dezenas de jovens de quatro cidades ao longo de 12 anos? As infinitas respostas possíveis a esta pergunta concentram-se em uma palavra de múltiplos sentidos: como ver, co-mover, comover. Move-se o conjunto de criações artísticas: desmembram-se e se reordenam segundo as escolhas e combinações de cada curadoria local, no Rio, em Recife, em Salvador, em Belo Horizonte. Co-move a expressão colaborativa e compartilhada de jovens em seus movimentos corporais, relacionais e sociais, fruto do aprendizado em arte e tecnologia desenvolvido nas escolas Oi Kabum!. No contexto da criação experimental e do aprender pelo fazer, pode-se questionar padrões estéticos e comportamentais, pode-se considerar o desejo de expressão sem formas únicas ou pré-determinadas, pode-se brincar em variadas situações. No terreno da metamorfose própria da juventude, a espelhar mudanças pessoais e sociais situadas no agora, no passado ou no porvir, Co-Mover ocupa simultaneamente diferentes espaços e tempos. Onde, quando, como, por quê? As respostas estão no olhar do espectador, co-autor e co-movente desses deslocamentos da arte e tecnologia entre jovens do meio urbano brasileiro de 2003 a 2015. Então é com você: como vê?

E aí, vai faltar?

Da Agência Senado

Senadores da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) divergiram, nesta terça-feira (18), sobre flexibilizar ou não as punições estabelecidas em projeto de lei (PLS 189/2012) do senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Depois de alguma polêmica, a comissão acabou aprovando substitutivo do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) à proposta, que estipula penalidades para os pais ou responsáveis que não participarem das reuniões escolares de avaliação de seus filhos ou dependentes.

Segundo explicou Bezerra, os pais ou responsáveis terão que comprovar a presença a, pelo menos, quatro reuniões anuais para se livrarem de eventuais sanções. Quem não cumprir esta exigência poderá enfrentar punições similares às aplicadas ao eleitor que deixa de votar, como ficar proibido de se inscrever em concurso público; de receber remuneração ou proventos de emprego ou função pública; de obter empréstimo em bancos oficiais; de tirar passaporte e carteira de identidade. “Se o voto é obrigatório, mais obrigatório ainda é o mandamento constitucional que impõe a obrigação da família acompanhar o rendimento escolar de seu dependente”, sustentou Bezerra.

O relator disse ainda ter abrandado o PLS 189/2012 ao retirar duas punições previstas no texto original. Assim, ficaram de fora do substitutivo a proibição de renovação de matrícula em escola pública e de participação em qualquer ato para o qual se exija quitação com o serviço militar ou declaração de imposto de renda.

Judicialização

Ao mesmo tempo em que defendeu a proposta de Cristovam e seu substitutivo, Bezerra recomendou a rejeição de emenda substitutiva oferecida pelo senador Donizetti Nogueira (PT-TO). Como Donizeti só propunha punição aos pais ou responsáveis a partir da ausência a quatro reuniões, o relator considerou que sua emenda “prejudicava o mérito do projeto original”.

Bezerra também rejeitou sugestão da senadora Simone Tebet (PMDB-MS) no sentido de se flexibilizar estas punições. Preocupada em resguardar as famílias mais humildes, Simone sugeriu que, na primeira ausência a uma reunião de avaliação, o pai ou responsável recebesse uma advertência da escola. Já na segunda falta seguida, a escola deveria informar o fato ao juiz da comarca para a adoção de providências.

Para o relator do PLS 189/2012, a interferência do juiz na relação escola-família vai criar uma “judicialização desnecessária”. Já a sugestão de Simone recebeu o apoio dos senadores Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Lasier Martins (PDT-RS).

Votação final

Na avaliação de Donizeti, sua emenda substitutiva não alterava o mérito nem prejudicava a proposta de Cristovam. “O projeto trata a ferro e fogo (a falta a reunião escolares) e na minha proposta eu quis graduar a pena”, disse Donizetti. Uma saída para o impasse surgiu quando Cristovam sugeriu que a CE aprovasse o substitutivo de Bezerra e deixasse a discussão de mérito sobre o PLS 189/2012 para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). As posições de Donizeti e Simone sobre a flexibilização das penas pelas faltas a reuniões escolares voltariam a ser apresentadas lá, onde o projeto vai a votação final.

FIL 2015

Atenção educadores: a edição deste ano do Festival Internacional de Intercâmbio de Linguagens(FIL) vai  acontecer, entre 24 de setembro e 4 de outubro, em diversos espaços da cidade do Rio de Janeiro. A coordenação divulgou a programação inicial para que as escolas possam participar, levando crianças e jovens, atravessando os muros da escola.

acesse aqui a programação

“Neste exato momento, este que estamos tratando de viver agora, “uma memória” está sendo criada. Entre tantas e tantas outras que virão depois dessa, algumas – as que nos tocaram mais profundamente – ficarão para sempre, escolhidas pelo afeto experimentado. Outras se perderão pelo caminho e outras ainda se transformarão em novas criações que se transformarão em novas memórias inventadas. As memórias são criações vivas que pulsam fundo sem tempo finito. O FIL 2015 resolve eleger o tempo presente, em aliança com os outros tempos – como tão bem fazem as crianças – num bordado de imaginários, para que os muitos mundos se cruzem num mesmo campo de criação de novas memórias. Lírico e popular, onírico e real, tradicional e up to date, nacional e estrangeiro, aberto a todos e visionário ao que há de vir, o FIL, esse púbere de 13 anos, abre o peito, arregaça as mangas, penetra nos conscientes e inconscientes totalmente amalgamado!  Parcerias construídas ao longo do tempo com artistas insubstituíveis, vindos de vários cantos do Brasil, França, Holanda, Canadá, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Espanha, para criar poéticas memórias, para inventar outras novas, unindo em fios de FIL; os tempos, espaços, culturas e públicos!”, afirma Karen Acioly, coordenadora do FIL.

Há espetáculos adultos, infantis, infanto juvenis e livre para todas as idades. As escolas interessadas devem entrar em contato com a produtora Trickster Produções Artísticas. Agendamentos com Monica Alvarenga monicaal@globo.com trickster@trickster.com.br Tel e cel. 55 21 30790964 – 94080354es07-encarte-FIL2015

Curtas da Rede Escola Rio

Um dia especial. Pelo menos para os estudantes das escolas municipais do Rio de Janeiro que participaram do projeto Rede Escola Rio (RER), que, ao comemorar os 450 anos da cidade do Rio, oferece oficinas multimídia em escolas da rede pública municipal. Na última sexta-feira (dia 21/08), no Teatro de Câmara da Cidade das Artes, foram exibidos todos os curtas já produzidos pelo programa, iniciado em agosto de 2014. “Tal projeto já impactou um público de mais de oito mil alunos. Desejamos que esta ação se consolide cada vez mais e se torne uma boa prática no município, podendo ser replicada para outras praças”, idealiza Juliana de Carvalho, da Bang Filmes, responsável pelo projeto.

O projeto Rede Escola Rio foi elaborado em parceria com a Gerência de Mídia-Educação, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, como um investimento na criatividade artística e na capacidade dos estudantes e educadores cariocas de construir uma cidade sustentável. A proposta é incentivar os participantes a mapear e registrar diferentes localidades e, com isso, promover o resgate das histórias do Rio e a reflexão sobre a relação dos cariocas com a cidade que habitam.

Confira, abaixo, alguns dos filmes produzidos e exibidos na ocasião.

– Aula Dos Sonhos (E.M. Mario Claudio – Rio Comprido – RJ)
Alunos fazem bagunça e levam uma bronca do professor. Aula fica chata e uma aluna adormece, sonhando que a turma está fazendo um passeio.

Não Saio? (E.M. Narcisa Amália – Guaratiba – RJ)
Documentário comparando os moradores Guaratiba com os de Copacabana.

 

Ai de ti, jornalismo

Por Norma Curi
Jornalista.

Texto do Observatório da Imprensa

Ana Paula Padrão ganhou R$ 1.800 milhão com seu reality show de gastronomia mas não parou por aí. Dá cursos de autoajuda sobre, por exemplo, como se vestir para subir na carreira, e já conseguiu anúncio de perfumarias, produtos de limpeza. Sem falar no merchandising, R$ 8000,00 por cada apresentação-relâmpago de marcas de tempero ou facas de cozinha. “Eu quis testar se o público me estranharia na publicidade, mas foi bastante natural”, diz na capa da Vejinha paulista da semana passada (12/08). Nem dá para comparar. Quando apresentava o Jornal Nacional da Globo ganhava R$ 90 mil mensais, ao se transpor para a SBT chegou a R$ 270 mil. Mas era só jornalista. Ela conta como faz para manter esse padrão: botox duas vezes por ano e seis gotas de rivotril para dormir.

Se somarmos ao que Patricia Poeta ganhou ao deixar o jornalismo para virar garota propaganda de detergente chegamos a R$ 3.300 milhões. Patrícia embolsou R$ 1.500 milhão depois da quarentena garantida pelo contrato da Globo, e ainda não desistiu. Na nova espécie de reality show também na Globo, É de Casa , volta ao tempo em que as mulheres ainda não haviam historicamente queimado o sutiã e conquistado seu lugar. O programa fala daquilo que nossas avós gostavam, de decoração, entretenimento, saúde, do cotidiano da vida doméstica e, afirma, jornalismo (?).

Fátima Bernardes ganhou todas as páginas de anúncios estampada entre salsichas, pés de porco, linguiças, e nem liga se o seu programa Encontro na Globo, sem graça como o É de Casa de Patrícia Poeta, está perdendo IBOPE para Tom & Jerry no SBT. Quem se importa com compromisso de imagem quando levou no bolso R$ 5 milhões do frigorífico Seara?

Não bastaram para o ex-correspondente internacional Pedro Bial os R$ 3 milhões que recebe por cada edição do BBB (já está na 15ª.). Precisou vender Fiat por R$ 4 milhões e declarar na capa da Vejinha carioca de janeiro deste ano que não tinha qualquer vergonha, “não sou apenas jornalista ou apresentador, sou um homem de televisão”. Debaixo de um edredon como apareceu na foto (“quer dar uma espiadinha?”, perguntava), justificava tudo dizendo que já teve uma forte depressão e que durante anos bebia todos os dias mas agora saiu dessa. Justifica o BBB como “um formato trash feito com um grau de excelência sem igual. Transformamos o que chamam de lixo em luxo”. O luxo foi para o bolso dele, o telespectador ficou com o resto.

O Jornalismo foi o trampolim para as agências de publicidade se pendurarem atrás da fama de cada um dos profissionais que abandonou o posto, a carreira. Mas nem assim o Jornalismo garantiu os ganhos de Roberto Carlos vendendo bife, apesar de vegetariano, R$ 15 milhões. Nem os da übermodelo Gisele Bündchen que só em 2013 ganhou R$106 milhões. Vende shampoo mas detesta cabelereiro, vai se aposentar milionária vendendo aquilo que as feministas queimaram quando resolveram que as mulheres deveriam ocupar um lugar sério na sociedade: sutiãs na nova linha de lingerie Intimates.

Morto este ano aos 87 anos deixando duas dúzias de romances, poesias, ensaios, peças e revitalizando o orgulho do pernambucano pelas suas raízes nordestinas, Ariano Suassuna declarava sua paixão incondicional pela literatura e a criação artística. “Isso não tem, nunca teve, nada a ver com o mercado, literatura não tem nada a ver com mercado, tem a ver com festa, missão, vocação”.

Aprendemos na faculdade que Jornalismo era isso, festa, missão, vocação e não tinha nada a ver com mercado. De anúncios tratava outro departamento e que não se metesse nas nossas matérias. Agora, o que Ana Paula, Patrícia, Fátima, Pedro fazem ao ver o Brasil se revirar nas ruas a favor ou contra, reivindicando, o brasileiro agindo enfim como cidadão? Vendem autoajuda, panelas, produtos de limpeza, salsichas e carros? Deve dar comichão.

Neste sábado o mega-escritor Leonardo Padura deu uma lição em Ana Paula, Fátima, Patrícia, Pedro, nos jornais que minguam e demitem a torto e a direito, nos jornalistas que perderam a chama, a meta, e viraram joguetes do mercado e da Bolsa de Valores à base do rivotril. O cubano que já reabilitou a história de Trotsky em O Homem que Amava os Cachorros (Boitempo) e no mês que vem virá lançar mais um de seus imperdíveis romances históricos, Hereges (Boitempo), passou um sabão nos jornais, nos jornalistas e na sociedade com o artigo Quarto Poder publicado na Folha de S. Paulo deste sábado (Ilustrada, 15/08).

Padura critica “a superficialidade nas análises e o servilismo do poder público, que tomou conta de grande parte do trabalho informativo. Por isso, fica cada vez mais evidente a improvisação e a falta de profissionalismo de muitos dos que vivem do exercício do jornalismo”

Aponta os salários cada vez menos atraentes – não era o caso dos ex-jornalistas citados acima – e constata que as redações se enchem cada vez mais de jovens pouco preparados “que precisam ganhar o pão e não buscar complicações para suas vidas”.

“Em lugares onde se fala com orgulho da liberdade de expressão e dos direitos humanos, matam-se moralmente os profissionais da imprensa com as pressões políticas, econômicas e editoriais”.

“Fazer hoje um jornalismo honesto, comprometido com a verdade e a sociedade, é uma postura que está se tornando cada vez menos comum ao redor do mundo…E ainda há quem pergunte sobre as razões do estado calamitoso do jornalismo em nível universal?”.

Padura justifica: “meus colegas da imprensa – e falo assim porque nunca deixei de fazer jornalismo e de sentir-me jornalista – sabem que falo a verdade”.

Ai de ti, Jornalismo. Ai, de Ti, Copacabana foi o livro que Rubem Braga lançou em 1960. Era jornalista profissional desde os 15 anos e, morreu aos 77 no Rio de Janeiro em 1990, deixando pelo menos 30 livros de crônicas além das que escrevia para o Jornal Hoje da TV Globo. Nesta, famosa, ele cantava “Ai de ti, Copacabana, porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te abalará até as entranhas…Ai de ti, Copacabana, porque a ti chamaram Princesa do mar, e cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras…Canta tua última canção, Copacabana”.

Se o jornalista Rubem Braga fosse vivo talvez refizesse a famosa crônica em 2015 cantando a derrota para o Jornalismo. -Ai de ti, Jornalismo, porque eu já fiz o sinal bem claro de que é chegada a véspera de teu dia, e tu não viste; porém minha voz te abalará até as entranhas… Ai de ti, Jornalismo, porque a ti te chamaram Quarto Poder, e cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras… Canta tua última canção, Jornalismo. Ai de ti.

Universitários na tela

Você estuda Comunicação Social, Audiovisual ou Rádio e TV em uma das Universidades Parceiras do Futura e tem vontade de conhecer de perto o dia a dia de um canal de televisão? O projeto Geração Futura Universidades Parceiras tem inscrições abertas até o dia 11 de setembro e seleciona estudantes para passar duas semanas no Rio de Janeiro vivenciando o funcionamento do Futura e participando de oficinas de audiovisual.

O objetivo do projeto é a produção de interprogramas, com o apoio das TV´s Universitárias e/ou Cursos de Comunicação. Já imaginou que legal ver um vídeo que você desenvolveu com a ajuda de profissionais do canal, desde o roteiro até a finalização, na tela do Futura? Confira as datas, leia o edital atentamente e inscreva-se no projeto Geração Futura Universidades Parceiras.

Baixe aqui o edital do projeto Geração Futura Universidades Parceiras

Período de inscrição: 17/08 até 11/09
Oficina de audiovisual: 18 a 29/01/16

Quem pode se inscrever? Estudantes, maiores de 18 anos, que estejam matriculados no primeiro semestre de 2016, entre o 4º e 6º período, em uma das Universidades Parceiras do Futura, nos cursos de Comunicação Social, Audiovisual ou Rádio e TV.

O projeto Geração Futura Universidades Parceiras é uma iniciativa do Canal Futura que visa fortalecer o laço existente entre suas Universidades Parceiras e oferecer aos estudantes de Comunicação dessas instituições, a oportunidade de experimentarem na prática a forma de produção televisiva e educativa do Canal. Durante as atividades, conceitos e técnicas são abordados de maneira dinâmica e participativa e os alunos ainda gravam matérias para exibição no jornalismo do Futura.

Responsabilidade e diversão

Centenas de estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro participaram do Desafio Atitude Rock in Rio e ganharam ingressos para a edição deste ano do festival. Instigados a pensar sobre o desperdício de água, os estudantes se envolveram e produziram textos e projetos com o objetivo de conscientizar outros jovens e os adultos.

O concurso contava com três categorias: a) Notícia (texto e foto), os alunos (individualmente ou em grupo) enviaram texto ou fotos que retratam boas práticas, novidades, projetos inovadores, pessoas que implementem boas práticas ou ainda denúncias de maus exemplos; b) Foto, estudantes mandaram imagens pertinentes ao tema; c) Sensibilização da comunidade, os jovens idealizaram campanhas; e d) Paródia, onde os estudantes (em grupo ou individualmente) criaram novas letras para músicas já existentes, que representem o movimento e estimulem o uso consciente da água.

Os estudantes Mayara Maciel da Costa, Pedro Henrique França de Aguiar e Vanessa Bezerra dos Santos foram alguns dos contemplados. Alunos do Colégio Estadual José Leite Lopes – Nave, eles concorreram na categoria Notícia.

Confira a produção do trio:foto64Rio, 29.05.2015.

De quem é a água? Com a privatização desse bem comum, empresas têm lucrado com este recurso essencial à vida. Há cerca de dois anos, um vídeo se tornou viral e polêmico. Nele, o atual presidente da Nestlé, Peter Brabeck-Letmathe, diz que “o acesso à água não é um direto público”. Com a grande repercussão do vídeo, a Nestlé declarou que houve uma má interpretação da fala do presidente, o que o levou a se explicar em seu blog.

Com fatos como este e a gritante crise hídrica que estamos enfrentando, vem à tona a seguinte questão: de quem é a água? É inegável que, para a vida humana, a água é um recurso indispensável. Através de privatizações, grandes empresas têm tentado ao máximo tornar esse recurso público como um bem valioso.

De acordo com Monique Costa, advogada ambientalista, um bem público é “toda coisa material ou imaterial pertencente ou não as pessoas jurídicas de direito público e pertencente a terceiros quando vinculados à prestação de serviço público. A água é um bem público, dotado de valor econômico, segundo a lei 9.433. Por isso deve ser paga.

Além disso, o pagamento pelo uso da água tem um caráter de prevenção de poluição hídrica e também de gestão do manejo da água nas bacias hidrográficas”. Para discorrer sobre como a crise hídrica e a privatização podem afetar a população, conversamos com o geógrafo Eloír Bravim. Ele atribui, entre muitos outros fatores, a crise hídrica ao crescimento e urbanização desordenados das cidades. “Cada vez mais, tenho a convicção que as cidades cresceram de modo desordenado e as obras de saneamento básico, como tratamento de esgoto e o tratamento e distribuição da água, não acompanharam”, defende o geógrafo, afirmando ainda que tratar a água como mercadoria em tempos de crise faz seu valor aumentar, tornando-a um “privilégio das classes superiores, fazendo com que milhares de pessoas menos favorecidas não tenham acesso a esse bem precioso”, diz ele.

Estudante de Economia, Jeniffer Souza, reforça o que os outros dois entrevistados disseram: a crise é um reflexo de um crescimento irregular e falta de planejamento. Para ela, o povo deve ter total direito sobre a água tendo em vista sua importância para nossa vida, e a cobrança sobre seu uso é uma maneira de incentivar o consumo moderado, pois, infelizmente, se fosse gratuito, não haveria zelo. Jeniffer, no entanto, é otimista e acredita que nem tudo está perdido e diz qual deveria ser a raiz e solução do problema. “Isso tudo volta para parte de você investir no capital humano, se o governo fizer com que as pessoas tenham um certo nível educacional, elas veriam isso de um jeito bem mais abrangente. Isso vai acabar um dia”.

Matéria desenvolvida por Mayara Maciel da Costa, Pedro Henrique França de Aguiar e Vanessa Bezerra dos Santos.