Educar contra a barbárie

Por Flávia Lobão
Professora. Doutoranda em Educação pela UFF

“Lutar com palavras parece sem frutos.
Não têm carne e sangue… entretanto, luto.”
(Carlos Drummond de Andrade)

Escrevo porque ando com vontade de gritar. Escrevo porque a passividade inofensiva, pronta para contemplar o horror e se omitir, me parece a antessala da barbárie. Escrevo mesmo sabendo que vivemos em um tempo em que se lê cada vez mais sobre cada vez menos e que  passamos os olhos e nos sentimos comodamente bem informados, o suficiente para a garantia de nossa tagarelice. Mas escrevo, sobretudo, porque, mesmo em tempos difíceis, o amanhã ainda não está feito.

Os últimos dias foram bastante tensos – e vou ficando apenas pela cidade do Rio de Janeiro e/ou pensando nos acontecimentos relacionados à Educação – nem mesmo o fervor dos grandes eventos (Rock in Rio, Artrio, Bienal do livro) pode obliterá-los, embora, para parte da população, haja sempre aquela esperança… Uma certa repulsa ao ter de enfrentar a realidade dura daqueles que não têm dinheiro para os shows de rock, que não veem o menor sentido na ArtRio e que tampouco podem ser leitores do tanto de livro que se oferece na Bienal – são uns quantos mil que sequer aprenderam a ler. Realidade dura dos que não pertencem à cidade por inteiro – mesmo que queiram/sonhem – e que são um balde de água fria nos encantos de uma Cidade Maravilhosa para muitos cidadãos de bem.

Na mídia, notícias e notícias.

“Justiceiros da Zona Sul saem em busca de ‘moleques de chinelo, com cara de quem não tem um real no bolso.” “A onda de arrastões durante o final de semana, apesar do reforço policial, levou alguns moradores das zonas mais ricas da cidade a se trancar em casa resignados.” “Campanha de ódio aos professores, especialmente, pelos defensores do Escola Sem Partido, desqualificação, difamação e calúnia de pensadores importantes, como Paulo Freire.” “Formatura de Classe de Alfabetização com anel de pedras preciosas e em um buffet de luxo.” “Rio leva bomba em avaliação de leitura e escrita; segundo o MEC, 13 mil alunos da rede municipal até o terceiro ano do Ensino Fundamental não atingiram o nível adequado de leitura”.

Atônita, leio e sigo pensando: quando foi que a exclusão deixou de ser um problema neste país? Será que algum dia já foi? (Ou apenas parte naturalizada da lógica de acumulação de riqueza?) Quando passamos a privatizar fracassos e sucessos, exacerbando a meritocracia? Quando passamos a autorizar que campanhas de ódio e preconceito fossem feitas, banalizadas, sem a menor cerimônia? Minha avó diria: – “Que falta de compostura!” Quando fomos perdendo o respeito e a decência, cedendo ao mercado, ao individualismo e à competitividade, reduzindo o outro em sua humanidade com a nossa indiferença?

Seria bom se pudéssemos pensar e sobretudo agir – na condição de cidadãos do bem que gostamos de ser, críticos e reflexivos – como se a eliminação da opressão, da injustiça, do sofrimento desnecessário das outras pessoas também dependesse de nossas escolhas e ações cotidianas. Talvez, o sujeito autônomo, livre, esteja muito longe do possível, se a gente quiser pensar historicamente. Tratar o dever, em Kant, por exemplo, é pensar uma verdadeira legislação para as nossas ações. É pensar em imperativos categóricos [1] que, por sua vez, não podem estar veiculados a, absolutamente, nenhuma condição que não seja a própria lei. Agir por dever implica, necessariamente, no reconhecimento de tal lei, com a  autodeterminação de uma boa vontade – vontade legisladora universal. Mas, por outro lado, abandonar essa ideia/sonho/condição que podemos almejar também pode ser muito comprometedor, porque talvez não tenhamos muitas opções frente ao sujeito narcísico que vem sendo constituído.

É preciso tornar essa cidade habitável! Isso não se faz com exclusão, injustiça, violência e miséria. E como pensar em cidadania neste marco de exclusão sistemática? Quem é, efetivamente, cidadão, hoje? (Aquele que é bem articulado ao sistema?) O que mais se vê além de violência para todo lado? Vejo muitos súditos aguardando as boas intenções, a caridade pública ou privada. Nem direito, nem liberdade/autonomia, nem igualdade, nem democracia, nem sujeito-cidadão.

Em verbete[2], cidadão é “Indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado”. Ainda podemos estender essa definição, com o acréscimo dos direitos sociais, assim como considerar os deveres aos quais estão os direitos extremamente vinculados.

Canivez (1991), e pensando com Kant, nos afirma que a consciência do indivíduo sobre a sua natureza não é a consciência de um direito e sim a consciência moral de um dever. Sendo assim, os “direitos humanos são os direitos dos outros, se são também meus é porque sou semelhante a qualquer outro” (op. cit., 1991,  p.89) Esta ideia nos sugere o dever de um absoluto respeito pela Humanidade.

Interessante que, para Kant, não basta, no entanto, apenas reconhecer a lei e, por assim dizer, agir em sua conformidade. É necessário deliberá-la. Nessa perspectiva, o sujeito é ‘convidado’ à condição de legislador. Enquanto ser cognoscível, é capaz de empreender um processo de avaliação, julgamento e adoção das ações. É nessa deliberação que reside, precisamente, a dignidade humana – é preciso tomar o direito de liberdade que, para o filósofo, está inseparavelmente ligado ao conceito de autonomia. Desta maneira, a liberdade aparece como direito fundamental, o que não me parece muito distante do self ético trazido por Bauman (1998, p. 281).

A humanidade só se completa na forma do self ético. Só assim ela adquire a combinação da sutil e tão procurada reconciliação da condição de ser único com a condição de estar juntos. Apenas quando elevada ao nível do self ético, a individualidade não significa isolamento e estar juntos não significa opressão. (…) a única saída do que seria uma existência fechada em si mesma, egoísta, só, vazia (e, em última análise, sem significado algum.

Preciso esclarecer que não se trata, aqui, de defender nenhum essencialismo ético-moral, até porque acredito que a moralidade, como parte do processo de formação da subjetividade, também se constrói sócio-historicamente. Mas isso também não quer dizer aceitação de um relativismo irresponsável em que, supostamente, nada parece ter valor ou tudo pode valer a mesma coisa. E, se penso em uma Educação para emancipação é porque acredito que uma ética cidadã poderá ser aprendida, também, na escola, e isto pressupõe o aprendizado da apreciação dos valores, especialmente, os que dizem respeito à justiça e à vida democrática. Tais valores não podem ser prescindíveis se pensarmos em um mundo habitável.

Ao encontro da valorização da ideia de liberdade trazida, temos Hannah Arendt defendendo-a como pressuposto necessário para um espaço entre homens: espaço político – que não é inerente ao homem, mas construção, portanto pode ser aprendido. “O sentido da Política é a liberdade” (ARENDT, 1999, p.9).

Um olhar atento às Democracias Modernas, sobretudo às crises inerentes ao modo de produção capitalista ¾ e necessidade de adaptação do Estado na redefinição de seu papel no âmbito da economia – nos possibilita perceber não só o distanciamento dos segmentos populares no que diz respeito à participação política e à garantia de seus direitos, mas também às estratégias para o esvaziamento das lutas pela construção da própria cidadania.

É possível destacar aqui, como estratégia eficaz, o desmonte do espaço público e, obviamente, a banalização da ideia que lhe confere valor, redundando na despolitização das nossas relações e na construção de uma nova concepção de cidadania: a concepção consumista de cidadania. Dentro de tal perspectiva, os direitos tornam-se privilégios de quem pode pagar. A representação popular, apesar do sufrágio universal, está longe de ser suficiente para que possamos assegurar uma Democracia “sustentável”.

Pode ser que alguém ainda esteja pensando: “E o que tudo isso tem a ver com a Educação?” Em primeiro lugar, a luta pela educação pública e de qualidade já deveria ser posta como expressão de participação e cidadania. E, depois, acredito na possibilidade de pensarmos em estratégias de trabalho que possam envolver nossos tantos alunos –  e não são poucas as pessoas que circulam por instituições escolares diariamente – com questões para as quais estamos aparentemente cansados e poucos disponíveis, como as relativas à vida cidadã, por exemplo. O fato é que nossa disponibilidade é cada vez menor, quando o assunto é compartilhar os encargos da vida comum.

As escolas podem representar mais do que nunca, para as crianças e os jovens, espaços privilegiados para encontros efetivos, ainda mais se fizermos a aposta de que podemos aprender uns com os outros, “entre”; se acreditarmos que os alunos terão sempre o que dizer, estando num ambiente favorável à participação e à leitura da palavra e do mundo; se enxergarmos em suas expressões marcas de reflexões consistentes, posicionamentos políticos, críticos, autorais.

Isso, supostamente, demandará a criação de espaços educativos em que se possa exercer a prática do questionamento, da palavra signo-ficante, capaz de submeter à reflexão crítica, inclusive, os seus próprios valores, as suas próprias ideias. Na escola, temos bons motivos e também oportunidades para discussão em torno do bem comum e do trabalho cooperativo. Poderá, então, ser espaço fecundo para a construção da cidadania, tendo em vista a sua condição de práxis intersubjetiva.

Quais outros espaços comuns nos restaram para mexermos com este sentimento generalizado de não é comigo? Como (re) significar o espaço do público, do coletivo? Quem sabe, inaugurando uma outra relação com nossos alunos, uma relação que tenha como um dos princípios fundamentais a coerência entre o que pensamos/sonhamos/falamos e o que somos capazes de fazer, capazes de realizar. Quem sabe, assumindo com empenho uma relação de amorosidade, sabedoria, respeito e militância solidária … Só assim será possível vislumbrar qualquer possibilidade de educar para emancipação, ou seja, se formos capazes – mesmo sendo poucos – de orientar a nossa energia para que a educação não adira à consensos e resista. “O milagre da liberdade está contido nesse poder começar que, por seu lado, está contido no fato de que cada homem é em si um novo começo” (ARENDT, 1999, p. 9).

Talvez, um bom (re)começo – na escola e fora dela – seja  abandonarmos o discurso na terceira pessoa – o problema é deles, dos “outros” e assumirmos nós, nós mesmos, com alguma desobediência, a atuação em nosso Tempo. Na contracorrente, bulimos com a nossa condição de descidadania.

Referências:

ARENDT, Hannah. O que é política? Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.
BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modenidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
CANIVEZ, Patrice. Educar o cidadão. Campinas, Papirus, 1991.
KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Lisboa, Edições 70, s/mais referências.

[1] O Imperativo Categórico é uma das idéias centrais para a adequada compreensão da moralidade e da eticidade. Nesta proposta, Kant sintetizou o seu pensamento sobre as questões da moralidade. Kant valorizava esta idéia de lei moral. Ele cunhou uma das mais célebres frases a este respeito: Duas coisas me enchem o ânimo de admiração e respeito: o céu estrelado acima de mim e a lei moral que está em mim (Crítica da Razão Pura). O Imperativo categórico: “Aja apenas segundo a máxima que você gostaria de ver transformada em lei universal.” Immanuel Kant, A Metafísica da Moral (1797)
[2]
Dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

Apps, crianças e culturas

Por David Kleeman
Estrategista, analista, autor e conferencista. Trabalha com a indústria de mídia para crianças, no desenvolvimento de práticas amigáveis e sustentáveis para crianças. Vice-presidente de Global Trends for Dubit, uma empresa de consultoria e pesquisa, sediada em Leeds, Inglaterra. Foi presidente do American Center for Children and Media por 25 anos.

Artigo originalmente publicado na revista Kidscreen
Tradução: Daniel Leite. Publicação ComKids
Crédito da foto: Danila Bustamante/comKids

Por mais de 20 anos, viajei com as maletas Prix Jeunesse, mostrando a televisão infantil de todo o mundo e conversando a respeito do modo pelo qual os programas refletem os lugares nos quais eles foram feitos. Recentemente, fui surpreendido pela questão de como aquela interseção que existe entre a cultura e a mídia funciona no mundo dos mobiles e dos apps, e também pela dúvida a respeito do seu papel em nossa sociedade. Vou procurar explicar isso melhor e então espero que vocês preencham essas reflexões com as suas próprias ideias e experiências.

Há algumas semanas, estive em São Paulo, para a conferência comKids – Prix Jeunesse Iberoamericano. Trata-se de um grupo de painéis e discussões a respeito de mídia infantil na América Latina, com o intuito de alterar as perspectivas do setor. É uma competição regional, que serve para reconhecer as produções que se destacam na área de TV infantil. O PJIA funciona com base no modelo internacional do Prix Jeunesse global, que desde 1964 vem celebrando as melhores produções para crianças. Em São Paulo, assim como em Munique, todos assistem, discutem e votam.

Na minha opinião, a América Latina é a região mais criativa do mundo no que diz respeito à TV infantil. Existem muitas razões para isso, uma delas é a proliferação das oportunidades de distribuição. Por mais de um quarto de século, vinha conhecendo produtores, diretores, escritores e animadores extremamente talentosos na América Latina, mas que frequentemente não possuíam saídas para seus trabalhos.

Nos últimos anos, os profissionais e a opinião pública criaram alguns blocos infantis e canais – o Pakapaka na Argentina e o Señal Colombia, entre outros. Esses canais não existiam antes, ou não davam atenção ao segmento infantil. As mídias mobile e o streaming, igualmente, vêm crescendo com rapidez. A rica cultura dos produtores latino-americanos brilha em muitas das produções. Indígenas vivem retratados em documentários com belíssimas fotografias, animações feitas com materiais locais, histórias políticas honestas e alguns tipos de humor que podem confundir os estrangeiros mas que deixam gargalhando seus respectivos públicos.

Assim como seu parente internacional, o Prix Jeunesse Iberoamericano tem uma divisão de mídia interativa, com prêmios para as melhores produções mobiles e de apps e para os melhores websites. Depois que todos os finalistas interativos foram apresentados, alguém notou que eles levavam bem menos traços latino-americanos que as produções feitas para a televisão. Um debate sobre a importância das especificidades culturais na televisão e nos dispositivos móveis foi levantado, perguntando o que significava essa presença em termos práticos.

Minha reação inicial foi pensar “é claro que as crianças precisam ver suas vidas refletidas em cada uma das telas”. Entre a economia e os gêneros típicos, porém, isso pode não ser tão simples assim. A televisão é um meio de comunicação essencialmente global, por suas escolhas e modelo de negócio – mesmo nesse ponto em que estamos: “a era do streaming”. Os programas são feitos conscientemente para alguns lugares específicos ou para vendas internacionais. Todos já ouvimos falar alguma vez sobre os acordos de roteiro ou desenho feitos para mascarar culturas, estabelecer gostos ou consolidar tabus.

Ao mesmo tempo, muitos gêneros típicos da TV são bons para contar histórias “enraizadas” incorporando decisões narrativas, artes, fazeres tradicionais e casts que refletem a população local (seja em live action ou animação). A web e o mobile são tecnologias mais globais, seu conteúdo tem que ser “geobloqueado” para impedir o cruzamento de fronteiras entre países e regiões, diferente de ser oferecido amplamente para “se pagar” e justificar o investimento. Dado o modelo econômico mais apertado e econômico do mobile, qualquer coisa que diminua o público potencial significa um investimento arriscado.

Os gêneros mais comuns de apps, pelo menos para as crianças menores, também podem mascarar a diversidade cultural. Excluindo-se os appbooks, eles tendem a ser menos dirigidos por personagens ou narrativas, tais como apps de artes, quebra-cabeças e ferramentas educacionais. De todo modo, quanto mais tempo as crianças gastam com os dispositivos móveis e sua natureza inerentemente global, a coisa que é mais importante é dar apoio aos conteúdos que trazem a diversidade cultural. Uma de minhas principais referências, Mogens Vemmer, um dos pioneiros diretores de televisão educativa do canal público da Dinamarca, costumava dizer: “quando uma criança acorda de manhã e liga a TV, como ela sabe onde está?”. Hoje, a mesma questão se aplica aos tablets e telefones. Tanto no conteúdo como no design, o livro e app “A day in the Market”, da Adarna House, é um grande exemplo. Situado de forma clara nas Filipinas, pode ser acessado de qualquer lugar.

As crianças não precisam “aprender” as suas próprias raízes, mas, por outro lado, elas precisam conhecer o modo como o mundo deles está interconectado com os outros. Outra das falas de Vemmer é “as crianças devem aprender que elas crescem iguais em todos os lugares do mundo. Elas têm a mesma dignidade, mas não vivem sob as mesmas circunstâncias”. Isso é impossível no momento em que estamos tratando os conteúdos interativos de maneira genérica e com um ponto de vista único. Os apps “Homes”, feito pela Tinybop e “One Globe Kids”, feito pela Round by Design, tomam elementos da vida cotidiana – como comemos, dormimos, nos abrigamos do tempo – mostrando as diferenças e similaridades ao redor do mundo.

Também me parece que os usuários das mídias sociais e os conteúdos gerados pelos usuários são perfeitamente adequados para o intercâmbio cultural, desde que nós criemos ferramentas desenhadas menos para o egocentrismo e mais para o ubuntu – o conceito africano de interdependência: “eu sou porque você é”. Felizmente, existe uma saída para que todos os criadores de mídia possam se unir a esse debate, para que possam contribuir para a inovação na representação e para auxiliar todos os jovens a encontrar inclusão em suas telas. “Diversity in Apps” é uma organização que está sendo criada por produtores, editores, pesquisadores, educadores e outros profissionais. A diversidade tem a ver não só com aquilo que aparece na tela, mas também com aquelas pessoas que estão por trás da tela. Assim, onde você estiver, quando estiver fazendo qualquer coisa, pergunte se você pode auxiliar a tornar a “Diversity in Apps” uma profunda e verdadeiramente representante de seu nome.

Em outubro, em Fortaleza

Vem aí o II Seminário Cineclubismo, Cinema e Educação que vai promover uma série de debates voltada para a construção do pensamento cineclubista sob o olhar educacional do cinema. O encontro pretende elaborar – em diálogo com educadores e cineclubistas locais – um projeto que concilie a importância do domínio da produção e compreensão de narrativas audiovisuais nas redes de ensino no Ceará, possibilitando uma educação em rede pública de maior qualidade, sintonizado no ideário dos movimentos cineclubistas no Brasil e no mundo. O evento acontecerá entre os dias 19 e 23 de outubro, em Fortaleza.

O encontro terá participação de cineclubistas e pesquisadores em cineclubismo, cinema e educação. Já confirmaram presença Adriana Fresquet (RJ), Marialva Monteiro (BA), Gizely Cesconetto (SC) e Felipe Macedo (SP), além de educadores locais que também participarão das mesas redondas. O encontro contará também com lançamentos de livros especializados, além de promover um circuito de exibições de filmes cearenses chamado “Mostra Cá que eu Mostro Lá”, com exibições diárias e debates com os realizadores.

Mais informações em www.ciclo-ce.blogspot.com

Sonhando alto

Por Lucas França
Estudante do Colégio Estadual José Leite Lopes – Nave

Foi lá para o fim de agosto que eu e mais dois amigos, todos estudantes do curso de Roteiro para Mídias Digitais, do Colégio Estadual José Leite Lopes – Núcleo Avançado em Educação (Nave), passamos por uma experiência transformadora. Fui convidado pelo meu amigo Victor Hugo Liporage para gravar um minidocumentário sobre a visão do adolescente em relação à separação dos pais. Chamamos a Cinthia Martins para completar a equipe e assim o projeto tomou forma. Corremos atrás de câmera, locação, documentação e pronto, começamos o processo.
Até então, eu não sabia o que esperar. Fizemos a seleção dos entrevistados, estudantes do meu próprio colégio, e partimos para uma conversa inicial com cada um, para sabermos se havia alguma coisa que não deveria ser falada ou apresentada no produto no final. Já nesta etapa, me emocionei bastante e acabei me envolvendo com as histórias. Os entrevistados se doaram muito. Foi bonito ver a realidade sendo contada.

Escolha feita, partimos para a gravação. Câmera preparada, anotações em mão e tudo pronto. Nove estudantes foram entrevistados. Conforme as pessoas ganhavam confiança e se sentiam confortáveis, mais histórias contavam e externavam seus sentimentos de maneira simples, porém repletos de veracidade.

Esses momentos me transformaram pois sofri um choque de realidade. Pai homossexual que separou da mãe para viver outro relacionamento. Padrasto que “não vai com a cara” do enteado. Falta de compreensão dos responsáveis. Histórias reais e tensas. Histórias vividas por estudantes/pessoas que passam por mim no corredor da escola, que batem papo comigo na fila do almoço.
Ter participado da produção do documentário “Terceira Pessoa” (é este o nome do curta), foi e é gratificante. É meu primeiro “filme”. Não sei se foi tão válido me envolver tanto. Mas, se eu cresci e me tornei uma pessoa melhor ao ouvir as histórias, acho que devo estar no caminho certo.

Ah, tem duas coisas para ressaltar. A primeira é que o nome “Terceira Pessoa” foi escolhido, pois queremos reforça a ideia de que o adolescente é o último a ser ouvido e levado em conta no processo de separação. Ele, fruto daquele relacionamento que um dia conheceu a afeição, é jogado para o lado e não possui, tirando o acompanhamento psicológico, momento para desabafar. O adolescente é o ponto chave.

A segunda coisa é que resolvemos ser um pouquinho “ousados” e colocamos o documentário para participar do Mostra Geração 2015, a vertente juvenil do Festival do Rio de Cinema. Enfim, o filme foi selecionado e será exibido no cinema, dia 8 de outubro, no Oi Futuro Ipanema. Amo histórias, estou aprendendo a amar cinema. Ronaldinho Gaúcho, ao ser perguntado sobre a fase do Flamengo no campeonato de 2011, disse: “Estão deixando a gente sonhar”. Acho que a mesma coisa está acontecendo conosco. Sonhemos alto, então.

Maratona Geração

Formar seis grupos de estudantes para produzir, em um dia, um curta-metragem de cinco minutos. Eis o desafio da Maratona Geração, uma nova atividade que estreia este ano na Mostra Geração, segmento infanto-juvenil do Festival do Rio.  Ficou interessado? Então corra. As inscrições já estão abertas e serão aceitas até o dia 3 de outubro. Cada equipe será composta de, no mínimo, cinco alunos, dos 13 aos 17 anos. Haverá uma seleção para a escolha dos interessados. Portanto, além da ficha de inscrição, os estudantes terão que gravar um pequeno vídeo, de até três minutos, se apresentando e defendendo a sua presença na atividade. Uma banca de especialistas decidirá quem vai participar. As inscrições poderão ser feitas via Correios e ou pela internet.

Acesse aqui o regulamento e participe

Inscrições via internet, por aqui

 

 

A infância do Brasil

Por Marcus Tavares

Um olhar diferente e original sobre a infância brasileira. É assim que o quadrinista José Aguiar contribui com o tema. Ele acaba de lançar a webcomic A Infância do Brasil. Ao todo, são seis capítulos que serão lançados até fevereiro do próximo ano. “Não é o papel deste projeto dar respostas, mas apresentar fatos e situações que nos façam refletir sobre como tratamos nossas crianças hoje, a partir da maneira como elas eram encaradas no passado. Afinal, nossas posturas atuais são consequências de ações que ecoam através do tempo”.

O primeiro capítulo foi lançado no dia 12 de setembro. Leia aqui

Em entrevista à revistapontocom, Aguiar, editor da editora Quadrinhofilia, destaca que os quadrinhos são uma das formas de arte mais interativas, versáteis e sinceras que existem.  “Nasceram como e sempre serão entretenimento. E o bom entretenimento é capaz de nos fazer refletir sobre nós mesmos sempre. Seja pela identificação ou repulsa a determinados personagens”.

Acompanhe a entrevista completa:

revistapontocom – De onde surgiu a ideia de produzir uma webcomic com este tema?
José Aguiar – Creio que é um pouco difícil para mim dizer exatamente quando essa ideia nasceu. Mas certamente o meu interesse pela infância veio com o meu primeiro filho. Ver uma criança crescer é abrir um portal com uma criança interna adormecida. Me fez buscar entender o que é uma criança. Que tipo de criança eu fui, que crianças foram meus pais, etc. Foi o início de uma viagem no tempo especulativa. A convivência com outros pais e filhos e outras formas de criar filhos me sensibilizou para a pluralidade que temos ao nosso redor. Fui acumulando relatos de histórias tristes ou felizes relacionadas à infância foram despertando em mim a vontade de pesquisar mais e desenvolver uma HQ com esse tema que se tornou tão especial para mim.

revistapontocom – Qual o objetivo do trabalho?
José Aguiar – Investigar a pluralidade do que foi e é ser criança no Brasil e através desses fatos, criar uma ficção histórica, uma HQ para refletirmos o nosso presente a partir do passado.

revistapontocom – Você deseja alcançar que tipo de público?
José Aguiar – O mais amplo possível, pois creio que vivemos num momento em que o povo brasileiro precisa refletir mais a respeito de si mesmo para se desconstruir e buscar um futuro melhor. Como o resultado não é algo hermético, voltado somente para acadêmicos, mas também não é algo didático, mas sim uma ficção histórica, creio que o leque é muito amplo. Para potencializar esse acesso, o site todo é traduzido para os idiomas inglês, francês e espanhol. Afinal, o mundo tem interesse em saber o que é o Brasil. Ainda mais se os temas abordados fogem dos lugares comuns como futebol, carnaval e corrupção. Por ter como suporte não o livro, mas a internet, não temos limitações de custo e logística para fazer o projeto chegar às pessoas. Além de que o acesso é gratuito.

revistapontocom – Que história você quer de fato contar? É uma história fictícia, mas histórica e contextualizada, certo?
José Aguiar – Cada um dos seis capítulos que compõem a HQ A Infância do Brasil é feito de personagens cotidianos, não de vultos históricos. É uma história sobre pessoas comuns, que viviam e pensavam de acordo com um contexto histórico muito específico. Pessoas que poderiam ter existido. Justamente no contraste dessas realidades com o nosso presente (que também é plural) é que reside o que quero contar.

revistapontocom – Como foi esse processo de criação do roteiro?
José Aguiar – Ao definir o recorte histórico que me interessava, pautei a historiadora Claudia Moreira, minha consultora, para buscar bibliografias que pudessem dar suporte a uma reconstituição histórica coerente dos períodos que eu queria retratar. A partir do estudo desse material pude criar tramas ambientadas em cada século de nossa história. O roteiro acabado era submetido a uma leitura crítica por parte da consultora. Não sendo encontrada nenhuma incongruência histórica, eu partia para o desenho.

revistapontocom – E sobre o processo de criação gráfico?
José Aguiar – Em todos os meus projetos eu sempre valorizo o projeto gráfico. Busco me associar a designers que possam dar uma cara ao projeto de acordo com os conceitos que tenho em mente. O pessoal da Editorial Design teve um desafio, pois a HQ era um ponto de partida para algo cheio de ramificações. Quanto ao meu desenho, optei por um traço mais cartunesco do que o tema poderia sugerir pois acredito que, se optasse por uma linha mais realista, seria mais difícil para o leitor “entrar” nos personagens. Conceitualmente falando, minha história é uma reconstituição de época a mais próxima possível, mas com espaços em branco para cada um preencher com sua imaginação. Faz parte da linguagem da HQ esse jogo de insinuar e instigar o leitor. Já nas cores, dirigi o Joel de Souza para um trabalho de luzes e texturas que também não remetessem ao real, mas sim a uma certa nostalgia.

revistapontocom – A infância no Brasil é uma webcomic, mas ela traz, em suas entrelinhas, um forte viés de denúncia, de reflexão, não é mesmo?
José Aguiar – Pelo menos é minha intenção levantar questões que possam ser debatidas. Não é o papel deste projeto dar respostas, mas apresentar fatos e situações que nos façam refletir sobre como tratamos nossas crianças hoje, a partir da maneira como elas eram encaradas no passado. Afinal, nossas posturas atuais são consequências de ações que ecoam através do tempo.

revistapontocom – Divertir e refletir: eis o poder dos quadrinhos?
José Aguiar – Quadrinhos são uma das formas de arte mais interativas, versáteis e sinceras que existem.  Nasceram como e sempre serão entretenimento. E o bom entretenimento é capaz de nos fazer refletir sobre nós mesmos sempre. Seja pela identificação ou repulsa a determinados personagens. Por isso as Histórias em Quadrinhos são a linguagem que escolhi para ser meu meio de expressão.

revistapontocom – Há alguma perspectiva de a infância no Brasil virar um projeto transmídia?
José Aguiar – Já temos uma data para uma primeira ação nesse sentido: dia 24 de fevereiro de 2016! Pouco depois do lançamento do último capítulo, A Infância do Brasil será levada ao palco do Teatro da Caixa, em Curitiba. Será a última apresentação da quarta temporada do Cena HQ, projeto de leituras cênicas de quadrinhos, do qual sou um dos idealizadores. Além do teatro, adoraria assistir uma adaptação para um audiovisual. Mas a curto prazo, gostaria de ver uma versão impressa e estendida da história, compilando o material extra produzido no projeto, para circular em livrarias e escolas. Aguardo apenas os parceiros para viabilizar esse potencial transmídia que A infância do Brasil possui. E para alguma dessas possibilidades se tornar real é importante contar com a audiência dos leitores ao longo do projeto. A difusão do site www.ainfanciadobrasil.com.br é o que vai permitir com que essas ideias se tornem reais. Conto com você que leu esta entrevista e agradeço muito pelo espaço para conversar sobre minha obra. Foi um enorme prazer!

Plano Nacional de Educação

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped) realiza, entre os dias 4 e 8 de outubro, a 37ª Reunião Nacional. O evento, que acontecerá no campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, terá como tema “Plano Nacional de Educação: tensões e perspectivas para a educação pública brasileira”. Assim como em 2013, o encontro bienal e maior evento acadêmico da área da Educação no país será novamente realizado dentro de uma universidade federal.

O encontro da Anepd receberá docentes e discentes de mais de 140 Cursos/Programas de Pós-Graduação em Educação do país, além de pesquisadores convidados nacionais e estrangeiros. Com programação construída em torno do tema central, o encontro proporciona um espaço tanto para apresentações de trabalhos acadêmicos que mostram um amplo panorama da pesquisa científica na área quanto para debates qualificados de temas críticos que ganharam a agenda da educação brasileira em 2015, como financiamento e cortes, militarização de escolas públicas, questões de gênero e o documento Pátria Educadora. A participação estimada para os cinco dias de atividades é de 3 mil pessoas.

Programação

A abertura oficial contará com a conferência de Luiz Dourado (UFG), membro da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, que irá abordar como o Plano Nacional de Educação (PNE) pode representar um avanço às políticas educacionais, sem deixar de evidenciar limites e ambiguidades presentes no texto aprovado.

Com a presença de pesquisadores renomados, representantes de entidades e do poder público, temas que definem os rumos da pesquisa e de políticas educacionais estarão em debate nas Sessões Especiais e Sessões Conversa, como Ética e Pesquisa em Educação, reformulações no Ensino Médio, PNE, financiamento da Educação e o debate sobre o Custo Aluno Qualidade (CAQi), Pátria Educadora, Base Nacional Comum e mídias interativas. Dentre os convidados internacionais estão o peruano Danilo Martucelli (Paris Decartes, França), que debate “Singularização e subjetivação na ação política contemporânea”, Susan L. Robertson (Universidade de Bristol, Inglaterra), em mesa sobre “As reconfigurações da relação público-privado no contexto do Plano Nacional de Educação”, e Victor Luís Porter (Universidade Autônoma Metropolitana do México, México), que debate “Arte e tecnologias: pensando politicas na educação”.

Audiovisual

Uma das novidades desta edição do encontro é a realização da I Curta Anped – Mostra de Filmes de Pesquisa 2015. Nos dias 5 e 6 de outubro serão exibidos nove trabalhos (selecionados a partir de edital) que propiciam a reflexão sobre o uso das ferramentas e linguagens audiovisuais no processo de produção de pesquisas e conhecimentos. Além do Curta Anped, o encontro também conta com o 8º Ciclo de Cinema Anped/Clacso e a VIII Mostra de Videodocumentários Trabalho-Educação.

Acesse aqui a programação na íntegra

Quem faz cinema infantil

O Festival Internacional de Linguagens (FIL) e o Festival do Rio – Mostra Geração vão promover uma roda de conversa sobre cinema e infância. O evento reunirá as principais realizadoras do audiovisual brasileiro para crianças e jovens. Em encontro marcado para o dia 30 de setembro, as representantes, responsáveis pela curadoria dos eventos, estarão juntas para trocar ideias e perspectivas.

O encontro será realizado no Oi Flamengo, às 19 horas. Contará com a participação de Ana Dillon (Programa Imagens em Movimento), Beth Carmona (Mostra Com Kids), Carla Camurati (FICI), Daniela Gracindo (Mostra O Pequeno Cineasta), Luiza Lins (Mostra de Cinema Infantil), Renata Meirelles (Território do Brincar), Bete Bullara e Felícia Krumholz (Mostra Geração | Festival do Rio). A mediação ficará a cargo de Maria Arlete Gonçalves.

Mais informações no site

Participe da consulta pública

Está aberta para consulta pública a primeira fase de revisão das metas do Plano Nacional de Cultura, que ficará aberta entre os dias 1º de setembro a 15 de dezembro de 2015 para contribuições qualitativas que possam aperfeiçoar o trabalho proposto pelo Grupo de Trabalho (GT MINC PNC) do Ministério da Cultura. Para participar basta clicar no ícone das metas e deixar as suas opiniões, ele está localizado na barra superior. Convide outros para participarem pelo link.

O Plano Nacional de Cultura (PNC) é um conjunto de princípios, objetivos, diretrizes, estratégias e metas que devem orientar o poder público na formulação de políticas culturais. Previsto no artigo 215 da Constituição Federal, o Plano foi criado pela Lei n° 12.343, de 2 de dezembro de 2010. Seu objetivo é orientar o desenvolvimento de programas, projetos e ações culturais que garantam a valorização, o reconhecimento, a promoção e a preservação da diversidade cultural existente no Brasil.

Um sonho perdido

Por Artur Melo, 12 anos
Estudante do 7º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Meu nome é Robben e minha história vou contar… Sou alemão. Nasci em Berlim. Venho de uma família muito rígida. Nasci na época da Segunda Guerra Mundial. Meu pai era o braço direito de Hitler e minha mãe trabalhava no campo de concentração, lá na Áustria, no principal campo. Era ela que comandava tudo por lá.

Se eu tenho orgulho da profissão de meus pais? Não, tenho não. Discordava de tudo aquilo. Para mim era uma coisa terrível a morte das pessoas porque elas eram judias, negras, homossexuais ou por qualquer outro motivo, preconceito. Eu tentava entender, mas não conseguia nunca.

Tinha treze anos quando meti um sonho na cabeça: ser jogador de futebol. Esse desejo só ia aumentando cada vez mais, ninguém conseguia me tirar esse sonho, apesar de toda a influência para eu ser um soldado alemão, quem sabe até um o próximo Adolf Hitler. Enquanto jogava, esquecia de toda essa tristeza.

Um dia tomei uma decisão muito importante: peguei uma bolsa, coloquei dentro dela um par de chuteiras, minha linda bola de couro, um pouco de dinheiro e, por fim, umas mudas de roupa. Entrei no carro de minha mãe, para ser mais específico, me escondi na mala. Em meu quarto deixei apenas um bilhete explicando o motivo da minha fuga.

Então, em uma das paradas que minha mãe fazia durante a viagem, eu saí do carro e fugi para perto dos alpes da Áustria. Nessa época já estava com dezoito anos e, sem querer me gabar, jogava muito bem. Decidi parar em um ponto perto das árvores e dos alpes para construir minha moradia. Achei que o melhor seria uma casa na árvore. E lá fui eu. Depois de construir minha bela casa, descansei, me senti livre daquilo tudo. Mas não durou muito…

Quando meus pais leram o bilhete que eu havia deixado, ficaram desesperados. Meu pai mandou diversos soldados à minha procura, e o esquadrão da Áustria (onde eu estava) foi comandado pela a minha mãe. Após alguns dias de procura, me encontraram e me levaram de volta a Berlim, onde me receberam com um belo jantar, apesar da minha fuga. É claro que logo depois tivemos uma longa conversa…

Nenhuma conversa foi o suficiente para me fazer mudar de ideia sobre o nazismo. Fugi muitas vezes, de outras maneiras e para tantos lugares. Não me tornei um jogador, resolvi trabalhar escrevendo, contando histórias, e sempre ajudando os judeus, em suas lutas para recuperarem a sua dignidade, como uma forma de me desculpar por todos os males feitos pelos meus pais e por todos os demais nazistas.

Faça parte da rede

A Plataforma Colaborativa de Aprendizagem Mapa da Infância Brasileira foi oficialmente lançada na última semana.  Trata-se de um projeto que quer reunir atores e iniciativas que impactam na qualidade de vida das crianças, suas famílias e comunidades. Para participar é preciso fazer o cadastro pessoal e enviar as iniciativas e conteúdos.

Idealizado e coordenado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento, o projeto iniciou suas ações em 2013 com a pesquisa “Espaços e Programas humanizados para as crianças de São Paulo”, que reuniu em uma cartografia redes, coletivos, fundações, políticas, ONGs, institutos, plataformas de financiamento coletivo, meios de comunicação e inúmeros outros atores, iniciativas, programas e espaços que desenvolvem ações que impactam na qualidade de vida das crianças na cidade de São Paulo.

Em 2014, reuniu presencialmente em São Paulo um grupo de especialistas (think tank) para discutir o mapeamento e pensarem caminhos para a continuidade do projeto. No encontro, realizado na sede do Instituto Alana, participaram representantes das seguintes iniciativas: Instituto Elos, Ato Cidadão, Ifan (Instituto da Infância), Associação Comunitária Monte Azul, Fundação Abrinq, Aliança pela Infância,Movimento Boa Praça e Periferia em Movimento, Sub Prefeitura da Sé, Terre des Hommes, Instituto Alana, Rede Nacional Primeira Infância, Instituto C&A, Pombas Urbanas, CNRVV, OS Santa Catarina, INEP, Fundação Bernard Van Leer, IPA, Basurama, Instituto Arcor, Ponteaponte, Núcleo de Estudos da Violência da USP, São Paulo Carinhosa, Equidade para a Infância e a equipe do NEPSID. Na sequência foi criada página do MIB no Facebook, na qual postamos as iniciativas mapeadas e inúmeras outras experiências e notícias.

Como proposta de ampliação dessa primeira pesquisa, surge então o Mapa da Infância Brasileira (MIB), que tem como missão articular, mobilizar e criar sinergias entre os diversos atores e iniciativas voltados para as crianças no Brasil, congregados de forma colaborativa por meio de uma plataforma de aprendizagem. Lançado no segundo semestre de 2015, o MIB é um convite para que empreendedores e atores sociais que fazem parte desta plataforma com foco no estímulo à aprendizagem e à cooperação possam inspirar muitos outros empreendedores a desenvolver iniciativas e a dialogar.

O que você pode fazer?

Mudanças Climáticas, somos todos responsáveis? é o nome do evento que será realizado pela Fundação Planetário e a Delegação da União Europeia no Brasil e do WWF-Brasil. A ideia é discutir soluções e iniciativas para as questões relacionadas às mudanças climáticas. O encontro acontecerá entre os dias 30 de outubro e 6 de novembro. Os interessados em expor suas ideias devem se inscrever até o próximo dia 17. O debate será realizado por meio de conversas, seminários, palestras, workshops, filmes e exposições. Além das atividades gratuitas abertas ao público, também acontecerá, paralelamente, a conferência técnica voltada a especialistas do Brasil e da União Europeia.

Os participantes podem ser indivíduos, organizações públicas ou privadas e devem conhecer soluções bem-sucedidas e inovadoras para enfrentar as mudanças no clima ou ter ideias sobre como despertar a consciência ambiental em diferentes comunidades. Os temas do evento são: água, energia, resíduos sólidos, uso da terra e agricultura, urbanismo e mobilidade urbana e segurança e mudança climática.

As inscrições devem ser feitas através do site.
Dúvidas e maiores informações a respeito do evento devem ser tratadas pelo e-mail 

Inscrições abertas

Alguns dos mais destacados especialistas no tema “direito à comunicação” estarão reunidos nos dias 23 e 24 de setembro, para o “Seminário Internacional Regulação da Mídia e Direito à Comunicação”, que a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) promove na sede da Procuradoria Regional da República 3ª Região, em São Paulo. O evento reunirá membros do Ministério Público Federal das cinco regiões do País, além de representantes de outras instituições do poder público, da sociedade civil e da academia, para debater a regulação da mídia e sua interface com a liberdade de expressão e os direitos humanos. Entre os convidados está o diretor-executivo do Centre for Law and Democracy, Toby Mendel – que fará a conferência de abertura, intitulada “Regulação da Mídia e Direito à Comunicação”.

As experiências de países que avançaram na revisão e atualização de seus marcos legais para a área será abordada em painel com participação de representantes da Argentina, Costa Rica, Equador, Espanha e Uruguai. Entre os palestrantes, estão nomes como Gustavo Gómez – um dos autores da Ley de Medios no Uruguai – e Paulina Mogrovejo, representante do Cordicom, instância destinada ao cumprimento da Lei Orgânica de Comunicação, aprovada em 2012 pelo Equador. As inscrições para o seminário já estão abertas e podem ser feitas no site da PFDC.

A programação completa e mais informações sobre a atividade, que contará com certificado de participação emitido pelo Ministério Público Federal, podem ser acessadas no site do evento. O seminário é organizado pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão em parceria com a Federación Iberoamericana de Ombudsman (FIO) e o Fórum Interinstitucional pelo Direito à Comunicação (Findac) – composto pelo Coletivo Intervozes, a ARTIGO 19 e o Barão de Itararé. Conta ainda com o apoio da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU) e da Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR).

Veja a programação:

DIA 23/9 (quarta-feira)

Manhã
8h – CREDENCIAMENTO

9h – MESA DE ABERTURA:

• Aurélio Virgílio Veiga Rios – procurador federal dos Direitos do Cidadão
• Pedro Barbosa Neto – Procurador-chefe da Procuradoria Regional da República 3ª Região
• Domingos Sávio – Coordenador do GT Comunicação Social da PFDC
• Manuel María Páez Monges – Presidente da Federación Iberoamericana del Ombudsman (FIO)
• Ricardo Berzoini – Ministro das Comunicações (a confirmar)

9h30 – 11h CONFERÊNCIA
“REGULAÇÃO DA MÍDIA E O DIREITO À COMUNICAÇÃO”
Palestrante:
Toby Mendel – diretor-executivo do Centro de Direito e Democracia e consultor internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Moderação:
Paula Martins – diretora-executiva do escritório brasileiro da ARTIGO 19, organização internacional que atua na defesa e promoção da liberdade de expressão e do direito à informação.

11h30-12h30 – Debate

Tarde
14h30 – 15h30 PAINEL I
“REGULAÇÃO DA MÍDIA: CENSURA OU LIBERDADE DE EXPRESSÃO”
Palestrantes:
• Guilherme Canela – Assessor Regional de Comunicação e Informação para o Mercosul e Chile da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
• Alberto Dines (a confirmar) – Coordenador do Observatório da Imprensa, entidade não-governamental, que acompanha o desempenho da mídia brasileira.
Moderação: Grupo de Trabalho Comunicação Social da PFDC

15h30-16h – Debates

16h – 18h – PAINEL II – “DESAFIOS E PERSPECTIVAS NA REGULAÇÃO DA MÍDIA NO BRASIL”
Palestrantes:
• Ricardo Berzoini – Ministro das Comunicações no Brasil (a confirmar)
• Luiza Erundina – coordenadora da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom)
• Edgard Rebouças – coordenador do Observatório da Mídia: direitos humanos, políticas, sistemas e transparência, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
• Rosane Bertotti – coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), associação que congrega entidades da sociedade civil que atuam no Direito à Comunicação.
• Jefferson Dias – Procurador Regional dos Direitos do Cidadão substituto em São Paulo e integrante do Fórum Interinstitucional pelo Direito à Comunicação (Findac).
Moderação:
Renata Mielli – secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, organização social que atua pela democratização da comunicação no Brasil.

18h – 18h30 – Debates

DIA 24/9 (quinta-feira)

Manhã
9h30 – 11h30 – PAINEL III – “O PAPEL DAS INSTITUIÇÕES DE DIREITOS HUMANOS NA REGULAÇÃO DA MÍDIA”
Palestrantes:
• Paulina Mogrovejo – representante da Defensoria del Pueblo do Equador no Conselho de Regulação e Desenvolvimento da Informação e Comunicação (Cordicom)
• José Julio Fernández Rodríguez – Defensor del Pueblo da Galícia/Espanha
• Monserrat Solano Carboni – Defensora de los Habitantes da Costa Rica
• Luciano Leiva – Defensor del Pueblo de Santa Fé/Argentina
Moderação:
Aurélio Rios – Procurador Federal dos Direitos do Cidadão

Tarde
14h – 15h30 PAINEL IV

“EXPERIÊNCIAS LATINO-AMERICANAS PARA A DEMOCRATIZAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO”
• Argentina
Palestrante:
Martín Becerra – professor na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires (UBA) e na Universidade Nacional de Quilmes.
• Uruguai
Palestrante:
Gustavo Gómez – ex-secretário nacional de Telecomunicações do Uruguai e um dos formuladores da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, aprovada em 2014.
Moderação:
Bráulio Araújo – representante do Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social, organização que atua pela efetivação do direito humano à comunicação no Brasil.

15h30 – 16h30
Debates

16h30 – 18h DEBATE “VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS NA MÍDIA BRASILEIRA”
• Palestrante:
Suzana Varjão – representante da ANDI Comunicação e Direitos
Moderação: Domingos Sávio – Coordenador do Grupo de Trabalho Comunicação Social da PFDC

18h – Encerramento

Ler ou ver histórias?

Equipe Instituto Alfa e Beto

Pare e pense por um minuto: nas últimas semanas, quantas vezes você leu uma história para uma criança e quantas vezes você optou por colocar um vídeo em DVD ou na internet para ela? Se a frequência for maior na segunda opção, recomendamos que você pare mais alguns minutos para ler este texto.

Um estudo publicado em agosto no periódico Pediatrics (uma das principais publicações sobre Primeira Infância do mundo) mostrou como o cérebro das crianças reage ao escutar uma história. Com ajuda de ressonância magnética, os pesquisadores conseguiram observar que ao escutar um adulto lendo, crianças de 3 a 5 anos de idade ativavam uma parte do cérebro voltada à integração multissensorial, que integra som e estimulação visual. Isso significa que elas conseguiam ver a história dentro de suas cabeças, mesmo que durante o teste elas estivessem apenas escutando a leitura e sem poder ver as ilustrações.

Segundo o autor principal da pesquisa, John S. Hutton, pesquisador clínico do Centro Médico Hospitalar Infantil de Cincinnati, nos Estados Unidos, os níveis diferentes de ativação cerebral sugerem que crianças com mais prática na criação dessas imagens mentais podem desenvolver habilidades que as ajudarão mais tarde a compor histórias a partir de palavras. “Isso as auxilia a compreender qual é a aparência das coisas e pode ajudar na transição a livros sem ilustrações. Vai ajudá-las posteriormente a serem leitores melhores porque desenvolveram aquela parte do cérebro que as auxilia a ver o que está acontecendo na história.”

De acordo com Hutton, enquanto as crianças estão escutando uma história elas imaginam as cenas, coisa que não acontece quando elas estão assistindo a um vídeo. “Elas não precisam imaginar a história, ela está simplesmente sendo apresentada para elas”, defende. A diferença estaria principalmente no tipo de linguagem usada nas histórias lidas e nos filmes e desenhos animados. Quando lemos, fazemos uso de palavras que não usamos no cotidiano ao falarmos com uma criança. E o vocabulário dos vídeos tende a ser mais oralizado, excluindo certas palavras e formas gramaticais. Se ficarem apenas ligadas ao que é dito nas telas, as crianças perderão a oportunidade de criar novas conexões cerebrais.

Ainda que alguns programas possam oferecer conteúdo educativo, nenhuma animação ou desenho poderá substituir o impacto positivo no cérebro da criança causado pela leitura em voz alta realizada por um adulto. A leitura revela novas palavras, que ajudam a compor as bases de aprendizagem de cada pessoa. Quando mais cedo esse hábito for desenvolvido, melhor será o impacto ao longo da vida.

Mafalda no Rio

“Mafalda na Sopa” é o nome da exposição que está em cartaz na Biblioteca Parque Estadual, localizada na Avenida Presidente Vargas, 1261 Centro).  O público terá acesso aos esboços originais de Quino, cartunista que dá vida à personagem, e até fotos de grafites portenhos, num percurso que esquadrinha os processos de produção, difusão e circulação da principal HQ do humor argentino. As obras traçam um panorama dos 50 anos da personagem mais querida dos quadrinhos argentinos. A exposição ficará aberta à visitação até o dia 24 de outubro. A entrada é gratuita e a classificação livre. Vale lembrar que o horário de funcionamento da biblioteca é de terça a sábado, de 11h às 19h.

À procura de boas experiências

Estão abertas – até o dia 23 de outubro – a chamada pública Inovação e Criatividade na Educação Básica, promovida pelo Ministério da Educação (MEC). O objetivo é conhecer a extensão, a distribuição geográfica e o perfil da inovação e da criatividade na educação básica brasileira e fortalecer as organizações que têm propostas pedagógicas inovadoras. As organizações identificadas pelo MEC como inovadoras e criativas passaram a ser referência para a educação básica e divulgadas pelo Ministério.

Acesse a página da consulta pública

A chamada pública busca a criação das bases para uma política pública de fomento à inovação e à criatividade na educação básica, que estimule as escolas, instituições e organizações que ousaram romper com os padrões educacionais tradicionais para criar uma nova escola que forme cidadãos integrais. Podem participar as escolas públicas de educação básica das redes públicas estaduais, distrital e municipais; escolas privadas de educação básica; associações, organizações sociais e organizações da sociedade civil que atuam na educação de crianças, adolescentes e jovens, e instituições educacionais comunitárias, filantrópicas e confessionais que atuam com crianças, adolescentes e jovens.

De acordo com Helena Singer, assessora especial do Ministério da Educação, o objetivo é encontrar experiências que favoreçam a inovação e a criatividade na educação básica, não apenas a educação escolar formal e acadêmica. “Estamos em busca de organizações que procuram o desenvolvimento integral do estudante, não só o acadêmico e intelectual, mas também o desenvolvimento ético, afetivo, social e cultural”, disse. “Nós esperamos encontrar as experiências inovadoras e criativas do Brasil, tanto em escolas e quanto em instituições educativas não escolares, como centros da criança e do adolescente e centros de educação ambiental”, afirmou.

Segundo Helena Singer, é importante que as instituições percebam que para garantir os direitos básicos dos estudantes o direito de aprender não está dissociado dos outros direitos humanos. “Estamos procurando a inovação em alguns aspectos específicos, nas novas tecnologias, numa perspectiva que reconhece que os estudantes são autores hoje em dia; as escolas que reconhecem que os estudantes são produtores de cultura e conhecimento”, concluiu.

Ciclo de leitura

Desde o dia 3 de setembro, a Biblioteca Nacional e a Academia Carioca de Letras, com o apoio do Comitê 450 anos da Cidade do Rio de Janeiro, promovem um ciclo de conferências sobre os “Construtores da Literatura Carioca nos 450 anos do Rio”. A cada quinta-feira, sempre às 17 horas,  um especialista convidado ministra uma palestra sobre 12 autores representativos da criação literária e poética desenvolvida no ambiente da cidade do Rio de Janeiro.

O primeiro encontro contou com a palestra do professor e escritor Luiz Costa Lima, que falou sobre Machado de Assis, o primeiro colocado entre os autores selecionados por um júri de 80 intelectuais brasileiros. As palestras ocorrem no Auditório Machado de Assis da Biblioteca Nacional, situado à Rua México s/n, no Centro, Rio de Janeiro. A entrada é franca.

Veja a programação:

3 DE SETEMBRO
Quinta-feira, às 17h
Luiz Costa Lima sobre MACHADO DE ASSIS;

10 DE SETEMBRO
Quinta-feira, às 17h
Beatriz Resende sobre LIMA BARRETO;

24 DE SETEMBRO
Quinta-feira, às 17h
Maria Alice Rezende de Carvalho sobre JOÃO DO RIO;

9 DE OUTUBRO
Sexta-feira, às 17h
Nádia Gotlib sobre CLARICE LISPECTOR;

23 DE OUTUBRO
Sexta-feira, às 17h
Affonso Romano de Sant’Anna sobre RUBEM BRAGA

5 DE NOVEMBRO
Quinta-feira, às 17h
Claudio Murilo Leal sobre MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA

12 DE NOVEMBRO
Quinta-feira, às 17h
Antonio Carlos Secchin sobre CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

26 DE NOVEMBRO
Quinta-feira, às 17h
Eucanaã Ferraz sobre VINÍCIUS DE MORAES

3 DE DEZEMBRO
Quinta-feira, às 17h
Vilma Arêas sobre JOAQUIM MANUEL DE MACEDO

10 DE DEZEMBRO
Quinta-feira, às 17h
Fred Góes sobre MARQUES REBELO

21 DE JANEIRO
Quinta-feira, às 17h
Italo Moriconi sobre ANA CRISTINA CÉSAR

28 DE JANEIRO
Quinta-feira, às 17h
Angela Maria Dias e Sergio Fonta sobre NELSON RODRIGUES

Para alavancar o setor

Por Marcelo Araújo
MinC

O mercado consumidor de games do Brasil é o quarto maior do mundo, segundo estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Porém, a maior parte dos jogos vendidos pertence ao catálogo das multinacionais. Mesmo a produção nacional acaba comprada pelas grandes companhias. Com isso, poucos royalties ficam no país. Para reverter essa situação e estimular um dos setores mais importantes da economia da cultura, foi criado o Grupo de Trabalho (GT) de Games.

O GT reúne representantes do Ministério da Cultura (MinC), por meio das Secretarias de Políticas Culturais (SPC) e do Audiovisual (SAv) e da Agência Nacional do Cinema (Ancine); da Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo (SP Cine); do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC); do Ministério da Educação (MEC), por intermédio da TV Escola; do BNDES; e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Todos atuam em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames).

Para a diretora de Empreendedorismo, Gestão e Inovação da Secretaria de Políticas Culturais do MinC, Georgia Nicolau, a criação do GT representa um marco. “Reunimos os agentes públicos que realizam iniciativas para o segmento. Juntos, podemos pensar de forma mais estratégica e ampliar, articuladamente, o alcance dos nossos projetos para beneficiar esses empreendedores”, opina.

Segundo Georgia, o setor de games já tem expressividade no cenário criativo brasileiro e pode ser ainda mais estimulado por um conjunto de medidas do poder público. Georgia cita acesso ao crédito, participação em feiras de negócios, incentivo à exportação e capacitações em gestão empresarial como ferramentas capazes de impulsionar o mercado de games no Brasil. “Pretendemos ainda amadurecer instrumentos, como leis específicas, presença em compras públicas e incentivos a fundo perdido”, informa.

Os games também são uma pauta importante para a Secretaria do Audiovisual do MinC. “Políticas de fomento estão sendo construídas para estimular o desenvolvimento do setor e os Núcleos de Produção Digital (NPDs), nessa retomada do programa, também vão construir um diálogo com esse segmento”, afirmou o coordenador Geral de Articulação, Formulação e Difusão da SAv, Lula Oliveira.

A primeira reunião do GT foi realizada no dia 19 de agosto, em São Paulo, tendo a SP Cine como anfitriã. A próxima, prevista para novembro, também será na capital paulista e novamente promovida pela SP Cine.  Os membros do grupo de trabalho também querem estabelecer contato mais próximo com os empreendedores em eventos como o Festival Internacional de Games Brasileiro, o BIG Festival, realizado na cidade de São Paulo.

Em 2014, foi lançado o Levantamento de Informações sobre a Indústria de Games e Políticas Públicas para o Setor, produzido pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (Fusp) para o BNDES. Segundo o documento, as empresas se concentram nos estados de São Paulo (mais de 35% do total), Rio de Janeiro (aproximadamente 8%) e Rio Grande do Sul (em torno de 10%).

No Nordeste, o destaque fica com Pernambuco (mais ou menos 7% do total), devido à presença do Porto Digital, que reúne um conjunto de empreendimentos na área tecnológica. Já em relação ao faturamento, a maior parte das empresas de games (74%) são pequenos negócios, segundo o estudo. Ganham até R$ 240 mil por ano. Desde 2009, o segmento cresce por conta da facilidade em desenvolver jogos para aparelhos móveis, como tabletes e celulares, e na web, o que se tornou tendência. Antes, o desenvolvimento era bastante focado em consoles e jogos para PCs, o que tornava o processo de produção mais caro e exigia equipamentos específicos.

Filmes selecionados

A coordenação do Vídeo Fórum – Mostra Geração 2015 já divulgou a relação dos filmes selecionados para o evento deste ano. Foram escolhidos 37 obras de várias escolas do país. Os autores deverão agora proceder com os próximos passos para participar da edição deste ano que acontecerá entre os dias 24 de setembro a 8 de outubro. Um dos curtas selecionados “Interkosmos” é de autoria dos estudantes da Escola Parque, Zona Sul do Rio. Assista abaixo:

Para orientação dos inscritos, segue a lista dos filmes aprovados:


– Interkosmos
Escola Parque Barra

– A Pequena Nuvem
Oficina Escola de Arte Granada e CineZé Arte e Educação

– A Vida é Mesmo Assim
Instituto de Educação Professora Ismar Gomes de Azevedo

– Água da Cachoeira
Escola Municipal Maria Jacome de Melo – Cinema Nosso

– Alice no País sem Maravilhas
Núcleo de Arte Grécia

– Alô?
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio

– Atchim!
CIEP Armindo Marcílio Doutel de Andrade – Rede Escola Rio

– Aula dos Sonhos
Escola Municipal Mário Cláudio – Rede Escola Rio

– Bandeira Verde
Escola Municipal Conjunto Praia da Bandeira

– Cabeça Forte
Escola Municipal Monteiro Lobato

– City West – Brasil
Escola Municipal Tasso da Silveira

– Contato Consciente
Escola Municipal Roraima

– Cooperação
Escola Municipal Orlando Villas Bôas

– Devolva Minha Aliança
Escola Municipal Roberto Burle Marx

– Em Busca do Amor
Escola Municipal Aníbal Freire e Núcleo de Arte Grécia

– Gírias por Gírias
Escola Municipal Professor Edílson Duarte

– Histórias Inusitadas de Água Santa
Escola Municipal Brigadeiro Faria Lima – Rede Escola Rio

– La Solitud
Cinema em Curs

– Logo Ali
Cinema Nosso

– Memórias Póstumas
Fazer o Mundo Vídeo

– Namoral, a pista é verde
Escola Municipal Rostham Pedro de Farias –Rede Escola Rio

– O Menino e a Pipa
Escola Municipal Professor Zélio Jotha

– O Mistério do Marechal
Escola Marechal Estêvão Leitão de Carvalho

– O que rola? O que roda? Rodopia…
Núcleo de Arte Avenida dos Desfiles

– Oga Mitá Produtos Míticos
Escola Oga Mitá

– Páginas
Colégio Estadual José Leite Lopes – Nave

– Palavras e Sonhos
Papillon Cinema e Vídeo

– Partiu Festa
Escola Municipal Comunidade de Vargem Grande

– Pluja Silenciosa
Cinema em Curs

– Por Ser de Lá
Imagens em Movimento

– Quadrilha
Colégio Municipal Rui Barbosa

– Redes Sociais
Escola Municipal Professora Márcia Francesconi Pereira

– Rio de Amor e Sangue
Escola Municipal Bolívar

– Terceira Pessoa
Colégio Estadual José Leite Lopes – NAVE

– Um Dia Quase Perfeito
Escola Municipal Narcisa Amália

– Unauá
Núcleo de Arte Grande Otelo

– Viaje a los 60
Taller de Cine El Mate

Mapa dos festivais

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) acaba de lançar o Mapa de Mostras e Festivais no Brasil. A proposta desse espaço é reunir os eventos afins que acontecem em todo o país durante o ano. A ferramenta será atualizada periodicamente informando os festivais em andamento, os já encerrados no ano e o os futuros eventos. O mapa consolida todas as mostras e festivais informados à agência que têm o objetivo de isenção do pagamento da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional – em relação às obras exibidas durante o evento.

Clique aqui e acesse a produção.

Para obter o benefício da isenção tributária, é necessário que a empresa ou pessoa física organizadora ou promotora da mostra ou festival comunique previamente a realização do evento à agência, listando as obras audiovisuais a serem exibidas. No mapa serão indicadas algumas informações dos festivais e mostras, tais como local, datas e o resumo do evento.

“O segmento de Mostras e Festivais é uma das maiores vitrines da produção audiovisual brasileira. É a chance não só de novos realizadores mostrarem seus trabalhos, como diretores já consagrados anteciparem suas obras. Por meio das Mostra e Festivais de Cinema os brasileiros têm acesso ao estado da arte da produção cinematográfica nacional. Com o Mapa queremos dar visibilidade ao importante trabalho realizado por seus organizadores em todo o País”, comentou o diretor-presidente Manoel Rangel.